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INFORMATIVO 845 - STJ 14 Questões certo/errado 2025 - 1º Semestre SUMÁRIO QUESTÃO 1 - ADMINISTRATIVO: A tentativa de ajuizar ação de improbidade com o objetivo exclusivo de declarar a existência de ato ímprobo praticado pelo beneficiário do acordo de colaboração premiada, sem imposição de sanções além daquelas previamente ajustadas, compromete a segurança jurídica, a previsibilidade do sistema e a eficiência das investigações, além de desestimular potenciais delatores, de maneira que o ajuizamento de ação declaratória nesses moldes não é compatível com a finalidade normativa da Lei n. 8.429/1992. (STJ-845 / ⛔ ) QUESTÃO 2 - ADMINISTRATIVO : O prazo prescricional da ação de improbidade, em caso de atos correspondentes a crimes cometidos por magistrados estaduais, é regulado pela Lei n. 8.112/1990, ante o silêncio da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN); sendo que o termo inicial desse prazo é a ciência do ato pela autoridade com atribuição para instaurar o processo administrativo disciplinar. (STJ-845 / ⛔ ) QUESTÃO 3 - ADMINISTRATIVO / PROCESSUAL CIVIL: A conversão de ação de improbidade administrativa em ação civil pública, prevista no art. 17, § 16, da Lei n. 8.429/1992 (com a redação atual), deve ocorrer no primeiro grau de jurisdição, antes da sentença, conforme interpretação teleológica e sistemática do dispositivo, com competência atribuída ao magistrado de primeira instância e decisão de conversão sujeita ao recurso de agravo de instrumento, conforme previsto no § 17 do mesmo artigo. (STJ-845 / ⛔ ) QUESTÃO 4 - ADMINISTRATIVO / PROCESSUAL CIVIL: Na desapropriação fundada no art. 184 da Constituição Federal, a legislação que entra em vigor no curso do processo judicial, após a imissão provisória na posse, modifica a taxa de juros compensatórios, a qual corresponde a 0% (zero por cento) de 9/12/2015 a 17/5/2016 (art. 15-A, § 1º, no Decreto-Lei n. 3.365/1941, introduzido pelo art. 1º da Medida Provisória n. 700/2015); ao "percentual correspondente ao fixado para os títulos da dívida agrária depositados como oferta inicial para a terra nua", de 12/7/2017 a 13/7/2023 (art. 5º, § 9º, da Lei n. 8.629/1993, introduzido pela Lei n. 13.465/2017); e a 0% (zero por cento) a partir de 14/7/2023 (art. 15-A, § 1º, no Decreto-Lei n. 3.365/1941, com redação dada pelo art. 21 da Lei n. 14.620/2023). (STJ-845 / REsp 2.164.309-CE) QUESTÃO 5 - TRIBUTÁRIO : A entrega de mercadoria pelo produtor rural à cooperativa não constitui fato gerador da contribuição social ao Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL). (STJ-845 / AgInt no REsp 2.158.588-SC) QUESTÃO 6 - TRIBUTÁRIO : Não é cabível a ação de consignação em pagamento para fins de recolher o tributo em parcelas, isto é, o devedor deve consignar o valor integral da exação. (STJ-845 / REsp 2.146.757-MT) QUESTÃO 7 - CIVIL: A omissão de informações relevantes pelo segurado, como a idade, resulta na perda do direito à garantia, conforme art. 766 do Código Civil. (STJ-845 / REsp 1.970.488-SP) QUESTÃO 8 - EMPRESARIAL : Classifica-se como extraconcursal o crédito advindo da 1 sub-rogação da instituição financeira sobre o valor da fiança por ela honrada em contrato de garantia, quando a mora é constituída após o pedido de recuperação judicial. (STJ-845 / AgInt no REsp 1.847.065-SP) QUESTÃO 9 - CONSUMIDOR : Por ser ônus do devedor a apresentação de proposta conciliatória, deve ser afastada a aplicação das consequências do art. 104-A, § 2º, do CDC, ao credor que compareceu à audiência com advogado com poderes para transigir, e não apresentou proposta de acordo, sem serem identificados motivos de ordem cautelar. (STJ-845 / REsp 2.191.259-RS) QUESTÃO 10 - CONSUMIDOR / SAÚDE: É obrigatória a cobertura pela operadora do plano de saúde de sessões de terapia especializada prescritas para o tratamento de transtorno do espectro autista (TEA), especificadamente musicoterapia, equoterapia e hidroterapia. (STJ-845 / ⛔ ) QUESTÃO 11 - CONSUMIDOR / SAÚDE: O cumprimento dos requisitos para a cobertura de tratamento fora do rol da ANS, em especial, a verificação de sua eficácia científica do tratamento proposto, resta superado quando da inclusão da terapêutica na referida lista. (STJ-845 / AgInt no AREsp 2.757.775-RJ) QUESTÃO 12 - PENAL: A configuração do crime de perigo abstrato previsto no art. 1º, inciso I, da Lei n. 8.176/1991 exige a comprovação do dolo, sendo vedada a responsabilização penal objetiva. (STJ-845 / AgRg no AgRg no AREsp 2.310.819-BA) QUESTÃO 13 - PROCESSUAL PENAL: A confissão informal não pode ser considerada para fins de aplicação da atenuante da confissão espontânea. (STJ-845 / ⛔ ) QUESTÃO 14 - PROCESSUAL PENAL MILITAR: O Ministério Público possui legitimidade para interpor embargos infringentes no âmbito do Código de Processo Penal Militar. (STJ-845 / AgRg no AREsp 2.786.049-SP) GABARITO Legenda: ⛔ = Processo sob sigilo. 2 QUESTÃO 1 Em razão dos princípios da boa-fé objetiva e da proteção à legítima confiança que regem os acordos de colaboração premiada, é juridicamente inadmissível o ajuizamento de ação de improbidade administrativa com finalidade exclusivamente declaratória contra colaborador premiado, mesmo quando não há pretensão de imposição de novas sanções além daquelas já pactuadas no acordo, uma vez que tal providência jurisdicional comprometeria a segurança jurídica e a estabilidade das relações consensualmente estabelecidas, além de contrariar a própria finalidade normativa da Lei n. 8.429/1992. ( ) Certo ( ) Errado Justificativa: Segundo o STJ o acordo de colaboração premiada deve ser regido pelos princípios da boa-fé objetiva e da proteção à legítima confiança, pilares fundamentais da relação jurídica estabelecida entre o particular e a Administração Pública. O ajuizamento de ação de improbidade administrativa com escopo exclusivamente declaratório, ainda que sem pretensão de impor sanções adicionais àquelas já pactuadas, viola esses princípios ao comprometer a segurança jurídica e a estabilidade das relações consensuais firmadas. O precedente estabelece que tal prática enfraqueceria os objetivos da colaboração premiada, gerando incertezas quanto à extensão dos efeitos do ajuste e desestimulando potenciais colaboradores. Ademais, a decisão reconhece que a ação de improbidade administrativa, prevista na Lei n. 8.429/1992, tem como finalidade normativa a apuração de atos lesivos à administração pública e a imposição de sanções proporcionais, sendo incompatível com o ajuizamento meramente declaratório. Permitir tal ação esvaziaria uma das finalidades essenciais da solução consensual por meio da colaboração premiada, que é justamente evitar o ajuizamento de ações judiciais, comprometendo a adesão a esse mecanismo e seu papel na eficiência das investigações. Resposta: Certo QUESTÃO 2 No tocante à prescrição em ações de improbidade administrativa contra magistrados estaduais, é correto afirmar que, em virtude do silêncio da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN) quanto ao prazo prescricionalaplicável, adota-se a legislação estadual específica de cada Estado-membro onde o magistrado exerce suas funções, em respeito ao pacto federativo e à autonomia administrativa dos tribunais estaduais. ( ) Certo ( ) Errado 3 Justificativa: Conforme precedente firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no AgRg nos EDcl no RMS n. 35.254/RS, no silêncio da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN) quanto à prescrição das deliberações cometidas por magistrado, deve ser aplicada subsidiariamente a Lei n. 8.112/90 (Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Civis da União), mesmo em se tratando de magistrados estaduais. O fundamento utilizado pelo STJ é que a Constituição Federal exige tratamento isonômico da magistratura nacional em todos os seus ramos, independentemente da esfera federativa. Portanto, não se aplica a legislação estadual específica, mas sim