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Autores: Prof. Mauricio Narciso da Silva
 Profa. Sirlei Pitteri
Colaboradoras: Profa. Cristiane Nagai
 Profa. Christiane Mazur Doi
Ciências Contábeis 
Interdisciplinar
Professores conteudistas: Mauricio Narciso da Silva / Sirlei Pitteri 
Mauricio Narciso da Silva
Possui mestrado em Ciências Contábeis e Atuárias pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC‑SP), 
graduação em Ciências Contábeis e pós‑graduação lato sensu com MBA em Controladoria pela Universidade Nove 
de Julho (Uninove), e MBA em Gestão de Riscos Fiscais pela Business School São Paulo (BSSP). Atua na área contábil, 
tributária e trabalhista há 27 anos. É coordenador auxiliar do curso de Ciências Contábeis da Universidade Paulista (UNIP) 
desde 2012 e professor dessa instituição de ensino desde 2008, lecionando diversas disciplinas para os cursos 
presenciais de Ciências Contábeis e Administração. Atua na mesma instituição como professor titular, na modalidade 
EAD, das disciplinas Contabilidade Tributária e Planejamento Contábil Tributário para o curso de Ciências Contábeis 
e da disciplina Contabilidade para os cursos de gestão de curta duração.
Sirlei Pitteri
Possui pós‑doutorado em Economia das Organizações e graduação em Física, ambos pela Universidade de 
São Paulo (USP), e mestrado e doutorado em Administração pela Universidade de São Caetano do Sul (USCS). Tem 
experiência profissional como executiva do Citibank na área de gerência de projetos de TI para tesouraria, mercado 
de capitais e negócios internacionais. É professora e pesquisadora em administração, com ênfase em relações entre 
organizações, inovação em gestão, gestão das informações, governança corporativa e finanças corporativas.
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
S586c Silva, Mauricio Narciso da.
Ciências Contábeis Interdisciplinar / Mauricio Narciso da Silva, 
Sirlei Pitteri. – São Paulo: Editora Sol, 2026.
116 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517‑9230.
1. Governança corporativa 2. SPED. 3. Escrituração. I. Silva, 
Mauricio Narciso da. II. Pitteri, Sirlei. III. Título.
CDU 657
U524.05 – 26
Prof. João Carlos Di Genio
Fundador
Profa. Sandra Rejane Gomes Miessa
Reitora
Profa. Dra. Marilia Ancona Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Profa. Dra. Marina Ancona Lopez Soligo
Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Claudia Meucci Andreatini
Vice-Reitora de Administração e Finanças
Profa. M. Marisa Regina Paixão
Vice-Reitora de Extensão
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento
Prof. Marcus Vinícius Mathias
Vice-Reitor das Unidades Universitárias
Profa. Silvia Renata Gomes Miessa
Vice-Reitora de Recursos Humanos e de Pessoal
Profa. Laura Ancona Lee
Vice-Reitora de Relações Internacionais
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Assuntos da Comunidade Universitária
UNIP EaD
Profa. Elisabete Brihy
Profa. M. Isabel Cristina Satie Yoshida Tonetto
Material Didático
Comissão editorial: 
 Profa. Dra. Christiane Mazur Doi
 Profa. Dra. Ronilda Ribeiro
Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista
 Profa. M. Deise Alcantara Carreiro
 Profa. Ana Paula Tôrres de Novaes Menezes
Projeto gráfico: Revisão:
 Prof. Alexandre Ponzetto Fernanda Rodrigues
 Fernanda Felix
Sumário
Ciências Contábeis Interdisciplinar
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................8
Unidade I
1 O QUE É GOVERNANÇA CORPORATIVA?................................................................................................ 12
1.1 Valor e propósito das empresas ...................................................................................................... 13
1.2 Da sociedade limitada para a sociedade por ações ................................................................ 16
1.3 Separação entre a propriedade e a gestão ................................................................................ 18
1.3.1 O surgimento de empresas gigantes .............................................................................................. 20
1.3.2 As bolsas de valores e a dispersão de capital no mundo........................................................ 22
1.3.3 Surgimento de proprietários passivos ............................................................................................ 22
1.4 Conflitos de agência e desalinhamentos do macroambiente ............................................ 24
1.4.1 Conflitos entre proprietários e gestores ........................................................................................ 24
1.4.2 Conflitos entre acionistas majoritários e minoritários ............................................................ 25
1.4.3 Outros conflitos e outros desalinhamentos ................................................................................. 26
1.5 Valores fundamentais (compliance, accountability, disclosure e fairness)................... 27
2 PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA GOVERNANÇA CORPORATIVA ......................................................... 29
2.1 Objetivos da governança corporativa .......................................................................................... 31
2.2 Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) ........................................................ 31
2.3 Fiscalização e monitoramento do desempenho ...................................................................... 35
2.4 Princípios da OCDE .............................................................................................................................. 37
2.5 Governança corporativa no Brasil e no mundo ....................................................................... 41
2.5.1 Shareholder‑oriented e stakeholder‑oriented ............................................................................ 42
2.5.2 Fatores de diferenciação da governança corporativa .............................................................. 43
2.5.3 Governança corporativa no Brasil ................................................................................................... 45
3 USO DOS CONTROLES INTERNOS DA GOVERNANÇA CORPORATIVA ........................................ 46
3.1 Lei Sarbanes‑Oxley ............................................................................................................................... 47
3.2 Lei das S/A comparada com a Lei SOX ......................................................................................... 50
3.3 Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ...................................................................................... 52
3.4 Bolsa de Valores (B3) ........................................................................................................................... 56
3.4.1 Ações ordinárias e ações preferenciais .......................................................................................... 58
3.4.2 Mercado primário e mercado secundário ..................................................................................... 58
3.4.3 Segmentos da B3 para governança corporativa ........................................................................ 59
3.4.4 Índices representativos do mercado de ações ............................................................................ 60
3.4.5 Retorno e risco no mercado de ações ............................................................................................ 62
3.5 Falhas na governança corporativa ................................................................................................de cada parte 
interessada com a organização, motivada pelo senso de justiça, respeito, 
diversidade, inclusão, pluralismo e igualdade de direitos e oportunidades.
Responsabilização
Desempenhar suas funções com diligência, independência e com vistas à 
geração de valor sustentável no longo prazo, assumindo a responsabilidade 
pelas consequências de seus atos e omissões. Além disso, prestar contas de 
sua atuação de modo claro, conciso, compreensível e tempestivo, cientes 
de que suas decisões podem não apenas responsabilizá‑los individualmente, 
como impactar a organização, suas partes interessadas e o meio ambiente.
35
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Sustentabilidade
Zelar pela viabilidade econômico‑financeira da organização, reduzir as 
externalidades negativas de seus negócios e operações, e aumentar as positivas, 
levando em consideração, no seu modelo de negócios, os diversos capitais 
(financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social, natural, reputacional) 
no curto, médio e longo prazos. Nessa perspectiva, compreender que 
as organizações atuam em uma relação de interdependência com os 
ecossistemas social, econômico e ambiental, fortalecendo seu protagonismo 
e suas responsabilidades perante a sociedade (IBGC, 2023, p. 18‑19).
 Saiba mais
O vídeo a seguir apresenta a sexta edição do Código Oficial das Melhores 
Práticas da Governança Corporativa do IBGC.
CÓDIGO das Melhores Práticas da Governança Corporativa – 6ª edição. 
2023. 1 vídeo (3 min). Publicado pelo canal IBGC Oficial. Disponível em: 
https://tinyurl.com/5639jswa. Acesso em: 9 set. 2025.
2.3 Fiscalização e monitoramento do desempenho
O diagrama apresentado na figura a seguir aborda o tema fiscalização e monitoramento do 
desempenho na governança corporativa, destacando os agentes e a estrutura organizacional envolvidos 
no processo.
Importante
1) A figura demonstra a estrutura 
e os agentes de governança que 
são tratados ao longo do código
2) Os princípios e as boas práticas 
de governança corporativa devem 
alcançar toda a organização
Conselho físcal
Sócios
Diretor-
presidente
Auditoria 
independente
Comitê 
de auditoria1
Comitês de 
assessoramento 
ao conselho de 
administração
Conselho de 
administração
DiretoriasAuditoria 
interna
Área de 
governança2
Gerenciamento 
de riscos
Controles 
internos Compliance
Essas áreas devem ter acesso direto ao conselho de 
administração da organização
1 O comitê de auditoria, quando existente, deve supervisionar a atuação da auditoria interna e da auditoria independente
2 Área preferencialmente sob a liderança de um profissional com a função de governance officer
Figura 11 – Estrutura organizacional da governança corporativa
Fonte: IBGC (2023, p. 20).
36
Unidade I
A governança corporativa se fundamenta em uma estrutura de agentes e mecanismos para 
assegurar a transparência, a prestação de contas e o alinhamento entre os interesses da organização e 
de seus stakeholders.
O diagrama apresentado evidencia os principais elementos responsáveis pelo monitoramento e 
fiscalização dentro dessa estrutura:
• Sócios: representam o interesse dos proprietários e têm papel fundamental na eleição do conselho 
de administração e no acompanhamento da governança.
• Conselho de administração: órgão colegiado responsável por definir as diretrizes estratégicas da 
organização e supervisionar a atuação da administração.
• Conselho fiscal: atua de forma independente, revisando a conformidade das práticas financeiras 
e auxiliando na fiscalização das operações.
• Auditoria independente: avalia as demonstrações financeiras da organização de forma imparcial, 
garantindo que estejam de acordo com as normas contábeis.
• Comitê de auditoria: supervisiona tanto a auditoria interna quanto a independente, sendo 
crucial para a mitigação de riscos e a integridade da gestão financeira.
• Auditoria interna: examina os processos internos, avaliando a eficácia dos controles e a aderência 
às políticas corporativas.
• Área de governança: preferencialmente liderada por um governance officer, promove boas 
práticas e coordena iniciativas relacionadas à governança.
• Diretor-presidente e diretorias: executam as estratégias definidas pelo conselho de administração e 
asseguram a implementação dos controles internos.
• Gerenciamento de riscos, controles internos e compliance: essas áreas garantem a identificação, 
mitigação e monitoramento dos riscos corporativos, além de assegurar a conformidade com 
regulamentações e normas internas.
 Saiba mais
O sistema de fiscalização e controle em governança corporativa é o tema 
do vídeo indicado a seguir.
SISTEMAS de fiscalização e controle em governança. 2020. 1 vídeo (4 min). 
Publicado pelo canal Governança já ‑ Adriana Solé. Disponível em: 
https://tinyurl.com/mvynd25h. Acesso em: 9 set. 2025.
37
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
2.4 Princípios da OCDE
A OCDE é uma organização internacional criada em 1961, que promove políticas públicas para 
melhorar o bem‑estar econômico e social das pessoas ao redor do mundo. Surgiu em sucessão à 
Organização para a Cooperação Econômica Europeia (OCEE), que ajudou a administrar os fundos do 
Plano Marshall para reconstruir a Europa após a Segunda Guerra Mundial.
Com sede em Paris, na França, reúne 38 países‑membros, incluindo algumas das economias mais 
avançadas do mundo, como EUA, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, fundadores da organização. 
Também conta com nações em desenvolvimento, com economias emergentes, entre seus membros. 
O Brasil atualmente não faz parte da OCDE, porém participa como convidado em muitos dos comitês, e 
está em processo de adesão.
Entre os principais objetivos da OCDE, estão:
• fomentar o crescimento econômico sustentável, incentivando políticas que gerem prosperidade a 
longo prazo aos países;
• promover o emprego e melhorar a qualidade de vida das pessoas;
• garantir a estabilidade financeira, por meio de políticas de redução de crises econômicas globais;
• facilitar o comércio global, reduzindo barreiras comerciais e estimulando a economia global 
integrada;
• apoiar o desenvolvimento sustentável, por meio de práticas sustentáveis que respeitem o meio 
ambiente.
A OCDE atua fortemente em pesquisas e análises, produzindo relatórios, estudos e estatísticas em 
diversas áreas, como economia, educação, saúde, meio ambiente, ciência e tecnologia. Além disso, faz 
recomendações baseadas em evidências para governos em todos os países do mundo.
Os princípios de governança corporativa da OCDE são um conjunto de diretrizes internacionais 
destinadas a orientar governos, empresas e reguladores sobre boas práticas de governança corporativa.
Eles visam criar uma base sólida para empresas, proteger os direitos dos acionistas e partes 
interessadas, e garantir transparência e responsabilidade. Os princípios, atualizados em 2015, são 
amplamente reconhecidos como referência global. Os seis principais pilares são:
• Garantia da base de um quadro eficaz de governança corporativa, estabelecendo que o ambiente 
de governança corporativa deve:
— ser baseado em regras claras e transparentes;
— estimular a eficiência econômica, o crescimento sustentável e a estabilidade dos mercados financeiros;
— garantir a proteção dos direitos dos investidores, especialmente os minoritários;
— evitar conflitos de interesse e promover a supervisão regulatória eficaz.
38
Unidade I
• Os direitos dos acionistas devem ser protegidos, independentemente do tamanho de suas 
participações, por meio de um tratamento equitativo. Isso inclui:
— participação em decisões importantes, como mudanças estatutárias e nomeação de conselheiros;
— direito de votar em assembleias gerais e ser informado de maneira adequada sobre questões 
importantes;
— tratamento igualitário para todos os acionistas, especialmente os minoritários;
— transparência sobre transações com partes relacionadas (por exemplo, empresas do mesmo 
grupo ou controladores).
• Reconhecimento do papel das partesinteressadas na governança corporativa, evidenciando a 
importância das partes interessadas (stakeholders), além dos acionistas, no sucesso a longo prazo 
das empresas:
— incentiva empresas a respeitar os direitos legais dos stakeholders, como funcionários, credores 
e comunidades;
— promove a cooperação entre as empresas e os stakeholders para criar valor e alcançar 
sustentabilidade;
— exige que empresas adotem práticas responsáveis, como respeito aos direitos humanos e ao 
meio ambiente.
• Transparência e divulgação são essenciais para que acionistas e partes interessadas tomem 
decisões informadas. Este princípio exige:
— relatórios financeiros e não financeiros claros, precisos e acessíveis, auditados por auditores 
independentes;
— divulgação de informações‑chave, como estrutura de propriedade, governança, políticas de 
remuneração e riscos materiais;
— relatórios regulares sobre o desempenho da empresa e impactos sociais e ambientais.
• O conselho de administração é órgão central na governança corporativa, e seus membros devem:
— atuar no melhor interesse da empresa e de seus acionistas, com independência, ética 
e responsabilidade;
— ter uma composição diversificada e qualificada para tomar decisões estratégicas e de supervisão;
— monitorar e mitigar riscos que possam impactar o desempenho da empresa;
— definir políticas de remuneração dos executivos e avaliar o desempenho da alta liderança.
39
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
• A governança corporativa deve promover mercados financeiros eficientes e transparentes, que:
— facilitem o acesso ao capital para empresas;
— reduzam os custos de transação e promovam a confiança dos investidores;
— mantenham regras que permitam a concorrência justa entre empresas, prevenindo práticas 
monopolistas ou anticompetitivas.
Os princípios da OCDE para governança corporativa são importantes como uma espécie de base 
reguladora global, ou seja, eles servem como referência para os governos e as organizações criarem 
leis e regulamentos sobre governança corporativa.
Assim, melhoram a confiança dos investidores, tornando os mercados mais atrativos e eficientes e 
incentivam práticas que equilibram retorno financeiro e impactos sociais e ambientais.
Os princípios são flexíveis para serem adaptados às diferentes estruturas jurídicas, culturais e 
econômicas de cada país.
Muitas jurisdições, como o Brasil, alinham seus códigos locais de governança corporativa com esses 
princípios. O Código Brasileiro de Governança Corporativa do IBGC e as práticas do Novo Mercado da 
Bolsa de Valores (B3), por exemplo, são inspirados por esses padrões.
Exemplo de aplicação
Vamos imaginar a aplicação prática dos princípios de governança corporativa da OCDE em 
uma empresa fictícia chamada EcoTech S/A, uma companhia de capital aberto, que atua no setor 
de energia renovável.
Figura 12
Disponível em: https://tinyurl.com/cnujs5en. Acesso em: 10 set. 2025.
40
Unidade I
Vejamos como os seis princípios da OCDE podem ser integrados ao dia a dia da empresa.
1. Garantir a base de um quadro eficaz de governança corporativa
A EcoTech adota um estatuto social atualizado, compatível com a legislação vigente, incluindo 
cláusulas claras sobre a estrutura de governança. Estabelece um código de ética seguido por todos os 
níveis da organização e adere às normas da CVM, garantindo estabilidade regulatória e transparência.
2. Proteger os direitos dos acionistas e promover tratamento equitativo
Durante as assembleias gerais, todos os acionistas recebem informações claras sobre propostas de 
fusões ou aquisições, políticas de remuneração de executivos e distribuição de dividendos.
Os acionistas minoritários têm direito a voto proporcional e acesso aos mesmos documentos e 
informações que os majoritários, garantindo tratamento justo.
3. Reconhecer o papel das partes interessadas na governança corporativa
A empresa engaja regularmente as partes interessadas. Cria programas de participação nos lucros 
aos colaboradores e incentiva treinamentos contínuos.
Apoia projetos sociais e ambientais promovidos por comunidades locais, como a instalação de painéis 
solares em escolas públicas próximas às plantas de energia.
Implementa políticas para assegurar práticas éticas e sustentáveis na cadeia de suprimentos com 
os fornecedores.
4. Fomentar a divulgação e transparência
A empresa publica relatórios anuais detalhados, como as demonstrações financeiras auditadas por 
uma empresa independente.
Além disso, desenvolve processos de controle e indicadores de desempenho ambiental, como a redução 
de emissões de carbono alcançada no ano; divulga os riscos identificados, como a dependência de 
materiais raros para a produção de turbinas eólicas; e mantém uma seção em seu site dedicada a 
investidores, atualizada com todas as informações relevantes.
5. Definir as responsabilidades do conselho de administração
O conselho de administração tem uma composição diversa, incluindo especialistas em sustentabilidade 
e tecnologia. O conselho realiza reuniões trimestrais para avaliar o desempenho da diretoria e aprovar 
decisões estratégicas, como a entrada em novos mercados. Acompanha as ações do comitê de auditoria, 
responsável por avaliar controles internos e relatórios financeiros. Define políticas de remuneração 
variável para executivos, vinculadas a metas financeiras, ambientais e sociais.
41
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
6. Incentivar mercados de capital eficiente
A empresa adota práticas do Novo Mercado (segmento da B3 com as mais altas exigências de 
governança corporativa no Brasil), como o tag along de 100% para proteção dos acionistas minoritários.
Promove ações mercadológicas regulares com investidores, divulgando os resultados financeiros e 
estratégias para atrair capital estrangeiro.
Contribui para a eficiência do mercado ao divulgar informações de maneira padronizada e em 
tempo hábil.
O resultado da aplicação prática dos princípios de governança corporativa aumenta o valor 
mercadológico da empresa, pois promove a atração de investidores nacionais e internacionais e cresce, 
de forma sustentável, gerenciando riscos econômicos, sociais e ambientais.
Com um conselho de administração preparado e controles internos robustos, a EcoTech enfrenta 
desafios econômicos e regulatórios com mais eficiência.
2.5 Governança corporativa no Brasil e no mundo
Nesse momento, você deve ter muitas dúvidas sobre como adotar a governança corporativa em uma 
diversidade de situações.
Na figura a seguir, encontram‑se algumas perguntas para refletirmos sobre as questões envolvidas 
na adoção de boas práticas.
Como as empresas 
multinacionais conciliam 
diferentes práticas de 
governança ao operar em 
vários países?
Como o estágio de 
desenvolvimento econômico de 
um país afeta suas práticas 
de governança corporativa?
Em que medida os princípios 
globais de governança 
corporativa são aplicados ou 
adaptados a contextos locais?
Como a relação entre 
governo e setor privado 
molda os sistemas de 
governança corporativa em 
diferentes países?
Como a cultura e os valores de 
um país influenciam as práticas 
de governança corporativa?
Quais desafios surgem ao 
tentar implementar um 
modelo único de governança 
corporativa em países com 
estruturas diferentes?
Quais diferenças nas legislações 
impactam a forma como as 
empresas são governadas em 
diferentes países?
Qual é o papel das tradições 
locais no desenvolvimento de 
práticas de governança?
Figura 13 – Questões sobre diferenças de práticas da governança corporativa
42
Unidade I
De fato, essas perguntas são muito pertinentes e adequadas para esse momento. E já se pode adiantar 
que não existe um modelo único e universal de governança corporativa.
As diferenças resultam da diversidade cultural e institucional das nações, criando fatores de 
diferenciação da governança corporativa em cada país. Vamos começar fazendo uma distinção 
importante entre duas abordagens, que serão referência paraos fatores de diferenciação nos modelos 
de governança.
Shareholder
Stakeholder
Figura 14 – Shareholder‑oriented versus stakeholder‑oriented
2.5.1 Shareholder‑oriented e stakeholder‑oriented
As abordagens shareholder‑oriented (em tradução livre, “orientada aos acionistas”) e 
stakeholder‑oriented (“orientada aos públicos interessados”) refletem visões diferentes de como uma 
empresa deve ser gerida e quais interesses devem prevalecer na governança corporativa.
