Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

METODOLOGIA DO 
ESPORTE ADAPTADO
Prof.ª Ana Karollyne Silva
História do corpo 
deficiente
• O corpo é a casa que carrega a subjetividade de cada ser e o
liga ao mundo, sendo uma condição essencial para a existência
humana, quanto por reconhecer que a representatividade
cultural sobre o mesmo é transcendental e contém valores,
crenças, histórias e expectativas inúmeras, sendo meritório ser
explorado, fato que o tem evidenciado em muitas estirpes do
conhecimento científico com o passar dos anos (Ramos; Soares,
2020).
História do corpo 
deficiente
• O corpo humano causa admiração, indagação e reflexão acerca
de suas características, formação, capacidade de transformação
e funcionamento. O olhar sobre as propriedades do mesmo e a
tentativa de compreendê-lo em sua existência holística é
motivo de discussões e analogias eclodidas desde primórdios.
História do corpo 
deficiente
• Conforme a cronologia apontada por Silva (1986) passando
pelos períodos da pré-história, da história antiga (entre
egípcios, hebreus, gregos e romanos), do cristianismo, do
império bizantino, da idade média, da história moderna e por
fim da era contemporânea, o sujeito com deficiência foi vítima
de extermínio, exclusão, segregação, integração até enfim ser
defendido por políticas de inclusão.
História do corpo 
deficiente
• Historicamente, a origem da participação de pessoas
deficientes que apresentam diferentes e peculiares condições
para a prática das atividades físicas ocorreu em programas
denominados de ginástica médica, na China, cerca de 3 mil
anos a.C. (Gorgatti; Costa, 2005).
História do corpo 
deficiente
• Em períodos rudimentares, onde o homem primitivo, com o
estilo de vida nômade e que sequer possuía organização da
escrita, os antropólogos, arqueólogos e profissionais afins,
identificam como uma incógnita a existência e/ou
sobrevivência de pessoas com deficiência, em razão de não
acharem registros precisos acerca, ficando difícil inferir quais
concepções culturais de aceitação ou rejeição pairavam sobre
indivíduos nascidos com deficiências (Ramos; Soares, 2020).
História do corpo 
deficiente
• No período pré-histórico, a sociedade primitiva dependia do
que a natureza podia lhes oferecer, necessitando assim
deslocar-se constantemente. “[...] em função desta prática,
abandonavam aqueles que não pudessem mover-se com
agilidade ou que tivessem alguma diferença que impedisse sua
mudança de um lugar para outro com agilidade” (BIanchetti,
1998 apud Pee, 2006, p. 20).
História do corpo 
deficiente
• Habilidades careciam de pessoas sãs para as manipulações de
cada função, ou seja, as atribuições corporais de um preparo
físico resistente e coordenação motora precisa, por isso, infere-
se que desde então aqueles que desviavam-se deste nível de
serventia eram tidos como empecilhos à produtividade da
coletividade (Silva, 1986).
História do corpo 
deficiente
• Na Grécia Antiga, duas pólis chamavam atenção pela sua
filosofia da época: uma era Atenas que, conforme
pesquisadores renomados por fazerem um resgate histórico de
PcD’s, como Aranha (1995), Fonseca (1995) e Pessoti (1984), se
após o nascimento, fosse constatado no neonato alguma
deformidade física, cabia ao progenitor cometer o infanticídio,
sem que isso causasse rejeições sociais de cunho moral no ato
da execução.
História do corpo 
deficiente
• Em Atenas, além da preocupação com a perfeição do corpo, a
sociedade era voltada para o intelecto e a contemplação do
corpo, marginalizando as crianças com deficiência.
História do corpo 
deficiente
• Outra pólis era Esparta que em símile ação de rejeição, desde
cedo permitia que as crianças de sexo masculino fossem
separadas para atividades bélicas e as meninas aos afazeres
domésticos completos, imperando a imposição de cidadãos
saudáveis, portanto, a morte deliberada de bebês atestados
como deficientes pela hierarquia local não era desobedecida,
(Fonseca, 1995).
História do corpo 
deficiente
• Em Esparta, a educação era voltada para a formação militar.
Praticavam a ginástica, a dança, os jogos e as lutas como forma
de preparo físico necessária para defender a pátria.
História do corpo 
deficiente
• Em Roma, mediante investigações de Pessoti (1984) as ações
excludentes para com os nascidos deficientes eram tidas como
naturais, em torno da antiguidade, porém, um detalhe chamava
atenção na modificação desta matança da deficiência, porque
alguns filhos de nobres passaram a ter sua vida respeitada,
todavia, os que nasciam na corja da pobreza eram destinados
ao mercado de aberrações onde eram comercializados para que
fossem expostos com seus corpos anômalos, prática comum
nos famosos circos de “horrores”.