a Lei n. 8.112/90, de maneira uniforme para todos os magistrados, garantindo a isonomia no tratamento disciplinar da magistratura no âmbito nacional. Adicionalmente, conforme previsto no RMS n. 44.218/RS, o marco inicial desse prazo prescricional é a ciência do ato pela autoridade com atribuição para instaurar o processo administrativo disciplinar. Resposta: Errado QUESTÃO 3 A Lei n. 14.230/2021, ao alterar a Lei de Improbidade Administrativa, passou a admitir a conversão da ação de improbidade administrativa em ação civil pública, sendo juridicamente possível que tal conversão ocorra em sede recursal, após a prolação da sentença, desde que respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa. ( ) Certo ( ) Errado Justificativa: Embora a Lei n. 14.230/2021 tenha alterado a Lei de Improbidade Administrativa (Lei n. 8.429/1992) para admitir expressamente a conversão da ação de improbidade administrativa em ação civil pública, conforme previsto no art. 17, §§ 16 1 e 17 2 , a interpretação teleológica e sistemática desses dispositivos indica que tal conversão deve ocorrer necessariamente no primeiro grau de jurisdição e antes da prolação da sentença. 2 § 17 . Da decisão que converter a ação de improbidade em ação civil pública caberá agravo de instrumento. 1 § 16 . A qualquer momento, se o magistrado identificar a existência de ilegalidades ou de irregularidades administrativas a serem sanadas sem que estejam presentes todos os requisitos para a imposição das sanções aos agentes incluídos no polo passivo da demanda, poderá, em decisão motivada, converter a ação de improbidade administrativa em ação civil pública, regulada pela Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985. 4 Isso porque, apesar de a lei utilizar a expressão "a qualquer momento" ao tratar da conversão, ela também emprega o termo "magistrado", sinalizando que a competência para decidir sobre a conversão pertence ao juízo de primeiro grau. Esta interpretação é corroborada pela previsão do § 17 do art. 17 da LIA, que estabelece o agravo de instrumento como recurso cabível contra a decisão de conversão, instrumento processual vinculado às instâncias inferiores e inaplicável ao âmbito recursal em tribunais de segunda instância ou na instância especial. Ademais, a conversão implica redefinição da lide, com eventual alteração na causa de pedir e nos pedidos formulados, podendo demandar aditamento da petição inicial e abertura de nova fase probatória, sendo, portanto, apropriada apenas enquanto o processo ainda tramita no primeiro grau de jurisdição e antes da sentença, em respeito ao contraditório, à ampla defesa, à estabilidade da lide e à segurança jurídica. Realizá-la em instância recursal, com anulação da sentença já proferida e retorno dos autos ao estágio inicial, contraria a finalidade de solução da lide e a pacificação social esperada com o julgamento das ações. Resposta: Errado QUESTÃO 4 O INCRA promoveu desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária de imóvel rural improdutivo pertencente à empresa Ceagra, e, durante o trâmite do processo judicial, após a imissão provisória na posse, entraram em vigor sucessivas normas (Medida Provisória n. 700/2015; Lei n. 13.465/2017; Lei n. 14.620/2023) que alteraram a forma de cálculo e os percentuais dos juros compensatórios, a correta apuração desses juros deve seguir a legislação vigente em cada período específico de sua incidência, resultando na aplicação sucessiva das diferentes taxas definidas pelas leis supervenientes. ( ) Certo ( ) Errado Justificativa: O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 2164309/CE consolidou o entendimento de que os juros compensatórios em desapropriação observam o princípio tempus regit actum. Isso significa que a taxa aplicável é aquela prevista na legislação vigente no momento (período) em que os juros incidem. Portanto, as alterações legislativas supervenientes (MP 700/2015, Lei 13.465/2017, Lei 14.620/2023) que modifiquem os critérios de cálculo ou os percentuais dos juros compensatórios, ocorridas durante o trâmite do processo judicial, devem ser observadas para os períodos posteriores à sua entrada em vigor. 