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DIREITO ADMINISTRATIVO 
 
 
 
 
 
CONCEITOS 
 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA - SENTIDO AMPLO (2) 
sentido subjetivo - órgãos de governo (superior) + órgãos 
administrativos 
sentido objetivo - função política + função administrativa 
 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA - SENTIDO ESTRITO (2) 
Sentido subjetivo: órgãos, entidades e agentes públicos 
Sentido objetivo: natureza das atividades 
 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA X ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
A P - estrutura administrativa 
a p - atividade administrativa 
 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA - SENTIDO SUBJETIVO/FORMAL/ 
ORGÂNICO 
Designa as entidades, órgãos e agentes à administração (quem) 
 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA - SENTIDO OBJETIVO/FUNCIONAL/ 
MATERIAL 
Designa as atividades dos entes públicos ( o que) 
 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – INTROVERSA 
Relações internas, travadas entre órgãos e entidades da Ad. 
direta ou indireta. 
É instrumental. (meio) 
 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – EXTROVERSA 
Relações externas, entre o Poder Público e os administrados 
É finalística 
 
FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO (4) 
- lei: escrita e primária 
2 
 
- jurisprudência: secundária e subsidiárias 
- doutrina: secundária e subsidiária 
- Costumes: secundária, indireta e inorganizada, não escrita, 
subsidiária. 
 
SISTEMAS ADMINISTRATIVOS (2) 
Francês: dualidade de jurisdição (poder judiciário + justiça 
administrativa) 
Inglês: jurisdição única (adotado pelo Brasil) 
 
REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO (DE DIREITO PÚBLICO) 
Supremacia do interesse público (prerrogativas/privilégios) 
Indisponibilidade do interesse público (sujeições/limitações) 
 
REGIME JURÍDICO DA ADMINISTRAÇÃO (APLICÁVEL À) 
Regime de Direito Público + Regime de Direito Privado 
 
REGIME JURÍDICO DE DIREITO PRIVADO 
Particulares 
Indivíduos em igualdade 
 
TEORIA DA SUPREMACIA ESPECIAL 
(também denominada Sujeição Especial) busca relativizar o 
princípio da legalidade estrita pela impossibilidade fática de o 
legislador disciplinar todas as situações da vida cotidiana e por 
haver em cena uma maior proximidade física ou jurídica entre o 
administrado e a Administração Pública. Ou seja, por meio de 
Atos Administrativos, a Administração Pública, segundo a Teoria 
da Supremacia Especial, pode exigir ou obrigar alguma ação ou 
omissão do particular, bem como autoexecutar esse 
mandamento no caso de descumprimento pelo particular. Seria 
um afrouxamento da legalidade estrita frente ‡s necessidades da 
Administração Pública no exercício concreto da função 
administrativa para atender ao interesse público. 
 
TEORIA DO ESTADO EM REDE 
Visa aproximação da relação da Adm. Pública com o cidadão e a 
sociedade civil organizada. Busca integração e participação nos 
assuntos relevantes do Estado. 
 
 
QUAIS SÃO AS ESCOLAS OU CRITÉRIOS DO D. ADMINISTRATIVO? (7) 
QUAL FOI ADOTADO PELO BRASIL? 
Escola do Serviço Público (Francesa): objeto do DA é a prestação 
de serviço público. (hj se sabe que são 4 atividades adm: poder 
3 
 
de polícia, serviço público, intervenção na propriedade e 
fomento). 
Escola das Relações Jurídicas: relações jurídicas entre Estado e 
particulares. 
Critério do Poder Executivo: toda atuação do executivo seria 
atuação administrativa. 
Critério Teleológico: DA seria um conjunto de princípios 
Critério Residual ou Negativo: tudo o que não fosse função 
legislativa ou judicial, seria função do executivo. 
Critério de Distinção: da atividade jurídica e atividade social. A 
DA não tem objetivo social, mas torna possível a execução de 
funções sociais. 
Critério da Administração Pública: o objeto de estudo da DA é a 
própria administração pública. (critério adotado pela CF) 
 
 
PRINCÍPIOS EXPRESSOS (5) 
P. Publicidade: órgãos oficiais (requisito de eficácia)/ 
transparência. Não é absoluto (dados pessoais, informações 
sigilosas) 
P. Eficiência: atuação do agente e organização da administração 
(gerencial) 
P. Moralidade: Probidade, costumes administrativos, 
concretização de valores da lei. 
P. Legalidade: particulares (faz tudo o que não for proibido); adm. 
pública (faz tudo que está prescrito em lei) Ex. Medida 
provisória, estado de defesa e estado de sítio. 
P. da Impessoalidade: finalidade (interesse público); igualdade 
(isonomia); vedação a promoção pessoal; impedimento e 
suspeição; validade dos atos dos agentes de fato. 
STF (RE589.998) em atenção aos princípios da impessoalidade e 
da isonomia, a dispensa de empregado de EP/SEM deve ser 
motivada. 
 
PRINCÍPIOS IMPLÍCITOS (12) 
Lei 9784/99 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre 
outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, 
razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, 
contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 
 
P. da motivação: fundamentos de fato e direito + correlação 
lógica 
Exoneração de comissionado (não precisa motivar, se motivar 
fica vinculado) 
P. do controle ou tutela: controle finalístico das entidades da 
administração indireta. 
4 
 
P. da razoabilidade e proporcionalidade: R (critérios racionais e 
sensatos) e P (equilíbrio entre os meios e os fins - adequação, 
necessidade, proporcionalidade em sentido estrito) 
P. da autotutela: anular ilegais; revogar inconvenientes e 
inoportunos 
P. da supremacia do interesse público: atributos dos atos 
administrativos, claúsulas exorbitantes, poder de polícia, 
intervenção do Estado na propriedade privada. 
P. da indisponibilidade do interesse público: poder dever- de agir, 
inalienabilidade dos direitos concernentes ao interesse público 
STF (RE253.885) há casos em que o p. da indisponibilidade deve 
ser atenuado, para que a adm. atenda melhor ao interesse 
público (arbitragem em efera pública) 
P. da continuidade do serviço público: *não é descontinuidade 
interrupção do serviço público em situação de emergência ou 
após prévio aviso (por razões técnicas ou de segurança ou por 
inadimplemento do usuário) 
P. da especialidade: descentralização administrativa - entidades 
com finalidades específicas. 
P. do contraditório1 e ampla defesa2: 1. saber as alegações e se 
contrapor; 2. todos os meios e recursos válidos para provar o que 
alega. 
P. da segurança jurídica e proteção à confiança: estabilidade das 
relações jurídicas ( direito adquirido, coisa julgada, ato jurídico 
perfeito), manutenção de atos inválidos. 
Súmula 249 do TCU: é dispensada a reposição de importâncias 
indevidamente recebidas de boa fé, em virtude de erro escusável 
de interpretação de lei por parte do órgão/entidade. 
P. da boa-fé objetiva 
P. da hierarquia 
 
RESUMO: SÚMULAS P. DA AUTOTUTELA (2) 
Súmula STF 473 
A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados 
de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam 
direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou 
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, 
em todos os casos, a apreciação judicial. 
Súmula STF 346 
A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus 
próprios atos. 
 
 
 
 
 
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NEPOTISMO - QUAL LINHA DE PARENTESCO E QUAL GRAU? 
A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, 
colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da 
autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica 
investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o 
exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de 
função gratificada na administração pública direta e indireta em 
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal 
e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações 
recíprocas, viola a Constituição Federal. 
 
 
PRAZO DECADENCIAL PARA ANULAR ATOS ADMINISTRATIVOS PELA 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA? 
Art. 54. O direito da Administração de anular os atos 
administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os 
destinatários decai em cinco anos, contados da data em que 
foramcalculados conforme o art. 76-A desta Lei, desde 
que preencha, cumulativamente, os seguintes requisitos: 
I - 62 (sessenta e dois) anos de idade, se mulher, e 65 (sessenta 
e cinco) anos de idade, se homem; 
II - 25 (vinte e cinco anos) de contribuição, desde que cumprido 
o tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço 
público e de cinco anos no cargo efetivo em que for concedida a 
aposentadoria. 
 
PENSÃO POR MORTE 
Art. 44-A. A pensão por morte concedida a dependente de 
membro ou de servidor público estadual será equivalente a uma 
cota familiar de 50% (cinquenta por cento) do valor da 
aposentadoria recebida pelo servidor ou daquela a que teria 
direito se fossem aposentado por incapacidade permanente na 
data do óbito, acrescida de cotas de dez pontos percentuais por 
dependente, até o máximo de cem por cento. 
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§ 1º As cotas por dependente cessarão com a perda desta 
qualidade e não serão reversíveis aos demais dependentes, 
preservado o valor de 100% (cem por cento) da pensão por morte 
quando o número de dependentes remanescente for igual ou 
superior a 5 (cinco). 
 
 
AUXÍLIO-DOENÇA 
Art. 53. O auxílio-doença será devido ao segurado que ficar 
incapacitado para o seu trabalho por mais de 15 (quinze) dias 
consecutivos e consistirá no valor de sua última remuneração 
de contribuição. 
 
AUXÍLIO-MATERNIDADE 
Art. 56. O auxílio-maternidade é devido, independentemente de 
carência, à segurada durante cento e vinte dias, com início vinte 
e oito dias antes e término noventa e um dias depois do parto. 
 
Art. 59. Ao segurado ou à segurada que adotar ou obtiver guarda 
judicial para fins de adoção de criança é devido salário-
maternidade pelo período de 120 (cento e vinte) dias. 
Parágrafo único. Não poderá ser concedido o benefício de que 
trata o caput deste artigo a mais de um segurado, decorrente do 
mesmo processo de adoção ou guarda, ainda que os cônjuges ou 
companheiros estejam submetidos aos Regimes Próprio ou Geral 
de Previdência Social. 
 
AUXÍLIO-RECLUSÃO 
Art. 60. O auxílio-reclusão consistirá numa importância mensal, 
concedida aos dependentes do segurado recolhido à prisão que 
tenha remuneração, soldo ou subsídio igual ou inferior a valor 
fixado pelo RGPS, que não perceber remuneração dos cofres 
públicos e corresponderá à última remuneração-de-
contribuição; 
 
Art. 61. Caso o segurado venha a ser ressarcido com o pagamento 
da remuneração correspondente ao período em que esteve preso, 
e seus dependentes tenham recebido auxílio-reclusão, o valor 
correspondente ao período de gozo do benefício deverá ser 
restituído ao MSPREV pelo segurado ou por seus dependentes, 
aplicando-se os juros e índices de correção incidentes no 
ressarcimento da remuneração. 
Art. 62. Aplicar-se-ão ao auxílio-reclusão, no que couberem, as 
disposições atinentes à pensão por morte. 
Parágrafo único. Se o segurado preso vier a falecer na prisão, o 
benefício será transformado em pensão por morte. 
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PROCESSO ADMINISTRATIVO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Processo administrativo no âmbito da Administração Pública 
federal, pode ser aplicada, de forma subsidiária, aos estados e 
municípios, se inexistente norma local e específica que regule a 
matéria. 
Existindo lei própria para regulamentar processos 
administrativos específicos, as disposições da Lei 9.784/1999 
serão aplicadas apenas subsidiariamente. 
 
PRINCÍPIOS 
Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos 
princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, 
proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, 
segurança jurídica, interesse público e eficiência. 
 
PROCESSO – PROCEDIMENTO 
Processo: existe sempre como instrumento indispensável para o 
exercício de função administrativa; Sequência ordenada de atos 
para a produção de uma vontade final; “tudo o que for necessário 
para instruir, preparar e fundamentar o ato final objetivado” 
 
Procedimento: (modo de proceder) o é o conjunto de formalidades 
que devem ser observadas para a prática de certos atos 
administrativos; equivale a rito, a forma de proceder; o 
procedimento se desenvolve dentro de um processo 
administrativo 
 
ATO ADMINISTRATIVO – PROCESSO ADMINISTRATIVO 
O ato administrativo é o resultado final de um processo de 
tomada de decisão: especificado, consistente e imobilizado. 
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O processo administrativo representa o iter da tomada de 
decisão, é o vir a ser de um ato; 
 
 
DIREITOS DOS ADMINISTRADOS 
Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a 
Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam 
assegurados: 
I - ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que 
deverão facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de 
suas obrigações; 
II - ter ciência da tramitação dos processos administrativos em 
que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter 
cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões 
proferidas; 
III - formular alegações e apresentar documentos antes da 
decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão 
competente; 
IV - fazer-se assistir, facultativamente, por advogado, salvo 
quando obrigatória a representação, por força de lei. 
 
DEVERES DOS ADMINISTRADOS 
Art. 4o São deveres do administrado perante a Administração, 
sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: 
I - expor os fatos conforme a verdade; 
II - proceder com lealdade, urbanidade e boa-fé; 
III - não agir de modo temerário; (ignifica atuar em um processo 
em que se tem consciência de uma situação injusta e improba.) 
IV - prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar 
para o esclarecimento dos fatos. 
 
INÍCIO DO PROCESSO 
O processo administrativo é composto por 3 fases: 
Instauração 
Instrução 
Decisão 
 
INSTAURAÇÃO 
O processo administrativo pode iniciar-se de ofício ou a pedido 
de interessado. 
É vedada à Administração a recusa imotivada de recebimento de 
documentos, devendo o servidor orientar o interessado quanto 
ao suprimento de eventuais falhas. 
 
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Art. 7o Os órgãos e entidades administrativas deverão elaborar 
modelos ou formulários padronizados para assuntos que 
importem pretensões equivalentes. 
Art. 8o Quando os pedidos de uma pluralidade de interessados 
tiverem conteúdo e fundamentos idênticos, poderão ser 
formulados em um único requerimento, salvo preceito legal em 
contrário. 
 
Interessados 
Art. 9o São legitimados como interessados no processo 
administrativo: 
I - pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares de 
direitos ou interesses individuais ou no exercício do direito de 
representação; 
II - aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou 
interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; 
III - as organizações e associações representativas, no tocante a 
direitos e interesses coletivos; 
IV - as pessoas ou as associações legalmente constituídas 
quanto a direitos ou interesses difusos. 
Art. 10. São capazes, para fins de processo administrativo, os 
maiores de dezoito anos, ressalvada previsão especial em ato 
normativo próprio. 
 
 
COMPETÊNCIA 
Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos 
administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos 
de delegação e avocação legalmente admitidos. 
Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não 
houver impedimento legal, delegar parte da sua competência a 
outros órgãos ou titulares, ainda que estes não lhe sejam 
hierarquicamente subordinados, quando for conveniente, em 
razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, 
jurídica ou territorial. 
Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplica-se à 
delegação de competência dos órgãos colegiados aos respectivos 
presidentes. 
 
NÃO DELEGAÇÃO 
Art. 13. Não podem ser objeto de delegação:I - a edição de atos de caráter normativo; 
II - a decisão de recursos administrativos; 
III - as matérias de competência exclusiva do órgão ou 
autoridade. 
 
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DELEGAÇÃO 
Art. 14. O ato de delegação e sua revogação deverão ser 
publicados no meio oficial. 
§ 1o O ato de delegação especificará as matérias e poderes 
transferidos, os limites da atuação do delegado, a duração e os 
objetivos da delegação e o recurso cabível, podendo conter 
ressalva de exercício da atribuição delegada. 
§ 2o O ato de delegação é revogável a qualquer tempo pela 
autoridade delegante. 
§ 3o As decisões adotadas por delegação devem mencionar 
explicitamente esta qualidade e considerar-se-ão editadas pelo 
delegado. 
 
 
AVOCAÇÃO TEMPORÁRIA 
Art. 15. Será permitida, em caráter excepcional e por motivos 
relevantes devidamente justificados, a avocação temporária de 
competência atribuída a órgão hierarquicamente inferior. 
(Vedada avocação de competência exclusiva) 
Art. 16. Os órgãos e entidades administrativas divulgarão 
publicamente os locais das respectivas sedes e, quando 
conveniente, a unidade fundacional competente em matéria de 
interesse especial. 
Art. 17. Inexistindo competência legal específica, o processo 
administrativo deverá ser iniciado perante a autoridade de 
menor grau hierárquico para decidir. 
 
 
IMPEDIMENTOS E DA SUSPEIÇÃO 
Art. 18. É impedido de atuar em processo administrativo o 
servidor ou autoridade que: 
I - tenha interesse direto ou indireto na matéria; 
II - tenha participado ou venha a participar como perito, 
testemunha ou representante, ou se tais situações ocorrem 
quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e afins até o 
terceiro grau; 
III - esteja litigando judicial ou administrativamente com o 
interessado ou respectivo cônjuge ou companheiro. 
 
Art. 19. A autoridade ou servidor que incorrer em impedimento 
deve comunicar o fato à autoridade competente, abstendo-se de 
atuar. 
Parágrafo único. A omissão do dever de comunicar o 
impedimento constitui falta grave, para efeitos disciplinares. 
Art. 20. Pode ser argüida a suspeição de autoridade ou servidor 
que tenha amizade íntima ou inimizade notória com algum dos 
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interessados ou com os respectivos cônjuges, companheiros, 
parentes e afins até o terceiro grau. 
Art. 21. O indeferimento de alegação de suspeição poderá ser 
objeto de recurso, sem efeito suspensivo. 
 
INSTRUÇÃO 
Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e 
comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizam-
se de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo 
processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor 
atuações probatórias. 
 
Art. 31. Quando a matéria do processo envolver assunto de 
interesse geral, o órgão competente poderá, mediante despacho 
motivado, abrir período de consulta pública para manifestação 
de terceiros, antes da decisão do pedido, se não houver prejuízo 
para a parte interessada. 
 
Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, 
sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a 
instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 
 
Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da 
tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer 
diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à 
matéria objeto do processo. 
§ 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na 
motivação do relatório e da decisão. 
§ 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão 
fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando 
sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. 
 
Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a 
apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão 
expedidas intimações para esse fim, mencionando-se data, 
prazo, forma e condições de atendimento. 
Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão 
competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a 
omissão, não se eximindo de proferir a decisão. 
 
DO DEVER DE DECIDIR 
Art. 48. A Administração tem o dever de explicitamente emitir 
decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou 
reclamações, em matéria de sua competência. 
 
48 
 
Art. 49. Concluída a instrução de processo administrativo, a 
Administração tem o prazo de até trinta dias para decidir, salvo 
prorrogação por igual período expressamente motivada. 
 
DA DECISÃO COORDENADA 
Art. 49-A. No âmbito da Administração Pública federal, as 
decisões administrativas que exijam a participação de 3 (três) 
ou mais setores, órgãos ou entidades poderão ser tomadas 
mediante decisão coordenada, sempre que: 
 
I - for justificável pela relevância da matéria; e 
II - houver discordância que prejudique a celeridade do processo 
administrativo decisório. 
 
§ 1º Para os fins desta Lei, considera-se decisão coordenada a 
instância de natureza interinstitucional ou intersetorial que 
atua de forma compartilhada com a finalidade de simplificar o 
processo administrativo mediante participação concomitante de 
todas as autoridades e agentes decisórios e dos responsáveis 
pela instrução técnico-jurídica, observada a natureza do objeto 
e a compatibilidade do procedimento e de sua formalização com 
a legislação pertinente. 
 
§ 4º A decisão coordenada não exclui a responsabilidade 
originária de cada órgão ou autoridade envolvida. 
§ 5º A decisão coordenada obedecerá aos princípios da legalidade, 
da eficiência e da transparência, com utilização, sempre que 
necessário, da simplificação do procedimento e da concentração 
das instâncias decisórias. 
 
§ 6º Não se aplica a decisão coordenada aos processos 
administrativos: 
I - de licitação; 
II - relacionados ao poder sancionador; ou 
III - em que estejam envolvidas autoridades de Poderes distintos. 
 
Art. 49-B. Poderão habilitar-se a participar da decisão 
coordenada, na qualidade de ouvintes, os interessados de que 
trata o art. 9º desta Lei. 
Parágrafo único. A participação na reunião, que poderá incluir 
direito a voz, será deferida por decisão irrecorrível da autoridade 
responsável pela convocação da decisão coordenada. 
 
PARECER CONSULTIVO 
Art. 42. Quando deva ser obrigatoriamente ouvido um órgão 
consultivo, o parecer deverá ser emitido no prazo máximo de 
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quinze dias, salvo norma especial ou comprovada necessidade de 
maior prazo. 
§ 1o Se um parecer obrigatório e vinculante deixar de ser emitido 
no prazo fixado, o processo não terá seguimento até a respectiva 
apresentação, responsabilizando-se quem der causa ao atraso. 
§ 2o Se um parecer obrigatório e não vinculante deixar de ser 
emitido no prazo fixado, o processo poderá ter prosseguimento 
e ser decidido com sua dispensa, sem prejuízo da 
responsabilidade de quem se omitiu no atendimento. 
Art. 43. Quando por disposição de ato normativo devam ser 
previamente obtidos laudos técnicos de órgãos administrativos 
e estes não cumprirem o encargo no prazo assinalado, o órgão 
responsável pela instrução deverá solicitar laudo técnico de 
outro órgão dotado de qualificação e capacidade técnica 
equivalentes. 
 
ENCERRADA A INSTRUÇÃO – PRAZO PARA O INTERESSADO 
Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de 
manifestar-se no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo 
for legalmente fixado. 
Art. 45. Em caso de risco iminente, a Administração Pública 
poderá motivadamente adotar providências acauteladoras sem 
a prévia manifestação do interessado. 
 
 
MOTIVAÇÃO 
Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com 
indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: 
I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; 
II - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; 
III - decidam processos administrativos de concurso ou seleção 
pública;IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo 
licitatório; 
V - decidam recursos administrativos; 
VI - decorram de reexame de ofício; 
VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão 
ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios 
oficiais; 
VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação 
de ato administrativo. 
 
 
 
 
 
50 
 
DA DESISTÊNCIA E OUTROS CASOS DE EXTINÇÃO DO PROCESSO 
Art. 51. O interessado poderá, mediante manifestação escrita, 
desistir total ou parcialmente do pedido formulado ou, ainda, 
renunciar a direitos disponíveis. 
§ 1o Havendo vários interessados, a desistência ou renúncia 
atinge somente quem a tenha formulado. 
§ 2o A desistência ou renúncia do interessado, conforme o caso, 
não prejudica o prosseguimento do processo, se a Administração 
considerar que o interesse público assim o exige. 
Art. 52. O órgão competente poderá declarar extinto o processo 
quando exaurida sua finalidade ou o objeto da decisão se tornar 
impossível, inútil ou prejudicado por fato superveniente. 
 
 
DA ANULAÇÃO, REVOGAÇÃO E CONVALIDAÇÃO 
Anulação 
A anulação ocorre quando há um vício no ato administrativo, 
quando este ato é inválido, ilegal. 
A anulação de atos administrativos inválidos opera efeitos 
retroativos (ex tunc). Como regra geral, o ato é retirado do 
mundo jurídico desde o momento em que foi praticado, de modo 
que são desconsiderados os efeitos produzidos pelo ato. 
No âmbito federal, este prazo é de cinco anos, salvo a ocorrência 
de má-fé; 
 
Revogação 
Consiste no “ato discricionário pelo qual a Administração 
extingue um ato válido, por razões de conveniência e 
oportunidade”. Só se fala em conveniência e oportunidade nos 
atos discricionários, reparem que a revogação somente pode 
ocorrer em relação a estes. Não se admite revogação de atos 
vinculados, até porque nestes não há conveniência ou 
oportunidade a serem valorados. Além disso, reparem que a 
revogação aplica-se somente a atos válidos. 
 
Convalidação 
Os defeitos (ou vícios) do ato administrativo podem ser 
subdivididos em sanáveis e insanáveis. 
Admitindo-se, então, a existência de vícios sanáveis, tem lugar 
a convalidação (também chamada de “saneamento”), que 
consiste em corrigir o ato administrativo com efeitos 
retroativos (ex tunc). Assim, o objeto da convalidação consiste 
nos atos que contêm vícios sanáveis, também chamados de 
anuláveis. 
 
51 
 
Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando 
eivados de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de 
conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos 
adquiridos. 
Art. 54. O direito da Administração de anular os atos 
administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os 
destinatários decai em cinco anos, contados da data em que 
foram praticados, salvo comprovada má-fé. 
§ 1o No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de 
decadência contar-se-á da percepção do primeiro pagamento. 
§ 2o Considera-se exercício do direito de anular qualquer medida 
de autoridade administrativa que importe impugnação 
à validade do ato. 
Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão 
ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que 
apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela 
própria Administração. 
 
Súmula 473 STF 
A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados 
de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam 
direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou 
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, 
em todos os casos, a apreciação judicial. 
 
 
 
RECURSO ADMINISTRATIVO E REVISÃO DO PROCESSO 
 
Caso o interessado não concorde com a decisão, seja por motivos 
de legalidade ou por motivos de mérito, poderá interpor um 
recurso ainda na via administrativa: 
 
Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de 
razões de legalidade e de mérito. 
 
• Este recurso será endereçado à própria autoridade que 
tomou a decisão (isto é, à autoridade que decidiu o 
processo administrativo). 
• Esta autoridade poderá, diante do recurso interposto, 
reconsiderar sua decisão inicial, no prazo de 5 dias. 
• Caso aquela autoridade não reconsidere sua decisão, 
deverá, obrigatoriamente, encaminhar o recurso interposto 
ao seu superior hierárquico. 
 
52 
 
No máximo, 3 instâncias administrativas, como regra geral (art. 
57). Portanto, a Lei 9.784/1999 admite, no máximo, 2 recursos 
hierárquicos (isto é, 1 instância decisória e 2 instâncias 
recursais). 
 
Violação à Súmula Vinculante do STF 
Se o recorrente alegar que a decisão proferida no bojo do 
processo administrativo contrariou Súmula Vinculante do STF, a 
autoridade deverá, antes de encaminhar o recurso à autoridade 
superior, explicitar as razões de aplicabilidade ou 
inaplicabilidade da súmula, conforme o caso (art.56, §3º). 
 
Prazos 
Em regra, o prazo para interposição do recurso é de 10 dias, 
contados da ciência da decisão 
administrativa ou da sua divulgação oficial (art. 59, caput). Caso 
o prazo não seja obedecido, o 
recurso deixará de ser conhecido, de sorte que este prazo é 
considerado preclusivo (ou “prazo 
próprio”). 
 
A administração, a seu turno, possui no máximo 30 dias para 
decidir o recurso, contados a partir do recebimento dos autos 
pelo órgão competente. Este prazo, todavia, é um prazo 
impróprio. Caso a Administração não o cumpra, não haverá a 
nulidade do processo. 
 
 
Legitimados 
Art. 58. Têm legitimidade para interpor recurso administrativo: 
I - os titulares de direitos e interesses que forem parte no 
processo 
II - aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente 
afetados pela decisão recorrida; 
III - as organizações e associações representativas, no tocante a 
direitos e interesses coletivos; 
IV - os cidadãos ou associações, quanto a direitos ou interesses 
difusos. 
 
 
Recurso não será conhecido 
 Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: 
I - fora do prazo; 
II - perante órgão incompetente; 
III - por quem não seja legitimado; 
IV - após exaurida a esfera administrativa. 
53 
 
§ 1o Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a 
autoridade competente, sendo-lhe devolvido o prazo para 
recurso. 
§ 2o O não conhecimento do recurso não impede a Administração 
de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão 
administrativa. 
 
Mérito 
Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá 
confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a 
decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. 
 
 
Revisão do processo 
A revisão do processo, diferentemente do recurso, não se sujeita 
a prazo preclusivo: poderá ocorrer a qualquer tempo, de ofício 
ou a pedido do interessado. Portanto, mesmo aquela decisão da 
qual não caiba mais recurso, poderá ser objeto de revisão! 
O fundamento da revisão, no entanto, é bastante restritivo: 
consiste no surgimento de fatos novos ou circunstâncias 
relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção 
aplicada. 
 
Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções 
poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, 
quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes 
suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada. 
 
 
Interessados prioritários 
Art. 69-A. Terão prioridade na tramitação, em qualquer órgão ou 
instância, os procedimentos administrativos em que figure como 
parte ou interessado: 
I - pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos; 
II - pessoa portadora de deficiência, física ou mental; 
IV - pessoa portadora de tuberculose ativa, esclerose múltipla, 
neoplasia maligna, hanseníase, paralisia irreversível e 
incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, 
espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave,hepatopatia 
grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte 
deformante), contaminação por radiação, síndrome de 
imunodeficiência adquirida, ou outra doença grave, com base em 
conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença 
tenha sido contraída após o início do processo. 
§ 1o A pessoa interessada na obtenção do benefício, juntando 
prova de sua condição, deverá requerê-lo à autoridade 
54 
 
administrativa competente, que determinará as providências a 
serem cumpridas. 
 
55 
 
 
 
 
 
 
 
 
PODERES ADMINISTRATIVOS 
 
 
 
 
 
 
 
NOÇÕES INICIAIS 
O princípio da supremacia do interesse público fundamenta uma 
série de prerrogativas que colocam a administração pública em 
patamar de superioridade em relação ao particular. Ao serem 
conferidas aos agentes públicos, estas prerrogativas são 
chamadas poderes administrativos. É justamente este poder “que 
empresta autoridade ao agente público quando recebe da lei 
competência decisória e força para impor suas decisões aos 
administrados”. 
 
Os poderes administrativos instrumentalizam os agentes públicos 
para o alcance das finalidades do Estado. São prerrogativas que 
o ordenamento jurídico confere aos administradores públicos. 
 
O mesmo autor diferencia poderes administrativos de poderes 
políticos. 
Os poderes políticos compõem a estrutura do Estado, formada 
pelos Poderes Legislativo, 
Executivo e Judiciário, e integram sua organização política, nos 
termos previstos na Constituição Federal. Têm, portanto, caráter 
estrutural e orgânico. 
 
 
PODERES 
Poder vinculado 
atuação da Administração sem nenhuma liberdade 
Poder discricionário 
atuação com algum grau de liberdade 
Poder hierárquico 
ordenamento da Administração 
Poder disciplinar 
56 
 
aplicação de penalidades àqueles sujeitos à disciplina interna da 
Administração 
Poder regulamentar 
expedir regulamentos Poder de polícia imposição, a particulares, 
de condições e restrições ao exercício de direitos 
 
PODER VINCULADO 
“atos vinculados ou regrados são aqueles para os quais a lei 
estabelece os requisitos e condições de sua realização”. 
 
PODER DISCRICIONÁRIO 
O juízo de conveniência e oportunidade é o chamado mérito 
administrativo e consiste no núcleo do poder discricionário. 
O ordenamento jurídico confere liberdade ao administrador por 
meio de duas formas: 
- lei prevê expressamente a possibilidade de decisão do 
administrador 
- lei utiliza conceitos jurídicos indeterminados dando margem a 
uma decisão pelo administrador 
 
 
PODER HIERÁRQUICO 
É aquele que permite à administração pública distribuir e 
escalonar funções entre seus órgãos, ordenar e rever a atuação 
de seus agentes, estabelecer a relação de subordinação entre os 
servidores de seu quadro. 
A subordinação somente tem lugar quando estamos no âmbito 
da mesma pessoa jurídica. 
 
A vinculação fundamenta o controle finalístico que a 
administração direta exerce sobre as entidades da administração 
pública indireta. 
 
A aplicação de sanções no exercício do poder hierárquico somente 
tem lugar quando o penalizado é o próprio servidor público, que 
cometeu infração funcional. 
 
PODER DISCIPLINAR 
Diz respeito à apuração de infrações e aplicação de penalidades 
àqueles sujeitos à disciplina interna da Administração. 
[servidores públicos E particulares com vínculo específico com a 
Administração] 
A aplicação de penalidades a particulares somente decorre do 
poder disciplinar quando estes possuem vínculo específico com a 
Administração. 
 
57 
 
Sanção a particulares com vínculo específico: poder disciplinar 
Sanção a particulares em geral: poder de polícia 
 
A face vinculada - a Administração tem obrigação de instaurar o 
procedimento administrativo com vistas a aplicar a punição 
(atuação vinculada). 
A face discricionária - repousa na gradação da penalidade, ou 
seja, na liberdade para definir duração da sanção e, muitas 
vezes, até a penalidade que será aplicada. 
 
PODER REGULAMENTAR 
Expressa a competência normativa da administração pública. 
O poder regulamentar da administração pública é de natureza 
derivada, visando à produção de atos normativos secundários. Em 
decorrência desta natureza derivada, como regra geral, o poder 
regulamentar da Administração não pode inovar o ordenamento 
jurídico, devendo ser exercido sem contrariar a lei. 
 
Decretos regulamentares ou de execução (indelegável) 
Decretos autônomos (delegável) 
Decretos autônomos, por sua vez, consistem em atos 
normativos primários, que buscam seu fundamento de validade 
diretamente no texto constitucional. Eles não se prestam a 
regulamentar uma lei ou a completá-la, mas a inovar o 
ordenamento jurídico. (Presidente da República) 
Regulamentos autorizados ou delegados 
Regulamentos autorizados consistem na autorização dada pela 
Lei para que o Poder Executivo discipline situações não reguladas 
no texto legal. Os regulamentos autorizados inovam o 
ordenamento jurídico e completam a regulamentação legal. 
Resoluções, Portarias, Deliberações, Instruções e Regimentos 
 
PODER DE POLÍCIA 
“É a faculdade de que dispõe a Administração Pública para 
condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades e 
direitos individuais, em benefício da coletividade ou do próprio 
Estado”. 
O poder de polícia é uma clara manifestação do poder de império 
do Estado (poder extroverso), que incide sobre condutas e 
situações que possam afetar os interesses da coletividade. 
O poder de polícia é exercido por vários órgãos e entidades. 
• Infrações de natureza administrativa 
• Caráter preventivo 
• Exercida por vários órgãos 
• Bens, atividades e direitos 
58 
 
O poder de polícia pode ser exercido de modo preventivo ou 
repressivo; 
Fundamentados no poder de polícia preventiva, os quais podem 
consistir em uma licença ou autorização: 
 
Licença 
Expedida ao particular quando este preenche os requisitos 
concessórios, reconhecendo-lhe um direito e declarando tal 
situação (ato declarativo). Trata-se de ato vinculado, que não 
está sujeito ao exame de mérito. 
Uma vez preenchidas as condições aplicáveis, a licença não pode 
ser negada ao particular. 
Exemplos: licença para exercício de profissão, para edificação 
etc. 
 
Autorização 
Permite ao particular o exercício de atividade privada ou o uso 
de um bem. Não há direito do 
particular quanto à obtenção da autorização (há mero 
interesse). 
Se a autorização é concedida, aí sim o particular passa a ter o 
direito de explorar aquela atividade ou bem (ato constitutivo). 
No entanto, este até tem caráter precário, já que é passível de 
revogação. 
Trata-se de ato discricionário, emitido após exame de mérito por 
parte da Administração. 
Exemplo: porte de arma de fogo. 
 
Atributos do poder de polícia: 
Discricionariedade 
Autoexecutoriedade (desnecessidade de submeter ao Poder 
Judiciário os atos administrativos previamente à sua execução, 
como regra geral.) No entanto, nem toda atuação de polícia é 
autoexecutória. O exemplo clássico é a cobrança de multas.) 
Coercibilidade (o ato de polícia será autoexecutório nos casos de 
urgência ou quando houver previsão legal.) 
 
O atributo da autoexecutoriedade poderia ser desdobrado em 
duas características: a executoriedade e a exigibilidade. 
A executoriedade consiste na possibilidade de a Administração 
executar diretamente sua decisão pelo uso da força. É o caso, por 
exemplo, da demolição de um prédio em ruínas; 
Já na exigibilidade a Administração somente tem a seu dispor 
meios indiretos de coerção. É o caso, por exemplo, da 
determinação da Administração para instalação de corrimão na 
escada de um hospital. 
59 
 
 
Um dos limites ao poder de polícia, bem como a toda atuação 
discricionária da administração pública, consiste nos princípios 
da razoabilidade e proporcionalidade. (necessidade, 
proporcionalidade e eficácia)Sanção a particulares com vínculo específico: poder disciplinar 
Sanção a particulares em geral: poder de polícia 
 
Fases da atividade de polícia (ciclo de polícia) 
• Legislação ou Ordem de polícia 
A ordem de polícia comporta duas modalidades: restrições ao 
exercício de direitos (“não faça 
isto”) e condicionamentos do exercício de direitos (“não faça 
dessa forma”). 
• Consentimento de polícia 
Quando for exigido, o consentimento diz respeito à aprovação 
da Administração para a prática 
de determinadas atividades privadas (licenças e autorizações). 
• Fiscalização de polícia 
A Administração verifica se o particular está cumprindo as 
ordens de polícia ou, quando for o caso, o consentimento de 
polícia. 
• Sanção de polícia 
Havendo a constatação de infrações às ordens de polícia e, 
quando for o caso, ao consentimento de polícia, terá lugar a 
aplicação de sanções. 
Sempre estarão presentes as fases de Ordem de polícia e 
Fiscalização 
 
CF, art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (..) 
II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela 
utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos 
e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua 
disposição; 
 
Poder de polícia originário e delegado 
O poder de polícia originário é aquele exercido por órgãos 
pertencentes à estrutura das próprias pessoas políticas, a saber: 
órgãos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios. Em outras palavras, trata-se do poder de polícia 
exercido pela administração direta. 
 
Por sua vez, o poder de polícia delegado é exercido por entidades 
da administração indireta. É o caso, por exemplo, do poder de 
60 
 
polícia da Anatel, enquanto autarquia vinculada à União. Nestes 
casos, a lei delega a estas pessoas jurídicas o exercício do poder 
de polícia. 
 
Delegação 
Nesse sentido, o STF firmou o seguinte entendimento: 
É constitucional a delegação do poder de polícia, por meio de lei, 
a pessoas jurídicas de direito privado integrantes da 
Administração Pública indireta de capital social 
majoritariamente público que prestem exclusivamente serviço 
público de atuação própria do Estado e em regime não 
concorrencial. 
 
STF 
é constitucional a delegação do poder de polícia a entidades 
públicas de direito privado, inclusive de atos de consentimento, 
fiscalização e [SANÇÃO] multa condições: 
• lei; capital social majoritariamente público 
• exclusivamente prestação de serviço público próprio do Estado 
• regime não concorrencial 
 
STJ 
é possível a delegação do poder de polícia a entidades públicas 
de direito privado, mas somente atos relativos ao consentimento 
e à fiscalização atos de polícia referentes à legislação e à sanção 
derivam do poder de coerção do Poder Público 
 
Prescrição 
Lei 9.873/1999, art. 1º Prescreve em cinco anos a ação punitiva 
da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício 
do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em 
vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração 
permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. 
 
Além disso, uma vez instaurado o processo administrativo para 
punição dos infratores, a administração deverá concluí-lo, sem 
deixar o processo parado por mais de três anos, como regra geral, 
sob pena de ocorrer a chamada prescrição intercorrente: 
 
Lei 9.873/1999, art. 1º, § 1º Incide a prescrição no procedimento 
administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de 
julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício 
ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da 
apuração da responsabilidade funcional decorrente da 
paralisação, se for o caso. 
 
61 
 
SUSTAR ATOS NORMATIVOS 
O inciso V do artigo 49 da Constituição Federal estabelece 
competência exclusiva do Congresso Nacional para sustar os 
atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder 
regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. 
 
 
IRRENUNCIÁVEIS 
O uso desses poderes garante a preservação dos interesses da 
coletividade. Eles permitem a aplicação do interesse público, 
logo, são irrenunciáveis. Geralmente, os seguintes poderes se 
destacam: poder vinculado, poder discricionário, poder 
normativo, poder hierárquico, poder disciplinar e poder de 
polícia. 
 
 
USO E ABUSO DE PODER 
O abuso de poder ocorre quando (i) o agente público, embora seja 
competente para a prática do ato, ultrapassa os limites de suas 
atribuições ou (ii) se desvia das finalidades administrativas. 
O abuso é, portanto, gênero que comporta duas espécies: 
excesso de poder 
agente atua fora dos limites de sua competência (VÍCIO 
COMPETÊNCIA) 
desvio de poder 
agente atua visando finalidade diversa daquela almejada pela lei 
(VÍCIO FINALIDADE) 
 
DEVERES 
Poder-dever de agir 
 O poder tem para o agente público o significado de dever para 
com a comunidade e para com os indivíduos, no sentido de que 
quem o detém está sempre na obrigação de exercê-lo. Se, para o 
particular, o poder agir é facultativo, para o administrador 
público é uma obrigação de atuar, desde que se apresente o 
motivo, em benefício da comunidade. O Direito Público ajunta 
ao poder do administrador o dever de administrar e executar as 
tarefas que lhe cabe por lei. Suas funções são irrenunciáveis, 
salvo previsão legal. 
 
Tem-se duas principais decorrências do poder-dever de agir: 
os poderes administrativos são irrenunciáveis: devem ser 
obrigatoriamente exercidos a omissão do agente, nas situações 
em que sua atuação é obrigatória, caracteriza: abuso de poder. 
 
 
62 
 
Dever de Eficiência 
Em virtude do dever de eficiência a atuação do agente deve ser 
pautada por rendimento funcional, perfeição técnica, 
produtividade, celeridade, economicidade, atuação planejada e 
controlada. 
 
Dever de Probidade 
O dever de probidade exige que o agente público atue de forma 
ética, honesta, em consonância com o princípio da moralidade, 
expresso constitucionalmente. 
 
 
 
63 
 
 
 
 
 
 
ATOS ADMINISTRATIVOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONCEITO 
Declaração do Estado ou de quem o represente, que produz 
efeitos jurídicos imediatos, com observância da lei, sob regime 
jurídico de direito público e sujeita a controle pelo Poder 
Judiciário. 
 
 
É importante perceber que os “atos administrativos” são, 
portanto, espécie do gênero “atos da administração”. 
 
 
ATOS DA ADMINISTRAÇÃO 
atos de direito privado (como doação, permuta, locação, compra 
e venda) atos materiais da Administração, que não contêm 
manifestação de vontade - são atos de mera execução de 
determinações (como demolição de casa, varrição de ruas) atos 
de conhecimento, opinião, juízo ou valor, que também não 
expressam vontade (como atestados e certidões) atos políticos, 
sujeitos ao regramento do direito constitucional (declarar 
estado de sítio, veto/sanção etc) atos normativos (decretos, 
portarias, resoluções, regimentos) atos administrativos 
propriamente ditos 
 
FATOS ADMINISTRATIVOS 
São um desdobramento dos “fatos jurídicos” e consistem em 
todo fato que gera efeitos jurídicos no campo do direito 
administrativo. (Maria Sylvia di Pietro) 
Seriam exemplos de fatos administrativos: a morte de um 
servidor público (que produz a vacância de seu cargo), uma 
descarga elétrica que provocou danos em equipamentos da 
64 
 
repartição pública e o decurso do tempo (que produz a prescrição 
administrativa). 
 
