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INFORMATIVO 845 - STJ
14 Questões certo/errado
2025 - 1º Semestre
 SUMÁRIO 
 QUESTÃO 1 - ADMINISTRATIVO: A tentativa de ajuizar ação de improbidade com o 
 objetivo exclusivo de declarar a existência de ato ímprobo praticado pelo beneficiário do 
 acordo de colaboração premiada, sem imposição de sanções além daquelas previamente 
 ajustadas, compromete a segurança jurídica, a previsibilidade do sistema e a eficiência das 
 investigações, além de desestimular potenciais delatores, de maneira que o ajuizamento de 
 ação declaratória nesses moldes não é compatível com a finalidade normativa da Lei n. 
 8.429/1992. (STJ-845 / ⛔ ) 
 QUESTÃO 2 - ADMINISTRATIVO : O prazo prescricional da ação de improbidade, em 
 caso de atos correspondentes a crimes cometidos por magistrados estaduais, é regulado 
 pela Lei n. 8.112/1990, ante o silêncio da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN); 
 sendo que o termo inicial desse prazo é a ciência do ato pela autoridade com atribuição 
 para instaurar o processo administrativo disciplinar. (STJ-845 / ⛔ ) 
 QUESTÃO 3 - ADMINISTRATIVO / PROCESSUAL CIVIL: A conversão de ação de 
 improbidade administrativa em ação civil pública, prevista no art. 17, § 16, da Lei n. 
 8.429/1992 (com a redação atual), deve ocorrer no primeiro grau de jurisdição, antes da 
 sentença, conforme interpretação teleológica e sistemática do dispositivo, com competência 
 atribuída ao magistrado de primeira instância e decisão de conversão sujeita ao recurso de 
 agravo de instrumento, conforme previsto no § 17 do mesmo artigo. (STJ-845 / ⛔ ) 
 QUESTÃO 4 - ADMINISTRATIVO / PROCESSUAL CIVIL: Na desapropriação fundada no 
 art. 184 da Constituição Federal, a legislação que entra em vigor no curso do processo 
 judicial, após a imissão provisória na posse, modifica a taxa de juros compensatórios, a 
 qual corresponde a 0% (zero por cento) de 9/12/2015 a 17/5/2016 (art. 15-A, § 1º, no 
 Decreto-Lei n. 3.365/1941, introduzido pelo art. 1º da Medida Provisória n. 700/2015); ao 
 "percentual correspondente ao fixado para os títulos da dívida agrária depositados como 
 oferta inicial para a terra nua", de 12/7/2017 a 13/7/2023 (art. 5º, § 9º, da Lei n. 
 8.629/1993, introduzido pela Lei n. 13.465/2017); e a 0% (zero por cento) a partir de 
 14/7/2023 (art. 15-A, § 1º, no Decreto-Lei n. 3.365/1941, com redação dada pelo art. 21 
 da Lei n. 14.620/2023). (STJ-845 / REsp 2.164.309-CE) 
 QUESTÃO 5 - TRIBUTÁRIO : A entrega de mercadoria pelo produtor rural à cooperativa 
 não constitui fato gerador da contribuição social ao Fundo de Assistência ao Trabalhador 
 Rural (FUNRURAL). (STJ-845 / AgInt no REsp 2.158.588-SC) 
 QUESTÃO 6 - TRIBUTÁRIO : Não é cabível a ação de consignação em pagamento para 
 fins de recolher o tributo em parcelas, isto é, o devedor deve consignar o valor integral da 
 exação. (STJ-845 / REsp 2.146.757-MT) 
 QUESTÃO 7 - CIVIL: A omissão de informações relevantes pelo segurado, como a idade, 
 resulta na perda do direito à garantia, conforme art. 766 do Código Civil. (STJ-845 / REsp 
 1.970.488-SP) 
 QUESTÃO 8 - EMPRESARIAL : Classifica-se como extraconcursal o crédito advindo da 
 1 
 sub-rogação da instituição financeira sobre o valor da fiança por ela honrada em contrato 
 de garantia, quando a mora é constituída após o pedido de recuperação judicial. (STJ-845 / 
 AgInt no REsp 1.847.065-SP) 
 QUESTÃO 9 - CONSUMIDOR : Por ser ônus do devedor a apresentação de proposta 
 conciliatória, deve ser afastada a aplicação das consequências do art. 104-A, § 2º, do CDC, 
 ao credor que compareceu à audiência com advogado com poderes para transigir, e não 
 apresentou proposta de acordo, sem serem identificados motivos de ordem cautelar. 
