Prévia do material em texto
Cultura Organizacional Publicado na Business Week em 1980, o artigo intitulado “Cultura corporativa – A dificuldade de mudar valores ligados ao sucesso ou ao fracasso”, foi reconhecido como um dos documentos que mais difundiu o conceito de Cultura Organizacional (CO), nas empresas e interessados na área. Em 1983, foi concedida uma sessão especial da revista Administrative Sciense Quarterly para o tema que foi se tornando objeto de foco do estudo dos dedicados à área de administração nos EUA. No Brasil, o assunto foi mais aprofundado a partir de 1991, quando do lançamento do livro “Cultura Organizacional – Formação, Tipologia e Impactos”, da Professora Maria Esther de Freitas, que defendeu a dissertação sobre o tema, na Fundação Getúlio Vargas. Na literatura original, os conceitos de cultura são provenientes da antropologia e da psicanálise. Do ponto de vista antropológico: Na administração e no contexto organizacional o conceito de cultura provém da seguinte perspectiva. Em qualquer uma das abordagens, a CO é vista como uma variável interna que foca em aspectos relacionais da organização. “Ela é percebida por meio de linguagem, dos símbolos e das imagens, das histórias e dos mitos, dos rituais e das cerimônias, dos hábitos e dos valores que permeiam essa organização, além dos objetos visíveis e físicos, tais como a arquitetura, os móveis, o espaço físico, a decoração”. (Motta e Vasconcelos, 2009). Cultura é um instrumento a serviço das necessidades biológicas e psicológicas do homem. Cultura é um sistema de cognições compartilhadas; a mente humana gera a cultura pelo significado de um número finito de regras. Cultura é um sistema de símbolos e significados compartilhados. A ação simbólica necessita ser interpretada, lida e decifrada para ser entendida. Cultura é uma projeção da infraestrutura universal da mente. Linda Smircich, 1983, afirma que cultura organizacional pode ser conceituada sob duas óticas. A primeira diz que: a organização – empresa, entidades públicas – tem uma cultura que muda com o passar do tempo. A cultura seria assim uma característica da organização. A segunda defende que a organização não tem cultura, pois ela é a própria cultura. A cultura organizacional é a expressão cultural dos membros da organização. O grupo de pessoas que dá forma a organização, ao transacionar com o meio ambiente e ao criar as estruturas internas para responder a essa interação externa, estabelece uma maneira própria de agir e interagir. Assim as organizações criam uma identidade recomendável dentro dos seus limites internos assim como no conjunto geral do ambiente de negócios, a cultura organizacional estabelece uma identidade, uma marca reconhecida dentro e fora da organização. Retomando a Teoria da Psicanálise abordada anteriormente, Schein (1985) defende que cultura organizacional é um modelo de pressupostos que um determinado grupo desenvolve no seu processo diário de aprendizagem para lidar com os problemas. Mas, o que seriam esses pressupostos? Esses pressupostos são respostas aprendidas nos valores, que por sua vez são as crenças e os conceitos básicos da organização que definem o sucesso em termos concretos para os empregados e estabelecem padrões que devem ser alcançados. Os valores, portanto, são a essência da filosofia da organização e fornecem a todos os empregados um senso de direção, quase que um guia de comportamento. Ainda segundo Schein, 1985, a cultura se subdivide em níveis, como demonstrado na figura 2, a saber: Nível 1: É o simbólico. São os componentes mais visíveis de uma cultura e compreendem sua parte explícita (tecnologia, artes e padrões). Nivel 2: Compreendem normas e valores. As primeiras definidas nos ambientes formais e informais da organização e os segundos relacionados a ideais compartilhados. Nível 3: São os pressupostos sobre a existência, como lidar com o ambiente e seus recursos (relacionamento com o ambiente, natureza da realidade do tempo e do espaço, natureza da atividade humana e das suas relações). FIGURA 2: COMPONENTES DA CULTURA Fonte: Adaptado de Maximiano, 2012 p. 315. Já para a Teoria Antropológica, Laraia (1988) define o homem como resultado do meio cultural em que foi socializado, ele herda das gerações anteriores experiências adquiridas e de acordo como ele manipula esse patrimônio, as invenções e inovações são possíveis. Para ele a cultura se relaciona com os seguintes pontos: Em outras palavras, as estruturas antropológicas são significados socialmente estabelecidos. Podemos descrever esses significados como elementos da cultura, tais como: Esses elementos atuam e constituem a dinâmica da cultura organizacional. Podemos demonstrar essa dinâmica pela figura 3. FIGURA 3: Dinâmica da Cultura Organizacional Artefatos: Compreendem a arquitetura, veículos, roupas e os produtos que