FATOS DA ADMINISTRAÇÃO 
Os chamados fatos da administração são os acontecimentos 
naturais que não geram efeitos jurídicos no campo do direito 
administrativo, como a chuva que caiu sobre um edifício público 
(e não gerou estragos). 
 
 
ATRIBUTOS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 
Presunção de legitimidade e veracidade 
Imperatividade 
Autoexecutoriedade 
TipicidadeOs atributos de Imperatividade e Autoexecutoriedade não 
estarão presentes em todos os atos administrativos, 
diferentemente da Presunção de legitimidade e da Tipicidade. 
 
PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE E VERACIDADE 
Legitimidade: atos administrativos são considerados emitidos 
conforme a lei (legítimos) 
Veracidade: são considerados verdadeiros os fatos alegados pela 
administração pública para prática dos atos administrativos 
O ato é presumidamente legal e verdadeiro. 
Presunção relativa – ônus da prova do administrado. 
 
IMPERATIVIDADE 
Imposição dos efeitos do ato administrativo aos administrados 
de forma unilateral; diz respeito a coercibilidade das obrigações 
e restrições impostas pelo Poder Público. 
 
AUTOEXECUTORIEDADE 
A autoexecutoriedade consiste na desnecessidade de submeter 
ao Poder Judiciário os atos administrativos previamente à sua 
execução. 
Requisitos: urgência ou expressa previsão legal. 
Executoriedade: meios diretos de coerção 
Exigibilidade: meios indiretos de coerção 
 
TIPICIDADE 
Figuras previamente definidas pela lei. 
 
 
 
65 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS ATOS ADMNISTRATIVOS 
 
• Quanto à liberdade de ação: ato vinculado e discricionário 
 
• Quanto aos destinatários: ato geral e individual 
Atos administrativos gerais (também chamados de normativos ou 
regulamentares) são aqueles que atingem número de 
destinatários indeterminado. Consistem nos atos normativos, 
que possuem generalidade e abstração. Portanto, em termos de 
conteúdo, os atos gerais são similares às leis. São sempre 
discricionários. 
Prevalecem sobre os individuais; Revogáveis, mesmo se gerar dir. 
adquirido; Sempre publicados em meio oficial; Não admitem 
impugnação direta. 
 
Já os atos administrativos individuais (também chamados 
concretos ou especiais) são aqueles que possuem destinatários 
determinados, podendo ser um único destinatário (ato singular) 
ou múltiplos destinatários (ato plúrimo), desde que sejam 
determinados. Podem ser vinculados ou discricionários. 
Devem observar os atos gerais se gerar dir. adquirido; São 
irrevogáveis publicados, se: 
• efeitos externos • oneram patrimônio público; Admitem 
impugnação direta 
Ex. aposentadoria de um servidor (singular), nomear trinta 
técnicos administrativos (plúrimo) 
 
• Quanto ao âmbito de aplicação: ato interno e externo 
Atos internos: efeitos internos à Administração; regra: não 
requerem publicação oficial 
Atos externos: atingem os administrados; regra: devem ser 
publicados 
 
• Quanto à formação da vontade: ato simples, complexo e 
composto 
Atos simples vontade de um único órgão - singular ou colegiado 
Atos complexos fusão das vontades de dois ou mais órgãos - 
único ato 
Atos compostos resulta da vontade única de um órgão + 
ratificação por outro órgão/autoridade- dois atos: principal + 
acessório 
 
• Quanto às prerrogativas (ou ao objeto): ato de império, de gestão 
e de expediente 
Atos de impérios: imposição coercitiva e unilateral ao 
administrado. 
66 
 
Atos de gestão: situação de igualdade com os particulares, sem 
se valer da supermacia. 
Atos de expediente: sem conteúdo decisório 
 
• Quanto aos efeitos provocados: ato constitutivo, declaratório, 
extintivo e modificativo 
Ato constitutivo: é aquele que cria nova situação jurídica 
individual para os destinatários do ato, em relação à 
administração. 
Ato declaratório: é aquele que apenas reconhece e declara uma 
situação jurídica preexistente ou de um fato; ele se limita a 
conferir certeza jurídica à situação preexistente. 
Ato extintivo: ou desconstitutivo é aquele que põe fim a 
situações jurídicas individuais. 
Ato modificativo: tem por fim alterar situações preexistentes, 
sem extingui-las (ou seja, sem suprimir direitos ou obrigações) 
 
• Quanto aos requisitos de validade: ato válido, nulo, anulável e 
inexistente 
O ato válido é aquele que foi praticado em observância aos 
requisitos legais aplicáveis. 
O ato nulo é aquele que apresenta vício insanável, ato com 
eficácia retroativa (ex tunc), desfazendo-se os efeitos já 
produzidos. No entanto, em relação aos terceiros de boa-fé 
(terceiros que desconheciam o vício do ato), os efeitos já 
produzidos são mantidos, por razões de segurança jurídica. 
O ato anulável é aquele quando o vício que apresenta é sanável. 
Neste caso, o ato pode ser convalidado (corrigido) pela própria 
administração. (quanto a pessoa: competência (exceção 
competência exclusiva); quanto á forma (exceção, exigida em 
lei) 
O ato inexistente é aquele que tem apenas aparência de 
manifestação da vontade da administração, mas não advém de 
um agente público. Exemplo: ato praticado pelo usurpador da 
função pública 
• Quanto à exequibilidade: ato perfeito, eficaz, pendente e 
consumado 
Ato perfeito é aquele que está pronto, já completou todo seu 
ciclo de formação. Ato perfeito é aquele completamente 
formado, concluído. Já a validade está ligada ao respeito aos 
requisitos legais do ato, previstos em lei. (não confundir 
perfeição com validade) 
Ato eficaz é aquele que está disponível para a produção de 
efeitos. Ele não depende de qualquer fato ou ato para produzir 
efeitos. Não está sujeito a condição ou termo. A eficácia do ato 
não se confunde com sua validade. 
67 
 
Ato pendente é aquele que está sujeito a condição ou termo para 
começar a produzir efeitos. 
Ato consumado: é aquele que já exauriu seus efeitos. 
 
Ato perfeito, válido e eficaz: concluído seu ciclo de formação, 
encontra-se plenamente ajustado às exigências legais e está 
disponível para produção de efeitos que lhe são típicos. 
 
Ato perfeito, inválido e eficaz: concluído seu ciclo de formação 
e, apesar de não se encontrar conformado às exigências legais, 
encontra-se produzindo efeitos. 
 
Ato perfeito, válido e ineficaz (ou pendente): concluído seu ciclo 
de formação, encontra-se plenamente ajustado às exigências 
legais, mas não se encontra disponível para a eclosão de 
efeitos, por depender de termo inicial, condição suspensiva ou 
autorização, homologação ou aprovação por uma autoridade 
controladora. 
 
Ato perfeito, inválido e ineficaz: esgotado seu ciclo de formação, 
encontra-se em desconformidade com as exigências legais e, 
além disso, está pendente do implemento de condição, termo 
ou de autorização, homologação ou aprovação por uma 
autoridade controladora. 
 
• Quanto à situação jurídica que criam: Ato-regra, ato subjetivo e 
ato-condição 
Atos-regra são os que criam situações gerais, impessoais e 
abstratas. São revogáveis a qualquer tempo. Ex. decretos 
regulamentares. 
Os atos-subjetivos, a seu turno, criam situações particulares, 
concretas e pessoais, produzidas pela vontade das partes. São 
imodificáveis pela vontade de apenas uma das partes. Exemplo: 
contratos. 
Os atos-condição são os que alguém pratica incluindo-se debaixo 
de situações criadas pelos atos-regra. Estão sujeitos, assim, às 
alterações unilaterais dos atos-regra. Exemplos: o ato de 
aceitação de cargo público e o acordo na concessão de serviço 
público. 
 
 
ELEMENTOS OU REQUISITOS DE VALIDADE 
 
ELEMENTOS ESSENCIAIS 
Competência Quem pode praticar o ato (vinculado) 
Finalidade Para quê (vinculado) 
68 
 
Forma: Meio de exteriorização do ato (vinculado) 
Motivo Causa da prática do ato (discricionário) 
Objeto Conteúdo do ato (discricionário) 
 
 
ELEMENTOS ACIDENTAIS 
Encargo: Ela é imposta pelo doador, geralmente restringindo a 
liberdade do beneficiário no que diz respeito à forma de 
utilização do bem ou do valor doado. 
Termo : evento futuro e certo – (quando) 
Condição: evento futuro e incerto – (se ou enquanto) 
 
 
COMPETÊNCIA 
Atos de delegação e avocação: transferência temporária do 
exercício da competência (não de sua titularidade). 
✓ Delegação: 
o em regra é possível 
o a subordinados ou não subordinados 
o por prazo determinado 
o é discricionária e reversível 
o agentedelegado responde pelo ato praticado mediante 
delegação 
o publicada em meio oficial (inclusive a revogação da delegação) 
o indelegáveis: atos de caráter normativo, recursos e competência 
exclusiva 
✓ Avocação: 
o medida excepcional e fundamentada 
o apenas de agente hierarquicamente inferior 
o vedada avocação de competência exclusiva 
o não se confunde com revogação de ato de delegação 
Incompetência: excesso de poder (uma modalidade do abuso de 
poder). Em regra, admite convalidação. 
 
 
FINALIDADE 
Resultado que a Administração pretende alcançar com a prática 
do ato. 
O objeto é o efeito jurídico imediato que o ato produz, enquanto 
a finalidade é o efeito mediato. Embora ambos sejam 
componentes do resultado do ato, o objeto consiste no seu 
resultado prático (efeito imediato) e a finalidade consiste no fim 
mediato, no interesse coletivo tutelado. 
 
Abuso de poder 
Desvio de Poder → vício de finalidade 
69 
 
Excesso de Poder → vício de competência 
 
 
FORMA 
A forma/modo como o ato deve ser praticado. 
A motivação (exposição dos fatos e do direito que serviram de 
fundamento para a prática do ato), faz parte da forma do ato. 
Nesse sentido, a ausência de motivação consiste em vício de 
forma do ato. 
Vício de forma: 
o se recair sobre elemento essencial do ato: ato nulo 
o se não for essencial: ato anulável (admite convalidação) 
 
 
MOTIVO 
O motivo consiste nas razões de fato e de direito que 
fundamentam a prática do ato administrativo. Enquanto o 
objeto do ato administrativo diz respeito ao seu efeito imediato, 
o Motivo consiste na sua causa. razões da prática do ato: razões 
de fato + razões de direito presente em todos os atos - elemento 
do ato administrativo 
Motivação: declaração detalhada e por escrito contendo o 
raciocínio que levou à prática daquele ato não está presente em 
todos os atos - Parte da forma do ato. 
 
Teoria dos motivos determinantes 
Validade do ato administrativo vincula-se aos motivos que 
determinaram sua prática; aplicável a atos que foram 
motivados: vinculados, discricionários e atos que não exijam 
motivação. 
 
 
OBJETO 
O objeto ou conteúdo do ato administrativo consiste no efeito 
jurídico imediato do ato. 
Objeto deve ser Lícito , Possível, Certo e Moral. 
 
 
MÉRITO ADMINISTRATIVO 
O mérito administrativo consiste no poder conferido ao 
administrador público para decidir sobre a oportunidade e a 
conveniência da prática de um ato discricionário. Este juízo de 
mérito recairá, como dissemos, sobre os elementos motivo e 
objeto. 
ATOS EM ESPÉCIE 
NORMATIVO 
70 
 
veicula regras gerais e abstratas (generalidade e abstração). 
Exemplos: decretos regulamentares, resoluções. 
 
ORDINATÓRIO 
emana do poder hierárquico, tem seus efeitos restritos ao 
âmbito interno das repartições públicas. Eles são dirigidos aos 
agentes públicos e veiculam determinações relacionadas ao 
desempenho das atribuições destes agentes. 
Ex. ordens de serviço, circulares. 
 
NEGOCIAL 
autoriza o particular a exercer uma atividade ou usar um bem 
público. O exercício de uma atividade ou o uso de um bem 
público. Decorrem do (i) poder de polícia administrativa (fase de 
consentimento) ou (ii) da necessidade de descentralizar a 
prestação de alguns serviços públicos. 
 
Os atos negociais vinculados, como as licenças, não comportam 
juízo de valor por parte da Administração; os atos negociais 
discricionários, como as autorizações, admitem juízo de 
conveniência e oportunidade por parte da Administração; os atos 
chamados de precários são revogáveis a qualquer tempo; os atos 
considerados definitivos, a seu turno, serão sempre vinculados e, 
por este motivo, não comportam revogação. Se o particular 
cumpre os requisitos legais, terá direito à prática do ato negocial 
vinculado (há direito subjetivo na expedição daquele ato). 
Exemplos: ato administrativo que autoriza o porte de arma de 
fogo, licença para dirigir 
 
Autorização 
• Ato discricionário 
• Precário 
• Há mero interesse 
do particular 
• Revogável 
Exemplos: porte de 
arma de fogo etc 
Licença 
• Ato vinculado 
• Definitivo 
• Há direito do 
particular 
• Não comporta 
revogação 
Ex: alvará para 
exercício de 
profissão, para 
edificação, licença 
para dirigir, licença 
para construção etc. 
Permissão de uso 
de bem público 
• Ato discricionário 
• Precário 
• Há mero interesse 
• Revogável 
Exemplos: 
autorização para 
colocação de mesas 
sobre passeio público 
Homologação 
• Ato vinculado 
•Administração 
avalia a legalidade de 
Admissão 
• Ato vinculado 
• Permite a fruição de 
interesse do 
Visto: 
• Ato vinculado 
• ato por meio do 
qual a Administração 
71 
 
ato anteriormente 
praticado (controle 
posterior) 
Ex. licitação 
 
particular (ex. 
admissão em um 
estabelecimento 
público de ensino) 
 
controla seus atos 
ou do 
administrado, 
conferindo-lhe 
efeitos. Mas tem sido 
utilizado para o 
exame discricionário 
(e.g., visto em 
passaporte) 
 
ENUNCIATIVO 
contém declaração da Administração quanto a um fato ou 
situação, como certidões e atestados. 
 
PUNITIVO 
impõe penalidades a agentes públicos ou particulares. 
Ex. multa administrativa, interdição, cassação anulatória. 
 
 
NULIDADE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS E TEORIAS RELACIONADAS 
Teoria Monista 
Essa teoria, adotada por Hely Lopes Meirelles, é bastante radical. 
Aqui, se o ato administrativo descumpre a lei, será ele nulo, 
sendo inviável a convalidação. 
Teoria Binária (dualista) adotada 
Influenciada pelas concepções civilistas, o ato administrativo, 
sob esta ótica, é nulo ou anulável. 
Teoria Ternária 
Segundo esta Teoria, há atos nulos, anulável e irregulares (não 
há ato inexistente). 
Teoria Quadripartite 
Essa é a teoria adotada por Celso Antônio Bandeira de Mello e 
que deve ser adotada para fins de concurso público. Segundo esta 
Teoria, há 4 graus de nulidade: 
 
Ato inexistente: o defeito do ato administrativo não prescreve, o 
ato é inconvalidável e a tentativa de execução admite reação 
“manu militari” (reação usando força física); 
Ato nulo: possui um defeito grave e insanável (não admite 
convalidação) nos requisitos do objeto, motivo e finalidade; 
Ato anulável: o ato administrativo possui um vício sanável nos 
requisitos da forma e da competência. 
Ato irregular: tem um vício superficial em alguma formalidade 
não essencial. 
 
 
72 
 
DESFAZIMENTO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 
 
ANULAÇÃO 
Ato ilegal. 
O direito da Administração de anular os atos administrativos de 
que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em 
cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo 
comprovada má-fé. 
§ 1º No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de 
decadência contar-se-á da 
percepção do primeiro pagamento 
 
• Atos ilegais (vício sanável ou insanável) 
• Atos vinculados ou discricionários 
• Efeitos retroativos (ex tunc), exceto: efeitos já produzidos 
sobre 3os de boa fé 
• Pela Administração (de ofício ou provocada), pelo Poder 
Judiciário, se provocado 
• É ato vinculado (vícios insanáveis) 
 
REVOGAÇÃO 
Ato válido, mas inconveniente ou inoportuno. 
Revogação → não retroage (ex nunc) 
Anulação → retroage (ex tunc) 
 
• Atos válidos 
• Atos discricionários 
• Efeitos não retroativos (ex nunc) 
• Apenas pela Administração 
• É ato discricionário 
 
Atos irrevogáveis: 
Vinculados: não há mérito administrativo a ser revisto 
Consumados: já exauriram seus efeitos 
Geraram direito: adquirido garantia constitucional 
Integram procedimento: prática de ato subsequente impede a 
revogação 
Sob reapreciação de autoridade superior: exauriu-se a 
competência da autoridade que praticou o ato 
Meros atos administrativos: não contêm manifestação de 
vontade 
 
Revogação total ou parcial 
Quando o ato administrativo é integralmente revogado, estamos 
diante de suaab-rogação. Por outro lado, quando a revogação é 
parcial, estaremos diante de sua derrogação. 
73 
 
 
CASSAÇÃO 
Beneficiário do ato deixa de cumprir os requisitos necessários. 
 
CONTRAPOSIÇÃO 
Surgimento de novo ato com efeitos contrapostos a outro já 
praticado 
 
CADUCIDADE 
Superveniência de norma jurídica que torna inadmissível 
situação anterior, na qual o ato foi praticado 
 
CONVALIDAÇÃO 
Vício sanável 
Ausência de lesão ao interesse público 
Ausência de prejuízo a terceiros 
 
• Atos ilegais, com vício sanável - condição: ausência de 
lesão ao interesse público e a 3º 
• Atos vinculados ou discricionários 
• Efeitos retroativos (corrige o ato desde a origem) 
• Apenas pela Administração 
• É ato discricionário 
 
Três hipóteses de vícios sanáveis: 
i) competência 
i) Vício relativo à competência quanto à pessoa, desde que não 
se trate de competência exclusiva 
ii) forma 
ii) Vício relativo à forma, exceto se a lei considerar a forma como 
elemento essencial à validade 
do ato 
iii) objeto 
iii) Vício quanto ao objeto 
 
Ratificação pela própria autoridade que praticou o ato 
Confirmação por outra autoridade (em geral, hierarquicamente 
superior) 
Saneamento pelo particular afetado pelo ato 
Conversão a partir de ato anterior parcialmente inválido, a 
Administração produz novo ato que substitui a parte inválida 
daquele 
 
 
74 
 
 
 
 
 
SERVIÇOS PÚBLICOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONCEITO 
art. 2º, II - serviço público - atividade administrativa ou de 
prestação direta ou indireta de bens ou serviços à população, 
exercida por órgão ou entidade da administração pública; 
 
Toda atividade prestada pelo Estado ou por seus delegados, 
basicamente sob regime de direito público, com vistas à 
satisfação de necessidades essenciais e secundárias da 
coletividade. 
 
 
CARACTERÍSTICAS DO SERVIÇO PÚBLICO 
Sujeito estatal – elemento subjetivo 
Interesse coletivo – elemento material 
Regime de direito público – elemento formal 
 
Gerais e Individuais 
Uti singuli ou individual divisível remunerado por taxa ou tarifa 
ex: energia elétrica, coleta de lixo 
Uti universi ou geral indivisível remunerado pela receita dos 
impostos 
ex: iluminação pública 
 
Serviços públicos e de utilidade pública 
“Serviços públicos” propriamente ditos são aqueles essenciais e 
necessários para a sobrevivência da sociedade e do próprio 
Estado. 
Já os “serviços de utilidade pública” não são essenciais nem 
necessários para a sobrevivência da coletividade. 
 
 
75 
 
COMPETÊNCIA 
Competências federais → enumeradas no art. 21 da CF 
•defesa nacional 
•serviço postal 
•serviços de telecomunicações e energia elétrica 
• radiodifusão sonora e de sons e imagens 
•transporte rodoviário interestadual de passageiros 
•transporte internacional de passageiros 
 
Competências municipais → enumeradas no art. 30 da CF 
•transporte coletivo municipal 
•educação infantil e ensino fundamental (em cooperação com a 
União e o estado) 
•saúde (em cooperação com a União e o estado) 
•criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação 
estadual 
•outros serviços de interesse locaL 
 
Competências estaduais → gás canalizado (art. 25, §2º) + 
competências residuais (art. 25, 
§1º) 
•gás canalizado 
•competências residuais e outros assuntos de interesse regional 
 
Competências comuns a todos os entes → enumeradas no art. 23 
da CF 
• saúde e assistência pública 
• educação, cultura, meio ambiente 
• educação para o trânsito 
Competências do DF → competências atribuídas aos municípios e 
aos estados (art. 25, §1º 
 
 
FORMAS DE PRESTAÇÃO 
Prestação Centralizada ou Descentralizada 
A prestação centralizada consiste na prestação pela 
administração direta; 
Já a prestação descentralizada diz respeito ao serviço prestado 
por pessoa diversa do titular original do serviço. A 
descentralização pode se dar das seguintes formas: 
a) prestação descentralizada por serviços (ou por outorga), em que 
o serviço é prestado por uma entidade da administração indireta. 
Aqui teríamos a prestação direta e descentralizada. Neste caso, 
teremos a transferência da titularidade e da execução dos 
serviços. 
76 
 
b) prestação descentralizada por colaboração (ou por delegação), 
em que o serviço é prestado por particulares. Nesta situação 
teríamos a prestação indireta e descentralizada. Na verdade, a 
prestação indireta dos serviços públicos sempre será considerada 
descentralizada. 
Nesta situação, teremos a transferência da execução do serviço, 
sendo que sua titularidade continua com o poder público. 
 
Prestação Desconcentrada centralizada ou Desconcentrada 
descentralizada 
A prestação será considerada desconcentrada centralizada 
quando o órgão responsável pela sua prestação pertencer à 
estrutura da administração direta. Isto é, o órgão público for 
resultado do processo de desconcentração do ente federado. 
 
Por outro lado, a prestação será considerada desconcentrada 
descentralizada quando o órgão responsável pela sua prestação 
pertencer à estrutura da administração indireta. Isto é, após o 
surgimento da entidade, esta se desconcentrou e criou o órgão 
público responsável pela prestação do serviço. 
 
 
REGULAMENTAÇÃO E CONTROLE 
Tal regulamentação cabe ao ente público que detém a 
competência para prestar o serviço, podendo ser realizada por 
meio de leis, decretos e atos regulamentares infralegais. 
 
Se o serviço público é prestado diretamente, pela própria 
Administração Pública, terá lugar o exercício do poder de 
autotutela e do poder de tutela ou supervisão (no caso de ser 
prestado por entidade da administração indireta). 
 
 
FORMAS DE DELEGAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS: 
• Concessão comum (Lei 8.987/1995) 
• Permissão (Lei 8.987/1995) 
• Autorização 
• Parceria Público-Privada - "concessão especial" (Lei 
11.079/2004) 
 
 
CONCESSÃO E PERMISSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO 
A CF possibilitou a prestação indireta dos serviços públicos 
delegáveis, a qual será realizada mediante concessão ou 
permissão, atribuindo a uma lei uma série de definições: 
77 
 
CF, art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, 
diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre 
através de licitação, a prestação de serviços públicos. 
 
Parágrafo único. A lei disporá sobre: 
I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias de 
serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua 
prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização 
e rescisão da concessão ou permissão; 
II - os direitos dos usuários; 
III - política tarifária; 
IV - a obrigação de manter serviço adequado. 
 
PODER CONCEDENTE 
Lei 8.987/1995, art. 2º, I - poder concedente: a União, o Estado, o 
Distrito Federal ou o Município, em cuja competência se 
encontre o serviço público, precedido ou não da execução de obra 
pública, objeto de concessão ou permissão; 
 
CONCESSÃO 
Lei 8.987/1995, art. 2º, II - concessão de serviço público: a 
delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, 
mediante licitação, na modalidade de concorrência ou diálogo 
competitivo, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que 
demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e 
risco e por prazo determinado; (..) 
 
PERMISSÃO 
IV - permissão de serviço público: a delegação, a título precário, 
mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo 
poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre 
capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco. 
 
Art. 40. A permissão de serviço público será formalizada 
mediante contrato de adesão, que observará os termos desta Lei, 
das demais normas pertinentes e do edital de licitação, inclusive 
quanto à precariedade e à revogabilidade unilateral do contrato 
pelo poder 
concedente. 
 
Concessão de serviços públicos 
• Para pessoas jurídicas ou 
consórcios de empresas• A licitação prévia deverá 
ser na modalidade 
Permissão de serviços públicos 
• Para pessoas físicas ou 
jurídicas 
• A lei não especifica a 
modalidade licitatória 
78 
 
concorrência ou diálogo 
competitivo 
• A lei não menciona 
expressamente que seria 
um “contrato de adesão” 
• Não há precariedade, não 
se admitindo a 
revogação do contrato 
 
• A lei menciona 
expressamente que é 
“contrato de adesão” 
• Delegação a título 
precário, dada a 
possibilidade de 
revogação unilateral 
(art. 40) 
 
AUTORIZAÇÃO LEGAL 
Como regra geral, o poder público somente poderá delegar a 
prestação de serviços quando houver lei autorizativa. Esta é 
uma decorrência do art. 2º da Lei 9.074/1995: 
 
Lei 9.074, art. 2º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito 
Federal e aos Municípios executarem obras e serviços públicos 
por meio de concessão e permissão de serviço público, sem lei 
que lhes autorize e fixe os termos, dispensada a lei autorizativa 
nos casos de saneamento básico e limpeza urbana e nos já 
referidos na Constituição Federal, nas Constituições Estaduais e 
nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e Municípios, observado, 
em qualquer caso, os termos da Lei no 8.987, de 1995. 
 
ATO JUSTIFICATIVO 
Além da lei autorizativa (como regra geral), a legislação exige 
que o titular do serviço público, na qualidade de poder 
concedente, publique ato justificando que é conveniente a 
delegação: 
Art. 5o O poder concedente publicará, previamente ao edital de 
licitação, ato justificando a conveniência da outorga de 
concessão ou permissão, caracterizando seu objeto, área e 
prazo. 
 
Este ato deverá anteceder a licitação e delimitará o objeto da 
delegação, a área e o respectivo 
Prazo 
 
 
LICITAÇÃO PRÉVIA 
Lei 8.987, art. 14. Toda concessão de serviço público, precedida ou 
não da execução de obra pública, será objeto de prévia licitação, 
nos termos da legislação própria e com observância dos 
princípios da legalidade, moralidade, publicidade, igualdade, do 
julgamento por critérios objetivos e da vinculação ao 
instrumento convocatório. 
79 
 
 
 
Modalidade licitatória 
Tratando-se de concessão, a Lei 8.987 não apenas regulamentou 
a obrigatoriedade de licitação para a escolha do concessionário, 
mas também fixou as modalidades licitatórias aplicáveis a este 
caso: a concorrência ou diálogo competitivo (art. 26, §1º). 
 
Quanto às permissões de serviços públicos, no entanto, a lei não 
exige modalidade licitatória específica, limitando-se a 
mencionar que a contratação se dará “mediante licitação” (art. 
2º, IV). 
 
Participação de consórcios 
Em muitas ocasiões, dadas as dimensões do território em que 
será prestado o serviço público, pouquíssimas empresas 
conseguiriam, isoladamente, prestá-lo. Assim, o poder 
concedente poderá permitir a participação de consórcios de 
empresas na licitação para concessão de serviços públicos. 
 
Art. 19, § 2o A empresa líder do consórcio é a responsável perante 
o poder concedente pelo cumprimento do contrato de concessão, 
sem prejuízo da responsabilidade solidária das demais 
consorciadas. 
 
- perante o poder público, a empresa líder se torna responsável 
exclusiva; 
- no entanto, entre as próprias empresas consorciadas, a 
responsabilidade é solidária. 
 
Participação de empresas estatais 
A participação de empresas estatais em licitações para 
concessão de serviços públicos foi autorizada pelo art. 32 da Lei 
9.074/1995. 
 
 
TRANSFERÊNCIA DA EXECUÇÃO DO CONTRATO DE CONCESSÃO 
Apesar de os contratos de concessão e de permissão de serviços 
públicos serem celebrados em razão das características pessoais 
do contratado (intuitu personae) – como todo contrato 
administrativo –, a Lei 8.987 admite, em certas situações, que o 
concessionário/permissionário transfira a terceiros a prestação 
dos serviços. 
Aqui terá lugar a subconcessão, a transferência da concessão e a 
transferência do controle societário da empresa 
concessionária/permissionária – definitiva ou temporária. 
80 
 
 
Subconcessão 
A subconcessão consiste na “delegação de uma parte do próprio 
objeto da concessão para outra empresa”. 
Nesta situação, a concessionária solicita ao poder concedente que 
promova a subconcessão de parte do objeto do seu contrato e, 
após realizar nova licitação (quanto à parte do objeto que será 
subconcedido), o poder concedente outorga a subconcessão. 
Requisitos da subconcessão 
• Transferência parcial da própria prestação do serviço 
público (não de meras atividades acessórias ou 
complementares) 
• Deve estar prevista no contrato de concessão 
• Deve ser autorizada expressamente pelo poder concedente 
• Realização de licitação, na modalidade concorrência 
• Quanto à parcela subconcedida, a subconcessionária 
assume todos os direitos e obrigações que eram da 
concessionária (sub-rogação) 
 
 
Transferência da concessão 
A transferência da concessão consiste na substituição da 
concessionária, por meio da “entrega do objeto da concessão a 
outra pessoa que não aquela com quem a Administração Pública 
celebrou o contrato”. Na transferência da concessão exigiu-se 
apenas prévia anuência do poder concedente, não se exigindo a 
realização de licitação. 
 
Lei 8.987/1995, art. 27. A transferência de concessão ou do 
controle societário da concessionária sem prévia anuência do 
poder concedente implicará a caducidade da concessão. 
[A caducidade, por seu turno, é a extinção dos contratos de 
concessão pelo Poder Público, através de ato unilateral, durante 
sua vigência, por descumprimento de obrigações contratuais 
pelo concessionário] 
 
Transferência do controle societário 
Não há uma substituição da concessionária (as partes do 
contrato continuam inalteradas). Haverá, na verdade, uma 
alteração dos sócios que detêm o controle da administração da 
empresa concessionária. 
 
As exigências são as mesmas estabelecidas para a transferência 
da concessão, em especial, a anuência do poder concedente. Caso 
o concessionário promova a transferência de seu controle sem a 
81 
 
anuência do poder concedente, o poder público estará obrigado 
a extinguir o contratual em razão de sua caducidade. 
 
Transferência temporária da administração 
Outro grupo assume, temporariamente, a administração da 
empresa, com objetivo de promover sua reestruturação 
financeira e assegurar a continuidade da prestação dos serviços. 
Nesta hipótese, também exige-se autorização do poder 
concedente (art. 27-A, caput). 
 
POLÍTICA TARIFÁRIA 
O concessionário/permissionário de serviços públicos é 
remunerado sobretudo por meio da cobrança de tarifa, paga 
pelos usuários do serviço. 
 
A tarifa é um preço público, pois consiste em pagamento de 
natureza não tributária, que decorre do vínculo contratual 
estabelecido entre o usuário do serviço e o seu prestador (isto é, 
depende da vontade das partes) 
A taxa, por outro lado, é uma espécie de tributo. Sendo assim, 
sua cobrança não decorre de cláusulas contratuais, mas de 
vínculo de natureza legal. Além disso, não se exige manifestação 
da vontade das partes – seu pagamento é compulsório. (somente 
PJ de Direito Público) 
 
Modicidade tarifária 
A tarifas devem ser módicas (isto é, modestas, comedidas, 
acessíveis). 
Elas devem ser estabelecidas em patamar suficiente para 
assegurar a prestação do “serviço adequado”, não devendo 
permitir lucros exorbitantes ao prestador. 
Em muitos casos, para reduzir o valor da tarifa cobrada dos 
usuários, o poder concedente concede subvenções, como por 
exemplo, aquelas relacionadas à conta de energia elétrica. 
 
Receitas alternativas, complementares e acessórias 
Trata-se de uma faculdade do poder concedente. 
A regra geral é que o concessionário seja remunerado a partir do 
recebimento das tarifas. No entanto, é possível que a receita do 
particular seja complementada [outras receitas decorrentes da 
afixaçãode outdoors às margens da rodovia.] ou, até mesmo, 
substituída [a receita provém de anunciantes de mensagens 
publicitárias] por outras formas de remuneração, decorrentes da 
exploração do serviço delegado. 
 
 
82 
 
Fixação das tarifas 
Lei 8.987/1995, art. 9º A tarifa do serviço público concedido será 
fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e 
preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital 
e no contrato. A legislação assegura a realização de reajustes 
periódicos e a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do 
contrato. 
São cláusulas essenciais dos contratos de concessão: o preço do 
serviço e os critérios e procedimentos para reajuste e revisão das 
tarifas (art. 23, IV). 
 
Tarifa uniforme vs tarifa diferenciada 
A regra geral é que as tarifas sejam uniformes para determinado 
serviço; 
A Lei 8.987/1995 autoriza a cobrança de tarifas diferenciadas “em 
função das características técnicas e dos custos específicos 
provenientes do atendimento aos distintos segmentos de 
usuários” (art. 13). 
 
Súmula STJ 407: 
É legítima a cobrança da tarifa de água fixada de acordo com as 
categorias de usuários e as faixas de consumo. 
 
Lei 9.074/1995, art. 35, parágrafo único. A concessão de qualquer 
benefício tarifário somente poderá ser atribuída a uma classe ou 
coletividade de usuários dos serviços, vedado, sob qualquer 
pretexto, o benefício singular. 
 
Reajustes e revisões 
Os reajustes consistem em situações típicas, em que há apenas 
aplicação matemática dos índices e das cláusulas contratuais. 
Neste caso, a participação do poder concedente é acessória, 
limitando-se a homologar o reajuste calculado pela 
concessionária com base nos índices e critérios contratuais. 
 
A revisão das tarifas, por outro lado, tem lugar diante de 
situações não previstas no contrato, de índole extraordinária. Aqui 
o poder público assume papel de protagonismo, já que o próprio 
poder público irá proceder à revisão das tarifas, muitas vezes por 
meio das agências reguladoras. 
 
DIREITOS E OBRIGAÇÕES DO USUÁRIO 
Art. 7º. Sem prejuízo do disposto na Lei no 8.078, de 11 de 
setembro de 1990, são direitos e obrigações dos usuários: 
I - receber serviço adequado; 
83 
 
II - receber do poder concedente e da concessionária informações 
para a defesa de interesses individuais ou coletivos; 
III - obter e utilizar o serviço, com liberdade de escolha entre 
vários prestadores de serviços, quando for o caso, observadas as 
normas do poder concedente. 
IV - levar ao conhecimento do poder público e da concessionária 
as irregularidades de que tenham conhecimento, referentes ao 
serviço prestado; 
V - comunicar às autoridades competentes os atos ilícitos 
praticados pela concessionária na prestação do serviço; 
VI - contribuir para a permanência das boas condições dos bens 
públicos através dos quais lhes são prestados os serviços. 
Art. 7º-A. As concessionárias de serviços públicos, de direito 
público e privado, nos Estados e no Distrito Federal, são 
obrigadas a oferecer ao consumidor e ao usuário, dentro do mês 
de vencimento, o mínimo de seis datas opcionais para 
escolherem os dias de vencimento de seus débitos. 
 
 
PRINCÍPIOS RELACIONADOS AO SERVIÇO PÚBLICO ADEQUADO 
Princípios dos serviços públicos são, a saber: a regularidade, a 
continuidade, a generalidade, a atualidade, a modicidade tarifária, 
a cortesia e a segurança. 
 
O princípio da continuidade trata de aspectos que preveem que o 
serviço público não poderá ser interrompido, salvo em situações 
excepcionais, como acidentes que não poderiam ser 
adequadamente previstos, ou a justificada interrupção ao 
usuário inadimplente que já foi devidamente notificado. 
Exceções: Emergência; Razões de ordem técnica; Segurança das 
instalações; Inadimplemento do usuário não recair em final de 
semana, feriado, véspera de feriado ou 6ª. 
 
O princípio da continuidade também protege a coletividade da 
exceção do contrato não cumprido, possibilitando ao poder 
público até mesmo a encampação (tomada da concessão) caso 
o prestador não consiga manter financeiramente a prestação 
dos serviços públicos. 
 
O princípio da regularidade está relacionado à prestação dos 
serviços não deve apresentar variação significativa das suas 
características técnicas. 
 
O princípio da generalidade possui uma acepção visando atender 
a toda a coletividade (universalidade), com o objetivo de 
aumentar a amplitude do serviço, mas ao mesmo tempo sem 
84 
 
perder de vista a igualdade e isonomia para com o público 
usuário. 
 
O princípio da atualidade tem seu núcleo no constante 
aperfeiçoamento e aprimoramento do serviço público, com o 
intuito de agregar melhorias nesta prestação de serviços ao 
longo dos tempos. 
 
O princípio da modicidade tarifária possui dois aspectos que 
devem ser equilibrados: o usuário precisa pagar o mínimo possível 
pelo serviço, que é prestado a um universo de usuários, enquanto 
o concessionário precisa obter a justa remuneração por sua 
prestação de serviços. 
 
O princípio da cortesia tem uma aplicação nos pontos de contato 
entre os prestadores de serviços públicos e os usuários dos serviços 
em geral, pois deve haver um bom atendimento, com urbanidade, 
civilidade, atendendo a requisitos de qualidade, sem esquecer do 
conceito de cidadania. 
 
Por último, o princípio da segurança prevê a adequação da 
prestação de serviços públicos em condições que eliminem ou 
reduzam os riscos ao usuário a níveis aceitáveis, de forma a 
garantir uma boa prestação de serviços públicos. 
 
 
SERVIÇO PÚBLICO ADEQUADO 
Art. 6o Toda concessão ou permissão pressupõe a prestação de 
serviço adequado ao pleno atendimento dos usuários, conforme 
estabelecido nesta Lei, nas normas pertinentes e no respectivo 
contrato. 
§ 1o Serviço adequado é o que satisfaz as condições de 
regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade, 
generalidade, cortesia na sua prestação e modicidade das tarifas. 
§ 2o A atualidade compreende a modernidade das técnicas, do 
equipamento e das instalações e a sua conservação, bem como 
a melhoria e expansão do serviço. 
§ 3o Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua 
interrupção em situação de emergência ou após prévio aviso, 
quando: 
I - motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das 
instalações; e, 
II - por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da 
coletividade. 
85 
 
§ 4º A interrupção do serviço na hipótese prevista no inciso II do 
§ 3º deste artigo não poderá iniciar-se na sexta-feira, no sábado 
ou no domingo, nem em feriado ou no dia anterior a feriado. 
 
RESPONSABILIDADE DO CONCESSIONÁRIO/PERMISSIONÁRIO 
Lei 8.987/1995, art. 25. Incumbe à concessionária a execução do 
serviço concedido, cabendo-lhe responder por todos os prejuízos 
causados ao poder concedente, aos usuários ou a terceiros, sem 
que a fiscalização exercida pelo órgão competente exclua ou 
atenue essa responsabilidade. 
 
CF, art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de 
direito privado prestadoras de serviços públicos responderão 
pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a 
terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável 
nos casos de dolo ou culpa. 
 
Há responsabilidade subsidiária do Poder Concedente, em 
situações em que o concessionário não possuir meios de arcar 
com a indenização pelos prejuízos a que deu causa. 
A responsabilidade subsidiária tem caráter acessório ou 
suplementar. Há uma ordem a ser observada para cobrar a dívida, 
na qual o devedor subsidiário só pode se acionado após a dívida 
não ter sido totalmente adimplida pelo devedor principal. 
 
 
INTERVENÇÃO 
Ao receber a concessão, o prestador se compromete a seguir as 
cláusulas contratuais e a prestar serviço adequado. Caso tais 
compromissos sejam descumpridos, em algumas situações,praticados, salvo comprovada má-fé. 
§ 1o No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de 
decadência contar-se-á da percepção do primeiro pagamento. 
§ 2o Considera-se exercício do direito de anular qualquer medida 
de autoridade administrativa que importe impugnação à 
validade do ato. 
 
 
6 
 
 
 
 
 
 
 
ADMINISTRAÇÃO DIRETA – INDIRETA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CENTRALIZAÇÃO X DESCENTRALIZAÇÃO 
Centralização é a situação em que o Estado executa diretamente 
suas tarefas, ou seja, por intermédio de órgãos e agentes 
administrativos subordinados à mesma pessoa política. 
 
Descentralização administrativa, o Estado executa suas tarefas 
indiretamente, isto é, delega a outras entidades. A partir da 
descentralização, as atividades não são executadas pelos órgãos 
do próprio ente político (administração direta), mas por 
entidades pertencentes à administração indireta ou a 
particulares prestadores de serviços públicos. (não há 
subordinação) 
 
DESCENTRALIZAÇÃO - OUTORGA X DESCENTRALIZAÇÃO – 
DELEGAÇÃO 
A descentralização mediante outorga [administração indireta] (ou 
descentralização por serviços ou funcional ou técnica) se dá 
quando o Estado, mediante lei, cria uma entidade (ou autoriza 
sua criação) e transfere a ela determinado serviço público. 
 
A administração central cria entidades da Administração 
Indireta e transfere a elas a titularidade e a execução de serviços 
públicos. Além disso, é importante registrar que a 
descentralização mediante outorga, em geral, se dá com prazo 
indeterminado. 
 
A descentralização mediante delegação [particulares] (ou 
descentralização por colaboração) ocorre quando o Estado, 
7 
 
mediante ato ou contrato (e não via lei), transfere a um 
particular a execução de determinado serviço público. A 
descentralização mediante delegação ocorre por prazo 
determinado, como regra geral. 
 
A delegação mediante ato unilateral consiste na autorização 
para prestação de serviços públicos, sendo que podem ser 
beneficiários de tal ato pessoas jurídicas ou físicas. Dada a 
natureza de ato administrativo, a autorização pode ser revogada 
a qualquer tempo. A delegação mediante contrato, a seu turno, 
representa a concessão e a permissão de serviços públicos. 
 
