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https://med.estrategia.com/ Estratégia MED As principais atualizações para residência médica de 2025 2E-BOOK Fala, futuro residente! Seja muito bem-vindo ao Estratégia MED! Sabemos que você está em uma fase crucial dos estudos e que estar em dia com as principais atualizações médicas é decisivo – tanto para gabaritar a prova da Residência no fim do ano, quanto para a sua prática clínica diária. Compreendemos que acompanhar todas essas novidades em tempo real pode ser um desafio gigantesco. Afinal, sabemos bem como é conciliar a rotina de estudos para a prova com as demandas do internato ou os plantões externos! Por isso, fizemos algo pensando exclusivamente em você: reunimos neste e-book as PRINCIPAIS atualizações lançadas em 2025! Aqui, você terá explicações completas para relembrar tudo o que mudou ao longo do ano, sem deixar nenhuma dúvida sobre as modificações mais relevantes. Todos sabemos que atualizações são um prato cheio para as bancas das provas de residência. Por isso, nos esforçamos para oferecer a você este material exclusivo e gratuito, essencial para consolidar seu conhecimento nas novidades mais quentes do ano! Nosso compromisso é total com a sua aprovação, e nossa dedicação é para oferecer a você o melhor. E não perca a chance de aprimorar ainda mais: garanta também seu acesso às questões inéditas no formato da sua banca com os Sprints do Estratégia MED. Sabemos que o número de questões das provas anteriores da sua banca é finito, e para gabaritar a prova no fim do ano, a prática contínua é fundamental! Afinal, você já tem uma base sólida, e agora é a hora de refinar seu conhecimento e aparar as arestas para arrasar na prova! Venha ser Estratégia MED! Estratégia MED 3As principais atualizações para residência médica de 2025E-BOOK CONHEÇA NOSSOS APROVADOS Dra Alexia Viegas Georg 🏆 Aprovada em 1º lugar em Ginecologia e Obstetrícia na USP-RP 🏅 2ª maior nota final de Acesso Direto na USP-RP 🏆 Maior nota na prova prática da USP-RP 🏅 2ª maior nota na prova teórica de Acesso Direto na USP-RP "Este foi um ano de intenso trabalho e dedicação, que escolhi trilhar de mãos dadas com o Estratégia Med! Tive plena confiança na equipe, no material super atualizado, no banco de questões e no método de revisões espaçadas, que fizeram toda a diferença e que foram fundamentais para a realização desta conquista." Dr Lucas Riquieri Nunes 🏆 1º lugar em Cirurgia Cardiovascular na UNICAMP 🏅 3º em Cirurgia Cardiovascular na USP-SP 🏆 1º em Cirurgia Cardiovascular na UFMG (ENARE) 🏅 85 pontos em Cirurgia Cardiovascular no ENARE (maior nota na especialidade) "Focar em metodologias ativas de estudo, como questões e flashcards, foi o que me permitiu tirar 85 no ENARE 2025. Utilizei o Banco de Questões do Estratégia MED e recomendo para todos que desejam trilhar esse caminho. Os comentários são bem completos, permitindo o entendimento a fundo de cada questão." Dr Arthur Oliveira Silva 🏆 1º em Anestesiologia no SUS-SP 🏅 4º em Anestesiologia na SES-PE 🏆 6º em Anestesiologia no Hospital Geral de Fortaleza (ENARE) 🏅 81 pontos em Anestesiologia no ENARE "Escolhi o curso extensivo + banco de questões por ter alguns pontos indispensáveis pra mim: conteúdo completo em texto e vídeo, questões comentadas alternativa por alternativa e possibilidade de adaptar o cronograma aos meus horários livres." Estratégia MED As principais atualizações para residência médica de 2025 4E-BOOK Dr Victor Amamia Yamanaka 🏆 1º em Oftalmologia na UFPR (ENARE) 🏅 87 pontos em Oftalmologia no ENARE (maior nota na especialidade) "EMED possui ótimos professores com capacidade de explicar matérias difíceis com uma didática singular. Entre seus diversos recursos, possui um banco de questões enorme e um aplicativo para estudar ou revisar durante o tempo livre." Dra Ana Cláudia Castilho Rivas 🏆 1º em Dermatologia na UFPR (ENARE) 🏅 5º lugar em Dermatologia no ENARE 🏆 Aprovada em Dermatologia na Unifesp "Estratégia Med foi meu grande parceiro de estudos durante o internato e também na preparação para a prova de residência, e digo com tranquilidade que foi minha melhor escolha. A didática do time de professores e a qualidade do material são coisa de outro mundo." Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 5 SUMÁRIO CONHEÇA NOSSOS APROVADOS 3 NOVOS INDICADORES DE DESEMPENHO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE 7 EQUIPES DE SAÚDE DA FAMÍLIA (ESF) E DE ATENÇÃO PRIMÁRIA (EAP) 7 EQUIPES MULTIPROFISSIONAIS (EMULTI) 9 LISTA DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 9 LEI 8.080/90 10 CAPÍTULO II 10 COMISSÃO NACIONAL DE INCORPORAÇÃO DE TECNOLOGIAS NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (CONITEC) 11 ATLS 11ª EDIÇÃO 11 TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO 11 ATENDIMENTO INICIAL À VÍTIMA DE POLITRAUMA 13 ETAPA “X”: CONTROLE DE HEMORRAGIAS EXSANGUINANTES 13 ETAPA "A": VIA AÉREA COM PROTEÇÃO DA COLUNA CERVICAL 14 ETAPA “B”: VENTILAÇÃO 17 ETAPA “C”: CIRCULAÇÃO COM CONTROLE DE HEMORRAGIA 18 QUEIMADURAS E TRAUMA ELÉTRICO 20 INDICAÇÕES DE CIRURGIA BARIÁTRICA 21 GINA 2025 24 BIOMARCADORES DA INFLAMAÇÃO DO TIPO 2 24 FATORES DE RISCO PARA EXACERBAÇÕES GRAVES EM ADULTOS E ADOLESCENTES. 27 IMPACTO DAS CONDIÇÕES CLIMÁTICAS EXTREMAS 27 DIAGNÓSTICO EM CRIANÇAS COM 5 ANOS OU MENOS 27 TRATAMENTO RÁPIDO EM CRIANÇAS COM 5 ANOS OU MENOS 28 Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 6 EXACERBAÇÕES DE ASMA EM CRIANÇAS DE 5 ANOS OU MENOS: 30 DIAGNÓSTICO RÁPIDO EM ADULTOS E ADOLESCENTES 32 CUIDADOS PERSONALIZADOS PARA A ASMA: AVALIAR – AJUSTAR – REVISAR 33 DECISÕES DE TRATAMENTO EM NÍVEL POPULACIONAL E PERSONALIZADAS EM NÍVEL DE PACIENTE 33 RECOMENDAÇÕES DE TRATAMENTO PARA ADULTOS E ADOLESCENTES 33 TRATAMENTO DE EXACERBAÇÕES GRAVES EM ADULTOS, ADOLESCENTES E CRIANÇAS DE 6 A 11 ANOS 35 DOENÇA HEPÁTICA GORDUROSA ASSOCIADA À DISFUNÇÃO METABÓLICA (MASLD) 36 PREVENÇÃO DA HIPOVITAMINOSE D PELA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP) 39 PROTOCOLO ASSISTENCIAL PRÉ-ECLÂMPSIA 2025 40 SUPLEMENTAÇÃO UNIVERSAL DE CÁLCIO EM GESTANTES - MINISTÉRIO DA SAÚDE 46 SUPLEMENTAÇÃO UNIVERSAL: 46 ATUALIZAÇÃO DAS INDICAÇÕES DA VACINA CONTRA ROTAVÍRUS HUMANO 47 ATUALIZAÇÃO DA VACINAÇÃO CONTRA A DOENÇA MENINGOCÓCICA 47 ATUALIZAÇÃO DA PROFILAXIA PRÉ-EXPOSIÇÃO (PREP) ORAL À INFECÇÃO PELO HIV 48 NOVA DIRETRIZ DO RASTREAMENTO DO CÂNCER DE COLO DO ÚTERO (2025) 51 MÉTODOS MOLECULARES PARA DIAGNÓSTICO DO HPV 51 POPULAÇÃO ALVO E INTERVALO DE RASTREAMENTO 53 RASTREAMENTO NAS MULHERES VIVENDO COM HIV/AIDS OU IMUNODEPRIMIDAS / IMUNOSSUPRIMIDAS 54 RECOMENDAÇÕES 55 ATUALIZAÇÃO DO TRATAMENTO DO DIABETES TIPO 2 56 Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 7 NOVOS INDICADORES DE DESEMPENHO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE O Ministério da Saúde lançou, no dia 21 de maio de 2025, os novos indicadores do componente de qualidade do cofinanciamento federal da Atenção Primária à Saúde (APS) do SUS. O cofinanciamento federal da APS é formado por 6 componentes: - Componente fixo por equipe e recurso de implantação - Componente vínculo e acompanhamento territorial - Componente de qualidade e indução de boas práticas - Componente para ações e programas da APS - Componente para Atenção à saúde bucal - Componente per capita de base populacional A principal mudança ocorreu no componente de qualidade e indução de boas práticas, com a introdução dos novos indicadores de qualidade. Esses indicadores servirão como referência para o monitoramento das ações ofertadas pelas equipes nos territórios e fazem parte do incentivo financeiro de melhoria contínua do cuidado. Ao todo, são 15 indicadores, organizados em três blocos: • Equipes de Saúde da Família (eSF) e de Atenção Primária (eAP) • Equipes Multiprofissionais (eMulti) • Equipesda GINA para o manejo personalizado da asma desde 2014. Recomendações em nível populacional, como em diretrizes e decisões de formulários, baseiam-se em evidências de alta qualidade em nível de grupo. Para decisões em nível de paciente, os médicos devem considerar diversos fatores, incluindo as características fenotípicas do paciente (incluindo biomarcadores), comorbidades, opiniões do paciente e questões práticas. O GINA de 2024 não citava o uso de biomarcadores. RECOMENDAÇÕES DE TRATAMENTO PARA ADULTOS E ADOLESCENTES A etapa 1, com CI-formoterol como alívio, continua sendo a abordagem de tratamento preferencial (se disponível), pois reduz substancialmente o risco de exacerbações graves, exposição sistêmica a corticosteroides e necessidade de atendimento médico urgente, em comparação com regimes baseados em SABA. Além disso, é um regime mais simples, com um único medicamento combinado (CI mais formoterol, um beta-2-agonista de ação rápida e longa duração [LABA]) usado nas etapas 1 a 4, para aliviar os sintomas. O uso de um único inalador reduz erros na técnica inalatória e evita a não adesão seletiva ou inadvertida, em comparação com os inaladores de alívio e manutenção separados, exigidos na Etapa 2. Na via alternativa, a Etapa 4 foi alterada de dose média a alta de CI-LABA para CI-LABA em dose média apenas, refletindo a ênfase de longa data do Relatório em minimizar a exposição aos efeitos adversos de CI em altas doses. Se for necessário CI-LABA em altas doses, seu uso deve ser limitado a 3 a 6 meses, se possível. As doses diárias de fluticasona foram reclassificadas como baixa-média (100 µg) e média-alta (200 µg). O fenoterol foi adicionado à lista de broncodilatadores não recomendados devido a seu maior risco de efeitos adversos cardiovasculares e mortalidade por asma. Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 34 COMO ERA NO GINA 2024? Etapa 4 da via alternativa: manutenção de corticoide inalatório + LABA em dose média ou alta e SABA conforme necessário Essa é uma abordagem alternativa se a terapia MART não for possível ou se a asma do paciente estiver estável com boa adesão e sem exacerbações com a terapia atual. Antes de prescrever um regime com SABA de alívio, considere a probabilidade de o paciente ser aderente ao tratamento contendo corticoide inalatório, pois, caso contrário, ele estará em maior risco de exacerbações. Ocasionalmente, corticoide inalatório + LABA em altas doses pode ser necessário. Dose de furoato de fluticasona: - 100 mg: baixa-média; - 200 mg: alta. Broncodilatadores não recomendados Agentes anticolinérgicos na ausência de CI: em adultos, antagonistas muscarínicos de curta ação (SAMA) inalatórios, como o ipratrópio, são alternativas potenciais ao SABA para o alívio rotineiro dos sintomas da asma; no entanto, esses agentes têm um início de ação mais lento do que o SABA inalatório. Assim como os SABAs, eles não devem ser usados sem CI. O uso de antagonistas muscarínicos de longa ação (LAMA) na asma sem CI concomitante está associado a um risco aumentado de exacerbações graves. Broncodilatadores orais: SABA e teofilina orais apresentam maior risco de efeitos colaterais e não são recomendados. Para médicos em regiões sem acesso a terapias inalatórias, orientações sobre como minimizar a frequência e a dose desses medicamentos orais foram fornecidas em outros lugares. Não foram realizados estudos de segurança de longo prazo para avaliar o risco de exacerbações graves associadas ao uso de SABA oral ou teofilina em pacientes que não estejam tomando CI. Formoterol sem CI: o LABA de início rápido, formoterol, é tão eficaz quanto o SABA como medicamento de alívio em adultos e crianças, e reduz o risco de exacerbações graves em 15-45%, em comparação com o SABA conforme a necessidade, mas o uso de LABA regular ou frequente sem CI é fortemente desencorajado devido ao risco de exacerbações COMO FICOU NO GINA 2025? Etapa 4 da via alternativa: manutenção de corticoide inalatório + LABA em dose média e SABA conforme necessário Essa é uma abordagem alternativa se a MART não for possível ou se a asma do paciente estiver estável, com boa adesão e sem exacerbações com a terapia atual. Antes de prescrever um regime com SABA de alívio, considere a probabilidade de o paciente aderir ao tratamento com CIs, pois a baixa adesão aumentará o risco de exacerbações. Ocasionalmente, CIs-LABA em altas doses podem ser necessários, mas, se possível, devem ser limitados a 3 a 6 meses, para reduzir o risco de efeitos adversos. Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 35 ETAPA (STEP) 1 Usar CI sempre que utilizar SABA CI dose baixa de manutenção CI dose baixa + LABA manutenção CI DOSE MÉDIA + LABA MANUTENÇÃO Adicionar tiotrópio Referenciar para fenotipar +/- anti-IgE, anti IL5/5R, anti IL-4R Considerar altas doses de CI + LABA ETAPA (STEP) 2 ETAPA (STEP) 3 ETAPA (STEP) 4 ETAPA (STEP) 5 ALÍVIO: SABA, se necessário Dose de furoato de fluticasona: - 100 mg: baixa-média; - 200 mg: média-alta. Broncodilatadores não recomendados Fenoterol: esse beta-2-agonista de curta ação não é recomendado devido a seu maior risco de efeitos adversos (incluindo hipocalemia e efeitos cardiovasculares) e sua associação com o aumento da mortalidade por asma. As demais terapias que anteriormente foram consideradas não recomendáveis continuam nessa categoria. TRATAMENTO DE EXACERBAÇÕES GRAVES EM ADULTOS, ADOLESCENTES E CRIANÇAS DE 6 A 11 ANOS A nebulização com magnésio não é mais recomendada. COMO ERA NO GINA 2024? O sulfato de magnésio intravenoso não é recomendado para uso rotineiro em exacerbações de asma; no entanto, quando administrado como uma infusão única de 2 g ao longo de 20 minutos, reduz as internações hospitalares em alguns pacientes, incluindo adultos com VEF1 5% de hepatócitos com esteatose. Pode ter diversas causas, como uso de álcool, síndrome metabólica (os dois principais), medicamentos (corticoide, amiodarona, terapia antirretroviral, metotrexato), gravidez, síndromepara residência médica de 2025 E-BOOK 40 Grupos Colecalciferol (vitamina D3) Crianças que possuam fatores de risco – Dieta estritamente vegetariana – Obesidade – Hepatopatia, nefropatia crônica – Má absorção intestinal (p. ex., doença celíaca, doença inflamatória intestinal, fibrose cística, cirurgia bariátrica) – Medicamentos (p. ex., anticonvulsivantes corticoides, cetoconazol, rifampicina) 1200 - 1800 UI/dia (ajustar dose de acordo com cada condição) E como era antes? A suplementação de vitamina D era indicada somente até a criança completar 2 anos de idade e/ou grupos de risco: • 400 UI/dia em menores de 1 ano; • 600 UI/dia para maiores de 1 ano até 2 anos. Além disso, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendava a suplementação da vitamina D nos seguintes grupos de risco: • gestação e lactação; • dieta vegetariana estrita; • obesidade; • hepatopatas e nefropatas crônicos; • síndromes malabsortivas (celíaca, fibrose cística, cirurgia bariátrica); • hiperparatireoidismo; • doenças granulomatosas como a tuberculose; • uso de medicamentos como: carbamazepina, fenitoína, fenobarbital, derivados imidazólicos, antirretrovirais, colestiramina, rifampicina, orlistat; PROTOCOLO ASSISTENCIAL PRÉ-ECLÂMPSIA 2025 Em 2025, a Rede Brasileira de Estudos sobre Hipertensão na Gravidez (RBEHG) apresentou uma atualização do Protocolo Assistencial de Pré-eclâmpsia. A última versão havia sido a de 2023. Vamos conferir os principais pontos desse protocolo e as mudanças em relação ao de 2023. 1- Definições: • hipertensão arterial crônica: presença de hipertensão arterial prévia à gestação referida pela gestante ou identificada antes de 20 semanas de gestação; Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 41 • hipertensão gestacional: identificação de hipertensão arterial na segunda metade da gestação, em gestante previamente normotensa, porém na ausência de proteinúria ou manifestação de outros sinais/sintomas relacionados à lesão de órgãos- alvo. Seu principal significado é que até 25% dessas gestantes apresentarão sinais e/ou sintomas relacionados à pré-eclâmpsia, alterando-se, portanto, seu diagnóstico. Deve desaparecer até 12 semanas após o parto; • pré-eclâmpsia: manifestação de hipertensão arterial identificada após a 20ª semana de gestação, associada à proteinúria significativa e/ou disfunção de órgãos-alvo; • pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão arterial crônica — esse diagnóstico deve ser estabelecido em algumas situações específicas: 1) quando, após 20 semanas de gestação ocorre aumento da concentração da proteinúria detectada na primeira metade da gestação (superior a três vezes o valor inicial) ou seu aparecimento, quando não detectada na primeira metade da gestação; 2) na ocorrência de disfunção de órgãos-alvo; 3) quando ocorrer disfunção uteroplacentária (restrição do crescimento, alterações relevantes Dopplervelocimétricas, descolamento prematuro da placenta, óbito fetal). 2- Critérios diagnósticos de pré-eclâmpsia Como visto acima, a pré-eclâmpsia é definida por manifestação de hipertensão arterial identificada após a 20ª semana de gestação (≥ 140 x 90 mmHg), associada à proteinúria significativa e/ou disfunção de órgãos-alvo. Veja, no quadro a seguir quais são as disfunções de órgão-alvo consideradas pelo protocolo: DIAGNÓSTICO CLÁSSICO DA PRÉ-ECLÂMPSIA Hipertensão PAS ≥ 140 ou PAD ≥ 90 mmHg, aferidas em duas ocasiões, com intervalo ≥ 4 horas, após 20 semanas de gestação. + Proteinúria Relação proteína/creatinina ≥ 0,3 ou ≥ 300 mg/24 horas ou ≥ 2+ em fita. DIAGNÓSTICO DE PRÉ-ECLÂMPSIA POR DISFUNÇÃO DE ÓRGÃOS-ALVO Hipertensão PAS ≥ 140 ou PAD ≥ 90 mmHg, aferidas em duas ocasiões, com intervalo ≥ 4 horas, após 20 semanas de gestação. + Comprometimento Hematológico Contagem de plaquetas ≤ 150.000/mm³, coagulação intravascular disseminada, hemólise. Comprometimento Hepático Aumento de transaminases TGO ou TGP ≥ 40 U/L, com ou sem epigastralgia ou dor no quadrante superior direito. Comprometimento Renal Elevação de creatinina sérica ≥ 1,0 mg/dL. Comprometimento Neurológico Eclâmpsia, rebaixamento do nível de consciência (sine eclâmpsia), cegueira, acidente vascular cerebral, clônus, cefaleia intensa ou escotomas visuais. Edema Pulmonar Dispneia, sibilos e estertores crepitantes e sub-crepitantes, palidez, sudorese fria, cianose de extremidades, ansiedade, confusão mental, secreção pulmonar rosada. Comprometimento Placentário Disfunção placentária (descolamento prematuro, desequilíbrio angiogênico, restrição de crescimento fetal, alteração do Doppler da artéria umbilical ou óbito fetal). Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 42 O fluxograma a seguir resume os critérios diagnósticos de pré-eclâmpsia. As principais mudanças em relação aos critérios diagnósticos em relação ao documento de 2023 foram: - introdução de hemoglobinarealizar o rastreamento baseado na associação de marcadores biofísicos e bioquímicos, incluindo além dos marcadores de risco clínicos, associação da medida da pressão arterial média, dopplervelocimetria das artérias uterinas e a dosagem do PLGF. Importante salientar que mulheres sem antecedente de pré-eclâmpsia em gestação anterior, mantendo mesmo parceiro e sem outros marcadores clínicos, representam uma população de baixo risco. No entanto, sempre que a paciente apresentar marcadores clínicos de risco, a prevenção já deve ser iniciada, não sendo necessário avançar em outro método para predição”. O quadro a seguir resume os fatores de risco a serem considerados nessa análise. A mudança em relação a 2023 foi a introdução da raça/cor preta ou parda e da condição socioeconômica desfavorável como fatores de risco moderado. RISCO ALTO* RISCO MODERADO História pregressa de pré-eclâmpsia Condição socioeconômica desfavorável Obesidade (IMC > 30) História familiar de pré-eclâmpsia (mãe e irmã) Hipertensão arterial crônica Nuliparidade Diabetes tipo 1 e tipo 2 Idade materna ≥ 35 anos Doença renal crônica Intervalo interpartal > 10 anos Doenças autoimunes (lúpus, SAAF) Raça/cor: preta ou parda Tratamento de reprodução assistida Gravidez prévia com desfecho adverso relacionado a disfunção placentária: DPP, RCF, TPP, óbito fetal. Gestação múltipla *Adaptada da ISSHP, FIGO, ACOG e MS Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 46 SUPLEMENTAÇÃO UNIVERSAL DE CÁLCIO EM GESTANTES - MINISTÉRIO DA SAÚDE Suplementação universal: Em 14/02/2025, foi publicada a Nota técnica do Ministério da Saúde nº 251/2024 com mudanças acerca da suplementação de cálcio em gestantes. De acordo com esse documento, “a suplementação universal de cálcio para as gestantes se justifica pelos dados de baixa ingestão de cálcio pelas mulheres brasileiras em associação às evidências de redução do risco de pré-eclâmpsia e da morbimortalidade dela decorrente com a suplementação desse micronutriente”. Levando esses dados em consideração, a partir dessa nota técnica, é recomendado: • suplementação de 2 comprimidos de carbonato de cálcio 1.250 mg (500 mg de cálcio elementar) ao dia, equivalente a 1.000 mg de cálcio elementar, para todas as gestantes, com início na 12ª semana de gestação até o momento do parto; • a prescrição pode ser feita por médicos(as), enfermeiros(as) e nutricionistas das equipes da Atenção Primária à Saúde (APS); • a administração concomitante dos suplementos de cálcio e do ferro deve ser evitada. Recomenda-se que a ingestão do suplemento de cálcio ocorra com intervalo mínimo de 2 horas do suplemento de ferro (sulfato ferroso) ou de polivitamínicos contendo ferro, pois a biodisponibilidade de cálcio varia de acordo com a ingestão com outros alimentos e nutrientes que podem reduzir a absorção ou excreção; • sugere-se que o cálcio não seja ingerido em jejum. Além disso, deve-se evitar a ingestão do suplemento em associação com alimentos ricos em fitatos, oxalatos ou ferro (por exemplo: feijão, fígado, espinafre, acelga, couve, beterraba, batata doce, sementes, castanhas ou cereais), bem como deve-se evitar a ingestão do suplemento com alta ingestão de cafeína e de alimentos ultraprocessados, pois podem afetar a absorção do cálcio. Uma opção é a ingestão no período da noite com um copo de leite ou suco de frutas, por exemplo. Prevenção da pré-eclâmpsia em gestantes de alto risco: São consideradas gestantes de alto risco aquelas com a presença de um fator de alto risco ou dois fatores de risco moderado ou rastreamento combinado positivo. O protocolo de 2025 passou a considerar rastreamento combinado positivo quando o resultado for ≥ 1/200; antes consideravam-se positivos valores ≥ 1/100. Essas gestantes têm indicação de suplementar 1 a 2 gramas de cálcio ao dia juntamente com aspirina em baixa dose. O fluxograma a seguir resume a prevenção da pré-eclâmpsia para gestantes de alto risco. GESTANTE DE ALTO RISCO PARA PRÉ-ECLÂMPSIA 1 fator de risco alto ou 2 fatores de risco moderado ou rastreamento combinado positivo AAS (Aspirina) - baixa dose à noite (100–150 mg) Início a partir de 12 semanas (preferencialmente antes da 16ª semana, mas podendo ser iniciado até a 20ª semana) até 36 semanas Primeiro trimestre até o momento do parto Suplementação de cálcio (1,0 a 2g/dia) Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 47 ATUALIZAÇÃO DAS INDICAÇÕES DA VACINA CONTRA ROTAVÍRUS HUMANO No dia 03/01/2025, foi publicada a Nota Técnica Nº 193/2024 pelo Ministério da Saúde com atualização das indicações da vacina contra rotavírus humano G1P[8] (vacina rota) no Brasil. Como era? Esquema de duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses, da seguinte forma: primeira dose aos 2 meses (podendo ser administrada na faixa etária de 1 mês e 15 dias a 3 meses e 15 dias) e a segunda dose aos 4 meses (podendo ser administrada na faixa etária de 3 meses e 15 dias até 7 meses e 29 dias). Racional para a mudança: “No Brasil, há situações que podem comprometer a oferta oportuna das vacinas, a exemplo das ações realizadas em áreas de difícil acesso geográfico. Para a vacina rotavírus humano, isso é ainda mais crítico devido às restrições da idade para a vacinação, uma vez que as ações podem ser realizadas no momento não adequado para iniciar ou completar o esquema vacinal, deixando as crianças suscetíveis às doenças diarreicas por rotavírus, fato evidenciado pelas coberturas vacinais abaixo da meta preconizada de 90%, observada no país nos últimos anos”. Como ficou? a) Primeira dose (D1) aos dois meses de idade, podendo ser administrada a partir de 1 mês e 15 dias até 11 meses e 29 dias. b) Segunda dose (D2) aos 4 meses de idade, podendo ser administrada a partir de 3 meses e 15 dias até 23 meses e 29 dias. Deve-se respeitar o intervalo mínimo de 30 dias entre as doses. ATUALIZAÇÃO DA VACINAÇÃO CONTRA A DOENÇA MENINGOCÓCICA No dia 24/06/2025, foi publicada a Nota Técnica Nº 77/2025 pelo Ministério da Saúde, substituindo a dose de reforço da vacina meningocócica C pela meningocócica ACWY. Como era? A vacina meningocócica C era aplicada, de rotina, aos 3 e 5 meses, com reforço aos 12 meses. A vacina meningocócica ACWY era aplicada apenas para os adolescentes, em dose única, dos 11 aos 14 anos de idade. Racional para a mudança: A introdução das vacinas meningocócica C (em 2010) e meningocócica ACWY (em 2020), no Programa Nacional de Imunizações foi bastante efetiva na redução das meningites bacterianas no Brasil, porém essa doença ainda é um fator de preocupação. A mudança é uma ação das Diretrizes do Enfrentamento das Meningites até 2030, publicadas pelo Brasil e proposto à Organização Mundial de Saúde, que estabelece estratégias para o combate às principais causas de meningite bacteriana aguda (meningococo, pneumococo, Haemophilus influenzae e estreptococo do grupo B). Como ficou? Meningocócica C: 3 e 5 meses. Meningocócica ACWY: dose de reforço aos 12 meses e adolescentes dos 11 aos 14 anos, em dose única. Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 48 ATUALIZAÇÃO DA PROFILAXIA PRÉ-EXPOSIÇÃO (PREP) ORAL À INFECÇÃO PELO HIV Em 23/01/2025, foi publicado pelo Ministério da Saúde o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Profilaxia Pré- Exposição (PrEP) Oral à Infecção pelo HIV, com algumas atualizações importantes sobre o tema, que listaremos a seguir! 1- Para quem a PrEP é indicada? A PrEP pode ser indicada para pessoas a partir de 15 anos, com peso corporal igual ou superior a 35 kg, sexualmente ativas e que apresentem contextos de vulnerabilidade acrescida para a aquisição da infecção pelo HIV. Assim, devem também ser considerados os seguintespara 30 dias e, uma vez caracterizada a adesão do indivíduo à estratégia, o seguimento clínico será quadrimestral (a cada 120 dias). A realização do teste de HIV a cada consulta é obrigatória, preferencialmente por teste rápido. Para pessoas em uso de PrEP há no mínimo um ano e sem histórico de descontinuidade da profilaxia, o seguimento clínico poderá ser ampliado para seis meses. NOVA DIRETRIZ DO RASTREAMENTO DO CÂNCER DE COLO DO ÚTERO (2025) Estrategista, a nova diretriz de rastreamento do câncer de colo uterino do Ministério da Saúde foi publicada em agosto de 2025 e apresenta grandes mudanças em relação à diretriz anterior de 2016. Esta diretriz adotou como exame de rastreamento o teste de DNA-HPV, que substitui a colpocitologia oncótica (Papanicolau). MÉTODOS MOLECULARES PARA DIAGNÓSTICO DO HPV Além das alterações citológicas e histológicas, hoje o HPV pode ser identificado por diversas técnicas moleculares.), detectando a presença do vírus no organismo antes da ocorrência de lesões ou câncer em estágios iniciais. A pesquisa de DNA HPV já é utilizada como método de rastreio para câncer de colo uterino em outros países e, no Brasil, também foi adotada como exame de rastreamento na diretriz de 2025. A reação em cadeia da polimerase (PCR) identifica o tipo de HPV por meio da amplificação de um fragmento de DNA. Existem diversos testes disponíveis no mercado, sendo que o teste nacional é capaz de detectar 14 tipos de HPV de alto risco e indica especificamente a positividade para o 16 e 18 (tipos mais envolvidos no câncer de colo uterino). Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 52 Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 53 POPULAÇÃO ALVO E INTERVALO DE RASTREAMENTO Devem ser rastreadas as mulheres de 25 a 64 anos de idade, sexualmente ativas. Os exames de rastreamento devem ser feitos com intervalo de 5 anos. Se o teste de DNA-HPV for realizado a partir dos 60 anos e apresentar resultado negativo pode-se liberar a paciente do rastreamento, já que o próximo teste seria realizado após os 64 anos de idade. O teste de rastreamento detecta os seguintes tipos de HPV de alto risco: 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59, 66 e 68. A coleta do teste de DNA-HPV pode ser realizada por médico ou profissional de enfermagem ou por autocoleta (quando a própria mulher obtém a amostra da vagina para o teste de rastreamento sem a utilização de espéculo). A autocoleta pode ser uma opção a ser considerada em situações de limitações ou barreiras resultantes do serviço de saúde ou da própria mulher para a coleta por médico ou profissional de enfermagem. As pessoas LGBTQIA+ devem seguir as mesmas recomendações das mulheres de risco padrão. DÚVIDAS 1. Por que não rastrear mulheres sexualmente ativas abaixo dos 25 anos? A prevalência da infecção pelo HPV nessa faixa etária é alta, mas também é alta a taxa de clareamento viral. Além disso, a incidência de câncer de colo é muito baixa nessa faixa etária (corresponde a menos de 1% dos tumores). Quando ocorrem, são tumores bastante agressivos, que não seguem a história natural da infecção por HPV, não sendo detectáveis pelo rastreamento, em sua maioria. 2. Caso você atenda uma mulher com mais de 60 anos que nunca realizou teste de DNA-HPV, como proceder? A paciente deve realizar um teste. Se negativo estará liberada do rastreamento. Se positivo deve seguir a orientação da população de risco padrão. 3. Caso você atenda uma mulher com mais de 60 anos com tratamento prévio de NIC 2 ou NIC 3 ou AIS (adenocarcinoma in situ), como proceder? Deve-se manter o rastreamento enquanto possível, sendo aceitável até pelo menos 25 anos após o tratamento. 4. Como se deve proceder no caso de doença cervical presente na colposcopia das mulheres com teste DNA-HPV positivo? A conduta nestes casos será definida na parte 2 dessa diretriz (ainda em elaboração). SITUAÇÕES ESPECIAIS • Como o HPV é transmitido sexualmente, não há necessidade de rastreamento com coleta do teste de DNA-HPV das mulheres virgens. • Se houver atrofia vaginal em pacientes na pós-menopausa, proceder estrogenização antes da coleta. Isso garante a qualidade da amostra e o diagnóstico correto, já que a citologia reflexa será realizada no mesmo material (Com exceção se a amostra tiver sido obtida por autocoleta. Neste caso deve-se convocar a paciente e proceder com a coleta da colpocitologia por médico ou profissional de enfermagem). • As gestantes devem ser rastreadas da mesma forma que as não gestantes. A coleta do teste de DNA-HPV não oferece risco para a Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 54 gravidez. • Em mulheres que se submeteram à histerectomia, é importante avaliar o motivo da cirurgia e seu rastreio prévio para câncer de colo uterino: o mulheres que realizaram histerectomia total (corpo e colo uterino) por doença benigna, sem histórico de tratamento de lesões cervicais de alto grau, podem ser excluídas do rastreamento; o mulheres histerectomizadas por lesão precursora ou câncer de colo uterino devem manter a coleta do teste DNA-HPV por pelo menos 25 anos após o tratamento ou indefinidamente. RASTREAMENTO NAS MULHERES VIVENDO COM HIV/AIDS OU IMUNODEPRIMIDAS / IMUNOSSUPRIMIDAS Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 55 RECOMENDAÇÕES • Pela maior prevalência de infecção por HPV e maior persistência do vírus, as pacientes vivendo com HIV/AIDS, imunodeprimidas ou imunossuprimidas devem iniciar o rastreamento após o início da atividade sexual. • O teste de DNA-HPV para estes casos deve ser realizado a cada 3 anos. • O rastreamento dessas mulheres deve prosseguir indefinidamente, não se devendo encerrar. Estrategista, o Ministério da Saúde prevê que a “implementação da nova diretriz (2025) começará por um município em cada estado, sendo ampliada conforme a finalização da troca do método” (ou seja, com a substituição gradual da colpocitologia pelo teste de DNA-HPV como método de rastreamento). A meta do Ministério da Saúde é de que, até dezembro de 2026, o rastreio com o teste de DNA-HPV esteja presente na rede pública de todo o território nacional. Ou seja, durante este período estaria “valendo as duas diretrizes". Além disso, como vimos, a nova diretriz ainda não está completa, sendo que só foi publicada a primeira parte, faltando a conduta a ser indicada em relação à doença cervical presente na colposcopia. Sendo assim, entendemos que as provas vão cobrar as duas diretrizes e, por isso, é muito importante que você saiba os conceitos de ambas. Quando estiver frente a uma questão de rastreamento de câncer de colo, preste atenção qual o exame de rastreamento que está sendo usado (teste de DNA-HPV ou colpocitologia) e se a conduta que está sendo cobrada se refere a diretriz de 2025 ou a diretriz de 2016. COMO ERA (Diretriz 2016) COMO FICOU (Diretriz 2025) Exame indicado Colpocitologia oncótica Genotipagem DNA HPV Faixa etária 25-64 anos 25-64 anos (podendo encerrar se teste negativo colhido após 60 anos) Periodicidade Iniciar com dois exames anuais; se negativos, manter rastreio 3/3 anos A cada 5 anos COMO ERA (Diretriz 2016) COMO FICOU (Diretriz 2025) Imunossuprimidas Iniciar após sexarca, com 2 exames semestrais; se normais, manter rastreio anual enquanto imunossupressão Se paciente HIV + com CD4Margens livres ou comprometidas por NIC 1 Citologia seis e 12 meses após o procedimento. A colposcopia fica a critério do serviço. Após o primeiro ano: citologia anual até completar cinco anos do tratamento. Manter rastreio enquanto possível Aceitável manter por ao menos 25 anos após tratamento NIC 2/3 Citologia + colposcopia semestralmente por dois anos. Após os dois primeiros anos: citologia anual até completar cinco anos do tratamento. Após cinco anos: citologia trienal. Manter rastreio enquanto possível Aceitável manter por ao menos 25 anos após tratamento Adenocarcinoma in situ Citologia semestral por 2 anos, colposcopia a critério do serviço. Após 2 anos, retomar rastreio trienal. Manter rastreio enquanto possível Aceitável manter por ao menos 25 anos após tratamento ATUALIZAÇÃO DO TRATAMENTO DO DIABETES TIPO 2 Estrategista, a diretriz de diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes foi atualizada em agosto de 2025 e apresenta algumas mudanças em relação à diretriz anterior. Uma das principais mudanças foi a possibilidade do uso dos análogos de GLP-1 e dos inibidores da SGLT-2 em monoterapia, sem associação com a metformina. Além disso, foi ressaltado de forma mais consistente sobre a necessidade de avaliação do risco cardiovascular e do peso do paciente antes da decisão do tratamento. Vamos relembrar os principais benefícios extraglicêmicos das 2 classes medicamentosas mais estudadas e utilizadas nos últimos anos, os inibidores da SGLT-2 e os análogos de GLP-1: Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 57 Tanto os inibidores da SGLT-2 (empagliflozina, dapagliflozina) quanto os análogos de GLP-1 (liraglutida, semaglutida, dulaglutida) têm benefício comprovado de redução de eventos cardiovasculares e redução de mortalidade, principalmente em indivíduos de alto risco cardiovascular. Esse é o ponto comum destas medicações. Mas o que irá ajudar você na escolha do tratamento do seu paciente é saber a diferença de benefícios entre essas classes medicamentosas. Com essa informação você irá conseguir acertar boa parte das questões sobre o tema. Os análogos de GLP-1 têm benefício para perda de peso e alguns dos seus representantes (liraglutida, semaglutida) são aprovados on label para o tratamento da obesidade. Consequentemente, serão sua preferência em pacientes com sobrepeso/obesidade. Já os inibidores da SGLT-2 diminuem a progressão da doença renal do diabetes (devem ser utilizados em todos os pacientes com albuminúria >30mg/g e/ou TFG entre 60-20ml/min/1,73m2) e diminuem taxa de hospitalização em pacientes com insuficiência cardíaca. Veja a seguir como era o tratamento proposto em 2024: PACIENTES SEM ALTO OU MUITO ALTO