Prévia do material em texto
Tbl 1.3 - Pericardite QUESTIONÁRIO INICIAL 1- Um homem de 35 anos apresenta-se com dor torácica aguda "em pontada", que piora ao deitar e melhora ao inclinar o corpo para a frente. O ECG revela elevação difusa do segmento ST e depressão do PR. Qual o diagnóstico? A) Infarto agudo do miocárdio – Falso -O infarto geralmente causa dor em aperto ou queimação, podendo irradiar para braço, mandíbula ou costas, diferente da dor “em pontada” descrita. No ECG, a elevação do ST costuma ser regional, localizada nas derivações correspondentes à área afetada, e não difusa como no caso apresentado. Além disso, a depressão do PR não é típica do infarto. B) Dissecção de aorta – Falso - A dissecção provoca dor súbita, intensa e em “rasgando”, frequentemente nas costas, podendo migrar do tórax para o abdome. O ECG geralmente não apresenta elevação difusa do ST nem depressão do PR. Outros sinais incluem diferença de pressão entre os braços e sopro aórtico, que não foram relatados. C) Angina instável – Falso - A angina instável provoca dor em aperto ou queimação, geralmente desencadeada por esforço e aliviada em repouso. O ECG pode mostrar alterações transitórias do ST ou inversão de onda T, mas não elevação difusa do ST combinada com depressão do PR. A dor relacionada à posição do corpo não é característica da angina. D) Pericardite aguda – Verdadeiro - A pericardite apresenta dor torácica aguda em pontada, que piora ao deitar e melhora ao inclinar o corpo para frente, exatamente como descrito. O ECG típico mostra elevação difusa do ST e depressão do PR, refletindo a inflamação do pericárdio. Outros sinais podem incluir fricção pericárdica e, às vezes, febre. Todos os achados do caso são compatíveis com pericardite aguda. 2- Um jovem apresenta dor torácica típica de pericardite, mas seus exames laboratoriais revelam elevação de troponina cardíaca. O ecocardiograma mostra função ventricular esquerda preservada. Qual o diagnóstico? A) Miopericardite – Verdadeiro - A miopericardite ocorre quando há inflamação do pericárdio com envolvimento leve do miocárdio. A dor torácica típica de pericardite combinada com a elevação da troponina, que indica lesão cardíaca discreta, e a função ventricular preservada no ecocardiograma confirmam esse diagnóstico. É o quadro clássico de miopericardite, geralmente autolimitado em jovens. B) Infarto do miocárdio – Falso - O infarto geralmente apresenta dor em aperto ou queimação, alterações regionais no ECG e, frequentemente, comprometimento da função ventricular, dependendo da área afetada. A elevação da troponina é significativa, mas não vem acompanhada da dor típica de pericardite. No caso, a função ventricular preservada e a dor típica descartam o infarto. C) Miocardite isolada – Falso - A miocardite isolada afeta principalmente o miocárdio, podendo causar insuficiência cardíaca, arritmias e elevação de troponina. Porém, não costuma causar dor torácica típica de pericardite, como a descrita no caso. A presença dessa dor indica que há envolvimento pericárdico, então o diagnóstico não é miocardite isolada. D) Pericardite purulenta – Falso - A pericardite purulenta é causada por infecção bacteriana e geralmente apresenta febre alta, mal-estar, derrame pericárdico e risco de tamponamento. Não é comum haver elevação discreta de troponina sem sinais de infecção. Como o caso não descreve febre ou sinais de infecção grave, essa opção é incorreta. 3- Um jovem apresenta dor torácica típica de pericardite, mas seus exames laboratoriais revelam elevação de troponina cardíaca. O ecocardiograma mostra função ventricular esquerda preservada. Qual o prognóstico? A) Prognóstico reservado – Falso - O termo “prognóstico reservado” sugere risco significativo de complicações graves ou mortalidade elevada. No caso, o jovem apresenta função ventricular preservada e a elevação de troponina é discreta, indicando apenas inflamação leve do miocárdio. Não há sinais de insuficiência cardíaca ou instabilidade hemodinâmica, portanto o prognóstico não é reservado. B) O