História do corpo 
deficiente
• Amaral (1995, p. 43) nos relata que:
Quanto ao universo greco-romano, sabe-se que as pessoas
desviantes/diferentes/deficientes tinham, conforme o momento
histórico e os valores vigentes, seu destino selado de forma
inexorável: ora eram mortas, assim que percebidas como
deficientes, ora eram simplesmente abandonadas à "sua sorte",
numa prática então eufemisticamente chamada de "exposição".
História do corpo 
deficiente
• Nas sociedades grega e romana, já se encontravam a
preocupação e a supervalorização do corpo, perfeito, saudável e
forte, pois gregos e romanos se dedicavam, quase que
exclusivamente, às guerras com o intuito de conquistar
territórios e escravos. É deste período a realização dos Jogos
Olímpicos Antigos.
História do corpo 
deficiente
• Ainda em Roma, “deficientes mentais, em geral tratados como
‘bobos’ e eram mantidos nas vilas ou nas propriedades das
abastadas patrícias, como protegidos da parte familiar”
(Bianchetti, 1998 apud Pee, 2006, p.27).
História do corpo 
deficiente
• Amaral (1995) encontrou no Antigo Testamento referência à
deficiência enquanto forma de castigo.
História do corpo 
deficiente
• Na visão de Carmo (1991), fosse por necessidade de
sobrevivência e superstição, algumas tribos ignoravam,
assassinavam ou abandonavam as crianças, adultos e velhos
com deficiências e doenças. A vida nômade lhes obrigava essa
atitude. Outras tribos acreditavam em feitiçaria, maus e bons
espíritos e por respeito e/ou medo não atentavam contra seus
diferentes.
História do corpo 
deficiente
• Na Idade Média, com o advento do Cristianismo, a igreja
católica detinha o monopólio do conhecimento. Segundo Zoboli
e Barreto (2006, p. 72), "Santo Agostinho, São Tomás de Aquino
e São Paulo cristianizaram a visão de cisão corpo/mente
pregadas pelos filósofos da Antiguidade: Platão e Aristóteles.
Essa cristianização relacionou a alma a Deus e o corpo à esfera
do demônio". Corpos marcados pela deficiência eram vistos
como manchados pelo demônio, vindos à vida por conta de
carmas e culpas de seus pais ou familiares.
História do corpo 
deficiente
• No decorrer da Idade Média, as PD deixaram de ser
exterminadas passando a ser excluídas do convívio social;
prática decorrente da ascensão do Cristianismo em que as
pessoas eram guardadas em casas, vales, porões, período
marcado pela segregação. Percebe-se aqui a tentativa de salvar
em detrimento da eliminação através da morte.
História do corpo 
deficiente
• Em relação à educação sistematizada das pessoas com
deficiências que ocorreu no Renascimento, inicialmente não
atingiu as camadas populares, restringindo-se apenas às
classes burguesas, deixando-os assim sem nenhuma
assistência educacional. A preocupação destas camadas
desfavorecidas contribuiu para o surgimento na metade do
século XVIII das primeiras instituições para surdos (1760) e
cegos (1784).
História do corpo 
deficiente
• A intenção inicial destas instituições era dar oportunidades
educacionais a todos. Com o passar do tempo foi perdendo seu
caráter educativo e pessoas menos favorecidas foram
obrigadas ao internamento sendo isoladas e encaminhadas e
destinadas ao “[...] trabalho forçado, manual e tedioso,
parcamente remunerado, quando não em troca de um lugar no
maravilhoso espaço do asilo-escola-oficina” (Bueno,1993 apud
Pee, 2006, p. 47).
História do corpo 
deficiente
• Mas, foi a Primeira Guerra Mundial que exerceu fator essencial
no uso de exercícios terapêuticos e atividades recreativas que
auxiliavam na restauração da função (Adams, 1985).
História do corpo 
deficiente
• Após a Segunda Guerra Mundial, aumentou o uso de exercícios
terapêuticos em hospitais para a força e função muscular.
• Os programas de EF entre as décadas de 1930 e de 1950
consistiam de aulas regulares ou corretivas para alunos que
hoje seriam considerados "normais".
História do corpo 
deficiente
• No final do século XIX até a década de 1930, de acordo com
Mazzotta (2003), os programas de atividade física começaram a
passar de treinamento físico com orientação médica para
Educação Física (EF) voltada ao esporte, e surgiu a preocupação
com a criança como um todo.