RISCO CV/DRC PACIENTES COM ALTO OU MUITO ALTO RISCO CV E/OU DRC Perceba que a metformina era parte essencial do tratamento, e em casos de HbA1c 100mg/g), porém não são a 1a escolha, que continua sendo os inibidores da SGLT-2. Então na sua prova, doença renal do diabetes = iSGLT-2! E a insulinoterapia? Veja como ficou: A diretriz de 2025 retirou dos critérios de insulinoterapia a necessidade de HbA1c >9%!! A partir de agora, serão critérios para insulinização apenas os sintomas de insulinopenia (poliuria, polidipsia, polifagia, perda de peso) + hiperglicemia grave (que não foi definida na diretriz). Mudança arriscada ein? Lembrando que a diretriz americana da ADA ainda utiliza os valores de HbA1c >10% e Glicemias >300mg/dL para considerar o início de insulinoterapia, ok? https://t.me/estrategiamed https://med.estrategia.com/ CONHEÇA NOSSOS APROVADOS Novos Indicadores de Desempenho da Atenção Primária à Saúde Equipes de Saúde da Família (eSF) e de Atenção Primária (eAP) Equipes Multiprofissionais (eMulti) Lista de Notificação Compulsória Lei 8.080/90 CAPÍTULO II Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) ATLS 11ª Edição Traumatismo cranioencefálico Atendimento inicial à vítima de politrauma Etapa “x”: controle de hemorragias exsanguinantes Etapa "A": via aérea com proteção da coluna cervical Etapa “B”: ventilação Etapa “C”: circulação com controle de hemorragia Queimaduras e trauma elétrico Indicações de cirurgia bariátrica GINA 2025 Biomarcadores da inflamação do tipo 2 Fatores de risco para exacerbações graves em adultos e adolescentes. Impacto das condições climáticas extremas Diagnóstico em crianças com 5 anos ou menos Tratamento rápido em crianças com 5 anos ou menos Exacerbações de asma em crianças de 5 anos ou menos: Diagnóstico rápido em adultos e adolescentes Cuidados personalizados para a asma: avaliar – ajustar – revisar Decisões de tratamento em nível populacional e personalizadas em nível de paciente Recomendações de tratamento para adultos e adolescentes Tratamento de exacerbações graves em adultos, adolescentes e crianças de 6 a 11 anos Doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica (MASLD) Prevenção da hipovitaminose D pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) Protocolo Assistencial Pré-eclâmpsia 2025 Suplementação Universal de Cálcio em Gestantes - Ministério da Saúde Suplementação universal: Atualização das indicações da vacina contra rotavírus humano Atualização da vacinação contra a doença meningocócica Atualização da profilaxia pré-exposição (PrEP) oral à infecção pelo HIV Nova diretriz do Rastreamento do câncer de colo do útero (2025) MÉTODOS MOLECULARES PARA DIAGNÓSTICO DO HPV POPULAÇÃO ALVO E INTERVALO DE RASTREAMENTO RASTREAMENTO NAS MULHERES VIVENDO COM HIV/AIDS OU IMUNODEPRIMIDAS / IMUNOSSUPRIMIDAS RECOMENDAÇÕES Atualização do tratamento do Diabetes tipo 2de Saúde Bucal (eSB) Os indicadores integram o componente de qualidade, um dos pilares da nova metodologia de cofinanciamento federal da APS, instituída em 2024. O modelo considera o desempenho das equipes e a oferta efetiva de ações e serviços como critérios para a definição do valor mensal repassado aos municípios. Agora, vamos destrinchar os indicadores que são considerados para cada uma das equipes, e que podem estar presentes em sua prova: EQUIPES DE SAÚDE DA FAMÍLIA (ESF) E DE ATENÇÃO PRIMÁRIA (EAP) 1- Mais acesso à Atenção Primária à Saúde (APS). É calculado a partir da seguinte fórmula: O racional é o seguinte: uma equipe que apresenta baixa oferta de atendimentos programáticos/continuados pode estar desenvolvendo um modelo excessivamente centrado na demanda espontânea. Por outro lado, uma equipe que apresenta quase exclusivamente atendimentos programáticos/continuados pode não estar aberta à demanda espontânea. 2- Cuidado no desenvolvimento infantil. Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 8 Leva em consideração os seguintes aspectos: (A) ter realizado a 1ª consulta presencial por profissional médica(o) ou enfermeira(o), até o 30º dia de vida; (B) ter pelo menos 09 consultas por médica(o) ou enfermeira(o) até 2 anos de vida; (C) ter pelo menos 09 registros de peso e altura até os dois anos de vida; (D) ter recebido pelo menos 02 visitas domiciliares realizadas por ACS/Tacs, sendo a primeira até os primeiros 30 dias de vida e a segunda até os 6 meses de vida; (E) ter sido vacinada contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, infecções causadas por Haemophilus influenzae tipo B, poliomielite, sarampo, caxumba e rubéola, com todas as doses recomendadas 3- Cuidado à gestante e puérpera na Atenção Primária à Saúde (APS). Serão contabilizados os seguintes itens: (A) ter realizado a primeira consulta de pré-natal até 12 semanas de gestação; (B) ter realizado pelo menos 07 consultas durante o período de gestação para valorizar o diagnóstico e acolhimento oportuno; (C) ter realizado pelo menos 07 registros de pressão arterial durante o período da gestação; (D) ter realizado pelo menos 07 registros simultâneos de peso e altura durante o período da gestação; (E) ter registro de pelo menos 03 visitas domiciliares do ACS/ Tacs, após a primeira consulta do pré-natal; (F) ter registro de uma dose de dTpa a partir da 20ª semana de cada gestação; (G) ter registro dos testes rápidos ou dos exames avaliados para sífilis, HIV e hepatites B e C realizados no primeiro trimestre de cada gestação; (H) ter registro dos testes rápidos ou dos exames avaliados para sífilis e HIV realizados no terceiro trimestre de cada gestação; (I) ter registro de pelo menos 01 consulta presencial ou remota por profissional médica(o) ou enfermeira(o) realizada durante o puerpério; (J) ter registro de pelo menos 01 visita domiciliar por ACS/ Tacs realizada durante o puerpério; (K) ter registro de pelo menos 01 avaliação odontológica realizada durante o período da gestação por profissional cirurgiã(ão) dentista. 4- Cuidado da pessoa com diabetes Serão contabilizados os seguintes itens: (A) ter realizado pelo menos 01 consulta presencial ou remota por profissional médica(o) ou enfermeira(o), nos últimos 6 meses; (B) ter pelo menos 01 registro de medição da pressão arterial, realizado nos últimos 06 meses; (C) ter pelo menos 02 visitas domiciliares por ACS/Tacs, com intervalo mínimo de 30 dias, realizadas nos últimos 12 meses; (D) ter realizado pelo menos 01 (um) registro de peso e altura, nos últimos 12 meses; (E) ter pelo menos 01 registro de hemoglobina glicada, solicitada ou avaliada, nos últimos 12 meses; (F) ter pelo menos 01 registro de avaliação dos pés, realizado nos últimos 12 meses. 5- Cuidado da pessoa com hipertensão Serão contabilizados os seguintes itens: • ter realizado pelo menos 01 consulta presencial ou remota por profissional médica(o) ou enfermeira(o), nos últimos 6 meses; • ter pelo menos 01 registro de aferição da pressão arterial, realizado nos últimos 6 meses; • ter pelo menos 02 visitas domiciliares por ACS/Tacs, com intervalo mínimo de 30 dias, realizadas nos últimos 12 meses; • ter realizado pelo menos 01 (um) registro de peso e altura, nos últimos 12 meses. 6- Cuidado integral da pessoa idosa Serão contabilizados os seguintes itens: (A) ter registro de pelo menos 01 consulta presencial ou remota por profissional médica(o) ou enfermeira(o) realizada nos últimos 12 meses; (B) ter realizado pelo menos 02 (dois) registros simultâneos (no mesmo dia) de peso e altura para avaliação antropométrica nos últimos 12 meses até o último mês do quadrimestre avaliado; (C) ter pelo menos 02 (duas) visitas domiciliares realizadas por ACS, com intervalo mínimo de 30 (trinta) dias entre as visitas, realizadas nos últimos 12 meses até o último mês do quadrimestre avaliado; (D) ter registro de 1 (uma) dose da vacina contra influenza, Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 9 nos últimos 12 meses até o último mês do quadrimestre avaliado. 7- Cuidado da mulher na prevenção do câncer Serão contabilizados os seguintes itens: (A) mulheres entre 25 e 64 anos: ter registro de pelo menos 01 exame de rastreamento para câncer do colo de útero, solicitado ou avaliado nos últimos 36 meses; (B) crianças e adolescentes do sexo feminino entre 9 e 14 anos: ter registro de pelo menos uma dose da vacina HPV; (C) adolescentes do sexo feminino e mulheres entre 14 e 69 anos: ter registro de atendimentos presenciais ou remotos sobre atenção à saúde sexual e reprodutiva, realizado nos últimos 12 meses; (D) mulheres entre 50 e 69 anos: ter registro de pelo menos 01 exame de rastreamento para câncer de mama em mulheres de 50 a 69 anos, solicitado ou avaliado nos últimos 24 meses. EQUIPES MULTIPROFISSIONAIS (EMULTI) 1- Média de atendimentos por pessoa assistida pela eMulti. 2- Ações interprofissionais realizadas pela eMulti. Equipes de Saúde Bucal (eSB) 1- Primeira consulta odontológica programada na APS 2- Tratamento odontológico concluído na APS 3- Taxa de exodontias na APS 4- Escovação supervisionada na APS 5- Procedimentos odontológicos preventivos na APS 6- Tratamento restaurador atraumático na APS LISTA DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA A esporotricose humana passa a fazer parte da Lista Nacional de Notificação Compulsória e deve ser registrada no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), conforme publicado pela Portaria GM/MS n°6.734/25. A notificação será realizada em âmbito nacional, semanalmente. Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 10 LEI 8.080/90 Houve a inclusão da Atenção Humanizada como Princípio do SUS. Veja como ficou a lei após a atualização: CAPÍTULO II Dos Princípios e Diretrizes Art. 7º As ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados contratados ou conveniados que integram o Sistema Único de Saúde (SUS), são desenvolvidos de acordo com as diretrizes previstas no art. 198 da Constituição Federal, obedecendo ainda aos seguintes princípios: I - universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência; II - integralidade de assistência, entendida como conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema; III - preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral; IV - igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie; V - direito à informação, às pessoas assistidas, sobre sua saúde; VI - divulgação de informações quanto ao potencial dos serviços de saúde e a sua utilização pelo usuário;VII - utilização da epidemiologia para o estabelecimento de prioridades, a alocação de recursos e a orientação programática; VIII - participação da comunidade; IX - descentralização político-administrativa, com direção única em cada esfera de governo: a) ênfase na descentralização dos serviços para os municípios; b) regionalização e hierarquização da rede de serviços de saúde; X - integração em nível executivo das ações de saúde, meio ambiente e saneamento básico; XI - conjugação dos recursos financeiros, tecnológicos, materiais e humanos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios na prestação de serviços de assistência à saúde da população; XII - capacidade de resolução dos serviços em todos os níveis de assistência; e XIII - organização dos serviços públicos de modo a evitar duplicidade de meios para fins idênticos. XIV – organização de atendimento público específico e especializado para mulheres e vítimas de violência doméstica em geral, que garanta, entre outros, atendimento, acompanhamento psicológico e cirurgias plásticas reparadoras, em conformidade com a Lei nº 12.845, de 1º de agosto de 2013. (Redação dada pela Lei nº 13.427, de 2017) XV – proteção integral dos direitos humanos de todos os usuários e especial atenção à identificação de maus-tratos, de negligência e de violência sexual praticados contra crianças e adolescentes. (Incluído pela Lei nº 14.679, de 2023) XVI – atenção humanizada. (Incluído pela Lei nº 15.126, de 2025) Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 11 COMISSÃO NACIONAL DE INCORPORAÇÃO DE TECNOLOGIAS NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (CONITEC) Em abril de 2025, foi sancionada a Lei 15.120/2025, que altera a composição da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) – responsável por decidir sobre a incorporação, exclusão ou alteração de medicamentos, produtos e procedimentos no SUS. Com a mudança, o órgão passará a incluir um representante de organização da sociedade civil constituída há mais de dois anos e atuante na área da respectiva especialidade ou patologia, assegurado o direito a voto. A lei estabelece que o assento destinado ao representante de organização da sociedade civil de caráter nacional é de ocupação rotativa e será preenchido pela entidade cuja representatividade seja relacionada à condição de saúde analisada. Também continuam compondo a Conitec um representante indicado pelo Conselho Nacional de Saúde, um representante, especialista na área, indicado pelo Conselho Federal de Medicina, e um representante, especialista na área, indicado pela Associação Médica Brasileira. A mudança busca ampliar a participação social nas decisões sobre tecnologias de saúde no SUS. ATLS 11ª EDIÇÃO TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO Em 2025, foi lançada a 11ª Edição do Advanced Trauma Life Support (ATLS), e o documento trouxe uma série de mudanças no que diz respeito ao manejo do paciente com trauma. Muitas mudanças foram vistas em relação ao traumatismo cranioencefálico (TCE), vamos detalhar cada uma delas neste capítulo! 