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Tbl 1.3 - Pericardite 
 
QUESTIONÁRIO INICIAL 
 
1- Um homem de 35 anos apresenta-se com dor torácica aguda "em pontada", 
que piora ao deitar e melhora ao inclinar o corpo para a frente. O ECG revela 
elevação difusa do segmento ST e depressão do PR. Qual o diagnóstico? 
A) Infarto agudo do miocárdio – Falso -O infarto geralmente causa dor em 
aperto ou queimação, podendo irradiar para braço, mandíbula ou costas, 
diferente da dor “em pontada” descrita. No ECG, a elevação do ST costuma 
ser regional, localizada nas derivações correspondentes à área afetada, e não 
difusa como no caso apresentado. Além disso, a depressão do PR não é típica 
do infarto. 
B) Dissecção de aorta – Falso - A dissecção provoca dor súbita, intensa e 
em “rasgando”, frequentemente nas costas, podendo migrar do tórax para o 
abdome. O ECG geralmente não apresenta elevação difusa do ST nem 
depressão do PR. Outros sinais incluem diferença de pressão entre os braços 
e sopro aórtico, que não foram relatados. 
C) Angina instável – Falso - A angina instável provoca dor em aperto ou 
queimação, geralmente desencadeada por esforço e aliviada em repouso. O 
ECG pode mostrar alterações transitórias do ST ou inversão de onda T, mas 
não elevação difusa do ST combinada com depressão do PR. A dor 
relacionada à posição do corpo não é característica da angina. 
D) Pericardite aguda – Verdadeiro - A pericardite apresenta dor torácica 
aguda em pontada, que piora ao deitar e melhora ao inclinar o corpo para 
frente, exatamente como descrito. O ECG típico mostra elevação difusa do 
ST e depressão do PR, refletindo a inflamação do pericárdio. Outros sinais 
podem incluir fricção pericárdica e, às vezes, febre. Todos os achados do 
caso são compatíveis com pericardite aguda. 
 
2- Um jovem apresenta dor torácica típica de pericardite, mas seus exames 
laboratoriais revelam elevação de troponina cardíaca. O ecocardiograma 
mostra função ventricular esquerda preservada. Qual o diagnóstico? 
A) Miopericardite – Verdadeiro - A miopericardite ocorre quando há 
inflamação do pericárdio com envolvimento leve do miocárdio. A dor 
torácica típica de pericardite combinada com a elevação da troponina, que 
indica lesão cardíaca discreta, e a função ventricular preservada no 
ecocardiograma confirmam esse diagnóstico. É o quadro clássico de 
miopericardite, geralmente autolimitado em jovens. 
B) Infarto do miocárdio – Falso - O infarto geralmente apresenta dor em 
aperto ou queimação, alterações regionais no ECG e, frequentemente, 
comprometimento da função ventricular, dependendo da área afetada. A 
elevação da troponina é significativa, mas não vem acompanhada da dor 
típica de pericardite. No caso, a função ventricular preservada e a dor típica 
descartam o infarto. 
C) Miocardite isolada – Falso - A miocardite isolada afeta principalmente 
o miocárdio, podendo causar insuficiência cardíaca, arritmias e elevação de 
troponina. Porém, não costuma causar dor torácica típica de pericardite, 
como a descrita no caso. A presença dessa dor indica que há envolvimento 
pericárdico, então o diagnóstico não é miocardite isolada. 
D) Pericardite purulenta – Falso - A pericardite purulenta é causada por 
infecção bacteriana e geralmente apresenta febre alta, mal-estar, derrame 
pericárdico e risco de tamponamento. Não é comum haver elevação discreta 
de troponina sem sinais de infecção. Como o caso não descreve febre ou 
sinais de infecção grave, essa opção é incorreta. 
 
