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DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Provas no Processo do Trabalho Livro Eletrônico Presidente: Gabriel Granjeiro Vice-Presidente: Rodrigo Calado Diretor Pedagógico: Erico Teixeira Diretora de Produção Educacional: Vivian Higashi Gerente de Produção Digital: Bárbara Guerra Coordenadora Pedagógica: Élica Lopes Todo o material desta apostila (incluídos textos e imagens) está protegido por direitos autorais do Gran. Será proibida toda forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de uso, não autorizada expressamente, seja ela onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor às penalidades previstas civil e criminalmente. CÓDIGO: 250523139236 GUSTAVO DEITOS Professor de cursos preparatórios para concursos públicos. Analista Judiciário do Tribunal Superior do Trabalho (Gabinete de Ministro). Outras convocações: Técnico Judiciário do TRT-SC (7° lugar) e Analista Judiciário do TRF da 3ª Região. Aprovado em 8° lugar para Analista Judiciário do TRT-MS. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br 3 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos SUMÁRIO Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 Provas no Processo do Trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 1. Princípios do Direito Probatório (Direito da Prova) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 2. Disposições sobre Provas na CLT . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 2.1. Multa à Testemunha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 3. Principais Espécies de Provas Cabíveis no Processo do Trabalho . . . . . . . . . . . . . 19 3.1. Depoimento Pessoal (Interrogatório) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 3.2. Confissão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 3.3. Prova Documental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 3.4. Provas Testemunhal e Pericial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 3.5. Inspeção Judicial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 3.6. Acareação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 3.7. Ata notarial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 4. Incidente de Falsidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 5. Honorários Periciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 5.1. Honorários do Perito X Honorários do Intérprete . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 6. Súmulas e OJs do TST sobre o Conteúdo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 Questões de concurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 Gabarito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69 Gabarito comentado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 4 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos aPreseNTaÇÃoaPreseNTaÇÃo Olá, querido(a) aluno(a) do Gran! Espero encontrá-lo muito bem! Neste curso, apresento- lhe várias aulas autossuficientes de direito processual do trabalho, com o objetivo de lhe disponibilizar, de forma prática e completa, o substrato de conteúdo necessário para ter o melhor desempenho possível na prova. Esta aula, assim como as demais aulas em PDF, foi elaborada de modo que você possa tê-la como fonte autossuficiente de estudo, isto é, como um material de estudo completo e capaz de possibilitar um aprendizado tão integral quanto outros meios de estudo. A preferência por aulas em PDF e/ou vídeos pertence a cada aluno, que, individualmente, avalia suas facilidades e necessidades, a fim de encontrar seus meios de estudo ideais. Dessa forma, o aluno pode optar pelo estudo com aulas em PDF e vídeos, ou somente com um ou outro meio. Aqueles que preferem estudar somente com materiais em PDF terão o privilégio de contar com as aulas em PDF autossuficientes do nosso curso, a exemplo desta aula. De qualquer forma, nada impede que as aulas em PDF sejam utilizadas como fonte de estudos de forma aliada com as aulas em vídeo do Gran. Tudo depende, unicamente, da preferência de cada aluno. Nesta aula, estudaremos especialmente os seguintes tópicos de Direito Processual do Trabalho: • Princípios, ônus e espécies de provas; • Prova documental; • Incidente de falsidade; • Perícia: regras técnicas e honorários periciais; • Testemunhas: regras técnicas, quantidade, contradita, compromisso, acareação e multa; • Informante. A aula é acompanhada de exercícios selecionados e reunidos de modo a abranger todos os pontos importantes da aula, a fim de que seu conhecimento seja ainda mais solidificado. O número de exercícios é determinado de acordo com dois parâmetros: complexidade do conteúdo e número de questões de concursos existentes. Por resultado, o número de exercícios disponibilizados é determinado de modo que seu conhecimento sobre os temas seja efetivamente testado e fixado, mas sem que haja uma repetição obsoleta. Nosso curso possibilita a avaliação de cada aula em PDF de forma fácil e rápida. Considero o resultado das avaliações extremamente importante para a continuidade da produção e edição de aulas, como fonte fidedigna e transparente de informações quanto à qualidade do material. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 5 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Peço-lhe que fique à vontade para avaliar as aulas do curso, demonstrando seu grau de satisfação relativamente aos materiais. Seu feedback é importantíssimo para nós. Caso você tenha ficado com dúvidas sobre pontos deste material, ou tenha constatado algum problema, por favor, entre em contato comigo pelo Fórum de Dúvidas antes de realizar sua avaliação. Procuro sempre fazer todo o possível para sanar eventuais dúvidas ou corrigir quaisquer problemas nas aulas. Cordialmente, torço para que a presente aula que seja de profunda valia para você e sua prova, uma vez que foi elaborada com muita atenção, zelo e consideração ao seu esforço, que, para nós, é sagrado. Caso fique comEste seria, segundo ele, o modo de adaptar o procedimento do CPC ao processo do trabalho. Quanto ao parágrafo único do art. 430, podemos concluir o seguinte: em primeiro lugar, o juiz decidirá a legitimidade/falsidade do documento em questão incidental. Uma questão incidental é aquela que, embora não seja um dos pedidos principais do processo, interfere diretamente na viabilidade de algum(ns) pedido(s). EXEMPLO Falsidade documental como questão incidental: O reclamante pediu horas extras, alegando que trabalhava além de sua jornada normal. A reclamada junta ao processo cartões de ponto, para provar que o reclamante não trabalhou em horas extras. Duvidando da fidedignidade dos cartões de ponto (documentos), o reclamante suscita o incidente de falsidade. Nesse caso, a decisão pela legitimidade/falsidade dos documentos (cartões de ponto) será interpretada como questão incidental do processo, pois, embora a parte não tenha pedido na petição inicial a falsidade dos cartões, esse incidente repercute diretamente na procedência, ou não, do pedido principal, que é de horas extras. Se o documento for declarado legítimo, o reclamante terá de provar o trabalho em horas extras por outro modo; se for declarado falso, a reclamada terá sérios problemas para evitar a condenação ao pagamento de horas extras. Ainda de acordo com o parágrafo único, a legitimidade/falsidade do documento pode ser resolvida como questão principal. O incidente será assim resolvido quando o reclamante pedir, na petição inicial, a declaração de falsidade de determinados documentos que a reclamada supostamente possa apresentar. Neste caso, a falsidade documental será resolvida na decisão final do juiz, que poderá ocorrer juntamente com a sentença definitiva ou, ainda, em forma de julgamento antecipado parcial do mérito (art. 356 do CPC), forma esta que pouquíssimos juízes do trabalho usam. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 29 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Art. 431. A parte arguirá a falsidade expondo os motivos em que funda a sua pretensão e os meios com que provará o alegado. No exato momento em que a parte suscitar a falsidade de determinado documento, ela deverá, também, mencionar quais são os motivos (razões) que o levam a pensar que o documento é falso, além de indicar, precisamente, as maneiras de que se utilizará para provar a falsidade do documento (vídeos, áudios, fotografias, depoimentos etc.). Se a parte suscitar o incidente de falsidade sem expor tais motivos e sem indicar os meios com que provará a alegação, ela correrá o risco de ser condenada por ato de litigância de má- fé (provocar incidente manifestamente infundado), previsto no art. 793-B, inciso VI, da CLT. Portanto, não se esqueça dos pressupostos básicos de procedibilidade do incidente de falsidade: • 1) Exposição dos motivos que levam a parte a pensar que o documento apresentado pela parte contrária seja falso; • 2) Indicação de meios com os quais a parte pretende provar que o referido documento é, de fato, falso. Art. 432. Depois de ouvida a outra parte no prazo de 15 (quinze) dias, será realizado o exame pericial. Parágrafo único. Não se procederá ao exame pericial se a parte que produziu o documento concordar em retirá-lo. O texto da lei é imperativo ao determinar que, após a manifestação da parte que juntou o documento, será realizada perícia técnica para avaliar a legitimidade/falsidade do documento. Todavia, provavelmente com a finalidade de evitar morosidade processual e de “dar uma chance” à parte de não ser condenada por litigância de má-fé, o legislador possibilita que a parte que juntou o documento retire-o do processo. Isso deve ocorrer antes da realização da perícia. Art. 433. A declaração sobre a falsidade do documento, quando suscitada como questão principal, constará da parte dispositiva da sentença e sobre ela incidirá também a autoridade da coisa julgada. É o que foi dito acima: se o reclamante pedir na petição inicial a declaração de falsidade de algum documento em posse da reclamada, a falsidade será resolvida no dispositivo da sentença (parte que determina a procedência/improcedência dos pedidos). Nesse caso, por estar decidindo matéria posta à sua apreciação pelas partes, a legitimidade/falsidade do documento será acobertada pela coisa julgada material. Logo, eventual desconstituição dessa decisão judicial deve ser pretendida em grau de recurso ou em ação rescisória, no prazo legal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 30 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Abaixo, apresento mapa mental do incidente de falsidade: 5 . hoNorÁrios Periciais5 . hoNorÁrios Periciais A regra referente ao ônus de pagamento dos honorários periciais é muitíssimo cobrada em provas. Este tópico torna-se ainda mais interessante pelo fato de a Reforma Trabalhista ter alterado, significativamente, a sistemática desse ônus. Esta regra é estruturada no art. 790-B da CLT: Art. 790-B. A responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais é da parte sucumbente na pretensão objeto da perícia, ainda que beneficiária da justiça gratuita. § 1º Ao fixar o valor dos honorários periciais, o juízo deverá respeitar o limite máximo estabelecido pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho. § 2º O juízo poderá deferir parcelamento dos honorários periciais. § 3º O juízo não poderá exigir adiantamento de valores para realização de perícias. § 4º Somente no caso em que o beneficiário da justiça gratuita não tenha obtido em juízo créditos capazes de suportar a despesa referida no caput, ainda que em outro processo, a União responderá pelo encargo. O caput do art. 790-B da CLT foi objeto da Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 5766, julgada pelo STF em sessão realizada no dia 20/10/2021. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 31 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos O primeiro elemento da regra continua o mesmo de antes da Reforma: quem paga os honorários do perito é a parte que sucumbir (for vencida) no objeto da perícia, especificamente. EXEMPLO João ajuíza reclamação trabalhista postulandi horas extras, férias, 13º salário e adicional de insalubridade. João ganhou os pedidos de horas extras, férias e 13º salário, mas perdeu o pedido relativo ao adicional de insalubridade. Como havia sido designada perícia para avaliar se o ambiente de trabalho do reclamante era ou não insalubre, João, mesmo tendo ganhado a maior parte dos pedidos, é sucumbente no objeto da perícia, e deverá pagar os honorários do perito responsável pelo laudo. Mesmo que o laudo fosse favorável a João (reclamante), o fato de o juiz rejeitar o pedido de adicional de insalubridade, por qualquer fundamento, já o torna sucumbente na pretensão objeto da perícia. Afinal, o juiz não é vinculado à conclusão do perito, e pode julgar a pretensão que ensejou a prova pericial em sentido diverso, desde que, sempre, de forma fundamentada (princípio do livre convencimento motivado).Portanto, não importa o resultado do laudo. Se a parte perdeu o pedido referente à perícia (sucumbente no objeto da perícia), ela deverá pagar os honorários do perito. O caput do art. 790-B, incluído pela Lei n. 13.467/2017, dispunha que a parte sucumbente no objeto da perícia deveria pagar os honorários periciais MESMO QUE fosse beneficiária da justiça gratuita! Muito já se discutia sobre a (in)constitucionalidade desse dispositivo, até que o STF, em julgamento da ADI n. 5766, declarou-o inconstitucional. A teor desse dispositivo, antes que ele fosse declarado inconstitucional pelo STF, existia uma hipótese – única – em que a União responderia pelos honorários periciais em vez da parte. Para que a União respondesse pelos honorários, deviam ser preenchidos, cumulativamente, três requisitos: • 1) Sucumbente ser beneficiário da justiça gratuita; • 2) Sucumbente não ter ganhado nenhum valor no processo em que ocorreu a perícia; • 3) Sucumbente não ganhar nenhum valor em outros processos pendentes. Se qualquer dos três requisitos acima não fosse preenchido, a parte sucumbente no objeto da perícia pagaria os honorários periciais. A lei não falava se esse “outro processo” do qual se retirarão os valores para pagar os honorários periciais deve ser já sentenciado, em fase de execução, ou ainda em andamento na fase de conhecimento. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 32 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Os exemplos abaixo tratam da regra do art. 790-B, caput, da CLT, em seu sentido natural, desconsiderando-se, por ora, a sua declaração de inconstitucionalidade. Logo adiante trataremos mais a fundo sobre tal questão. EXEMPLO 1) Ricardo ajuíza reclamação trabalhista postulando adicional de periculosidade, férias, participação nos lucros e adicional noturno. Ricardo consegue receber, em razão da condenação, o valor de R$ 5.000,00 por ter ganhado os pedidos de férias, participação nos lucros e adicional noturno. Contudo, Ricardo perdeu o pedido de adicional de periculosidade. O juiz arbitrou aos honorários periciais o valor de R$ 1.000,00. Ricardo possui o benefício da justiça gratuita, que foi pedido e deferido pelo juiz. Neste caso, Ricardo receberá somente R$ 4.000,00, pois os R$ 1.000,00 referentes aos honorários periciais serão deduzidos do que ele tiver para receber. 2) Júlia ajuíza reclamação trabalhista postulando indenização por danos extrapatrimoniais, horas extras e adicional de insalubridade. Júlia perdeu todos os pedidos de sua reclamação, que foi julgada totalmente improcedente. Júlia possui o benefício da justiça gratuita, e não tem nenhuma outra reclamação trabalhista passada ou pendente (esta, na verdade, foi a primeira ação de sua vida). Neste caso, a União responderá pelo pagamento dos honorários periciais. Júlia não pagará nada. O caput do art. 790-B da CLT foi objeto da Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 5766, julgada pelo Supremo Tribunal Federal em sessão realizada no dia 20/10/2021. A parte dispositiva da decisão, publicada no Diário de Justiça Eletrônico em 5/11/2021, apresenta: JURISPRUDÊNCIA Decisão: O Tribunal, por maioria, julgou parcialmente procedente o pedido formulado na ação direta, para declarar inconstitucionais os arts. 790-B, caput e § 4º, e 791-A, § 4º, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), vencidos, em parte, os Ministros Roberto Barroso (Relator), Luiz Fux (Presidente), Nunes Marques e Gilmar Mendes. Por maioria, julgou improcedente a ação no tocante ao art. 844, § 2º, da CLT, declarando-o constitucional, vencidos os Ministros Edson Fachin, Ricardo Lewandowski e Rosa Weber. Redigirá o acórdão o Ministro Alexandre de Moraes. Plenário, 20.10.2021 (Sessão realizada por videoconferência – Resolução 672/2020/STF). Muito embora seja importante o conhecimento sistemático da controvérsia, a começar pelo sentido do dispositivo declarado inconstitucional, as provas objetivas deverão levar em O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 33 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos consideração o entendimento do STF, que tem efeito vinculante para toda a Administração Pública e para o Poder Judiciário (art. 102, § 2º, Constituição Federal). A CLT é omissa quanto aos critérios para fixação do valor dos honorários do perito técnico ou médico. Contudo, ela esclarece que o limite máximo do valor deve respeitar a determinação do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT). Obs.: A CLT apenas é expressa com relação aos critérios de fixação dos honorários dos peritos contábeis. Confira o art. 879, § 6º, da CLT: “Tratando-se de cálculos de liquidação complexos, o juiz poderá nomear perito para a elaboração e fixará, depois da conclusão do trabalho, o valor dos respectivos honorários com observância, entre outros, dos critérios de razoabilidade e proporcionalidade”. Os critérios de fixação, que não estão na CLT, são fornecidos pelo CSJT na Resolução 66 de 2010, que também fixa o referido “limite máximo”. Veja o que diz seu art. 3º: Art. 3º Em caso de concessão do benefício da justiça gratuita, o valor dos honorários periciais, observado o limite de R$ 1.000,00 (um mil reais), será fixado pelo juiz, atendidos: I – a complexidade da matéria; II – o grau de zelo profissional; III – o lugar e o tempo exigidos para a prestação do serviço; IV – as peculiaridades regionais. O limite máximo só é estabelecido para casos de justiça gratuita, pois é neles que, possivelmente, a União responderá pelos honorários do perito. Nos demais casos (se o sucumbente não tiver justiça gratuita), não haverá limite para fixação do valor dos honorários, que poderão, então, ser superiores a R$ 1.000,00. Outras duas mudanças importantíssimas vindas da Reforma Trabalhista referem-se ao parcelamento e ao adiantamento do valor dos honorários periciais pelas partes. O CPC permite o adiantamento de parte dos honorários em favor do perito, antes de ele efetuar o exame, a vistoria ou a avaliação que serão sintetizados no seu laudo. Até a entrada em vigor da Reforma, o adiantamento era acolhido na Justiça do Trabalho. Normalmente, era o empregador-reclamado quem adiantava parte dos honorários, em razão de sua maior condição financeira. Se o reclamante perdesse no objeto da perícia, o valor adiantado pelo reclamado era a ele restituído. Contudo, com a inclusão do § 3º ao art. 790-B, é proibido exigir de qualquer das partes o adiantamento de parte dos honorários periciais. Dessa forma, desde a entrada em vigor da Reforma, o perito só receberá honorários após terminado o processo. Por outro lado, com a inclusão do § 2º, a Reforma permite expressamente que o pagamento dos honorários periciais seja feito de forma parcelada, tendo-se em vista as condições econômicas da parte sucumbente no objeto da perícia. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 34 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos EXEMPLO Kléber, reclamante, foi sucumbente na pretensão objeto da perícia. Embora tivesse o benefícioda justiça gratuita, Kléber foi condenado a pagar os honorários, pois recebeu algumas verbas no processo. Para que o desconto não ocorresse todo de uma vez, Kléber pediu para pagar o valor dos honorários (fixados em R$ 1.000,00, neste exemplo) de forma parcelada, em quatro vezes, pois precisava com urgência do valor que recebeu na reclamação para pagar cirurgia de sua filha. Nesse caso, pode o juiz deferir o pagamento de forma parcelada, em quatro vezes (ou menos, ou mais vezes). Para gravar a diferença entre parcelamento e adiantamento, apresento a ilustração abaixo: 5 .1 . hoNorÁrios Do PeriTo X hoNorÁrios Do iNTÉrPreTe5 .1 . hoNorÁrios Do PeriTo X hoNorÁrios Do iNTÉrPreTe Outro ponto de grande relevância para seu aprendizado envolve um tema já comentado anteriormente nesta aula. Você precisa ter cuidado para não confundir os critérios para pagamento dos honorários periciais comuns (de insalubridade, periculosidade, doença ocupacional, acidente de trabalho etc.) com os critérios para pagamento dos honorários do intérprete (assistência a quem não fala português, ou seja surdo-mudo, ou mudo que não saiba escrever). Já vimos que, no caso dos honorários periciais comuns, a parte que pagará pelos honorários é a sucumbente no objeto da perícia, mesmo que seja beneficiária da justiça gratuita. Quanto aos honorários do intérprete (que em essência é quase um perito), quem responde é a parte sucumbente no processo como um todo. Outra diferença é a seguinte: no caso dos honorários periciais, a parte sucumbente no objeto da perícia pagará os honorários ainda que seja beneficiária da justiça gratuita. Por sua vez, os honorários do intérprete não serão devidas se o sucumbente for beneficiário da justiça gratuita. 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JURISPRUDÊNCIA Súmula 212 do TST O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. Esta súmula é muito aplicável na prática. Vamos entendê-la com um exemplo: EXEMPLO Liédson ajuizou reclamação trabalhista contra a sua ex-empregadora, a empresa Gira Gira Ltda., alegando que trabalhou para tal empresa por dois anos, e foi dispensado sem justa causa e sem receber nada. A empresa, em sua defesa, alega que Liédson abandonou o emprego, ficando ausente por meses sem dar qualquer notícia, razão que a levou a dispensá-lo por justa causa, por abandono de emprego. Neste caso, como é incontroverso que existiu um contrato de trabalho entre as partes, caberá à empresa Gira Gira o ônus de comprovar o abandono de emprego. Isso porque ela negou que Liédson lhe prestou serviços por determinado espaço de tempo, bem como negou ter despedido Liédson sem justa causa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 36 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Conclusão: se a modalidade de término do contrato estiver em discussão (se houve justa causa ou não), o ônus de comprovar a justa causa será do empregador, por força do Princípio da Continuidade da Relação de Emprego. Tal princípio é de direito material do trabalho, mas tem repercussão no direito processual no que tange ao ônus da prova. O do Princípio da Continuidade da Relação de Emprego informa que o empregado sempre tem a intenção de continuar no emprego em que está, a fim de garantir o sustento próprio e de sua família. Logo, aquele que alegar que o empregado, por vontade própria, deixou de trabalhar deve comprovar essa alegação, sob pena de ser presumido que o empregado foi dispensado sem justa causa. JURISPRUDÊNCIA Súmula 16 do TST Presume-se recebida a notificação 48 (quarenta e oito) horas depois de sua postagem. O seu não recebimento ou a entrega após o decurso desse prazo constitui ônus de prova do destinatário. Esta súmula cria uma regra de ônus de prova de cunho processual, e é muito cobrada em provas. Os atos processuais podem ser comunicados às partes por várias formas, como a via postal com aviso de recebimento (Correios), geralmente utilizada quando a respectiva parta não tem advogado constituído. Nestes casos, se o carteiro atestar que a notificação foi entregue ao destinatário mediante depósito em sua caixa postal, haverá uma presunção relativa de que o destinatário ficou ciente do inteiro teor da notificação no prazo de 48 horas. É possível, sim, que o destinatário não tenha recebido a postagem na data atestada pelo carteiro. Nesta situação, caberá ao próprio destinatário a prova de que não recebeu a correspondência na data atestada. JURISPRUDÊNCIA Súmula 338 do TST I – É ônus do empregador que conta com mais de 10 (dez) empregados o registro da jornada de trabalho na forma do art. 74, § 2º, da CLT [cartões de ponto]. A não apresentação injustificada dos controles de frequência gera presunção relativa de veracidade da jornada de trabalho, a qual pode ser elidida por prova em contrário. II – A presunção de veracidade da jornada de trabalho, ainda que prevista em instrumento normativo, pode ser elidida por prova em contrário. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 37 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos III – Os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova, invertendo-se o ônus da prova, relativo às horas extras, que passa a ser do empregador, prevalecendo a jornada da inicial se dele não se desincumbir. Simplificarei estas regras com três exemplos práticos: EXEMPLO 1) O empregado alega que trabalhou em horas extras. A empresa, por ter mais que 10 empregados, junta com sua defesa cartões de ponto que atestam a ausência de trabalho em horas extras. Nesse caso, o ônus de provar o trabalho em horas extras será do reclamante, que deverá se utilizar de outros meios de prova a fim de desconstituir a indicação dos documentos do reclamado (cartões de ponto). 2) O empregado alega que trabalhou em horas extras. A empresa, que tem menos de 10 empregados em seu estabelecimento, deixa de juntar cartões de ponto e nega a existência de trabalho em horas extras. Nesse caso, o ônus de provar o trabalho em horas extras será do reclamante, pois a empresa não tinha a obrigação legal de manter cartões de ponto para controlar a frequência dos empregados, já que tinha menos de 10 empregados no estabelecimento. 3) O empregado alega que trabalhou em horas extras. A empresa, que é grande e tem bem mais de 10empregador por estabelecimento, deixa de juntar cartões de ponto e nega a existência de trabalho em horas extras. Nesse caso, o ônus de provar a ausência de trabalho em horas extras será da empresa reclamada, pois ela tinha o dever legal de manter cartões de ponto para controlar a frequência dos empregados. Logo, a empresa deverá buscar outros meios de prova a fim de provar que o reclamante não trabalhou em horas extras. Nesse caso, haverá presunção relativa de veracidade do fato de o reclamante ter trabalhado em horas extras. Por ser presunção relativa, pode haver prova em sentido contrário, para desconstituir a presunção. 4) O empregado alega que trabalhou em horas extras. A empresa, que é grande e tem bem mais de 10 empregador por estabelecimento, junta cartões de ponto assinados pelos empregados durante o período em que o reclamante trabalhou para ela. Todavia, os cartões mostram horários sempre exatos e invariáveis, com entrada às 13:00 (todos os dias) e saída às 22:00 (todos os dias), com parada para intervalo às 17:00 (todos os dias). Logo, estes cartões são inválidos como meio de prova, e será aplicada a mesma regra de quando a empresa não possui cartões de ponto. Portanto, o ônus de provar a ausência de trabalho em horas extras será da empresa reclamada, que deverá buscar outros meios de prova a fim de provar que o reclamante não trabalhou em horas extras. