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OT2 – “O Trabalho da Atenção Básica na Rede de Atenção À Saúde” 2ª Fase Bernardo Stadler 1 O Trabalho da Atenção Básica na Rede de Atenção À Saúde ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA: • É a estratégia prioritária para sua organização da atenção básica de acordo com os preceitos do Sistema Único de Saúde. Trabalha com ADSCRIÇÃO DE CLIENTELA E TERRITORIALIZAÇÃO. COMPOSIÇÃO MÍNIMA: • Médico, preferencialmente da especialidade medicina de família e comunidade; • enfermeiro, preferencialmente especialista em saúde da família; • Auxiliar e/ou técnico de enfermagem e • Agente Comunitário de Saúde (ACS). • Podendo fazer parte da equipe o Agente de Combate às Endemias (ACE) e os profissionais de saúde bucal: cirurgião-dentista, preferencialmente especialista em saúde da família, e auxiliar ou técnico em saúde bucal. ATENÇÃO BÁSICA: • É o conjunto de ações de saúde individuais, familiares e coletivas que envolvem promoção, prevenção, proteção, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos, cuidados paliativos e vigilância em saúde, desenvolvida por meio de práticas de cuidado integrado e gestão qualificada, realizada com equipe multiprofissional e dirigida à população em território definido, sobre as quais as equipes assumem responsabilidade sanitária. CARACTERÍSTICAS DA ATENÇÃO BÁSICA: • Princípios: universalidade, equidade e integralidade. • Diretrizes: regionalização e hierarquização, territorialização, população adscrita, cuidado centrado na pessoa, resolutividade, longitudinalidade do cuidado, coordenação do cuidado, ordenação da rede e participação da comunidade. →A população sob o cuidado da equipe de Saúde da Família (e da Atenção Básica) deve ser de 2.000 a 4.000 pessoas. →O número de ACS por equipe deverá ser definido de acordo com base populacional, critérios demográficos, epidemiológicos e socioeconômicos, de acordo com definição local. →Em áreas de grande dispersão territorial, áreas de risco e vulnerabilidade social, recomenda-se a cobertura de 100% da população, com número máximo de 750 pessoas por ACS. →Carga horária ESF: cumprimento de 40 horas semanais para todos os profissionais membros da equipe. Equipes de Saúde da Família Ribeirinha (eSFR): • Operam em áreas acessíveis via fluvial, necessitando de embarcações devido à dispersão territorial. Vinculadas a uma Unidade Básica de Saúde (UBS), são compostas minimamente por um médico, enfermeiro e auxiliar/técnico de enfermagem, podendo incluir outros profissionais como agentes comunitários de saúde e profissionais de saúde bucal. Em áreas de grande dispersão populacional, podem ter até 24 agentes comunitários de saúde, entre outros. As eSFR atendem a população por no mínimo 14 dias mensais, com circuitos de deslocamento para atender todas as comunidades a cada 60 dias. Para operacionalizar o atendimento, recebem incentivo financeiro para logística, podendo ter até quatro unidades de apoio e quatro embarcações de pequeno porte para deslocamento dos profissionais, todas devidamente registradas no Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde. Equipes de Saúde da Família Fluviais (eSFF): • Atuam em Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF), servindo comunidades ribeirinhas dispersas acessíveis via fluvial. Compostas minimamente por um médico, enfermeiro e auxiliar/técnico de enfermagem, podem incluir agentes comunitários de saúde, profissionais de saúde bucal, e um técnico de laboratório e/ou bioquímico. Podem adicionar até dois profissionais de saúde de nível superior à sua equipe. Para comunidades distantes, adotam circuitos de deslocamento para garantir atendimento a cada 60 dias. Para operacionalizar o atendimento onde a UBS Fluvial não alcança, recebem incentivo financeiro para logística, podendo ter até quatro unidades de