5 Diante o exposto, a aplicação sucessiva de diferentes alíquotas dentro do mesmo processo expropriatório não configura ofensa à segurança jurídica. Resposta: Certo QUESTÃO 5 À luz do precedente firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 248.073/RS, é correto afirmar que a entrega de mercadoria pelo produtor rural à cooperativa de que é associado constitui fato gerador da contribuição social ao FUNRURAL, independentemente de tal operação configurar ato cooperativo nos termos do art. 79 da Lei n. 5.764/1971 3 . ( ) Certo ( ) Errado Justificativa: O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 248.073/RS, firmou entendimento no sentido de que a entrega de mercadoria pelo produtor rural à cooperativa não constitui fato gerador da contribuição social ao FUNRURAL, precisamente por se caracterizar como ato cooperativo, conforme previsto no art. 79 da Lei n. 5.764/1971. Vale ressaltar que essa questão específica não foi abordada pelo Supremo Tribunal Federal nos julgamentos do RE 598.085 (Tema 177/STF) nem no âmbito do Tema 669/STF, que trataram de outros aspectos relacionados à contribuição previdenciária rural. O reconhecimento da não incidência tributária decorre da própria natureza jurídica do ato cooperativo, que, nos termos do mencionado dispositivo legal, não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Resposta: Errado QUESTÃO 6 Julgue a seguinte assertiva com base no entendimento estabelecido pelo STJ no REsp nº 2146757-MT: Contribuintes ajuizaram ação de consignação em pagamento para definir qual município seria legitimado pela exigibilidade do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) relativo a obras de um Complexo Hidrelétrico. O Tribunal de origem julgou a ação extinta sem resolução do mérito, diante da falta de interesse processual, sob o fundamento 3 Art. 79 . Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativasentre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único . O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 6 de que não cabe ação de consignação em pagamento quando há divergência sobre o valor devido da exação, uma vez que os recorrentes ingressaram com outra ação judicial para discutir sobre a dedução dos valores relativos aos materiais de construção empregados na obra. A ação de consignação em pagamento é cabível mesmo quando há controvérsia sobre o valor do tributo, desde que o depósito seja integral? ( ) Certo ( ) Errado Justificativa: No Recurso Especial nº 2146757-MT, o STJ consolidou o entendimento de que a ação de consignação em pagamento não é cabível quando há controvérsia sobre o valor do tributo ou quando o contribuinte questiona a base de cálculo em outra ação judicial. A decisão fundamentou-se na ausência de interesse processual, pois o objeto da ação consignatória deve ser o crédito tributário que o contribuinte se propõe a pagar, conforme o artigo 164, §1º, do CTN 4 . O STJ reafirmou que a consignação em pagamento exige o depósito integral do valor devido e não pode ser utilizada para recolher o tributo de forma parcelada. Resposta: Errado QUESTÃO 7 No âmbito do contrato de seguro de vida em grupo, a omissão do proponente quanto à sua idade, requisito essencial para a inclusão no grupo segurado, acarreta a perda do direito à indenização securitária, com fundamento nos artigos 765 e 766 do Código Civil 5 , mesmo que a seguradora tenha formalmente aceitado a proposta sem questionar explicitamente a informação omitida ou investigar ativamente a veracidade da elegibilidade declarada implicitamente pelo segurado ao aderir ao contrato. ( ) Certo ( ) Errado Justificativa: 5 Art. 765 . O segurado e o segurador são obrigados a guardar na conclusão e na execução do contrato, a mais estrita boa-fé e veracidade, tanto a respeito do objeto como das circunstâncias e declarações a ele concernentes. Art. 766 . Se o segurado, por si ou por seu representante, fizer declarações inexatas ou omitir circunstâncias que possam influir na aceitação da proposta ou na taxa do prêmio, perderá o direito à garantia, além de ficar obrigado ao prêmio vencido. 