 (STJ-845 / REsp 2.191.259-RS) 
 QUESTÃO 10 - CONSUMIDOR / SAÚDE: É obrigatória a cobertura pela operadora do 
 plano de saúde de sessões de terapia especializada prescritas para o tratamento de 
 transtorno do espectro autista (TEA), especificadamente musicoterapia, equoterapia e 
 hidroterapia. (STJ-845 / ⛔ ) 
 QUESTÃO 11 - CONSUMIDOR / SAÚDE: O cumprimento dos requisitos para a cobertura 
 de tratamento fora do rol da ANS, em especial, a verificação de sua eficácia científica do 
 tratamento proposto, resta superado quando da inclusão da terapêutica na referida lista. 
 (STJ-845 / AgInt no AREsp 2.757.775-RJ) 
 QUESTÃO 12 - PENAL: A configuração do crime de perigo abstrato previsto no art. 1º, 
 inciso I, da Lei n. 8.176/1991 exige a comprovação do dolo, sendo vedada a 
 responsabilização penal objetiva. (STJ-845 / AgRg no AgRg no AREsp 2.310.819-BA) 
 QUESTÃO 13 - PROCESSUAL PENAL: A confissão informal não pode ser considerada 
 para fins de aplicação da atenuante da confissão espontânea. (STJ-845 / ⛔ ) 
 QUESTÃO 14 - PROCESSUAL PENAL MILITAR: O Ministério Público possui legitimidade 
 para interpor embargos infringentes no âmbito do Código de Processo Penal Militar. 
 (STJ-845 / AgRg no AREsp 2.786.049-SP) 
 GABARITO 
 Legenda: 
 ⛔ = Processo sob sigilo. 
 2 
 QUESTÃO 1 
 Em razão dos princípios da boa-fé objetiva e da proteção à legítima confiança que regem os 
 acordos de colaboração premiada, é juridicamente inadmissível o ajuizamento de ação de 
 improbidade administrativa com finalidade exclusivamente declaratória contra colaborador 
 premiado, mesmo quando não há pretensão de imposição de novas sanções além daquelas 
 já pactuadas no acordo, uma vez que tal providência jurisdicional comprometeria a 
 segurança jurídica e a estabilidade das relações consensualmente estabelecidas, além de 
 contrariar a própria finalidade normativa da Lei n. 8.429/1992. 
 ( ) Certo ( ) Errado 
 Justificativa: 
 Segundo o STJ o acordo de colaboração premiada deve ser regido pelos princípios da 
 boa-fé objetiva e da proteção à legítima confiança, pilares fundamentais da relação jurídica 
 estabelecida entre o particular e a Administração Pública. O ajuizamento de ação de 
 improbidade administrativa com escopo exclusivamente declaratório, ainda que sem 
 pretensão de impor sanções adicionais àquelas já pactuadas, viola esses princípios ao 
 comprometer a segurança jurídica e a estabilidade das relações consensuais firmadas. 
 O precedente estabelece que tal prática enfraqueceria os objetivos da colaboração 
 premiada, gerando incertezas quanto à extensão dos efeitos do ajuste e desestimulando 
 potenciais colaboradores. Ademais, a decisão reconhece que a ação de improbidade 
 administrativa, prevista na Lei n. 8.429/1992, tem como finalidade normativa a apuração 
 de atos lesivos à administração pública e a imposição de sanções proporcionais, sendo 
 incompatível com o ajuizamento meramente declaratório. 
 Permitir tal ação esvaziaria uma das finalidades essenciais da solução consensual por meio 
 da colaboração premiada, que é justamente evitar o ajuizamento de ações judiciais, 
 comprometendo a adesão a esse mecanismo e seu papel na eficiência das investigações. 
 Resposta: Certo 
 QUESTÃO 2 
 No tocante à prescrição em ações de improbidade administrativa contra magistrados 
 estaduais, é correto afirmar que, em virtude do silêncio da Lei Orgânica da Magistratura 
 Nacional (LOMAN) quanto ao prazo prescricionalaplicável, adota-se a legislação estadual 
 específica de cada Estado-membro onde o magistrado exerce suas funções, em respeito ao 
 pacto federativo e à autonomia administrativa dos tribunais estaduais. 
