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1 
 
JUÍZO DE DIREITO DA __VARA FAMÍLIA DA COMARCA DE 
FLORIANÓPOLIS/SC 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CARLOS SOUTO, nacionalidade, casado, profissão, portador da carteira 
de identidade nº XXX, expedida pelo órgão expedidor/UF, inscrito no CPF sob o nº 
XXX, residente e domiciliado em Florianópolis/SC, telefone: XXX, possuidor do 
endereço eletrônico: XXX, vem, por seu advogado(a) que a este subscreve, com 
endereço laboral na Rodovia/Estrada/Av./Viela/Rua XXX, nº XXX, bairro XXX, 
cidade/UF, CEP: XXX, telefone: XXX, possuidor(a) do endereço eletrônico: XXX, 
devidamente constituído(a) consoante procuração anexa, perante Vossa Excelência, 
com fulcro nas disposições do artigo 1.550, III do Código Civil, bem como nos demais 
dispositivos legais pertinentes, ajuizar a presente 
 
AÇÃO DE ANULAÇÃO DE CASAMENTO 
 
em face de CAROLINA RUMES SOUTO, nacionalidade, casada, profissão, portadora 
da carteira de identidade nº XXX, expedida pelo órgão expedidor/UF, inscrita no CPF 
sob o nº XXX, residente e domiciliada em Florianópolis/SC, telefone: XXX, possuidora 
do endereço eletrônico XXX, pelos fatos e fundamentos que passa a aduzir. 
 
 
2 
 
1. DA COMPETÊNCIA PROCESSUAL 
 
Insta aduzir que o último domicílio do casal foi na cidade de 
Florianópolis/SC, nesse sentido o foro competente para a propositura da presente ação 
é o domicílio desta cidade, tendo em vista que dessa união não adveio filhos, conforme 
previsto no Art. 53 inciso I, alínea “b”, da Lei 13.105/2015, in verbis: 
 
“Art. 53. É competente o foro: 
I - para a ação de divórcio, separação, anulação de casamento e reconhecimento 
ou dissolução de união estável: 
b) do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz;” 
 
2. DO RECOHIMENTO DAS CUSTAS PROCESSUAIS 
 
Aduz registrar que a parte autora junta à exordial o comprovante de 
recolhimento das custas e quitação das despesas de ingresso da ação, documento 
anexo. 
 
3. DA OPÇÃO PELA REALIZAÇÃO OU NÃO DE AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO 
 
Cumpre informar que o autor opta pela realização de audiência de 
conciliação ou mediação na forma do artigo 319, VII do NCPC. 
 
4. DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA 
 
Inicialmente, afirma ser pessoa necessitada (ou em situação de 
vulnerabilidade), com insuficiência de recursos para pagar a taxa judiciária, as custas, 
as despesas processuais e os honorários advocatícios, na forma do artigo 5º, LXXIV da 
Constituição Federal e do artigo 98 do Código de Processo Civil sem prejuízo do 
sustento próprio ou da família, motivo pelo qual tem direito à gratuidade de justiça, 
Declaração de Hipossuficiência, anexa. 
 
5. DAS RAZÕES DE FATO E DE DIREITO 
 
 Os requerentes contraíram matrimônio em 22 de setembro de 2020, 
sob o regime patrimonial da comunhão universal de bens, conforme certidão de 
casamento anexa. 
 
 
 
3 
 
Inteira-se que somente em dezembro do ano de 2022, aproximadamente 
2 (dois) anos após o matrimônio, o autor descobriu que a ré trabalhava em uma casa 
de prostituição até o início do namoro destes, meados de 2015, por meio de cartas, 
fotos, capturas de tela em sites de ofertas deste serviço, anexas, e, relatos de colegas 
em comum do casal. 
 
O autor ficou surpreso com o acontecido, inclusive teve conhecimento 
que sua esposa, ora ré, havia sido contratada por um amigo deste, em 2016; dessa 
forma, o autor passa duplamente por constrangimento, uma vez que tal situação 
afetou seu círculo social, além do seu íntimo por ter casado com uma pessoa adversa 
do que pensara. Com isso, a convivência entre os dois tornou-se impossível lesando 
de sobremaneira sua autoestima e convivência em comum do casal. 
 
 Nesse sentido, com o escopo de comprovar o alegado, cumpre 
informar que segue abaixo colacionado o rol de testemunhas que possuem 
conhecimento acerca dos fatos narrados. 
 
Imperioso destacar que o autor deseja retornar para o ‘’status quo ante’’, 
não desejando ter como estado civil “divorciado”, mas o de solteiro, que será 
requerido através da Tutela Específica. Não sendo concedida, haverá o pedido de 
danos morais, também não deseja ser abarcado em pagar pensão, visto que foi 
enganado. 
 
6. DO JULGAMENTO PARCIAL DO MÉRITO QUANTO AO PEDIDO DE 
ANULAÇÃO DO CASAMENTO 
 
Conforme exposto nos artigos 1.550, III, 1,557, I, 1.559 e 1.560 do Código 
Civil e no artigo 356 do Código de Processo Civil, em seus incisos I e II, vejamos: 
 
“Art. 1.550. É anulável o casamento: (Vide Lei nº 13.146, de 2015) 
III - por vício da vontade, nos termos dos arts. 1.556 a 1.558 ;” 
 
“Art. 1.557. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge: 
I - o que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fama, sendo esse erro tal 
que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge 
enganado;” 
 
“Art. 1.559. Somente o cônjuge que incidiu em erro, ou sofreu coação, pode 
demandar a anulação do casamento; mas a coabitação, havendo ciência do vício, 
valida o ato, ressalvadas as hipóteses dos incisos III e IV do art. 1.557.” 
 