apoio e quatro embarcações de pequeno porte para deslocamento dos profissionais, registradas no Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde. ESPECIFICIDADES DA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA OT2 – “O Trabalho da Atenção Básica na Rede de Atenção À Saúde” 2ª Fase Bernardo Stadler 2 Equipe de Consultório na Rua (eCR): • Oferece atenção integral à saúde de pessoas em situação de rua, operando em unidade fixa ou móvel, com composição variável definida por portaria específica. Realiza atividades itinerantes, colaborando com outras equipes de atenção básica e instituições públicas ou civis. A carga horária mínima semanal é de 30 horas, ajustável às demandas do público, podendo operar diurna ou noturnamente. Cada eCR deve ter no máximo dois profissionais da mesma profissão de saúde, podendo incluir agentes comunitários de saúde. Um agente social pode ser equivalente a um profissional de nível médio, ajudando na integração com a comunidade. Para operar, a eCR deve estar cadastrada no Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde e alimentar dados no Sistema de Informação da Atenção Básica. Em áreas sem Consultórios na Rua, o cuidado integral é responsabilidade das equipes de Atenção Básica locais. O teto de equipes é baseado em censos populacionais oficiais, com regras detalhadas em portarias específicas. Equipe de Atenção Básica Prisional (eABP): • É uma equipe multiprofissional cadastrada no Sistema Nacional de Estabelecimentos de Saúde, responsável por prover atenção integral à saúde de indivíduos privados de liberdade. Seguindo a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP), essa equipe torna os serviços de saúde prisional um ponto de atenção na Rede de Atenção à Saúde (RAS) do SUS. A eABP qualifica a Atenção Básica prisional como porta de entrada para o sistema de saúde, coordenando ações e serviços de saúde, seja nas unidades prisionais ou nas Unidades Básicas de Saúde vinculadas, conforme regulamentado por portaria específica. Atribuições Comuns a Todos os Profissionais de saúde: 1. Participar do mapeamento da área de atuação, identificando grupos vulneráveis. 2. Manter cadastros de saúde atualizados, utilizando-os para análise e planejamento local. 3. Prover cuidado integral à população, prioritariamente na Unidade Básica de Saúde (UBS), e em outros espaços comunitários quando necessário. 4. Realizar ações de saúde conforme as necessidades locais e diretrizes estabelecidas. 5. Garantir a integralidade da atenção à saúde, promovendo a saúde e prevenindo doenças. 6. Participar do acolhimento dos usuários, proporcionando atendimento humanizado e estabelecendo vínculos. 7. Acompanhar a população ao longo do tempo, permitindo a continuidade do cuidado. 8. Praticar cuidado individual e familiar, propondo intervenções para melhorar os processos saúde- doença. 9. Coordenar o cuidado da população mesmo quando necessita de atenção em outros pontos do sistema de saúde. 10. Utilizar o Sistema de Informação da Atenção Básica para registro e gestão das ações de saúde. 11. Contribuir para a regulação do acesso à Atenção Básica, definindo fluxos assistenciais e elaborando protocolos. 12. Gerenciar filas de espera, evitando encaminhamentos desnecessários e garantindo a referência e contrarreferência. 13. Integrar diferentes pontos de atenção na Rede de Atenção à Saúde, garantindo a integralidade do cuidado. 14. Instituir ações para segurança do paciente e reduzir riscos e eventos adversos. 15. Garantir a qualidade do registro das atividades nos sistemas de informação da Atenção Básica. 16. Realizar busca ativa e notificar doenças e agravos de notificação compulsória. 17. Realizar busca ativa de internações e atendimentos de urgência/emergência por causas sensíveis à Atenção Básica. 18. Realizar visitas domiciliares e atendimentos em domicílio conforme necessidades e prioridadesestabelecidas. 