4 Art. 164. § 1º A consignação só pode versar sobre o crédito que o consignante se propõe pagar. 7 O caso analisado versa sobre a consequência da omissão de informação relevante pelo segurado – especificamente a idade, que constituía requisito de elegibilidade para o seguro de grupo – no momento da contratação. O fundamento central da decisão, alinhado à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), reside na aplicação dos artigos 765 e 766 do Código Civil. O artigo 765 impõe a ambas as partes, segurado e segurador, o dever de agir com a mais estrita boa-fé e veracidade. O artigo 766, por sua vez, estabelece que a omissão de circunstâncias que possam influir na aceitação da proposta ou na taxa do prêmio resulta na perda do direito à garantia (indenização). No caso concreto, a idade era um fator determinante para a aceitação do risco pela seguradora nas condições estabelecidas para o grupo. A omissão dessa informação pelo segurado configura violação do dever de informar e prestar declarações verídicas, caracterizando má-fé contratual que justifica a recusa do pagamento da indenização. A aceitação da proposta pela seguradora, mesmo sem uma verificação ativa da idade declarada (ou omitida), não convalida a falta do segurado nem afasta a aplicação do artigo 766 do CC, pois o dever primário de fornecer informações corretas e completas sobre o risco recai sobre quem busca a cobertura securitária. Resposta: Certo QUESTÃO 8 Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o crédito decorrente da sub-rogação do fiador bancário que honra garantia após o pedido de recuperação judicial do afiançado submete-se ao concurso de credores, pois o contrato de fiança, como negócio jurídico originário da relação creditícia, é anterior ao pedido, não importando o momento do pagamento para fins de definição da concursalidade. ( ) Certo ( ) Errado Justificativa: Segundo o entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça no AgInt no REsp nº 1.847.065/SP, o crédito originado da sub-rogação de instituição financeira sobre o valor de fiança por ela honrada após o pedido de recuperação judicial do afiançado possui natureza extraconcursal, não se submetendo ao plano de soerguimento. O STJ aplicou o critério estabelecido no Tema Repetitivo 1.051, que define a "data da ocorrência do fato gerador como o momento de existência do crédito para fins de submissão aos efeitos da recuperação judicial". 8 Na fiança bancária, o direito de sub-rogação do fiador está submetido à condição suspensiva (art. 125 do Código Civil 6 ), somente surgindo com o efetivo pagamento da garantia ao credor principal. Antes desse implemento, o fiador possui mera expectativa de direito. Portanto, se a condição suspensiva (pagamento da garantia) ocorre após o pedido de recuperação judicial, o crédito resultante da sub-rogação não se sujeita aos efeitos do concurso recuperacional, ainda que o contrato acessório de garantia tenha sido firmado anteriormente. A data relevante para definição da concursalidade é a do fato gerador do crédito (pagamento da garantia), e não a da celebração do contrato de fiança. Resposta: Errado QUESTÃO 9 No processo de repactuação de dívidas por superendividamento, a ausência de proposta de renegociação por parte do credor, mesmo que este compareça à audiência com advogado habilitado para transigir, configura falta de boa-fé e cooperação, justificando a aplicação das sanções previstas no artigo 104-A, § 2º 7 , do Código de Defesa do Consumidor (CDC). ( ) Certo ( ) Errado Justificativa: O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp 1.899.234, consolidou o entendimento de que as sanções previstas no artigo 