3- Um jovem apresenta dor torácica típica de pericardite, mas seus exames 
laboratoriais revelam elevação de troponina cardíaca. O ecocardiograma 
mostra função ventricular esquerda preservada. Qual o prognóstico? 
A) Prognóstico reservado – Falso - O termo “prognóstico reservado” sugere 
risco significativo de complicações graves ou mortalidade elevada. No caso, 
o jovem apresenta função ventricular preservada e a elevação de troponina é 
discreta, indicando apenas inflamação leve do miocárdio. Não há sinais de 
insuficiência cardíaca ou instabilidade hemodinâmica, portanto o 
prognóstico não é reservado. 
B) O tratamento é o mesmo da pericardite e a elevação da troponina não 
é um marcador de mau prognóstico – Verdadeiro - Na miopericardite 
leve, o manejo clínico segue o mesmo da pericardite: anti-inflamatórios, 
repouso relativo e acompanhamento ambulatorial. A elevação discreta de 
troponina indica lesão miocárdica leve, mas não aumenta o risco de 
complicações se a função ventricular estiver preservada. Por isso, o 
prognóstico é geralmente favorável. 
C) Risco alto de insuficiência cardíaca imediata – Falso - O risco de 
insuficiência cardíaca grave surge quando há comprometimento significativo 
do miocárdio ou derrame pericárdico. Como o ecocardiograma mostra 
função ventricular esquerda normal, não há indicativo de risco imediato de 
insuficiência cardíaca. 
D) Necessidade de antibioticoterapia venosa – Falso - Antibióticos 
venosos são indicados apenas em pericardite purulenta ou infecciosa grave. 
Neste caso, não há sinais de infecção, febre alta ou derrame purulento, então 
o uso de antibióticos não é necessário. 
 
4- Durante o exame físico de um paciente com suspeita de derrame 
pericárdico volumoso, o médico observa uma queda inspiratória da pressão 
arterial sistólica superior a 10 mmHg. Como se chama esse sinal e o que ele 
sugere? 
A) Sinal de Kussmaul; pericardite constritiva – Falso - O sinal de 
Kussmaul é caracterizado por aumento da pressão venosa jugular durante a 
inspiração, e não pela queda da pressão arterial sistólica. Ele é típico 
de pericardite constritiva ou insuficiência cardíaca direita, e não indica 
derrame volumoso ou tamponamento agudo. 
B) Atrito pericárdico; inflamação das membranas – Falso - O atrito 
pericárdico é um som rústico ou crepitante ouvido ao auscultar o coração, 
causado pela fricção entre as camadas do pericárdio inflamado. Ele não está 
relacionado à queda inspiratória da pressão arterial sistólica, portanto não 
explica o achado descrito. 
C) Pulso paradoxal; tamponamento cardíaco – Verdadeiro - O pulso 
paradoxal é definido como uma queda >10 mmHg da pressão arterial 
sistólica durante a inspiração. Esse sinal indica que há limitação do 
enchimento ventricular devido a derrame pericárdico volumoso, 
sugerindo tamponamento cardíaco, uma emergência clínica. É o sinal 
clássico de comprometimento hemodinâmico pelo derrame. 
D) Ictus cordis desviado; hipertrofia ventricular – Falso- O ictus cordis 
desviado ocorre quando o ponto máximo de impulsão cardíaca está 
deslocado, geralmente por hipertrofia ventricular ou aumento do coração, 
mas não causa a queda inspiratória da pressão arterial. Portanto, não explica 
o achado clínico. 
 
