Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Teoria Geral do Processo do Trabalho
Os fundamentos do Processo do Trabalho e sua teoria geral.
Prof. Marcos Dias de Castro
1. Itens iniciais
Propósito
Conhecer os fundamentos do Processo do Trabalho é aspecto relevante para os profissionais que atuam na
Justiça do Trabalho. É preciso que os operadores do Direito saibam os princípios e fundamentos do Direito
Processual do Trabalho, bem como a competência desse ramo do Poder Judiciário, para que possam atuar de
forma segura na efetivação dos direitos sociais dos trabalhadores e na defesa dos interesses empresariais.
Preparação
Antes de iniciar o nosso estudo, tenha em mãos a Consolidação das Leis do Trabalho e o Código de Processo
Civil.
Objetivos
Reconhecer os princípios fundamentais que regem o Processo do Trabalho e a eficácia das normas
processuais trabalhistas no tempo e no espaço.
Reconhecer a competência da Justiça do Trabalho em seus aspectos mais relevantes.
Identificar partes e terceiros que atuam na Justiça do Trabalho.
Introdução
Ao longo deste material, analisaremos os fundamentos do Direito Processual do Trabalho. Iniciaremos pelo
estudo dos princípios fundamentais que regem a disciplina, bem como a eficácia das normas processuais
trabalhistas no tempo e no espaço. 
Em seguida, abordaremos a competência da Justiça do Trabalho, tema essencial para todos aqueles que
militam nesse ramo do Poder Judiciário. Conhecer os limites de atuação da Justiça do Trabalho é fundamental
para todos aqueles que operam na seara, em parte, pelas polêmicas que o instituto ainda provoca na doutrina
e na jurisprudência. 
Por fim, abordaremos os conceitos de “parte” e de “terceiros” para o Direito Processual do Trabalho, assim
como os limites e as possibilidades de ação na Justiça do Trabalho. Todos os temas são essenciais para um
trabalho de excelência na área. Vamos saber mais sobre eles? 
• 
• 
• 
1. Princípios fundamentais do Direito Processual do Trabalho
A eficácia das normas no tempo e no espaço
O Direito Processual do Trabalho pode ser definido como o conjunto de princípios e normas destinados a
regular a atuação jurisdicional da Justiça do Trabalho. Esse conjunto de princípios e normas visa reger a
solução dos conflitos individuais e coletivos que a Constituição atribui como de competência da Justiça do
Trabalho, tendo como norte a obtenção da pacificação social entre capital (representado pela gama de
empresas e empreendimentos econômicos) e trabalho (representado pela massa de trabalhadores, em geral,
regidos pela Consolidação das Leis de Trabalho).
Em Brasília, a sede do TST, instância superior de julgamento para temas que
envolvem o direito do trabalho no Brasil
Fundamental para compreender o caráter específico da disciplina é entender que, como todos os ramos do
Direito, há uma série de princípios que a permeiam e influenciam. Mas o que poderíamos entender por 
princípio? 
A palavra princípio remonta etimologicamente à noção de “começo”, “início” ou ainda, de “primeiro
momento da existência de algo”. Em tempos mais modernos, adquiriu-se a ideia de fundamento
norteador, ou ainda, de alicerce de um sistema (como o jurídico) que delimita a compreensão de
diferentes normas que o compõem. 
Assim, poderíamos compreender os princípios como esses mandamentos que formam o núcleo do sistema
jurídico, expondo sua lógica e racionalidade internas e, ao mesmo tempo, conferindo harmonia e higidez. Em
apertada síntese, os princípios desempenham tríplice função para o Direito Processual do Trabalho: 
Função informativa
Na medida em que podem inspirar soluções de
forma direta ou indireta ao aplicador da lei, além
de se dirigir ao legislador no momento da
criação de novas leis.
Função interpretativa
Já que orienta o intérprete no momento de
entender o significado das normas jurídicas já
existentes.
Função normativa
Na medida em que ajuda na resolução dos
casos que não possuem expressa previsão
legal.
Essa última função tem sido muito utilizada pelos tribunais, inclusive, trabalhistas, não apenas para preencher
o “vazio legislativo”, mas para levar soluções concretas a diversos casos submetidos ao Judiciário, como é
expressamente autorizado pelo art. 8º da CLT.
Princípios em espécie
Princípios do processo do trabalho
Compreenda os conceitos relacionados aos princípios do processo do trabalho.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Princípio da proteção
Não há dúvida de que o princípio protetor deriva da própria razão de ser do Direito do Trabalho. Existe,
contudo, controvérsia quanto à sua aplicabilidade na disciplina que estudamos. Há quem defenda que o
princípio em análise não é próprio do Direito Processual do Trabalho, em razão de seu caráter eminentemente
processual, sendo o princípio próprio para equilibrar desigualdades específicas do direito material. Contudo, o
princípio da proteção é próprio do Processo do Trabalho, em razão de alguns aspectos relevantes: 
A desigualdade econômica entre as partes (que é a regra, pois, em geral, o trabalhador está em
desvantagem econômica em relação a seu empregador).
 
O desequilíbrio na produção de provas (em geral, o trabalhador só possui testemunhas, meio de prova
sempre incerto e inseguro, ao contrário do empregador, que dispõe de meios de prova mais amplos,
como regra geral).
 
A ausência de um sistema de proteção contra despedida imotivada (já que o inciso I do art. 7º da
Constituição não se encontra regulamentado até hoje, sendo um risco para o trabalhador ingressar
com ação trabalhista enquanto vigente sua relação de emprego).
 
O desnível cultural entre os sujeitos da lide (realidade prática do cotidiano forense irrefutável, embora
também comporte exceções).
Podemos afirmar, portanto, que o princípio da proteção compõe o conjunto de princípios que regem o
Processo do Trabalho, com várias evidências na CLT, por exemplo: 
• 
• 
• 
• 
I
Diferença de tratamento prevista noart. 844 da
CLT em razão da ausência à audiência
inicial(arquivamento x revelia).
II
Exigência de depósito recursal como
pressuposto recursal objetivo,segundo consta
no (art. 899 da CLT).
III
Definição da competência territorial fixada pela
localidade da prestação de serviços (art. 651 da
CLT), ou seja, clara tentativa de facilitar o
acesso à justiça.
Merece ressalva o princípio do in dubio pro operario. Embora seja corolário do princípio da proteção, há
consenso substancial que tal princípio não se aplica ao direito probatório, vale dizer, na avaliação da prova
produzida pelas partes. Em casos de prova “dividida”, “empatada”, “dúbia” ou “falha”, seria uma decisão muito
simplista o magistrado se inclinar para o trabalhador valendo-se desse princípio.
Tanto o Direito Processual do Trabalho quanto o Direito Processual Civil em casos como os narrados acima
impõem ao juiz a decisão conforme o ônus da prova (arts. 818 da CLT e 373 do CPC), que deve ser sopesado
no caso concreto. Se a prova é pouco convincente ou deixa o juiz em dúvida, deve este decidir contra quem
tinha o ônus da prova no caso concreto. Desse modo, o princípio deve ser utilizado apenas na intepretação da
lei existente ou para inspirar o legislador, mas nunca em matéria probatória.
Princípio da oralidade
A oralidade é parte essencial em uma audiência, por
exemplo
Irrecorribilidade é um dos princípios mais importantes
do Direito
O Direito Processual do Trabalho é marcado por
um procedimento essencialmente oral, no qual
encontramos a primazia da palavra. Desde suas
origens, esse ramo do Direito Processual
notabilizou-se por maior interatividade entre
partes e juiz, por uma concentração dos atos
processuais na audiência e pela simplificação
dos atos processuais.
 