 ( ) Certo ( ) Errado 
 3 
 Justificativa: 
 Conforme precedente firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no AgRg nos EDcl no RMS 
 n. 35.254/RS, no silêncio da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN) quanto à 
 prescrição das deliberações cometidas por magistrado, deve ser aplicada subsidiariamente 
 a Lei n. 8.112/90 (Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Civis da União), mesmo 
 em se tratando de magistrados estaduais. 
 O fundamento utilizado pelo STJ é que a Constituição Federal exige tratamento isonômico 
 da magistratura nacional em todos os seus ramos, independentemente da esfera 
 federativa. 
 Portanto, não se aplica a legislação estadual específica, mas sim a Lei n. 8.112/90, de 
 maneira uniforme para todos os magistrados, garantindo a isonomia no tratamento 
 disciplinar da magistratura no âmbito nacional. 
 Adicionalmente, conforme previsto no RMS n. 44.218/RS, o marco inicial desse prazo 
 prescricional é a ciência do ato pela autoridade com atribuição para instaurar o processo 
 administrativo disciplinar. 
 Resposta: Errado 
 QUESTÃO 3 
 A Lei n. 14.230/2021, ao alterar a Lei de Improbidade Administrativa, passou a admitir a 
 conversão da ação de improbidade administrativa em ação civil pública, sendo 
 juridicamente possível que tal conversão ocorra em sede recursal, após a prolação da 
 sentença, desde que respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa. 
 ( ) Certo ( ) Errado 
 Justificativa: 
 Embora a Lei n. 14.230/2021 tenha alterado a Lei de Improbidade Administrativa (Lei n. 
 8.429/1992) para admitir expressamente a conversão da ação de improbidade 
 administrativa em ação civil pública, conforme previsto no art. 17, §§ 16 1 e 17 2 , a 
 interpretação teleológica e sistemática desses dispositivos indica que tal conversão deve 
 ocorrer necessariamente no primeiro grau de jurisdição e antes da prolação da sentença. 
 2 § 17 . Da decisão que converter a ação de improbidade em ação civil pública caberá agravo de instrumento. 
 1 § 16 . A qualquer momento, se o magistrado identificar a existência de ilegalidades ou de irregularidades 
 administrativas a serem sanadas sem que estejam presentes todos os requisitos para a imposição das sanções 
 aos agentes incluídos no polo passivo da demanda, poderá, em decisão motivada, converter a ação de 
 improbidade administrativa em ação civil pública, regulada pela Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985. 
 4 
 Isso porque, apesar de a lei utilizar a expressão "a qualquer momento" ao tratar da 
 conversão, ela também emprega o termo "magistrado", sinalizando que a competência 
 para decidir sobre a conversão pertence ao juízo de primeiro grau. Esta interpretação é 
 corroborada pela previsão do § 17 do art. 17 da LIA, que estabelece o agravo de 
 instrumento como recurso cabível contra a decisão de conversão, instrumento processual 
 vinculado às instâncias inferiores e inaplicável ao âmbito recursal em tribunais de segunda 
 instância ou na instância especial. 
 Ademais, a conversão implica redefinição da lide, com eventual alteração na causa de pedir 
 e nos pedidos formulados, podendo demandar aditamento da petição inicial e abertura de 
 nova fase probatória, sendo, portanto, apropriada apenas enquanto o processo ainda 
 tramita no primeiro grau de jurisdição e antes da sentença, em respeito ao contraditório, à 
 ampla defesa, à estabilidade da lide e à segurança jurídica. Realizá-la em instância 
 recursal, com anulação da sentença já proferida e retorno dos autos ao estágio inicial, 
 contraria a finalidade de solução da lide e a pacificação social esperada com o julgamento 
 das ações. 
 Resposta: Errado 
 QUESTÃO 4 
 O INCRA promoveu desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária de 
 imóvel rural improdutivo pertencente à empresa Ceagra, e, durante o trâmite do processo 
 judicial, após a imissão provisória na posse, entraram em vigor sucessivas normas (Medida 
 Provisória n. 700/2015; Lei n. 13.465/2017; Lei n. 14.620/2023) que alteraram a forma de 
 cálculo e os percentuais dos juros compensatórios, a correta apuração desses juros deve 
 seguir a legislação vigente em cada período específico de sua incidência, resultando na 
 aplicação sucessiva das diferentes taxas definidas pelas leis supervenientes. 