tratamento é o mesmo da pericardite e a elevação da troponina não é um marcador de mau prognóstico – Verdadeiro - Na miopericardite leve, o manejo clínico segue o mesmo da pericardite: anti-inflamatórios, repouso relativo e acompanhamento ambulatorial. A elevação discreta de troponina indica lesão miocárdica leve, mas não aumenta o risco de complicações se a função ventricular estiver preservada. Por isso, o prognóstico é geralmente favorável. C) Risco alto de insuficiência cardíaca imediata – Falso - O risco de insuficiência cardíaca grave surge quando há comprometimento significativo do miocárdio ou derrame pericárdico. Como o ecocardiograma mostra função ventricular esquerda normal, não há indicativo de risco imediato de insuficiência cardíaca. D) Necessidade de antibioticoterapia venosa – Falso - Antibióticos venosos são indicados apenas em pericardite purulenta ou infecciosa grave. Neste caso, não há sinais de infecção, febre alta ou derrame purulento, então o uso de antibióticos não é necessário. 4- Durante o exame físico de um paciente com suspeita de derrame pericárdico volumoso, o médico observa uma queda inspiratória da pressão arterial sistólica superior a 10 mmHg. Como se chama esse sinal e o que ele sugere? A) Sinal de Kussmaul; pericardite constritiva – Falso - O sinal de Kussmaul é caracterizado por aumento da pressão venosa jugular durante a inspiração, e não pela queda da pressão arterial sistólica. Ele é típico de pericardite constritiva ou insuficiência cardíaca direita, e não indica derrame volumoso ou tamponamento agudo. B) Atrito pericárdico; inflamação das membranas – Falso - O atrito pericárdico é um som rústico ou crepitante ouvido ao auscultar o coração, causado pela fricção entre as camadas do pericárdio inflamado. Ele não está relacionado à queda inspiratória da pressão arterial sistólica, portanto não explica o achado descrito. C) Pulso paradoxal; tamponamento cardíaco – Verdadeiro - O pulso paradoxal é definido como uma queda >10 mmHg da pressão arterial sistólica durante a inspiração. Esse sinal indica que há limitação do enchimento ventricular devido a derrame pericárdico volumoso, sugerindo tamponamento cardíaco, uma emergência clínica. É o sinal clássico de comprometimento hemodinâmico pelo derrame. D) Ictus cordis desviado; hipertrofia ventricular – Falso- O ictus cordis desviado ocorre quando o ponto máximo de impulsão cardíaca está deslocado, geralmente por hipertrofia ventricular ou aumento do coração, mas não causa a queda inspiratória da pressão arterial. Portanto, não explica o achado clínico. 5- Qual é a recomendação atual sobre a prática de exercícios físicos após um episódio de pericardite aguda? A) Exercícios intensos liberados imediatamente após o fim da dor – Falso - Liberar exercícios intensos imediatamente aumenta o risco de recorrência da pericardite e de complicações cardíacas, mesmo que a dor tenha passado. A prática intensa deve ser evitada até que os marcadores inflamatórios estejam normalizados. B) Repouso absoluto na cama por 6 meses – Falso - O repouso absoluto prolongado não é recomendado atualmente. Embora o repouso relativo seja indicado no período agudo, 6 meses de inatividade total não traz benefício Tbl 1.3 - Pericardite adicional e pode causar perda de condicionamento físico e efeitos metabólicos negativos. C) Evitar exercícios vigorosos por até 3 meses até a resolução dos sintomas e normalização da PCR – Verdadeiro - A recomendação atual é evitar exercícios vigorosos ou competitivos por cerca de 3 meses após a pericardite aguda. O retorno gradual só é permitido após resolução completa dos sintomas e normalização dos marcadores inflamatórios, como a PCR. Exercícios leves podem ser introduzidos gradualmente sob supervisão médica. D) Exercícios aeróbicos leves são proibidos permanentemente – Falso - Não há nenhuma recomendaçãopara proibição permanente de atividades físicas leves. Após a recuperação, o paciente geralmente pode retomar exercícios normais e seguros, respeitando o período de recuperação inicial. 