A Lei nº 5.584/70 e os procedimentos que se
desenvolvem no rito sumaríssimo, por exemplo,
dispensam a transcrição dos depoimentos,
dando máxima ênfase à “palavra falada”,
bastando ao juiz reduzir a termo a conclusão a que chegou a partir desses depoimentos (art. 2º, §3º da Lei nº
5584/70 e art. 852-F da CLT).
Tal oralidade atingiuo ápice com as audiências telepresenciais, que são inteiramente gravadas e dispensam a
transcrição dos depoimentos das partes e testemunhas (Resolução 105 de 2010 do Conselho Nacional de
Justiça e Resolução 185 de 2017 do Conselho Superior da Justiça do Trabalho). São consequências diretas do
princípio da oralidade (que se opõe ao princípio da escritura), os princípios da imediatidade, da concentração
dos atos processuais em audiência e da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias. 
Exemplo de audiência telepresencial, que conta com a facilidade de ser gravada
Princípio da irrecorribilidade imediata
Um dos princípios mais próprios do Direito Processual do
Trabalho é a irrecorribilidade imediata das decisões
interlocutórias. A doutrina mais clássica enxerga nesse
princípio decorrência própria da oralidade marcante de tal
ramo do Direito. Com sede no art. 893, §1º da CLT, por tal
princípio não se admite recurso imediato das decisões
interlocutórias proferidas por juízes em processos de
competência da Justiça do Trabalho.
Assim, se um magistrado trabalhista indeferea produção de
uma prova pericial, por exemplo, entendendo-a
desnecessária e passando à oitiva de testemunhas,
somente apósa prolação da sentença poderá a parte prejudicada suscitar, em recurso ordinário, a nulidade do
ato judicial por cerceamentode defesa.
Direito Processual tem foco em resolver conflitos com
agilidade
Nos termos da lei, “o merecimento das decisões interlocutórias” só pode ser avaliado quando do recurso da
decisão definitiva (sentença). Por fim, vale destacar que o princípio da irrecorribilidade imediata das decisões
interlocutórias possuem algumas exceções. Vamos conferi-las? 
I
As decisões prolatadas em incidentes de
desconsideração da personalidade jurídica na
fase de execução ou recursal (art. 855-A,
incisos II e III da CLT).
II
As decisões denegatórias da admissibilidade de
recursos (que podem ser atacadas por agravo
de instrumento, nos termos do art. 897, “b” da
CLT).
III
Decisões interlocutórias de Tribunal Regional do
Trabalho que contrariem Súmula ou OJ do TST
(Súmula 214,I do TST).
IV
Decisões suscetíveis deimpugnação
medianterecurso para o mesmo tribunal
(conforme item II da Súmula 214do TST, casos
de hipótesesde uso do agravo regimental).
V
Decisão que acolhe exceção de incompetência
territorial com remessa dos autos a tribunal
regional distinto daquele a que se vincula o
juízo excepcionado (Súmula 214, III do TST em
interpretação lógica do art. 799, §2º da CLT).
Princípio da simplicidade do procedimento
A ideia de uma informalidade ou simplicidade
do procedimento trabalhista remonta à sua
própria origem. Ou seja, ressaltar que o Direito
Processual do Trabalho nasceu quando ainda
vigorava o CPC de 1939, que era marcado por
um formalismo excessivo, do qual o legislador
trabalhista quis fugir de forma clara.
 
Basta observar o teor do art. 769 da CLT, a fim
de verificar que a exigência de compatibilidade
principiológica para aplicação subsidiária das
normas processuais civis não tinha outro
escopo. De fato, o Direito Processual do
Trabalho é claramente informal, orientando-se por normas menos formais com o propósito de conferir
celeridade à resolução dos conflitos na Justiça do Trabalho.
Os sintomas desse princípio se encontram em várias circunstâncias próprias da nossa disciplina, por exemplo: 
CLT ampliou poderes instrutórios do magistrado
trabalhista
A conciliação é um dever para os magistrados
trabalhistas
I
A notificação inicial é efetuada pelo cartório
(art. 841 da CLT) logo após a distribuição do
processo.
II
A inexistência de despacho liminar ou de
despacho saneador como regra, sendo o
primeiro contato do magistrado com o processo
na audiência, salvo exceções.
III
A existência de procedimentos ainda mais
abreviados (como aquele previsto no art. 2º da
Lei nº 5.584/70, que dispensa, inclusive,
transcrição de depoimentos colhidos em juízo).
IV
A inaplicabilidade de uma série de regras do
CPC por conta de prejuízo à celeridade própria
do Processo do Trabalho (vide, por exemplo, o
teor da OJ 310 da SDI-1 do TST).
Princípio da ampliação dos poderes instrutórios do juiz
Princípio expresso no art. 765 da CLT, a ampliação dos poderes instrutórios do magistrado trabalhista, em
certa medida, decorre de certo protagonismo conferido ao juiz pelas regras de Direito Processual do Trabalho.
Se também na seara trabalhista não se admite que o início do processo se dê por ato ex officio, uma vez
instaurada a relação jurídica processual, exige-se do juiz uma postura ativa. 
Contudo, não há que se concluir que a CLT adotou
procedimento inquisitivo, instaurado de ofício e sem a
possibilidade de ampla participação das partes. Trata-se de
um procedimento permeado pelo contraditório, mas que,
uma vez instaurado, permite ao magistrado maiores
poderes na direção do processo na formação do seu
convencimento e na busca pela verdade.
É nesse sentido que temos o art. 878 da CLT (admitindo a
execução de ofício quando não assistido o reclamante por
advogado), o art. 114, VIII da Constituição e o art. 43 da Lei
nº 8.212 de 1991 (determinam a execução de ofício das
contribuições previdenciárias sobre os valores que forem objeto de condenação na Justiça do Trabalho).
Princípio da conciliação
O princípio da conciliação (ou da
conciabilidade) é tão antigo quanto a instituição
da Justiça do Trabalho, que já foi, por isso, tida
por muitos como a “Justiça da Conciliação”.
Desde o seu nascedouro, com as antigas
Juntas de Conciliação e Julgamento, esse ramo
do Judiciário sempre foi marcado pela
conciliação a ponto de o parágrafo primeiro, art.
764 da CLT, expressamente determinar que os
juízes enviem “seus bons ofícios e persuasão”
para obter a conciliação.
 
Nesse passo, é importante frisar que a tentativa
de conciliação é um dever para os magistrados trabalhistas, nos termos do caput do art. 764 da CLT. Sendo a
conciliação, em última análise, solução da lide que tem origem nas partes, parece-nos a melhor forma de
resolução de conflitos, ainda que haja a intermediação do juiz.
Salienta-se que a CLT prevê expressamente dois momentos para a tentativa de conciliação:
Tal previsão legal é amparada na circunstância de que os ânimos para negociação variam de acordo com o
resultado prático da instrução. Após o encerramento desta e as razões finais das partes, o magistrado tem
uma ideia melhor das possibilidades de ajuste entre as partes. Por fim, precisamos ressaltar dois aspectos
importantes:
1. O primeiro é que, malgrado a previsão legal para momentos específicos para a conciliação, nada impede que
a conciliação seja proposta em qualquer fase ou momento processual. A dicção do caput do art. 764 da CLT
deixa evidente a possibilidade de tentativas de conciliação na fase recursal, na fase de liquidação de
sentença, ou até mesmo na fase de execução (fato muito comum no cotidiano forense trabalhista).
 
2. Outro aspecto relevante é que parte da doutrina tem entendido que a falta das tentativas conciliatórias
previstas nos arts. 846 e 850 da CLT levaria à nulidade do processo, já que o juiz do Trabalho deve, ao menos,
tentar a última proposta conciliatória (aquela descrita no art. 850 da CLT). Não pensamos assim, alinhando-
nos com a doutrina mais moderna.
É preciso enxergar a questão à luz do princípio da transcendência ou do prejuízo. Se a conciliaçãopode ser
viabilizada a qualquer tempo no processo, como já dito, nada impediria sua efetivação em grau recursal, em
qualquer instância, sanando eventual nulidade que apenas retardaria a soluçãoda demanda.
Eficácia da norma processual trabalhista no tempo e no
espaço
O tema “eficácia” pode ser usado em dois sentidos usuais: 
1. Como um problema a ser investigado pela Sociologia do Direito, para concluir se a norma tem cumprimento
por parte dos destinatários ou se não possui qualquer reverberação (eficácia social da norma).
 