104-A, § 2º, do CDC aplicam-se apenas à ausência de comparecimento do credor à audiência de conciliação ou à presença sem representação adequada. A mera ausência de proposta de renegociação, mesmo com a presença de representante habilitado, não configura falta de boa-fé e cooperação suficiente para justificar a aplicação das sanções. O tribunal destacou que o ônus de apresentar proposta de pagamento é do consumidor e que a lei não impõe aos credores a obrigação de oferecer contrapropostas. A decisão valorizou a literalidade do dispositivo e a necessidade de preservar a segurança jurídica, evitando a aplicação analógica de sanções. Resposta: Errado 7 Art. 104-A . § 2º O não comparecimento injustificado de qualquer credor, ou de seu procurador com poderes especiais e plenos para transigir, à audiência de conciliação de que trata o caput deste artigo acarretará a suspensão da exigibilidade do débito e a interrupção dos encargos da mora, bem como a sujeição compulsória ao plano de pagamento da dívidase o montante devido ao credor ausente for certo e conhecido pelo consumidor, devendo o pagamento a esse credor ser estipulado para ocorrer apenas após o pagamento aos credores presentes à audiência conciliatória. 6 Art. 125 . Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. 9 QUESTÃO 10 Fagner, pai de Felipe, criança diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ajuizou ação contra o plano de saúde ABC Saúde, após este recusar a cobertura de tratamentos multidisciplinares prescritos pelo médico assistente, consistentes em sessões de musicoterapia, equoterapia e hidroterapia. A operadora do plano alegou que tais terapias não constavam no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e, portanto, não seriam de cobertura obrigatória. Fagner, por sua vez, sustentou que a negativa era abusiva, uma vez que os tratamentos foram prescritos por médico especialista como essenciais para o desenvolvimento de seu filho. Segundo precedente fixado pelo STJ no REsp 2.064.964-SP, julgue a assertiva a seguir: As operadoras de planos de saúde são obrigadas a cobrir musicoterapia, equoterapia e hidroterapia para beneficiários com TEA, quando prescritas pelo médico assistente, por serem consideradas parte do tratamento multidisciplinar necessário. ( ) Certo ( ) Errado Justificativa: O STJ firmou entendimento, conforme evidenciado no REsp 2.064.964-SP e em outros precedentes (REsp 2.043.003-SP e AgInt no REsp 2.084.901-SP), de que as operadoras de planos de saúde são obrigadas a fornecer cobertura para musicoterapia, equoterapia e hidroterapia quando prescritas para o tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA), ainda que tais terapias não constem expressamente no rol da ANS. Este entendimento fundamenta-se, primeiramente, na Resolução Normativa ANS 469/2021, que reafirmou a importância das terapias multidisciplinares para portadores de transtornos globais do desenvolvimento. Além disso, a musicoterapia foi incluída na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde pela Portaria n. 849/2017 do Ministério da Saúde. A equoterapia, por sua vez, foi reconhecida pela Lei n. 13.830/2019 como método de reabilitação voltado ao desenvolvimento biopsicossocial da pessoa com deficiência. Já a hidroterapia foi considerada como parte integrante do tratamento multidisciplinar do atraso global de desenvolvimento. O STJ considerou, ainda, a orientação da ANS de que a escolha do método mais adequado para abordagem dos transtornos globais do desenvolvimento deve ser feita pela equipe de profissionais de saúde assistente, em conjunto com a família do paciente, prevalecendo, portanto, a prescrição médica sobre eventuais limitações do rol da ANS no caso específico do TEA. Resposta: Certo 10 QUESTÃO 11 De acordo com o entendimento firmado pelo STJ no AgInt no AREsp 2.757.775/RJ, a inclusão de um procedimento médico no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar, após a vigência da Lei 14.454/2022, constitui