as pessoas usam. Tecnologia: Repertório de conhecimentos utilizados pelas pessoas e organizações para resolver problemas. Símbolos: Comportamento e objetos que carregam e transmitem mensagens e significados dentro de uma cultura organizacional, atividades planejadas que têm consequências práticas e expressivas e que tornam a cultura organizacional mais tangível e coesa. Ex: Cerimônias, rituais, imagens, hábitos e linguagem. Valores: São definições a respeito do que é importante para se atingir o sucesso. Crenças, valores e preconceitos estão na base das normas de conduta, influenciando o comportamento das pessoas nas organizações. Como os chefes tratam os funcionários, como estes tratam os clientes e como as pessoas se relacionam de modo geral. Normas: São as regras que definem o comportamento que é esperado, aceito e sancionado pela organização. Processo de comunicação: Rede de relações, interação, troca de mensagens, comportamentos não verbais. Dessa forma, podemos observar que, dentro da dinâmica proposta acima, podem existir classes de culturas diferentes que serão descritas abaixo: Cultura do Poder: Mais frequentemente encontrada nas pequenas organizações, esse modelo tem sua estrutura representada por uma espécie de teia com o poder localizado no centro. Figura 4: A teia da Cultura do Poder Fonte: Elaborado pela autora Cultura de Papéis: É um modelo frequentemente tido como burocrático e onde se trabalha por lógica e racionalidade. Pode ser representada por um templo grego com pilares fortes, representando as funções e especialidades, sendo coordenada por uma estreita faixa de administração. O trabalho dos especialistas e a interação entre elas são controladas por procedimentos, regras de comunicação e solução de conflitos. O papel exercido ou a descrição do trabalho tem mais importância do que o indivíduo que o desempenha, sendo a posição a principal fonte do poder. Trata-se de uma cultura lenta tanto para perceber as necessidades de mudanças assim como para efetuá-las. FIGURA 5: Os Pilares da Cultura de Papéis Fonte: Propria autora Cultura da Tarefa: É uma cultura voltada para projetos como sugere o próprio nome, cuja representação sugere uma rede com alguns fios mais densos que outros. Toda ênfase do trabalho é em executar o trabalho com os recursos adequados. Nesse modelo, os trabalhos em equipe são bastante estimulados, inclusive através de forças tarefas específicas que podem ser dissolvidas após a conclusão da tarefa. São ideais para empresas, onde a flexibilidade e a sensibilidade em relação ao mercado ou ambiente sejam essenciais, assim como rapidez e reação criativa. FIGURA 6: A Rede da cultura das tarefas Fonte: Elaboração da própria autora Cultura da Pessoa: Difícil de ser encontrado, esse modelo de cultura tem o indivíduo como elemento central. São grupos que se reúnem para decidir os seus interesses, suas tendências e fazer o que querem. Ordens de profissões, sociedades de classes, comunidades, grupos sociais, familiares são exemplos de organizações que normalmente possuem uma cultura voltada para a pessoa. A representação mais apropriada seria de uma galáxia, onde o proprietário representa a organizaçãoque por sua vez depende dele para existir. Figura 6: A galáxia da cultura das pessoas Fonte: Elaborado pela autora Mesmo diante de tantos modelos e opções de conduta através da cultura, esta pode criar disfunções que prejudicam a capacidade de resolver problemas de convivência interna e de adaptação externa. Disfunções, portanto, são desvios de comportamento coletivo que degenera os princípios organizacionais. São algumas possíveis disfunções: Para isso, é fundamental que as organizações conheçam sua cultura, socializem com os novos funcionários, mantenham fidelidade aos valores e crenças, mas saibam identificar as formas de alcançarem objetivos dentro desses conceitos e padrões determinados. Abrir possibilidades de observar necessidades de mudanças, ou de adaptações, assim como buscar funcionáros capazes de se adequar a esse perfil é fundamental na busca pela eficiência de que tanto falamos desde o início do curso. A Cultura organizacional dentro da Teoria das Organizações é fruto da Teoria Contingencial e por isso exerce um contexto de cultura adequada aos valores e aos fins pretendidos. Vídeo da Unidade Para saber mais sobre o processo administrativo, assista agora ao vídeo da unidade: Funções do Administrador. Se preferir, faça o download do áudio (mp3 compactado) deste vídeo clicando aqui. Atividade https://player.vimeo.com/video/348632009 https://ead.uva.br/disciplinas/grad/publica/cont/stu/tdo/re/u3/audio/G_TDO_U3_mp3.zip Faça uma pesquisa nos livros indicados, nos sites, em vídeos e até entreviste gestores e descreva o que você observou em relação à pergunta abaixo. Deve-se mudar a cultura da Organização em busca de resultados?