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TUTOR IA 1.3 
 
1- CARACTERIZ AR DO R TO RÁCICA N ÃO TRAUMÁT ICA 
AG UDA , DESCREVEN DO SEUS TIP OS, ETIOLOG IA, 
FISIOP ATOLOG IA , MAN IFESTAÇÕES CLÍN ICAS, SIN AIS DE 
ALERTA, CRITÉ RI OS DIAG N ÓSTICOS, DIAG N ÓSTIC O 
DIFEREN CIAL, EX AMES COMP LEMEN TARES E TRATAMEN TO 
FARMACOLÓG IC O E N ÃO FARMACOLÓG ICO. 
Dor torácica não traumática aguda é a dor ou desconforto de início súbito na 
região anterior ou posterior do tórax, sem relação com trauma, podendo ter 
origem cardíaca ou não cardíaca; sua avaliação deve ser rápida para excluir 
causas graves, especialmente isquemia miocárdica, sendo frequentemente 
classificada conforme a característica anginosa da dor e a probabilidade de 
Síndrome Coronariana Aguda. 
 
 
ETIOLOGIA 
A dor torácica não traumática aguda pode ter múltiplas causas, sendo 
fundamental agrupá-las conforme o sistema envolvido para orientar o 
raciocínio clínico. 
A. Cardiovasculares: Incluem condições potencialmente fatais e de maior 
prioridade na emergência, como a Síndrome Coronariana Aguda, resultante 
de obstrução súbita das artérias coronárias; angina estável descompensada, 
quando há piora do padrão habitual da dor; dissecção aguda de aorta, 
caracterizada por ruptura da camada íntima do vaso; pericardite e miocardite, 
relacionadas a processos inflamatórios do pericárdio e do miocárdio; e 
tamponamento cardíaco, no qual o acúmulo de líquido no pericárdio 
compromete o enchimento cardíaco. 
B. Pulmonares: Decorrem de alterações no parênquima pulmonar ou na 
circulação pulmonar, como o tromboembolismo pulmonar, causado por 
obstrução de artéria pulmonar; pneumonia, por processo infeccioso; 
pneumotórax, pelo acúmulo de ar na cavidade pleural; e pleurite, inflamação 
da pleura que gera dor tipicamente ventilatório-dependente. 
C. Gastrointestinais: Estão relacionadas a distúrbios do trato digestivo 
superior, como a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), que provoca 
dor em queimação retroesternal; espasmo esofágico, que pode simular dor 
cardíaca; úlcera péptica, associada à dor epigástrica irradiada; e pancreatite, 
que pode causar dor intensa irradiada para dorso. 
D. Musculoesqueléticas: Envolvem estruturas da parede torácica, como na 
costocondrite (inflamação das articulações costocondrais), síndrome 
miofascial (dor muscular com pontos gatilho) e contraturas musculares, 
geralmente com dor localizada e reprodutível à palpação ou movimento. 
E. Psicogênicas: Relacionadas a transtornos emocionais, como crise de 
ansiedade e síndrome do pânico, nas quais a dor torácica pode estar associada 
a hiperventilação, taquicardia, sensação de falta de ar e medo intenso, sem 
causa orgânica inidentificável. 
 
PERICARDITE 
O coração apresenta três camadas principais, endocárdio é camada mais 
interna que reveste as cavidades cardíacas. Miocárdio camada intermediária 
formada por músculo cardíaco responsável pela contração do 
coração. Pericárdio camada mais externa que envolve e protege o coração, 
dividida em camada visceral, aderida ao coração, e camada parietal, mais 
externa. Entre elas existe um pequeno espaço com líquido que permite o 
deslizamento durante os batimentos cardíacos. 
 
 
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ETIOLOGIA 
Refere-se às diferentes causas que podem levar à inflamação do pericárdio, 
a membrana que envolve o coração. Essa inflamação pode ocorrer por 
diversos fatores, incluindo infecções, doenças autoimunes, alterações 
metabólicas, trauma, uso de alguns medicamentos ou após lesões cardíacas. 
Em muitos casos, porém, a causa exata não é identificada, sendo então 
classificada como pericardite idiopática. 
 