2. Como uma questão de exame da aptidão da norma para a produção de efeitos jurídicos (eficácia técnica).
A seguir,passamos a investigar a eficácia jurídica ou técnica, considerando sua aplicação no tempo e no
espaço. A eficácia da norma processual no tempo é guiada por dois princípios fundamentais: 
Primeiro momento 
Antes do recebimento da contestação em
audiência (art. 846 da CLT).
Segundo momento 
Após as razões finais (art. 850 da
CLT).
É de se notar que o art. 14 do CPC, de plena aplicabilidade do Direito Processual do Trabalho (conforme art. 1º
da Instrução Normativa 41 de 2018 do TST), sintetiza tais princípios ao impingir que a norma processual não
pode retroagir e é aplicável imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos processuais
praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada.
Nesse passo, a melhor doutrina defende que adotamos no Direito Processual do Trabalho a teoria do
isolamento dos atos processuais, restando claro que a lei nova regula apenas os atos processuais que se
praticarão sob sua vigência, mantendo os atos processuais praticados sob o império da lei anterior, sua
validade e seus efeitos.
No que diz respeito à eficácia da lei processual trabalhista no espaço, o princípio que prevalece é o
da territorialidade. Em outras palavras, conforme o disposto no art. 1º da CPC, a lei processual
trabalhista vigora em todo o território nacional e tem por destinatários tanto os trabalhadores
brasileiros quanto os estrangeiros residentes no Brasil.
Por fim, merece ser sublinhado que sentenças estrangeiras (mesmo que versem sobre matérias trabalhistas),
dependem de homologação por parte do Superior Tribunal de Justiça (art. 105, I, “i” da Constituição) e não por
parte do Tribunal Superior do Trabalho. A execução dessas sentenças, portanto, será realizada em Vara
Federal, não em Varas do Trabalho, diante do expresso comando constitucional.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Eficácia da norma processual trabalhista no tempo
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Eficácia da norma processual trabalhista no espaço
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Princípio I 
O princípio da irretroatividade, previsto no
art. 5º, XXXVI da Constituição (inviabilizando a
retroação da norma em prejuízo do ato
jurídico perfeito, do direito adquirido e da
coisa julgada).
Princípio II 
O princípio do efeito imediato, previsto
nos art. 912 e 915 da CLT, permitindo a
aplicabilidade, desde logo, das novas
normas processuais trabalhistas aos
processos pendentes.
Verificando o aprendizado
Questão 1
O fato de a notificação inicial ser efetuada pelo cartório logo após a distribuição do processo espelha qual
princípio do Direito Processual do Trabalho?
A
Oralidade
B
Proteção
C
Informalidade
D
Conciliação
E
Irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias
A alternativa C está correta.
O Direito Processual do Trabalho é marcado pela informalidade, uma vez que se orienta por normas menos
formais, as quais buscam conferir celeridade à resolução de conflitos. Nessa direção, uma das projeções do
princípio da informalidade é a notificação inicial ser efetuada pelo cartório logo após a distribuição do
processo (art. 841 da CLT).
Questão 2
Em execução que tramita na 18ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, após várias tentativas de encontrar bens
da empresa Bem Viver S/A, o trabalhador solicitou ao juízo a instauração de IDPJ (incidente de
desconsideração da personalidade jurídica). Instaurado o incidente, o juiz indeferiu a inclusão de sócios na
lide, sob a alegação de que não foram comprovados os requisitos do art. 50 do Código Civil. Sabendo o
trabalhador que a jurisprudência majoritária trabalhista aplica a teoria menor aos casos de desconsideração
da personalidade jurídica, indaga-se: o que deve fazer o advogado do exequente?
A
Não há nada a fazer, pois a decisão é interlocutória, nos termos do §1º do art. 893 da CLT.
B
Deve ingressar com pedido de reconsideração, já que a decisão contraria a jurisprudência dominante dos
tribunais trabalhistas.
C
Deve ingressar com recurso imediato (agravo de petição), eis que estamos diante de exceção ao princípio da
irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias.
D
Deve pedir pauta de conciliação, para tentar um acordo com a pessoa jurídica, ante o princípio da
conciabilidade.
E
Deve ingressar com mandado de segurança, pois a decisão do juiz violou direito líquido e certo da parte.
A alternativa C está correta.
Estamos diante de exceção ao princípio da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias, conforme
art. 855-B, II da CLT, cabendo agravo de petição de forma imediata. Não cabe mandado de segurança, pois
não há recurso cabível de imediato, nem pedido de reconsideração (que não interrompe o prazo recursal e
não possui previsão legal, sendo tolerado seu uso para despachos). A conciliação é sempre possível, mas
não seria medida adequada para insistir na inclusão dos sócios na lide, sendo que, no caso concreto,
parece inócua a inexistência de bens da pessoa jurídica.
2. Competência da Justiça do Trabalho
Competência da Justiça do Trabalho
Noções preliminares
A palavra “competência” deriva do latim competentia, que significa “proporção”, “simetria”. Nesse sentido, a
doutrina clássica conceitua competência como a “medida da jurisdição”, significando que, por esse termo,
designa-se uma porção ou um segmento da jurisdição. Muitas críticas foram feitas a essa conceituação sob a
alegação de que a jurisdição é una e indivisível, sendo que não ser poderia “medir” a “quantidade” de
jurisdição. 
Sede do Tribunal Regional do Trabalho, em São Paulo
Muitas críticas foram feitas a essa conceituação sob a alegação de que a jurisdição é una e indivisível, sendo
que não ser poderia “medir” a “quantidade” de jurisdição. Parece então mais adequado entender a
competência como o poder de ação e atuação atribuído ao órgão do Judiciário para exercer legitimamente a
jurisdição.
Melhor seria até falar em poder-dever, já que o Judiciário é obrigado a se pronunciar, dentro dos limites que
lhes são traçados, não se admitindo mais o non liquet (faculdade do Direito romano que permitia que o juiz
“deixasse de julgar”). Fato é que a competência é dividida segundo três critérios, conforme a doutrina mais
abalizada. Confira! 
Critério objetivo
Considera partes, pedido, causa de pedir envolvidos na relação processual, englobando as
competências em razão da matéria, em razão das pessoas e em razão do valor da causa.
Critério funcional ou hierárquico
Considera as funções de cada magistrado no processo, levando à distinção entre competência
originária e recursal, por exemplo.
Critério territorial
Leva em conta a área geográfica atribuída por lei a cada órgão jurisdicional.
Ações empregatícias são de competência da Justiça do
Trabalho
É importante destacar que as competências em razão da matéria e em razão do território, que serão objeto de
estudo detalhado nas próximas seções, assumem maior relevo no cotidiano processual trabalhista.
Competência material da justiça do trabalho
Compreenda agora os conceitos relacionados à competência material da justiça do trabalho.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Competência material 
Prevista no art. 114 da Constituição, a competência em razão da matéria na Justiça do Trabalho encontra
relevo em razão de sua natureza especial. Em razão de sua especialização, determinar a sua competência
material é tarefa primordial para qualquer agente do direito, quando se depara com os conflitos a serem
resolvidos pelo Estado-Juiz.
A maior parte da doutrina enxerga nos incisos do art. 114 da Constituição apenas critérios ratione materiae e,
com esse posicionamento, passaremos a analisar os principais aspectos que regem a competência da Justiça
do Trabalho em seu arcabouço constitucional e infraconstitucional. 
Competência matriz
O inciso I do art. 114 da Constituição atribui à Justiçado Trabalho competência para processar e julgar as
ações oriundas da relação de trabalho. Menciona ainda o dispositivo legal que estão abrangidos os entes de
direito público externo e a administração pública direta e indireta de todos os entes federativos do país. O
primeiro aspecto importante é estabelecer qual o conceito de relação de trabalho.
Há unanimidade em dizer que esta é gênero, ao passo que a relação de emprego é espécie. Essa
última caracteriza-se como a relação jurídica entre uma pessoa física, empregado, e uma pessoa
física ou jurídica, empregador, caracterizada pela prestação de serviços com subordinação,
pessoalidade, onerosidade e habitualidade, elementos que podem ser colhidos dos arts. 2º e 3º da
CLT. 
Pode-se dizer, portanto, que as ações que
tenham origem na relação de emprego são de
competência da Justiça do Trabalho, mesmo
que envolvam terceiros, por exemplo, as
questões que envolvem a habilitação/
indenização referente ao seguro-desemprego
(Súmula 389 do TST) ou que digam respeito ao
cadastramento no PIS ou indenização
substitutiva (Súmula 300 do TST).
Contudo, a Constituição não limitou a
competência da Justiça do Trabalho às
relações de emprego. Como conceituar,
então, relação de trabalho?
A doutrina prevalecente estabeleceu que, na relação de trabalho, existe uma pessoa física, prestador de
serviços; e uma pessoa física ou jurídica, tomador, na qual existe labor em situação de vulnerabilidade. Isto é:
é necessário que o prestador de serviços esteja em uma situação de desigualdade em face do tomador, a
exemplo do que ocorre na relação de emprego, em que a subordinação é o elemento de desequilíbrio.
• 
Na relação trabalhista, existe um prestador de serviço e, uma pessoa física ou
jurídica, tomador.
Há exemplos na própria legislação infraconstitucional, onde a CLT elenca na competência da Justiça do
Trabalho: 
O operário ou artífice nos casos de “pequena empreitada”, conforme art. 652, “a”, III da CLT.
O caso dos trabalhadores portuários (avulsos) em face dos operadores portuários ou do OGMO, nos
termos do art. 652, “a”, V da CLT.
Seguindo a lógica do conceito, seriam da competência da Justiça do Trabalho: 
• 
• 
Trabalhadores eventuais
Sem habitualidade, mas submetidos às ordens
de seus tomadores.
Trabalhadores autônomos
Desde que apurada sua vulnerabilidade em face
de uma “parassubordinação” ou de uma
acentuada dependência econômica.
Trabalhadores domésticos
Marcados pela ausência de continuidade.
Fundamental é que a hipossuficiência do prestador, pessoa física, esteja evidenciada. Finalmente, ressalta-se
que estão excluídos do conceito, em razão da jurisprudência dos Tribunais Superiores: 
Os profissionais liberais, já que, neste caso, não há vulnerabilidade do prestador de serviços, conforme
Súmula 363 do STJ.
As relações de consumo, mesmo que o fornecedor de serviços seja pessoa física, (art. 3º, §2º do
CDC).
O representante comercial (STF, Tema 550 de repercussão geral, RE 606.003).
O transportador de cargas autônomo (STF, ADC 48).
O cabelereiro parceiro (STF, ADI 5625, salvo se o parceiro alegar fraude e sustentar a existência de
uma relação de emprego).
Servidores públicos
Embora o art. 114 em seu inciso I da Constituição mencione expressamente a administração pública direta e
indireta, doutrina e jurisprudência fixaram limites para a competência material da Justiça do Trabalho em
relação aos servidores públicos. Utilizando a classificação de Maria Sylvia Di Pietro (2016), podemos elencar
na categoria genérica de servidores públicos: 
• 
• 
• 
• 
• 
Servidores estatutários
Em relação aos servidores estatutários, não há dúvida quanto à incompetência absoluta da Justiça do
Trabalho, conforme fixado pelo STF no julgamento da ADI 3.395. Assim, aqueles servidores regidos
por estatuto jurídico único possuem uma relação administrativa com o Estado, e a competência será
da Justiça Federal ou da Justiça Estadual, conforme o ente federativo a que pertencerem (Súmulas
137 e 218 do STJ). 
Empregados públicos
Quanto aos empregados públicos, assim considerados aqueles que são regidos pela CLT, por conta
do disposto no art. 173, §1º, II da Constituição, a competência será da Justiça do Trabalho. Ressalta-
se que, mesmo aqueles que prestam serviços para a administração pública direta, quando o regime
jurídico único eleito for a CLT, deverão propor suas demandas perante a Justiça do Trabalho,
conforme já fixado pelo STF (ex.: ARE 906.941).
Servidores temporários
Quanto aos servidores públicos temporários (art. 39, IX da Constituição), firmou-se o entendimento
de que a competência será da Justiça Comum, Federal ou Estadual. O entendimento do STF
caminhou no sentido de que esses servidores também teriam uma relação jurídico-administrativa com
o Estado, e não meramente contratual. Em razão desse entendimento, o TST cancelou a OJ 205 da
SDI-1.
Finalmente, ressalta-se que o STF também pacificou que questões pré-contratuais que envolvem os
empregados públicos não se inserem na competência da Justiça do Trabalho. No Tema 922 de repercussão
geral (RE 960.429), ficou expresso que as fases de seleção e admissão de pessoal e eventual nulidade de
concurso público representam questões administrativas que devem ser dirimidas pela Justiça Comum, mesmo
que esses empregados se submetam a regime celetista após a posse.
Conflitos sindicais
Compete à Justiça do Trabalho, também, dirimir os conflitos que envolvem o Direito Coletivo do Trabalho.
Nem sempre foi assim, mas, após a Emenda Constitucional 45 de 2004, os incisos II e III inseridos no art. 114,
passaram a atribuir à Justiça do Trabalho a competência para resolver conflitos sindicais, inclusive os
decorrentes do exercício do direito de greve.
Registro de manifestação sindical na cidade de São Paulo.
Duas posições se formaram acerca da interpretação do disposto nos incisos mencionados. Uma primeira,
restritiva, que enxergava competência apenas para as demandas que envolvessem as questões de
representação sindical, vale dizer, disputas entre sindicatos acerca da legitimidade, para falar em nome de
determinada categoria, em determinado âmbito territorial. 
Contudo, prevaleceu posição ampliativa, de modo a interpretar os dois incisos de maneira mais expansiva.
Pode-se dizer que compete à Justiça do Trabalho, com base na norma constitucional, processar e julgar: 
Ações que visem à garantia do exercício do direito de greve (inclusive as que visem às tutelas
inibitórias e obrigações de fazer).
 
