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Prótese ParcialPrótese Parcial RemovívelRemovível Prótese Parcial Removível GUIA PARA PRÁTICA CLÍNICAGUIA PARA PRÁTICA CLÍNICA ORGANIZADORES: Yasmine Mendes Pupo Carolina Veloso Lima Giselle Emilãine da Silva Reis Thalita de Paris Matos Bronholo ORGANIZADORES: Yasmine Mendes Pupo Carolina Veloso Lima Giselle Emilãine da Silva Reis Thalita de Paris Matos Bronholo2 0 2 6 C U R I T I B A 2 0 2 6 PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL G U I A P A R A P R Á T I C A C L Í N I C A ORGANIZADORES Yasmine Mendes Pupo Carolina Veloso Lima Giselle Emilãine da Silva Reis Thalita de Paris Matos Bronholo CURITIBA, 2026 ORGANIZADORES Yasmine Mendes Pupo Carolina Veloso Lima Giselle Emilãine da Silva Reis Thalita de Paris Matos Bronholo AUTORES Ágatha Larissa Carneiro Schimada Gabriel Eduardo Marcon Gabriela Ruiz de Queiroz Julio César Taffarel Jullyana Mayara Preizner Dezanetti Hermeling Rafaela Landgraf Pierdoná Rafael Augusto Cardoso Diagramação Rafaela Landgraf Pierdoná Revisão Ortográfica Yasmine Mendes Pupo Jessica Mendes Nadal A presente obra tem como objetivo orientar o cirurgião-dentista e o acadêmico de Odontologia no atendimento clínico e na reabilitação de pacientes parcialmente edêntulos por meio da Prótese Parcial Removível (PPR). Na prática atual da Reabilitação Oral, o profissional dispõe de diversas alternativas terapêuticas. Cabe a ele avaliar a melhor conduta, considerando as necessidades e particularidades de cada paciente. Para isso, são indispensáveis o diagnóstico preciso, o planejamento individualizado e a aplicação rigorosa de técnicas odontológicas. Nesse cenário, a PPR destaca-se por restabelecer função, estética e saúde bucal, mantendo-se como a opção mais acessível entre as próteses disponíveis. Ao longo das próximas páginas, abordamos características, classificações, protocolos clínicos e orientações para confecção e manutenção das próteses, sempre com o foco em uma adaptação segura e confortável, ilustrada por casos clínicos. A elaboração deste e-book representa a consolidação de conhecimentos adquiridos durante a formação acadêmica, refletindo um processo contínuo de estudo e dedicação. Este trabalho é, também, fruto da vivência na monitoria e no projeto de voluntariado acadêmico da disciplina — experiências que contribuíram significativamente para o aprofundamento teórico e o aprimoramento das habilidades clínicas e didáticas. Expressamos nossa gratidão a todos os docentes e colaboradores envolvidos, cujo apoio e orientação qualificada foram fundamentais para a construção deste material. Suas contribuições ofereceram não apenas embasamento técnico- científico, mas também o incentivo necessário ao crescimento acadêmico e profissional. Desejamos que esta leitura seja proveitosa e auxilie na excelência do exercício da nossa profissão. Rafaela Landgraf Pierdoná e Profa. Yasmine Mendes Pupo PrefácioPrefácioPrefácio SumárioSumárioSumário 999 888 777 666 555 444 333 222 111 CLASSIFICAÇÃO DOS ARCOS PARCIALMENTE DESDENTADOS EM PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL CLASSIFICAÇÃO DOS ARCOS PARCIALMENTE DESDENTADOS EM PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL Anamnese, exame clínico, exames complementaresAnamnese, exame clínico, exames complementares Moldagem e obtenção de modelos de estudo E TRABALHO Moldagem e obtenção de modelos de estudo E TRABALHO Planejamento em Prótese Parcial Removível: Elementos constituintes da PPR Planejamento em Prótese Parcial Removível: Elementos constituintes da PPR Planejamento em Prótese Parcial Removível: Delineamento e desenho Planejamento em Prótese Parcial Removível: Delineamento e desenho Preparo de dentes, moldagem e obtenção de modelos de trabalho Preparo de dentes, moldagem e obtenção de modelos de trabalho Prova da estrutura metálica, registro intermaxilar e escolha da cor dos dentes Prova da estrutura metálica, registro intermaxilar e escolha da cor dos dentes Prova Funcional e Estética dos DentesProva Funcional e Estética dos Dentes INSTALAÇÃO DA PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL E RECOMENDAÇÕES PARA O PACIENTE INSTALAÇÃO DA PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL E RECOMENDAÇÕES PARA O PACIENTE 666 101010 151515 páginapágina 232323 515151 595959 666666 787878 848484 1.1.1.1. CLASSIFICAÇÃO DOS ARCOS PARCIALMENTE DESDENTADOS EM PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL CLASSIFICAÇÃO DOS ARCOS PARCIALMENTE DESDENTADOS EM PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL CAPÍTULO 1CAPÍTULO 1 CLASSIFICAÇÃO DOS ARCOS PARCIALMENTE DESDENTADOS EM PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL CLASSIFICAÇÃO DOS ARCOS PARCIALMENTE DESDENTADOS EM PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL 777 A prótese parcial removível (PPR) é uma alternativa eficaz para pacientes parcialmente desdentados, uma vez que permite a reintegração das funções orais por meio da substituição dos dentes perdidos. Composta por uma estrutura metálica fundida, oferece suporte para dentes artificiais e contribui para [1, 2, 4]: Restaurar funções essenciais: mastigação, estética e fonética; Prevenir alterações no posicionamento dentário: evita inclinação, migração ou extrusão dos dentes remanescentes; Estabilizar dentes enfraquecidos: especialmente útil em dentes com restaurações extensas ou pinos intrarradiculares; Manter o equilíbrio do sistema estomatognático: promovendo harmonia muscular e esquelética; Além das características funcionais, as próteses parciais devem apresentar estética, conforto e facilidade de manutenção, mantendo essas qualidades ao longo de todo o seu período útil e a um baixo custo, quando comparadas às outras modalidades protéticas [1]. Requisitos biomecânicos da PPR: É através dos requisitos biomecânicos da PPR que se garante a eficácia e o conforto durante o uso, sendo eles [1]: Retenção: resistência às forças de tração exercidas sobre a PPR durante a mastigação, impedindo seu deslocamento no sentido gengivo-oclusal; Suporte: resistência às forças oclusais que incidem na PPR durante a mastigação, impedindo a intrusão da prótese no sentido ocluso-gengival. Estabilidade: resistência às forças horizontais e de rotação que atuam sobre PPR. Passividade: a PPR não deve exercer força nos dentes remanescentes, de modo que não provoque movimentação dentária. Reciprocidade: durante a inserção e remoção da PPR, o grampo de oposição oferece resistência ao grampo de retenção, o que impede a movimentação do dente pilar. Esse requisito é baseado no princípio de compensação de forças iguais em sentidos opostos. Classificação dos arcos parcialmente desdentados: A classificação proposta por Kennedy cumpre função didática, sistematizando o planejamento do tratamento e facilitando a comunicação entre os profissionais da área. Ela permite identificar rapidamente o tipo de arco parcialmente desdentado, distinguindo as próteses dento-suportadas, que se apoiam exclusivamente em dentes, das próteses dento- muco-suportadas, que utilizam tanto de dentes quanto de tecidos moles como suporte. Além disso, a classificação de Kennedy fornece uma base biomecânica sólida para o planejamento protético, servindo como uma ferramenta prática e lógica para categorizar diferentes situações clínicas e orientar a escolha da melhor abordagem reabilitadora [3,5]. Capítulo 1Capítulo 1Capítulo 1 Classificação da PPR quanto ao suporte [1,2]: Dento-suportadas: a PPR é sustentada exclusivamente por dentes pilares localizados tanto na parte anterior quanto posterior ao espaço desdentado. Esse tipo de prótese oferece excelente estabilidade e apresenta bom prognóstico. Dento-muco-suportadas: a PPR é sustentada por um dente pilar localizado apenas na região anterior ao espaço desdentado e pelo tecido mucoso na região posterior. A ausência de suporte dentário posterior aumenta a tendência de rotação da prótese durante a função. Essa configuração também ocorre em casos em que o paciente perdeu vários dentes anteriores ou posteriores, mantendo apenas os molares como suporte dentário, tornando o tecido mucosopois a maior movimentação da prótese resultaria na sobrecarga do periodonto de suporte dos dentes pilares, lesão ao rebordo residual e esmagamento da mucosa. Além disso, essa característica corrobora para restringir os movimentos indesejáveis da prótese, favorecendo sua estabilidade quando em função. Ademais, seu planejamento deve respeitar os desafios atômicos presentes na cavidade oral, como tecidos moles (freios, bridas) e proeminências ósseas (tórus inoperável ou uma junção palatina mediana elevada), que possam vir a causar desconforto ou machucar o paciente durante a função, inserção e remoção da prótese. Para isso, devem ser respeitadas margens de segurança específicas para cada arcada, tais quais: Arcada inferior: A estrutura metálica deve ficar à 4 mm de distância da gengiva marginal livre, assim como, deve haver um alívio entre ela e a mucosa. Arcada superior: Deve estar em contato íntimo com a estrutura metálica, e a uma distância de 6mm da margem gengival. Conectores maiores maxilares: Cinta palatina anteroposterior ou dupla [3,8]: A cinta palatina anteroposterior é constituída por barras metálicas dispostas nas regiões anterior e posterior do palato, interligadas lateralmente por duas hastes verticais, formando uma estrutura rígida com um alívio no centro, resultando uma conformação semelhante a um trapézio. Esse tipo de conector maior apresenta elevada rigidez estrutural, apesar de sua espessura relativamente reduzida, em virtude da distribuição horizontal das barras. 424242 Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 FIGURA 42: Conector maior palatino em forma de “U”, essa configuração permite menor cobertura do palato, proporcionando maior conforto ao paciente, porém com menor rigidez quando comparado a outros conectores palatinos. Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR, cedido por Frank Kaiser. Conector Palatino em forma de “U" [7,9]: A barra palatina em "U" apresenta baixa rigidez, composto por uma barra anterior e duas extensões laterais em forma de fita, posicionadas aproximadamente de 5,0 a 6,0 mm da margem gengival. Sua indicação prevê casos de espaços intercalados anteriores (Classe IV) e pequenos espaços posteriores (Classe III). No entanto, possui algumas limitações, sobretudo relacionadas à sua baixa rigidez estrutural. Essa característica pode favorecer a flexão lateral da prótese, gerando forças indesejadas sobre os dentes pilares. Além disso, seu desenho não proporciona suporte adequado, podendo resultar em trauma nos tecidos palatinos. A tentativa de aumentar a rigidez por meio do aumento de volume da estrutura metálica pode ainda interferir na função da língua, comprometendo o conforto do paciente. Dessa forma, a maioria das barras em "U" não atende plenamente às condições necessárias para evitar irritação gengival e trauma periodontal. Ainda assim, apesar de suas limitações, podem se apresentar como uma alternativa em casos de tórus palatino inoperável, nos quais outros conectores maiores não podem ser empregues. Cinta Palatina Simples [7,9]: A cinta palatina simples apresenta um formato semelhante a uma fita ao longo de toda a sua extensão. Trata-se de um conector maior relativamente pouco rígido, motivo pelo qual, para compensar sua menor espessura, sua largura costuma ser aumentada. Além disso, o orifício central permite uma menor cobertura da mucosa palatina, favorecendo o conforto do paciente e preservando maior área de tecido palatino livre. Pode ser indicada para a maioria das Classes de Kennedy (I, II e IV), sobretudo quando se deseje boa rigidez associada a uma menor cobertura do palato. No entanto, é contraindicada em casos de tórus palatino que se estenda em direção ao palato mole, situação essa em que a adaptação da barra posterior pode ser comprometida. 434343 Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 FIGURA 43: Conector maior palatino do tipo barra palatina simples, caracterizado por sua forma estreita. Proporciona rigidez e conexão entre os componentes da prótese, sendo indicado em casos com espaços edêntulos reduzidos. Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR, cedido por Frank Kaiser. Placa Palatina [7,9]: Trata-se de um conector maior que recobre completamente o palato, proporcionando excelente suporte e elevada rigidez estrutural, com adequada transmissão e distribuição das forças mastigatórias. É especialmente indicada em situações em que há poucos dentes remanescentes, distribuição desfavorável de dentes na arcada ou presença de sequelas periodontais. A placa pode ser confeccionada inteiramente de metal ou na forma metaloplástica. Nesta última, a estrutura metálica é recoberta por resina acrílica, o que possibilita a realização de reembasamento quando necessário. Uma de suas principais vantagens é a possibilidade de confecção de uma placa metálica delgada, capaz de replicar com precisão os contornos anatômicos do palato. Além disso, sua espessura uniforme costuma ser bem tolerada pela língua e pelos tecidos subjacentes, favorecendo uma boa adaptação. A anatomia corrugada da estrutura metálica confere rigidez à peça, permitindo que seja fina, porém resistente. As irregularidades superficiais são intencionais, exigindo apenas polimento eletrolítico, o que preserva sua espessura original. Sua principal indicação ocorre em casos de Classe III de Kennedy, especialmente quando há espaços protéticos intercalados dentossuportados de pequena extensão. Em virtude de sua menor rigidez, a prótese tende a se tornar excessivamente flexível quando muito delgada ou, por outro lado, volumosa quando se aumenta sua largura a fim de compensar essa limitação, o que pode resultar em desconforto para a língua do paciente. Assim, para sua seleção, deve-se considerar a extensão das áreas de suporte da prótese, bem como o volume da porção metálica, de modo que, com um única estrutura de ligação, seja possível obter rigidez adequada sem comprometer o conforto. Por essas características, seu uso acaba sendo restrito na prática clínica. 444444 Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 FIGURA 44: Conector maior palatino do tipo placa palatina, caracterizado por ampla cobertura, proporcionando elevada rigidez e melhor distribuição das forças mastigatórias sobre os dentes remanescentes e de suporte. Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR, cedido por Frank Kaiser. Conectores maiores mandibulares: Barra lingual [1,3,6,7]: A barra lingual apresenta um formato de meia-pêra, de modo que, próxima à margem gengival, sua porção superior seja mais afilada e, à medida que se aproxima do assoalho bucal, torna-se progressivamente mais larga. Trata-se da opção preferencial dentre os conectores maiores mandibulares, tendo em vista sua versatilidade, podendo ser indicada para todas as Classes de Kennedy. No entanto, sua principal limitação está associada ao espaço vertical mínimo necessário para sua instalação. Para sua correta indicação, é necessário haver uma distância ideal de aproximadamente 9 mm entre a gengiva marginal livre e o fundo da região sublingual. A Mensuração desse espaço considera: 3 a 4 mm entre gengival marginal livre e o início do conector maior; 4 a 5 mm correspondentes à largura da barra lingual; 1mm de alívio entre o término da estrutura metálica e a mucosa do assoalho bucal. A borda superior da barra, afilada em direção ao tecido, reduz a interferência da língua, tornando o conjunto mais confortável e aumentando sua aceitabilidade. Além disso, a margem de segurança inferior é mantida a fim de evitar que o conector lesione o paciente durante os movimentos de inserção e remoção da prótese. O contato íntimo do metal com os tecidos palatinos gera uma tensão superficial que contribui para o aumento da retenção da prótese, auxiliando na resistência às forças de deslocamento, como forças de tração, ação dos tecidos moles, gravidadee até movimentos involuntários, como tosse ou espirros. Dessa forma, a retenção da prótese é proporcional à área da base em contato com os tecidos de suporte. Placa lingual [3,5,7,8,14]: A placa lingual é indicada nos casos em que o espaço entre a margem gengival e o assoalho bucal é reduzido, isto é, inferior ao mínimo necessário para a instalação de uma barra lingual. Também pode ser recomendada quando o freio lingual apresenta inserção alta, dificultando a adaptação adequada desse conector menor. Ademais, sua indicação contempla casos de Classe I de Kennedy em que o rebordo residual se encontra excessivamente reabsorvido, contribuindo para uma maior estabilização da prótese. Pode ainda ser utilizada em dentes com comprometimento periodontal, uma vez que possibilita a participação de um maior número de dentes na dissipação e distribuição das forças mastigatórias. Além disso, situações nas quais se prevê futuras substituições de dentes anteriores, permitindo a adaptação de novos dentes artificiais à prótese, sua escolha também pode ser adequada A placa lingual deve ser confeccionada o mais delgada possível, respeitando os contornos das faces linguais dos dentes com os quais entra em contato, resultando em uma margem superior esculpida que acompanha a anatomia dental. 454545 Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 FIGURA 45: Conector maior do tipo barra lingual, apresenta-se no formato alongado e estreito. Proporciona união entre os componentes da prótese com mínima cobertor tecidual. Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. FIGURAS 46 e 47: Conector maior do tipo placa lingual, caracterizado por sua extensão sobre as superfícies fundidos dos dentes e rebordo alveolar, proporcionando elevada rigidez e estabilização da prótese. Fonte: Caso clínico da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Conectores menores [7,9]: Os conectores menores são com estruturas rígidas fundamentais da PPR, responsáveis por unir o conector maior aos demais elementos da prótese. Além disso, atuam na transmissão das forças mastigatórias aos dentes pilares e auxiliam na estabilidade e no correto posicionamento da prótese durante sua inserção e remoção. Quando em contato com o plano-guia, o conector menor passa a integrar o conjunto do grampo, podendo estar associado ou não à estabilização lingual. São geralmente posicionados na região de ameia, entre os dentes adjacentes. De modo geral, apresentam formato triangular, configuração essa compatível com a forma da ameia interdental. Dessa forma, o conector menor se interpõe nesse espaço, apresentando maior largura no sentido vestíbulo-lingual e menor dimensão no sentido mésio-distal, o que contribui para minimizar a interferência com os dentes adjacentes e favorecer a rigidez da estrutura. Ademais, sua porção que atravessa a ameia apresenta-se afilada, o que favorece a acomodação da língua e a redução do volume da estrutura metálica. A junção entre ambos os conectores deve formar um ângulo de aproximadamente 90°, assegurando melhor adaptação do conjunto e contribuído para a preservação da anatomia do palato. A localização dessa união deve ser cuidadosamente planejada, levando em consideração também o posicionamento dos dentes artificiais. Os apoios teciduais, que fazem parte dos conectores menores, são desenhados para auxiliar na retenção das bases de resina acrílica, fornecendo estabilidade à armação metálica durante as etapas laboratoriais de transferência e processamento, além de ajudar a prevenir a distorções da armação durante a confecção da prótese. 464646 Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 FIGURA 48: Conector menor, interligando os demais componentes da prótese ao conector maior. Nesta imagem, observa-se sua adaptação precisa às superfícies dentárias, acompanhando o contorno proximal e respeitando os planos guia, o que contribui para a estabilidade, retenção e reciprocidade do conjunto protético. Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Sela [5,7,9]: A sela corresponde à porção da PPR que suporta os dentes artificiais e repousa sobre o rebordo residual. Esse componente é responsável por preencher o espaço protético e restaurar os tecidos perdidos em decorrência do edentulismo. Sua função pode variar conforme o tipo de próteses: Próteses dentossuportadas: a sela atua principalmente no preenchimento do espaço protético e na reposição dos dentes artificiais, contribuindo para a estética, para a transmissão das forças mastigatórias às estruturas de suporte, sobretudo os dentes pilares, manutenção do espaço, além de evitar a migração vertical e horizontal dos dentes naturais remanescentes. Próteses de extremidade livre: além das funções que compartilha com as próteses dentossuportadas, a sela desempenha papel importante no suporte sobre o rebordo residual, contribuindo para a distribuição das forças mastigatórias e para a estimulação funcional dos tecidos subjacentes, o que auxilia na manutenção do rebordo e na redução da reabsorção por desuso. Nesses casos, é fundamental que haja uma adaptação precisa à área basal, a fim de eliminar retenções alimentares indesejadas, melhorar o suporte e retenção, minimizar movimentos funcionais e aprimorar a estabilidade por meio da ampliação da área de superfície de contato. Recomenda-se que a sela apresente máxima extensão dentro dos limites funcionais do rebordo residual, a fim de aumentar a área de suporte e promover melhor distribuição das forças mastigatórias. As selas podem ser metálicas ou metaloplásticas, sendo estas últimas as mais utilizadas. As selas metaloplásticas apresentam boa estética, menor custo e permitem reembasamento, uma vez que são recobertas por resina acrílica. Além disso, sua configuração vazada, permite que a resina acrílica extravase através da estrutura metálica, promovendo embricamento mecânico entre os materiais. As selas metálicas, por sua vez, são indicadas principalmente em situações de espaço interoclusal reduzido e quando há pouca reabsorção óssea do rebordo residual. Falhas nas próteses parciais removíveis podem ocorrer quando há cobertura inadequada da área basal ou moldagem funcional incorreta, resultando em um registro impreciso dessa região e comprometendo o suporte e a estabilidade da prótese. 