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 38 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos JURISPRUDÊNCIA Súmula 6, item VIII, do TST É do empregador o ônus da prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo da equiparação salarial. Quando o reclamante alega que recebia salário inferior ao de determinado colega de trabalho que desempenhava as mesmas funções que ele, com iguais produtividade e perfeição técnica (equiparação salarial), será do empregador-reclamado o ônus de provar que os requisitos da equiparação salarial não foram preenchidos (fato impeditivo). Se os requisitos foram preenchidos, será dele o ônus de provar que o direito à equiparação foi extinto por algum motivo (fato extintivo) ou que tal direito deve ser concedido de forma diferente (fato modificativo), com valor menor, por exemplo. JURISPRUDÊNCIA Súmula 460 do TST É do empregador o ônus de comprovar que o empregado não satisfaz os requisitos indispensáveis para a concessão do vale-transporte ou não pretenda fazer uso do benefício. JURISPRUDÊNCIA Súmula 461 do TST É do empregador o ônus da prova em relação à regularidade dos depósitos do FGTS, pois o pagamento é fato extintivo do direito do autor (art. 373, II, do CPC de 2015). Se o empregado postular o pagamento dos depósitos mensais do FGTS, deverá o empregador-reclamado juntar os comprovantes de pagamento desses depósitos, pois é o empregador o sujeito que retém esses comprovantes. Logo, não há forma melhor de distribuir o ônus da prova nesse ponto. JURISPRUDÊNCIA Súmula 12 do TST As anotações apostas pelo empregador na carteira profissional do empregado não geram presunção “juris et de jure”, mas apenas “juris tantum”. Não entendeu as expressões desta súmula? Eu as explico: DICA “Juris et de jure” significa presunção absoluta de veracidade . “Juris tantum” significa presunção relativa de veracidade . O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 39 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Portanto, agora você pode entender o que a súmula diz: as anotações feitas pelo empregador na CTPS do empregado geram presunção relativa de veracidade. Logo, se na CTPS constar como data de admissão o dia 10/10/2016 (por exemplo), poderá o empregado, na Justiça do Trabalho, comprovar por outros meios de prova que o contrato de trabalho teve início em data anterior a esta. Como a presunção de veracidade das anotações é relativa, ela admite prova em contrário. Se fosse absoluta, não admitiria. JURISPRUDÊNCIA Súmula 8 do TST A juntada de documentos na fase recursal só se justifica quando provado o justo impedimento para sua oportuna apresentação ou se referir a fato posterior à sentença. Como regra, as provas documentais devem ser apresentadas até o término da instrução. Todavia, às vezes, as partes são impedidas de apresentar essas provas no momento oportuno por circunstâncias alheias à sua vontade. O TST admite duas hipóteses de juntada de documentos após o término da fase de instrução (como na fase recursal). São elas: • 1) Na época da instrução, havia justo impedimento para a juntada; • 2) Os fatos provados pelos documentos ocorreram após a sentença de primeiro grau. JURISPRUDÊNCIA Súmula 357 do TST Não torna suspeita a testemunha o simples fato de estar litigando ou de ter litigado contra o mesmo empregador. Se a única razão invocada para sustentar a suspeição da testemunha – e por consequência sua desqualificação para depor como testemunha – for o fato de ela ter ação pendente contra o mesmo empregador ou de já ter ajuizado ação contra ele, a testemunha não será suspeita, e poderá depor como testemunha. É claro que poderá haver outros fatos que, coligados, conduzam o juiz à conclusão de que determinado depoente é suspeito por amizade íntima ou inimizade, por exemplo. O que a súmula se limita a dizer é que o litígio contra o mesmo empregador envolvido na ação em que a testemunha vá depor não é razão que, sozinha, possa alicerçar a acusação de suspeição da testemunha. A Súmula 74 do TST foi trabalhada na aula sobre as Audiências. Portanto, transcreverei, aqui, o conteúdo abordado para elucidar os termos desta súmula. Assim como na referia aula, comentarei os itens da súmula (I, II e III) separadamente: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 40 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos JURISPRUDÊNCIA I – Aplica-se a confissão à parte que, expressamente intimada com aquela cominação, não comparecer à audiência em prosseguimento, na qual deveria depor. Suponha que, em reclamação de rito ordinário, houve audiência inicial, com proposta de acordo recusada e oferecimento de defesa. Terminada a defesa, foi designada audiência de instrução, para algumas semanas depois. Na audiência de instrução, para a qual ambas as partes foram intimadas, somente o reclamante compareceu. Neste caso, todos os fatos que o reclamante tentar comprovar na audiência de instrução (que é a “audiência em prosseguimento”), com depoimentos, testemunhas e demais provas, serão considerados, em princípio, verdadeiros. Isso se chama CONFISSÃO FICTA. Exatamente a mesma regra será aplicada se somente o reclamado comparecer. Nesse caso, a regra é idêntica, mas é o reclamante quem será confesso. Logo, todos os fatos que o reclamado tentar comprovar na audiência de instrução serão considerados, em princípio, verdadeiros. O reclamante (autor) também pode ser confesso! Isso acontecerá se o reclamado (réu) comparecer à audiência de instrução e o reclamante (autor) faltar sem motivo justificável. JURISPRUDÊNCIA II – A prova pré-constituída nos autospode ser levada em conta para confronto com a confissão ficta (arts. 442 e 443, do CPC de 2015 – art. 400, I, do CPC de 1973), não implicando cerceamento de defesa o indeferimento de provas posteriores. A confissão ficta decorrente de falta à audiência de instrução é mais sutil, pois todas as provas produzidas anteriormente serão devidamente consideradas, e poderão “combater” a confissão. EXEMPLO O reclamante alega que a empresa reclamada exigia trabalho em horas extras e nunca pagou por isso. Na audiência de instrução, a empresa é ausente (aplicando-se confissão ficta), e o reclamante traz duas testemunhas que confirmam sua alegação. Entretanto, a empresa reclamada, antes da audiência de instrução ( juntamente com a defesa), juntou aos autos cartões de ponto que não registram nenhuma hora extra prestada. Como a empresa não tinha mais que 10 empregados, era do reclamante o ônus de comprovar que o cartão-ponto não corresponde à realidade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 41 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Logo, como havia prova pré-constituída nos autos (cartões de ponto juntados com a defesa), o juiz poderá formar seu convencimento com base, também, nessa prova. Logo, tal prova será confrontada (comparada) com a confissão, e o juiz poderá considerar ambas as provas (cartões de ponto e confissão) para formar seu convencimento. O segundo item desta súmula somente protege a prova pré-constituída. Após a confissão ficta, o juiz poderá indeferir todos os requerimentos de prova formulados pela parte confessa, sem que isso configure cerceamento de defesa. JURISPRUDÊNCIA III – A vedação à produção de prova posterior pela parte confessa somente a ela se aplica, não afetando o exercício, pelo magistrado, do poder/dever de conduzir o processo. Vamos aprender essa regra com um exemplo prático: EXEMPLO João, reclamante, queria ouvir duas testemunhas para comprovar que foi agredido pelo empregador, o reclamado. Na audiência de instrução, João faltou, o que o tornou confesso (confissão ficta). João, portanto, está proibido de produzir provas posteriormente, em razão da confissão ficta. No entanto, essa proibição somente se aplica a João. O juiz, por força do Princípio Inquisitivo, pode determinar a coleta de todas as provas que ele entender necessárias. Desse modo, se o juiz quiser ouvir tais testemunhas, ele poderá ouvi-las. Essa oitiva ocorrerá não porque o reclamante pretendia ouvi-las, mas, sim, porque o juiz pretende ouvi-las. Logo, a proibição de produção de provas sobre determinado fato controvertido somente se aplica à parte confessa, e nunca ao juiz. É poder-dever do juiz buscar a verdade real sobre a lide que lhe foi submetida. Para isso, ele pode/deve usar todos os meios possíveis. JURISPRUDÊNCIA Súmula 453 do TST: O pagamento de adicional de periculosidade efetuado por mera liberalidade da empresa, ainda que de forma proporcional ao tempo de exposição ao risco ou em percentual inferior ao máximo legalmente previsto, dispensa a realização da prova técnica exigida pelo art. 195 da CLT, pois torna incontroversa a existência do trabalho em condições perigosas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 42 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Já mencionamos em outros momentos que a CLT obriga o juiz a designar perícia para avaliar a existência, ou não, de condições insalubres ou perigosas (art. 195, § 2º), quando invocadas na reclamação trabalhista. Entretanto, o TST abre uma exceção para esse caso. A perícia serve para comprovar que o ambiente é perigoso, certo? Se o empregador já pagava a verba “adicional de periculosidade” ao trabalhador, mesmo que em valor errado, o empregador está admitindo que o ambiente de trabalho é perigoso. Portanto, a perícia, de acordo com esta súmula, é inútil nesse contexto. JURISPRUDÊNCIA Súmula 341 do TST A indicação do perito assistente é faculdade da parte, a qual deve responder pelos respectivos honorários, ainda que vencedora no objeto da perícia. Quando estudamos as regras dos honorários periciais, vimos que a parte sucumbente na pretensão objeto da perícia responde pelos respectivos honorários, certo? Faço um destaque com certa redundância: estávamos falando especificamente dos honorários do perito. Cabe ressaltar que, em alguns casos, é inevitável a realização de perícia, por exigência legal ou necessidade técnica. O assistente técnico é escolhido e nomeado pela própria parte, que pode fazer isso ou não. Ninguém é obrigado a ter assistente técnico no processo do trabalho. Logo, quem tiver assistente técnico está “dando-se um luxo”. Portanto, mesmo que a parte seja vencedora no objeto da perícia, ela deve quitar os honorários do seu próprio assistente técnico. Algumas grandes empresas nomeiam como assistentes empregados seus, com formação na área objeto da perícia. JURISPRUDÊNCIA OJ 36 da SDI-I do TST O instrumento normativo em cópia não autenticada possui valor probante, desde que não haja impugnação ao seu conteúdo, eis que se trata de documento comum às partes. Instrumentos normativos são os textos dos acordos e convenções coletivas de trabalho (ACT/CCT). Ambas as partes têm acesso a esses instrumentos, pois são naturalmente firmados e estipulados por seus representantes, ou por elas próprias. Logo, o valor probatório da cópia simples (não autenticada) desses documentos só será posto à prova se houver impugnação ao conteúdo do documento, como, por exemplo, com inserção indevida de uma cláusula que não existe, para enganar o juiz. 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OJ 165 da SDI-I do TST: O art. 195 da CLT não faz qualquer distinção entre o médico e o engenheiro para efeito de caracterização e classificação da insalubridade e periculosidade, bastando para a elaboração do laudo seja o profissional devidamente qualificado. É suficiente a qualificação técnica do profissional para analisar fatores insalubres ou perigosos no ambiente de trabalho. Seja médico do trabalho ou engenheiro do trabalho. O que importa é o conhecimento e a formação. Simples assim. JURISPRUDÊNCIA OJ 278 da SDI-I do TST A realização de perícia é obrigatória para a verificação de insalubridade. Quando não for possível sua realização, como em caso de fechamento da empresa, poderá o julgador utilizar-se de outros meios de prova. Enquanto possível, a perícia é indispensável para a verificação de agentes insalubres no ambiente de trabalho. Todavia,às vezes a perícia é absolutamente impossível. O principal fatos causador dessa impossibilidade foi até mesmo exemplificado na súmula: fechamento da empresa. Como o perito avaliaria tais agentes se as atividades foram encerradas? Não há maneira para isso. Nesse caso específico (impossibilidade de perícia), o juiz pode decidir se os agentes eram insalubres ou não com base em outras provas. Provas geralmente invocadas no caso de fechamento da empresa são laudos periciais produzidos em outros processos (prova emprestada). É possível o uso de outras provas, como testemunhal e documental. Se o pedido será acolhido na sentença, é outra história. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 44 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos JURISPRUDÊNCIA OJ 98 da SDI-I do TST É ilegal a exigência de depósito prévio para custeio dos honorários periciais, dada a incompatibilidade com o processo do trabalho, sendo cabível o mandado de segurança visando à realização da perícia, independentemente do depósito. A OJ 98 proíbe, em tese, a exigência de antecipação de honorários periciais para realização de perícias. Antes da Reforma Trabalhista, muitos juízos exigiam tal antecipação, embora esta OJ a considere incabível no processo do trabalho. A partir da entrada em vigor da Reforma, a antecipação passou a ser legalmente proibida. Confira a redação do art. 790-B, § 3º: “O juízo não poderá exigir adiantamento de valores para realização de perícias.”. Doravante, a OJ 98, que muitas vezes não foi observada, ganhou força: se o juiz exigir antecipação/adiantamento de honorários periciais para realização de perícia de qualquer natureza, a parte prejudicada poderá impetrar mandado de segurança, postulando a realização da perícia sem o custeio imposto. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 45 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos QUESTÕES DE CONCURSOQUESTÕES DE CONCURSO 001. 001. (FEPESE/PREFEITURA DE FLORIANÓPOLIS-SC/PROCURADOR MUNICIPAL/2022) Assinale a alternativa correta de acordo com o processo do trabalho. a) Todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e julgamento, ainda que não requeridas previamente. b) As testemunhas arroladas pelas partes deverão ser intimadas para comparecer à audiência de instrução e julgamento, com cinco dias de antecedência da realização do ato. c) As partes e testemunhas serão inquiridas diretamente por seus representantes ou advogados, podendo ser reinquiridas, a critério do juiz. d) Cada parte poderá ouvir até três testemunhas por fatos articulados ou pedidos formulados pelas partes. e) Apresentado documento pela parte durante a audiência de instrução e julgamento, o juiz abrirá prazo de cinco dias para que a parte adversa possa se manifestar sobre a prova. 002. 002. (CEBRASPE/PGE-AL/PROCURADOR DO ESTADO/2021) Em uma reclamação trabalhista, o reclamante formulou pedido de pagamento de horas extras. Na contestação, a empresa negou que o empregado tivesse trabalhado em jornada extraordinária, e juntou cartões de ponto assinados pelo empregado em que tinham sido registrados horários uniformes da jornada de trabalho desse empregado. Na audiência de instrução, não foram ouvidas testemunhas, nem da empresa, nem do empregado. Nessa situação hipotética, os cartões de ponto a) são considerados como prova, podendo ser usados pelo empregado para comprovar a jornada trabalhada. b) comprovam a jornada de trabalho efetivamente cumprida, pois a assinatura expressa a concordância do empregado com os registros. c) não servem como prova da jornada de trabalho, pois contêm registros uniformes, cabendo à empresa comprovar a jornada por outros meios de prova. d) somente não servirão como prova se o reclamante contestar a autenticidade de sua assinatura. e) não servem como prova da jornada de trabalho, porque, em qualquer tipo de demanda que pleiteie horas extras, cabe à empresa apresentar outros tipos de provas para negar a existência de jornada extraordinária. 003. 003. (QUADRIX/CRECI – 14ª REGIÃO (MS)/ADVOGADO/2021) A instrução é a fase do processo de conhecimento em que são colhidas as provas que formarão o convencimento do juiz acerca dos fatos narrados pelo autor, pelo réu ou por terceiro. No que se refere aos meios de prova admitidos no direito processual trabalhista, julgue o item. Nas causas submetidas ao procedimento sumaríssimo, a intimação de testemunhas só será feita se a testemunha comprovadamente convidada não comparecer. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 46 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos 004. 004. (FCC/TRT – 2ª REGIÃO (SP)/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) Na reclamação trabalhista “X”, Ronaldo alega que prestou serviços na qualidade de empregado para a empresa “L” requerendo, dentre diversos pedidos, o reconhecimento do vínculo de emprego. Já na reclamação “Y”, Frederica alega que teve o seu contrato de trabalho celebrado com a empresa “B” rescindido sem justa causa, não tendo recebido as verbas rescisórias a que tinha direito. Em sede de contestação, a empresa “L” negou a prestação de serviços e a empresa “B” negou o despedimento. Nesses casos, o ônus de provar o término do contrato de trabalho nas reclamações trabalhistas “X” e “Y”, de acordo com o entendimento Sumulado do Tribunal Superior do Trabalho a) é, respectivamente, de Ronaldo e da empresa “B”. b) é, respectivamente, da empresa “L” e de Frederica. c) é, respectivamente, da empresa “L” e da empresa “B”. d) é, respectivamente, de Ronaldo e de Frederica. e) dependerá do rito processual a ser seguido. 005. 005. (FCC/ENAMAT/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2017) O art. 818 da CLT estabelece que a prova das alegações incumbe à parte que as fizer. Em se tratando da prova e do ônus da prova no processo do trabalho, com base na CLT e no entendimento das Súmulas e Orientações Jurisprudenciais do TST, extrai-se: a) Em se tratando de reclamação trabalhista com pedido de adicional de insalubridade, a realização de perícia será obrigatória diante da determinação legal do art. 195 da CLT, podendo, contudo, o julgador utilizar-se de outros meios de prova quando desativado o local de trabalho do reclamante ou encerrada a atividade da empresa. b) Tendo em vista o princípio da autodeterminação coletiva, previsto no art. 7, XXVI da CF, a presunção de veracidade da jornada de trabalho, quando prevista em instrumento normativo, não pode ser elidida por prova em contrário. c) Cabe ao empregado, em reclamação trabalhista, o ônus da prova de demonstrar que satisfaz os requisitos indispensáveis para a concessão do vale-transporte. d) Uma vez negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregado o ônus de provar o término do contrato de trabalho por iniciativa do empregador, na medida em que a CLT estabelece que a prova das alegações incumbe à parte que as fizer. e) Em matéria de horas extras, na hipótese de aplicada a confissão ao reclamado que, expressamente intimado com aquela cominação, não compareceu à audiência,na qual deveria depor, o indeferimento da oitiva de testemunha convidada pelo demandado caracterizará cerceamento ao seu direito de defesa, pois a presunção de veracidade da jornada de trabalho pode ser elidida por prova em contrário. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 47 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos 006. 006. (FCC/TRT – 24ª REGIÃO (MS)/ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2017) No final da audiência em que foram ouvidas duas testemunhas de cada parte em uma reclamatória trabalhista com pedido de indenização por danos morais, o magistrado resolveu convocar uma pessoa referida em todos os depoimentos para ser ouvida como testemunha do Juízo. Ocorre que a pessoa referida, de nome Ceres, ocupa a função de técnica administrativa do Tribunal Eleitoral e terá que depor em hora de serviço. No caso, segundo norma contida na Consolidação das Leis do Trabalho, Ceres a) será requisitada ao chefe da repartição para comparecer à audiência marcada. b) prestará seu depoimento por escrito, respondendo aos quesitos formulados pelo Juiz, para posterior juntada aos autos. c) comparecerá espontaneamente à audiência designada e justificará a ausência no serviço mediante atestado. d) somente está obrigada a comparecer se for conduzida por Oficial de Justiça à audiência designada. e) será ouvida na sua própria repartição, através de Carta de Ordem, respondendo aos quesitos formulados pelo Juiz. 007. 007. (FCC/TRT – 24ª REGIÃO (MS)/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) O ônus da prova pode ser assim problematizado: quem deve provar? Em princípio, as partes tem o ônus de provar os fatos jurídicos narrados na petição inicial ou na peça de resistência, bem como os que se sucederem no envolver da relação processual. Quanto às provas no Processo do Trabalho, a Consolidação das Leis do Trabalho estabelece: a) Qualquer que seja o procedimento, não é permitida a arguição dos peritos compromissados ou dos técnicos, uma vez que o laudo que apresentam já é suficiente como prova. b) As testemunhas devem, necessariamente, ser previamente intimadas para depor. c) Toda testemunha, antes de prestar o compromisso legal, será qualificada, indicando o nome, nacionalidade, profissão, idade, residência, e, quando empregada, o tempo de serviço prestado ao empregador, ficando sujeita, em caso de falsidade, às leis penais. d) Cada uma das partes, no procedimento ordinário e também quando se tratar de inquérito para apuração de falta grave, não poderá indicar mais de 3 testemunhas. e) A testemunha que for parente até o segundo grau civil, amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes, prestará compromisso, mas o seu depoimento valerá como simples informação. 008. 008. (FCC/TRT – 1ª REGIÃO (RJ)/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2016) Considerado o art. 829, da CLT, NÃO prestará compromisso como testemunha no processo do trabalho: a) aquele que atuou como juiz, ou perito em processo anterior da mesma matéria. b) parentesco até o quarto grau civil. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 48 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos c) o juiz que funcionou no mesmo processo em primeiro grau de jurisdição. d) o juiz devedor de uma das partes. e) o amigo íntimo de uma das partes. 009. 009. (FCC/TRT – 1ª REGIÃO (RJ)/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2016) Ao ser ouvida em juízo, depois de prestar o compromisso legal e responder a várias perguntas que lhe foram formuladas pelo juiz e pelos advogados das partes, uma testemunha, ao final de seu depoimento, alegou que mantivera um relacionamento amoroso com o autor da reclamação trabalhista, mas que o romance, encerrado há muito tempo, não trouxera qualquer consequência para ambos, e que, após o rompimento, restringiram suas conversas a assuntos exclusivamente de trabalho. Ciente desse fato, sabendo que as partes em seguida declararam não ter mais provas e reportaram-se aos elementos dos autos, sem conciliação, o juiz deve a) julgar normalmente, emprestando ao depoimento o valor que entendesse, de acordo com os demais elementos dos autos. b) converter em diligência o julgamento, para apurar a verdade das afirmações da testemunha, com vistas a certificar a validade de seu depoimento. c) desprezar o depoimento de testemunha e julgar de acordo com as provas que houvesse nos autos. d) julgar normalmente, emprestando valor ao depoimento da testemunha, uma vez que nada se provara contra esse depoimento e houve afirmativa de rompimento anterior do relacionamento. e) determinar a acareação da testemunha com o autor, para verificar a correção das afirmações. 010. 010. (FCC/TRT – 14ª REGIÃO (RO E AC)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA/2016) A Consolidação das Leis do Trabalho prevê algumas regras que diferenciam os tipos procedimentais das ações que tramitam na Justiça do Trabalho, notadamente quanto ao número de testemunhas que cada parte pode indicar para oitiva em audiência. Assim, para os ritos sumaríssimo, ordinário e inquérito judicial para apuração de falta grave, o número de testemunhas será, respectivamente, a) três − quatro − cinco. b) duas − três − três. c) três − cinco − seis. d) duas − cinco − cinco. e) duas − três − seis. 011. 011. (FGV/OAB/2017) Rodolfo Alencar ajuizou reclamação trabalhista em desfavor da sociedade empresária Sabonete Silvestre Ltda. Em síntese, ele afirma que cumpria longa jornada de trabalho, mas que não recebia as horas extras integralmente. A defesa nega o fato e advoga que toda a sobrejornada foi escorreitamente paga, nada mais sendo devido ao reclamante no particular. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 49 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Na audiência designada, cada parte conduziu duas testemunhas, que começaram a ser ouvidas pelo juiz, começando pelas do autor. Após o magistrado fazer as perguntas que desejava, abriu oportunidade para que os advogados fizessem indagações, e o patrono do autor passou a fazer suas perguntas diretamente à testemunha, contra o que se opôs o juiz, afirmando que as perguntas deveriam ser feitas a ele, que, em seguida, perguntaria à testemunha. Diante do incidente instalado e de acordo com o regramento da CLT, assinale a afirmativa correta. a) Correto o advogado, pois, de acordo com o CPC, o advogado fará perguntas diretamente à testemunha. b) A CLT não tem dispositivo próprio, daí porque poderia ser admitido tanto o sistema direto quanto o indireto. c) A CLT determina que o sistema seja híbrido, intercalando perguntas feitas diretamente pelo advogado, com indagações realizadas pelo juiz. d) Correto o magistrado, pois a CLT determina que o sistema seja indireto ou presidencial. 012. 012. (FGV/OAB/2017) Rômulo ajuizou ação trabalhista em face de sua ex-empregadora, a empresa Análise Eletrônica Ltda. Dentre outros pedidos, pretendeu indenização por horas extras trabalhadas e não pagas, férias vencidas não gozadas, nem pagas, e adicional de periculosidade. Na audiência, foi requerida e deferida a perícia,a qual foi custeada por Rômulo, que se sagrou vitorioso no respectivo pedido. Contudo, os pedidos de horas extras e férias foram julgados improcedentes. Rômulo também indicou e custeou assistente técnico, que cobrou o mesmo valor de honorários que o perito do juízo. Observados os dados acima e o disposto na CLT, na qualidade de advogado(a) que irá orientar Rômulo acerca do custeio dos honorários periciais e do assistente técnico, assinale a afirmativa correta. a) Tendo Rômulo sido vitorioso no objeto da perícia, não há que se falar em pagamento de honorários periciais e do assistente técnico, pois a ré os custeará. b) Independentemente do resultado no objeto da perícia, como ao final o rol de pedidos foi parcialmente procedente, Rômulo custeará os honorários periciais e do assistente técnico. c) Em virtude da aplicação do princípio da celeridade, descabe a indicação de assistente técnico no processo do trabalho, não cabendo a aplicação subsidiária do CPC nesse mister. d) Tendo Rômulo sido vitorioso no objeto da perícia, os honorários periciais serão custeados pela parte sucumbente no seu objeto, porém os honorários do assistente técnico serão de responsabilidade da parte que o indicou. 013. 013. (FGV/OAB/2016) Um empregado ajuizou reclamação trabalhista postulando o pagamento de vale transporte, jamais concedido durante o contrato de trabalho, bem como o FGTS não depositado durante o pacto laboral. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 50 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Em contestação, a sociedade empresária advogou que, em relação ao vale transporte, o empregado não satisfazia os requisitos indispensáveis para a concessão; no tocante ao FGTS, disse que os depósitos estavam regulares. Em relação à distribuição do ônus da prova, diante desse panorama processual e do entendimento consolidado pelo TST, assinale a afirmativa correta. a) O ônus da prova, em relação ao vale transporte, caberá ao reclamante e, no tocante ao FGTS, à reclamada b) O ônus da prova para ambos os pedidos, diante das alegações, será do reclamante. c) O ônus da prova, em relação ao vale transporte, caberá ao reclamado e, no tocante ao FGTS, ao reclamante. d) O ônus da prova para ambos os pedidos, diante das alegações, será da sociedade empresária. 014. 014. (FGV/OAB/2016) Em pedido de reenquadramento formulado em reclamação trabalhista, foi designada perícia, com honorários adiantados pelo autor, e ambas as partes indicaram assistentes técnicos. Após a análise das provas, o pedido foi julgado procedente. Diante da situação, da legislação em vigor e do entendimento consolidado do TST, assinale a afirmativa correta. a) O autor, tendo se sagrado vencedor, será ressarcido pelos honorários pagos ao perito e ao seu assistente técnico. b) O autor não terá o ressarcimento dos honorários que pagou ao seu assistente técnico, porque sua indicação é faculdade da parte. c) O autor, segundo previsão da CLT, terá o ressarcimento integral dos honorários pagos ao perito e metade daquilo pago ao seu assistente técnico. d) O juiz, inexistindo previsão legal ou jurisprudencial, deverá decidir se os honorários do assistente técnico da parte serão ressarcidos. 015. 015. (FGV/OAB/2016) Em audiência trabalhista sob o rito sumaríssimo, o advogado da ré aduziu que suas testemunhas estavam ausentes. Sem apresentar qualquer justificativa ou comprovante de comunicação às testemunhas, requereu o adiamento do feito. Diante disso, estando presentes as testemunhas do autor, o juiz indagou do advogado do autor se ele concordava ou não com o adiamento, requerendo justificativa. Sobre o caso relatado, na qualidade de advogado do autor, assinale a afirmativa correta. a) Deve concordar com o adiamento, já que ausentes as testemunhas, essas poderão ser intimadas para comparecimento na próxima audiência. b) Deve se opor ao adiamento, requerendo o prosseguimento do feito, pois, não havendo comprovação do convite às testemunhas, a audiência não poderá ser adiada para intimação das mesmas. 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Na audiência, o advogado de Paulo requereu o adiamento pela ausência das testemunhas, dizendo que protestava pelo indeferimento da notificação e por isso não convidou espontaneamente as testemunhas. O requerimento foi indeferido pelo juiz, que prosseguiu com a audiência. Sobre a decisão do juiz, a partir da hipótese apresentada, assinale a opção correta. a) A decisão foi equivocada, devendo ser deferido o adiamento, pois o prosseguimento do feito poderia gerar a nulidade por cerceamento de defesa. b) A decisão foi correta, já que o procedimento sumaríssimo não contempla a oitiva de testemunhas. c) A decisão foi correta, pois o procedimento sumaríssimo não admite a intimação de testemunhas. d) A decisão foi correta, pois no procedimento sumaríssimo as testemunhas deverão comparecer à audiência independentemente de intimação. Em caso de ausência e mediante comprovação de convite, as testemunhas serão intimadas. 017. 017. (FGV/OAB/2016) José ajuizou reclamação trabalhista em face da sociedade empresária ABCD Ltda., requerendo horas extras. A sociedade empresária apresentou contestação negando as horas extras e juntou os cartões de ponto, os quais continham horários variados de entrada e saída, marcados por meio de relógio de ponto. O advogado do autor impugnou a documentação. Com base no caso apresentado, assinale a afirmativa correta. a) Na qualidade de advogado do autor, você não precisará produzir qualquer outra prova, pois já impugnou a documentação. b) Na qualidade de advogado da ré, você deverá produzir prova testemunhal, já que a documentação foi impugnada. c) Na qualidade de advogado do autor, o ônus da prova será do seu cliente, razão pela qual você deverá produzir outros meios de prova em razão da sua impugnação à documentação. d) Dada a variação de horários nos documentos, presumem-se os mesmos inválidos diante da impugnação, razão pela qual só caberá o ônus da prova à empresa ré. 018. 018. (FGV/OAB/2015) Em sede de reclamação trabalhista sob o rito sumaríssimo, as testemunhas do autor não compareceram à audiência, apesar de convidadas verbalmente por ele. Na audiência, nada foi comprovado acerca da alegação do convite às testemunhas. Diante disso, assinale a afirmativa correta. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 52 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do TrabalhoGustavo Deitos a) A audiência deverá prosseguir, pois não cabe a intimação das testemunhas, uma vez que não foi comprovado o convite a elas. b) As testemunhas deverão ser intimadas porque a busca da verdade real é um princípio que deve sempre prevalecer. c) As testemunhas deverão ser conduzidas coercitivamente, porque não se admite que descumpram seu dever de cidadania. d) O feito deverá ser adiado para novo comparecimento espontâneo das testemunhas. 019. 019. (FGV/OAB/2015) Marcos ajuizou reclamação trabalhista em face de sua ex-empregadora, a sociedade empresária Cardinal Roupas Ltda., afirmando ter sofrido acidente do trabalho (doença profissional). Em razão disso, requereu indenização por danos material e moral. Foi determinada a realização de perícia, que concluiu pela ausência de nexo causal entre o problema sofrido e as condições ambientais. Na audiência de instrução, foram ouvidas cinco testemunhas e colhidos os depoimentos pessoais. Com base na prova oral, o juiz se convenceu de que havia o nexo causal e os demais requisitos para a responsabilidade civil, pelo que deferiu o pedido. Diante da situação retratada, e em relação aos honorários periciais, assinale a afirmativa correta. a) O trabalhador sucumbiu no objeto da perícia feita pelo expert, de modo que pagará os honorários. b) Uma vez que a perícia não identificou o nexo causal, mas o juiz, sim, os honorários serão rateados entre as partes. c) A empresa pagará os honorários, pois foi sucumbente na pretensão objeto da perícia. d) Não havendo disposição a respeito, ficará a critério do juiz, com liberdade, determinar quem pagará os honorários. 