Os dissídios coletivos de greve (de competência originária dos Tribunais e que versam sobre a
legalidade ou abusividade do movimento paredista).
 
As ações indenizatórias decorrentes do exercício abusivo do direito de greve (Súmula 189 do TST e
Precedente 29 da SDC/TST).
 
As ações possessórias (conforme Súmula Vinculante 23 do STF).
 
As ações que envolvem a (ir)regularidade das eleições sindicais.
 
As ações que envolvem a representação sindical.
 
As ações que envolvem a cobrança de contribuições sindicais (STF, Tema 944 de repercussão geral,
RE 1.089.282).
 
Ações que envolvem a intervenção em sindicatos irregulares, em geral, propostas pelo Ministério
Público do Trabalho, para assegurar a garantia da liberdade sindical.
 
Dissídios coletivos de natureza jurídica ou econômica, competência existente desde a fundação da
Justiça do Trabalho no Brasil.
Uma palavra final sobre este item específico: muito se questionou quanto à competência para apreciação da
greve dos servidores públicos. Afinal, só a Justiça do Trabalho dispunha de um instrumento específico,
próprio, para resolver a greve, o “dissídio coletivo de greve”.
Contudo, tanto a Súmula Vinculante 23 do STF (que alude à greve dos trabalhadores da iniciativa privada),
quanto o julgamento do Tema 544 de repercussão geral (RE 846.854), estabeleceram que a competência da
Justiça do Trabalho se limita à greve dos empregados públicos da administração pública indireta, não
atingindo, em nenhuma hipótese os servidores da administração públicadireta.
Danos morais e patrimoniais
Nota marcante da competência da Justiça do Trabalho, que mereceu distinção específica entre os incisos do
art. 114 da Constituição, é a possibilidade de exame das demandas que envolvam danos patrimoniais e morais
decorrentes das relações de trabalho. 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
Danos de diversas naturezas são analisados pela
Justiça
Primeiro ponto é que, malgrado a remissão constitucional
mencione apenas os “danos morais”, fato é que a
competência da Justiça do Trabalho engloba também
postulações que envolvam danos estéticos, danos
existenciais, danos morais coletivos, danos biológicos,
perda de uma chance, vale dizer, qualquer dano que possua
natureza extrapatrimonial e atinja a honra, imagem,
intimidade, autoestima, saúde, integridade física, ou
qualquer bem imaterial, desde que o nexo causal seja a
relação de trabalho.
Outro ponto relevante diz respeito à competência para as
lides que envolvam acidentes de trabalho e doenças
ocupacionais. A questão encontra-se dirimida pela Súmula
Vinculante 22 do STF, que deixa clara a competência da
Justiça do Trabalho para apreciar ações que envolvam danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente
de trabalho, desde que proposta por empregado contra empregador.
Não está a se falar da ação acidentária, de natureza previdenciária, que o trabalhador propõe em face do
INSS, quando este não reconhece o nexo causal com a atividade laborativa. Essa última demanda deve ser
proposta em face da Justiça Estadual, por aplicação do disposto no inciso I do art. 109 da Constituição. 
Compete à Justiça do Trabalho apreciar ações que envolvam danos decorrentes de
acidente de trabalho.
Por fim, deve-se ressaltar que, no caso de acidentes de trabalho típicos ou atípicos, a competência para
apreciação de demandas onde se postulem danos indiretos ou em ricochete, também incumbe à Justiça do
Trabalho. Nesse sentido, a Súmula 392 do TST consolidou o entendimento de que os dependentes/
sucessores do falecido devem buscar tal reparação na Justiça do Trabalho.
Execução das contribuições sociais
Compete à Justiça do Trabalho a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, “a” e II
da Constituição, eis a dicção do inciso VIII do art. 114 da Lei Maior. Tal competência é repetida também pelo
art. 43 da Lei 8.212/91. Duas questões ocuparam o centro da controvérsia acerca da interpretação do
mencionado dispositivo constitucional: 
Questão I
Qual seria o alcance desta competência.
Questão II
Qual seria a sua amplitude.
No que diz respeito ao primeiro aspecto, a jurisprudência firmou-se no sentido de que apenas sentenças
condenatórias, em relação aos valores em pecúnia integrantes da condenação, comportariam a execução de
ofício. Nesse sentido, a Súmula 368, item I do TST e a Súmula Vinculante 53 do STF. 
Assim, sentenças meramente declaratórias, que
reconhecessem vínculos de empregos
pretéritos, não dariam ensejo à execução das
contribuições previdenciárias que deveriam ter
sido recolhidasa tempo e modo. Esse encargo
incumbe ao INSS, entidade autárquica
destinatária detais contribuições, e em juízo
adequado, não o trabalhista.
Quanto ao segundo aspecto, por contribuições
previdenciárias executáveis, deve-se excluir
contribuições de terceiros e salário-educação,
limitando-se àquelas descritas no art. 195, I, “a” e II da Constituição (cota parte do empregado e do
empregador). A única exceção diz respeito ao RAT (antigo SAT), que, por representar percentual que mede o
risco da atividade econômica do empregador e que serve para financiar benefícios previdenciários
decorrentes de acidente de trabalho, houve uma interpretação analógica permitindo sua execução de ofício,
conforme Súmula 454 do TST.
Competência penal da Justiça do Trabalho
Parte da doutrina enxergou competência penal para a Justiça do Trabalho, em razão de interpretação
sistemática dos incisos I e IV do art. 114 da Constituição. 
Ora, se o legislador conferiu competência para apreciação de habeas corpus (inciso IV), que é uma
ação tipicamente penal, e se conferiu competência para ações oriundas da relação de trabalho
(inciso I), sem distinguir se cíveis ou penais, seria consequência lógica a competência penal para
crimes que envolvessem a “organização do trabalho” ou “a administração da Justiça” (do Trabalho),
ambos previstos no Código Penal.
Contudo, o STF, no julgamento da ADI 3684, fixou entendimento que competência penal não pode ser
“deduzida” ou “implícita”, necessita ser expressamente prevista, o que não foi o caso da Justiçado Trabalho. 
Competência territorial da Justiça do Trabalho
A regra geral
A regra geral da competência territorial prevista no art. 651 da CLT é o do lugar da prestação de serviços. O 
caput do art. 651 da CLT deixa evidente que o trabalhador deve ajuizar a demanda utilizando o critério da
localidade onde o contrato é executado, e as razões tem claro intuito de propiciar o acesso à justiça. É lição
comezinha entre os doutrinadores que a opção do legislador pela localidade da prestação de serviços levou
em conta: 
O acesso mais fácil aos meios de prova por parte do trabalhador.
O comparecimento do empregado sem maiores gastos de locomoção (como regra, embora, na prática,
haja exceções).
A exceção do §1º do art. 651 da CLT
Exceção à regra geral é o §1º do art. 651 da CLT, que trata do agente ou viajante comercial de forma expressa,
embora possa ser aplicado a todo aquele trabalhador que tenha uma “zona” ou “área” que englobe vários
municípios simultaneamente. 
• 
• 
Trabalhadores circenses são considerados itinerantes
Exemplo
Um trabalhador que preste serviços nos munícipios que compõem a zona da mata mineira ou o ABC
paulista deve ajuizar a demanda em qual localidade? A resposta se dá pela conjugação de duas regras
inscritas no dispositivo em comento: Em primeiro lugar, será competente a vara da localidade em que a
empresa tenha agência ou se filiar, e a esta o empregado esteja subordinado.Em segundo lugar,
sucessivamente, se não existir agência ou filial, será competente a vara do local do domicílio do autor ou
da localidade mais próxima de seu domicílio. 
A exceção do §2º do art. 651 da CLT
Outra regra que se consubstancia em exceção à regra geral é aquela disposta no §2º do art. 651 da CLT.
Afinal, se o trabalhador presta serviços no exterior, se a Justiça do Trabalho brasileira possui competência
para dirimir o litígio, a regra geral perde a razão de ser. Questão relevante e polêmica diz respeito ao critério