1- Alvo da pressão arterial no neurotrauma. O ATLS traz que a hipotensão tem um efeito prejudicial no desfecho de lesões encefálicas e na medula espinhal. O efeito combinado de hipotensão e hipóxia duplica o risco de morte em pacientes com traumatismo cranioencefálico. A edição de 2025 trouxe atualizações acerca dos alvos da pressão no TCE: • para pacientes acima de 15 anos com TCE: alvo de PAS ≥ 100 mmHg; • para pacientes acima de 15 anos com traumatismo raquimedular (TRM): alvo de PAS > 90 mmHg; • para pacientes abaixo de 15 anos com TCE ou TRM: alvo de PAS > (70 + idade x 2). Como era (ATLS 10) Como ficou (ATLS 11) • TCE 50-69 anos: PAS ≥ 100mmHg • TCE 15-49 ou ≥ 70 anos: PAS ≥ 100mmHg • Crianças: não especificava • TRM: não especificava • TCE ≥ 15 anos: PAS ≥ 100mmHg • TCE ≥ 15 anos: PAS > 90mmHg • TCE (70 + idade x 2) • TRM (70 + idade x 2) Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 12 Veja o comparativo de como era antes e como ficou: 2- Uso do ácido tranexâmico. O uso do ácido tranexâmico não era mencionado na parte de TCE no ATLS 10. O ATLS 11 traz a seguinte recomendação: “Para pacientes com TCE moderado a grave que se apresentam em até 3 horas após a lesão, a administração intravenosa de ácido tranexâmico, seja uma dose única de 2g ou uma dose de 1g ao longo de 10 minutos, seguida de infusão intravenosa de 1 g ao longo de 8 horas, é segura e pode reduzir a mortalidade. A administração de ácido tranexâmico pode ser razoável para outros subgrupos, como TCE grave com pupilas reativas bilaterais e TCE leve com sangramento intracraniano, mas o benefício permanece incerto.” 3- Profilaxia de crise epiléptica. A gravidade do TCE está correlacionada com convulsões pós-traumáticas precoces (ou seja, dentro de 7 dias). A maior incidência ocorre após lesões penetrantes. Portanto, de acordo com a 11ª edição do ATLS, recomenda-se medicação anticonvulsivante profilática nas seguintes condições: • após TCE grave (ECG ≤ 8) e penetrante; • TCE contuso e moderado: fratura craniana com afundamento, hematoma subdural, contusão cortical, hematoma extradural (epidural), hematoma intracerebral e ocorrência de convulsões dentro de 24 horas após a lesão. A medicação anticonvulsivante profilática não é recomendada em cenários de ECG de 14-15 com ou sem sangramento intracraniano, HSA isolada, hemorragia intraventricular traumática isolada e hematoma subdural isolado com ECG ≥ 13. Os medicamentos mais estudados incluem fenitoína, fosfenitoína, ácido valproico e levetiracetam. Levetiracetam e lacosamida podem ter eficácia equivalente para prevenção de convulsões com menos eventos adversos e possivelmente melhores resultados funcionais. O ácido valproico (comparado à fenitoína) para profilaxia precoce das convulsões pós-traumáticas está associado a um risco aumentado de morte e não é utilizado. A medicação anticonvulsivante profilática é interrompida em até 7 dias, a menos que as convulsões tenham ocorrido > 24 horas após a lesão. A administração prolongada não diminui o risco de convulsões após a primeira semana. Em casos pediátricos, levetiracetam ou (fos)fenitoína são apropriados por 7 dias. O levetiracetam apresenta menos interações adversas e não é necessário monitoramento terapêutico do medicamento. As doses de levetiracetam comumente utilizadas são de 10 a 20 mg/kg, duas vezes ao dia. Agora, compare as recomendações do ATLS 10 e como ficou no ATLS 11. Como era (ATLS 10) Como ficou (ATLS 11) • (Fos-)Fenitoína não indicada para prevenção de crises tardias • (Fos-)Fenitoína recomendada para diminuir crises agudas (abordagem do atendimento inicial ao politraumatizado em relação à prioridade das hemorragias exsanguinantes, o que impactou diretamente o algoritmo tradicional da avaliação primária. 1 – Algoritmo de avaliação primária: de ABCDE para XABCDE Historicamente, a avaliação primária era baseada na sequência ABCDE: • A – via aérea com proteção da coluna cervical; • B – respiração; • C – circulação com controle de hemorragias; • D – déficit neurológico; • E – exposição completa do paciente e controle de hipotermia. Na nova edição, a sequência passou a ser XABCDE, em que: • X – controle imediato de hemorragias exsanguinantes; • A – via aérea com proteção da coluna cervical; • B – respiração; • C – circulação com controle de hemorragias; • D – déficit neurológico; • E – exposição completa do paciente e controle de hipotermia. Essa alteração reconhece que hemorragias massivas externas são a principal causa evitável de morte precoce, portanto devem ser abordadas antes mesmo da via aérea, utilizando medidas como: • compressão direta; • packing; • torniquetes; Essa mudança alinha o ATLS aos princípios do atendimento em combate e atendimento pré-hospitalar ao trauma (PHTLS), em que controlar hemorragias graves se tornou uma diretriz prioritária. ETAPA “X”: CONTROLE DE HEMORRAGIAS EXSANGUINANTES A 11ª edição do ATLS enfatiza que a hemorragia exsanguinante é a principal ameaça imediata à vida no atendimento ao politraumatizado. Essa priorização justifica a inclusão do “X” no início da sequência da avaliação primária, como vimos acima (XABCDE). 1 – Conceito de hemorragia exsanguinante Nem toda hemorragia externa se enquadra como exsanguinante. A hemorragia exsanguinante é um tipo de hemorragia externa que: • coloca a vida do paciente em risco iminente; • pode levar rapidamente à instabilidade hemodinâmica grave ou à morte se não for controlada de forma imediata. Exemplos típicos incluem: • sangramento arterial pulsátil em grande volume; • hemorragias associadas à amputação traumática de membros; • feridas penetrantes profundas com sangramento incontrolável. 2 – Manejo local da hemorragia exsanguinante O ATLS 11 recomenda as seguintes condutas: • exposição completa da área lesionada para avaliação e abordagem adequadas; • compressão direta do ferimento; o se a ferida for profunda: considerar o packing (tamponamento com compressas no interior do ferimento); • aplicação de torniquete nas seguintes situações: o o sangramento não é controlado rapidamente com compressão direta; o presença de sangramento arterial em jato; o ocorrência de amputação total ou subtotal de um membro. Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 14 3 – Técnica adequada de aplicação do torniquete • O torniquete deve ser aplicado diretamente sobre a pele, não sobre roupas. • Deve ser posicionado a 5 a 8 cm proximal ao local da lesão, evitando regiões articulares. • O objetivo é ocluir completamente o fluxo sanguíneo arterial: o pulsos distais não devem ser palpáveis; o o sangramento deve cessar imediatamente após aplicação. • Se o sangramento não for controlado com um torniquete, um segundo torniquete deve ser posicionado 3 a 5 cm acima do primeiro. • O tempo de aplicação deve ser anotado, preferencialmente, no próprio torniquete. 4 – Conversão do torniquete A nova edição destaca a importância de considerar a conversão do torniquete dentro de 2 horas após a lesão a fim de evitar complicações isquêmicas e perda desnecessária do membro. Entretanto, também deixa claro que a conversão do torniquete só deve ser feita em condições ideais, pois a prioridade é salvar a vida, não o membro. • Em uso prolongado, o torniquete pode estar associado à síndrome pós-torniquete, caracterizada por: o hipotensão; o acidose metabólica; o injúria renal aguda. • Torniquete não deve ser convertido: o em pacientes em choque grave, até que a ressuscitação esteja iniciada; o nos casos de amputação traumática, antes de avaliação cirúrgica especializada. ETAPA "A": VIA AÉREA COM PROTEÇÃO DA COLUNA CERVICAL A nova edição do ATLS declara de forma explícita a via aérea patente e protegida como uma prioridade, acima da proteção da coluna cervical, quando há risco de obstrução ou falência ventilatória iminente. 1 – Proteção da coluna cervical Apesar de estar em um nível prioritário inferior em relação à patência de vias aéreas, a estabilização cervical é importante e deve ser devidamente aplicada. As recomendações atualizadas incluem: • estabilização com colar cervical e head blocks para todas as vítimas com suspeita de lesão cervical. Entretanto, para ferimentos penetrantes, seu uso de rotina não é mais indicado; • movimentação em bloco (log roll) durante a manipulação e transporte; • prancha rígida pode ser utilizada, porém com aplicação minimizada, inclusive no contexto de transporte (caso o tempo de transporte seja longo, o uso da prancha rígida pode ser flexibilizado). • rolar o paciente em bloco para o lado está indicado em casos de: o vômitos ou secreções abundantes; o múltiplas vítimas, quando pacientes estão inconscientes e, portanto, sob risco de broncoaspiração. • em casos de sangramento profuso das vias aéreas ou trauma maxilofacial, se o paciente só consegue se manter ventilando adequadamente na posição sentada, ele deve permanecer nessa posição até que uma via aérea definitiva seja estabelecida. 2 – Vias aéreas definitivas • A intubação nasotraqueal não é mais citada como via aérea definitiva em vítimas de politrauma. • Em casos de oxigenação inadequada (ex.: SatO₂o retorno venoso e pode agravar quadros de choque. 3 – Cuidados técnicos e equipamentos: • videolaringoscópio é o equipamento de escolha, quando disponível; • fio guia ou introdutor de Eschmann devem estar disponíveis e, idealmente, ser utilizados; • manobra de Sellick não é mais indicada (pode dificultar a intubação); • a primeira tentativa de intubação é a mais importante – deve ser cuidadosamente planejada; • em pacientes com via aérea pré-hospitalar eficaz (como máscara laríngea) e oxigenação adequada, a via aérea definitiva pode ser adiada até que as condições clínicas e técnicas sejam ideais. 4 - Drogas que podem ser utilizadas e doses: • sedativos (+ fentanil): Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 16 MEDICAÇÃO DOSE ATENÇÃO QUETAMINA (SEDAÇÃO) 0,5 mg/Kg (repetir s.n.) PODE LEVAR À PARADA RESPIRATÓRIA QUETAMINA (RSI) 0,5–2 mg/Kg REDUZIR A DOSE NO CHOQUE ETOMIDATO 0,2–0,3 mg/Kg PROPOFOL Dose de acordo com a experiência REDUZIR A DOSE NO CHOQUE MIDAZOLAM Dose de acordo com a experiência REDUZIR A DOSE NO CHOQUE FENTANIL 0,5–1 mcg/Kg REDUZIR A DOSE NO CHOQUE • bloqueadores neuromusculares (BNM): MEDICAÇÃO DOSE ATENÇÃO ROCURÔNIO 0,6–1,2 mg/Kg PODE SER REVERTIDO COM SUGAMADEX SUXAMETÔNIO (SUCCINILCOLINA) 1 mg/Kg PODE AGRAVAR HIPERCALEMIA • drogas vasoativas: MEDICAÇÃO DOSE ATENÇÃO METARAMINOL 0,5–1 mg (ou 10 µg/kg) bólus FENILEFRINA 50 µg (ou 1 µg/kg) bólus EFEDRINA 6 mg (ou 0,5 mg/kg) bólus EPINEFRINA (ADRENALINA) 10–50 µg (ou 1–5 µg/kg) bólus 0,05 – 2 µg/kg/min infusão contínua DEPENDE DA GRAVIDADE DA HIPOTENSÃO (USE COM CAUTELA) NORADRENALINA 0,1–1 µg/kg/min infusão contínua PARA ADMINISTRAÇÃO PERIFÉRICA USAR SOLUÇÃO DILUÍDA (20 µg/ml) Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 17 ETAPA “B”: VENTILAÇÃO A nova edição traz ajustes conceituais e técnicos, especialmente no tratamento do pneumotórax hipertensivo e hemotórax maciço. 