Na abordagem shareholder‑oriented, o foco principal é atender os interesses dos acionistas, 
maximizando o retorno financeiro, como dividendos e valorização das ações. Desse modo, o conselho de 
administração e os executivos tomam decisões visando aumentar o valor para os acionistas, e a empresa 
é vista como instrumento de geração de riqueza para seus proprietários.
Por sua vez, na abordagem stakeholder‑oriented, o foco principal é atender os interesses de todos 
os stakeholders, que incluem acionistas, funcionários, clientes, fornecedores, comunidades locais e o 
meio ambiente, promovendo sustentabilidade e responsabilidade social. Assim, as decisões empresariais 
consideram o impacto em uma gama mais ampla de grupos, não apenas nos acionistas, e a empresa é 
vista como parte integrante da sociedade, com responsabilidades que vão além do lucro.
43
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
O quadro 4 apresenta uma síntese das características de cada abordagem.
Quadro 4 – Abordagens shareholder-oriented e stakeholder-oriented
Shareholder-oriented Stakeholder-oriented
Foco principal Acionistas Todos os stakeholders
Objetivo central Aumento dos lucros Criação de valor equilibrado
Horizonte temporal Curto prazo Longo prazo
Responsabilidade social Secundária Central
Exemplo geográfico EUA, Reino Unido Alemanha, Suécia, Japão
 Observação
Enquanto a abordagem shareholder‑oriented é frequentemente 
associada à eficiência econômica, a stakeholder‑oriented busca alinhar os 
interesses da empresa aos da sociedade em geral.
2.5.2 Fatores de diferenciação da governança corporativa
Existem nítidas diferenças entre os modelos de governança, uma vez que não existem modelos 
perfeitamente adequados às abordagens apresentadas. Na maior parte dos casos, essas diferenças estão 
associadas a fatores externos, que determinam as características internas de governança, como os 
listados a seguir.
• Estrutura e propriedade: em mercados desenvolvidos como EUA, Reino Unido e Canadá, a 
propriedade é mais dispersa. Em mercados emergentes, como Brasil, Índia e China, predominam 
estruturas concentradas, como famílias, grupos ou governo.
• Sistema jurídico legal: países com sistemas legais baseados no direito comum (common law), 
como EUA e Reino Unido, geralmente oferecem maior proteção aos acionistas minoritários. 
Países com direito civil (civil law), como Brasil, França e Alemanha, podem ter proteção menor e 
maior interferência estatal.
• Fontes de financiamento das empresas: nos EUA e no Reino Unido, o mercado de capitais é 
uma importante fonte de financiamento, o que é conhecido como equity. Já em países como 
Alemanha e Japão, bancos e financiamentos privados desempenham papel predominante, o que 
é conhecido como debt.
• Proteção aos acionistas minoritários: os acionistas minoritários são fortemente protegidos 
em mercados desenvolvidos em virtude da regulação robusta e do enforcement eficaz (expressão 
que está associada ao rigor da aplicação das leis). Nos mercados emergentes, os minoritários 
frequentemente enfrentam desafios relacionados a práticas de controle excessivo e abuso de poder. 
44
Unidade I
• Cultura empresarial: em países asiáticos, como Japão e Coreia do Sul, há forte ênfase no 
coletivismo e na lealdade corporativa. Já em países ocidentais, o foco tende a ser no desempenho 
financeiro e na geração de valor para os acionistas.
• Composição e independência do conselho: nos EUA e no Reino Unido, conselhos de 
administração independentes são uma prática consolidada. Já em mercados emergentes, ainda é 
comum a presença de conselhos dominados por acionistas controladores ou familiares.
• Transparência e divulgação de informações: países desenvolvidos exigem altos níveis 
de transparência, incluindo relatórios financeiros detalhados e divulgações sobre ESG. Em mercados 
emergentes, a transparência ainda é limitada, especialmente em empresas de capital fechado.
• Participação de investidores institucionais: nos mercados desenvolvidos, investidores 
institucionais, como fundos de pensão e fundos de investimentos, desempenham papel ativo na 
governança. Nos mercados emergentes, essa influência está crescendo, mas ainda é limitada.
• Influência do governo: em economias como China e Brasil, o governo é um ator significativo, 
seja como acionista de estatais ou por meio de regulação e subsídios. Em mercados desenvolvidos, 
o papel do governo geralmente é mais regulador do que participativo.
• Abordagem ESG e sustentabilidade: nos EUA e na Europa, a governança está cada vez mais 
focada em ESG, com exigências claras para empresas atenderem critérios de sustentabilidade. 
Em países emergentes, as práticas ESG estão em ascensão, mas ainda enfrentam desafios 
de implementação.
Esses fatores mostram que a governança corporativa não é universal, mas adaptada às características 
únicas de cada mercado. A globalização e iniciativas como os princípios da OCDE ajudam a alinhar as 
práticas, mas as diferenças ainda refletem o contexto local.
 Saiba mais
Assista ao vídeo da especialista em governança corporativa Adriana Solé 
sobre os modelos de governança efetivamente praticados.
MODELOS de Governança efetivamente praticados | Digital on Board, da 
HSM. 2020. 1 vídeo (8 min). Publicado pelo canal Governança já ‑ Adriana Solé. 
Disponível em: https://tinyurl.com/4mr8djf3. Acesso em: 9 set. 2025.
45
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
2.5.3 Governança corporativa no Brasil
A governança corporativa no país tem evoluído de forma significativa ao longo das últimas décadas, 
influenciada por reformas legais, desenvolvimento de mercado e adoção de boas práticas internacionais.
No Brasil, os principais eventos associados à governança corporativa, praticamente inexistente até 
então, datam da década de 1970. Antes, o cenário era de um mercado de capitais muito restrito, em que 
as empresas dependiam majoritariamente de financiamento bancário ou estatal.
A Lei das S/A (Lei n. 6.404/1976) foi um marco importante, introduzindo normas sobre transparência 
e proteção aos acionistas minoritários, ainda que de maneira limitada.
As privatizações e a abertura ao mercado na década de 1990 expandiram o mercado de capitais e 
deram início à criação de novas estruturas empresariais. O Brasil começou a receber mais investimentos 
estrangeiros, e a demanda por práticas de governança alinhadas aos padrões internacionais cresceu.
A consolidação de práticas de governança no Brasil ocorreu com a fundação do IBCA, em 1995 
(posteriormente denominado IBGC), disseminando ações de boas práticas, tanto para empresas privadas 
quanto empresas públicas.
As exigências da CVM e a criação do Novo Mercado pela B3, em 2000, configuraram um marco 
importante, estabelecendo regras diferenciadas para empresas listadas na bolsa, como maior 
transparência, dispersão acionária e direitos ampliados para acionistas minoritários.
As reformas legais, como a Lei n. 10.303/2001, ampliaram os direitos dos acionistas minoritários. 
A partir de 2010, ocorreram inúmeros aperfeiçoamentos e desafios nas regulamentações da CVM, a fim 
de inibir os casos de corrupção e escândalos corporativos, como a Operação Lava Jato. Esses escândalos 
evidenciaram falhas na governança de empresas públicas e privadas.
A Lei Anticorrupção (Lei n. 12.846/2013) reforçou a necessidade de compliance e integridade nas 
organizações, bem como os temas sustentabilidade, diversidade e ESG ganharam relevância nas práticas 
de governança.
As principais características da governança corporativa no Brasilsão:
• o modelo predominante é o de propriedade concentrada, com controle familiar ou de grupos 
específicos, contrastando com mercados mais dispersos, como os EUA;
• empresas de capital aberto no Novo Mercado da B3 tendem a adotar práticas mais robustas, como 
conselhos de administração independentes;
• a exigência de demonstrações financeiras auditadas e relatórios anuais detalhados está 
consolidada, especialmente para empresas listadas na bolsa;
46
Unidade I
• a transparência é uma demanda crescente, especialmente em relação a práticas ambientais, 
sociais e de governança (ESG);
• regras de tag along, que conferem segurança aos sócios minoritários em caso de venda do controle, 
são um avanço relevante;
• a arbitragem para resolução de disputas entre acionistas tem sido uma prática comum 
promovida pela B3;
• programas de compliance têm se tornado obrigatórios em grandes empresas, principalmente em 
setores regulados ou com contratos com o governo. A implementação de canais de denúncia e 
códigos de ética são comuns.
Apesar dos avanços, práticas como nepotismo, influência excessiva dos controladores e falhas na 
fiscalização ainda são problemas a serem resolvidos.
A adaptação à agenda ESG e a promoção da diversidade em conselhos de administração ainda 
estão em estágios iniciais. A governança corporativa no Brasil segue em evolução, especialmente 
com o fortalecimento de instituições e a maior exigência de transparência por parte de investidores e 
da sociedade.
 Saiba mais
O vídeo indicado a seguir conta como foi realizada a implementação da 
governança corporativa na empresa Natura & Co.
B3 CONVIDA Empresas | Natura &Co ‑ Episódio 1. 2021. 1 vídeo (4 min). 
Publicado pelo canal B3. Disponível em: https://tinyurl.com/bp8rvntz. Acesso 
em: 9 set. 2025.
3 USO DOS CONTROLES INTERNOS DA GOVERNANÇA CORPORATIVA
A governança corporativa está intrinsecamente ligada ao cumprimento das legislações vigentes, 
atuando como um pilar fundamental para a construção de empresas éticas, transparentes e 
comprometidas com a integridade. Ressalta‑se, porém, que as recomendações de boas práticas do IBGC 
e da OCDE são não suficientes para desenvolver uma cultura corporativa adequada às boas práticas de 
governança corporativa.
Em um cenário global de negócios cada vez mais dinâmico e regulado, entender e implementar as 
normas jurídicas se torna indispensável para diminuir riscos, garantir a conformidade e promover a 
confiança dos investidores e demais stakeholders.
47
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Como visto anteriormente, o quarto e último marco histórico da governança corporativa se relaciona 
à lei estadunidense Sarbanes‑Oxley (Lei SOX), instituída em 2002. Essa lei consolidou a governança 
corporativa, por ter criado uma legislação específica para inibir fraudes na gestão de empresas listadas 
em bolsas de valores.
Este tópico aborda a relevância das leis que moldam a prática da governança corporativa, incluindo 
os marcos regulatórios locais e internacionais, destacando como elas influenciam a transparência, a 
equidade, a prestação de contas e a responsabilidade social corporativa.
3.1 Lei Sarbanes‑Oxley
Em um ambiente econômico, fragilizado por diversos escândalos financeiros coorporativos nos 
EUA, surgiu a Lei Sarbanes‑Oxley (SOX), elaborada por dois congressistas: o senador Paul Sarbanes e o 
deputado republicano Michael Oxley. Essa lei foi sancionada em 30 de julho de 2002 pelo presidente 
estadunidense, George W. Bush.
O processo teve início com a descoberta de fraudes contábeis na empresa Enron, em 2001, uma das 
organizações mais conceituadas nos EUA.
A constatação de práticas de manipulação, em várias outras empresas, inclusive de outros países, 
resultou em uma crise de confiança no mercado de capitais, em níveis inéditos, desde a quebra da Bolsa 
de Nova York, em 1929.
O mercado de capitais sempre foi a base fundamental da economia estadunidense, conhecido 
por uma rígida estrutura regulatória e por uma agência que por muito tempo foi admirada, considerada 
uma inspiração para as agências regulatórias no restante do mundo.
A Securities and Exchange Commission (SEC) é o órgão criado em 1934 nos EUA com o objetivo de 
proteger investidores e manter a integridade dos mercados de valores mobiliários.
Figura 15 – Logo da Securities and Exchange Commission (SEC)
Disponível em: https://tinyurl.com/9rjp7kdn. Acesso em: 7 out. 2025.
48
Unidade I
Assim, fica a cargo da SEC promover a divulgação de informações relevantes, fazer cumprir as leis 
que regem os mercados, e proteger os investidores que interagem neles. A SEC é o órgão regulador do 
mercado de capitais dos EUA, equivalente à CVM no Brasil.
A SEC teve sua estrutura abalada quando gigantes da área de auditoria mostraram sua ineficácia. 
A reação do mercado financeiro foi, então, imediata e as bolsas de valores despencaram no mundo inteiro.
O quadro a seguir apresenta as principais empresas de auditoria e o envolvimento em fraudes por 
parte de seus clientes.
Quadro 5 – Empresas de auditoria envolvidas em escândalos de empresas clientes
Auditoria Evento Consequência
Artur Andersen
Diretamente envolvida no escândalo da Enron. Acusada de 
destruir documentos importantes relacionados à auditoria da 
empresa, prejudicando a investigação
Perdeu sua licença de auditoria nos EUA 
e deixou de existir em 2002
KPMG
Foi criticada por sua atuação na auditoria da empresa 
Xerox, acusada, em 2002, de aumentar seus lucros em 
aproximadamente US$ 6 bilhões ao longo de vários anos
Embora tenha sobrevivido ao escândalo, 
a reputação da KPMG foi abalada
PwC
Foi associada ao escândalo da Satyam, conhecida como a 
Enron na Índia, em 2009, quando foi acusada de falhas na 
auditoria que permitiram a manipulação financeira
Sua reputação foi afetada, porém 
a PwC implementou reformas para 
recuperar sua credibilidade
Ernst & Young (EY)
Foi a auditoria da HealthSouth, acusada de fraudes 
financeiras, em 2000. Em 2008, foi a auditoria do Lehman 
Brothers, acusado de práticas contábeis duvidosas
Sua reputação foi abalada por não 
identificar fraudes e práticas contábeis 
duvidosas nessas instituições
Deloitte
Foi envolvida em casos como o da Adelphia Communications, 
acusada de não identificar irregularidades contábeis que 
levaram a empresa ao colapso
Apesar disso, a Deloitte conseguiu 
preservar sua posição como uma das 
maiores firmas globais de auditoria
Adaptado de: Gara (2015).
Os escândalos envolvendo essas empresas expuseram conflitos de interesses e falhas na 
supervisão regulatória. Muitas vezes, as empresas de auditoria tinham conhecimento das irregularidades, 
porém, se dessem transparência, poderiam perder seus vultosos contratos. Além disso, as empresas de 
auditoria tinham contratos de consultoria com as mesmas empresas que auditavam.
Os analistas financeiros, por sua vez, também tinham conhecimento das irregularidades, porém, 
poderiam comprometer suas rendas variáveis se não oferecessem as ações aos seus clientes.
Antes da Lei SOX, não havia controles rigorosos para assegurar a qualidade da auditoria e a separação 
entre auditoria e consultoria. Hoje, com regulamentações mais rígidas, como a Lei Sarbanes‑Oxley (SOX), 
essas firmas adotaram processos mais rigorosos, porém os escândalos continuam sendo um marco que 
moldou o setor de auditoria.
No Brasil, a consequência foi uma forte evasão dos investimentos estrangeiros, pois estes últimos 
buscavam oportunidades de investimentos mais seguras.
A fim de reverter essa situação, as autoridades de vários países introduziram uma série de medidas 
regulatórias e destacaram a importância dos EUA em aprovar uma legislação que resgatou a confiança 
e a credibilidade do mercado.
49
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
O objetivo da Lei SOX, portanto, foi restaurar o equilíbrio dos mercados por meio de mecanismos 
que assegurem a responsabilidade da alta administração de uma empresa sobre a confiabilidade da 
informação por ela fornecida (Rossetti; Andrade,2014).
 Lembrete
A Lei SOX se aplica a todas as empresas, sejam elas americanas ou 
estrangeiras, que tenham ações registradas na Securities and Exchange 
Commission (SEC).
A Lei SOX é dividida em 11 capítulos, com um número variável de seções cada, totalizando 69 artigos.
Essa lei obriga as empresas a reestruturarem processos para aumentar os controles, a segurança e a 
transparência na condução dos negócios, na administração financeira, nas escriturações contábeis e na 
gestão e divulgação das informações.
Ela prevê a criação de mecanismos de auditoria e segurança confiáveis, definindo regras para a 
criação de comitês encarregados de supervisionar suas atividades e operações, formados em boa parte 
por membros independentes.
Desse modo, torna os diretores executivos e diretores financeiros explicitamente responsáveis por 
estabelecer e monitorar a eficácia dos controles internos em relação aos relatórios financeiros e à 
divulgação de informações.
As empresas de auditoria e os advogados contratados ganham maior independência, mas também 
aumenta muito o grau de responsabilidade sobre seus atos (Marciano, 2015).
Quadro 6 – Capítulos da Lei Sarbanes‑Oxley
Capítulo I Criação do Órgão de Supervisão do Trabalho dos Auditores Independentes
Capítulo II Independência do Auditor
Capítulo III Responsabilidade corporativa
Capítulo IV Aumento do nível de divulgação de informações financeiras
Capítulo V Conflito de interesses de analistas
Capítulo VI Comissão de recursos e autoridade
Capítulo VII Estudos e relatórios
Capítulo VIII Prestação de contas das empresas e fraudes criminais
Capítulo IX Aumento das penalidades para crimes de “colarinho branco”
Capítulo X Restituição de impostos corporativos
Capítulo XI Fraudes corporativas e prestação de contas
Fonte: Marciano (2015, p. 17).
50
Unidade I
 Saiba mais
Os vídeos indicados a seguir foram produzidos pelo canal Controles 
Internos – SOX (CSI), fundado e administrado pela contadora tributarista 
Cilene Silva. A proposta é alcançar estudantes e profissionais de controles 
internos com objetivo de fornecer uma base de informações que agreguem 
e aperfeiçoem a iniciativa da gestão na aplicação de seus processos internos 
de controles.
LEI Sarbanes‑Oxley: SOX – Parte 1. 2020. 1 vídeo (5 min). Publicado pelo 
canal Controles Internos – SOX. Disponível em: https://tinyurl.com/5n8k77dp. 
Acesso em: 9 set. 2025.
LEI Sarbanes‑Oxley: SOX – Parte 2. 2020. 1 vídeo (5 min). Publicado pelo 
canal Controles Internos – SOX. Disponível em: https://tinyurl.com/msckdw7s. 
Acesso em: 9 set. 2025.
LEI Sarbanes‑Oxley: SOX – Parte 3. 2020. 1 vídeo (6 min). Publicado pelo 
canal Controles Internos – SOX. Disponível em: https://tinyurl.com/49scnvx8. 
Acesso em: 9 set. 2025.
3.2 Lei das S/A comparada com a Lei SOX
No Brasil, as normas que regem a auditoria, bem como a responsabilidade dos administradores 
referente às informações apresentadas nos relatórios financeiros das empresas e medidas que visam à 
punição em casos de fraude, apresentam‑se dispersas na legislação brasileira, diferentemente do que 
ocorre nos EUA, no qual existe uma lei específica para esses assuntos. Conclui‑se, assim, que a SOX é 
mais abrangente e rígida do que a legislação brasileira. Portanto, os indícios de ocorrências de ações 
dolosas no Brasil por falta de uma regulamentação específica são nitidamente maiores do que nos EUA.
O mercado de capitais, composto por bolsas de valores, sociedades corretoras e outras instituições 
financeiras autorizadas, desempenha papel relevante no desenvolvimento econômico de um país. O Brasil 
tem se mostrado preocupado com o desenvolvimento desse mercado e, por isso, é possível identificar 
algumas normas que objetivam assegurar um ambiente transparente e legal, como a aprovação das 
Leis n. 11.638/2007 e 11.941/2009. Ambas introduziram novos conceitos, métodos e critérios contábeis 
e fiscais, com o fim de harmonizar as normas contábeis presentes no Brasil aos padrões internacionais 
de contabilidade, garantindo, assim a transparência internacional de regras e informações contábeis a 
serem observadas por todas as companhias abertas e pelas empresas de grande porte.
Outros exemplos que ilustram esse desenvolvimento na legislação são as normas emitidas pelo 
Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC).
51
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Na regulamentação de mercados financeiros e de capitais do Brasil, destacam‑se como principais 
responsáveis os seguintes órgãos: Conselho Monetário Nacional (CMN), Banco Central do Brasil (BCB) 
e Conselho de Valores Mobiliários (CVM); este último possui acordos com autoridades regulatórias de 
outros mercados, tais como a SEC, nos EUA.
A medida mais recente foi a Lei das Estatais (Lei n. 13.303/2016), que reforça a governança e o 
controle nas empresas públicas, cujo objetivo é um maior alinhamento com os padrões internacionais.
Mesmo com a presença de leis e órgãos que visam à proteção do mercado no geral, o Brasil, assim como 
outros países, também sofreu reflexos após o colapso no mercado financeiro causado pela ocorrência 
das fraudes nas empresas estadunidenses, que culminaram em indagações sobre procedimentos de 
controle e de divulgação de informações contábeis.
Vale ressaltar que, após a promulgação da Lei SOX, ainda surgiram e surgirão leis que complementem 
essa relação entre Brasil, países do exterior e organizações, tais como as leis de 2007, 2009 e 2016 
citadas. Observa‑se essa necessidade de criar e complementar normas, em razão do dinamismo do 
mercado financeiro.
Esses acontecimentos demonstram que as empresas sempre deverão estar preparadas para se 
adequar às exigências do meio em que atuam (Marciano, 2015).