que deveria então substituir a regra geral. A posição dominante, que é a majoritária, defende que seria a
localidade da sede da empresa no Brasil (ou da agência ou filial). 
Tal posição fundamenta-se no fato de que os termos do §2º do art. 651 da CLT, a contrario sensu, se
o autor é transferido para filial ou agência no exterior, é porque esta empresa encontra-se no Brasil.
Defende-se, portanto, que não haveria possibilidade de ajuizamento da demanda no Brasil se a empresa não
tivesse sede/agência/filial no país. Esse tem sido o posicionamento dominante nas cortes trabalhistas.
Flexibilização jurisprudencial da regra geral
Por fim, merece ser ressaltado que a jurisprudência, com o
passar do tempo, passou a flexibilizar a regra geral.
Podemos fixar três etapas dessa mitigação a partir da
construção jurisprudencial do próprio TST.
A primeira etapa consistiu na interpretação ampliativa do
§3º do art. 651 da CLT. Esse dispositivo, originariamente,
dizia respeito a trabalhadores que não tinham um lugar de
prestação de serviços previamente fixado. Pensemos nos
trabalhadores de circo, itinerantes por natureza, ou
engenheiros que fossem empregados de uma empresa
especializada em pavimentação de estradas.
Contudo, tal norma que tinha destinação específica, acabou por ser ampliada para todos os trabalhadores
contratados em uma localidade, mas que prestavam serviços em outra localidade. Isso ficou claro na OJ 149
da SDI-2, que deixou evidente a faculdade do empregado na escolha deum ou outro foro, com base na dicção
do §3º do art. 651 da CLT.
A segunda e terceira etapas de mitigação da regra geral foram consubstanciadas em vários julgados do TST,
como os constantes nos Informativos 198 (TST-E-ED-RR-278-87.2015.5.20.0003, SDI-1), 206 (TST-
RO-679-10.2018.5.05.0000, SDI-2) e 214 (TST-CC-7301-46.2018.5.00.0000, SDI-2), os quais admitiram: 
O ajuizamento da reclamação trabalhista no foro em que foi proposta a relação de emprego (para evitar
o recrutamento de trabalhadores em regiões longínquas do país).
O ajuizamento de reclamação trabalhista no foro do domicílio do autor, quando se tratar de empresa de
atuação nacional ou regional que tenha sede/filial na localidade onde o autor reside, viabilizando o
pleno exercício do direito de defesa da reclamada.
• 
• 
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Competência territorial
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Flexibilização jurisprudencial da regra geral
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
O Ministério Público do Trabalho ajuíza dissídio coletivo de greve na Justiça do Trabalho em razão da greve
dos policiais civis do estado do Pará, sustentando que tal greve trará sérios prejuízos aos cidadãos do estado,
além de ser inconstitucional. Em sua opinião
A
a competência é da Justiça do Trabalho, em razão do disposto no inciso II do art. 114 da Constituição, que não
fez qualquer distinção entre os sujeitos da greve.
B
a competência é da Justiça Federal, em razão do autor ser instituição federal (MPT), o que atrai o disposto no
inciso I do art. 109, da Constituição.
C
a competência é da Justiça Estadual, por se tratar de greve de servidores públicos estaduais existindo RJU
(Lei nº 5.810/1994).
D
a competência é da Justiça Militar, já que os policiais civis se equiparam aos policiais militares, o que atrai a
competência dessa Justiça Especializada.
E
a competência é do TST, já que policiais se constituem em carreira de Estado e o conflito de natureza
trabalhista deve ser julgado pela corte máxima nessa matéria.
A alternativa C está correta.
A competência é, sem sombra de dúvida, da Justiça Estadual do Pará. Os policiais civis são servidores
públicos civis estaduais e, existindo regime jurídico único no qual eles se enquadram, a competência é da
Justiça Estadual. Mesmo em se tratando do direito de greve, a questão já foi dirimida pelo STF no
julgamento do RE 846.854 (Tema 544 de Repercussão Geral) e na Súmula Vinculante 23 (já que policiais
não se enquadram no conceito de "iniciativa privada").
Questão 2
O juiz da 18ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro recebeu ação penal ajuizada pelo Ministério Público do
Trabalho requerendo a condenação de ex-sócios de uma organização social em razão de crimes contra a
organização do trabalho. Indaga-se: o que deve fazer o magistrado?
A
Declarar de ofício a incompetência absoluta da Justiça do Trabalho, pois esta não possui competência penal.
B
Prosseguir no processamento da ação penal, pois a Justiça do Trabalho tem competência específica para
julgar crimes contra a organização do trabalho.
C
Declarar de ofício a incompetência absoluta da Justiça do Trabalho, pois esta só possui competência penal no
caso de crimes contra a administração da Justiça do Trabalho.
D
Prosseguir no processamento da ação penal, pois, embora a Justiça do Trabalho não tenha competência
penal, tal fato tem que ser suscitado pelos réus.
E
Prosseguir no processamento da ação penal, pois a Justiça do Trabalho tem ampla competência penal nos
termos do art. 114, I c/c IV da Constituição.
A alternativa A está correta.
O STF, no julgamento da ADI 3684, já fixou entendimento que competência penal não pode ser "deduzida"
ou "implícita", mas necessita ser expressamente prevista, o que não foi o caso da Justiça do Trabalho.
Portanto, a resposta correta é a letra A, pois não há qualquer competência penal atribuída à Justiça do
Trabalho no art. 114 da Constituição.
3. Partes e terceiros
Partes no Processo do Trabalho
Conceito
Pode-se conceituar “parte” como todo aquele que participa do processo, assumindo as prerrogativas e
posições processuais com parcialidade. São conhecidos como autor e réu, em síntese, poderíamos defini-los
como aqueles que pedem a tutela jurisdicional do Estado (autor) e como aquele contra quem é pleiteada a
respectiva tutela e que resiste à tal pretensão (réu). O Direito Processual do Trabalho, dependendo do tipo de
ação, adota denominações diferentes: 
No inquérito judicial (art. 853 da CT) denomina-se “requerente” e “requerido” a autor/réu.
Nos dissídios coletivos, encontramos “suscitante” e “suscitado”.
E principalmente na própria reclamação trabalhista, onde é comum a denominação “reclamante” e
“reclamado”. Isso ocorre em razão da origem administrativa da Justiça do Trabalho. Fato é que essa
última denominação tem sido prestigiada para sublinhar a autonomia do Direito Processual do Trabalho.
Por fim, resta-nos diferenciar o conceito de “partes no processo” e de “partes na demanda”. 
Nem sempre os conceitos coincidem, como é o caso da substituição processual, em que o substituto é parte
em sentido processual, mas não o é em sentido material.
Substituição processual por sindicatos
Compreenda os aspectos importantes da substituição processual por sindicatos.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Substituição processual no Processo do Trabalho
Por substituição processual, temos o instituto jurídico no qual a parte que comparece em juízo (parte em
sentido processual) o faz em nome próprio para defender direito alheio. É prevista expressamente no
parágrafo único do art. 18 do CPC.
A questão mais polêmica na Justiça do Trabalho diz respeito à substituição processual por parte do
sindicato. Depois de uma interpretação mais restritiva, em que se admitia a substituição processual
apenas nos casos do §2º do art. 195 da CLT (OJ 121 da SDI-1, TST), do art. 872, parágrafo único da
CLT, do art. 25 da Lei 8.036/90, vale dizer em hipóteses específicas. 
• 
• 
• 
Sentido material 
Parte em sentido material é aquele que
suscita em nome próprio direito que lhe
pertence, em face do devedor originário da
relação jurídica de direito material.
Sentido processual 
Parte em sentido processual é aquele
que se afigura como sujeito do
processo, mas que não
necessariamente se identifica com os
sujeitos da res in iuditio deducta.
Sindicatos podem atuar em defesa dos trabalhadores
Contudo, o STF, em vários julgados (RE
555-720-AgR, RE 363.860-AgR, RE 210.029,
mandado de injunção 20936), passou a
interpretar o disposto no art. 8º, inciso III da
Constituição de forma ampla.
 