TUTOR IA 1.3 
 
➡️ Classificação quanto ao tempo de evolução 
• Pericardite aguda: ocorre quando a inflamação surge de forma 
súbita e dura até cerca de 4 a 6 semanas. Geralmente provoca dor 
torácica, febre e alterações no eletrocardiograma. 
• Pericardite subaguda: é a forma em que os sintomas 
permanecem por mais tempo, normalmente entre 6 semanas e 3 
meses. 
• Pericardite crônica: acontece quando a inflamação persiste por 
mais de 3 meses. Pode levar a alterações estruturais do pericárdio, 
como espessamento e perda da elasticidade. 
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FISIOPATOLOGIA 
Na Pericardite ocorre inflamação do pericárdio, membrana que envolve o 
coração e é formada por duas camadas: a visceral, aderida ao coração, e a 
parietal, mais externa. Durante o processo inflamatório, o organismo libera 
mediadores inflamatórios, como prostaglandinas e citocinas, que aumentam 
a permeabilidade dos vasos sanguíneos. Isso permite a saída de líquido, 
células de defesa e proteínas para o espaço entre as duas camadas do 
pericárdio, formando um exsudato inflamatório (líquido rico em proteínas 
e células inflamatórias). 
 
Esse acúmulo de exsudato e de proteínas como a fibrina provoca edema e 
torna as superfícies do pericárdio mais espessas e irregulares. Em condições 
normais, as duas camadas deslizam suavemente durante os batimentos 
cardíacos. Porém, quando estão inflamadas, tornam-se ásperas e passam a se 
friccionar durante o movimento do coração. 
Essa fricção estimula terminações nervosas ligadas ao nervo frênico, 
responsável por parte da sensibilidade do pericárdio, do diafragma e de 
regiões do tórax. Como resultado, surge a dor típica da pericardite, 
geralmente em pontada na região torácica, que piora com respiração 
profunda, tosse ou ao deitar-se, pois essas situações aumentam o contato 
entre as camadas inflamadas. A dor costuma melhorar quando o paciente se 
inclina para frente, posição que reduz o atrito entre essas estruturas. 
Podendo ser classificada quanto a inflamação em: 
• Fibrinosa: ocorre quando há deposição de fibrina (proteína 
envolvida na coagulação) entre as camadas do pericárdio. Esse 
material torna as superfícies irregulares e aumenta o atrito durante 
os batimentos, sendo comum nas formas agudas. 
• Serosa: caracteriza-se pelo acúmulo de líquido inflamatório claro 
na cavidade pericárdica, geralmente associado a processos 
inflamatórios de menor intensidade ou de origem viral e 
sistêmica. 
• Purulenta: acontece quando há infecção bacteriana com 
formação de pus no espaço pericárdico. É uma forma grave, com 
intensa resposta inflamatória e maior risco de complicações. 
• Hemorrágica: ocorre quando há presença de sangue na cavidade 
pericárdica, podendo estar relacionada a neoplasias, tuberculose, 
trauma ou complicações após infarto do miocárdio. 
• Constrictiva: desenvolve-se quando o pericárdio sofre 
espessamento e fibrose (formação de tecido rígido), tornando-se 
menos elástico. Essa rigidez impede o enchimento adequado do 
coração durante a diástole, comprometendo a função cardíaca. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1.2 - DISCUTIR SIN AIS DE ALERTA, CRITÉRIOS 
DIAG N ÓSTICO, DIAG N ÓSTI CO DIFEREN CIAL, EX AMES 
COMP LEMEN TARES, TRATAMEN TO FARMACOL ÓG ICO E 
N ÃO FARMACOLÓG ICO. 
Na dor torácica não traumática aguda, são considerados sinais de alerta (red 
flags) aqueles que indicam risco imediato de condição grave e 
potencialmente fatal: 
• Dor em pressão, aperto ou esmagamento no centro do peito, 
com duração maior que 20 minutos, principalmente em 