História do corpo 
deficiente
• Após a Segunda Grande Guerra Mundial aconteceram algumas
atitudes positivas em relação às PD. Iniciam-se em hospitais,
primeiramente, programas de reabilitação dirigidos aos
lesionados das Guerras como possibilidade para reintegrá-los
ao mundo.
História do corpo 
deficiente
• As atividades físicas para deficientes iniciaram com o intuito de
reabilitar jovens lesionados nas batalhas e foram introduzidas
pelo médico (neurologista e neurocirurgião) Ludwig Guttman,
que acreditava ser parte essencial do tratamento médico para
recuperação das incapacidades e integração social.
História do corpo 
deficiente
Percebe-se que as PD foram, ao longo da história,
perseguidas, execradas, separadas do convívio social, por
apresentarem diferenças em seus corpos e em suas atitudes
e, por considerar os seres humanos como corpos "[...] não
podemos negar a presença de corpos que, em sua estrutura
biológica, se apresentam incompletos, aqueles que desde o
início da história da humanidade até os dias atuais são
denominados de deficientes" (Gaio; Porto, 2006, p.12).
Conceito do corpo 
deficiente
• As diferenças corporais, causadas por lesões ou não, são
expressões da diversidade humana.
• Entretanto, o corpo marcado por características não
reconhecidas como “normais” despertam a curiosidade
resultante de uma rejeição ou indiferença social. Essas atitudes
são pautadas nos parâmetros de normalidade e anormalidade,
formulados e reformulados pela cultura.
Conceito do corpo 
deficiente
• Gaio e Porto (2006 p. 14) relatam que:
[...] ser, sendo diferente na perspectiva da diversidade humana, em
todos os diversos e possíveis espaços de vivência e convivência
social. As diferenças, hoje, devem ser encaradas como positivas e
de fundamental importância na construção da identidade social
dos seres humanos, pois é fator muito significativo para uma vida
de respeito, aceitação, acolhimento, companheirismo,
solidariedade e reconhecimento.
Conceito do corpo 
deficiente
• As diferenças entre os corpos devem ser consideradas como
possibilidades de troca de experiências e de aprendizagem,
pois o fato deve residir na PD ser um corpo e não ter um corpo.
Conceito do corpo 
deficiente
• Porto (2005, p. 38-39) observa que "ser corpo deficiente não
significa ser corpo ausente: ser corpo deficiente é ser corpo
como outro qualquer... antes de ser corpo deficiente, ele é
corpo e está presente no mundo".
Conceito do corpo 
deficiente
• Porto e Moreira (2006a, p. 27) ao refletirem sobre a
corporeidade das PD afirmam: "os corpos, ao se permitirem
viver os sonhos, as ousadias, os riscos e as incertezas, estão se
expondo para viver a sua existencialidade, nas relações consigo,
com o outro e com o mundo, aceitando a complexidade dessas
relações".
REFERÊNCIAS
• AMARAL, L. A. (1995). A Hidra de Lerna. Deficiência: uma fragmentação de
conceitos em percurso acidentado. In Amaral, L. A. [Autor], Conhecendo a
deficiência (em companhia de Hércules). São Paulo: Robe Editorial.
• FONSECA, Vitor da. Educação Especial: programa de estimulação precoce
– uma introdução as idéias de Fuerstein. 2.ed. Porto Alegre: Artes Médicas,
1995.
• PESSOTI, Isaías. Deficiência mental: da superstição à ciência. São Paulo:
Universidade de São Paulo, 1984.
• RAMOS; E. S; SOARES, A. A. Corpo, deficiência física e implicações
históricas: da exclusão à inclusão. 2020.
• SILVA, Otto. M. da. A Epopéia Ignorada: a pessoa deficiente na história do
mundo de ontem e de hoje. São Paulo: CEDAS, 1986.
	Slide 1
	Slide 2
	Slide 3
	Slide 4
	Slide 5
	Slide 6
	Slide 7
	Slide 8
	Slide 9
	Slide 10
	Slide 11
	Slide 12
	Slide 13
	Slide 14
	Slide 15
	Slide 16
	Slide 17
	Slide 18
	Slide 19
	Slide 20
	Slide 21
	Slide 22
	Slide 23
	Slide 24
	Slide 25
	Slide 26
	Slide 27
	Slide 28
	Slide 29
	Slide 30
	Slide 31
	Slide 32
	Slide 33
	Slide 34
	Slide 35

Mais conteúdos dessa disciplina