474747 Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 FIGURA 49: A sela protética corresponde à área da prótese parcial removível destinada ao suporte dos dentes artificiais e à reposição dos tecidos perdidos. Nesta imagem, observa-se sua extensão e íntima adaptação ao rebordo residual, proporcionando adequada distribuição de cargas mastigatórias, além de contribuir para a estabilidade e o suporte da prótese. Fonte: Caso clínico da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR Dentes artificiais [9-13]: Os dentes artificiais desempenham um papel fundamental na restauração da estética e da função mastigatória das próteses parciais removíveis. Os dentes posteriores são responsáveis principalmente por restabelecer a capacidade mastigatória e contribuir para a manutenção da dimensão vertical de oclusão (DVO). Já os dentes anteriores possuem papel predominante na estética e na fonética, além de também participarem da função mastigatória. Em geral, os dentes artificiais são pré-fabricados e podem ser confeccionados em porcelana ou resina acrílica. A porcelana oferece maior resistência ao desgaste, porém possui desvantagens, como a ausência de união química com a base de resina acrílica da prótese e a possibilidade de produção de ruídos durante a mastigação. Os dentes de resina acrílica, atualmente os mais utilizados, passaram importantes melhorias ao longo dos anos. A introdução no mercado de resinas com cadeias poliméricas entrelaçadas e a incorporação de partículas inorgânicas aumentaram sua resistência e dureza. Entretanto, essas modificações comprometeram sua a adesão à baseacrílica da prótese. Além disso, avanços na incorporação de pigmentos e efeitos ópticos tornaram esses dentes esteticamente mais semelhantes aos dentes naturais. Quanto à morfologia oclusal, os dentes posteriores variam quanto à inclinação das cúspides (33º, 20º e 0º), característica essa que impacta diretamente na eficiência mastigatória e na estabilidade. De modo geral, quanto maior a inclinação das cúspides, maior a eficiência mastigatória, porém também ocorre o aumento das forças oblíquas, o que pode afetar a estabilidade da PPR em determinadas situações clínicas. Dessa forma, a escolha do tipo de dente artificial deve considerar não apenas fatores estéticos, mas também as condições oclusais e o tipo de suporte protético. 484848 Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 FIGURA 50 e 51: Os dentes artificiais desempenham papel fundamental na reabilitação com prótese parcial removível, restabelecendo estética, função mastigatória e suporte aos tecidos periorais. Na imagem, observa-se sua adequada forma, posicionamento e integração com os demais componentes da prótese, favorecendo a harmonia oclusal e a eficiência funcional do conjunto protético. Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR Conclusão: Em resumo, compreender os componentes da prótese parcial removível é fundamental para planejar e confeccionar uma prótese funcional, estável e esteticamente harmoniosa. Cada elemento apresenta características específicas e desempenha papéis complementares na retenção, suporte e distribuição de forças, e a correta identificação e aplicação desses componentes garante não apenas a adaptação adequada ao rebordo residual, mas também o conforto e a preservação tecidual do paciente. Dominar esses conceitos é essencial para que o estudante ou profissional possa executar com segurança e previsibilidade todas as etapas da reabilitação protética. Referências: 1. CARREIRO, A. F. P.; BATISTA, A. U. Prótese parcial removível contemporânea. São Paulo: Santos, 2013. 2. TODESCAN, R.; SILVA, E. E. B.; SILVA, O. J. Atlas de prótese parcial removível. São Paulo: Santos, 1998. 3. MCGIVNEY, G. P.; CASTLEBERRY, D. J. McCraken's removable partial prosthodontics. 9. ed. St. Louis: Mosby, 1995. 4. VERGANI, C. E. et al. Planejamento de arcos parcialmente desdentados. Araraquara: Faculdade de Odontologia, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, 2000. 23 p. Apostila da disciplina de Prótese Parcial Removível. 5. KLIEMANN, C.; OLIVEIRA, W. Manual de prótese parcial removível. 1. ed. São Paulo: Santos, 2002. 6. DEFRANCO, R. L. Designing removable partial dentures. Dent Clin North Amer, [S. l.], v. 28, n. 2, p. 307-325, 1984. 7. MCCRACKEN, E. W. Prótese parcial removível. 12. ed. São Paulo: Santos, 2016. 8. PHOENIX, R. D.; CAGNA, D. R.; DEFREEST, C. F. Prótese parcial removível: clínica de Stewart. 3. ed. São Paulo: Quintessence, 2007. 9. CARREIRO, Adriana da Fonte Porto; BATISTA, André Ulisses Dantas. Prótese parcial removível contemporânea. São Paulo: Santos, 2013. (Nota: Esta referência é exatamente o mesmo livro da número 1, apenas com os nomes por extenso). 10. LOYAGA-RENDON, P. G. et al. Compositional characteristics and hardness of acrylic and composite resin artificial teeth. J Prosthet Dent, [S. l.], v. 98, p. 14-19, 2007. 11. CRAIG, R. G. Restorative dental materials. 10. ed. St. Louis: Mosby, 1996. 12. HIRANO, S. et al. In vitro wear of resin denture teeth. J Prosthet Dent, [S. l.], v. 79, p. 152- 155, 1998. 13. REIS, K. V. Avaliação da microdureza superficial Knoop e da resistência ao desgaste de dentes artificiais de resina acrílica. 2005. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo, Bauru, 2005. 14. AKALTAN, F.; KAYNAK, D. An evaluation of the effects of two distal extension removable partial denture designs on tooth stabilization and periodontal health. Journal of Oral Rehabilitation, Oxford, v. 32, n. 11, p. 823-829, nov. 2005. 15. HENDERSON, D.; STEFFEL, V. Apoios e descansos. In: HENDERSON, D.; STEFFEL, V. Prótese parcial removível segundo McCraken. 8. ed. [S. l.]: Artes Médicas, 1994. cap. 5, p. 40-49. 16. KAISER, F. Prótese parcial removível definição. [S. l.: s. n., 20--?]. Disponível em: https://gustavocosenza.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/08/ppr-frank-kaiser.pdf. 494949 Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 https://gustavocosenza.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/08/ppr-frank-kaiser.pdf 17. DE ANDRADE WALDEMARIN GUILHERME BRIÃO CAMACHO, RF PROTESE PARCIAL REMOVÍVEL – SISTEMA DE RETENÇÃO I . Disponível em: . Acesso em: 24 fev. 2025. 18.DI FIORE, Sérgio R.; DI FIORE, Marco Antônio; DI FIORE, Ana Paula. Atlas de prótese parcial removível: princípios biomecânicos, bioprotéticos e de oclusão. São Paulo: Santos, 2010. 505050 Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 5.5.5.5. Planejamento em Prótese Parcial Removível: Delineamento e desenho Planejamento em Prótese Parcial Removível: Delineamento e desenho CAPÍTULO 5CAPÍTULO 5 Planejamento em Prótese Parcial Removível: Delineamento e desenho Planejamento em Prótese Parcial Removível: Delineamento e desenho 525252 Após a confirmação das condições de saúde bucal do paciente, com ausência de patologias e com os tecidos de suporte íntegros, inicia-se o planejamento da PPR. O objetivo dessa etapa é assegurar que a prótese possa ser inserida e removida sem causar danos ao sistema de suporte, mantendo-se estável durante o uso e garantindo, assim, seu sucesso funcional. Para isso, é necessário determinar um passo único de inserção e remoção (P.I.R), definido por meio do delineamento do modelo de estudo. Esse procedimento diagnóstico permite avaliar a forma e o contorno dos dentes pilares e dos tecidos adjacentes, possibilitando o planejamento dos preparos necessários, como planos-guia, áreas retentivas, desgastes compensatórios, equador protético e nichos [1]. O instrumento utilizado para o delineamento é o delineador, também conhecido como paralelômetro, tangenciômetro, paralelímetro ou paralelígrafo. Ele é empregado desde as fases iniciais, como exame e diagnóstico, até etapas mais complexas, como fresagem e posicionamento de encaixes. Neste capítulo, serão abordados o uso do delineador no planejamento e execução dos preparos bucais necessários, bem como a técnica de execução e o registro do passo de inserção e remoção da PPR [1,3]. Materiais utilizados no delineamento e planejamento [1]: Modelos de Estudo: secos, recortados, sem nódulos e excessos de gesso que impeçam a oclusão; Lapiseira; Grafites 0,7mm, preto e vermelho; Esculpidor Lecron; Faca para gesso; Micro-motor com contra-ângulo e alta rotação; Adaptador de brocas de alta para baixa rotação; Brocas para PPR; Informações clínicas coletadas e observadas; Exames radiográficos, quando disponíveis; Delineador. Delineador [1]: O delineador é um instrumento utilizado para analisar o paralelismo entre superfícies em modelos odontológicos. Ele permite identificar áreas de retenção, equador protético e os planos-guia nos dentes pilares, auxiliando de forma precisa no planejamento e execução da PPR. Por meio dele, é possível ajustar o passo de inserção e remoção da prótese, assegurando funcionalidade, estabilidade, e adequada adaptação ao sistema de suporte. Componentes do Delineador Os delineadores são constituídos por duas partes principais: o delineador propriamente dito e a platina. Delineador Propriamente Dito [1]: Plataforma Horizontal: base onde estão conectadas as hastes do instrumento; Haste Vertical Imóvel: fixada à base do delineador; Haste Horizontal: articulada à haste vertical fixa, permitindo apenas movimentos rotacionais horizontais; Haste Vertical Móvel: movimenta-se verticalmente em torno de seu eixo e possui um mandril, no qual são presas as pontas de trabalho.As pontas utilizadas na haste móvel podem apresentar diferentes finalidades: Ponta de grafite: utilizada para a delimitação do equador protético; Pontas calibradoras: selecionadas conforme a preparação dentária, o material protético e as forças mastigatórias envolvidas. 0,25 mm: a mais utilizada, uma vez que oferece precisão e retenção adequadas dentro dos limites de tolerância biológica do dente. Também é a preferida na prática clínica em virtude de sua versatilidade e compatibilidade com a flexibilidade da liga de Cobalto-Cromo (CoCr), amplamente utilizado em próteses. 0,5 mm: indicado para casos que exigem um equilíbrio entre retenção e resistência, sendo adequado para próteses com ligas áureas. 0,75 mm: recomendada em situações que demandam maior retenção, como preparações extensas ou cargas mastigatórias elevadas, sendo frequentemente utilizada no planejamento de PPR provisórias confeccionada com fios ortodônticos. Ponta de corte (faca): empregada na avaliação de planos-guia e na fresagem de coroas. Platina [1]: Base da Platina: parte que se apoia na plataforma do delineador. Mesa Porta-Modelo: superfície onde o modelo de gesso é fixado. Junta Universal: articulação que conecta a base da platina à mesa porta-modelo, permitindo ajustes na inclinação e posição do modelo em relação à haste vertical do delineador. Esses ajustes sao fundamentais para a determinação do passo de inserção e remoção da PPR. Capítulo 5Capítulo 5Capítulo 5 535353 FIGURAS 1 e 2: Visão geral do delineador, evidenciando o instrumento propriamente dito e a Platina Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Funções e Aplicações do Delineador: O delineador é instrumento essencial no planejamento de PPR, pois permite determinar [1-3]: Equador protético: linha traçada ao redor do dente que separa as áreas retentivas, responsáveis pela manutenção da prótese em posição, das expulsivas. Passo de inserção e remoção (P.I.R.): trajetória única pela qual a prótese deverá ser inserida e retirada da cavidade bucal, sem interferências e sem causar danos aos tecidos. Identificação de superfícies para planos-guia: áreas dentárias que serão ajustadas para orientar o eixo de inserção da prótese. Equador Protético [1,2] Delinear o equador protético consiste em traçar uma linha circunferencial ao redor do dente que delimita e diferencia as regiões retentivas daquelas não retentivas. Essa linha não representa uma medida estática, uma vez que sua localização depende da posição espacial e inclinação do dente no arco. Assim, se o elemento dentário não estiver perfeitamente vertical ou apresentar inclinações, o equador se ajusta à nova posição, modificando a distribuição das áreas expulsivas e retentivas. Essa variação pode exigir adaptações no planejamento da PPR, incluindo modificações na seleção, posicionamento e desenho dos grampos, bem como na determinação do passo de inserção e remoção. Portanto, equador protético e anatômico não são conceitos que se equivalem. O equador protético é uma referência dinâmica, determinada pelo delineamento e sujeita a variações conforme o posicionamento do dente no arco. Já o equador anatômico corresponde à maior circunferência do dente isolado, constituindo uma referência anatômica fixa e intrínseca ao elemento dentário. Capítulo 5Capítulo 5Capítulo 5 545454 FIGURA 3: Conjunto de pontas utilizadas no delineamento: pontas de corte, pontas calibradoras e a ponta grafite Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Passo de inserção e remoção [1,2]: O passo de inserção de uma PPR corresponde ao percurso realizado pela estrutura metálica da prótese desde o primeiro contato com os dentes pilares até o seu o assentamento final. O passo de remoção refere-se ao mesmo trajeto, porém no sentido inverso. Para estabelecer o passo ideal, considera-se inicialmente uma trajetória perpendicular ao plano oclusal, também chamada de trajetória de inclinação zero. A técnica de Roach, também conhecida como a técnica dos 3 pontos, é um dos métodos mais utilizados para definir o plano oclusal. Nela, identificam-se três pontos no modelo: um anterior e dois posteriores, formando aproximadamente um triângulo equilátero. Na prática, utiliza-se um nível, apoiado simultaneamente em todos os pontos, para garantir que todos fiquem na mesma altura. Assim, o plano formado fica nivelado de modo que, ao usar o nível, o plano fique em zero. Com a base da platina posicionada conforme o plano de referência, torna-se possível determinar a orientação de entrada e saída da prótese, assegurando que seu assentamento e remoção ocorram de forma suava e sem interferências. Capítulo 5Capítulo 5Capítulo 5 555555 FIGURA 4 e 5: Demarcação do equador protético utilizando o corpo da ponta grafite, que deve tangenciar as superfícies axiais dos dentes pilares, identificando apenas a região de maior circunferência Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. FIGURA 6: Três pontos definidos e unidos, formando um triângulo equilátero, conforme preconiza a Técnica de Roach Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. FIGURA 7: Nivelamento da platina, ajudada em zero, estabelecendo o plano de referencia a partir do qual será definido o P.I.R, perpendicular a esse plano Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Quando os dentes remanescentes apresentam uma inclinação normal em relação ao plano oclusal, a trajetória perpendicular costuma ser adequada. Entretanto, em arcadas parcialmente edêntulas, onde os dentes exibem inclinações anormais ou giroversões, ajustes tornam-se necessários. O objetivo é minimizar intervenções nos dentes pilares e estabelecer uma trajetória funcional que favoreça a inserção, o assentamento e a estabilidade da prótese. Planos-Guia [1]: Os planos-guia correspondem às superfícies dos dentes pilares, geralmente paredes axiais, preparadas para permanecerem paralelas à trajetória de inserção e remoção da prótese. Idealmente, apresentam entre 2 a 4 mm de altura e devem estar localizados nos terços médio e oclusal. Quanto maior o número de planos-guia, mais suave e eficiente tende a ser o assentamento. Caso não haja planos-guia naturais, com paredes axiais já alinhadas, é possível prepará- los, desde que desgaste seja criterioso e conservador, evitando a remoção excessiva de estrutura dentária sadia, o que poderia comprometer a saúde do dente. Em determinadas situações, inclinar levemente o modelo pode favorecer o paralelismo entre as paredes axiais, otimizando o número de planos-guias naturais disponíveis. Área Retentiva [1,3} A área retentiva de um dente pilar é a região responsável pela manutenção da prótese em posição, impedindo sua movimentação. Ela é determinada pelo traçado do equador protético. A correta delimitação da área retentiva é essencial para o posicionamento da ponta ativa dos grampos. Para isso, utiliza-se a ponta calibradora de 0,25 mm, que respeita os limites biológicos do dente, evita danos por forças laterais, e apresenta compatibilidade com a flexibilidade da liga de Cobalto-Cromo (CoCr), frequentemente empregada em PPR. A retenção ideal dependerá do ângulo formado entre o braço do grampo e a parede dentária, devendo ser ajustada para assegurar um funcionamento adequado e previsível. Capítulo 5Capítulo 5Capítulo 5 565656 FIGURA 8: Demarcação das áreas retentivas utilizando a ponta calibradora em liga Co-Cr. A ponta é posicionada em tangência às superfícies axiais dos dentes pilares. O ângulo formado entre a superfície do dente e a ponta reflete o grau de retenção, isto é, quanto maior sua amplitude, mais acentuada a área retentiva. Essa medida irá orientar a necessidade de desgastes compensatórios Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Interferências [1]: Durante o delineamento, podem surgirinterferências no P.I.R devido a particularidades anatômicas. Tórus mandibulares ou exostoses, por exemplo, podem dificultar a colocação da prótese e exigir ajustes na trajetória. Da mesma forma, áreas de tecidos moles, como a vertente vestibular do rebordo residual, também podem gerar obstáculos à inserção. Nessas situações, pequenas modificações podem ser necessárias para superar essas barreiras e garantir o conforto e a eficácia da prótese. Estética [1,3]: A estética é outro fator determinante na escolha da trajetória. Embora grampos de retenção extracoronários nem sempre ofereçam o melhor resultado estético, o impacto visual pode ser minimizado posicionando-os de forma estratégica e, preferencialmente em regiões menos visíveis, como porções posteriores dos dentes. Dessa forma, busca-se manter um equilíbrio entre a retenção adequada, função e harmonia do sorriso. Registro da Trajetória: Uma vez determinado o passo de inserção e remoção ideal, é essencial registrá-lo para garantir que, em futuros ajustes ou reposicionamentos do modelo de estudo, a trajetória possa ser fielmente reproduzida. O registro pode ser feito de várias maneiras, uma das formas mais simples é traçando riscos de grafite com o delineador na base do modelo. Capítulo 5Capítulo 5Capítulo 5 575757 Desenho da estrutura metálica da PPR [1-3]: O desenho da PPR no modelo de estudo é uma etapa fundamental, pois é ele que define a adaptação anatômica precisa da estrutura metálica, garantindo funcionalidade, conforto e distribuição equilibrada das forças mastigatórias. Esse esboço inicial, sem dentes ou gengiva artificiais, permite antecipar os desafios técnicos, evitar sobrecargas nos dentes pilares e assegura que a prótese final se adapte às necessidades individuais do paciente. Quando essa fase não é executada com precisão, elevam-se as chances de desajustes, perda de retenção e, consequentemente, o comprometimento do resultado final. Não existe apenas uma única conformação correta de desenho, visto que a mesma configuração de arco pode permitir diferentes alternativas estruturais. Essa variabilidade é possível graças à ampla gama de componentes e combinações disponíveis, desde que sejam respeitados os requisitos biomecânicos. É imprescindível que o registro seja realizado no modelo de estudo, preservando sua integridade. O abrasionamento do modelo pode gerar discrepâncias dimensionais que podem resultar na desaptação em boca da estrutura metálica. FIGURA 9: Utilizando uma das pontas de corte, são feitas pequenas marcações ao redor do modelo de gesso, para registar sua posição exata no delineador, o que permite a reprodução da mesma inclinação em diferentes momentos Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Funções do Desenho: Registrar o plano de tratamento; Orientar o preparo da boca; Estabelecer uma comunicação clara e objetiva com o laboratório. Sequência do desenho da PPR: 1. Apoio; 2. Conector Maior; 3. Conector Menor; 4. Sela; 5. Retentores; Capítulo 5Capítulo 5Capítulo 5 585858 Após a definição do desenho da PPR, torna-se essencial preparar o modelo para que o planejamento realizado seja reproduzido com precisão na etapa laboratorial e, posteriormente na etapa clínica. Essa fase possibilita a identificação de superfícies que exijam algum tipo de ajuste, como correções de paralelismo ou alterações na posição da zona retentiva. Tais ajustes podem ser realizados previamente no modelo de gesso, a fim de simular e treinar possíveis preparos, além de servir de base para a confecção de guias de transferência. Desse modo, quando essas informações forem transferidas para a boca, as modificações serão mais previsíveis, conservadoras e embasadas por uma validação prévia no modelo. REFERÊNCIAS: 1.CARR, Alan B. McCracken Prótese Parcial Removível. 13th ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2017. E-book. p.i. ISBN 9788595152021. 2.KLIEMANN, C.; OLIVEIRA, W. Manual de Prótese Parcial Removível.3 ed. São Paulo: Santos, 2009. p.1- 3. 3.CARREIRO, Adriana da Fonte Porto; BATISTA, André U. D. Prótese parcial removível contemporânea. São Paulo: Santos, 2014. FIGURA 10: Desenho final da estrutura metálica da prótese parcial removível, resultante do delineamento, com definição dos principais componentes e do planejamento biomecânico da prótese. Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. 