O próprio TST curvou-se ao entendimento do
Excelso Supremo, cancelando o antigo
Enunciado 310 e entendendo que o sindicato
tem plena legitimidade para atuar na defesa
dos interesses da categoria, o que inclui
direitos difusos, coletivos e também individuais,
independentemente de autorização ou lista
(indicação nominal) de substituídos.
Em verdade, a única questão que ainda remanesce diz respeito aos direitos individuais:A legitimidade
extraordinária do sindicato prevista no inciso III do art. 8º da Constituição inclui apenas os direitos
individuais “homogêneos”, ou inclui também a defesa dos direitos individuais “puros” ou
“heterogêneos”?
 
Uma primeira posição entende que apenas os direitos individuais homogêneos (aqueles de origem comum,
com titulares determinados, em que há o predomínio da questão comum sobre as questões individuais)
poderiam ser objeto de substituição processual. Isso porque a missão constitucional e institucional do
sindicato é defender a categoria como um todo, sendo certo que, para a defesa de um único trabalhador, já
existe a figura da representação processual (§1º do art. 791 da CLT) e da assistência judiciária, na qual o
sindicato fornece advogados para postular emjuízo pelo trabalhador.
Manifestação sindical no centro da cidade de São Paulo
Não nos parece ser este o melhor entendimento. A leitura do inciso III do art. 8º da CLT, não deixa dúvida de
que não ocorreu qualquer condicionamento à substituição de direitos individuais homogêneos, classificação,
diga-se de passagem, que só surgiu no ordenamento jurídico com o CDC de 1990.
Nesse sentido, a OJ 359 da SDI-1 do TST aponta para tal posicionamento, pois admite que a ação movida por
sindicato, como substituto processual, interrompe a prescrição de ações individuais pelo trabalhador, ainda
que seja declarada sua ilegitimidade. Por fim, merece ser bem delineada a distinção entre litisconsorte,
substituto processual e representante. Em apertada síntese, podemos explicitar que: 
Litisconsorte
É parte no processo e parte na demanda, que defende interesse próprio, em nome próprio.
• 
Sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília
Substituto processual
É parte no processo, mas não é parte na demanda, que defende interesse alheio, mas em nome
próprio.
Representante processual
Não é parte no processo, nem da demanda, pois fala em nome da parte e defende os seus interesses,
ou seja, comparece no processo em nome alheio para defender interesses do representado (como é o
caso do disposto no art. 793 da CLT).
Capacidade postulatória na Justiça do Trabalho
Costuma-se definir a capacidade postulatória como a aptidão para postular em juízo, ou seja, de fazer
petições ao Estado-Juiz. Para o direito processual civil, a regra é que a capacidade postulatória é privativa do
advogado (art. 1º, Lei nº 8.906/94), mas, no Direito Processual do Trabalho, há regra específica. Diante da
previsão expressa no art. 791 da CLT, empregados e empregadores podem reclamar pessoalmente e
acompanhar suas reclamações até o final. Tal circunstância tem sido conhecida como jus postulandi da parte
e também encontra previsão no art. 4º da Lei 5.584 de 1970. 
Contudo, tal comando seria constitucional, diante do art. 133 da Constituição, que prevê o advogado
como indispensável à administração da justiça? Mesmo do ponto de vista infraconstitucional, tal
dispositivo não violaria o disposto no art. 1º, inciso I da Lei nº 8.906/94 (prevê a postulação a qualquer
órgão do Poder Judiciário como privativa da advocacia)?
Em verdade, a questão já se encontra pacificada pelo STF.
Em vários julgados, desde o paradigmático HC 673902
(julgado em 06 de abril de 1990), passando pelas ADIs
1.127-8 e 3.168, a Corte Suprema já definiu que são
constitucionais as normas especiais que garantam às partes
a prática de atos processuais sem advogado, sendo
perfeitamente compatível com a Lex Maior, o disposto no
art. 791 da CLT.
Registre-se, por fim, que existem algumas limitações ao jus
postulandi, que foram consagradas na Súmula 425 do TST e
no art. 855-B da CLT. Assim, podemos condensar as
exceções nos seguintes casos: 
• 
Caso I
Ações civis aplicáveis ao Direito Processual do Trabalho, regidas pelas normas de origem, como a
ação rescisória e o mandado de segurança (possuem legislação específica que afasta a capacidade
postulatória das partes).
Caso II
Recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho, considerando que, em geral, esses
recursos exigem prequestionamento e um debate jurídico sobre a sentença (princípio da
dialeticidade).
Caso III
Ações de homologação de acordo, pois há a exigência de que ambas as partes estejam assistidas por
advogado nos termos da lei. 
Litisconsórcio e intervenção de terceiros 
Conceitos
O conceito de “terceiro” está diretamente relacionado ao conceito de “parte”. Terceiro é quem não é parte,
logo a intervenção de terceiros pode ser conceituada pelo ingresso na relação processual de quem não é
parte. Já o litisconsórcio é uma das situações em que o esquema mínimo da relação processual é alterado.
Nessa hipótese, há em um processo pluralidade de autores ou de réus. Todas as vezes que, em um processo,
mais de uma pessoa pleiteia em seu favor, a tutela jurisdicional, ou tal tutela é direcionada a mais de um
demandado, tem-se o litisconsórcio. 
Em outras palavras, o litisconsórcio consiste na cumulação subjetiva na relação processual em que
duas ou mais pessoas litigam em conjunto, ativa ou passivamente. Seu objetivo é a busca de
harmonia processual (evitar decisões conflitantes) e a economia processual. 
Vejamos a seguir, as principais hipóteses de litisconsórcio e intervenção de terceiros aplicáveis ao Direito
Processual do Trabalho.
Cabimento das intervenções de terceiro
Vimos que terceiros são sujeitos estranhos à relação jurídica processual, que se tornam partes a partir do
momento em que intervenham no processo. Por certo, releva salientar que o acréscimo de sujeitos ao
processo, em qualquer modalidade de intervenção de terceiros, importa na criação de processo novo, ainda
que o terna mais complexo. Questão importante diz respeito ao cabimento ou não das intervenções previstas
nos arts. 119 a 138 do CPC ao Direito Processual do Trabalho. Basicamente três posições se formaram na
doutrina:
Posição I
A primeira entende pela plena inaplicabilidade das intervenções de terceiro ao Direito Processual do
Trabalho, defendida por Campos Batalha (1995). Os fundamentos residiriam na simplicidade/
informalidade das normas processuais trabalhistas, que repeliriam a complexificação das causas na
seara laboral, mas também a aplicação subsidiária do art. 10 da Lei nº 9.099/95. A intervenção de
terceiros criaria complicadores ao procedimento, que representariam óbices para que o processo se
concentrasse no seu foco central: a efetividade do crédito trabalhista.
Posição II
A segunda posição, defendida por Schiavi (2022), concentra-se na ideia de que apenas no rito
sumaríssimo seria inviável a intervenção de terceiros. Apenas neste rito abreviado, que tem a
peculiaridade de não admitir incidentes processuais que impliquem prolongamento do procedimento
(vide o disposto no art. 852-G da CLT), poder-se-ia rechaçar as intervenções de terceiros. 
Posição III
Contudo, a posição dominante é a de plena aplicabilidade do instituto. Em primeiro lugar, porque o art.
769 da CLT permite a aplicação subsidiária, já que as intervenções de terceiro trazem economia e
celeridade processual, evitam decisões conflitantes e trazem maior efetividade para a legislação
trabalhista, pois alcança mais sujeitos que, originariamente, não seriam alcançados pela coisa julgada,
como regra geral. O que tem se admitido, contudo, é que a intervenção de terceiros seja analisada e
subordinada ao interesse do autor, tendo em vista a utilidade do provimento final de mérito. Nesse
sentido, vários julgados do TST e também o Enunciado 68, da 1ª Jornada de Direito Material e
Processual do Trabalho. 
Assistência
A assistência é uma intervenção ad coadjuvandum, pela qual um terceiro (assistente), integra a relação
processual com o fim de auxiliar uma das partes da demanda (assistido). Divide-se em assistência simples (ou
comum), em que o terceiro é uma espécie de parte auxiliar e assistência adesiva (qualificada ou
litisconsorcial), em que o terceiro intervém porque a sentença tem o condão de influir na relação jurídica entre
ele e o adversário do assistido.
A assistência é perfeitamente compatível com as regras processuais trabalhistas, sendo expressamente
mencionada no art. 896-C, §8º da CLT e admitida pela Súmula 82 do TST. Podemos citar como exemplos de
assistência: 
Exemplo I
A intervenção de empresa sucedida (arts. 10 e
448 da CLT), quando há cláusula de
responsabilização da empresa sucedida em
caso de condenação do sucessor (assistência
simples).
Exemplo II
Sindicato patronal que intervém em uma ação
coletiva movida pelo sindicato dos
trabalhadores em face de empresas