020. 020. (FGV/OAB/2012) No Processo do Trabalho, em relação ao ônus da prova, assinale a alternativa correta. a) É do empregador quanto à alegação de inexistência de vínculo de emprego, se admitida a prestação de serviços com outra qualidade. b) É sempre do empregador nas reclamações versando sobre horas extras. c) É sempre da parte que fizer a alegação, não importando o comportamento da parte contrária a respeito. d) É sempre do empregador nas reclamações versando sobre equiparação salarial. 021. 021. (FGV/OAB/2015) A papelaria Monte Fino Ltda. foi condenada numa reclamação trabalhista movida pelo ex-empregado Sérgio Silva. Uma das parcelas reivindicadas e deferidas foi o 13º salário, que a sociedade empresária insistia haver pago, mas não tinha o recibo em mãos porque houve um assalto na sociedade empresária, quando os bandidos levaram o cofre, as matérias-primas e todos os arquivos com a contabilidade e os documentos da sociedade O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 53 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos empresária. Recuperados os arquivos pela polícia, agora, no momento do recurso, a Monte Fino Ltda. pretende juntar o recibo provando o pagamento, inclusive porque a sentença nada mencionou acerca da possível dedução de valores pagos sob o mesmo título. De acordo com o caso apresentado e o entendimento jurisprudencial consolidado, assinale a afirmativa correta. a) É possível a juntada do documento no caso concreto, porque provado o justo impedimento para sua oportuna apresentação. b) O momento de apresentação da prova documental já se esgotou, não sendo possível fazê-lo em sede de recurso. c) Pelo princípio da primazia da realidade, qualquer documento pode ser apresentado com sucesso em qualquer grau de jurisdição, inclusive na fase de execução, independentemente de justificativa. d) Há preclusão, e o juiz não pode aceitar a produção da prova em razão do princípio da proteção, pois isso diminuiria a condenação. 022. 022. (FGV/OAB/2014) Sandro Vieira ajuizou reclamação trabalhista contra a empresa Trianon Bebidas e Energéticos Ltda. pleiteando o pagamento de horas extras, pois alegou trabalhar de 2ª feira a sábado, das 9h às 19h, com intervalo de uma hora para refeição. Em defesa, a ré negou a jornada descrita na petição inicial, mas não juntou os controles de ponto. Em audiência, ao ser interrogado, o preposto informou que a ré possuía 18 empregados no estabelecimento. Diante da situação retratada, e considerando o entendimento consolidado do TST, assinale a opção correta. a) Aplica-se a pena de confissão pela ausência de juntada dos controles, sendo então considerada verdadeira a jornada da petição inicial, na qual o juiz irá se basear na condenação de horas extras. b) Haverá inversão do ônus da prova, que passará a ser da empresa, prevalecendo a jornada da inicial se dele não se desincumbir com sucesso. c) Diante do impasse, e considerando que, com menos de 20 empregados, a empresa não é obrigada a manter controle escrito dos horários de entrada e saída dos empregados, o juiz decidirá a quem competirá o ônus da prova. d) A falta de controle quando a empresa possui mais de 10 empregados é situação juridicamente imperdoável, o que autoriza o indeferimento da oitiva das testemunhas da empresa porventura presentes à audiência. 023. 023. (FGV/OAB/2013) Carlos Alberto foi caixa numa instituição bancária e ajuizou reclamação trabalhista, postulando o pagamento de horas extras, já que em uma das agências, na qual trabalhou por dois anos, cumpria jornada superior à legal. Em contestação, foram apresentados os controles, que não continham sobrejornada, e por essa razão foram O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 54 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos expressamente impugnados pelo acionante. Na instrução, o banco não produziu prova, mas Carlos Alberto conduziu uma testemunha que com ele trabalhou sete meses na agência em questão e ratificou a jornada mais extensa declarada na petição inicial. Diante desta situação e de acordo com o entendimento consolidado do TST, assinale a afirmativa correta. a) Uma vez que a testemunha trabalhou com o autor somente sete meses, este é o limite de tempo que limitará eventual condenação. b) Se o juiz se convencer, pela prova testemunhal, que a sobrejornada ocorreu nos dois anos, poderá deferir as horas extras em todo o período. c) Uma vez que a testemunha trabalhou com o autor em período inferior à metade do tempo questionado, não poderá ser fator de convencimento acerca da jornada. d) Considerando que os controles foram juntados, uma única testemunha não poderia servir de prova da jornada cumprida. 024. 024. (FGV/OAB/2013) Após trabalhar como empregado durante 6 meses, Paulo ajuizou reclamação trabalhista em face de sua ex- empregadora, a empresa Alfa Beta Ltda., pretendendo horas extras, nulidade do pedido de demissão por coação, além de adicional de insalubridade. Na primeira audiência o feito foi contestado, negando a ré o trabalho extraordinário, a coação e a atividade insalubre. Foram juntados controles de ponto e carta de próprio punho de Paulo pedindo demissão, documentos estes que foram impugnados pelo autor. Não foi produzida a prova técnica (perícia). Para a audiência de prosseguimento, as partes estavam intimadas pessoalmente para depoimentos pessoais, sob pena de confissão, mas não compareceram, estando presentes apenas os advogados. Declarando as partes que não têm outras provas a produzir, o Juiz encerrou a fase de instrução, seguindo o processo concluso para sentença. Com base nestas considerações, analise a distribuição do ônusda prova e assinale a afirmativa correta. a) A ausência das partes gera a confissão ficta recíproca, devendo ser aplicada a regra de que para os fatos constitutivos cabe o ônus da prova ao autor, e para os extintivos, modificativos e impeditivos, o ônus será do réu. Assim, todos os pedidos deverão ser julgados improcedentes. b) Não há confissão em razão da presença dos advogados. Mas não havendo outras provas, os pedidos deverão ser julgados improcedentes. c) Em razão da confissão, presumem-se verdadeiros os fatos alegados. Tal aliado ao princípio da proteção ao hipossuficiente leva à presunção de que Paulo foi coagido a pedir demissão, trabalhava extraordinariamente e faz jus ao adicional de insalubridade. Logo, os pedidos procedem. d) Em razão da confissão, os pedidos de horas extras e nulidade do pedido de demissão procedem. Porém, improcede o de adicional de insalubridade, pois necessária a prova pericial para configurar o grau de insalubridade. Logo, este pleito improcede. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 55 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos 025. 025. (FGV/OAB/2012) Josenildo da Silva ajuizou reclamação trabalhista em face da empresa Arca de Noé Ltda., postulando o pagamento de verbas resilitórias, em razão de dispensa imotivada; de horas extraordinárias com adicional de 50% (cinquenta por cento); das repercussões devidas em face da percepção de parcelas salariais não contabilizadas e de diferenças decorrentes de equiparação salarial com paradigma por ele apontado. Na defesa, a reclamada alega que, após discussão havida com colega de trabalho, o reclamante não mais retornou à empresa, tendo sido surpreendida com o ajuizamento da ação; que a empresa não submete seus empregados a jornada extraordinária; que jamais pagou qualquer valor ao reclamante que não tivesse sido contabilizado e que não havia identidade de funções entre o autor e o paradigma indicado. Considerando que a ré possui 10 (dez) empregados e que não houve a juntada de controles de ponto, assinale a alternativa correta. a) Cabe ao reclamante o ônus de provar a dispensa imotivada. b) Cabe à reclamada o ônus da prova quanto à diferença entre as funções do equiparando e do paradigma. c) Cabe ao reclamante o ônus de provar o trabalho extraordinário. d) Cabe à reclamada o ônus da prova no tocante à ausência de pagamento de salário não contabilizado. 026. 026. (FGV/OAB/2012) Cíntia Maria ajuíza reclamação trabalhista em face da empresa Tictac Ltda., postulando o pagamento de horas extraordinárias, aduzindo que sempre labutou no horário das 8h às 19h, de segunda a sexta-feira, sem intervalo intrajornada. A empresa ré oferece contestação, impugnando o horário indicado na inicial, afirmando que a autora sempre laborou no horário das 8h às 17h, com 1 hora de pausa alimentar, asseverando ainda que os controles de ponto que acompanham a defesa não indicam a existência de labor extraordinário. À vista da defesa ofertada e dos controles carreados à resposta do réu, a parte autora, por intermédio de seu advogado, impugna os registros de frequência porque não apresentam qualquer variação no registro de entrada e saída, assim como porque não ostentam sequer a pré-assinalação do intervalo intrajornada. Admitindo-se a veracidade das argumentações do patrono da parte autora e com base na posição do TST acerca da matéria, é correto afirmar que a) compete ao empregado o ônus de comprovar o horário de trabalho indicado na inicial, inclusive a supressão do intervalo intrajornada, a teor do disposto no art. 818 da CLT. b) diante da impugnação apresentada, inverte-se o ônus probatório, que passa a ser do empregador, prevalecendo o horário da inicial, se dele não se desincumbir por outro meio probatório, inclusive no que se refere à ausência de intervalo intrajornada. c) em se tratando de controles de ponto inválidos, ao passo que não demonstram qualquer variação no registro de entrada e saída, não poderá a ré produzir qualquer outra prova capaz de confirmar suas assertivas, porquanto a prova documental é a única capaz de demonstrar a jornada de trabalho cumprida. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 56 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos d) probatório, que passa a ser do empregador, prevalecendo o horário da inicial, se dele não se desincumbir, exceto quanto ao intervalo intrajornada, cujo ônus probatório ainda pertence à parte autora. 027. 027. (FGV/OAB/2011) A respeito da prova testemunhal no processo do trabalho, é correto afirmar que a) em se tratando de ação trabalhista pelo rito ordinário ou sumaríssimo, as partes poderão ouvir no máximo três testemunhas cada; sendo inquérito, o número é elevado para seis. b) apenas as testemunhas arroladas previamente poderão comparecer à audiência a fim de serem ouvidas. c) no processo do trabalho sumaríssimo, a simples ausência da testemunha na audiência enseja a sua condução coercitiva. d) as testemunhas comparecerão à audiência independentemente de intimação e, no caso de não comparecimento, serão intimadas ex officio ou a requerimento da parte. 028. 028. (FGV/TRT – 12ª REGIÃO (SC)/ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2017) Cecília postula o pagamento de horas extras, afirmando que excedia a jornada de trabalho. Em defesa, a ex-empregadora de Cecilia nega a jornada articulada na peça pórtica e apresenta controles de ponto nos quais se verifica que a jornada foi anotada e assinada em todos os dias como sendo das 10:00 às 19:00 horas, com intervalo de 1 hora, sem variação. Diante da situação apresentada e do entendimento consolidado pelo TST acerca da distribuição do ônus da prova, é correto afirmar que: a) se os controles estão assinados, isso é suficiente para conferir-lhes credibilidade, de modo que o ônus de provar a jornada é da reclamante; b) a solução para o caso é a aplicação da pena de confissão em desfavor da reclamada, considerando-se de plano a jornada dita na inicial como verdadeira, sem necessidade de outras provas; c) os controles serão reputados inválidos, transferindo-se o ônus da prova para o empregador, que deverá provar que a anotação neles feita é verdadeira, sob pena de acolher-se a jornada da inicial; d) a presunção de veracidade da jornada anotada nos controles é absoluta, de modo que o juiz deve receber aqueles horários como fidedignos e indeferir outras provas; e) a jurisprudência determina que o juiz deve analisar o caso concreto e, em decisão fundamentada, atribuir a quem compete o ônus da prova, dependendo das circunstâncias. 029. 029. (FGV/TRT – 12ª REGIÃO (SC)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA/2017) Rickson ajuizou reclamação trabalhista contra a empresa Pastel de Ouro Ltda., postulando o pagamento de vale-transporte, FGTS não depositado em 6 meses do ano de 2016, horas extras, diferença em razão de equiparação salarial e verbas resilitórias. Em defesa, a Pastel O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 57 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavoalguma dúvida após a leitura da aula, por favor, envie-a a mim por meio do Fórum de Dúvidas, e eu, pessoalmente, a responderei o mais rápido possível. Será um grande prazer verificar sua dúvida com atenção, zelo e profundidade, e com o grande respeito que você merece. Bons estudos! Seja imparável! O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 6 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos PROVAS NO PROCESSO DO TRABALHOPROVAS NO PROCESSO DO TRABALHO 1. PRINCÍPIOS DO DIREITO PROBATÓRIO (DIREITO DA PROVA)1. PRINCÍPIOS DO DIREITO PROBATÓRIO (DIREITO DA PROVA) Direito probatório consiste no conjunto de regras e teorias jurídicas aplicáveis à prova. No processo do trabalho, é importante a consideração dos princípios gerais que norteiam a coleta e o tratamento da prova, que estão por trás do direito positivado na CLT e, inclusive, das disposições do CPC aplicáveis subsidiariamente ao processo do trabalho. Confira, abaixo, a conceituação de cada princípio aplicável às provas no processo do trabalho, com pertinentes considerações. A mais clássica e cobrada classificação principiológica das provas no processo do trabalho, ao que me parece, é a de Mauro Schiavi. Além do mais, esta classificação é muito assemelhada às classificações dos doutrinadores mais reconhecidos de processo do trabalho. PRINCÍPIO DA NECESSIDADE DA PROVA: a prova é uma condição necessária para que a alegação da parte seja verossímil e confiável. Não basta alegar: é necessário provar. Nesse sentido, o juiz não pode se impressionar com meras alegações das partes, por mais concisas e persuasivas que sejam suas palavras. Para toda alegação, bem ou mal escrita, deve haver prova corroborando-a. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA: este princípio acompanha inúmeros institutos jurídicos. Quanto às provas, este princípio carrega significado especial: não é possível que o juiz forme seu convencimento com base em uma prova sobre a qual não tenha dado a oportunidade de a parte contrária se manifestar. A parte contra a qual a prova é produzida deve ter todos os meios necessários para expor suas razões e produzir contraprovas, de modo a desconstituir indícios levantados por tal prova. PRINCÍPIO DA LICITUDE E DA PROBIDADE DA PROVA: somente são admitidas provas lícitas, previstas em lei (licitude), e também aquelas que, mesmo não previstas expressamente na lei, sejam moralmente legítimas (probidade). PRINCÍPIO DA ORALIDADE: este princípio é outro que interfere em diversos institutos jurídicos. Particularmente quanto às provas, este princípio tem significado especial, com três dimensões: 1) O juiz mantém contato direto e pessoal com as partes que produziram a prova, além de participar ativamente da coleta da prova oral (testemunhas e depoimentos pessoais das partes). 2) Em regra, a produção das provas concentra-se num único ato (audiência de instrução). É claro que existem exceções, mas esta é uma dimensão a ser considerada do princípio da oralidade. 3) O juiz, em razão do contato direto com a produção da prova, tem maior conhecimento das razões que justificam a prova, da forma como ela foi produzida e da finalidade que a parte vislumbra com a produção dessa prova. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 7 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos PRINCÍPIO DA AQUISIÇÃO PROCESSUAL DA PROVA: uma vez produzida a prova, ela passa a pertencer ao processo como um todo. A prova não pertence à parte que a produziu, mas, sim, ao processo (o processo “adquire” a prova para si). Logo, o juiz pode usar tal prova em favor ou contra qualquer das partes, pouco importando quem a produziu e a apresentou ao processo. Dessa forma, a prova pode ser usada inclusive contra a própria parte que a juntou. PRINCÍPIO DO CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JUIZ: corolário da clássica regra do livre convencimento motivado, este princípio permite ao juiz formar sua fundamentação com base em qualquer das provas juntadas ao processo, ponderando o peso de cada uma de acordo com o seu arbítrio, desde que faça isso sempre de forma motivada (fundamentada). Se o juiz deixar de utilizar uma prova, deverá expor as razões que o levaram a pensar que aquela prova não é apta a formar seu convencimento em determinado sentido. Não existe hierarquia entre provas: prevalece aquela que melhor convencer o juiz. PRINCÍPIO DA APTIDÃO PARA A PROVA: quem deve produzir a prova não é, necessariamente, a parte que detém o ônus da prova como regra geral (art. 818 da CLT), mas sim aquela que tiver melhores condições materiais ou técnicas para produzir a prova em juízo. Este princípio informa a nova regra inserida na CLT, que diz respeito à distribuição dinâmica do ônus da prova (art. 818, § 1º). Em outras palavras, a prova deve ser produzida, prioritariamente, pela parte que for mais apta a produzi-la. PRINCÍPIO DA BOA-FÉ: o princípio da boa-fé, no sentido processual, diz respeito ao comportamento das partes no curso do processo: todos devem buscar suas pretensões com as ferramentas objetivamente disponíveis, sem tutelá-las com artifícios lesivos aos direitos de qualquer sujeito, seja por ação ou omissão. Todas as provas, por consequência, devem ser apresentadas e produzidas sempre com o propósito da própria produção da prova: descobrir a verdade. PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE REAL: os juízes do trabalho devem ter ampla liberdade na condução do processo, a fim de encontrar a verdadeira versão dos fatos narrados pelo reclamante. Para tanto, pode determinar qualquer medida que implique deveres às partes, bem como determinar, de ofício, a produção de provas. É, em outras palavras, a versão processual do princípio do direito do trabalho denominado primazia da realidade. Uma clara expressão desse princípio está no art. 765 da CLT: “Os Juízos e Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas, podendo determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento delas.”. 2. DISPOSIÇÕES SOBRE PROVAS NA CLT2. DISPOSIÇÕES SOBRE PROVAS NA CLT Neste título, apresentarei comentários individualizados aos artigos da CLT que tratam sobre as Provas. Tais artigos absorvem parte dos itens do edital relativos às Provas, especialmente quanto aos ônus probatórios, à dinâmica e à responsabilidade pelo pagamento de honorários. Entendo que seu estudo ficará mais sistematizado desta forma. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 8 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Art. 818. O ônus da prova incumbe: I – ao reclamante, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao reclamado, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do reclamante. Os incisos do caput do art. 818 estabelecem as regras primárias (gerais) de distribuição do ônus da prova. Tais regras são “primárias” porque se aplicam quando não houver determinação diversa do juiz da causa. A distribuição expressa nos incisos acima foi criada pela Lei n. 13.467/2017 (Reforma Trabalhista). AntesDeitos de Ouro Ltda. advoga que Rickson é vizinho da empresa, portanto não utiliza transporte público; que depositou regularmente o FGTS na conta vinculada do empregado; que a quantidade e qualidade da produção do modelo era superior à do autor; que a convenção coletiva da categoria afirma que a jornada lançada nos controles é correta, pois o sistema foi auditado pelo sindicato de classe dos empregados; que a empresa não dispensou o reclamante, e sim que esse deixou de comparecer ao serviço. Em relação ao ônus da prova no caso apresentado, à luz da jurisprudência do TST, é correto afirmar que: a) o ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregado, por se tratar de fato constitutivo de seu direito; b) é do empregado o ônus da prova em relação à regularidade dos depósitos do FGTS, pois o não pagamento é fato constitutivo do direito do autor; c) a presunção de veracidade da jornada de trabalho pode ser elidida por prova em contrário, salvo se prevista em instrumento normativo; d) em processo que verse sobre pedido de equiparação salarial, é ônus do equiparando provar que desempenhava o seu trabalho com a mesma produtividade e a mesma perfeição técnica que o paradigma; e) é do empregador o ônus de comprovar que o empregado não satisfaz os requisitos indispensáveis para a concessão do vale-transporte ou não pretenda fazer uso do benefício. 030. 030. (FGV/TRT – 12ª REGIÃO (SC)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA/2017) Em determinado processo trabalhista, o juiz determinou o fracionamento da audiência. Na primeira delas, tentou sem êxito o acordo e, após receber a defesa, definiu as provas que seriam produzidas: depoimentos pessoais recíprocos, sob confissão, e testemunhal. Na segunda audiência designada, a reclamada não se fez presente à audiência, embora tenha comparecido o advogado da empresa. O juiz manifestou-se no sentido de que não desejava espontaneamente produzir provas. À luz da legislação trabalhista e da jurisprudência uniforme do TST, é correto afirmar que: a) o juiz deverá aplicar a confissão contra a empresa e julgar de acordo com as provas já produzidas nos autos. b) deverá ser aplicada a revelia em desfavor da acionada em virtude da sua ausência. c) estando o advogado da ré presente, a demanda deve prosseguir normalmente, com colheita do depoimento pessoal do autor e das testemunhas, se houver. d) não há previsão legal ou jurisprudencial a respeito, assim o juiz deverá apreciar a situação com equidade e definir o destino do feito como entender justo. e) o juiz adiará a audiência e concederá prazo para a juntada de justificativa da ausência do preposto da reclamada. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 58 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos 031. 031. (FGV/TRT – 12ª REGIÃO (SC)/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) Margarida compareceu a uma audiência para ser ouvida como testemunha da reclamante, mas foi contraditada pela empresa ao argumento de que possuía ação em curso contra a reclamada, o que foi confirmado por Margarida. À luz da jurisprudência uniforme do TST, é correto afirmar que: a) Margarida não tem a necessária isenção neste caso porque está em litígio contra a empresa, pelo que a contradita deverá ser aceita; b) qualquer pessoa pode ser ouvida como testemunha, pois não há óbice legal nem condições especiais a serem cumpridas; c) somente se Margarida estiver postulando no seu processo os mesmos pedidos que a reclamante é que não poderá ser ouvida como testemunha; d) o fato de estar litigando contra a empresa não torna Margarida impedida nem suspeita de depor como testemunha; e) o juiz deve acolher a contradita se Margarida estiver sendo assistida na sua ação pelo mesmo advogado que dá assessoria à autora do caso em que irá depor. 032. 032. (FGV/CONDER/ADVOGADO/2013) Na audiência de uma reclamação trabalhista, o autor conduz, como sua testemunha, um mudo que é alfabetizado, enquanto a empresa, um surdo-mudo analfabeto. Em relação à forma de colheita do depoimento dessas pessoas, de acordo com a CLT, assinale a afirmativa correta. a) Ambos os depoimentos deverão ser obrigatoriamente traduzidos por intérprete, sob pena de nulidade. b) Se algum profissional tiver de ser convocado para participar de qualquer dos depoimentos, a empresa arcará com o gasto. c) O mudo e o surdo-mudo não podem ser ouvidos como testemunhas por falta de previsão legal. d) Não podendo as pessoas em questão verbalizar o seu conhecimento sobre os fatos, o juiz não poderá basear o julgamento nas suas manifestações nem realizar acareação entre elas. e) A testemunha do autor, por ser alfabetizada, deverá escrever as respostas às perguntas, e a testemunha da ré, por ser analfabeta, deporá por meio de um intérprete. 033. 033. (FCC/TRT – 6ª REGIÃO (PE)/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) Conforme normas aplicáveis à produção das provas nas reclamatórias trabalhistas que tramitam pelo rito ordinário, NÃO é correto afirmar que a) cada uma das partes não poderá indicar mais de cinco testemunhas, salvo quando se tratar de inquérito para apuração de falta grave, caso em que esse número poderá ser elevado a seis. b) como regra, o ônus da prova incumbe ao reclamado, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do reclamante. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 59 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos c) o depoimento das partes e testemunhas que não souberem falar a língua nacional será feito por meio de intérprete nomeado pelo juiz. d) se a testemunha for funcionário civil ou militar, e tiver de depor em hora de serviço, será requisitado ao chefe da repartição seu comparecimento à audiência marcada. e) o documento em cópia oferecido para prova poderá ser declarado autêntico pelo próprio advogado, sob sua responsabilidade pessoal. 034. 034. (FCC/TRT – 21ª REGIÃO (RN)/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) No tocante ao ônus da prova, de acordo com a Lei n. 13.467/2017, considere: I – Nos casos previstos em lei ou sendo impossível ou excessivamente difícil para a parte cumprir seu ônus probatório, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, fundamentando sua decisão desde logo ou deixando para fazê-lo na sentença, uma vez que se trata de decisão interlocutória. II – A decisão do juiz de atribuir o ônus da prova de modo diverso deverá ser proferida antes da abertura da instrução e, a requerimento da parte, implicará o adiamento da audiência, possibilitando provar fatos por qualquer meio em direito admitido. III – A decisão do juiz de atribuir o ônus da prova de modo diverso não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. IV – A decisão do juiz de atribuir o ônus da prova de modo diverso deverá ser proferida após a abertura da instrução e sempre implicará no adiamento da audiência, independentemente do requerimento da parte, possibilitando provar fatos por qualquer meio em direito admitido. Está correto o que consta APENAS em a) I e IV. b) I e II. c) II, III e IV. d) II e III. e) I e III. 035. 035. (FCC/TRT – 21ª REGIÃO (RN)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA/2017) Acerca do ônus da provae da revelia e confissão no Processo do Trabalho, conforme Lei n. 13.467/2017, considere: I – Cabe ao reclamante o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito e ao reclamado a prova dos fatos modificativos, extintivos e impeditivos, podendo o juiz inverter essa disposição se verificar que uma parte tenha maior facilidade de produzir a prova. II – É dever do juiz, na aferição do ônus probatório, atribuir a cada parte seu encargo no tocante à produção de provas, levando em conta critérios de facilidade e dificuldade de a parte se desincumbir de seu ônus. III – A ausência do reclamado em audiência implicará na decretação de sua revelia e confissão quanto à matéria de fato, salvo, por exemplo, se a petição inicial estiver desacompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova do ato. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 60 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos IV – É facultado ao juízo, ainda que ausente o reclamado em audiência, mas presente o seu advogado ao ato, a aceitação da contestação e os documentos eventualmente apresentados, com o fim de evitar os efeitos da confissão. Está correto o que consta APENAS em a) I e III. b) II e III. c) II e IV. d) I e IV. e) III e IV. 036. 036. (CESPE/PGM – MANAUS-AM/PROCURADOR DO MUNICÍPIO/2018) Em relação à competência da justiça do trabalho, à revelia e às provas no processo do trabalho, julgue o item que se segue. Caso servidor público civil tenha de depor como testemunha em hora de serviço, o juiz deverá oficiar ao chefe da repartição, requisitando o servidor para comparecer à audiência designada. 037. 037. (CESPE/DPU/DEFENSOR PÚBLICO FEDERAL/2017) A respeito da resposta do reclamado e do ônus da prova no processo do trabalho, julgue o item a seguir. Situação hipotética: Ao prestar assistência jurídica a um necessitado, a DP ajuizou reclamação trabalhista fundamentada na irregularidade dos depósitos do FGTS e alegou que o ônus da prova era do empregador. Assertiva: Nessa situação, foi correta a atuação da DP: o empregador tem o ônus da prova em relação à regularidade dos depósitos do FGTS, pois o pagamento é fato extintivo do direito do autor. 038. 038. (QUADRIX/SEDF/PROFESSOR – DIREITO/2017) A respeito do Direito Processual do Trabalho, julgue o item que se segue. Tomando‐se por base o sistema de produção das provas no direito processual trabalhista, é correto dizer que a confissão pode ser real ou ficta, sendo a primeira uma presunção absoluta e a segunda uma presunção relativa que pode ser elidida por outras provas existentes nos autos. 039. 039. (CESP/PGE-BA/PROCURADOR DO ESTADO/2014) No processo trabalhista, a contradita consiste na denúncia, pela parte interessada, dos motivos que impedem ou tornam suspeito o depoimento da testemunha, e o momento processual oportuno de a parte oferecer a contradita da testemunha ocorre logo após a qualificação desta, antes de o depoente ser compromissado. 040. 040. (CESPE/IEMA (ES)/ADVOGADO/2007) Em face da presunção juris tantum decorrente das anotações apostas pelo empregador na carteira profissional do empregado, é possível a produção de provas pelo empregado em processo judicial com a finalidade de desconstituir anotação de data de admissão que não corresponda à realidade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 61 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos 041. 041. (CESPE/PGM – CAMPO GRANDE-MS/PROCURADOR MUNICIPAL/2019) À luz da jurisprudência consolidada do Tribunal Superior do Trabalho, julgue o próximo item, a respeito de mandado de segurança e dissídio coletivo. Situação hipotética: Pedro ajuizou reclamação trabalhista pedindo que a empresa da qual fora empregado fosse condenada a pagar-lhe adicional de insalubridade. Diante da necessidade de perícia para caracterizar e classificar a insalubridade, o juiz determinou que a empresa fizesse um depósito prévio para garantir o pagamento dos honorários periciais. Assertiva: Nessa situação, admite-se mandado de segurança contra o ato judicial de exigência do depósito. 