6- Durante a avaliação de um paciente com dor torácica, o médico realiza a ausculta cardíaca e identifica um som descrito como um "ranger ou rangido" com cadência tripla, melhor ouvido no final da expiração com o paciente inclinado para frente. Esse achado é considerado: A) Um sinal de insuficiência cardíaca direita iminente – Falso - A insuficiência cardíaca direita não causa um som característico de “ranger” ou rangido. Seus achados incluem estase jugular, edema periférico, hepatomegalia e estertores pulmonares, mas não o atrito pericárdico descrito. B) Patognomônico para pericardite (atrito pericárdico) – Verdadeiro - O atrito pericárdico é um som típico da pericardite, descrito como um ranger ou rangido de cadência tripla, melhor ouvido no final da expiração e com o paciente inclinado para frente. Ele é causado pelo deslizamento das camadas inflamadas do pericárdio e é considerado um achado clássico da doença. C) Um ruído pleural relacionado ao ciclo respiratório – Falso - Os ruídos pleurais, como frêmitos ou estertores pleurais, estão associados ao movimento da pleura inflamada e não possuem cadência tripla nem são melhor auscultados com o paciente inclinado para frente. Portanto, não se encaixam no achado descrito. D) Um sopro de regurgitação tricúspide – Falso - Um sopro de regurgitação tricúspide é um som sistólico, mais audível no ápice do ventrículo direito, geralmente relacionado a insuficiência valvar, e não apresenta a cadência tripla ou o caráter de ranger típico do atrito pericárdico. 7- Um paciente apresenta-se com hipotensão, bulhas cardíacas abafadas e pressão venosa jugular elevada. Qual a denominação desse achado clínico? A) Sinal de Müller – Falso - O sinal de Müller é um aumento da pressão jugular durante a inspiração, geralmente associado à estenose tricúspide, mas não descreve o conjunto clássico de hipotensão, bulhas abafadas e jugular distendida. Portanto, não se aplica ao caso. B) Tríade de Charcot – Falso - A tríade de Charcot refere-se a icterícia, febre e dor no quadrante superior direito, típica de coledocolitíase. Não tem relação com sinais de derrame pericárdico ou tamponamento cardíaco. C) Tríade de Beck – Verdadeiro – A tríade de Beck é composta por hipotensão, bulhas cardíacas abafadas e distensão da veia jugular, sendo um achado clássico de tamponamento cardíaco. Representa sinais de comprometimento hemodinâmico devido à compressão do coração pelo líquido pericárdico. D) Sinal de Jobert – Falso - O sinal de Jobert é a hipofonese da percussão hepática na esquistosomose, totalmente sem relação com o contexto cardíaco descrito. 8- Um paciente apresenta-se com hipotensão, bulhas cardíacas abafadas e pressão venosa jugular elevada. Qual condição clínica este conjunto de sinais sugere fortemente? A) Tamponamento Cardíaco – Verdadeiro - O conjunto clássico de hipotensão, bulhas cardíacas abafadas e distensão da veia jugular é conhecido como tríade de Beck, característico do tamponamento cardíaco. Essa condição ocorre quando o acúmulo de líquido no pericárdio comprime o coração, impedindo o enchimento ventricular adequado e comprometendo o débito cardíaco. B) Miocardite Viral – Falso - A miocardite viral causa inflamação do miocárdio, podendo levar a arritmias, insuficiência cardíaca ou elevação de troponina. Entretanto, não apresenta o conjunto tríade de Beck, bulhas abafadas ou distensão venosa jugular como achados específicos. C) Pericardite Constritiva – Falso - A pericardite constritiva provoca limitação crônica do enchimento ventricular, resultando em sinais de congestão sistêmica (edema, ascite, hepatomegalia), mas não causa hipotensão aguda nem bulhas abafadas típicas do tamponamento. D) Restrição Miocárdica – Falso - A cardiomiopatia restritiva leva a insuficiência cardíaca diastólica crônica com congestão venosa, mas geralmente não provoca hipotensão aguda nem o achado clássico da tríade de Beck. 9- Um homem de 55 anos apresenta-se ao pronto-atendimento relatando desconforto no pescoço e na mandíbula que surge ao caminhar ladeiras e melhora com o repouso. Ele