1 – Pneumotórax hipertensivo: abordagem atualizada • Locais de descompressão sugeridos: o descompressão torácica digital: 5º espaço intercostal (EIC) entre a linha axilar anterior e média; o toracocentese com cateter (preferencialmente, Abocath ou Jelco 14): � 5º EIC entre as linhas axilar anterior e média; � ou 2º EIC na linha hemiclavicular. • em pacientes obesos: preferir descompressão digital ou utilizar cateter de maior comprimento; • em pacientes gestantes: preferir a punção no segundo EIC, linha hemiclavicular. 2 – Drenagem torácica: • ponto de inserção do dreno torácico: o 5º EIC entre a linha axilar anterior e média; o em gestantes, inserir 1 a 2 EIC acima. • para os casos de pneumotórax simples ou hipertensivo, o dreno torácico de 14 Fr. mostrou-se eficaz. Esse calibre é bastante inferior aos drenos de 28 a 32 Fr. recomendados na edição anterior; • na ausência de dreno torácico: pode-se improvisar com tubo orotraqueal; • o procedimento pode ser guiado por ultrassonografia (USG), quando disponível. 3 – Hemotórax maciço ou hipertensivo Definição anterior (ATLS 10ª edição): Acúmulo de sangue na cavidade pleural com volume > 1500 mL ou superior a 1/3 do volume da cavidade pleural. Definição atual (ATLS 11ª edição): Hemotórax maciço ou hipertensivo ocorre quando há acúmulo de sangue suficiente na cavidade pleural que leve à hipotensão, devido à combinação de hipovolemia e comprometimento do retorno venoso. 4 – Tratamento do hemotórax: mudanças relevantes • Fluxograma terapêutico do hemotórax na 10ª edição Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 18 • Fluxograma terapêutico do hemotórax na 11ª edição Vale ressaltar que o manual do ATLS não define o que seria alto débito. Portanto, a decisão de realizar a cirurgia fica a cargo do cirurgião e é menos engessada pelo fluxograma. • Drenos de tórax recomendados: o hemotórax maciço: dreno de 24 Fr.; o hemotórax não maciço: dreno de 14 Fr. ETAPA “C”: CIRCULAÇÃO COM CONTROLE DE HEMORRAGIA A nova edição do ATLS trouxe atualizações importantes relacionadas à classificação do choque hemorrágico, à escolha de acessos vasculares e à estratégia de reposição volêmica inicial, com destaque para o uso de sangue total e o protocolo de hipotensão permissiva. 1 – Classificação do choque hemorrágico A tradicional tabela com quatro classes de choque foi reformulada. Agora, a classificação conta com apenas três categorias, sendo que alguns parâmetros voltaram a ser expressos com valores absolutos, o que facilita a aplicação clínica. Veja a comparação entre a tabela da 10ª e da 11ª edição do ATLS: Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 19 SINAIS E SINTOMAS DE HEMORRAGIA CONFORME PERDA VOLÊMICA (ATLS 10ª EDIÇÃO) PARÂMETRO CLASSE I CLASSE II CLASSE III CLASSE IV Perda sanguínea 40% Frequência cardíaca ↔ ↔ / ↑ ↑ ↑ / ↑↑ Pressão arterial ↔ ↔ ↓ ↓↓ Pressão de pulso ↔ ↓ ↓↓ ↓↓ Frequência respiratória ↔ ↑ ↑ ↑↑ Débito urinário ↔ ↓ ↓↓ ↓↓↓ Escala de coma de Glasgow ↔ ↔ ↓ ↓↓ Base déficit (gasometria) 0 a –2 mEq/L –2 a –6 mEq/L –6 a –10 mEq/L –10 mEq/L ou menos Necessidade de transfusão Monitorar Possível Transfundir Protocolo de transfusão maciça SINAIS E SINTOMAS DE HEMORRAGIA CONFORME PERDA VOLÊMICA (ATLS 11ª EDIÇÃO) Parâmetro LEVE MODERADA GRAVE Frequência cardíaca Inalterada Aumentada (>100) Muito aumentada (>120) Pressão arterial sistólica Inalterada Inalterada ou diminuída Muito diminuída (• o uso de gelo é contraindicado, pois pode agravar o dano tecidual. Reposição volêmica inicial no pré-hospitalar e antes do cálculo da superfície corporal queimada (SCQ): • ≤ 5 anos: 125 mL/h de ringer com lactato; • 6 a 12 anos: 250 mL/h de ringer com lactato; • ≥ 13 anos: 500 mL/h de ringer com lactato. 2 – Reposição volêmica inicial (hospitalar) Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 21 Situação Fórmula ATLS 11ª Ed. ADULTOS E ≥13 ANOS 2 × SCQ × PESO ATLS 11ª Ed. Pacientes pediátricos ( Comorbidades consideradas: diabetes, apneia do sono, hipertensão arterial, dislipidemia, doenças cardiovasculares incluindo doença arterial coronariana, infarto do miocárdio (IM), angina, insuficiência cardíaca congestiva (ICC), acidente vascular cerebral, hipertensão e fibrilação atrial, cardiomiopatia dilatada, cor pulmonale e síndrome de hipoventilação, asma grave não controlada, osteoartroses, hérnias discais, refluxo gastroesofageano com indicação cirúrgica, colecistopatia calculosa, pancreatites agudas de repetição, esteatose hepática, incontinência urinária de esforço na mulher, infertilidade masculina e feminina, disfunção erétil, síndrome dos ovários policísticos, veias varicosas e doença hemorroidária, hipertensão intracraniana idiopática (pseudotumor cerebral), estigmatização social e depressão. Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 22 INDICAÇÃO DE CIRURGIA METABÓLICA: 2. pacientes com IMC 30-34,9 kg/m2 e diabetes mellitus não controlado com tratamento clínico otimizado; • necessitam ter comorbidades consideradas: diabetes, apneia do sono, hipertensão arterial, dislipidemia, doenças cardiovasculares incluindo doença arterial coronariana, infarto do miocárdio (IM), angina, insuficiência cardíaca congestiva (ICC), acidente vascular cerebral, hipertensão e fibrilação atrial, cardiomiopatia dilatada, cor pulmonale e síndrome de hipoventilação, asma grave não controlada, osteoartroses, hérnias discais, refluxo gastroesofageano com indicação cirúrgica, colecistopatia calculosa, pancreatites agudas de repetição, esteatose hepática, incontinência urinária de esforço na mulher, infertilidade masculina e feminina, disfunção erétil, síndrome dos ovários policísticos, veias varicosas e doença hemorroidária, hipertensão intracraniana idiopática (pseudotumor Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 23 cerebri), estigmatização social e depressão; • pacientes com IMC igual ou superior a 30 kg/m2 e inferior a 35 kg/m2 (obesidade classe 1) na presença de: - diabetes mellitus tipo 2; (perceba que, nesse item, não entra mais tempopor serem mais propensos a eventos adversos devido à maior complexidade de sua doença. INDICAÇÃO CIRÚRGICA (ADOLESCENTES) Os estudos longitudinais atuais, avaliando desfechos de segurança e eficácia, não aplicam limite máximo específico de idade para a indicação da cirurgia. Pacientes com idade igual ou superior a 16 anos poderão ser elegíveis a tratamento cirúrgico para obesidade ou doença metabólica, utilizando-se, para tanto, dos mesmos critérios de adultos, desde que o paciente e seus familiares compreendam os riscos, a necessidade de mudanças de hábitos de vida inerentes ao tipo de cirurgia a que será submetido, bem como de acompanhamento pós-operatório com a equipe multidisciplinar em longo prazo. Além do IMC e das comorbidades, os critérios de eleição para cirurgia bariátrica e metabólica em adolescentes devem incluir: - desenvolvimento da maturidade psicológica e fisiológica; - capacidade de compreender os riscos e benefícios e aderir às modificações no estilo de vida; - capacidade de tomar decisões; - suporte social e familiar antes e depois da cirurgia. A elegibilidade do adolescente para ser submetido à cirurgia bariátrica ou metabólica envolve processo atencioso de decisão compartilhada com o paciente, pais ou tutores e a equipe médica. Cirurgia em adolescentes com idade acima de 14 anos e abaixo de 16 anos poderá ser considerada em casos excepcionais de obesidade grave (IMC maior do que 40 kg/m2), associadas a complicações clínicas que levem a risco de vida. É fundamental a emissão de termo de consentimento livre e esclarecido, que deverá ser obtido junto aos pais ou responsáveis legais. Resumindo: o que mudou? • Retirado do documento o limite de 65 anos de idade. • Retirado do documento o prazo mínimo de tratamento clínico por 2 anos antes da indicação do tratamento. • Adicionada a indicação de cirurgia em pacientes com IMC igual ou superior a 30 kg/m2 e inferior a 35 kg/m2 (obesidade classe 1) na presença das comorbidades listadas. • Adicionada a indicação de cirurgia em adolescentes acima de 14 anos. • Retirada do documento a necessidade da consolidação das cartilagens das epífises de crescimento dos punhos para indicar a cirurgia em adolescentes entre 16 e 18 anos. Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 24 GINA 2025 BIOMARCADORES DA INFLAMAÇÃO DO TIPO 2 O GINA, em 2025, trouxe atualizações acerca do uso dos biomarcadores da asma, bem como de sua aplicabilidade clínica. Diversos biomarcadores foram investigados no sangue, urina, escarro induzido, ar exalado e fluido de lavagem broncoalveolar de pessoas com asma. Os biomarcadores mais e utilizados são aqueles que refletem a inflamação das vias aéreas do tipo 2 e fenômenos alérgicos: contagem de eosinófilos no sangue, fração de óxido nítrico exalado (FeNO), imunoglobulina E total sérica (IgE) e IgE específica para alérgenos. A fração exalada de óxido nítrico (FeNO) é um marcador não invasivo da inflamação eosinofílica das vias aéreas, com aplicação crescente no diagnóstico e manejo da asma brônquica. O óxido nítrico (NO) é produzido naturalmente no trato respiratório, e seus níveis aumentam significativamente em presença de inflamação eosinofílica das vias aéreas – tipo de inflamação comum na asma alérgica e na asma do tipo 2 (Th2). A dosagem da fração exalada de NO (FeNO) reflete a atividade da enzima iNOS (óxido nítrico sintase induzível), que é expressa nas vias aéreas inflamatórias. O exame é simples e não invasivo, realizado com o paciente sentado, em respiração controlada. O paciente inspira profundamente até a capacidade pulmonar total, em seguida, exala lentamente em um dispositivo portátil ou fixo. Esses biomarcadores desempenham papéis no diagnóstico, fenotipagem, monitoramento, prognóstico e previsão da resposta ao tratamento na asma e adesão à corticoterapia. A contagem de eosinófilos no escarro é útil para direcionar a corticoterapia em pacientes com asma moderada a grave, mas geralmente não está disponível na prática clínica. COMO ERA NO GINA 2024? No GINA 2024, havia esta tabela detalhando o uso dos biomarcadores: Biomarcador Asma DPOC Um teste positivo para atopia (IgE específica e/ou teste cutâneo para aeroalérgenos) Aumenta a probabilidade de asma alérgica; não essencial para o diagnóstico de asma) Não descarta DPOC FeNO Um nível alto (> 50 ppb) em não fumantes está moderadamente associado à inflamação eosinofílica das vias aéreas. Geralmente normal Baixo em tabagistas ativos Eosinofilia sérica Auxilia no diagnóstico de inflamação eosinofílica das vias aéreas Pode estar presente na DPOC, inclusive durante exacerbações Células inflamatórias no escarro O papel no diagnóstico diferencial não está estabelecido em grandes populações. Além disso, o GINA 2024 trazia que pesquisas futuras devem incluir o estudo de características clínicas e fisiológicas, biomarcadores, desfechos e mecanismos subjacentes entre populações de pacientes com sintomas respiratórios ou com limitação crônica do fluxo aéreo. Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 25 COMO FICOU NO GINA 2025? O GINA traz as seguintes tabelas com informações acerca dos principais biomarcadores na asma: Tabela A1. Níveis elevados de eosinófilos e FeNO no sangue e fatores que afetam seus níveis em adultos e adolescentes Biomarcador Critério para considerar um valor “alto” em adultos/adolescentes Fatores que afetam a medição Contagem de eosinófilos no sangue Para diagnóstico de asma: eosinófilos acima do limite superior da normalidade. Em pacientes com asma grave em uso de corticoide inalatório em altas doses: • eosinófilos ≥ 150/µL: sugere a presença de inflamação do tipo 2; • eosinófilos 300/µL: é um limite utilizado para elegibilidade para medicamentos biológicos. Os níveis de eosinófilos são influenciados por múltiplos fatores, incluindo idade, sexo, horário do dia, tabagismo e exposição a alérgenos em indivíduos sensibilizados. O nível de eosinófilos é maior: • em homens do que em mulheres; • pela manhã do que à tarde; • em tabagistas ativos; • com infecções parasitárias (por exemplo, helmintos); • em doenças alérgicas (por exemplo, dermatite atópica, rinite alérgica, hipersensibilidade a medicamentos); •após exposição a alérgenos em indivíduos sensibilizados; • em outras condições não relacionadas à asma (por exemplo, bronquite eosinofílica). O número de eosinófilos é menor: • em alguns fenótipos de asma; • em pacientes que fazem uso de corticosteroides (particularmente corticosteroides orais, mas também inalatórios e intranasais). Fração exalada de óxido nítrico (FeNO) Não existem valores de referência padronizados até o momento. Os seguintes níveis são sugeridos como indicativos de FeNO alta: • pacientes que não fazem uso de corticoide: > 50 ppb; • pacientes em uso de corticoide inalatório em dose média: > 25 ppb; • pacientes em uso de corticoide inalatório em dose alta: > 20 ppb Os níveis de FeNO são influenciados por múltiplos fatores, incluindo idade, sexo, hora do dia e exposição a alérgenos em indivíduos sensibilizados, bem como pelo dispositivo e local de medição. Em uma população, a FeNO é maior: • em homens do que em mulheres; • à tarde do que pela manhã; • em doenças alérgicas, por exemplo, dermatite atópica e rinite alérgica; • aproximadamente 24 horas após a exposição a alérgenos em indivíduos sensibilizados. Em uma população, o FeNO é menor: • em tabagistas ativos; • durante broncoconstrição e em pacientes com função pulmonar reduzida; • durante a resposta alérgica inicial; • em pacientes em uso corticosteroides inalatórios (dependente da dose), mas também com corticosteroides orais ou nasais. Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 26 Dadas as muitas fontes de variação listadas acima, a contagem de eosinófilosno sangue e os níveis de FeNO devem ser interpretados com cautela na prática clínica. Para pacientes com asma grave que estão sendo avaliados para elegibilidade para terapia biológica direcionada ao tipo 2, se os eosinófilos no sangue e/ou FeNO não estiverem inicialmente acima do limiar alvo, eles devem ser repetidos pelo menos 3 vezes. Em um paciente com sintomas típicos de asma, se a espirometria ou o PFE (pico de fluxo expiratório) não estiverem disponíveis, ou se o teste for negativo, o diagnóstico de asma tipo 2 é sustentado por: • FeNO: > 50 ppb (adultos/adolescentes) não tratados com corticosteroides inalatórios (CI); • FeNO: ≥ 25 ppb (adultos/adolescentes) em uso de CI em dose média; • FeNO: ≥ 20 ppb (adultos/adolescentes) em uso de CI em dose alta; • FeNO > 35 ppb (crianças); • contagem de eosinófilos no sangue: acima do valor de referência. No entanto, eosinófilos sanguíneos e FeNO também podem estar elevados devido a outras condições não relacionadas à asma, incluindo doenças alérgicas e infecções parasitárias. Muitos fatores afetam os níveis de FeNO e a contagem de eosinófilos no sangue, incluindo o horário do dia. ATENÇÃO: baixos níveis de eosinófilos no sangue e de FeNO não descartam o diagnóstico de asma Em pacientes tratados com corticosteroides inalatórios com histórico de ≥ 1 exacerbação no ano anterior, níveis elevados de eosinófilos ou FeNO estão associados a maior risco de exacerbações, principalmente se ambos estiverem elevados. Esses biomarcadores também podem ser usados para verificar a adesão terapêutica. Em geral, quando o paciente adere ao CI, os níveis de FeNO reduzem-se. Sendo assim, se o FeNO estiver alto e a asma estiver descontrolada, apesar do uso de corticosteroides inalatórios (ICS) em dose média ou alta em combinação com LABA, devemos: • verificar e corrigir primeiro a adesão e a técnica inalatória antes de considerar o aumento da dose de ICS ou a introdução de terapia biológica; • se eosinófilos no sangue e FeNO estiverem baixos, considerar outras opções terapêuticas antes de aumentar a dose de ICS. Diante de tudo o que foi dito, podemos incluir os biomarcadores de resposta do tipo 2, sobretudo contagem de eosinófilos e FeNO, no fluxograma diagnóstico da asma da seguinte forma: Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 27 FATORES DE RISCO PARA EXACERBAÇÕES GRAVES EM ADULTOS E ADOLESCENTES. Múltiplos fatores, incluindo biomarcadores do Tipo 2, devem ser considerados na avaliação do risco de exacerbações futuras em pacientes (conforme detalhado acima). IMPACTO DAS CONDIÇÕES CLIMÁTICAS EXTREMAS Calor e frio extremos estão associados a um risco aumentado de exacerbações da asma e à necessidade de cuidados de saúde urgentes. Esse fator de risco não era citado no GINA 2024. DIAGNÓSTICO EM CRIANÇAS COM 5 ANOS OU MENOS A mudança mais importante é a confirmação de que o diagnóstico de asma pode ser feito nessa faixa etária. COMO ERA NO GINA 2024? O GINA 2024 apresentava uma abordagem baseada em probabilidade, que levava em consideração o padrão de sintomas durante e entre infecções respiratórias virais. Probabilidade de diagnóstico de asma em crianças de 5 anos ou menos: SINTOMAS (podem variar com o tempo) Tosse, sibilância, respiração difícil por >10 dias durante infecção de vias aéreas superiores Sim Sim Sim Episódios/ano 2–3 episódios/ano >3 episódios/ano, ou episódios severos e/ou piora durante a noite >3 episódios/ano, ou episódios severos e/ou piora durante a noite Sintomas entre episódios Assintomático entre os episódios Criança apresenta tosse ocasional, sibilância ou desconforto respiratório Criança apresenta tosse, sibilância ou desconforto respiratório ao brincar ou rir Condições associadas — — Sensibilização alérgica, dermatite atópica, alergia alimentar, ou história familiar de asma Probabilidade de asma Poucos têm asma Alguns têm asma A maioria tem asma Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 28 COMO FICOU NO GINA 2025? Uma abordagem pragmática para o diagnóstico é apresentada, com três critérios clínicos que podem ser resumidos em: 1. episódios agudos recorrentes de sibilância, com ou sem sintomas semelhantes aos da asma entre os intervalos; 2. improvável que um diagnóstico alternativo esteja causando os sintomas ou sinais; e 3. uma resposta oportuna ao tratamento da asma, incluindo melhora sintomática em minutos após a administração de SABA (em um ambiente de saúde ou em casa) ou durante um teste diagnóstico com CI diário mais SABA conforme necessário por 2 a 3 meses. Todos os 3 critérios são necessários para o diagnóstico de asma em crianças com 5 anos ou menos. (Adaptado do GINA 2025) TRATAMENTO RÁPIDO EM CRIANÇAS COM 5 ANOS OU MENOS Atualmente, existem poucas opções para crianças com sintomas de asma ≤ 2 dias/semana e que não têm histórico de episódios graves de sibilância. No entanto, vários estudos de terapia anti-inflamatória de alívio com baixas doses de CI-formoterol em crianças estão em andamento, incluindo em crianças com 5 anos ou menos. Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 29 COMO ERA NO GINA 2024? Etapa 1: sibilância infrequente durante infecções virais. Pouco ou nenhum sintoma nos intervalo. Etapa 2: sintomas não característicos de asma, mas necessitando de SABA ≥ 3 vezes por ano (indicar teste terapêutico por 3 meses), sintomas característicos de asma, sintomas não controlados ou ≥ 3 exacerbações por ano. Etapa 3: diagnóstico de asma e ausência de controle com dose baixa de corticoide inalatório. Etapa 4: ausência de controle com dose dobrada de corticoide inalatório. COMO FICOU NO GINA 2025? Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 30 Etapa 1: sibilância infrequente durante infecções virais. Pouco ou nenhum sintoma nos intervalo. Etapa 2: sintomas de asma não controlados ou uma ou mais exacerbações graves no último ano. Etapa 3: ausência de controle com dose baixa de corticoide inalatório. Etapa 4: ausência de controle com dose dobrada de corticoide inalatório. EXACERBAÇÕES DE ASMA EM CRIANÇAS DE 5 ANOS OU MENOS: O documento sofreu atualizações sobre o uso de sulfato de magnésio (mais evidências para magnésio intravenoso em exacerbações moderadas ou graves, mas o magnésio nebulizado não é mais recomendado) e sobre a dosagem de medicamentos inalatórios durante uma apresentação de atendimento agudo. A meta de saturação de oxigênio para crianças foi alterada de 94-98% para ≥ 94%, com lembretes (também para outras faixas etárias) para levar em consideração o efeito da cor da pele e ajuste para altitude, se relevante. COMO ERA NO GINA 2024? Sintomas de exacerbação em crianças pequenas • Os primeiros sintomas de exacerbação em crianças pequenas podem incluir piora dos sintomas; aumento da tosse, especialmente à noite; letargia ou redução da tolerância ao exercício; comprometimento das atividades diárias, incluindo a alimentação; e má resposta à medicação de alívio. Manejo domiciliar • Forneça um plano de ação para asma por escrito aos pais/cuidadores de crianças pequenas com asma para que possam reconhecer uma crise grave iminente, iniciar o tratamento e identificar quando é necessário tratamento hospitalar urgente. • O tratamento inicial em casa é com beta-2-agonista inalatório de curta ação (SABA), com revisão após 1 hora ou antes. • Os pais/cuidadores devem procurar atendimento médico urgente se a criança estiver gravemente dispneica, letárgica, não responder à terapia broncodilatadora inicial ou estiver piorando, especialmente em crianças com menos de 1 ano de idade. • O atendimento médico deve ser procurado no mesmo dia se o SABA inalatório for necessário com mais frequência do quea cada 3 horas ou por mais de 24 horas. • Não há evidências convincentes que sustentem o uso de corticosteroides orais iniciados pelos pais/cuidadores. Manejo de exacerbações em unidade de atenção primária ou de cuidados intensivos • Avaliar a gravidade da exacerbação ao iniciar o tratamento com SABA (2 a 6 puffs a cada 20 minutos na primeira hora) e oxigênio (para manter a saturação entre 94 e 98%). • Recomendar transferência imediata para o hospital se não houver resposta ao SABA inalatório em 1 a 2 horas; se a criança não conseguir falar ou beber, apresentar frequência respiratória > 40/minuto ou estiver cianosada, se houver falta de recursos em casa ou se a saturação de oxigênio for 40/minuto ou estiver cianosada, ou se a saturação de oxigênio forpara 30 dias e, uma vez caracterizada a adesão do indivíduo à estratégia, o seguimento clínico será quadrimestral (a cada 120 dias). A realização do teste de HIV a cada consulta é obrigatória, preferencialmente por teste rápido. Para pessoas em uso de PrEP há no mínimo um ano e sem histórico de descontinuidade da profilaxia, o seguimento clínico poderá ser ampliado para seis meses. NOVA DIRETRIZ DO RASTREAMENTO DO CÂNCER DE COLO DO ÚTERO (2025) Estrategista, a nova diretriz de rastreamento do câncer de colo uterino do Ministério da Saúde foi publicada em agosto de 2025 e apresenta grandes mudanças em relação à diretriz anterior de 2016. Esta diretriz adotou como exame de rastreamento o teste de DNA-HPV, que substitui a colpocitologia oncótica (Papanicolau). MÉTODOS MOLECULARES PARA DIAGNÓSTICO DO HPV Além das alterações citológicas e histológicas, hoje o HPV pode ser identificado por diversas técnicas moleculares.), detectando a presença do vírus no organismo antes da ocorrência de lesões ou câncer em estágios iniciais. A pesquisa de DNA HPV já é utilizada como método de rastreio para câncer de colo uterino em outros países e, no Brasil, também foi adotada como exame de rastreamento na diretriz de 2025. A reação em cadeia da polimerase (PCR) identifica o tipo de HPV por meio da amplificação de um fragmento de DNA. Existem diversos testes disponíveis no mercado, sendo que o teste nacional é capaz de detectar 14 tipos de HPV de alto risco e indica especificamente a positividade para o 16 e 18 (tipos mais envolvidos no câncer de colo uterino). Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 52 Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 53 POPULAÇÃO ALVO E INTERVALO DE RASTREAMENTO Devem ser rastreadas as mulheres de 25 a 64 anos de idade, sexualmente ativas. Os exames de rastreamento devem ser feitos com intervalo de 5 anos. Se o teste de DNA-HPV for realizado a partir dos 60 anos e apresentar resultado negativo pode-se liberar a paciente do rastreamento, já que o próximo teste seria realizado após os 64 anos de idade. O teste de rastreamento detecta os seguintes tipos de HPV de alto risco: 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59, 66 e 68. A coleta do teste de DNA-HPV pode ser realizada por médico ou profissional de enfermagem ou por autocoleta (quando a própria mulher obtém a amostra da vagina para o teste de rastreamento sem a utilização de espéculo). A autocoleta pode ser uma opção a ser considerada em situações de limitações ou barreiras resultantes do serviço de saúde ou da própria mulher para a coleta por médico ou profissional de enfermagem. As pessoas LGBTQIA+ devem seguir as mesmas recomendações das mulheres de risco padrão. DÚVIDAS 1. Por que não rastrear mulheres sexualmente ativas abaixo dos 25 anos? A prevalência da infecção pelo HPV nessa faixa etária é alta, mas também é alta a taxa de clareamento viral. Além disso, a incidência de câncer de colo é muito baixa nessa faixa etária (corresponde a menos de 1% dos tumores). Quando ocorrem, são tumores bastante agressivos, que não seguem a história natural da infecção por HPV, não sendo detectáveis pelo rastreamento, em sua maioria. 2. Caso você atenda uma mulher com mais de 60 anos que nunca realizou teste de DNA-HPV, como proceder? A paciente deve realizar um teste. Se negativo estará liberada do rastreamento. Se positivo deve seguir a orientação da população de risco padrão. 3. Caso você atenda uma mulher com mais de 60 anos com tratamento prévio de NIC 2 ou NIC 3 ou AIS (adenocarcinoma in situ), como proceder? Deve-se manter o rastreamento enquanto possível, sendo aceitável até pelo menos 25 anos após o tratamento. 4. Como se deve proceder no caso de doença cervical presente na colposcopia das mulheres com teste DNA-HPV positivo? A conduta nestes casos será definida na parte 2 dessa diretriz (ainda em elaboração). SITUAÇÕES ESPECIAIS • Como o HPV é transmitido sexualmente, não há necessidade de rastreamento com coleta do teste de DNA-HPV das mulheres virgens. • Se houver atrofia vaginal em pacientes na pós-menopausa, proceder estrogenização antes da coleta. Isso garante a qualidade da amostra e o diagnóstico correto, já que a citologia reflexa será realizada no mesmo material (Com exceção se a amostra tiver sido obtida por autocoleta. Neste caso deve-se convocar a paciente e proceder com a coleta da colpocitologia por médico ou profissional de enfermagem). • As gestantes devem ser rastreadas da mesma forma que as não gestantes. A coleta do teste de DNA-HPV não oferece risco para a Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 54 gravidez. • Em mulheres que se submeteram à histerectomia, é importante avaliar o motivo da cirurgia e seu rastreio prévio para câncer de colo uterino: o mulheres que realizaram histerectomia total (corpo e colo uterino) por doença benigna, sem histórico de tratamento de lesões cervicais de alto grau, podem ser excluídas do rastreamento; o mulheres histerectomizadas por lesão precursora ou câncer de colo uterino devem manter a coleta do teste DNA-HPV por pelo menos 25 anos após o tratamento ou indefinidamente. RASTREAMENTO NAS MULHERES VIVENDO COM HIV/AIDS OU IMUNODEPRIMIDAS / IMUNOSSUPRIMIDAS Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 55 RECOMENDAÇÕES • Pela maior prevalência de infecção por HPV e maior persistência do vírus, as pacientes vivendo com HIV/AIDS, imunodeprimidas ou imunossuprimidas devem iniciar o rastreamento após o início da atividade sexual. • O teste de DNA-HPV para estes casos deve ser realizado a cada 3 anos. • O rastreamento dessas mulheres deve prosseguir indefinidamente, não se devendo encerrar. Estrategista, o Ministério da Saúde prevê que a “implementação da nova diretriz (2025) começará por um município em cada estado, sendo ampliada conforme a finalização da troca do método” (ou seja, com a substituição gradual da colpocitologia pelo teste de DNA-HPV como método de rastreamento). A meta do Ministério da Saúde é de que, até dezembro de 2026, o rastreio com o teste de DNA-HPV esteja presente na rede pública de todo o território nacional. Ou seja, durante este período estaria “valendo as duas diretrizes". Além disso, como vimos, a nova diretriz ainda não está completa, sendo que só foi publicada a primeira parte, faltando a conduta a ser indicada em relação à doença cervical presente na colposcopia. Sendo assim, entendemos que as provas vão cobrar as duas diretrizes e, por isso, é muito importante que você saiba os conceitos de ambas. Quando estiver frente a uma questão de rastreamento de câncer de colo, preste atenção qual o exame de rastreamento que está sendo usado (teste de DNA-HPV ou colpocitologia) e se a conduta que está sendo cobrada se refere a diretriz de 2025 ou a diretriz de 2016. COMO ERA (Diretriz 2016) COMO FICOU (Diretriz 2025) Exame indicado Colpocitologia oncótica Genotipagem DNA HPV Faixa etária 25-64 anos 25-64 anos (podendo encerrar se teste negativo colhido após 60 anos) Periodicidade Iniciar com dois exames anuais; se negativos, manter rastreio 3/3 anos A cada 5 anos COMO ERA (Diretriz 2016) COMO FICOU (Diretriz 2025) Imunossuprimidas Iniciar após sexarca, com 2 exames semestrais; se normais, manter rastreio anual enquanto imunossupressão Se paciente HIV + com CD4 < 200, manter rastreio semestral Colposcopia na presença de qualquer alteração citológica Iniciar após sexarca Coleta a cada 3 anos Encaminhar para colposcopia na detecção de DNA HPV positivo Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 56 E nas pacientes com histórico de NIC 1, NIC 2 ou NIC 3? COMO ERA (Diretriz de 2016 COMO FICOU (Diretriz 2025)Margens livres ou comprometidas por NIC 1 Citologia seis e 12 meses após o procedimento. A colposcopia fica a critério do serviço. Após o primeiro ano: citologia anual até completar cinco anos do tratamento. Manter rastreio enquanto possível Aceitável manter por ao menos 25 anos após tratamento NIC 2/3 Citologia + colposcopia semestralmente por dois anos. Após os dois primeiros anos: citologia anual até completar cinco anos do tratamento. Após cinco anos: citologia trienal. Manter rastreio enquanto possível Aceitável manter por ao menos 25 anos após tratamento Adenocarcinoma in situ Citologia semestral por 2 anos, colposcopia a critério do serviço. Após 2 anos, retomar rastreio trienal. Manter rastreio enquanto possível Aceitável manter por ao menos 25 anos após tratamento ATUALIZAÇÃO DO TRATAMENTO DO DIABETES TIPO 2 Estrategista, a diretriz de diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes foi atualizada em agosto de 2025 e apresenta algumas mudanças em relação à diretriz anterior. Uma das principais mudanças foi a possibilidade do uso dos análogos de GLP-1 e dos inibidores da SGLT-2 em monoterapia, sem associação com a metformina. Além disso, foi ressaltado de forma mais consistente sobre a necessidade de avaliação do risco cardiovascular e do peso do paciente antes da decisão do tratamento. Vamos relembrar os principais benefícios extraglicêmicos das 2 classes medicamentosas mais estudadas e utilizadas nos últimos anos, os inibidores da SGLT-2 e os análogos de GLP-1: Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 57 Tanto os inibidores da SGLT-2 (empagliflozina, dapagliflozina) quanto os análogos de GLP-1 (liraglutida, semaglutida, dulaglutida) têm benefício comprovado de redução de eventos cardiovasculares e redução de mortalidade, principalmente em indivíduos de alto risco cardiovascular. Esse é o ponto comum destas medicações. Mas o que irá ajudar você na escolha do tratamento do seu paciente é saber a diferença de benefícios entre essas classes medicamentosas. Com essa informação você irá conseguir acertar boa parte das questões sobre o tema. Os análogos de GLP-1 têm benefício para perda de peso e alguns dos seus representantes (liraglutida, semaglutida) são aprovados on label para o tratamento da obesidade. Consequentemente, serão sua preferência em pacientes com sobrepeso/obesidade. Já os inibidores da SGLT-2 diminuem a progressão da doença renal do diabetes (devem ser utilizados em todos os pacientes com albuminúria >30mg/g e/ou TFG entre 60-20ml/min/1,73m2) e diminuem taxa de hospitalização em pacientes com insuficiência cardíaca. Veja a seguir como era o tratamento proposto em 2024: PACIENTES SEM ALTO OU MUITO ALTO RISCO CV/DRC PACIENTES COM ALTO OU MUITO ALTO RISCO CV E/OU DRC Perceba que a metformina era parte essencial do tratamento, e em casos de HbA1c <7.5% podíamos utilizá-la em monoterapia para todos os pacientes. Agora veja como ficou a nova diretriz de 2025, em que o tratamento se baseia no risco cardiovascular e na presença de sobrepeso/obesidade: ** AD: outros antidiabéticos, como sulfonilureias ou pioglitazona Estratégia MED Estratégia MED | As principais atualizações para residência médica de 2025 E-BOOK 58 /estrategiamed@estrategiamed t.me/estrategiamedEstratégia MED @estrategiamed *o asterisco indica que a medicação deve ser preferível em relação à outra opção. Perceba que os análogos de GLP-1 podem ser CONSIDERADOS na abordagem da doença renal do diabetes, após estudos recentes que mostraram redução de desfechos renais em casos de albuminúria mais proeminente (>100mg/g), porém não são a 1a escolha, que continua sendo os inibidores da SGLT-2. Então na sua prova, doença renal do diabetes = iSGLT-2! E a insulinoterapia? Veja como ficou: A diretriz de 2025 retirou dos critérios de insulinoterapia a necessidade de HbA1c >9%!! A partir de agora, serão critérios para insulinização apenas os sintomas de insulinopenia (poliuria, polidipsia, polifagia, perda de peso) + hiperglicemia grave (que não foi definida na diretriz). Mudança arriscada ein? Lembrando que a diretriz americana da ADA ainda utiliza os valores de HbA1c >10% e Glicemias >300mg/dL para considerar o início de insulinoterapia, ok? https://t.me/estrategiamed https://med.estrategia.com/ CONHEÇA NOSSOS APROVADOS Novos Indicadores de Desempenho da Atenção Primária à Saúde Equipes de Saúde da Família (eSF) e de Atenção Primária (eAP) Equipes Multiprofissionais (eMulti) Lista de Notificação Compulsória Lei 8.080/90 CAPÍTULO II Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) ATLS 11ª Edição Traumatismo cranioencefálico Atendimento inicial à vítima de politrauma Etapa “x”: controle de hemorragias exsanguinantes Etapa "A": via aérea com proteção da coluna cervical Etapa “B”: ventilação Etapa “C”: circulação com controle de hemorragia Queimaduras e trauma elétrico Indicações de cirurgia bariátrica GINA 2025 Biomarcadores da inflamação do tipo 2 Fatores de risco para exacerbações graves em adultos e adolescentes. Impacto das condições climáticas extremas Diagnóstico em crianças com 5 anos ou menos Tratamento rápido em crianças com 5 anos ou menos Exacerbações de asma em crianças de 5 anos ou menos: Diagnóstico rápido em adultos e adolescentes Cuidados personalizados para a asma: avaliar – ajustar – revisar Decisões de tratamento em nível populacional e personalizadas em nível de paciente Recomendações de tratamento para adultos e adolescentes Tratamento de exacerbações graves em adultos, adolescentes e crianças de 6 a 11 anos Doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica (MASLD) Prevenção da hipovitaminose D pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) Protocolo Assistencial Pré-eclâmpsia 2025 Suplementação Universal de Cálcio em Gestantes - Ministério da Saúde Suplementação universal: Atualização das indicações da vacina contra rotavírus humano Atualização da vacinação contra a doença meningocócica Atualização da profilaxia pré-exposição (PrEP) oral à infecção pelo HIV Nova diretriz do Rastreamento do câncer de colo do útero (2025) MÉTODOS MOLECULARES PARA DIAGNÓSTICO DO HPV POPULAÇÃO ALVO E INTERVALO DE RASTREAMENTO RASTREAMENTO NAS MULHERES VIVENDO COM HIV/AIDS OU IMUNODEPRIMIDAS / IMUNOSSUPRIMIDAS RECOMENDAÇÕES Atualização do tratamento do Diabetes tipo 2