042. 042. (QUADRIX/CRM-PR/ADVOGADO/2018) Com base no entendimento jurisprudencial do TST, julgue o próximo item. A testemunha não pode ser considerada como suspeita pelo simples fato de estar litigando contra o mesmo empregador no processo em que arrolada. 043. 043. (CESPE/EMAP/ANALISTA PORTUÁRIO – ÁREA JURÍDICA/2018) Carla Lopes ajuizou reclamação trabalhista contra sua ex-empregadora, Supermercados Onofre, que, há seis meses, demitiu três de seus dezoito empregados, entre eles, Carla. Em sua petição inicial, ela requereu valores devidos em razão de verbas rescisórias pagas a menor, adicional de insalubridade nunca pago ao longo do contrato de trabalho e danos morais decorrentes de assédio moral. Nessa reclamatória, foi atribuído como valor da causa o importe de cinquenta mil reais. Acerca dessa situação hipotética, julgue o item que segue. Carla poderá indicar como testemunhas ex-empregados da empresa. No entanto, a testemunha que tiver ajuizado ação contra a mesma reclamada poderá ser contraditada pela parte contrária e seu depoimento poderá ser tomado apenas na condição de informante do juízo. 044. 044. (CESPE/FUNPRESP-JUD/ANALISTA – DIREITO/2016) À luz da legislação vigente em processo do trabalho e das súmulas do TST, julgue o próximo item. Prova já constituída nos autos pode ser utilizada para confrontar confissão ficta, e o indeferimento de provas posteriores não implicará cerceamento de defesa. 045. 045. (CESPE/PGE-BA/PROCURADOR DO ESTADO/2014) Em relação ao direito processual do trabalho, julgue os itens a seguir. Dada a celeridade, que fundamenta o procedimento sumaríssimo, a CLT não admite o deferimento e a realização de prova técnica pericial. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 62 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos 046. 046. (CESPE/PREFEITURA DE FORTALEZA-CE/PROCURADOR DO MUNICÍPIO/2017) A respeito da competência, das provas e do procedimento sumaríssimo na justiça do trabalho, julgue o item que se segue. Em lides que possuem objetos e procuradores distintos, torna-se suspeita a testemunha que estiver litigando ou que tenha litigado contra esse mesmo empregador. 047. 047. (CESPE/SERPRO/ANALISTA – ADVOCACIA/2010) Quanto ao procedimento sumaríssimo, julgue os itens a seguir. Quando deferida a prova técnica, as partes são intimadas a manifestar-se acerca do laudo pericial no prazo comum de dez dias. 048. 048. (CESPE/BRB/ADVOGADO/2010) Com relação ao direito processual do trabalho, julgue os itens seguintes. Na hipótese de justo impedimento para sua oportuna apresentação, o TST admite, excepcionalmente, a juntada de documentos por qualquer das partes na fase recursal. 049. 049. (CESPE/PGM/CAMPO GRANDE-MS/PROCURADOR MUNICIPAL/2019) De acordo com a legislação processual trabalhista, julgue o seguinte item, relativos ao jus postulandi, à reclamação e às provas no processo do trabalho. No processo trabalhista, para comparecerà audiência, as testemunhas serão previamente intimadas. 050. 050. (CESPE/PGE-ES/PROCURADOR DO ESTADO/2008) De acordo com a jurisprudência do TST, julgue os itens a seguir, referentes ao ônus da prova no processo trabalhista. O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. 051. 051. (CESPE/FUNPRESP-JUD/ANALISTA – DIREITO/2016) À luz da legislação vigente em processo do trabalho e das súmulas do TST, julgue o próximo item. Os honorários do perito assistente devem ser pagos pela parte que tiver utilizado seus serviços. O perito judicial, por outro lado, será remunerado pela parte sucumbente na pretensão do objeto da perícia, salvo se beneficiária da justiça gratuita. 052. 052. (CESPE/FUNPRESP-EXE/ESPECIALISTA – ÁREA JURÍDICA/2016) A respeito das provas no processo do trabalho, julgue o item a seguir. Quarenta e oito horas após a postagem, presume-se recebida a notificação, cabendo à parte destinatária comprovar o não recebimento. 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Diante disso, na qualidade de advogado do autor, à luz do texto legal da CLT, assinale a opção correta. a) Presume-se recebida a notificação 48h após ser postada, sendo o não recebimento ônus de prova do destinatário. b) A mera ausência do réu, independentemente de citado ou não, enseja revelia e confissão. c) Descabe o requerimento de revelia e confissão se não há confirmação no processo do recebimento da notificação citatória. d) O recebimento da notificação é presunção absoluta; logo, são cabíveis de plano a revelia e a confissão. 054. 054. (CESPE/SEAD-SE (FPH)/PROCURADOR/2009) Uma testemunha que também esteja litigando contra a mesma empresa deve ser considerada como suspeita pelo juiz, em razão do interesse direto no resultado do feito. 055. 055. (CESPE/TRT – 17ª REGIÃO (ES)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA – EXECUÇÃO DE MANDADOS/2009) A respeito dos atos, termos e prazos processuais, julgue os itens a seguir. Presume-se recebida a notificação 72 horas depois de sua postagem. O não recebimento ou a entrega após o decurso desse prazo constitui ônus de prova do destinatário. 056. 056. (VUNESP/PREFEITURA DE PIRACICABA-SP/PROCURADOR JURÍDICO/2023) Das provas no processo do trabalho, assinale a alternativa em consonância com entendimento de sumula do TST. a) O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregado. b) O pagamento de adicional de periculosidade efetuado por mera liberalidade da empresa, ainda que de forma proporcional ao tempo de exposição ao risco ou em percentual inferior ao máximo legalmente previsto, não dispensa a realização da prova técnica exigida pelo artigo 195 da CLT. c) É do empregado o ônus da prova em relação à regularidade dos depósitos do FGTS, pois o pagamento não é fato extintivo do direito do autor. 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Por coincidência, dominando-o o juiz fluentemente, resolve então dispensar intérprete e prosseguir com a oitiva da testemunha. O advogado da empresa insurgiu-se imediatamente contra essa decisão do juiz, dizendo que ela seria arbitrária e que as partes ficariam a depender das traduções e interpretações do juiz, sem saber se eram ou não fidedignas. Disse ainda que não participaria da audiência, se assim prosseguisse o juiz, sem nomear intérprete, e retirou-se da sala em seguida. Quanto à conduta do advogado, é correto afirmar que foi: a) errada quanto ao intérprete; b) certa quanto ao intérprete; c) errada quanto ao intérprete e abusiva quanto à saída da sala; d) certa quanto ao intérprete e também quanto à saída, para obrigar o juiz a adiar a audiência; e) errada quanto ao intérprete e prejudicial à parte que assistia. 058. 058. (VUNESP/CAMPREV-SP/PROCURADOR/2023) De acordo com as súmulas do TST, quanto a prova do direito processual trabalhista, assinale a alternativa correta. a) A prova pré-constituída nos autos pode ser levada em conta para confronto com a confissão ficta, não implicando cerceamento de defesa o indeferimento de provas posteriores. b) A vedação à produção de prova posterior pela parte confessa não se aplica somente a ela, afetando, ainda que indiretamente, o exercício, pelo magistrado, do poder/dever de conduzir o processo. c) É do empregado o ônus da prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo da equiparação salarial. d) É do empregado o ônus da prova em relação à regularidade dos depósitos do FGTS, pois o pagamento é fato extintivo de direito. e) A presunção de veracidade da jornada de trabalho, salvo se prevista em instrumento normativo, pode ser elidida por prova em contrário. 059. 059. (CEBRASPE/PGE-ES/PROCURADOR DO ESTADO/2023) No rito ordinário de uma ação trabalhista normal, cada uma das partes a) só poderá indicar duas testemunhas, que comparecerão à audiência de instrução e julgamento independentemente de intimação. b) não poderá indicar mais de três testemunhas, que comparecerão à audiência de instrução e julgamento independentemente de intimação. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 65 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos c) poderá indicar até cinco testemunhas, que comparecerão à audiência de instrução e julgamento após a devida intimação. d) poderá indicar até dez testemunhas, que comparecerão à audiência de instrução e julgamento após a devida intimação. e) não poderá indicar mais de seis testemunhas, que comparecerão à audiência de instrução e julgamento após a devida intimação. 060. 060. (VUNESP/PRUDENCO/ADVOGADO PLENO/2022) Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumpriro encargo, ou ainda à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juízo atribuir o ônus da prova de modo diverso à regra geral, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Essa decisão: a) deverá ser fundamentada, proferida antes da abertura da instrução e a requerimento da parte. b) independentemente de ser fundamentada, deverá ser proferida durante a fase de instrução e a requerimento da parte. c) dispensa fundamentação, mas deverá ser proferida durante a fase de instrução, independentemente de requerimento das partes. d) não poderá implicar adiamento de audiência. e) deverá ser fundamentada, proferida até a data do julgamento, independentemente de requerimento das partes. 061. 061. (FCC/TRT – 22ª REGIÃO (PI)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA/2022) Na reclamação trabalhista movida por Júlia em face de Agência de Turismo Águas Azuis Ltda., foi alegada a prestação de serviços por três meses, sem o devido registro em CTPS, pleiteando Júlia o reconhecimento de vínculo de emprego. Ainda, disse que chegou para trabalhar em uma 2ª-feira e foi informada que não mais precisavam de sua prestação de serviços no local, razão pela qual também requer a condenação da empresa no pagamento das verbas rescisórias devidas, pois nada recebeu. Na contestação apresentada, a reclamada negou que Júlia lhe tivesse prestado quaisquer serviços, não tendo direito, nesse caso, a verba rescisória, pois não houve dispensa. De acordo com a CLT e a jurisprudência sumulada do TST, a) cabe à Agência de Turismo Águas Azuis Ltda. provar que não houve prestação de serviços e que não houve a dispensa de Júlia, por vigorar, no processo do trabalho, o princípio do in dubio pro misero. b) Júlia terá que comprovar com testemunhas, documentos ou outros meios de prova a prestação de serviços para ter direito ao vínculo empregatício e registro em CTPS; outrossim, é da reclamada o ônus da prova de que não houve dispensa de Júlia e, sim, no caso de reconhecimento de vínculo empregatício, que a mesma pediu sua demissão, tendo em vista o princípio da realidade dos fatos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 66 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos c) cabe a Júlia provar tanto a prestação de serviços com os requisitos para o reconhecimento de vínculo de emprego, por todos os meios de provas em direito admitidos, quanto a dispensa sem justa causa, pois são considerados fatos constitutivos do direito do autor, uma vez por ele alegados. d) o ônus de provar o término do contrato de trabalho passa a ser da reclamada, uma vez negada a prestação de serviços e o despedimento, tendo em vista o princípio da continuidade da relação de emprego, que constitui presunção favorável à empregada. e) o ônus da prova de que não houve relação de emprego passa a ser da reclamada, pois, por terem sido prestados serviços por três meses, caracteriza-se como contrato de experiência que não pode ser verbal, exigindo a lei que seja por escrito, acarretando, portanto, presunção relativa de veracidade dos fatos alegados na inicial. 062. 062. (FCC/TRT – 23ª REGIÃO (MT)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA/2022) O reclamante em determinada reclamação trabalhista arrolou como testemunha um ex- colega de trabalho que é mudo. Nessa hipótese, conforme prevê a Consolidação das Leis do Trabalho, o juiz deverá nomear intérprete a) desde que a testemunha não saiba escrever, sendo as despesas decorrentes a cargo do autor, que é quem arrolou a testemunha. b) desde que a testemunha não saiba escrever, sendo as despesas decorrentes a cargo da parte sucumbente, salvo se beneficiária da Justiça Gratuita. c) independente de a testemunha saber escrever, por força do princípio da oralidade do Processo do Trabalho, sendo as despesas decorrentes a cargo do autor, que é quem arrolou a testemunha. d) independente de a testemunha saber escrever, por força do princípio da oralidade do Processo do Trabalho, sendo as despesas decorrentes a cargo da parte sucumbente, salvo se beneficiária da Justiça Gratuita. e) desde que a testemunha não saiba escrever, sendo as despesas decorrentes a cargo da reclamada, eis que, por princípio, teria dado causa à propositura da ação. 063. 063. (FCC/TRT – 9ª REGIÃO (PR)/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2022) Antes de ingressar na sala de audiência, o preposto da Empresa reclamada avisa seu advogado que a testemunha trazida pelo autor trabalhou na empresa por 4 anos; frequentava a casa do autor; tendo sido, inclusive, padrinho de batismo do filho do reclamante. Diante de tais fatos, o advogado da empresa reclamada poderá a) requerer, após sua qualificação e compromisso, que a testemunha seja ouvida como informante. b) requerer o adiamento da audiência para provar o impedimento da testemunha. c) contraditar a testemunha por ser amigo íntimo do autor, após sua qualificação, mas antes de prestar o compromisso legal. d) requerer a imediata prisão da testemunha pela prática de crime de falso testemunho. e) aguardar o depoimento da testemunha para, ao final, arguir seu impedimento. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 67 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos 064. 064. (FGV/OAB/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XLIII – PRIMEIRA FASE/2025) Em sede de reclamação trabalhista, você é advogado(a) da parte autora, um ex-empregado de uma sociedade empresária. No curso da instrução, após ser ouvida uma testemunha da ré, o advogado da parte contrária requereu a oitiva da segunda testemunha, que estava sentada dentro da sala de audiência, tendo presenciado o curso da instrução até aquele momento. Apesar da sua manifestação em sentido contrário, o Juiz deferiu a produção da prova, prosseguindo com a instrução, sendo certo que permitiu que o advogado da parte ré interrogasse diretamente a testemunha, o que causava o risco de indução de respostas. A fim de assegurar o bom curso da instrução probatória, assinale a afirmativa que apresenta a ação que você, corretamente, assumiu na defesa do interesse de seu cliente. a) Interpor reclamação correicional imediatamente, o que acarretará na suspensão da audiência. b) Interpor agravo de instrumento contra a decisão de prosseguimento na instrução, acarretando a suspensão do processo. c) Lavrar protesto quanto à presença da testemunha na sala de audiência durante a instrução, mas não há irregularidade quanto à forma de inquirição. d) Consignar protestos pela contaminação do depoimento da segunda testemunha da ré, bem como pela inquirição direta da testemunha, na primeira oportunidade de se manifestar em audiência. 065. 065. (FGV/OAB/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XLIII – PRIMEIRA FASE/2025) Você, na qualidade de advogado(a) de Pedro, ajuizou reclamação trabalhista em face da indústria de calçados Guanabara. Pedro trabalhou para a sociedade empresária ré, entre os anos de 2018 e 2022, e afirma que não recebeu o 13º salário de 2021 e que trabalhava cerca de 10 horas por dia. Você ajuizou reclamação trabalhista, pretendendo o pagamento do 13º salário de 2021 e as horas extras. A ex-empregadora apresentou defesa, aduzindo que pagou o 13º salário, que, conforme cartões de ponto juntados, Pedro não realizava horas extras e sua jornada estava prevista em norma coletiva da categoria. Na qualidade de advogado(a)de Pedro, você impugnou os cartões de ponto argumentando que não refletiam o real horário laborado, sendo certo que os documentos mostram horários variados de início e fim da jornada. Acerca do ônus da prova que incumbirá ao seu cliente, de acordo com a CLT, e o entendimento jurisprudencial consolidado do TST, assinale a afirmativa correta. a) O ônus da prova do pagamento do 13º salário caberá à ré e, o das horas extras, ao autor. b) A ré deverá provar o pagamento do 13º salário, assim como a inexistência das horas extras, uma vez que os controles de ponto foram impugnados. c) Em razão da variação de horários registrada nos cartões de ponto, o ônus da prova recairá sobre a ré para as horas extras, bem como para o 13º salário, já que o pagamento é fato extintivo da obrigação. 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E 56. d 57. b 58. a 59. b 60. a 61. d 62. b 63. c 64. d 65. a O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 70 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos GABARITO COMENTADOGABARITO COMENTADO 001. 001. (FEPESE/PREFEITURA DE FLORIANÓPOLIS-SC/PROCURADOR MUNICIPAL/2022) Assinale a alternativa correta de acordo com o processo do trabalho. a) Todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e julgamento, ainda que não requeridas previamente. b) As testemunhas arroladas pelas partes deverão ser intimadas para comparecer à audiência de instrução e julgamento, com cinco dias de antecedência da realização do ato. c) As partes e testemunhas serão inquiridas diretamente por seus representantes ou advogados, podendo ser reinquiridas, a critério do juiz. d) Cada parte poderá ouvir até três testemunhas por fatos articulados ou pedidos formulados pelas partes. e) Apresentado documento pela parte durante a audiência de instrução e julgamento, o juiz abrirá prazo de cinco dias para que a parte adversa possa se manifestar sobre a prova. a) Certa. É a regra do art. 852-H da CLT, direcionada ao procedimento sumaríssimo. O professor entende que a ausência de especificação do procedimento, na alternativa, prejudicou seu julgamento. b) Errada. As testemunhas comparecerão a audiência independentemente de notificação ou intimação (art. 825, caput, da CLT). c) Errada. As partes e testemunhas serão inquiridas pelo juiz ou presidente, podendo ser reinquiridas, por seu intermédio, a requerimento dos vogais, das partes, seus representantes ou advogados (art. 820 da CLT). d) Errada. O limite de três testemunhas é global, e não para cada fato. e) Errada. Sobre os documentos apresentados por uma das partes manifestar-se-á imediatamente a parte contrária, sem interrupção da audiência, salvo absoluta impossibilidade, a critério do juiz (art. 852-H, § 1º, CLT). Trata-se de outra regra direcionada ao procedimento sumaríssimo. O professor entende que a ausência de especificação do procedimento, na alternativa, prejudicou seu julgamento. Letra a. 002. 002. (CEBRASPE/PGE-AL/PROCURADOR DO ESTADO/2021) Em uma reclamação trabalhista, o reclamante formulou pedido de pagamento de horas extras. Na contestação, a empresa negou que o empregado tivesse trabalhado em jornada extraordinária, e juntou cartões de ponto assinados pelo empregado em que tinham sido registrados horários uniformes da jornada de trabalho desse empregado. Na audiência de instrução, não foram ouvidas testemunhas, nem da empresa, nem do empregado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 71 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Nessa situação hipotética, os cartões de ponto a) são considerados como prova, podendo ser usados pelo empregado para comprovar a jornada trabalhada. b) comprovam a jornada de trabalho efetivamente cumprida, pois a assinatura expressa a concordância do empregado com os registros. c) não servem como prova da jornada de trabalho, pois contêm registros uniformes, cabendo à empresa comprovar a jornada por outros meios de prova. d) somente não servirão como prova se o reclamante contestar a autenticidade de sua assinatura. e) não servem como prova da jornada de trabalho, porque, em qualquer tipo de demanda que pleiteie horas extras, cabe à empresa apresentar outros tipos de provas para negar a existência de jornada extraordinária. A Súmula 338, III, do TST enuncia: “Os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova, invertendo-se o ônus da prova, relativo às horas extras, que passa a ser do empregador, prevalecendo a jornada da inicial se dele não se desincumbir”. Letra c. 003. 003. (QUADRIX/CRECI – 14ª REGIÃO (MS)/ADVOGADO/2021) A instrução é a fase do processo de conhecimento em que são colhidas as provas que formarão o convencimento do juiz acerca dos fatos narrados pelo autor, pelo réu ou por terceiro. No que se refere aos meios de prova admitidos no direito processual trabalhista, julgue o item. Nas causas submetidas ao procedimento sumaríssimo, a intimação de testemunhas só será feita se a testemunha comprovadamente convidada não comparecer. É a regra do art. 852-H, § 3º, da CLT. Certo. 004. 004. (FCC/TRT – 2ª REGIÃO (SP)/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) Na reclamação trabalhista “X”, Ronaldo alega que prestou serviços na qualidade de empregado para a empresa “L” requerendo, dentre diversos pedidos, o reconhecimento do vínculo de emprego. Já na reclamação “Y”, Frederica alega que teve o seu contrato de trabalho celebrado com a empresa “B” rescindido sem justa causa, não tendo recebido as verbas rescisórias a que tinha direito. Em sede de contestação, a empresa “L” negou a prestação de serviços e a empresa “B” negou o despedimento. Nesses casos, o ônus de provar o término do contrato de trabalho nas reclamações trabalhistas “X” e “Y”, de acordo com o entendimento Sumulado do Tribunal Superior do Trabalho O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA -14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 72 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos a) é, respectivamente, de Ronaldo e da empresa “B”. b) é, respectivamente, da empresa “L” e de Frederica. c) é, respectivamente, da empresa “L” e da empresa “B”. d) é, respectivamente, de Ronaldo e de Frederica. e) dependerá do rito processual a ser seguido. É o entendimento fixado na Súmula 212 do TST: JURISPRUDÊNCIA O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. Letra c. 005. 005. (FCC/ENAMAT/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2017) O art. 818 da CLT estabelece que a prova das alegações incumbe à parte que as fizer. Em se tratando da prova e do ônus da prova no processo do trabalho, com base na CLT e no entendimento das Súmulas e Orientações Jurisprudenciais do TST, extrai-se: a) Em se tratando de reclamação trabalhista com pedido de adicional de insalubridade, a realização de perícia será obrigatória diante da determinação legal do art. 195 da CLT, podendo, contudo, o julgador utilizar-se de outros meios de prova quando desativado o local de trabalho do reclamante ou encerrada a atividade da empresa. b) Tendo em vista o princípio da autodeterminação coletiva, previsto no art. 7, XXVI da CF, a presunção de veracidade da jornada de trabalho, quando prevista em instrumento normativo, não pode ser elidida por prova em contrário. c) Cabe ao empregado, em reclamação trabalhista, o ônus da prova de demonstrar que satisfaz os requisitos indispensáveis para a concessão do vale-transporte. d) Uma vez negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregado o ônus de provar o término do contrato de trabalho por iniciativa do empregador, na medida em que a CLT estabelece que a prova das alegações incumbe à parte que as fizer. e) Em matéria de horas extras, na hipótese de aplicada a confissão ao reclamado que, expressamente intimado com aquela cominação, não compareceu à audiência, na qual deveria depor, o indeferimento da oitiva de testemunha convidada pelo demandado caracterizará cerceamento ao seu direito de defesa, pois a presunção de veracidade da jornada de trabalho pode ser elidida por prova em contrário. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 73 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos a) Certa. A OJ 278 da SDI-I do TST esclarece a obrigatoriedade de produção de prova pericial para o exame de condições insalubres de trabalho. No entanto, o princípio do livre convencimento motivado permite que o juiz não fique vinculado à conclusão do perito, e aprecie o pedido à luz de outras provas e fundamentos. b) Errada. A presunção de veracidade da jornada de trabalho, ainda que prevista em instrumento normativo, pode ser elidida por prova em contrário (Súmula 338, II, do TST). c) Errada. É do empregador o ônus de comprovar que o empregado não satisfaz os requisitos indispensáveis para a concessão do vale-transporte ou não pretenda fazer uso do benefício (Súmula 460 do TST). d) Errada. Confira o entendimento fixado na Súmula 212 do TST: O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. e) Errada. A prova pré-constituída nos autos pode ser levada em conta para confronto com a confissão ficta (arts. 442 e 443, do CPC de 2015 – art. 400, I, do CPC de 1973), não implicando cerceamento de defesa o indeferimento de provas posteriores (Súmula 74, II, do TST). Letra a. 006. 006. (FCC/TRT – 24ª REGIÃO (MS)/ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2017) No final da audiência em que foram ouvidas duas testemunhas de cada parte em uma reclamatória trabalhista com pedido de indenização por danos morais, o magistrado resolveu convocar uma pessoa referida em todos os depoimentos para ser ouvida como testemunha do Juízo. Ocorre que a pessoa referida, de nome Ceres, ocupa a função de técnica administrativa do Tribunal Eleitoral e terá que depor em hora de serviço. No caso, segundo norma contida na Consolidação das Leis do Trabalho, Ceres a) será requisitada ao chefe da repartição para comparecer à audiência marcada. b) prestará seu depoimento por escrito, respondendo aos quesitos formulados pelo Juiz, para posterior juntada aos autos. c) comparecerá espontaneamente à audiência designada e justificará a ausência no serviço mediante atestado. d) somente está obrigada a comparecer se for conduzida por Oficial de Justiça à audiência designada. e) será ouvida na sua própria repartição, através de Carta de Ordem, respondendo aos quesitos formulados pelo Juiz. O art. 823 da CLT dispõe: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 74 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Se a testemunha for funcionário civil ou militar, e tiver de depor em hora de serviço, será requisitada ao chefe da repartição para comparecer à audiência marcada. Letra a. 007. 007. (FCC/TRT – 24ª REGIÃO (MS)/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) O ônus da prova pode ser assim problematizado: quem deve provar? Em princípio, as partes tem o ônus de provar os fatos jurídicos narrados na petição inicial ou na peça de resistência, bem como os que se sucederem no envolver da relação processual. Quanto às provas no Processo do Trabalho, a Consolidação das Leis do Trabalho estabelece: a) Qualquer que seja o procedimento, não é permitida a arguição dos peritos compromissados ou dos técnicos, uma vez que o laudo que apresentam já é suficiente como prova. b) As testemunhas devem, necessariamente, ser previamente intimadas para depor. c) Toda testemunha, antes de prestar o compromisso legal, será qualificada, indicando o nome, nacionalidade, profissão, idade, residência, e, quando empregada, o tempo de serviço prestado ao empregador, ficando sujeita, em caso de falsidade, às leis penais. d) Cada uma das partes, no procedimento ordinário e também quando se tratar de inquérito para apuração de falta grave, não poderá indicar mais de 3 testemunhas. e) A testemunha que for parente até o segundo grau civil, amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes, prestará compromisso, mas o seu depoimento valerá como simples informação. a) Errada. O juiz ou presidente poderá arguir os peritos compromissados ou os técnicos, e rubricará, para ser junto ao processo, o laudo que os primeiros tiverem apresentado (art. 827 da CLT). b) Errada. As testemunhas comparecerão a audiência independentemente de notificação ou intimação (art. 825, caput, da CLT). c) Certa. É a regra do art. 828 da CLT. d) Errada. No inquérito, esse limite é elevado a seis testemunhas. e) Errada. A testemunha que for parente até o terceiro grau civil, amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes, não prestará compromisso, e seu depoimento valerá como simples informação (art. 829 da CLT). Letra c. 008. 008. (FCC/TRT – 1ª REGIÃO(RJ)/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2016) Considerado o art. 829, da CLT, NÃO prestará compromisso como testemunha no processo do trabalho: a) aquele que atuou como juiz, ou perito em processo anterior da mesma matéria. b) parentesco até o quarto grau civil. 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(FCC/TRT – 1ª REGIÃO (RJ)/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2016) Ao ser ouvida em juízo, depois de prestar o compromisso legal e responder a várias perguntas que lhe foram formuladas pelo juiz e pelos advogados das partes, uma testemunha, ao final de seu depoimento, alegou que mantivera um relacionamento amoroso com o autor da reclamação trabalhista, mas que o romance, encerrado há muito tempo, não trouxera qualquer consequência para ambos, e que, após o rompimento, restringiram suas conversas a assuntos exclusivamente de trabalho. Ciente desse fato, sabendo que as partes em seguida declararam não ter mais provas e reportaram-se aos elementos dos autos, sem conciliação, o juiz deve a) julgar normalmente, emprestando ao depoimento o valor que entendesse, de acordo com os demais elementos dos autos. b) converter em diligência o julgamento, para apurar a verdade das afirmações da testemunha, com vistas a certificar a validade de seu depoimento. c) desprezar o depoimento de testemunha e julgar de acordo com as provas que houvesse nos autos. d) julgar normalmente, emprestando valor ao depoimento da testemunha, uma vez que nada se provara contra esse depoimento e houve afirmativa de rompimento anterior do relacionamento. e) determinar a acareação da testemunha com o autor, para verificar a correção das afirmações. O juiz é livre para dar ao depoimento do informante o valor que entenda que possa merecer. O art. 829 da CLT dispõe: “A testemunha que for parente até o terceiro grau civil, amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes, não prestará compromisso, e seu depoimento valerá como simples informação”. Já o art. 447, § 5º, do CPC concede ao juiz a liberdade de avaliar o depoimento da testemunha suspeita à luz de todo o contexto processual. Letra a. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 76 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos 010. 