DESCONCENTRAÇÃO X CONCENTRAÇÃO 
Na desconcentração o Estado se desmembra em órgãos para 
propiciar melhoria na sua organização estrutural. Ou seja, 
dentro de uma mesma pessoa jurídica, um feixe de competências 
é segmentado e atribuído a um órgão. 
A exata noção de desconcentração parte da ideia de órgão 
público, consiste em círculos de atribuições repartidos no 
interior da personalidade estatal sem personalidade jurídica 
própria. 
Entidade → pessoa jurídica Órgão → ente sem personalidade 
jurídica própria. 
Na desconcentração há hierarquia, ou seja, há subordinação 
entre os órgãos. 
desCEntralização → Cria Entidade 
desCOncentração → Cria Órgão 
 
Concentração quando a pessoa jurídica agrega atividades já 
desconcentradas ou mesmo quando ela não desconcentra. 
 
 
CONCEITO DE ÓRGÃOS PÚBLICOS 
Órgãos públicos, sejam na administração direta ou na indireta, 
resultam de um processo de desconcentração, em que a pessoa 
jurídica se desmembra em unidades internas para propiciar 
melhoria na sua organização estrutural. Ou seja, dentro de uma 
mesma pessoa jurídica, um feixe de competências é segmentado 
e atribuído a um órgão. (entes despersonalizados) 
 
CONSEQUÊNCIAS DA AUSÊNCIA DE PERSONALIDADE JURÍDICA 
PRÓPRIA (3) 
1) Impossibilidade de serem parte em contratos administrativos 
2) Ausência de patrimônio próprio 
3) Falta de capacidade processual 
 
8 
 
TEORIAS DA ATUAÇÃO DO ESTADO POR SEUS AGENTES/ TEORIA DOS 
ÓRGÃOS PÚBLICOS (3) 
A teoria do mandato, o agente público seria um mandatário da 
pessoa jurídica, agindo em nome e sob responsabilidade da 
pessoa jurídica. Esta teoria foi criticada principalmente por não 
explicar como o Estado (que não tem vontade própria) outorga 
o mandato ao agente público. 
 
A teoria da representação informa que o agente público é um 
representante do Estado, atuando como um tutor ou curador do 
Estado. 
 
A teoria do órgão, também chamada de teoria da imputação 
volitiva, foi desenvolvida pelo alemão Otto Gierke e afirma que 
a pessoa jurídica manifesta sua vontade por meio dos órgãos. 
Em outras palavras, esta teoria parte do pressuposto de que o 
órgão é parte integrante do Estado. (adotada) 
 
 
CRIAÇÃO/EXTINÇÃO DOS ÓRGÃOS PELOS PODERES 
Poder Executivo 
Lei em sentido formal (criação ou extinção) 
Iniciativa do chefe do executivo 
Organização e funcionamento por decreto autônomo se não 
implicar em aumento de despesa 
 
Poder Legislativo 
Por ato próprio de cada casa 
(criação, organização, funcionamento e extinção) 
 
Poder Judiciário 
Lei de iniciativa do STF/ STJ/ Tribunais Superiores/ TJ para criação 
organização da estrutura judiciária. 
MP e Tribunais de contas 
Lei de iniciativa própria para criação, extinção e organização da 
estrutura 
 
 
POSIÇÃO HIERÁRQUICA (4) 
Independentes ou primários 
Autônomos 
Superiores 
Subalternos 
 
POSIÇÃO HIERÁRQUICA: ÓRGÃOS INDEPENDENTES OU PRIMÁRIOS 
Previstos no próprio texto constitucional. 
9 
 
Sem subordinação a qualquer outro órgão. 
Seus titulares são agentes políticos. 
Exemplos: Presidência da República, Câmara dos Deputados, 
Tribunal de Contas da União, tribunais do Poder Judiciário 
 
POSIÇÃO HIERÁRQUICA: ÓRGÃOS AUTÔNOMOS 
Imediatamente abaixo dos órgãos independentes. 
Possuem ampla autonomia administrativa, financeira e técnica. 
Participam da formulação de políticas públicas. 
Exemplos: Ministérios e Secretarias estaduais e municipais. 
 
POSIÇÃO HIERÁRQUICA: ÓRGÃOS SUPERIORES 
Possuem atribuições de direção e decisão, mas estão 
subordinados a uma chefia mais alta. 
Não possuem autonomia administrativa ou financeira. 
Exemplos: Coordenadorias, Procuradorias, Gabinetes, 
Secretarias-Gerais. 
 
POSIÇÃO HIERÁRQUICA: ÓRGÃOS SUBALTERNOS 
Possuem atribuições de mera execução, com reduzido poder 
decisório. Subordinados a vários níveis hierárquicos. 
Exemplos: repartições de pessoal, de protocolo. 
 
 
ATUAÇÃO FUNCIONAL 
Singulares ou unipessoais 
Colegiados ou pluripessoais 
 
ATUAÇÃO FUNCIONAL: SINGULARES OU UNIPESSOAIS 
Compostos por um único agente. 
As decisões do órgão dependem da vontade de um único agente. 
Exemplo: Presidência da República 
 
ATUAÇÃO FUNCIONAL: COLEGIADOS OU PLURIPESSOAIS 
Compostos por múltiplos agentes públicos. 
Suas decisões exigem manifestação conjunta dos vários 
membros. Exemplo: CARF – Conselho Administrativo de Recursos 
Fiscais. 
 
 
FUNÇÕES EXERCIDAS 
Ativos 
De controle 
Consultivos 
 
 
10 
 
FUNÇÕES EXERCIDAS: ATIVOS 
São os órgãos que atuam diretamente no exercício da função 
administrativa, exercem atos essenciais ao cumprimento dos 
fins desta pessoa jurídica. Dessa forma, têm funções de 
prestação de serviços públicos, execução de obras ou exercício 
do poder de polícia estatal, seja por meio de direção de 
atividades ou por meio da execução direta destas atividades. 
Exemplo: Polícia Rodoviária Federal, Secretaria de Saúde (Estado). 
 
FUNÇÕES EXERCIDAS: DE CONTROLE 
São órgãos que atuam na atividade de controle dos demais 
órgãos e agentes públicos, seja esse controle exercido 
internamente, no âmbito de um mesmo Poder do Estado ou 
externamente, quando se manifesta entre Poderes estatais 
diversos. 
Exemplo: Tribunal de Contas da União, Controladoria Geral da 
União e etc. 
 
FUNÇÕES EXERCIDAS: CONSULTIVOS 
São aqueles órgãos que atuam na emissão de pareceres jurídicos, 
assumindo a função de aconselhamento da atuação dos demais 
órgãos estatais. Praticam atos que dão suporte e auxílio técnico 
ou jurídico, por meio de atos opinativos, sejam de legalidade ou 
de mérito, não agindo diretamente na prática de atos de 
execução. Isto é,o 
poder concedente poderá decidir por intervir na concessão e, 
assim, reassumir provisoriamente a prestação do serviço. 
A intervenção tem dois objetivos: 
➢ resguardar a prestação dos serviços (resgatando a prestação 
adequada) 
➢ ao mesmo tempo, apurar as causas que levaram àquela 
situação indesejada e eventuais responsabilidades. 
 
A intervenção não gera a extinção do contrato. Trata-se de uma 
medida acautelatória, que visa a resguardar a prestação dos 
serviços e, ao mesmo tempo, apurar as causas que levaram 
àquela situação indesejada e eventuais responsabilidades. Dois 
possíveis desfechos: 
• Extinção do contrato 
As apurações concluíram que houve inexecução do contrato por 
parte da concessionária. 
86 
 
• Devolução à concessionária 
Não havia fundamentos para a declaração de intervenção. A 
concessionária deverá ser indenizada. 
 
Na primeira hipótese, haverá a extinção do contrato de 
concessão, na modalidade caducidade, como regra geral. 
Na segunda hipótese (ausência de fundamentos para a 
intervenção), além de devolver a prestação do serviço à 
concessionária, o poder público deverá indenizar o prestador. 
 
 
DECRETO de intervenção 
• designação do interventor 
• definição do prazo da intervenção 
• seus objetivos e limites 
Para apuração das causas e responsabilidades, o poder 
concedente deverá instaurar procedimento administrativo, no 
prazo de 30 dias, contados da decretação da intervenção (art. 
33). 
Reparem, portanto, que a intervenção é medida cujo processo 
administrativo (no qual o concessionário poderá se manifestar) 
é instaurado somente em momento posterior à decretação da 
medida. 
Este processo deverá ser concluído no prazo de até 180 dias, sob 
pena de considerar-se inválida a intervenção (art. 33, §2º). Caso 
se comprove inexecução por parte da contratada, este processo 
permitirá a aplicação das penalidades legais e contratuais. 
 
Decreto (30 dias de apuração) + instauração de processo 
administrativo (180 dias) 
Prazo de 30 dias para instaurar o processo, e 180 dias para 
concluir. 
 
 
EXTINÇÃO DA CONCESSÃO 
natural 
advento do termo contratual 
encampação 
razões de interesse público 
a encampação exige (i) lei autorizativa específica e (ii) prévio 
pagamento da indenização. 
caducidade 
inexecução por parte da contratada 
não se exige autorização legislativa específica e deve ser 
realizada mediante decreto do poder concedente (assim como 
ocorre na intervenção), após a instauração de processo 
87 
 
administrativo, assegurado o direito de ampla defesa ao 
concessionário 
rescisão 
descumprimento de cláusulas pelo poder público – sempre 
judicial 
A rescisão ocorre quando o poder concedente descumpre 
cláusulas contratuais e depende de ação judicial “especialmente 
intentada para esse fim” (art. 39). 
anulação 
ilegalidade do contrato 
A anulação tem lugar quando restar constatado algum vício no 
contrato celebrado, podendo ser reconhecida pelo próprio poder 
concedente ou pelo Poder Judiciário. 
falência ou extinção da concessionária 
já que o contrato é intuitu personae 
 
AUTORIZAÇÃO DE SERVIÇO PÚBLICO 
Art. 21. Compete à União: (..) XI - explorar, diretamente ou 
mediante autorização, concessão ou permissão, os serviços de 
telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a 
organização dos serviços, a criação de um órgão regulador e 
outros aspectos institucionais; 
 
• ato administrativo – discricionário (regra geral) e precário 
• não exige licitação 
• interesse predominante ou exclusivo do beneficiário 
• sujeita-se à fiscalização do poder público 
• não se confunde com exercício do poder de polícia 
 
Concessão de 
serviços públicos 
- Contrato 
- licitação prévia 
(concorrência ou 
diálogo 
competitivo) 
- PJ ou consórcio de 
empresas 
- não há 
precariedade; 
- não se admite 
revogação do 
contrato 
Interesse 
predominantement
e público 
Permissão de 
serviços públicos 
- Contrato 
- licitação prévia 
- PF ou PJ 
- precariedade, 
dada a possibilidade 
de revogação 
unilateral 
Interesse 
predominantement
e público 
Autorização de 
serviços públicos 
- Ato 
- regra: não requer 
licitação prévia 
- PF ou PJ 
- precariedade 
Interesse 
predominantement
e privado. 
88 
 
 
 
 
 
 
BENS PÚBLICOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONCEITO 
São públicos os bens das pessoas políticas (U, E, DF e M) e das 
respectivas autarquias e fundações públicas de direito público. 
 
Todos aqueles que, de qualquer natureza e a qualquer título, 
pertençam às pessoas jurídicas de direito público, sejam elas 
federativas, como a União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios, sejam da Administração descentralizada, como as 
autarquias, nestas incluindo-se as fundações de direito público 
(..) 
 
Todos os demais bens são considerados privados, sejam eles 
pertencentes a particulares ou a entidades públicas de direito 
privado (empresas públicas, sociedades de economia mista e 
fundações públicas de direito privado). 
Os bens pertencentes às empresas públicas (EP) e sociedades de 
economia mista (SEM), os quais são considerados bens privados 
, dada a respectiva personalidade de direito privado. 
 
BENS PÚBLICOS QUANTO À SUA DESTINAÇÃO (AFETAÇÃO) 
I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, 
ruas e praças; 
- utilizados pela coletividade em geral 
II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados 
a serviço ou estabelecimento da administração federal, estadual, 
territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias; 
- utilizados para a prestação dos serviços públicos 
III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas 
jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal, ou 
real, de cada uma dessas entidades. 
- não possuem destinação pública específica 
 
89 
 
BENS PÚBLICOS QUANTO À TITULARIDADE 
Bens federais, estaduais, municipais e distritais. 
 
BENS PÚBLICOS QUANTO À NATUREZA FÍSICA 
a. Bens do domínio hídrico, compreendendo: 
i. Águas correntes; 
ii. Águas dormentes; 
iii. Potenciais de energia hidráulica 
b. Bens do domínio terrestre: 
i. Do solo; 
ii. Do subsolo 
 
BENS PÚBLICOS QUANTO À DISPONIBILIDADE 
 
Indisponíveis por natureza 
Os bens públicos indisponíveis por natureza não possuem 
natureza patrimonial. Os bens de uso comum do povo, como 
rodovias, praças públicas, mares e praias (que não possuem um 
valor patrimonial). 
 
Patrimoniais indisponíveis 
Os bens patrimoniais indisponíveis são aqueles que, a despeito 
da natureza patrimonial, não podem ser objeto de alienação por 
parte do poder público. Os bens de uso especial e, em caráter 
excepcional, os bens de uso comum do povo suscetíveis de 
avaliação patrimonial. 
Patrimoniais disponíveis 
Por fim, os bens patrimoniais disponíveis são aqueles que não 
possuem uma finalidade pública específica e, assim, podem ser 
objeto de alienação. Nesta categoria estão enquadrados os bens 
dominicais. 
 
 
CARACTERÍSTICAS DOS BENS PÚBLICOS 
• inalienabilidade 
Por fim, ante a possibilidade de alienação dos bens dominicais, a 
doutrina conclui que a inalienabilidade é relativa – e não 
absoluta (ou seja, inalienabilidade condicionada). 
• impenhorabilidade 
Caso a EP/SEM se dedique à prestação de serviços públicos, os 
bens diretamente relacionados à prestação dos serviços 
receberão tratamento similar àquele deferido aos bens públicos, 
a exemplo da impenhorabilidade. (bens das EPs e SEMs são 
privados). As dívidas destas empresas seguirão o regime de 
precatório. 
 
90 
 
• imprescritibilidade 
A ocorrência da prescrição, de modo geral, gera ao titular de um 
direito a impossibilidade de reclamá-lo em juízo. Quando 
falamos de “bens”, é importante conhecermos a “prescrição 
aquisitiva”, também denominada de usucapião. Os bens públicos, 
por outro lado, não estão sujeitos a usucapião, em razão da 
característicada imprescritibilidade. 
• não onerabilidade 
Onerar um bem significa utilizá-lo como garantia, como ocorre 
com o penhor, a anticrese e a hipoteca (CCB, art. 1.225, VIII a X 
c/c art. 1.419). 
 
BEM PÚBLICO OCUPADO POR PARTICULAR E DISPUTA POSSESSÓRIA 
ENTRE DOIS PARTICULARES 
A posição acima exposta possui uma exceção: se dois 
particulares estão litigando sobre a ocupação de um bem 
público, o STJ passou a entender que, neste caso, é possível que, 
entre eles, sejam propostas ações possessórias (reintegração, 
manutenção, interdito proibitório). 
Assim, para o entendimento atual do STJ é cabível o ajuizamento 
de ações possessórias por parte de invasor de terra pública desde 
que contra outros particulares. 
 
1) particular invade imóvel público e deseja proteção possessória 
em face do PODER PÚBLICO: 
Não terá direito à proteção possessória. 
Não poderá exercer interditos possessórios porque, perante o 
Poder Público, ele exerce mera detenção. 
 
2) particular invade imóvel público e deseja proteção possessória 
em face de outro PARTICULAR: 
Terá direito, em tese, à proteção possessória. 
É possível o manejo de interditos possessórios em litígio entre 
particulares sobre bem público dominical, pois entre ambos a 
disputa será relativa à posse. 
 
 
AFETAÇÃO E DESAFETAÇÃO 
Os termos “afetação” e “desafetação” de bens públicos dizem 
respeito à destinação que é dada ao bem (isto é, a finalidade do 
seu uso). 
 
Como regra geral, a desafetação transforma um bem público de 
uso comum ou de uso especial em bem dominical. Por outro lado, 
a afetação transforma um bem dominical em de uso comum ou 
especial. 
91 
 
 
A desafetação é ato estatal unilateral, cuja formalização 
depende de autorização legislativa, por meio do qual o Estado 
altera o regime jurídico aplicável ao bem público, produzindo sua 
submissão ao regime de bem dominical. 
 
A afetação é a subordinação de um bem público a regime jurídico 
diferenciado, tendo em vista à destinação dele à satisfação das 
necessidades coletivas e estatais, do que deriva inclusive a sua 
inalienabilidade. A afetação é decorrente ou da própria natureza 
do bem, de uma situação de fato consolidada no tempo ou de 
um ato estatal unilateral. 
 
INSTITUTOS DE OUTORGA DE USO PRIVATIVO A TERCEIROS 
A fim de maximizar a utilização desses bens, a Administração 
Pública conta com institutos de outorga de uso privativo a 
terceiros, sendo esses a autorização, a permissão de uso e a 
concessão de uso. 
 
Autorização de uso 
Trata-se de ato administrativo unilateral, que permite ao 
particular utilizar bem público. A autorização de uso é instituto 
de natureza precária, o que permite a administração, a qualquer 
momento, revogar o ato sem qualquer necessidade de 
indenização ao particular. Tal ato administrativo é discricionário 
em sua essência, vez que não há obrigatoriedade de licitação 
prévia à sua prática, até porque, normalmente, interessa a 
apenas uma pessoa em especial. 
 
Permissão de uso 
Assim como a autorização, a permissão de uso de bem público é 
o ato unilateral, precário e discricionário quanto à decisão de 
outorga, pelo qual se faculta a alguém o uso de um bem público. 
Em se tratando de outorga à particular, sempre deverá sujeitar-
se à licitação prévia, asseverando, assim, tratamento isonômico 
aos administrados. 
 
Concessão de uso 
Trata-se de um dos meios de trespasse de uso do bem público ao 
particular, sendo, dentre as formas existentes, a que atribui 
maior garantia ao administrado. Não se trata de um ato 
unilateral e será sempre precedido por licitação. 
 
 
 
92 
 
 
 
 
 
 
 
CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO 
PÚBLICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONCEITO 
Controle da administração pública consiste no conjunto de 
mecanismos jurídicos e administrativos por meio dos quais se 
exerce o poder de fiscalização e de revisão da atividade 
administrativa em qualquer das esferas de Poder. Permite anular 
atos ilegais e revogar (mérito). 
 
Poder de fiscalização e correção que sobre ela exercem os órgãos 
dos Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo, com o objetivo 
de garantir a conformidade de sua atuação com os princípios 
que lhe são impostos pelo ordenamento jurídico. 
 
O controle político não tem a ver com avaliação do exercício da 
função administrativa, mas se insere nos mecanismos de freios 
e contrapesos existentes entre os Poderes da República. 
 
A natureza jurídica dos meios de controle é de princípio 
fundamental da Administração Pública. 
 
A finalidade do controle é a de assegurar que a Administração 
atue em consonância com os princípios que a regem (legalidade, 
moralidade, finalidade pública, publicidade, motivação, 
impessoalidade) e, em certos casos, abarca também o controle 
de mérito, que diz respeito aos aspectos discricionários 
(conveniência e oportunidade) da atividade administrativa. 
 
 
 
 
 
93 
 
CONTROLE PRÉVIO – CONCOMITANTE – POSTERIOR 
 
O CONTROLE PRÉVIO (ou preventivo ou a priori ou ex ante) busca 
impedir a prática de atos ilegais ou contrários ao interesse 
público. Ex. mandado de segurança preventivo 
 
O CONTROLE CONCOMITANTE (ou sucessivo) “acompanha a 
atuação administrativa no mesmo 
momento em que ela se verifica”, como ocorre por exemplo com 
uma auditoria que acompanha a execução do orçamento ou com 
a avaliação de serviços públicos prestados à sociedade. 
 
O CONTROLE POSTERIOR (ou subsequente ou corretivo ou a 
posteriori ou ex post) avalia um ato após já ter sido praticado, 
com o intuito de desfazê-los, corrigi-los ou, até mesmo, 
preservá-los (quando não se constataram invalidades ou 
contrariedades ao interesse público). 
 
CONTROLE QUANTO À INICIATIVA 
 
CONTROLE DE OFÍCIO 
É instado pela própria Administração. 
 
CONTROLE PROVOCADO 
Depende de provocação da parte interessada. Anote-se que o 
controle judicial sempre se insere nesta categoria. 
 
CONTROLE INTERNO E EXTERNO 
 
CONTROLE INTERNO 
O controle interno é aquele realizado por um órgão pertencente 
à mesma estrutura do órgão controlado, em geral quando um 
mesmo Poder fiscaliza seus próprios atos e agentes. 
 
CF, art. 74, § 1º Os responsáveis pelo controle interno, ao 
tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou 
ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, 
sob pena de responsabilidade solidária. 
 
CONTROLE EXTERNO 
O controle externo é, portanto, o realizado entre outros de 
diferentes estruturas organizacionais, em geral por um Poder 
sobre outro. Terá lugar aqui o controle externo judicial e o 
controle externo legislativo, exercido com auxílio dos tribunais 
de Contas. 
 
94 
 
 
Judicial 
- apenas mediante provocação 
- apenas controle de 
legalidade 
Legislativo 
- mediante provocação ou de 
ofício 
- controle de legalidade ou de 
mérito 
 
Não há relação de hierarquia ou subordinação entre controle 
interno e externo. 
 
 
INSTRUMENTOS DE CONTROLE 
 
Fiscalização hierárquica ou hierarquia orgânica 
A fiscalização hierárquica, como o próprio diz, decorre das 
relações hierárquicas estabelecidas no interior das pessoas 
estatais. Assim, será exercida por órgãos superiores sobre os 
inferiores, buscando “ordenar, coordenar, orientar e corrigir suas 
atividades e agentes”; 
 
Tem como características da fiscalização hierárquica, a 
permanência e o fato de ser automática, visto que é exercida de 
modo perene, sem descontinuidade e independentemente de 
ordem ou de solicitação especial. Trata-se de poder-dever de 
chefia. 
 
Não se confunde com a supervisão ministerial (ou princípio do 
controle ou tutela), que representa o controle exercido por 
órgãos da administração direta sobre entidades da 
administração indireta. 
 
Direito de petição 
O direito de petição consiste em direito fundamental assegurado 
na própria Carta Magna: 
 
CF, art. 5º, XXXIV - são a todos assegurados, independentementedo pagamento de taxas: 
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos 
ou contra ilegalidade ou 
abuso de poder; 
 
Ao tomar conhecimento de uma ilegalidade ou abuso de poder 
cometido no exercício da função administrativa, os cidadãos 
poderiam dar início ao controle administrativo da atuação do 
poder público. 
 
95 
 
Há diversos instrumentos, previstos na legislação 
infraconstitucional, que materializam o mencionado direito de 
petição, como as denúncias, representações e reclamações em 
geral. 
➢ Denúncias e Representações 
Representação é “a denúncia de irregularidades feita perante a 
própria Administração Pública ou a entes de controle, como o 
Ministério Público, o Tribunal de Contas ou outros órgãos que 
funcionem como ouvidoria” 
 
Na denúncia "todavia, prepondera o intuito de alertar a 
autoridade competente para conduta administrativa 
apresentada como censurável" 
 
➢ Reclamações administrativas 
A reclamação administrativa, em sentido amplo, consiste na 
oposição expressa a atos da Administração que afetem direitos 
ou interesses do administrado. 
 
O elemento marcante da reclamação, portanto, consiste na 
defesa de direito ou interesse próprio do reclamante. Na 
denúncia ou representação não há este requisito. 
 
➢ Pedido de reconsideração 
➢ Recursos administrativos 
➢ Revisão administrativa 
 
 
CONTROLE LEGISLATIVO 
CONROLE PARLAMENTAR DIRETO 
Competências do Congresso Nacional 
• fiscalizar e controlar atos do Poder Executivo, incluídos os 
da administração indireta 
• sustar atos normativos do Poder Executivo que exorbitem 
do poder regulamentar 
• sustar contratos que apresentem ilegalidade 
• julgar as contas prestadas pelo Presidente da República 
 
CONTROLE TRIBUNAL DE CONTAS 
Contas do Presidente » TCU aprecia (emite parecer prévio) » quem 
julga é o Congresso Nacional 
Contas dos demais administradores federais »» TCU julga 
 
É prescritível a pretensão de ressarcimento ao erário fundada em 
decisão de Tribunal de Contas. 
 
96 
 
Ato ilegal »» TCU susta »» TCU poderá sustá-lo diretamente 
Contrato illegal »» 
Congresso Nacional susta »» TCU somente poderá decidir a 
respeito se o Congresso Nacional não determinar a sustação 
dentro de 90 dias 
 
Atribuições do TCU 
• Apreciar as contas do Presidente da República 
- parecer prévio (60 dias) encaminha para o Congresso julgar 
• Julgar as contas dos demais administradores apreciar, para 
fins de registro, a legalidade dos atos de 
- admissão de pessoal exceto cargo em comissão 
- aposentadorias, reformas e pensões ressalvadas as melhorias 
posteriores 
• Realizar inspeções e auditorias nas unidades 
administrativas de todos os Poderes inclusive na Admin. 
Indireta 
• Fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais 
(ex.: Itaipu) 
• Fiscalizar aplicação de recursos repassados pela União 
mediante convênio, acordo, ajuste ou congêneres 
• Prestar informações solicitadas pelo Congresso Nacional, 
suas Casas ou Comissões 
• Aplicar sanções previstas em lei inclusive multa 
proporcional ao dano ao erário 
• Assinar prazo para adoção de providências necessárias ao 
exato cumprimento da lei 
• Se não atendido, sustar a execução do ato ilegal 
• Representar ao Poder competente sobre irregularidades ou 
abusos apurados 
 
Legitimados para denunciar ao TCU 
O TCU poderá agir por iniciativa própria ou mediante provocação. 
Esta provocação poderá ocorrer por meio das casas legislativas, 
que determinam a realização de fiscalizações ao TCU, mas 
também por meio do recebimento de denúncias e 
representações. 
 
CF, art. 74, § 2º Qualquer cidadão, partido político, associação ou 
sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar 
irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da 
União. 
 
 
 
 
97 
 
JURISDIÇÃO DO TCU 
Art. 70, parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física 
ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, 
gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou 
pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma 
obrigações de natureza pecuniária 
 
O TCU somente poderá produzir a chamada “coisa julgada 
formal”, mas não a material. As decisões do TCU são suscetíveis 
de apreciação judicial. 
 
 
LEI ANTICORRUPÇÃO 
 
A Lei Anticorrupção amplia a responsabilização nas esferas 
administrativa e civil, na medida em que alcança as pessoas 
jurídicas, inclusive as que resultarem de alteração contratual, 
transformação, incorporação, fusão ou cisão societária (art. 4o); 
e alcança também os respectivos dirigentes, com previsão 
expressa da desconsideração da personalidade jurídica (arts. 3º e 
14). 
 
Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a responsabilização objetiva 
administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos 
contra a administração pública, nacional ou estrangeira. 
 
SUJEITOS ATIVOS 
pessoas jurídicas 
• nacionais (empresas, associações, fundações) 
• estrangeiras com representação no Brasil 
 
SUJEITOS PASSIVOS 
Administração Pública 
• nacional (adm. direta e indireta) 
• estrangeira (inclusive organizações públicas 
internacionais) 
 
ABRANGÊNCIA 
Aplica-se o disposto nesta Lei às sociedades empresárias e às 
sociedades simples, personificadas ou não, independentemente 
da forma de organização ou modelo societário adotado, bem 
como a quaisquer fundações, associações de entidades ou 
pessoas, ou sociedades estrangeiras, que tenham sede, filial ou 
representação no território brasileiro, constituídas de fato ou de 
direito, ainda que temporariamente. 
 
98 
 
pessoas jurídicas: responsabilidade objetiva 
pessoas físicas (dirigentes, administradores, autor, partícipe do 
ilícito): responsabilidade subjetiva 
 
 
ATOS LESIVOS À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (esfera administrativa) 
O artigo 5º do texto legal define os atos lesivos à Administração 
Pública que, caso praticados, irão ensejar a incidência da Lei 
Anticorrupção. 
 
Antes de listar tais condutas, destaco que tais atos podem 
atentar contra: 
Atentam contra 
• patrimônio público – nacional, estrangeiro 
• princípios da administração pública 
• compromissos internacionais assumidos pelo Brasil 
 
Art. 5º Constituem atos lesivos à administração pública, 
nacional ou estrangeira, para os fins desta Lei, todos aqueles 
praticados pelas pessoas jurídicas mencionadas no parágrafo 
único do art. 1º , que atentem contra o patrimônio público 
nacional ou estrangeiro, contra princípios da administração 
pública ou contra os compromissos internacionais assumidos 
pelo Brasil, assim definidos: 
 
I - prometer, oferecer ou dar, direta ou indiretamente, vantagem 
indevida a agente público, ou a terceira pessoa a ele relacionada; 
II - comprovadamente, financiar, custear, patrocinar ou de 
qualquer modo subvencionar a prática dos atos ilícitos previstos 
nesta Lei; 
III - comprovadamente, utilizar-se de interposta pessoa física ou 
jurídica para ocultar ou dissimular seus reais interesses ou a 
identidade dos beneficiários dos atos praticados; 
IV - no tocante a licitações e contratos: 
a) frustrar ou fraudar, mediante ajuste, combinação ou qualquer 
outro expediente, o caráter competitivo de procedimento 
licitatório público; 
b) impedir, perturbar ou fraudar a realização de qualquer ato de 
procedimento licitatório público; 
c) afastar ou procurar afastar licitante, por meio de fraude ou 
oferecimento de vantagem de qualquer tipo; 
d) fraudar licitação pública ou contrato dela decorrente; 
e) criar, de modo fraudulento ou irregular, pessoa jurídica para 
participar de licitação pública ou celebrar contrato 
administrativo; 
99 
 
f) obter vantagem ou benefício indevido, de modo fraudulento, 
de modificações ou prorrogações de contratos celebrados com a 
administração pública, sem autorização em lei, no ato 
convocatório da licitação pública ou nos respectivosinstrumentos contratuais; ou 
g) manipular ou fraudar o equilíbrio econômico-financeiro dos 
contratos celebrados com a administração pública; 
 
V - dificultar atividade de investigação ou fiscalização de 
órgãos, entidades ou agentes públicos, ou intervir em sua 
atuação, inclusive no âmbito das agências reguladoras e dos 
órgãos de fiscalização do sistema financeiro nacional. 
 
§ 1º Considera-se administração pública estrangeira os órgãos e 
entidades estatais ou representações diplomáticas de país 
estrangeiro, de qualquer nível ou esfera de governo, bem como 
as pessoas jurídicas controladas, direta ou indiretamente, pelo 
poder público de país estrangeiro. 
§ 2º Para os efeitos desta Lei, equiparam-se à administração 
pública estrangeira as organizações públicas internacionais. 
 
§ 3º Considera-se agente público estrangeiro, para os fins desta 
Lei, quem, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, 
exerça cargo, emprego ou função pública em órgãos, entidades 
estatais ou em representações diplomáticas de país estrangeiro, 
assim como em pessoas jurídicas controladas, direta ou 
indiretamente, pelo poder público de país estrangeiro ou em 
organizações públicas internacionais. 
 
SANÇÕES 
Art. 6º Na esfera administrativa, serão aplicadas às pessoas 
jurídicas consideradas responsáveis pelos atos lesivos previstos 
nesta Lei as seguintes sanções: 
 
I - multa, no valor de 0,1% (um décimo por cento) a 20% (vinte 
por cento) do faturamento bruto do último exercício anterior ao 
da instauração do processo administrativo, excluídos os 
tributos, a qual nunca será inferior à vantagem auferida, quando 
for possível sua estimação; e 
 
[§ 4º O Ministério Público ou a Advocacia Pública ou órgão de 
representação judicial, ou equivalente, do ente público poderá 
requerer a indisponibilidade de bens, direitos ou valores 
necessários à garantia do pagamento da multa ou da reparação 
integral do dano causado, conforme previsto no art. 7º , 
ressalvado o direito do terceiro de boa-fé.] 
100 
 
 
II - publicação extraordinária da decisão condenatória. 
§ 1º As sanções serão aplicadas fundamentadamente, isolada ou 
cumulativamente, de acordo com as peculiaridades do caso 
concreto e com a gravidade e natureza das infrações. 
 
§ 2º A aplicação das sanções previstas neste artigo será precedida 
da manifestação jurídica elaborada pela Advocacia Pública ou 
pelo órgão de assistência jurídica, ou equivalente, do ente 
público. 
 
§ 3º A aplicação das sanções previstas neste artigo não exclui, 
em qualquer hipótese, a obrigação da reparação integral do dano 
causado. 
 
§ 4º Na hipótese do inciso I do caput , caso não seja possível 
utilizar o critério do valor do faturamento bruto da pessoa 
jurídica, a multa será de R$ 6.000,00 (seis mil reais) a R$ 
60.000.000,00 (sessenta milhões de reais). 
 
§ 5º A publicação extraordinária da decisão condenatória 
ocorrerá na forma de extrato de sentença, a expensas da pessoa 
jurídica, em meios de comunicação de grande circulação na área 
da prática da infração e de atuação da pessoa jurídica ou, na sua 
falta, em publicação de circulação nacional, bem como por meio 
de afixação de edital, pelo prazo mínimo de 30 (trinta) dias, no 
próprio estabelecimento ou no local de exercício da atividade, de 
modo visível ao público, e no sítio eletrônico na rede mundial de 
computadores. 
 
AGRAVANTES/ ATENUANTES 
Art. 7º Serão levados em consideração na aplicação das sanções: 
I - a gravidade da infração; 
II - a vantagem auferida ou pretendida pelo infrator; 
III - a consumação ou não da infração; 
IV - o grau de lesão ou perigo de lesão; 
V - o efeito negativo produzido pela infração; 
VI - a situação econômica do infrator; 
VII - a cooperação da pessoa jurídica para a apuração das 
infrações; 
VIII - a existência de mecanismos e procedimentos internos de 
integridade, auditoria e incentivo à denúncia de irregularidades 
e a aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta no âmbito 
da pessoa jurídica; 
IX - o valor dos contratos mantidos pela pessoa jurídica com o 
órgão ou entidade pública lesados; 
101 
 
 
LEI ANTICORRUPÇÃO - PROGRAMAS DE INTEGRIDADE 
(COMPLIANCE) 
“VIII - a existência de mecanismos e procedimentos internos de 
integridade, auditoria e incentivo à denúncia de irregularidades 
e a aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta no âmbito 
da pessoa jurídica;” 
 
O que é compliance anticorrupção? 
O conjunto de práticas, políticas e procedimentos adotados por 
empresas e organizações para prevenir, detectar e remediar 
casos de corrupção e outros comportamentos ilegais ou 
antiéticos recebe o nome de compliance anticorrupção. 
 
As medidas são adotadas com o objetivo de garantir que a 
instituição esteja em conformidade com as leis e 
regulamentações anticorrupção, bem como com as políticas 
internas e padrões éticos. 
 
 
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA 
Art. 14. A personalidade jurídica poderá ser desconsiderada 
sempre que utilizada com abuso do direito para facilitar, 
encobrir ou dissimular a prática dos atos ilícitos previstos nesta 
Lei ou para provocar confusão patrimonial, sendo estendidos 
todos os efeitos das sanções aplicadas à pessoa jurídica aos seus 
administradores e sócios com poderes de administração, 
observados o contraditório e a ampla defesa. 
 
ACORDO DE LENIÊNCIA 
O “acordo de leniência” é celebrado na via administrativa, 
previsto nos artigos 16 e 17 da Lei Anticorrupção, é o 
instrumento que permite geração de benefícios mútuos, para a 
empresa e para a Administração Pública. 
 
Art. 16. A autoridade máxima de cada órgão ou entidade pública 
poderá celebrar acordo de leniência com as pessoas jurídicas 
responsáveis pela prática dos atos previstos nesta Lei que 
colaborem efetivamente com as investigações e o processo 
administrativo, sendo que dessa colaboração resulte: 
I - a identificação dos demais envolvidos na infração, quando 
couber; e 
II - a obtenção célere de informações e documentos que 
comprovem o ilícito sob apuração. 
 
Empresa 
102 
 
• redução das sanções a que se sujeitaria 
Administração 
• pode identificar demais envolvidos na irregularidade 
• obtém documentos e provas com maior celeridade 
 
Requisitos do acordo de leniência 
• PJ admita sua participação no ilícito 
• PJ coopere plena e permanentemente com as investigações 
e o processo Administrativo 
- comparecendo, sob suas expensas, sempre que solicitada, 
a todos os atos processuais, até seu encerramento 
• PJ seja a 1ª a se manifestar sobre seu interesse em cooperar 
para a apuração do ato ilícito 
• PJ cesse completamente seu envolvimento na infração 
- a partir da data de propositura do acordo 
 
Caso a pessoa jurídica descumpra obrigações assumidas no acordo, 
ficará impedida de celebrar novo acordo pelo prazo de 3 anos, 
contados do conhecimento, pela administração pública, do seu 
descumprimento (art. 16, §8º). 
 
Efeitos gerados pelo acordo 
• redução da multa em até 2/3 
• isenção 
- publicação extraordinária da condenação 
- proibição de receber benefícios, doações ou empréstimos 
do poder público 
• possibilidade de redução ou isenção das sanções da Lei 
14.133 
• não afasta a reparação integral do dano 
• interrompe o prazo prescricional 
• proposta de acordo é sigilosa, até sua efetivação 
 
Competência para celebração 
A Lei 12.846 atribui à Controladoria-Geral da União (CGU) a 
competência para celebrar os acordos de leniência no âmbito do 
Poder Executivo federal e também em relação a atos lesivos 
praticados contra a administração pública estrangeira (art. 16, § 
10). 
 
RESPONSABILIZAÇÃO NA ESFERA JUDICIAL 
SANÇÕES 
• perdimento dos bens, direitos ou valores que representem 
vantagem ou proveito direta ou indiretamente obtidos da 
infração 
- ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé 
103 
 
• suspensão ou interdiçãoparcial de suas atividades 
• dissolução compulsória da pessoa jurídica 
• proibição de receber incentivos, subsídios, subvenções, 
doações ou empréstimos de órgãos ou entidades públicas e 
de instituições financeiras públicas ou controladas pelo 
poder público 
- de 1 a 5 anos 
 
 
 
INSTRUMENTOS DE CONTROLE JUDICIAL 
 
 LEGITIMADOS OBJETO OBSERVAÇÃO 
M
a
n
d
a
d
o
 d
e
 
S
e
g
u
ra
n
ç
a
 
 
- pessoas 
- 
universalidades 
reconhecidas 
- órgãos 
públicos 
independentes/ 
autônomos 
e respectivos 
agentes 
políticos, na 
defesa de suas 
prerrogativas 
- MP 
 
- direito líquido e 
certo, não 
amparado 
por HC ou HD 
 
responsável pela 
ilegalidade ou 
abuso de poder 
deve ser 
autoridade 
pública ou 
agente 
de pessoa 
jurídica no 
exercício de 
atribuições do 
Poder Público 
(autoridade 
coatora) 
M
a
n
d
a
d
o
 d
e
 
S
e
g
u
ra
n
ç
a
 
c
o
le
t
iv
o
 
 
- partido 
político com 
representação 
no Congresso 
Nacional 
- organização 
sindical 
- entidade de 
classe 
- associação em 
funcionamento 
há pelo menos 1 
ano 
direito líquido e 
certo, não 
amparado 
por HC ou HD, 
desde 
que seja: 
 - coletivo ou 
 - individual 
homogêneo 
 
caso de 
substituição 
processual 
104 
 
M
a
n
d
a
d
o
 d
e
 
In
ju
n
ç
ã
o
 
 
pessoas 
(naturais ou 
jurídicas) 
titulares dos 
direitos 
 
falta de norma 
regulamentadora 
 
 
-------------- 
H
a
b
e
a
s
 D
a
t
a
 
 
pessoa física ou 
jurídica 
diretamente 
interessada 
 
- obter 
informações 
de registros de 
entidades 
governamentais 
ou de caráter 
público 
- retificação de 
dados 
somente em 
caso de negativa 
de fornecimento 
na via 
administrativa. 
A
ç
ã
o
 P
o
p
u
la
r 
cidadão (capac. 
eleitoral 
ativa), mas 
requer 
representação 
por 
advogado 
- anular ato 
lesivo 
- finalidade 
primária: 
desconstituir o 
ato lesivo 
(anulá-lo) 
- secundária: 
condenar o 
respon. 
a reparar o dano 
A
ç
ã
o
 C
iv
il
 P
ú
b
li
c
a
 
 
- Ministério 
Público 
- Defensoria 
Pública 
- Entidades 
políticas 
(U,E,DF,M) 
- Entidades 
administrativas 
(autarquias, 
fundações 
públicas e 
estatais) 
- Associação: 
constituída há, 
pelo menos, 1 
ano com 
finalidades 
institucionais 
específicas 
apurar 
responsabilidades 
por danos ao 
patrimônio 
público 
(entre outros), 
tutelando 
direitos: 
- difusos 
- coletivos 
- individuais 
homogêneos 
( jurisprudência) 
responsabilidade 
por danos 
morais e 
patrimoniais 
 
 
105 
 
PRESCRIÇÃO 
O artigo 25 da Lei estabelece o prazo prescricional de 5 anos para 
que as sanções sejam aplicadas, também para as sanções 
judiciais. Tal prazo é contado da data da ciência da infração ou, 
no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que 
tiver cessado. 
 
INDEPENDÊNCIAS DE INSTÂNCIAS 
Art. 18. Na esfera administrativa, a responsabilidade da pessoa 
jurídica não afasta a possibilidade de sua responsabilização na 
esfera judicial. 
 
CADASTRO NACIONAL DE EMPRESAS PUNIDAS 
Art. 22. Fica criado no âmbito do Poder Executivo federal o 
Cadastro Nacional de Empresas Punidas - CNEP, que reunirá e 
dará publicidade às sanções aplicadas pelos órgãos ou entidades 
dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário de todas as 
esferas de governo com base nesta Lei. 
§ 1º Os órgãos e entidades referidos no caput deverão informar e 
manter atualizados, no Cnep, os dados relativos às sanções por 
eles aplicadas. 
§ 2º O Cnep conterá, entre outras, as seguintes informações 
acerca das sanções aplicadas: 
I - razão social e número de inscrição da pessoa jurídica ou 
entidade no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ; 
II - tipo de sanção; e 
III - data de aplicação e data final da vigência do efeito limitador 
ou impeditivo da sanção, quando for o caso. 
 