 ( ) Certo ( ) Errado 
 Justificativa: 
 O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 2164309/CE consolidou o 
 entendimento de que os juros compensatórios em desapropriação observam o princípio 
 tempus regit actum. 
 Isso significa que a taxa aplicável é aquela prevista na legislação vigente no momento 
 (período) em que os juros incidem. Portanto, as alterações legislativas supervenientes (MP 
 700/2015, Lei 13.465/2017, Lei 14.620/2023) que modifiquem os critérios de cálculo ou os 
 percentuais dos juros compensatórios, ocorridas durante o trâmite do processo judicial, 
 devem ser observadas para os períodos posteriores à sua entrada em vigor. 
 5 
 Diante o exposto, a aplicação sucessiva de diferentes alíquotas dentro do mesmo processo 
 expropriatório não configura ofensa à segurança jurídica. 
 Resposta: Certo 
 QUESTÃO 5 
 À luz do precedente firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 248.073/RS, é 
 correto afirmar que a entrega de mercadoria pelo produtor rural à cooperativa de que é 
 associado constitui fato gerador da contribuição social ao FUNRURAL, independentemente 
 de tal operação configurar ato cooperativo nos termos do art. 79 da Lei n. 5.764/1971 3 . 
 ( ) Certo ( ) Errado 
 Justificativa: 
 O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 248.073/RS, firmou entendimento 
 no sentido de que a entrega de mercadoria pelo produtor rural à cooperativa não constitui 
 fato gerador da contribuição social ao FUNRURAL, precisamente por se caracterizar como 
 ato cooperativo, conforme previsto no art. 79 da Lei n. 5.764/1971. 
 Vale ressaltar que essa questão específica não foi abordada pelo Supremo Tribunal Federal 
 nos julgamentos do RE 598.085 (Tema 177/STF) nem no âmbito do Tema 669/STF, que 
 trataram de outros aspectos relacionados à contribuição previdenciária rural. 
 O reconhecimento da não incidência tributária decorre da própria natureza jurídica do ato 
 cooperativo, que, nos termos do mencionado dispositivo legal, não implica operação de 
 mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 
 Resposta: Errado 
 QUESTÃO 6 
 Julgue a seguinte assertiva com base no entendimento estabelecido pelo STJ no REsp nº 
 2146757-MT: 
 Contribuintes ajuizaram ação de consignação em pagamento para definir qual município 
 seria legitimado pela exigibilidade do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza 
 (ISSQN) relativo a obras de um Complexo Hidrelétrico. O Tribunal de origem julgou a ação 
 extinta sem resolução do mérito, diante da falta de interesse processual, sob o fundamento 
 3 Art. 79 . Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes 
 e aquelas e pelas cooperativasentre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. 
 Parágrafo único . O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de 
 produto ou mercadoria. 
 6 
 de que não cabe ação de consignação em pagamento quando há divergência sobre o valor 
 devido da exação, uma vez que os recorrentes ingressaram com outra ação judicial para 
 discutir sobre a dedução dos valores relativos aos materiais de construção empregados na 
 obra. 
 A ação de consignação em pagamento é cabível mesmo quando há controvérsia sobre o 
 valor do tributo, desde que o depósito seja integral? 
 ( ) Certo ( ) Errado 
 Justificativa: 
 No Recurso Especial nº 2146757-MT, o STJ consolidou o entendimento de que a ação de 
 consignação em pagamento não é cabível quando há controvérsia sobre o valor do tributo 
 ou quando o contribuinte questiona a base de cálculo em outra ação judicial. 
 A decisão fundamentou-se na ausência de interesse processual, pois o objeto da ação 
 consignatória deve ser o crédito tributário que o contribuinte se propõe a pagar, conforme o 
 artigo 164, §1º, do CTN 4 . O STJ reafirmou que a consignação em pagamento exige o 
 depósito integral do valor devido e não pode ser utilizada para recolher o tributo de forma 
 parcelada. 
 Resposta: Errado 
 QUESTÃO 7 
 No âmbito do contrato de seguro de vida em grupo, a omissão do proponente quanto à sua 
 idade, requisito essencial para a inclusão no grupo segurado, acarreta a perda do direito à 
 indenização securitária, com fundamento nos artigos 765 e 766 do Código Civil 5 , mesmo 
 que a seguradora tenha formalmente aceitado a proposta sem questionar explicitamente a 
 informação omitida ou investigar ativamente a veracidade da elegibilidade declarada 
 implicitamente pelo segurado ao aderir ao contrato. 