010. (FCC/TRT – 14ª REGIÃO (RO E AC)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA/2016) A Consolidação das Leis do Trabalho prevê algumas regras que diferenciam os tipos procedimentais das ações que tramitam na Justiça do Trabalho, notadamente quanto ao número de testemunhas que cada parte pode indicar para oitiva em audiência. Assim, para os ritos sumaríssimo, ordinário e inquérito judicial para apuração de falta grave, o número de testemunhas será, respectivamente, a) três − quatro − cinco. b) duas − três − três. c) três − cinco − seis. d) duas − cinco − cinco. e) duas − três − seis. São os limites máximos de testemunha, para cada rito, que estudamos em aula. Letra e. 011. 011. (FGV/OAB/2017) Rodolfo Alencar ajuizou reclamação trabalhista em desfavor da sociedade empresária Sabonete Silvestre Ltda. Em síntese, ele afirma que cumpria longa jornada de trabalho, mas que não recebia as horas extras integralmente. A defesa nega o fato e advoga que toda a sobrejornada foi escorreitamente paga, nada mais sendo devido ao reclamante no particular. Na audiência designada, cada parte conduziu duas testemunhas, que começaram a ser ouvidas pelo juiz, começando pelas do autor. Após o magistrado fazer as perguntas que desejava, abriu oportunidade para que os advogados fizessem indagações, e o patrono do autor passou a fazer suas perguntas diretamente à testemunha, contra o que se opôs o juiz, afirmando que as perguntas deveriam ser feitas a ele, que, em seguida, perguntaria à testemunha. Diante do incidente instalado e de acordo com o regramento da CLT, assinale a afirmativa correta. a) Correto o advogado, pois, de acordo com o CPC, o advogado fará perguntas diretamente à testemunha. b) A CLT não tem dispositivo próprio, daí porque poderia ser admitido tanto o sistema direto quanto o indireto. c) A CLT determina que o sistema seja híbrido, intercalando perguntas feitas diretamente pelo advogado, com indagações realizadas pelo juiz. d) Correto o magistrado, pois a CLT determina que o sistema seja indireto ou presidencial. Conforme o art. 820 da CLT, “as partes e testemunhas serão inquiridas pelo juiz ou presidente, podendo ser reinquiridas, por seu intermédio, a requerimento dos vogais, das partes, seus O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 77 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos representantes ou advogados”. Depreendendo a regra deste texto ontológico, chegamos à conclusão de que as partes devem perguntar ao juiz e este, às testemunhas. É o que a doutrina costuma chamar de Sistema Presidencial ou Direto de coleta da prova testemunhal. Letra d. 012. 012. (FGV/OAB/2017) Rômulo ajuizou ação trabalhista em face de sua ex-empregadora, a empresa Análise Eletrônica Ltda. Dentre outros pedidos, pretendeu indenização por horas extras trabalhadas e não pagas, férias vencidas não gozadas, nem pagas, e adicional de periculosidade. Na audiência, foi requerida e deferida a perícia, a qual foi custeada por Rômulo, que se sagrou vitorioso no respectivo pedido. Contudo, os pedidos de horas extras e férias foram julgados improcedentes. Rômulo também indicou e custeou assistente técnico, que cobrou o mesmo valor de honorários que o perito do juízo. Observados os dados acima e o disposto na CLT, na qualidade de advogado(a) que irá orientar Rômulo acerca do custeio dos honorários periciais e do assistente técnico, assinale a afirmativa correta. a) Tendo Rômulo sido vitorioso no objeto da perícia, não há que se falar em pagamento de honorários periciais e do assistente técnico, pois a ré os custeará. b) Independentemente do resultado no objeto da perícia, como ao final o rol de pedidos foi parcialmente procedente, Rômulo custeará os honorários periciais e do assistente técnico. c) Em virtude da aplicação do princípio da celeridade, descabe a indicação de assistente técnico no processo do trabalho, não cabendo a aplicação subsidiária do CPC nesse mister. d) Tendo Rômulo sido vitorioso no objeto da perícia, os honorários periciais serão custeados pela parte sucumbente no seu objeto, porém os honorários do assistente técnico serão de responsabilidade da parte que o indicou. Rômulo foi vencedor no objeto da perícia. Logo, é a empresa reclamada quem deverá pagar os honorários do perito (art. 790-B da CLT). Rômulo indicou assistente técnico. Embora tenha sido vencedor no objeto da perícia, Rômulodeve arcar com os custos de seu assistente técnico, pois esta figura processual é facultativa para a parte (“luxo processual”). É a regra da Súmula 341 do TST: JURISPRUDÊNCIA A indicação do perito assistente é faculdade da parte, a qual deve responder pelos respectivos honorários, ainda que vencedora no objeto da perícia. Letra d. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 78 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos 013. 013. (FGV/OAB/2016) Um empregado ajuizou reclamação trabalhista postulando o pagamento de vale transporte, jamais concedido durante o contrato de trabalho, bem como o FGTS não depositado durante o pacto laboral. Em contestação, a sociedade empresária advogou que, em relação ao vale transporte, o empregado não satisfazia os requisitos indispensáveis para a concessão; no tocante ao FGTS, disse que os depósitos estavam regulares. Em relação à distribuição do ônus da prova, diante desse panorama processual e do entendimento consolidado pelo TST, assinale a afirmativa correta. a) O ônus da prova, em relação ao vale transporte, caberá ao reclamante e, no tocante ao FGTS, à reclamada b) O ônus da prova para ambos os pedidos, diante das alegações, será do reclamante. c) O ônus da prova, em relação ao vale transporte, caberá ao reclamado e, no tocante ao FGTS, ao reclamante. d) O ônus da prova para ambos os pedidos, diante das alegações, será da sociedade empresária. Esta questão explorou diretamente as regras de ônus da prova estabelecidas pelo TST nas Súmulas 460 e 461 do TST, que curiosamente foram editadas muito pouco tempo antes da elaboração desta questão. A FGV ama novidades! JURISPRUDÊNCIA Súmula 460 do TST É do empregador o ônus de comprovar que o empregado não satisfaz os requisitos indispensáveis para a concessão do vale-transporte ou não pretenda fazer uso do benefício. JURISPRUDÊNCIA Súmula 461 do TST É do empregador o ônus da prova em relação à regularidade dos depósitos do FGTS, pois o pagamento é fato extintivo do direito do autor (art. 373, II, do CPC de 2015). Letra d. 014. 014. (FGV/OAB/2016) Em pedido de reenquadramento formulado em reclamação trabalhista, foi designada perícia, com honorários adiantados pelo autor, e ambas as partes indicaram assistentes técnicos. Após a análise das provas, o pedido foi julgado procedente. Diante da situação, da legislação em vigor e do entendimento consolidado do TST, assinale a afirmativa correta. a) O autor, tendo se sagrado vencedor, será ressarcido pelos honorários pagos ao perito e ao seu assistente técnico. b) O autor não terá o ressarcimento dos honorários que pagou ao seu assistente técnico, porque sua indicação é faculdade da parte. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 79 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos c) O autor, segundo previsão da CLT, terá o ressarcimento integral dos honorários pagos ao perito e metade daquilo pago ao seu assistente técnico. d) O juiz, inexistindo previsão legal ou jurisprudencial, deverá decidir se os honorários do assistente técnico da parte serão ressarcidos. Mais uma vez, a questão abordou a regra da Súmula 341 do TST: JURISPRUDÊNCIA A indicação do perito assistente é faculdade da parte, a qual deve responder pelos respectivos honorários, ainda que vencedora no objeto da perícia. Letra b. 015. 015. (FGV/OAB/2016) Em audiência trabalhista sob o rito sumaríssimo, o advogado da ré aduziu que suas testemunhas estavam ausentes. Sem apresentar qualquer justificativa ou comprovante de comunicação às testemunhas, requereu o adiamento do feito. Diante disso, estando presentes as testemunhas do autor, o juiz indagou do advogado do autor se ele concordava ou não com o adiamento, requerendo justificativa. Sobre o caso relatado, na qualidade de advogado do autor, assinale a afirmativa correta. a) Deve concordar com o adiamento, já que ausentes as testemunhas, essas poderão ser intimadas para comparecimento na próxima audiência. b) Deve se opor ao adiamento, requerendo o prosseguimento do feito, pois, não havendo comprovação do convite às testemunhas, a audiência não poderá ser adiada para intimação das mesmas. c) Deve se opor ao adiamento imediato, requerendo a oitiva de suas testemunhas e protestar por depoimentos pessoais para, na próxima audiência, serem ouvidas as testemunhas da ré. d) Deve concordar com o adiamento, pois a lei não exige justificativa ou comprovação de convite às testemunhas. No rito sumaríssimo, só será deferida a intimação da testemunha cujo convite houver sido comprovado pela parte que a convidou (art. 852-H, § 3º). Portanto, o advogado deve estar atento a este detalhe, para aproveitar a falha do adversário em prol de melhor resultado em seu processo. Letra b. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 80 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos 016. 016. (FGV/OAB/2013) Paulo ajuizou reclamação trabalhista pelo rito sumaríssimo em face da sua empregadora Carregada Ltda.. Arrolou suas testemunhas na petição inicial e pediu a notificação das mesmas, solicitação que foi indeferida. Na audiência, o advogado de Paulo requereu o adiamento pela ausência das testemunhas, dizendo que protestava pelo indeferimento da notificação e por isso não convidou espontaneamente as testemunhas. O requerimento foi indeferido pelo juiz, que prosseguiu com a audiência. Sobre a decisão do juiz, a partir da hipótese apresentada, assinale a opção correta. a) A decisão foi equivocada, devendo ser deferido o adiamento, pois o prosseguimento do feito poderia gerar a nulidade por cerceamento de defesa. b) A decisão foi correta, já que o procedimento sumaríssimo não contempla a oitiva de testemunhas. c) A decisão foi correta, pois o procedimento sumaríssimo não admite a intimação de testemunhas. d) A decisão foi correta, pois no procedimento sumaríssimo as testemunhas deverão comparecer à audiência independentemente de intimação. Em caso de ausência e mediante comprovação de convite, as testemunhas serão intimadas. Em nenhum dos ritos a intimação da testemunha ocorre antes da audiência. No rito ordinário, a intimação ocorre se ela faltar à audiência. No sumaríssimo, a intimação é possível quando, além de ela faltar em audiência, tiver comprovadamente sido convidada pela parte. Portanto, a decisão judicial está correta. Letra d. 017. 017. (FGV/OAB/2016) José ajuizou reclamação trabalhista em face da sociedade empresária ABCD Ltda., requerendo horas extras. A sociedade empresária apresentou contestação negando as horas extras e juntou os cartões de ponto, os quais continham horários variados de entrada e saída, marcados por meio de relógio de ponto. O advogado do autor impugnou a documentação. Com base no caso apresentado, assinale a afirmativa correta. a) Na qualidade de advogado do autor, você não precisará produzir qualquer outra prova, pois já impugnou a documentação. b) Na qualidade de advogado da ré, você deverá produzir prova testemunhal, já que a documentação foi impugnada. c) Na qualidade de advogadodo autor, o ônus da prova será do seu cliente, razão pela qual você deverá produzir outros meios de prova em razão da sua impugnação à documentação. d) Dada a variação de horários nos documentos, presumem-se os mesmos inválidos diante da impugnação, razão pela qual só caberá o ônus da prova à empresa ré. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 81 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Se os cartões de ponto tivessem horários invariáveis e uniformes (todos redondos), eles seriam inválidos. Como os horários eram variados, os cartões são válidos. Logo, caberá à parte contrária (reclamante) comprovar, por outros meios de prova, que realmente trabalhou em horas extras. É a regra da Súmula 338 do TST, comentada em aula. Letra c. 018. 018. (FGV/OAB/2015) Em sede de reclamação trabalhista sob o rito sumaríssimo, as testemunhas do autor não compareceram à audiência, apesar de convidadas verbalmente por ele. Na audiência, nada foi comprovado acerca da alegação do convite às testemunhas. Diante disso, assinale a afirmativa correta. a) A audiência deverá prosseguir, pois não cabe a intimação das testemunhas, uma vez que não foi comprovado o convite a elas. b) As testemunhas deverão ser intimadas porque a busca da verdade real é um princípio que deve sempre prevalecer. c) As testemunhas deverão ser conduzidas coercitivamente, porque não se admite que descumpram seu dever de cidadania. d) O feito deverá ser adiado para novo comparecimento espontâneo das testemunhas. No rito sumaríssimo, só será deferida a intimação da testemunha cujo convite houver sido comprovado pela parte que a convidou (art. 852-H, § 3º). Portanto, a audiência deverá prosseguir, sem interrupção para intimação de testemunhas. Letra a. 019. 019. (FGV/OAB/2015) Marcos ajuizou reclamação trabalhista em face de sua ex-empregadora, a sociedade empresária Cardinal Roupas Ltda., afirmando ter sofrido acidente do trabalho (doença profissional). Em razão disso, requereu indenização por danos material e moral. Foi determinada a realização de perícia, que concluiu pela ausência de nexo causal entre o problema sofrido e as condições ambientais. Na audiência de instrução, foram ouvidas cinco testemunhas e colhidos os depoimentos pessoais. Com base na prova oral, o juiz se convenceu de que havia o nexo causal e os demais requisitos para a responsabilidade civil, pelo que deferiu o pedido. Diante da situação retratada, e em relação aos honorários periciais, assinale a afirmativa correta. a) O trabalhador sucumbiu no objeto da perícia feita pelo expert, de modo que pagará os honorários. b) Uma vez que a perícia não identificou o nexo causal, mas o juiz, sim, os honorários serão rateados entre as partes. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 82 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos c) A empresa pagará os honorários, pois foi sucumbente na pretensão objeto da perícia. d) Não havendo disposição a respeito, ficará a critério do juiz, com liberdade, determinar quem pagará os honorários. O ônus é de quem sucumbir, processualmente, no objeto da perícia. Não importa o resultado apontado pelo perito (se há nexo ou não). Importa o resultado constante da sentença definitiva, independentemente de o juiz ter-se baseado na perícia ou em outros meios de prova. Logo, mesmo que o laudo tenha acusado a ausência de nexo, o fato de o pedido de indenização por acidente de trabalho ter sido acolhido faz com que a reclamada tenha o ônus de pagar os honorários periciais (sucumbente na pretensão objeto da perícia). Letra c. 020. 020. (FGV/OAB/2012) No Processo do Trabalho, em relação ao ônus da prova, assinale a alternativa correta. a) É do empregador quanto à alegação de inexistência de vínculo de emprego, se admitida a prestação de serviços com outra qualidade. b) É sempre do empregador nas reclamações versando sobre horas extras. c) É sempre da parte que fizer a alegação, não importando o comportamento da parte contrária a respeito. d) É sempre do empregador nas reclamações versando sobre equiparação salarial. a) Certa. É a regra da Súmula 212 do TST: JURISPRUDÊNCIA O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. b) Errada. O ônus de provas trabalho em horas extras obedece a diferentes regras, a depender do contexto. Tais regras estão na Súmula 338 do TST, que estudamos em aula. c) Errada. A partir da Reforma Trabalhista, o art. 818 da CLT determina que, em regra, os fatos constitutivos serão comprovados pelo reclamante e os impeditivos, extintivos e modificativos do direito do reclamante serão comprovados pela reclamada. Ademais, há casos de inversão desse ônus (§ 1º). d) Errada. Conforme a Súmula 6, item VIII, do TST, o empregador deve provar o fato modificativo, extintivo ou impeditivo da equiparação salarial. O empregado, por sua vez, deve provar o fato constitutivo. Letra a. 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Recuperados os arquivos pela polícia, agora, no momento do recurso, a Monte Fino Ltda. pretende juntar o recibo provando o pagamento, inclusive porque a sentença nada mencionou acerca da possível dedução de valores pagos sob o mesmo título. De acordo com o caso apresentado e o entendimento jurisprudencial consolidado, assinale a afirmativa correta. a) É possível a juntada do documento no caso concreto, porque provado o justo impedimento para sua oportuna apresentação. b) O momento de apresentação da prova documental já se esgotou, não sendo possível fazê-lo em sede de recurso. c) Pelo princípio da primazia da realidade, qualquer documento pode ser apresentado com sucesso em qualquer grau de jurisdição, inclusive na fase de execução, independentemente de justificativa. d) Há preclusão, e o juiz não pode aceitar a produção da prova em razão do princípio da proteção, pois isso diminuiria a condenação. Esta questão cobrou diretamente a regra da Súmula 8 do TST: JURISPRUDÊNCIA A juntada de documentos na fase recursal só se justifica quando provado o justo impedimento para sua oportuna apresentação ou se referir a fato posterior à sentença. Somente nessas duas hipóteses poderá haver produção de prova documental após o término da instrução. Letra a. 022. 022. (FGV/OAB/2014) Sandro Vieira ajuizou reclamação trabalhista contra a empresa Trianon Bebidas e Energéticos Ltda. pleiteando o pagamentode horas extras, pois alegou trabalhar de 2ª feira a sábado, das 9h às 19h, com intervalo de uma hora para refeição. Em defesa, a ré negou a jornada descrita na petição inicial, mas não juntou os controles de ponto. Em audiência, ao ser interrogado, o preposto informou que a ré possuía 18 empregados no estabelecimento. Diante da situação retratada, e considerando o entendimento consolidado do TST, assinale a opção correta. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 84 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos a) Aplica-se a pena de confissão pela ausência de juntada dos controles, sendo então considerada verdadeira a jornada da petição inicial, na qual o juiz irá se basear na condenação de horas extras. b) Haverá inversão do ônus da prova, que passará a ser da empresa, prevalecendo a jornada da inicial se dele não se desincumbir com sucesso. c) Diante do impasse, e considerando que, com menos de 20 empregados, a empresa não é obrigada a manter controle escrito dos horários de entrada e saída dos empregados, o juiz decidirá a quem competirá o ônus da prova. d) A falta de controle quando a empresa possui mais de 10 empregados é situação juridicamente imperdoável, o que autoriza o indeferimento da oitiva das testemunhas da empresa porventura presentes à audiência. Esta é a regra da Súmula 338 do TST, segundo a qual a empresa que tiver mais de 10 empregados tem o dever de controlar a jornada de seus empregados. Este controle geralmente é feito por meio de cartões de ponto. Logo, como a reclamada tinha 18 empregados no estabelecimento, ela tinha esse dever. Como não apresentou os cartões, deverá a própria empresa provar, por outros meios de prova, que a alegação do reclamante é falsa, sob pena de serem presumidos verdadeiros os fatos narrados pelo reclamante, no que se refere à jornada de trabalho (e consequentemente ao labor em horas extras). Letra b. 023. 023. (FGV/OAB/2013) Carlos Alberto foi caixa numa instituição bancária e ajuizou reclamação trabalhista, postulando o pagamento de horas extras, já que em uma das agências, na qual trabalhou por dois anos, cumpria jornada superior à legal. Em contestação, foram apresentados os controles, que não continham sobrejornada, e por essa razão foram expressamente impugnados pelo acionante. Na instrução, o banco não produziu prova, mas Carlos Alberto conduziu uma testemunha que com ele trabalhou sete meses na agência em questão e ratificou a jornada mais extensa declarada na petição inicial. Diante desta situação e de acordo com o entendimento consolidado do TST, assinale a afirmativa correta. a) Uma vez que a testemunha trabalhou com o autor somente sete meses, este é o limite de tempo que limitará eventual condenação. b) Se o juiz se convencer, pela prova testemunhal, que a sobrejornada ocorreu nos dois anos, poderá deferir as horas extras em todo o período. c) Uma vez que a testemunha trabalhou com o autor em período inferior à metade do tempo questionado, não poderá ser fator de convencimento acerca da jornada. d) Considerando que os controles foram juntados, uma única testemunha não poderia servir de prova da jornada cumprida. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 85 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Como a empresa apresentou os controles de jornada, era do empregado o ônus de provar, por outros meios de prova, que trabalhou em horas extras. De acordo com o Princípio do Convencimento Motivado do Juiz, o juiz pode fundar seu entendimento na prova testemunhal, mesmo que tenham sido juntados cartões de ponto válidos. Não há hierarquia entre provas: vence aquela que melhor convencer o juiz. Letra b. 024. 024. (FGV/OAB/2013) Após trabalhar como empregado durante 6 meses, Paulo ajuizou reclamação trabalhista em face de sua ex- empregadora, a empresa Alfa Beta Ltda., pretendendo horas extras, nulidade do pedido de demissão por coação, além de adicional de insalubridade. Na primeira audiência o feito foi contestado, negando a ré o trabalho extraordinário, a coação e a atividade insalubre. Foram juntados controles de ponto e carta de próprio punho de Paulo pedindo demissão, documentos estes que foram impugnados pelo autor. Não foi produzida a prova técnica (perícia). Para a audiência de prosseguimento, as partes estavam intimadas pessoalmente para depoimentos pessoais, sob pena de confissão, mas não compareceram, estando presentes apenas os advogados. Declarando as partes que não têm outras provas a produzir, o Juiz encerrou a fase de instrução, seguindo o processo concluso para sentença. Com base nestas considerações, analise a distribuição do ônus da prova e assinale a afirmativa correta. a) A ausência das partes gera a confissão ficta recíproca, devendo ser aplicada a regra de que para os fatos constitutivos cabe o ônus da prova ao autor, e para os extintivos, modificativos e impeditivos, o ônus será do réu. Assim, todos os pedidos deverão ser julgados improcedentes. b) Não há confissão em razão da presença dos advogados. Mas não havendo outras provas, os pedidos deverão ser julgados improcedentes. c) Em razão da confissão, presumem-se verdadeiros os fatos alegados. Tal aliado ao princípio da proteção ao hipossuficiente leva à presunção de que Paulo foi coagido a pedir demissão, trabalhava extraordinariamente e faz jus ao adicional de insalubridade. Logo, os pedidos procedem. d) Em razão da confissão, os pedidos de horas extras e nulidade do pedido de demissão procedem. Porém, improcede o de adicional de insalubridade, pois necessária a prova pericial para configurar o grau de insalubridade. Logo, este pleito improcede. a) Certa e d) Errada. Estudamos que a ausência das partes à audiência de instrução implica confissão ficta. Se ambas forem ausentes, ambas serão confessas. Nesse caso, a procedência ou improcedência dos pedidos observará a distribuição do ônus da prova e a confissão ficta O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 86 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos poderá ser confrontada com as demais provas produzidas no processo (Súmula 74, item II, TST). No processo, a reclamada juntou provas documentas de ausência de trabalho em horas extras (cartões de ponto) e de pedido de demissão pelo empregado (carta). Embora os tenha impugnado, o reclamante não produziu outras provas em sentido oposto ao que os documentos indicavam. Ademais, a procedência do pedido de adicional de insalubridade depende necessariamente de perícia (art. 195, § 2º, CLT). É por esta razão que todos os pedidos, nesse contexto específico, deverão ser julgados improcedentes. b) Errada. O simples fato de os advogados estarem presentes não elide a confissão ficta. A elisão da confissão somente ocorre nas hipóteses legais (art. 844, § 4º, CLT). c) Não existe princípio de direito material ou processual que autorize a presunção absoluta em favor do empregado diante da confissão de ambas as partes. Como dito, o resultado do processo em que ambas as partesdessa alteração, a regra geral (primária) era de que a prova do fato incumbia à parte que alegá-lo. A partir de agora, a regra é mais complexa e, também, muito mais assemelhada à regra do direito processual civil. Todos os fatos que constituam o direito do reclamante deverão ser comprovados por ele, a princípio. Fatos constitutivos são mais fáceis de visualizar: são todos os fatos que, se comprovados, dão à parte determinado direito previsto em lei. Podemos imaginar como exemplo o fato de alguém trabalhar acima de sua carga horária diária, que dá ao trabalhador o direito de ser remunerado pelas horas extras com adicional de 50%. EXEMPLO O reclamante alega que trabalhou nas dependências da empesa ABC Ltda. por três meses. Se a empresa simplesmente negar que o reclamante lhe tenha prestado serviços, dizendo que nunca o viu, caberá ao reclamante comprovar que, de fato, trabalhou para a empresa (fato constitutivo de seu direito). Por outro lado, o reclamado deverá comprovar todos os fatos que extingam, impeçam ou modifiquem o direito pretendido pelo autor. Veja, abaixo, os conceitos e exemplos clássicos de fatos extintivos, impeditivos ou modificativos: • FATO EXTINTIVO: é o fato que extingue um direito que já chegou a existir em algum momento. EXEMPLO Prescrição, decadência, renúncia, transação. • FATO IMPEDITIVO: é o fato que impede o surgimento do direito. Neste caso, o direito nunca existiu. EXEMPLO Trabalhador laborou, sim, além de 8 horas em um dia, mas houve compensação de jornada. • FATO MODIFICATIVO: Fato que não extingue nem impede que o sujeito tenha o direito, mas modifica o conteúdo e/ou a forma desse direito, que passa a ser devido em parâmetros diferentes do postulado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 9 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos EXEMPLOS Trabalhador laborou, sim, além de sua jornada contratual, mas por tempo inferior ao relatado na reclamação. O reclamante leva à audiência de instrução uma testemunha que o viu trabalhando além de sua carga horária diária por vários dias, a fim de atender (desincumbir-se) de seu ônus de comprovar o fato constitutivo de seu direito (receber horas extras). O reclamado leva à mesma audiência outras duas testemunhas, que, por sua vez, viram que o reclamante não foi trabalhar por alguns dias da mesma semana, a fim de que fosse compensado o trabalho extraordinário daqueles dias trabalhados, em razão de acordo tácito firmado com o empregador. Tais testemunhas viram, ainda, o reclamante combinando com o empregador reclamado tal formato de acordo (acordo tácito – autorizado pela Reforma Trabalhista nesta hipótese). § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos deste artigo ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juízo atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão referida no § 1º [distribuição dinâmica do ônus da prova] deste artigo deverá ser proferida antes da abertura da instrução e, a requerimento da parte, implicará o adiamento da audiência e possibilitará provar os fatos por qualquer meio em direito admitido. § 3º A decisão referida no § 1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. Estes três parágrafos disciplinam o instituto da Distribuição Dinâmica (Diferenciada) do Ônus da Prova. Às vezes, no caso concreto, é impossível ou muito difícil para o reclamante comprovar o fato constitutivo do seu direito. Dessa forma, o juiz pode determinar que o reclamado faça a prova negativa, isto é, prova de que o direito do reclamante nunca foi constituído. A distribuição dinâmica é uma decorrência do Princípio da Busca da Verdade Real. O juiz deve desprender-se das “regras do jogo” e criar um cenário propício à coleta de elementos que o conduzam ao que realmente ocorreu na relação jurídica envolvida no processo. Esse cenário pode ser alcançado com a distribuição diferenciada do ônus da prova. EXEMPLO O reclamante alega ter trabalhado em horas extras, que não foram pagas pelo reclamado. O reclamante diz que assinava, diariamente, ponto manual de frequência, sempre com os horários exatos de entrada e saída, fato que não é negado pelo reclamado. Nesse contexto, o juiz, em vez de ordenar que o reclamante comprove o trabalho em horas extras com seus meios de prova (quase sempre de ordem testemunhal), pode determinar ao reclamado que apresente os cartões de ponto manuais que estão sob seu poder. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 10 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Se o reclamado entender que os pontos manuais foram adulterados, terá o ônus de comprovar, por outros meios, que o reclamante não trabalhou em horas extras (por testemunhas, por exemplo). Veja: é uma situação em que o reclamante não prova o fato constitutivo de seu direito, pois o juiz distribuiu o ônus da prova de modo que o reclamado deve fazer a prova negativa do fato alegado pelo reclamante, tendo em vista a maior facilidade de solucionar a controvérsia desta maneira. O § 1º prevê duas hipóteses de cabimento da Distribuição Dinâmica do Ônus da Prova: • 1) Previsão expressa na lei: exemplo válido é o do art. 165 da CLT: Art. 165: Os titulares da representação dos empregados nas CIPA (s) não poderão sofrer despedida arbitrária, entendendo-se como tal a que não se fundar em motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro. Parágrafo único. Ocorrendo a despedida, caberá ao empregador, em caso de reclamação à Justiça do Trabalho, comprovar a existência de qualquer dos motivos mencionados neste artigo, sob pena de ser condenado a reintegrar o empregado. Veja que, neste caso, se o empregado alegar dispensa sem justa causa e pedir reintegração, será do empregador o ônus de comprovar, desde o início, que a despedida ocorreu por motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro. Não caberá ao reclamante comprovar fato constitutivo logo de início. • 2) Peculiaridades do caso: vide exemplo prático das horas extras e dos cartões de ponto. A decisão judicial que determinar essa distribuição diferenciada deve ser proferida antes da instrução processual (antes da audiência una, se o rito for sumaríssimo, ou antes da audiência de instrução, se o rito for ordinário), porque, no momento da instrução, as partes devem ter plena ciência de seus ônus probatórios, a fim de que possam reunir documentos, convidar testemunhas etc. Se a parte entender que a audiência de instrução está muito próxima e que a distribuição diferenciada do ônus da prova causou-lhe pressão para reunir os elementos de prova, ela poderá requerer o adiamento da audiência em que deva ocorrer a instrução. O adiamento da audiência ocorrerá somente se alguma das partes afetadas requerer, sentindo-se prejudicada. Isso é uma faculdade (opção), e não um dever. A distribuição dinâmica/diferenciada do ônus da prova tem um nobre objetivo: facilitar o alcance da verdade real. Logo, a distribuição não pode tornar muito difícil ou impossível que quaisquersão confessas analisa-se de acordo com a distribuição do ônus da prova (reclamante prova fato constitutivo e reclamado fato extintivo, modificativo ou impeditivo daquele) e com as provas pré-constituídas. Letra a. 025. 