repouso: sugere isquemia miocárdica importante, podendo 
indicar Síndrome Coronariana Aguda (redução súbita do fluxo 
sanguíneo nas artérias do coração). 
• Dor súbita, muito intensa, descrita como “em rasgo” ou “em 
facada”, irradiando para as costas: levanta forte suspeita de 
dissecção de aorta (quando ocorre ruptura da camada interna da 
principal artéria do corpo). 
• Falta de ar intensa associada à dor: pode indicar 
comprometimento grave do coração (como insuficiência cardíaca 
aguda) ou dos pulmões (como tromboembolismo pulmonar, que 
é a obstrução de artéria pulmonar por coágulo). 
• Sudorese fria junto com dor intensa: representa ativação do 
sistema nervoso simpático em resposta a estresse cardiovascular 
agudo, sendo comum em infarto ou dissecção. 
• Desmaio (síncope) ou sensaçãoiminente de perda de 
consciência: pode indicar queda abrupta do débito cardíaco 
(quantidade de sangue bombeada pelo coração por minuto), 
ocorrendo em arritmias graves, infarto extenso, dissecção de aorta 
ou embolia pulmonar maciça. 
• Sinais de instabilidade circulatória, como pressão arterial 
baixa, batimentos muito acelerados ou queda da saturação de 
oxigênio: indicam comprometimento hemodinâmico e 
necessidade de atendimento imediato. 
A presença de qualquer um desses sinais exige avaliação urgente, pois pode 
representar risco iminente à vida. 
COMPLICAÇÕES DA PERICARDITE 
Derrame Pericárdico: ocorre quando há acúmulo anormal de 
líquido no espaço entre as duas camadas do pericárdio em 
consequência do processo inflamatório da pericardite. Esse líquido 
pode se acumular de forma lenta ou progressiva e, dependendo da 
quantidade, aumenta a pressão ao redor do coração. Nos estágios 
iniciais pode não causar sintomas, mas quando o volume cresce pode 
provocar dor torácica, falta de ar e dificuldade para o coração se 
expandir adequadamente durante o enchimento. 
Tamponamento Cardíaco: é uma complicação grave em que o 
acúmulo de líquido no espaço pericárdico comprime o coração e 
dificulta o enchimento das câmaras cardíacas. Isso reduz o débito 
cardíaco e pode levar à queda da pressão arterial e instabilidade 
circulatória. Um sinal clássico é a Tríade de Beck, formada por 
hipotensão, turgência das veias jugulares (dilatação ou “inchaço” 
visível das veias do pescoço devido ao acúmulo de sangue no sistema 
venoso) e bulhas cardíacas abafadas na ausculta. 
Pericardite Constritiva: é uma complicação crônica em que a 
inflamação prolongada leva ao espessamento e à fibrose do 
pericárdio. Com isso, o pericárdio perde sua elasticidade e se torna 
rígido, limitando o enchimento do coração durante o ciclo cardíaco. 
Essa limitação pode provocar sintomas semelhantes aos da 
insuficiência cardíaca, como cansaço, inchaço nas pernas, aumento 
do abdome por acúmulo de líquido e falta de ar. 
 
 
 
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DIAGNÓSTICO 
Para avaliar a dor torácica e estabelecer o diagnóstico correto, é fundamental 
realizar uma investigação detalhada da dor, considerar os sintomas 
associados, as doenças pré-existentes do paciente e solicitar exames 
complementares quando 
 
 
 
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
Na avaliação da dor torácica não traumática aguda, é fundamental identificar 
se a causa é potencialmente grave ou benigna, já que diferentes órgãos podem 
ser responsáveis pela dor. 
 
A combinação da história clínica detalhada, presença de sinais de alerta e 
exame físico direciona a suspeita inicial e auxilia na escolha de exames 
complementares adequados. 
 