 
106 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Lei de caráter nacional, aplicável a atos de improbidade 
cometidos em todos os entes da federação (União, Estados, DF e 
Municípios) e em todos os Poderes. 
 
APLICABILIDADE (RETROATIVIDADE X IRRETROATIVIDADE) 
Em agosto de 2022, o STF definiu que a nova LIA se aplica aos 
casos anteriores à sua vigência que tratarem de ato culposo de 
improbidade, desde que sem trânsito em julgado. Ou seja, nos 
casos de improbidade dolosa, a lei não poderia retroagir. 
 
MORALIDADE X PROBIDADE 
Entende-se por moralidade a congregação de costumes, deveres 
e modo de proceder dos homens para com os seus semelhantes, 
o corpo de preceitos e regras para dirigir as ações humanas 
segundo a justiça e a equidade natural. A probidade, por sua vez, 
consiste em honradez, integridade de caráter, honestidade, 
pundonor. 
 
EXIGÊNCIA DE DOLO 
§ 3º O mero exercício da função ou desempenho de competências 
públicas, sem comprovação de ato doloso com fim ilícito, afasta 
a responsabilidade por ato de improbidade administrativa. 
 
 
NATUREZA JURÍDICA DO ILÍCITO DE IMPROBIDADE 
 
NATUREZA DAS SANÇÕES 
POLÍTICA suspensão dos direitos políticos 
107 
 
ADMINISTRATIVA perda da função pública e proibição de 
contratar com o poder público e de receber benefícios 
fiscais/creditícios 
CIVIL ressarcimento ao erário, multa civil e perda dos bens e 
valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio. 
 
Vale destacar que o único crime previsto na LIA consiste na 
denúncia caluniosa de ato de improbidade. Isto é, aquela pessoa 
que denúncia alguém por prática de ato de improbidade sabendo 
que o denunciado era inocente: LIA, art. 19. Constitui crime a 
representação por ato de improbidade contra agente público ou 
terceiro beneficiário, quando o autor da denúncia o sabe 
inocente. 
 
Caso o ato de improbidade administrativa seja também 
sancionado com base na Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013), 
as sanções da Lei de Improbidade não serão aplicadas àquela 
PJ (art. 3º, § 2º). 
 
COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR 
A CF/88 não delimitou uma competência específica para legislar 
sobre a probidade ou improbidade administrativa. Nesse sentido, 
o art. 22, I, afirma que a União tem a competência para legislar 
sobre processo em sentido geral. Sabe-se que as leis formuladas 
pela União podem ser federais, quando aplicadas apenas no 
âmbito do governo federal, ou nacionais, quando aplicadas para 
todo o país. Nesse contexto, pode-se dizer que a Lei 8.429/92 
possui tanto aspectos aplicáveis apenas no âmbito federal 
quanto aplicáveis aos servidores de todo o país, especialmente 
no que ser refere aos atos de improbidade. 
 
MUDANÇA – ELEMENTO SUBJETIVO 
Consideram-se atos de improbidade administrativa as condutas 
dolosas, ou seja, conduta culposa não é mais ato de improbidade. 
 
 
SUJEITO PASSIVO – SUJEITO ATIVO 
 
SUJEITOS PASSIVOS 
Administração pública 
- direta e indireta 
- qualquer dos poderes 
- da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. 
 
 
 
108 
 
Entidade privada 
- que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou 
creditício, de entes públicos 
- para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou 
concorra no seu patrimônio ou receita atual. [ressarcimento de 
prejuízos é limitado à repercussão do ilícito sobre a contribuição 
dos cofres públicos] 
 
SUJEITOS ATIVOS 
Agente público (sentido amplo) 
Art. 2º Para os efeitos desta Lei, consideram-se agente público o 
agente político, o servidor público e todo aquele que exerce, 
ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, 
nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de 
investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas 
entidades referidas no art. 1º desta Lei. 
 
Com exceção do presidente da República, todos os demais 
agentes políticos estão sujeitos à responsabilização pelos atos 
de improbidade administrativa. 
Equiparado a agente público 
Pela celebração de convênio, contrato de repasse ou ajusteequivalente 
Particular 
- desde que tenha INDUZIDO à prática do ato de improbidade; 
CONCORRIDO dolosamente para o ato; 
 
 
CATEGORIAS DE ATOS DE IMPROBIDADE 
• importam enriquecimento ilícito art. 9º (rol 
exemplificativo) 
• causam prejuízo ao erário art. 10 (rol exemplificativo) 
• atentam contra os princípios da administração pública art. 
11 (rol taxativo) 
 
DOS ATOS QUE IMPORTAM EM ENRIQUECIMENTO ILÍCITO 
Art. 9º Constitui ato de improbidade administrativa importando 
em enriquecimento ilícito auferir, mediante a prática de ato 
doloso, qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão 
do exercício de cargo, de mandato, de função, de emprego ou de 
atividade nas entidades referidas no art. 1º desta Lei, e 
notadamente: 
 
• receber vantagem patrimonial indevida de quem tem interesse 
na atividade exercida pelo agente público 
109 
 
• perceber vantagem econômica para facilitar a aquisição ou 
locação por preço superior ao valor de mercado 
• perceber vantagem econômica para facilitar a alienação, o 
fornecimento ou locação de bem público por preço inferior ao 
valor de mercado 
• utilizar em proveito próprio, em obra ou serviço particular, 
qualquer bem móvel do poder público, bem como o trabalho de 
servidores públicos ou terceirizados por elas contratados 
• receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou 
indireta, para tolerar prática de qualquer atividade ilícita, como 
jogos de azar, narcotráfico e contrabando 
• receber vantagem econômica para fazer declaração falsa sobre 
qualquer dado técnico de obra pública ou serviços contratados 
pelo poder público, como medição, quantidade, peso, medida e 
qualidade 
• adquirir bens de valor desproporcional à evolução do 
patrimônio do agente público 
(assegurada a demonstração da licitude da origem dessa 
evolução) 
• aceitar emprego ou consultoria para pessoa que tenha interesse 
na atividade do agente público 
• perceber vantagem econômica para intermediar a liberação de 
verba pública 
• receber vantagem econômica para omitir ato de ofício 
• incorporar ao seu patrimônio bens ou valores do patrimônio 
público 
• usar, em proveito próprio, bens ou valores do patrimônio 
público 
 
SANÇÕES – ENRIQUECIMENTO ILÍCITO 
Perda dos bens acrescidos ilicitamente 
Ressarcimento integral do dano (se houver dano efetivo) 
Perda da função pública 
Suspensão dos direitos políticos de até 14 anos 
Multa civil igual ao acréscimo patrimonial 
Proibição de contratar com Poder Público ou receber benefícios 
por até 14 anos 
 
 
DOS ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA QUE CAUSAM 
PREJUÍZO AO ERÁRIO 
Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa 
lesão ao erário qualquer ação ou omissão dolosa, que enseje, 
efetiva e comprovadamente, perda patrimonial, desvio, 
apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres 
das entidades referidas no art. 1º desta Lei, e notadamente: 
110 
 
 
• facilitar a indevida incorporação ao patrimônio particular de 
bens ou valores públicos 
•permitir que pessoa privada utilize bens públicos sem a 
observância das form. legais 
•doar, ainda que de fins educativos ou assistências, bens ou 
valores públicos, sem observância das formalidades legais 
aplicáveis 
•permitir a alienação, permuta ou locação de bem público ou a 
prestação de serviço por ente público por preço inferior ao de 
mercado 
•permitir a aquisição de bem ou serviço por preço superior ao de 
mercado 
• realizar operação financeira sem observância das normas legais 
ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea 
• conceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância 
das formalidades aplicáveis 
• frustrar a licitude de processo licitatório ou de processo 
seletivo para celebração de parcerias 
com entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-los 
indevidamente, acarretando perda patrimonial efetiva 
•ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas 
em lei ou regulamento 
• agir ilicitamente na arrecadação de tributo ou na conservação 
do patrimônio público 
•permitir que terceiro se enriqueça ilicitamente 
•permitir que se utilize, em obra ou serviço particular, 
maquinário de entidades públicas ou o trabalho de servidor 
público 
• celebrar contrato de rateio de consórcio público sem suficiente 
dotação orçamentária 
• agir para a configuração de ilícito na celebração, na 
fiscalização e na análise das prestações de contas de parcerias 
firmadas pela administração pública com entidades privada 
• facilitar a incorporação, ao patrimônio particular de valores 
públicos transferidos a entidades privadas mediante parceria, 
sem a observância das formalidades aplicáveis 
• conceder benefício financeiro ou tributário que contrarie as 
regras referentes ao Imposto Sobre Serviços de Qualquer 
Natureza (ISSQN) 
 
SANÇÕES – PREJUÍZO AO ERÁRIO 
Perda dos bens acrescidos ilicitamente (se ocorrer esta 
circunstância) 
Ressarcimento integral do dano (se houver dano efetivo) 
Perda da função pública 
111 
 
Suspensão dos direitos políticos de até 12 anos 
Multa civil igual ao dano ao erário 
Proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios 
por até 12 anos 
 
 
DOS ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA QUE ATENTAM 
CONTRA OS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta 
contra os princípios da administração pública a ação ou omissão 
dolosa que viole os deveres de honestidade, de imparcialidade e de 
legalidade, caracterizada por uma das seguintes condutas: 
 
• revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das 
atribuições e que deva permanecer em segredo, propiciando 
beneficiamento por informação privilegiada ou colocando em 
risco a segurança da sociedade e do Estado 
• negar publicidade aos atos oficiais, exceto em razão de sua 
imprescindibilidade para a segurança da sociedade e do Estado 
ou de outras hipóteses instituídas em lei 
• frustrar o caráter concorrencial de concurso público, de 
chamamento ou de procedimento licitatório, em ofensa à 
imparcialidade, com vistas à obtenção de benefício 
• deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo, 
desde que disponha das condições para isso, com vistas a ocultar 
irregularidades 
• revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro, 
antes da respectiva divulgação oficial, teor de medida política 
ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria, bem ou 
serviço 
• descumprir as normas relativas à celebração, fiscalização e 
aprovação de contas de parcerias firmadas pela administração 
pública com entidades privadas 
• nepotismo (nomear cônjuge/companheiro ou parente de até 3º 
grau para cargo em comissão/de confiança ou para função 
gratificada) 
• promover enaltecimento do agente público e personalização de 
atos, de programas, de obras, de serviços ou de campanhas dos 
órgãos públicos (CF, art. 37, §1º) 
 
Art. 9º IV - utilizar, em obra ou serviço particular, qualquer 
bem móvel, de propriedade ou à disposição de qualquer das 
entidades referidas no art. 1º desta Lei, bem como o trabalho 
de servidores, de empregados ou de terceiros contratados por 
essas entidades; 
112 
 
Art. 10º XII - permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro 
se enriqueça ilicitamente; 
Art. 10º XIII - permitir que se utilize, em obra ou serviço 
particular, veículos, máquinas, equipamentos ou material de 
qualquer natureza, de propriedade ou à disposição de qualquer 
das entidades mencionadas no art. 1° desta lei, bem como o 
trabalho de servidor público, empregados ou terceiros 
contratados por essas entidades. 
 
Art. 10º VIII - frustrar a licitude de processo licitatório ou de 
processo seletivo para celebração de parcerias com entidades 
sem fins lucrativos, ou dispensá-los indevidamente, 
acarretando perda patrimonial efetiva; 
Art. 11 V - frustrar, em ofensa à imparcialidade, o caráterconcorrencial de concurso público, de chamamento ou de 
procedimento licitatório, com vistas à obtenção de benefício 
próprio, direto ou indireto, ou de terceiros; 
 
SANÇÕES – PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
Ressarcimento integral do dano (se houver dano efetivo) 
Multa civil de até 24 vezes a remuneração do agente 
Proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios 
por até 4 anos 
 
APLICAÇÃO DAS SANÇÕES 
Não depende de: 
- Comprovação do prejuízo ao erário, SALVO atos que importam 
prejuízo ao erário (art. 10) e condenação a ressarcimento ao 
erário (nas demais categorias). 
- Rejeição ou aprovação das contas por órgãos de controle – juiz 
considera atos, provas e decisões dos órgãos de controle 
 
Quanto à fixação das penas, o juiz observará uma série de 
circunstâncias, como a gravidade do fato (art. 12, caput), a 
extensão do dano causado, o proveito patrimonial e os 
antecedentes do agente infrator (art. 17-C, IV). 
 
Além disso, em uma ideia consequencialista e considerando o 
princípio da função social da 
empresa, a LIA passou a prever que, na responsabilização da 
pessoa jurídica, deverão ser 
considerados os efeitos econômicos e sociais das sanções, de 
modo a viabilizar a manutenção de suas atividades (art. 12, § 3º). 
 
 
 
113 
 
RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES 
Tratando-se de atos que importe enriquecimento ilícito (art. 9º) 
e que causem dano ao erário (art. 10), as sanções poderão 
alcançar os sucessores do agente condenado. 
 
LIA, art. 8° O sucessor ou o herdeiro daquele que causar dano ao 
erário ou que se enriquecer ilicitamente estão sujeitos apenas à 
obrigação de repará-lo até o limite do valor da herança ou do 
patrimônio transferido. 
 
A Lei 14.230 deixou claro que esta responsabilidade dos 
sucessores aplica-se também nas hipóteses de alteração 
contratual, de transformação [é a operação pela qual a sociedade 
passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo 
para outro, por exemplo de S/A para Ltda.], de incorporação [é a 
operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por 
outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, sendo 
que a sociedade incorporada deixa de existir, mas a 
incorporadora continuará existindo.], de fusão [é a operação pela 
qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade 
nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações, 
extinguindo-se todas as sociedades fusionadas.] ou de cisão de 
empresas (art. 8º-A).[ é a operação pela qual a companhia 
transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais 
sociedades, extinguindo-se a companhia cindida, se houver 
versão de todo o seu patrimônio, ou dividindo-se o seu capital, 
se parcial a versão] 
 
Especificamente nos casos de fusão e de incorporação de 
empresas, a responsabilidade da sucessora será restrita à 
obrigação de reparação integral do dano causado, até o limite do 
patrimônio transferido, não lhe sendo aplicáveis as demais 
sanções previstas nesta Lei decorrentes de atos e de fatos 
ocorridos antes da data da fusão ou da incorporação (art. 8º-A, 
parágrafo único). 
No entanto, havendo comprovação de simulação ou de evidente 
intuito de fraude, tal regra deixa de ser aplicada, e a sucessora 
poderia responder além daquele limite. 
 
APURAÇÃO DE VÁRIAS INSTÂNCIAS 
SENTENÇAS CIVIS ou PENAIS por 
- inexistência de conduta ou negativa de autoria (se comunicam 
com a ação por improbidade) 
SANÇÕES APLICADAS EM OUTRAS ESFERAS 
- compensadas 
 
114 
 
§ 3º As sentenças civis e penais produzirão efeitos em relação à 
ação de improbidade quando concluírem pela inexistência da 
conduta ou pela negativa da autoria. 
 
§ 4º A absolvição criminal em ação que discuta os mesmos fatos, 
confirmada por decisão colegiada, impede o trâmite da ação da 
qual trata esta Lei, havendo comunicação com todos os 
fundamentos de absolvição previstos no art. 386 do Decreto-Lei 
nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal). 
§ 5º Sanções eventualmente aplicadas em outras esferas deverão 
ser compensadas com as sanções aplicadas nos termos desta 
Lei. 
 
 
PROCESSO 
MEDIDAS CAUTELARES 
Afastamento cautelar do acusado 
- autoridade judicial 
 - sem prejuízo de remuneração (90+90 dias) 
Indisponibilidade de bens 
- autoridade judicial decreta com ou sem oitiva prévia 
- bens para garantir – recomposição do erário; - perda dos bens 
- não alcança valor de multa civil – renda por atividade 
lícita 
- requer demonstração do perigo da demora até o valor de 40 
salários mínimos 
 - não pode sem bloqueados: bme de família, excedo se fruto 
da vantagem indevida. 
Art. 16. Na ação por improbidade administrativa poderá ser 
formulado, em caráter antecedente ou incidente, pedido de 
indisponibilidade de bens dos réus, a fim de garantir a integral 
recomposição do erário ou do acréscimo patrimonial resultante 
de enriquecimento ilícito. 
 
§ 1º-A O pedido de indisponibilidade de bens a que se refere o 
caput deste artigo poderá ser formulado independentemente da 
representação de que trata o art. 7º desta Lei. 
 
§ 2º Quando for o caso, o pedido de indisponibilidade de bens a 
que se refere o caput deste artigo incluirá a investigação, o 
exame e o bloqueio de bens, contas bancárias e aplicações 
financeiras mantidas pelo indiciado no exterior, nos termos da lei 
e dos tratados internacionais. 
 
§ 3º O pedido de indisponibilidade de bens a que se refere o caput 
deste artigo apenas será deferido mediante a demonstração no 
115 
 
caso concreto de perigo de dano irreparável ou de risco ao resultado 
útil do processo, desde que o juiz se convença da probabilidade 
da ocorrência dos atos descritos na petição inicial com 
fundamento nos respectivos elementos de instrução, após a 
oitiva do réu em 5 (cinco) dias. 
 
§ 4º A indisponibilidade de bens poderá ser decretada sem a oitiva 
prévia do réu, sempre que o contraditório prévio puder 
comprovadamente frustrar a efetividade da medida ou houver 
outras circunstâncias que recomendem a proteção liminar, não 
podendo a urgência ser presumida. 
 
§ 5º Se houver mais de um réu na ação, a somatória dos valores 
declarados indisponíveis não poderá superar o montante indicado 
na petição inicial como dano ao erário ou como enriquecimento 
ilícito. 
 
§ 6º O valor da indisponibilidade considerará a estimativa de dano 
indicada na petição inicial, permitida a sua substituição por 
caução idônea, por fiança bancária ou por seguro-garantia 
judicial, a requerimento do réu, bem como a sua readequação 
durante a instrução do processo. 
 
§ 7º A indisponibilidade de bens de terceiro dependerá da 
demonstração da sua efetiva concorrência para os atos ilícitos 
apurados ou, quando se tratar de pessoa jurídica, da instauração 
de incidente de desconsideração da personalidade jurídica, a ser 
processado na forma da lei processual. 
 
§ 8º Aplica-se à indisponibilidade de bens regida por esta Lei, no 
que for cabível, o regime da tutela provisória de urgência da Lei 
nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). 
 
§ 9º Da decisão que deferir ou indeferir a medida relativa à 
indisponibilidade de bens caberá agravo de instrumento, nos 
termos da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de 
Processo Civil). 
 
§ 10. A indisponibilidade recairá sobre bens que assegurem 
exclusivamente o integral ressarcimento do dano ao erário, sem 
incidir sobre os valores a serem eventualmente aplicados a título 
de multa civil ou sobre acréscimo patrimonial decorrente de 
atividade lícita. 
 
§ 11. A ordem de indisponibilidade de bens deverá priorizar 
veículos de via terrestre, bens imóveis, bens móveis em geral, 
116 
 
semoventes, navios e aeronaves, ações e quotas de sociedades 
simples e empresárias, pedras e metais preciosose, apenas na 
inexistência desses, o bloqueio de contas bancárias, de forma a 
garantir a subsistência do acusado e a manutenção da atividade 
empresária ao longo do processo. 
 
§ 12. O juiz, ao apreciar o pedido de indisponibilidade de bens do 
réu a que se refere o caput deste artigo, observará os efeitos 
práticos da decisão, vedada a adoção de medida capaz de 
acarretar prejuízo à prestação de serviços públicos. 
 
§ 13. É vedada a decretação de indisponibilidade da quantia de até 
40 (quarenta) salários mínimos depositados em caderneta de 
poupança, em outras aplicações financeiras ou em conta-
corrente. 
 
§ 14. É vedada a decretação de indisponibilidade do bem de família 
do réu, salvo se comprovado que o imóvel seja fruto de vantagem 
patrimonial indevida, conforme descrito no art. 9º desta Lei. 
 
Art. 17. A ação para a aplicação das sanções de que trata esta 
Lei será proposta pelo Ministério Público e seguirá o 
procedimento comum previsto na Lei nº 13.105, de 16 de março 
de 2015 (Código de Processo Civil), salvo o disposto nesta Lei. 
 
 
RITO ORDINÁRIO 
Juízo de 1º grau – local do dano ou da pessoa jurídica prejudicada 
1. Petição inicial da ACP por Improbidade - instruída com os 
documentos comprobatórios dos atos de improbidade ou, 
pelo menos, com as devidas justificativas da existência de 
indícios 
PRÉVIA NOTIFICAÇÃO DO REQUERIDO PARA APRESENTAR 
MANIFESTAÇÃO 
2. Recebendo a petição inicial, o Juiz ordenará a notificação 
do requerido para apresentar manifestação (não é 
Contestação) no prazo de 15 DIAS 
JUÍZO DE PRELIBAÇÃO 
3. Após a manifestação do réu da ACP, o Juiz decidirá no prazo 
de 30 DIAS por 3 (três) caminhos diversos: 
- Rejeição da Ação – se convencido da inexistência do ato 
de improbidade; 
- Improcedência da Ação – se, apesar de eventualmente 
existir o ato configurado, não restou comprovada 
materialidade ou autoria, etc. 
117 
 
- Carência de Ação – pela inadequação da via eleita (ACP 
por Improbidade não é o caminho formal adequado). 
CITAÇÃO 
4. Depois da manifestação do Réu é que o Juiz receberá ou 
não a Petição Inicial (fará juízo de admissibilidade) e 
realizará a CITAÇÃO do réu para apresentar CONTESTAÇÃO 
no prazo de 15 DIAS. Assim, o requerido se manifesta em 1º 
lugar e só depois é que ele se torna RÉU, quando terá que 
contestar a ação. 
5. A decisão do Juiz que recebe a Petição Inicial é considerada 
uma Decisão Interlocutória (que não põe fim ao processo). 
Com isto, ela é recorrível por meio de Agravo de 
Instrumento. 
6. Efeitos da Sentença. 
- Em caso de procedência da ACP por Improbidade, a 
Sentença determinará a reparação do dano ao erário ou a 
decretará a perda dos bens havidos ilicitamente, com o 
pagamento ou reversão dos bens, em favor da pessoa 
jurídica prejudicada. Ex: em favor de Autarquia Federal, no 
caso de ato de improbidade praticado por servidor público 
federal da Autarquia. 
 
RECURSO DAS DECISÕES 
§ 21. Das decisões interlocutórias caberá agravo de instrumento, 
inclusive da decisão que rejeitar questões preliminares 
suscitadas pelo réu em sua contestação. 
 
SENTENÇA NULA 
§ 10-F. Será nula a decisão de mérito total ou parcial da ação de 
improbidade administrativa que: 
I - condenar o requerido por tipo diverso daquele definido na 
petição inicial; 
II - condenar o requerido sem a produção das provas por ele 
tempestivamente especificadas. 
§ 11. Em qualquer momento do processo, verificada a 
inexistência do ato de improbidade, o juiz julgará a demanda 
improcedente. 
 
NÃO SE APLICA 
§ 19. Não se aplicam na ação de improbidade administrativa: 
I - a presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor em 
caso de revelia; 
II - a imposição de ônus da prova ao réu, na forma dos §§ 1º e 2º 
do art. 373 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de 
Processo Civil); 
118 
 
III - o ajuizamento de mais de uma ação de improbidade 
administrativa pelo mesmo fato, competindo ao Conselho 
Nacional do Ministério Público dirimir conflitos de atribuições 
entre membros de Ministérios Públicos distintos; 
IV - o reexame obrigatório da sentença de improcedência ou de 
extinção sem resolução de mérito. 
 
ASSESSORIA JURÍDICA – PARECER DE LEGALIDADE PRÉVIA – 
OBRIGA-SE A DEFENDER 
§ 20. A assessoria jurídica que emitiu o parecer atestando a 
legalidade prévia dos atos administrativos praticados pelo 
administrador público ficará obrigada a defendê-lo 
judicialmente, caso este venha a responder ação por 
improbidade administrativa, até que a decisão transite em 
julgado. 
 
 
ACORDO DE NÃO-PERSECUÇÃO CIVIL 
Art. 17-B. O Ministério Público poderá, conforme as 
circunstâncias do caso concreto, celebrar acordo de não 
persecução civil, desde que dele advenham, ao menos, os 
seguintes resultados: 
I - o integral ressarcimento do dano; 
II - a reversão à pessoa jurídica lesada da vantagem indevida 
obtida, ainda que oriunda de agentes privados. 
§ 1º A celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo 
dependerá, cumulativamente: 
I - da oitiva do ente federativo lesado, em momento anterior ou 
posterior à propositura da ação; 
II - de aprovação, no prazo de até 60 (sessenta) dias, pelo órgão 
do Ministério Público competente para apreciar as promoções de 
arquivamento de inquéritos civis, se anterior ao ajuizamento da 
ação; 
III - de homologação judicial, independentemente de o acordo 
ocorrer antes ou depois do ajuizamento da ação de improbidade 
administrativa. 
§ 2º Em qualquer caso, a celebração do acordo a que se refere o 
caput deste artigo considerará a personalidade do agente, a 
natureza, as circunstâncias, a gravidade e a repercussão social do 
ato de improbidade, bem como as vantagens, para o interesse 
público, da rápida solução do caso. 
 
§ 3º Para fins de apuração do valor do dano a ser ressarcido, 
deverá ser realizada a oitiva do Tribunal de Contas competente, 
que se manifestará, com indicação dos parâmetros utilizados, no 
prazo de 90 (noventa) dias. 
119 
 
§ 4º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá ser 
celebrado no curso da investigação de apuração do ilícito, no curso 
da ação de improbidade ou no momento da execução da 
sentença condenatória. 
 
§ 5º As negociações para a celebração do acordo a que se refere 
o caput deste artigo ocorrerão entre o Ministério Público, de um 
lado, e, de outro, o investigado ou demandado e o seu defensor. 
§ 6º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá 
contemplar a adoção de mecanismos e procedimentos internos 
de integridade, de auditoria e de incentivo à denúncia de 
irregularidades e a aplicação efetiva de códigos de ética e de 
conduta no âmbito da pessoa jurídica, se for o caso, bem como 
de outras medidas em favor do interesse público e de boas 
práticas administrativas. 
 
§ 7º Em caso de descumprimento do acordo a que se refere o caput 
deste artigo, o investigado ou o demandado ficará impedido de 
celebrar novo acordo pelo prazo de 5 (cinco) anos, contado do 
conhecimento pelo Ministério Público do efetivo 
descumprimento. 
 
 
PRESCRIÇÃO 
Prazo de 8 anos, contados a partir da 
- Ocorrência do fato 
- Da cessação (infrações permanentes) 
Ressarcimento ao erário por ato doloso de improbidade 
- Imprescritível 
Prescrição intercorrente 
- 4 anos 
- de ofício ou a requerimento 
- oitiva prévia do MP 
Inquérito civil 
365 dias + 365 dias 
Após tal prazo, ação proposta em até 30 dias 
 
INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO 
§ 4º O prazo da prescrição referido no caput deste artigo 
interrompe-se: 
I - pelo ajuizamento da ação de improbidade administrativa; 
II - pela publicação da sentença condenatória; 
III - pela publicação de decisão ou acórdão de Tribunalde Justiça 
ou Tribunal Regional Federal que confirma sentença 
condenatória ou que reforma sentença de improcedência; 
120 
 
IV - pela publicação de decisão ou acórdão do Superior Tribunal 
de Justiça que confirma acórdão condenatório ou que reforma 
acórdão de improcedência; 
V - pela publicação de decisão ou acórdão do Supremo Tribunal 
Federal que confirma acórdão condenatório ou que reforma 
acórdão de improcedência. 
 
§ 5º Interrompida a prescrição, o prazo recomeça a correr do dia 
da interrupção, pela metade do prazo previsto no caput deste 
artigo. (8 ANOS) 
 
§ 6º A suspensão e a interrupção da prescrição produzem efeitos 
relativamente a todos os que concorreram para a prática do ato 
de improbidade. 
 
§ 7º Nos atos de improbidade conexos que sejam objeto do 
mesmo processo, a suspensão e a interrupção relativas a 
qualquer deles estendem-se aos demais. 
 
SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO 
Instauração de inquérito civil 
Instauração de processo administrativo para apuração dos 
ilícitos 
Nestes casos, a prescrição fica suspensa por, no máximo, 180 
dias corridos, recomeçando a correr após a sua conclusão ou, 
caso não concluído o processo, após esgotado tal prazo (art. 23, 
§ 1º). 
 
DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA 
Requisito para posse e exercício – concurso 
 
 
121 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO 
 
 
 
 
 
 
 
 
EVOLUÇÃO HISTÓRICA 
Teoria da irresponsabilidade do Estado 
Estado não respondia (responsabilidade subjetiva) 
 
Teorias com base na culpa 
• Teoria da culpa comum 
Dano sofrido + culpa do agente público + nexo de causalidade 
entre o dano e a conduta estatal = responsabilidade subjetiva 
• Teoria da culpa administrativa 
Dano sofrido + falha do serviço + nexo de causalidade entre o 
dano e a conduta estatal = responsabilidade subjetiva 
FALHA DO SERVIÇO (inexistência do serviço; mau 
funcionamento do serviço; retardamento do serviço) 
 
Teoria do risco administrativo (em regra adotada) 
Dano sofrido + mera existência de atuação estatal + nexo de 
causalidade entre o dano e a conduta estatal = responsabilidade 
objetiva 
 
A teoria do risco administrativo admite algumas hipóteses de 
exclusão de responsabilidade civil. Portanto, são elas: Caso 
fortuito ou força maior, culpa exclusiva da vítima e fato 
exclusivo de terceiro. 
 
Teoria do risco integral (danos ambientais, adotada) 
O Estado está fadado a indenizar o particular, estando 
impossibilitado de arguir excludentes que pudessem afastar ou 
minorar sua responsabilidade. (responsabilidade objetiva) 
Entende-se que o risco é integralmente do Estado ou do 
prestador dos serviços públicos. 
122 
 
Danos: 
- danos nucleares 
- danos ambientais 
- atentado terrorista ou guerra contra aeronaves brasileiras 
 
 
ABRANGÊNCIA 
Responsabilidade objetiva 
Todas as PJ de direito público 
Administração direta 
Autarquias 
Fundações de direito público 
 
PJ de direito privado que prestam serviços públicos 
Fundações públicas de direito privado 
Empresas públicas 
Sociedades de Economia Mista 
Particulares que prestam serviços públicos 
 - Concessionários 
- Permissionários 
- Autorizatários 
 
Empresas estatais 
- exploradoras de atividade econômica em sentido estrito 
regra: responsabilidade SUBJETIVA 
- prestadoras de serviços Públicos 
responsabilidade OBJETIVA com base no art. 37, §6º 
 
A Administração Pública pode responder civilmente pelos danos 
causados por seus agentes, ainda que estes estejam 
amparados por causa excludente de ilicitude penal. 
 
Agente de fato – Estado responde 
Usurpador de função – Estado não responde 
 
 
RESPONSABILIDADES CIVIL, PENAL E ADMINISTRATIVA PODEM SER 
CUMULADAS? 
Sim. Um único ato cometido por servidor pode repercutir, 
simultaneamente, nas esferas administrativa, penal e civil. 
 
ELEMENTOS QUE CARACTERIZAM A RESPONSABILIDADE DO ESTADO 
1) dano 
 2) existência da conduta estatal 
 3) nexo de causalidade entre a conduta estatal e o dano 
 
123 
 
RESPONSABILIDADE OBJETIVA E SUBJETIVA 
Pode ser objetiva – quando os atos praticados pelos agentes 
públicos resultam em prejuízos ou danos a terceiros, mesmo sem 
culpa – ou subjetiva, quando basta demonstrar o dano provocado 
pelo agente do Estado, e o nexo causal. 
 
RESPONSABILIDADE POR OMISSÃO 
Tratando-se de conduta omissiva do Estado tem-se entendido 
que deve ser aplicada, de maneira geral, a responsabilidade 
subjetiva, na modalidade culpa administrativa. 
 
A principal diferença é que, nestes casos, a vítima deverá provar 
a falha na prestação do serviço. 
Isto é, deverá provar que era dever do Estado prestar um serviço 
e que este era deficitário ou 
inexistente. 
 
Assim sendo, o terceiro lesado ficará encarregado de comprovar 
o seguinte: 
 1) dano sofrido 
 2) falha no serviço público 
 3) nexo de causalidade entre a falha no serviço e o dano sofrido 
 
Portanto, como regra geral, tratando-se de omissão estatal, sua 
responsabilidade civil será subjetiva, fundamentada na teoria da 
culpa administrativa (também chamada de culpa anônima). 
 
São casos em que há um dever específico atribuído ao Estado e 
este o descumpre. Nestas situações, o Estado deveria atuar 
como garante, já que possui um dever legal de assegurar a vida 
e a integridade das pessoas e dos bens colocados sob sua 
custódia e proteção. 
Assim sendo, em razão desta omissão específica, o Estado será 
chamado a responder de modo objetivo pelo dano causado. 
 
omissão genérica (ou imprópria) - resp. subjetiva (culpa 
administrativa 
omissão específica (ou própria) - resp. objetiva (risco 
administrativo) 
 
 
 
 
 
 
 
124 
 
EXCLUDENTES E ATENUANTES DA RESPONSABILIDADE DO ESTADO 
Excludentes 
- caso fortuito 
- força maior 
- culpa exclusiva da vítima 
- culpa de terceiros 
 
Transporte de pessoas 
Não se admite a culpa de terceiro como excludente da 
responsabilidade da concessionária de serviço público: serviço 
público de transporte de passageiros; 
O concessionário de serviço público continua obrigado a 
indenizar o passageiro, mesmo que o acidente tenha sido 
integralmente provocado por terceiro. 
 
Atos de multidão 
Como regra geral, o Estado não responde por danos causados por 
agrupamento de pessoas. Tal conclusão decorre do entendimento 
de que são atos de terceiros. 
 
Atenuantes 
- culpa concorrente 
 
 
RESPONSABILIDADE DO ESTADO POR ATOS NÃO ADMINISTRATIVOS 
ATOS LEGISLATIVOS 
Como regra geral, o Estado não responde civilmente por danos 
decorrentes de atos legislativos. Isto porque o Poder Legislativo, 
ao exercer a função legiferante, manifesta a própria soberania 
do Estado e, assim, não deve ser responsabilizado pelo regular 
exercício desta função. 
Comporta de duas a quatro exceções, a saber: 
1) leis inconstitucionais 
2) leis de efeitos concretos 
3) omissão legislativa 
4) decretos e outros atos administrativos normativos 
inconstitucionais ou ilegais 
 
 
ATOS JUDICIAIS 
Quanto aos atos jurisdicionais a regra geral é também pela 
irresponsabilidade do Estado. 
Portanto, quando um agente do Poder Judiciário pratica um ato 
no exercício da sua função típica, o Estado não será chamado a 
indenizar o particular que sofreu um dano decorrente daquele 
ato. 
125 
 
 
Hipóteses excepcionais: 
1) erro judiciário na esfera penal 
2) preso além do tempo fixado na sentença 
3) conduta dolosa do magistrado que cause dano a terceiros 
 
DA RESPONSABILIDADE POR OBRA PÚBLICA 
Existem situações em que os danos decorrem da má execução 
da obra pública e, em outros casos, o dano decorre da existência 
da obra em si e não de sua execução indevida. 
 
Da Responsabilidade decorrente da má execução da obra 
Nas hipóteses as quais a obra é executada pelo próprio Estado e, 
nestes casos, a responsabilidade objetiva é indiscutível; 
Se a obra mal executada foi realizada por um empreiteiro,através 
de contrato administrativo, e que o dano foi provocado por culpa 
exclusiva do executor, de acordo com a corrente majoritária lhe 
será atribuída responsabilidade subjetiva (importante saber que 
não se trata de prestação de serviço público pelo empreiteiro). 
 
Da Responsabilidade pelo simples fato da obra 
É irrelevante saber quem está executando a obra. Ocorrendo o 
prejuízo, ter-se-á a responsabilidade objetiva do Estado (ente 
Estatal). 
 
 
PRESCRIÇÃO 
Lei 9.494/1997, art. 1º -C. Prescreverá em cinco anos o direito de 
obter indenização dos danos causados por agentes de pessoas 
jurídicas de direito público e de pessoas jurídicas de direito 
privado prestadoras de serviços públicos. 
 
Súmula 647 do STJ, no sentido de que: 
São imprescritíveis as ações indenizatórias por danos morais e 
materiais decorrentes de atos de perseguição política com 
violação de direitos fundamentais ocorridos durante o regime 
militar. 
 
Quanto ao prazo prescricional aplicável à ação de regresso, é 
preciso destacarmos importante discussão jurídica travada no 
átrio do STF quanto ao assunto. 
A tendência, para fins de prova, é que prevaleça este prazo de 5 
anos esposado na jurisprudência do STJ. 
É prescritível a ação de reparação de danos à Fazenda Pública 
decorrente de ilícito civil. 
 
126 
 
São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas 
na prática de ato doloso tipificado na Lei de Improbidade 
Administrativa. 
 
Reparação de dano à vítima (vítima x Estado) 
- 5 anos 
Ação de regresso (Estado x agente público) 
- ilícitos civis - 5 anos (regra) 
- improbidade administrativa dolosa e ilícitos criminais - 
imprescritível 
 
 
 
127 
 
INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE 
 
A intervenção do Estado na propriedade como sendo “toda e 
qualquer atividade estatal que, amparada em lei, tenha por fim 
ajustá-la aos inúmeros fatores exigidos pela função social a que 
está condicionada. 
 
FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS 
Art. 5º, XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; 
 
Art. 5º, XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para 
desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por 
interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, 
ressalvados os casos previstos nesta Constituição; 
XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade 
competente poderá usar de propriedade particular, assegurada 
ao proprietário indenização ulterior, se houver dano [vemos aqui 
o fundamento da requisição administrativa]; 
 
Art. 182, § 2º A propriedade urbana cumpre sua função social 
quando atende às exigências 
fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano direto 
 
CF, art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade 
rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de 
exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: 
I - aproveitamento racional e adequado; 
II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e 
preservação do meio ambiente; 
III - observância das disposições que regulam as relações de 
trabalho; 
IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos 
trabalhadores 
 
 
MODALIDADES DE INTERVENÇÃO 
RESTRITIVA 
Estado impõe restrições e condições ao uso da propriedade, sem 
retirá-la do seu dono 
• servidão 
• requisição administrativa 
• ocupação temporária 
• limitações administrativas 
• tombamento 
 
 
128 
 
SUPRESSIVA 
Estado transfere para si a propriedade de um terceiro 
• desapropriação 
1) desapropriação por necessidade pública 
2) desapropriação por utilidade pública 
3) desapropriação por interesse social 
Além destas 3 formas, é importante lembrarmos da 
desapropriação confiscatória 
 
MODALIDADE SUPRESSIVA 
ORDINÁRIA 
Desapropriação por [pressupostos] necessidade / utilidade pública 
(ordinária) 
A desapropriação por necessidade pública é aquela que resulta de 
situação de emergência. 
A desapropriação por utilidade pública, a seu turno, decorre de 
uma conveniência da 
Administração. 
 
Consideram-se casos de utilidade pública: 
a) a segurança nacional; 
b) a defesa do Estado; 
c) o socorro público em caso de calamidade; 
d) a salubridade pública; 
e) a criação e melhoramento de centros de população, seu 
abastecimento regular de meios de 
n) a criação de estádios, aeródromos ou campos de pouso para 
aeronaves; 
o) a reedição ou divulgação de obra ou invento de natureza 
científica, artística ou literária; 
(...) 
 
Desapropriação por interesse social (ordinária) 
Esta modalidade comporta três espécies, a saber: 
a) desapropriação para fins de reforma agrária (UNIÃO) - títulos 
da dívida agrária 
b) desapropriação urbanística (plano diretor – município/DF) 
- títulos da dívida pública; desatendimento do plano diretor – 
somente após parcelamento/utilização compulsória; IPTU 
progressivo por 5 anos 
c) desapropriação ordinária (União, Estados, Distrito Federal e 
Municípios) 
- a desapropriação por interesse social será decretada para 
“promover a justa distribuição da propriedade ou condicionar o 
seu uso ao bem-estar social. 
 
129 
 
EXTRAORDINÁRIA 
 
Desapropriação sancionatória urbana 
Art. 182 - § 2º A propriedade urbana cumpre sua função social 
quando atende às exigências fundamentais de ordenação da 
cidade expressas no plano diretor. 
§ 3º As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com 
prévia e justa indenização em dinheiro. 
§ 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei 
específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos 
da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, 
subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado 
aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de: 
I - parcelamento ou edificação compulsórios; 
II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana 
progressivo no tempo; 
III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida 
pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, 
com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais 
e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros 
legais. 
 
Desapropriação sancionatória rural 
- Descumprimento da função rural 
Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para 
fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo 
sua função social, mediante prévia e justa indenização em 
títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor 
real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo 
ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. 
 
§ 1º As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em 
dinheiro. 
§ 2º O decreto que declarar o imóvel como de interesse social, 
para fins de reforma agrária, autoriza a União a propor a ação 
de desapropriação. 
§ 3º Cabe à lei complementar estabelecer procedimento 
contraditório especial, de rito sumário, para o processo judicial 
de desapropriação. 
§ 4º O orçamento fixará anualmente o volume total de títulos da 
dívida agrária, assim como o montante de recursos para atender 
ao programa de reforma agrária no exercício. 
§ 5º São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as 
operações de transferência de imóveis desapropriados para fins 
de reforma agrária. 
 
130 
 
 Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de 
reforma agrária: 
I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, 
desde que seu proprietário não possua outra; 
II - a propriedade produtiva. 
Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à 
propriedade produtiva e fixará normas para o cumprimento dos 
requisitos relativos a sua função social. 
- Desapropriação cultivo ilegal de plantas psicotrópica ou 
trabalho escravo 
 
Desapropriação sancionatória confiscatória (extraordinária) 
Desapropriação das propriedades rurais e urbanas nas quais 
forem identificadas o cultivo ilegal deexercem uma atividade consultiva para outros 
órgãos. 
Exemplo: o Ministério da Transparência, Fiscalização e 
Controladoria-Geral da União e etc. 
 
