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Sistemas Orgânicos Integrados IV Anatomopatologia Profª Caroline Mendes, PhD Tipos de alterações celulares Células podem ser dividas em: Células que se dividem continuamente (ex: células embrionárias, epiderme, epitélio do intestino delgado). Células que não se dividem, mas podem entrar em divisão em resposta a estímulos (ex: hepatócitos, ovário, células renais, células ósseas). Células diferenciadas que não se dividem (ex: neurônios, células da musculatura esquelética e cardíaca) Divisão celular Células muito diferenciadas tendem a se dividir pouco! • G0 / G1 • Fase quiescente; • Metabolicamente ativa; • Tempo indeterminado (até estímulo). • Crescimento celular; • Duplicação das organelas. • S • Duplicação do DNA. • G2 • Crescimento celular; • Duplicação dos centríolos (coordenar a separação do material genético); • Preparação para mitose (divisão). O ciclo celular controla a divisão celular Erros no ciclo celular alteram o padrão de divisão e são responsáveis por diversos tipos de câncer Objetivo de aprendizagem: Compreender biópsia normal de esôfago e estômago, infecção por H. pylori (gastrite) e neoplasia esofágica e gástrica. Estação 1: Relembrar Histologia normal do Esôfago Esôfago • Órgão muscular oco • Porção cervical, torácica e abdominal • Quatro camadas: Mucosa, submucosa, muscular própria, adventícia (não possui camada serosa nas partes cervical e torácica aumento das chances de disseminação tumoral local e formação de fístulas) Esôfago - Mucosa Epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado Lâmina própria Camada muscular Esôfago - Submucosa Vasos Glândulas da submucosa Esôfago – Muscular própria Muscular externa (longitudinal) Muscular interna Esôfago – Camada adventícia Muscular externa (longitudinal) Camada adventícia A Junção Gastroesofágica evita a passagem do conteúdo gastroduodenal para o esôfago ESFÍNCTER ESOFÁGICO INFERIOR Junção Gastroesofágica ESTÔMAGO ESÔFAGO Junção Gastroesofágica Estação 2: Anatomopatologia – Doenças esofágicas CASO CLÍNICO A.R.C, sexo feminino, 26 anos foi encaminhada ao ambulatório de gastroenterologia com histórico de pirose retroesternal há 5 anos. Anteriormente, o sintoma se apresentava de forma esporádica, mas nos últimos 6 meses, a frequência e a intensidade dos episódios aumentaram. Atualmente, apresenta episódios todos os dias da semana, com piora após refeições volumosas e após deitar-se, além de ser acompanhada de regurgitação; sem fator de melhora. Refere que, associado a esses sintomas, apresenta tosse seca e rouquidão. Ao exame físico, a paciente encontrava-se em bom estado geral, lúcida e orientada em tempo e espaço, sem linfadenomegalias, afebril, corada, hidratada, anictérica, acianótica, normopneica, normocárdica e normotensa. Peso: 53 kg. Altura: 1,61m. IMC: 20,4. O gastroenterologista apontou como principal suspeita a Doença do Refluxo Gastroesofágico e solicitou Endoscopia Digestiva Alta com biópsia. Após um mês, a paciente retornou ao consultório médico com os resultados dos exames. A Endoscopia Digestiva Alta apresentou esofagite erosiva e esôfago de Barrett. CASO CLÍNICO A.R.C, sexo feminino, 26 anos foi encaminhada ao ambulatório de gastroenterologia com histórico de pirose retroesternal há 5 anos. Anteriormente, o sintoma se apresentava de forma esporádica, mas nos últimos 6 meses, a frequência e a intensidade dos episódios aumentaram. Atualmente, apresenta episódios todos os dias da semana, com piora após refeições volumosas e após deitar-se, além de ser acompanhada de regurgitação; sem fator de melhora. Refere que, associado a esses sintomas, apresenta tosse seca e rouquidão. Ao exame físico, a paciente encontrava-se em bom estado geral, lúcida e orientada em tempo e espaço, sem linfadenomegalias, afebril, corada, hidratada, anictérica, acianótica, normopneica, normocárdica e normotensa. Peso: 53 kg. Altura: 1,61m. IMC: 20,4. O gastroenterologista apontou como principal suspeita a Doença do Refluxo Gastroesofágico e solicitou Endoscopia Digestiva Alta com biópsia. Após um mês, a paciente retornou ao consultório médico com os resultados dos exames. A Endoscopia Digestiva Alta apresentou esofagite erosiva e esôfago de Barrett. ∙ O que é Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)? ∙ Qual a relação da DRGE com o esôfago de Barrett? ∙ Histologicamente como se caracteriza o esôfago de Barrett? Qual o impacto dessa patologia? - O que é Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)? 