 ( ) Certo ( ) Errado 
 Justificativa: 
 5 Art. 765 . O segurado e o segurador são obrigados a guardar na conclusão e na execução do contrato, a mais 
 estrita boa-fé e veracidade, tanto a respeito do objeto como das circunstâncias e declarações a ele 
 concernentes. 
 Art. 766 . Se o segurado, por si ou por seu representante, fizer declarações inexatas ou omitir circunstâncias 
 que possam influir na aceitação da proposta ou na taxa do prêmio, perderá o direito à garantia, além de ficar 
 obrigado ao prêmio vencido. 
 4 Art. 164. § 1º A consignação só pode versar sobre o crédito que o consignante se propõe pagar. 
 7 
 O caso analisado versa sobre a consequência da omissão de informação relevante pelo 
 segurado – especificamente a idade, que constituía requisito de elegibilidade para o seguro 
 de grupo – no momento da contratação. O fundamento central da decisão, alinhado à 
 jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), reside na aplicação dos artigos 765 e 
 766 do Código Civil. 
 O artigo 765 impõe a ambas as partes, segurado e segurador, o dever de agir com a mais 
 estrita boa-fé e veracidade. O artigo 766, por sua vez, estabelece que a omissão de 
 circunstâncias que possam influir na aceitação da proposta ou na taxa do prêmio resulta na 
 perda do direito à garantia (indenização). 
 No caso concreto, a idade era um fator determinante para a aceitação do risco pela 
 seguradora nas condições estabelecidas para o grupo. A omissão dessa informação pelo 
 segurado configura violação do dever de informar e prestar declarações verídicas, 
 caracterizando má-fé contratual que justifica a recusa do pagamento da indenização. 
 A aceitação da proposta pela seguradora, mesmo sem uma verificação ativa da idade 
 declarada (ou omitida), não convalida a falta do segurado nem afasta a aplicação do artigo 
 766 do CC, pois o dever primário de fornecer informações corretas e completas sobre o 
 risco recai sobre quem busca a cobertura securitária. 
 Resposta: Certo 
 QUESTÃO 8 
 Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o crédito decorrente da 
 sub-rogação do fiador bancário que honra garantia após o pedido de recuperação judicial 
 do afiançado submete-se ao concurso de credores, pois o contrato de fiança, como negócio 
 jurídico originário da relação creditícia, é anterior ao pedido, não importando o momento do 
 pagamento para fins de definição da concursalidade. 
 ( ) Certo ( ) Errado 
 Justificativa: 
 Segundo o entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça no AgInt no REsp nº 
 1.847.065/SP, o crédito originado da sub-rogação de instituição financeira sobre o valor de 
 fiança por ela honrada após o pedido de recuperação judicial do afiançado possui natureza 
 extraconcursal, não se submetendo ao plano de soerguimento. 
 O STJ aplicou o critério estabelecido no Tema Repetitivo 1.051, que define a "data da 
 ocorrência do fato gerador como o momento de existência do crédito para fins de 
 submissão aos efeitos da recuperação judicial". 
 8 
 Na fiança bancária, o direito de sub-rogação do fiador está submetido à condição 
 suspensiva (art. 125 do Código Civil 6 ), somente surgindo com o efetivo pagamento da 
 garantia ao credor principal. Antes desse implemento, o fiador possui mera expectativa de 
 direito. 
 Portanto, se a condição suspensiva (pagamento da garantia) ocorre após o pedido de 
 recuperação judicial, o crédito resultante da sub-rogação não se sujeita aos efeitos do 
 concurso recuperacional, ainda que o contrato acessório de garantia tenha sido firmado 
 anteriormente. A data relevante para definição da concursalidade é a do fato gerador do 
 crédito (pagamento da garantia), e não a da celebração do contrato de fiança. 
 Resposta: Errado 
 QUESTÃO 9 
 No processo de repactuação de dívidas por superendividamento, a ausência de proposta de 
 renegociação por parte do credor, mesmo que este compareça à audiência com advogado 
 habilitado para transigir, configura falta de boa-fé e cooperação, justificando a aplicação 
 das sanções previstas no artigo 104-A, § 2º 7 , do Código de Defesa do Consumidor (CDC). 