19. Prover atenção domiciliar a pessoas com problemas de saúde controlados/compensados com algum grau de dependência. 20. Realizar trabalhos interdisciplinares e em equipe, integrando áreas técnicas e profissionais de diferentes formações. ATRIBUIÇÕES DOS PROFISSIONAIS DA ESF E DA AB OT2 – “O Trabalho da Atenção Básica na Rede de Atenção À Saúde” 2ª Fase Bernardo Stadler 3 21. Participar de reuniões de equipes para discussão conjunta do planejamento e avaliação das ações da equipe. 22. Participar das atividades de educação permanente e educação continuada. 23. Realizar ações de educação em saúde à população adscrita, conforme planejamento da equipe. 24. Participar do gerenciamento dos insumos necessários para o funcionamento da UBS. 25. Identificar parceiros e recursos na comunidade para potencializar ações intersetoriais. 26. Acompanhar e registrar no Sistema de Informação da Atenção Básica as condicionalidades de saúde das famílias beneficiárias de programas sociais. 27. Realizar outras ações e atividades conforme as prioridades locais definidas pelo gestor local. • O papel do ACS nas equipes interprofissionais é a atuação como porta voz das necessidades das famílias adscritas às suas microáreas, reforçando a importância da PNH nesse processo. • É função do ACS estreitar o elo entre a equipe de saúde e a comunidade, estabelecendo um vínculo com as famílias e conhecendo sua realidade. • A função do ACS é essencial para a efetividade da ESF, pois ele atua diretamente no território, aproximando os serviços de saúde da realidade das famílias e contribuindo para a integralidade e humanização do cuidado. • Recomenda-se a inclusão do Gerente de Atenção Básica com o objetivo de contribuir para o aprimoramento e qualificação do processo de trabalho nas Unidades Básicas de Saúde, em especial ao fortalecer a atenção à saúde prestada pelos profissionais das equipes à população adscrita, por meio de função técnico-gerencial. A inclusão deste profissional deve ser avaliada pelo gestor, segundo a necessidade do território e cobertura de AB. Territorialização: Gestão e equipes definem e compreendem o território de atuação, programando ações conforme as necessidades da comunidade, com revisões periódicas para adequação às mudanças territoriais. Responsabilização Sanitária: As equipes assumem responsabilidades sanitárias e ambientais no território, intervindo nos problemas de saúde da população residente e itinerante. Porta de Entrada Preferencial: A Atenção Básica serve como primeiro contato e porta de entrada para a rede de atenção, garantindo acolhimento e organização conforme as demandas populacionais. Adscrição de Usuários: Desenvolvimento de vínculos entre a equipe e a população do território, facilitando a adesão do usuário ao cuidado compartilhado. Acesso: A unidade de saúde deve acolher todos no território de referência, organizando-se conforme as necessidades da população para garantir o acesso. Acolhimento: Presente em todas as relações de cuidado, envolve receber e escutar as pessoas, avaliando riscos e vulnerabilidades das famílias, com atenção especial para condições crônicas. Trabalho em Equipe Multiprofissional: Atendimento integral na Atenção Básica requer diversas formações profissionais para ações compartilhadas e interdisciplinares centradas no usuário, integrando práticas de vigilância, promoção e assistência à saúde. Resolutividade: Identificar e intervir nas necessidades de saúde da população, sendo resolutivos desde o contato inicial, com amplo escopo de ofertas e abordagens de cuidado, encaminhando qualificadamente usuários para atendimento especializado quando necessário. Atenção Integral e Contínua: Promover atenção baseada nas necessidades sociais e de saúde, estabelecendo continuidade informacional e interpessoal com a população, visando