nega dor retrosternal típica. Qual das seguintes afirmações está correta de acordo com as diretrizes atuais? A) Os sintomas do paciente não devem ser considerados cardíacos, pois a dor não é no peito – Falso - Embora a dor típica de angina seja retrosternal, equivalentes anginosos podem se manifestar em regiões atípicas, como pescoço, mandíbula, ombros ou braços. Descartar sintomas apenas por não haver dor torácica clássica pode levar a subdiagnóstico de doença arterial coronariana. B) O desconforto na mandíbula e no pescoço deve ser considerado um equivalente anginoso – Verdadeiro - Segundo as diretrizes atuais, sintomas como dor ou desconforto irradiando para mandíbula, pescoço, ombro ou braço que surgem com esforço e melhoram com repouso são equivalentes anginosos. Esses sinais sugerem isquemia miocárdica mesmo na ausência de dor torácica típica. C) Apenas a dispneia e a fadiga são consideradas equivalentes anginosos válidos – Falso - Dispneia e fadiga podem ser manifestações de isquemia, especialmente em idosos ou mulheres, mas não são os únicos equivalentes anginosos. Dor irradiada para mandíbula, pescoço ou ombro também é reconhecida como equivalente anginoso. D) O paciente deve ser liberado, pois a dor é claramente musculoesquelética – Falso - Não há elementos suficientes para afirmar que a dor seja musculoesquelética. Ignorar equivalentes anginosos pode resultar em risco de evento cardíaco agudo não diagnosticado. QUESTIONÁRIO FINAL 1-Um paciente que sofreu um infarto do miocárdio há duas semanas retorna ao hospital com febre, dor pericárdica e marcadores inflamatórios elevados. Qual é o diagnóstico? A) Um novo infarto do miocárdio – Falso - Um novo infarto provocaria sintomas isquêmicos típicos, alterações regionais no ECG e aumento de troponina relacionado a necrose aguda. O quadro apresentado sugere inflamação pericárdica pós-infarto, não um evento isquêmico novo. Tbl 1.3 - Pericardite B) Pericardite Epistenocárdica – Verdadeiro - A pericardite epistenocárdica ocorre nos primeiros dias a duas semanas após um infarto, causada pela inflamação local do pericárdio sobre o miocárdio infartado. Caracteriza-se por dor pericárdica, febre e elevação de marcadores inflamatórios, exatamente como descrito no caso. C) Síndrome de Dressler – Falso - A Síndrome de Dressler é uma pericardite autoimune tardia, que surge semanas a meses após o infarto. Embora também cause febre e dor pericárdica, o tempo de aparecimento neste caso (duas semanas) é mais compatível com pericardite epistenocárdica aguda. D) Ruptura de Parede Livre – Falso -A ruptura de parede livre é uma complicação mecânica grave e imediata, geralmente levando a tamponamento cardíaco fulminante e morte súbita. Não se apresenta com febre e dor pericárdica isoladas. 2- Uma mulher de 62 anos chega à emergência com queixa de náusea súbita e falta de ar, acompanhadas de uma leve pressão retrosternal. Sobre a apresentação da dor torácica em mulheres, assinale a alternativa correta: A) A dor torácica é o sintoma dominante e mais frequente para homens e mulheres com SCA – Verdadeiro - Apesar de mulheres apresentarem sintomas atípicos mais frequentemente, a dor torácica ainda é o sintoma mais comum de SCA em ambos os sexos. É importante reconhecer que outros sintomas, como náusea, falta de ar ou dor em regiões atípicas, podem estar presentes. B) Mulheres raramente apresentam dor torácica como sintoma principal de SCA – Falso - Embora sejam mais propensas a sintomas atípicos, a dor torácica continua sendo comum em mulheres com SCA e não deve ser descartada como sinal relevante. C) Mulheres apresentamSCA com a mesma frequência que os homens em todas as faixas etárias – Falso - A SCA é menos frequente em mulheres antes da menopausa, aumentando a incidência com a idade. Portanto, a frequência não é igual em todas as faixas etárias. D) Náuseas e falta de ar em mulheres excluem a possibilidade de um evento cardíaco – Falso - Náuseas e dispneia são manifestações possíveis de SCA em mulheres, especialmente em casos de dor torácica atípica. Esses sintomas não excluem o diagnóstico cardíaco. 