 
QUANTO À ESTRUTURA 
Simples ou unitários 
Compostos 
 
QUANTO À ESTRUTURA: SIMPLES OU UNITÁRIOS 
Único centro de competências (concentração) 
Ex. portarias 
 
QUANTO À ESTRUTURA: COMPOSTOS 
Reúnem diversos órgãos subordinados (desconcentração) 
Ex. Ministérios 
 
QUANTO À ESFERA DE AÇÃO 
Centrais 
Locais 
 
11 
 
QUANTO À ESFERA DE AÇÃO: CENTRAIS 
Os centrais, exercem atribuições em todo o território nacional, 
estadual, distrital e municipal. Assim, temos os ministérios e 
secretarias. 
 
QUANTO À ESFERA DE AÇÃO: LOCAIS 
Os locais, atuam em parte do território, como delegacias de 
polícia, postos de saúde etc. 
 
 
AUTARQUIAS 
 
AUTARQUIAS: ASPECTOS GERAIS 
Pessoa jurídica de Direito Público 
Atividade típica do Estado (não exploram atividade econômica) 
Criadas mediante lei específica 
Regime único de pessoal 
Não há subordinação à Adm. Direta 
A autarquia possui patrimônio próprio, em geral formado a partir 
da transferência de bens do ente federativo que a criou. (bens 
públicos) 
Privilégios processuais da Fazenda Pública em juízo. 
 
AUTARQUIAS: ESPÉCIES 
Administrativas 
Especiais 
Fundacionais 
Corporativas 
Territoriais 
 
AUTARQUIAS ADMINISTRATIVAS 
As autarquias administrativas (ou comuns) são aquelas que não 
apresentam particularidades. Ex. INSS. 
 
AUTARQUIAS ESPECIAIS 
As autarquias especiais (ou sob regime especial) consistem nas 
autarquias que possuem uma ou outra peculiaridade que as 
diferem das “administrativas”. 
Como exemplo, temos as Agências Reguladoras, que possuem um 
regime diferenciado de nomeação e destituição de seus 
dirigentes. Exemplos: Sudam – Superintendência do 
Desenvolvimento da Amazônia e Agências reguladoras, como 
Anatel e Aneel. 
 
 
 
12 
 
AUTARQUIAS FUNDACIONAIS 
As autarquias fundacionais (ou fundações autárquicas) são as 
fundações públicas instituídas sob regime de direito público. 
Diferentemente das autarquias (que são “serviço público 
personificado”), as fundações se caracterizam por serem um 
patrimônio personalizado. Exemplo: Funasa – Fundação Nacional 
de Saúde 
 
AUTARQUIAS CORPORATIVAS 
As autarquias corporativas são definidas como aquelas que 
exercem, com total autonomia em relação à entidade política 
matriz, atividades de regulação e fiscalização profissional, por 
delegação legal. 
Exemplos: CREA, CRM, Ordem dos Advogados do Brasil - OAB e 
tantas outras. 
 
AUTARQUIAS TERRITORIAIS 
Os territórios federais, quando criados, assumem a forma de 
autarquias territoriais. 
 
AUTARQUIAS: OAB 
O STF firmou o entendimento de que a OAB não possui natureza 
jurídica de autarquia e não está vinculada à Administração 
Indireta, sendo uma entidade sui generis. 
 
AUTARQUIAS RESPONSABILIDADE CIVIL 
Responsabilidade Civil objetiva, também é primária ou direta, ou 
seja, a própria autarquia é que deve ser acionada judicialmente 
para reparação dos danos. Assim, a administração direta 
somente seria acionada, por dívidas da autarquia, de modo 
subsidiário. 
 
AUTARQUIAS SOB REGIME ESPECIAL 
Maior independência 
Para que esta tome suas decisões da maneira mais imparcial 
possível. Nomeação diferenciada dos dirigentes destas 
autarquias. 
Ex. agências reguladoras, o Banco Central e a CVM (Comissão de 
Valores Mobiliários). 
 
AUTARQUIAS: AGÊNCIAS REGULADORAS 
Poder de polícia 
Ex. ANA, ANS, ANVISA 
Regulam e controlam as atividades que foram objeto de 
concessão, permissão ou autorização de serviço público 
(telecomunicações, energia elétrica, transportes etc) ou de 
13 
 
concessão para exploração de bem público (petróleo, rodovias 
etc). Ex. Aneel, Anatel. 
 
Características das agências reguladoras 
1)Autonomia política dos dirigentes; 
2) independência normativa; 
3) autonomia gerencial, orçamentária e financeira; 
4) autonomia técnico-decisória 
 
AUTARQUIAS: PRERROGATIVAS 
Imunidade tributárias recíproca 
Impenhorabilidade/imprescritibilidade de seus bens 
Prescrição quinquenal 
Créditos sujeitos à execução fiscal 
 
MEDIDA PROVISÓRIA PODE CRIAR AUTARQUIA? 
O STF não admite MP para criação de Autarquia. 
 
CONSELHOS DE FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL SÃO AUTARQUIAS 
ESPECIAIS E ESTÃO SUJEITAS A REGIME DE PRECATÓRIO? 
STF: Conselhos profissionais não estão sujeitos ao regime de 
precatórios 
 
 
AGÊNCIAS REGULADORAS X AGÊNCIAS EXECUTIVAS 
A agência executiva é uma autarquia ou fundação pública que 
recebe uma qualificação jurídica que confere a ela maior 
autonomia gerencial, orçamentária e financeira. Em 
contrapartida, a entidade qualificada se submete a um regime 
de controle sobre metas de desempenho e prazos. (contrato de 
gestão) 
 
A agência reguladora é um dos instrumentos do Estado para 
intervenção na economia. Ela é um mecanismo de atuação do 
Estado nos diversos setores econômicos e sociais, realizando a 
normatização, a fiscalização, a sanção e o fomento. 
Trata-se de autarquia criada com um regime jurídico especial 
que lhe confere maior autonomia técnica e maiores poderes 
administrativos para regular determinado setor relevante da 
sociedade (atividade econômica ou prestação de serviço público). 
 
 
CONTRATO DE GESTÃO X CONTRATO DE DESEMPENHO 
CONTRATO DE GESTÃO resulta na ampliação da autonomia de 
órgãos e entidades da Administração Pública, especificamente a 
autonomia gerencial, orçamentária e financeira; a fixação de 
14 
 
metas de desempenho para o ente público. São reduzidos os 
controles sobre as atividades-meio (orçamento, finanças e 
práticas gerenciais) e são intensificados os controles sobre os 
resultados (desempenho) destas organizações públicas. Além 
disso, caso o contrato de gestão seja celebrado com uma 
autarquia ou com uma fundação pública, esta receberá a 
qualificação de agência executiva. 
 
O CONTRATO DE DESEMPENHO busca assegurar o 
comprometimento dos entes públicos com o alcance de 
resultados (princípio da eficiência). (i) apresentar desempenho 
superior na prestação de serviços, 
(ii) melhor qualidade dos produtos gerados e 
(iii) trabalhar com prazos garantidos. 
Em contrapartida, maior autonomia administrativa: 
(i) celebração de contratos, 
(ii) realização de despesas de pequeno vulto com limites 
diferenciados 
(iii) estabelecimento de banco de horas em favor de seus 
servidores. Gera relação de supervisão entre dois entes públicos: 
ente supervisor e ente supervisionado. 
 
AGÊNCIA EXECUTIVA É UMA QUALIFICAÇÃO OU UMA PESSOA 
JURÍDICA NOVA? E A AGÊNCIA REGULADORA? 
A agência executiva é uma autarquia ou fundação pública que 
recebe uma qualificação jurídica que confere a ela maior 
autonomia gerencial, orçamentária e financeira. Em 
contrapartida, a entidade qualificada se submete a um regime 
de controle sobre metas de desempenho e prazos. 
 
Agência executiva: pode ocorrer a desqualificação mediante 
decreto, caso ela descumpra exigências estabelecidas na 
legislação ou no contrato de gestão. A desqualificação em nada 
afeta a natureza da entidade que continua sendo a mesma 
autarquia ou fundação pública. A celebração de contrato de 
gestão com o poder público é condição obrigatória para a 
obtenção da qualificação. Exige-se ainda, que a entidade tenha 
um plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento 
institucional em andamento. 
 
As agências executivas e as agências reguladoras, apesar da 
nomenclatura, não são uma nova espécie de entidade 
administrativa ou de pessoa jurídica, mas espécies de autarquia 
sob regime especial em razão de uma qualificação diferenciada, 
seguindo, em regra, o mesmo regime jurídico dessas entidades. 
 
15 
 
 
TEORIA DA CAPTURA OU "CAPTURE THEORY" 
Teoria da captura, a ilegalidade se configura quando a agência 
perde sua condição de autoridade comprometida com a 
realização doplantas psicotrópicas ou 
a exploração de trabalho escravo (CF, art. 243). (sem 
indenização) 
Há três características marcantes desta modalidade: 
a) o proprietário não recebe qualquer indenização 
b) os bens expropriados já têm destino determinado: reforma 
agrária e programas de habitação popular 
c) não há necessidade de expedição de decreto desapropriatório 
prévio 
 
Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do 
País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas 
psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da 
lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a 
programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao 
proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, 
observado, no que couber, o disposto no art. 5º. 
 
Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico 
apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e 
drogas afins e da exploração de trabalho escravo será confiscado 
e reverterá a fundo especial com destinação específica, na forma 
da lei. 
 
 
BENS 
Todo bem que possua valor patrimonial está sujeito à 
desapropriação, seja móvel ou imóvel, corpóreo ou incorpóreo, 
público ou privado (exemplos: subsolo, ações de uma empresa, 
veículos, terrenos e edifícios). 
 
 
 
131 
 
Quem pode desapropriar 
União desapropria bens dos Estados e Municípios 
Estado desapropria bens dos Municípios do seu Estado. 
 
Quem não pode desapropriar 
Os municípios e o Distrito Federal não podem desapropriar bens 
nas demais entidades federativas [somente os próprios] e a 
União não poderá ter os seus bens desapropriados. 
 
 
CONDIÇÕES 
Art. 2º, § 2º Será exigida autorização legislativa para a 
desapropriação dos bens de domínio dos Estados, dos Municípios 
e do Distrito Federal pela União e dos bens de domínio dos 
Municípios pelos Estados. 
 
§ 2º-A. Será dispensada a autorização legislativa a que se refere 
o § 2º quando a desapropriação for realizada mediante acordo 
entre os entes federativos, no qual serão fixadas as respectivas 
responsabilidades financeiras quanto ao pagamento das 
indenizações correspondentes. 
 
Pressuposto de utilidade pública, interesse social ou necessidade 
pública. 
 
CONSEQUÊNCIAS: 
Gera perda da propriedade para o Estado 
O bem ingressa no domínio público livre de qualquer ônus e 
gravames 
 
 
COMPETÊNCIA LEGISLATIVA 
A competência para legislar sobre o tema “desapropriação” é 
privativa da União; poderá ser delegada aos estados e ao Distrito 
Federal a competência para legislar sobre questões específicas, 
desde que por meio de lei complementar (CF, art. 22, parágrafo 
único). 
 
COMPETÊNCIA DECLARATÓRIA (MATERIAL) 
a competência para declarar determinado bem - como de 
utilidade ou necessidade pública ou de interesse social - para 
fins de desapropriação (competência declaratória) é comum a 
todos os entes federativos. 
 
COMPETÊNCIA EXECUTÓRIA 
Todos os entes federativos 
132 
 
Administração indireta 
Delegatários de serviços públicos 
 
Fases do Procedimento de Desapropriação 
declaratória 
executória 
- administrativa 
- judicial 
 
Na fase declaratória, o poder público irá declarar a existência de 
utilidade pública, necessidade pública ou interesse social em 
relação a determinado(s) bem(ns). 
 
Na fase executória pode ocorrer na via administrativa ou 
judicial. 
Ocorrerá na via administrativa quando houver consenso entre o 
particular e o poder público quanto ao valor da indenização. 
Ação de desapropriação (fase executória na via judicial) – o 
proprietário será citado e pode contestar, o juiz pode conceder 
imissão de posse provisória e estipular o valor da indenização. 
 
Prazo para início da fase executória 
Tratando-se de desapropriação por utilidade ou necessidade 
pública este prazo será de 5 anos, contados da expedição do 
decreto. 
Tratando-se de desapropriação por interesse social, por outro 
lado, o prazo é de 2 anos. 
 
Indenização 
A indenização deverá ser justa e, como regra geral, prévia e em 
dinheiro. Seu valor deverá englobar: 
✓ o valor atual do bem expropriado 
✓ os danos emergentes 
✓ os lucros cessantes decorrentes da perda da propriedade 
✓ os juros moratórios e compensatórios 
✓ a atualização monetária 
✓ os honorários advocatícios e as despesas judiciais incorridas 
pelo proprietário 
 
Forma de pagamento: dinheiro ou títulos 
- desapropriação para fins de reforma agrária (terra nua) - 
resgatáveis no prazo de até 20 anos, a partir do 2º ano de sua 
emissão; benfeitoria – pagas em dinheiro. 
- desapropriação para fins urbanísticos - títulos da dívida 
pública, com prazo de resgate de até 10 anos, em parcelas iguais 
e sucessivas. 
133 
 
 
 
Tredestinação 
Tredestinação diz respeito à situação em que o bem é 
desapropriado para atender a uma finalidade (que consta do 
decreto de desapropriação), mas, na prática, acaba sendo 
utilizado em outra finalidade. 
- licita: finalidade pública 
Não há falar em retrocessão se ao bem expropriado for dada 
destinação que atende ao interesse público, ainda que diversa da 
inicialmente prevista no decreto expropriatório 
- ilícita – desvio de finalidade (atendeu interesse privado) 
Nesse caso, ocorre a retrocessão: 
CCB, art. 519. Se a coisa expropriada para fins de necessidade ou 
utilidade pública, ou por interesse social, não tiver o destino para 
que se desapropriou, ou não for utilizada em obras ou serviços 
públicos, caberá ao expropriado direito de preferência, pelo preço 
atual da coisa. 
 
Desapropriação indireta 
O poder público primeiro toma posse do bem e posteriormente 
discute o valor dele perante a justiça. 
Não podem ser objeto de reivindação. proprietário deve pleitear 
perdas e danos 
Características da desapropriação indireta 
Dentre as principais características da desapropriação indireta é 
possível elencar: 
• que ela se trata de um direito pessoal; 
• que o seu pressuposto é o perigo público iminente; 
• que ela incide sobre bens imóveis, móveis ou serviços; 
• que ela tem caráter transitório; 
• que sua indenização pode acontecer apenas após o bem ter 
sido tomado pelo poder público; 
• que pode haver ausência de indenização. 
 
MODALIDADE RESTRITIVA 
Estado impõe restrições e condições ao uso da propriedade, sem 
retirá-la do seu dono: servidão, requisição administrativa, 
ocupação temporária, limitações administrativas E 
tombamento. 
 
SERVIDÃO ADMINISTRATIVA 
Pressuposto: Execução de obras e serviços de interesse coletivo 
(perda da exclusividade do bem) 
Objeto: Bens imóveis 
134 
 
Instituição: por acordo - 1º imóvel é declarado como sendo de 
utilidade publica; 2º é celebrado acordo entre o proprietário e o 
poder público; sentença judicial - 1º imóvel é declarado como 
sendo de utilidade publica; 2º não houve acordo. Então, o poder 
público ajuiza ação pleiteando o reconhecimento judicial da 
servidão 
Indenização: Quando couber 
Autoexecutoriedade: Não é autoexecutória. Depende de acordo 
ou decisão judicial. 
Perpetuidade / Temporariedade: definitiva 
Exemplos: instalação de placas em edifícios privados, contendo 
avisos para a população (como nomes de ruas); colocação de 
ganchos na fachada de edifícios particulares para sustentar a 
rede elétrica; instalação de gasoduto em terreno particular. 
 
 
REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA 
Pressuposto: Perigo público iminente 
Objeto: Bens móveis e imóveis; serviços 
Indenização: Quando couber, será ulterior (indenização só se 
causar dano) 
Autoexecutoriedade: É autoexecutória 
Perpetuidade / Temporariedade: transitória 
Exemplos: determinado município do interior vive situação de 
calamidade pública decorrente de um furacão, de sorte que as 
autoridades públicas requisitaram: (i) o avião particular de um 
empresário da cidade (bem móvel), para levar feridos à capital 
do Estado; (ii) um estacionamento particular (bem imóvel) parainstalação de um posto de inteligência de resgate às vítimas; 
(iii) serviços médicos de um hospital particular (requisição de 
serviços). 
 
 
OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA 
Pressuposto: Meio de apoio à execução de obras e serviços 
públicos 
Objeto: Bens imóveis 
Indenização: Quando couber (condicionado à ocorrência de 
prejuízo) 
Autoexecutoriedade: É autoexecutória 
Perpetuidade / Temporariedade: transitória 
Exemplos: utilização de escolas, shoppings e clubes para 
realização das eleições; ocupação de terrenos subjacentes a 
obras públicas, para colocação de equipamentos. 
 
 
135 
 
LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS 
Pressuposto: Obrigações impostas aos particulares em relação a 
suas propriedades (poder de polícia): de deixar de fazer algo 
(obrigações negativas) ou obrigações de fazer (obrigações 
positivas) em relação às suas propriedades privadas. 
Características: : (i) sua generalidade e (ii) gratuidade 
Objeto: Bens móveis ou imóveis 
Indenização: não cabe (somente se demonstrar prejuízo) 
Autoexecutoriedade: ---- 
Perpetuidade / Temporariedade: definitiva 
Exemplos: imposição da limpeza de terrenos ou edificação 
compulsória (busca de salubridade); imposição de restrição de 
altura dos edifícios, conhecida como “gabarito” (motivos de 
estética ou de segurança); imposição de “recuos” nas edificações 
em determinada região. 
 
STJ - É indevido o direito à indenização se o imóvel expropriado 
foi adquirido após a imposição de limitação administrativa, 
porque se supõe que as restrições de uso e gozo da propriedade 
já foram consideradas na fixação do preço do imóvel. 
 
 
TOMBAMENTO 
Pressuposto: proteção do patrimônio cultural brasileiro 
Objeto: Bens móveis ou imóveis [se restringe à obrigação de o 
proprietário manter o bem dentro de suas características 
culturais originais – sem causar prejuízo patrimonial ao 
proprietário.] 
Espécies: voluntário - há consentimento do proprietário do bem; 
compulsório - há resistência ou inconformismo por parte do 
proprietário 
Eficácia: provisório - enquanto está em curso o processo 
administrativo; definitivo - após concluído o processo 
administrativo; ocorre inscrição do bem no "livro do tombo. 
Instituição: por meio de ato administrativo do Poder Executivo 
É obrigatória a instauração de processo administrativo, 
assegurando-se ao proprietário o direito ao contraditório e à 
ampla defesa (o chamado “devido processo legal de 
tombamento”) 
Indenização: não cabe (regra) [a indenização existirá somente se 
o proprietário demonstrar que o tombamento lhe causou 
prejuízo] 
Autoexecutoriedade: ---- 
Perpetuidade / Temporariedade: definitiva 
Direito de preferência foi revogado em 2015 
136 
 
Não existe direito de preferência na alienação de bem tombado 
em relações entre particulares 
 
Art.892 No caso de leilão de bem tombado, a União, os Estados 
e os Municípios terão, nessa ordem, o direito de preferência na 
arrematação, em igualdade de oferta. 
 
• A coisa tombada não poderá sair do país, salvo por curto 
prazo para fim de intercâmbio cultural. 
• Os bens públicos tombados, que pertençam à União, 
Estados e Municípios, são inalienáveis por natureza. Logo, 
só podem ser transferidas entre uma entidade federada 
para outra. 
 
 
137 
 
 
 
 
 
LICITAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABRANGÊNCIA 
- Administração direta e indireta 
- exceção: Não são abrangidas por esta Lei as empresas públicas, 
as sociedades de economia mista e as suas subsidiárias (faz 
licitação, mas por lei própria, não por regras da 14.133/21) 
 
APLICAÇÃO 
Art. 2º Esta Lei aplica-se a: 
I - alienação e concessão de direito real de uso de bens; 
II - compra, inclusive por encomenda; 
III - locação; 
IV - concessão e permissão de uso de bens públicos; 
V - prestação de serviços, inclusive os técnico-profissionais 
especializados; 
VI - obras e serviços de arquitetura e engenharia; 
VII - contratações de tecnologia da informação e de 
comunicação 
 
Aplicação subsidiária: 
• licitações para serviços de publicidade (Lei 12.232/2010) 
• licitações p/ concessão de serviço público (Leis 8.987/95 e 
11.079/04) 
Não aplica-se: 
Art. 3º Não se subordinam ao regime desta Lei: 
I - contratos que tenham por objeto operação de crédito, interno 
ou externo, e gestão de dívida pública, incluídas as contratações 
de agente financeiro e a concessão de garantia relacionadas a 
esses contratos; 
II - contratações sujeitas a normas previstas em legislação 
própria 
 
138 
 
PRINCÍPIOS APLICÁVEIS: 
 
• legalidade 
• moralidade 
• publicidade 
• eficiência 
(redução de 
despesas) 
• impessoalida
de 
• eficácia 
(objetivos e 
metas) 
• economicida
de 
• competitivida
de 
• celeridade 
• desenvolvime
nto nacional 
sustentável 
• igualdade 
• interesse 
• público 
• probidade 
administrativ
a 
• planejamento 
• Transparência 
• razoabilidade e 
proporcionalid
ade 
• segurança 
jurídica 
• segregação de 
funções 
• motivação 
• vinculação ao 
edital 
• julgamento 
objetivo 
 
Princípio do julgamento objetivo 
O julgamento das propostas deve se basear unicamente no 
critério previsto no edital (como menor preço, técnica e preço 
etc), sem margem para subjetivismos. 
 
Art. 33 
I - menor preço; 
II - maior desconto; 
III - melhor técnica ou conteúdo artístico; 
IV - técnica e preço; 
V - maior lance, no caso de leilão; 
VI - maior retorno econômico. 
 
PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO 
Art. 12, III - o desatendimento de exigências meramente formais 
que não comprometam a aferição da qualificação do licitante ou 
a compreensão do conteúdo de sua proposta não importará seu 
afastamento da licitação ou a invalidação do processo; 
 
 
VEDAÇÕES PARA PARTICIPAR [não podem participar da disputa] 
• Agente público do órgão licitante 
• Pessoa física ou jurídica que se encontre, ao tempo da 
licitação, impossibilitada de participar da licitação em 
decorrência de sanção que lhe foi imposta; (inclusive 
laranja* em nome dela) 
* também aplicado ao licitante que atue em substituição a outra 
pessoa, física ou jurídica, com o intuito de burlar a efetividade 
da sanção a ela aplicada, inclusive a sua controladora, 
controlada ou coligada, desde que devidamente comprovado o 
139 
 
ilícito ou a utilização fraudulenta da personalidade jurídica do 
licitante. 
• Aquele que mantenha vínculo de natureza técnica, 
comercial, econômica, financeira, trabalhista ou civil com 
dirigente do órgão ou entidade contratante ou com agente 
público que desempenhe função na licitação ou atue na 
fiscalização ou na gestão do contrato, ou que deles seja 
cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral 
ou por afinidade, até o terceiro grau, devendo essa 
proibição constar expressamente do edital de licitação; 
• Empresas controladoras, controladas ou coligadas, nos 
termos da Lei das SAs concorrendo entre si; 
• Pessoa física ou jurídica que, nos 5 (cinco) anos anteriores 
à divulgação do edital, tenha sido condenada 
judicialmente, com trânsito em julgado, por exploração de 
trabalho infantil, por submissão de trabalhadores a 
condições análogas às de escravo ou por contratação de 
adolescentes nos casos vedados pela legislação trabalhista. 
 
 
SÓ PODEM PARTICIPAR SE FOR ATIVIDADE DE APOIO (SOB 
SUPERVISÃO) 
• Autor do anteprojeto, do projeto básico ou do projeto 
executivo, pessoa física ou jurídica, quando a licitação 
versar sobre obra, serviços ou fornecimento de bens a 
ele relacionados; 
* Equiparam-se aos autores do projeto as empresas 
integrantes do mesmo grupo econômico. 
• Empresa, isoladamente ou em consórcio, responsável 
pela elaboração do projeto básico ou do projeto 
executivo, ou empresa da qual o autor do projeto seja 
dirigente, gerente, controlador, acionista ou detentor de 
mais de 5% (cinco por cento) do capital com direito a 
voto, responsável técnico ou subcontratado,quando a 
licitação versar sobre obra, serviços ou fornecimento de 
bens a ela necessários; 
 
 
PRAZO DE IMPEDIMENTO PARA LICITAR 
Sanção: III - impedimento de licitar e contratar; 
Pelo prazo máximo de 3 (três) anos. 
Sanção: IV - declaração de inidoneidade para licitar ou contratar. 
pelo prazo mínimo de 3 (três) anos e máximo de 6 (seis) anos. 
 
 
 
140 
 
PARTICIPAÇÃO DE CONSÓRCIOS 
• Salvo vedação devidamente justificada no processo 
licitatório, pessoa jurídica poderá participar de licitação 
em consórcio: 
• Indicação de empresa líder do consórcio 
• Impedimento de a empresa consorciada participar, na 
mesma licitação, de mais de um consórcio ou de forma 
isolada; 
• Responsabilidade solidária dos integrantes pelos atos 
praticados em consórcio, tanto na fase de licitação 
quanto na de execução do contrato. 
 
• O edital deverá estabelecer para o consórcio acréscimo 
de 10% (dez por cento) a 30% (trinta por cento) sobre o 
valor exigido de licitante individual para a habilitação 
econômico-financeira, salvo justificação. 
• O acréscimo previsto não se aplica aos consórcios 
compostos, em sua totalidade, de microempresas e 
pequenas empresas. 
• O edital de licitação poderá estabelecer limite máximo 
para o número de empresas consorciadas, com 
justificativa técnica. 
• Substituição de consorciado deverá ser expressamente 
autorizada pelo órgão ou entidade contratante 
 
 
MARGEM DE PREFERÊNCIA 
I - bens manufaturados e serviços nacionais que atendam a 
normas técnicas brasileiras; 
II - bens reciclados, recicláveis ou biodegradáveis, conforme 
regulamento. 
 
A margem de preferência não se aplica aos bens manufaturados 
nacionais e aos serviços nacionais se a capacidade de produção 
desses bens ou de prestação desses serviços no País for inferior: 
I - à quantidade a ser adquirida ou contratada; ou 
II - aos quantitativos fixados em razão do parcelamento do 
objeto, quando for o caso. 
 
 
OBJETOS DA LICITAÇÃO 
compra 
alienação de bens 
serviços 
obras 
locações 
141 
 
concessões 
permissões 
 
COMPRAS 
• aquisição remunerada de bens 
• compra imediata = prazo de entrega de até 30 dias da 
• ordem de fornecimento 
• bens 
- comuns pregão 
- especiais concorrência 
 
OBRAS 
“Obras públicas” se destinam à Execução indireta de construção, 
reforma, fabricação, recuperação ou ampliação de bens públicos. 
Execução direta é aquela em que a própria Administração 
Execução indireta é aquela que contrata um terceiro 
 
SERVIÇOS 
[pregão ou concorrência] 
Comuns aqueles serviços cujos padrões de desempenho e 
qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital, por 
meio de especificações usuais no mercado. 
[concorrência] 
Serviços especiais - por sua alta heterogeneidade ou 
complexidade, não podem ser descritos objetivamente no edital 
como os comuns. 
 
[pregão ou concorrência] 
Serviços comuns de engenharia 
[concorrência] 
Serviços especiais de engenharia 
 
LOCAÇÕES 
A locação de bem imóvel ser realizada sem uma licitação prévia, 
mediante inexigibilidade de licitação 
 
ALIENAÇÃO DE BENS 
Imóveis 
• interesse público devidamente justificado; 
• avaliação prévia; 
• autorização legislativa, inclusive para autarquias e 
fundações dispensada se imóvel oriundo de procedimentos 
judiciais, dação em pagamento; 
• licitação na modalidade de leilão dispensada nos casos do 
art. 76 da nova Lei 
 
142 
 
Móveis 
• interesse público devidamente justificado 
• avaliação prévia 
• licitação na modalidade leilão dispensada nos casos do art. 
76 da nova Lei 
 
Art. 76 
I - tratando-se de bens imóveis, inclusive os pertencentes às 
autarquias e às fundações, exigirá autorização legislativa e 
dependerá de licitação na modalidade leilão, dispensada a 
realização de licitação nos casos de: 
permuta por outros imóveis que atendam aos requisitos 
relacionados às finalidades precípuas da Administração; 
investidura 
venda a outro órgão ou entidade da Administração Pública de 
qualquer esfera de governo; 
alienação gratuita ou onerosa, aforamento, concessão de direito 
real de uso, locação e permissão de uso de bens imóveis 
residenciais construídos (programa de habitação – regularização 
fundiária) 
alienação gratuita ou onerosa, aforamento, concessão de direito 
real de uso, locação e permissão de uso de bens imóveis 
comerciais até 250m² 
alienação e concessão de direito real de uso, gratuita ou onerosa, 
de terras públicas rurais da União – regularização fundiária 
 
Móveis 
a) doação, permitida exclusivamente para fins e uso de interesse 
social;; 
b) permuta, permitida exclusivamente entre órgãos ou entidades 
da Administração Pública; 
c) venda de ações, que poderão ser negociadas em bolsa, 
observada a legislação específica; 
d) venda de títulos, observada a legislação pertinente; 
e) venda de bens produzidos ou comercializados por entidades 
da Administração Pública, em virtude de suas finalidades; 
f) venda de materiais e equipamentos sem utilização previsível 
por quem deles dispõe para outros órgãos ou entidades da 
Administração Pública. 
 
CONCESSÃO E PERMISSÃO 
Concessão: a delegação de prestação de serviço público, feita 
pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade 
concorrência ou diálogo competitivo, a pessoa jurídica ou 
consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu 
desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado; 
143 
 
 
Permissão: a delegação, a título precário, mediante licitação, da 
prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à 
pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu 
desempenho, por sua conta e risco. [não estipulada qual 
modalidade de licitação] 
 
EXCEÇÕES 
COMPRAS 
No caso de licitação que envolva o fornecimento de bens, a 
Administração poderá excepcionalmente: 
I - indicar uma ou mais marcas ou modelos, desde que 
formalmente justificado, nas seguintes hipóteses: 
a) em decorrência da necessidade de padronização do objeto; 
b) em decorrência da necessidade de manter a compatibilidade 
com plataformas e padrões já adotados pela Administração; 
c) quando determinada marca ou modelo comercializados por 
mais de um fornecedor forem os únicos capazes de atender às 
necessidades do contratante; 
d) quando a descrição do objeto a ser licitado puder ser mais 
bem compreendida pela identificação de determinada marca ou 
determinado modelo aptos a servir apenas como referência; 
 
SERVIÇOS COMUNS DE ENGENHARIA 
As licitações de serviços atenderão aos princípios: 
I - da padronização, considerada a compatibilidade de 
especificações estéticas, técnicas ou de desempenho; 
II - do parcelamento, quando for tecnicamente viável e 
economicamente vantajoso. 
 
Poderão ser objeto de execução por terceiros as atividades 
materiais acessórias, instrumentais ou complementares aos 
assuntos que constituam área de competência legal do órgão ou 
da entidade, vedado à Administração ou a seus agentes, na 
contratação do serviço terceirizado; 
 
 
ANTEPROJETO, PROJETO BÁSICO E PROJETO EXECUTIVO 
 
Projeto básico 
(Define e dimensiona a obra) 
orçamento detalhado da obra não é obrigatório: (i) contratação 
integrada ou a (ii) contratação semi-integrada. 
 
Projeto executivo 
(detalha o Projeto Básico para execução completa) 
144 
 
 
Anteprojeto 
(peça técnica com todos os subsídios necessários à elaboração 
do projeto básico. O anteprojeto será elaborado a partir dos 
“estudos técnicos preliminares da contratação”) 
 
 ANTEPROJETO PROJETO 
BÁSICO 
PROJETO 
EXECUTIVO 
REGRA GERAL Não é exigido Adm elabora Adm elabora 
CONTRATAÇÃO 
SEMI-
INTEGRADA 
Não é exigido Adm elabora Contrato 
elabora 
CONTRATAÇÃO 
INTEGRADA 
Adm elabora Contrato 
elabora 
Contrato 
elabora 
 
 
FASES DA LICITAÇÃO 
O processo de licitação observará as seguintes fases, em 
sequência: 
(fase interna) 
I - preparatória;(fase externa) 
II - de divulgação do edital de licitação; 
III - de apresentação de propostas e lances, quando for o caso; 
IV - de julgamento; 
V - de habilitação; 
VI - recursal; 
VII - de homologação. 
 
Pode haver inversão por ato motivado: 
Habilitação ser antes da apresentação das propostas 
 
Fase preparatória: 
• Estudo técnico preliminar (ETP) 
• proj. básico e executivo, termo de referência (ou 
anteprojeto) 
• orçamento estimado 
• análise de riscos 
• edital 
• análise jurídica 
 
 
 
 
 
 
145 
 
MODALIDADES DE LICITAÇÃO 
PREGÃO 
•OBRIGATÓRIO p/ bens e serviços comuns 
•FACULTATIVO p/ serviços de engenharia comuns 
•INVIÁVEL p/ serv. tec. especializados, obras, objetos especiais e 
serv. engenharia especiais 
•critérios "menor preço" ou "maior desconto" 
•procedimento comum 
•pregoeiro conduz 
 
CONCORRÊNCIA 
•bens e serviços especiais 
•obras 
•serviços de engenharia especiais (obrigatória) e comuns 
(facultativa) 
•todos os critérios, exceto maior lance 
• procedimento comum 
•agente de contratação (regra) ou comissão (facultativo – no 
caso de bens e serviços especiais) 
 
CONCURSO 
•escolha de trabalho técnico, científico ou artístico (TCA) 
• vencedor recebe prêmio/remuneração 
•critério: melhor técnica ou conteúdo artístico 
•antecedência mínima: 35 dias úteis 
 
LEILÃO 
•alienação de bens 
•leiloeiro oficial ou servidor designado 
•critério: maior lance 
•procedimento: sem habilitação; sem registro cadastral prévio 
•afixação do edital na sede da Admin. 
•antecedência mínima: 15 dias úteis 
 
DIÁLOGO COMPETITIVO 
•inovação / adaptação de soluções 
•edital de pré-seleção (25 dias úteis): reuniões reservadas 
•edital da fase competitiva (60 dias úteis) 
•somente participam da fase competitiva licitantes pré-
selecionados 
•comissão de 3 servidores/empregados permanentes 
 
 
 
 
 
146 
 
OBRAS: CONCORRÊNCIA 
SERVIÇOS DE ENGENHARIA: 
- ESPECIAIS: CONCORRÊNCIA 
- COMUNS: PREGÃO OU CONCORRÊNCIA 
SERVIÇOES EM GERAL: 
- ESPECIAIS: CONCORRÊNCIA 
- COMUNS: PREGÃO 
COMPRAS: 
- BENS ESPECIAIS: CONCORRÊNCIA 
- BENS COMUNS: PREGÃO 
ALIENAÇÕES: LEILÃO 
TRABALHO TÉCNICO, CIENTÍFICO OU ARTÍSTICO: CONCURSO 
INOVAÇÃO (ATENDIDOS OS REQUISITOS): DIÁLOGO COMPETITIVO 
 
 
 
CRITÉRIOS DE JULGAMENTO 
 
CONCORRÊNCIA: 
Modalidade de licitação para contratação de: 
bens e serviços especiais 
de obras 
serviços comuns e especiais de engenharia 
 
CRITÉRIO DE JULGAMENTO poderá ser 
a) menor preço; 
b) melhor técnica ou conteúdo artístico; 
c) técnica e preço; 
d) maior retorno econômico; 
e) maior desconto. 
 
CONCURSO 
Modalidade de licitação para: 
escolha de trabalho técnico, científico ou artístico. 
 
CRITÉRIO DE JULGAMENTO será o de: 
Melhor técnica ou conteúdo artístico e concessão de prêmio ou 
remuneração ao vencedor. 
 
LEILÃO: 
Modalidade de licitação para: 
alienação de bens imóveis ou de bens móveis inservíveis ou 
legalmente apreendidos a quem oferecero maior lance. 
 
 
 
147 
 
 
PREGÃO: 
Modalidade de licitação OBRIGATÓRIA para: 
aquisição de bens e serviços comuns 
FACULTATIVA para: 
Serviços comuns de engenharia 
 
CRITÉRIO DE JULGAMENTO poderá ser: 
o de menor preços ou o de maior preço 
 
DIÁLOGO COMPETITIVO 
Modalidade de licitação para: 
Contratação de obras, serviços e compras em que a 
Administração realiza diálogo com licitantes previamente 
selecionados mediante critérios objetivos, com o intuito de 
desenvolver uma ou mais alternativas capazes de atender às 
suas necessidades, devendo os licitantes apresentar proposta 
final após o encerramento dos diálogos. 
 
