Prévia do material em texto
INFORMATIVO STJ-871 13 Questões certo/errado 2025 Entrar no grupo https://chat.whatsapp.com/DiajJxorl4bIftUGG2vd5H SUMÁRIO QUESTÃO 1 - ADMINISTRATIVO / PROCESSUAL CIVIL COLETIVO: A Primeira Seção do STJ, por unanimidade, homologou o novo "Plano de Ação", a fim de fixar a data de 31/3/2026 como termo final para o cumprimento integral do acórdão que fixou obrigações relacionadas ao Incidente de Assunção de Competência nº 16, devendo a União e a ANVISA, até lá, comunicar a Corte acerca da execução das etapas intermediárias discriminadas no cronograma, no prazo de cinco dias contados dos respectivos vencimentos. (STJ-871 / Pet no REsp 2.024.250-PR. IAC 16) QUESTÃO 2 - ADMINISTRATIVO / PROCESSUAL CIVIL COLETIVO: 1) Os docentes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que não tenham intervindo no mandado de segurança coletivo impetrado pelo ANDES não estão submetidos aos efeitos desfavoráveis da coisa julgada produzida nessa ação coletiva, não havendo óbice a que a questão relativa à restituição dos valores recebidos a título de "diferenças de 26,05% - URP" seja discutida e decidida novamente em ações individuais ajuizadas por esses docentes. 2) Não induz litispendência para com o mandado de segurança coletivo impetrado pelo ANDES o ajuizamento de ações individuais pelos docentes da UFSC antes do trânsito em julgado dessa ação mandamental, ainda que idênticos os objetos das demandas. (STJ-871 / REsp 1.860.219-SC. IAC 17) QUESTÃO 3 - TRIBUTÁRIO: É possível a dedução dos juros sobre capital próprio (JCP) da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando apurados em exercício anterior ao da decisão assemblear que autoriza o seu pagamento. (STJ-871 / REsp 2.162.629-PR. Tema 1319 Recursos Repetitivos) QUESTÃO 4 - TRIBUTÁRIO: É possível deduzir, da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), os valores vertidos a título de contribuições extraordinárias para a entidade fechada de previdência complementar, observando-se o limite de 12% do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos, nos termos da Lei Complementar n. 109/2001 e das Leis n. 9.250/1995 e 9.532/1997. (STJ-871 / REsp 2.043.775-RS. Tema 1224 Recursos Repetitivos) QUESTÃO 5 - PREVIDENCIÁRIO / HUMANOS: No regime anterior à vigência da MP n. 871/2019, é possível a flexibilização do critério econômico para a concessão do auxílio-reclusão, ainda que a renda mensal do segurado preso, quando do recolhimento à prisão, supere o valor legalmente fixado como critério de baixa renda, desde que o exceda em percentual ínfimo. A partir da vigência da MP n. 871/2019, não é possível a flexibilização do limite máximo da renda bruta do segurado para a obtenção do benefício de auxílio-reclusão, calculado com base na média aritmética simples dos salários de contribuição apurados nos doze meses anteriores ao mês do recolhimento à prisão, exceto se o Executivo não promover a correção anual do seu valor pelos mesmos índices aplicados aos benefícios do Regime Geral de Previdência Social. (STJ-871 / REsp 1.958.361-SP. Tema 1162 Recursos Repetitivos) QUESTÃO 6 - HUMANOS: No âmbito das Forças Armadas: (a) é devido o uso do nome social e a atualização dos assentamentos funcionais e de todas as comunicações e atos administrativos para refletir a identidade de gênero do militar; (b) é vedada a reforma ou qualquer forma de desligamento fundada exclusivamente no fato de o militar transgênero ter ingressado por vaga originalmente destinada ao sexo/gênero oposto; (c) A condição de transgênero ou a transição de gênero não configura, por si só, incapacidade ou doença para fins de serviço militar, sendo vedada a instauração de processo de reforma compulsória ou o licenciamento ex officio fundamentados exclusivamente na identidade de gênero do militar. (STJ-871 / REsp 2.133.602-RJ) QUESTÃO 7 - CIVIL: A disponibilização de dados pessoais, por si só, não configura dano moral presumido, sendo imprescindível a comprovação de que a conduta do gestor de banco de dados resultou em abalo significativo aos direitos de personalidade do titular. (STJ-871 / REsp 2.221.650-SP) QUESTÃO 8 - CIVIL: O direito real de habitação do cônjuge supérstite deve recair sobre o último imóvel em que o casal foi domiciliado antes do óbito, salvo situações excepcionais devidamente comprovadas. (STJ-871 / REsp 2.222.428-MG) QUESTÃO 9 - CONSUMIDOR: Há responsabilidade civil de estabelecimento hoteleiro que, em razão da fixação inadequada de extintor de incêndio de grande porte em suas dependências, causa acidente que resulta em graves 1 danos à saúde de menor de idade. (STJ-871 / REsp 2.155.235-SP) QUESTÃO 10 - PROCESSUAL CIVIL: O princípio da perpetuação da jurisdição pode ser excepcionado em decorrência de acordo celebrado entre