EXAMES COMPLEMENTARES 
Na avaliação da suspeita de Pericardite, os exames complementares são 
fundamentais para confirmar o diagnóstico, identificar sinais de inflamação 
e avaliar possíveis complicações, como acúmulo de líquido ao redor do 
coração. Esses exames também ajudam a diferenciar a pericardite de outras 
causas graves de dor torácica. 
• Eletrocardiograma (ECG): registra a atividade elétrica do coração e 
é um dos primeiros exames que devem ser realizados. Em pacientes com 
dor torácica aguda, deve ser feito em até 10 minutos após a chegada ao 
serviço de saúde. Na pericardite, pode apresentar elevação difusa do 
segmento ST e depressão do segmento PR, alterações relacionadas à 
inflamação do pericárdio. 
• Troponina: exame de sangue utilizado para detectar lesão do músculo 
cardíaco. Na pericardite, pode estar normal ou levemente elevada. 
Quando ocorre elevação mais significativa, pode indicar inflamação 
envolvendo também o músculo cardíaco, situação 
chamada Miopericardite. 
• Marcadores inflamatórios (PCR e VHS): exames laboratoriais que 
indicam a presença de inflamação no organismo. Na pericardite, 
geralmente estão elevados e podem ajudar tanto no diagnóstico quanto 
no acompanhamento da resposta ao tratamento. 
• Ecocardiograma: exame de imagem que permite avaliar a estrutura e 
o funcionamento do coração. É importante para identificar a presença 
de Derrame Pericárdico e verificar se o acúmulo de líquido está 
causando repercussão no enchimento cardíaco. 
• Ressonância magnética (RM) com contraste: considerada o padrão-
ouro para avaliar a inflamação pericárdica e suas complicações. Permite 
identificar espessamento do pericárdio, inflamação ativa, presença e 
extensão de derrame, além de diferenciar pericardite de outras doenças 
cardíacas e miocárdicas. 
Esses exames iniciais fornecem informações rápidas e confiáveis, orientando 
a investigação complementar e permitindo o início precoce do tratamento 
adequado. 
TRATAME NTO 
 
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o tratamento 
da Pericardite deve ser conduzido conforme a etiologia e a resposta clínica, 
sendo dividido em primeira e segunda linha. 
PRIMEIRA LINHA 
Ibuprofeno: anti-inflamatório não esteroide (AINE) utilizado na dose de 
600 a 800 mg a cada 8 horas. Atua inibindo as enzimas ciclooxigenases 
(COX-1 e COX-2), reduzindo a produção de prostaglandinas inflamatórias, 
o que leva à diminuição da dor, febre e inflamação do pericárdio. É indicado 
na maioria dos casos agudos idiopáticos ou virais, devendo ser mantido até 
melhora clínica e laboratorial, com retirada gradual. 
Ácido acetilsalicílico (AAS): AINE com ação anti-inflamatória e 
antiplaquetária, utilizado na dose de 750 a 1.000 mg a cada 8 horas. É 
preferido especialmente na pericardite associada ao infarto agudo do 
miocárdio, pois mantém o benefício cardiovascular. Atua por inibição 
irreversível da COX, reduzindo mediadores inflamatórios. 
Colchicina: agente anti-inflamatório que atua na inibição da polimerização 
de microtúbulos, reduzindo a migração e ativação de neutrófilos e a liberação 
de citocinas inflamatórias. Utilizada na dose de 0,5 mg uma vez ao dia para 
pacientes até 70 kg ou 0,5 mg duas vezes ao dia para pacientes acima de 70 
kg, geralmente por 3 meses no primeiro episódio. Deve ser associada aos 
AINEs para reduzir duração do quadro e risco de recorrência. 
 
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SEGUNDA LINHA 
Prednisona: corticosteroide sistêmico utilizado na dose de 0,2 a 0,5 
mg/kg/dia. Atua suprimindo a resposta imunológica e a produção de 
mediadores inflamatórios. É indicada quando há contraindicação ou falha aos 
AINEs e à colchicina, ou quando a pericardite tem causa autoimune ou 
urêmica. A pericardite urêmica ocorre em pacientes com insuficiência renal 
avançada, devido ao acúmulo de toxinas no sangue que desencadeiam 
inflamação do pericárdio, sendo necessária também otimização ou início de 
diálise. A retirada da prednisona deve ser gradual para evitar recidiva. 
Antibióticos: antimicrobianos indicados exclusivamente na pericardite 
bacteriana (purulenta), escolhidos conforme o agente identificado. Atuam 
eliminando o microrganismo causador da infecção e geralmente precisam ser 
associados à drenagem pericárdica quando há acúmulo significativo de 
líquido. 
 