determinadas da categoria econômica
(Precedente RE 550.769 QO/RJ, Informativo
496, STF).
Exemplo III
Empregados que ingressam como assistentes
litisconsorciais em demanda movida pelo
sindicato como substituto processual em face
do empregador (caso de assistência
litisconsorcial).Denunciação da lide
Trata-se de intervenção de terceiros que se constitui em verdadeira ação regressiva in simultaneus processus.
A denunciação da lide em verdade, na metáfora conhecida na doutrina, representa um “enxerto” no processo
de uma nova lide, entre denunciante e denunciado, em torno do direito de garantia ou de regresso do primeiro
em face do segundo. É prevista no art. 125 do CPC. Seria possível a aplicação ao Direito Processual do
Trabalho?
Depois do cancelamento da OJ 227 da SDI-1 do C. TST, a posição dominante passou a ser pela resposta
afirmativa. A doutrina, em geral, aponta como casos possíveis: 
I
Os casos de sucessão trabalhista, em que o sucessor apontado no polo passivo denuncia a lide ao
sucedido (art. 10 e 448 da CLT), quando há, no contrato entre as empresas, cláusula de
responsabilização exclusiva do sucedido, com previsão do direito de regresso.
II
Os casos de responsabilização do empregador por atos de preposto (art. 932, III do Código Civil),
como assédio moral ou sexual, em que o empregador exerce o direito de regresso nos próprios autos
em que o trabalhador assediado postula indenização por danos morais.
III
Os casos em que os agentes de integração são responsáveis civilmente nos contratos de estágio (art.
5º, §3º da Lei nº 11.788/2008).
Contudo, importante ressalva merece ser feita neste particular. A jurisprudência trabalhista tem entendido
que, como o novo CPC não mais declara a perda do direito de regresso quando não efetuada a denunciação
da lide, esta intervenção de terceiros deve ser deferida tendo em vista os interesses dos trabalhadores.
Se o deferimento da intervenção se constituir em óbice para uma rápida solução do litígio, o indeferimento da
denunciação não representará nulidade, já que não há perda do direito de regresso (vide, por exemplo, os
acórdãos proferidos pela 8ª Turma do TST, RR-1440-68.2012.5.22.0003 e 5ª Turma do TST,
RR-3500-16.2006.5.01.0421).
Chamamento ao processo
Trata-se de intervenção prevista no art. 130 do CPC. Constitui-se no ato pelo qual o réu postula a integração
de terceiro ao processo, para que, em caso de procedência, também este terceiro seja condenado e a
sentença lhe seja atribuível como título executivo. Estamos diante, portanto, de intervenção para solidarização
no resultado da demanda. Tal intervenção é aplicável ao Direito Processual do Trabalho?
Existe certo consenso de que os casos do inciso III do art. 130 do CPC, em tese, admitiriam a ampliação
subjetiva da demanda. Assim, poderíamos elencar os seguintes casos: 
Subempreiteira que pode chamar a empreiteira principal (art. 455 da CLT).
Empresas integrantes de um mesmo grupo econômico (art. 2º, §2º da CLT).
O caso previsto no art. 16 da Lei 6.019/74, quando há a falência de empresa de trabalho temporário.
São casos em que os réus poderiam chamar devedores solidários para que também sobre eles incida os
efeitos da coisa julgada.
Amicus curiae
Trata-se do terceiro que, espontaneamente, ou a requerimento (da parte ou de determinado órgão judicial),
intervém no processo com o objetivo de fornecer subsídios ou elementos que possam ajudar o magistrado a
compreender melhor a situação de fato e/ou de direito, de modo a proferir decisão com qualidade mais
acurada. É previsto no art. 138 do CPC.
• 
• 
• 
Comentário
Não é um instituto que seja novidade no direito brasileiro, eis que o art. 31 da Lei nº 6.385/76 ou o art.
118 da Lei nº 12.529/2011 já previam a possibilidade, bem como a de terceiros auxiliarem em processos
administrativos. 
Registre-se que não há qualquer dúvida quanto à aplicabilidade do instituto na seara trabalhista. A Instrução
Normativa 39 de 2016, em seu art. 3º, inciso II, expressamente admitiu a adoção do instituto, sendo certo que
é o juiz quem vai fixar os poderes do amigo da corte (conforme o disposto no art. 138, §2º do CPC). Por fim,
registre-se que também no processo trabalhista, o amicus curiae, no mínimo, terá poderes para: 
Manifestar-se no prazo de 15 dias.
Opor embargos de declaração.
Recorrer nos casos de julgamento de incidente de resolução de demandas repetitiva, que, no nosso
sentir, incluir o julgamento dos recursos de revistas repetitivos pelo TST, por razões lógicas.
Incidente de desconsideração da personalidade jurídica
O incidente de desconsideração da personalidade jurídica (IDPJ) é modalidade de intervenção de terceiros
expressamente prevista na CLT. O art. 855-A da CLT expressamente autoriza a aplicação do disposto no art.
133 a 137 do CPC aos processos trabalhistas. A questão relevante que envolve o IDPJ diz respeito aos
recursos cabíveis em face das decisões proferidas pela Justiça do Trabalho. Se todas as regras
procedimentais previstas no CPC se aplicam na seara laboral, fato é que, nas causas trabalhistas, as regras
recursais são específicas. 
Desse modo, vale salientar que, na fase de conhecimento, a decisão proferida no IDPJ não comporta
recurso, em razão do princípio da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias (§1º do art.
893 da CLT). 
Na fase de execução, o recurso cabível é o agravo de petição, com base no art. 897, “a” da CLT, ainda que se
trate de decisão interlocutória. Já, na fase recursal, cabe agravo interno se proferida pelo relator. Ressalta-se
que a instauração do incidente suspenderá o processo, embora seja possível a concessão de tutela de
urgência de natureza cautelar nos termos do art. 301 do CPC. Em outras palavras, é permitido o arresto/
bloqueio de bens do sócio, mesmo antes da instauração do IDPJ ou de sua decisão final, caso presentes os
requisitos específicos para a concessão da tutela provisória. 
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
O jus postulandi
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
• 
• 
• 
Incidente de desconsideração da personalidade jurídica
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
São exceções ao jus postulandi na Justiça do Trabalho:
A
A apresentação de defesa em audiência trabalhista, o que somente pode ser feito por advogado.
B
A celebração de acordo em demanda trabalhista ajuizada pelo empregado, sem advogado, pois, nesse caso, a
presença de advogado é obrigatória.
C
A apresentação de recurso de revista para o Tribunal Superior do Trabalho.
D
A apresentação de petição nomeando bens à penhora, conforme art. 882 da CLT.
E
O oferecimento de embargos de declaração em face de sentença proferida por juiz de Vara do Trabalho.
A alternativa C está correta.
Nos termos da Súmula 425 do TST, os recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho, como o
recurso de revista, só podem ser oferecidos por advogado. A razão é simples: trata-se de recurso técnico,
de fundamentação vinculada, e a presença de advogado é indispensável para sua elaboração e seu
conhecimento.
Questão 2
O juiz da 18ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro instaurou IDPJ na fase de execução a requerimento do
exequente. Após incluir o sócio da empresa no polo passivo da execução, qual seria o recurso cabível para
que o sócio possa reformar a decisão da 1ª instância?
A
Nenhum recurso seria cabível, ante o princípio da irrecorribilidade das decisões interlocutórias (art. 893, §1º
da CLT).
B
O recurso cabível seria o agravo de instrumento, pois a decisão tem natureza interlocutória.
C
O recurso cabível seria o agravo de petição, já que se trata de uma decisão em execução.
D
O recurso cabível seria o recurso ordinário, considerando que o IDPJ é uma intervenção de terceiros que
implica cognição.
E
Deveria ingressar com embargos à execução após a garantia do juízo.
A alternativa C está correta.
O IDPJ quando decidido na execução, comporta impugnação por agravo de petição, nos termos do art.
855-A, §1º, inciso II da CLT.
4. Conclusão
Considerações finais
Como tivemos a oportunidade de estudar, conhecer os fundamentos do Direito Processual do Trabalho, é de
fundamentalimportância. Tivemos a oportunidade de examinar os princípios fundamentais que regem o
processo trabalhista, bem como a competência da Justiça do Trabalho em seus aspectos mais relevantes. 
Por igual, as circunstâncias que envolvem as partes e os terceiros na Justiça do Trabalho foram objeto de
análise escorreita, possibilitando àqueles que militam na área laboral o pleno domínio dos institutos
apresentados para uma atuação segura e precisa na defesa dos direitos e interesses de trabalhadores e
empregadores. 
Podcast
Para encerrar, ouça mais sobre os princípios fundamentais do Processo do Trabalho, assim como sobre a
eficácia da lei processual trabalhista no tempo e no espaço.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore +
Confira as indicações que separamos especialmente para você!
 