 
 
APRESENTAÇÃO DAS PROPOSTAS 
Os (i) modos de disputa e (ii) a garantia de proposta: 
Modos de disputa 
O edital da licitação irá definir o modo de disputa: 
(I) ABERTO, 
 isolado, os licitantes apresentarão suas propostas por meio de 
lances públicos e sucessivos (crescentes ou decrescentes). Ex. 
pregão 
é vedada quando adotado o critério de julgamento de técnica e 
preço. 
(II) FECHADO e 
isolado, as propostas permanecem em sigilo até o momento 
designado para sua divulgação. 
é vedada a utilização isolada do modo de disputa fechado quando 
adotados os critérios de julgamento de menor preço ou de maior 
desconto 
(III) MISTO ABERTO/FECHADO - art. 56 
 
GARANTIA DE PROPOSTA 
A comprovação do recolhimento de quantia a título de garantia 
de proposta, como requisito de pré-habilitação. Quando exigida, 
esta garantia de proposta será imposta a todos os licitantes e 
não poderá ser superior a 1% do valor estimado para a 
contratação. ((i) caução em dinheiro ou em títulos da dívida 
pública, (ii) seguro-garantia ou (iii) fiança bancária. 
148 
 
EMPATE NA LICITAÇÃO 
Critérios de desempate e preferência 
Em caso de empate entre duas ou mais propostas, serão 
utilizados os seguintes critérios de desempate, nesta ordem: 
I - disputa final, hipótese em que os licitantes empatados 
poderão apresentar nova proposta em ato contínuo à 
classificação; 
II - avaliação do desempenho contratual prévio dos licitantes, 
para a qual deverão preferencialmente ser utilizados registros 
cadastrais para efeito de atesto de cumprimento de obrigações 
previstos nesta Lei; 
III - desenvolvimento pelo licitante de ações de equidade entre 
homens e mulheres no ambiente de trabalho, conforme 
regulamento; 
IV - desenvolvimento pelo licitante de programa de integridade, 
conforme orientações dos órgãos de controle. 
§ 1º Em igualdade de condições, se não houver desempate, será 
assegurada preferência, sucessivamente, aos bens e serviços 
produzidos ou prestados por: 
I - empresas estabelecidas no território do Estado ou do Distrito 
Federal do órgão ou entidade da Administração Pública estadual 
ou distrital licitante ou, no caso de licitação realizada por órgão 
ou entidade de Município, no território do Estado em que este se 
localize; 
II - empresas brasileiras; 
III - empresas que invistam em pesquisa e no desenvolvimento 
de tecnologia no País; 
IV - empresas que comprovem a prática de mitigação, 
 
CONTRATAÇÃO DIRETA 
DISPENSA (ROL TAXATIVO) 
(decisão do legislador) 
- Licitação dispensável (ART. 75) 
(discricionário) 
- Dispensada (ART. 76) 
(vinculado) 
 
INEXIGIBILIDADE (ART. 75) 
(inviabilidade de competição) 
ROL EXEMPLIFICATIVO 
 
149 
 
 
DISPENSADA 
 
 
VALORES INFERIORES 
 
 
 
- para contratação que envolva valores inferiores 
a R$ 100.000,00 (cem mil reais), no caso de obras 
e serviços de engenharia ou de serviços de 
manutenção de veículos automotores; 
[Valor atualizado 2024: R$ 125.451,15 (cento e 
vinte e cinco mil quatrocentos e cinquenta e um 
reais e quinze centavos)] 
 
 
 
 
- para contratação que envolva valores inferiores 
a R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), no caso de 
outros serviços e compras; 
[Valor atualizado 2024: R$ 62.725,59 (sessenta e 
dois mil setecentos e vinte e cinco reais e 
cinquenta e nove centavos)] 
 
LICITAÇÃO REALIZADA HÁ MENOS DE 01 ANO 
 
Para contratação que mantenha todas as 
condições definidas em edital de licitação 
realizada há menos de 1 (um) ano, quando se 
verificar que naquela licitação: 
 
 
 
a) não surgiram licitantes interessados ou não foram 
apresentadas propostas válidas; 
 
b) as propostas apresentadas consignaram preços 
manifestamente superiores aos praticados no mercado ou 
incompatíveis com os fixados pelos órgãos oficiais competentes; 
 
 
 
 
 
150 
 
Para contratação que tenha por objeto: 
 
 
a) bens, componentes ou peças de origem 
nacional ou estrangeira necessários à 
manutenção de equipamentos, a serem 
adquiridos do fornecedor original desses 
equipamentos durante o período de garantia 
técnica, quando essa condição de 
exclusividade for indispensável para a vigência da garantia; 
 
 
 
 
b) bens, serviços, alienações ou obras, nos 
termos de acordo internacionalespecífico 
aprovado pelo Congresso Nacional, quando as 
condições ofertadas forem manifestamente 
vantajosas para a Administração; 
 
 
 
 
 
 
 
c) produtos para pesquisa e desenvolvimento, 
limitada a contratação, no caso de obras e 
serviços de engenharia, ao valor de R$ 300.000,00 
(trezentos mil reais); 
[Valor atualizado 2024: R$ 376.353,48 (trezentos 
e setenta e seis mil trezentos e cinquenta e três 
reais e quarenta e oito centavos)] 
 
 
 
 
 
d) transferência de tecnologia ou licenciamento 
de direito de uso ou de exploração de criação 
protegida, nas contratações realizadas por 
instituição científica, tecnológica e de inovação 
(ICT) pública ou por agência de fomento, desde 
que demonstrada vantagem para a 
Administração; 
151 
 
e) hortifrutigranjeiros, pães e outros gêneros 
perecíveis, no período necessário para a 
realização dos processos licitatórios 
correspondentes, hipótese em que a contratação 
será realizada diretamente com base no preço do 
dia; 
 
 
 
 
 
f) bens ou serviços produzidos ou prestados 
no País que envolvam, cumulativamente, alta 
complexidade tecnológica e defesa nacional; 
 
 
 
 
g) materiais de uso das Forças Armadas, 
com exceção de materiais de uso pessoal e 
administrativo, quando houver 
necessidade de manter a padronização 
requerida pela estrutura de apoio logístico 
dos meios navais, aéreos e terrestres, 
mediante autorização por ato do 
comandante da força militar; 
 
 
h) bens e serviços para atendimento dos 
contingentes militares das forças 
singulares brasileiras empregadas em 
operações de paz no exterior, hipótese 
em que a contratação deverá ser 
justificada quanto ao preço e à escolha 
do fornecedor ou executante e ratificada 
pelo comandante da força militar; 
 
 
 
i) abastecimento ou suprimento de 
efetivos militares em estada eventual de 
curta duração em portos, aeroportos ou 
localidades diferentes de suas sedes, por motivo de 
movimentação operacional ou de adestramento; 
 
152 
 
j) coleta, processamento e comercialização de 
resíduos sólidos urbanos recicláveis ou reutilizáveis, 
em áreas com sistema de coleta seletiva de lixo, 
realizados por associações ou cooperativas formadas 
exclusivamente de pessoas físicas de baixa renda 
reconhecidas pelo poder público como catadores 
de materiais recicláveis, com o uso de 
equipamentos compatíveis com as normas 
técnicas, ambientais e de saúde pública; 
 
k) aquisição ou restauração de obras de arte e 
objetos históricos, de autenticidade certificada, 
desde que inerente às finalidades do órgão ou com 
elas compatível; 
 
 
l) serviços especializados ou aquisição ou locação 
de equipamentos destinados ao rastreamento e à 
obtenção de provas previstas nos incisos II e V 
do caput do art. 3º da Lei nº 12.850, de 2 de agosto 
de 2013, quando houver necessidade justificada de 
manutenção de sigilo sobre a investigação; 
 
[ Lei de organizações criminosas: 
I - se há concurso de funcionário público, valendo-se 
a organização criminosa dessa condição para a 
prática de infração penal; 
IV - se a organização criminosa mantém conexão 
com outras organizações criminosas independentes;] 
 
 
m) aquisição de medicamentos destinados 
exclusivamente ao tratamento de doenças raras 
definidas pelo Ministério da Saúde; 
 
 
 
V - para contratação com vistas ao 
cumprimento do disposto nos arts. 3º, 3º-
A, 4º, 5º e 20 da Lei nº 10.973, de 2 de 
dezembro de 2004, observados os princípios 
gerais de contratação constantes da referida Lei; 
 
 
 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12850.htm#art3ii
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12850.htm#art3v
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12850.htm#art3v
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12850.htm#art3v
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.973.htm#art3.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.973.htm#art3a
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.973.htm#art3a
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.973.htm#art4.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.973.htm#art5.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.973.htm#art20.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.973.htm#art20.
153 
 
 
 
VI - para contratação que possa acarretar 
comprometimento da segurança nacional, 
nos casos estabelecidos pelo Ministro de 
Estado da Defesa, mediante demanda dos 
comandos das Forças Armadas ou dos demais 
ministérios; 
 
 
VII - nos casos de guerra, estado de defesa, 
estado de sítio, intervenção federal ou de 
grave perturbação da ordem; 
 
 
 
 
VIII - nos casos de emergência ou de 
calamidade pública, quando caracterizada 
urgência de atendimento de 
situação que possa ocasionar 
prejuízo ou comprometer a continuidade dos 
serviços públicos ou a segurança de pessoas, 
obras, serviços, equipamentos e outros bens, 
públicos ou particulares, e somente para 
aquisição dos bens necessários ao 
atendimento da situação emergencial ou 
calamitosa e para as parcelas de obras e 
serviços que possam ser concluídas no prazo 
máximo de 1 (um) ano, 
contado da data de 
ocorrência da emergência ou da calamidade, 
vedadas a prorrogação dos respectivos 
contratos e a recontratação de empresa já 
contratada com base no disposto neste inciso; 
 
 
 
IX - para a aquisição, por pessoa jurídica 
de direito público interno, de bens 
produzidos ou serviços prestados por 
órgão ou entidade que integrem a 
Administração Pública e que tenham sido criados 
para esse fim específico, desde que o preço 
contratado seja compatível com o praticado no mercado; 
 
154 
 
X - quando a União tiver que intervir no domínio 
econômico para regular preços ou normalizar o 
abastecimento; 
 
 
XI - para celebração de contrato 
de programa com ente federativo 
ou com entidade de sua 
Administração Pública indireta 
que envolva prestação de 
serviços públicos de 
forma associada 
nos termos autorizados em contrato de consórcio 
público ou em convênio de cooperação; 
 
 
XII - para contratação em que houver 
transferência de tecnologia de produtos 
estratégicos para o Sistema Único de 
Saúde (SUS), conforme elencados em ato 
da direção nacional do SUS, inclusive por 
ocasião da aquisição desses produtos 
durante as etapas de absorção 
tecnológica, e em valores compatíveis 
com aqueles definidos no instrumento 
firmado para a transferência de 
tecnologia; 
 
 
XIII - para contratação de profissionais para 
compor a comissão de avaliação de critérios de 
técnica, quando se tratar de profissional técnico 
de notória especialização; 
 
 
XIV - para contratação de associação 
de pessoas com deficiência, sem fins 
lucrativos e de comprovada 
idoneidade, por órgão ou entidade da 
Administração Pública, para a 
prestação de serviços, desde que o 
preço contratado seja compatível com o praticado no mercado e 
os serviços contratados sejam prestados exclusivamente por 
pessoas com deficiência; 
 
155 
 
XV - para contratação de instituição brasileira que tenha por 
finalidade estatutária apoiar, captar e executar atividades de 
ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, 
científico e tecnológico e estímulo à inovação, inclusive para 
gerir administrativa e financeiramente 
essas atividades, ou para contratação de 
instituição dedicada à recuperação social da 
pessoa presa, desde que o contratado tenha 
inquestionável reputação ética e 
profissional e não tenha fins lucrativos; 
 
 
XVI - para aquisição, por pessoa jurídica de 
direito público interno, de insumos 
estratégicos para a saúde produzidos por 
fundação que, regimental ou 
estatutariamente, tenha por finalidade 
apoiar órgão da AdministraçãoPública 
direta, sua autarquia ou fundação em 
projetos de ensino, pesquisa, extensão, 
desenvolvimento institucional, científico e 
tecnológico e de estímulo à inovação, 
inclusive na gestão administrativa e 
financeira necessária à execução desses 
projetos, ou em parcerias que envolvam 
transferência de tecnologia de produtos 
estratégicos para o SUS, nos termos do inciso 
XII deste caput, e que 
tenha sido criada para 
esse fim específico em 
data anterior à entrada em vigor desta Lei, 
desde que o preço contratado seja 
compatível com o praticado no mercado; 
 
 
XVII - para contratação de entidades privadas sem 
fins lucrativos para a implementação de cisternas 
ou outras tecnologias sociais de acesso à água 
para consumo humano e produção de alimentos, 
a fim de beneficiar as famílias rurais de baixa 
renda atingidas pela seca ou pela falta regular de 
água; e 
 
 
 
156 
 
XVIII - para contratação de entidades privadas 
sem fins lucrativos, para a implementação do 
Programa Cozinha Solidária, que tem como 
finalidade fornecer alimentação gratuita 
preferencialmente à população em situação de 
vulnerabilidade e risco social, incluída a população 
em situação de rua, com vistas à promoção de 
políticas de segurança alimentar e nutricional e de 
assistência social e à efetivação de direitos sociais, 
dignidade humana, resgate social e melhoria da 
qualidade de vida. 
 
§ 1º Para fins de aferição dos valores que atendam aos limites 
referidos nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão ser 
observados: 
 
I - o somatório do que for despendido no exercício 
financeiro pela respectiva unidade gestora; 
 
 
 
II - o somatório da despesa realizada com objetos 
de mesma natureza, entendidos como tais aqueles 
relativos a contratações no mesmo ramo de 
atividade. 
 
§ 2º Os valores referidos nos incisos I 
e II do caput deste artigo serão 
duplicados para compras, obras e 
serviços contratados por consórcio 
público ou por autarquia ou fundação 
qualificadas como agências executivas na forma da lei. 
 
 
§ 3º As contratações de que tratam os 
incisos I e II do caput deste artigo serão 
preferencialmente precedidas de 
divulgação de aviso em sítio eletrônico 
oficial, pelo prazo 
mínimo de 3 (três) dias úteis, com a 
especificação do objeto pretendido e com a 
manifestação de interesse da Administração 
em obter propostas adicionais de eventuais 
interessados, devendo ser selecionada a 
proposta mais vantajosa. 
 
157 
 
 
 
 
§ 4º As contratações de que tratam os 
incisos I e II do caput deste artigo serão 
preferencialmente pagas por meio de 
cartão de pagamento, cujo extrato deverá 
ser divulgado e mantido à disposição do 
público no Portal Nacional de 
Contratações Públicas (PNCP). 
 
§ 5º A dispensa prevista na alínea “c” do inciso IV 
do caput deste artigo, quando aplicada a obras e 
serviços de engenharia, seguirá procedimentos 
especiais instituídos em regulamentação 
específica. 
 
 
§ 6º Para os fins do inciso VIII do caput deste 
artigo, considera-se emergencial a 
contratação por dispensa com objetivo de 
manter a continuidade do serviço público, e 
deverão ser observados os valores praticados 
pelo mercado na forma do art. 23 desta Lei e adotadas as 
providências necessárias para a conclusão do processo 
licitatório, sem prejuízo de apuração de responsabilidade dos 
agentes públicos que deram causa à situação emergencial. 
 
§ 7º Não se aplica o disposto no § 1º deste 
artigo às contratações de até R$ 8.000,00 
(oito mil reais) de serviços de manutenção 
de veículos automotores de propriedade do 
órgão ou entidade contratante, incluído o 
fornecimento de peças. 
[Valor atualizado em 2024: R$ 10.036,10 (dez mil trinta e seis 
reais e dez centavos)] 
 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14133.htm#art23
158 
 
 
 
DISPENSADA 
 
 
DAS ALIENAÇÕES 
Art. 76. A alienação de bens da 
Administração Pública, subordinada à 
existência de interesse público devidamente 
justificado, será precedida de avaliação e 
obedecerá às seguintes normas: 
 
I - tratando-se de BENS IMÓVEIS, inclusive os pertencentes às 
autarquias e às fundações, exigirá autorização legislativa e 
dependerá de licitação na modalidade leilão, dispensada a 
realização de licitação nos casos de: 
 
a) DAÇÃO em pagamento; 
b) DOAÇÃO, permitida exclusivamente para outro órgão ou 
entidade da Administração Pública, de qualquer esfera de 
governo, ressalvado o disposto nas alíneas “f”, “g” e “h” deste 
inciso; 
c) PERMUTA por outros imóveis que atendam aos requisitos 
relacionados às finalidades precípuas da Administração, desde 
que a diferença apurada não ultrapasse a metade do valor do 
imóvel que será ofertado pela União, segundo avaliação prévia, 
e ocorra a torna de valores, sempre que for o caso; 
d) INVESTIDURA; 
e) VENDA a outro órgão ou entidade da Administração Pública de 
qualquer esfera de governo; 
f) ALIENAÇÃO GRATUITA OU ONEROSA, AFORAMENTO, CONCESSÃO 
DE DIREITO REAL DE USO, LOCAÇÃO E PERMISSÃO DE USO de bens 
imóveis residenciais construídos, destinados ou efetivamente 
usados em programas de habitação ou de regularização fundiária 
de interesse social desenvolvidos por órgão ou entidade da 
Administração Pública; 
g) ALIENAÇÃO GRATUITA OU ONEROSA, AFORAMENTO, CONCESSÃO 
DE DIREITO REAL DE USO, LOCAÇÃO E PERMISSÃO de uso de bens 
imóveis comerciais de âmbito local, com área de até 250 m² 
(duzentos e cinquenta metros quadrados) e destinados a 
programas de regularização fundiária de interesse social 
desenvolvidos por órgão ou entidade da Administração Pública; 
h) ALIENAÇÃO E CONCESSÃO DE DIREITO REAL DE USO, GRATUITA 
OU ONEROSA, DE TERRAS PÚBLICAS RURAIS da União e do 
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) onde 
incidam ocupações até o limite de que trata o § 1º do art. 6º da 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11952.htm#art6%C2%A71..
159 
 
Lei nº 11.952, de 25 de junho de 2009, para fins de regularização 
fundiária, atendidos os requisitos legais; 
i) LEGITIMAÇÃO DE POSSE de que trata o art. 29 da Lei nº 6.383, 
de 7 de dezembro de 1976, mediante iniciativa e deliberação dos 
órgãos da Administração Pública competentes; 
j) LEGITIMAÇÃO FUNDIÁRIA E LEGITIMAÇÃO DE POSSE de que trata 
a Lei nº 13.465, de 11 de julho de 2017; 
 
II - tratando-se de BENS MÓVEIS, dependerá de licitação na 
modalidade leilão, dispensada a realização de licitação nos casos 
de: 
 
a) DOAÇÃO, permitida exclusivamente para fins e uso de 
interesse social, após avaliação de oportunidade e conveniência 
socioeconômica em relação à escolha de outra forma de 
alienação; 
b) PERMUTA, permitida exclusivamente entre órgãos ou 
entidades da Administração Pública; 
c) VENDA DE AÇÕES, que poderão ser negociadas em bolsa, 
observada a legislação específica; 
d) VENDA DE TÍTULOS, observada a legislação pertinente; 
e) VENDA DE BENS produzidos ou comercializados por entidades 
da Administração Pública, em virtude de suas finalidades; 
f) VENDA DE MATERIAIS E EQUIPAMENTOS sem utilização 
previsível por quem deles dispõe para outros órgãos ou entidades 
da Administração Pública. 
 
§ 1º A alienação de bens imóveis da Administração Pública cuja 
aquisição tenha sido derivada de procedimentos judiciais ou de 
dação em pagamento dispensará autorização legislativa e exigirá 
apenas avaliação prévia e licitação na modalidade leilão. 
 
§ 2º Os imóveis doados com base na alínea “b” do inciso I 
do caput deste artigo, cessadas as razões que justificaram sua 
doação, serão revertidos ao patrimônio da pessoa jurídica 
doadora, vedada sua alienação pelo beneficiário. 
 
§ 3º A Administração poderá conceder TÍTULO DE PROPRIEDADE 
OU DE DIREITO REAL DE USO DE IMÓVEL, admitida a dispensa de 
licitação, quando o uso destinar-se a: 
 
I - OUTRO ÓRGÃO OU ENTIDADEDA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, 
qualquer que seja a localização do imóvel; 
II - PESSOA NATURAL que, nos termos de lei, regulamento ou ato 
normativo do órgão competente, haja implementado os 
requisitos mínimos de cultura, de ocupação mansa e pacífica e 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11952.htm#art6%C2%A71..
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6383.htm#art29
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6383.htm#art29
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13465.htm
160 
 
de exploração direta sobre área rural, observado o limite de que 
trata o § 1º do art. 6º da Lei nº 11.952, de 25 de junho de 2009. 
 
§ 4º A aplicação do disposto no inciso II do § 3º deste artigo será 
DISPENSADA DE AUTORIZAÇÃO LEGISLATIVA e submeter-se-á aos 
seguintes condicionamentos: 
 
I - aplicação exclusiva às áreas em que a detenção por particular 
seja comprovadamente anterior a 1º de dezembro de 2004; 
II - submissão aos demais requisitos e impedimentos do regime 
legal e administrativo de destinação e de regularização fundiária 
de terras públicas; 
III - vedação de concessão para exploração não contemplada na 
lei agrária, nas leis de destinação de terras públicas ou nas 
normas legais ou administrativas de zoneamento ecológico-
econômico; 
IV - previsão de extinção automática da concessão, dispensada 
notificação, em caso de declaração de utilidade pública, de 
necessidade pública ou de interesse social; 
V - aplicação exclusiva a imóvel situado em zona rural e não 
sujeito a vedação, impedimento ou inconveniente à exploração 
mediante atividade agropecuária; 
VI - limitação a áreas de que trata o § 1º do art. 6º da Lei nº 
11.952, de 25 de junho de 2009, vedada a dispensa de licitação 
para áreas superiores; 
VII - acúmulo com o quantitativo de área decorrente do caso 
previsto na alínea “i” do inciso I do caput deste artigo até o 
limite previsto no inciso VI deste parágrafo. 
 
§ 5º Entende-se por INVESTIDURA, para os fins desta Lei, a: 
I - alienação, ao proprietário de imóvel lindeiro, de área 
remanescente ou resultante de obra pública que se tornar 
inaproveitável isoladamente, por preço que não seja inferior ao 
da avaliação nem superior a 50% (cinquenta por cento) do valor 
máximo permitido para dispensa de licitação de bens e serviços 
previsto nesta Lei; 
II - alienação, ao legítimo possuidor direto ou, na falta dele, ao 
poder público, de imóvel para fins residenciais construído em 
núcleo urbano anexo a usina hidrelétrica, desde que considerado 
dispensável na fase de operação da usina e que não integre a 
categoria de bens reversíveis ao final da concessão. 
 
§ 6º A doação com encargo será licitada e de seu instrumento 
constarão, obrigatoriamente, os encargos, o prazo de seu 
cumprimento e a cláusula de reversão, sob pena de nulidade do 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11952.htm#art6%C2%A71..
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11952.htm#art6%C2%A71..
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11952.htm#art6%C2%A71..
161 
 
ato, dispensada a licitação em caso de interesse público 
devidamente justificado. 
 
§ 7º Na hipótese do § 6º deste artigo, caso o donatário necessite 
oferecer o imóvel em garantia de financiamento, a cláusula de 
reversão e as demais obrigações serão garantidas por hipoteca 
em segundo grau em favor do doador. 
 
Art. 77. Para a venda de bens imóveis, será concedido direito de 
preferência ao licitante que, submetendo-se a todas as regras do 
edital, comprove a ocupação do imóvel objeto da licitação. 
 
 
INEXIGIBILIDADE 
 
 
Art. 74. É inexigível a licitação quando INVIÁVEL A COMPETIÇÃO, 
em especial nos casos de: 
I - aquisição de materiais, de equipamentos ou de gêneros ou 
contratação de serviços que SÓ POSSAM SER FORNECIDOS POR 
PRODUTOR, EMPRESA OU REPRESENTANTE COMERCIAL 
EXCLUSIVOS; 
II - CONTRATAÇÃO DE PROFISSIONAL DO SETOR ARTÍSTICO, 
diretamente ou por meio de empresário exclusivo, desde que 
consagrado pela crítica especializada ou pela opinião pública; 
 
III - CONTRATAÇÃO DOS SEGUINTES SERVIÇOS TÉCNICOS 
ESPECIALIZADOS de natureza predominantemente intelectual 
com profissionais ou empresas de notória especialização, vedada 
a inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação: 
 
a) estudos técnicos, planejamentos, projetos básicos ou projetos 
executivos; 
b) pareceres, perícias e avaliações em geral; 
c) assessorias ou consultorias técnicas e auditorias financeiras 
ou tributárias; 
d) fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras ou 
serviços; 
e) patrocínio ou defesa de causas judiciais ou administrativas; 
f) treinamento e aperfeiçoamento de pessoal; 
g) restauração de obras de arte e de bens de valor histórico; 
h) controles de qualidade e tecnológico, análises, testes e 
ensaios de campo e laboratoriais, instrumentação e 
monitoramento de parâmetros específicos de obras e do meio 
ambiente e demais serviços de engenharia que se enquadrem no 
disposto neste inciso; 
162 
 
IV - OBJETOS que devam ou possam ser contratados por meio de 
credenciamento; 
V - AQUISIÇÃO OU LOCAÇÃO DE IMÓVEL cujas características de 
instalações e de localização tornem necessária sua escolha. 
 
§ 1º Para fins do disposto no inciso I do caput deste artigo, a 
Administração deverá demonstrar a inviabilidade de competição 
mediante ATESTADO DE EXCLUSIVIDADE, CONTRATO DE 
EXCLUSIVIDADE, DECLARAÇÃO DO FABRICANTE ou outro 
documento idôneo capaz de comprovar que o objeto é fornecido 
ou prestado por produtor, empresa ou representante comercial 
exclusivos, vedada a preferência por marca específica. 
 
§ 2º Para fins do disposto no inciso II do caput deste artigo, 
considera-se EMPRESÁRIO EXCLUSIVO a pessoa física ou jurídica 
que possua contrato, declaração, carta ou outro documento que 
ateste a exclusividade permanente e contínua de representação, 
no País ou em Estado específico, do profissional do setor 
artístico, afastada a possibilidade de contratação direta por 
inexigibilidade por meio de empresário com representação 
restrita a evento ou local específico. 
 
§ 3º Para fins do disposto no inciso III do caput deste artigo, 
considera-se de NOTÓRIA ESPECIALIZAÇÃO o profissional ou a 
empresa cujo conceito no campo de sua especialidade, 
decorrente de desempenho anterior, estudos, experiência, 
publicações, organização, aparelhamento, equipe técnica ou 
outros requisitos relacionados com suas atividades, permita 
inferir que o seu trabalho é essencial e reconhecidamente 
adequado à plena satisfação do objeto do contrato. 
 
§ 4º Nas contratações com fundamento no inciso III 
do caput deste artigo, é VEDADA A SUBCONTRATAÇÃO DE 
EMPRESAS OU A ATUAÇÃO DE PROFISSIONAIS DISTINTOS daqueles 
que tenham justificado a inexigibilidade. 
 
§ 5º Nas CONTRATAÇÕES com fundamento no inciso V 
do caput deste artigo, devem ser observados os seguintes 
requisitos: 
I - AVALIAÇÃO PRÉVIA DO BEM, do seu estado de conservação, 
dos custos de adaptações, quando imprescindíveis às 
necessidades de utilização, e do prazo de amortização dos 
investimentos; 
II - CERTIFICAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DE IMÓVEIS PÚBLICOS VAGOS 
e disponíveis que atendam ao objeto; 
163 
 
III - justificativas que demonstrem a SINGULARIDADE DO IMÓVEL 
a ser comprado ou locado pela Administração e que evidenciem 
vantagem para ela. 
 
 
 
 
 
 
EXECUÇÃO INDIRETA DE OBRA PÚBLICA 
 
 
 
Art. 46. Na execução indireta de obras e 
serviços de engenharia, são admitidos os 
seguintes regimes: 
 
I - empreitada por preço unitário; 
II - empreitada por preço global; 
III - empreitada integral; 
IV - contratação por tarefa; 
V - contratação integrada; 
VI - contratação semi-integrada; 
VII - fornecimento e prestação de serviço associado. 
164 
 
§ 1º É vedada a realização de obras e serviços de engenharia sem 
projeto executivo,ressalvada a hipótese prevista no § 3º do art. 
18 desta Lei. 
§ 2º A Administração é dispensada da elaboração de projeto 
básico nos casos de contratação integrada, hipótese em que 
deverá ser elaborado anteprojeto de acordo com metodologia 
definida em ato do órgão competente, observados os requisitos 
estabelecidos no inciso XXIV do art. 6º desta Lei. 
§ 3º Na contratação integrada, após a elaboração do projeto 
básico pelo contratado, o conjunto de desenhos, especificações, 
memoriais e cronograma físico-financeiro deverá ser submetido 
à aprovação da Administração, que avaliará sua adequação em 
relação aos parâmetros definidos no edital e conformidade com 
as normas técnicas, vedadas alterações que reduzam a qualidade 
ou a vida útil do empreendimento e mantida a responsabilidade 
integral do contratado pelos riscos associados ao projeto básico. 
 
§ 4º Nos regimes de contratação integrada e semi-integrada, o 
edital e o contrato, sempre que for o caso, deverão prever as 
providências necessárias para a efetivação de desapropriação 
autorizada pelo poder público, bem como: 
I - o responsável por cada fase do procedimento expropriatório; 
II - a responsabilidade pelo pagamento das indenizações devidas; 
III - a estimativa do valor a ser pago a título de indenização 
pelos bens expropriados, inclusive de custos correlatos; 
IV - a distribuição objetiva de riscos entre as partes, incluído o 
risco pela diferença entre o custo da desapropriação e a 
estimativa de valor e pelos eventuais danos e prejuízos 
ocasionados por atraso na disponibilização dos bens 
expropriados; 
V - em nome de quem deverá ser promovido o registro de imissão 
provisória na posse e o registro de propriedade dos bens a serem 
desapropriados. 
 
§ 5º Na contratação semi-integrada, mediante prévia autorização 
da Administração, o projeto básico poderá ser alterado, desde 
que demonstrada a superioridade das inovações propostas pelo 
contratado em termos de redução de custos, de aumento da 
qualidade, de redução do prazo de execução ou de facilidade de 
manutenção ou operação, assumindo o contratado a 
responsabilidade integral pelos riscos associados à alteração do 
projeto básico. 
§ 6º A execução de cada etapa será obrigatoriamente precedida 
da conclusão e da aprovação, pela autoridade competente, dos 
trabalhos relativos às etapas anteriores. 
§ 7º (VETADO). 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14133.htm#art18%C2%A73
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14133.htm#art18%C2%A73
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14133.htm#art6xxiv
165 
 
§ 8º (VETADO). 
§ 9º Os regimes de execução a que se referem os incisos II, III, IV, 
V e VI do caput deste artigo serão licitados por preço global e 
adotarão sistemática de medição e pagamento associada à 
execução de etapas do cronograma físico-financeiro vinculadas 
ao cumprimento de metas de resultado, vedada a adoção de 
sistemática de remuneração orientada por preços unitários ou 
referenciada pela execução de quantidades de itens unitários. 
 
 
 
 
 
166 
 
 
GRANDE VULTO 
 
 
Valor atualizado 2024: 
R$ 250.902.323,87 (duzentos e cinquenta milhões novecentos e 
dois mil trezentos e vinte e três reais e oitenta e sete 
centavos) 
167 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONTRATO ADMINISTRATIVO 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ato: manifestação unilateral de vontade 
Contrato: manifestação bilateral de vontades (acordo de 
vontades) 
 
Contratos: os interesses são opostos 
Convênios: os interesses são recíprocos, comuns ou mútuos 
 
“CONTRATO DA ADMINISTRAÇÃO” é empregada para designar todo 
e qualquer contrato celebrado pela Administração Pública, seja 
sob regime de direito público ou privado. 
Já a expressão “CONTRATO ADMINISTRATIVO” é reservada para 
abranger apenas os ajustes em que a Administração, nesta 
qualidade, celebra sob o regime jurídico de direito público. 
CONTRATOS PRIVADOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA - 
Administração Pública não se coloca em um patamar de 
superioridade, não fazendo uso integral de suas prerrogativas. 
 
Contratos da administração 
- contratos administrativos 
- contratos privados da administração pública 
 
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS 
Aplicação primária 
cláusulas do próprio contrato 
preceitos de direito público 
 
Aplicação supletiva 
princípios da teoria geral dos contratos 
preceitos de direito privado 
168 
 
 
CONCEITO 
Contrato administrativo é o ajuste que a Administração Pública, 
agindo nessa qualidade, firma com particular ou outra entidade 
administrativa para a consecução de objetivos de interesse 
público, nas condições estabelecidas pela própria Administração. 
 
CARACTERÍSTICAS 
O contrato administrativo é sempre consensual e, em regra, 
formal, oneroso, comutativo [existe equivalência ou 
reciprocidade entre as obrigações a que se comprometeram as 
partes.] e realizado intuitu personae (pessoalidade).[ são 
celebrados em razão das condições pessoais da empresa 
contratada] 
 
Contrato verbal: REGRA - nulo e de nenhum efeito 
EXCEÇÃO - pequenas compras e serviços de pronto pagamento 
até R$ 11.981,20 
 
SUBCONTRATAÇÃO 
Art. 122. Na execução do contrato e sem prejuízo das 
responsabilidades contratuais e legais, o contratado poderá 
subcontratar partes da obra, do serviço ou do fornecimento até 
o limite autorizado, em cada caso, pela Administração. 
 
• Parcial (regra) 
• Dentro dos limites autorizados pela administração 
• Sem prejuízo das responsabilidades do contratado 
 
PUBLICIDADE DOS CONTRATOS ADMINISTRATIVOS 
Este é uma condição para que o contrato possa produzir efeitos, 
de onde se diz que a “divulgação (..) é condição indispensável à 
eficácia do contrato” (art. 94). 
 
20 dias úteis se celebrado após licitação 
10 dias úteis após contratação direta 
 
FORMALIZAÇÃO DO CONTRATO ADMINISTRATIVO 
Art. 91. Os contratos e seus aditamentos terão forma escrita e 
serão juntados ao processo que tiver dado origem à contratação, 
divulgados e mantidos à disposição do público em sítio 
eletrônico oficial. 
 
§ 1º Será admitida a manutenção em sigilo de contratos e de 
termos aditivos quando imprescindível à segurança da sociedade 
169 
 
e do Estado, nos termos da legislação que regula o acesso à 
informação. 
§ 2º Contratos relativos a direitos reais sobre imóveis serão 
formalizados por escritura pública lavrada em notas de tabelião, 
cujo teor deverá ser divulgado e mantido à disposição do público 
em sítio eletrônico oficial. 
 
§ 3º Será admitida a forma eletrônica na celebração de contratos 
e de termos aditivos, atendidas as exigências previstas em 
regulamento. 
§ 4º Antes de formalizar ou prorrogar o prazo de vigência do 
contrato, a Administração deverá verificar a regularidade fiscal 
do contratado, consultar o Cadastro Nacional de Empresas 
Inidôneas e Suspensas (Ceis) e o Cadastro Nacional de Empresas 
Punidas (Cnep), emitir as certidões negativas de inidoneidade, de 
impedimento e de débitos trabalhistas e juntá-las ao respectivo 
processo. 
 
 
CLÁUSULAS NECESSÁRIAS OU ESSENCIAIS 
• Objeto (e seus elementos) 
• Vinculação 
- ao edital da licitação 
- à proposta vencedora 
- ao ato que autorizou a contratação direta 
• Legislação aplicável inclusive quanto aos casos omissos 
Regime de execução (ou forma de fornecimento) 
• Preço e as condições de pagamento 
• Mecanismos de reajustamento de preços e de atualização 
monetária 
• Critérios e periodicidade da medição (quando for o caso) 
• Prazos p/ pagamento 
• Prazos de início das etapas de execução, conclusão, 
• Entrega, observação e recebimento definitivo 
• Crédito pelo qual correrá a despesa com a classificação da 
despesa 
• Matriz de risco (quando for o caso) 
• Prazo para responder pedido de repactuação (quando for o 
caso) 
• Prazo para responder pedido de reequilíbrio econômico-
financeiro (quando for o caso)• Garantias contratuais 
• Prazo de garantia 
• Direitos e as responsabilidades das partes 
• Penalidades cabíveis e valores das multas 
170 
 
• Condições de importação e taxa de câmbio (quando for o 
caso) 
• Obrigação de o contratado manter todas as condições de 
habilitação durante todo o contrato 
• Obrigação de o contratado cumprir as exigências de reserva 
de cargos para 
- pessoa com deficiência (PcD) 
- reabilitado do INSS 
- aprendiz (entre outros) 
• Modelo de gestão do contrato 
• Casos de extinção 
 
 
CLÁUSULAS EXORBITANTES 
São aquelas que exorbitam do direito comum. 
Estas cláusulas consistem em poderes, prerrogativas, conferidos 
à Administração a fim de que o interesse público possa 
prevalecer sobre o interesse privado. 
 
 
 
 
 
 
 
171 
 
ALTERAÇÃO UNILATERAL 
Dividem-se em cláusulas econômicas (ou financeiras) e cláusulas 
regulamentares (ou de serviço). 
O poder da Administração de alterar unilateralmente o contrato 
administrativo incide apenas sobre as cláusulas regulamentares 
(ou de serviço). 
 
Art. 104, § 1º As cláusulas econômico-financeiras e monetárias 
dos contratos não poderão 
ser alteradas sem prévia concordância do contratado. 
 
Exigem acordo entre as partes (ART. 124 inciso II) 
 
• Substituição da garantia de execução 
• Modificação do regime de execução da obra ou serviço, bem 
como do modo de fornecimento, em face de verificação 
técnica da inaplicabilidade dos termos contratuais 
originários 
Modificação da forma de pagamento, mantido o valor 
inicial atualizado 
• Restabelecer o equilíbrio econômico- financeiro inicial do 
contrato, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do 
príncipe ou em decorrência de fatos imprevisíveis ou 
previsíveis de consequências incalculáveis, que 
inviabilizem a execução do contrato tal como pactuado. 
 
 
 
Dois limites para alterações quantitativas: 
- limite de 25% para acréscimo ou supressão unilaterais 
- limite de 50% só para acréscimo unilateral no caso de reforma 
 
 
172 
 
EXTINÇÃO UNILATERAL DO CONTRATO 
Art. 138. A extinção do contrato poderá ser: 
I - determinada por ato unilateral e escrito da Administração, 
exceto no caso de descumprimento decorrente de sua própria 
conduta; 
 
 
FISCALIZAÇÃO DO CONTRATO 
É especialmente designado um ou mais representantes da 
administração, normalmente chamado(s) de “fiscal(is) de 
contrato”. 
 
 
 
Fiscal de contrato → representante da Administração 
Preposto → representante do contratado 
 
Auxiliar de fiscal de contrato 
São diversas e complexas as atribuições deste fiscal de contrato, 
a legislação possibilita a contratação de terceiros para auxiliá-
lo (art. 117). 
O profissional que vier a ser contratado para auxiliar o fiscal 
deverá atender ao seguinte (art. 117, § 4º): 
❑ o terceiro contratado para auxiliar o fiscal não poderá exercer 
atribuição própria e exclusiva de fiscal de contrato (mas apenas 
auxiliá-lo) 
❑ o contratado assumirá a responsabilidade civil objetiva pela 
veracidade e pela precisão das informações prestadas 
❑ o contratado firmará termo de confidencialidade 
Além disso, a contratação destes terceiros não eximirá de 
responsabilidade o fiscal do contrato, em regra o fiscal 
continuaria será responsável por esta conduta, mesmo que seja 
auxiliado por terceiros. 
 
173 
 
 
APLICAÇÃO DIRETA DE SANÇÕES ADMINISTRATIVAS 
A legislação confere à Administração o poder-dever de aplicar 
sanções de natureza administrativa 
à empresa contratada que cometer faltas. 
 
ADVERTÊNCIA 
Inexecução parcial do contrato, quando não justificar penalidade 
mais grave 
 
MULTA POR INFRAÇÃO 
Todas as infrações administrativas previstas no art. 155 
 
IMPEDIMENTO 
- Inexecução parcial que cause grave dano 
- inexecução total 
- deixar de entregar a documentação exigida para a licitação 
- não manter a proposta, salvo fato superveniente justificado 
- não celebrar o contrato ou não entregar a documentação 
exigida para a contratação, quando convocado 
- ensejar o retardamento da execução ou da entrega do objeto 
da licitação sem motivo justificado 
 
INIDONEIDADE 
- Nas hipóteses ensejadoras do impedimento, quando se 
justificar imposição de penalidade mais grave 
- declaração ou documentação falsa 
- fraudar a licitação ou praticar ato fraudulento na execução do 
contrato 
- comportar-se de modo inidôneo ou cometer fraude de qualquer 
natureza 
- praticar atos ilícitos com vistas a frustrar os objetivos da 
licitação; 
- praticar ato lesivo previsto na lei anticorrupção 
174 
 
 
 
 
OCUPAÇÃO PROVISÓRIA OU TEMPORÁRIA 
 
Art. 104, V - ocupar provisoriamente bens móveis e imóveis e 
utilizar pessoal e serviços vinculados ao objeto do contrato nas 
hipóteses de: 
a) risco à prestação de serviços essenciais; 
b) necessidade de acautelar apuração administrativa de faltas 
contratuais pelo contratado, inclusive após extinção do contrato. 
 
A primeira hipótese se fundamenta no princípio da continuidade 
dos serviços públicos; 
Na segunda hipótese, a ocupação provisória consiste em medida 
acautelatória, lançada para viabilizar a apuração de 
irregularidade ocorrida na execução do contrato. Aqui o 
legislador permitiu, até mesmo, a ocupação após a extinção do 
contrato. 
 
EXIGÊNCIA DE GARANTIAS 
 
O gestor não está obrigado a exigir garantias. Sua exigência 
encontra-se dentro da discricionariedade do gestor público. 
As garantias das empresas podem ser exigidas pela 
Administração em duas situações: 
 
 
175 
 
PARA PARTICIPAR DE UMA LICITAÇÃO (GARANTIA DE PROPOSTA) 
Art. 58. Poderá ser exigida, no momento da apresentação da 
proposta, a comprovação do recolhimento de quantia a título de 
garantia de proposta, como requisito de pré-habilitação. 
§ 1º A garantia de proposta não poderá ser superior a 1% (um por 
cento) do valor estimado 
 
PARA A CONTRATAÇÃO (GARANTIA DE EXECUÇÃO CONTRATUAL) 
A garantia é exigida imediatamente antes da assinatura do 
contrato: a empresa vencedora. 
A garantia se presta a assegurar o cumprimento integral do 
contrato administrativo (art. 97), em regra sendo devolvida à 
empresa após o fim do contrato (art. 100). 
 
Limites das garantias de contrato 
regra geral 
- máximo 5% do valor inicial do contrato 
exceções: 
- complexidade técnica e riscos envolvidos máximo de 10% do 
valor inicial do contrato 
- obras e serviços de engenharia de grande vulto (acima de R$ 
239 milhões) máximo de 30% do valor inicial do contrato 
(seguro-garantia) 
 
O particular é quem escolherá a modalidade da garantia (art. 96, 
§1º), dentre as seguintes: 
• caução em dinheiro ou títulos da dívida pública 
• seguro-garantia 
• fiança bancária 
• título de capitalização (pagamento único com resgate 
total) 
 
 
RESTRIÇÕES À EXCEÇÃO DO CONTRATO NÃO CUMPRIDO 
A nova lei conferiu à Administração a tolerância de 2 meses de 
atraso nos pagamentos (contados da emissão da nota). A partir 
do 2º mês de atraso, permanecendo a mora quanto ao 
pagamento, como regra geral a empresa contratada poderá (i) 
suspender automaticamente a execução do contrato ou, ainda, (ii) 
pleitear a extinção do contrato. 
 
Destaco, também, que a regra dos 2 meses não se aplica em 
quatro situações excepcionais (art. 137, §3º, I): (i) calamidade 
pública, (ii) grave perturbação da ordem interna, (iii) guerra ou 
(iv) quando o atraso decorrer de ato ou fato que o contratado 
176 
 
tenha praticado, do qual tenha participado ou para o qual tenha 
contribuído. 
 
 
DURAÇÃO DOS CONTRATOS 
 
Regra: prazo determinado 
Exceção: prazo indeterminado: 
- contrato em que a Administração é usuária de serviço público 
prestado em regime de monopólio existência de orçamento, 
desde que comprovada, a cada exercício financeiro, a existência 
de créditos orçamentários vinculados à contratação. 
 
REGRA GERAL 
• prazo previsto no edital 
• disponibilidade de créditos orçamentáriosem cada 
exercício 
• previsão no PPA (se ultrapassar um exercício financeiro) 
 
DURAÇÃO MÁXIMA DE 5 ANOS 
Os serviços e fornecimentos contínuos como o aluguel de 
equipamentos e a utilização de programas de informática; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
177 
 
DURAÇÃO MÁXIMA DE 10 ANOS 
 
 
 
 
DURAÇÃO MÁXIMA DE 15 ANOS 
 
 
 
Exemplo: suponha que uma empresa privada é contratada pela 
União para cuidar do funcionamento do sistema informatizado 
que faz a gestão de todos os convênios federais, que é utilizado 
por vários órgão e entidades em todo o país. Como trata-se de 
sistema de TI estruturante, este contrato poderia ter a duração 
máxima de 15 anos. 
 
DURAÇÃO MÁXIMA DE 35 ANOS 
 
 
Exemplo: a contratação, por um órgão, de sistema de geração de 
energia solar (fotovoltaica), objetivando a redução da conta de 
energia elétrica daquele órgão. 
 
178 
 
Seja para os contratos de eficiência ou para aqueles que gerem 
receita, os prazos serão de até (art. 110): 
 
 
 
SITUAÇÕES ESPECÍFICAS/ PRAZOS DIFERENCIADOS 
CONTRATOS DE FORNECIMENTO E PRESTAÇÃO DE SERVIÇO 
ASSOCIADO 
❑ sua vigência máxima será definida pela soma do prazo relativo 
ao fornecimento inicial (ou à entrega da obra) com o prazo 
relativo ao serviço de operação e manutenção 
❑ o prazo do serviço de operação e manutenção é limitado a 5 
anos, contados da data de recebimento do objeto inicial 
❑ é possível a prorrogação deste contrato até o limite de 10 
anos, na forma do art. 107, como ocorre em relação aos serviços 
contínuos 
 
CONTRATOS POR ESCOPO 
Nos contratos com escopo predefinido, o contratado irá realizar 
uma atividade específica e período predeterminado, a exemplo de 
um projeto, de uma obra. Nestes casos, é natural que o foco seja 
deslocado da duração do contrato (em X anos) para a conclusão 
de 100% do escopo. 
A este respeito, o legislador limitou-se a afirmar que seu prazo 
de vigência será automaticamente prorrogado quando seu objeto 
não for concluído no período previsto em contrato (art. 111). 
 
Mas, se o atraso ou a não conclusão decorrer de culpa do 
contratado: 
Art. 111, parágrafo único, I - o contratado será constituído em 
mora, aplicáveis a ele as respectivas sanções administrativas; 
II - a Administração poderá optar pela extinção do contrato e, 
nesse caso, adotará as medidas admitidas em lei para a 
continuidade da execução contratual. 
 