presunção absoluta de eficácia científica do tratamento, dispensando a demonstração dos demais requisitos previstos na lei para a cobertura obrigatória pelos planos de saúde. ( ) Certo ( ) Errado Justificativa: A Terceira Turma do STJ enfrentou a controvérsia sobre a obrigatoriedade de cobertura por plano de saúde de procedimento médico não previsto no rol da ANS. Na ação proposta contra operadora de plano de saúde, discutiu-se a recusa de cobertura da cirurgia de implantação de prótese valvar aórtica transcateter (TAVI) e os danos morais dela decorrentes. A operadora fundamentou sua negativa na ausência do procedimento no rol da ANS, defendendo seu caráter taxativo, enquanto a parte autora baseou-se na Lei 14.454/2022 e na indicação médica para sustentar a obrigatoriedade da cobertura. O STJ, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, mantendo a condenação ao custeio do procedimento e ao pagamento de indenização por danos morais. A decisão assentou que a Lei 14.454/2022 confirmou a natureza exemplificativa do rol da ANS e estabeleceu requisitos para a cobertura de procedimentos não listados. Destacou que a inclusão do procedimento no rol dispensa a demonstração de eficácia científica, presumindo-se sua necessidade e eficácia. A Corte reafirmou ainda que a recusa indevida de cobertura configura dano moral, por agravar a condição psicológica do paciente em situação de vulnerabilidade. O precedente consolida o entendimento sobre a natureza exemplificativa do rol da ANS após a Lei 14.454/2022 e sobre a presunção de eficácia de procedimentos incluídos no rol, com importantes repercussões na interpretação dos contratos de planos de saúde e na proteção dos direitos dos consumidores. Resposta: Certo QUESTÃO 12 No julgamento do AgRg no AREsp 2310819-BA, o STJ decidiu que, em razão do crime previsto no artigo 1º, inciso I, da Lei n. 8.176/1991 8 ser classificado como de perigo 8 Art. 1° Constitui crime contra a ordem econômica: I - adquirir, distribuir e revender derivados de petróleo, gás natural e suas frações recuperáveis, álcool etílico, hidratado carburante e demais combustíveis líquidos carburantes, em desacordo com as normas estabelecidas na forma da lei; 11 abstrato, sua tipificação independe da comprovação do elemento subjetivo (dolo), bastando a mera violação da norma, em exceção ao princípio da responsabilidade penal subjetiva. ( ) Certo ( ) Errado Justificativa: Foi decidido no referido precedente que, apesar do crime previsto no artigo 1º, inciso I, da Lei n. 8.176/1991 ser classificado como de perigo abstrato (cuja consumação ocorre com a simples exposição do bem jurídico tutelado a uma situação de risco, sem necessidade de comprovação dessa circunstância), a existência do elemento subjetivo (dolo) é necessária para a tipificação da conduta. O STJ afirmou expressamente que o ordenamento jurídico brasileiro é orientado pelo princípio da responsabilidade penal subjetiva, segundo o qual nenhum resultado penalmente relevante pode ser atribuído ao agente que não tenha agido com dolo ou, ao menos, culpa. Como a Lei n. 8.176/1991 não prevê a modalidade culposa para o delito específico, o agente somente pode ser condenado pela forma dolosa do crime. Portanto, a condenação fundada apenas na violação da norma, sem a devida comprovação do dolo, foi considerada incompatível com os princípios fundamentais do Direito Penal, nomeadamente a presunção de inocência e a necessidade de intervenção mínima. Conclui-se que, mesmo nos crimes de perigo abstrato, a tipificação depende da comprovação do dolo. Resposta: Errado QUESTÃO 13 De acordo com a jurisprudência qualificada do Superior Tribunal de Justiça, a confissão informal realizada pelo acusado no momento da abordagem policial, sem registro formal nos autos, pode ser considerada para fins de aplicação da atenuante genérica da confissão espontânea prevista no art. 65, III, "d",do Código Penal, desde que mencionada na sentença condenatória, independentemente