atenção integral, resolutiva e fortalecimento da autonomia das pessoas no cuidado à saúde. Ações de Atenção Domiciliar: Destinadas a usuários com problemas de saúde controlados e dificuldade de locomoção, realizando busca ativa, vigilância em saúde e cuidado compartilhado com equipes de atenção domiciliar em casos complexos. Programação e Implementação de Atividades: Baseadas nas necessidades de saúde da população, priorizando intervenções clínicas e sanitárias, com planejamento e organização de agenda de trabalho PAPEL DO ACS NA ESF GERENTE DE ATENÇÃO BÁSICA O PROCESSO DE TRABALHO NA ATENÇÃO BÁSICA ENVOLVE OT2 – “O Trabalho da Atenção Básica na Rede de Atenção À Saúde” 2ª Fase Bernardo Stadler 4 compartilhada, evitando divisão de agenda por critérios restritivos. Promoção da Saúde: Implementação como princípio para o cuidado, estimulando a autonomia dos usuários, promovendo modos de vida saudáveis e sustentáveis, e incentivando a transformação das condições de vida e saúde através de estratégias transversais. • Ampliação do Acesso: A equipe deve atender todos que chegam à Unidade Básica de Saúde (UBS) conforme suas necessidades, não se restringindo a grupos específicos ou agravos prevalentes, facilitando assim o acesso tanto programado quanto espontâneo. • Postura e Tecnologia do Cuidado: Estabelece-se nas relações entre pessoas e trabalhadores, modos de escuta e lidar com o imprevisto, construindo vínculos e facilitando a continuidade do cuidado, especialmente para quem procura a UBS fora das consultas agendadas. • (Re)Organização do Trabalho em Equipe: A implantação do acolhimento pode reorganizar as equipes, exigindo reflexão sobre as ofertas de cuidado e como lidar com as necessidades de saúde da população. Inclui definir quem receberá o usuário, avaliar riscos, organizar agendas, entre outros. • Avaliação de Risco e Vulnerabilidade: Destacam-se Acolhimento com Classificação de Risco e a Estratificação de Risco, que envolvem escuta qualificada e avaliação do potencial de risco e sofrimento dos usuários, permitindo priorizar atendimentos conforme a necessidade. • Acolhimento com Classificação de Risco: Avaliação comprometida do risco e agravo à saúde dos usuários, priorizando atendimentos a eventos agudos conforme critérios clínicos e de vulnerabilidade, garantindo que casos de urgência/emergência sejam atendidos prontamente, com suporte adequado até encaminhamento a outros pontos de atenção quando necessário. • O processo de trabalho das equipes deve estar organizado de modo a permitir que casos de urgência/emergência tenham prioridade no atendimento, independentemente do número de consultas agendadas no período. Caberá à UBS prover atendimento adequado à situação e dar suporte até que os usuários sejam acolhidos em outros pontos de atenção da RAS. • Comunicação Interprofissional: Esta competência envolve a capacidade de comunicar-se eficazmente com outros profissionais de saúde, compartilhar informações de maneira clara e compreensível, e ouvir ativamente. • Clarificação dos Papéis: É crucial que cada membro da equipe entenda seu próprio papel e as responsabilidades dos outros membros da equipe. A clarificação dos papéis ajuda a evitar sobreposições e lacunas no atendimento ao paciente. • Dinâmica de Funcionamento da Equipe: Compreender e navegar eficazmente pela dinâmica da equipe, incluindo a capacidade de trabalhar bem em um ambiente de equipe, contribuir para uma cultura de equipe positiva e apoiar outros membros da equipe. • Resolução de Conflitos Interprofissionais: Desenvolver habilidades para resolver conflitos de maneira construtiva, promovendo um ambiente de respeito mútuo e compreensão entre diferentes profissionais de saúde. • Liderança Colaborativa: A liderança colaborativa envolve a capacidade de liderar e facilitar a colaboraçãointerprofissional, promovendo