3- Um homem de 78 anos é levado ao hospital após um desmaio inexplicável. Ele não reclama de dor no peito, mas parece confuso. Neste paciente idoso, o que deve ser considerado? A) Apenas causas neurológicas devem ser investigadas – Falso - Embora causas neurológicas possam provocar síncope e confusão, em idosos é fundamental também investigar causas cardíacas, incluindo isquemia silenciosa, arritmias e insuficiência cardíaca. Limitar a investigação ao sistema nervoso seria insuficiente. B) SCA deve ser considerada em pacientes >75 anos com sintomas como síncope ou confusão – Verdadeiro - Nos idosos, a apresentação de Síndrome Coronariana Aguda (SCA) pode ser atípica, sem dor torácica clássica. Sintomas como confusão mental, síncope, dispneia ou mal-estar geral podem indicar isquemia cardíaca. Portanto, a SCA deve ser considerada mesmo na ausência de dor típica. C) A ausência de dor torácica exclui qualquer evento isquêmico cardíaco no idoso – Falso - Idosos frequentemente apresentam SCA silenciosa ou atípica, portanto a ausência de dor torácica não exclui um evento cardíaco. D) Delírio agudo em idosos nunca está relacionado a problemas cardíacos – Falso - O delírio ou confusão pode estar associado a hipoperfusão cerebral devido a isquemia miocárdica, arritmias ou insuficiência cardíaca aguda, além de causas infecciosas ou metabólicas. 4- Um paciente relata uma dor "rasgando" que começou subitamente e irradia para as costas. Ao exame físico, nota-se diferença de pulso entre os membros. Qual diagnóstico deve ser priorizado na investigação imediata? A) Pneumonia lobar – Falso - A pneumonia causa dor torácica pleurítica, febre, tosse produtiva e alterações pulmonares, mas não provoca dor súbita em “rasgo” nem diferença de pulso entre membros. Portanto, não é compatível com o quadro. B) Síndrome aórtica aguda – Verdadeiro - A síndrome aórtica aguda, como a dissecção aórtica, se apresenta com dor súbita, intensa, em “rasgo”, que irradia para costas ou abdome, frequentemente associada a diferença de pulso entre membros, assimetria de pressão arterial e sinais neurológicos ou de má perfusão. É uma emergência médica que exige investigação imediata. C) Esofagite de refluxo – Falso - O refluxo esofágico pode causar dor retrosternal ou queimação, mas não se manifesta subitamente em “rasgo” nem causa diferença de pulso entre membros. D) Costocondrite – Falso - A costocondrite provoca dor torácica localizada, sensível à palpação, mas não é súbita nem associada a assimetria de pulso ou radiação para costas. 5- Um paciente de 70 anos, diabético, procura a emergência queixando-se apenas de náuseas, vômitos inexplicados e síncope, sem dor no peito. Qual a conduta imediata? A) Alta com sintomáticos para gastrite – Falso - Dar alta com suspeita de gastrite em paciente idoso com fatores de risco (idade >70, diabetes) e sintomas atípicos de isquemia é perigosamente inadequado, pois pode haver SCA silenciosa. B) Abertura de protocolo de dor torácica e realização de ECG em 10 minutos – Verdadeiro - Nos idosos e diabéticos, a SCA pode se apresentar de forma atípica, com náuseas, vômitos ou síncope. Diretrizes recomendam iniciar imediatamente protocolo de dor torácica, incluindo ECG dentro de 10 minutos para descartar isquemia aguda. C) Solicitar apenas exames laboratoriais de rotina – Falso - Exames laboratoriais isolados não permitem descartar uma SCA aguda, podendo atrasar o diagnóstico. D) Encaminhar para avaliação ambulatorial com neurologista – Falso - Não é apropriado encaminhar para avaliação ambulatorial sem descartar causas cardíacas, especialmente SCA atípica em idosos. 