os juízos permutantes, para que cada qual sentencie os processos nos quais colhida diretamente a prova oral antes da substituição. (STJ-871 / REsp 2.104.647-SP) QUESTÃO 11 - PROCESSUAL CIVIL: Os documentos eletrônicos podem ter sua autoria e integridade comprovada, ainda que utilizados certificados não emitidos pela ICP-Brasil, desde que admitido pelas partes como válido ou aceito pela pessoa a quem for oposto o documento. (STJ-871 / REsp 2.205.708-PR) QUESTÃO 12 - PROCESSUAL PENAL: 1. A revisão criminal não pode ser admitida sem a apresentação de novas provas, conforme o art. 622, parágrafo único, do CPP. 2. A absolvição ou redução de pena em revisão criminal deve observar os limites do art. 621, inciso I, do CPP, sendo vedada a revaloração subjetiva de provas já analisadas. (STJ-871 / REsp 2.123.321-RJ) QUESTÃO 13 - EXECUÇÃO PENAL: A remição de pena em razão do estudo a distância (EAD) demanda a prévia integração do curso ao Projeto Político-Pedagógico (PPP) da unidade ou do sistema prisional, não bastando o necessário credenciamento da instituição junto ao MEC, observando-se a comprovação de frequência e realização das atividades determinadas. (STJ-871 / REsp 2.085.556-MG. Tema 1236 Recursos Repetitivos) GABARITO 2 QUESTÃO 1 Nos processos estruturais que envolvem reforma administrativa complexa com participação de múltiplas entidades públicas, a prorrogação de prazo judicial mostra-se cabível quando demonstrado cumprimento substancial das obrigações impostas, ausência de má-fé processual e complexidade intrínseca das etapas remanescentes, equilibrando a rigidez processual com o reconhecimento das dificuldades operacionais efetivamente enfrentadas pelos entes públicos. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 Os processos estruturais constituem modalidade específica de tutela jurisdicional destinada à solução de problemas estruturais enraizados, caracterizados por situações de desconformidade permanente que demandam séries coordenadas de atos de reestruturação administrativa. Diferentemente das sentenças tradicionais que se exaurem em prestações simples e pontuais, as decisões estruturais impõem obrigações complexas envolvendo múltiplas entidades, etapas sequenciais e desafios operacionaissignificativos. A execução dessas decisões exige do Poder Judiciário postura que equilibre a necessária autoridade da coisa julgada com o reconhecimento das dificuldades reais enfrentadas na implementação de reformas administrativas complexas. A jurisprudência dos tribunais superiores reconhece que rigidez processual absoluta pode revelar-se contraproducente quando a natureza do provimento demanda articulação interinstitucional, participação social em processos regulatórios e coordenação de competências técnicas especializadas. A prorrogação de prazos em processos estruturais encontra justificativa quando presentes cumulativamente determinados elementos: demonstração concreta de esforço no cumprimento das obrigações, com adimplemento substancial de parcela significativa do plano de ação; ausência de elementos indicadores de má-fé processual ou resistência deliberada; e complexidade intrínseca das etapas remanescentes que justifique dilação temporal razoável. A mera invocação genérica de dificuldades administrativas não autoriza postergação indefinida. O controle judicial sobre execução de sentenças estruturais pode incluir mecanismos de monitoramento contínuo, com prestação periódica de informações sobre cumprimento de etapas intermediárias, permitindo ao tribunal acompanhar o desenvolvimento do plano de ação e intervir tempestivamente caso verificada inércia injustificada. Essa postura reflete compreensão sofisticada sobre limites e possibilidades da atuação judicial em demandas que exigem transformações administrativas profundas. Resposta: CERTO QUESTÃO 2 A coisa julgada formada em mandado de segurança coletivo impetrado por entidade sindical vincula todos os integrantes da categoria profissional representada, independentemente de terem intervindo no processo, aplicando-se o regime geral da substituição processual que estende os efeitos da decisão judicial aos substituídos, configurando-se litispendência em relação às ações individuais posteriores sobre a mesma matéria. 