Fique atento!! 
A prednisona não é usada na fase aguda da pericardite porque, embora reduza 
a inflamação, ela pode enfraquecer a resposta natural do organismo, dificultar 
o acompanhamento da evolução da doença e aumentar a chance de que a 
pericardite volte após o tratamento. Por isso, no início, preferem-se anti-
inflamatórios não esteroides e colchicina, que controlam a dor e a inflamação 
sem causar esses problemas. 
TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO 
 
Repouso físico: recomendado na fase aguda para reduzir o estresse sobre o 
coração e diminuir a demanda metabólica do organismo. Atividades físicas 
intensas devem ser evitadas até desaparecimento dos sintomas e 
normalização dos marcadores inflamatórios. 
Restrição de atividade esportiva: indicada até resolução completa da dor, 
normalização do eletrocardiograma e dos marcadores inflamatórios. Essa 
medida reduz o risco de recorrência da inflamação do pericárdio, 
especialmente em atletas. 
Otimização da diálise: fundamentalquando a inflamação do pericárdio 
ocorre em pacientes com insuficiência renal, situação conhecida 
como Pericardite Urêmica. A adequação da diálise ajuda a remover toxinas 
acumuladas no sangue que estimulam o processo inflamatório. 
 
➡️ Procedimentos cirúrgicos 
Pericardiocentese: procedimento menos invasivo realizado com agulha ou 
cateter para retirar o líquido acumulado ao redor do coração, 
chamado Derrame Pericárdico. É indicado principalmente em situações de 
urgência, como na presença de Tamponamento Cardíaco, pois alivia 
rapidamente a compressão sobre o coração. 
Janela Pericárdica: procedimento cirúrgico em que é feita uma abertura no 
pericárdio para permitir drenagem contínua do líquido. É indicado quando o 
derrame pericárdico é recorrente, persistente ou quando a drenagem simples 
não resolve. 
Pericardiectomia: cirurgia que consiste na remoção parcial ou total do 
pericárdio. É indicada principalmente em casos de Pericardite Constritiva, 
quando o pericárdio se torna espessado e rígido, dificultando o enchimento 
adequado do coração. 
O manejo adequado combina tratamento direcionado à causa, monitorização 
rigorosa e suporte geral, garantindo segurança e prevenindo complicações 
graves. 
2- ESTABELECER O DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DA PERICARDITE, 
CONSIDERANDO AS PRINCIPAIS CONDIÇÕES QUE CURSAM COM 
DOR TORÁCICA E ALTERAÇÕES ELETROCARDIOGRÁFICAS, E 
CORRELACIONANDO OS ACHADOS TÍPICOS DA PERICARDITE — 
COMO ATRITO PERICÁRDICO À AUSCULTA, SUPRADESNIVELAMENTO 
DIFUSO DO SEGMENTO ST NO ELETROCARDIOGRAMA E ALTERAÇÕES 
EM EXAMES COMPLEMENTARES — COM OUTRAS POSSÍVEIS CAUSAS. 
Na avaliação da pericardite, é fundamental diferenciar essa condição de 
outras causas de dor torácica que podem apresentar alterações 
eletrocardiográficas ou sintomas semelhantes, para evitar atrasos no 
diagnóstico e garantir tratamento adequado. 
• Pericardite: caracteriza-se por dor torácica em pontada ou 
aperto, tipicamente dependente da posição (piora ao deitar-se, 
melhora ao inclinar-se para frente), atrito pericárdico audível à 
ausculta, e supradesnivelamento difuso do segmento ST no 
eletrocardiograma. Pode apresentar derrame pericárdico 
detectável no ecocardiograma e aumento de marcadores 