 Observação
Quando a Lei Sarbanes‑Oxley foi criada, empresas brasileiras com ações 
negociadas no mercado de capitais dos EUA tiveram de se adequar às novas 
normas estabelecidas por essa lei. Assim, as empresas listadas na Bolsa de 
Valores dos EUA aderiram à Lei SOX, o que trouxe custos operacionais 
adicionais para as empresas, mas também aumentou a credibilidade.
A seguir, um quadro comparativo entre a Lei SOX e a Lei das S/A apresenta as diferenças e semelhanças 
mais significativas entre elas.
Quadro 7 – Comparativo entre a Lei SOX e a Lei das S/A
Lei SOX (EUA) Lei das S/A (Brasil)
Objetivo principal Reforçar transparência e confiabilidade das 
informações financeiras Regular a administração e a fiscalização das S/A
Abrangência Empresas listadas que negociam ações nos EUA Empresas brasileiras de capital aberto e fechado
Controle interno Foco na auditoria de controles internos (Seção 404) Exigência de autoria externa, mas sem ênfase 
específica em controles internos
Responsabilidade 
dos executivos
Diretores executivos e diretores financeiros devem 
certificar a veracidade das demonstrações financeiras Responsabilidade solidária dos administradores
Sanções Penalidades severas, incluindo prisão Penalidades administrativas e civis
52
Unidade I
Em síntese, podem‑se destacar os pontos fortes e os desafios de cada uma:
• Pontos fortes da SOX: foco na auditoria interna detalhada e nas responsabilidades dos executivos.
• Pontos fortes da Lei das S/A: alinhamento com a realidade brasileira e proteção a investidores 
minoritários.
• Desafios no Brasil: falta de um equivalente à Seção 404 da SOX, tornando a auditoria de controles 
internos menos rigorosa.
• Adaptação global: a influência da SOX levou a um aumento nas exigências de governança global, 
impactando o Brasil via CVM e o Novo Mercado da B3.
Conclui‑se, portanto, que uma lei por si só não é suficiente para extinguir as fraudes no mercado, 
mas colabora para um ambiente mais seguro.
3.3 Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
A CVM é o órgão regulador do mercado de capitais no Brasil, responsável por garantir a transparência, 
a eficiência e a proteção dos investidores.
Figura 16 – Logo da Comissão de Valores Mobiliários
Disponível em: https://tinyurl.com/53kn48y3. Acesso em: 7 out. 2025.
Encontram‑seelencadas, a seguir, as principais funções da CVM.
Fiscalização e regulamentação
A CVM supervisiona o funcionamento do mercado de capitais, garantindo que empresas, investidores 
e intermediários sigam as regras estabelecidas.
A regulamentação ocorre por meio da emissão de normas sobre a oferta pública de ações, debêntures, 
cotas de fundos de investimento e outros valores mobiliários.
A fiscalização ocorre por meio de monitoramento das operações e informações divulgadas ao 
mercado para evitar irregularidades, como manipulação de preços e uso indevido de informações 
privilegiadas, prática conhecida como insider trading: se uma empresa tenta vender ações sem divulgar 
informações corretas ao público, a CVM pode intervir e suspender a oferta.
53
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
 Saiba mais
Acesse a reportagem no link a seguir sobre a condenação do empresário 
Eike Batista por crimes no mercado financeiro.
GAIER, R. V. Eike é condenado a quase 12 anos por insider 
trading e manipulação de mercado. UOL, 12 fev. 2021. Disponível em: 
https://tinyurl.com/4bz587be. Acesso em: 15 set. 2025.
Proteção dos investidores
O principal objetivo da CVM é garantir um ambiente seguro e transparente para os investidores.
A CVM evita fraudes, investigando empresas que divulgam informações enganosas ou distorcidas; 
impede a manipulação de mercado, por meio de acompanhamento de oscilações suspeitas no preço de 
ações e outros ativos e garante transparência, exigindo que empresas listadas na bolsa divulguem seus 
balanços financeiros, contratos relevantes e riscos de operação.
Se um grupo de investidores tenta inflacionar artificialmente o preço de uma ação para lucrar, a 
CVM pode investigar e punir os envolvidos. Esse tipo de manipulação de mercado ocorreu em várias 
ocasiões ao redor do mundo, incluindo no Brasil.
 Saiba mais
Veja a reportagem a seguir sobre a multa aplicada a um executivo por 
manipulação de mercado.
ANDRADE, J. CVM multa ex‑diretor do IRB em R$ 20 mi por manipulação de 
mercado. E‑Investidor, 20 dez. 2024. Disponível em: https://tinyurl.com/27d5z2tj. 
Acesso em: 15 set. 2025.
Autorização e supervisão de participantes
A CVM regula e supervisiona diversas entidades que atuam no mercado de capitais. Corretoras e 
distribuidoras de títulos e valores mobiliários devem seguir normas de transparência e boas práticas na 
negociação de ativos.
Por sua vez, as gestoras de fundos precisam prestar contas aos investidores e atuar dentro das 
diretrizes da CVM. Do mesmo modo, os auditores independentes devem garantir que as demonstrações 
financeiras das empresas estejam corretas.
54
Unidade I
Por fim, empresas listadas na bolsa precisam divulgar seus resultados e informações relevantes ao 
mercado. Se uma corretora de valores engana seus clientes sobre os riscos de um investimento, a CVM 
pode aplicar sanções e até cassar sua licença.
Existem inúmeros casos em que a CVM aplicou sanções a corretoras de valores que não informaram 
adequadamente seus clientes sobre os riscos de investimentos.
 Saiba mais
O link indicado a seguir traz uma notícia sobre um processo de fraude 
julgado pela CVM em 2022.
CVM retoma julgamento de suposta prática de operação fraudulenta no 
mercado de valores mobiliários. Comissão de Valores Mobiliários, 8 nov. 2022. 
Disponível em: https://tinyurl.com/5n79uy6f. Acesso em: 15 set. 2025.
Educação financeira
A CVM incentiva a formação de investidores mais informados para reduzir riscos e aumentar a 
confiança no mercado. Ela disponibiliza inúmeros programas educacionais, realiza cursos e campanhas 
para ensinar sobre investimentos e mercado de capitais.
 Saiba mais
O programa “Como investir” da Comissão de Valores Mobiliários é uma 
iniciativa dedicada a promover a educação financeira e o conhecimento 
sobre o mercado de capitais entre investidores e o público em geral.
Embora o site específico (comoinvestir.cvm.gov.br) não esteja mais ativo, 
a CVM continua oferecendo uma variedade de ferramentas, como cursos, 
publicações e educação financeira, por meio de seu portal oficial.
EDUCAÇÃO. Comissão de Valores Mobiliários, [s.d.]. Disponível em: 
https://tinyurl.com/y6b5h7a3. Acesso em: 9 set. 2025.
Investigação e penalização
Quando há suspeitas de irregularidades, a CVM pode abrir investigações e aplicar punições como 
advertências, multas, suspensões, inabilitação de profissionais e até o cancelamento do registro 
de empresas.
As irregularidades investigadas envolvem fraudes contábeis, uso de informações privilegiadas, 
pirâmides financeiras, entre outras infrações previstas na legislação.
55
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Exemplo de aplicação
Petrobrás e a Operação Lava Jato
A Comissão de Valores Mobiliários desempenhou um papel significativo ao investigar possíveis 
omissões de informações pela Petrobras que prejudicaram seus acionistas, especialmente no contexto da 
Operação Lava Jato, que revelou um esquema de corrupção que resultou em prejuízos significativos para 
a estatal e seus acionistas. Diante das suspeitas, a CVM iniciou diversas investigações para apurar se a 
companhia e seus executivos cumpriram com suas obrigações de transparência e governança corporativa.
Em 2015, a CVM instaurou o Processo Administrativo n. RJ 2015/3346 para analisar os procedimentos 
adotados pela Petrobras ao reconhecer, nas demonstrações financeiras de 31/12/2014, perdas expressivas 
decorrentes das irregularidades descobertas pela Lava Jato. A investigação buscou verificar se houve 
falhas na divulgação de informações relevantes aos acionistas e ao mercado.
Vários executivos da Petrobras foram alvo de processos na CVM. Por exemplo, Nestor Cerveró, ex‑diretor 
internacional da Petrobras, foi acusado de omitir informações relevantes em apresentações à diretoria 
executiva e ao conselho de administração, resultando em perdas financeiras substanciais para a estatal.
A Lei das S/A (Lei n. 6.404/1976) estabelece que acionistas têm direito a informações completas 
e precisas sobre a companhia. O descumprimento desse dever de transparência pode levar à 
responsabilização da empresa e de seus administradores. Nesse sentido, ao identificar possíveis omissões 
de informações que poderiam prejudicar os acionistas, a CVM tem a prerrogativa de instaurar processos 
administrativos sancionadores. Esses processos podem resultar em penalidades para a companhia e seus 
executivos, incluindo multas e outras sanções administrativas.
No caso da Petrobrás, portanto, a CVM atuou de forma diligente ao investigar a empresa no contexto 
da Lava Jato, buscando assegurar a transparência e a proteção dos direitos dos acionistas.
A CVM adota processos estruturados para gerenciar atualizações relacionadas ao seu corpo de pessoal 
e à emissão de súmulas. Ela também mantém transparência nas movimentações de sua força de trabalho 
por meio do Boletim de Pessoal. Essas informações são atualizadas regularmente e estão disponíveis 
no portal da CVM, garantindo clareza e acesso público aos dados referentes ao quadro de pessoal.
Embora a CVM não possua um procedimento específico para a emissão de súmulas, é relevante 
mencionar o papel do Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN). Também conhecido 
como “Conselhinho”, ele é responsável por julgar, em última instância administrativa, recursos contra 
sanções aplicadas por entidades como o BCB e a própria CVM. Para a edição de súmulas, é necessário cumprir 
os requisitos estabelecidos no regimento interno da CVM, conforme anexado à Portaria MF n. 68/2016.
A criação de súmulas pelo CRSFN visa consolidar entendimentos sobre matérias recorrentes, 
proporcionando maior segurança jurídica e uniformidade nas decisões administrativas. Esse processo 
envolve um grupo de estudo composto por conselheiros e procuradores, que analisam precedentes e 
propõem enunciados para aprovação.
56
Unidade I
Em síntese, a gestão de atualizações de pessoal na CVM é conduzida com transparência por meio do 
Boletim de Pessoal, enquantoa emissão de súmulas é uma atribuição do CRSFN, seguindo procedimentos 
regimentais específicos para assegurar consistência nas interpretações e decisões no âmbito do sistema 
financeiro nacional.
 Saiba mais
Conheça a CVM no vídeo indicado a seguir.
CVM e o Mercado de Capitais Brasileiro. 2024. 1 vídeo (2 min). 
Publicado pelo canal CVM – Comissão de Valores Mobiliários. 
Disponível em: https://tinyurl.com/427ya68n. Acesso em: 9 set. 2025.
3.4 Bolsa de Valores (B3)
A B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) é a principal bolsa de valores do Brasil e uma das maiores do mundo 
em valor de mercado. Seu papel é facilitar a negociação de ativos financeiros e garantir segurança e 
eficiência nas operações.
Figura 17 – Logo da Bolsa de Valores Brasil, Bolsa, Balcão (B3)
Disponível em: https://tinyurl.com/mwbyuv34. Acesso em: 7 out. 2025.
Após uma empresa vender suas ações em uma oferta pública inicial (IPO), é importante que exista 
um mercado secundário onde os investidores que adquiriram essas ações possam revendê‑las quando 
acharem apropriado. Buscando garantir a liquidez dos investimentos, foram criados os ambientes de 
bolsas de valores e mercados de balcão.
As bolsas de valores são ambientes organizados para negociação de títulos e valores mobiliários. 
Sua principal função é proporcionar um ambiente mais líquido, transparente e seguro para a realização 
de negócios, contribuindo assim para a eficiência do mercado de capitais.
57
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Elas utilizam sistemas eletrônicos de negociação para registro das ordens de compra e venda. No 
Brasil, atualmente, as bolsas são organizadas sob a forma de sociedade por ações (S/A), regulada e 
fiscalizada pela CVM. As bolsas têm autonomia para exercer seus poderes de autorregulamentação sobre 
as corretoras de valores que nela operam. Todas as corretoras são registradas no BCB e na CVM.
Somente por meio das corretoras e distribuidoras, os investidores têm acesso aos sistemas de 
negociação para efetuarem suas transações de compra e venda.
As empresas que têm ações negociadas nas bolsas são chamadas de empresas listadas. Essas 
empresas devem atender aos requisitos estabelecidos pela Lei das S/A e às instruções da CVM, além de 
obedecer a uma série de normas e regras estabelecidas pelas próprias bolsas.
No Brasil, embora a história das bolsas de valores no Brasil tenha iniciado há mais de 200 anos, 
ocorreram muitas mudanças e fusões nas instituições que operavam no mercado de capitais e, em 2017, 
a Brasil, Bolsa, Balcão (B3) se consolidou como a única bolsa de valores brasileira.
A primeira fusão ocorreu em 2008, entre a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a Bolsa de 
Mercadorias e Futuros (BMF), depois de uma reorganização societária que transformou a Bovespa em 
sociedade por ações, derivando a BMF&Bovespa. A segunda fusão ocorreu em 2017, com a fusão 
da BMF&Bovespa e a Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos Privados (Cetip), 
formando a B3.
 Saiba mais
No vídeo comemorativo aos 130 anos da B3, conheça a história do 
surgimento da Bolsa de Valores no Brasil.
HISTÓRIA da Bolsa de Valores no Brasil: Em 2020 a B3/ antiga Bovespa 
completou 130 anos. 2020. 1 vídeo (14 min). Publicado pelo canal Eu Quero 
Investir | Juliano Custodio. Disponível em: https://tinyurl.com/2ztj2xtz. 
Acesso em: 9 set. 2025.
No Brasil, a bolsa de valores é adequada para as empresas de grande porte, pelas exigências 
administrativas, jurídicas e legais que elas precisam atender. Além disso, existem muitos custos para as 
empresas se prepararem para operar seus títulos na bolsa de valores.
Já o mercado de balcão pode ser a solução ideal para empresas de menor porte, que podem 
facilmente negociar suas ações sem a necessidade de atender a todas as exigências necessárias para a 
bolsa de valores.
58
Unidade I
 Saiba mais
Conheça melhor o mercado de balcão no vídeo indicado a seguir.
COMO funciona o Mercado de Balcão: Jornada do Investidor ‑ Aula 32. 2020. 
1 vídeo (11 min). Publicado pelo canal Eu Quero Investir | Juliano Custodio. 
Disponível em: https://tinyurl.com/4hwwermp. Acesso em: 9 set. 2025.
3.4.1 Ações ordinárias e ações preferenciais
Ações são títulos que representam a menor fração com que se subdivide o capital social de uma empresa 
organizada sob a forma de sociedade por ações, representando um investimento permanente na instituição.
O acionista é, portanto, um proprietário da empresa, participando dos resultados alcançados pela 
empresa proporcionalmente à quantidade de ações que possui.
As ações podem ser classificadas como ordinárias (ON) ou preferenciais (PN). As ações ordinárias são 
ações comuns, e quem as possui tem todos os direitos e obrigações de legítimos proprietários da empresa, 
por exemplo, direito a voto nas assembleias de acionistas, nas quais cada ação equivale a um voto.
As ações preferenciais, ao contrário do que o nome sugere, são aquelas em que os acionistas têm 
restrição de direitos em relação àqueles que possuem ações ordinárias. Eles não podem, por exemplo, votar 
nas assembleias, porém, para compensar essa limitação, têm prioridade no recebimento de dividendos, 
e, em caso de liquidação da empresa, também têm prioridade no recebimento do reembolso de capital.
A distribuição de dividendos é a principal forma de remuneração dos acionistas, e, por lei, o 
dividendo obrigatório não poderá ser inferior a 25% do lucro líquido. Sob o ponto de vista econômico, 
essa distribuição mínima obrigatória não faz necessariamente sentido. Isso dependerá de cada empresa, 
da fase do ciclo de vida em que ela se encontra.
Uma empresa de grande crescimento, com muitos projetos de investimento, não deveria ser obrigada 
a distribuir dividendos, pois isso talvez não esteja de acordo com os interesses dos acionistas.
Uma empresa já madura, gerando muito lucro e que não tenha muitos projetos de investimento, talvez 
prefira, por sua vez, distribuir todo ou quase todo o lucro, em forma de dividendos. A relação percentual 
entre a parte distribuída em forma de dividendos e o lucro líquido total é denominada taxa payout.
3.4.2 Mercado primário e mercado secundário
O mercado de ações pode ser classificado em mercado primário e mercado secundário. Diz‑se que o 
mercado é primário quando as ações são lançadas pela primeira vez e o dinheiro arrecadado, líquido de 
custos, vai para a empresa emitente das ações. Diz‑se que o mercado é secundário quando essas ações 
mudam de mãos, ou seja, quando são negociadas pelos seus proprietários para outros acionistas. Nesse 
59
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
caso, os valores envolvidos apenas trocam de mãos, de um acionista para outro, sem financiar projetos 
de investimentos para a empresa emitente.
3.4.3 Segmentos da B3 para governança corporativa
A B3 classifica as ações listadas em diferentes segmentos, de acordo com critérios específicos. Vale 
ressaltar que essas classificações e segmentos podem ser atualizados ou alterados ao longo do tempo, 
de acordo com as regras e políticas da própria B3. São eles:
• Mercado tradicional: empresas listadas nesse segmento cumprem apenas as exigências mínimas 
da legislação para negociar ações na bolsa. Não há necessidade de compromissos adicionais de 
governança corporativa. O controle pode ser exercido por ações ordinárias ou preferenciais.
• Nível 1 de governança corporativa: os requisitos adicionais em relação ao mercado tradicional 
incluem melhor divulgação das informações financeiras e operacionais; a adoção de práticas de 
transparência para os investidores e as empresas devem manter, pelo menos, 25% das ações em 
circulação (free float). Porém, essas empresas ainda podem emitir ações preferenciais, que não 
dão direito a voto.
• Nível 2 de governança corporativa: as exigências nesse nível são ainda mais rigorosas que 
no nível 1, já que as empresas devem conceder 100% de tag along para ações ON e 80% para 
PN (direito de o acionista vender sua participação em caso de troca de controle). Para resolverdisputas entre acionistas e a empresa são utilizados acordos de arbitragem. Em alguns casos, 
existe a obrigação de estender direito de voto a acionistas preferenciais. Aqui, empresas ainda 
podem ter ações preferenciais, mas com direitos mais equilibrados.
• Novo Mercado: é um segmento especial da B3 que abriga as empresas que possuem os mais elevados 
padrões de governança corporativa. As empresas listadas no Novo Mercado se comprometem 
a adotar práticas adicionais de transparência e proteção aos acionistas minoritários, emitindo 
apenas ações ordinárias, que concedem direito a voto. É necessário que as empresas concedam 
100% de tag along, para proteção dos investidores em caso de venda do controle da empresa. 
O conselho de administração deve ter, pelo menos, cinco membros, sendo 20% independentes, ou 
seja, sem possuir ações nem participar da gestão. A divulgação de demonstrações financeiras deve 
ser de acordo com padrões internacionais. Esse segmento é considerado o mais seguro e atrativo 
para investidores.
• Bovespa Mais e Bovespa Mais Nível 2: esses segmentos são destinados a pequenas e médias 
empresas que querem abrir o capital gradativamente. São empresas que ainda não preenchem 
os requisitos para ingressar nos segmentos anteriormente citados, mas buscam maior visibilidade 
e acesso ao mercado de capitais. As empresas podem começar com baixa dispersão de ações e 
aumentar aos poucos. O objetivo é incentivar o acesso de novas empresas à bolsa.
60
Unidade I
Quadro 8 – Segmentos da B3 em relação à governança corporativa
Mercado
tradicional Nível 1 Nível 2 Novo 
Mercado
Bovespa 
Mais
Bovespa Mais
Nível 2
Tipos de ações 
permitidas ON e PN ON e PN ON e PN Apenas ON Apenas ON ON e PN
Tag along 
(proteção 
ao acionista 
minoritário)
80% (ON),
0% (PN)
80% (ON),
0% (PN)
100% (ON),
80% (PN)
100% (ON) 100% (ON)
100% (ON),
80% (PN)
Free float 
mínimo (ações 
em circulação)
Não exigido 25% 25% 25% 25% (até 7 anos 
para atingir)
25% (até 7 anos 
para atingir)
Conselho de 
administração Não obrigatório Mínimo de 
três membros
Mínimo de cinco 
membros, 20% 
independentes
Mínimo de cinco 
membros, 20% 
independentes
Mínimo de cinco 
membros, 20% 
independentes
Mínimo de cinco 
membros, 20% 
independentes
Arbitragem 
para conflitos Não obrigatório Não obrigatório Obrigatório Obrigatório Obrigatório Obrigatório
Divulgação de 
informações 
extras
Apenas 
exigências legais
Informações 
financeiras 
adicionais
Demonstrações 
financeiras 
completas e 
em padrão 
internacional
Demonstrações 
financeiras 
completas e 
em padrão 
internacional
Demonstrações 
financeiras 
completas e 
em padrão 
internacional
Demonstrações 
financeiras 
completas e 
em padrão 
internacional
Objetivo 
do segmento Mínimos legais Governança 
básica
Governança 
avançada
Máxima 
transparência
Entrada gradual 
na bolsa
Entrada gradual 
na bolsa
3.4.4 Índices representativos do mercado de ações
A B3 coleta, organiza e divulga uma série de informações sobre os negócios realizados em cada 
pregão e, entre elas, estão os índices que mostram o comportamento de todo mercado ou de segmentos 
específicos de mercado. A título de exemplo, vamos conhecer alguns.