6.6.6.6. Preparo de dentes, moldagem e obtenção de modelos de trabalho Preparo de dentes, moldagem e obtenção de modelos de trabalho CAPÍTULO 6CAPÍTULO 6 Preparo de dentes, moldagem e obtenção de modelos de trabalho Preparo de dentes, moldagem e obtenção de modelos de trabalho 606060 O sucesso de uma reabilitação oral com Prótese Parcial Removível está intimamente relacionado a um planejamento adequado. Dentre os aspectos que devem ser contemplados na estruturação do plano de tratamento, visando alcançar esse objetivo, destaca-se a modificação seletiva dos dentes que acomodarão os componentes protéticos, com o objetivo de favorecer o correto direcionamento das forças mastigatórias, atender os requisitos biomecânicos e preservar as estruturas remanescentes. A determinação das alterações necessárias é orientada pelo delineamento do modelo de estudo, uma vez que as informações obtidas através da análise dentária e da relação dos dentes entre si e com os tecidos adjacentes permitem inferir onde será necessário intervir. Dentre as mudanças passíveis de serem realizadas nos dentes pilares podemos citar: o preparo dos planos guias, a confecção dos nichos, a adequação do equador protético com alteração do contorno dentário visando a correção da retentividade (sendo essas duas últimas modificações menos frequentes de serem feitas) [1-4] Plano-guia [1,3]: Tendo em vista sua função de orientar o passo de inserção e remoção da prótese, é imprescindível que aqueles dentes que receberão os grampos apresentem uma relação de paralelismo entre si e em relação ao eixo . Entretanto, na maioria dos casos, em virtude da morfologia e do posicionamento dos dentes pilares, dificilmente a situação ideal será encontrada. Visto isso, será necessário submetê-los a um recontorno de modo com que as faces proximais, voltadas ao espaço protético, passem a ser paralelas. Já que o desgaste é sutil, se limitando apenas a camada de esmalte, antes de ser feito em boca ele deve ser simulado no modelo de estudo. Essa etapa permite a produção de um guia de transferência, que nada mais é do que um molde em resina acrílica que quando adaptado ao dente sinaliza o que deve ser removido (quando posicionado o guia irá recobrir a porção de estrutura que deverá ser mantida, enquanto que a parte exposta deverá ser desgastada). Desse modo, como a busca pelo paralelismo demanda duas etapas distintas, por consequência irá exigir instrumentais específicos para cada uma delas. Enquanto que na fase laboratorial poderão ser empregues tanto fresas cilíndricas acopladas a peça de mão reta quanto pontas de corte do próprio delineador, na clínica serão utilizadas pontas diamantadas tronco cônicas adaptadas a caneta de alta rotação (de preferência utilizar a broca 4138, pois ela já apresenta 6º de convergência, dando assim a inclinação ideal, isto é, que a parede proximal fique levemente expulsiva para oclusal). FIGURA 1: Exemplo do guia de transferência, feito após desgaste dos planos guias Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. FIGURA 2: Preparo em boca com o auxílio do guia de transferência, cimentado com material provisório para minimizar os riscos de deslocamento durante o processo Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Preparo da área retentiva [3,5]: Na fase de delineamento, após a determinação do eixo de inserção e remoção da prótese, avalia-se a presença e a distribuição das áreas retentivas no dente pilar. Quandoa superfície proximal não oferece retenção adequada em relação ao p.i.r há a necessidade de modificá-la, seja por acréscimo ou decréscimo. O método de adição de material restaurador tem como principal vantagem o seu caráter reversível e conservador. Contudo, para que a quantidade de resina seja controlada e não haja risco de erro por excesso ou falta de material, recomenda-se a confecção de um gabarito em resina transparente fotopolimerizável, o qual direciona o volume ideação necessário para reduzir a expulsividade da região. Já a opção que implica o desgaste da estrutura dental apresenta indicações mais restritas, se limitando a casos que demandem correções mínimas, apenas em esmalte, frente à variação de espessura desse tecido entre os terços coronários e ao risco de exposição dentinária. Preparo da área retentiva por acréscimo: - Enceramento prévio, em modelo de estudo, da restauração que promoverá a retenção adequada; - Confecção de uma matriz individual transparente sobre o dente recontornado; - No ato clínico a matriz, previamente isolada com vaselina, acomodará em sua porção interna o material restaurador. Uma vez preenchida ela é levada em posição, e em seguida é feita a fotopolimerização da resina através da própria matriz. - Acabamento e polimento final da restauração. Capítulo 6Capítulo 6Capítulo 6 616161 FIGURAS 3 e 4: Exemplificam o enceramento e a confecção sucessiva de um molde em modelo de estudo, com o objetivo de transferir a área retentiva criada para a boca do paciente. Fonte: Carreiro AF, Batista AUD. Prótese Parcial Removível Contemporânea (2017). FIGURA 5: Ilustra o resultado final do preparo da área retentiva feita por meio do acréscimo de material restaurador. Fonte: Carreiro AF, Batista AUD. Prótese Parcial Removível Contemporânea (2017). Preparo da área retentiva por decréscimo: Essa técnica prevê a confecção de reentrâncias ou depressões em esmalte, de modo com que o braço retentivo do grampo possa ser acomodado nessas regiões. Adequação do Equador Protético [3]: Consiste no recontorno da superfície dentária para deslocar a linha equatorial para uma posição mais favorável, isto é, adequar o equador protético de tal forma que o campo de ação do grampo de retenção e de oposição se equivalam. Isso garante que o retentor direto cumpra o requisito biomecânico da reciprocidade. O desgaste é indicado apenas quando o campo de ação do grampo de retenção for maior que o de oposição, nos casos em que eles forem iguais ou ele for menor o desgaste não será necessário. Capítulo 6Capítulo 6Capítulo 6 626262 FIGURAS 6 e 7: Ilustram o recontorno da superfície dentária com uma ponta diamantada, a fim de reduzir a convexidade e equilibrar os campos de retenção e oposição Fonte: Carreiro AF, Batista AUD. Prótese Parcial Removível Contemporânea (2017). Nichos [1,3,4]: O nicho se trata do preparo realizado na superfície funcional dos dentes pilares com o intuito de alojar o apoio, permitindo a correta transmissão das forças mastigatórias ao longo eixo do dente. Sua execução adequada a influência na integridade das estruturas orais remanescentes e na longevidade da prótese, uma vez que o apoio irá se basear do molde do nicho. Para isso, eles devem atender uma série de requisitos, que variam de acordo com o grupo dentário. Prepará-los inadequadamente pode resultar em alguns possíveis problemas, como por exemplo, a condução oblíqua das forças, interferências oclusais, rigidez comprometida devido ao espaço reduzido e, desgaste excessivo de estruturas sadias. Características dos nichos em dentes posteriores: Formato triangular, com o vértice voltado para o centro da face oclusal; Ângulos internos arredondados; Profundidade de aproximadamente 1,5mm; Paredes internas expulsivas; Parede pulpar plana e ligeiramente inclinada em direção ao centro do dente; No sentido mésio-distal, deve abranger até metade da raiz em dentes monoradiculares, enquanto que em multiradiculares ele deve contemplar pelo menos uma delas. Capítulo 6Capítulo 6Capítulo 6 636363 FIGURAS 8 e 9: Nicho em dente posterior. Na primeira foto é possível observar um esboço, feito a lápis, de onde haverá o desgaste enquanto que a segunda mostra o preparo já feito. Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Confecção dos nichos em dentes posteriores: 1.Delimitar a área em que o nicho será confeccionado. Pré-molar: A superfície oclusal deve ser dimensionada de modo com que tanto no sentido mésio-distal como no sentido vestibulo-lingual ela seja dividida em 3 partes. Dessa forma, a segmentação indicará que o quadrante médio distal ou médio mesial deverá ser preparado. Molar: Assim como na situação anterior a área a ser desgastada também será definida através dessas delimitações, entretanto por apresentar uma dimensão maior, a forma como o dente é compartimentalizado segue uma proporção distinta. Nesse caso o molar é dividido no sentido mesio distal em 4 partes, enquanto que no sentido vestíbulo lingual ele é seccionado em 3 partes. FIGURA 10: Divisão da superfície oclusal em quadrantes, indicando qual a região a ser desgastada. Fonte: Ilustração digital elaborada com o auxílio de inteligência artificial (Gemini 3.1 PRO). Nichos em dentes anteriores: Podem estar localizados no cíngulo da face lingual ou na borda incisal. Contudo, em virtude da exigência estética e pela distância do fulcro do dente, esse último não é tão utilizado. Quando feitos na região de cíngulo, utiliza-se a ponta diamantada #3168 para a definição da saliência, permitindo que as forças oriundas da função sejam direcionadas para o longo eixo do dente. 2.Preparo do nicho: Para sua execução são utilizadas pontas diamantadas esféricas cujo diâmetro coincida com a espessura ideal do nicho, tal qual a #1016, #1015 e #1014. Como alternativa, pode-se utilizar a ponta diamantada #3168, uma vez que sua parte ativa cônica invertida de extremidade arredondada contribui para a criação de desgastes triangulares, ou brocas esféricas nº 6 e nº8, indicadas para superfícies com restaurações metálicas. Capítulo 6Capítulo 6Capítulo 6 646464 FIGURA 11: Pontas diamantadas utilizadas para o preparo dos nichos (a esquerda temos a ponta #3168, enquanto que a direita a #1015). Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Acabamento e polimento do preparo dos nichos: Após o preparo, as superfícies devem ser arredondadas, lisas e polidas. Para alcançar tal resultado podemos lançar mão de pontas diamantadas de diferentes granulações, seguidas de pontas de borracha. Modelo de trabalho [3]: Após completo o preparo em boca, realiza-se um novo registro. Contudo, como esse modelo servirá de base para produção da estrutura metálica, é imprescindível a reprodução FIGURAS 12 e 13: Delimitação e execução do preparo de nicho em dente anterior: à esquerda, demarcação da área no cíngulo; à direita, realização clínica com ponta diamantada, respeitando a anatomia e direcionamento das forças ao longo do eixo dental. Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. detalhada sobretudo das áreas em que a prótese irá se assentar. A moldagem deve ser feita de modo a evitar o aprisionamento de bolhas e defeitos na execução da técnica, assegurando uma boa adaptação da peça confeccionada. Referências: 1.VERGANI, Carlos E.; PAVARINA, Ana C.; JORGE, Janaina H.; et al. Reabilitação oral com prótese parcial removível convencional: guia prático. Barueri: Manole, 2021. E-book. p.169. ISBN 9786555766783. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786555766783/. Acesso em: 28 fev. 2025. 2.CARR, Alan B. McCracken Prótese Parcial Removível. 13. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2017. E-book. p.205. ISBN 9788595152021. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595152021/. Acesso em: 28 fev. 2025. 3.CARREIRO, Adriana de Fonte Porto;BATISTA, André Ulisses Dantas. Prótese parcial removível contemporânea. São Paulo: Editora Santos, 2017. 4.KLIEMANN, Cláudio; OLIVEIRA, Wagner. Manual de Prótese Parcial Removível. São Paulo: Editora Santos,1998. 5.JORGE, Janaina Habib; VERGANI, Carlos Eduardo; GIAMPAOLO, Eunice Teresinha; MACHADO, Ana Lucia; PAVARINA, Ana Cláudia. Preparos de dentes pilares para prótese parcial removível. Revista de Odontologia da UNESP, Araraquara, v. 35, n. 3, p. 215-222, 2006. Disponível em: https://host-article- assets.s3.amazonaws.com/rou/588017de7f8c9d0a098b494f/fulltext.pdf. Acesso em: 24 mar. 2025. Capítulo 6Capítulo 6Capítulo 6 656565 https://host-article-assets.s3.amazonaws.com/rou/588017de7f8c9d0a098b494f/fulltext.pdf https://host-article-assets.s3.amazonaws.com/rou/588017de7f8c9d0a098b494f/fulltext.pdf 7.7.7.7. Prova da Estrutura Metálica, Registro Intermaxilar e Escolha da Cor dos Dentes Prova da Estrutura Metálica, Registro Intermaxilar e Escolha da Cor dos Dentes CAPÍTULO 7CAPÍTULO 7 Prova da Estrutura Metálica, Registro Intermaxilar e Escolha da Cor dos Dentes Prova da Estrutura Metálica, Registro Intermaxilar e Escolha da Cor dos Dentes 676767 O sucesso clínico na Prótese Parcial Removível é consequência de uma sequência de etapas conduzidas de forma criteriosa pelo profissional, que deve estar consciente dos procedimentos previstos para cada sessão clínica. Nesse contexto, a fase de prova da estrutura metálica exige não apenas a identificação dos fatores que possam interferir em sua adaptação, mas também a capacidade de reconhecer e corrigir eventuais desajustes. Embora seja esperado certo grau de desadaptação inicial em boca, essa fase não depende exclusivamente da execução clínica. Torna-se imprescindível uma interação eficiente entre o cirurgião-dentista com o laboratório de prótese dentária. O profissional deve ser capaz de transmitir, de forma objetiva, todas as informações relevantes do planejamento, contribuindo para a fidelidade da execução laboratorial. Ademais, o conhecimento das etapas envolvidas na confecção da estrutura metálica permite compreender melhor as possíveis limitações técnicas e fontes de distorção, reforçando a coparticipação entre a clínica e laboratório no resultado final do tratamento [1,2,3]. Dessa forma, a consulta deve ser conduzida de forma sistematizada, seguindo uma sequência lógica de etapas, de modo a assegurar que cada procedimento seja realizado de forma criteriosa e no momento oportuno, para assim garantir uma adaptação satisfatória e um assentamento passivo da estrutura metálica, fundamentais para o conforto do paciente e para o sucesso clínico do tratamento. Cada uma desses passos deve ser realizado de forma sequencial, uma vez que falhas iniciais podem comprometer as fases subsequentes Assim, a ordem clínica proposta corresponde [2,3] Análise da estrutura metálica no modelo; Análise da estrutura metálica em boca; Registro das relações intermaxilares; Seleção dos dentes artificiais. Análise da estrutura metálica no modelo [1, 2,3]: Inicialmente deve ser realizada a conferência de que o trabalho entregue pelo laboratório está compatível com o planejamento previamente estabelecido pelo desenho do modelo de estudo. Nessa etapa, deve-se analisar individualmente cada componente quanto ao atendimento de seus requisitos biomecânicos específicos. Essa análise deve seguir uma sequência sistemática, contemplando os seguintes aspectos: Afilamento progressivo do braço de retenção; Uniformidade, em toda a extensão, do braço de oposição; Resistência e rigidez em todos os elementos constituintes; Íntimo contato do braço de retenção com a superfície do gesso, nos casos de grampos circunferenciais; Presença de alívio, entre o corpo do grampo e a superfície do gesso, nos grampos de ação de ponta; Posicionamento correto dos braços de oposição e retenção em relação ao equador protético. Espessura adequada dos componentes, que idealmente varia de 1,5 a 2mm (valores inferiores podem comprometer a resistência da estrutura); Adaptação dos apoios sobre os nichos confeccionados; Íntimo contato da placa proximal com os planos-guias preparados, respeitando o eixo de inserção e remoção determinado; Relação de contato (arcada superior) ou de alívio (arcada inferior) do conector maior com a superfície do gesso; Sutil afastamento dos conectores menores em relação à gengiva marginal, bem como sua união perpendicular ao conector maior; A sela deve apresentar leve afastamento do gesso, a fim de assegurar espaço para a interposição da resina acrílica, além de extensão compatível com a área protética a ser reabilitada. Em seguida procede-se à avaliação da integridade da estrutura. Essa inspeção deve considerar o acabamento e polimento da peça, bem como a presença de possíveis irregularidades, como defeitos superficiais, ângulos vivos, bordas cortantes e bolhas. No entanto, embora se preze por uma superfície polida, é fundamental que se preserve as linhas de acabamento, que consistem nas regiões de transição entre o acrílico e o conector maior que apresentam caráter rugoso, característica essa responsável por garantir a retenção mecânica deste material ao metal. Ademais, deve-se observar a adaptação da estrutura ao modelo, verificando a presença de possíveis desajustes ou interferências. Uma vez feita essa avaliação, realiza-se sua remoção de forma cautelosa. Nesse momento, é averiguada a presença de áreas de desgaste ou fraturas no modelo mestre, já que tais alterações comumente indicam interferências que comprometem a passividade de assentamento, podendo corresponder a áreas de interferência em boca. Dessa forma, após a constatação de uma adaptação satisfatória, mediante as correções necessárias e adequada inspeção visual da peça, passa-se para a etapa de análise intra- oral. Capítulo 7Capítulo 7Capítulo 7 686868 FIGURA 1 e 2: Comparação entre o desenho do modelo de estudo e a estrutura metálica confeccionada, evidenciando a compatibilidade entre o planejamento protético e a execução laboratorial. Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Análise da estrutura metálica em boca [1,2,3]: A etapa de prova da estrutura metálica inicia-se com desinfecção da estrutura metálica, que garante a biossegurança e a prevenção de contaminação cruzada quando realizada previamente a prova clínica. Em virtude de sua constituição em liga metálica, devem ser evitadas soluções à base de hipoclorito, tendo em vista seu potencial corrosivo. Sendo assim, as soluções mais indicadas para uma adequada descontaminação são a clorexidina 0,2% ou o ácido paracético a 1%, pelo período de 10 minutos. A colocação da estrutura em boca deve ser realizada por meio da aplicação de leve pressão sobre os apoios, na direção da trajetória de inserção, após seu correto posicionamento sobre os dentes pilares. Nessa etapa, a adaptação da estrutura deve ser cuidadosamente verificada em ambiente clínico, de modo a assegurar que não haja movimentos indesejáveis, como báscula, nem sobrecarga dos elementos dentários. Dessa forma, busca-se garantir o conforto do paciente e a segurança, prevenindo possíveis efeitos deletérios aos tecidos de suporte. O ajuste desse aparato deve contemplar três análises distintas: a identificação das áreas de interferência e de pressão, avaliação da compressão e relação com os tecidos moles e o ajuste oclusal. Identificação das áreas de interferência e de pressão [1,2,3]: Para a identificação de áreas de interferência e pressão, podem ser utilizados agentes evidenciadores de pressão, como o carbono líquido, corretivos brancos à base de água e pastas indicadoras de pressão. Dentre as opções citadas, o carbono líquido em spray é a mais indicada, por formar uma película fina e uniforme, permitindo marcações mais precisas das áreas de contato. Além disso, apresenta menor risco de contaminação cruzada,uma vez que sua aplicação é realizada à distância, sem contato direto entre o aplicador e a estrutura metálica. Capítulo 7Capítulo 7Capítulo 7 696969 FIGURA 3 : Aplicação de carbono líquido em spray na estrutura metálica, especialmente nas regiões de contato dentário, como grampos e placas proximais, com o objetivo de evidenciar áreas de interferência e pressão durante a prova clínica. Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Após a aplicação do evidenciador sobre as regiões da estrutura que apresentam íntimo contato com os tecidos bucais, o conjunto é posicionado em boca e, em seguida, removido para avaliação. A presença de descontinuidade na película, evidenciada por áreas de metal aparente, indica pontos de interferência que necessitam de algum tipo de ajuste. Entre as regiões que comumente requerem desgaste, destacam-se o terço inicial dos grampos circunferenciais e a porção interproximal das placas linguais. Capítulo 7Capítulo 7Capítulo 7 707070 FIGURA 4 : Análise da integridade da película de carbono após inserção em boca, na qual a exposição do metal indica áreas de contato excessivo e necessidade de ajuste. Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Nessas áreas, recomenda-se a utilização de broca carbide transmetálica #1558, em alta rotação. Alternativamente, podem ser empregadas brocas multilaminadas #4, #6 e #8. Após o desgaste seletivo da área interferente, o evidenciador deve ser reaplicado para nova verificação. Nesse momento, recomenda-se que a reaplicação seja restrita à região ajustada, evitando a formação de camadas espessas que possam levar a desgastes excessivos. Finalizada a sessão clínica, a estrutura deve ser encaminhada ao laboratório para novo polimento, com o objetivo de as irregularidades decorrentes do desgaste. FIGURA 5 : Desgaste seletivo da estrutura metálica com broca carbide para metal (#1558), realizado nas áreas previamente identificadas pelo carbono líquido como pontos de interferência. Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Avaliação das Compressões e Relação com Tecidos Moles [2,3]: Após a verificação da adaptação da estrutura, torna-se fundamental avaliar sua relação com os tecidos moles, uma vez que contatos indevidos podem resultar em compressões, desconforto e alterações nos tecidos de suporte. Na arcada inferior: Deve-se verificar a relação entre o conector maior e a fibromucosa. Considerando que estruturas como freios e inserções musculares não devem permanecer em íntimo contato com a prótese, é necessário que o conector maior proporcione alívio adequado. Nos casos de conectores do tipo barra lingual, esse alívio pode ser verificado pela possibilidade de passagem de um fio dental entre a estrutura e a mucosa. Quando o conector maior for do tipo placa lingual, recomenda-se a utilização de evidenciadores de pressão, como hidrocolóide (alginato) ou silicone leve. O material deve ser aplicado na superfície interna da estrutura, na região de contato com os tecidos, e, após sua inserção em boca, avalia-se a integridade da camada formada. Áreas de afinamento excessivo ou ausência do material indicam compressão tecidual, sendo necessária a realização de alívios seletivos na estrutura metálica. Capítulo 7Capítulo 7Capítulo 7 717171 FIGURA 6 : Avaliação da relação entre a placa lingual e os tecidos moles por meio de material evidenciador de pressão, permitindo a identificação de áreas de compressão que requerem alívio seletivo. Fonte: Vergani CE et al. Reabilitação oral com prótese parcial removível convencional: Guia prático (2021). Na arcada superior: O conector maior deve se adaptar ao palato de forma passiva, sem promover compressão dos tecidos. Devem ser observadas possíveis áreas isquêmicas, que indicam ausência de alívio, além da avaliação do relato do paciente quanto a desconforto durante a inserção e permanência da estrutura em boca. A adequada avaliação dessas áreas é essencial para evitar traumas na mucosa e garantir o assentamento passivo da estrutura metálica Ajuste Oclusal da Estrutura Metálica [2,3]: O ajuste oclusal da estrutura metálica deve ser realizado apenas após a confirmação do seu correto assentamento em boca. Qualquer interferência decorrente de desadaptação deve ser previamente solucionada, evitando ajustes oclusais inadequados. Inicialmente, avalia-se o padrão oclusal do paciente na ausência da prótese, com o objetivo de identificar e registrar os contatos naturais. Para isso, pode-se utilizar um material interposto de pequena espessura, como uma lâmina de papel carbono, posicionada entre as arcadas e tracionada com auxílio de uma pinça porta-agulha, permitindo a identificação dos pontos de contato oclusal. Capítulo 7Capítulo 7Capítulo 7 727272 FIGURA 7 : Análise dos contatos oclusais sem a presença da prótese, utilizada como referência do padrão oclusal do paciente. Fonte: Carreiro AF, Batista AUD. Prótese Parcial Removível Contemporânea (2017). FIGURA 8 : Verificação dos contatos oclusais com a estrutura metálica em boca, avaliando a manutenção do padrão oclusal possíveis interferências nos movimentos mandibulares. Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Em seguida, com a estrutura metálica posicionada, verifica-se se o padrão oclusal previamente estabelecido é mantido. A estrutura não deve interferir na oclusão cêntrica nem nos movimentos excursivos, devendo permitir a manutenção do equilíbrio oclusal do paciente. A avaliação dos apoios oclusais também é fundamental nesse momento. Recomenda-se a utilização de espessímetro para verificar se há espessura adequada, idealmente em torno de 1,5 mm. Caso seja identificado excesso de material, deve-se realizar desgaste seletivo da estrutura metálica. Por outro lado, quando a estrutura apresenta espessura adequada e ainda assim há interferência oclusal, pode ser necessário intervir sobre o dente antagonista, por meio de desgaste seletivo, a fim de restabelecer a harmonia dos contatos oclusais.¹˒²˒³ Registro das Relações Intermaxilares [1,2,3]: Essa etapa tem como objetivo o registro das referências estéticas e do padrão de oclusão, definido pela MIH pré-existente pelos dentes remanescentes, com o intuito de obter uma relação estável entre os modelos e de orientar a montagem dos dentes artificiais. A estabilidade oclusal entre as arcadas, definida pela quantidade e qualidade dos contatos dentários remanescentes, é o fator que irá definir o material e o método a serem empregados para a realização do registro: Em situações em que o paciente apresenta boa estabilidade oclusal, com múltiplos contatos dentários bem distribuídos e uma relação de máxima intercuspidação habitual bem definida, o registro intermaxilar pode ser simplificado ou até mesmo dispensado. Nesses casos, a oclusão existente já fornece referências confiáveis para a montagem dos modelos, não sendo necessário o emprego de materiais adicionais para o registro da relação entre as arcadas. Registro com Godiva: Em casos nos quais há contatos dentários presentes, porém insuficientes para garantir uma relação intermaxilar precisa, como em casos de pequenos espaços edêntulos, considera-se que há uma estabilidade oclusal relativa. Nessas situações, indica-se a utilização da godiva como material de registro, uma vez que permite maior precisão na captura da relação entre os arcos, sem a necessidade de reconstrução completa da oclusão. A técnica prevê, inicialmente, na adaptação da godiva, ainda aquecida, sobre a estrutura metálica que, em seguida, é novamente posicionada sobre o modelo. Esse procedimento permite a interposição do material através das malhas metálicas da sela. Previamente a essa etapa, recomenda-se a aplicação de uma fina camada de vaselina tanto sobre o modelo quanto na cavidade bucal do paciente, com o objetivo de evitar a adesão da godiva aos tecidos e superfícies,facilitando a remoção da estrutura e preservando a integridade do registro.A ausência desse cuidado pode dificultar a remoção da estrutura e comprometer a fidelidade do registro. Capítulo 7Capítulo 7Capítulo 7 737373 FIGURA 9 : Adaptação inicial da godiva aquecida sobre a sela da estrutura metálica, seguida de pressão contra o modelo, promovendo sua interposição nas malhas metálicas e garantindo retenção do material. Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Na sequência, o material é novamente aquecido e depositado sobre a região da sela, em quantidade compatível com o volume dos dentes adjacentes, sendo então levado à boca. Com a estrutura devidamente posicionada, o paciente é orientado a ocluir, permitindo o registro da relação intermaxilar. Se necessário, ajustes adicionais podem ser realizados com novo aquecimento da godiva, promovendo refinamento do registro até que se obtenha uma relação estável e reprodutível. Capítulo 7Capítulo 7Capítulo 7 747474 FIGURA 10 : Registro intermaxilar com godiva, após adição de material em volume compatível com a altura dos dentes adjacentes, com o paciente em oclusão para obtenção da relação de máxima intercuspidação habitual (MIH). Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Registro dos Planos de Cera : Nos casos em que há perda significativa de referências dentárias, como em espaços edêntulos extensos ou envolvendo regiões estéticas, não é possível estabelecer a relação intermaxilar de forma confiável apenas com base nos contatos remanescentes. Nessas situações, torna-se necessário o uso de planos de orientação em cera, que permitem não apenas o registro da relação entre os arcos, mas também a determinação de parâmetros fundamentais, como dimensão vertical de oclusão, plano oclusal e referências estéticas, incluindo linha média, linha do sorriso e suporte labial. FIGURA 11 : Relação intermaxilar estabelecida com o auxílio da godiva, permitindo o posicionamento estável dos modelos e fornecendo referência confiável para a montagem em articulador. Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Capítulo 7Capítulo 7Capítulo 7 757575 FIGURA 13 : Marcação, em boca, das principais referências estéticas ( linha média, linha dos caninos e linha alta do sorriso) durante o registro intermaxilar, etapa fundamental para a orientação da montagem dos dentes artificiais. Fonte: Carreiro AF, Batista AUD. Prótese Parcial Removível Contemporânea (2017). FIGURA 12 : Vista oclusal evidenciando o uso de rodetes de cera para o registro intermaxilar em áreas extensas desdentadas, nas quais a ausência de contatos dentários inviabiliza uma estabilidade oclusal adequada. Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Escolha do Formato e da Cor dos Dentes Artificiais [2]: Ao final da etapa de prova da estrutura metálica e dos registros intermaxilares, procede-se à seleção dos dentes artificiais, etapa fundamental para o sucesso estético e funcional da prótese parcial removível. A escolha dos dentes deve considerar múltiplos fatores, incluindo características individuais do paciente, como idade, sexo, tipo físico e expectativa estética, bem como aspectos anatômicos, como a forma e o volume do rebordo residual e a relação interarcos. Sempre que possível, os dentes remanescentes devem servir como referência, buscando- se harmonia de forma, tamanho e cor com a dentição natural do paciente. Capítulo 7Capítulo 7Capítulo 7 767676 FIGURA 14 : Seleção de cor por meio da comparação direta entre a escala de cores e os dentes naturais do paciente, buscando a melhor correspondência cromática. Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Do ponto de vista morfológico, a seleção do formato dentário pode ser orientada pela teoria das formas, que propõe uma relação entre o contorno facial e a forma dos dentes anteriores. Assim, faces mais quadradas tendem a se associar a dentes de contornos mais retos, enquanto faces ovais ou triangulares se relacionam a dentes com formas mais suavizadas ou afiladas. O tamanho dos dentes artificiais deve ser compatível com o espaço protético disponível, respeitando a dimensão mesiodistal e cérvico-incisal, de modo a garantir adequada proporção e alinhamento com os dentes adjacentes. Nos dentes anteriores, essa escolha assume papel ainda mais relevante, uma vez que influencia diretamente na estética do sorriso e no suporte labial. A seleção de cor deve ser realizada com o auxílio de escalas específicas para dentes artificiais, preferencialmente sob luz natural indireta. Recomenda-se que a avaliação seja feita de forma rápida, evitando fadiga visual, e com os dentes e a escala levemente umedecidos, o que favorece uma percepção mais fiel da cor. A comparação deve ser realizada aproximando a escala dos dentes naturais remanescentes, buscando a melhor correspondência possível. A cor selecionada deve ser devidamente registrada e informada ao laboratório, incluindo a escala e a marca utilizadas, a fim de garantir a correta reprodução da tonalidade escolhida. FIGURA 15 : Escala de cor utilizada para a seleção dos dentes artificiais, exemplificada pela escala VIP da Trilux. Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Capítulo 7Capítulo 7Capítulo 7 787878 Além disso, deve-se considerar a coloração da gengiva artificial, de forma a obter uma integração estética adequada com os tecidos bucais do paciente. Por fim, é fundamental a participação do paciente nesse processo, uma vez que suas expectativas e preferências estéticas devem ser consideradas, contribuindo para maior aceitação e satisfação com o tratamento. Após a escolha e aprovação do paciente, a estrutura é reenviada ao laboratório para o polimento final e a montagem dos dentes. Conclusão: A correta execução de cada etapa, desde a análise da estrutura do modelo, passando pela prova intraoral e ajuste oclusal, até o registro intermaxilar e a seleção dos dentes artificiais, é fundamental para garantir a funcionalidade, a estética e o conforto da prótese. A condução criteriosa desses procedimentos, em consonância com a literatura e os princípios clínicos, contribui para reduzir complicações e para a obtenção de resultados previsíveis, assegurando a satisfação do paciente. Referências: 1.CARR, Alan B. McCracken Prótese Parcial Removível. 13th ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2017. E-book. p.i. ISBN 9788595152021. 2.KLIEMANN, C.; OLIVEIRA, W. Manual de Prótese Parcial Removível.3 ed. São Paulo: Santos, 2009. p.1-3. 3.CARREIRO, Adriana da Fonte Porto; BATISTA, André U. D. Prótese parcial removível contemporânea. São Paulo: Santos, 2014. 8.8.8.8. Prova Funcional e Estética dos Dentes Prova Funcional e Estética dos Dentes CAPÍTULO 8CAPÍTULO 8 Prova Funcional e Estética dos DentesProva Funcional e Estética dos Dentes 797979 A prova dos dentes é realizada após a prova da estrutura metálica e a obtenção dos registros intermaxilares. Nessa etapa, a prótese parcial removível retorna do laboratório com os dentes artificiais montados em cera [1,3]. Trata-se de um momento fundamental do tratamento, pois permite a visualização prévia do resultado final da prótese. Essa etapa contribui para maior segurança e aceitação por parte do paciente, além de possibilitar a confirmação do planejamento previamente estabelecido [1]. O principal objetivo da prova dos dentes é a verificação da oclusão, permitindo a identificação e correção de possíveis discrepâncias antes da acrilização definitiva. Além disso, possibilita ajustes relacionados ao posicionamento dentário, à estética e à fonética [2,3]. Nos casos de extremidade livre, essa fase assume ainda maior relevância, pois é nesse momento que pode ser realizada a prova funcional, com o objetivo de promover a adequada adaptação da base protética aos tecidos de suporte sob carga. Esse procedimento contribuipara maior estabilidade, melhor distribuição das forças mastigatórias e maior longevidade da prótese [2]. Dessa forma, viabiliza ajustes precisos, contribuindo para a adequada função mastigatória e para a harmonia estética. Também permite a validação conjunta, entre profissional e paciente, de aspectos essenciais do tratamento [1,2]. Antes da realização da prova, é indispensável a desinfecção da prótese, a fim de garantir a biossegurança e prevenir a contaminação cruzada. Podem ser utilizadas soluções como hipoclorito de sódio a 0,5%, clorexidina a 2% ou glutaraldeído a 2% [4.]. Durante essa etapa, a comunicação assume papel decisivo, uma vez que todas as definições estéticas e funcionais devem ser confirmadas antes da acrilização definitiva [3]. O paciente deve ser ativamente envolvido na avaliação estética, participando da aprovação de aspectos como forma, cor, posicionamento dentário e suporte labial. Essa conduta contribui para maior previsibilidade e reduz a ocorrência de insatisfações após a finalização da prótese [1]. Da mesma forma, a comunicação com o técnico em prótese dentária deve ser clara e precisa, contemplando todas as modificações realizadas durante a prova. Registros escritos, fotográficos ou esquemáticos são fundamentais para assegurar a correta reprodução dos ajustes na etapa laboratorial [1]. Prova funcional da PPR [1,2,3]: Durante a prova funcional da prótese parcial removível (PPR), o clínico avalia a retenção, o suporte, a estabilidade e o comportamento dinâmico da prótese em boca, assegurando que os parâmetros planejados se traduzam em adequada adaptação clínica antes da acrilização definitiva. A análise da retenção e do suporte inicia-se no momento da inserção e remoção da prótese. O movimento deve ocorrer de forma firme e controlada, sem necessidade de força excessiva, respeitando o eixo de inserção previamente estabelecido. Pequenas desadaptações dos grampos podem ser corrigidas por meio de ajustes delicados na ponta ativa, sempre respeitando o limite elástico do metal para evitar deformações permanentes. A montagem dos dentes em cera exerce influência direta sobre esse processo. Dentes mal posicionados ou com contatos prematuros podem interferir no trajeto de inserção, impedindo o assentamento passivo da prótese, comprometendo a retenção e gerando sobrecarga nos grampos e nos dentes pilares. Por outro lado, a correta disposição dos dentes favorece o assentamento estável da prótese sobre os tecidos de suporte, promovendo adaptação firme e confortável. Além disso, essa etapa permite identificar possíveis efeitos de alavanca ou deslocamentos induzidos pelos dentes em cera, possibilitando ajustes prévios à acrilização definitiva. Dessa forma, garante-se que a prótese se beneficie adequadamente da retenção proporcionada tanto pela estrutura metálica quanto pelos tecidos de suporte, mantendo o equilíbrio necessário para o desempenho funcional. No que se refere à estabilidade, deve-se avaliar a presença de movimentos de basculamento ou deslocamentos laterais durante os movimentos mandibulares. Em próteses de extremidade livre, a moldagem funcional torna-se indispensável, devido à ausência de suporte dentário posterior. Nesses casos, a fibromucosa assume papel ativo no suporte da prótese, exigindo adaptação precisa da sela ao rebordo residual, a fim de minimizar movimentos indesejáveis durante a função. O procedimento de moldagem funcional é realizado com materiais elásticos, como o poliéter e a silicona, ou com a pasta zinco enólica. O paciente é orientado a realizar movimentos funcionais, como mobilização da língua, abertura e fechamento bucal, deglutição e fala, possibilitando que os tecidos se adaptem ao contorno da prótese em condições próximas da realidade clínica. A fibromucosa aderida deve ser registrada sem compressão excessiva, respeitando sua anatomia e fisiologia, enquanto a mucosa móvel é moldada sob pressão controlada, proporcionando estabilidade sem comprometer o conforto ou favorecer reabsorções ósseas. A técnica em boca aberta permite adequada extensão da área chapeável, em conformidade com os princípios de preservação tecidual e estabilidade protética. Após a moldagem funcional, procede-se ao ajuste oclusal preliminar com papel carbono, inserindo e removendo a prótese cuidadosamente para identificar e eliminar contatos prematuros nos dentes em cera, os quais podem gerar desalinhamentos, desconforto o instabilidade durante a função. Nesse momento, opta-se por realizar apenas o desgaste de interferências significativas, uma vez que o ajuste definitivo será realizado posteriormente, após a acrilização da prótese. Além disso, em próteses de extremidade livre, deve-se avaliar a retenção indireta, observando a resistência ao deslocamento rotacional da base protética, assegurando que a estrutura metálica contribua de maneira adequada para a estabilidade da prótese. Capítulo 8Capítulo 8Capítulo 8 808080 FIGURA 1: Moldagem funcional realizada em prótese parcial removível de extremidade livre. A estrutura metálica é revestida com material elástico (poliéter), permitindo que a sela se adapte com precisão ao rebordo residual. Esse procedimento assegura maior estabilidade da prótese durante a função, ao registrar a posição da fibromucosa sob condições próximas da realidade clínica. Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Capítulo 8Capítulo 8Capítulo 8 818181 Dimesão vertical e Relações Cclusais: Durante a prova de dentes, um dos aspectos fundamentais a ser avaliado é a dimensão vertical de oclusão (DVO), que deve estar adequada para evitar desconforto, desgaste dentário e alterações estéticas faciais. A sua verificação deve ser realizada por meio de métodos clínicos complementares, destacando-se os testes fonético e estético: Teste fonético: baseia-se na observação da fala do paciente, especialmente durante a pronúncia de sons bilabiais ou sibilantes, como “M” e palavras com “S” (ex.: “sessenta”, “sessenta e seis”). Alterações nesses sons indicam excesso ou deficiência na DVO. Teste estético: envolve a análise da harmonia facial, considerando o suporte labial, a exposição dentária, a suavidade dos sulcos faciais e a relação entre os lábios em repouso. A avaliação da DVO deve sempre ser associada à análise do espaço funcional livre, garantindo conforto muscular e equilíbrio fisiológico. A relação cêntrica (RC) também deve ser confirmada, assegurando que haja coincidência com a máxima intercuspidação habitual (MIH), quando possível, ou pelo menos ausência de interferências oclusais que possam comprometer a estabilidade e a função mastigatória. Do ponto de vista oclusal, é fundamental garantir contatos bilaterais simultâneos, especialmente em dentes posteriores, respeitando os princípios biomecânicos de cada tipo de reabilitação. A escolha do esquema oclusal deve ser individualizada, considerando a classificação do caso e as condições de suporte. Prova Estética [1 3]: A prova estética tem como objetivo avaliar a integração da prótese com os tecidos faciais, assegurando um resultado harmônico e natural. Deve-se analisar o sorriso em repouso e em movimento, a exposição dentária, a relação dos dentes com o lábio inferior e a harmonia geral da face. O suporte labial é um dos principais parâmetros, podendo ser avaliado em conjunto com o ângulo nasolabial. Valores próximos de 90° são considerados ideais, enquanto ângulos mais obtusos indicam deficiência de suporte, acentuando sulcos faciais e conferindo aspecto envelhecido. Suporte excessivo pode gerar projeção exagerada do lábio e aparência artificial. Os sulcos faciais, como o nasogeniano e o mentual, devem ser considerados. Embora nem sempre possam ser totalmente corrigidos por meio da prótese, especialmente em casos de reabsorção óssea avançada, sua avaliação permite planejamento mais realista e melhoro principal meio de suporte em grande parte da arcada. Classificação de Kennedy A classificação de Kennedy organiza os arcos parcialmente desdentados em quatro categorias, de acordo com a localização dos espaços desdentados [3]: CLASSE I: Desdentado posterior bilateral CLASSE II: Desdentado posterior unilateral CLASSE III: Espaço desdentado com dentes pilares em ambas as extremidades, sem incluir extremidades livres CLASSE IV: Espaço desdentado anterior que cruza a linha média Imagens - Fonte: Prótese Parcial Removível de Carr AB. McCracken (13ª edição) 888 Capítulo 1Capítulo 1Capítulo 1 Regras de Applegate A classificação de Kennedy é complementada pelas regras de Applegate que levam em consideração regras anatômicas e estruturais para sua aplicação [2]: 1.A classificação deve ser feita após a exodontia de dentes cuja remoção altere o arco original; 2.Terceiros molares não são considerados para classificação, exceto quando usados como pilares ou planejados para reposição; 3.Segundos molares presentes, mas não incluídos no planejamento do tratamento, também não devem ser considerados para classificação; 4.A classificação é determinada pelos espaços desdentados mais posteriores no arco; 5.Áreas edêntulas adicionais são tratadas como modificações, numeradas em sequência (ex. Modificação 1, 2, 3 etc.), sendo o número de espaços protéticos o critério relevante, não a quantidade de dentes ausentes por espaço; 6.A Classe IV não aceita modificações, uma vez que o espaço desdentado posterior prevalece³. EXEMPLO DE CLASSIFICAÇÃO: Um paciente desdentado posterior unilateral e um espaço anterior intercalado é classificado como Classe II, Modificação 2. Imagem - Fonte: Prótese Parcial Removível de Carr AB. McCracken (13ª edição) Referências: 1.KLIEMAN, C.; OLIVEIRA, W. Manual de PPR. São Paulo: Artes Médicas, 1998. 2.CAR, A. B.; BROWN, D. T. PPR de McCracken. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. 3.MOUSA, M. A. et al. Biomechanics in Removable Partial Dentures: A Literature Review of FEA-Based Studies. BioMed Research International, v. 2021, p. 5699962, 2021. 4.SADEK, S. A.; ELAWADY, D. Impact of Removable Partial Denture Type on Patient Satisfaction and Abutment Survival Rate-RCT. Open Access Macedonian Journal of Medical Sciences, v. 7, n. 15, p. 2513-2519, 2019. 