3 ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 O regime da coisa julgada nas ações coletivas, disciplinado pelos artigos 103 e 104 do CDC, representa significativa alteração do sistema tradicional previsto no artigo 506 do CPC. Enquanto a regra geral estabelece que a sentença faz coisa julgada entre as partes, o microssistema coletivo adota o princípio da coisa julgada secundum eventum litis, condicionando os efeitos da decisão ao resultado do julgamento. Esse sistema diferenciado estabelece proteção essencial aos titulares individuais de direitos, fundamentando-se no princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa. Aqueles que não participaram do processo coletivo e não tiveram oportunidade de influenciar a formação do convencimento judicial não podem ser prejudicados por decisão desfavorável proferida em ação na qual figuraram apenas como substituídos processuais, sem efetiva participação. A autonomia entre as demandas coletivas e individuais, expressamente prevista no artigo 104 do CDC, impede a configuração de litispendência mesmo quando fundadas no mesmo fato gerador e na defesa de interesses idênticos. Essa opção legislativa representa salvaguarda contra eventual inadequação da representação coletiva ou deficiência na condução processual pela entidade legitimada extraordinariamente. Diferentemente do regime geral da substituição processual, no qual os efeitos da sentença estendem-se automaticamente aos substituídos, o microssistema coletivo protege os membros do grupo contra decisões desfavoráveis, permitindo-lhes rediscutir individualmente a matéria. Essa limitação subjetiva da eficácia da decisão coletiva constitui garantia processual essencial à proteção dos direitos individuais no ordenamento jurídico brasileiro. Resposta: ERRADO QUESTÃO 3 A dedução dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do IRPJ e da CSLL deve ocorrer exclusivamente no exercício fiscal em que houver deliberação assemblear autorizativa da distribuição, uma vez que é nesse momento que nasce a obrigação jurídica de pagamento para a sociedade e o correspondente direito de crédito para os acionistas, conforme orientação fixada pelo STJ. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 Os juros sobre capital próprio constituem forma de remuneração dos acionistas instituída pela Lei nº 9.249/1995, permitindo tratamento fiscal diferenciado como mecanismo de estímulo ao investimento produtivo. A legislação estabelece limites quantitativos para a dedução desses valores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, vinculados à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e ao patrimônio líquido ou lucros acumulados da sociedade. 4 A questão sobre o momento adequado para a dedução fiscal dos JCP suscita debate entre duas correntes interpretativas: uma que defende a necessidade de sincronia entre a apuração contábil e a deliberação societária, outra que admite o descompasso temporal desde que preservados os requisitos legais originários. Esse tema envolve a articulação entre o direito societário, que regula o processo deliberativo assemblear, e o direito tributário, que disciplina os efeitos fiscais da distribuição dos JCP. A Receita Federal tradicionalmente sustentou posição restritiva, argumentando que a dedutibilidade fiscal só se perfectibilizaria com a deliberação assemblear, momento em que surge formalmente a obrigação de pagamento. Esse entendimento administrativo buscava vincular o benefício fiscal ao fato gerador completo, interpretando que a mera apuração contábil seria insuficiente para legitimar a dedução em exercício anterior à autorização societária. O STJ, ao apreciar a matéria em sede de recurso repetitivo, examinou detidamente a literalidade da Lei nº 9.249/1995 e os princípios constitucionais tributários aplicáveis, especialmente a legalidade estrita e a tipicidade cerrada. A Primeira Seção considerou que a legislação não estabelece coincidência obrigatória entre apuração contábil e deliberação assemblear como requisito para dedutibilidade fiscal, permitindo que JCP apurados em exercício anterior sejam deduzidos desde que respeitados os limites legais quando de sua constituição. Esse posicionamento afasta interpretações restritivas baseadas exclusivamente em atos infralegais e reforça a supremacia da lei formal em matéria tributária. Resposta: ERRADO QUESTÃO 4 As contribuições extraordinárias destinadas à cobertura de déficit atuarial em entidades fechadas de previdência complementar não são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, pois a legislação tributária contempla expressamente apenas as contribuições normais e periódicas ao plano de benefícios, sendo vedada a interpretação extensiva ou analógica em matéria de benefícios fiscais, conforme determinam os artigos 111 e 176 do CTN 1 . ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 O regime jurídico da previdência complementar fechada estabelece que todas as contribuições vertidas pelos participantes, sejam ordinárias ou extraordinárias, destinam-se à constituição das reservas matemáticas necessárias ao pagamento dos benefícios contratados.A natureza jurídica dessas contribuições é idêntica, variando apenas a periodicidade e a causa que enseja o aporte, mas não sua finalidade essencial, que permanece sendo a garantia dos direitos previdenciários dos participantes. 