O Ibovespa é o principal índice de referência do mercado de ações brasileiro e é um dos mais 
importantes indicadores econômicos do país. Ele foi criado em 1968 pela bolsa de valores da época, a 
Bovespa. Embora a B3 seja a bolsa de valores que divulga esse índice, o nome Ibovespa permaneceu pela 
sua importância no mercado de capitais. Ele é composto por uma carteira teórica de ações das empresas 
mais negociadas na bolsa.
O objetivo do Ibovespa é acompanhar o desempenho médio das ações listadas na B3 e refletir a 
evolução do mercado acionário brasileiro como um todo. Para isso, ele utiliza uma metodologia de 
cálculo que considera tanto o valor de mercado das ações das empresas quanto a liquidez de negociação.
A composição do Ibovespa é revista periodicamente, e as ações que o compõem podem variar ao 
longo do tempo. Geralmente, a carteira teórica do Ibovespa é composta por cerca de 60 a 80 ações, que 
representam uma parcela significativa do volume negociado na bolsa.
As empresas listadas no Ibovespa são ponderadas de acordo com sua participação no mercado 
acionário. Ou seja, empresas com maior valor de mercado e maior liquidez têm maior peso no índice, 
influenciando mais o seu desempenho.
61
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
O Ibovespa é utilizado como uma referência para acompanhar a evolução do mercado de ações 
brasileiro e como base para a criação de produtos financeiros, como fundos de investimento e 
contratos futuros.
Para os investidores, o Ibovespa é uma ferramenta importante para avaliar o desempenho de suas 
carteiras de ações e comparar o retorno de seus investimentos com o desempenho médio do mercado. 
No entanto, é fundamental lembrar que investir em ações envolve riscos e que o Ibovespa não garante 
resultados futuros para os investidores individuais.
Encontram‑se listados, a seguir, os principais índices do mercado.
• IBrX-100 (Índice Brasil 100): índice que inclui as 100 ações mais negociadas na B3, abrangendo 
uma maior diversificação em relação ao Ibovespa, que possui uma carteira teórica menor.
• IBRX-50 (Índice Brasil 50): semelhante ao IBrX‑100, mas com apenas 50 ações de empresas 
consideradas líderes em liquidez na B3.
• IBrX-50 Dividendos: índice que seleciona as 50 ações com maior potencial de pagamento de 
dividendos entre os componentes do IBrX‑100.
• IVBX-2 (Índice Valor Bovespa 2): índice que mede o desempenho das ações de empresas que 
atendem a critérios específicos de valor de mercado e liquidez.
• IEE (Índice de Energia Elétrica): índice que reflete o desempenho das ações de empresas do 
setor de energia elétrica listadas na B3.
• ICON (Índice de Consumo): índice que mede o desempenho das ações de empresas do setor de 
consumo, incluindo varejistas, empresas de alimentos, bebidas, entre outros.
• IMOB (Índice Imobiliário): índice que acompanha o desempenho das ações de empresas do 
setor imobiliário.
• IFIX (Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários): índice que reflete o desempenho dos 
fundos de investimentos imobiliários listados na B3.
• Small Cap (Índice Small Cap): índice que reúne ações de empresas com menor capitalização de 
mercado e menor liquidez.
• ITAG (Índice de Ações com Tag Along Diferenciado): índice que engloba ações de empresas que 
oferecem maior proteção aos acionistas minoritários em caso de venda do controle da empresa.
• ESG (Índice ESG): trata‑se de uma métrica utilizada para avaliar o desempenho ambiental, social 
e de governança corporativa de uma empresa. A sigla ESG refere‑se a três pilares principais: 
ambiental (E – environmental), social (S – social) e governança corporativa (G – governance). 
62
Unidade I
Os investidores, analistas e gestores utilizam o Índice ESG para avaliar o comprometimento de 
uma empresa com a sustentabilidade e a responsabilidade social. Empresas com altas pontuações 
no Índice ESG são frequentemente vistas como mais atraentes para investidores que desejam 
combinar retornos financeiros com impactos positivos no meio ambiente e na sociedade.
3.4.5 Retorno e risco no mercado de ações
Investir em ações envolve considerar o equilíbrio entre o retorno potencial e o risco associado a essa 
classe de ativos. Vamos explorar cada um desses conceitos.
O retorno em investir em ações refere‑se aos ganhos ou perdas obtidos pelos investidores ao 
longo do tempo. Ele é influenciado principalmente pela variação do preço das ações e pelos proventos 
distribuídos pelas empresas, como dividendos e juros sobre capital próprio.
O retorno potencial em ações pode ser atrativo, especialmente no longo prazo. As empresas 
bem‑sucedidas têm o potencial de aumentar seus lucros e, consequentemente, o valor de suas ações, o 
que pode resultar em ganhos significativos para os investidores. Além disso, os proventos distribuídos 
pelasempresas podem representar uma fonte adicional de renda para os investidores.
Contudo, é essencial compreender que investir em ações também envolve riscos, e o retorno não 
é garantido. O preço das ações pode ser volátil e pode ser influenciado por diversos fatores, como 
condições econômicas, desempenho da empresa, concorrência, mudanças regulatórias, entre outros.
O risco em investir em ações refere‑se à incerteza e à possibilidade de perdas financeiras. As ações 
são consideradas ativos de maior risco no mercado financeiro quando comparadas a outros investimentos, 
como títulos de renda fixa.
O principal risco associado ao investimento em ações é o risco de mercado, que está relacionado à 
volatilidade dos preços das ações. Os preços podem flutuar significativamente em curtos períodos de 
tempo, e os investidores podem enfrentar perdas substanciais se as ações desvalorizarem.
Há, ainda, riscos específicos de empresa, que estão associados ao desempenho e às operações de uma 
empresa em particular. Problemas financeiros, problemas de gestão, concorrência acirrada ou eventos 
inesperados podem afetar negativamente o desempenho de uma empresa e, consequentemente, o valor 
de suas ações.
Para lidar com o risco ao investir em ações, os investidores podem diversificar suas carteiras, 
investindo em várias empresas e setores diferentes. A diversificação pode ajudar a reduzir o impacto de 
perdas individuais e equilibrar os riscos em geral.
É importante ressaltar que o risco e o retorno estão interligados. Geralmente, ativos de maior risco 
oferecem maior potencial de retorno, enquanto ativos mais seguros oferecem retornos mais modestos. 
Portanto, ao investir em ações, é fundamental que o investidor esteja ciente dos riscos envolvidos e 
esteja preparado para enfrentar a volatilidade do mercado.
63
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Antes de investir em ações ou em qualquer outro ativo financeiro, é recomendável buscar conhecimento, 
entender seu perfil de investidor, definir seus objetivos financeiros e, se necessário, contar com o auxílio 
de um profissional devidamente habilitado, como um assessor financeiro, para tomar decisões mais 
informadas e alinhadas com suas necessidades e tolerância ao risco.
3.5 Falhas na governança corporativa
A governança corporativa é mais que um simples conjunto de regras ou processos. Assim, apesar 
de haver valores e princípios bem definidos, e a existência de instituições normativas e reguladoras e 
legislações rígidas, nem sempre uma ótima governança corporativa será eficaz e conseguirá prever 
fraudes e acidentes envolvendo as instituições, públicas e privadas.
Isso ocorre porque nosso conhecimento é majoritariamente formado por informações passadas ou 
presentes e, a cada dia, a previsão dos efeitos futuros de nossas atividades se torna mais complexa e improvável.
Desse modo, embora todas essas ferramentas e metodologias sejam baseadas nas melhores práticas 
e sirvam para gerar conforto a acionistas e outros stakeholders, elas não garantem segurança diante de 
operações de grande impacto.
Vejamos as quatro principais falhas de governança corporativa para exemplificar os casos em que 
sua aplicação é feita de maneira equivocada e não traz os resultados desejados.
• Conselho administrativo sem independência: uma das formas de garantir que as práticas 
da governança corporativa sejam bem definidas e respeitadas é por meio da autonomia do 
Conselho Administrativo. Seu papel é a diminuição de riscos e a melhoria da tomada das decisões 
estratégicas da empresa. Para que possa exercê‑lo, é imprescindível que haja independência, o que 
garante que os interesses da companhia sejam colocados sempre em primeiro lugar.
• Falta de comunicação: um dos princípios da governança corporativa é justamente a 
transparência. Assim, a falta de comunicação representa um grande problema na sua implantação. 
A comunicação precisa ser vista como um fator‑chave para o sucesso dos processos internos 
das empresas, com um papel estratégico cada vez maior. Para isso, é necessário que operações 
importantes com impactos significativos, como financeiros e tributários, por exemplo, sejam 
avaliadas previamente, ao invés de executadas sem qualquer preparação. Uma boa comunicação 
aumenta a confiança entre as partes interessadas e minimiza a ocorrência de riscos.
• Auditorias independentes ineficazes: a realização de auditorias independentes é um recurso 
de extrema importância para as empresas, pois é por meio delas que a utilização de recursos de 
maneira eficiente é analisada com imparcialidade e eficiência. É parte fundamental da governança 
corporativa assegurar que a realização das auditorias aconteça de forma tranquila, com autonomia 
e independência. Somente assim será possível identificar os processos necessários para a melhoria 
constante na empresa.
64
Unidade I
• Políticas de remuneração ineficazes: as políticas de remuneração têm como objetivo o incentivo 
à produtividade e à eficiência por meio da premiação pelo bom desempenho. Um sistema ineficaz, 
quando os executivos podem definir a própria remuneração, tem o efeito totalmente contrário e 
atua na contramão das práticas propostas pela governança corporativa. É necessário manter uma 
política de remuneração justa, que inspire confiança (As quatro […], [s.d.]).
Vários casos de falhas na governança corporativa servem de alerta para investidores e empresas. Vejamos 
alguns exemplos notáveis no Brasil e no mundo. No Brasil, destacam‑se três casos: Americanas (2023), 
Petrobrás (2014‑2016) e Vale (2019).
Americanas: fraude contábil de R$ 20 bilhões
A Americanas revelou um rombo contábil de R$ 20 bilhões, escondido em operações de risco nas 
modalidades forfait e risco sacado.
Forfait e risco sacado são termos que se referem à mesma operação bancária de antecipação de 
recebíveis. É uma operação de curto prazo que envolve a empresa, o fornecedor e uma instituição 
financeira. Funciona da seguinte maneira: o fornecedor emite uma fatura com um prazo de pagamento 
determinado. A empresa compradora solicita a antecipação dos recebíveis a uma instituição financeira. 
A instituição financeira torna‑se credora da operação e a empresa compradora deve pagar o valor à 
instituição financeira até ao final do prazo de pagamento. Embora seja uma operação legal e apresente 
vantagens, existem riscos se a empresa não for bem gerida financeiramente. Os juros elevados podem 
ter um impacto negativo no resultado financeiro da empresa.
Os controladores da Americanas (3G Capital – Jorge Paulo Lemann, Marcel Herrmann Telles, Carlos 
Alberto Sicupira, Alex Behring e Roberto Thompson Motta) alegaram desconhecimento da fraude, 
levantando dúvidas sobre a transparência na gestão.
A empresa entrou em recuperação judicial, afetando credores e acionistas. A falha na auditoria e na 
transparência financeira foram os pontos centrais do escândalo (Andrade; Nascimento; Iácone, 2023).
Petrobras: escândalo da Lava Jato
As principais falhas de governança corporativa envolveram os seguintes aspectos:
• o conselho executivo da Petrobras não era  suficientemente independente e apresentava 
deficiências estruturais;
• os canais de denúncias não eram eficazes, além de estarem vinculados a setores internos 
da companhia;
• os controles internos apresentavam diversas fragilidades;
• os sistemas integrados de gestão continham falhas de parametrização e, somente a partir do 
segundo semestre de 2014 a empresa passou a ter um código de conduta.
65
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Embora os sistemas de governança implantados na Petrobras atendessem às formalidades exigidas 
pelas instituições, eles não foram suficientes para evitar as práticas de corrupção na empresa.
O conselho de administração, os controles internos e o compliance não atendiam à maioria das 
recomendações de boas práticas. Esse cenário facilitou a execução de atos ilícitos na empresa.
A investigação revelou corrupção massiva, com desvio de bilhões em contratos superfaturados.Ocorreu envolvimento de diretores, políticos e empreiteiras na manipulação de contratos públicos. 
A Petrobrás teve grande perda de valor de mercado e de credibilidade (Pereira; Souza, 2017).
Vale: rompimento da barragem de Brumadinho
Em 25 de janeiro de 2019, a barragem em Brumadinho, de propriedade da Vale S/A, rompeu, causando 
272 mortes e danos ambientais severos. Os relatórios de segurança foram ignorados e a empresa não 
tomou medidas preventivas adequadas.
Após o desastre, a Vale perdeu credibilidade e bilhões em valor de mercado. O principal problema 
residiu na falha da gestão risco e responsabilidade socioambiental.
Mas o que a governança corporativa tem a ver com esse caso?
Para responder a essa pergunta, observa‑se o tema sob a seguinte perspectiva: segundo o IBGC, as 
boas práticas convertem princípios básicos em recomendações objetivas, com a finalidade de preservar 
e otimizar o valor econômico de longo prazo da organização, facilitando seu acesso a recursos e 
contribuindo para a qualidade da gestão da empresa, sua longevidade e o bem comum.
O risco está sempre presente nas atividades das organizações e, por definição, tem potencial de 
causar dano ao patrimônio tangível ou intangível da empresa.
Os riscos mudam conforme a empresa, o segmento em que atua e a robustez de seus controles 
internos. Embora a Vale seja reconhecidamente uma empresa com fortes controles internos, o desastre 
aconteceu e, portanto, algo falhou.
Por mais rígido que possa ser o gerenciamento de risco de uma empresa, ele não é imune a falhas, 
simplesmente porque estas decorrem da ação ou omissão humana.
Sob o enfoque da governança, o que se pode dizer é que em empresas com potencial de impacto 
ambiental muito grande, a gestão de risco deve estar permanentemente na pauta do conselho de 
administração, além da necessária abrangência e rigidez dos seus controles internos.
Não se pretende que os conselheiros sejam especialistas em gestão de risco ambiental, mas eles 
precisam ter condições e efetivamente praticar o hábito de fiscalizar a adequação dos controles internos 
e do compliance. Eles precisam ter conhecimento dos riscos envolvidos nos negócios da empresa. Só 
assim, podem fiscalizar a alta administração e cobrar o seu devido gerenciamento.
66
Unidade I
Em determinados segmentos, como o da mineração, a dimensão risco requer tanta atenção que é 
necessária a existência de um comitê de risco e até de um comitê de crise, com o objetivo de assessorar 
o conselho de administração no desempenho de suas atribuições.
Esses casos mostram que falhas na governança corporativa podem resultar em prejuízos bilionários, 
crises institucionais e até falências. Empresas precisam de transparência, ética e controles internos 
rígidos para evitar escândalos.
 Saiba mais
Os vídeos indicados a seguir tratam dos escândalos envolvendo fraudes 
em empresas estadunidenses no início dos anos 2000.
CASO Enron resumido ‑ maior fraude da história (contabilidade/auditoria/
governança/SOX). 2021. 1 vídeo (13 min). Publicado pelo canal GCoelho. 
Disponível em: https://tinyurl.com/yrbkhsn7. Acesso em: 9 set. 2025.
CASO Worldcom. 2022. 1 vídeo (6 min). Publicado pelo canal Ricardo 
Saul. Disponível em: https://tinyurl.com/3f4bzaef. Acesso em: 9 set. 2025.
4 RISCOS E OPORTUNIDADES EM SUSTENTABILIDADE
No cenário corporativo atual, a sustentabilidade deixou de ser apenas um diferencial competitivo 
para se tornar um fator estratégico essencial. Empresas de todos os setores enfrentam riscos ambientais, 
sociais e de governança (ESG) que podem impactar sua reputação, operações e rentabilidade.
As práticas ESG adotadas pelas empresas são avaliadas por instituições reguladoras de diversas 
áreas, inclusive por instituições financeiras que utilizam os indicadores para classificar as empresas e 
criar o Índice ESG.
Contudo, a adoção de práticas ESG pelas empresas traz tanto riscos quanto oportunidades. 
A maneira como essas organizações gerenciam esses fatores pode impactar diretamente sua reputação, 
competitividade e rentabilidade.
Os principais riscos da adoção de práticas ESG são:
• Custos iniciais elevados: investimentos em tecnologias sustentáveis, compliance regulatório e 
mudanças estruturais podem representar um impacto financeiro significativo.
• Exposição a riscos regulatórios: governos e órgãos reguladores estão cada vez mais exigentes 
quanto ao cumprimento de normas ambientais e sociais, impondo multas e restrições para 
empresas que não se adequam.
67
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
• Greenwashing: empresas que não adotam práticas ESG genuínas correm o risco de serem 
acusadas de “maquiagem verde”, prejudicando sua credibilidade no mercado.
• Resistência interna e cultural: a implementação de práticas ESG pode enfrentar resistência de 
stakeholders internos, como funcionários e acionistas, em virtude da mudança de processos e dos 
custos envolvidos.
• Pressão dos investidores e consumidores: empresas que não conseguem demonstrar resultados 
concretos em ESG podem perder o interesse de investidores e consumidores preocupados 
com sustentabilidade.
Por sua vez, existem oportunidades da adoção de práticas ESG:
• Acesso a capital e financiamento sustentável: investidores institucionais e fundos especializados 
estão cada vez mais focados em apoiar empresas com boas práticas ESG.
• Vantagem competitiva e diferenciação no mercado: empresas sustentáveis atraem consumidores 
que valorizam responsabilidade ambiental e social, fortalecendo sua marca e reputação.
• Eficiência operacional e redução de custos: práticas ESG podem levar à economia de recursos, 
como energia e água, além da redução de desperdícios na cadeia produtiva.
• Engajamento e retenção de talentos: funcionários tendem a se sentir mais motivados e 
engajados em empresas que demonstram compromisso com causas ambientais e sociais.
• Conformidade regulatória e redução de riscos legais: empresas que se antecipam às exigências 
ambientais e sociais minimizam riscos jurídicos e evitam sanções regulatórias.
Empresas que integram práticas ESG de forma estratégica e consistente não apenas mitigam riscos, 
mas também criam oportunidades de crescimento sustentável, inovação e fortalecimento de sua 
posição no mercado.
4.1 Conceitos emergentes sobre meio ambiente e mudanças climáticas
As tendências de investimentos em empresas de capital aberto podem ser influenciadas por diversos 
fatores econômicos, sociais e tecnológicos. É importante notar que essas tendências estão sempre em 
constante evolução e o cenário pode mudar significativamente ao longo do tempo.
Algumas das principais tendências de investimentos em empresas de capital aberto encontram‑se 
elencadas a seguir.
• Sustentabilidade e responsabilidade social: investidores têm demonstrado maior interesse em 
empresas que adotam práticas sustentáveis e têm responsabilidade social corporativa. Empresas 
que priorizam questões ambientais, sociais e de governança (ESG) têm atraído investidores 
conscientes, que desejam aliar seus investimentos ao impacto positivo no mundo.
68
Unidade I
• Tecnologia e inovação: empresas de capital aberto que estão na vanguarda da inovação tecnológica 
costumam ser alvo de investidores, especialmente aquelas que estão envolvidas em setores 
disruptivos, como inteligência artificial, blockchain, tecnologia de saúde e energias renováveis. 
A inovação é vista como um motor de crescimento no longo prazo e pode impulsionar o 
desempenho das ações.
• Setores de crescimento acelerado: investidores tendem a buscar empresas em setores que estão 
experimentando um rápido crescimento. Isso pode incluir empresas em setores emergentes, como 
as que investem em canabidiol, biotecnologia, inteligência artificial, energia limpa, entre outros. 
Esses setores promissores atraem investidores em busca de retornos potencialmente elevados.