5.DULA, L. J. et al. Clinical evaluation of removable partial dentures on the periodontal health of abutment teeth: a retrospective study. The Open Dentistry Journal, v. 9, p. 132-139, 2015 999 2.2.2.2. ANAMNESE, EXAME CLÍNICO E EXAMES COMPLEMENTARES ANAMNESE, EXAME CLÍNICO E EXAMES COMPLEMENTARES CAPÍTULO 2CAPÍTULO 2 ANAMNESE, EXAME CLÍNICO, EXAMES COMPLEMENTARES E PROTOCOLO FOTOGRÁFICO ANAMNESE, EXAME CLÍNICO, EXAMES COMPLEMENTARES E PROTOCOLO FOTOGRÁFICO 111111 O sucesso do tratamento protético depende do cumprimento de uma sequência de passos clínicos e laboratoriais. A sessão inicial tem como objetivo coletar o máximo de informações do paciente em prol de um diagnóstico correto, que orientará a elaboração de um plano de tratamento individualizado, além de embasar a decisão do profissional do momento ideal para dar seguimento à confecção da prótese [1,3]. Dentro das fases de uma abordagem interdisciplinar de caráter reabilitador, essa etapa se enquadra na fase restauradora, isto é, há uma série de requisitos a serem cumpridos para alcançá-la, como nos casos de urgências e na necessidade de adequação do meio bucal [4]. Esse primeiro contato contempla três diferentes formas de análise: a anamnese, exame físico e os exames complementares [1,2,3]. A anamnese objetiva, por intermédio de uma conversa, extrair do entrevistado informações que permeiam desde seu histórico médico e odontológico até do motivo de sua procura e o que ele espera do resultado final [1,2,3]. Ao se inteirar das condições gerais do paciente, o cirurgião-dentista consegue detectar problemas sistêmicos, medicações de uso contínuo, alergias e possíveis vícios, os quais, mesmo que à distância podem repercutir na cavidade oral e, consequentemente, interferir no tratamento [3]. Assim como a investigação da parte médica é importante, a história odontológica permite compreender a causa e a cronologia da perda dos dentes. Por intermédio dessa indagação é possível relacionar as ausências a hábitos de higiene, ou se houve outros fatores associados, como a radioterapia, por exemplo [3]. Além disso, essa parte do exame clínico busca alinhar com o paciente, a partir de sua principal queixa, suas expectativas em relação ao que é possível de ser executado, ou seja, ponderar se o que ele espera é condizente com as possibilidades do tratamento dentro daquele contexto físico e psicológico [1,2]. Por fim, essa entrevista será fundamental para que seja traçado o perfil psicológico desse paciente, o que impactará diretamente no prognóstico do tratamento, devido à sua influência na maneira como o paciente o perceberá e enfrentará. Essa classificação contempla quatro diferentes categorias [1,3] : Receptivo: colaborativo, confiante e segue as orientações com interesse. Cético: questiona o diagnóstico e o tratamento, demonstrando desconfiança e exigindo informações detalhadas. Histérico: apresenta reações exageradas, instabilidade emocional e busca constante por atenção, necessitando de uma abordagem calma e firme. Indiferente: demonstra desinteresse, falta de motivação e tende a negligenciar o tratamento, sendo essencial incentivá-lo com informações claras e objetivas. Capítulo 2Capítulo 2Capítulo 2 FIGURA 1: Seção de anamnese da ficha clínica da Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. O exame físico é subdividido de acordo com a região inspecionada, de tal forma que ao final da avaliação, ao agrupar as informações intra e extraorais, obtenha-se um panorama geral daquele indivíduo [1-3,5] Avaliação extraoral: Ao examinar a face do paciente é possível extrair certos dados, como por exemplo [1,3]: Formato do rosto: posteriormente orientará a seleção dos dentes artificiais, em associação aos dentes remanescentes; Perfil facial; Alterações da DVO: a diminuição da dimensão vertical de oclusão poderá refletir em sintomas como: aprofundamento dos sulcos faciais, invaginação do lábio, e até mesmo queilite angular; Desvios da linha média; Volume labial; Sinais e sintomas de DTM: alterações identificadas durante a palpação podem implicar no comprometimento de certos passos clínicos, como é o caso da moldagem frente a uma limitação de abertura bucal, assim como no posicionamento de repouso mandibular e/ou seu arco de fechamento. Avaliacao intra-oral: Os achados clínicos intraorais são obtidos através da investigação de outros parâmetros, como [1,3]: Condição dos dentes remanescentes: aspecto esse que contempla uma série de informações que devem ser consideradas, abrangendo: Condição periodontal: a relevância desse ponto reside no fato de que, a partir de um suporte favorável, obtém-se um equilíbrio oclusal, evitando que as que forças incidentes submetam o dente a resultantes laterais. Assim, preconiza-se uma proporção em que o comprimento da raiz exceda o tamanho da coroa, de preferência sendo duas vezes maior. 121212 Capítulo 2Capítulo 2Capítulo 2 131313 Integridade superficial do dente: no caso dos dentes pilares é necessária uma superfície íntegra para a execução dos nichos, isto é, um substrato hígido ou até mesmo restaurado. Em casos de destruições coronárias extensas, indica-se o encaminhamento prévio à outras especialidades. Tecidos moles: é fundamental averiguar possíveis interferências que comprometam o assentamento da prótese, como tórus e hiperplasias. Na porção inferior, deve-se mensurar a distância do assoalho até a margem gengival, visto que essa medida implicará na seleção da conexão maior. Região edêntula: o rebordocomunicação com o paciente. Durante a prova em cera, é possível modificar o suporte labial por meio do acréscimo ou remoção de material na região vestibular, bem como pelo reposicionamento dos dentes, restaurando volume perdido ou suavizando características faciais, dentro dos limites biológicos e estéticos. A seleção dos dentes artificiais deve considerar forma, tamanho, cor e posição. Em PPR, os dentes remanescentes servem como referência importante, enquanto em próteses totais essa decisão depende da análise facial e de registros prévios. O posicionamento dentário pode incluir pequenas rotações e assimetrias para maior naturalidade. O sorriso deve ser avaliado quanto à linha média, linha do sorriso e corredor bucal. A linha média ideal coincide com a linha média facial, e a linha do sorriso acompanha o contorno do lábio inferior. O corredor bucal influencia diretamente a naturalidade do sorriso: corredores amplos geram sensação de vazio; corredores ausentes conferem aspecto artificial. Capítulo 8Capítulo 8Capítulo 8 828282 Outro elemento fundamental é a gengiva artificial, cuja função vai além da fixação dos dentes, simulando os tecidos naturais. A caracterização ainda na fase de prova em cera permite reproduzir papilas, sulcos e texturas, aumentando o realismo da prótese. A seleção da cor da gengiva deve ser realizada com critério, buscando semelhança com os tecidos do paciente. A escolha da escala deve considerar a variedade de tons disponíveis, bem como fatores práticos, como custo e disponibilidade laboratorial. Por fim, recomenda-se que o paciente aprove formalmente o resultado estético ainda na fase de prova, preferencialmente por meio de documentação assinada. Essa conduta contribui para alinhar expectativas, evitar retrabalhos e garantir maior segurança para ambas as partes. FIGURA 3: Exemplo de escala de cor gengival (STG da VIP) utilizada na seleção da tonalidade da prótese. A comparação com a gengiva do paciente permite escolher uma cor compatível, garantindo maior naturalidade e integração estética da prótese com os tecidos orais. Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. FIGURA 2: Prova dos dentes artificiais em prótese parcial removível. O paciente deve apenas encostar levemente os dentes, sem realizar uma mordida completa, permitindo a avaliação funcional e estética da prótese. Esse contato leve é essencial para verificar a oclusão, alinhamento e harmonia do sorriso antes de avançar para a etapa de acrilização e credenciamento da prótese. Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Capítulo 8Capítulo 8Capítulo 8 838383 Conclusão: As provas funcionais e estéticas desempenham papel fundamental na segurança do paciente e na qualidade da reabilitação protética. Elas permitem validar todas as etapas anteriores, assegurando que a retenção, estabilidade, função oclusal e estética estejam corretas antes da acrilização definitiva. Essa fase possibilita realizar ajustes e modificações quando necessário, garantindo que a prótese entregue seja a mais adequada possível, com conforto, harmonia facial e desempenho funcional otimizados. Referências: 1.CARR, A. B. McCracken prótese parcial removível. 13. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2017. E-book. ISBN 9788595152021. 2. • CARREIRO, A. F. P.; BATISTA, A. U. D. Prótese parcial removível contemporânea. São Paulo: Santos, 2014. 3. • KLIEMANN, C.; OLIVEIRA, W. Manual de prótese parcial removível. 3. ed. São Paulo: Santos, 2009. 4. • MACHADO, A. L. et al. Atividade antimicrobiana e propriedades de superfície de uma resina acrílica contendo um polímero biocida. Journal of Biomedical Materials Research, [S. l.], 2011. 9.9.9.9. Preparo de dentes, moldagem e obtenção de modelos de trabalho Preparo de dentes, moldagem e obtenção de modelos de trabalho CAPÍTULO 9CAPÍTULO 9 Preparo de dentes, moldagem e obtenção de modelos de trabalho Preparo de dentes, moldagem e obtenção de modelos de trabalho 858585 A instalação da prótese, assim como sua proservação, geralmente requerem mais de uma consulta. Durante essas sessões, é essencial ouvir o paciente e orientá-lo quanto ao passo de inserção e remoção da PPR e reforçar os hábitos de higiene. Imperfeições podem surgir mediante ao desenho ou preparos inadequados, alterações dimensionais do material de moldagem e enceramento sobre-estendido ou com distorções. Previamente a instalação, ela deve ser inspecionada, buscando identificar arestas cortantes, cristas agudas, nódulos de acrílico, resíduos de gesso, que devem ser removidos a fim de garantir que a superfície esteja sem imperfeições e devidamente polida [1-3]. Fatores que Impedem a Inserção Completa da PPR [1-3]: Áreas retentivas da fibromucosa; Excesso de resina acrílica acrílica na região entre a sela e os retentores; Sobre-extensão da sela nas porções vestibulares, de base da língua, áreas retromolares e tuberosidades; Recorte inadequado de inserções musculares e freios labiais; Áreas de pressão sobre a mucosa; Exodontias recentes próximas aos dentes suporte. Para contornar esses problemas, utilizam-se materiais evidenciadores como pasta, alginato, silicone de condensação ou a pasta branca da zinco enólica. O ideal é manter pelo menos 1 mm de espessura para alívio, podendo variar conforme a região. No acrílico, utilizam-se fresas maxicut e minicut com peça reta, enquanto que no metal empregam-se brocas Carbide ou transmetal. Além disso, é fundamental avaliar as necessidades físicas, fisiológicas e psicológicas do paciente [1-3]. Instalação [1-3]: A instalação da PPR representa a etapa clínica final e decisiva no processo de reabilitação oral, marcando a transição entre o planejamento laboratorial e a adaptação clínica. Este momento exige revisão meticulosa das etapas anteriores, envolvendo tanto o cirurgião-dentista quanto o paciente, para garantir não apenas a funcionalidade da prótese, mas também sua aceitação psicológica e adaptação anatômica. Pré-Instalação: Exame e Preparação da Prótese Antes da prova clínica intrabucal, é essencial realizar um exame minucioso de toda superfície da prótese para identificar e corrigir imperfeições. A área de assentamento deve apresentar bordas arredondadas e superfície polida, garantindo conforto e prevenindo o acúmulo de biofilme. Qualquer uma falha detectada deve ser ajustada com polimento criterioso, assegurando que a prótese esteja pronta para uso. Análise Estática: Adaptação da prótese: averigua a compatibilidade da base protética com as estruturas anatômicas da boca, certificando-se de que a PPR se adapte de forma passiva sobre a área de suporte; Estabilidade: garante que não haja movimentos indesejados, como deslocamentos ou movimento de báscula, em função de um adequado apoio nos dentes pilares e na mucosa, permitindo melhor distribuição das forças mastigatórias. Oclusão: assegura uma oclusão equilibrada, pois ao checar, com o papel carbono, o registro oclusal em máxima intercuspidação habitual (MIH) com e sem a prótese, verifica-se que os pontos de contato são coincidentes. Alinhamento estético-funcional: verifica se linha média está alinhada à linha facial, o suporte do lábio esta adequado, a posição dos caninos coincide com a comissura labial, além do ajuste das bordas incisais conforme a idade do paciente, quando envolver dentes anteriores. Ajuste dos grampos: realizado com alicates específicos, através movimentos sutis e controlados, evitando danos ou fratura do grampo. Análise Dinâmica: Na fase dinâmica, observam-se os movimentos do arco antagonista durante a fala, mastigação e lateralidade. Durante os movimentos funcionais, uma prótese mal adaptada pode gerar desconforto e instabilidade protética, por isso, em casos de contatos prematuros ou desbalanceados realiza-se um ajuste oclusal fino, promovendo uma mastigação eficiente. Ajustes finos nos dentes artificiaissão feitos para eliminar interferências oclusais e distribuir as forças mastigatórias de forma homogênea. Após a inserção da prótese, o paciente deve movimentar lábios e bochechas para auxiliar na acomodação. Pastas evidenciadoras (ex.: zincoenólica, elastômeros de baixa viscosidade ou até o próprio alginato) são aplicadas para identificar áreas de pressão excessiva na mucosa. Essas regiões são desgastadas com instrumentos rotatórios (Maxicut e Minicut) evitando úlceras e garantindo conforto. Após os ajustes, um repolimento final é realizado para garantir superfícies lisas e biocompatíveis, prevenindo sobrecarga nos tecidos de suporte. Proservação: Acompanhamento Pós-Instalação e Cuidados Contínuos [1-3] Após a instalação da PPR, é essencial orientar o paciente sobre os cuidados necessários para garantir adaptação, conforto e durabilidade da prótese. Para isso, orientações básicas podem ser entregues ao paciente, incluindo instruções de higiene diária, manuseio correto, dieta inicial macia e a importância dos retornos periódicos ao consultório para ajustes e acompanhamento. A educação do paciente é determinante para o sucesso do tratamento e a manutenção da saúde bucal. Higiene e Retornos Periódicos Educação: estimular mudanças comportamentais, reforçando a higienização rigorosa da prótese e dos dentes remanescentes, além de consultas regulares ao consultório. Cuidados Diários: Limpeza mecânica: escovação diária da prótese com escova de cerdas macias e sabão neutro. O paciente deve escovar os dentes naturais após cada refeição com creme dental fluoretado e utilizar o fio dental; Desinfecção: soluções específicas podem ser utilizadas para reduzir a contaminação microbiana; A limpeza dos dentes naturais deve ser rigorosa, para prevenir cárie e doenças periodontais. A escovação deve ocorrer pelo menos duas vezes ao dia com escova macia, empregando os movimentos adequados e, complementada pelo uso de fio dental e escova interdental. Enxaguantes fluoretados e clorexidina podem ser usados sob orientação profissional. Além disso, é essencial a manutenção de uma dieta não-cariogênica e retornos periódicos, a fim de zelar pela preservação dos dentes naturais e da longevidade da PPR. Capítulo 9Capítulo 9Capítulo 9 868686 Capítulo 9Capítulo 9Capítulo 9 878787 FIGURA 1: Exemplo de cartilha que pode ser entregue ao paciente na sessão de instalação da PPR, sobre os cuidados com a prótese. Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível (desenvolvido pelos alunos a partir do livro “CARR, Alan B. McCracken Prótese Parcial Removível”). Métodos de Dessinfecção da PPR [1-3]: A desinfecção das PPR é uma etapa crucial no manejo clínico, tanto para garantir a longevidade das próteses quanto para assegurar a saúde bucal do paciente. A escolha dos agentes desinfetantes deve considerar sua eficácia contra microorganismos patogênicos, a compatibilidade com os materiais das próteses e a segurança do paciente. Entre os produtos comumente utilizados, destacam-se o Hipoclorito de Sódio 1% e o luconato de Clorexidina 4%, ambos com características específicas que os tornam eficazes para a desinfecção das PPR. Hipoclorito de Sódio 1%: amplamente reconhecido por suas propriedades bactericidas e virucidas, com ação rápida, completada em apenas 10 minutos. No entanto, seu uso prolongado pode causar descoloração das próteses, o que deve ser monitorado para evitar comprometimento estéticos. Gluconato de Clorexidina 4%: apresenta um amplo espectro de ação, incluindo propriedades antimicrobianas e antifúngicas. Além disso, é menos citotóxico, tornando-o uma opção mais suave para os materiais das próteses. Sua ação também se completa em 10 minutos, sendo igualmente eficaz na eliminação de microorganismos. Em ambas as soluções a PPR deve ser imersa por 10 minutos e posteriormente enxaguada em água corrente antes de ser recolocada na boca. Cronograma de Consultas [1-3]: O acompanhamento clínico pós-instalação das PPR é fundamental para garantir a adaptação adequada e o bom desempenho do dispositivo. O cronograma de consultas recomendado é o seguinte: 1. Primeira consulta: 24 horas após a instalação, para avaliação inicial da adaptação da prótese; 2. Segunda consulta: Entre 48 e 72 horas após a instalação. Quanto maior a extensão da prótese, maior tende a ser a necessidade de ajustes posteriores. O tempo de adaptação é um fator determinante para o conforto do paciente; 3. Terceira consulta: 7 dias após a instalação, para verificar a estabilidade, função mastigatória da prótese e possíveis áreas de trauma; 4. Quarta consulta: 30 dias após a instalação, para reavaliação da saúde dos tecidos moles e da retenção da prótese; 5. Consultas subsequentes: A cada 6 meses, para monitoramento da saúde periodontal, risco de cárie, integridade das restaurações, oclusão, suporte e estabilidade da prótese. Problemas Comuns e Condutas Clínicas [1-3]: A adaptação à PPR pode gerar queixas frequentes durante as consultas de acompanhamento. Por isso, é importante reconhecer os sinais clínicos, compreender suas causas e estabelecer condutas terapêuticas direcionadas. O período de adaptação é crucial para a aceitação do paciente. Sintomas como náusea, mordeduras na bochecha ou língua, e desconforto geral podem ser transitórios, decorrentes da introdução de um novo elemento na cavidade bucal. Por isso, é fundamental orientar o paciente a persistir no uso da prótese por 2 a 4 semanas antes de realizar ajustes definitivos, permitindo que os tecidos e a musculatura se adaptem gradualmente. Por outro lado, a necessidade de desgaste excessivo nos dentes antagonistas durante os ajustes deve servir como um alerta, podendo indicar falhas no planejamento inicial ou na execução laboratorial. Isso inclui possíveis erros nos preparos dentários, na moldagem funcional ou no equilíbrio oclusal prévio. Nesses casos, é essencial revisar todo processo e, se necessário, reprojetar a prótese para evitar danos aos dentes remanescentes ou à estrutura protética. A comunicação clara sobre expectativas e a paciência durante o período de adaptação são tão importantes quanto a precisão técnica para o sucesso a longo prazo da reabilitação.A seguir, descrevem-se os problemas mais comuns, suas possíveis causas e as condutas clínicas adequadas para resolvê-los: Capítulo 9Capítulo 9Capítulo 9 888888 Capítulo 9Capítulo 9Capítulo 9 898989 TABELA 1: Resumo dos principais problemas clínicos na adaptação às PPR, com suas causas prováveis e condutas indicadas para resolução rápida em consulta. Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Conclusão: A instalação da PPR é um processo técnico-clínico que alia precisão anatômica, equilíbrio oclusal e sensibilidade às necessidades do paciente. A integração entre análise estática (adaptação e oclusão) e dinâmica (movimento e função) assegura uma prótese confortável, funcional e estética. Além disso, a educação do paciente sobre cuidados, tempo de adaptação e expectativas é tão crucial quanto o ajuste mecânico, consolidando o sucesso a longo prazo da reabilitação protética. Referências: 1.CARREIRO, A. F. P.; BATISTA, A. U. D. Prótese parcial removível contemporânea. São Paulo: Santos, 2014. 2.CARR, A. B. McCracken prótese parcial removível. 13. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2017. E-book. ISBN 9788595152021. 3. • KLIEMANN, C.; OLIVEIRA, W. Manual de prótese parcial removível. 3. ed. São Paulo: Santos, 2009. Capítulo 9Capítulo 9Capítulo 9 909090 MATERIAL DIDÁTICO DESENVOLVIDO PELA DISCIPLINA DE PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL SETOR DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE ODONTOLOGIA RESTAURADORA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ 2026 Prótese Parcial Removível GUIA PARA PRÁTICA CLÍNICA 2026 PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL GUIA PARA PRÁTICA CLÍNICA CURITIBA 2026 CURITIBA, 2026 ORGANIZADORES Yasmine Mendes Pupo Carolina VelosoLima Giselle Emilãine da Silva Reis Thalita de Paris Matos Bronholo AUTORES Ágatha Larissa Carneiro Schimada Gabriel Eduardo Marcon Gabriela Ruiz de Queiroz Julio César Taffarel Jullyana Mayara Preizner Dezanetti Hermeling Rafaela Landgraf Pierdoná Rafael Augusto Cardoso Diagramação Rafaela Landgraf Pierdoná Revisão Ortográfica Yasmine Mendes Pupo Jessica Mendes Nadal Prefácio Sumário CLASSIFICAÇÃO DOS ARCOS PARCIALMENTE DESDENTADOS EM PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL INSTALAÇÃO DA PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL E RECOMENDAÇÕES PARA O PACIENTE página CAPÍTULO 1 CLASSIFICAÇÃO DOS ARCOS PARCIALMENTE DESDENTADOS EM PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL Capítulo 1 Classificação da PPR quanto ao suporte [1,2]: Dento-suportadas: a PPR é sustentada exclusivamente por dentes pilares localizados tanto na parte anterior quanto posterior ao espaço desdentado. Esse tipo de prótese oferece excelente estabilidade e apresenta bom prognóstico. Dento-muco-suportadas: a PPR é sustentada por um dente pilar localizado apenas na região anterior ao espaço desdentado e pelo tecido mucoso na região posterior. A ausência de suporte dentário posterior aumenta a tendência de rotação da prótese durante a função. Essa configuração também ocorre em casos em que o paciente perdeu vários dentes anteriores ou posteriores, mantendo apenas os molares como suporte dentário, tornando o tecido mucoso o principal meio de suporte em grande parte da arcada. Classificação de Kennedy A classificação de Kennedy organiza os arcos parcialmente desdentados em quatro categorias, de acordo com a localização dos espaços desdentados [3]: CLASSE I: Desdentado posterior bilateral CLASSE III: Espaço desdentado com dentes pilares em ambas as extremidades, sem incluir extremidades livres CLASSE IV: Espaço desdentado anterior que cruza a linha média CLASSE II: Desdentado posterior unilateral Capítulo 1 Regras de Applegate A classificação de Kennedy é complementada pelas regras de Applegate que levam em consideração regras anatômicas e estruturais para sua aplicação [2]: A classificação deve ser feita após a exodontia de dentes cuja remoção altere o arco original; Terceiros molares não são considerados para classificação, exceto quando usados como pilares ou planejados para reposição; Segundos molares presentes, mas não incluídos no planejamento do tratamento, também não devem ser considerados para classificação; A classificação é determinada pelos espaços desdentados mais posteriores no arco; Áreas edêntulas adicionais são tratadas como modificações, numeradas em sequência (ex. Modificação 1, 2, 3 etc.), sendo o número de espaços protéticos o critério relevante, não a quantidade de dentes ausentes por espaço; A Classe IV não aceita modificações, uma vez que o espaço desdentado posterior prevalece³. EXEMPLO DE CLASSIFICAÇÃO: Um paciente desdentado posterior unilateral e um espaço anterior intercalado é classificado como Classe II, Modificação 2. Referências: KLIEMAN, C.; OLIVEIRA, W. Manual de PPR. São Paulo: Artes Médicas, 1998. CAR, A. B.; BROWN, D. T. PPR de McCracken. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. MOUSA, M. A. et al. Biomechanics in Removable Partial Dentures: A Literature Review of FEA-Based Studies. BioMed Research International, v. 2021, p. 5699962, 2021. SADEK, S. A.; ELAWADY, D. Impact of Removable Partial Denture Type on Patient Satisfaction and Abutment Survival Rate-RCT. Open Access Macedonian Journal of Medical Sciences, v. 7, n. 15, p. 2513-2519, 2019. DULA, L. J. et al. Clinical evaluation of removable partial dentures on the periodontal health of abutment teeth: a retrospective study. The Open Dentistry Journal, v. 9, p. 132-139, 2015 CAPÍTULO 2 ANAMNESE, EXAME CLÍNICO, EXAMES COMPLEMENTARES E PROTOCOLO FOTOGRÁFICO Capítulo 2 O exame físico é subdividido de acordo com a região inspecionada, de tal forma que ao final da avaliação, ao agrupar as informações intra e extraorais, obtenha-se um panorama geral daquele indivíduo [1-3,5] Avaliação extraoral: Ao examinar a face do paciente é possível extrair certos dados, como por exemplo [1,3]: Formato do rosto: posteriormente orientará a seleção dos dentes artificiais, em associação aos dentes remanescentes; Perfil facial; Alterações da DVO: a diminuição da dimensão vertical de oclusão poderá refletir em sintomas como: aprofundamento dos sulcos faciais, invaginação do lábio, e até mesmo queilite angular; Desvios da linha média; Volume labial; Sinais e sintomas de DTM: alterações identificadas durante a palpação podem implicar no comprometimento de certos passos clínicos, como é o caso da moldagem frente a uma limitação de abertura bucal, assim como no posicionamento de repouso mandibular e/ou seu arco de fechamento. Avaliacao intra-oral: Os achados clínicos intraorais são obtidos através da investigação de outros parâmetros, como [1,3]: Condição dos dentes remanescentes: aspecto esse que contempla uma série de informações que devem ser consideradas, abrangendo: Condição periodontal: a relevância desse ponto reside no fato de que, a partir de um suporte favorável, obtém-se um equilíbrio oclusal, evitando que as que forças incidentes submetam o dente a resultantes laterais. Assim, preconiza-se uma proporção em que o comprimento da raiz exceda o tamanho da coroa, de preferência sendo duas vezes maior. Capítulo 2 Integridade superficial do dente: no caso dos dentes pilares é necessária uma superfície íntegra para a execução dos nichos, isto é, um substrato hígido ou até mesmo restaurado. Em casos de destruições coronárias extensas, indica-se o encaminhamento prévio à outras especialidades. Tecidos moles: é fundamental averiguar possíveis interferências que comprometam o assentamento da prótese, como tórus e hiperplasias. Na porção inferior, deve-se mensurar a distância do assoalho até a margem gengival, visto que essa medida implicará na seleção da conexão maior. Região edêntula: o rebordo residual pode apresentar diferentes classificações dependendo de sua configuração. Assim, pode ser categorizado de acordo com a resiliência e sua morfologia. Número e a distribuição dos dentes remanescentes: fator que interfere na seleção dos dentes pilares e na determinação do tipo de espaço protético, podendo ser ele de extremidade livre ou intercalado. Oclusão: em virtude das perdas os elementos remanescentes ficam sujeitos a alterações de posicionamento. Essas mudanças podem variar desde pequenos ajustes na seleção dos componentes da prótese até a diminuição da DVO, devido as extrusões, comprometendo inclusive o espaço protético). Com a anamnese e exame clínico concluídos, parte-se para a realização dos exames complementares. A classe de exames mais comumente empregada nesses casos é a radiografia, a qual permite confirmar suspeitas levantadas durante a etapa clínica, além de complementar informações sobre os dentes e o rebordo alveolar remanescente [3]. Capítulo 2 Dentre o leque de técnicas radiográficas passíveis de serem utilizadas a mais comum é a periapical, pois, por meio dela, conseguimos avaliar [1-3]: Proporção coroa-raiz; Inserção óssea; Condição de restaurações e tratamentos endodônticos; Presença de lesões periapicais; Espessamentos do ligamento periodontal; Número e forma das raízes. Ou seja, trata-se de um exame que fornece dados essenciais, já que todas essas características podem interferir na escolha dos dentes como pilares. Logo, o processo de conhecer o paciente bem como seus anseios, inicia, a partir do exame clínico, o estabelecimento de um vínculo de confiança entre ambas as partes, permitindo o profissional reunir o máximo de informações para definir o melhor plano de tratamento, individualizado e direcionado ao objetivo reabilitador [5]. REFERÊNCIAS: CAPÍTULO 3 Moldagem e obtenção de modelos de estudo E TRABALHO Capítulo 3 Sequência de passos para moldagem com alginato: Capítulo 3 3. Manipulação do material: Ao utilizar o hidrocolóide irreversível, coloque a quantidade medida de água em um recipientelimpo e seco de borracha. Em seguida, adicione o pó na proporção correta e espatule rapidamente contra as paredes do grau, com uma espátula rígida, durante menos de 1 minuto. Enquanto o material de moldagem é preparado, o paciente deve enxaguar a boca com água fria para eliminar o excesso de saliva [1,3] 4. Preenchimento da moldeira: ao colocar o material na moldeira, evite aprisionar bolhas de ar. A primeira camada deve obstruir as perfurações ou retenções internas da moldeira, garantindo sua adequada fixação após a gelificação [1,2] 5. Aplicação direta do material: com o auxílio do dedo indicador, aplique uma fina camada de alginato sobre as superfícies oclusal e nos espaços interproximais dos dentes a serem moldados, o que ajuda a prevenir a formação de bolhas nessas áreas [3] 6. Inserção da moldeira: utilize um espelho clínico ou o dedo indicador para afastar a bochecha do lado oposto ao operador enquanto a moldeira é inserida na boca [1]; 7. Assentamento da moldeira: assente a moldeira primeiro no lado oposto ao operador e depois no lado próximo, certificando-se de que o lábio esteja naturalmente posicionado sobre a moldeira. Verifique o alinhamento com a linha média facial do paciente, de modo com que o molde seja obtido de forma simétrica e centralizada. Atente-se para não pressioná-la excessivamente contra os dentes, mantendo o espaço necessário para a espessura de material sobre as superfícies oclusal e incisais [1,2] 8. Tempo de presa: mantenha a moldeira imóvel por aproximadamente 3 minutos, aplicando leve pressão dos dedos sobre as áreas pré-molares esquerda e direita. Durante esse tempo, evite qualquer movimento que possa comprometer a fidelidade da moldagem [1-3]. 9. Remoção do molde: após a presa do material, retire o molde rapidamente, seguindo o eixo longitudinal dos dentes, para evitar rasgos ou distorções [1] 10. Limpeza e desinfecção: lave o molde com água corrente e faça a análise crítica do resultado. Em seguida, realize a desinfecção com ácido peracético 1% por 5 a 10 minutos, com hipoclorito de sódio 1% por 10 minutos ou por glutaraldeído 2% por 10 minutos.7,9 Após o tempo indicado, remova todo o resíduo do material desinfetante do molde enxaguando-o novamente com água corrente [1]. Capítulo 3 Precauções ao fazer a moldagem de hidrocoloide [1,2,10-12]: Vazamento do gesso tipo III (gesso tipo pedra) [1-3,8]: Capítulo 3 Moldagem e modelo de trabalho [1,12]: A sequência dos passos operatórios para a moldagem de trabalho segue, em linhas gerais, os mesmos princípios empregados na moldagem de estudo, lançando mão inclusive do mesmo material de moldagem. Contudo, ao se tratar de etapa destinada à confecção da estrutura metálica, exige-se um maior rigor técnico, visando a nitidez e fidelidade na reprodução, sobretudo nas regiões que foram submetidas a desgastes para confecção dos nichos e planos-guias. Outra diferença está no tipo de gesso utilizado, uma vez que o modelo de trabalho é confeccionado com o gesso tipo IV (gesso especial). Recomenda-se respeitar a proporção indicada pelo fabricante que usualmente é em torno de 22 a 24 ml de água para cada 100g de pó. Moldagem funcional: Moldagem pela técnica de moldagem direta [13,14]: Obtida na etapa de prova dos dentes. Tem como vantagem a redução de um passo clínico, previsto para a confecção da moldeira individual e moldagem subsequente. Passo a passo para casos em que o material de eleição for o poliéter [13-15]: Uma vez feita a prova de dentes, a porção externa da base da prótese, assim como os dentes de acrílico, deve ser isolada com vaselina. Aplica-se o adesivo, específico do poliéter na parte interna da sela. Em seguida, o material de moldagem é incorporado à base de prova e então levado à boca do paciente. Inicialmente a moldagem é feita com o paciente de boca aberta, ou seja, após o assentamento da prótese, o profissional executa os movimentos funcionais e solicita para que seja feita a movimentação da língua. Na sequência, os dentes entram em oclusão, ressaltando que a pressão exercida deve ser leve, enquanto o cirurgião-dentista manipula a musculatura paraprotética, a fim de reproduzir a região desdentada quando submetida a ação contrátil de músculos passíveis de comprometer a estabilidade da prótese. Capítulo 3 FIGURA 6: Molde obtido pela moldagem funcional Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR Referências: CARR, Alan B. McCracken Prótese Parcial Removível. Grupo GEN, 2017. E-book. ISBN 9788595152021. RUSSI, Sérgio; ROCHA, Eduardo P. Prótese total e prótese parcial removível. (Abeno). Porto Alegre: Grupo A, 2015. E-book. ISBN 9788536702520. Phoenix RD, Cagna DR, Defreest C. Prótese parcial removível: clínica de Stewart. 3 ed. Chicago: Quintessence Editora Ltda, 2007. Fernandes Neto AJ, et al. Moldagem e confecção de modelo de estudo. 2005 (www.fo.ufu.br/ sites/fo.ufu.br/files/uploads/documents)/Cap11.pdf) Carr AB, McGivney GP, Brown DT. McCracken’s Removable Partial Prosthodontics. 11 ed. St Louis: Elsevier Mosby, 2005. Rudd RW, Rudd KD. A review of 243 errors possible during the fabrication of a removable partial denture: part I. J Prosthet Dent. 2001 Sep, 86(3):251-261. Meira, D. M., Collares, T., Leitune, V. C. B., Van Der Sand, S., Collares, F. M., & Samuel, S. M. W. (2011). Influência do tempo na desinfecção de alginato contaminado com Staphylococcus aureus em ácido peracético ou gluataraldeído. Revista Da Faculdade De Odontologia De Porto Alegre, 52(1/3), 11–14. https://doi.org/10.22456/2177-0018.27095 Capítulo 3 CAPÍTULO 4 Planejamento em Prótese Parcial Removível – Elementos constituintes da PPR Classificação dos apoios em relação à sua localização [1,15]; Capítulo 4 Nos casos de dentes inclinados, pode ser necessária a adição de mais um apoio (tanto na crista mesial quanto na distal do dente) ou a utilização um alongado, a fim de direcionar as forças ao longo do eixo do dente evitar vetores de torque indesejáveis sobre os tecidos de suporte, passíveis de amplificar a angulação do dente. Grampos ou retentores [1-3]: Os grampos envolvem o dente pilar e têm a função de proporcionar retenção e estabilidade, evitando seu deslocamento durante a mastigação e resistindo às forças de deslocamento.Além disso, devem preservar a integridade dos dentes de suporte e das estruturas adjacentes, de forma direta ou indireta. Para o planejamento dos grampos, é fundamental compreender o conceito de equador protético. O equador protético corresponde à linha de maior contorno do dente na posição indicada pelo cirurgião-dentista durante o delineamento, representando seu maior diâmetro naquela trajetória de inserção. Acima dessa linha encontra-se a região expulsiva, enquanto que abaixo dela está a área retentiva. O equador protético permite orientar, criar ou reduzir áreas retentivas de acordo com a trajetória de inserção definida, contribuindo diretamente para a estabilidade e retenção da PPR. Já o equador anatômico é uma linha imaginária traçada na maior convexidade da superfície de um dente, considerando sua forma natural. Ele é determinado independentemente do planejamento protético e representa o maior diâmetro do dente em um plano horizontal. Os grampos podem ser classificados em diretos e indiretos, de acordo com a função que exercem e a posição que ocupam no arco: Retentor direto: previnem o deslocamento vertical da prótese no sentido gengivo-oclusal, garantindo sua retenção. Estão localizados próximos ao espaço protético. Capítulo 4 Retentor indireto: evitam o deslocamento rotacional da prótese quando submetida a forças de desinserção, contribuindo para melhorar a estabilidade. Ele é posicionado distante da linha de fulcro (traçado que une os apoios mais posteriores em dentes pilares adjacentes aos espaços), idealmente formando um ângulo de 90º. Existem dois tipos principais de grampos: circunferenciais e de ação de ponta. Grampos circunferênciais [1,3,4]: Os grampos circunferenciais são projetadospara contornar o dente, requerendo um contorno adequado para seu funcionamento eficaz. Compostos pelo apoio oclusal, o corpo, o braço de oposição (recíproco) e o braço de retenção (retentivo), sendo indicados, sobretudo, para dentes posteriores e espaços protéticos dentossuportados. Seus componentes mantêm contato íntimo com o dente, evitando a retenção de alimento entre o grampo e a fibromucosa. Nos grampos circunferências, o braço de retenção é o principal elemento responsável pela retenção direta da PPR. Ele deve ser suficientemente flexível para prevenir o deslocamento da prótese durante os esforços funcionais, ao passo de permitir sua remoção voluntária sem gerar sobrecarga ao dente de suporte. Apresenta um afilamento progressivo ao longo de sua extensão,aumentando a sua flexibilidade em direção à extremidade ativa, porção essa que deverá situar-se abaixo do equador protético Ele deve apresentar deformação elástica, defletindo e retornando à sua forma original após ultrapassar pela zona retentiva. O braço de oposição é rígido, largo em toda a sua extensão e está posicionado acima do equador protético. Sua função é neutralizar a ação do braço retentivo, garantindo o princípio da reciprocidade, que prevê que uma força seja compensada por outra de mesma magnitude mas em sentido oposto, o que possibilita estabilizar o conjunto protético e protege o dente pilar de forças laterais. De forma geral, em dentes posteriores, o braço retentivo costuma ser posicionado na face vestibular e o recíproco na lingual/palatina. No entanto, essa relação não é fixa, já que a localização de cada braço é condicionada ao posicionamento do equador protético. Capítulo 4 Grampos de ação de ponta [1,2]: Os grampos de barra ou ação de ponta caracterizam-se por apresentarem contato reduzido com o dente, sem cruzar o equador protético em sua posição final. São compostos por apoio, braço de retenção e de oposição, originando-se da sela ou do conector maior, e dispostos em um ângulo de aproximadamente 90º graus em relação à gengiva marginal. Esse tipo de grampo pode ser indicado tanto para dentes anteriores quanto posteriores, sendo aplicável sobretudo em próteses dentomucossuportadas. A configuração da barra proporciona retenção eficiente, como todo corpo do grampo fica abaixo do equador protético, associado a um melhor resultado estético, já que a porção metálica torna-se menos visível. No entanto, em virtude do contato restrito entre o dente e o grampo, se limitando apenas à ponta ativa, pode haver maior propensão ao acúmulo de alimento entre a estrutura metálica e a fibromucosa. Quanto ao seu emprego, existem requisitos anatômicos que devem ser observados, tais quais: Altura vestibular: sendo o ideal um vestíbulo normal ou profundo, de modo a evitar o contato da barra com a mucosa alveolar; Ausência de interferências anatômicas: como obstetra musculares altas e freios proeminentes; Inclinação lingual favorável do dente suporte: inclinações excessivas do longo eixo do dente para lingual podem inviabilizar o seu emprego, já que não haveria área retentiva suficiente para sua colocação; Condição periodontal satisfatória. Presença de área retentiva ideal. Entre os principais tipos de retentores de barra, destacam-se os modelos de roach (T, U, L, I, C, API) que variam quanto à direção e extensão do braço retentivo, adaptando-se a diferentes condições clínicas e posições do equador protético. Capítulo 4 Exemplo de grampos circunferenciais: Grampo circunferencial simples ou de Akers [1,2]: Amplamente utilizado, é constituído por um apoio, um braço de retenção e um braço de oposição. O apoio deve ser posicionado de tal forma que ele fique próximo ao espaço protético, enquanto a ponta ativa do braço de retenção se localiza próximo a face oposta do dente. Sua principal indicação abrange próteses dentossuportadas (classe III de Kennedy), especialmente quando ancorados em dentes posteriores verticalizados. Por outro lado, não é recomendado para dentes inclinados ou em situações de extremo livre, em razão da configuração do apoio. Capítulo 4 Grampo em anzol [1,2]: Também chamado de hair-pin clasp ou grampo de ação reversa (Gillet), apresenta um apoio, um braço de retenção modificado e um braço de oposição. Sua particularidade está no arranjo, em que tanto o apoio quanto a ponta ativa do braço de retenção estejam voltados para a mesma direção, isto é, voltados ao espaço protético. Esse tipo de grampo é indicado para próteses dentossuportadas, sobretudo pré-molares e molares inclinados. Contudo, possui limitações: é considerado antiestético devido à ampla área metálica exposta, necessita de uma maior extensão de coroa anatômica para sua confecção, além de que não deve ser empregue em dentes com suporte periodontal comprometido . Grampo gêmeo, duplo ou geminado [1,2]: Esse grampo caracteriza-se pela duplicação completa de sua estrutura, uma vez que abrange dois dentes adjacentes. Assim, todos os elementos constituintes de um grampo circunferencial se replicam no dente vizinho. No entanto, sua disposição estrutural pode ocorrer de duas maneiras distintas: Estrutura duplicada a partir de um único conector menor: nessa configuração partem de um único conector menor tanto os apoios quanto os braços de retenção e oposição, correspondentes a cada dente. Estrutura distribuída entre dois dentes: aqui, cada dente possui seu próprio conector menor, geralmente em faces opostas. A diferença é que o braço de oposição de ambos se unem, formando um conjunto contínuo. O grampo gêmeo é projetado para oferecer retenção indireta, sendo assim, é posicionado distante dos espaços edêntulos. É indicado para pré-molares e molares com função de suporte secundário, além de ser adequado para espaços protéticos extensos, como nas classes II e III sem modificações, e na classe IV. Capítulo 4 Grampo circunferencial reverso [1]: Apresenta os três componentes característicos de um grampo circunferencial. Quanto à sua configuração, difere do que se preconiza para próteses dentossuportadas: o apoio é posicionado afastado do espaço protético, enquanto a ponta ativa do braço de retenção fica na vestibular voltada ao lado oposto. É indicado para molares inclinados em direção ao espaço protético, como nas Classes II, modificação I. A dificuldade relacionada ao seu emprego decorre da extensão da estrutura metálica, que se prolonga até a distal do último dente presente no arco. Esse aspecto pode gerar desconforto para o paciente e, em alguns casos inviabilizar seu uso quando houver áreas retentivas na porção interna da mandíbula. Capítulo 4 Grampo Meio a Meio [1,3]: Também conhecido como "half and half", este é um exemplo de grampo circunferencial indicado para casos em que um dente posterior isolado se intercale entre dois espaços protéticos dentossuportados. Sua composição contempla dois braços de retenção, um na face vestibular e outro na lingual, orientados em sentidos opostos, de modo com que a ponta ativa de cada braço se direcione para lados contrários, uma voltada para mesial e a outra para distal, os quais emergem de dois apoios oclusais, posicionados sobre ambas as cristas marginais do elemento dentário. Essa configuração proporciona dupla retenção e assegura o princípio da reciprocidade, uma vez que as forças de retenção geradas por cada braço se anulam entre si, apesar da ausência do braço de oposição. Grampo de ação posterior [1,17]: Trata-se de uma alternativa indicada para situações de extremo livre em que o dente adjacente ao espaço protético encontra-se periodontalmente comprometido,caracterizado pela presença de recessão gengival, coroas clínicas longas e mobilidade dentária. Essa escolha fundamenta-se em sua maior capacidade elástica, uma vez que a extensão e a flexibilidade do braço de retenção contribui para distribuição das forças funcionais em direção ao longo eixo do dente, sem concentrar tensões excessivas. Ademais, sua configuração permite que a prótese acompanherotação em torno do longo eixo do dente, minimizando a transmissão de torque ao dente pilar. Em próteses parciais removíveis Classe I e II de Kennedy, grampos de ação de ponta são, em geral, os mais empregados. No entanto, por apresentarem braços mais curtos e rígidos quando comparados aos grampos de ação posterior, tendem a resistir à rotação da prótese, favorecendo o aumento de forças horizontais e, consequentemente, o risco de sobrecarga periodontal, o que contraindica sua aplicação nos casos descritos acima. Sua estrutura contempla um conector menor que se origina na face proximal do dente contíguo à área edêntula, associado a um apoio localizado em zona funcional, ou seja, na região de cíngulo, nos casos de caninos, ou na face oclusal dos pré-molares, mais específicamente na crista marginal oposta à região desdentada. Ademais, possui