inflamatórios como PCR. 
• Infarto agudo do miocárdio (IAM): dor em aperto ou pressão 
retroesternal, geralmente intensa e contínua, podendo irradiar 
para braço esquerdo, mandíbula ou costas. ECG 
mostra alterações localizadas do segmento ST e elevação de 
troponina, diferindo do padrão difuso da pericardite. 
• Dissecção aguda de aorta: dor súbita e intensa em rasgo, 
frequentemente irradiando para costas ou abdome, alterações 
eletrocardiográficas podem ser inespecíficas; ecocardiograma ou 
angiotomografia identifica a dissecção. 
• Miocardite: pode cursar com dor torácica difusa e alterações do 
ST no ECG, porém geralmente associada a sinais de insuficiência 
cardíaca ou arritmias; diferencia-se pela ausência de atrito 
pericárdico típico e possível presença de elevação de troponina. 
• Tromboembolismo pulmonar: pode causar dor torácica 
pleurítica, falta de ar e alterações inespecíficas no ECG (como 
taquicardia sinusal ou padrão S1Q3T3), mas não apresenta 
supradesnivelamento difuso do ST nem atrito pericárdico. 
A correlação cuidadosa entre história clínica, características da dor, achados 
ao exame físico (como atrito pericárdico) e exames complementares (ECG, 
ecocardiograma, marcadores inflamatórios e cardíacos) permite diferenciar a 
pericardite de outras condições graves, garantindo abordagem terapêutica 
adequada e segura. 
3- DISCUTIR O MANEJO INICIAL DO PACIENTE COM DOR TORÁCICA 
NÃO TRAUMÁTICA AGUDA, ABORDANDO A AVALIAÇÃO CLÍNICA E 
ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO, A INDICAÇÃO DE EXAMES INICIAIS, AS 
CONDUTAS TERAPÊUTICAS IMEDIATAS E OS CRITÉRIOS DE 
ENCAMINHAMENTO PARA UNIDADES ESPECIALIZADAS, COMO 
SERVIÇOS DE HEMODINÂMICA E UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA 
(UTI). 
O manejo inicial do paciente com dor torácica não traumática aguda deve ser 
rápido, organizado e orientado pelas melhores evidências, com o objetivo 
de identificar causas graves rapidamente e iniciar intervenções imediatas 
quando necessário. A Diretriz Brasileira de Atendimento à Dor Torácica na 
Emergência define passos clínicos claros para essa abordagem. 
O primeiro passo é uma avaliação clínica imediata, começando já na 
triagem. A equipe deve perguntar sobre as características da dor (tipo, 
duração, irradiação), sintomas associados (falta de ar, náuseas, sudorese, 
síncope), fatores de risco (hipertensão, diabetes, tabagismo, história prévia 
de doença cardíaca) e sinais de alerta (instabilidade hemodinâmica). 
A estratificação de risco é essencial para decidir condutas e prioridades: 
• 2- Alto risco: dor típica de origem isquêmica, sinais de 
instabilidade (hipotensão, taquicardia grave, queda acentuada da 
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saturação de oxigênio), alterações agudas no ECG, sugerindo 
isquemia ou infarto. Esses pacientes requerem ação imediata. 
• 1- Risco intermediário: sintomas sugestivos, mas sem 
eletrocardiograma inicial alterado ou marcadores normais 
inicialmente. Devem ser monitorados com exames seriados e 
observação. 
• 0- Baixo risco: dor sem características típicas de emergência 
cardiovascular, sem sinais de alerta, com ECG e exames iniciais 
normais. Pode-se aguardar exames complementares mais 
detalhados. 
 