• Investimentos baseados em dados: com o avanço da tecnologia, a análise de dados tornou‑se 
uma parte fundamental do processo63
4 RISCOS E OPORTUNIDADES EM SUSTENTABILIDADE ....................................................................... 66
4.1 Conceitos emergentes sobre meio ambiente e mudanças climáticas ............................ 67
4.2 Conceito de fundos ESG .................................................................................................................... 70
4.3 Conceito de ativos e passivos ambientais .................................................................................. 71
4.4 Técnicas de divulgação de informação sobre sustentabilidade NBC‑TDS .................... 72
4.5 Conceito de GRI (Global Reporting Initiative) .......................................................................... 73
4.6 Conceito de relato integrado........................................................................................................... 74
Unidade II
5 SPED E DOCUMENTOS ELETRÔNICOS ..................................................................................................... 80
5.1 SPED e cruzamentos ........................................................................................................................... 81
5.2 Auditoria: de função corretiva à função estratégica............................................................. 82
5.3 Principais pontos de auditoria nos arquivos SPED ................................................................. 83
5.4 Ferramentas e tecnologia na auditoria SPED ........................................................................... 84
5.5 Considerações finais ............................................................................................................................ 85
6 SPED FISCAL ICMS/IPI VERSUS SPED CONTRIBUIÇÕES ................................................................... 85
6.1 O que é o SPED Fiscal e o SPED Contribuições? ...................................................................... 85
6.2 Quem está obrigado à entrega do SPED Fiscal e do SPED Contribuições? ................... 87
6.3 Estrutura da EFD ................................................................................................................................... 88
6.4 Transmissão e validação .................................................................................................................... 89
6.5 Apuração do PIS e Cofins no SPED Contribuições .................................................................. 90
6.6 Escrituração Fiscal Digital no contexto da reforma tributária: 
SPED Fiscal ICMS/IPI e SPED Contribuições ...................................................................................... 90
6.7 Orientações para a elaboração e entrega do SPED Fiscal e do 
SPED Contribuições ..................................................................................................................................... 91
7 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL (ECD) VERSUS ESCRITURAÇÃO 
CONTÁBIL FISCAL (ECF) ..................................................................................................................................... 92
7.1 O que é a ECD e a ECF? ...................................................................................................................... 93
7.2 Quem está obrigado à entrega da ECD e da ECF? ................................................................... 94
7.3 Estrutura da ECD e da ECF ................................................................................................................ 95
7.4 Transmissão e validação .................................................................................................................... 96
7.5 Recomendações de processos na elaboração da ECD e da ECF ........................................ 98
7.6 Considerações finais ............................................................................................................................ 99
8 EFD‑REINF E ESOCIAL .................................................................................................................................... 99
8.1 O que é a EFD‑Reinf e o eSocial? ................................................................................................... 99
8.2 Obrigatoriedade e informações ....................................................................................................101
8.3 Prazos e penalidades .........................................................................................................................104
8.4 Boas práticas do departamento fiscal, contábil e de recursos humanos ....................105
8.5 Considerações finais ..........................................................................................................................105
7
APRESENTAÇÃO
Olá, aluno(a)!
No mundo contemporâneo, as empresas enfrentam uma complexa rede de expectativas e de 
demandas que vão além da simples busca por lucro. Com a globalização e a crescente importância das 
questões sociais e ambientais, surge a necessidade da implantação de práticas consistentes de governança 
corporativa e sustentabilidade, tópico abordado na disciplina Ciências Contábeis Interdisciplinar.
Você deve estar se perguntando: governança corporativa não é mais um modismo da moderna 
gestão de empresas? Com toda certeza, pode‑se afirmar que não! Ela baseia‑se em fundamentos sólidos, 
definidos pelas ciências econômicas e por princípios éticos.
A governança corporativa é essencial para garantir que as organizações atuem de forma ética, 
sustentável e com foco na criação de valor no longo prazo. Sua importância reside, primeiramente, no 
fato de que ela aumenta a confiança dos investidores e das demais partes interessadas ao assegurar que 
a empresa está sendo gerida com responsabilidade e eficiência.
Com práticas de governança bem estruturadas, as empresas tornam‑se mais atrativas e aumentam 
seu valor de mercado. Além disso, uma boa governança contribui para a mitigação de riscos, já que 
estabelece políticas de controle e de auditoria, buscando identificar e corrigir falhas de gestão e 
auxiliando na elaboração de planos de contingências para a prevenção de acidentes.
Ao adotar práticas alinhadas com os princípios ambientais, sociais e de governança (ESG, do inglês 
environmental, social, governance), as empresas conseguem se posicionar de maneira responsável frente 
a questões que impactam tanto seu ambiente interno quanto a sociedade como um todo.
Nesse cenário, o Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) surge como marco na digitalização dos 
processos contábeis e fiscais no Brasil, com impactos profundos na gestão, na conformidade e na eficiência 
das empresas. Sua conexão e sua integração com a escrituração contábil, a gestão tributária, as 
obrigações trabalhistas e a governança corporativa criam um ambiente mais seguro, transparente 
e eficiente para as empresas, além de facilitar o cumprimento das obrigações legais.
Esses conceitos não apenas ajudam as organizações a construírem uma base sólida para o crescimento, 
mas também asseguram transparência, responsabilidade e ética em suas operações.
Assim, a disciplina Ciências Contábeis Interdisciplinar ultrapassa o escopo do desempenho financeiro 
e incorpora valores que sustentam a reputação e a longevidade das empresas, promovendo o bem‑estar 
coletivo e o impacto social positivo.
Este livro‑texto tem, portanto, como objetivo estabelecer um diálogo entre os conhecimentos adquiridos 
na área contábil e aqueles advindos de outros campos do saber. Trata dos conceitos de governança corporativa e 
da sua relação com a sustentabilidade e o SPED, que se destaca como uma solução tecnológica que facilita 
o envio da escrituração contábil e fiscal das empresas para a administração pública.
Boa leitura!
8
INTRODUÇÃO
Este livro‑texto, composto por duas unidades, busca relacionar a governança corporativa e o 
Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), fundamental para garantir que as empresas operem de 
maneira transparente, eficientede tomada de decisão dos investidores, que cada vez mais, 
têm utilizado dados quantitativos e análises estatísticas para avaliar o desempenho das empresas.
• Dividendos e retornos constantes: investidores, especialmente os de perfil mais conservador, 
têm procurado empresas que pagam dividendos consistentes e oferecem retornos estáveis ao 
longo do tempo. Essas empresas são frequentemente vistas como investimentos de baixo risco e 
podem ser atraentes para aqueles que buscam renda de investimentos.
• Investimentos em mercados emergentes: à medida que a globalização continua a 
evoluir,  investidores têm buscado oportunidades em mercados emergentes que apresentam 
um potencial de crescimento significativo. Esses mercados podem oferecer oportunidades de 
investimento atraentes, mas também podem envolver riscos adicionais.
• Investimentos temáticos: investidores têm mostrado interesse crescente em investimentos 
temáticos, como empresas que se concentram em saúde e bem‑estar, educação, tecnologia 
limpa, entre outros. Essas temáticas podem refletir as tendências sociais e comportamentais 
predominantes em determinado momento.
Entre os temas apresentados, o debate sobre meio ambiente e mudanças climáticas continua 
evoluindo, com novos conceitos emergentes e abordagens desenvolvidas para enfrentar os desafios 
ambientais globais. Alguns desses conceitos incluem:
• Neutralidade de carbono: a neutralidade de carbono, também conhecida como zero líquido de 
carbono, refere‑se ao equilíbrio entre as emissões de gases de efeito estufa liberadas na atmosfera 
e as emissões removidas ou compensadas por meio de ações como reflorestamento, captura 
de carbono ou tecnologias de remoção de CO2. O objetivo é alcançar um estado em que as emissões 
humanas líquidas de carbono sejam reduzidas a zero, para evitar um aumento significativo da 
temperatura global.
• Economia circular: a economia circular é um conceito que se opõe ao modelo linear tradicional 
de produção, consumo e descarte, e visa criar um sistema sustentável onde os recursos são 
reutilizados, reciclados e regenerados. Ao aplicar a economia circular, as empresas e a sociedade 
podem reduzir o desperdício, a poluição e a degradação ambiental.
69
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
• Justiça climática: a justiça climática é uma abordagem que enfatiza a equidade e a inclusão 
nas respostas às mudanças climáticas, ao reconhecer que os impactos negativos das mudanças 
climáticas são desproporcionalmente sentidos por comunidades vulneráveis, como populações 
de baixa renda, povos indígenas e países em desenvolvimento. A justiça climática busca garantir 
que as políticas e medidas de adaptação e mitigação considerem e atendam às necessidades 
dessas comunidades.
• Pegada ecológica: a pegada ecológica é uma medida do impacto ambiental de uma pessoa, 
comunidade ou país, expressa em termos de área de terra e recursos necessários para sustentar 
o seu estilo de vida ou suas atividades. Trata‑se de uma ferramenta que auxilia a entender  a 
pressão que a humanidade exerce sobre os recursos naturais e ajuda na conscientização sobre 
a importância da sustentabilidade e da redução do consumo excessivo.
• Descarbonização: a descarbonização refere‑se ao processo de redução das emissões de carbono, 
especialmente no setor de energia, substituindo fontes de energia baseadas em combustíveis 
fósseis por tecnologias e alternativas de baixa emissão de carbono, como a energia renovável.
• Bioeconomia: a bioeconomia abrange um conjunto de atividades econômicas que utilizam 
recursos biológicos renováveis, como agricultura, florestas e aquicultura, para produzir alimentos, 
energia, materiais e produtos de base biológica. A bioeconomia promove a utilização sustentável 
de recursos naturais e pode contribuir para a transição para uma economia mais verde e de 
baixo carbono.
• Conservação baseada em natureza: essa abordagem coloca a natureza como uma parte central 
da solução para os desafios ambientais e climáticos. A conservação baseada em natureza envolve 
a proteção, a restauração e o uso sustentável dos ecossistemas naturais para mitigar as mudanças 
climáticas, conservar a biodiversidade e promover a resiliência às alterações no clima.
Esses conceitos emergentes refletem a crescente conscientização global sobre a urgência das questões 
ambientais e climáticas. À medida que a ciência avança e novas pesquisas são realizadas, é provável que 
surjam mais conceitos e abordagens para enfrentar os desafios ambientais do nosso tempo.
 Saiba mais
Assista ao vídeo a seguir sobre investimentos temáticos.
O QUE é investimento temático? 2020. 1 vídeo (11 min). Publicado pelo 
canal EconomicaMENTE. Disponível em: https://tinyurl.com/5y47pvdt. Acesso 
em: 9 set. 2025.
70
Unidade I
4.2 Conceito de fundos ESG
Os fundos ESG (environmental, social e governance) são veículos de investimento que buscam incorporar 
critérios ambientais, sociais e de governança corporativa em suas estratégias de seleção de ativos.
Esses critérios são usados para avaliar o desempenho das empresas em relação a questões ambientais, 
sociais e de governança, permitindo que os investidores considerem não apenas o retorno financeiro, 
mas também o impacto social e ambiental de suas escolhas de investimento, nos seguintes âmbitos:
• Environmental (ambiental): os critérios ambientais analisam o impacto das empresas nas questões 
ambientais, como emissões de gases de efeito estufa, consumo de energia, gestão de resíduos, 
uso sustentável dos recursos naturais, entre outros. Empresas que demonstram compromisso com 
a sustentabilidade ambiental são mais propensas a serem selecionadas por fundos ESG.
• Social: os critérios sociais examinam como as empresas interagem com suas partes interessadas, 
como funcionários, comunidades locais, clientes e fornecedores. Questões como tratamento justo 
dos funcionários, diversidade e inclusão, relações com a comunidade e práticas comerciais éticas 
são levadas em consideração. Empresas que têm políticas e práticas sociais positivas têm mais 
chance de serem incluídas em fundos ESG.
• Governance (governança): os critérios de governança analisam como as empresas são gerenciadas 
e controladas, incluindo a estrutura de governança, o papel dos acionistas, a transparência nas 
operações e a prestação de contas da administração. Empresas com altos padrões de governança e 
gestão responsável têm maior probabilidade de serem consideradas em fundos ESG.
O objetivo dos fundos ESG é investir em empresas que atendam a esses critérios, buscando não 
apenas o desempenho financeiro a curto prazo, mas também o impacto positivo no longo prazo em 
relação a questões ambientais e sociais. Além disso, muitos investidores acreditam que empresas com 
uma abordagem sustentável e responsável têm mais chances de serem bem‑sucedidas no futuro, 
gerando retornos mais consistentes ao longo do tempo.
Os fundos ESG têm ganhado popularidade nos últimos anos, refletindo uma crescente conscientização 
sobre questões ambientais e sociais, bem como a importância de uma governança corporativa sólida. 
Essa tendência também é impulsionada por investidores que desejam alinhar seus valores pessoais com 
suas decisões de investimento, buscando, ao mesmo tempo, obter um retorno financeiro sólido.
É essencial notar que os critérios ESG podem variar entre diferentes fundos e gestoras de investimento. 
Alguns fundos podem ter critérios mais rigorosos e focar exclusivamente em empresas que atendam a 
altos padrões ESG, enquanto outros podem adotar uma abordagem mais flexível e inclusiva, buscando 
empresas em processo de melhoria nesses aspectos.
Em resumo, os fundos ESG representam uma abordagem de investimento que valoriza não apenas o 
retorno financeiro, mas também o impacto ambiental, social e a qualidade da governança das empresas 
em que investem. Essa abordagem tem sido uma força importante na promoção de práticas de negócios 
mais sustentáveis e responsáveis em todo o mundo.
71
CIÊNCIASCONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
 Saiba mais
O vídeo indicado explora como o ESG afeta os investimentos.
O QUE é ESG e como afeta o mundo dos investimentos. 2020. 1 vídeo (4 min). 
Publicado pelo canal InfoMoney. Disponível em: https://tinyurl.com/mubu4hb6. 
Acesso em: 9 set. 2025.
4.3 Conceito de ativos e passivos ambientais
Ativos e passivos ambientais são conceitos contábeis e financeiros relacionados aos impactos 
ambientais que uma empresa pode ter em suas atividades. Eles são uma parte importante da 
contabilidade  ambiental e podem influenciar o balanço patrimonial e demonstrações financeiras 
das empresas.
Ativos ambientais referem‑se aos recursos e bens que uma empresa possui e que têm valor econômico 
relacionado às questões ambientais. Esses ativos geralmente são representados por investimentos em 
tecnologias, equipamentos, instalações e outros recursos que visam à preservação ou melhoria do meio 
ambiente. Alguns exemplos de ativos ambientais incluem:
• tecnologias de controle de poluição, como filtros de ar, sistemas de tratamento de água e estações 
de tratamento de efluentes;
• investimentos em fontes de energia renovável, como painéis solares e turbinas eólicas;
• áreas de conservação e proteção ambiental, como reservas naturais e áreas verdes em torno de 
instalações industriais.
Esses ativos são geralmente registrados no balanço patrimonial e podem ser amortizados ou 
depreciados ao longo do tempo, dependendo de sua vida útil.
Já os passivos ambientais representam obrigações financeiras ou responsabilidades que uma 
empresa pode ter decorrentes de impactos ambientais passados ou presentes. São os custos associados 
à reparação, mitigação ou compensação de danos ambientais causados pelas atividades da empresa. 
Alguns exemplos de passivos ambientais incluem:
• custos de descontaminação de um terreno poluído;
• indenizações ou multas devidas a infrações ambientais;
• custos de monitoramento e acompanhamento de impactos ambientais ao longo do tempo.
72
Unidade I
Os passivos ambientais são registrados no balanço patrimonial e devem ser adequadamente 
provisionados para garantir que a empresa possa cumprir suas obrigações ambientais.
É importante destacar que a contabilização de ativos e passivos ambientais pode variar de acordo 
com as normas contábeis e regulamentações específicas de cada país ou região.
As empresas devem seguir as diretrizes contábeis adequadas para garantir a transparência e a 
responsabilidade em relação a suas atividades ambientais. Além disso, a adoção de práticas sustentáveis 
e a gestão adequada dos ativos e passivos ambientais são cruciais para promover a responsabilidade 
socioambiental e a sustentabilidade corporativa.
 Saiba mais
O vídeo a seguir ensina como levantar passivos ambientais.
COMO levantar passivos ambientais | Due Diligence Ambiental (EDD). 
2020. 1 vídeo (6 min). Publicado pelo canal Valor Ambiental. Disponível em: 
https://tinyurl.com/5a9s6p6w. Acesso em: 9 set. 2025.
4.4 Técnicas de divulgação de informação sobre sustentabilidade NBC‑TDS
As Normas Brasileiras de Contabilidade – Técnicas de Divulgação de Sustentabilidade (NBC‑TDS) 
estabelecem diretrizes para a divulgação de informações sobre sustentabilidade nas organizações. Seu 
objetivo é garantir a transparência e a padronização na comunicação de dados ambientais, sociais e de 
governança corporativa (ESG), promovendo a confiança dos stakeholders.
A seguir, encontram‑se listados os principais recursos que as organizações podem utilizar.
• Relatórios de sustentabilidade: os relatórios são uma das formas mais eficazes de divulgação. Eles 
podem ser elaborados seguindo padrões internacionais, como o Global Reporting Initiative (GRI) 
ou o Sustainability Accounting Standards Board (SASB, agora parte do International Financial 
Reporting Standards Foundation), garantindo maior credibilidade (GRI, 2025; IFRS Foundation, 2025).
• Canais digitais: a disseminação por meio de plataformas digitais amplia o alcance das 
informações  de sustentabilidade. Algumas técnicas incluem redes sociais, portal institucional, 
promoção de debates virtuais com especialistas e stakeholders, entre outros.
• Certificações e selos ambientais: a obtenção e a divulgação de certificações, como ISO 14001, 
que trata da gestão ambiental, ou o Selo Procel, concedido para empresas que apresentam 
eficiência energética, reforçam a credibilidade da empresa e demonstram seu comprometimento 
com práticas sustentáveis.
73
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
• Engajamento dos stakeholders: o diálogo com investidores, clientes, funcionários e sociedade 
civil é essencial. Pesquisas de percepção sobre sustentabilidade, eventos corporativos com foco 
ambiental e programas de educação ambiental são algumas estratégias que podem ser utilizadas.
• Relatórios integrados: os relatórios integrados combinam informações financeiras e não 
financeiras, proporcionando uma visão holística da empresa. O modelo do International Integrated 
Reporting Council (IIRC) é um referencial amplamente utilizado.
• Métricas e indicadores de desempenho (Key Performance Indicators - KPIs): a utilização 
de indicadores padronizados permite avaliar e comparar o desempenho de sustentabilidade. Alguns 
indicadores como pegada de carbono, índice de satisfação de stakeholders, taxa de reciclagem de 
resíduos e indicadores relacionados à economia circular configuram essas estratégias.
• Transparência e auditoria: a auditoria independente das informações divulgadas aumenta a 
credibilidade e assegura a conformidade com padrões normativos. Empresas podem recorrer 
a auditorias externas para validar dados.
A adoção de técnicas eficazes de divulgação de sustentabilidade, conforme a norma NBC‑TDS, 
fortalece a imagem institucional, melhora a relação com stakeholders e contribui para uma economia 
mais sustentável. Empresas que adotam boas práticas e comunicam seus avanços de forma transparente 
se destacam no mercado e promovem impactos positivos na sociedade.
4.5 Conceito de GRI (Global Reporting Initiative)
O conceito de GRI refere‑se à Global Reporting Initiative, que em português pode ser traduzido 
como Iniciativa de Relatórios Globais. A GRI é uma organização independente, fundada em 1997, 
que desenvolveu um conjunto de diretrizes amplamente reconhecidas para a elaboração de relatórios 
de sustentabilidade.
Os relatórios de sustentabilidade GRI fornecem uma estrutura abrangente para que as organizações 
comuniquem suas práticas e desempenho em relação a questões ambientais, sociais e de governança (ESG). 
Essas questões geralmente abrangem áreas como impacto ambiental, responsabilidade social, direitos 
humanos, diversidade, ética, governança corporativa e outras dimensões que são relevantes para a 
sustentabilidade e a responsabilidade corporativas.
As diretrizes da GRI são usadas por empresas, organizações não governamentais e outras entidades 
em todo o mundo como um padrão comum para relatórios de sustentabilidade. Elas fornecem uma 
estrutura consistente para coletar dados, medir o desempenho e comunicar o progresso em relação a 
metas e objetivos de sustentabilidade.
Ao seguir as diretrizes da GRI, as organizações podem aumentar a transparência e a responsabilidade, 
permitindo que partes interessadas, como investidores, clientes, funcionários, comunidades e reguladores, 
compreendam melhor o impacto das operações da empresa no meio ambiente e na sociedade. Isso ajuda 
a promover a responsabilidade corporativa e a contribuir para um desenvolvimento mais sustentável.
74
Unidade I
4.6 Conceito de relato integrado
O conceito de relato integrado se refere a uma abordagem de comunicação empresarial que busca 
apresentar uma visão holística e integrada do desempenho de uma organização em diversos aspectos, 
como financeiro, social, ambiental e de governança.
Em vez de divulgar informações separadas em relatórios financeiros, relatórios de sustentabilidade e 
outros documentos, o relato integrado procura unificaressas informações em um único relatório.
O objetivo do relato integrado é proporcionar uma visão mais completa e equilibrada do desempenho 
de uma empresa, refletindo não apenas suas finanças, mas também seu impacto nas comunidades em 
que opera, suas práticas de sustentabilidade ambiental, sua abordagem de governança corporativa e 
seu relacionamento com seus stakeholders, ou seja, partes interessadas, como funcionários, clientes, 
fornecedores, investidores e a sociedade em geral.
Ao adotar o relato integrado, as empresas buscam aumentar a transparência, a responsabilidade e a 
prestação de contas, bem como melhorar sua capacidade de tomar decisões estratégicas com base em 
uma compreensão mais ampla de seu desempenho e seus riscos. Essa abordagem também pode ajudar 
as empresas a identificar oportunidades para melhorar sua sustentabilidade e seu valor a longo prazo.