um braço de retenção longo e contínuo, que contorna a lingual do dente em direção à distal e segue pela vestibular em direção a mesial, tendo sua extremidade posicionada na região mesio-vestibular. Capítulo 4 Grampo em Anzol [3,15]: Caracterizado por circunscrever o dente de suporte ao longo de quase todo o seu perímetro. Sua configuração estrutural pode variar de três maneiras distintas: Um apoio e um conector menor: Nessa conformação, o grampo em anel é constituído por um conector menor, que se liga a um apoio localizado em uma das cristas marginais do dente pilar. A partir desse apoio, emerge pela face lingual um braço metálico longo e único, o qual desempenha simultaneamente as funções de retenção e oposição. Um conector menor e dois apoios: Os dois apoios oclusais encontram-se interligados por uma estrutura metálica contínua, responsável pela função de oposição. O braço de retenção, por sua vez, emerge a partir do apoio, sem relação direta com o conector menor. Dois apoios e dois apoios: Semelhante à estrutura descrita anteriormente, entretanto, ambos os apoios se integram à estrutura metálica da PPR por meio de dois conectores menores. FIGURA 19: Grampo em anzol com apoio único, em uma das cristas marginais, partindo de um conector maior, apresentando um braço contínuo que circunda o dente até a área retentiva vestibular Fonte: Ilustração digital elaborada com o auxílio de inteligência artificial (Gemini 3.1 PRO). Capítulo 4 Quanto à sua indicação, seu emprego é indicado para casos em que molares e pré-molares estejam posicionados posteriormente ao espaço protético, não inclinados para mesial, porém inclinados para lingual no arco inferior e para vestibular no superior. Ademais, sua utilização é preconizada para situações em que um dente posterior isolado intercala entre dois espaços protéticos dentossuportados. Apesar das vantagens associadas à sua escolha, a extensão do grampo pode representar uma limitação clínica. Em casos com poucos remanescentes dentários, sua maior flexibilidade pode comprometer a retenção da prótese, tornando sua aplicação contra indicada nessas situações. Grampo MDL [1,4,6]: Grampo indicado para casos de espaços protéticos intercalares (Classe III e IV), sobretudo em dentes anteriores, em razão de sua estética, uma vez que não apresenta braço de retenção na vestibular. É constituído por uma barra lingual que recobre parcialmente o cíngulo, estendendo-se pelas faces mesial e distal do dente. Como não possui braço de retenção propriamente dito, a retenção é assegurada pela retenção friccional, decorrente da ampla área de contato entre a estrutura metálica e a superfície dentária. Capítulo 4 Grampo MDL modificado [1,2]: Podem ser empregados simultaneamente como elementos de retenção e oposição em dentes anteriores adjacentes a um espaço protético intercalado, mediante modificação em seu planejamento, transformando-os em "grampos MDL modificados". Sua conformação é varia de acordo com a disposição dos dentes remanescentes, sendo possível duas configurações distintas: Dentes isolados: a partir de um conector menor, que ascende pelo centro da face lingual na região cervical do dente pilar, o grampo se estende às faces proximais, terminando em duas placas proximais intimamente relacionadas aos planos-guias Capítulo 4 A principal vantagem desse tipo de grampo é a estética aprimorada, especialmente quando comparado aos grampos circunferenciais e à barra. Contudo, devido à sua menor capacidade retentiva, o emprego do grampo MDL é restrito a dentes anteriores adjacentes a espaços dentossuportados. Grampo contínuo de Kennedy [3]: Atua predominantemente como elemento de retenção indireta, contribuindo para a prevenção do deslocamento rotacional da prótese. Secundariamente, auxilia na estabilização do conjunto, ao limitar os movimentos horizontais. Quanto à sua estrutura, apresenta-se como uma barra lingual dupla contínua, na qual a barra inferior corresponde ao conector maior lingual, enquanto que a barra superior estende-se pela face lingual dos dentes anteriores, na região de cíngulo. Ambas as barras são interligadas por conectores menores, posicionados na região interproximal do último dente ancorado pelo grampo. Quanto às suas aplicações podemos citar os casos de Classe I de Kennedy (situações de canino a canino), e situações em que se faz necessária a contenção de dentes inferiores, diante de comprometimento periodontal. Capítulo 4 Grampo múltiplo ou férula [3,15]: Responsável por exercer a função de retenção indireta, esse tipo de grampo é indicado para situações em que há poucos remanescentes, inclusive quando há comprometimento periodontal. Sua estrutura múltipla permite uma melhor distribuição das forças funcionais entre os dentes remanescentes, favorecendo o comportamento biomecânico do conjunto e reduzindo a sobrecarga individual sobre os pilares e opondo-se à rotação da prótese em torno da linha de fulcro. Estruturalmente, envolve dois ou mais dentes, que apresentam diversos apoios ligados ao conector maior por meio de conectores menores. Exemplos de grampos de ação de ponta: Grampo em T [1,2,17]: Dentre os grampos de Roach, o grampo em T é o mais frequentemente utilizado em casos de extremidade livre. Sua ampla indicação justifica-se por sua configuração estrutural, que favorece o comportamento biomecânico nesses casos. É composto por um braço de oposição, característico de um grampo circunferencial, placa proximal, apoio proveniente de um conector menor, braço retentivo em barra, de comprimento ampliado e consequente elevada elasticidade, que termina em duas pontas ativas, posicionadas em zonas retentivas abaixo do equador protético. Esse tipo de grampo pode ser empregado em todos os grupamentos dentários, sobretudo quando localizados no arco inferior, desde que haja duas áreas retentivas situadas nas regiões proximovestibulares do dente pilar. Contudo, sob o ponto de vista estético, sua incorporação ao desenho da PPR é contraindicada em pacientes que apresentem sorriso alto. Quando a disposição das áreas retentivas for desfavorável, isto é, estiverem localizadas apenas na mesial ou distal, pode-se lançar mão de uma modificação do grampo em T, na qual apenas uma das pontas ativas é mantida. Capítulo 4 Grampo em U [1,18,19]: Estruturalmente semelhante a um grampo T, o grampo em U também apresenta um braço de retenção com duas pontas ativas. No entanto, caracteriza-se por flexibilidade limitada, em virtude de sua configuração mais rígida, e por possuir porções terminais distantes entre si. Essa configuração favorece sua indicação para molares e pré-molares inferiores, especialmente nos casos em que tais dentes apresentem coroa clínica curta e área retentiva restrita na superfície vestibular. Capítulo 4 Grampo L [17,18]: Dentre os grampos de ação de ponta, o grampo L é o mais flexível da classe. Apresenta boa retenção, no entanto, esta é inferior quando comparada à do grampo T. Sua configuração remete ao formato da letra que lhe dá nome, isto é, partindo da sela o braço de retenção se estende pela face vestibular até a áreaoposta ao espaço protético, onde se posiciona sua ponta ativa. Quanto à sua aplicação, é indicado para caninos, pré-molares e molares em Classes I e II de Kennedy. Grampo em I [17,18]: No que se refere à sua configuração, o grampo I parte da sela e se direciona à porção distovestibular, próxima ao espaço protético, posicionando-se abaixo do equador protético. Em contrapartida, na face lingual há um braço de oposição a fim de contrapor as forças por ele exercidas. Sua curta extensão compromete a flexibilidade, por outro lado, essa maior rigidez lhe confere retenção mais efetiva. Ademais, seu formato discreto e tamanho reduzido contribuem favoravelmente para a estética. Pode ser empregado em caninos e pré-molares, sobretudo superiores, em virtude da exigência estética, em casos que apresentem suporte dentário posterior, logo, são contra indicados em situações de extremo livre. Capítulo 4 Grampo U [17,18]: Trata-se de um grampo de ação reversa, cuja ponta ativa e a porção terminal da barra apresentam formato de semicírculo. Enquanto que o corpo do grampo segue um trajeto mais retilíneo, quase horizontal, afastado da mucosa em direção à sela, é a sua ponta ativa que assume essa conformação circular, permitindo alcançar a área retentiva localizada na porção mésio-vestibular do dente. O trajeto percorrido pelo braço de retenção confere ao grampo maior comprimento efetivo, o que, associado a uma espessura e secção transversal adequadas, favorece a flexibilidade sem comprometer seu poder retentivo. Sua indicação contempla molares inferiores inclinados, especialmente em casos dentossuportados de Classe III, quando a área retentiva da face vestibular estiver situada em sua porção mesial. Grampo API [1,18]: Sua estrutura contempla a combinação de diversos componentes: apoio oclusal na crista marginal mesial, placa proximal disposta sobre o plano-guia distal e um grampo em I modificado, disposto no centro da face vestibular. Diferentemente do grampo I isolado, o sistema API não se limita à função de retenção. O acréscimo do apoio e da placa proximal contribui para o controle do eixo de rotação, promovendo maior estabilização frente aos deslocamentos horizontais, redução de torque sobre o dente suporte e a distribuição de forças de maneira mais favorável ao dente pilar. Dessa forma, a associação do grampo I às demais estruturas confere um comportamento biomecânico mais eficiente quando comparado ao seu uso sozinho. Esse tipo de grampo é indicado para dentes contíguos ao espaço protético, especialmente em casos de extremidade livre. Capítulo 4 Grampo APA [17]: Embora apresente uma configuração semelhante ao sistema API, o grampo APA difere quanto ao tipo de braço de retenção empregado. Nessa situação, utiliza-se um braço característico do grampo circunferencial de Arkers, que parte da placa proximal distal. Essa alteração permite assegurar a retenção da prótese mesmo diante de determinadas limitações clínicas, como nos casos em que a zona retentiva se encontre próxima ao terço gengival e distante do espaço protético, ou quando a anatomia do rebordo alveolar e dos tecidos moldes contraindique o uso da barra tipo I. Assim, o sistema APA é indicado principalmente em próteses parciais removíveis de extremo livre quando não há condições favoráveis para o emprego da barra tipo I. Capítulo 4 Conectores maiores [1,3,7]: Dentre os componentes da prótese parcial removível, o responsável por interligar os demais elementos, conectando-os de um lado a outro da arcada, é o conector maior. Além de promover a conexão estrutural da prótese, ele contribui para que ela atenda importantes requisitos biomecânicos, como estabilidade, resistência e adequada transferência de forças mastigatórias. Quanto à sua constituição, ele deve apresentar rigidez suficiente para evitar injúrias provenientes da flexibilidade excessiva, pois a maior movimentação da prótese resultaria na sobrecarga do periodonto de suporte dos dentes pilares, lesão ao rebordo residual e esmagamento da mucosa. Além disso, essa característica corrobora para restringir os movimentos indesejáveis da prótese, favorecendo sua estabilidade quando em função. Ademais, seu planejamento deve respeitar os desafios atômicos presentes na cavidade oral, como tecidos moles (freios, bridas) e proeminências ósseas (tórus inoperável ou uma junção palatina mediana elevada), que possam vir a causar desconforto ou machucar o paciente durante a função, inserção e remoção da prótese. Para isso, devem ser respeitadas margens de segurança específicas para cada arcada, tais quais: Arcada inferior: A estrutura metálica deve ficar à 4 mm de distância da gengiva marginal livre, assim como, deve haver um alívio entre ela e a mucosa. Arcada superior: Deve estar em contato íntimo com a estrutura metálica, e a uma distância de 6mm da margem gengival. Conectores maiores maxilares: Cinta palatina anteroposterior ou dupla [3,8]: A cinta palatina anteroposterior é constituída por barras metálicas dispostas nas regiões anterior e posterior do palato, interligadas lateralmente por duas hastes verticais, formando uma estrutura rígida com um alívio no centro, resultando uma conformação semelhante a um trapézio. Esse tipo de conector maior apresenta elevada rigidez estrutural, apesar de sua espessura relativamente reduzida, em virtude da distribuição horizontal das barras. Capítulo 4 Além disso, o orifício central permite uma menor cobertura da mucosa palatina, favorecendo o conforto do paciente e preservando maior área de tecido palatino livre. Pode ser indicada para a maioria das Classes de Kennedy (I, II e IV), sobretudo quando se deseje boa rigidez associada a uma menor cobertura do palato. No entanto, é contraindicada em casos de tórus palatino que se estenda em direção ao palato mole, situação essa em que a adaptação da barra posterior pode ser comprometida. Conector Palatino em forma de “U" [7,9]: A barra palatina em "U" apresenta baixa rigidez, composto por uma barra anterior e duas extensões laterais em forma de fita, posicionadas aproximadamente de 5,0 a 6,0 mm da margem gengival. Sua indicação prevê casos de espaços intercalados anteriores (Classe IV) e pequenos espaços posteriores (Classe III). No entanto, possui algumas limitações, sobretudo relacionadas à sua baixa rigidez estrutural. Essa característica pode favorecer a flexão lateral da prótese, gerando forças indesejadas sobre os dentes pilares. Além disso, seu desenho não proporciona suporte adequado, podendo resultar em trauma nos tecidos palatinos. A tentativa de aumentar a rigidez por meio do aumento de volume da estrutura metálica pode ainda interferir na função da língua, comprometendo o conforto do paciente. Dessa forma, a maioria das barras em "U" não atende plenamente às condições necessárias para evitar irritação gengival e trauma periodontal. Ainda assim, apesar de suas limitações, podem se apresentar como uma alternativa em casos de tórus palatino inoperável, nos quais outros conectores maiores não podem ser empregues. Cinta Palatina Simples [7,9]: A cinta palatina simples apresenta um formato semelhante a uma fita ao longo de toda a sua extensão. Trata-se de um conector maior relativamente pouco rígido, motivo pelo qual, para compensar sua menor espessura, sua largura costuma ser aumentada. Capítulo 4 Sua principal indicação ocorre em casos de Classe III de Kennedy, especialmente quando há espaços protéticos intercalados dentossuportados de pequena extensão. Em virtude de sua menor rigidez, a prótese tende a se tornar excessivamente flexível quando muito delgada ou, por outro lado, volumosa quando se aumenta sua largura a fim de compensar essa limitação, o que pode resultar em desconforto para a língua do paciente. Assim, para sua seleção, deve-se considerar a extensão das áreas de suporte da prótese, bem como o volume da porção metálica, de modo que, com um única estrutura de ligação,seja possível obter rigidez adequada sem comprometer o conforto. Por essas características, seu uso acaba sendo restrito na prática clínica. Placa Palatina [7,9]: Trata-se de um conector maior que recobre completamente o palato, proporcionando excelente suporte e elevada rigidez estrutural, com adequada transmissão e distribuição das forças mastigatórias. É especialmente indicada em situações em que há poucos dentes remanescentes, distribuição desfavorável de dentes na arcada ou presença de sequelas periodontais. A placa pode ser confeccionada inteiramente de metal ou na forma metaloplástica. Nesta última, a estrutura metálica é recoberta por resina acrílica, o que possibilita a realização de reembasamento quando necessário. Uma de suas principais vantagens é a possibilidade de confecção de uma placa metálica delgada, capaz de replicar com precisão os contornos anatômicos do palato. Além disso, sua espessura uniforme costuma ser bem tolerada pela língua e pelos tecidos subjacentes, favorecendo uma boa adaptação. A anatomia corrugada da estrutura metálica confere rigidez à peça, permitindo que seja fina, porém resistente. As irregularidades superficiais são intencionais, exigindo apenas polimento eletrolítico, o que preserva sua espessura original. Capítulo 4 O contato íntimo do metal com os tecidos palatinos gera uma tensão superficial que contribui para o aumento da retenção da prótese, auxiliando na resistência às forças de deslocamento, como forças de tração, ação dos tecidos moles, gravidade e até movimentos involuntários, como tosse ou espirros. Dessa forma, a retenção da prótese é proporcional à área da base em contato com os tecidos de suporte. Conectores maiores mandibulares: Barra lingual [1,3,6,7]: A barra lingual apresenta um formato de meia-pêra, de modo que, próxima à margem gengival, sua porção superior seja mais afilada e, à medida que se aproxima do assoalho bucal, torna-se progressivamente mais larga. Trata-se da opção preferencial dentre os conectores maiores mandibulares, tendo em vista sua versatilidade, podendo ser indicada para todas as Classes de Kennedy. No entanto, sua principal limitação está associada ao espaço vertical mínimo necessário para sua instalação. Para sua correta indicação, é necessário haver uma distância ideal de aproximadamente 9 mm entre a gengiva marginal livre e o fundo da região sublingual. A Mensuração desse espaço considera: 3 a 4 mm entre gengival marginal livre e o início do conector maior; 4 a 5 mm correspondentes à largura da barra lingual; 1mm de alívio entre o término da estrutura metálica e a mucosa do assoalho bucal. A borda superior da barra, afilada em direção ao tecido, reduz a interferência da língua, tornando o conjunto mais confortável e aumentando sua aceitabilidade. Além disso, a margem de segurança inferior é mantida a fim de evitar que o conector lesione o paciente durante os movimentos de inserção e remoção da prótese. Capítulo 4 Placa lingual [3,5,7,8,14]: A placa lingual é indicada nos casos em que o espaço entre a margem gengival e o assoalho bucal é reduzido, isto é, inferior ao mínimo necessário para a instalação de uma barra lingual. Também pode ser recomendada quando o freio lingual apresenta inserção alta, dificultando a adaptação adequada desse conector menor. Ademais, sua indicação contempla casos de Classe I de Kennedy em que o rebordo residual se encontra excessivamente reabsorvido, contribuindo para uma maior estabilização da prótese. Pode ainda ser utilizada em dentes com comprometimento periodontal, uma vez que possibilita a participação de um maior número de dentes na dissipação e distribuição das forças mastigatórias. Além disso, situações nas quais se prevê futuras substituições de dentes anteriores, permitindo a adaptação de novos dentes artificiais à prótese, sua escolha também pode ser adequada A placa lingual deve ser confeccionada o mais delgada possível, respeitando os contornos das faces linguais dos dentes com os quais entra em contato, resultando em uma margem superior esculpida que acompanha a anatomia dental. Capítulo 4 Conectores menores [7,9]: Os conectores menores são com estruturas rígidas fundamentais da PPR, responsáveis por unir o conector maior aos demais elementos da prótese. Além disso, atuam na transmissão das forças mastigatórias aos dentes pilares e auxiliam na estabilidade e no correto posicionamento da prótese durante sua inserção e remoção. Quando em contato com o plano-guia, o conector menor passa a integrar o conjunto do grampo, podendo estar associado ou não à estabilização lingual. São geralmente posicionados na região de ameia, entre os dentes adjacentes. De modo geral, apresentam formato triangular, configuração essa compatível com a forma da ameia interdental. Dessa forma, o conector menor se interpõe nesse espaço, apresentando maior largura no sentido vestíbulo-lingual e menor dimensão no sentido mésio-distal, o que contribui para minimizar a interferência com os dentes adjacentes e favorecer a rigidez da estrutura. Ademais, sua porção que atravessa a ameia apresenta-se afilada, o que favorece a acomodação da língua e a redução do volume da estrutura metálica. A junção entre ambos os conectores deve formar um ângulo de aproximadamente 90°, assegurando melhor adaptação do conjunto e contribuído para a preservação da anatomia do palato. A localização dessa união deve ser cuidadosamente planejada, levando em consideração também o posicionamento dos dentes artificiais. Os apoios teciduais, que fazem parte dos conectores menores, são desenhados para auxiliar na retenção das bases de resina acrílica, fornecendo estabilidade à armação metálica durante as etapas laboratoriais de transferência e processamento, além de ajudar a prevenir a distorções da armação durante a confecção da prótese. Sela [5,7,9]: A sela corresponde à porção da PPR que suporta os dentes artificiais e repousa sobre o rebordo residual. Esse componente é responsável por preencher o espaço protético e restaurar os tecidos perdidos em decorrência do edentulismo. Capítulo 4 Sua função pode variar conforme o tipo de próteses: Próteses dentossuportadas: a sela atua principalmente no preenchimento do espaço protético e na reposição dos dentes artificiais, contribuindo para a estética, para a transmissão das forças mastigatórias às estruturas de suporte, sobretudo os dentes pilares, manutenção do espaço, além de evitar a migração vertical e horizontal dos dentes naturais remanescentes. Próteses de extremidade livre: além das funções que compartilha com as próteses dentossuportadas, a sela desempenha papel importante no suporte sobre o rebordo residual, contribuindo para a distribuição das forças mastigatórias e para a estimulação funcional dos tecidos subjacentes, o que auxilia na manutenção do rebordo e na redução da reabsorção por desuso. Nesses casos, é fundamental que haja uma adaptação precisa à área basal, a fim de eliminar retenções alimentares indesejadas, melhorar o suporte e retenção, minimizar movimentos funcionais e aprimorar a estabilidade por meio da ampliação da área de superfície de contato. Recomenda-se que a sela apresente máxima extensão dentro dos limites funcionais do rebordo residual, a fim de aumentar a área de suporte e promover melhor distribuição das forças mastigatórias. As selas podem ser metálicas ou metaloplásticas, sendo estas últimas as mais utilizadas. As selas metaloplásticas apresentam boa estética, menor custo e permitem reembasamento, uma vez que são recobertas por resina acrílica. Além disso, sua configuração vazada, permite que a resina acrílica extravase através da estrutura metálica, promovendo embricamento mecânico entre os materiais. As selas metálicas, por sua vez, são indicadas principalmente em situações de espaço interoclusal reduzido e quando há pouca reabsorção óssea do rebordo residual. Falhas nas próteses parciais removíveis podem ocorrer quando há cobertura inadequadada área basal ou moldagem funcional incorreta, resultando em um registro impreciso dessa região e comprometendo o suporte e a estabilidade da prótese. Capítulo 4 Dentes artificiais [9-13]: Os dentes artificiais desempenham um papel fundamental na restauração da estética e da função mastigatória das próteses parciais removíveis. Os dentes posteriores são responsáveis principalmente por restabelecer a capacidade mastigatória e contribuir para a manutenção da dimensão vertical de oclusão (DVO). Já os dentes anteriores possuem papel predominante na estética e na fonética, além de também participarem da função mastigatória. Em geral, os dentes artificiais são pré-fabricados e podem ser confeccionados em porcelana ou resina acrílica. A porcelana oferece maior resistência ao desgaste, porém possui desvantagens, como a ausência de união química com a base de resina acrílica da prótese e a possibilidade de produção de ruídos durante a mastigação. Os dentes de resina acrílica, atualmente os mais utilizados, passaram importantes melhorias ao longo dos anos. A introdução no mercado de resinas com cadeias poliméricas entrelaçadas e a incorporação de partículas inorgânicas aumentaram sua resistência e dureza. Entretanto, essas modificações comprometeram sua a adesão à base acrílica da prótese. Além disso, avanços na incorporação de pigmentos e efeitos ópticos tornaram esses dentes esteticamente mais semelhantes aos dentes naturais. Quanto à morfologia oclusal, os dentes posteriores variam quanto à inclinação das cúspides (33º, 20º e 0º), característica essa que impacta diretamente na eficiência mastigatória e na estabilidade. De modo geral, quanto maior a inclinação das cúspides, maior a eficiência mastigatória, porém também ocorre o aumento das forças oblíquas, o que pode afetar a estabilidade da PPR em determinadas situações clínicas. Dessa forma, a escolha do tipo de dente artificial deve considerar não apenas fatores estéticos, mas também as condições oclusais e o tipo de suporte protético. Capítulo 4 Capítulo 4 CAPÍTULO 5 Planejamento em Prótese Parcial Removível: Delineamento e desenho Capítulo 5 Delineador Propriamente Dito [1]: Plataforma Horizontal: base onde estão conectadas as hastes do instrumento; Haste Vertical Imóvel: fixada à base do delineador; Haste Horizontal: articulada à haste vertical fixa, permitindo apenas movimentos rotacionais horizontais; Haste Vertical Móvel: movimenta-se verticalmente em torno de seu eixo e possui um mandril, no qual são presas as pontas de trabalho. As pontas utilizadas na haste móvel podem apresentar diferentes finalidades: Ponta de grafite: utilizada para a delimitação do equador protético; Pontas calibradoras: selecionadas conforme a preparação dentária, o material protético e as forças mastigatórias envolvidas. 