 ( ) Certo ( ) Errado 
 Justificativa: 
 O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp 1.899.234, consolidou o entendimento de 
 que as sanções previstas no artigo 104-A, § 2º, do CDC aplicam-se apenas à ausência de 
 comparecimento do credor à audiência de conciliação ou à presença sem representação 
 adequada. 
 A mera ausência de proposta de renegociação, mesmo com a presença de representante 
 habilitado, não configura falta de boa-fé e cooperação suficiente para justificar a aplicação 
 das sanções. O tribunal destacou que o ônus de apresentar proposta de pagamento é do 
 consumidor e que a lei não impõe aos credores a obrigação de oferecer contrapropostas. 
 A decisão valorizou a literalidade do dispositivo e a necessidade de preservar a segurança 
 jurídica, evitando a aplicação analógica de sanções. 
 Resposta: Errado 
 7 Art. 104-A . § 2º O não comparecimento injustificado de qualquer credor, ou de seu procurador com poderes 
 especiais e plenos para transigir, à audiência de conciliação de que trata o caput deste artigo acarretará a 
 suspensão da exigibilidade do débito e a interrupção dos encargos da mora, bem como a sujeição compulsória 
 ao plano de pagamento da dívidase o montante devido ao credor ausente for certo e conhecido pelo 
 consumidor, devendo o pagamento a esse credor ser estipulado para ocorrer apenas após o pagamento aos 
 credores presentes à audiência conciliatória. 
 6 Art. 125 . Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não 
 verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. 
 9 
 QUESTÃO 10 
 Fagner, pai de Felipe, criança diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), 
 ajuizou ação contra o plano de saúde ABC Saúde, após este recusar a cobertura de 
 tratamentos multidisciplinares prescritos pelo médico assistente, consistentes em sessões 
 de musicoterapia, equoterapia e hidroterapia. A operadora do plano alegou que tais 
 terapias não constavam no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde 
 Suplementar (ANS) e, portanto, não seriam de cobertura obrigatória. Fagner, por sua vez, 
 sustentou que a negativa era abusiva, uma vez que os tratamentos foram prescritos por 
 médico especialista como essenciais para o desenvolvimento de seu filho. 
 Segundo precedente fixado pelo STJ no REsp 2.064.964-SP, julgue a assertiva a seguir: 
 As operadoras de planos de saúde são obrigadas a cobrir musicoterapia, equoterapia e 
 hidroterapia para beneficiários com TEA, quando prescritas pelo médico assistente, por 
 serem consideradas parte do tratamento multidisciplinar necessário. 
 ( ) Certo ( ) Errado 
 Justificativa: 
 O STJ firmou entendimento, conforme evidenciado no REsp 2.064.964-SP e em outros 
 precedentes (REsp 2.043.003-SP e AgInt no REsp 2.084.901-SP), de que as operadoras de 
 planos de saúde são obrigadas a fornecer cobertura para musicoterapia, equoterapia e 
 hidroterapia quando prescritas para o tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA), 
 ainda que tais terapias não constem expressamente no rol da ANS. Este entendimento 
 fundamenta-se, primeiramente, na Resolução Normativa ANS 469/2021, que reafirmou a 
 importância das terapias multidisciplinares para portadores de transtornos globais do 
 desenvolvimento. 
 Além disso, a musicoterapia foi incluída na Política Nacional de Práticas Integrativas e 
 Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde pela Portaria n. 849/2017 do 
 Ministério da Saúde. A equoterapia, por sua vez, foi reconhecida pela Lei n. 13.830/2019 
 como método de reabilitação voltado ao desenvolvimento biopsicossocial da pessoa com 
 deficiência. Já a hidroterapia foi considerada como parte integrante do tratamento 
 multidisciplinar do atraso global de desenvolvimento. 
 O STJ considerou, ainda, a orientação da ANS de que a escolha do método mais adequado 
 para abordagem dos transtornos globais do desenvolvimento deve ser feita pela equipe de 
 profissionais de saúde assistente, em conjunto com a família do paciente, prevalecendo, 
 portanto, a prescrição médica sobre eventuais limitações do rol da ANS no caso específico 
 do TEA. 