O relato integrado é frequentemente promovido por organizações como o IIRC e ganhou atenção 
e reconhecimento em todo o mundo como uma prática de comunicação empresarial que visa ir além 
das métricas financeiras tradicionais e considerar o impacto mais amplo da empresa em seu ambiente 
operacional e social.
 Saiba mais
O link a seguir possibilita a realização do download do IR Framework, 
manual que contém a estrutura internacional para o relato integrado.
IFRS. International Integrated Reporting Framework. Londres: IFRS 
Foundation, [s.d.]. Disponível em: https://tinyurl.com/bdfk4n7s. Acesso em: 
10 set. 2025.
Assim, o relato integrado representa um avanço significativo na forma como as organizações 
comunicam seu desempenho e sua criação de valor ao longo do tempo.
Ao reunir em um único documento informações financeiras e não financeiras, ele promove uma 
compreensão mais abrangente das atividades empresariais, contribuindo para decisões mais informadas 
por parte de investidores e demais stakeholders, além de reforçar o compromisso das empresas com a 
sustentabilidade e a governança responsável.
75
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
 Resumo
Nesta unidade, você aprendeu os conceitos de governança corporativa 
e sustentabilidade.
Inicialmente, fizemos uma análise do valor e do propósito das empresas. 
Explicamos a evolução das estruturas empresariais, como a transição 
da sociedade limitada para a sociedade por ações. Refletimos sobre a 
separação entre a propriedade e a gestão, tendo como questão central os 
conflitos de interesses entre os stakeholders. Vimos que os princípios de 
governança (compliance, accountability, disclosure e fairness) são centrais 
para a atuação ética e responsável.
Abordamos os princípios da governança corporativa e mostramos a 
importância do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) 
e o impacto das diretrizes e dos códigos de boas práticas. Exploramos 
os Princípios da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento 
Econômico e comparamos os diferentes contextos de governança no Brasil 
e no mundo, destacando as particularidades e os desafios de cada cenário.
Discorremos também sobre os controles internos na governança corporativa, 
que ajudam a monitorar e a fiscalizar o desempenho organizacional, prevenindo 
fraudes e outras práticas prejudiciais. Analisamos a Lei Sarbanes‑Oxley e a 
Lei das S/A no Brasil, além do papel da Comissão de Valores Mobiliários e 
da Bolsa de Valores.
Finalmente, tratamos da questão da sustentabilidade. Discutimos os 
conceitos emergentes sobre meio ambiente, as mudanças climáticas e a 
importância da responsabilidade social na tomada de decisões corporativas. 
Exploramos ainda o papel dos fundos ESG no mercado de valores mobiliários, 
como incentivos ao aumento do valor das empresas, bem como as diretrizes 
para a divulgação de informações sobre sustentabilidade, como as NBC‑TDS, 
o GRI e o relato integrado.
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Unidade I
 Exercícios
Questão 1. Leia a definição de governança corporativa, segundo o Instituto Brasileiro de Governança 
Corporativa (IBGC):
Governança corporativa é o sistema pelo qual as empresas e as demais organizações são dirigidas, 
monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, 
diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas. As boas práticas de governança 
corporativa convertem princípios básicos em recomendações objetivas, alinhando interesses com 
a finalidade de preservar e otimizar o valor econômico de longo prazo da organização, facilitando 
seu acesso a recursos e contribuindo para a qualidade da gestão da organização, sua longevidade e 
o bem comum.
Adaptado de: https://tinyurl.com/52xdxh55. Acesso em: 26 ago. 2025.
Os princípios básicos de governança corporativa, alinhados com as melhores práticas de governança 
corporativa, são:
• transparência;
• equidade;
• prestação de contas (accountability);
• responsabilidade corporativa.
Em relação a esses princípios, avalie as descrições a seguir.
I – Trata‑se do zelo pela viabilidade econômico‑financeira das organizações, da redução das 
externalidades negativas e do aumento das positivas.
II – Trata‑se do desejo de disponibilizar para as partes interessadas as informações que sejam de seu 
interesse e não apenas aquelas impostas por disposições de leis ou regulamentos.
III – Trata‑se do tratamento justo e isonômico dos shareholders e dos stakeholders, considerando 
seus direitos, seus deveres, suas necessidades, seus interesses e suas expectativas.
IV – Trata‑se da prestação de contas da atuação dos agentes de governança, de maneira clara, concisa, 
compreensível e tempestiva e a assunção integral das consequências dos seus atos e das suas omissões.
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CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
As descrições I, II, III e IV referem‑se, respectivamente, aos seguintes princípios:
A) Transparência, equidade, prestação de contas (accountability) e responsabilidade corporativa.
B) Transparência, prestação de contas (accountability), responsabilidade corporativa e equidade.
C) Equidade, responsabilidade corporativa, prestação de contas (accountability) e transparência.
D) Prestação de contas (accountability), equidade, transparência e responsabilidade corporativa.
E) Responsabilidade corporativa, transparência, equidade e prestação de contas (accountability).
Resposta correta: alternativa E.
Análise da questão
Os princípios básicos de governança corporativa, alinhados com as melhores práticas de governança 
corporativa, segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, são:
Transparência. Consiste no desejo de disponibilizar para as partes 
interessadas as informações que sejam de seu interesse, e não apenas aquelas 
impostas por disposições de leis ou regulamentos. Não deve restringir‑se 
ao desempenho econômico‑financeiro: devem ser analisados também os 
demais fatores (inclusive intangíveis) que norteiam a ação gerencial e que 
conduzem à preservação e à otimização do valor da organização.
Equidade. Caracteriza‑se pelo tratamento justo e isonômico de todos 
os sócios e demais partes interessadas (stakeholders), levando em 
consideração seus direitos, seus deveres, suas necessidades, seus interesses 
e suas expectativas.
Prestação de contas (accountability). Refere‑se ao fato de que os agentes 
de governança devem prestar contas de sua atuação de modo claro, conciso, 
compreensível e tempestivo, assumindo integralmente as consequências de 
seus atos e de suas omissões e atuando com diligência e responsabilidade 
no âmbito dos seus papéis.
Responsabilidade corporativa. Diz respeito ao fato de que os agentes 
de governança devem zelar pela viabilidade econômico‑financeira das 
organizações, reduzir as externalidades negativas de seus negócios e suas 
operações e aumentar externalidades as positivas, levando em consideração, 
no seu modelo de negócios, os diversos capitais (financeiro, manufaturado, 
intelectual, humano, social, ambiental e reputacional) no curto prazo, no 
médio prazo e no longo prazo.
Adaptado de: LANDRISCINA, G. Conheça os quatro princípiosda governança corporativa. IBGC, 27 jan. 2020. 
Disponível em: https://tinyurl.com/ye26wzy8. Acesso em: 26 ago. 2025. 
78
Unidade I
Questão 2. Leia o texto a seguir.
Environmental, Social and Governance (ESG)
O  ESG  surgiu no mercado financeiro como uma forma de medir o impacto que as ações de 
sustentabilidade geram nos resultados das empresas. A sigla surgiu a primeira vez em 2004, dentro 
de um grupo de trabalho do Principles for Responsible Investment (PRI), rede ligada à ONU, que tem 
objetivo de convencer investidores sobre investimentos sustentáveis.
Adaptado de: ESG: o que é a sigla que virou sinônimo de sustentabilidade. Exame, 4 jul. 2024. 
Disponível em: https://tinyurl.com/36rdyb5f. Acesso em: 26 ago. 2025.
Com base no exposto e nos seus conhecimentos, avalie as afirmativas.
I – O conceito ESG refere‑se às boas práticas empresariais que têm compromisso com a sustentabilidade, 
com o meio ambiente, com o social e com a governança corporativa.
II – O “E” da sigla ESG relaciona‑se à energia consumida pela empresa, à emissão de resíduos e às 
relações de trabalho.
III – A governança é um aspecto secundário e irrelevante do conceito ESG e que trata das boas 
práticas em relação ao meio ambiente, ao social e à gestão empresarial sustentável.
É correto o que se afirma em:
A) II, apenas.
B) I, apenas.
C) I e II, apenas.
D) II e III, apenas.
E) I, II e III.
Resposta correta: alternativa B.
Análise das afirmativas
I – Afirmativa correta.
Justificativa: o conceito ESG faz referência às boas práticas corporativas no que tange aos aspectos 
ambientais (environment), sociais (social) e de governança (governance). Tais aspectos proporcionam 
ganhos para as empresas, uma vez que clientes e investidores atribuem mais valor às corporações que 
79
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
são responsáveis com o meio ambiente e com a sociedade, assim como com a governança corporativa, 
que trata da fiscalização e do controle empresariais.
II – Afirmativa incorreta.
Justificativa: a letra “E” da sigla ESG refere‑se às questões ambientais, como consumo de água e de 
energia, despejo de resíduos e outros itens. As relações de trabalho referem‑se à letra “S” da sigla ESG, 
ou seja, questões sociais.
III – Afirmativa incorreta.
Justificativa: o aspecto governança, ou seja, a letra “G” da sigla ESG, é importante e refere‑se às boas 
práticas de governança empresarial, isto é, ao emprego de um sistema de controle interno de processos 
e de procedimentos, de modo a mitigar riscos, demonstrar transparência nas operações, atender às 
expectativas das partes interessadas, cumprir a lei e preservar o valor da organização.e em conformidade com as regulamentações fiscais e contábeis.
Na unidade I, mostraremos como a governança corporativa busca assegurar boas práticas de gestão e 
o alinhamento entre os interesses de acionistas, gestores e demais stakeholders, enquanto o SPED facilita o 
cumprimento das obrigações fiscais e contábeis por meio da digitalização dos dados. Analisaremos o valor 
e o propósito das empresas, explicaremos a evolução das estruturas empresariais, como a transição 
da sociedade limitada (LTDA.) para a sociedade por ações (S/A), e refletiremos sobre a separação entre 
propriedade e gestão, tendo como questão central os conflitos de interesses entre os stakeholders.
Destacaremos que os princípios de governança compliance, accountability, disclosure e fairness 
são centrais para uma atuação ética e responsável e serão detalhados ao longo deste livro‑texto. 
Mergulharemos nos princípios da governança corporativa, abordando a importância do Instituto 
Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e os impactos das diretrizes e dos códigos de boas práticas. 
Exploraremos os princípios da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) 
e compararemos os diferentes contextos de governança no Brasil e no mundo, enfatizando as 
particularidades e os desafios de cada cenário.
Trataremos do uso dos controles internos na governança corporativa, que ajudam a monitorar e a 
fiscalizar o desempenho, prevenindo fraudes e outras práticas prejudiciais. Nesse contexto, analisaremos 
a Lei Sarbanes‑Oxley (SOX) dos Estados Unidos e a Lei das S/A do Brasil, além dos papéis da Comissão de 
Valores Mobiliários (CVM) e da Bolsa de Valores (B3).
Discutiremos os conceitos emergentes sobre meio ambiente e mudanças climáticas e a importância 
da responsabilidade social. Observaremos que a sustentabilidade empresarial evoluiu para incorporar 
o conceito de ESG, que integra práticas ambientais, sociais e de governança na tomada de decisões 
corporativas. Exploraremos o papel dos fundos ESG no mercado de valores mobiliários como incentivo 
ao aumento do valor das empresas, bem como as diretrizes para a divulgação de informações sobre 
sustentabilidade, como as Normas Brasileiras de Contabilidade – Técnicas de Divulgação de Informações 
sobre Sustentabilidade (NBC‑TDS), a Global Reporting Initiative (GRI) e o relato integrado. Explicaremos 
que as NBC‑TDS, aprovadas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), trazem diretrizes para 
relatórios financeiros de sustentabilidade. O objetivo dessas normas é auxiliar empresas a reportarem 
dados sobre riscos e oportunidades relacionadas a questões climáticas e de sustentabilidade, permitindo 
que investidores e outros usuários entendam o impacto ambiental e social das operações da empresa.
Na unidade II, abordaremos as tecnologias tributárias. Começaremos explicando como o SPED 
organiza as informações geradas pelas empresas para que se possa ter o cruzamento dos dados das 
operações tributárias, contábeis e trabalhistas das empresas, permitindo ao governo auditar as empresas 
por meio dos dados fornecidos. Entenderemos como deve ser feita a escrituração nos diversos sistemas 
do SPED, a fim de evitar que a empresa seja notificada por estar em uma malha fiscal ou receba 
uma autuação.
9
Estudaremos como os registros gerados pela Escrituração Fiscal Digital (EFD) cruzam as informações 
quanto à apuração do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS), que tem competência 
estadual, e à apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que tem competência federal. 
Apresentaremos o sistema EFD Contribuições, que consiste na demonstração da apuração do Programa de 
Integração Social (PIS), e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), contribuições 
sociais de competência da União.
Abordaremos as informações e as demonstrações contábeis elaboradas pelas empresas na Escrituração 
Contábil Digital (ECD), que terá relação direta tanto com o sistema da Escrituração Contábil Fiscal (ECF) 
quanto com a apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o 
Lucro (CSLL) para os regimes de lucro presumido e de lucro real trimestral ou anual.
Trataremos das informações geradas na prestação de serviço de forma profissional e autônoma e 
da contratação de serviço declaradas na Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações 
Fiscais (EFD‑Reinf).
Discorreremos sobre como funciona o sistema de dados trabalhistas e previdenciários enviados ao 
SPED eSocial. É importante enfatizar que as leis trabalhistas e previdenciárias vigentes no país devem ser 
instrumentos para que as empresas cumpram seus direitos e os direitos do trabalhador.
Por meio dessa análise abrangente, esperamos fornecer uma base sólida de conhecimento e insights 
práticos que apoiem gestores, profissionais da contabilidade e demais profissionais na aplicação dos princípios 
de governança e sustentabilidade, sempre adotando uma visão integrada com a tecnologia tributária.
As práticas abordadas neste livro‑texto são essenciais para empresas que buscam não apenas prosperar, 
mas também contribuir positivamente para a sociedade e para o meio ambiente. Desejamos a você uma 
experiência agradável na leitura deste livro‑texto e sucesso na carreira profissional que você escolheu.
11
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Unidade I
Um modo interessante de introduzir o tema “governança corporativa e sustentabilidade” é apresentar 
um livro essencial, publicado na década de 1990. Trata‑se da obra intitulada Cannibals with forks: the 
triple bottom line of 21st century business, escrita por John Elkington, traduzida para o português como 
Sustentabilidade: canibais com garfo e faca.
Esse livro é uma obra inovadora que reformula a maneira como as empresas pensam sobre sucesso 
e responsabilidade. O autor introduz o conceito revolucionário do triple bottom line (TBL), ou tríplice 
resultado, enfatizando que as empresas devem ser avaliadas não apenas pelo lucro, mas também pelo 
impacto social e ambiental que geram.
O autor defende que as corporações do século XXI precisam se afastar de um modelo de crescimento 
“canibal”, aquele que devora recursos naturais sem considerar as consequências, e adotar práticas que 
garantam a sustentabilidade a longo prazo.
Figura 1 – Capa do livro Sustentabilidade: canibais com garfo e faca
Disponível em: https://tinyurl.com/yc2h57wh. Acesso em: 3 set. 2025.
A metáfora do título faz uma crítica às tentativas superficiais de algumas empresas de parecerem 
“verdes”, ao mesmo tempo em que continuam a explorar e esgotar os recursos naturais de maneira predatória.
12
Unidade I
O TBL sugere que as organizações devem medir o seu desempenho em três dimensões: lucro (profit), 
pessoas (people) e planeta (planet). Essa abordagem inovadora implica uma transformação profunda na 
gestão empresarial, incentivando modelos que integrem responsabilidade social e proteção ambiental à 
viabilidade econômica.
O autor discute também as barreiras culturais e institucionais que dificultam a adoção de um modelo 
mais equilibrado, bem como as mudanças de mentalidade necessárias para que o TBL seja mais do que 
um conceito teórico.
Veremos, a seguir, os conceitos que nortearam a origem e as motivações para a consolidação da 
governança corporativa, seus princípios e objetivos, como as empresas se estruturam para esse modelo 
de gestão e, também, como a governança corporativa vem sendo praticada no Brasil e no mundo.
Assim, apresentaremos a integração do modelo de governança corporativa com instrumentos 
definidos por instituições como o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Comissão de 
Valores Mobiliários (CVM), a Bolsa de Valores (B3) e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), cuja 
finalidade é comunicar aos investidores e à sociedade quais empresas se destacam nesse novo cenário, 
por seus critérios éticos e responsáveis.
1 O QUE É GOVERNANÇA CORPORATIVA?
Governança corporativaé um tema relativamente recente na administração. Até o final da década 
de 1980, essa expressão ainda não era usada, embora as questões centrais envolvidas nesse conceito já 
fossem uma preocupação tanto para os empresários quanto para os estudiosos do pensamento econômico.
Desde o século XIX, esses pensadores se defrontam com questões relacionadas à separação entre 
a propriedade e a gestão das organizações. Os conflitos de agência, decorrentes dessa separação, são 
considerados os fatores cruciais para o surgimento da governança corporativa.
O início da governança corporativa pode ser associado aos estudos de Michael Jensen e 
William Meckling, em 1976. Esses autores publicaram o resultado de suas pesquisas sobre empresas 
estadunidenses e britânicas, apontando características que eles convencionaram chamar de problema 
do agente principal. Esse problema deu origem à Teoria da Firma, também conhecida como Teoria do 
Agente Principal. Segundo esses acadêmicos, o problema do agente principal surge quando o sócio 
(principal) contrata outra pessoa (agente) para administrar a empresa em seu lugar.
De acordo com a teoria desenvolvida, os executivos e conselheiros contratados pelos acionistas 
tenderiam a agir de forma a aumentar seus próprios benefícios, por exemplo, maiores salários, maior 
estabilidade no emprego, mais poder, entre outros, agindo em interesse próprio, deixando, assim, os 
interesses da empresa e das demais partes interessadas (stakeholders) em segundo plano.
Para minimizar o problema, os autores sugeriram que as empresas e seus acionistas devessem 
adotar uma série de medidas para alinhar os interesses dos envolvidos, objetivando, acima de tudo, o 
sucesso da empresa.
13
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Assim, foram elaboradas propostas de ações práticas para monitorar, controlar e divulgar amplamente 
todas as informações aos públicos interessados: acionistas, governos, órgãos de fiscalização e regulação, 
sistema financeiro e sociedade. Esse conjunto de práticas foi chamado de governança corporativa.
A preocupação da governança corporativa é criar um conjunto eficiente de mecanismos, tanto de 
incentivos quanto de monitoramento, a fim de assegurar que o comportamento dos administradores esteja 
sempre alinhado com o melhor interesse da empresa.
O desenvolvimento da governança corporativa tem raízes firmes e existem fortes razões para 
adotá‑la e disseminá‑la. Organizações multilaterais como as Nações Unidas (ONU) e a Organização 
para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) consideram as boas práticas da governança 
corporativa fundamentais na economia global em suas três dimensões: econômica, social e ambiental 
(Rossetti; Andrade, 2014).
1.1 Valor e propósito das empresas
Empresas desempenham um papel fundamental na sociedade moderna, indo além do objetivo de 
gerar lucro. Elas são organismos dinâmicos que influenciam a economia, fomentam a inovação e criam 
empregos. No entanto, seu valor e propósito vão além do financeiro; englobam também sua contribuição 
social, ambiental e cultural.
As empresas nascem para durar para sempre. Entretanto, elas se modificam ao longo do tempo, por 
vários motivos. Algumas crescem e prosperam, outras atingem a maturidade e permanecem por um 
longo tempo nesse estágio e outras entram em declínio, quando seu modelo de negócio já não atende 
mais às expectativas dos seus clientes. O valor da empresa está diretamente relacionado ao seu ciclo 
de vida e a seus objetivos de curto, médio e longo prazos.
Conhecer o valor da empresa é fundamental, independentemente de o proprietário desejar vendê‑la. 
Mesmo que a gestão da empresa seja competente, elas estão sujeitas aos acontecimentos do ambiente 
externo que podem aumentar ou diminuir o seu valor.
Alguns exemplos que provocam perdas significativas no valor das empresas são boatos, notícias 
falsas, fatos relevantes revelados aos acionistas, resultados financeiros abaixo das expectativas dos 
investidores, entre outros.
Assim, pode‑se avaliar as empresas pela combinação de três tipos de valores: valor patrimonial, valor 
econômico e valor mercadológico.
O valor patrimonial é o valor do patrimônio líquido da empresa. No exemplo de balanço patrimonial 
dado na tabela a seguir, a conta de patrimônio líquido (R$ 900 mil) é formada por duas subcontas: 
o capital social (R$ 840 mil) e as reservas de capital (R$ 60 mil).
14
Unidade I
Tabela 1 – Modelo de balanço patrimonial: contas sintéticas
Ativo Passivo
Ativo circulante 2.445.500,00 Passivo circulante 1.725.000,00
Disponível 531.500,00 Obrigações a 
fornecedores 845.000,00
Clientes (vendas mensais) 640.000,00 Empréstimos e 
financiamentos 185.500,00
Tributos a recuperar 85.000,00 Tributos e recolher 139.000,00
Estoques 1.189.000,00 Obrigações trabalhistas 555.500,00
Ativo não circulante 554.500,00 Passivo não circulante 375.000,00
Realizável no longo prazo 100.000,00 Exigível a longo prazo 375.000,00
Investimentos 150.000,00
Imobilizado 225.000,00 Patrimônio líquido 900.000,00
Intangível 79.500,00 Capital social 840.000,00
Reservas de capital 60.000,00
Total do ativo 3.000.000,00 Total do passivo 3.000.000,00
Fonte: Pitteri (2018, p. 90).