179 
 
 
 
GARANTIAS DO CONTRATADO – DEVIDO PROCESSO 
ADMINISTRATIVO 
Defesa prévia 
Contraditório e da ampla defesa 
 
Particularidades das sanções de impedimento e inidoneidade 
Pela gravidade das situações envolvendo o (i) impedimento para 
licitar e contratar e (ii) a declaração de inidoneidade, requisitos 
adicionais: 
 
Processo conduzido por comissão composta de 2 ou mais servidores 
estáveis 
❑ Dentro do prazo para defesa, a empresa poderá também 
solicitar a produção de provas adicionais 
❑ Caso o pedido de provas adicionais seja deferido, o contratado 
poderá apresentar alegações finais no prazo de 15 dias úteis, 
contado da data da intimação 
 
Por razões de segurança jurídica, a Administração tem o prazo 
prescricional de 5 anos para apurar 
a infração, sob pena de se operar a prescrição (art. 158, §4º). Este 
prazo: 
❑ É contado da ciência da infração pela Administração 
❑ É interrompido pela instauração do processo de 
responsabilização 
❑ Fica suspenso pela celebração de acordo de leniência previsto 
na Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013) 
❑ Fica suspenso por decisão judicial que inviabilize a conclusão 
da apuração administrativa 
 
Recursos após a aplicação da sanção 
Em relação às penalidades de “advertência”, “multa” e 
“impedimento para licitar e contratar” cabe recurso, no prazo de 
15 dias úteis, contado da data da intimação (art. 166, caput), 
dirigido à autoridade que tiver aplicado a sanção: 
 
Tratando-se, por outro lado, da “declaração de inidoneidade”, 
como esta é aplicada por autoridades do nível de Ministro de 
Estado, Secretário estadual ou municipal (ou autoridade máxima 
180 
 
do órgão), não caberá “recurso” propriamente dito. Aqui caberá 
apenas “pedido de reconsideração”, que também deverá ser 
apresentado no prazo de 15 dias úteis, contado da data da 
intimação, e decidido no prazo máximo de 20 dias úteis, contado 
do seu recebimento (art. 167). 
 
Outros aspectos importantes 
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA 
“teoria da desconsideração da personalidade jurídica”, autoriza 
que os efeitos de uma sanção alcancem terceiros – abuso do 
direito: desvio de finalidade / confusão patrimonial. 
 
REABILITAÇÃO 
Tratando-se das sanções de “impedimento para 
licitar/contratar” e “declaração de inidoneidade”, 
a lei autoriza que a empresa se reabilite perante a autoridade 
que aplicou a sanção. 
 
Exige-se o atendimento aos seguintes requisitos cumulativos 
(art. 163): 
❑ reparação integral do dano causado à Administração Pública; 
❑ pagamento da multa; 
❑ transcurso dos prazos mínimos de: 
o 1 ano da aplicação da penalidade, no caso de impedimento de 
licitar e contratar 
o 3 anos da aplicação da penalidade, no caso de declaração de 
inidoneidade 
❑ cumprimento das condições de reabilitação definidas no ato 
punitivo 
❑ análise jurídica prévia, com posicionamento conclusivo 
quanto ao cumprimento dos requisitos listados acima. 
 
REGISTRO DAS PENALIDADES EM CADASTROS PÚBLICOS 
 
APURAÇÃO CONJUNTA DE ATOS PREVISTOS NA LEI 
ANTICORRUPÇÃO 
A nova lei previu que os atos previstos como infrações 
administrativas em seu texto que também sejam tipificados 
como atos lesivos na Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013) serão 
apurados e julgados conjuntamente, nos mesmos autos, 
observados o rito procedimental e a autoridade competente 
definidos na Lei Anticorrupção (art. 159). 
 
 
 
 
181 
 
RESPONSABILIDADE PELA EXECUÇÃO DO CONTRATO 
 
Situações em que: 
 (i) são detectados defeitos no trabalho realizado pelo 
contratado, 
(ii) o contratado causa danos à Administração ou a terceiros e 
(iii) o contratado deixa de pagar certos encargos. 
 
VÍCIOS E DEFEITOS NO PRODUTO DA EXECUÇÃO DO CONTRATO 
Art. 119. O contratado será obrigado a reparar, corrigir, remover, 
reconstruir ou substituir, a suas expensas, no total ou em parte, 
o objeto do contrato em que se verificarem vícios, defeitos ou 
incorreções resultantes de sua execução ou de materiais nela 
empregados. 
 
DANOS CAUSADOS PELA EXECUÇÃO DO OBJETO 
Art. 120. O contratado será responsável pelos danos causados 
diretamente à Administração ou a terceiros em razão da 
execução do contrato, e não excluirá nem reduzirá essa 
responsabilidade a fiscalização ou o acompanhamento pelo 
contratante. 
 
Tratando-se especificamente de obras, a nova lei fixou prazo 
mínimo de 5 anos para a “garantia” por parte do contratado, 
quanto à solidez e segurança dos materiais, estabelecendo 
expressamente sua responsabilidade objetiva por defeitos 
surgidos neste período. 
 
ENCARGOS TRABALHISTAS, PREVIDENCIÁRIOS, FISCAIS E 
COMERCIAIS 
Somente o contratado será responsável pelos encargos 
trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da 
execução do contrato. 
 
Art. 121, § 1º A inadimplência do contratado em relação aos 
encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transferirá à 
Administração a responsabilidade pelo seu pagamento e não 
poderá onerar o objeto do contrato nem restringir a 
regularização e o uso das obras e das edificações, inclusive 
perante o registro de imóveis, ressalvada a hipótese prevista no 
§ 2º deste artigo. (..) 
 
§ 2º Exclusivamente nas contratações de serviços contínuos com 
regime de dedicação exclusiva de mão de obra, a Administração 
responderá solidariamente pelos encargos previdenciários e 
subsidiariamente pelos encargos trabalhistas se comprovada falha 
182 
 
na fiscalização do cumprimento das obrigações do contratado.interesse coletivo e passa a reproduzir atos 
destinados a legitimar a consecução de interesses privados dos 
segmentos regulados. 
 
A Teoria da captura das agências reguladoras consiste na 
situação pela qual a agência reguladora passar a servir de 
instrumento para viabilizar e legitimar a consecução de 
interesses privados dos segmentos regulados. 
 
 
 
FUNDAÇÕES PÚBLICAS: ASPECTOS GERAIS 
Personificação de um patrimônio 
Instituída por uma pessoa política 
Sujeitas ao controle administrativo 
Pessoa jurídica de direito público (natureza autárquica) - lei cria 
Pessoa jurídica de direito privado (regime jurídico híbrido) - lei 
autoriza 
- concurso público 
- licitações 
- contrato administrativo 
 
FUNDAÇÕES PÚBLICAS: DIREITO PÚBLICO X DIREITO PRIVADO 
Direito Público 
Criadas por lei 
Imunidade tributária 
Prerrogativas processuais 
Regime de precatório 
Bens Públicos 
Licitações 
Servidores efetivos 
 
Direito Privado 
Autorizadas por lei 
Imunidade tributária 
Sem Prerrogativas processuais 
Sem Regime de precatório 
Sem Bens Públicos 
Licitações 
Sem servidores efetivos 
 
 
16 
 
ASSOCIAÇÃO PÚBLICA (CONSÓRCIO PÚBLICO) 
Associação pública: São pessoas jurídicas de direito público 
criadas a partir da celebração de um consórcio público por 
entidades federativas. Quando as entidades federativas celebram 
um consórcio público, elas podem decidir se essa nova pessoa 
criada será de direito público ou de direito privado. Se for de 
direito público, será caracterizada como Associação Pública. 
O objetivo de uma associação pública é estabelecer finalidades 
de interesse comum entre as entidades federativas. Elas fixam 
uma meta a ser atingida e a associação pública é um 
instrumento para atingir essa meta. 
A associação pública pertencerá à administração indireta de 
todas as entidades federativas consorciadas. 
 
Consórcio público: uma pessoa jurídica criada por lei com a 
finalidade de executar a gestão associada de serviços públicos. 
Quando um serviço público é de interesse de mais de um ente 
federado, estes poderão se associar para criação de um consórcio 
e assim realizarem uma gestão centralizada destes serviços. 
Sendo assim, o consórcio público poderá ser instituído como 
associação pública ou pessoa jurídica de direito privado. 
 
 
EMPRESAS ESTATAIS E SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA: ASPECTOS 
GERAIS COMUNS 
Criação autorizada em lei específica (CF, 37, XIX) Personalidade 
jurídica de direito privado 
Exigência de concurso público para contratação de pessoal 
Pessoal é regido pela CLT (empregados públicos) Empregados não 
detém estabilidade no emprego 
Não sujeitas aos tetos constitucionais de remuneração, exceto 
se receber recursos orçamentários para pagamento de despesas 
de pessoal ou de custeio em geral 
Sujeitas ao controle exercido pelos Tribunais de Contas 
Causas que envolvam relação de trabalho: justiça do trabalho 
 
EP E SEM: EXPLORAÇÃO DE ATIVIDADE ECONÔMICA É 
EXCEPCIONAL? 
A exploração de atividade econômica pelo Estado (Estado-
empresário) não deve ser a regra. Isto deve ocorrer, em caráter 
excepcional, em apenas três situações básicas: 
a) casos constitucionalmente previstos 
b) relevante interesse coletivo 
c) imperativos da segurança nacional. 
 
17 
 
Predominam as regras de direito privado, próprio das empresas 
privadas 
Não gozam de benefício fiscal 
Sem imunidade tributária 
 
EP E SEM: PRESTADORA DE 
SERVIÇO PÚBLICO 
 
Patrimônio 
Bens privados impenhoráveis 
se indispensáveis ao serviço 
Precatório 
Aplicável se prestadoras de 
serviço público em regime 
não concorrencial 
Regime de pessoal 
Concurso público; CLT; sem 
estabilidade (exceto os 
admitidos antes da EC nº 
19/1998) 
Dispensa de pessoal 
Para a ECT (Correios) exige 
motivação 
Atos 
Em regra, privados, salvo se 
relacionados a função 
administrativa (licitações e 
dos concursos públicos) 
Contratos 
Em regra, privados. Podem ser 
administrativos se 
relacionados ao serviço 
público 
Licitação 
Sujeitos à lei 13.303/2016; 
dispensável para atividade-
fim 
Responsabilidade civil 
Objetiva 
Controle do Tribunal de contas 
Sujeito 
Imunidade tributária recíproca 
Se beneficiam desde que não 
remuneradas por preço ou 
tarifa dos usuários 
EP E SEM: EXPLORADORAS DE 
ATIVIDADE ECONÔMICA 
 
Patrimônio 
Bens privados penhoráveis 
 
Precatório 
Não se aplica 
 
Regime de pessoal 
Concurso público; CLT; sem 
estabilidade (exceto os 
admitidos antes da EC nº 
19/1998) 
Dispensa de pessoal 
Não exige motivação 
Atos 
Em regra, privados, salvo se 
relacionados a função 
administrativa (licitações e 
dos concursos públicos) 
Contratos 
Privados 
 
 
Licitação 
Sujeitos à lei 13.303/2016; 
dispensável para atividade-
fim 
Responsabilidade civil 
Subjetiva 
Controle do Tribunal de contas 
Sujeito 
Imunidade tributária recíproca 
Se beneficiam apenas se 
atuarem em regime de 
monopólio 
Falência 
Não se sujeitam 
 
18 
 
Falência 
Não se sujeitam 
 
 
EMPRESAS ESTATAIS E SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA: ASPECTOS 
DIVERGENTES 
Empresas estatais 
Constituição 
Constituída sob qualquer forma admitida (Ltda, S/A...) 
Capital social 
Capital social integralmente público 
Foro 
Empresa pública federal: foro processual é a justiça federal 
 
Sociedade de Economia Mista 
Constituição 
Sempre constituída sob a forma de sociedade anônima (S/A) 
Capital social 
Capital social misto 
Foro 
Foro processual será a justiça estadual 
 
EMPRESAS SUBSIDIÁRIAS X SOCIEDADES CONTROLADAS PELO 
PODER PÚBLICO 
Empresas subsidiárias das estatais 
Por “subsidiária”: empresa em cujo capital votante uma empresa 
estatal detenha participação majoritária e o controle da sua 
gestão. A “subsidiária” de empresa estatal é, assim, 
necessariamente, também uma empresa estatal — integrante, 
pois, da estrutura orgânica do estado, isto é, de seu aparelho 
administrativo. 
As subsidiárias de EP e SEM também são regidas pela Lei das 
Estatais 
São empresas estatais cuja maioria das ações com direito a voto 
pertença direta ou indiretamente a empresa pública ou a 
sociedade de economia mista; 
Criação de subsidiárias pelas entidades da administração 
indireta e a participação destas entidades em empresas privadas 
também requer autorização legislativa; 
O STF entendeu ser desnecessária a edição de lei específica para 
a criação de cada subsidiária. A Corte Suprema firmou 
jurisprudência no sentido de que basta uma autorização 
genérica na lei que autorizou a criação da empresa estatal 
matriz para que esta possa criar subsidiárias. 
 
 
19 
 
 
Empresas controladas 
Por “controlada”: empresa não estatal cujo capital votante 
pertença majoritariamente a pessoas físicas ou a empresa não 
estatal — à iniciativa privada, portanto — e minoritariamente a 
uma empresa estatal, sendo essa participação minoritária, 
todavia, relevante, de modo a assegurar à acionista minoritária 
estatal certo grau de compartilhamento do poder de controle, 
em regra disciplinado por acordo de acionistas. 
 
 
 
SOCIEDADES CONTROLADAS PELO PODER PÚBLICO 
Existem empresas estatais que não integram a Administração 
Pública Indireta, como é o caso de empresas cujo controle 
acionário passou para o Ente Federado. São as chamadas 
“sociedades controladas pelo Poder Público”. 
Elas não compõem a Administração Pública por uma questão 
meramente formal, visto que não foram observados os requisitos 
legais para criação das Empresas Estatais, como a autorização 
legislativa. 
 
 
ÓRGÃOS PÚBLICOS X ENTIDADES PÚBLICAS 
Os órgãos públicos são divisões internas do Estado que 
trabalham na execução de políticas, as entidades públicas são 
organizações com personalidade jurídica que prestam serviços 
públicos de forma autônoma. 
Entidades públicas: ex. autarquias, fundações 
Órgãos públicos: Ex. secretaria(FISCAIS E COMERCIAIS NÃO) 
 
 
MEIOS ALTERNATIVOS DE RESOLUÇÃO DE CONTROVÉRSIAS 
 
Art. 151. Nas contratações regidas por esta Lei, poderão ser 
utilizados meios alternativos de prevenção e resolução de 
controvérsias, notadamente a conciliação, a mediação, o comitê 
de resolução de disputas e a arbitragem. 
 
É possível que os contratos sejam aditados para preverem a 
adoção dos meios alternativos de resolução de controvérsias 
(art. 153). 
 
ARBITRAGEM 
É um método heterocompositivo de solução de conflitos (pois há 
alguém externo à relação jurídica conflituosa), até porque a 
decisão deste árbitro será imposta às partes. 
 
• A arbitragem será sempre de direito (e não por equidade) e 
observará o princípio da publicidade (art. 152). 
• O processo de escolha dos árbitros, dos colegiados arbitrais 
e dos comitês de resolução de disputas observará critérios 
isonômicos, técnicos e transparentes (art. 154). 
 
CONCILIAÇÃO 
Um conciliador é chamado para estimular às partes objetivando 
que elas cheguem a um consenso. Caso a conciliação não seja 
aceita, as partes ainda poderão acionar o Poder Judiciário para 
sanar a questão. 
 
MEDIAÇÃO 
Um mediador (um terceiro imparcial) ouve ambas as partes e faz 
propostas a elas, com vistas a pôr fim ao processo. Caso a 
mediação não seja aceita, as partes ainda poderão acionar o 
Poder Judiciário para sanar a questão. 
 
COMITÊ DE RESOLUÇÃO DE DISPUTAS 
DISPUTE BOARD - um conjunto de profissionais é chamado para 
auxiliar às partes a chegarem a um consenso. 
O assunto ainda carece de regulamentação legal no país, mas 
internacionalmente existem comitês com poderes decisórios 
(como um árbitro), não decisórios (como um mediador ou 
conciliador) e híbridos. 
 
183 
 
 
EXTINÇÃO E ANULAÇÃO DO CONTRATO 
A anulação do contrato consiste no desfazimento do contrato 
em razão de uma ilegalidade. 
 
Extinção: 
• Unilateralmente, exceto no caso de descumprimento 
decorrente da própria conduta da Administração 
• Consensual, por acordo, por conciliação, mediação ou por 
comitê de resolução de disputas 
• Por decisão judicial ou arbitral (litigiosa) 
 
UNILATERAL 
• há interesse da Administração 
• não aplicável no caso de descumprimento por parte da 
Administração 
• necessária autorização por escrito e fundamentada da 
autoridade competente 
 
CONSENSUAL 
• há interesse da Administração 
• hipóteses: 
•acordo 
•conciliação 
•mediação 
•comitê 
• necessária autorização por escrito e fundamentada da 
autoridade competente 
 
LITIGIOSA 
• não depende de interesse da Administração 
• hipóteses: 
•judicial 
•arbitral 
• determinação judicial ou arbitral 
 
 
HIPÓTESES DE EXTINÇÃO 
(a) situações imputáveis ao particular contratado 
(b) situações imputáveis à Administração 
(c) por circunstâncias alheias às partes 
 
 
 
 
 
184 
 
(A) SITUAÇÕES IMPUTÁVEIS AO PARTICULAR CONTRATADO 
Art. 137 
I - não cumprimento ou cumprimento irregular de normas 
editalícias ou de cláusulas contratuais, de especificações, de 
projetos ou de prazos; 
II - desatendimento das determinações regulares emitidas pela 
autoridade designada para acompanhar e fiscalizar sua execução 
ou por autoridade superior; 
III - alteração social ou modificação da finalidade ou da 
estrutura da empresa que restrinja sua capacidade de concluir o 
contrato; 
IV - decretação de falência ou de insolvência civil, dissolução da 
sociedade ou falecimento do contratado; 
IX - não cumprimento das obrigações relativas à reserva de 
cargos prevista em lei, bem como em outras normas específicas, 
para pessoa com deficiência, para reabilitado da Previdência 
Social ou para aprendiz. 
 
(B) SITUAÇÕES IMPUTÁVEIS À ADMINISTRAÇÃO 
Art. 137 
VII - atraso na liberação das áreas sujeitas a desapropriação, a 
desocupação ou a servidão administrativa, ou impossibilidade de 
liberação dessas áreas; 
VIII - razões de interesse público, justificadas pela autoridade 
máxima do órgão ou da entidade contratante; 
 
Art. 137 §2º 
I - supressão, por parte da Administração, de obras, serviços ou 
compras que acarrete modificação do valor inicial do contrato 
além dos limites permitidos [em regra de 25%] 
II - suspensão de execução do contrato, por ordem escrita da 
Administração, por prazo superior a 3 (três) meses; 
III - repetidas suspensões que totalizem 90 (noventa) dias úteis, 
independentemente do pagamento obrigatório de indenização 
pelas sucessivas e contratualmente imprevistas desmobilizações 
e mobilizações e outras previstas; 
IV - atraso superior a 2 (dois) meses, contado da emissão da nota 
fiscal, dos pagamentos ou de parcelas de pagamentos devidos 
pela Administração por despesas de obras, serviços ou 
fornecimentos; [restrição à oposição do contrato não cumprido 
 
[I - não serão admitidas em caso de calamidade pública, de grave 
perturbação da ordem interna ou de guerra, bem como quando 
decorrerem de ato ou fato que o contratado tenha praticado, do 
qual tenha participado ou para o qual tenha contribuído; 
 
185 
 
II - assegurarão ao contratado o direito de optar pela suspensão 
do cumprimento das obrigações assumidas até a normalização 
da situação, admitido o restabelecimento do equilíbrio 
econômico-financeiro do contrato, na forma da alínea “d” do 
inciso II do caput do art. 124 desta Lei.] 
 
V - não liberação pela Administração, nos prazos contratuais, de 
área, local ou objeto, para execução de obra, serviço ou 
fornecimento, e de fontes de materiais naturais especificadas no 
projeto, inclusive devido a atraso ou descumprimento das 
obrigações atribuídas pelo contrato à Administração 
relacionadas a desapropriação, a desocupação de áreas públicas 
ou a licenciamento ambiental. 
 
(C) POR CIRCUNSTÂNCIAS ALHEIAS ÀS PARTES 
Art. 137 
V - caso fortuito ou força maior, regularmente comprovados, 
impeditivos da execução do contrato; 
VI - atraso na obtenção da licença ambiental, ou impossibilidade 
de obtê-la, ou alteração substancial do anteprojeto que dela 
resultar, ainda que obtida no prazo previsto; 
 
 
ANULAÇÃO 
O contrato poderá ser declarado nulo quando se concluir que ele 
padece de uma irregularidade insanável. 
Isto porque, caso se esteja diante de uma irregularidade sanável, 
o gestor público deveria optar pela correção da irregularidade 
(saneamento), sem chegar ao extremo de desfazer o contrato. 
 
Art. 147. Constatada irregularidade no procedimento licitatório 
ou na execução contratual, caso não seja possível o saneamento, 
a decisão sobre a suspensão da execução ou sobre a declaração 
de nulidade do contrato somente será adotada na hipótese em que 
se revelar medida de interesse público, com avaliação, entre 
outros. 
 
 
Avaliação dos impactos da anulação 
 
• impactos econômicos e financeiros 
• riscos sociais, ambientais e à segurança da população local 
• custo de nova licitação ou celebração de novo contrato 
• motivação social e ambiental do contrato 
• custo da deterioração ou perda das parcelas executadas 
186 
 
• despesa p/ preservar as instalações e serviços já 
executados 
• despesa p/ desmobilização e ao posterior retorno às 
atividades 
 
 
187 
 
 
 
 
 
 
 
PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA 
 
 
 
 
 
 
A criação desta modalidade especial de concessão representa uma 
tentativa moderna de o poder público estabelecer parcerias com 
o setor privado. 
 
A grande maioria das regras da Lei 11.079/2004 aplicam-se a 
todas as esferas de governo (União, Estados/DF e Municípios), de 
onde se diz que a Lei sobre as PPPs possui aplicação nacional. 
 
 
 
TRÊS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS PPPS: 
 
1) Financiamento do setor privado: 
2) Compartilhamento dos riscos: 
3) Pluralidade compensatória do Estado em favor do 
concessionário: na PPP admite-se o pagamento da 
188 
 
contraprestação sob diversas formas. Além do pagamento em 
pecúnia, a legislação admite a cessão decréditos não tributários 
e a outorga de certos direitos da Administração, fora outros 
estabelecidos em lei. 
 
Comparando as PPPs com as concessões tradicionais, 3 principais 
diferenças: 
1) compartilhamento de riscos (art. 5º, III, Lei 11.079/2004) – já 
destacada acima; 
2) estabelecimento de garantias do poder público em favor do 
parceiro privado (art. 5º, VIII, Lei 11.079/2004); e 
3) pré-constituição de uma sociedade de propósito específico 
(SPE), incumbida de implantar e de gerir o objeto da parceria. 
 
 
CONCEITO 
Parceria público-privada é o contrato administrativo de 
concessão, na modalidade patrocinada ou administrativa. 
(NATUREZA CONTRATUAL) 
 
Acordo firmado entre a Administração Pública e pessoa do setor 
privado com o objetivo de implantação ou gestão de serviços 
públicos, com eventual execução de obras ou fornecimento de 
bens, mediante financiamento do contratado, contraprestação 
pecuniária do Poder Público e compartilhamento dos riscos e dos 
ganhos entre os pactuantes. 
 
Lei 10.079/2004, art. 2º, § 3º Não constitui parceria público-
privada a concessão comum, assim entendida a concessão de 
serviços públicos ou de obras públicas de que trata a Lei no 8.987, 
de 13 de fevereiro de 1995, quando não envolver contraprestação 
pecuniária do parceiro público ao parceiro privado. 
 
 
MODALIDADES 
PATROCINADA 
Tarifa + contraprestação do poder público 
É a concessão de serviços públicos ou de obras públicas de que 
trata a Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, quando envolver, 
adicionalmente à tarifa cobrada dos usuários contraprestação 
pecuniária do parceiro público ao parceiro privado. 
As concessões patrocinadas regem-se por esta Lei, aplicando-se-
lhes subsidiariamente o disposto na Lei nº 8.987/95 [regime de 
concessão e permissão da prestação de serviços públicos], e nas 
leis que lhe são correlatas. 
 
189 
 
ADMINISTRATIVA 
Contraprestação do poder público 
É o contrato de prestação de serviços de que a Administração 
Pública seja a usuária direta ou indireta, ainda que envolva 
execução de obra ou fornecimento e instalação de bens. 
 
As concessões administrativas regem-se por esta Lei, aplicando-
se-lhes adicionalmente o disposto nos arts. 21, 23, 25 e 27 a 39 
da Lei nº 8.987/95 [regime de concessão e permissão da prestação 
de serviços públicos], e no art. 31 da Lei nº 9.074/95 [normas para 
outorga e prorrogações das concessões e permissões de serviços 
público] 
 
 
VEDAÇÕES 
É vedada a celebração de contrato de parceria público-privada: 
I - cujo valor do contrato seja inferior a R$ 10.000.000,00 (dez 
milhões de reais); 
II – cujo período de prestação do serviço seja inferior a 5 (cinco) 
anos; ou 
III – que tenha como objeto único o fornecimento de mão-de-
obra, o fornecimento e instalação de equipamentos ou a 
execução de obra pública. 
 
 
Valor superior a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais); 
Prestação de serviços por no máximo 35 anos (incluído 
prorrogações) 
Como objeto deve-se mesclar ao menos duas das seguintes 
atividades: 
- fornecimento de mão-de-obra 
- fornecimento e instalação de equipamentos 
- execução de obra pública 
 
 
CRIAÇÃO DE SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO 
 
Art. 9º Antes da celebração do contrato, deverá ser constituída 
sociedade de propósito específico, incumbida de implantar e gerir 
o objeto da parceria. 
 
§ 1º A transferência do controle da sociedade de propósito 
específico estará condicionada à autorização expressa da 
Administração Pública, nos termos do edital e do contrato, 
observado o disposto no parágrafo único do art. 27 da Lei nº 
8.987, de 13 de fevereiro de 1995. 
190 
 
 
§ 2º A sociedade de propósito específico poderá assumir a forma 
de companhia aberta, com valores mobiliários admitidos a 
negociação no mercado. (ou fechada) 
§ 3º A sociedade de propósito específico deverá obedecer a padrões 
de governança corporativa e adotar contabilidade e demonstrações 
financeiras padronizadas, conforme regulamento. 
 
§ 4º Fica vedado à Administração Pública ser titular da maioria do 
capital votante das sociedades de que trata este Capítulo. 
 
§ 5º A vedação prevista no § 4º deste artigo não se aplica à eventual 
aquisição da maioria do capital votante da sociedade de propósito 
específico por instituição financeira controlada pelo Poder Público 
em caso de inadimplemento de contratos de financiamento. 
 
 
CONTRAPRESTAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
Lei 11.079/2004, art. 7º A contraprestação da Administração 
Pública será obrigatoriamente precedida da disponibilização do 
serviço objeto do contrato de parceria público-privada. 
 
Lei 11.079/2004, art. 7º, 1o É facultado à administração pública, 
nos termos do contrato, efetuar o pagamento da 
contraprestação relativa a parcela fruível do serviço objeto do 
contrato de parceria público-privada. 
 
Pluralidade remuneratória 
Meios de pagamento ao parceiro privado 
• ordem bancária 
• cessão de créditos NÃO tributários 
• outorga de direitos em face da Administração Pública 
• outorga de direitos sobre bens 
• públicos dominicais 
• outros meios admitidos em lei 
 
Lei 11.079/2004, art. 6º, § 1º O contrato poderá prever o 
pagamento ao parceiro privado de remuneração variável 
vinculada ao seu desempenho, conforme metas e padrões de 
qualidade e disponibilidade definidos no contrato. 
 
GARANTIAS 
Quatro espécies de garantias aplicáveis a uma PPP: 
a) garantia de execução do contrato (art. 5º, VIII): parceiro privado 
presta ao público 
191 
 
b) garantia de cumprimento das obrigações pecuniárias assumidas 
pelo poder público (art. 8º): parceiro público presta ao privado 
c) contragarantia à entidade financiadora do projeto (art. 5º, §2º): 
parceiro público presta à financiadora 
d) PPPs de estados, DF ou municípios (art. 28): União presta 
garantia aos demais entes federados 
 
GARANTIA DE EXECUÇÃO DO CONTRATO 
Parceiro privado presta ao público 
 
As garantias de execução devem ser suficientes e compatíveis 
com os ônus e riscos envolvidos, sendo que tais garantias serão 
limitadas a 10% do valor do contrato. Se a Administração entregar 
bens ao parceiro privado, o valor destes bens deverá ser acrescido 
na garantia a ser prestada. 
Como seguro-garantia, fiança bancária, caução em dinheiro. 
 
PPP na modalidade patrocinada que envolva a execução de obra, 
a garantia deve-se limitar ao valor da obra. 
 
GARANTIAS DAS OBRIGAÇÕES CONTRAÍDAS DA ADMINISTRAÇÃO 
PÚBLICA 
Administração Pública presta ao parceiro privado. 
 
A prestação de garantias ao parceiro privado não é obrigatória 
(art. 11, parágrafo único), tratando- se de faculdade da 
Administração. 
 
O parceiro público poderá garantir o pagamento de suas 
obrigações pecuniárias por meio do oferecimento das 
modalidades de garantia: 
a) vinculação de receitas, observado o disposto no inciso IV do 
art. 167 da Constituição Federal (que veda a vinculação à receita 
de impostos) 
b) instituição ou utilização de fundos especiais previstos em lei 
c) contratação de seguro-garantia com as companhias 
seguradoras que não sejam controladas pelo Poder Público 
d) garantia prestada por organismos internacionais ou 
instituições financeiras 
e) garantias prestadas por fundo garantidor ou empresa estatal 
criada para essa finalidade 
f) outros mecanismos admitidos em lei 
 
CONTRAGARANTIA AO FINANCIADOR 
Nesta situação, o próprio contrato da PPP poderá prever 
garantias do parceiro público em favor 
192 
 
do financiador. Tal garantia pode ser prestada das seguintes 
formas: 
 
a) transferência do controle ou administração temporária da 
sociedade de propósito 
específico (SPE) aos financiadores e garantidores (step-in right) 
b) emissão de empenho em nome dos financiadores 
c) legitimidade dos financiadores do projeto para receber 
indenizações por extinção antecipada do contrato, bem como 
pagamentos efetuadospelos fundos e empresas estatais 
garantidores de parcerias público-privadas. 
 
GARANTIA DA UNIÃO EM PPPS DOS ESTADOS, DF OU MUNICÍPIOS 
Em razão da cooperação federativa, a União poderá prestar 
garantias em favor dos Estados, DF ou municípios para viabilizar 
a celebração de PPPs por estes (art. 28). 
 
 
LICITAÇÃO PRÉVIA 
Celebração de uma PPP deve ser precedida de licitação, na 
modalidade concorrência ou diálogo competitivo. 
Também admite que o edital preveja a inversão da ordem das 
fases de habilitação e julgamento. 
 
AVALIAÇÕES PRÉVIAS 
AVALIAÇÃO ORÇAMENTÁRIA 
A Administração deve estimar o impacto orçamentário-financeiro 
provocado pelo empreendimento, devendo o ordenador de 
despesa declarar que as obrigações decorrentes do contrato são 
compatíveis com a LDO (lei de diretrizes orçamentárias) e que 
estão previstas na LOA (lei orçamentária anual). 
 
CONSULTA PÚBLICA OBRIGATÓRIA 
O legislador impôs a realização de consulta pública como 
condição para a publicação do edital. 
 
AUTORIZAÇÃO LEGISLATIVA 
Exige-se autorização legislativa específica quando se pretender 
celebrar concessão patrocinada, quando couber à Administração 
o pagamento de mais de 70% da remuneração a ser paga ao 
concessionário. 
 
EDITAL AVALIADO 
Exige que o edital da licitação seja submetido e avaliado pelo 
“órgão gestor de PPP” 
 
193 
 
CRITÉRIOS DE JULGAMENTO DA LICITAÇÃO 
➢ menor valor da tarifa 
➢ combinação do menor valor da tarifa + melhor técnica 
➢ menor valor da contraprestação a ser paga pela Administração 
➢ combinação do menor valor da contraprestação da 
Administração + melhor técnica 
 
 
NORMAS APLICÁVEIS À UNIÃO 
Órgão gestor de PPPs 
Fundo Garantidor de PPPs (FGP) 
 
194 
 
 
 
 
 
 
TERCEIRO SETOR 
 
 
 
 
 
 
 
 
O TERCEIRO SETOR é composto por entidades privadas da 
sociedade civil que exercem atividades de interesse público sem 
finalidade lucrativa. 
 
ENTIDADE PARAESTATAL 
Entidades Paraestatais: entidades que estão fora da 
Administração Pública, mas colaboram com o Estado no 
desempenho de atividades de interesse público. 
As entidades paraestatais são entidades privadas que realizam 
atividades de interesse coletivo, sem fins lucrativos que recebem 
incentivos de entidades públicas. 
 
O conceito de entidades paraestatais compreende: (TERCEIRO 
SETOR) 
✓ Serviços sociais autônomos (também conhecidos como 
“Sistema S”, a exemplo de Sesi, Sesc, Senat) 
✓ Entidades de apoio 
✓ Organizações Sociais (OS) 
✓ Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) 
✓ Organizações da Sociedade Civil (OSC) 
 
 
SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS 
Todos aqueles instituídos por lei, com personalidade de Direito 
Privado, para ministrar assistência ou ensino a certas categorias 
sociais ou grupos profissionais, sem fins lucrativos, sendo 
mantidos por dotações orçamentárias ou por contribuições 
parafiscais. 
 
ENTIDADES DE APOIO 
Entidades de apoio são pessoas jurídicas de direito privado, sem 
fins lucrativos, instituídas por servidores públicos, porém em 
195 
 
nome próprio, sob a forma de fundação, associação ou 
cooperativa, para a prestação, em caráter privado, de serviços 
sociais não exclusivos do Estado, mantendo vínculo jurídico com 
entidades da Administração Direta ou Indireta, em regra por meio 
de convênio. 
 
ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO 
(Oscip) 
Qualificação concedida a instituições privadas sem fins 
lucrativos que buscam trabalhar em parceria com o poder 
público. 
 
ORGANIZAÇÃO SOCIAL (OS) 
Um particular receberá recursos públicos (pessoal, bens ou 
recursos orçamentários), mas ficará sujeito a uma série de regras 
do direito público, a exemplo de controles mais rígidos e da 
fiscalização quanto à aplicação dos recursos recebidos. (contrato 
de gestão) 
 
ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL (OSC) 
São pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, que 
fazem parceria com a Administração Pública, em regime de mútua 
colaboração, para a consecução de finalidades de interesse 
público e recíproco, mediante execução de atividades ou de 
projetos previamente estabelecidos nos termos de fomento, 
termos de colaboração ou acordos de cooperação. 
 
CARACTERÍSTICAS COMUNS ÀS ENTIDADES PARAESTATAIS 
• Não são criadas pelo Estado, ainda que algumas sejam 
autorizadas por lei ou dependam de algum tipo de impulso 
estatal. 
• Em regra, não desempenham serviço público delegado pelo 
Estado, mas atividade privada de interesse público. São os 
chamados serviços sociais não exclusivos do Estado. 
• Particulares que atuam em colaboração com o Estado. 
• Recebem algum tipo de incentivo do Poder Público, como a 
outorga de um título, auxílios e subvenções orçamentárias, 
cessão de servidores públicos ou outorgas para uso de bens 
públicos 
• Têm vínculos jurídicos com o Poder Público, por meio de 
convênio, termo de parceria, contrato de gestão, entre 
outros. 
• Seu regime jurídico é de direito privado, parcialmente 
derrogado por normas de direito público. 
196 
 
• Não integram a Administração Pública, pertencendo ao 
terceiro setor. 
 
 
SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS (“SISTEMA S”) 
✓ são pessoas privadas, não integrantes da Administração 
Pública, embora tenham a criação prevista em lei 
✓ têm por objeto uma atividade social, sem finalidade de lucro. 
Em geral, prestam serviço de utilidade pública em benefício de 
determinado grupo social ou profissional 
✓ mantidos por contribuições parafiscais (natureza tributária) e 
por dotações orçamentárias do poder público 
✓ Pessoal: 
o não são obrigadas a realizar concurso público. Devam 
realizar processo seletivo seguindo princípios da Administração 
Pública 
o equiparado a funcionário público para fins penais e de 
improbidade administrativa 
✓ Contratação com terceiros: 
o não seguem as mesmas normas de licitação pública 
o devam adotar regulamentos próprios que sigam os 
princípios da Administração Pública 
✓ sujeitos à prestação de contas perante o TCU e à sua 
fiscalização 
 
ENTIDADES DE APOIO 
✓ entidades privadas sem fins lucrativos, instituídas por 
servidores públicos, para prestação de serviços sociais não 
exclusivos do Estado 
Constituídas sob a forma de fundações privadas (sem fins 
lucrativos) 
✓ vínculo com o poder público: em regra, mediante convênio 
- os servidores públicos prestam o serviço (regidos pela CLT) 
 - o serviço é prestado nas instalações públicas (bens públicos 
imóveis) 
 - a entidade de apoio arrecada a receita e a administra 
✓ devem se registrar e credenciar junto ao Ministério da Educação 
e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações 
✓ dispensável licitação para IFES e ICTs contratarem fundações de 
apoio 
[Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) e demais 
Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs)] 
✓ caso autorizado, servidores públicos podem participar das 
atividades prestadas pela entidade de apoio: 
o sem vínculo empregatício 
o recebimento de bolsa 
197 
 
o regra: fora da jornada de trabalho do vínculo estatutário 
✓ prestam contas aos seus financiadores quanto aos recursos 
recebidos 
 
Temos as entidades de apoio que orbitam hospitais públicos e 
universidades públicas, como a Fundação de Apoio Universitário 
(FAU), que apoia a Universidade Federal de Uberlândia (UFU). 
 
ORGANIZAÇÕES SOCIAIS - OS 
✓ pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos 
✓ deve habilitar-se perante a Administração Pública, para obter a 
qualificação de "organização social" 
✓ qualificação como OS é ato discricionário, de competência do 
Ministério/entidade responsável pela área 
✓ podem atuar nas áreas de ensino, pesquisa científica, 
desenvolvimento tecnológico, meio ambiente, cultura e saúde 
✓ celebra contrato de gestão com o poder público (metas, prazos 
de execução, indicadores e critérios de avaliação, programa de 
trabalho) 
O contratode gestão é instrumento que irá selar a cooperação 
entre a entidade privada e o poder público. Ele estabelece 
atribuições e responsabilidades das duas partes (OS e poder 
público). O contrato deve ser submetido ao Ministro de Estado da 
área correspondente à atividade fomentada 
✓ execução do contrato de gestão é supervisionada por órgão ou 
entidade público, avaliando-se o alcance do resultado pactuado 
✓ no caso de irregularidade no uso de recursos públicos, órgão 
supervisor deve dar ciência ao TCU, 
sob pena de responsabilidade solidária 
✓ fomento mediante: (i) destinação de recursos orçamentários; (ii) 
cessão especial de servidores públicos, com ônus para o poder 
público; (iii) bens públicos 
✓ seus empregados não são servidores públicos (são empregados 
privados). (CLT) 
✓ não estão obrigadas a realizar concurso público, mas a seleção 
de pessoal deve ser conduzida de forma pública, objetiva e 
impessoal 
 
OS exercem atividades privadas de utilidade pública ou interesse 
social, em seu próprio nome, com incentivo (fomento) do Estado. 
De toda forma, tal qualificação consiste em título jurídico 
outorgado pelo poder público, no caso competência do Poder 
Executivo. 
 
Consiste na participação de representantes do poder público no 
Conselho de Administração da OS. 
198 
 
Desqualificação: Caso a entidade descumpra as disposições 
contidas no contrato de gestão, ela poderá perder sua 
qualificação de organização social, mediante processo 
administrativo, em que se oportunize o contraditório e a ampla 
defesa. 
Os dirigentes da OS poderão responder individualmente e, de 
forma solidária (e não subsidiária), pelos prejuízos causados ao 
poder público. 
 
ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO - 
OSCIP 
✓ qualificação como OSCIP é ato vinculado, de competência do 
Ministério da Justiça 
✓ exige-se funcionamento há pelo menos 3 anos 
✓ celebra termo de parceria com o poder público (objeto, 
metas/resultados, critérios de avaliação, receitas e despesas e 
obrigações da Oscip) 
✓ selecionadas mediante concurso de projetos 
✓ presta contas dos recursos e envia relatório anual ao ente 
repassador, sob jurisdição dos Tribunais de Contas. 
✓ contratação de terceiros: precedida de cotação prévia de preços 
✓ uma entidade não pode ser qualificada, ao mesmo tempo, como 
OS e como Oscip 
A entidade privada não poderá distribuir lucros (ou excedentes 
operacionais), os quais, se existirem, devem ser integralmente 
reinvestidos no próprio objeto social da entidade. 
É permitida (facultativa) a participação de servidores públicos 
na composição de conselho ou diretoria de Organização da 
Sociedade Civil de Interesse Público. (obrigatória criação) 
Rol exemplificativo de área de atuação: 
assistência social 
cultura 
patrimônio histórico e artístico 
promoção gratuita da educação 
promoção gratuita da saúde 
segurança alimentar e nutricional 
meio ambiente 
desenvolvimento sustentável 
voluntariado 
desenvolvimento econômico e social 
combate à pobreza 
 
Oscip → ato vinculado 
OS → ato discricionário 
 
Oscip → termo de parceria 
OS → contrato de gestão 
 
 
199 
 
ORGANIZAÇÃO SOCIAL (OS) 
• Celebra contrato de 
gestão com o poder 
público 
• Qualificação é ato 
discricionário 
• Qualificação é 
competência do Ministro 
de Estado ou órgão da 
área a que se vincula a 
instituição privada 
• Legislação não prevê 
prazo mínimo de 
funcionamento da OS 
• Dispensável a licitação 
para a contratação de OS 
pelo poder público 
(serviços contemplados 
no contrato de gestão). 
• É possível a cessão de 
servidores públicos 
• Obrigatória a 
participação de 
representante do poder 
público no Conselho de 
Administração 
ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE 
CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO 
(OSCIP) 
• Celebra termo de 
parceria 
• É ato vinculado 
• Qualificação será sempre 
competência do 
Ministério da Justiça 
 
• Em funcionamento há 
pelo menos 3 anos 
• Não existe hipótese 
específica de dispensa de 
licitação para a 
contratação de Oscip 
pelo poder público. 
• Não há previsão expressa 
de cessão de servidores 
públicos para prestação 
de serviços na Oscip 
• É facultativa a presença 
de servidor público na 
composição do conselho 
fiscal 
 
 
 
ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL - OSC 
✓ OSC: 
o entidade privada sem fins lucrativos que não distribua lucros 
o cooperativas 
o organizações religiosas que não tenham fins exclusivamente 
religiosos 
✓ Instrumentos: (vínculo com o poder público) 
o termo de colaboração: proposta de parceria é feita pela 
Administração Pública e envolve transferência de recursos 
financeiros 
o termo de fomento: proposta de parceria é feita pela OSC e 
envolve transferência de recursos financeiros 
o acordo de cooperação: não envolve transferência de recursos 
financeiros 
✓ regra: OSC são selecionadas para a parceria mediante 
chamamento público 
✓ Plano de trabalho: 
200 
 
o Prevê atividades/projetos, receitas/despesas, formas de 
execução e de cumprimento 
o parte integrante do instrumento celebrado 
o modificável 
o obrigatório para os 3 instrumentos 
 
Há situações excepcionais, em que a legislação dispensa sua 
realização. São as hipóteses de dispensa e de inexigibilidade de 
chamamento público: 
Dispensada 
✓no caso de urgência decorrente de paralisação ou iminência de 
paralisação de atividades de relevante interesse público 
✓nos casos de guerra, calamidade pública, grave perturbação da 
ordem pública ou ameaça à paz social 
✓quando se tratar da realização de programa de proteção a 
pessoas ameaçadas ou em situação que possa comprometer a 
sua segurança; 
✓no caso de atividades voltadas ou vinculadas a serviços de 
educação, saúde e assistência social, desde que executadas por 
organizações da sociedade civil previamente credenciadas pelo 
órgão gestor da respectiva política. 
✓dispensado o chamamento público são os de termos de 
colaboração ou de termos de fomento que envolvam recursos 
decorrentes de emendas parlamentares às leis orçamentárias 
anuais 
 
Será considerado inexigível o chamamento público: 
I - o objeto da parceria constituir incumbência prevista em 
acordo, ato ou compromisso internacional, no qual sejam 
indicadas as instituições que utilizarão os recursos; 
II - a parceria decorrer de transferência para organização da 
sociedade civil que esteja autorizada em lei na qual seja 
identificada expressamente a entidade beneficiária 
Esfera de celebração da parceria - Tempo de existência da OSC 
Municípios 1 ano 
Estados e DF 2 anos 
União 3 anos 
 
 
Oscip → termo de parceria 
OS → contrato de gestão 
OSC → termo de colaboração / termo de fomento/ acordo de 
cooperação (chamamento público) 
Entidades de apoio → convênio 
Sistema S → previsto em lei 
 
201de educação, ministério 
 
EXISTEM ÓRGÃOS PÚBLICOS NA ADMINISTRAÇÃO INDIRETA? 
Lei 9.784/99: 
§ 2 Para os fins desta Lei, consideram-se: 
I - órgão - a unidade de atuação integrante da estrutura da 
Administração direta e da estrutura da Administração indireta; 
 
PODE-SE ADMITIR A EXISTÊNCIA DE ENTIDADES DA 
ADMINISTRAÇÃO INDIRETA VINCULADAS TAMBÉM ÀS ESTRUTURAS 
DOS PODERES LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO? 
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios .... 
 
 
 
20 
 
 
CONCESSIONÁRIA X PERMISSIONÁRIA X AUTORIZAÇÃO 
Concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita 
pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade 
concorrência ou diálogo competitivo, a pessoa jurídica ou 
consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu 
desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado; 
 
Permissão de serviço público: a delegação, a título precário, 
mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo 
poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre 
capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco. 
 
Autorização é um ato administrativo unilateral, discricionário e 
precário, sendo passível de revogação a qualquer tempo e sem 
qualquer direito à indenização para o administrado. 
 
OS DELEGATÁRIOS DE SERVIÇOS PÚBLICOS, CONCESSIONÁRIAS OU 
PERMISSIONÁRIAS, INTEGRAM A ADM. PÚBLICA INDIRETA? 
As concessionárias e permissionárias de serviços públicos não 
integram a administração pública em nenhum efeito. Estão fora 
do Poder Público pois são pessoas jurídicas de direito privado, 
constituídas por particulares, sendo prestadoras de serviços 
públicos quando entram em licitação. 
 
A CÂMARA DE VEREADORES POSSUI PERSONALIDADE JUDICIÁRIA? 
E A CAPACIDADE PROCESSUAL? 
A Câmara de Vereadores não possui personalidade jurídica, mas 
apenas personalidade judiciária, de modo que só pode demandar 
em juízo para defender os seus direitos institucionais, 
entendidos esses como aqueles relacionados ao seu 
funcionamento, autonomia e independência. (Súmula n. 525 STJ) 
 
 
21 
 
 
 
 
 
 
 
 
AGENTES PÚBLICOS 
 
 
 
 
 
CONCEITO 
O conjunto de pessoas que, a qualquer título, exercem uma 
função pública como prepostos 
do Estado. Essa função, é mister que se diga, pode ser 
remunerada ou gratuita, definitiva ou transitória, política ou 
jurídica. 
 
Toda pessoa física que exerça, ainda que transitoriamente ou 
sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, 
contratação ou qualquer forma de investidura ou vínculo, 
mandato, cargo, emprego ou função pública. 
 
Lei de improbidade “Art. 2º Para os efeitos desta Lei, consideram-
se agente público o agente político, o servidor público e todo 
aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem 
remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação 
ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, 
cargo, emprego ou função nas entidades referidas no art. 1º 
desta Lei.” 
 
 
ESPÉCIES DE AGENTES PÚBLICOS 
Agentes POLÍTICOS 
Elaboram políticas públicas e dirigem a Administração Pública. 
Aos agentes políticos incumbem as funções de direção e 
supervisão geral da administração 
pública e a elaboração das diretrizes governamentais (fixação de 
políticas públicas). 
Ex: Chefes do Executivo e membros do Legislativo 
 
Agentes ADMINISTRATIVOS 
Desempenham atividades administrativas 
22 
 
Os agentes administrativos ocupam cargos públicos, empregos 
públicos e funções públicas na 
Administração, direta e indireta, dos diversos entes federados. 
Os agentes administrativos, por sua vez, se subdividem em: 
servidor público, empregado público e agente temporário para 
atender à excepcional interesse público 
Ex: servidores públicos, empregados públicos e agentes 
temporários 
 
Agentes HONORÍFICOS 
Prestam serviços relevantes ao Estado, transitoriamente. Os 
cidadãos são escolhidos em razão de sua condição cívica, de sua 
honorabilidade ou notória capacidade profissional, os honoríficos 
não possuem qualquer vínculo profissional com a Administração. 
Ex: mesários e jurados 
 
Agentes DELEGADOS 
Particulares em colaboração com o Estado. Os agentes delegados 
são particulares que recebem a incumbência da execução de 
determinada atividade, obra ou serviço público, para o 
realizarem em nome próprio, por sua conta e risco, sob as 
normas e fiscalização do Estado. Podem ser pessoas física ou 
jurídicas. 
Ex: concessionários de serv. público, tabeliães 
 
Agentes CREDENCIADOS 
Representam a Administração em ocasiões específicas. A 
categoria de agentes credenciados representa os particulares 
que recebem a incumbência da Administração para representá-
la em determinado ato ou praticar determinada atividade 
específica, mediante remuneração do Poder Público 
credenciante. 
Ex: artista que vai representar o Brasil em um Congresso no 
exterior 
 
AGENTE DE FATO 
O desempenho da função pública em decorrência de uma 
situação excepcional. A doutrina os subdivide em duas 
categorias: os agentes necessários e os agentes putativos: 
 
Necessários: praticam atos em situações excepcionais, em 
colaboração com o Poder Público, como se fossem agentes de 
direito 
Ex: situações de emergência 
23 
 
Putativos: desempenham atividade pública na presunção de que 
há legitimidade, embora tenha havido alguma ilegalidade na sua 
investidura 
Ex: servidor que toma posse sem cumprir os requisitos do cargo 
(investidura irregular) 
 
Em razão da teoria da aparência, em regra são considerados 
válidos os atos praticados pelos agentes de fato perante 
terceiros de boa-fé. Por oportuno, aproveito para lembrar que o 
“agente de fato” não se confunde com o usurpador da função. 
 
 
CELETISTAS, ESTATUTÁRIOS E TEMPORÁRIOS 
 
ESTATUTÁRIO 
Cargos públicos são ocupados por servidores públicos de pessoas 
jurídicas de direito 
público. Seu vínculo é estatutário, vínculo legal. (nomeação) 
 
CELETISTA 
O emprego público também consiste na menor unidade de 
atribuições de um agente público. Seu vínculo é contratual. 
Embora sejam mais comuns nas pessoas de direito privado, eles 
poderão se fazer presentes em pessoas de direito privado ou 
público, como ocorre em alguns municípios brasileiros. 
(contratação) 
 
TEMPORÁRIO 
Exerce função pública – não ocupa cargo ou emprego público 
(relação jurídica especial). Contratados por tempo determinado 
para atender à necessidade temporária de excepcional interesse 
público, regime jurídico especial. (contratação) 
 
Função pública: fala-se em função pública, à qual é dada um 
conceito residual, ou seja: é o conjunto de atribuições às quais 
não corresponde um cargo ou emprego. 
 
Função de confiança: (chefia, direção ou assessoramento) de 
natureza permanente, exercida exclusivamente por servidores 
ocupantes de cargo efetivo criação depende de lei (natureza 
permanente) Ex: função de confiança de assessor de Ministro do 
TCU 
 
Agente temporário, contratado por excepcional interesse público: 
contratação temporária por excepcional interesse público 
24 
 
criação não depende de lei (caráter temporário) Ex: professor 
estrangeiro em universidade brasileira 
 
Todo cargo ou emprego público tem função, mas pode haver 
função sem cargo e sem emprego. A função sem cargo e sem 
emprego é denominada função autônoma, que na forma da 
Constituição atual, abrange: A função temporária – exercida 
por servidores temporários na forma do art. 37, IX da CF – e a 
função de confiança – prevista no art. 37, V, da CF, e exercida 
exclusivamente por servidores públicos titulares de cargos 
efetivos e que se destinam a apenas às atribuições de direção, 
chefia e assessoramento. 
 
 
 
MODALIDADE DE PROVIMENTO 
 
PROVIMENTO é o ato administrativo de preenchimento de cargo 
público, regulamentado no Brasil pela Lei Nº 8.112,de 11 de 
novembro de 1990. 
 
De acordo com a legislação, o provimento poderá se dar 
mediante nomeação, promoção, readaptação, reversão, 
aproveitamento, reintegração e recondução. 
 
ORIGINÁRIA: pressupõe a inexistência de uma relação jurídica 
anterior mantida entre o Servidor e a Administração. A única 
forma de Provimento Originário é a nomeação. 
Nomeação - Cargo Efetivo: pressupõe a aprovação em concurso 
público de provas ou de provas e Títulos – sabemos que a 
aprovação em concurso NÃO ENSEJA O DIREITO ADQUIRIDO À 
NOMEAÇÃO. 
 
DERIVADA: as formas derivadas de provimento dos cargos 
públicos, decorrem de um vínculo anterior entre Servidor e 
Administração. Promoção, aproveitamento, reversão, 
readaptação, reintegração, recondução. 
 
Promoção: é a elevação de um Servidor de uma classe para outra 
dentro de uma mesma carreira. Com isso, houve a vacância de 
um cargo inferior e conseqüentemente o provimento do cargo 
superior. 
Aproveitamento: é o retorno ao Serviço Ativo do Servidor que se 
encontrava em disponibilidade e foi aproveitado – deve realizar-
se em cargo semelhante àquele anteriormente ocupado. A 
25 
 
Administração deve realizar o aproveitamento de forma 
prioritária, antes mesmo de realizar concurso para aquele cargo. 
Readaptação: é a passagem do Servidor para outro cargo 
compatível com a deficiência física que ele venha a apresentar. 
Reversão: é o retorno ao Serviço Ativo do Servidor aposentado 
por invalidez quando insubsistentes os motivos da 
aposentadoria – pode acontecer para o mesmo cargo se ele ainda 
estiver vago ou para um outro semelhante. Se não houver cargo 
vago, o Servidor que reverter ficará como EXCEDENTE. 
Art. 25. Reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado: 
I - por invalidez, quando junta médica oficial declarar 
insubsistentes os motivos da aposentadoria; ou 
II - no interesse da administração, 
Reintegração: é o retorno ao Serviço Ativo do Servidor que fora 
demitido, quando a demissão for anulada administrativamente 
ou judicialmente, voltando para o mesmo cargo que ocupava 
anteriormente. Dá-se com o ressarcimento de todas as 
vantagens que o servidor deixou de receber durante o período 
em que esteve afastado. 
Art. 28. A reintegração é a reinvestidura do servidor estável no 
cargo anteriormente ocupado, ou no cargo resultante de sua 
transformação, quando invalidada a sua demissão por decisão 
administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as 
vantagens. 
Recondução: é o retorno ao cargo anteriormente ocupado, do 
servidor que não logrou êxito no estágio probatório de outro 
cargo para o qual foi nomeado decorrente de outro concurso. 
Art. 29. Recondução é o retorno do servidor estável ao cargo 
anteriormente ocupado e decorrerá de: 
I - inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo; 
II - reintegração do anterior ocupante. 
 
 
 
DISPONIBILIDADE E APROVEITAMENTO 
A disponibilidade é uma situação em que o servidor está afastado 
do exercício de suas funções por motivos como excesso de 
pessoal ou extinção de órgãos ou cargos, enquanto o 
aproveitamento ocorre quando esse mesmo servidor é colocado 
em uma nova posição em outro órgão ou entidade, desde que 
sejam observados os critérios previstos na lei. 
 
NOMEAÇÃO, POSSE E EXERCÍCIO 
Pela nomeação, o indivíduo é designado para o cargo público. Pela 
posse, ele toma assento na Administração, ocupando o cargo 
para o qual foi nomeado; é o ato de aceitação expressa do 
26 
 
nomeado às prerrogativas, atribuições e responsabilidades 
referentes ao cargo público. Complementando a investidura do 
nomeado no cargo, é com a posse que o aprovado passa à 
condição de servidor público, sujeito de direitos e deveres 
funcionais. E pelo exercício, ele desempenha legalmente suas 
funções. 
 
 
ESTABILIDADE 
A estabilidade pode ser entendida como a garantia de 
permanência no serviço público assegurada ao servidor 
estatutário, nomeado em decorrência de concurso público, após 
3 anos de efetivo exercício. 
 
O estágio probatório consiste no período de teste do servidor em 
relação às atividades do cargo, verificando se ele está apto para 
o cargo. Pode ser encarado como um encargo a ser 
desempenhado pelo servidor. 
A estabilidade, por sua vez, apesar de implicitamente depender 
da aprovação no estágio probatório, tem relação com o serviço 
público (e não especificamente com aquele cargo). Além disso, 
uma vez cumpridos os requisitos acima mencionados, consiste 
em um direito do servidor. 
 
Requisitos da Estabilidade 
Cargo de provimento efetivo 
Prévia aprovação em concurso público 
3 anos de efetivo exercício no cargo 
Aprovação em avaliação especial de desempenho 
 
Estabilidade – ADCT 
Art. 19. Os servidores públicos civis da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios, da administração direta, 
autárquica e das fundações públicas, em exercício na data da 
promulgação da Constituição, há pelo menos cinco anos 
continuados, e que não tenham sido admitidos na forma 
regulada no art. 37, da Constituição, são considerados estáveis 
no serviço público. 
 
§ 1º O tempo de serviço dos servidores referidos neste artigo será 
contado como título quando se submeterem a concurso para fins 
de efetivação, na forma da lei. 
§ 2º O disposto neste artigo não se aplica aos ocupantes de 
cargos, funções e empregos de confiança ou em comissão, nem 
aos que a lei declare de livre exoneração, cujo tempo de serviço 
27 
 
não será computado para os fins do "caput" deste artigo, exceto 
se se tratar de servidor. 
§ 3º O disposto neste artigo não se aplica aos professores de nível 
superior, nos termos da lei. 
 
B 
VACÂNCIA 
A vacância é um ato administrativo pelo qual um cargo público 
torna-se vago, desocupado, sem titular. 
 
Art. 33. A vacância do cargo público decorrerá de: 
I - exoneração; 
Art. 34. A exoneração de cargo efetivo dar-se-á a pedido do 
servidor, ou de ofício. 
Parágrafo único. A exoneração de ofício dar-se-á: 
I - quando não satisfeitas as condições do estágio probatório; 
II - quando, tendo tomado posse, o servidor não entrar em 
exercício no prazo estabelecido. 
II - demissão;(é uma penalidade) 
Art. 132. A demissão será aplicada nos seguintes casos: 
I - crime contra a administração pública; 
II - abandono de cargo; 
III - inassiduidade habitual; 
IV - improbidade administrativa; 
V - incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição; 
VI - insubordinação grave em serviço; 
VII - ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo 
em legítima defesa própria ou de outrem; 
VIII - aplicação irregular de dinheiros públicos; 
IX - revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo; 
X - lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio 
nacional; 
XI - corrupção; 
XII - acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas 
III - promoção; 
VI - readaptação; 
Art. 24. Readaptação é a investidura do servidor em cargo de 
atribuições e responsabilidades compatíveis com a limitação que 
tenha sofrido em sua capacidade física ou mental verificada em 
inspeção médica. 
§ 1o Se julgado incapaz para o serviço público, o readaptando 
será aposentado. 
§ 2o A readaptação será efetivada em cargo de atribuições afins, 
respeitada a habilitação exigida, nível de escolaridade e 
equivalência de vencimentos e, na hipótese de inexistência de 
28 
 
cargo vago, o servidor exercerá suas atribuições como 
excedente, até a ocorrência de vaga. 
VII - aposentadoria; 
VIII - posse em outro cargo inacumulável; 
IX - falecimento. 
 
Art. 36. Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de 
ofício, no âmbito do mesmo quadro, com ou sem mudança de 
sede. 
Art. 37. Redistribuição é o deslocamento de cargo de provimento 
efetivo, ocupado ou vago no âmbito do quadro geral de pessoal, 
para outro órgão ou entidade do mesmo Poder; 
 
 
REMUNERAÇÃOE SUBSÍDIO 
Há dois sistemas remuneratórios dos servidores da ativa (ou 
“remuneração” em sentido amplo), a saber: 
 
REMUNERAÇÃO (SENTIDO ESTRITO) 
• parte fixa (vencimento) + parte variável (vantagens 
pecuniárias) 
A parcela fixa, em geral, é chamada de vencimento, que 
corresponde ao padrão remuneratório daquele cargo fixado em 
lei. Já a parcela variável, chamada de “vantagens pecuniárias”, 
corresponde aos adicionais, gratificações e demais vantagens de 
caráter individual, também decorrentes de previsão legal. 
SUBSÍDIO 
• parcela única 
O agente recebe uma parcela única, sendo vedado o acréscimo 
de “qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de 
representação ou outra espécie remuneratória” (CF, art. 39, §4º). 
 
A aplicação do sistema de subsídio é obrigatória para 
determinados agentes públicos e facultativa para outros. Em 
outras palavras, alguns agentes públicos receberão 
obrigatoriamente por meio de subsídio (parcela única). 
 
Obrigatório: 
Presidente da República, governadores, prefeitos, senadores, 
deputados, vereadores, ministros de Estado, Secretários 
estaduais e municipais, juízes, membros do MP e ministros e 
conselheiros de TC) 
Servidores Públicos mencionados na CF: integrantes da AGU, 
procuradores dos Estados/DF, defensores públicos e policiais (PF, 
PRF, policias civis e militares) e bombeiros militares 
 
29 
 
Facultativo: 
Servidores públicos organizados em carreira 
 
Também tem outros dois tipos: salário (CLT) e proventos (agentes 
públicos inativos) 
 
 
TETO REMUNERATÓRIO 
União – subsídio dos Ministros do STF (teto único) 
Estado – Executivo: subsídio do governador 
 - Legislativo: subsídios dos deputados estaduais/ distritais 
 - Judiciário: (desembargadores do TJ) subsídios dos 
Ministros do STF (90,25%), membros do MP, procuradores do 
Estado e defensores públicos 
Município – Executivo: subsídios do prefeito 
 - Legislativo: 20% a 75% do subsídio dos deputados 
estaduais 
 - Procurador: subsídio de desembargador do TJ 
 
É importante destacar, também, a situação das empresas 
estatais e subsidiárias. A depender do seu enquadramento legal, 
estas poderão estar ou não submetidas aos tetos: 
CF, art. 37, § 9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas 
públicas e às sociedades de economia mista, e suas subsidiárias, 
que receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito 
Federal ou dos Municípios para pagamento de despesas de 
pessoal ou de custeio em geral. 
 
É oportuno já adiantar tese fixada pelo STF no sentido de que o 
teto remuneratório deve ser observado, ainda que implique 
redução salarial: 
O teto de retribuição estabelecido pela EC 41/2003 possui 
eficácia imediata, submetendo às referências de valor máximo 
nele discriminadas todas as verbas de natureza remuneratória 
percebidas pelos servidores públicos da União, Estados, Distrito 
Federal e Municípios, ainda que adquiridas de acordo com regime 
legal anterior. 
 
Neste julgado, o STF deixou assente que o valor recebido pelo 
exercício de gratificação por cargo de chefia faz parte da 
remuneração do servidor e, portanto, deve ser considerada para 
fins de cômputo do teto. 
 
Ressalva - pensão 
No entanto, o TCU fez ressalva a um caso. Trata-se da 
acumulação de proventos ou remunerações com pensão por 
30 
 
morte em que a situação jurídica surgiu após a Emenda 
Constitucional 19/1998. Nessa situação é cabível considerar, para 
efeito de teto, o somatório de valores percebidos a título de 
remuneração, proventos e pensão. 
 
“O fundamento da distinção é que, no caso de pensão por morte, 
o fato gerador do benefício tem origem distinta do provento ou 
remuneração auferida pelo servidor, uma vez que foi gerado pelo 
trabalho do instituidor da pensão [falecido]”. 
 
VANTAGENS EXCLUÍDAS DO TETO REMUNERATÓRIO 
A limitação do teto constitucional não alcança parcelas de 
caráter indenizatório (como diárias para viagem); 
 
O STF deixou assente que o valor recebido pelo exercício de 
gratificação por cargo de chefia faz parte da remuneração do 
servidor e, portanto, deve ser considerada para fins de cômputo 
do teto; 
 
ACUMULAÇÃO DE CARGOS 
Em regra é vedada; 
Alcance: administração direta; administração indireta, inclusive 
subsidiárias e as sociedades controladas pelo poder público; 
todas as esferas. 
 
Hipóteses em que se admite a acumulação: 
 a) professor + professor 
 b) professor + cargo técnico/científico 
 c) 2 cargos/empregos na área de saúde (profissão 
regulamentada) 
 
Deve haver compatibilidade de horários e cada remuneração, 
isoladamente, não deve ser superior ao teto remuneratório; 
Além destas 3 exceções estatuídas no rol do art. 37, ao longo do 
texto constitucional podem ser ainda encontradas as seguintes: 
1) permissão de acumulação para vereadores (havendo 
compatibilidade de horários) 
2) permissão para juízes exercerem o magistério 
3) permissão para membros do Ministério Público exercerem o 
magistério 
4) permissão de acumulação para profissionais de saúde das 
Forças Armadas (com prevalência da atividade militar) 
5) militares dos Estados, DF e territórios (com prevalência da 
atividade militar – CF, art. 42, §3º No máximo, 2 cargos, 
empregos ou funções públicas. Assim, não seria permitida a 
acumulação de 3 vínculos de professor, por exemplo. 
31 
 
 
Portanto, deve-se verificar se, isoladamente (ou “de per si”), cada 
remuneração extrapola ou não o teto remuneratório (e não mais 
o conjunto das remunerações). 
 
Na inatividade, cargos acumuláveis na ativa, cargos eletivos e 
cargos em comissão. 
 
É possível a acumulação do exercício de um cargo com os 
proventos da aposentadoria de outro, também será possível o 
recebimento de proventos de duas aposentadorias à conta do 
regime próprio: 
CF, art. 40, § 6º Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos 
cargos acumuláveis na forma desta Constituição, é vedada a 
percepção de mais de uma aposentadoria à conta do regime de 
previdência previsto neste artigo. 
 
Acumulação ilegal 
Lei 8.112/1990, art. 133. Detectada a qualquer tempo a 
acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas, a 
autoridade a que se refere o art. 143 notificará o servidor, por 
intermédio de sua chefia imediata, para apresentar opção no 
prazo improrrogável de dez dias, contados da data da ciência e, 
na hipótese de omissão, adotará procedimento sumário para a sua 
apuração e regularização imediata, cujo processo administrativo 
disciplinar se desenvolverá nas seguintes fases; 
 
Assim, identificada a irregularidade, o servidor poderá optar 
entre um cargo ou outro e, caso não faça tal opção, será 
instaurado procedimento administrativo disciplinar (PAD), com o 
objetivo de promover a demissão do servidor. 
 
 
GREVE SERVIDORES PÚBLICOS 
Embora a Lei nº 7.783/1989 disponha sobre o exercício geral do 
direito de greve, a norma constitucional de extensão aos 
servidores públicos é de eficácia limitada e até hoje não foi 
editada lei específica para o tema. O Supremo Tribunal Federal 
passou a conferir, então, concretude ao texto constitucional e 
determinou a aplicação subsidiária da Lei nº 7.783/1989 (Lei Geral 
de Greve) aos servidores públicos, enquanto inexista a 
regulamentação do artigo 37, VII, da Constituição Federal. 
 
 
 
 
32 
 
Polícia civil 
O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou 
modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os servidores 
públicos que atuem diretamente na área de segurança pública. 
 
Desconto dos dias 
Servidor público em greve recebe descontos na remuneração dos 
dias parados, decide STF. 
 
 
APOSENTADORIA 
 
Aposentadoria voluntária 
No inciso III do §1º, temos a previsão da aposentadoria 
voluntária, que passou a ter os seguintes requisitos de idade (EC 
103/2019): 
CF, art. 40, §1º, III - no âmbito da União, aos 62 (sessenta e dois) 
anos deidade, se mulher, e aos 65 (sessenta e cinco) anos de 
idade, se homem, e, no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e 
dos Municípios, na idade mínima estabelecida mediante emenda 
às respectivas Constituições e Leis Orgânicas, observados o 
tempo de contribuição e os demais requisitos estabelecidos em 
lei complementar do respectivo ente federativo. 
 
Além da idade (definida acima para os servidores federais), 
deverá ser atendido o requisito do tempo mínimo de 
contribuição, que será definido por lei da União. Até que esta lei 
seja editada, o art. 10, §1º, I, ‘b’, da EC 103/2019 previu o tempo 
mínimo de 25 anos de contribuição (além de 10 anos de serviço 
público e 5 anos no cargo em que for concedida a aposentadoria) 
 
Antes da EC 103/2019 
União 
Homem = 65 anos 
Mulher = 60 anos 
Demais entes 
Homem = 65 anos 
Mulher = 60 anos 
Após a EC 103/2019 
União 
Homem = 65 anos 
Mulher = 62 anos 
Demais entes 
Regras a serem definidas por 
cada 
 
 
Aposentadoria especial – professores 
Tratando-se de professor (ensino infantil, fundamental e médio), 
poderá haver a redução em 5 anos nestes requisitos; Professor 
de nível superior não tem aposentadoria especial. 
 
 
33 
 
 
Aposentadoria por incapacidade permanente 
Nesta situação, o servidor sofreu uma limitação em sua 
capacidade física ou mental, tornando-o permanentemente 
incapaz para o trabalho. Em geral, o servidor nesta situação 
passa por uma perícia médica, a qual confirma a situação de 
invalidez do servidor e fundamenta a concessão do benefício. 
CF, art. 40, §1º, I - por incapacidade permanente para o trabalho, 
no cargo em que estiver investido, quando insuscetível de 
readaptação, hipótese em que será obrigatória a realização de 
avaliações periódicas para verificação da continuidade das 
condições que ensejaram a concessão da aposentadoria, na 
forma de lei do respectivo ente federativo; 
 
Aposentadoria compulsória 
A aposentadoria compulsória, chamada carinhosamente de 
“expulsória”, é aquele em que o servidor atinge a idade máxima 
para estar em exercício no serviço público: (servidores e 
empregados) 
CF, art. 40, §1º, II - compulsoriamente, com proventos 
proporcionais ao tempo de contribuição, aos 70 (setenta) anos 
de idade, ou aos 75 (setenta e cinco) anos de idade, na forma de 
lei complementar; (Prevalece 75 anos) 
 
Aplicável: 
titulares de cargos efetivos 
membros de Poder Judiciário, membros do MP, de TC e defensores 
públicos 
empregados públicos 
 
Não aplicável: 
titulares de cargos em comissão 
titulares de serventias extrajudiciais e judiciais não estatizadas 
 
Pensão por morte 
A pensão consiste no benefício devido a familiares do servidor 
falecido. O valor da pensão passou a ser determinado da seguinte 
forma: 
CF, art. 40, § 7º Observado o disposto no § 2º do art. 201, quando 
se tratar da única fonte de renda formal auferida pelo 
dependente, o benefício de pensão por morte será concedido nos 
termos de lei do respectivo ente federativo, a qual tratará de 
forma diferenciada a hipótese de morte dos servidores de que 
trata o § 4º-B [agente penitenciário, agente socioeducativo e 
policial] decorrente de agressão sofrida no exercício ou em razão 
da função. 
34 
 
 
MANDATO ELETIVO 
Servidor eleito para mandato político 
REGRA GERAL 
Servidor deve ser afastado do seu cargo anterior recebe a 
remuneração do cargo eletivo; 
Cargos de Prefeito e Vice-Prefeito 
Servidor deve ser afastado do seu cargo pode optar pela 
remuneração de Prefeito ou do cargo afastado; 
Cargo de Vereador COM compatibilidade de horários 
Acumula os 2 cargos e ambas remunerações (não se afasta); 
Cargo de Vereador SEM compatibilidade de horários 
Afastado do seu cargo, mas pode optar pela remuneração 
(mesma regra do prefeito); 
 
PERMANÊNCIA NO CARGO – POSSE PRECÁRIA – TEORIA DO FATO 
CONSUMADO 
"O STJ e o STF sedimentaram o entendimento de que é inaplicável 
a teoria do fato consumado quando a posse e a manutenção no 
cargo público ocorrem em virtude de provimento judicial de 
natureza precária. (não definitiva) 
 
 
CLÁUSULA DE BARREIRA – CONCURSO 
A cláusula de barreira é uma restrição estabelecida pela 
administração pública no concurso, exigindo que mesmo os 
candidatos que atendem aos critérios especificados no edital, 
tenham que ultrapassá-la para avançar para as próximas etapas 
do concurso. 
 
Devido a essa cláusula, os candidatos que alcançaram uma 
pontuação mínima de 50% em cada módulo do concurso são 
considerados aptos, porém, por não terem ultrapassado a 
barreira estabelecida, que limita o número de candidatos para a 
próxima fase de acordo com as vagas disponíveis, eles não são 
convocados para as etapas seguintes. 
 
 
 
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR 
 
PODE ABRIR PAD COM DENÚNCIA ANÔNIMA? 
"Desde que devidamente motivada e com amparo em 
investigação ou sindicância, é permitida a instauração de 
processo administrativo disciplinar com base em denúncia 
anônima, em face do poder-dever de autotutela imposto à 
35 
 
Administração". (STJ. 1ª Seção. Aprovada em 09/05/2018, DJe 
14/05/2018). 
De acordo com a Súmula 611, editada pela Primeira Seção em 
2018, é permitida a instauração do processo com base em 
denúncia anônima, desde que devidamente motivada e com 
amparo em investigação ou sindicância. 
 
NOTÍCIAS ANÔNIMAS / APÓCRIFAS 
As notícias anônimas ("denúncias apócrifas") não autorizam, por 
si sós, a propositura de ação penal ou mesmo, na fase de 
investigação preliminar, o emprego de métodos invasivos de 
investigação, como interceptação telefônica ou busca e 
apreensão. 
 
E-MAIL CORPORATIVO DE SERVIDOR PÚBLICO 
As informações obtidas por monitoramento de e-mail 
corporativo de servidor público não configuram prova ilícita 
quando relacionadas com aspectos "não pessoais" e de interesse 
da Administração Pública e da própria coletividade, 
especialmente quando exista, nas disposições normativas acerca 
do seu uso, expressa menção da sua destinação somente para 
assuntos e matérias afetas ao serviço, bem como advertência 
sobre monitoramento e acesso ao conteúdo das comunicações 
dos usuários para cumprir disposições legais ou instruir 
procedimento administrativo. 
 
UTILIZAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA 
Essa prova pode constar tanto de outro procedimento disciplinar 
(Sindicância ou Processo Administrativo Disciplinar) como pode 
ter sido produzida em qualquer outro tipo de processo 
administrativo, assim como em processo que tramita no âmbito 
do Poder Judiciário. Não importa o tipo do processo, tendo 
ciência da existência dessa prova, a comissão ou o acusado 
pode vir a se interessar pelo seu conteúdo, porque é de interesse 
para elucidação dos fatos investigados. 
 
EXCESSO DE PRAZO PARA CONCLUSÃO 
O excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo 
disciplinar não gera, por si só, qualquer nulidade no feito, desde 
que não haja prejuízo para o acusado. Isso porque não se 
configura nulidade sem prejuízo (pas de nulité sans grief). 
 
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA 
A resposta é positiva. Diante de condutas com reduzido potencial 
ofensivo e preenchidos os requisitos exigidos pelo princípio da 
36 
 
insignificância, a Administração Pública pode deixar de aplicar 
uma penalidade ao servidor público. 
Inaplicabilidade do princípio da insignificância no caso de 
infração disciplinar que gere demissão 
 
 
REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL DE MATO GROSSO DO 
SUL 
 
CARÁTER E CONTRIBUINTES 
O RPPS/MS tem caráter contributivo e solidário e será mantido 
por meio da contribuição do Ente, dos servidores efetivos ativos, 
dos aposentados e dos pensionistas dos Poderes Executivo, 
incluídos os das Autarquias e das Fundações, e Legislativo, além 
dos membros e dos servidores efetivos ativos, aposentados e 
pensionistas do Poder Judiciário, do Ministério Público, do 
Tribunal de Contas e da DefensoriaPública, nos termos dos 
incisos I, II e III do caput do art. 31-B da Constituição Estadual. 
 
CONTRIBUINTES SUBSIDIÁRIOS 
Os órgãos e entidades contribuirão, subsidiariamente, para a 
manutenção do MSPREV, visando a preservar seu equilíbrio 
financeiro e atuarial, nos termos dos artigos 40 e 249 da 
Constituição Federal. 
 
PRINCÍPIOS 
O MSPREV rege-se pelos seguintes princípios: 
I - caráter contributivo e solidário, atendidos critérios que lhe 
preservem o equilíbrio financeiro e atuarial; 
II - universalidade de participação nos planos previdenciários; 
III - irredutibilidade do valor dos benefícios, salvo por erro de 
fixação; 
IV - vedação à criação, majoração ou extensão de qualquer 
benefício sem a correspondente fonte de custeio total; 
V - manutenção dos benefícios de aposentadoria ou pensão em 
valor mensal não inferior ao salário-mínimo nacional; 
VI - promoção da gestão do sistema com a participação de 
órgãos e entidades contribuintes e dos beneficiários, de forma 
colegiada; 
VII - subordinação das aplicações de reservas, fundos e provisões 
a critérios atuariais em função da natureza dos benefícios. 
 
PERMANÊNCIA DE AFILIADOS 
Art. 6º Permanece filiado ao MSPREV, na qualidade de segurado, 
o servidor titular de cargo efetivo que estiver: 
37 
 
I - cedido a órgão ou entidade da administração direta e indireta 
de outro ente federativo, com ou sem ônus para o Estado; 
II - afastado ou licenciado, observado o disposto no § 3° do art. 
28; 
III - afastado do cargo efetivo para o exercício de mandato 
eletivo; 
IV - afastado por cessão ou licenciamento com remuneração. 
Art. 7º O servidor requisitado da União, de outro Estado, do 
Distrito Federal ou de Município permanece filiado ao regime 
previdenciário de origem. 
 
SEGURADOS 
Art. 8º São segurados do MSPREV: 
I - os servidores efetivos ativos do Poder Executivo, incluídos os 
das Autarquias e das Fundações; 
II - os servidores dos Poderes Legislativo e Judiciário, do 
Ministério Público, do Tribunal de Contas e da Defensoria Pública; 
III - os membros da Magistratura, do Ministério Público, do 
Tribunal de Contas, do Ministério Público Especial e da Defensoria 
Pública; 
IV - os servidores estáveis, na forma do art. 19 do Ato das 
Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição 
Federal; 
V - os admitidos até 5 de outubro de 1988 que não atendiam, 
nessa data, aos requisitos para a estabilidade excepcional no 
serviço público; 
VI - os aposentados e os servidores em disponibilidade. 
 
NÃO SEGURADOS 
§ 1º Não se inclui na condição de segurado do MSPREV o servidor 
ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em 
lei de livre nomeação e exoneração, de cargo eletivo, bem como 
de outro cargo temporário ou emprego público. 
 
PERDA DA CONDIÇÃO DE SEGURADO 
Art. 9º A perda da condição de segurado do MSPREV ocorrerá nas 
hipóteses de: 
I - morte, exoneração ou demissão; 
II - afastamento ou licenciamento sem subsídio ou remuneração 
do Estado, atendidos os prazos previstos em lei. 
 
 
 
 
 
 
38 
 
INSCRIÇÃO 
 
Suspensão da qualidade de segurado 
Art. 11. Suspende-se a qualidade de segurado até a: 
I - quitação, a inscrição e o direito ao benefício do segurado que 
deixar de contribuir para o MSPREV por mais de três meses 
consecutivos ou seis meses intercalados; 
II - regularização, o pagamento do benefício do aposentado ou 
pensionista que não atualizar o seu cadastro ou que não se 
submeter ao recenseamento previdenciário. 
 
Parágrafo único. Ocorrendo o óbito do segurado cujos direitos 
estiverem suspensos, por período de até doze meses, os 
benefícios devidos aos seus dependentes serão deferidos, desde 
que requeridos na forma e nos prazos estabelecidos em 
regulamento, após o recolhimento das quantias em atraso, 
atualizadas monetariamente e acrescidas de juros de mora. 
 
Cancelamento da inscrição 
Art. 12. É cancelada a inscrição do segurado que perder a 
condição de servidor público efetivo (...) 
 
INSCRIÇÃO DE DEPENDENTES 
Art. 16. Incumbe ao segurado a inscrição de dependente no 
MSPREV. 
§ 1º A inscrição como beneficiário do regime de previdência social 
é pré-requisito para a percepção de qualquer benefício. 
 
DEPENDENTES 
Dos dependentes preferenciais: 
a) cônjuge e filhos; 
b) companheira ou companheiro; 
c) equiparado a filho: certidão judicial de tutela quanto ao menor 
tutelado; 
Pais 
Irmãos 
§ 1º Os segurados que têm dependentes definidos nos incisos IV 
e V do art. 13 desta Lei estão obrigados a declarar a dependência 
econômica. 
IV - os pais, desde que comprovem a dependência econômica em 
relação ao segurado, existente na data do óbito do instituidor 
da pensão por morte; 
V - o(a) irmão(ã) não emancipado, de qualquer condição, menor 
de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou que tenha deficiência 
intelectual, mental ou grave. 
 
39 
 
NÃO INCLUI NA REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO 
Art. 21. Não se incluem na remuneração de contribuição dos 
servidores efetivos ativos dos Poderes Executivo, incluídos os 
das Autarquias e das Fundações, e Legislativo, e dos membros e 
dos servidores efetivos ativos do Poder Judiciário, do Ministério 
Público, do Tribunal de Contas e da Defensoria Pública, as 
vantagens pecuniárias temporárias previstas em lei, em especial: 
I - as gratificações pelo exercício de cargo em comissão ou de 
função de confiança; 
II - o adicional ou abono de férias; 
III - as diárias, a ajuda de custo e parcelas de caráter 
indenizatório; 
IV - o salário-família; 
V - os auxílios financeiros diversos; 
VI - as gratificações temporárias ou por trabalhos 
extraordinários; 
VII - as gratificações pelo trabalho em horário noturno, por difícil 
acesso ou provimento e quaisquer outras vinculadas às 
condições e/ou locais de trabalho; 
VIII - o abono de permanência. 
 
PERCENTUAL DE CONTRIBUIÇÃO 
SERVIDORES ATIVOS E INATIVOS – 14% 
ENTES – 25% sobre a soma dos subsídios e das remunerações 
mensais de seus segurados ativos do RPPS/MS e proventos de 
pensão. 
 
BENEFÍCIOS 
a) aposentadoria por incapacidade permanente para o trabalho; 
b) aposentadoria voluntária; 
d) aposentadoria compulsória; 
f) gratificação natalina; 
g) auxílio-doença; 
 
II - quanto ao dependente: 
a) pensão por morte do segurado; 
b) pensão por desaparecimento ou ausência do segurado; 
d) gratificação natalina. 
 
B 
APOSENTADORIA 
DA APOSENTADORIA POR INCAPACIDADE PERMANENTE PARA O 
TRABALHO 
Art. 35. A aposentadoria por incapacidade permanente para o 
trabalho é devida ao segurado que for considerado, mediante 
perícia oficial em saúde, incapaz definitivamente para o 
40 
 
exercício de seu cargo e insusceptível de reabilitação ou de 
readaptação para o exercício de outro cargo, hipótese em que 
será obrigatória a realização de avaliação médico-pericial a ser 
efetuada, no máximo, a cada 2 (dois) anos, para a verificação da 
continuidade das condições que ensejaram a concessão da 
aposentadoria. 
 
Alguns equiparados a acidente em serviço 
a) ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por 
terceiro ou companheiro de serviço; 
b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de 
disputa relacionada ao serviço; 
c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro 
ou de 
companheiro de serviço; 
d) ato de pessoa privada do uso da razão; 
e) desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou 
decorrentes de força maior; 
 
DA APOSENTADORIA COMPULSÓRIA 
Art. 40. O segurado será aposentado compulsoriamente aos 
setenta e cinco anos de idade, com proventos proporcionais ao 
tempo de contribuição, calculados na forma estabelecida no art. 
76-A desta Lei, não podendo ser inferiores ao valor do salário-
mínimo; 
 
DA APOSENTADORIA VOLUNTÁRIA 
Art. 41-A. O servidor fará jus à aposentadoria voluntária por 
idade com proventos proporcionais ao tempo de contribuição e

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