025. (FGV/OAB/2012) Josenildo da Silva ajuizou reclamação trabalhista em face da empresa Arca de Noé Ltda., postulando o pagamento de verbas resilitórias, em razão de dispensa imotivada; de horas extraordinárias com adicional de 50% (cinquenta por cento); das repercussões devidas em face da percepção de parcelas salariais não contabilizadas e de diferenças decorrentes de equiparação salarial com paradigma por ele apontado. Na defesa, a reclamada alega que, após discussão havida com colega de trabalho, o reclamante não mais retornou à empresa, tendo sido surpreendida com o ajuizamento da ação; que a empresa não submete seus empregados a jornada extraordinária; que jamais pagou qualquer valor ao reclamante que não tivesse sido contabilizado e que não havia identidade de funções entre o autor e o paradigma indicado. Considerando que a ré possui 10 (dez) empregados e que não houve a juntada de controles de ponto, assinale a alternativa correta. a) Cabe ao reclamante o ônus de provar a dispensa imotivada. b) Cabe à reclamada o ônus da prova quanto à diferença entre as funções do equiparando e do paradigma. c) Cabe ao reclamante o ônus de provar o trabalho extraordinário. d) Cabe à reclamada o ônus da prova no tocante à ausência de pagamento de salário não contabilizado. a) Errada. De acordo com a Súmula 212 do TST, tal ônus é da empresa, pois ela admitiu que o reclamante trabalhou para ela, mas afirmou que a modalidade de dispensa foi diferente. Logo, deve a empresa comprovar a razão que justificou a dispensa em modalidade diferente de dispensa sem justa causa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 87 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos b) Errada. Primeiramente, deve o empregado provar o fato constitutivo do direito à equiparação salarial. Se esse fato tivesse sido comprovado, aí sim é que a empresa deveria necessariamente apresentar prova de fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do reclamante (Súmula 6, item VIII, TST). c) Certa. A empresa que possui MAIS de 10 empregados no estabelecimento tem a obrigação de manter o controle de jornada (cartões de ponto). Como o estabelecimento possui exatamente 10 empregados, tal dever não existia. Logo, cabe ao empregado provar o trabalho em horas extras por outros meios de prova. d) Errada. Esta questão, sob a ótica da Reforma Trabalhista, encontraria um óbice. Em regra, o fato constitutivo deve ser provado pelo reclamante. Todavia, nesse caso, é muito comum a inversão do ônus da prova para que a reclamada comprove que pagou corretamente o empregado (art. 818, § 1º, CLT – redação posterior à Reforma). Portanto, por mais que a regra geral sustenta o equívoco desta assertiva, a realidade prática põe em xeque a veracidade da afirmação da alternativa. Letra c. 026. 026. (FGV/OAB/2012) Cíntia Maria ajuíza reclamação trabalhista em face da empresa Tictac Ltda., postulando o pagamento de horas extraordinárias, aduzindo que sempre labutou no horário das 8h às 19h, de segunda a sexta-feira, sem intervalo intrajornada. A empresa ré oferece contestação, impugnando o horário indicado na inicial, afirmando que a autora sempre laborou no horário das 8h às 17h, com 1 hora de pausa alimentar, asseverando ainda que os controles de ponto que acompanham a defesa não indicam a existência de labor extraordinário. À vista da defesa ofertada e dos controles carreados à resposta do réu, a parte autora, por intermédio de seu advogado, impugna os registros de frequência porque não apresentam qualquer variação no registro de entrada e saída, assim como porque não ostentam sequer a pré-assinalação do intervalo intrajornada. Admitindo-se a veracidade das argumentações do patrono da parte autora e com base na posição do TST acerca da matéria, é correto afirmar que a) compete ao empregado o ônus de comprovar o horário de trabalho indicado na inicial, inclusive a supressão do intervalo intrajornada, a teor do disposto no art. 818 da CLT. b) diante da impugnação apresentada, inverte-se o ônus probatório, que passa a ser do empregador, prevalecendo o horário da inicial, se dele não se desincumbir por outro meio probatório, inclusive no que se refere à ausência de intervalo intrajornada. c) em se tratando de controles de ponto inválidos, ao passo que não demonstram qualquer variação no registro de entrada e saída, não poderá a ré produzir qualquer outra prova capaz de confirmar suas assertivas, porquanto a prova documental é a única capaz de demonstrar a jornada de trabalho cumprida. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 88 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos d) probatório, que passa a ser do empregador, prevalecendo o horário da inicial, se dele não se desincumbir, exceto quanto ao intervalo intrajornada, cujo ônus probatório ainda pertence à parte autora. De acordo com a Súmula 338 do TST, “os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova, invertendo-se o ônus da prova, relativo às horas extras, que passa a ser do empregador, prevalecendo a jornada da inicial se dele não se desincumbir”. Ademais, conforme o art. 74, § 2º, da CLT, deve haver pré-assinalação do período de intervalo intrajornada (repouso). Não havendo o atendimento dessa obrigação, naturalmente caberá à empregadora o ônus de provar a concessão do intervalo, por outros meios de prova. Letra b. 027. 027. (FGV/OAB/2011) A respeito da prova testemunhal no processo do trabalho, é correto afirmar que a) em se tratando de ação trabalhista pelo rito ordinário ou sumaríssimo, as partes poderão ouvir no máximo três testemunhas cada; sendo inquérito, o número é elevado para seis. b) apenas as testemunhas arroladas previamente poderão comparecer à audiência a fim de serem ouvidas. c) no processo do trabalho sumaríssimo, a simples ausência da testemunha na audiência enseja a sua condução coercitiva. d) as testemunhas comparecerão à audiência independentemente de intimação e, no caso de não comparecimento, serão intimadas ex officio ou a requerimento da parte. a) Errada. No rito sumaríssimo, são duas testemunhas. No ordinário são três. No inquérito, de fato, são seis. b) Errada. As testemunhas no processo do trabalho não precisam ser arroladas, nem mesmo intimadas. Elas devem comparecer mediante convite da própria parte, formal ou informal. c) Errada. Se, no rito sumaríssimo, a testemunha faltar à audiência em que deveria depor, poderá ser deferida a intimação dela se ela houver sido comprovadamente convidada. d) Certa. É a regra do art. 825, caput e parágrafo único, da CLT. Letra d. 028. 028. (FGV/TRT – 12ª REGIÃO (SC)/ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2017) Cecília postula o pagamento de horas extras, afirmando que excedia a jornada de trabalho. Em defesa, a ex-empregadora de Cecilia nega a jornada articulada na O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição,sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 89 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos peça pórtica e apresenta controles de ponto nos quais se verifica que a jornada foi anotada e assinada em todos os dias como sendo das 10:00 às 19:00 horas, com intervalo de 1 hora, sem variação. Diante da situação apresentada e do entendimento consolidado pelo TST acerca da distribuição do ônus da prova, é correto afirmar que: a) se os controles estão assinados, isso é suficiente para conferir-lhes credibilidade, de modo que o ônus de provar a jornada é da reclamante; b) a solução para o caso é a aplicação da pena de confissão em desfavor da reclamada, considerando-se de plano a jornada dita na inicial como verdadeira, sem necessidade de outras provas; c) os controles serão reputados inválidos, transferindo-se o ônus da prova para o empregador, que deverá provar que a anotação neles feita é verdadeira, sob pena de acolher-se a jornada da inicial; d) a presunção de veracidade da jornada anotada nos controles é absoluta, de modo que o juiz deve receber aqueles horários como fidedignos e indeferir outras provas; e) a jurisprudência determina que o juiz deve analisar o caso concreto e, em decisão fundamentada, atribuir a quem compete o ônus da prova, dependendo das circunstâncias. De acordo com a Súmula 338 do TST, “os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova, invertendo-se o ônus da prova, relativo às horas extras, que passa a ser do empregador, prevalecendo a jornada da inicial se dele não se desincumbir”. Letra c. 029. 029. (FGV/TRT – 12ª REGIÃO (SC)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA/2017) Rickson ajuizou reclamação trabalhista contra a empresa Pastel de Ouro Ltda., postulando o pagamento de vale-transporte, FGTS não depositado em 6 meses do ano de 2016, horas extras, diferença em razão de equiparação salarial e verbas resilitórias. Em defesa, a Pastel de Ouro Ltda. advoga que Rickson é vizinho da empresa, portanto não utiliza transporte público; que depositou regularmente o FGTS na conta vinculada do empregado; que a quantidade e qualidade da produção do modelo era superior à do autor; que a convenção coletiva da categoria afirma que a jornada lançada nos controles é correta, pois o sistema foi auditado pelo sindicato de classe dos empregados; que a empresa não dispensou o reclamante, e sim que esse deixou de comparecer ao serviço. Em relação ao ônus da prova no caso apresentado, à luz da jurisprudência do TST, é correto afirmar que: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 90 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos a) o ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregado, por se tratar de fato constitutivo de seu direito; b) é do empregado o ônus da prova em relação à regularidade dos depósitos do FGTS, pois o não pagamento é fato constitutivo do direito do autor; c) a presunção de veracidade da jornada de trabalho pode ser elidida por prova em contrário, salvo se prevista em instrumento normativo; d) em processo que verse sobre pedido de equiparação salarial, é ônus do equiparando provar que desempenhava o seu trabalho com a mesma produtividade e a mesma perfeição técnica que o paradigma; e) é do empregador o ônus de comprovar que o empregado não satisfaz os requisitos indispensáveis para a concessão do vale-transporte ou não pretenda fazer uso do benefício. a) Errada. Conforme a Súmula 212 do TST, o ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. b) Errada. Consoante a Súmula 461 do TST, é do empregador o ônus da prova em relação à regularidade dos depósitos do FGTS, pois o pagamento é fato extintivo do direito do autor. c) Errada. De acordo com a Súmula 338, item II, do TST, a presunção de veracidade da jornada de trabalho, ainda que prevista em instrumento normativo, pode ser elidida por prova em contrário. d) Errada. A diferença de produtividade e/ou perfeição técnica é fato impeditivo do direito à equiparação salarial. Logo, cabe ao empregador demonstrá-lo (Súmula 6, item VIII, TST). e) Certa. Conforme a Súmula 460 do TST, é do empregador o ônus de comprovar que o empregado não satisfaz os requisitos indispensáveis para a concessão do vale-transporte ou não pretenda fazer uso do benefício. Letra e. 030. 030. (FGV/TRT – 12ª REGIÃO (SC)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA/2017) Em determinado processo trabalhista, o juiz determinou o fracionamento da audiência. Na primeira delas, tentou sem êxito o acordo e, após receber a defesa, definiu as provas que seriam produzidas: depoimentos pessoais recíprocos, sob confissão, e testemunhal. Na segunda audiência designada, a reclamada não se fez presente à audiência, embora tenha comparecido o advogado da empresa. O juiz manifestou-se no sentido de que não desejava espontaneamente produzir provas. À luz da legislação trabalhista e da jurisprudência uniforme do TST, é correto afirmar que: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 91 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos a) o juiz deverá aplicar a confissão contra a empresa e julgar de acordo com as provas já produzidas nos autos. b) deverá ser aplicada a revelia em desfavor da acionada em virtude da sua ausência. c) estando o advogado da ré presente, a demanda deve prosseguir normalmente, com colheita do depoimento pessoal do autor e das testemunhas, se houver. d) não há previsão legal ou jurisprudencial a respeito, assim o juiz deverá apreciar a situação com equidade e definir o destino do feito como entender justo. e) o juiz adiará a audiência e concederá prazo para a juntada de justificativa da ausência do preposto da reclamada. De fato, a ausência na audiência de instrução implica confissão ficta, que é muito diferente de revelia (esta consiste na ausência de defesa, e a defesa foi apresentada). Letra a. 031. 031. (FGV/TRT – 12ª REGIÃO (SC)/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) Margarida compareceu a uma audiência para ser ouvida como testemunha da reclamante, mas foi contraditada pela empresa ao argumento de que possuía ação em curso contra a reclamada, o que foi confirmado por Margarida. À luz da jurisprudência uniforme do TST, é correto afirmar que: a) Margarida não tem a necessária isenção neste caso porque está em litígio contra a empresa, pelo que a contradita deverá ser aceita; b) qualquer pessoa pode ser ouvida como testemunha, pois não há óbice legal nem condições especiais a serem cumpridas; c) somente se Margarida estiver postulando no seu processo os mesmos pedidos que a reclamante é que não poderá ser ouvida como testemunha; d) o fato de estar litigando contra a empresa não torna Margarida impedida nem suspeita de depor como testemunha; e) o juiz deve acolher a contradita se Margarida estiver sendo assistida na sua ação pelo mesmo advogado que dá assessoria à autora do caso em que irá depor. É a regra da Súmula 357 do TST: JURISPRUDÊNCIA Não torna suspeita a testemunhao simples fato de estar litigando ou de ter litigado contra o mesmo empregador. Outros fatos aliados a este até podem demonstrar causa de suspeição, como troca de favores, amizade íntima etc. Todavia, o simples fato de tal litígio existir não é suficiente para tirar do depoimento de Margarida o status de testemunho. Letra d. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 92 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos 032. 032. (FGV/CONDER/ADVOGADO/2013) Na audiência de uma reclamação trabalhista, o autor conduz, como sua testemunha, um mudo que é alfabetizado, enquanto a empresa, um surdo-mudo analfabeto. Em relação à forma de colheita do depoimento dessas pessoas, de acordo com a CLT, assinale a afirmativa correta. a) Ambos os depoimentos deverão ser obrigatoriamente traduzidos por intérprete, sob pena de nulidade. b) Se algum profissional tiver de ser convocado para participar de qualquer dos depoimentos, a empresa arcará com o gasto. c) O mudo e o surdo-mudo não podem ser ouvidos como testemunhas por falta de previsão legal. d) Não podendo as pessoas em questão verbalizar o seu conhecimento sobre os fatos, o juiz não poderá basear o julgamento nas suas manifestações nem realizar acareação entre elas. e) A testemunha do autor, por ser alfabetizada, deverá escrever as respostas às perguntas, e a testemunha da ré, por ser analfabeta, deporá por meio de um intérprete. Uma das testemunhas, embora muda, é alfabetizada. Logo, ela tem meios de apresentar sua versão dos fatos ao juiz e às partes. O mudo que não sabe escrever deve depor por intermédio de um intérprete (art. 819, § 1º, CLT). Letra e. 033. 033. (FCC/TRT – 6ª REGIÃO (PE)/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) Conforme normas aplicáveis à produção das provas nas reclamatórias trabalhistas que tramitam pelo rito ordinário, NÃO é correto afirmar que a) cada uma das partes não poderá indicar mais de cinco testemunhas, salvo quando se tratar de inquérito para apuração de falta grave, caso em que esse número poderá ser elevado a seis. b) como regra, o ônus da prova incumbe ao reclamado, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do reclamante. c) o depoimento das partes e testemunhas que não souberem falar a língua nacional será feito por meio de intérprete nomeado pelo juiz. d) se a testemunha for funcionário civil ou militar, e tiver de depor em hora de serviço, será requisitado ao chefe da repartição seu comparecimento à audiência marcada. e) o documento em cópia oferecido para prova poderá ser declarado autêntico pelo próprio advogado, sob sua responsabilidade pessoal. a) Errada. A questão pede pela alternativa incorreta. Na verdade, o rito ordinário comporta até três testemunhas por parte. No inquérito, de fato, pode ser até seis. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 93 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos b) Certa. A questão pede pela alternativa incorreta. É a regra do art. 818 da CLT. c) Certa. A questão pede pela alternativa incorreta. É a regra do art. 819 da CLT. d) Certa. A questão pede pela alternativa incorreta. É a regra do art. 823 da CLT. e) Certa. A questão pede pela alternativa incorreta. É a regra do art. 830 da CLT. Letra a. 034. 034. (FCC/TRT – 21ª REGIÃO (RN)/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) No tocante ao ônus da prova, de acordo com a Lei n. 13.467/2017, considere: I – Nos casos previstos em lei ou sendo impossível ou excessivamente difícil para a parte cumprir seu ônus probatório, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, fundamentando sua decisão desde logo ou deixando para fazê-lo na sentença, uma vez que se trata de decisão interlocutória. II – A decisão do juiz de atribuir o ônus da prova de modo diverso deverá ser proferida antes da abertura da instrução e, a requerimento da parte, implicará o adiamento da audiência, possibilitando provar fatos por qualquer meio em direito admitido. III – A decisão do juiz de atribuir o ônus da prova de modo diverso não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. IV – A decisão do juiz de atribuir o ônus da prova de modo diverso deverá ser proferida após a abertura da instrução e sempre implicará no adiamento da audiência, independentemente do requerimento da parte, possibilitando provar fatos por qualquer meio em direito admitido. Está correto o que consta APENAS em a) I e IV. b) I e II. c) II, III e IV. d) II e III. e) I e III. I – Errada. A fundamentação da decisão deve ser feita desde logo, para que as partes conheçam as razões que levam o juiz a concluir que uma delas terá maior facilidade de produzir determinada prova. II – Certa. É a regra do art. 818, § 2º, da CLT. III – Certa. É a regra do art. 818, § 3º, da CLT. IV – Errada. O adiamento da audiência somente ocorrerá se a parte envolvida requerê-lo. Letra d. 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II – É dever do juiz, na aferição do ônus probatório, atribuir a cada parte seu encargo no tocante à produção de provas, levando em conta critérios de facilidade e dificuldade de a parte se desincumbir de seu ônus. III – A ausência do reclamado em audiência implicará na decretação de sua revelia e confissão quanto à matéria de fato, salvo, por exemplo, se a petição inicial estiver desacompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova do ato. IV – É facultado ao juízo, ainda que ausente o reclamado em audiência, mas presente o seu advogado ao ato, a aceitação da contestação e os documentos eventualmente apresentados, com o fim de evitar os efeitos da confissão. Está correto o que consta APENAS em a) I e III. b) II e III. c) II e IV. d) I e IV. e) III e IV. I – Certa. Este item consiste na conjugação das regras do art. 818, caput e § 1º, da CLT. II – Errada. Tal incumbência é apenas uma faculdade do juiz, e não um dever. III – Certa. Se a petição inicial estiver desacompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova do ato, os efeitos da confissão não serão produzidos (art. 844, § 4º, inciso III, da CLT). IV – Errada. Os erros estão em dois pontos. O primeiro está em dizer que a finalidade dessa aceitação é o impedimento da confissão; não é, embora, de fato, reduza os efeitos da confissão (estudamos isso na aula sobre as Audiências). O segundo está em dizer que o juiz tem a “faculdade” de aceitar a defesa e os documentos; na verdade, ele tem o deverlegal de aceitá-los (art. 844, § 5º, CLT). Letra a. 036. 036. (CESPE/PGM – MANAUS-AM/PROCURADOR DO MUNICÍPIO/2018) Em relação à competência da justiça do trabalho, à revelia e às provas no processo do trabalho, julgue o item que se segue. Caso servidor público civil tenha de depor como testemunha em hora de serviço, o juiz deverá oficiar ao chefe da repartição, requisitando o servidor para comparecer à audiência designada. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 95 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos É a regra literal do art. 823 da CLT. Certo. 037. 037. (CESPE/DPU/DEFENSOR PÚBLICO FEDERAL/2017) A respeito da resposta do reclamado e do ônus da prova no processo do trabalho, julgue o item a seguir. Situação hipotética: Ao prestar assistência jurídica a um necessitado, a DP ajuizou reclamação trabalhista fundamentada na irregularidade dos depósitos do FGTS e alegou que o ônus da prova era do empregador. Assertiva: Nessa situação, foi correta a atuação da DP: o empregador tem o ônus da prova em relação à regularidade dos depósitos do FGTS, pois o pagamento é fato extintivo do direito do autor. Esta é a regra da Súmula 461 do TST. Certo. 038. 038. (QUADRIX/SEDF/PROFESSOR – DIREITO/2017) A respeito do Direito Processual do Trabalho, julgue o item que se segue. Tomando‐se por base o sistema de produção das provas no direito processual trabalhista, é correto dizer que a confissão pode ser real ou ficta, sendo a primeira uma presunção absoluta e a segunda uma presunção relativa que pode ser elidida por outras provas existentes nos autos. Lembra da regra que estudamos em aula? Confissão real = Presunção Absoluta de Veracidade. Confissão ficta = Presunção Relativa de Veracidade. Certo. 039. 039. (CESP/PGE-BA/PROCURADOR DO ESTADO/2014) No processo trabalhista, a contradita consiste na denúncia, pela parte interessada, dos motivos que impedem ou tornam suspeito o depoimento da testemunha, e o momento processual oportuno de a parte oferecer a contradita da testemunha ocorre logo após a qualificação desta, antes de o depoente ser compromissado. É exatamente no momento da qualificação que a contradita deve ser apresentada (art. 457, § 1º, CPC). Certo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 96 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos 040. 040. (CESPE/IEMA (ES)/ADVOGADO/2007) Em face da presunção juris tantum decorrente das anotações apostas pelo empregador na carteira profissional do empregado, é possível a produção de provas pelo empregado em processo judicial com a finalidade de desconstituir anotação de data de admissão que não corresponda à realidade. Como estudamos, as anotações feitas na CTPS do empregado constituem presunção relativa de veracidade ( juris tantum), e podem ser confrontadas por outras provas. É a regra da Súmula 12 do TST: As anotações apostas pelo empregador na carteira profissional do empregado não geram presunção “juris et de jure”, mas apenas “juris tantum”. Certo. 041. 041. (CESPE/PGM – CAMPO GRANDE-MS/PROCURADOR MUNICIPAL/2019) À luz da jurisprudência consolidada do Tribunal Superior do Trabalho, julgue o próximo item, a respeito de mandado de segurança e dissídio coletivo. Situação hipotética: Pedro ajuizou reclamação trabalhista pedindo que a empresa da qual fora empregado fosse condenada a pagar-lhe adicional de insalubridade. Diante da necessidade de perícia para caracterizar e classificar a insalubridade, o juiz determinou que a empresa fizesse um depósito prévio para garantir o pagamento dos honorários periciais. Assertiva: Nessa situação, admite-se mandado de segurança contra o ato judicial de exigência do depósito. A exigência do depósito prévio é feita mediante decisão interlocutória ou despacho, que não são recorríveis de imediato. Logo, cabe mandado de segurança, conforme a OJ n. 98 da SDI-II do TST: JURISPRUDÊNCIA É ilegal a exigência de depósito prévio para custeio dos honorários periciais, dada a incompatibilidade com o processo do trabalho, sendo cabível o mandado de segurança visando à realização da perícia, independentemente do depósito. Certo. 042. 042. (QUADRIX/CRM-PR/ADVOGADO/2018) Com base no entendimento jurisprudencial do TST, julgue o próximo item. A testemunha não pode ser considerada como suspeita pelo simples fato de estar litigando contra o mesmo empregador no processo em que arrolada. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 97 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Trata-se da exata regra da Súmula 357 do TST: JURISPRUDÊNCIA Não torna suspeita a testemunha o simples fato de estar litigando ou de ter litigado contra o mesmo empregador. Certo. 043. 043. (CESPE/EMAP/ANALISTA PORTUÁRIO – ÁREA JURÍDICA/2018) Carla Lopes ajuizou reclamação trabalhista contra sua ex-empregadora, Supermercados Onofre, que, há seis meses, demitiu três de seus dezoito empregados, entre eles, Carla. Em sua petição inicial, ela requereu valores devidos em razão de verbas rescisórias pagas a menor, adicional de insalubridade nunca pago ao longo do contrato de trabalho e danos morais decorrentes de assédio moral. Nessa reclamatória, foi atribuído como valor da causa o importe de cinquenta mil reais. Acerca dessa situação hipotética, julgue o item que segue. Carla poderá indicar como testemunhas ex-empregados da empresa. No entanto, a testemunha que tiver ajuizado ação contra a mesma reclamada poderá ser contraditada pela parte contrária e seu depoimento poderá ser tomado apenas na condição de informante do juízo. De acordo com a Súmula 357 do TST, JURISPRUDÊNCIA Não torna suspeita a testemunha o simples fato de estar litigando ou de ter litigado contra o mesmo empregador. Errado. 044. 044. (CESPE/FUNPRESP-JUD/ANALISTA – DIREITO/2016) À luz da legislação vigente em processo do trabalho e das súmulas do TST, julgue o próximo item. Prova já constituída nos autos pode ser utilizada para confrontar confissão ficta, e o indeferimento de provas posteriores não implicará cerceamento de defesa. Trata-se da regra consolidada na Súmula 74, item II, do TST: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 98 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos JURISPRUDÊNCIA A prova pré-constituída nos autos pode ser levada em conta para confronto com a confissão ficta (art. 443, I, CPC/2015), não implicando cerceamento de defesa o indeferimento de provas posteriores. Certo. 045. 045. (CESPE/PGE-BA/PROCURADOR DO ESTADO/2014) Em relação ao direito processual do trabalho, julgue os itens a seguir. Dada a celeridade, que fundamenta o procedimento sumaríssimo, a CLT não admite o deferimento e a realização de prova técnica pericial. O procedimento sumaríssimoadmite, sim a prova pericial, somente condicionando seu deferimento a quando a prova do fato o exigir, ou quando a perícia for legalmente imposta (como no caso de insalubridade ou periculosidade). É a regra do art. 852-H, § 4º, da CLT. Errado. 046. 046. (CESPE/PREFEITURA DE FORTALEZA-CE/PROCURADOR DO MUNICÍPIO/2017) A respeito da competência, das provas e do procedimento sumaríssimo na justiça do trabalho, julgue o item que se segue. Em lides que possuem objetos e procuradores distintos, torna-se suspeita a testemunha que estiver litigando ou que tenha litigado contra esse mesmo empregador. De acordo com a Súmula 357 do TST, JURISPRUDÊNCIA Não torna suspeita a testemunha o simples fato de estar litigando ou de ter litigado contra o mesmo empregador. Errado. 047. 047. (CESPE/SERPRO/ANALISTA – ADVOCACIA/2010) Quanto ao procedimento sumaríssimo, julgue os itens a seguir. Quando deferida a prova técnica, as partes são intimadas a manifestar-se acerca do laudo pericial no prazo comum de dez dias. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 99 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos O prazo, na verdade, é comum de 20 dias, conforme o art. 852-H, § 6º, da CLT. Errado. 048. 048. (CESPE/BRB/ADVOGADO/2010) Com relação ao direito processual do trabalho, julgue os itens seguintes. Na hipótese de justo impedimento para sua oportuna apresentação, o TST admite, excepcionalmente, a juntada de documentos por qualquer das partes na fase recursal. O TST, na Súmula n. 8, possibilita a produção de provas em fase recursal em duas hipóteses. Confira a redação literal: “A juntada de documentos na fase recursal só se justifica quando provado o justo impedimento para sua oportuna apresentação ou se referir a fato posterior à sentença.”. Certo 049. 049. (CESPE/PGM/CAMPO GRANDE-MS/PROCURADOR MUNICIPAL/2019) De acordo com a legislação processual trabalhista, julgue o seguinte item, relativos ao jus postulandi, à reclamação e às provas no processo do trabalho. No processo trabalhista, para comparecer à audiência, as testemunhas serão previamente intimadas. Como regra, as testemunhas não são intimadas. A intimação só ocorre para as que não comparecerem. No procedimento sumaríssimo, ademais, a intimação somente será efetuada se a parte interessada no depoimento comprovar que convidou a respectiva testemunha. Errado. 050. 050. (CESPE/PGE-ES/PROCURADOR DO ESTADO/2008) De acordo com a jurisprudência do TST, julgue os itens a seguir, referentes ao ônus da prova no processo trabalhista. O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. A questão cobrou o entendimento literal da Súmula 212 do TST: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 100 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos JURISPRUDÊNCIA O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. Certo. 051. 