5- Qual é a recomendação atual sobre a prática de exercícios físicos após um 
episódio de pericardite aguda? 
A) Exercícios intensos liberados imediatamente após o fim da dor – Falso 
- Liberar exercícios intensos imediatamente aumenta o risco de recorrência 
da pericardite e de complicações cardíacas, mesmo que a dor tenha passado. 
A prática intensa deve ser evitada até que os marcadores inflamatórios 
estejam normalizados. 
B) Repouso absoluto na cama por 6 meses – Falso - O repouso absoluto 
prolongado não é recomendado atualmente. Embora o repouso relativo seja 
indicado no período agudo, 6 meses de inatividade total não traz benefício 
Tbl 1.3 - Pericardite 
 
adicional e pode causar perda de condicionamento físico e efeitos 
metabólicos negativos. 
C) Evitar exercícios vigorosos por até 3 meses até a resolução dos 
sintomas e normalização da PCR – Verdadeiro - A recomendação atual 
é evitar exercícios vigorosos ou competitivos por cerca de 3 meses após a 
pericardite aguda. O retorno gradual só é permitido após resolução completa 
dos sintomas e normalização dos marcadores inflamatórios, como a PCR. 
Exercícios leves podem ser introduzidos gradualmente sob supervisão 
médica. 
D) Exercícios aeróbicos leves são proibidos permanentemente – Falso - 
Não há nenhuma recomendaçãopara proibição permanente de atividades 
físicas leves. Após a recuperação, o paciente geralmente pode retomar 
exercícios normais e seguros, respeitando o período de recuperação inicial. 
 
6- Durante a avaliação de um paciente com dor torácica, o médico realiza a 
ausculta cardíaca e identifica um som descrito como um "ranger ou rangido" 
com cadência tripla, melhor ouvido no final da expiração com o paciente 
inclinado para frente. Esse achado é considerado: 
A) Um sinal de insuficiência cardíaca direita iminente – Falso - A 
insuficiência cardíaca direita não causa um som característico de “ranger” ou 
rangido. Seus achados incluem estase jugular, edema periférico, 
hepatomegalia e estertores pulmonares, mas não o atrito pericárdico descrito. 
B) Patognomônico para pericardite (atrito pericárdico) – Verdadeiro - 
O atrito pericárdico é um som típico da pericardite, descrito como um ranger 
ou rangido de cadência tripla, melhor ouvido no final da expiração e com o 
paciente inclinado para frente. Ele é causado pelo deslizamento das camadas 
inflamadas do pericárdio e é considerado um achado clássico da doença. 
C) Um ruído pleural relacionado ao ciclo respiratório – Falso - Os ruídos 
pleurais, como frêmitos ou estertores pleurais, estão associados 
ao movimento da pleura inflamada e não possuem cadência tripla nem são 
melhor auscultados com o paciente inclinado para frente. Portanto, não se 
encaixam no achado descrito. 
D) Um sopro de regurgitação tricúspide – Falso - Um sopro de 
regurgitação tricúspide é um som sistólico, mais audível no ápice do 
ventrículo direito, geralmente relacionado a insuficiência valvar, e não 
apresenta a cadência tripla ou o caráter de ranger típico do atrito pericárdico. 
 
7- Um paciente apresenta-se com hipotensão, bulhas cardíacas abafadas e 
pressão venosa jugular elevada. Qual a denominação desse achado clínico? 
A) Sinal de Müller – Falso - O sinal de Müller é um aumento da pressão 
jugular durante a inspiração, geralmente associado à estenose tricúspide, mas 
não descreve o conjunto clássico de hipotensão, bulhas abafadas e jugular 
distendida. Portanto, não se aplica ao caso. 
B) Tríade de Charcot – Falso - A tríade de Charcot refere-se a icterícia, 
febre e dor no quadrante superior direito, típica de coledocolitíase. Não tem 
relação com sinais de derrame pericárdico ou tamponamento cardíaco. 
C) Tríade de Beck – Verdadeiro – A tríade de Beck é composta 
por hipotensão, bulhas cardíacas abafadas e distensão da veia jugular, sendo 
um achado clássico de tamponamento cardíaco. Representa sinais de 
comprometimento hemodinâmico devido à compressão do coração pelo 
líquido pericárdico. 
D) Sinal de Jobert – Falso - O sinal de Jobert é a hipofonese da percussão 
hepática na esquistosomose, totalmente sem relação com o contexto cardíaco 
descrito. 
 