 Resposta: Certo 
 10 
 QUESTÃO 11 
 De acordo com o entendimento firmado pelo STJ no AgInt no AREsp 2.757.775/RJ, a 
 inclusão de um procedimento médico no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar, 
 após a vigência da Lei 14.454/2022, constitui presunção absoluta de eficácia científica do 
 tratamento, dispensando a demonstração dos demais requisitos previstos na lei para a 
 cobertura obrigatória pelos planos de saúde. 
 ( ) Certo ( ) Errado 
 Justificativa: 
 A Terceira Turma do STJ enfrentou a controvérsia sobre a obrigatoriedade de cobertura por 
 plano de saúde de procedimento médico não previsto no rol da ANS. Na ação proposta 
 contra operadora de plano de saúde, discutiu-se a recusa de cobertura da cirurgia de 
 implantação de prótese valvar aórtica transcateter (TAVI) e os danos morais dela 
 decorrentes. 
 A operadora fundamentou sua negativa na ausência do procedimento no rol da ANS, 
 defendendo seu caráter taxativo, enquanto a parte autora baseou-se na Lei 14.454/2022 e 
 na indicação médica para sustentar a obrigatoriedade da cobertura. 
 O STJ, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, mantendo a condenação ao 
 custeio do procedimento e ao pagamento de indenização por danos morais. A decisão 
 assentou que a Lei 14.454/2022 confirmou a natureza exemplificativa do rol da ANS e 
 estabeleceu requisitos para a cobertura de procedimentos não listados. 
 Destacou que a inclusão do procedimento no rol dispensa a demonstração de eficácia 
 científica, presumindo-se sua necessidade e eficácia. 
 A Corte reafirmou ainda que a recusa indevida de cobertura configura dano moral, por 
 agravar a condição psicológica do paciente em situação de vulnerabilidade. 
 O precedente consolida o entendimento sobre a natureza exemplificativa do rol da ANS 
 após a Lei 14.454/2022 e sobre a presunção de eficácia de procedimentos incluídos no rol, 
 com importantes repercussões na interpretação dos contratos de planos de saúde e na 
 proteção dos direitos dos consumidores. 
 Resposta: Certo 
 QUESTÃO 12 
 No julgamento do AgRg no AREsp 2310819-BA, o STJ decidiu que, em razão do crime 
 previsto no artigo 1º, inciso I, da Lei n. 8.176/1991 8 ser classificado como de perigo 
 8 Art. 1° Constitui crime contra a ordem econômica: 
 I - adquirir, distribuir e revender derivados de petróleo, gás natural e suas frações recuperáveis, álcool etílico, 
 hidratado carburante e demais combustíveis líquidos carburantes, em desacordo com as normas estabelecidas 
 na forma da lei; 
 11 
 abstrato, sua tipificação independe da comprovação do elemento subjetivo (dolo), bastando 
 a mera violação da norma, em exceção ao princípio da responsabilidade penal subjetiva. 
 ( ) Certo ( ) Errado 
 Justificativa: 
 Foi decidido no referido precedente que, apesar do crime previsto no artigo 1º, inciso I, da 
 Lei n. 8.176/1991 ser classificado como de perigo abstrato (cuja consumação ocorre com a 
 simples exposição do bem jurídico tutelado a uma situação de risco, sem necessidade de 
 comprovação dessa circunstância), a existência do elemento subjetivo (dolo) é necessária 
 para a tipificação da conduta. 
 O STJ afirmou expressamente que o ordenamento jurídico brasileiro é orientado pelo 
 princípio da responsabilidade penal subjetiva, segundo o qual nenhum resultado 
 penalmente relevante pode ser atribuído ao agente que não tenha agido com dolo ou, ao 
 menos, culpa. 
 Como a Lei n. 8.176/1991 não prevê a modalidade culposa para o delito específico, o 
 agente somente pode ser condenado pela forma dolosa do crime. 
 Portanto, a condenação fundada apenas na violação da norma, sem a devida comprovação 
 do dolo, foi considerada incompatível com os princípios fundamentais do Direito Penal, 
 nomeadamente a presunção de inocência e a necessidade de intervenção mínima. 
 Conclui-se que, mesmo nos crimes de perigo abstrato, a tipificação depende da 
 comprovação do dolo. 
