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CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI CURSO DE PEDAGOGIA DISCIPLINA DE PRÁTICAS PEDAGÓGICAS: EDUCAÇÃO E SOCIEDADE ATIVIDADE PRÁTICA PEDAGÓGICA 1 AULA 8 ACADÊMICA: VIVIENE ROSA DE ALCANTARA TRINDADE/GOIÁS 2025 ATIVIDADE PRÁTICA PEDAGÓGICA AULA 8 RELATÓRIO FINAL 1. INTRODUÇÃO O presente trabalho consistiu no desenvolvimento de uma prática pedagógica fundamentada nos Temas Contemporâneos Transversais previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com ênfase na Educação Antirracista, compreendida como eixo fundamental para a promoção da equidade, do respeito à diversidade e do enfrentamento ao racismo estrutural no contexto escolar. A BNCC (BRASIL, 2018) orienta que os temas contemporâneos transversais perpassam todas as áreas do conhecimento, articulando saberes escolares às demandas sociais, éticas e culturais da contemporaneidade, contribuindo para a formação integral dos estudantes. Nesse sentido, a Educação Antirracista constitui-se como prática pedagógica indispensável para o reconhecimento da diversidade étnico-racial brasileira e para a valorização das identidades historicamente marginalizadas. Além disso, a proposta dialoga diretamente com a Lei nº 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na Educação Básica, reafirmando o compromisso da escola com uma educação democrática, inclusiva e pautada nos direitos humanos. A experiência desenvolvida mostrou-se significativa, uma vez que favoreceu a participação ativa dos estudantes, possibilitando reflexões críticas acerca de suas vivências, atitudes e responsabilidades sociais, fortalecendo a relação entre educação, cidadania e justiça social. 2. PROBLEMA O racismo estrutural manifesta-se de diferentes formas no cotidiano escolar, influenciando as relações interpessoais, as práticas pedagógicas e, muitas vezes, gerando situações de exclusão, discriminação e silenciamento de identidades. Conforme aponta Almeida (2019), o racismo não se restringe a atitudes individuais, mas estrutura as relações sociais e institucionais. Diante desse contexto, questiona-se: como desenvolver práticas pedagógicas que promovam a Educação Antirracista e estimulem a reflexão crítica sobre o racismo e a valorização da diversidade no Ensino Médio? 3. OBJETIVOS Objetiva-se, com este trabalho, promover a Educação Antirracista por meio de práticas pedagógicas que incentivem o respeito às diferenças, a reflexão crítica e o protagonismo juvenil no ambiente escolar. 3.1 Objetivos específicos: · Refletir sobre as relações étnico-raciais e suas implicações no cotidiano escolar; · Reconhecer a diversidade cultural como elemento constitutivo da sociedade brasileira; · Estimular atitudes de respeito, empatia e combate às práticas discriminatórias; · Desenvolver a expressão crítica dos estudantes por meio de atividades artísticas, dialógicas e colaborativas. 4. CARACTERIZAÇÃO DO ESPAÇO O Colégio Estadual Jardim Califórnia localiza-se na Rua Bragança, s/n, Quadra 10, no bairro Jardim Califórnia, no município de Trindade–GO. A instituição atende estudantes do Ensino Fundamental – Anos Finais e do Ensino Médio, nos turnos matutino e vespertino. Embora não disponha de amplo espaço físico, a escola apresenta um ambiente acolhedor e demonstra abertura para o desenvolvimento de projetos pedagógicos voltados à formação cidadã, à reflexão social e à promoção da inclusão, o que favoreceu a implementação da proposta. 5. PÚBLICO-ALVO A atividade foi desenvolvida com estudantes do Ensino Médio do Colégio Estadual Jardim Califórnia, inseridos em um contexto sociocultural marcado por situações de vulnerabilidade social. Tal realidade reforça a relevância do trabalho com temas transversais relacionados à ética, à cidadania, à justiça social e ao enfrentamento das desigualdades, conforme orientações da BNCC (BRASIL, 2018). 6. JUSTIFICATIVA A realização desta prática pedagógica justifica-se pela necessidade de enfrentar situações de racismo, bullying e discriminação presentes no ambiente escolar, reconhecendo a escola como espaço estratégico de transformação social. Segundo Gomes (2017), a Educação Antirracista deve ir além de ações pontuais, configurando-se como um compromisso político-pedagógico permanente. Dessa forma, o trabalho buscou contribuir para a formação crítica dos estudantes, auxiliando-os no reconhecimento de suas identidades, no respeito às diferenças e na compreensão de seu papel enquanto sujeitos sociais ativos, conscientes de seus direitos e deveres. 7. RESULTADOS Durante o desenvolvimento das atividades, observou-se, inicialmente, certa resistência e insegurança por parte de alguns estudantes ao abordar a temática racial, evidenciando o silenciamento histórico que permeia essas discussões no espaço escolar. Contudo, ao longo das ações propostas, percebeu-se maior engajamento, participação e abertura ao diálogo. As atividades envolveram a escuta e análise de músicas com temáticas étnico-raciais, rodas de conversa mediadas, produção de materiais reflexivos e a elaboração coletiva de uma peça teatral de caráter crítico. Como resultado, constatou-se o fortalecimento do diálogo coletivo, o desenvolvimento da consciência social e a ampliação das reflexões sobre respeito, identidade, pertencimento e diversidade cultural. 8. CONSIDERAÇÕES FINAIS Conclui-se que a prática pedagógica desenvolvida contribuiu de forma significativa para a formação ética, crítica e cidadã dos estudantes. A Educação Antirracista revelou-se uma abordagem potente para a promoção do respeito às diferenças e para o enfrentamento das desigualdades e preconceitos presentes no contexto escolar. Destaca-se, portanto, a importância da continuidade e ampliação de ações pedagógicas dessa natureza, integradas ao currículo escolar, em consonância com a BNCC e com a legislação educacional vigente, a fim de fortalecer uma educação democrática, participativa e comprometida com a transformação social. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Silvio Luiz de. Racismo estrutural. São Paulo: Pólen, 2019. BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei nº 9.394/96 para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. GOMES, Nilma Lino. Educação, identidade negra e formação de professores. Belo Horizonte: Autêntica, 2017. b image1.jpeg