8- Um paciente apresenta-se com hipotensão, bulhas cardíacas abafadas e 
pressão venosa jugular elevada. Qual condição clínica este conjunto de sinais 
sugere fortemente? 
A) Tamponamento Cardíaco – Verdadeiro - O conjunto clássico 
de hipotensão, bulhas cardíacas abafadas e distensão da veia jugular é 
conhecido como tríade de Beck, característico do tamponamento cardíaco. 
Essa condição ocorre quando o acúmulo de líquido no pericárdio comprime 
o coração, impedindo o enchimento ventricular adequado e comprometendo 
o débito cardíaco. 
B) Miocardite Viral – Falso - A miocardite viral causa inflamação do 
miocárdio, podendo levar a arritmias, insuficiência cardíaca ou elevação de 
troponina. Entretanto, não apresenta o conjunto tríade de Beck, bulhas 
abafadas ou distensão venosa jugular como achados específicos. 
C) Pericardite Constritiva – Falso - A pericardite constritiva 
provoca limitação crônica do enchimento ventricular, resultando em sinais 
de congestão sistêmica (edema, ascite, hepatomegalia), mas não causa 
hipotensão aguda nem bulhas abafadas típicas do tamponamento. 
D) Restrição Miocárdica – Falso - A cardiomiopatia restritiva leva 
a insuficiência cardíaca diastólica crônica com congestão venosa, mas 
geralmente não provoca hipotensão aguda nem o achado clássico da tríade 
de Beck. 
 
9- Um homem de 55 anos apresenta-se ao pronto-atendimento relatando 
desconforto no pescoço e na mandíbula que surge ao caminhar ladeiras e 
melhora com o repouso. Ele nega dor retrosternal típica. Qual das seguintes 
afirmações está correta de acordo com as diretrizes atuais? 
A) Os sintomas do paciente não devem ser considerados cardíacos, pois 
a dor não é no peito – Falso - Embora a dor típica de angina seja 
retrosternal, equivalentes anginosos podem se manifestar em regiões 
atípicas, como pescoço, mandíbula, ombros ou braços. Descartar sintomas 
apenas por não haver dor torácica clássica pode levar a subdiagnóstico de 
doença arterial coronariana. 
B) O desconforto na mandíbula e no pescoço deve ser considerado um 
equivalente anginoso – Verdadeiro - Segundo as diretrizes atuais, sintomas 
como dor ou desconforto irradiando para mandíbula, pescoço, ombro ou 
braço que surgem com esforço e melhoram com repouso são equivalentes 
anginosos. Esses sinais sugerem isquemia miocárdica mesmo na ausência de 
dor torácica típica. 
C) Apenas a dispneia e a fadiga são consideradas equivalentes anginosos 
válidos – Falso - Dispneia e fadiga podem ser manifestações de isquemia, 
especialmente em idosos ou mulheres, mas não são os únicos equivalentes 
anginosos. Dor irradiada para mandíbula, pescoço ou ombro também é 
reconhecida como equivalente anginoso. 
D) O paciente deve ser liberado, pois a dor é claramente 
musculoesquelética – Falso - Não há elementos suficientes para afirmar que 
a dor seja musculoesquelética. Ignorar equivalentes anginosos pode resultar 
em risco de evento cardíaco agudo não diagnosticado. 
 