1 Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sôbre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. a isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. 5 A legislação tributária que disciplina as deduções da base de cálculo do imposto de renda pessoa física utiliza terminologia genérica ao permitir a dedução de contribuições a entidades de previdência privada, sem estabelecer qualquer restrição quanto à periodicidade, regularidade ou classificação contábil dessas contribuições. O requisito legal é que os valores sejam efetivamente destinados ao custeio de benefícios de natureza previdenciária complementar. Os artigos 111 e 176 do CTN efetivamente estabelecem diretrizes para interpretação da legislação tributária, exigindo interpretação literal em determinadas hipóteses. Contudo, a doutrina e a jurisprudência têm distinguido situações em que há efetiva concessão de benefício fiscal daquelas em que há mera especificação de elementos necessários à correta mensuração da base de cálculo do tributo. A dedução de contribuições previdenciárias relaciona-se ao princípio da capacidade contributiva, reconhecendo que tais valores não representam renda disponível. O tratamento diferenciado entre contribuições ordinárias e extraordinárias, sem amparo em distinção legal expressa, configuraria discriminação arbitrária entre contribuintes que se encontram em situação jurídica equivalente. A hermenêutica tributária contemporânea reconhece que a vedação à interpretação extensiva não pode servir de fundamento para criar restrições inexistentes no texto legal, especialmente quando tal restrição contraria a finalidade da norma e os princípios constitucionais que regem a tributação da renda. Resposta: ERRADO QUESTÃO 5 O Poder Judiciário possui competência para flexibilizar o critério objetivo de baixa renda estabelecido em lei para concessão do auxílio-reclusão mediante análise concreta da situação econômica dos dependentes do segurado, desde que o excedente seja inferior a 10% (dez por cento) do limite legal e reste comprovada a hipossuficiência da unidade familiar, em observância aos princípios da dignidade da pessoa humana e da proteção social. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 O auxílio-reclusão constitui benefício previdenciário contributivo previsto constitucionalmente, destinado aos dependentes do segurado de baixa renda que se encontra em regime de reclusão. A Constituição Federal, após as modificações promovidas pelas Emendas Constitucionais nº 20/1998 e nº 103/2019, estabeleceu expressamente o requisito de baixa renda como condição para a concessão, conferindo à lei ordinária a competência para definir os critérios objetivos de aferição desse parâmetro econômico. Durante período anterior às modificações legislativas de 2019, a jurisprudência do STJ efetivamente admitia certa margem de flexibilização quando o excedente em relação ao limite legal era percentualmente insignificante, fundamentando-se na finalidade protetiva do benefício e na aplicação de princípios constitucionais. Essa orientação considerava que pequenas variações não deveriam obstar o acesso ao direito, especialmente quando a renda era apurada com base em um único mês de referência. A Lei nº 13.846/2019, originada da conversão da Medida Provisória nº 871/2019, alterou substancialmente o regime jurídico ao instituir a apuração da renda pela média aritmética dos doze 6 meses anteriores à prisão. Essa modificação legislativa proporcionou critério mais equânime e abrangente, eliminando injustiças decorrentes de oscilações pontuais e permitindo avaliação temporal adequada da real situação econômica do segurado. Com a vigência dessa nova sistemática, o entendimento jurisprudencial consolidou-se no sentido de que não subsiste espaço para flexibilização judicial baseada em percentuais ou análise casuística das necessidades dos dependentes, ressalvada unicamente a hipótese de omissão do Poder Executivo na correção anual do limite de renda. A fixação de critérios objetivos pelo legislador, especialmente após o aperfeiçoamento do método de cálculo, vincula a atuação jurisdicional e impede substituição do parâmetro legal por avaliações subjetivas, ainda que motivadas por considerações humanitárias ou principiológicas. Resposta: ERRADO QUESTÃO 6 A condição transgênera não constitui, por si só, fundamento legítimo para reforma de militar, devendo a Administração proceder à imediata adequação dos assentamentos funcionais ao gênero identitário retificado no registro civil, sob pena de configurar discriminação incompatível com a ordem constitucional e convencional. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 O direito à identidade de gênero encontra fundamento nos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, da igualdade substancial e da vedação à discriminação, integrando o núcleo essencial da personalidade e projetando efeitos em todas as esferas da vida civil e funcional. A retificação registral de prenome e gênero, reconhecida pelo ordenamento jurídico como direito fundamental, não se restringe aos efeitos civis, mas vincula todas as esferas da Administração Pública, incluindo a militar, no dever de adequação documental e cadastral. O Estatuto dos Militares estabelece taxativamente as hipóteses de reforma, não prevendo a transexualidade como causa justificadora do afastamento compulsório. A ausência de previsão legal específica impede que a Administração militar, ainda que revestida de prerrogativas funcionais peculiares, promova reformas fundamentadas exclusivamente na identidade de gênero, sob pena de violar o princípio da legalidade estrita e criar discriminação arbitrária. O Decreto 8.727/2016 reforça o dever administrativo de adequação imediata dos registros funcionais à identidade declarada. A jurisprudência aplica controle de convencionalidade a partir da Opinião Consultiva 24/2017 da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que veda discriminações baseadas em orientação sexual e identidade de gênero, além de utilizar os Princípios de Yogyakarta como parâmetros interpretativos. A despatologização da transexualidade pela CID-11 da Organização Mundial da Saúde reforça a compreensão de que essa condição não implica inaptidão para o exercício de funções militares. Argumentos administrativos fundados em vinculação editalícia, necessidade de intermediação legislativa ou discricionariedade não afastam a aplicação direta de direitos fundamentais.O controle jurisdicional que assegura a adequação registral e veda reformas discriminatórias não configura violação à 7 separação dos poderes, mas concretização da força normativa da Constituição e dos tratados internacionais de direitos humanos incorporados ao ordenamento jurídico brasileiro. Resposta: CERTO QUESTÃO 7 A disponibilização de dados pessoais não sensíveis a terceiros consulentes, ainda que sem autorização expressa do titular, configura dano moral presumido dispensando comprovação de abalo concreto aos direitos de personalidade, em razão da proteção conferida pela legislação de proteção de dados e pela natureza dos direitos fundamentais envolvidos. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 A responsabilidade civil por danos morais decorrentes de violações à legislação de proteção de dados constitui tema de crescente relevância na jurisprudência brasileira, especialmente após a entrada em vigor da LGPD. A questão central reside em determinar se toda e qualquer violação às normas de proteção de dados gera automaticamente direito à indenização por danos morais ou se é necessária a demonstração de efetivo prejuízo aos direitos de personalidade do titular. O STJ tem adotado distinção fundamental entre dados sensíveis e dados pessoais ordinários para fins de configuração de dano moral. Os dados sensíveis, por sua natureza e potencial discriminatório, recebem proteção jurídica reforçada e podem, em determinadas circunstâncias, ensejar presunção de dano. Já os dados pessoais não sensíveis correspondem a informações rotineiramente compartilhadas em diversas relações jurídicas e cadastros, não estando submetidas, em regra, a regime de sigilo especial. A jurisprudência consolidada no STJ refuta a teoria do dano moral in re ipsa para casos de disponibilização irregular de dados pessoais não sensíveis, exigindo que o titular comprove não apenas a ilegalidade da conduta, mas também que dela resultou abalo significativo e concreto aos seus direitos de personalidade. Essa orientação visa evitar a banalização do instituto do dano moral e a geração automática de indenizações por meras irregularidades formais no tratamento de dados. O entendimento prestigia interpretação equilibrada entre a proteção de dados pessoais e a razoabilidade na aplicação da responsabilidade civil, reconhecendo que nem toda violação técnica às normas de proteção de dados produz, necessariamente, lesão aos direitos de personalidade passível de compensação pecuniária, sendo imprescindível a demonstração do nexo causal entre a conduta irregular e o efetivo prejuízo extrapatrimonial experimentado pelo titular. Resposta: ERRADO QUESTÃO 8 O direito real de habitação do cônjuge sobrevivente incide sobre o imóvel que servia de residência ao casal ao tempo do falecimento, adotando-se como critério determinante a última moradia conjugal, 8 independentemente de circunstâncias como a percepção de pensão previdenciária pelo viúvo ou a situação patrimonial dos demais herdeiros. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 O direito real de habitação previsto no artigo 1.831 do CC constitui direito sucessório especial do cônjuge sobrevivente, destinado a assegurar a manutenção do domicílio familiar após a dissolução do casamento pela morte. A norma estabelece proteção ao membro remanescente da relação conjugal, garantindo-lhe permanecer no ambiente que era comum ao casal, preservando vínculos afetivos e estabilidade existencial. A aplicação desse instituto suscita questões práticas relevantes quando o casal habitou sucessivamente diferentes imóveis ao longo da vida matrimonial. A jurisprudência superior consolidou entendimento no sentido de privilegiar a última residência do casal como objeto do direito real de habitação, critério que oferece objetividade e segurança jurídica às relações sucessórias, afastando valorações subjetivas sobre qual imóvel teria maior significado ou duração temporal de ocupação. Outra controvérsia relevante refere-se à possibilidade de afastamento do direito real de habitação em razão de circunstâncias pessoais dos envolvidos. A orientação jurisprudencial firmada estabelece que condições patrimoniais ou econômicas, tanto do cônjuge supérstite quanto dos demais herdeiros, não constituem fundamento bastante para negar a aplicação da norma sucessória protetiva. A finalidade do instituto não se confunde com análise casuística de necessidade ou com critérios de justiça distributiva entre sucessores. Apenas situações excepcionalíssimas e devidamente comprovadas poderiam justificar interpretação restritiva do dispositivo legal. A norma sucessória visa proteger o cônjuge em razão da própria condição jurídica e não propriamente em função de eventual hipossuficiência econômica, preservando-se assim a previsibilidade e uniformidade necessárias ao direito das sucessões. Resposta: CERTO QUESTÃO 9 Os estabelecimentos hoteleiros respondem objetivamente por acidentes ocorridos em suas áreas de recreação infantil quando decorrem de defeitos nas instalações, como a fixação inadequada de equipamentos de segurança, não sendo a responsabilidade afastada pela mera presença de acompanhante, uma vez que não se pode exigir do responsável pela criança vigilância contra riscos ocultos que frustram a legítima expectativa de segurança do ambiente. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 O CDC estabelece regime de responsabilidade objetiva do fornecedor de serviços, fundamentado na teoria do risco da atividade empresarial. O defeito no serviço caracteriza-se pela insegurança oferecida ao consumidor, frustrando as expectativas legítimas quanto aos riscos ordinariamente esperados. Demonstrado o nexo causal entre o defeito e o dano experimentado, configura-se o dever de indenizar independentemente da comprovação de culpa subjetiva do prestador. 9 As áreas de recreação infantil disponibilizadas por estabelecimentos comerciais geram expectativa qualificada de segurança nos usuários, considerando que se destinam a crianças, sujeitos em desenvolvimento com discernimento reduzido. Ao ofertar espaço específico para o público infantil, o fornecedor assume obrigações reforçadas quanto à segurança estrutural e manutenção preventiva, não podendo transferir aos consumidores riscos decorrentes de deficiências na própria infraestrutura do estabelecimento. A excludente de responsabilidade por culpa exclusiva de terceiro exige que a conduta alheia seja a causa única e determinante do evento danoso, rompendo completamente o nexo causal. Não se caracteriza essa excludente quando o responsável pela criança não possui condições de identificar ou prevenir riscos ocultos inerentes às instalações, como defeitos estruturais em equipamentos fixados pelo estabelecimento. O parâmetro do homem médio não autoriza exigir do acompanhante a previsão de falhas na manutenção ou instalação de equipamentos de segurança. O regime protetivo consumerista, fundamentado no princípio da confiança legítima e na vulnerabilidade técnica do consumidor, impõe ao fornecedor o dever de garantir a adequação e segurança dasinstalações oferecidas ao público. A mera presença de responsável acompanhando menor não transfere ao consumidor os deveres de manutenção e segurança estrutural que competem ao estabelecimento, especialmente em ambientes que se apresentam como adequados e seguros para utilização infantil. Resposta: CERTO QUESTÃO 10 A sentença proferida por magistrado que não mais exerce jurisdição na vara onde tramita o processo é válida quando existe autorização formal da administração do tribunal com efeitos retroativos que alcancem a data da prolação da decisão, constituindo exceção legítima ao princípio da perpetuação da jurisdição, ainda que a publicação do ato designatório ocorra posteriormente. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 O princípio da perpetuação da jurisdição, previsto no artigo 43 do CPC, estabelece que a competência se fixa no momento do registro ou distribuição da petição inicial, vinculando o processo àquele juízo específico. Este princípio correlaciona-se com o postulado do juiz natural, que assegura a tipicidade e indisponibilidade da competência jurisdicional, garantindo segurança jurídica, previsibilidade e imparcialidade no exercício da função judicante. A jurisprudência superior reconhece que exceções ao princípio da perpetuação da jurisdição são admissíveis quando fundamentadas em causas objetivas e formalmente autorizadas pela administração judiciária. Situações como mutirões processuais, redistribuições para equalização de acervos, designações para auxílio jurisdicional e acordos de cooperação entre magistrados podem justificar a atuação de juiz diverso daquele originalmente competente, desde que respaldadas por ato administrativo formal. A questão central reside na validade de designações com efeitos retroativos publicadas posteriormente à prolação da sentença. O posicionamento jurisprudencial admite que a autorização administrativa posterior, quando expressamente retroativa à data do ato jurisdicional praticado, preserva a validade da 10 decisão proferida. Essa solução concilia a necessidade de formalização administrativa com a preservação da identidade física do juiz que conduziu a instrução probatória. A flexibilização controlada do princípio da perpetuação da jurisdição, mediante autorização formal da administração do tribunal, não compromete o juiz natural nem a segurança processual, desde que fundamentada em razões objetivas e documentada adequadamente. A designação retroativa constitui mecanismo de regularização que reconhece a legitimidade do ato jurisdicional praticado sob amparo de acordo cooperativo entre magistrados, especialmente quando visa preservar o princípio da identidade física do juiz. Resposta: CERTO QUESTÃO 11 A certificação digital pelo sistema ICP-Brasil constitui requisito essencial para conferir força executiva a títulos extrajudiciais em meio eletrônico, de modo que o magistrado deve indeferir de ofício a petição inicial de execução baseada em documento assinado eletronicamente por plataforma privada não credenciada naquele sistema. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 A regulamentação da certificação digital no ordenamento jurídico brasileiro estabelece diferentes níveis de presunção e validade para documentos eletrônicos conforme o mecanismo de autenticação empregado. O artigo 10, § 2º, da Medida Provisória n. 2.200-2/2001 confere presunção relativa de veracidade aos documentos certificados pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira, mas não veda a utilização de outros sistemas de assinatura eletrônica nas relações privadas. A alteração promovida pela Lei n. 14.620/2023 no CPC foi explícita ao prever, no § 4º do artigo 784, que títulos executivos extrajudiciais em meio eletrônico podem ser constituídos mediante qualquer modalidade de assinatura eletrônica, desde que assegurada a integridade pelo provedor do serviço. Essa norma afasta interpretação restritiva que condicione a executividade exclusivamente à certificação ICP-Brasil. O controle judicial sobre a validade formal dos títulos executivos deve observar o devido processo legal e o contraditório. Questões relativas à autenticidade de assinaturas eletrônicas constituem matéria de defesa, devendo ser suscitadas pela parte executada mediante impugnação fundamentada. A atuação ex officio do magistrado para afastar a eficácia executiva, antes mesmo da citação, configura supressão de instância e violação à inércia jurisdicional. A autonomia da vontade das partes e a aceitação do meio tecnológico escolhido para formalização do negócio jurídico são elementos relevantes na análise. A jurisprudência superior reconhece que impor exclusivamente a certificação ICP-Brasil representaria obstáculo desproporcional à circulação de crédito e à modernização das relações negociais, privilegiando formalismo excessivo em detrimento da efetividade e da segurança jurídica adequada ao contexto tecnológico contemporâneo. Resposta: ERRADO 11 QUESTÃO 12 A revisão criminal constitui ação autônoma de impugnação destinada exclusivamente à correção de erro judiciário evidente, não admitindo mera revalorização subjetiva do conjunto probatório já apreciado no processo de conhecimento, de modo que a condenação por tráfico de drogas amparada em interceptações telefônicas e depoimentos que demonstrem o vínculo do agente com a atividade ilícita não pode ser desconstituída pela ausência de apreensão direta de entorpecentes em seu poder, quando tal ausência não configure evidência contrária manifesta aos autos. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 A revisão criminal, disciplinada pelos artigos 621 e 622 do CPP, possui natureza jurídica excepcional e destina-se à correção de erros judiciários manifestos. O instituto não se presta a funcionar como terceira instância recursal, sendo vedada a simples rediscussão valorativa de provas já apreciadas no processo de conhecimento. A hipótese do artigo 621, inciso I, que autoriza a revisão quando a condenação for contrária à evidência dos autos, exige contradição ostensiva e patente entre o decisum e o acervo probatório. No âmbito da criminalidade organizada, especialmente nos delitos relacionados ao tráfico de drogas, a jurisprudência consolidada reconhece que a materialidade e autoria delitivas podem ser comprovadas mediante elementos indiciários convergentes que revelem o vínculo subjetivo do agente com a atividade ilícita. Interceptações telefônicas idôneas, depoimentos consistentes e demonstração de participação em estrutura criminosa constituem meio probatório suficiente para a condenação, independentemente da apreensão física de entorpecentes diretamente com o acusado. A ausência de apreensão direta de drogas em poder do réu não configura, automaticamente, evidência contrária aos autos apta a justificar a desconstituição da condenação pela via revisional. Tal circunstância deve ser analisada no contexto probatório global, considerando-se que agentes em posição de liderança frequentemente não mantêm contato direto com o material entorpecente. A revisão criminal somente prospera quando demonstrada contradição manifestae insuperável entre a condenação e o conjunto probatório, não bastando mera insuficiência ou divergência interpretativa. O parágrafo único do artigo 622 do CPP veda expressamente a reiteração do pedido revisional sem amparo em novas provas, evidenciando que o instituto não autoriza o reexame indefinido da mesma matéria fático-probatória. Essa limitação fundamenta-se nos princípios da segurança jurídica e da estabilidade da coisa julgada penal, impedindo que divergências valorativas sobre provas já apreciadas ensejem sucessivas desconstituições de decisões transitadas em julgado. Resposta: CERTO QUESTÃO 13 Para fins de remição de pena por estudo, o credenciamento da instituição de ensino superior junto ao Ministério da Educação, somado à apresentação de certificado de frequência e aproveitamento emitido pela própria instituição, é suficiente para reconhecer o direito do reeducando, independentemente de autorização prévia do órgão responsável pela administração prisional ou de integração da atividade ao projeto pedagógico da unidade. 12 ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 A remição de pena pelo estudo constitui direito fundamental do apenado, previsto no artigo 126 da Lei de Execução Penal, que visa estimular a educação como instrumento de ressocialização e reintegração social. A legislação reconhece expressamente a possibilidade de remição por atividades educacionais realizadas na modalidade presencial ou a distância, desde que devidamente certificadas pelas autoridades educacionais competentes. O Conselho Nacional de Justiça estabeleceu regulamentação específica sobre os requisitos procedimentais para reconhecimento da remição pela educação, atualmente consolidada na Resolução nº 391/2021. Essas normas administrativas visam compatibilizar o exercício do direito à educação com as peculiaridades do ambiente prisional e as necessidades de controle inerentes à execução penal, estabelecendo critérios de comprovação e fiscalização das atividades desenvolvidas. O STJ enfrentou a questão sobre os limites e requisitos para concessão de remição por estudo a distância, definindo se o credenciamento da instituição pelo MEC seria suficiente ou se haveria necessidade de outros requisitos administrativos. A Corte ponderou os interesses em jogo: de um lado, o direito fundamental à educação e à remição; de outro, a necessidade de controles que assegurem a efetividade, autenticidade e qualidade das atividades educacionais realizadas no contexto da execução penal. A jurisprudência reconhece que a execução penal possui particularidades que justificam requisitos adicionais além daqueles aplicáveis ao ensino regular. A possibilidade de fiscalização pelo Poder Público sobre a regularidade da frequência, a autenticidade do aproveitamento e a adequação pedagógica constitui elemento essencial para evitar fraudes e garantir que a remição corresponda efetivamente a atividades educacionais contributivas à ressocialização do apenado. Resposta: ERRADO GABARITO 1. C 2. E 3. E 4. E 5. E 6. C 7. E 8. C 9. C 10. C 11. E 12. C 13. E ____ 13