a tomada de decisão compartilhada e a gestão eficaz de recursos. • Atenção Centrada no Paciente / família / comunidade: garantia do cuidado com foco nas necessidades e preferências do paciente e de sua família ou comunidade. NÚCLEOS DE COMPETÊNCIA: • Os núcleos de competência referem-se às habilidades e conhecimentos específicos que os profissionais de saúde possuem em suas respectivas áreas de especialização. O ACOLHIMENTO À DEMANDA ESPONTÂNEA NA AB SE MANIFESTA COMO COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS PARA O TRABALHO INTERPROFISSIONAL COLABORATIVO NO ÂMBITO DA SAÚDE DIMENSÃO CUIDADORA NA PRODUÇÃO EM SAÚDE OT2 – “O Trabalho da Atenção Básica na Rede de Atenção À Saúde” 2ª Fase Bernardo Stadler 5 • Exemplo: Um médico possui um núcleo de competência em diagnóstico e tratamento de doenças, enquanto um nutricionista possui um núcleo de competência em nutrição e dietética. CAMPOS DE COMPETÊNCIA: • Os campos de competência referem-se às áreas de prática onde diferentes núcleos de competência se sobrepõem e interagem. • Exemplo: O manejo de uma condição crônica como diabetes pode ser um campo de competência onde médicos, nutricionistas, enfermeiros e educadores em diabetes colaboram para fornecer cuidados integrados. Tensão entre Núcleos e Campos de Competência: • A tensão pode surgir quando há desafios na integração e colaboração entre diferentes núcleos de competência dentro de um campo de competência. • Exemplo: Pode haver tensão se houver falta de comunicação ou desacordo sobre abordagens de tratamento entre profissionais de diferentes disciplinas. MODELO HEGEMÔNICO: • O modelo hegemônico de atenção à saúde é muitas vezes centrado na doença, com foco predominante no tratamento de condições médicas em um ambiente clínico. • Os trabalhadores de saúde, neste modelo, muitas vezes operam de maneira isolada, com ênfase na especialização e no tratamento médico direcionado. A participação dos trabalhadores de saúde pode ser limitada pela estrutura hierárquica e pela falta de integração entre diferentes disciplinas e níveis de atenção. REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE (RAS): • A RAS é um modelo mais integrado e centrado no paciente, que busca proporcionar uma continuidade do cuidado ao longo de diferentes níveis de atenção e serviços de saúde. • Neste modelo, os trabalhadores de saúde são incentivados a trabalhar de maneira interdisciplinar e multiprofissional, colaborando para atender às necessidades holísticas dos pacientes. • A participação dos trabalhadores de saúde é ampliada, com oportunidades para envolvimento em planejamento, avaliação e melhoria contínua dos serviços de saúde. Participação Ativa: • No modelo da RAS, os trabalhadores de saúde têm a oportunidade de participar ativamente na concepção e implementação de estratégias de cuidado, bem como na avaliação e melhoria dos serviços de saúde. Educação e Desenvolvimento Profissional: • A educação contínua e o desenvolvimento profissional são incentivados na RAS, permitindo que os trabalhadores de saúde expandam suas competências e participem de maneira mais eficaz na produção dos modelos de atenção à saúde. Empoderamento e Autonomia: • A RAS promove o empoderamento e a autonomia dos trabalhadores de saúde, permitindo que eles contribuam com suas perspectivas e expertise para a melhoria contínua do sistema de saúde. Colaboração com a Comunidade: • A colaboração com a comunidade e a participação dos pacientes são aspectos centrais da RAS, e os trabalhadores de saúde desempenham um papel crucial na facilitação dessa colaboração. A transição do modelo hegemônico para a Rede de Atenção à Saúde representa uma mudança significativa na participação na produção dos modelos de atenção à saúde, promovendo uma abordagem mais integrada, centrada no paciente e colaborativa ao cuidado. MULTIPROFISSIONALIDADE: • Conceitual: Refere-se à colaboração entre profissionais de diferentes disciplinas, cada um contribuindo com sua expertise específica para atender às diversas necessidades de saúde dos pacientes. • Operacional: Na prática, envolve a formação de equipes compostas por diferentes profissionais (como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, etc.) que trabalham juntos para fornecer cuidados coordenados. MODELOS DE ATENÇÃO À SAÚDE IMPORTÂNCIA DA MULTIPROFISSIONALIDADE E INTERDISCIPLINARIDADE NO TRABALHO DAS EQUIPES OT2 – “O Trabalho da Atenção Básica na Rede de Atenção À Saúde” 2ª Fase Bernardo Stadler 6 • Importância: Promove uma abordagem holística ao cuidado, aproveitando a diversidade de conhecimentos e habilidades para atender às necessidades complexas dos pacientes. INTERDISCIPLINARIDADE: • Conceitual: Refere-se à integração e síntese de conhecimentos e métodos de diferentes disciplinas, criando uma abordagem coordenada e unificada para o cuidado. • Operacional: Na prática, envolve a comunicação eficaz, planejamento conjunto e tomada de decisão colaborativa entre profissionais de diferentes disciplinas. • Importância: Facilita a coordenação do cuidado, promove a compreensão mútua entre profissionais de diferentes disciplinas e ajuda a desenvolver soluções inovadoras para desafios complexos em saúde. IMPACTO NO TRABALHO DAS EQUIPES: • Colaboração Eficaz: A multiprofissionalidade e a interdisciplinaridade promovem a colaboração eficaz, o que é crucial para a entrega de cuidados de alta qualidade. • Educação e Desenvolvimento Profissional Contínuos: Promove a aprendizagem e o desenvolvimento profissional contínuos, permitindo que os membros da equipe expandam suas competências e compreensão das disciplinas uns dos outros. • Satisfação do Paciente: Ao atender às necessidades holísticas dos pacientes de maneira mais eficaz, essas abordagens podem melhorar a satisfação do paciente e os resultados de saúde. • Inovação: A interdisciplinaridade pode levar a inovações no cuidado ao paciente, ao combinar diferentes perspectivas e áreas de expertise. • Esses princípios são fundamentais para orientar o trabalho das ESF, garantindo que o cuidado seja centrado no paciente e que as comunidades estejam envolvidas na gestão de sua própria saúde. INTEGRALIDADE: • Conceito: A integralidade refere-se à abordagem holística do cuidado, que considera as necessidades físicas, mentais, sociais e emocionais dos indivíduos e comunidades. • Operacional: Na prática, isso implica em oferecer uma gama de serviços de saúde que vão desde a prevenção e promoção da saúde até o tratamento e reabilitação, em um ambiente que promova a continuidade do cuidado. • Importância: A integralidade é crucial para garantir que o cuidado seja relevante, adequado e eficaz, promovendo a saúde e o bem-estar geral dos indivíduos e comunidades. ATUAÇÃO PARTICIPATIVA: • Conceito: A atuação participativa envolve a inclusão e a colaboração ativa de pacientes, famílias e comunidades na gestão e decisão sobre o cuidado. • Operacional: Isso pode incluir estratégias como consultas comunitárias, grupos de apoio, comitês de saúde comunitária, e envolvimento dos pacientes na tomada de decisões sobre o cuidado. • Importância: A atuação participativa promove a autonomia, o empoderamento e a satisfação dos pacientes, e pode levar a melhores resultados de saúde e a serviços de saúde mais responsivos e centrados no paciente. IMPACTO NO TRABALHO DAS ESF: • Colaboração: A integralidade e a atuação participativa promovem a colaboração entre profissionais de saúde, pacientes e comunidades, o que é crucial para o sucesso das ESF. • Educação e Comunicação: Esses princípios incentivam a educação em saúde e a comunicação eficaz, que são fundamentais para a promoção da saúde ea gestão eficaz das condições de saúde. • Desenvolvimento de