051. (CESPE/FUNPRESP-JUD/ANALISTA – DIREITO/2016) À luz da legislação vigente em processo do trabalho e das súmulas do TST, julgue o próximo item. Os honorários do perito assistente devem ser pagos pela parte que tiver utilizado seus serviços. O perito judicial, por outro lado, será remunerado pela parte sucumbente na pretensão do objeto da perícia, salvo se beneficiária da justiça gratuita. Originalmente, a questão era certa. Após a Reforma Trabalhista, ela deve ser considerada errada, pois o beneficiário da justiça gratuita também deverá ter seus créditos abatidos para a quitação de honorários periciais, quando sucumbente na pretensão objeto da perícia. É a regra do art. 790-B, caput, da CLT: “A responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais é da parte sucumbente na pretensão objeto da perícia, ainda que beneficiária da justiça gratuita.”. Errado. 052. 052. (CESPE/FUNPRESP-EXE/ESPECIALISTA – ÁREA JURÍDICA/2016) A respeito das provas no processo do trabalho, julgue o item a seguir. Quarenta e oito horas após a postagem, presume-se recebida a notificação, cabendo à parte destinatária comprovar o não recebimento. É a regra de ônus da prova estabelecida na Súmula 16 do TST: JURISPRUDÊNCIA Presume-se recebida a notificação 48 (quarenta e oito) horas depois de sua postagem. O seu não recebimento ou a entrega após o decurso desse prazo constitui ônus de prova do destinatário. Certo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 101 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos 053. 053. (FGV/OAB/2018) Em sede de reclamação trabalhista, o autor forneceu o endereço da ré na inicial, para o qual foi expedida notificação citatória. Decorridos cinco dias da expedição da citação, não tendo havido qualquer comunicado ao juízo, houve a realização da audiência, à qual apenas compareceu o autor e seu advogado, o qual requereu a aplicação da revelia e confissão da sociedade empresária-ré. O juiz indagou ao advogado do autor o fundamento para o requerimento, já que não havia nenhuma referência à citação no processo, além da expedição da notificação. Diante disso, na qualidade de advogado do autor, à luz do texto legal da CLT, assinale a opção correta. a) Presume-se recebida a notificação 48h após ser postada, sendo o não recebimento ônus de prova do destinatário. b) A mera ausência do réu, independentemente de citado ou não, enseja revelia e confissão. c) Descabe o requerimento de revelia e confissão se não há confirmação no processo do recebimento da notificação citatória. d) O recebimento da notificação é presunção absoluta; logo, são cabíveis de plano a revelia e a confissão. Conforme a Súmula 16 do TST, JURISPRUDÊNCIA Presume-se recebida a notificação 48 (quarenta e oito) horas depois de sua postagem. O seu não recebimento ou a entrega após o decurso desse prazo constitui ônus de prova do destinatário. Ademais, a efetiva citação (notificação) do reclamado é condição de validade de todo o processo. Letra a. 054. 054. (CESPE/SEAD-SE (FPH)/PROCURADOR/2009) Uma testemunha que também esteja litigando contra a mesma empresa deve ser considerada como suspeita pelo juiz, em razão do interesse direto no resultado do feito. De acordo com a Súmula 357 do TST, JURISPRUDÊNCIA Não torna suspeita a testemunha o simples fato de estar litigando ou de ter litigado contra o mesmo empregador. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 102 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos 055. 055. (CESPE/TRT – 17ª REGIÃO(ES)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA – EXECUÇÃO DE MANDADOS/2009) A respeito dos atos, termos e prazos processuais, julgue os itens a seguir. Presume-se recebida a notificação 72 horas depois de sua postagem. O não recebimento ou a entrega após o decurso desse prazo constitui ônus de prova do destinatário. O prazo após o qual se estabelece a presunção relativa de recebimento é de 48 horas (Súmula 16 do TST). Errado. 056. 056. (VUNESP/PREFEITURA DE PIRACICABA-SP/PROCURADOR JURÍDICO/2023) Das provas no processo do trabalho, assinale a alternativa em consonância com entendimento de sumula do TST. a) O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregado. b) O pagamento de adicional de periculosidade efetuado por mera liberalidade da empresa, ainda que de forma proporcional ao tempo de exposição ao risco ou em percentual inferior ao máximo legalmente previsto, não dispensa a realização da prova técnica exigida pelo artigo 195 da CLT. c) É do empregado o ônus da prova em relação à regularidade dos depósitos do FGTS, pois o pagamento não é fato extintivo do direito do autor. d) É do empregador o ônus de comprovar que o empregado não satisfaz os requisitos indispensáveis para a concessão do vale-transporte ou não pretenda fazer uso do benefício. e) É do empregado o ônus da prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo da equiparação salarial. A questão cobra apenas os entendimentos sumulados do TST sobre ônus da prova. a) Errada. Tal ônus é do empregador (Súmula 212 do TST). b) Errada. A Súmula 453 do TST dispensa a perícia em tal hipótese. c) Errada. Tal ônus é do empregador (Súmula 461 do TST). d) Certa. É o entendimento fixado na Súmula 460 do TST. e) Errada. Tal ônus é do empregador (Súmula 6, VIII, do TST). Letra d. 057. 057. (FGV/TST/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2023) Em determinada audiência; comparece para depor uma testemunha que não falava o idioma nacional, tratando-se de idioma com pouquíssimos falantes no país. Por coincidência, dominando-o o juiz fluentemente, O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 103 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos resolve então dispensar intérprete e prosseguir com a oitiva da testemunha. O advogado da empresa insurgiu-se imediatamente contra essa decisão do juiz, dizendo que ela seria arbitrária e que as partes ficariam a depender das traduções e interpretações do juiz, sem saber se eram ou não fidedignas. Disse ainda que não participaria da audiência, se assim prosseguisse o juiz, sem nomear intérprete, e retirou-se da sala em seguida. Quanto à conduta do advogado, é correto afirmar que foi: a) errada quanto ao intérprete; b) certa quanto ao intérprete; c) errada quanto ao intérprete e abusiva quanto à saída da sala; d) certa quanto ao intérprete e também quanto à saída, para obrigar o juiz a adiar a audiência; e) errada quanto ao intérprete e prejudicial à parte que assistia. O intérprete deve ser nomeado pelo juiz dentre pessoas de sua confiança. No entanto, não pode o juiz ficar concentrado na tarefa de traduzir o teor das falas das partes ou das testemunhas, porque o acesso aos teores literais das falas e ao processo de tradução pelas partes, independentemente de atuação judicial direta, é inerente à garantia do contraditório e da ampla defesa, bem como à tutela da imparcialidade do juiz. Logo, não pode o próprio juiz realizar a tradução. Letra b. 058. 058. (VUNESP/CAMPREV-SP/PROCURADOR/2023) De acordo com as súmulas do TST, quanto a prova do direito processual trabalhista, assinale a alternativa correta. a) A prova pré-constituída nos autos pode ser levada em conta para confronto com a confissão ficta, não implicando cerceamento de defesa o indeferimento de provas posteriores. b) A vedação à produção de prova posterior pela parte confessa não se aplica somente a ela, afetando, ainda que indiretamente, o exercício, pelo magistrado, do poder/dever de conduzir o processo. c) É do empregado o ônus da prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo da equiparação salarial. d) É do empregado o ônus da prova em relação à regularidade dos depósitos do FGTS, pois o pagamento é fato extintivo de direito. e) A presunção de veracidade da jornada de trabalho, salvo se prevista em instrumento normativo, pode ser elidida por prova em contrário. a) Certa. É o entendimento fixado na Súmula 74, II, do TST. b) Errada. A vedação à produção de prova posterior pela parte confessa somente a ela se aplica, não afetando o exercício, pelo magistrado, do poder/dever de conduzir o processo (Súmula 74, III, TST). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 104 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos c) Errada. Tal ônus é do empregador (Súmula 6, VIII, do TST). d) Errada. Tal ônus é do empregador (Súmula 461 do TST). e) Errada. A presunção de veracidade da jornada de trabalho, ainda que prevista em instrumento normativo, pode ser elidida por prova em contrário (Súmula 338, II, TST). Letra a. 059. 059. (CEBRASPE/PGE-ES/PROCURADOR DO ESTADO/2023) No rito ordinário de uma ação trabalhista normal, cada uma das partes a) só poderá indicar duas testemunhas, que comparecerão à audiência de instrução e julgamento independentemente de intimação. b) não poderá indicar mais de três testemunhas, que comparecerão à audiência de instrução e julgamento independentemente de intimação. c) poderá indicar até cinco testemunhas, que comparecerão à audiência de instrução e julgamento após a devida intimação. d) poderá indicar até dez testemunhas, que comparecerão à audiência de instrução e julgamento após a devida intimação. e) não poderá indicar mais de seis testemunhas, que comparecerão à audiência de instrução e julgamento após a devida intimação. A questão limitou-se a cobrar o número máximo de testemunhas do rito ordinário: três (art. 821 da CLT). Letra b. 060. 060. (VUNESP/PRUDENCO/ADVOGADO PLENO/2022) Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo, ou ainda à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juízo atribuir o ônus da prova de modo diverso à regra geral, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Essa decisão: a) deverá ser fundamentada, proferida antes da abertura da instrução e a requerimento da parte. b) independentemente de ser fundamentada, deverá ser proferida durante a fase de instrução e a requerimento da parte. c) dispensa fundamentação, mas deverá ser proferida durante a fase de instrução, independentemente de requerimento das partes. d) não poderá implicar adiamento de audiência. e) deverá ser fundamentada, proferida até a data do julgamento, independentemente de requerimento das partes. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 105 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos A questão é limitada à cobrança do art. 818, § 2º, da CLT.Letra a. 061. 061. (FCC/TRT – 22ª REGIÃO (PI)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA/2022) Na reclamação trabalhista movida por Júlia em face de Agência de Turismo Águas Azuis Ltda., foi alegada a prestação de serviços por três meses, sem o devido registro em CTPS, pleiteando Júlia o reconhecimento de vínculo de emprego. Ainda, disse que chegou para trabalhar em uma 2ª-feira e foi informada que não mais precisavam de sua prestação de serviços no local, razão pela qual também requer a condenação da empresa no pagamento das verbas rescisórias devidas, pois nada recebeu. Na contestação apresentada, a reclamada negou que Júlia lhe tivesse prestado quaisquer serviços, não tendo direito, nesse caso, a verba rescisória, pois não houve dispensa. De acordo com a CLT e a jurisprudência sumulada do TST, a) cabe à Agência de Turismo Águas Azuis Ltda. provar que não houve prestação de serviços e que não houve a dispensa de Júlia, por vigorar, no processo do trabalho, o princípio do in dubio pro misero. b) Júlia terá que comprovar com testemunhas, documentos ou outros meios de prova a prestação de serviços para ter direito ao vínculo empregatício e registro em CTPS; outrossim, é da reclamada o ônus da prova de que não houve dispensa de Júlia e, sim, no caso de reconhecimento de vínculo empregatício, que a mesma pediu sua demissão, tendo em vista o princípio da realidade dos fatos. c) cabe a Júlia provar tanto a prestação de serviços com os requisitos para o reconhecimento de vínculo de emprego, por todos os meios de provas em direito admitidos, quanto a dispensa sem justa causa, pois são considerados fatos constitutivos do direito do autor, uma vez por ele alegados. d) o ônus de provar o término do contrato de trabalho passa a ser da reclamada, uma vez negada a prestação de serviços e o despedimento, tendo em vista o princípio da continuidade da relação de emprego, que constitui presunção favorável à empregada. e) o ônus da prova de que não houve relação de emprego passa a ser da reclamada, pois, por terem sido prestados serviços por três meses, caracteriza-se como contrato de experiência que não pode ser verbal, exigindo a lei que seja por escrito, acarretando, portanto, presunção relativa de veracidade dos fatos alegados na inicial. A resposta à questão é totalmente centralizada na Súmula 212 do TST, em iguais termos: negativa de prestação de serviços e despedimento, e princípio da continuidade da relação de emprego. Letra d. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 106 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos 062. 062. (FCC/TRT – 23ª REGIÃO (MT)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA/2022) O reclamante em determinada reclamação trabalhista arrolou como testemunha um ex- colega de trabalho que é mudo. Nessa hipótese, conforme prevê a Consolidação das Leis do Trabalho, o juiz deverá nomear intérprete a) desde que a testemunha não saiba escrever, sendo as despesas decorrentes a cargo do autor, que é quem arrolou a testemunha. b) desde que a testemunha não saiba escrever, sendo as despesas decorrentes a cargo da parte sucumbente, salvo se beneficiária da Justiça Gratuita. c) independente de a testemunha saber escrever, por força do princípio da oralidade do Processo do Trabalho, sendo as despesas decorrentes a cargo do autor, que é quem arrolou a testemunha. d) independente de a testemunha saber escrever, por força do princípio da oralidade do Processo do Trabalho, sendo as despesas decorrentes a cargo da parte sucumbente, salvo se beneficiária da Justiça Gratuita. e) desde que a testemunha não saiba escrever, sendo as despesas decorrentes a cargo da reclamada, eis que, por princípio, teria dado causa à propositura da ação. A nomeação de intérprete pode ocorrer inclusive quando se tratar de surdo-mudo, ou de mudo que não saiba escrever (art. 819, § 1º, CLT). Conforme o § 2º do mesmo artigo, “as despesas decorrentes do disposto neste artigo correrão por conta da parte sucumbente, salvo se beneficiária de justiça gratuita”. Letra b. 063. 063. (FCC/TRT – 9ª REGIÃO (PR)/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2022) Antes de ingressar na sala de audiência, o preposto da Empresa reclamada avisa seu advogado que a testemunha trazida pelo autor trabalhou na empresa por 4 anos; frequentava a casa do autor; tendo sido, inclusive, padrinho de batismo do filho do reclamante. Diante de tais fatos, o advogado da empresa reclamada poderá a) requerer, após sua qualificação e compromisso, que a testemunha seja ouvida como informante. b) requerer o adiamento da audiência para provar o impedimento da testemunha. c) contraditar a testemunha por ser amigo íntimo do autor, após sua qualificação, mas antes de prestar o compromisso legal. d) requerer a imediata prisão da testemunha pela prática de crime de falso testemunho. e) aguardar o depoimento da testemunha para, ao final, arguir seu impedimento. O art. 829 da CLT esclarece que a testemunha com contradita acolhida, inclusive por amizade íntima, não presta compromisso. Letra c. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 107 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos 064. 064. (FGV/OAB/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XLIII – PRIMEIRA FASE/2025) Em sede de reclamação trabalhista, você é advogado(a) da parte autora, um ex-empregado de uma sociedade empresária. No curso da instrução, após ser ouvida uma testemunha da ré, o advogado da parte contrária requereu a oitiva da segunda testemunha, que estava sentada dentro da sala de audiência, tendo presenciado o curso da instrução até aquele momento. Apesar da sua manifestação em sentido contrário, o Juiz deferiu a produção da prova, prosseguindo com a instrução, sendo certo que permitiu que o advogado da parte ré interrogasse diretamente a testemunha, o que causava o risco de indução de respostas. A fim de assegurar o bom curso da instrução probatória, assinale a afirmativa que apresenta a ação que você, corretamente, assumiu na defesa do interesse de seu cliente. a) Interpor reclamação correicional imediatamente, o que acarretará na suspensão da audiência. b) Interpor agravo de instrumento contra a decisão de prosseguimento na instrução, acarretando a suspensão do processo. c) Lavrar protesto quanto à presença da testemunha na sala de audiência durante a instrução, mas não há irregularidade quanto à forma de inquirição. d) Consignar protestos pela contaminação do depoimento da segunda testemunha da ré, bem como pela inquirição direta da testemunha, na primeira oportunidade de se manifestar em audiência. Consignar protestos significa manifestar-se contra possível nulidade, a fim de evitar sua preclusão. A inquirição direta da testemunha, se não impugnada, convalesce, uma vez que a nulidade dependerá de que se demonstre a decorrência de prejuízos processuais a partir dessa forma alternativa de inquirição. O advogado, portanto, deve ficar atento e manifestar-se a respeito desse ponto imediatamente. Letra d. 065. 065. (FGV/OAB/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XLIII – PRIMEIRA FASE/2025) Você, na qualidade de advogado(a) de Pedro, ajuizou reclamação trabalhista em face da indústria de calçados Guanabara. Pedro trabalhou para a sociedade empresária ré, entre os anos de 2018 e 2022, e afirma que não recebeu o 13º salário de 2021 e que trabalhava cerca de 10 horas por dia. Você ajuizou reclamaçãotrabalhista, pretendendo o pagamento do 13º salário de 2021 e as horas extras. A ex-empregadora apresentou defesa, aduzindo que pagou o 13º salário, que, conforme cartões de ponto juntados, Pedro não realizava horas extras e sua jornada estava prevista em norma coletiva da categoria. Na qualidade de advogado(a) de Pedro, você impugnou os cartões de ponto argumentando que não refletiam o real horário laborado, sendo certo que os documentos mostram horários variados de início e fim da jornada. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 108 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Acerca do ônus da prova que incumbirá ao seu cliente, de acordo com a CLT, e o entendimento jurisprudencial consolidado do TST, assinale a afirmativa correta. a) O ônus da prova do pagamento do 13º salário caberá à ré e, o das horas extras, ao autor. b) A ré deverá provar o pagamento do 13º salário, assim como a inexistência das horas extras, uma vez que os controles de ponto foram impugnados. c) Em razão da variação de horários registrada nos cartões de ponto, o ônus da prova recairá sobre a ré para as horas extras, bem como para o 13º salário, já que o pagamento é fato extintivo da obrigação. d) Dada a variação de horários, há presunção absoluta da validade da jornada indicada nos cartões de ponto, tendo a ré se desincumbido do ônus. Cabe à ré a prova do pagamento do 13º salário, por ser fato extintivo da obrigação. O art. 818 da CLT é o ponto central da questão. Como a reclamada afirmou ter feito o pagamento do 13º salário, atraiu o ônus de provar o fato extintivo (pagamento) do direito do reclamante. Por outro lado, como a reclamada juntou os cartões de ponto, cabe ao reclamante demonstrar que os horários neles consignados não refletem a verdade dos fatos. Letra a. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br Abra caminhos crie futuros gran.com.br O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. Sumário Apresentação Provas no Processo do Trabalho 1. Princípios do Direito Probatório (Direito da Prova) 2. Disposições sobre Provas na CLT 2.1. Multa à Testemunha 3. Principais Espécies de Provas Cabíveis no Processo do Trabalho 3.1. Depoimento Pessoal (Interrogatório) 3.2. Confissão 3.3. Prova Documental 3.4. Provas Testemunhal e Pericial 3.5. Inspeção Judicial 3.6. Acareação 3.7. Ata notarial 4. Incidente de Falsidade 5. Honorários Periciais 5.1. Honorários do Perito X Honorários do Intérprete 6. Súmulas e OJs do TST sobre o Conteúdo Questões de Concurso Gabarito Gabarito Comentadodas partes prove o fato. A grosso modo, não é possível curar uma doença e gerar outra. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 11 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Obs.: desincumbir-se do ônus significa nada mais que atender ao dever decorrente do ônus. Se o reclamante deve desincumbir-se do ônus de provar que foi agredido, ele estará se desincumbindo ao levar uma testemunha que presenciou a agressão. Está atendendo ao dever de prova decorrente do ônus probatório. Art. 819. O depoimento das partes e testemunhas que não souberem falar a língua nacional será feito por meio de intérprete nomeado pelo juiz ou presidente. § 1º Proceder-se-á da forma indicada neste artigo, quando se tratar de surdo-mudo, ou de mudo que não saiba escrever. § 2º As despesas decorrentes do disposto neste artigo correrão por conta da parte sucumbente, salvo se beneficiária de justiça gratuita. O intérprete é, em essência, um perito. O conhecimento técnico deste perito-intérprete, ao contrário dos outros, será destinado não à prova, mas, sim, à alegação. O intérprete será nomeado somente se não for possível à parte expor suas alegações por outro modo. Se ela for muda mas souber escrever, não será nomeado intérprete. Geralmente, os intérpretes traduzem as falas de reclamantes estrangeiros, pessoas com deficiência que se comuniquem pela Língua Brasileira de Sinais (Libras), surdos-mudos e quaisquer outras pessoas impossibilitadas de falar a língua portuguesa e/ou de escrevê-la. O ônus de pagar os honorários do perito-intérprete sofreu importantíssima modificação pela Lei n. 13.660/2018, a mais recente a alterar a CLT. Agora, tais honorários são pagos pela parte que for vencida no processo (sucumbente). Você sabe: tudo o que é muito novo, muito recente, é de altíssima probabilidade de cobrança na prova! A identificação da parte vencida obedecerá à mesma lógica empregada na determinação de pagamento das custas processuais: o reclamante é vencido se perder tudo, enquanto o reclamado é vencido de perder algum pedido. Esse ônus não existirá se a parte vencida (sucumbente) for beneficiária da justiça gratuita. Neste ponto, o legislador foi mais sutil que nos outros, relativos a custas e honorários periciais. Art. 820. As partes e testemunhas serão inquiridas pelo juiz ou presidente, podendo ser reinquiridas, por seu intermédio, a requerimento dos vogais, das partes, seus representantes ou advogados. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 12 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos A sistemática adotada no processo do trabalho para coleta de prova testemunhal chama-se Sistema Presidencial ou Sistema Indireto de coleta. É bem diferente do que se vê no processo civil, onde as partes questionam as testemunhas diretamente. No processo do trabalho, a regra é de que somente o juiz pode fazer perguntas à testemunha. O juiz faz as suas perguntas, e as partes e advogados formulam suas perguntas ao juiz, que poderá direcioná-las à testemunha com um conjunto de palavras mais acessível, sem desvirtuar o conteúdo e a finalidade da pergunta. DICA as respostas da testemunha serão transcritas na ata de audiência . logo, devem os advogados ficar muito atentos às palavras e frases inseridas na ata, para evitar futuras interpretações incorretas por parte do juiz, do assessor ou dos desembargadores e ministros em grau recursal . Art. 821. Cada uma das partes não poderá indicar mais de 3 (três) testemunhas, salvo quando se tratar de inquérito, caso em que esse número poderá ser elevado a 6 (seis). O limite de três testemunhas por parte aplica-se às reclamações trabalhistas que tramitam sob o rito ordinário. O rito sumaríssimo, criado somente no ano de 2000, comporta o máximo de duas testemunhas por parte. No inquérito judicial para apuração de falta grave – procedimento que será objeto de aula específica do nosso curso – comporta um limite máximo de seis testemunhas para cada parte. Para te ajudar a memorizar o número de testemunhas por procedimento, apresento a ilustração abaixo: Art. 822. As testemunhas não poderão sofrer qualquer desconto pelas faltas ao serviço, ocasionadas pelo seu comparecimento para depor, quando devidamente arroladas ou convocadas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 13 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos A testemunha que for empregada de alguém, ou servidora pública, não poderá sofrer desconto em sua remuneração em razão da ausência ao trabalho para comparecimento em audiência, para depor. Na prática, as testemunhas solicitam à Secretaria da Vara certidões atestando o comparecimento à audiência, com horário e data, para entregar ao empregador. Art. 823. Se a testemunha for funcionário civil ou militar, e tiver de depor em hora de serviço, será requisitada ao chefe da repartição para comparecer à audiência marcada. Servidores públicos dependem de requisito especial para poderem depor. Deve haver requisição ao superior hierárquico do servidor: aquele ao qual a testemunha estiver diretamente subordinada. Art. 824. O juiz ou presidente providenciará para que o depoimento de uma testemunha não seja ouvido pelas demais que tenham de depor no processo. As testemunhas que ainda não depuseram (ainda não falaram) não poderão ouvir o depoimento das testemunhas que prestarem o depoimento antes delas. É possível que as testemunhas que já falaram ouçam as testemunhas seguintes. O que é proibido, sob pena de nulidade, é que as testemunhas ouçam depoimentos prestados antes do seu. Isso pode fazer com que a testemunha “amolde” suas palavras para depor, e a finalidade do processo do trabalho é buscar a verdade real. Art. 825. As testemunhas comparecerão a audiência independentemente de notificação ou intimação. Parágrafo único. As que não comparecerem serão intimadas, ex officio ou a requerimento da parte, ficando sujeitas a condução coercitiva, além das penalidades do art. 730, caso, sem motivo justificado, não atendam à intimação. Estudamos a regra de intimação e condução coercitiva das testemunhas na aula sobre os Dissídios Individuais, onde tratamos a diferença entre procedimentos. Abaixo, apresentarei a ilustração dada em tal aula: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 14 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Art. 826. É facultado a cada uma das partes apresentar um perito ou técnico. Art. 827. O juiz ou presidente poderá arguir os peritos compromissados ou os técnicos, e rubricará, para ser junto ao processo, o laudo que os primeiros tiverem apresentado. Cuidado: os artigos 826 e 827 estão eivados de lacunas ontológicas e axiológicas diante da nova sistemática do direitoprocessual. Explicarei o sentido que você deve extrair deles para sua prova. Na verdade, as partes não indicam “peritos” propriamente ditos. Os peritos são nomeados só e exclusivamente pelo juiz. O que as partes podem fazer é indicar Assistentes Técnicos. O assistente técnico é uma pessoa com conhecimento técnico na área relativa à matéria objeto da perícia. EXEMPLO Em caso de perícia médica para avaliar a (in)existência de doença ocupacional, o perito será um médico especialista na área da doença. Logo, o assistente técnico também deverá ser um médico especialista na área da doença. O perito do juízo deve ser imparcial. O assistente técnico, no entanto, tem a função de auxiliar a parte que o contratou, acompanhando a realização da perícia, questionando os métodos do perito e seus resultados, de modo a poder elaborar parecer técnico que possa, também, influenciar o convencimento do magistrado. Art. 828. Toda testemunha, antes de prestar o compromisso legal, será qualificada, indicando o nome, nacionalidade, profissão, idade, residência, e, quando empregada, o tempo de serviço prestado ao empregador, ficando sujeita, em caso de falsidade, às leis penais. Parágrafo único. Os depoimentos das testemunhas serão resumidos, por ocasião da audiência, pelo secretário da Junta ou funcionário para esse fim designado, devendo a súmula ser assinada pelo Presidente do Tribunal e pelos depoentes. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 15 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Art. 829. A testemunha que for parente até o terceiro grau civil, amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes, não prestará compromisso, e seu depoimento valerá como simples informação. A prova testemunhal, para ter este status, deve consistir em depoimento de pessoa qualificada e compromissada. A qualificação consiste na indicação de: • Nome; • Nacionalidade; • Profissão; • Idade; • Residência; • Tempo de serviço prestado ao empregador, se for empregado(a). O compromisso prestado pela testemunha é a concordância com o dever de dizer somente a verdade, sob pena de responsabilidade criminal (art. 458 do CPC). Concordando com esta condição, a pessoa poderá depor como testemunha, e seu depoimento terá status de prova testemunhal. Aplicam-se subsidiariamente ao processo do trabalho as normas do CPC que classificam as testemunhas impedidas, incapazes e suspeitas. Veja o que dispõem os §§ 1º a 3º do art. 447 do CPC: § 1º São incapazes: I – o interdito por enfermidade ou deficiência mental; II – o que, acometido por enfermidade ou retardamento mental, ao tempo em que ocorreram os fatos, não podia discerni-los, ou, ao tempo em que deve depor, não está habilitado a transmitir as percepções; III – o que tiver menos de 16 (dezesseis) anos; IV – o cego e o surdo, quando a ciência do fato depender dos sentidos que lhes faltam. § 2º São impedidos: I – o cônjuge, o companheiro, o ascendente e o descendente em qualquer grau e o colateral, até o terceiro grau, de alguma das partes, por consanguinidade ou afinidade, salvo se o exigir o interesse público ou, tratando-se de causa relativa ao estado da pessoa, não se puder obter de outro modo a prova que o juiz repute necessária ao julgamento do mérito; II – o que é parte na causa; III – o que intervém em nome de uma parte, como o tutor, o representante legal da pessoa jurídica, o juiz, o advogado e outros que assistam ou tenham assistido as partes. § 3º São suspeitos: I – o inimigo da parte ou o seu amigo íntimo; II – o que tiver interesse no litígio. Conhecendo a listagem acima (impedidos, suspeitos e incapazes de atuar como testemunha), já podemos estudar a figura do INFORMANTE. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 16 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos O art. 829 da CLT cita alguns sujeitos que, presumidamente, não são destinatários da confiança do juiz, em razão de não haver garantia de imparcialidade por parte deles. Tais sujeitos são: • Amigo íntimo de alguma das partes; • Inimigo de alguma das partes; • Parente de até 3º grau civil de alguma das partes (pai, mãe, irmão, tio, sobrinho, avô/avó, bisavô/bisavó). O depoimento prestado pelos sujeitos da lista acima não tem status de prova testemunhal: tem natureza de “simples informação”, que nada mais é que um conjunto de notícias dadas ao juiz, sem compromisso de que o depoente diga a verdade. Logo, se o depoente mentir, ele não cometerá crime de falso testemunho. Esta é a figura do informante. Sempre que a testemunha trazida por uma parte for vista pela parte contrária como impedida, suspeita ou incapaz, a parte contrária poderá CONTRADITAR essa testemunha. A contradita consiste na acusação de que a pessoa trazida para depor não detém os requisitos legais para ser testemunha. Ao contraditar, a parte que contradita deve demonstrar a causa de impedimento, suspeição ou incapacidade para depor como testemunha (amizade, parentesco, troca de favores, debilidade mental etc.). O momento processual oportuno para a realização da contradita é no momento da qualificação da testemunha, de acordo com interpretação sistemática do art. 457, § 1º, do CPC, que trata da contradita no artigo referente à qualificação. O juiz pode, livremente, formar seu convencimento. A informação também é um elemento probatório. A diferença é que a simples informação não tem status de prova testemunhal, que em tese é colhida com maior rigidez e com advertência de responsabilização penal, o que torna o depoimento presumidamente mais fidedigno. De qualquer modo, o juiz pode dar o valor que pareça merecer a informação prestada pelo informante (art. 447, § 5º, CPC – citado abaixo). Além dos sujeitos listados no art. 829 da CLT, também poderão depor como meros informantes os sujeitos impedidos, suspeitos e os menores assim classificados pelo art. 447 do CPC. Veja o que dizem os §§ 4º e 5º do art. 447 do CPC: § 4º Sendo necessário, pode o juiz admitir o depoimento das testemunhas menores, impedidas ou suspeitas. § 5º Os depoimentos referidos no § 4º serão prestados independentemente de compromisso, e o juiz lhes atribuirá o valor que possam merecer. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 17 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Não caia numa pegadinha da banca: o informante, de acordo com o CPC, é o sujeito impedido ou suspeito para depor como testemunha, além dos menores. Os menores são uma parte dos sujeitos incapazes de depor como testemunha. Logo, estaria errada eventual afirmação de que o juiz pode ouvir os “incapazes” (genericamente”) como informantes, pois os demais incapazes têm essa condição justamente por não ser possível que eles falem com clareza (surdo-mudo, doente mental, pessoa sem discernimento, pessoa sem sentido corporal do qual dependa a narração do fato). Art. 830. O documento em cópia oferecido para prova poderá ser declarado autêntico pelo próprio advogado, sob sua responsabilidade pessoal. Parágrafo único. Impugnada a autenticidadeda cópia, a parte que a produziu será intimada para apresentar cópias devidamente autenticadas ou o original, cabendo ao serventuário competente proceder à conferência e certificar a conformidade entre esses documentos. A princípio, a autenticação de cópias de documentos pode ser feita pelo próprio advogado, sem necessidade de mais formalidades. O advogado, dessa forma, responderá pessoalmente em caso de falsidade, fraude e/ou má-fé. Se a parte contrária levantar a hipótese de a cópia não reproduzir fielmente o conteúdo do documento original, a parte que produziu a cópia será intimada para apresentar o documento original ou, ainda, outra cópia devidamente autenticada. Nesse caso, o servidor que verificar a juntada do segundo documento (original ou autenticado) conferirá se, de fato, a cópia representa fielmente o conteúdo do documento original, comparando-os. Em seguida, estudaremos o incidente de falsidade documental, regrado pelo CPC, cujo procedimento aplica-se subsidiariamente ao processo do trabalho. 2 .1 . MulTa À TesTeMuNha2 .1 . MulTa À TesTeMuNha A Reforma Trabalhista teve outra novidade: a mesma multa estabelecida aos litigantes de má-fé pode ser aplicada às testemunhas, em determinadas situações. Tal multa é de 1% a 10% sobre o valor corrigido da causa. Abaixo, apresentarei as considerações feitas na aula sobre Nulidades a respeito desse novo instituto. Art. 793-D. Aplica-se a multa prevista no art. 793-C desta Consolidação à testemunha que intencionalmente alterar a verdade dos fatos ou omitir fatos essenciais ao julgamento da causa. Este artigo não trata, propriamente, de litigância de má-fé, pois a testemunha não é litigante, embora o ato por ela praticado seja de má-fé. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 18 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Conforme Nery Junior, alteração da verdade dos fatos pode ser implementada de três modos: • 1) afirmação de fato que não existe • 2) negação de fato que existiu • 3) atribuição de versão falsa a um fato verdadeiro. As condutas da testemunha que possam legitimar a imposição de multa a ela só serão verificadas se o juiz, inequivocamente, provocá-la a falar sobre o ponto e, no exato ponto, ela omitir a verdade ou alterá-la, de qualquer das formas listadas acima. Exemplos: Paula bateu em Joana, e a testemunha diz que Paula não bateu em Joana (2); Jorge nunca dialogou com Sandro, e a testemunha diz que Jorge ameaçou a vida de Sandro com palavras ofensivas (1); Keila agride Maria sem motivos, e a testemunha diz que Keila defendeu-se de iminente agressão de Maria (3). Portanto, a multa de valor superior a 1% e inferior a 10% do valor corrigido da causa pode ser aplicada à testemunha nas hipóteses do artigo comentado, como indenização à parte prejudicada. Sobre a multa aplicada à testemunha, o TST estabeleceu uma norma específica no art. 10, parágrafo único, da Instrução Normativa n. 41 de 2018: Após a colheita da prova oral, a aplicação de multa à testemunha dar-se-á na sentença e será precedida de instauração de incidente mediante o qual o juiz indicará o ponto ou os pontos controvertidos no depoimento, assegurados o contraditório, a defesa, com os meios a ela inerentes, além de possibilitar a retratação. O juiz não poderá aplicar a multa à testemunha de forma arbitrária e indiscriminada. Ele deverá instaurar um incidente intraprocessual, destinado a esclarecer se a testemunha de fato alterou a verdade ou a omitiu-se sobre pontos essenciais. Nesse incidente, o juiz deve ser claro quanto aos pontos do depoimento que causam dúvida, a fim de que a testemunha possa esclarecer o ponto (exercendo contraditório e ampla defesa), podendo, se for o caso, retratar-se e desse modo evitar a aplicação da multa. O juiz não pode aplicar a multa na audiência, nem em decisão interlocutória posterior. Deverá aplicá-la, se for o caso, na sentença definitiva. Parágrafo único. A execução da multa prevista neste artigo dar-se-á nos mesmos autos. Não haverá cobrança da multa em autos apartados. Nos autos do mesmo processo em que foi colhido o depoimento desonesto, será feita a execução da multa contra a testemunha responsável por ele. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 19 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos 3. PRINCIPAIS ESPÉCIES DE PROVAS CABÍVEIS NO 3. PRINCIPAIS ESPÉCIES DE PROVAS CABÍVEIS NO Processo Do TrabalhoProcesso Do Trabalho Neste título, apresentarei conceituações e considerações importantes sobre cada espécie de prova admitida no processo do trabalho. Como já vimos ao abordar o Princípio da Licitude e da Probidade da Prova, pode ser utilizado qualquer meio de prova para provar os fatos alegados, desde que seja, no mínimo, moralmente legítimo. Portanto, os meios de prova de possível utilização não se esgotam no texto legal (meios legais de prova não são taxativos). Neste título da aula, abordarei os meios de prova previstos em lei, quer na CLT, quer no CPC (apenas disposições aplicáveis ao processo do trabalho), mediante comentários a cada um deles. No título anterior da aula (n. 2), foram abordadas as disposições da CLT sobre as provas no processo do trabalho. Neste título, tratarei algumas peculiaridades de relevância para as questões de processo do trabalho que não se encontram no texto da CLT a respeito de cada espécie de prova. 3.1. DEPOIMENTO PESSOAL (INTERROGATÓRIO)3.1. DEPOIMENTO PESSOAL (INTERROGATÓRIO) A figura propriamente chamada de “interrogatório” não é prevista no CPC, mas é mencionada na CLT, como vimos anteriormente. Essa palavra aproxima-se muito do sentido penalista. Hoje, o “interrogatório” é regrado pela sistemática do depoimento pessoal, em conformidade com o CPC. O depoimento pessoal é uma prova que tem por principal finalidade a obtenção de confissão da pessoa que depõe. Esta pessoa, em qualquer caso, será uma das partes do processo (reclamante ou reclamado). Se o depoente for pessoa estranha ao processo, ela será informante ou testemunha, a depender do caso. Por esse motivo, quem pode requerer o depoimento pessoal de alguém é a parte contrária ou o juiz (art. 385 do CPC). Obs.: Não faz nenhum sentido a parte requerer o próprio depoimento pessoal, pois a única consequência possível do seu depoimento é a ocorrência de confissão, que é algo negativo ao próprio depoente. Já estudamos que, no processo do trabalho, o momento processual próprio para produção de todas as provas, em regra, é a audiência de instrução, mesmo que as provas não tenham sido requeridas previamente. Portanto, o requerimento de depoimento pessoal da parte contrária (ou de qualquer das partes pelo juiz) geralmente ocorre na própria audiência. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 20 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Conforme o art. 385, § 1º, do CPC, a parte que se recusar a depor sobre os fatos por ela narrados na petição inicial incidirá na pena de confissão. No momento de falarmos especificamente da confissãocomo espécie de prova, diferenciaremos as subespécies de confissão. Há alguns fatos sobre os quais a parte não tem a obrigação de depor. Logo, nesses casos, a pena de confissão não será aplicável. Veja o que diz o art. 388 do CPC: Art. 388. A parte não é obrigada a depor sobre fatos: I – criminosos ou torpes que lhe forem imputados; II – a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo; III – acerca dos quais não possa responder sem desonra própria, de seu cônjuge, de seu companheiro ou de parente em grau sucessível; IV – que coloquem em perigo a vida do depoente ou das pessoas referidas no inciso III. 3 .2 . coNFissÃo3 .2 . coNFissÃo De acordo com o art. 389 do CPC, ocorre confissão quando a parte admite a verdade de fato contrário ao seu interesse e favorável ao do adversário. Quanto à essência, a confissão pode ser real ou ficta. A confissão ficta é a que já estudamos em outras aulas: a parte deixa de comparecer à audiência de instrução, ou perde o momento processual oportuno para se manifestar sobre algo, ciente da pena de confissão. Logo, a ausência de manifestação, nesses casos, pode implicar confissão ficta. Essa espécie de confissão é aquela que não ocorre materialmente, mas é presumida. A confissão real, por sua vez, é aquela que ocorre materialmente. Exemplo: reclamante alega que trabalhou em horas extras, mas, ao ser interrogado pelo juiz, afirma que sua jornada era de oito horas diárias e, no final do depoimento, afirma que nunca trabalhou mais que oito horas por dia. Há uma grande diferença em relação à presunção de veracidade dos fatos decorrente da confissão real e da confissão ficta. Na confissão real, a pessoa que confessa está afirmando, sem coações ou vícios, que um fato contrário ao seu interesse é verdadeiro. Logo, há presunção absoluta de veracidade do fato confessado. Já na confissão ficta, a pessoa nada diz e nada demonstra. Logo, essa confissão constitui uma presunção relativa de veracidade, que admite prova em contrário (inclusive provas pré-constituídas, conforme diz a Súmula 74 do TST). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 21 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Jamais confunda revelia com confissão. Revelia é a falta de defesa (não apresentação de contestação). Confissão é a afirmação, de forma real ou presumida (ficta), de fato favorável à parte contrária e desfavorável à pessoa que confessa. A confissão é irrevogável. Isso significa que a parte que confessou não pode simplesmente pedir para que o juiz desconsidere esta prova. Todavia, a confissão pode ser anulada, se decorreu de erro de fato ou de coação. A confissão, também, é indivisível. Isso quer dizer que os termos da confissão não podem ser divididos de modo que se possa utilizar parte da confissão para beneficiar uma das partes, desconsiderando-se a parte restante. A confissão deve ser considerada no seu todo (art. 395 do CPC). Apesar de ser indivisível, a confissão é relativamente cindível. A cisão da confissão ocorre quanto a parte, embora confesse algo que lhe é desfavorável, acrescenta ao fato confessado algum fato novo que possa ser usado como argumento de defesa. Exemplo: empregado confessa que bateu em um colega, mas narra fatos que, se confirmados, podem configurar o exercício de legítima defesa. Essa “cisão” significa que a parte, mesmo tendo confessado certo fato, não será impedida de produzir novas provas relativamente a tal fato. Isso é importante de ser destacado porque, em regra, a confissão impediria a parte confessa de produzir novas provas sobre o fato confessado, visto que a confissão por si só já é uma prova. A confissão é um efeito que pode decorrer da revelia, esta que consiste na ausência de defesa. Todavia, em alguns casos específicos, a revelia não produzirá confissão. Veja, abaixo, as considerações feitas na aula sobre as Audiências, onde o tema foi tratado com profundidade: Art. 844, § 4º A revelia não produz o efeito mencionado no caput deste artigo se: I – havendo pluralidade de reclamados, algum deles contestar a ação; II – o litígio versar sobre direitos indisponíveis; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 22 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos III – a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova do ato; IV – as alegações de fato formuladas pelo reclamante forem inverossímeis ou estiverem em contradição com prova constante dos autos. O referido efeito é a confissão quanto à matéria de fato, isto é, a presunção de que todos os fatos alegados pela parte contrária são verdadeiros. Nos casos desses quatro incisos, embora de fato ocorra revelia (ausência de defesa), não ocorre confissão. A consequência disso é que o reclamante deve, de qualquer modo, comprovar os fatos que alegou, sem poder invocar a confissão a seu favor. Isso porque, nesses quatro casos, não existirá confissão. Abaixo, apresentarei um exemplo prático para cada inciso: EXEMPLO Inciso I: O reclamante Pedro ajuíza ação trabalhista contra a empresa prestadora de serviços a terceiros HGF Terceirizações Ltda e, também, contra a empresa QW, tomadora dos serviços terceirizados. Pedro busca cobrar as verbas trabalhistas da sua empregadora (HGF), mas pretende o reconhecimento da responsabilidade subsidiária da empresa QW, pelas verbas devidas em relação ao período em que prestou serviços em suas dependências. Nesse caso, se a empresa HGF oferecer contestação, mesmo que a empresa QW não conteste, esta, embora seja revel, não será confessa quanto à matéria de fato. Inciso II: A empresa Pão Bom ajuíza ação de consignação em pagamento alegando que assinou a CTPS do trabalhador, com datas de entrada e saída da empresa, mas o trabalhador, no término do contrato, recusou-se a receber suas verbas rescisórias, razão que levou a empresa a ajuizar a ação consignatória. Nesse caso, se o trabalhador for revel, a confissão não incidirá sobre a alegação de que sua CTPS teria sido assinada. Nada impede que o trabalhador, posteriormente, alegue o contrário e prove. Os direitos trabalhistas são conceitualmente indisponíveis. Contudo, o fato de a revelia não produzir confissão quando a causa versa sobre direitos indisponíveis diz respeito à indisponibilidade do direito pelo sujeito revel, e não pelo autor. Os direitos trabalhistas indisponíveis, a ponto de evitar os efeitos de confissão, são aqueles absolutamente indisponíveis. Os direitos trabalhistas de natureza pecuniária (patrimonial), como salário, férias, 13º salário e aviso prévio, são indisponíveis no sentido de serem irrenunciáveis no curso do contrato de trabalho. Não significa que eventual acordo em audiência não possa reduzir suas importâncias. Assinatura em CTPS é um exemplo de direito absolutamente indisponível do trabalhador. Outros exemplos são as normas de saúde, higiene e segurança do trabalho, recolhimento de contribuições previdenciárias, normas de proteção ao trabalho da mulher e do menor, dentre outros. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br23 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Inciso III: João impetra mandado de segurança contra o órgão local integrante da estrutura do Ministério governamental responsável pela pasta trabalhista, por ter negado a expedição de certidão requerida em processo administrativo. João alega ter cópia da decisão denegatória, mas não junta ao processo tal cópia. Se essa falta passar despercebida pelo juiz e a União for revel, não serão produzidos efeitos da confissão, pois, nesse caso, a lei obriga o sujeito a apresentar, juntamente com a petição inicial, o documento comprobatório da violação de direito líquido e certo (art. 6º da Lei n. 12.016/2009). Inciso IV: 1) Marcos ajuíza ação trabalhista contra seu empregador, Farias ME, pedindo horas extras, pois o empregador teria ordenado que Marcos fosse à Lua e voltasse, e Marcos fez o que o empregador pediu, e essa tarefa durou mais que 8 horas no dia (fato inverossímil). 2) Cláudio postula o pagamento de saldo de salário, que não teria sido pago, mas acidentalmente junta aos autos comprovante bancário que atesta o pagamento dessa verba. Nesses dois casos, os efeitos de confissão não serão produzidos, ainda que o reclamado não apresente defesa. Para lembrar (importante): Na aula sobre a ação rescisória no processo do trabalho, cito que a revelia não produz confissão na ação rescisória. Esta regra está na Súmula 398 do TST: “Na ação rescisória, o que se ataca é a decisão, ato oficial do Estado, acobertado pelo manto da coisa julgada. Assim, e considerando que a coisa julgada envolve questão de ordem pública, a revelia não produz confissão na ação rescisória.” A proteção à coisa julgada não se enquadraria em quaisquer dos incisos do artigo ora em comento. A coisa julgada não é um direito, mas sim uma garantia fundamental corporificada no art. 5º da Constituição Federal. A lógica disso está no seguinte pressuposto lógico: não há como alguém confessar que outra pessoa fez algo. Se a decisão judicial é um “ato oficial do Estado”, não pode o réu da ação rescisória “confessar” que a decisão judicial é viciada por qualquer razão. No último título desta aula, apresentarei comentários à Súmula 74 do TST, de extrema importância para entender o tema da confissão no processo do trabalho. 3.3. PROVA DOCUMENTAL3.3. PROVA DOCUMENTAL O documento é uma prova de abrangência mais ampla do que parece. Ao lermos “prova documental” imaginamos, normalmente, o papel, o documento escrito. Todavia, no processo, a prova documental pode ser desde o documento escrito propriamente dito até vídeos, áudios, fotografias, desenhos, livros, anotações informais etc. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 24 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos De acordo com Amauri Mascaro do Nascimento, a prova documental é apta a provar a existência de um fato. Todavia, essa prova deve ser sempre tratada com cuidado, pois o empregado, na maioria das vezes, não possui documentos comprobatórios de suas alegações e o empregador, ao longo do contrato, tem condições de obter assinaturas de empregados de maneira discreta e sem dificuldades, ante a hipossuficiência do empregado. Nesse contexto, costuma-se lembrar do princípio de direito do trabalho chamado “Primazia da Realidade”: fatos devidamente comprovados prevalecem sobre registros de documentos. Consoante o art. 422 do CPC, qualquer reprodução mecânica, como a fotográfica, a cinematográfica, a fonográfica ou de outra espécie, tem aptidão para fazer prova dos fatos ou das coisas representadas. Conforme Mauro Schiavi, os documentos trabalhistas mais típicos são a CTPS, os cartões de ponto e os recibos de quitação de salários e verbas rescisórias (holerites e TRCT – Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho). 3 .3 .1 . oPorTuNiDaDe De JuNTaDa Dos DocuMeNTos De acordo com o texto do art. 787 da CLT, os documentos que o reclamante tiver consigo devem ser apresentados juntamente com a reclamação trabalhista, quando de seu ajuizamento. Quando aos documentos do reclamado, segundo o art. 845 da CLT, a apresentação deve ocorrer até o momento da audiência, juntamente com a defesa. Esses momentos processuais parecem muito isolados, não é mesmo? Em razão disso, há divergência jurisprudencial no sentido de os documentos poderem ser apresentados até o término da instrução processual. Atualmente, prevalece o entendimento de que todos os documentos relevantes para a prova dos fatos podem ser juntados até o fim da instrução processual. Referência de entendimento: TST – Recurso de Revista 51500-48.2008.5.03.0089. Esse entendimento funda-se na premissa de que os atos processuais se concentram em audiência (em regra) e que as provas devem ser nela apresentadas mesmo que não requeridas previamente. Para sua prova, leve as seguintes informações, escolhendo sua resposta de acordo com o que o enunciado da questão pedir: • Conforme a CLT: o reclamante deve apresentar seus documentos juntamente com a petição inicial, e o reclamado deve apresentar os seus até a primeira audiência, com a defesa. • Conforme o TST: documentos podem ser apresentados pelas partes até o fim da instrução processual, desde que não exista fato que impeça essa apresentação (confissão, renúncia etc.). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 25 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Os documentos juntados ao processo nem sempre precisam ser originais. O art. 425 do CPC diz: Art. 425. Fazem a mesma prova que os originais: I – as certidões textuais de qualquer peça dos autos, do protocolo das audiências ou de outro livro a cargo do escrivão ou do chefe de secretaria, se extraídas por ele ou sob sua vigilância e por ele subscritas; II – os traslados e as certidões extraídas por oficial público de instrumentos ou documentos lançados em suas notas; III – as reproduções dos documentos públicos, desde que autenticadas por oficial público ou conferidas em cartório com os respectivos originais; IV – as cópias reprográficas de peças do próprio processo judicial declaradas autênticas pelo advogado, sob sua responsabilidade pessoal, se não lhes for impugnada a autenticidade; V – os extratos digitais de bancos de dados públicos e privados, desde que atestado pelo seu emitente, sob as penas da lei, que as informações conferem com o que consta na origem; VI – as reproduções digitalizadas de qualquer documento público ou particular, quando juntadas aos autos pelos órgãos da justiça e seus auxiliares, pelo Ministério Público e seus auxiliares, pela Defensoria Pública e seus auxiliares, pelas procuradorias, pelas repartições públicas em geral e por advogados, ressalvada a alegação motivada e fundamentada de adulteração. Se a parte contrária duvidar da autenticidade da cópia, ela deverá alegar, e a parte que produziu a cópia deverá comprovar a autenticidade, apresentando cópia autenticada ou o documento original. Sobre isso, tratamos no título anterior da aula. 3.4. PROVAS TESTEMUNHAL E PERICIAL3.4. PROVAS TESTEMUNHAL E PERICIAL Os pontos de relevância para as questões de direito processual do trabalho no que se refere às provas testemunhal e pericial já foram abordados no título n. 2 desta aula, para o qual remeto. Quanto ao tema dos honorários periciais, remeto aotítulo n. 5. 3 .5 . iNsPeÇÃo JuDicial3 .5 . iNsPeÇÃo JuDicial A inspeção judicial é estruturada nos seguintes artigos do CPC: Art. 481. O juiz, de ofício ou a requerimento da parte, pode, em qualquer fase do processo, inspecionar pessoas ou coisas, a fim de se esclarecer sobre fato que interesse à decisão da causa. Art. 482. Ao realizar a inspeção, o juiz poderá ser assistido por um ou mais peritos. Art. 483. O juiz irá ao local onde se encontre a pessoa ou a coisa quando: I – julgar necessário para a melhor verificação ou interpretação dos fatos que deva observar; II – a coisa não puder ser apresentada em juízo sem consideráveis despesas ou graves dificuldades; III – determinar a reconstituição dos fatos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 26 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos Parágrafo único. As partes têm sempre direito a assistir à inspeção, prestando esclarecimentos e fazendo observações que considerem de interesse para a causa. Art. 484. Concluída a diligência, o juiz mandará lavrar auto circunstanciado, mencionando nele tudo quanto for útil ao julgamento da causa. Parágrafo único. O auto poderá ser instruído com desenho, gráfico ou fotografia. Basicamente, a inspeção judicial consiste na visita do juiz a alguém ou a algum lugar específico, para certificar-se de condições ou circunstâncias relevantes para a decisão da causa. Na Justiça do Trabalho, a inspeção judicial é mais comum em ações civis públicas e ações coletivas, quando normalmente o direito pleiteado tem relação com ambientes de trabalho. Em reclamações individuais, é muito rara a inspeção judicial e, quando ocorre, é em reclamações plúrimas, na maior parte das vezes. 3 .6 . acareaÇÃo3 .6 . acareaÇÃo A acareação não é propriamente uma espécie de prova, mas tratarei dela em tópico específico da aula em busca de maior organização. Você sabe que as testemunhas não devem ouvir o depoimento daquelas que depuserem antes delas, correto? Veja: é possível que testemunhas diferentes contem histórias totalmente distintas. Nesse caso, o juiz pode promover a acareação entre as testemunhas: colocá-las frente a frente, para esclarecer o ponto que ficou contraditório e/ou confuso, na visão do juiz. A acareação também pode ser usada para pôr frente a frente testemunha e parte que depôs (depoimento pessoal). Todas as pessoas que prestarem depoimento no processo e disserem coisas contraditórias e ilógicas entre si poderão ser sujeitas a acareação. Veja o que dispõe o art. 461, inciso II, do CPC: Art. 461. O juiz pode ordenar, de ofício ou a requerimento da parte: (...) II – a acareação de 2 (duas) ou mais testemunhas ou de alguma delas com a parte, quando, sobre fato determinado que possa influir na decisão da causa, divergirem as suas declarações. § 1º Os acareados serão reperguntados para que expliquem os pontos de divergência, reduzindo- se a termo o ato de acareação. 3 .7 . aTa NoTarial3 .7 . aTa NoTarial A ata notarial é uma espécie de prova que, no CPC, é estruturada por um único artigo: Art. 384: A existência e o modo de existir de algum fato podem ser atestados ou documentados, a requerimento do interessado, mediante ata lavrada por tabelião. Parágrafo único. Dados representados por imagem ou som gravados em arquivos eletrônicos poderão constar da ata notarial. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 27 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos A ata notarial nada mais é que um documento público que enuncia fatos alegados pelo interessado. No processo do trabalho, é pouco comum o uso de atas notariais como provas, em razão do princípio da Primazia da Realidade e da Busca da Verdade Real (fatos preponderam sobre documentos, desde que comprovados). Portanto, o custo da produção de uma ata notarial para a parte não é vantajoso, tendo em vista a possibilidade de a testemunha influenciar muito mais no convencimento do juiz do que uma ata escrita por tabelião, que pouco contribui para a prova de que o fato alegado é verídico. 4 . iNciDeNTe De FalsiDaDe4 . iNciDeNTe De FalsiDaDe O incidente de falsidade, tratado no CPC como Procedimento de Arguição de Falsidade (artigos 430 a 433), é o procedimento a ser seguido quando alguma das partes alega que o documento oferecido pela outra foi adulterado, ou, ainda, que o documento é integralmente inventado ou falsificado. No processo do trabalho, as partes devem se manifestar sobre os documentos apresentados pela parte contrária até o momento da instrução processual, ou durante ela, que ocorre na audiência de instrução (rito ordinário) ou na audiência una (rito sumaríssimo). No entanto, às vezes, a aferição da legitimidade do documento pode depender de análises mais complexas, inclusive envolvendo perícia, como a grafotécnica (comparação de assinaturas). Para esses casos de maior complexidade, aplica-se o procedimento de arguição de falsidade previsto no CPC. De acordo com Sérgio Pinto Martins, o incidente de falsidade provoca a suspensão do processo. Quanto ao momento processual para a instauração do incidente, o referido autor faz a seguinte diferenciação: • 1) Se for instaurado antes do término da instrução, o incidente tramitará nos mesmos autos da reclamação trabalhista • 2) Se for instaurado DEPOIS de encerrada a instrução processual, o incidente deverá tramitar em autos apartados/separados. Como dito, em regra, as manifestações sobre os documentos devem ocorrer até o término da instrução. Todavia, o incidente de falsidade envolve justamente casos mais complexos, que requerem atenção mais prolongada. Abaixo, farei considerações individualizadas a cada artigo desse procedimento: Art. 430. A falsidade deve ser suscitada na contestação, na réplica ou no prazo de 15 (quinze) dias, contado a partir da intimação da juntada do documento aos autos. Parágrafo único. Uma vez arguida, a falsidade será resolvida como questão incidental, salvo se a parte requerer que o juiz a decida como questão principal, nos termos do inciso II do art. 19. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 28 de 109gran.com.br DireiTo Processual Do Trabalho Provas no Processo do Trabalho Gustavo Deitos O momento oportuno para suscitar a falsidade de um documento, de acordo com este artigo, pode parecer de difícil encaixe no processo do trabalho. A fim de encontrar equilíbrio, para que o incidente seja proveitoso no processo do trabalho, é válido considerar os argumentos de Wagner Giglio, que diz o seguinte: (...) a reclamada não toma necessariamente ciência dos documentos que informam a petição inicial da ação principal, senão em audiência quando deve apresentar a resposta, porque não há obrigatoriedade de fornecê-los em duplicata, nem mesmo de mencioná-los, na peça vestibular [petição inicial – acréscimo do professor]. Partindo do raciocínio acima, Giglio sugere que, em qualquer caso, após a alegação de falsidade documental, a parte contrária (responsável pela apresentação do documento) deve ter o prazo legal (15 dias) para se manifestar sobre o incidente de falsidade.