Como se formaram essas contas?
O capital social, no valor de R$ 840 mil, foi criado na abertura da empresa, com recursos financeiros 
dos seus proprietários. Esse capital pode ter sido aplicado em diversos ativos: dinheiro em bancos, 
aplicações financeiras, instalações, veículos, aquisição de marcas, entre outros.
Assim que a empresa iniciou suas atividades, passou a efetuar compras e vendas de produtos e/ou 
serviços que geraram resultados, que podem ser positivos (lucro) ou negativos (prejuízo).
Vamos assumir que a empresa teve um lucro de R$ 60 mil, e os proprietários decidiram não distribuir 
esse lucro aos sócios.
Assim, criaram uma conta chamada reservas de capital (R$ 60 mil) e, futuramente, esse valor poderá 
ser integralizado ao capital social, aumentando, assim, o valor patrimonial da empresa.
O valor patrimonial é muito importante para empresas que precisam de uma estrutura patrimonial 
para operar, por exemplo, indústrias, plataformas de extração de petróleo, hospitais, grandes empresas 
de agronegócio, entre outras.
No entanto, com o intenso desenvolvimento do setor de serviços, o valor patrimonial nem sempre é 
o fator decisivo para valorizar a empresa.
15
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Uma reportagem divulgada na revista Exame, em 13 de setembro de 2016, traz como título 
“As empresas que estão bem além do valor patrimonial na Bolsa”. Um parágrafo que define o valor 
mercadológico de algumas empresas diz o seguinte:
Atualmente, algumas empresas são negociadas bem acima do seu valor 
patrimonial na Bovespa. Um dos exemplos é a Cielo. O múltiplo preço 
por valor patrimonial da ação está em 17,43x. Em outras palavras, isto 
significa que o mercado está pagando por estas empresas mais do que 
elas realmente valem em termos de patrimônio. Além da Cielo, outras 
16 empresas estão nesta situação, conforme o levantamento realizado pela 
Ativa Corretora (Mamona, 2016).
Isso acontece porque, além do valor patrimonial, as empresas possuem outros dois valores muito 
importantes – o valor econômico e o valor mercadológico –, que devem ser considerados na determinação 
do valor de uma empresa.
O valor econômico é o potencial de geração de receita líquida ao longo do tempo. Muito além de 
um valor patrimonial elevado e uma imagem positiva na mente dos públicos interessados, a empresa 
também precisa ser capaz de gerar lucro para atender aos proprietários ou acionistas da empresa.
Desse modo, quando um modelo de negócio inicia um processo de perda de receita, é fundamental 
que seus gestores analisem todos os fatores que retiram valor da empresa e busquem soluções para 
aumentar o potencial de geração de lucro.
O valor mercadológico é aquele obtido por meio de uma imagem positiva na mente dos stakeholders. 
Atualmente, com as preocupações voltadas para aresponsabilidade social e ao meio ambiente, as 
empresas não podem pensar somente no lucro financeiro. Elas precisam cuidar do meio ambiente, 
desenvolver produtos e serviços que economizem recursos esgotáveis, evitar fraudes e escândalos 
por corrupção, bem como desenvolver projetos de inovação em seu modelo de negócio para que se 
mantenham alinhadas às necessidades dos seus clientes e da sociedade em geral.
O propósito de uma empresa reflete a razão de sua existência, seu impacto positivo na vida das 
pessoas e na comunidade em que está inserida. Empresas bem‑sucedidas no longo prazo são aquelas que 
reconhecem que seus resultados financeiros caminham de mãos dadas com sua responsabilidade social e 
ambiental. Ao integrar valores éticos, sustentabilidade e práticas de governança transparentes, uma 
empresa não só fortalece sua reputação como também cultiva confiança entre clientes, colaboradores 
e parceiros.
As empresas que aliam propósitos sólidos à geração de valor mercadológico não apenas prosperam, 
mas ajudam a moldar uma sociedade mais justa e sustentável. O desafio está em encontrar um equilíbrio 
entre a lucratividade, a responsabilidade social e a preservação do meio ambiente, reforçando a noção 
de que o progresso corporativo deve beneficiar tanto o negócio quanto a sociedade.
16
Unidade I
 Saiba mais
O vídeo indicado a seguir traz definição e exemplos de propósito 
de empresas.
COMO definir o propósito da empresa? 3 exemplos de propósitos de 
empresas. 2022. 1 vídeo (7min). Publicado pelo canal Gilberto de Souza. 
Disponível em: https://tinyurl.com/2dy5fs2d. Acesso em: 9 set. 2025.
1.2 Da sociedade limitada para a sociedade por ações
As sociedades limitadas (LTDA.) foram criadas para serem sociedades de pessoas, ou seja, a qualidade 
pessoal dos sócios é fundamental para o seu funcionamento.
O sócio, além de contribuir com dinheiro, tem papel decisivo na administração da empresa. Com a 
evolução das práticas empresariais, admite‑se que as sociedades limitadas possuem um caráter híbrido 
entre sociedade de pessoas e sociedade de capital, como veremos mais adiante.
Já as sociedades por ações foram estruturadas para serem sociedades de capital. Isso significa 
que é muito mais importante o dinheiro que cada pessoa investe na empresa do que suas qualidades 
pessoais. Assim, sua característica marcante sempre foi o distanciamento entre os proprietários das 
ações e a administração da empresa.
Para comandar as sociedades por ações foram criados mecanismos, como o conselho de administração, 
buscando aproximar os interesses dos acionistas do cotidiano da sociedade, algo que não existe nas 
sociedades limitadas, em que os papéis de sócio e administrador se confundem.
A estrutura básica da empresa de sociedade limitada é mais simples do que a da sociedade por 
ações. As responsabilidades e os direitos pertencem aos proprietários que formaram a sociedade por meio 
de um contrato social. O capital social é dividido em cotas e não existe necessidade de um capital 
social mínimo.
Sua administração é feita por, pelo menos, um administrador que possui o poder de representar a 
sociedade em todos seus atos. A entrada e a saída de sócios são feitas via alteração do contrato social.
Já a sociedade por ações apresenta uma estrutura mais complexa e necessita de mais controles, pois, 
com a venda das ações da empresa para outras pessoas, os direitos e as responsabilidades adquirem 
mais complexidade.
A administração da empresa do tipo sociedade por ações deve possuir, no mínimo, quatro órgãos:
• assembleia geral;
• conselho de administração;
17
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
• diretoria;
• conselho fiscal.
As regras de gestão e controle são estabelecidas no estatuto social. A entrada e a saída de acionistas 
ocorrem a qualquer momento por meio da compra e venda das ações.
O capital social é dividido em ações e o órgão principal é a assembleia geral, composto pelos acionistas 
da empresa e/ou seus representantes.
A administração é feita obrigatoriamente por uma diretoria composta por, no mínimo, dois 
diretores, que representam a sociedade em todos os seus atos. O conselho fiscal é composto por três a 
cinco membros.
A figura a seguir apresenta um esquema que ilustra o passo a passo para migrar da empresa de 
sociedade limitada para empresa de sociedade por ações.
Empresa LTDA. Empresa S/A 
capital fechado
Capital social se transforma em 
ações que poderão ser negociadas no 
mercado de capitais
Patrimônio líquido 900.000,00
Reservas de lucros 60.000,00
Capital social 840.000,00
Total do passivo 3.000.000,00
Empresa S/A 
capital aberto
Figura 2 – Abertura de capital das empresas
A abertura do capital da empresa ocorre no momento em que o capital social se transforma em 
ações, que poderão ser negociadas no mercado de valores mobiliários, também chamado de mercado 
de capitais.
O contrato social é substituído pelo estatuto social e a empresa, então, inicia o processo de 
cumprir com os requisitos jurídicos e administrativos para abrir seu capital e colocar as ações à venda 
nas bolsas de valores.
Esse processo não ocorre imediatamente, pois a empresa mantém o capital fechado aos sócios 
proprietários, logo, os donos da empresa de sociedade limitada. A empresa precisa cumprir muitas 
exigências e isso pode demorar meses ou anos. Por exemplo, a Bolsa de Valores do Brasil (B3) possui um 
18
Unidade I
segmento especial para as empresas que estão se preparando para cumprir as exigências, o que pode 
durar até sete anos.
Quando passa a haver um número significativo de acionistas, a interferência direta dos proprietários 
na administração da empresa se torna impraticável. Assim, as empresas passam a contratar executivos 
profissionais para gerir as corporações.
Vale ressaltar que as empresas de capital aberto são regulamentadas por leis e órgãos reguladores, 
como a Lei das S/A, a CVM e a B3, garantindo um nível de confiabilidade e transparência para os 
investidores que comprarem as ações das empresas.
Você deve se lembrar da sigla S/A como aquela que aparece no final da razão social das empresas, 
indicando que se trata de uma empresa sociedade anônima. Porém, isso foi alterado na década de 1990, 
quando uma legislação específica estabeleceu a mudança da expressão sociedade anônima para 
sociedade por ações.
Como nos explica Fontoura (2013), a expressão sociedade por ações substituiu a expressão sociedade 
anônima, para preservar a boa‑fé e a ética social, apesar do costume integrado pelo uso cotidiano de 
sociedade anônima.
No início dos anos 1990, o governo do então presidente Fernando Collor de Mello promulgou a 
Lei n. 8.021/1990, que dispôs, entre outros assuntos, sobre a vedação ao pagamento ou resgate de 
qualquer título ou aplicação, bem como dos seus rendimentos ou ganhos, a beneficiário não identificado.
Desse modo, todos os operadores do mercado de capitais devem ser identificados, o que não ocorria 
no passado. Daí a expressão sociedade anônima não fazer mais sentido.
 Lembrete
Nas sociedades limitadas, as responsabilidades e os direitos pertencem 
aos proprietários que formaram a sociedade por meio de um contrato social.
Nas sociedades por ações, as regras de gestão e controle são estabelecidas 
no estatuto social. A entrada e a saída de acionistas ocorrem a qualquer 
momento por meio da compra e venda das ações.
1.3 Separação entre a propriedade e a gestão
Imagine uma empresa. Pode ser uma fábrica de brinquedos ou uma rede de restaurantes. Essa 
empresa tem donos, certo? São as pessoas que investiram dinheiro para que ela existisse e, assim, são 
os proprietários dessa empresa.
19
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Porém, muitas vezes, esses donos não são as mesmas pessoas que administram o dia a dia da empresa. 
Eles podem ter outros afazeres, podem não ter o conhecimento específico para gerenciar o negócio, ou 
simplesmente preferem que outras pessoas cuidem disso. É aí que entra a gestão. A gestão é o time de 
pessoas contratadaspara administrar a empresa, como os diretores, os gerentes, os supervisores etc. 
Todas essas pessoas tomam decisões sobre o que produzir, como vender, quem contratar e como 
gastar o dinheiro.
Assim, a separação entre a propriedade e a gestão se dá da seguinte forma:
• Propriedade: é de quem é a empresa, quem tem o direito sobre os lucros e o poder de decidir 
o futuro dela – se vão vender, ampliar, mudar o modelo de negócio ou outra decisão. São os 
acionistas, nas empresas de capital aberto, ou os donos, nas empresas de sociedade limitada.
• Gestão: é quem efetivamente administra a empresa no dia a dia, tomando as decisões operacionais 
e estratégicas para que o negócio funcione e dê certo. São os executivos e os gerentes contratados.
Para ficar ainda mais claro, pense assim:
• Empresa pequena familiar: geralmente, a propriedade e a gestão estão nas mãos das mesmas 
pessoas. O dono é quem trabalha na loja, atende os clientes e cuida das contas. Aqui, a separação 
é mínima ou inexistente.
• Empresa grande ou multinacional: é muito comum que os donos e os acionistas, que podem 
ser milhares de pessoas, não tenham nenhuma ligação direta com a administração diária da 
empresa. Eles elegem um conselho de administração, que, por sua vez, contrata os executivos para 
gerenciar o negócio. Aqui, a separação entre propriedade e gestão é bem clara.
Essa separação é importante por vários motivos:
• Especialização: nem sempre o dono de um negócio tem as habilidades necessárias para gerenciar 
todas as áreas da empresa. Contratar profissionais especializados em finanças, marketing, 
operações ou logística pode trazer melhores resultados.
• Escala: à medida que uma empresa cresce, fica inviável para uma ou poucas pessoas cuidarem de 
tudo. A separação permite delegar responsabilidades e profissionalizar a gestão.
• Governança corporativa: em empresas maiores, a separação ajuda a criar mecanismos de 
controle e transparência, evitando que os interesses dos donos se sobreponham aos da própria 
empresa ou de outros stakeholders, como funcionários e clientes.
• Sucessão: facilita a transição de liderança quando os donos originais se afastam, permitindo que 
gestores profissionais assumam o comando.
20
Unidade I
Em resumo, a separação entre a propriedade e a gestão é um fenômeno comum e, muitas vezes, 
necessário para o crescimento e a profissionalização das empresas. Significa que quem é o dono nem 
sempre é quem está no comando do dia a dia, e essa divisão de papéis pode trazer muitos benefícios 
para o negócio.
Ao longo do século XX, a separação entre a propriedade e a gestão promoveu uma profunda 
transformação, tanto na estrutura quanto nos controles organizacionais.
Pode‑se afirmar que há três eventos de importância histórica resultantes da separação entre a 
propriedade e a gestão:
• o surgimento de empresas gigantes;
• a dispersão de capital no mundo por meio das bolsas de valores;
• a despersonalização da propriedade.
1.3.1 O surgimento de empresas gigantes
Muitos acontecimentos contribuíram para que as empresas se tornassem gigantes. O sistema 
capitalista recuperou‑se da grande depressão dos anos 1930, ocasionados pela quebra da Bolsa de 
Valores de Nova York, em 24 de outubro de 1929. A partir daí, as empresas voltaram a registrar notáveis 
índices de crescimento.
A tabela a seguir apresenta a participação percentual das 500 maiores empresas estadunidenses no 
produto interno bruto (PIB) do país, ao longo das décadas de 1950 até 2024.
Tabela 2 – Receita das 500 maiores empresas estadunidenses 
comparadas com o PIB dos EUA
Ano 500 maiores
(US$ bilhões)
PIB dos EUA
(US$ bilhões)
Participação
(%) Evento histórico
1955 137 430 32 Economia pós‑guerra 
em crescimento
1970 643 1.070 60 Período pré‑crise do petróleo
1995 3.100 7.660 40 Fase de expansão tecnológica e 
boom do setor de serviços
2013 12.100 16.690 72 Saída da crise de 2008; início 
da recuperação
2024 18.800 27.940* 67 Representa dois terços do PIB 
dos EUA
*O PIB dos EUA em 2024 foi confirmado em US$ 29.985 bilhões.
Fonte: United [...] (s.d.).
21
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Em 2024, as receitas totais das empresas globais foram estimadas em aproximadamente US$ 57,7 trilhões, 
de acordo com dados de mais de 10 mil empresas de diversos setores, como energia, varejo, tecnologia e 
finanças, analisadas globalmente.
A receita total das 500 maiores empresas globais foi de aproximadamente US$ 41 trilhões, o 
que corresponde a aproximadamente 71% do total das receitas globais, ou seja, apenas 500 empresas 
concentram dois terços das receitas das empresas globais. As cinco maiores empresas globais, por receita, 
em 2024 foram:
• Walmart (EUA): US$ 648,1 bilhões.
• Amazon (EUA): US$ 574,8 bilhões.
• State Grid (China): US$ 545,9 bilhões.
• Saudi Aramco (Arábia Saudita): US$ 494,9 bilhões.
• Sinopec (China): US$ 429,7 bilhões.
Apenas a State Grid não possui capital aberto negociado em bolsas de valores globais.
Quadro 1 – As cinco maiores empresas globais
Empresa País Capital aberto Código(s) Bolsa(s) de valores
Walmart EUA Sim WMT NYSE
Amazon EUA Sim AMZN NASDAQ
State Grid China Não – –
Saudi Aramco Arábia Saudita Sim (parcial) 2222.SR Tadawul
Sinopec China Sim 0386.HK/600028.SS/SNP HKEX/SSE/NYSE
Fonte: Companies [...] (2025).
O agigantamento das corporações tem sido acompanhado por um processo histórico de dispersão 
do capital de controle, sob o impacto de cinco fatores:
• constituição de grandes empresas na forma de S/A de capital aberto;
• abertura de capital das empresas fechadas;
• aumento do número de investidores nos mercados de capitais;
• processos sucessórios de empresas familiares;
• fusões e aquisições.
22
Unidade I
1.3.2 As bolsas de valores e a dispersão de capital no mundo
O número de grandes companhias listadas nas bolsas de valores de todo o mundo também tem 
aumentado significativamente; em 1990, existiam apenas 21.585; em 2024, estima‑se que existam 
cerca de 41 mil empresas listadas em todo o mundo. Esse número pode variar em virtude das novas 
aberturas de capital, fechamentos de capital e fusões e aquisições de empresas. Aqui está uma visão 
geral aproximada:
• Ásia (incluindo China, Índia e Japão): 26 mil empresas.
• Américas (Norte, Central e Sul): 6 mil empresas.
• Europa, Oriente Médio e África: 8 mil empresas.
• Oceania: 700 empresas.
Os números são dominados pela Ásia, principalmente pela grande quantidade de empresas listadas na 
China e na Índia. Já os EUA têm menos empresas, mas a maior capitalização de mercado (Santos, 2022).
 Saiba mais
Leia a reportagem de João Paulo Santos para o site Bora Investir, que 
trata das principais bolsas de valores no mundo.
SANTOS, J. P. Da China ao Brasil: quais são as principais bolsas de valores do 
mundo? Bora Investir, 17 out. 2022. Disponível em: https://tinyurl.com/5xzf3xzm. 
Acesso em: 8 set. 2025.
1.3.3 Surgimento de proprietários passivos
Com a abertura do capital das empresas, ocorreu uma crescente desconexão entre os 
acionistas‑proprietários e a gestão das empresas. Esse fenômeno é muito comum em mercados 
financeiros modernos.
As ações de grandes empresas de capital aberto são, com frequência, adquiridas por inúmeros 
investidores institucionais ou passivos, como os modernos Exchange Traded Funds (ETFs), ou seja, os 
fundos de investimentos negociados na Bolsa de Valores.
O mercado de capitais acionário possibilitou, de um lado, a expansão e o agigantamento do mundo 
corporativo, com a concentração do poder econômico nas maiores empresas e economias dos países.
23
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Figura 3 – Ambiente do mercado de capitais digital
Disponível em: https://tinyurl.com/3tt7pkej. Acesso em: 10 set. 2025.
Porém, de outro lado, manifestou‑se outro importante movimento, oposto ao da concentração: 
a dispersão do número de acionistas e a despersonalização da propriedade. A consequência é que os 
acionistas se tornaram proprietários passivos.
Os proprietários passivos investemsem envolvimento na gestão das empresas. Eles não exercem 
influência direta sobre decisões estratégicas, delegando poder aos gestores que administram os fundos. 
Isso pode criar uma lacuna na responsabilidade e na supervisão corporativa.
A despersonalização da propriedade tem como consequência três características. A primeira delas é a 
fragmentação da propriedade, em que milhões de acionistas em empresas globais não possuem influência 
na gestão. A falta de pressão direta de proprietários ativos pode permitir más práticas de gestão.
A segunda é a redução da influência ativa, pois os investidores passivos se interessam prioritariamente 
pelos retornos financeiros, ou seja, quanto maior o lucro, maior a distribuição de dividendos. Eles não 
participam de assembleias nem de decisões corporativas.
A terceira é a concentração de poder das grandes gestoras, que controlam enormes quantidades 
de ações em poucas organizações. Essas grandes gestoras institucionais, entretanto, promovem, 
frequentemente, iniciativas de sustentabilidade, já que possuem incentivos para preservar o valor das 
empresas no longo prazo (Rossetti; Andrade, 2014).
24
Unidade I
1.4 Conflitos de agência e desalinhamentos do macroambiente
Os conflitos de agência e desalinhamentos do macroambiente que impulsionaram o desenvolvimento 
da governança corporativa incluem, além da separação da propriedade e da gestão, um conceito que os 
economistas definem como assimetria de informações.
Os gestores têm acesso privilegiado às informações da empresa, dificultando a supervisão por 
acionistas e investidores. Em empresas com acionistas controladores, os interesses dos controladores 
podem conflitar com os dos acionistas minoritários, levando a decisões que os favorecem. Os 
gestores  podem tomar decisões arriscadas, sabendo que não arcarão diretamente com as consequências 
financeiras, que recaem sobre os acionistas.
Existem desafios importantes para equilibrar os interesses de diferentes partes interessadas, como 
acionistas, credores, colaboradores e a comunidade.
A entrada de empresas em mercados globais aumentou a necessidade de padrões de governança 
robustos para atrair investidores internacionais.