 Resposta: Errado 
 QUESTÃO 13 
 De acordo com a jurisprudência qualificada do Superior Tribunal de Justiça, a confissão 
 informal realizada pelo acusado no momento da abordagem policial, sem registro formal 
 nos autos, pode ser considerada para fins de aplicação da atenuante genérica da confissão 
 espontânea prevista no art. 65, III, "d",do Código Penal, desde que mencionada na 
 sentença condenatória, independentemente de sua relevância para a formação do 
 convencimento do julgador. 
 ( ) Certo ( ) Errado 
 Justificativa: 
 Pena: detenção de um a cinco anos. 
 12 
 O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do AREsp 2.123.334/MG, por meio de sua 
 Terceira Seção, consolidou o entendimento de que a confissão informal, realizada sem 
 formalização nos autos (como aquela feita verbalmente a agentes públicos no momento da 
 abordagem), não pode ser equiparada às confissões judicial e extrajudicial para fins de 
 admissibilidade processual. 
 Isso ocorre porque a confissão informal carece de garantias mínimas de autenticidade e de 
 contraditório formal, elementos essenciais para sua valoração no processo penal. O 
 precedente estabeleceu que, por coerência lógica, se tal confissão é imprestável na esfera 
 probatória, naturalmente não pode produzir o efeito atenuante previsto no art. 65, III, "d", 
 do Código Penal, mesmo que seja inutilmente mencionada na sentença condenatória. 
 A Corte distinguiu as modalidades de confissão (judicial, extrajudicial e informal), 
 atribuindo consequências jurídicas distintas a cada uma delas. Assim, a mera menção à 
 confissão informal na sentença não é suficiente para a aplicação da atenuante, pois o que 
 se discute é a própria admissibilidade desse elemento no processo penal, inclusive seus 
 reflexos na dosimetria da pena. 
 Resposta: Errado 
 QUESTÃO 14 
 No âmbito do processo penal militar, a aplicação do princípio da paridade de armas para 
 permitir a interposição de embargos infringentes pelo Ministério Público, com base no art. 
 538 9 do Código de Processo Penal Militar, colide com o princípio do favor rei e com a 
 teleologia do sistema recursal penal brasileiro, devendo prevalecer a aplicação subsidiária 
 do art. 609, parágrafo único 10 , do Código de Processo Penal comum, que restringe a 
 legitimidade recursal ao réu. 
 ( ) Certo ( ) Errado 
 Justificativa: 
 De acordo com o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no AgRg no AREsp 
 2.786.049/SP, o art. 538 do Código de Processo Penal Militar (CPPM), ao estabelecer que 
 "caberão embargos de nulidade e infringentes do julgado, quando não for unânime a 
 decisão proferida em recurso em sentido estrito, apelação ou revisão criminal", não contém 
 restrição quanto à legitimidade para sua interposição, diferentemente do que ocorre no 
 10 Art. 609. Parágrafo único. Quando não for unânime a decisão de segunda instância, desfavorável ao réu, 
 admitem-se embargos infringentes e de nulidade, que poderão ser opostos dentro de 10 (dez) dias, a contar da 
 publicação de acórdão, na forma do art. 613. Se o desacordo for parcial, os embargos serão restritos à matéria 
 objeto de divergência. 
 9 Art. 538 . O Ministério Público e o réu poderão opor embargos de nulidade, infringentes do julgado e de 
 declaração, às sentenças finais proferidas pelo Superior Tribunal Militar. 
 13 
 processo penal comum, onde o art. 609, parágrafo único, do CPP prevê expressamente que 
 os embargos infringentes são reservados "ao réu". 
 A ausência de limitação expressa no texto legal militar e a autonomia desse sistema 
 processual afastam a aplicação subsidiária do CPP nesse ponto específico, permitindo que 
 qualquer das partes, inclusive o Ministério Público, utilize-se desse recurso. 
 O princípio da paridade de armas, essencial ao processo penal contemporâneo, corrobora 
 esta interpretação, possibilitando que ambas as partes possam se valer dos meios recursais 
 previstos na legislação, desde que não haja vedação legal expressa. 
 Portanto, não há colisão com o princípio do favor rei que justifique a aplicação subsidiária 
 do CPP para restringir a legitimidade recursal apenas ao réu quando a norma processual 
 militar não estabelece tal limitação. 
 Resposta: ERRADO 
 GABARITO 
 1. C 2. E 3. E 4. C 5. E 6. E 7. C 
 8. E 9. E 10. C 11. C 12. E 13. E 14. E 
 14 
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