➡️ Os exames iniciais são fundamentais para confirmar ou excluir 
diagnósticos graves e devem ser solicitados o quanto antes: 
• Eletrocardiograma (ECG): deve ser realizado em até 10 
minutos após a chegada do paciente ao serviço de emergência, em 
qualquer caso de dor torácica aguda, para identificar padrões 
sugestivos de isquemia, infarto ou outras alterações relevantes. 
• Troponina cardíaca: marcador de lesão do miocárdio que ajuda 
a confirmar ou descartar Síndrome Coronariana Aguda; pode ser 
repetida em série para acompanhar elevação. 
• Oximetria de pulso: para avaliar saturação de oxigênio no 
sangue, sempre em ambos os lados. 
• Radiografia de tórax: para detectar pneumotórax, pneumonia, 
aumento cardíaco ou outras alterações pulmonares/torácicas. 
⚠️ As condutas terapêuticas imediatas para pacientes com dor torácica não 
traumática aguda incluem a monitorização contínua dos sinais vitais, do ECG 
e da oximetria, garantindo acompanhamento constante da condição clínica. 
Deve-se iniciar oxigenoterapia se a saturação de oxigênio estiver abaixo de 
94% e garantir acesso venoso para permitir administração rápida de fluidos 
ou medicamentos. Conforme a suspeita clínica, podem ser 
administradas medicações iniciais, como ácido acetilsalicílico (AAS) para 
prevenção de trombose e nitratos para alívio da dor isquêmica, sempre 
avaliando contraindicações individuais. 
 
4- IDENTIFICAR AS PRINCIPAIS ALTERAÇÕES NO 
ELETROCARDIOGRAMA (ECG), COMPREENDENDO A TOPOGRAFIA 
DAS DERIVAÇÕES, O SIGNIFICADO DE CADA ONDA, SEGMENTO E 
O eletrocardiograma (ECG) é um exame que registra a atividade elétrica do 
coração por meio de eletrodos colocados nos membros e no tórax. Ele traduz 
em um traçado a sequência de despolarização e repolarização das câmaras 
cardíacas, permitindo avaliar ritmo, frequência, condução elétrica e 
alterações nas ondas, segmentos e intervalos. 
O ECG analisa o coração em dois planos principais: frontal e horizontal. 
Cada plano possui suas divisões, permitindo localizar alterações específicas. 
• Plano frontal: Registrado pelas derivações dos membros (DI, 
DII, DIII, aVR, aVL e aVF), mostra o coração de frente. Ele 
permite observar a parede lateral (DI e aVL), a parede inferior 
(DII, DIII e aVF) e a parede septal (aVR, complementar). Este 
plano ajuda a avaliar eixo elétrico, ritmo e bloqueios de condução. 
• Plano horizontal: Registrado pelas derivações precordiais (V1 a 
V6), posicionadas sobre o tórax, mostra o coração de cima para 
baixo e de frente para trás. Permite analisar a parede septal (V1 e 
V2), parede anterior (V3 e V4) e parede lateral (V5 eV6). Esse 
plano é útil para detectar alterações localizadas no ventrículo 
esquerdo, como infartos ou alterações de repolarização. 
Para registrar a atividade elétrica do coração, eletrodos são colocados em 
pontos específicos do corpo. Esses pontos formam 12 derivações que 
mostram como o coração se despolariza e se repolariza. As derivações 
ajudam a identificar problemas como arritmias, infarto, isquemia ou 
inflamação, como na pericardite. Elas são divididas 
em periféricas e precordiais. 
Derivações periféricas: As periféricas analisam a diferença de potencial 
entre os membros ou o potencial absoluto de cada membro: 
• Bipolares (Triângulo de Einthoven): medem a diferença de 
potencial entre dois membros, mostrando o coração “de frente”. 
o D1: mede entre o braço direito e esquerdo, observando 
a parede lateral do coração. 
o D2: mede entre o braço direito e a perna esquerda, 
analisando a parede inferior. 
o D3: mede entre o braço esquerdo e a perna esquerda, 
também avaliando a parede inferior. 
• Unipolares aumentadas: medem o potencial elétrico absoluto de 
cada membro em relação a uma referência teórica. 
o aVR: braço direito, útil para analisar septo e parede 
direita. 
o aVL: braço esquerdo, avalia parede lateral. 
o aVF: perna esquerda, mostra a parede inferior. 
Derivações precordiais: As precordiais medem o potencial elétrico no tórax, 
próximas ao coração, mostrando diferentes regiões do ventrículo esquerdo e 
direito: 
• V1: quarto espaço intercostal direito, observa átrios, septo e 
ventrículo direito (parede anterior). 
• V2: quarto espaço intercostal esquerdo, semelhante a V1, com 
pequena positividade seguida de negatividade. 
• V3: entre V2 e V4, mostra o septo intraventricular, geralmente 
com QRS equilibrado. 
• V4: no ápice do ventrículo esquerdo, primeira fase positiva indica 
ativação do ventrículo direito. 
• V5: linha axilar anterior, quinto espaço intercostal esquerdo, 
acompanha parede lateral com pequena negatividade inicial e 
grande positividade. 
• V6: linha axilar média, quinto espaço intercostal esquerdo, 
semelhante a V5, registra despolarização lateral do ventrículo 
esquerdo. 
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Com essas derivações, é possível observar em quais regiões do coração 
ocorrem alterações, o que ajuda a diferenciar dor por pericardite, infarto ou 
outras condições cardíacas. 
O ECG é formado por ondas, segmentos e intervalos, cada um representando 
eventos elétricos específicos: 
• Onda P: representa a despolarização atrial, ou seja, a contração 
dos átrios. Alterações podem indicar hipertrofia ou distúrbios de 
condução atrial. 
• Intervalo PR: tempo de condução do estímulo do átrio para o 
ventrículo, passando pelo nó AV. Prolongamentos indicam 
bloqueios AV. 
• Complexo QRS: despolarização ventricular, correspondendo à 
contração dos ventrículos. Alterações na duração ou morfologia 
indicam bloqueios de ramo ou hipertrofia ventricular. 
• Segmento ST: período entre despolarização e repolarização 
ventricular. Elevações ou depressões indicam isquemia, infarto 
ou inflamação do pericárdio. 
• Onda T: repolarização ventricular, quando os ventrículos 
relaxam. Alterações podem indicar isquemia, alterações 
eletrolíticas ou efeitos de inflamação. 
• Intervalo QT: engloba despolarização e repolarização ventricular; 
prolongamento aumenta risco de arritmias. 
 