QUESTIONÁRIO FINAL 
1-Um paciente que sofreu um infarto do miocárdio há duas semanas retorna 
ao hospital com febre, dor pericárdica e marcadores inflamatórios elevados. 
Qual é o diagnóstico? 
A) Um novo infarto do miocárdio – Falso - Um novo infarto 
provocaria sintomas isquêmicos típicos, alterações regionais no ECG e 
aumento de troponina relacionado a necrose aguda. O quadro apresentado 
sugere inflamação pericárdica pós-infarto, não um evento isquêmico novo. 
Tbl 1.3 - Pericardite 
 
B) Pericardite Epistenocárdica – Verdadeiro - A pericardite 
epistenocárdica ocorre nos primeiros dias a duas semanas após um infarto, 
causada pela inflamação local do pericárdio sobre o miocárdio infartado. 
Caracteriza-se por dor pericárdica, febre e elevação de marcadores 
inflamatórios, exatamente como descrito no caso. 
C) Síndrome de Dressler – Falso - A Síndrome de Dressler é 
uma pericardite autoimune tardia, que surge semanas a meses após o infarto. 
Embora também cause febre e dor pericárdica, o tempo de aparecimento 
neste caso (duas semanas) é mais compatível com pericardite epistenocárdica 
aguda. 
D) Ruptura de Parede Livre – Falso -A ruptura de parede livre é 
uma complicação mecânica grave e imediata, geralmente levando a 
tamponamento cardíaco fulminante e morte súbita. Não se apresenta com 
febre e dor pericárdica isoladas. 
 
2- Uma mulher de 62 anos chega à emergência com queixa de náusea súbita 
e falta de ar, acompanhadas de uma leve pressão retrosternal. Sobre a 
apresentação da dor torácica em mulheres, assinale a alternativa correta: 
A) A dor torácica é o sintoma dominante e mais frequente para homens 
e mulheres com SCA – Verdadeiro - Apesar de mulheres 
apresentarem sintomas atípicos mais frequentemente, a dor torácica ainda é 
o sintoma mais comum de SCA em ambos os sexos. É importante reconhecer 
que outros sintomas, como náusea, falta de ar ou dor em regiões atípicas, 
podem estar presentes. 
B) Mulheres raramente apresentam dor torácica como sintoma 
principal de SCA – Falso - Embora sejam mais propensas a sintomas 
atípicos, a dor torácica continua sendo comum em mulheres com SCA e não 
deve ser descartada como sinal relevante. 
C) Mulheres apresentamSCA com a mesma frequência que os homens 
em todas as faixas etárias – Falso - A SCA é menos frequente em mulheres 
antes da menopausa, aumentando a incidência com a idade. Portanto, a 
frequência não é igual em todas as faixas etárias. 
D) Náuseas e falta de ar em mulheres excluem a possibilidade de um 
evento cardíaco – Falso - Náuseas e dispneia são manifestações possíveis 
de SCA em mulheres, especialmente em casos de dor torácica atípica. Esses 
sintomas não excluem o diagnóstico cardíaco. 
 