1. A doença do refluxo gastroesofágico é uma afecção crônica decorrente do fluxo retrógrado de parte do conteúdo gastroduodenal para o esôfago e/ou órgãos adjacentes a ele, acarretando um espectro variável de sinais e sintomas. Esses sintomas podem ou não estar associados a lesões teciduais. A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma das mais importantes afecções digestivas, tendo em vista as elevadas e crescentes incidências, a intensidade dos sintomas e a gravidade das complicações. É uma das causas mais frequentes de consultas gastroenterológicas em pacientes ambulatoriais, comprometendo de forma significativa a qualidade de vida dos seus portadores. ∙ Qual a relação da DRGE com o esôfago de Barrett? • Histologicamente como se caracteriza o esôfago de Barrett? Qual importância dessa patologia? Esôfago de Barrett principal complicação da esofagite de refluxo Esôfago de Barrett • Metaplasia intestinal na mucosa esofágica • Risco de evolução para adenocarcinoma • Após a chegada de ácido do estomago, o epitélio esofágico passa a se assemelhar ao epitélio intestinal • Risco de displasia com evolução para adenocarcinoma Esôfago de Barrett – Pontos chave https://www.pathologyoutlines.com/topic/esophagusdysplasia.html • Esôfago de Barrett associado a displasias significa risco aumentado de adenocarcinoma esofágico • A displasia no esôfago de Barrett pode ser classificada como: negativa para displasia, indefinido para displasia, displasia de baixo grau e displasia de alto grau Esôfago de Barrett • Duplicação da camada muscular da mucosa atenção ao diagnóstico! (Risco de diagnosticar como tumor de camada muscular própria) Estação 3: Relembrar Histologia normal do Estômago A estrutura glandular varia de acordo com a região do estômago Corpo/fundo Corpo/fundo • Vilosidades / fossetas gástricas Antro/piloro • Vilosidades / fossetas gástricas Glândulas normais células arranjadas em monocamada e organizadas em uma estrutura tubular (a glândula). Possuem a mesma orientação (núcleo na base da célula e a gotícula de muco para a luz da glândula). Os núcleos são regulares. Estação 4: Anatomopatologia – Doenças gástricas Metade superficial da lâmina própria da mucosa populada por células tumorais que obscurecem as glândulas. (Observar a parte inferior, até a muscularis mucosae) Carcinoma intramucoso Carcinoma intramucoso Células em anel de sinete Carcinoma intramucoso Células em anel de sinete Carcinoma intramucoso Células em anel de sinete Carcinoma intramucoso Células em anel de sinete Estação 2. Gastrite e Helicobacter pylori ∙ Diferenciar a região de antro/piloro da de corpo/fundo ∙ Caracterizar infiltrado inflamatório na gastrite aguda/crônica Visualizar a presença de Helicobacter pylori em HE e Giemsa Homem, 53 anos, pardo, casado, natural de Jequié (BA), procurou o serviço de saúde com queixa de dor abdominal, em região mesogástrica, sem irradiação, há 90 dias. Relata piora importante dos sintomas há 45 dias, associada à melena. Nega fatores de melhora ou piora, náuseas ou vômitos. Refere também perda ponderal de 10 kg no período. É etilista e obeso. Nega alergias, internações prévias e tabagismo. Ao exame, apresentava-se em bom estado geral, corado, hidratado, acianótico, afebril, anictérico, lúcido e orientado em tempo e espaço. Apresentando linfonodomegalia inguinal. Sem demais alterações no exame físico. Realizada uma endoscopia digestiva que evidenciou lesão extensa ulcerada de4,0cm em antro gástrico, próximo ao piloro, com bordos elevados, irregulares, com friabilidade importante e convergência de pregas. Foi feita biópsia da lesão, com resultado de adenocarcinoma gástrico. CASO CLÍNICO Discutir sobre os fatores de risco do carcinoma gástrico, e conhecer a morfologia das células em anel de sinete que podem estar presentes em determinados subtipos das classificações (Lauren/OMS) do adenocarcinoma. As células neoplásicas também produzem muco, que pode ser observado no citoplasma na forma de um material róseo claro, que desloca o núcleo para a periferia. A célula pode parecer um anel, onde o núcleo forma a pedra, daí a comparação com anel de sinete.