• Pesquise os acórdãos da 8ª Turma do TST, RR-1440-68.2012.5.22.0003 e da 5ª Turma do TST,
RR-3500-16.2006.5.01.0421.
 
• Assista à gravação do julgamento público da ADI 5625 (Lei do Salão Parceiro, Lei nº 13.352/2016) do STF,
disponível no YouTube.
Referências
ALMEIDA, C. L. de. Direito Processual do Trabalho. 7. ed. Salvador: Juspodivm, 2019.
 
BATALHA, W. de S. C. Tratado de Direito Judiciário do Trabalho - volumes I e II. São Paulo: LTr, 1995.
 
BERNARDES, F. Manual de Processo do Trabalho. 4. ed. Salvador: Juspodivm, 2022.
 
CAIRO JR., J. Curso de Direito Processual do Trabalho. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2019.
 
DI PIETRO, M. S. Z. Direito administrativo. 29. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
 
SCHIAVI, M. Manual de Direito Processual do Trabalho. 18. ed. São Paulo: LTr, 2022.
 
SILVA, H. B. M. da S. Curso de Direito do Trabalho Aplicado - volume 9. 3. ed. São Paulo: RT, 2016.
	Teoria Geral do Processo do Trabalho
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Princípios fundamentais do Direito Processual do Trabalho
	A eficácia das normas no tempo e no espaço
	Função informativa
	Função interpretativa
	Função normativa
	Princípios em espécie
	Princípios do processo do trabalho
	Conteúdo interativo
	Princípio da proteção
	I
	II
	III
	Princípio da oralidade
	Princípio da irrecorribilidade imediata
	I
	II
	III
	IV
	V
	Princípio da simplicidade do procedimento
	I
	II
	III
	IV
	Princípio da ampliação dos poderes instrutórios do juiz
	Princípio da conciliação
	Eficácia da norma processual trabalhista no tempo e no espaço
	Vem que eu te explico!
	Eficácia da norma processual trabalhista no tempo
	Conteúdo interativo
	Eficácia da norma processual trabalhista no espaço
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Competência da Justiça do Trabalho
	Competência da Justiça do Trabalho
	Noções preliminares
	Critério objetivo
	Critério funcional ou hierárquico
	Critério territorial
	Competência material da justiça do trabalho
	Conteúdo interativo
	Competência material
	Competência matriz
	Trabalhadores eventuais
	Trabalhadores autônomos
	Trabalhadores domésticos
	Servidores públicos
	Servidores estatutários
	Empregados públicos
	Servidores temporários
	Conflitos sindicais
	Danos morais e patrimoniais
	Execução das contribuições sociais
	Questão I
	Questão II
	Competência penal da Justiça do Trabalho
	Competência territorial da Justiça do Trabalho
	A regra geral
	A exceção do §1º do art. 651 da CLT
	Exemplo
	A exceção do §2º do art. 651 da CLT
	Flexibilização jurisprudencial da regra geral
	Vem que eu te explico!
	Competência territorial
	Conteúdo interativo
	Flexibilização jurisprudencial da regra geral
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Partes e terceiros
	Partes no Processo do Trabalho
	Conceito
	Substituição processual por sindicatos
	Conteúdo interativo
	Substituição processual no Processo do Trabalho
	Litisconsorte
	Substituto processual
	Representante processual
	Capacidade postulatória na Justiça do Trabalho
	Caso I
	Caso II
	Caso III
	Litisconsórcio e intervenção de terceiros
	Conceitos
	Cabimento das intervenções de terceiro
	Posição I
	Posição II
	Posição III
	Assistência
	Exemplo I
	Exemplo II
	Exemplo III
	Denunciação da lide
	I
	II
	III
	Chamamento ao processo
	Amicus curiae
	Comentário
	Incidente de desconsideração da personalidade jurídica
	Vem que eu te explico!
	O jus postulandi
	Conteúdo interativo
	Incidente de desconsideração da personalidade jurídica
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referências

Mais conteúdos dessa disciplina