de sua relevância para a formação do convencimento do julgador. ( ) Certo ( ) Errado Justificativa: Pena: detenção de um a cinco anos. 12 O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do AREsp 2.123.334/MG, por meio de sua Terceira Seção, consolidou o entendimento de que a confissão informal, realizada sem formalização nos autos (como aquela feita verbalmente a agentes públicos no momento da abordagem), não pode ser equiparada às confissões judicial e extrajudicial para fins de admissibilidade processual. Isso ocorre porque a confissão informal carece de garantias mínimas de autenticidade e de contraditório formal, elementos essenciais para sua valoração no processo penal. O precedente estabeleceu que, por coerência lógica, se tal confissão é imprestável na esfera probatória, naturalmente não pode produzir o efeito atenuante previsto no art. 65, III, "d", do Código Penal, mesmo que seja inutilmente mencionada na sentença condenatória. A Corte distinguiu as modalidades de confissão (judicial, extrajudicial e informal), atribuindo consequências jurídicas distintas a cada uma delas. Assim, a mera menção à confissão informal na sentença não é suficiente para a aplicação da atenuante, pois o que se discute é a própria admissibilidade desse elemento no processo penal, inclusive seus reflexos na dosimetria da pena. Resposta: Errado QUESTÃO 14 No âmbito do processo penal militar, a aplicação do princípio da paridade de armas para permitir a interposição de embargos infringentes pelo Ministério Público, com base no art. 538 9 do Código de Processo Penal Militar, colide com o princípio do favor rei e com a teleologia do sistema recursal penal brasileiro, devendo prevalecer a aplicação subsidiária do art. 609, parágrafo único 10 , do Código de Processo Penal comum, que restringe a legitimidade recursal ao réu. ( ) Certo ( ) Errado Justificativa: De acordo com o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no AgRg no AREsp 2.786.049/SP, o art. 538 do Código de Processo Penal Militar (CPPM), ao estabelecer que "caberão embargos de nulidade e infringentes do julgado, quando não for unânime a decisão proferida em recurso em sentido estrito, apelação ou revisão criminal", não contém restrição quanto à legitimidade para sua interposição, diferentemente do que ocorre no 10 Art. 609. Parágrafo único. Quando não for unânime a decisão de segunda instância, desfavorável ao réu, admitem-se embargos infringentes e de nulidade, que poderão ser opostos dentro de 10 (dez) dias, a contar da publicação de acórdão, na forma do art. 613. Se o desacordo for parcial, os embargos serão restritos à matéria objeto de divergência. 9 Art. 538 . O Ministério Público e o réu poderão opor embargos de nulidade, infringentes do julgado e de declaração, às sentenças finais proferidas pelo Superior Tribunal Militar. 13 processo penal comum, onde o art. 609, parágrafo único, do CPP prevê expressamente que os embargos infringentes são reservados "ao réu". A ausência de limitação expressa no texto legal militar e a autonomia desse sistema processual afastam a aplicação subsidiária do CPP nesse ponto específico, permitindo que qualquer das partes, inclusive o Ministério Público, utilize-se desse recurso. O princípio da paridade de armas, essencial ao processo penal contemporâneo, corrobora esta interpretação, possibilitando que ambas as partes possam se valer dos meios recursais previstos na legislação, desde que não haja vedação legal expressa. Portanto, não há colisão com o princípio do favor rei que justifique a aplicação subsidiária do CPP para restringir a legitimidade recursal apenas ao réu quando a norma processual militar não estabelece tal limitação. Resposta: ERRADO GABARITO 1. C 2. E 3. E 4. C 5. E 6. E 7. C 8. E 9. E 10. C 11. C 12. E 13. E 14. E 14 Quer se manter atualizado(a) com questões dos informativos dos principais tribunais superiores? Acesse nosso Grupo do Whatsapp: https://chat.whatsapp.com/DiajJxorl4bIftUGG2vd5H