 
4 
 
“Art. 1.560. O prazo para ser intentada a ação de anulação do casamento, a 
contar da data da celebração, é de: 
III - três anos, nos casos dos incisos I a IV do art. 1.557” 
 
“Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos 
pedidos formulados ou parcela deles: 
I - mostrar-se incontroverso; 
II - estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art. 355.” 
 
Vale dizer que o autor, emitiu uma declaração de vontade que não 
corresponde ao verdadeiro ato volitivo. Logo, como a declaração partiu de vontade 
viciada, enseja a anulação imediata do casamento por vício de consentimento, o que se 
requer, como medida de justiça. 
Pleiteia, assim, a anulação de seu matrimônio in erro com a posterior 
partilha dos bens abaixo mencionados, tendo em vista que o regime de bens adotado 
no casamento foi o da comunhão universal e por ter sido enganado de má-fé pela 
parte ré, somente o autor deve receber os bens disponíveis da ré no tocante a 50% 
(cinquenta por cento), conforme verifica-se no artigo 1564, inciso I do Código Civil: 
 
“Art. 1.564. Quando o casamento for anulado por culpa de um dos cônjuges, 
este incorrerá: 
I - na perda de todas as vantagens havidas do cônjuge inocente;” 
 
A jurisprudência descreve em relação a anulação de casamento, a seguir: 
 
“CIVIL. ANULAÇÃO DE CASAMENTO. VÍCIO DE 
CONSENTIMENTO. ERRO ESSENCIAL QUANTO À PESSOA DO 
OUTRO CÔNJUGE. I – O comportamento inqualificável do outro 
consorte anterior ao casamento, o desconhecimento da conduta 
desonrosa pelo consorte enganado antes do enlace matrimonial, e a 
insuportabilidade da vida em comum podem instaurar ação anulatória 
em razão do vício do outro cônjuge, conforme a dicção do art. 218 c/c 
art. 219, I, do CC; II – Remessa não provida, por unanimidade. (TJ-MA-
REMESSA:69552000 MA, Relator: ANTONIO GUERREIRO JÚNIOR, 
Data de Julgamento: 13/10/2000, SÃO LUIS).” 
 
Acerca dos Registros Públicos, assevera o Prof. Caio Mário da Silva 
Pereira, que “contendo inscrição dos momentos capitais da vida do indivíduo, o 
registro patenteia o seu estado, que dele se infere enquanto subsistir, mas não constitui 
prova absoluta, porque suscetível de anulação por erro ou falsidade”, (grifamos, in 
Instituições de Direito Civil, vol I, 13a. Edição, Ed. Forense, 1992, RJ, p. 167). 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art355
 
5 
 
7. DOS FILHOS 
 
Durante a união não adveio o nascimento de filhos ou a adoção. 
 
8. DA NOME ALTERAÇÃO DO NOME DA RÉ 
 
Na constância do matrimônio houve alteração apenas do nome do cônjuge 
varoa, passando a constar CAROLINA RUMES SOUTO. Contudo, requer o 
promovente que esta volte a usar seu nome de solteira, a saber, CAROLINA RUMES. 
 
9. DOS BENS 
 
Os cônjuges adquiriam os seguintes bens a serem partilhados: 
 
I. Direitoe Ação sobre 1 (um) imóvel, apartamento, localizado em 
Florianópolis/SC, com valor de mercado de R$ 550.000,00 
(quinhentos e cinquenta mil reais). 
 
Ademais, durante o casamento, os cônjuges receberam legado 
correspondente à seguinte quantia pecuniária: 
 
II. Quantia pecuniária no valor aproximado de R$ 50.000,00 
(cinquenta mil reais). 
 
O autor deseja a partilha dos supraditos bens, itens “I” e “II” no 
correspondente à 50% (cinquenta por cento) para cada cônjuge, ademais, colaciona-se 
à causa os documentos pertinentes a respeito dos bens. 
 
10. DOS PEDIDOS 
 
Isto posto, requer: 
 
a) a citação da parte ré para a audiência de conciliação, instrução e 
julgamento e a intimação desta para responder aos termos da presente, sob pena de 
incidência dos efeitos da revelia; 
 
 
6 
 
b) a procedência do pedido, com a decretação da anulação do casamento, 
declarando a ré culpada para anulação, expedindo carta de sentença para averbação 
junto ao Cartório do Registro Civil competente para alteração do nome da ré, e 
imputando a regra do art. 1564, CC para consequente partilha dos bens, cabendo 50% 
(cinquenta por cento) ao autor; 
 
c) que as intimações ocorram exclusivamente em nome do patrono(a), 
portador(a) da OAB/UF, nº XXX; 
 
d) por fim, a condenação do réu ao pagamento de custas e honorários 
advocatícios, esses a serem revertidos, nos parâmetros do art. 85, parágrafo 2º do 
Código de Processo Civil. 
 
DAS PROVAS 
 
Protesta pela produção de todos os meios de prova em direito 
admitidos, especialmente testemunhal, documental suplementar e depoimento 
pessoal da parte Ré, sob pena de confissão. 
 
b) DO VALOR DA CAUSA 
 
Atribui-se à causa o valor de R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais). 
 
Nestes termos, pede deferimento. 
 
Florianópolis, data. 
Advogado(a), 
Matrícula XXX 
 
 ROL DE TESTEMUNHAS 
 
a) FULANO, qualificação; 
 
b) BELTRANO, qualificação; 
 
c) CICLANO, qualificação.

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