3- Um homem de 78 anos é levado ao hospital após um desmaio inexplicável. 
Ele não reclama de dor no peito, mas parece confuso. Neste paciente idoso, 
o que deve ser considerado? 
A) Apenas causas neurológicas devem ser investigadas – Falso - Embora 
causas neurológicas possam provocar síncope e confusão, em idosos é 
fundamental também investigar causas cardíacas, incluindo isquemia 
silenciosa, arritmias e insuficiência cardíaca. Limitar a investigação ao 
sistema nervoso seria insuficiente. 
B) SCA deve ser considerada em pacientes >75 anos com sintomas como 
síncope ou confusão – Verdadeiro - Nos idosos, a apresentação de 
Síndrome Coronariana Aguda (SCA) pode ser atípica, sem dor torácica 
clássica. Sintomas como confusão mental, síncope, dispneia ou mal-estar 
geral podem indicar isquemia cardíaca. Portanto, a SCA deve ser considerada 
mesmo na ausência de dor típica. 
C) A ausência de dor torácica exclui qualquer evento isquêmico cardíaco 
no idoso – Falso - Idosos frequentemente apresentam SCA silenciosa ou 
atípica, portanto a ausência de dor torácica não exclui um evento cardíaco. 
D) Delírio agudo em idosos nunca está relacionado a problemas 
cardíacos – Falso - O delírio ou confusão pode estar associado 
a hipoperfusão cerebral devido a isquemia miocárdica, arritmias ou 
insuficiência cardíaca aguda, além de causas infecciosas ou metabólicas. 
4- Um paciente relata uma dor "rasgando" que começou subitamente e irradia 
para as costas. Ao exame físico, nota-se diferença de pulso entre os membros. 
Qual diagnóstico deve ser priorizado na investigação imediata? 
A) Pneumonia lobar – Falso - A pneumonia causa dor torácica pleurítica, 
febre, tosse produtiva e alterações pulmonares, mas não provoca dor súbita 
em “rasgo” nem diferença de pulso entre membros. Portanto, não é 
compatível com o quadro. 
B) Síndrome aórtica aguda – Verdadeiro - A síndrome aórtica aguda, 
como a dissecção aórtica, se apresenta com dor súbita, intensa, em “rasgo”, 
que irradia para costas ou abdome, frequentemente associada a diferença de 
pulso entre membros, assimetria de pressão arterial e sinais neurológicos ou 
de má perfusão. É uma emergência médica que exige investigação imediata. 
C) Esofagite de refluxo – Falso - O refluxo esofágico pode causar dor 
retrosternal ou queimação, mas não se manifesta subitamente em “rasgo” 
nem causa diferença de pulso entre membros. 
D) Costocondrite – Falso - A costocondrite provoca dor torácica 
localizada, sensível à palpação, mas não é súbita nem associada a assimetria 
de pulso ou radiação para costas. 
 
5- Um paciente de 70 anos, diabético, procura a emergência queixando-se 
apenas de náuseas, vômitos inexplicados e síncope, sem dor no peito. Qual a 
conduta imediata? 
A) Alta com sintomáticos para gastrite – Falso - Dar alta com suspeita de 
gastrite em paciente idoso com fatores de risco (idade >70, diabetes) e 
sintomas atípicos de isquemia é perigosamente inadequado, pois pode haver 
SCA silenciosa. 
B) Abertura de protocolo de dor torácica e realização de ECG em 10 
minutos – Verdadeiro - Nos idosos e diabéticos, a SCA pode se apresentar 
de forma atípica, com náuseas, vômitos ou síncope. Diretrizes 
recomendam iniciar imediatamente protocolo de dor torácica, incluindo ECG 
dentro de 10 minutos para descartar isquemia aguda. 
C) Solicitar apenas exames laboratoriais de rotina – Falso - Exames 
laboratoriais isolados não permitem descartar uma SCA aguda, podendo 
atrasar o diagnóstico. 
D) Encaminhar para avaliação ambulatorial com neurologista – Falso - 
Não é apropriado encaminhar para avaliação ambulatorial sem descartar 
causas cardíacas, especialmente SCA atípica em idosos. 
 
6- Um paciente em protocolo de dor torácica desenvolve hipotensão, dispneia 
intensa com estertores pulmonares e taquiarritmia. Qual ferramenta 
diagnóstica é essencial nesta situação? 
A) Teste ergométrico – Falso - O teste ergométrico não é seguro 
em paciente instável com hipotensão e dispneia aguda; não é indicado neste 
contexto. 
B) Ressonância Magnética – Falso - ressonância é útil para avaliação 
detalhada de miocárdio, mas não é ferramenta de primeira linha em urgência, 
principalmente com instabilidade hemodinâmica. 
C) Ecocardiografia / POCUS – Verdadeiro - A ecocardiografia à beira do 
leito permite avaliar função ventricular, valvas, presença de tamponamento 
ou disfunção aguda, sendo essencial em pacientes instáveis. 
D) Cineangiocoronariografia ambulatorial – Falso - Não é indicada de 
forma ambulatorial em paciente instável; a abordagem invasiva deve ser 
emergencial e guiada por protocolo de SCA. 
Tbl 1.3 - Pericardite 
 