Serviços: A atuação participativa pode informar o desenvolvimento e a avaliação de serviços de saúde, garantindo que eles atendam às necessidades e preferências da comunidade. • Satisfação e Resultados: A aplicação eficaz desses princípios pode levar a uma maior satisfação do paciente e a melhores resultados de saúde. • A organização do processo de trabalho das equipes de saúde na Atenção Básica é crucial para garantir CONCEITO, OPERACIONALIZAÇÃO E IMPORTÂNCIA DA INTEGRALIDADE E DA ATUAÇÃO PARTICIPATIVA NA ESF ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO DE TRABALHO DA ESF NA AB OT2 – “O Trabalho da Atenção Básica na Rede de Atenção À Saúde” 2ª Fase Bernardo Stadler 7 a entrega eficaz e eficiente de cuidados de saúde, envolve vários componentes e etapas que facilitam a coordenação e a colaboração entre os membros da equipe e com os pacientes. PLANEJAMENTO: • Identificação das necessidades de saúde da comunidade através de diagnósticos situacionais e análises epidemiológicas. • Definição de metas, objetivos e estratégias para atender a essas necessidades. • Alocação de recursos, incluindo pessoal, equipamentos e financiamento. FORMAÇÃO DE EQUIPES: • Composição de equipes multidisciplinares, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, entre outros profissionais. • Definição de papéis, responsabilidades e áreas de atuação de cada membro da equipe. DESENVOLVIMENTO DE PROTOCOLOS E PROCEDIMENTOS: • Estabelecimento de protocolos clínicos e operacionais para garantir a padronização e a qualidade do atendimento. • Desenvolvimento de procedimentos para a referência e contrarreferência entre diferentes níveis de atenção. EDUCAÇÃO CONTINUADA: • Treinamento e desenvolvimento profissional contínuo para garantir a atualização e a competência dos membros da equipe. • Promoção da educação interprofissional para melhorar a colaboração e a compreensão mútua entre diferentes disciplinas. COMUNICAÇÃO E COORDENAÇÃO: • Estabelecimento de canais eficazes de comunicação dentro da equipe e com outros níveis de atenção. • Coordenação do cuidado entre diferentes profissionais e serviços para garantir a continuidade do cuidado. ENGAJAMENTO COMUNITÁRIO: • Inclusão e participação ativa da comunidade no planejamento, implementação e avaliação dos serviços de saúde. • Promoção da educação em saúde e da participação comunitária na gestão da saúde. AVALIAÇÃO E MELHORIA CONTÍNUA: • Monitoramento e avaliação contínua do desempenho da equipe e dos resultados de saúde. • Identificação de áreas de melhoria e implementação de estratégias de melhoria contínua. TECNOLOGIA E INFORMAÇÃO: • Utilização de sistemas de informação em saúde para coleta, análise e compartilhamento de dados. • Incorporação de tecnologias digitais para melhorar a eficiência e a eficácia dos processos de trabalho. ÉTICA E LEGALIDADE: • Adesão a princípios éticos e legais na prestação de cuidados, garantindo a confidencialidade, o consentimento informado e os direitos dos pacientes. • Eficiência: fazer algo com o mínimo de recurso possível (tempo, dinheiro, materiais) uso otimizado de recursos. • Eficácia: capacidade de alcançar um resultado. (ex. Eficácia de uma vacina) • Efetividade: o quanto realmente funciona na prática “mundo real”. • Foi estabelecida em 2003 com o objetivo de efetivar os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) no cotidiano das práticas de atenção e gestão, visando a qualificação da saúde pública no Brasil. HISTÓRICO E CRIAÇÃO: • A PNH foi criada em 2003 pelo Ministério da Saúde e pactuada na Comissão Intergestores Tripartite, visando humanizar as práticas de atenção e gestão no SUS OBJETIVOS: • A PNH busca reconhecer cada pessoa como legítima cidadã de direitos, valorizando e incentivando sua atuação na produção de saúde. EFICIÊNCIA, EFICÁCIA E EFETIVIDADE PNH - POLÍTICA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO OT2 – “O Trabalho da Atenção Básica na Rede de Atenção À Saúde” 2ª Fase Bernardo Stadler 8 Além disso, visa a redução de filas e do tempo de espera, ampliando o acesso aos serviços de saúde. RESULTADOS: • A implementação da PNH visa a melhoria do acesso e da qualidade dos serviços de saúde, promovendo uma relação mais acolhedora entre os profissionais de saúde e os usuários do SUS. DIRETRIZES E IMPLEMENTAÇÃO: • A PNH propõe a ativação de dispositivos que favoreçam ações de humanização nas práticas de saúde, promovendo a inclusão e a participação ativa dos usuários nas decisões relativas ao processo de saúde-doença. • O modelo de Atenção Primária em Saúde (APS) é desenvolvido, no Brasil, por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF), sendo baseado na atenção integral à saúde, com vínculo das equipes multiprofissionais à população de um determinado território; possui ampla capilaridade; é considerada a porta de entrada preferencial para o sistema e responsável pela coordenação das redes de atenção à saúde. • O processo de trabalho em saúde é entendido como um conjunto de ações coordenadas, desenvolvidas pelos trabalhadores, onde indivíduos, famílias e grupos sociais compõem o objeto de trabalho, e os saberes e métodos representam os instrumentos que originam a atenção em saúde. • A iniciativa mais recente para a implantação de processos avaliativos sistemáticos sobre a atuação das equipes no âmbito da AB foi o Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB), cujo objetivo é avaliar aspectos estruturais oferecidos pela gestão municipal, aspectos do processo de trabalho desenvolvidos pelas equipes e de satisfação do usuário. • É um dispositivo de produção de cuidado em saúde que contribui para a integralidade das ações. A construção de um PTS pode ser sistematizada em quatro momentos 1. DIAGNÓSTICO: • Deve-se explicitar a avaliação orgânica, psicológica e social, possibilitando análise da situação de risco e/ou vulnerabilidade a que o usuário está submetido. Mas é importante que se analise também a capacidade do sujeito de enfrentamento da doença e sua forma de levar a vida, assim como os elementos que representam possibilidades de produção de qualidade de vida. 2. ESTABELECIMENTO DE METAS: • A partir dos diagnósticos, a equipe elabora as propostas de curto, médio e longo prazo, que devem ser negociadas com o sujeito doente pelo profissional da equipe que tiver maior vínculo com ele. Esse profissional deverá coordenar o PTS com a equipe, mesmo que não seja o coordenador do serviço. 3. DIVISÃO DE RESPONSABILIDADES: • Devem-se definir as tarefas de cada profissional no projeto 4. REAVALIAÇÃO: • Momento de avaliação da evolução do PTS, que possibilita correções de rumo. O PROCESSO DE TRABALHO NA ATENÇÃO BÁSICA À SAÚDE: AVALIAÇÃO DA GESTÃO PTS - PROJETO TERAPÊUTICO SINGULAR OT2 – “O Trabalho da Atenção Básica na Rede de Atenção À Saúde” 2ª Fase Bernardo Stadler 9 DIMENSÃO: CONDIÇÕES ESTRUTURAIS 1. Infraestrutura: • Espaço físico adequado para o desenvolvimento das ações. • Disponibilidade para o acesso. 2. Pessoal: • Cobertura populacional. • Adequação de pessoal. • Suporte especializado. • Educação permanente. 3. Apoio Tecnológico e Logístico: • Existência de suporte tecnológico. • Recursos de mobilidade da equipe. DIMENSÃO: CONDIÇÕES PROCESSUAIS 1. Vínculo e Territorialização: • Identificação e vulnerabilidade. • Monitoramento. • Foco na família. • Ações intersetoriais. • Planejamento conjunto. • Ações compartilhadas. 2. Organização do Trabalho: • Orientação de fluxo de encaminhamento. • Normatização do cuidado. • Canais de comunicação. • Participaçãopopular nas decisões. 3. Coordenação do Cuidado: • Acolhimento. • Encaminhamento. • Acompanhamento. • Responsabilização. O MODELO DE AVALIAÇÃO FINAL CONTA COM 22 INDICADORES, 2 DIMENSÕES E 6 SUBDIMENSÕES