6- Um paciente em protocolo de dor torácica desenvolve hipotensão, dispneia intensa com estertores pulmonares e taquiarritmia. Qual ferramenta diagnóstica é essencial nesta situação? A) Teste ergométrico – Falso - O teste ergométrico não é seguro em paciente instável com hipotensão e dispneia aguda; não é indicado neste contexto. B) Ressonância Magnética – Falso - ressonância é útil para avaliação detalhada de miocárdio, mas não é ferramenta de primeira linha em urgência, principalmente com instabilidade hemodinâmica. C) Ecocardiografia / POCUS – Verdadeiro - A ecocardiografia à beira do leito permite avaliar função ventricular, valvas, presença de tamponamento ou disfunção aguda, sendo essencial em pacientes instáveis. D) Cineangiocoronariografia ambulatorial – Falso - Não é indicada de forma ambulatorial em paciente instável; a abordagem invasiva deve ser emergencial e guiada por protocolo de SCA. Tbl 1.3 - Pericardite 7- Uma paciente de 30 anos apresenta dor torácica que piora com a palpação da região esternal, sem sintomas associados como náuseas ou sudorese. Qual a causa provável e sua categoria diagnóstica? A) Infarto Agudo do Miocárdio – Falso - A dor do infarto geralmente é retroesternal, em aperto, irradiada, associada a sintomas vegetativos, e não aumenta com palpação local. B) Dissecção de Aorta – Falso - A dor de dissecção é súbita, intensa, em “rasgo”, podendo irradiar para costas; não se altera com palpação. C) Distúrbio Musculoesquelético (Não Cardiovascular) – Verdadeiro - Dor que piora com palpação ou movimento, sem sinais vegetativos ou fatores de risco cardiovascular, indica origem musculoesquelética, não cardiovascular. D) Embolia Pulmonar – Falso - A dor pleurítica da embolia é aguda, associada a dispneia, taquipneia e, frequentemente, fatores de risco tromboembólico, não se altera com palpação local. 8- Um médico avalia um paciente com dor torácica e ECG não diagnóstico. Ele decide aplicar um escore para estratificar o risco de eventos cardiovasculares maiores (MACE) em 6 semanas. Qual o escore preferencial segundo a diretriz? A) TIMI Risk – Falso - O TIMI avalia risco em SCA confirmada, mas não é ideal para estratificação inicial em pronto-socorro com dor torácica não diagnóstica. B) GRACE – Falso – O GRACE é usado principalmente para previsão de mortalidade hospitalar ou a longo prazo em SCA, não é o escore preferido para MACE em 6 semanas em pacientes com dor torácica não diagnosticada. C) HEART Score – Verdadeiro - O HEART Score (History, ECG, Age, Risk factors, Troponin) é indicado para estratificação de risco de eventos cardiovasculares em 6 semanas em pacientes com dor torácica suspeita, mas ECG não diagnóstico, ajudando a decidir alta ou internação. D) Wells – Falso - O Wells Score é usado para estratificação de risco de tromboembolismo pulmonar, não eventos cardíacos. 9- Paciente com dor torácica pleurítica súbita e cirurgia ortopédica recente pontua como "baixa probabilidade" no escore de Wells. Qual exame deve ser solicitado para descartar o diagnóstico? A) Angiotomografia de tórax imediata – Falso - Não é indicada imediatamente em paciente baixa probabilidade de TEP, pois há risco de radiação e contraste; primeiro se faz teste não invasivo. B) D-dímero – Verdadeiro - Em paciente baixa probabilidade clínica, o D- dímero negativo descarta com segurança tromboembolismo pulmonar, sendo a conduta recomendada. C) Cintilografia pulmonar – Falso - Indicada em pacientes com contraindicação à angiotomografia ou suspeita moderada/alta, não como primeira escolha em baixa probabilidade. D) Troponina isolada – Falso - A troponina não descarta TEP; ela avalia lesão miocárdica secundária. 10- Qual a principal indicação absoluta para a realização de uma pericardiocentesede emergência? A) Derrame pericárdico pequeno em paciente assintomático – Falso - Não há indicação de emergência; acompanhamento clínico e ecocardiográfico é suficiente. B) Diagnóstico de rotina em pericardite viral – Falso - Pericardiocentese de rotina não é indicada em pericardite viral, salvo complicação ou tamponamento. C) Derrame pericárdico com evidência clínica de tamponamento – Verdadeiro - Tamponamento cardíaco é indicação absoluta de pericardiocentese de emergência, para aliviar a pressão sobre o coração e restaurar o débito cardíaco. D) Suspeita de pericardite por radiação – Falso - Não justifica pericardiocentese emergencial; é conduta eletiva ou de monitoramento.