As exigências por práticas ambiental e socialmente responsáveis, impulsionadas pela sociedade 
consciente, investidores e órgãos reguladores demandaram mudanças estruturais nas empresas. Além 
disso, a digitalização facilitou a transparência, ao mesmo tempo que aumentou a complexidade dos 
negócios e os riscos associados às fraudes digitais, exigindo estruturas de governança mais robustas.
Esses fatores criaram um ambiente que favoreceu o avanço da governança corporativa, destacando a 
importância de maior alinhamento entre as partes interessadas.
1.4.1 Conflitos entre proprietários e gestores
O que está por trás da relação entre proprietários e gestores?
Com o tempo, estudiosos perceberam que, dentro das empresas, surgiu uma nova força de poder: os 
gestores. Dois estudos ajudaram a entender essa mudança.
O primeiro, de Berle e Means (1932), mostrou que os donos das empresas, ou seja, os acionistas, 
estavam cada vez mais distantes das decisões do dia a dia, que passaram a ser tomadas por gerentes.
Já Galbraith (1967) destacou que os gestores se tornaram peças‑chave nas organizações modernas, 
dominando estruturas complexas, enquanto os acionistas dependem das informações que recebem 
desses profissionais (Rossetti; Andrade, 2014).
A figura 4 a seguir ilustra justamente esse cenário: o gestor e o acionista discutindo os resultados 
de uma empresa.
25
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Gestor Acionista
Figura 4 – Assimetria de informações entre acionistas e gestores
Adaptada de: https://tinyurl.com/4p7d7fk2. Acesso em: 10 set. 2025.
Com a divisão entre quem é dono e quem administra, os conflitos começaram a surgir. Esses conflitos 
são conhecidos como conflitos de agência e acontecem porque os objetivos de cada lado nem sempre são 
os mesmos: os acionistas querem o maior retorno possível sobre seus investimentos; os gestores buscam 
boas remunerações, prestígio e estabilidade. Para reduzir esses atritos, é importante ter contratos claros 
entre acionistas e gestores e comportamentos éticos por parte destes últimos.
Mas eliminar os conflitos totalmente é quase impossível. Por quê? Segundo Benjamin Klein (1985), 
não existe contrato que consiga prever tudo. E, como explicam Jensen e Meckling (1976), não existe o 
gestor perfeito: sempre haverá algum nível de interesse próprio envolvido (Rossetti; Andrade, 2014).
Em suma, o desafio da governança corporativa é encontrar o equilíbrio entre os interesses dos donos 
e dos gestores, mesmo sabendo que conflitos sempre vão existir em algum grau.
1.4.2 Conflitos entre acionistas majoritários e minoritários
Além das diferenças entre gestores e acionistas, também podem surgir conflitos entre os próprios 
acionistas, especialmente entre os que têm mais e os que têm menos poder.
Esses conflitos costumam aparecer quando a propriedade está concentrada nas mãos de poucos (ou 
seja, dos acionistas majoritários, que também tomam as decisões da empresa) e quando os acionistas 
minoritários ficam em desvantagem, sem influência na gestão, mesmo sendo sócios.
Para proteger esses acionistas minoritários, existe um mecanismo chamado tag along. Ele funciona 
como uma proteção, caso a empresa seja vendida para um novo dono: os minoritários têm o direito 
de vender suas ações junto com os majoritários, recebendo pelo menos 80% do valor pago por ação. 
Algumas empresas oferecem até 100%.
26
Unidade I
Esse direito está na Lei das S/A, artigo 254‑A, e é especialmente importante para quem pensa no 
longo prazo ou busca receber dividendos.
O tag along evita que o novo dono da empresa mude as regras e prejudique os acionistas minoritários, 
por exemplo, diminuindo ou cortando os dividendos.
 Saiba mais
O vídeo a seguir discorre sobre o conceito de tag along.
TAG along: a proteção dos acionistas minoritários. 2019. 1 vídeo (4 min). 
Publicado pelo Canal do FLAD. Disponível em: https://tinyurl.com/3frh6mm4. 
Acesso em: 9 set. 2025.
1.4.3 Outros conflitos e outros desalinhamentos
A preocupação com boas práticas de governança corporativa não surgiu por acaso. Diversos fatores 
ajudaram a despertar esse movimento, tanto fora quanto dentro das empresas.
Os fatores externos podem ser assim resumidos:
• O mundo mudou; houve abertura de mercados, mais integração entre países e surgiram novos 
players globais.
• O ambiente de negócios também se transformou, com privatizações, reestruturações de setores e 
novos modelos de empresa.
• As regras do mercado financeiro evoluíram, com mudanças em órgãos reguladores e nas bolsas 
de valores.
Já os fatores internos podem ser assim elencados:
• As próprias empresas mudaram, com novas estruturas societárias.
• Houve uma busca por alinhar melhor as estratégias de negócios.
• As organizações se reorganizaram, trazendo mais profissionalismo e criando mecanismos para 
evitar abusos e fraudes.
Esse cenário explica porque as boas práticas de governança corporativa ganharam força e se 
espalharam pelo mundo, desde os países emergentes aos mais ricos, tornando‑se um dos pilares mais 
relevantes do capitalismo moderno, da gestão empresarial e da administração no século XXI.
27
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
 Saiba mais
O vídeo indicado a seguir trata dos conflitos de agência.
10 GOVERNANÇA corporativa e conflitos de agência | Série Premium Editora 
Fórum. 2020. 1 vídeo (8 min). Publicado pelo canal Governança já ‑ Adriana 
Solé. Disponível em: https://tinyurl.com/v6f84f3h. Acesso em: 9 set. 2025.
1.5 Valores fundamentais (compliance, accountability, disclosure e fairness)
Segundo Rossetti e Andrade (2014), quatro grandes momentos históricos ajudaram a formar a base 
da governança corporativa moderna.
• Ativismo pioneiro de Robert Monks: embora o termo “ativismo pioneiro de Robert Monks” 
não tenha origem clara, ele pode ser associadoa um conceito mais antigo, usado em 1947 por 
Arthur Schlesinger Jr. Robert Monks, que era formado em Direito pela Universidade de Harvard 
e destacou‑se ao defender os direitos dos acionistas nos EUA. Ele incentivava que os sócios 
participassem ativamente das decisões das empresas. Dessa atuação, surgem dois valores centrais 
da governança:
— Fairness: agir com justiça e equilíbrio.
— Compliance: seguir as leis e proteger especialmente os acionistas minoritários.
• Relatório Cadbury (1992): esse relatório, elaborado no Reino Unido, trouxe mais dois valores 
importantes:
— Accountability: responsabilidade e prestação de contas.
— Disclosure: transparência, principalmente em informações financeiras e no papel dos gestores.
• Atuação da OCDE: a OCDE mostrou que boas práticas de governança ajudam no crescimento 
econômico. Empresas mais bem geridas atraem mais investidores e conseguem captar recursos 
com menos custos.
• Lei Sarbanes-Oxley (SOX): criada nos EUA após escândalos financeiros, essa lei trouxe regras 
rígidas para auditoria, transparência e controle interno. Ela prevê punições severas em caso de 
irregularidades, tanto para conselhos quanto para diretores.
Esses quatro momentos se complementam, pois todos surgiram para resolver problemas reais nas empresas 
e influenciaram a forma como a governança é feita hoje. Com o tempo, ficou claro que empresas com 
boas práticas eram mais valorizadas pelos investidores, tanto por sua gestão quanto por sua sustentabilidade 
no longo prazo.
28
Unidade I
Na primeira década dos anos 2000, o tema ganhou ainda mais força, com foco na divulgação de 
informações financeiras e no papel das auditorias. A Lei Sarbanes‑Oxley se destacou nesse processo.
 Compliance (conformidade legal)
 Disclosure (transparência)
 Accountability (prestação responsável de contas)
 Fairness (senso de justiça)
Figura 5 – Valores da governança corporativa
Os valores compliance, accountability, disclosure e fairness são princípios fundamentais em 
ambientes corporativos, regulatórios e éticos. Cada um possui um significado e um propósito distinto, 
como podemos ver no quadro a seguir.
Quadro 2
Valor O que é Para que serve Exemplo prático
Compliance 
(conformidade legal)
Refere‑se ao cumprimento 
de leis, regulamentos, 
normas e políticas internas 
aplicáveis a uma organização 
ou indivíduo
Garantir que as operações 
estejam em conformidade 
com exigências legais e 
regulatórias, evitando sanções 
ou danos reputacionais
Uma empresa implementa 
políticas de proteção 
de dados para estar em 
conformidade com a Lei Geral 
de Proteção de Dados 
(Lei Geral de Proteção de 
Dados Pessoais [LGPD] – 
Lei n. 13.709/2018)
Accountability (prestação 
responsável de contas)
É a obrigação de assumir 
responsabilidade pelas 
ações, decisões e resultados, 
prestando contas de maneira 
clara e ética
Promover a confiança e a 
transparência, especialmente 
em liderança e governança
Um gestor é responsável 
por justificar suas decisões 
sobre a alocação de recursos 
da empresa e aceitar as 
consequências de erros
Disclosure (transparência)
Significa a abertura 
e a transparência na 
comunicação de informações 
relevantes, especialmente 
para partes interessadas
Permitir que investidores, 
clientes e reguladores 
tomem decisões 
informadas e fortalecer a 
transparência organizacional
Uma empresa divulga seus 
relatórios financeiros anuais 
e qualquer informação 
relevante que possa impactar 
o mercado
Fairness (senso de justiça)
Implica tratar todas 
as partes de maneira 
justa, ética e imparcial, 
evitando discriminação ou 
favorecimentos indevidos
Fomentar um ambiente 
de respeito e igualdade, 
essencial para relações 
de trabalho e justiça nas 
interações comerciais
Um processo seletivo em uma 
empresa segue critérios claros 
e imparciais, garantindo 
igualdade de oportunidades 
para todos os candidatos
Esses valores, quando aplicados de forma integrada, contribuem para a criação de uma cultura 
organizacional ética e sustentável, fortalecendo a reputação e a confiança da empresa junto às 
partes interessadas.
29
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
2 PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA GOVERNANÇA CORPORATIVA
Desde os anos 1980, as relações entre o mundo corporativo e a sociedade têm se modificado 
substancialmente. As empresas de uma mesma cadeia de negócios estreitaram suas relações e 
desenvolveram uma lógica de colaboração, visando maximizar os retornos dos envolvidos e, dentro de 
uma mesma empresa, o mesmo ocorre nas relações entre acionistas, diretoria executiva e conselheiros.
Figura 6 – Lógica da colaboração
Disponível em: https://tinyurl.com/ydv6du8z. Acesso em: 10 set. 2025.
A literatura técnica nessa área tem se ocupado de entender e discutir, de forma ampla, as relações 
entre as organizações e a sociedade, enquadrando‑as sob a perspectiva da responsabilidade corporativa.
Ou seja, o foco preliminar da governança corporativa tem sido a análise dos objetivos das empresas, 
considerando todos os atores envolvidos e denominados genericamente de stakeholders.
Contudo, o alcance dos objetivos da empresa e o crescente leque de riscos envolvidos nas operações 
da empresa variam em função do grau de envolvimento dos públicos interessados.
Desse modo, Rossetti e Andrade (2014) classificam os stakeholders em quatro grupos, que 
desempenham papéis fundamentais:
• Shareholders: são os acionistas da empresa, representados por suas ações. Podem ser individuais 
ou institucionais, como fundos de investimentos, bancos, fundos de pensão, entre outros, e 
também os acionistas majoritários. Têm direitos a voto em assembleias e participação nos lucros 
em forma de dividendos.
• Insiders: são pessoas que possuem acesso interno às informações estratégicas e operacionais 
da empresa. Incluem membros do conselho de administração, diretores e outros executivos. São 
responsáveis por tomar decisões‑chave e têm o dever de agir em prol do interesse da empresa e 
dos acionistas.
30
Unidade I
• Outsiders: são agentes externos à gestão direta da empresa, como conselheiros independentes 
ou auditores externos. Contribuem para a fiscalização e governança, ajudando a garantir a 
transparência e alinhamento com boas práticas. Podem oferecer perspectivas imparciais e reduzir 
riscos de conflitos de interesse
• Entorno: engloba todos os públicos que são impactados ou que podem impactar a empresa, mas 
que não têm vínculo direto de propriedade ou controle. Inclui clientes, fornecedores, comunidade 
local, governo, ONGs e concorrentes. Suas demandas e expectativas influenciam decisões 
estratégicas, principalmente em questões relacionadas à sustentabilidade e responsabilidade social.
Cada grupo tem interesses específicos, e a governança corporativa busca definir os objetivos 
com a finalidade de equilibrar os interesses de todos e para assegurar o desempenho sustentável da 
organização. O quadro a seguir ilustra os interesses de cada grupo, a fim de que a empresa defina os 
objetivos alinhados a todos os stakeholders.
Quadro 3 – Interesses dos diferentes grupos de stakeholders
Stakeholders Interesses
Shareholders
(proprietários, 
investidores)
Dividendos ao longo do tempo
Ganhos de capital; maximização do valor da empresa
Máximo retorno total (dividendos) + (ganhos)
Insiders
(conselho, diretoria, 
colaboradores)
Base fixa de remuneração
Bonificação de balanço
Stock options (remuneração variável)
Benefícios assistenciais e materiais
Desenvolvimento de pessoal
Outsiders
(integrados à cadeia 
de negócios)
Credores: resultados positivos, capacidade de liquidação de dívidas
Fornecedores: regularidade de pagamentos
Clientes: preços justos, produtos conformes, confiáveis e seguros
Entorno
Sociedade: bem‑estar social, inclusão socioeconômica
Governos: conformidade legal, crescimento, geração de empregos
ONGs: adesão às três principais causas – prevenção ambiental, direitos das minorias e provisões
Adaptado de: Rossetti e Andrade (2014, p. 111).
Os papéis desses grupos, pormais que sejam distintos, se complementam na dinâmica organizacional.
Os shareholders estão focados no retorno financeiro e na valorização do negócio, enquanto os insiders, como 
colaboradores e gestores, são responsáveis por implementar estratégias e garantir a operação eficiente. Já os 
outsiders, que incluem fornecedores, parceiros e clientes, influenciam e são influenciados pela qualidade 
dos produtos, serviços e relacionamentos. Por fim, o entorno, composto pela comunidade,  órgãos 
reguladores e meio ambiente, reflete a responsabilidade social e a sustentabilidade das ações corporativas.
A harmonia entre esses grupos é essencial para o sucesso no longo prazo, já que as decisões e os 
resultados de uma organização impactam todos eles de maneira interdependente.
Essas abordagens são frequentemente debatidas em governança corporativa, especialmente em 
questões sobre sustentabilidade, responsabilidade social e geração de valor de longo prazo.
31
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
2.1 Objetivos da governança corporativa
As empresas que adotam a governança corporativa têm como principal objetivo promover a 
transparência, a equidade e a responsabilidade em suas práticas de gestão, visando à criação de valor 
sustentável para todos os stakeholders. Essa abordagem busca alinhar os interesses de acionistas, gestores 
e demais partes interessadas, fortalecendo a confiança no mercado e assegurando a integridade das 
decisões empresariais. Além disso, a governança corporativa tem como meta mitigar riscos, aumentar a 
eficiência operacional e fomentar a perenidade da organização, garantindo que suas ações estejam em 
conformidade com padrões éticos, regulatórios e ambientais.
Cada organização deverá estar alinhada com os princípios da governança corporativa, contemplando 
todos os stakeholders nos seus objetivos de longo prazo.
Maximizar o valor 
da organização
Garantir uma gestão eficiente que 
alavanque resultados e promova o 
crescimento sustentável
Reduzir conflitos de interesse
Criar mecanismos para mitigar 
divergências entre acionistas, 
conselheiros, gestores e 
outros stakeholders
Garantir a perenidade 
da organização
Focar na sustentabilidade 
econômico, ambiental e social, 
assegurando a continuidade dos 
negócios no longo prazo
Melhorar a gestão de riscos
Estabelecer controles que 
identifiquem, monitorem e 
mitiguem riscos estratégicos, 
financeiros e operacionais
Aumentar a confiança 
dos investidores
Promover práticas que reforcem 
a credibilidade e a reputação 
da organização
Figura 7 – Objetivos estratégicos na perspectiva da governança corporativa
2.2 Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC)
As discussões envolvendo acadêmicos, investidores e legisladores, originando teorias e marcos 
regulatórios, avolumaram‑se nos anos 1990, após os graves escândalos contábeis da década anterior, 
envolvendo diferentes e importantes empresas.
Em 1992, foi publicado na Inglaterra o Relatório Cadbury, considerado o primeiro Código de Boas 
Práticas de Governança Corporativa. No mesmo ano, foi divulgado o primeiro código de governança 
elaborado por uma empresa, a General Motors (GM), nos EUA.
Sintomas do mesmo movimento são verificados pouco depois nos resultados de uma pesquisa realizada 
pelo California Public Employees Retirement System (Calpers), um fundo de pensão estadunidense, que 
constatou que mais da metade das 300 maiores companhias daquele país já tinham seus manuais de 
recomendações de governança corporativa (Rossetti; Andrade, 2014).
No Brasil, em paralelo aos demais países, o movimento por boas práticas se mostrou mais dinâmico 
com as privatizações e a abertura do mercado nacional nos anos 1990.
32
Unidade I
Em 1995, ocorreu a criação do Instituto Brasileiro de Conselheiros de Administração (IBCA) que, 
a partir de 1999, passou a ser intitulado Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), com 
o objetivo de influenciar os empresários, instituições financeiras e investidores na adoção de práticas 
transparentes, responsáveis e equânimes na administração das organizações. Ainda em 1999, o IBGC 
lançou seu primeiro Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa.
 Saiba mais
Conheça a origem do IBGC no vídeo a seguir.
IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. 2019. 1 vídeo (5 min). 
Publicado pelo canal IBGC Oficial. Disponível em: https://tinyurl.com/4m22jw4a. 
Acesso em: 9 set. 2025.
Os Códigos de Melhores Práticas da Governança Corporativa são atualizados de acordo com 
as mudanças dos ambientes corporativos, seja por exigências legais ou por aprimoramento das 
práticas empresariais.
O IBGC é a referência brasileira para as empresas que pretendem se manter atualizadas com as boas 
práticas da governança corporativa. A última edição do Código das Melhores Práticas de Governança 
Corporativa foi lançada pelo IBGC em 1º de agosto de 2023.
Figura 8 – Capa da sexta edição do Código das 
Melhores Práticas de Governança Corporativa, do IBGC
Disponível em: https://tinyurl.com/92x6bb3s. Acesso em: 5 set. 2025.
33
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
A governança corporativa evoluiu significativamente nos últimos anos, expandindo seu foco 
da otimização de valor econômico exclusivamente aos sócios para o objetivo de geração de valor 
compartilhado entre os sócios e as demais partes interessadas, e com o meio ambiente.
Meio ambiente
Empresa
ClientesFornecedores
Demais 
partes 
interessadas
Setores
Sociedade
Governo
Figura 9 – Interdependência da empresas com stakeholders
Adaptada de: IBGC (2023, p. 16).
A sexta edição do Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do IBGC trouxe mudanças 
significativas, destacando a ética como fundamento e a importância do propósito como guia para a 
tomada de decisões.
Desse modo, os valores e princípios da governança corporativa tiveram sua redação e denominação 
aperfeiçoadas, para sua melhor comunicação e entendimento pelos usuários.
 Integridade (Compliance)
 Transparência (Disclosure)
 Equidade (Fairness)
 Responsabilização (Accountability)
 Sustentabilidade (Meio ambiente)
Figura 10 – Valores da governança corporativa do IBGC
34
Unidade I
O princípio da integridade substitui o princípio de compliance da versão internacional e 
responsabilidade corporativa, divulgada pelo IBGC em versões anteriores do Código de Melhores 
Práticas de Governança Corporativa. Essa perspectiva contemporânea reconhece a interdependência 
entre as organizações e as realidades econômica, social e ambiental em que elas estão inseridas.
Além dos quatro valores da governança corporativa, o IBGC incluiu um quinto valor: sustentabilidade.
Os cinco princípios da governança corporativa são essenciais para promover uma gestão responsável, 
ética e eficaz em organizações públicas e privadas. A seguir, há uma breve descrição de cada um:
Integridade
Praticar e promover o contínuo aprimoramento da cultura ética na 
organização, evitando decisões sob a influência de conflitos de interesses, 
mantendo a coerência entre discurso e ação e preservando a lealdade à 
organização e o cuidado com suas partes interessadas, com a sociedade em 
geral e com o meio ambiente.
Transparência
Disponibilizar, para as partes interessadas, informações verdadeiras, 
tempestivas, coerentes, claras e relevantes, sejam elas positivas ou 
negativas, e não apenas aquelas exigidas por leis ou regulamentos. Essas 
informações não devem restringir‑se ao desempenho econômico‑financeiro, 
contemplando também os fatores ambiental, social e de governança. 
A  promoção da transparência favorece o desenvolvimento dos negócios 
e estimula um ambiente de confiança para o relacionamento de todas as 
partes interessadas.
Equidade
Tratar todos os sócios e demais partes interessadas de maneira justa, 
levando em consideração seus direitos, deveres, necessidades, interesses e 
expectativas, como indivíduos ou coletivamente. A equidade pressupõe uma 
abordagem diferenciada conforme as relações e demandas

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