7- Uma paciente de 30 anos apresenta dor torácica que piora com a palpação 
da região esternal, sem sintomas associados como náuseas ou sudorese. Qual 
a causa provável e sua categoria diagnóstica? 
A) Infarto Agudo do Miocárdio – Falso - A dor do infarto geralmente 
é retroesternal, em aperto, irradiada, associada a sintomas vegetativos, e não 
aumenta com palpação local. 
B) Dissecção de Aorta – Falso - A dor de dissecção é súbita, intensa, em 
“rasgo”, podendo irradiar para costas; não se altera com palpação. 
C) Distúrbio Musculoesquelético (Não Cardiovascular) – Verdadeiro - 
Dor que piora com palpação ou movimento, sem sinais vegetativos ou fatores 
de risco cardiovascular, indica origem musculoesquelética, não 
cardiovascular. 
D) Embolia Pulmonar – Falso - A dor pleurítica da embolia é aguda, 
associada a dispneia, taquipneia e, frequentemente, fatores de risco 
tromboembólico, não se altera com palpação local. 
 
8- Um médico avalia um paciente com dor torácica e ECG não diagnóstico. 
Ele decide aplicar um escore para estratificar o risco de eventos 
cardiovasculares maiores (MACE) em 6 semanas. Qual o escore preferencial 
segundo a diretriz? 
A) TIMI Risk – Falso - O TIMI avalia risco em SCA confirmada, mas não 
é ideal para estratificação inicial em pronto-socorro com dor torácica não 
diagnóstica. 
B) GRACE – Falso – O GRACE é usado principalmente para previsão de 
mortalidade hospitalar ou a longo prazo em SCA, não é o escore preferido 
para MACE em 6 semanas em pacientes com dor torácica não diagnosticada. 
C) HEART Score – Verdadeiro - O HEART Score (History, ECG, Age, 
Risk factors, Troponin) é indicado para estratificação de risco de eventos 
cardiovasculares em 6 semanas em pacientes com dor torácica suspeita, mas 
ECG não diagnóstico, ajudando a decidir alta ou internação. 
D) Wells – Falso - O Wells Score é usado para estratificação de risco de 
tromboembolismo pulmonar, não eventos cardíacos. 
 
9- Paciente com dor torácica pleurítica súbita e cirurgia ortopédica recente 
pontua como "baixa probabilidade" no escore de Wells. Qual exame deve ser 
solicitado para descartar o diagnóstico? 
A) Angiotomografia de tórax imediata – Falso - Não é indicada 
imediatamente em paciente baixa probabilidade de TEP, pois há risco de 
radiação e contraste; primeiro se faz teste não invasivo. 
B) D-dímero – Verdadeiro - Em paciente baixa probabilidade clínica, o D-
dímero negativo descarta com segurança tromboembolismo pulmonar, sendo 
a conduta recomendada. 
C) Cintilografia pulmonar – Falso - Indicada em pacientes com 
contraindicação à angiotomografia ou suspeita moderada/alta, não como 
primeira escolha em baixa probabilidade. 
D) Troponina isolada – Falso - A troponina não descarta TEP; ela avalia 
lesão miocárdica secundária. 
 
10- Qual a principal indicação absoluta para a realização de uma 
pericardiocentesede emergência? 
A) Derrame pericárdico pequeno em paciente assintomático – Falso - 
Não há indicação de emergência; acompanhamento clínico e 
ecocardiográfico é suficiente. 
B) Diagnóstico de rotina em pericardite viral – Falso - Pericardiocentese 
de rotina não é indicada em pericardite viral, salvo complicação ou 
tamponamento. 
C) Derrame pericárdico com evidência clínica de tamponamento – 
Verdadeiro - Tamponamento cardíaco é indicação absoluta de 
pericardiocentese de emergência, para aliviar a pressão sobre o coração e 
restaurar o débito cardíaco. 
D) Suspeita de pericardite por radiação – Falso - Não justifica 
pericardiocentese emergencial; é conduta eletiva ou de monitoramento.

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