PERICARDITE NO ECG 
A pericardite aguda é a inflamação do pericárdio, a camada que envolve o 
coração, e causa mudanças no eletrocardiograma que aparecem em quatro 
fases mostrando como o coração vai se recuperando. 
Fase 1 – Na fase 1, que acontece nos primeiros dias, o ECG mostra o 
segmento ST elevado em várias derivações do coração, com formato curvado 
para cima parecido com um sorriso, e o PR fica mais baixo em algumas 
derivações e mais alto em outras, isso acontece porque a inflamação afeta os 
sinais elétricos do coração, sendo a fase mais típica e que ajuda a reconhecer 
a doença. 
Fase 2 - Na fase 2, que ocorre alguns dias depois, o ST e o PR começam a 
voltar aos valores normais, o ECG pode parecer quase normal mesmo com 
inflamação ainda leve, mostrando que o coração está começando a se 
recuperar. 
Fase 3 – Na fase 3, o ST já voltou ao normal, mas as ondas T ficam invertidas 
em várias derivações, indicando que a repolarização do coração ainda está 
alterada e o coração ainda está se recuperando. 
Fase 4 – Na fase 4, o ECG volta totalmente ao normal, com ondas T e 
segmentos ST e PR no lugar certo, mostrando que a inflamação acabou e o 
coração se recuperou completamente, nem todos os pacientes passam por 
todas as fases de forma clara mas essa é a sequência típica da pericardite. 
 
Por que a pericardite altera o segmento ST? 
Na pericardite aguda, a inflamação do pericárdio altera a distribuição da 
corrente elétrica sobre a superfície cardíaca, gerando elevação difusa do 
segmento ST em quase todas as derivações, com depressão do PR em 
algumas delas. Diferente do infarto, essas alterações são difusas e concavas, 
refletindo irritação e inflamação do pericárdio, sem necrose do músculo 
cardíaco. Com a evolução da doença, o ECG pode passar por fases: elevação 
inicial do ST, normalização do ST, inversão da onda T e, por fim, retorno 
próximo ao traçado basal.

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