0,25 mm: a mais utilizada, uma vez que oferece precisão e retenção adequadas dentro dos limites de tolerância biológica do dente. Também é a preferida na prática clínica em virtude de sua versatilidade e compatibilidade com a flexibilidade da liga de Cobalto-Cromo (CoCr), amplamente utilizado em próteses. 0,5 mm: indicado para casos que exigem um equilíbrio entre retenção e resistência, sendo adequado para próteses com ligas áureas. 0,75 mm: recomendada em situações que demandam maior retenção, como preparações extensas ou cargas mastigatórias elevadas, sendo frequentemente utilizada no planejamento de PPR provisórias confeccionada com fios ortodônticos. Ponta de corte (faca): empregada na avaliação de planos-guia e na fresagem de coroas. Platina [1]: Base da Platina: parte que se apoia na plataforma do delineador. Mesa Porta-Modelo: superfície onde o modelo de gesso é fixado. Junta Universal: articulação que conecta a base da platina à mesa porta-modelo, permitindo ajustes na inclinação e posição do modelo em relação à haste vertical do delineador. Esses ajustes sao fundamentais para a determinação do passo de inserção e remoção da PPR. Capítulo 5 Funções e Aplicações do Delineador: O delineador é instrumento essencial no planejamento de PPR, pois permite determinar [1-3]: Equador protético: linha traçada ao redor do dente que separa as áreas retentivas, responsáveis pela manutenção da prótese em posição, das expulsivas. Passo de inserção e remoção (P.I.R.): trajetória única pela qual a prótese deverá ser inserida e retirada da cavidade bucal, sem interferências e sem causar danos aos tecidos. Identificação de superfícies para planos-guia: áreas dentárias que serão ajustadas para orientar o eixo de inserção da prótese. Equador Protético [1,2] Delinear o equador protético consiste em traçar uma linha circunferencial ao redor do dente que delimita e diferencia as regiões retentivas daquelas não retentivas. Essa linha não representa uma medida estática, uma vez que sua localização depende da posição espacial e inclinação do dente no arco. Assim, se o elemento dentário não estiver perfeitamente vertical ou apresentar inclinações, o equador se ajusta à nova posição, modificando a distribuição das áreas expulsivas e retentivas. Essa variação pode exigir adaptações no planejamento da PPR, incluindo modificações na seleção, posicionamento e desenho dos grampos, bem como na determinação do passo de inserção e remoção. Portanto, equador protético e anatômico não são conceitos que se equivalem. O equador protético é uma referência dinâmica, determinada pelo delineamento e sujeita a variações conforme o posicionamento do dente no arco. Já o equador anatômico corresponde à maior circunferência do dente isolado, constituindo uma referência anatômica fixa e intrínseca ao elemento dentário. Capítulo 5 Passo de inserção e remoção [1,2]: O passo de inserção de uma PPR corresponde ao percurso realizado pela estrutura metálica da prótese desde o primeiro contato com os dentes pilares até o seu o assentamento final. O passo de remoção refere-se ao mesmo trajeto, porém no sentido inverso. Para estabelecer o passo ideal, considera-se inicialmente uma trajetória perpendicular ao plano oclusal, também chamada de trajetória de inclinação zero. A técnica de Roach, também conhecida como a técnica dos 3 pontos, é um dos métodos mais utilizados para definir o plano oclusal. Nela, identificam-se três pontos no modelo: um anterior e dois posteriores, formando aproximadamente um triângulo equilátero. Na prática, utiliza-se um nível, apoiado simultaneamente em todos os pontos, para garantir que todos fiquem na mesma altura. Assim, o plano formado fica nivelado de modo que, ao usar o nível, o plano fique em zero. Com a base da platina posicionada conforme o plano de referência, torna-se possível determinar a orientação de entrada e saída da prótese, assegurando que seu assentamento e remoção ocorram de forma suava e sem interferências. Capítulo 5 Quando os dentes remanescentes apresentam uma inclinação normal em relação ao plano oclusal, a trajetória perpendicular costuma ser adequada. Entretanto, em arcadas parcialmente edêntulas, onde os dentes exibem inclinações anormais ou giroversões, ajustes tornam-se necessários. O objetivo é minimizar intervenções nos dentes pilares e estabelecer uma trajetória funcional que favoreça a inserção, o assentamento e a estabilidade da prótese. Planos-Guia [1]: Os planos-guia correspondem às superfícies dos dentes pilares, geralmente paredes axiais, preparadas para permanecerem paralelas à trajetória de inserção e remoção da prótese. Idealmente, apresentam entre 2 a 4 mm de altura e devem estar localizados nos terços médio e oclusal. Quanto maior o número de planos-guia, mais suave e eficiente tende a ser o assentamento. Caso não haja planos-guia naturais, com paredes axiais já alinhadas, é possível prepará-los, desde que desgaste seja criterioso e conservador, evitando a remoção excessiva de estrutura dentária sadia, o que poderia comprometer a saúde do dente. Em determinadas situações, inclinar levemente o modelo pode favorecer o paralelismoentre as paredes axiais, otimizando o número de planos-guias naturais disponíveis. Área Retentiva [1,3} A área retentiva de um dente pilar é a região responsável pela manutenção da prótese em posição, impedindo sua movimentação. Ela é determinada pelo traçado do equador protético. A correta delimitação da área retentiva é essencial para o posicionamento da ponta ativa dos grampos. Para isso, utiliza-se a ponta calibradora de 0,25 mm, que respeita os limites biológicos do dente, evita danos por forças laterais, e apresenta compatibilidade com a flexibilidade da liga de Cobalto-Cromo (CoCr), frequentemente empregada em PPR. A retenção ideal dependerá do ângulo formado entre o braço do grampo e a parede dentária, devendo ser ajustada para assegurar um funcionamento adequado e previsível. Interferências [1]: Durante o delineamento, podem surgir interferências no P.I.R devido a particularidades anatômicas. Tórus mandibulares ou exostoses, por exemplo, podem dificultar a colocação da prótese e exigir ajustes na trajetória. Da mesma forma, áreas de tecidos moles, como a vertente vestibular do rebordo residual, também podem gerar obstáculos à inserção. Nessas situações, pequenas modificações podem ser necessárias para superar essas barreiras e garantir o conforto e a eficácia da prótese. Capítulo 5 Estética [1,3]: A estética é outro fator determinante na escolha da trajetória. Embora grampos de retenção extracoronários nem sempre ofereçam o melhor resultado estético, o impacto visual pode ser minimizado posicionando-os de forma estratégica e, preferencialmente em regiões menos visíveis, como porções posteriores dos dentes. Dessa forma, busca-se manter um equilíbrio entre a retenção adequada, função e harmonia do sorriso. Registro da Trajetória: Uma vez determinado o passo de inserção e remoção ideal, é essencial registrá-lo para garantir que, em futuros ajustes ou reposicionamentos do modelo de estudo, a trajetória possa ser fielmente reproduzida. O registro pode ser feito de várias maneiras, uma das formas mais simples é traçando riscos de grafite com o delineador na base do modelo. Desenho da estrutura metálica da PPR [1-3]: O desenho da PPR no modelo de estudo é uma etapa fundamental, pois é ele que define a adaptação anatômica precisa da estrutura metálica, garantindo funcionalidade, conforto e distribuição equilibrada das forças mastigatórias. Esse esboço inicial, sem dentes ou gengiva artificiais, permite antecipar os desafios técnicos, evitar sobrecargas nos dentes pilares e assegura que a prótese final se adapte às necessidades individuais do paciente. Quando essa fase não é executada com precisão, elevam-se as chances de desajustes, perda de retenção e, consequentemente, o comprometimento do resultado final. Não existe apenas uma única conformação correta de desenho, visto que a mesma configuração de arco pode permitir diferentes alternativas estruturais. Essa variabilidade é possível graças à ampla gama de componentes e combinações disponíveis, desde que sejam respeitados os requisitos biomecânicos. É imprescindível que o registro seja realizado no modelo de estudo, preservando sua integridade. O abrasionamento do modelo pode gerar discrepâncias dimensionais que podem resultar na desaptação em boca da estrutura metálica. Capítulo 5 Funções do Desenho: Registrar o plano de tratamento; Orientar o preparo da boca; Estabelecer uma comunicação clara e objetiva com o laboratório. Sequência do desenho da PPR: Apoio; Conector Maior; Conector Menor; Sela; Retentores; Após a definição do desenho da PPR, torna-se essencial preparar o modelo para que o planejamento realizado seja reproduzido com precisão na etapa laboratorial e, posteriormente na etapa clínica. Essa fase possibilita a identificação de superfícies que exijam algum tipo de ajuste, como correções de paralelismo ou alterações na posição da zona retentiva. Tais ajustes podem ser realizados previamente no modelo de gesso, a fim de simular e treinar possíveis preparos, além de servir de base para a confecção de guias de transferência. Desse modo, quando essas informações forem transferidas para a boca, as modificações serão mais previsíveis, conservadoras e embasadas por uma validação prévia no modelo. REFERÊNCIAS: CAPÍTULO 6 Preparo de dentes, moldagem e obtenção de modelos de trabalho Capítulo 6 Preparo da área retentiva [3,5]: Na fase de delineamento, após a determinação do eixo de inserção e remoção da prótese, avalia-se a presença e a distribuição das áreas retentivas no dente pilar. Quando a superfície proximal não oferece retenção adequada em relação ao p.i.r há a necessidade de modificá-la, seja por acréscimo ou decréscimo. O método de adição de material restaurador tem como principal vantagem o seu caráter reversível e conservador. Contudo, para que a quantidade de resina seja controlada e não haja risco de erro por excesso ou falta de material, recomenda-se a confecção de um gabarito em resina transparente fotopolimerizável, o qual direciona o volume ideação necessário para reduzir a expulsividade da região. Já a opção que implica o desgaste da estrutura dental apresenta indicações mais restritas, se limitando a casos que demandem correções mínimas, apenas em esmalte, frente à variação de espessura desse tecido entre os terços coronários e ao risco de exposição dentinária. Preparo da área retentiva por acréscimo: - Enceramento prévio, em modelo de estudo, da restauração que promoverá a retenção adequada; - Confecção de uma matriz individual transparente sobre o dente recontornado; - No ato clínico a matriz, previamente isolada com vaselina, acomodará em sua porção interna o material restaurador. Uma vez preenchida ela é levada em posição, e em seguida é feita a fotopolimerização da resina através da própria matriz. - Acabamento e polimento final da restauração. Capítulo 6 Preparo da área retentiva por decréscimo: Essa técnica prevê a confecção de reentrâncias ou depressões em esmalte, de modo com que o braço retentivo do grampo possa ser acomodado nessas regiões. Adequação do Equador Protético [3]: Consiste no recontorno da superfície dentária para deslocar a linha equatorial para uma posição mais favorável, isto é, adequar o equador protético de tal forma que o campo de ação do grampo de retenção e de oposição se equivalam. Isso garante que o retentor direto cumpra o requisito biomecânico da reciprocidade. O desgaste é indicado apenas quando o campo de ação do grampo de retenção for maior que o de oposição, nos casos em que eles forem iguais ou ele for menor o desgaste não será necessário. Nichos [1,3,4]: O nicho se trata do preparo realizado na superfície funcional dos dentes pilares com o intuito de alojar o apoio, permitindo a correta transmissão das forças mastigatórias ao longo eixo do dente. Sua execução adequada a influência na integridade das estruturas orais remanescentes e na longevidade da prótese, uma vez que o apoio irá se basear do molde do nicho. Para isso, eles devem atender uma série de requisitos, que variam de acordo com o grupo dentário. Prepará-los inadequadamente pode resultar em alguns possíveis problemas, como por exemplo, a condução oblíqua das forças, interferências oclusais, rigidez comprometida devido ao espaço reduzido e, desgaste excessivo de estruturas sadias. Capítulo 6 Características dos nichos em dentes posteriores: Formato triangular, com o vértice voltado para o centro da face oclusal; Ângulos internos arredondados; Profundidade de aproximadamente 1,5mm; Paredes internas expulsivas; Parede pulpar plana e ligeiramente inclinada em direção ao centro do dente; No sentido mésio-distal, deve abranger até metade da raiz em dentes monoradiculares, enquanto que em multiradiculares ele deve contemplar pelo menos uma delas. FIGURAS 8 e 9: Nicho em dente posterior. Na primeira foto é possível observar um esboço, feito a lápis, de onde haverá o desgaste enquanto que a segunda mostraresidual pode apresentar diferentes classificações dependendo de sua configuração. Assim, pode ser categorizado de acordo com a resiliência e sua morfologia. Número e a distribuição dos dentes remanescentes: fator que interfere na seleção dos dentes pilares e na determinação do tipo de espaço protético, podendo ser ele de extremidade livre ou intercalado. Oclusão: em virtude das perdas os elementos remanescentes ficam sujeitos a alterações de posicionamento. Essas mudanças podem variar desde pequenos ajustes na seleção dos componentes da prótese até a diminuição da DVO, devido as extrusões, comprometendo inclusive o espaço protético). FIGURA 2: Seção da ficha que contempla os aspectos extra e intraorais que devem ser analisados na primeira consulta. Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Com a anamnese e exame clínico concluídos, parte-se para a realização dos exames complementares. A classe de exames mais comumente empregada nesses casos é a radiografia, a qual permite confirmar suspeitas levantadas durante a etapa clínica, além de complementar informações sobre os dentes e o rebordo alveolar remanescente [3]. Capítulo 2Capítulo 2Capítulo 2 141414 Dentre o leque de técnicas radiográficas passíveis de serem utilizadas a mais comum é a periapical, pois, por meio dela, conseguimos avaliar [1-3]: Proporção coroa-raiz; Inserção óssea; Condição de restaurações e tratamentos endodônticos; Presença de lesões periapicais; Espessamentos do ligamento periodontal; Número e forma das raízes. Ou seja, trata-se de um exame que fornece dados essenciais, já que todas essas características podem interferir na escolha dos dentes como pilares. FIGURA 3: Seção da ficha destinada à relação dos exames complementares aos quais o paciente foi submetido. Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Logo, o processo de conhecer o paciente bem como seus anseios, inicia, a partir do exame clínico, o estabelecimento de um vínculo de confiança entre ambas as partes, permitindo o profissional reunir o máximo de informações para definir o melhor plano de tratamento, individualizado e direcionado ao objetivo reabilitador [5]. REFERÊNCIAS: 1.CARREIRO, Adriana de Fonte Porto; BATISTA, André Ulisses Dantas. Prótese parcial removível contemporânea. São Paulo: Editora Santos, 2017. 2.CARR, Alan B. McCracken Prótese Parcial Removível. 13th ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2017. E-book. p.149. ISBN 9788595152021. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595152021/. Acesso em: 11 nov. 2024. 3.VERGANI, Carlos E.; PAVARINA, Ana C.; JORGE, Janaina H.; et al. Reabilitação oral com prótese parcial removível convencional: guia prático. Barueri: Manole, 2021. E-book. p.113. ISBN 9786555766783. Disponível em:https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786555766783/. Acesso em: 11 nov. 2024. 4.JUSTO, Flávio Roberto Machado; TOLENTINO, Lívia de Souza; SABOIA, Roberta; ALVES, Stephanie Gomes Assunção; PASSONI, Ana Carolina Caio; PINTO, Gustavo Nascimento de Souza. Planejamento integrado no tratamento reabilitador – relato de caso. Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research - BJCSR, v. 19, n. 1, p. 86-89, jun./ago. 2017. 5.SILVA, Silvana Correia Alves da; BUENO, Silvia Messias. A importância da anamnese em procedimentos odontológicos. Revista da União das Faculdades dos Grandes Lagos, [s.l.], v. 1, n. 1, 2022 3.3.3.3. MOLDAGEM E OBTENÇÃO DE MODELOS DE ESTUDO E TRABALHO MOLDAGEM E OBTENÇÃO DE MODELOS DE ESTUDO E TRABALHO CAPÍTULO 3CAPÍTULO 3 Moldagem e obtenção de modelos de estudo E TRABALHO Moldagem e obtenção de modelos de estudo E TRABALHO 161616 A moldagem é um procedimento técnico destinado à elaboração de um molde para uma estrutura ou superfície específica. Na cavidade bucal, esse processo inclui [4]: 1. Seleção da moldeira; 2. Escolha e manipulação do material de moldagem; 3. Colocação deste material na moldeira; 4. Posicionamento do conjunto na boca do paciente; 5. Sua manutenção em posição até que o material de impressão esteja polimerizado para remoção da cavidade bucal. Os materiais de moldagens utilizados na confecção das PPRs podem ser classificados em [5]: Rígidos: gesso de Paris, godiva, pasta de óxido de zinco e eugenol; Elásticos: hidrocolóides reversíveis e os irreversíveis, como o alginato; Termoplásticos: godiva. A reabilitação com PPR contempla três diferentes tipos de moldagem: moldagem de estudo, moldagem de trabalho e moldagem funcional [11,12] Moldagem de estudo: A moldagem preliminar tem como objetivo a obtenção de um modelo de estudo, cuja finalidade é complementar as informações obtidas no exame clínico, permitindo análises extraorais da interação entre os arcos e a inspeção minuciosa das áreas registradas [3]. Além disso, esse modelo serve para avaliação em delineador, desenho da estrutura da prótese e montagem em articulador semi-ajustável [11,12] O material preconizado para a obtenção desse molde inicial é o hidrocolóide irreversível. O alginato é amplamente empregado por oferecer conforto ao paciente, por seu baixo custo e ser de fácil manipulação. Outro fator que favorece seu uso é a possibilidade de controlar o seu tempo de presa por meio da temperatura da água, já que quanto mais fria ela estiver, maior será o tempo de trabalho. Além disso, ele apresenta pouca interferência pela presença de saliva e permite uma limpeza simples e rápida após o procedimento [5,6]. Entretanto, esse material apresenta certas limitações, como a necessidade de que o gesso seja vazado imediatamente após sua remoção da boca, em razão de sua baixa estabilidade dimensional. Também possui baixa resistência ao rasgamento e uma capacidade reduzida de reproduzir detalhes quando comparado a outros materiais elastoméricos [5,6] A partir do molde obtido, confecciona-se o modelo de estudo, normalmente com gesso tipo III. Geralmente utiliza-se a proporção de 30 a 35 ml de água para cada 100 g de gesso. É importante confirmar essas medidas com as instruções do fabricante do material que será utilizado [1] Moldagem de trabalho: A moldagem de trabalho é realizada após a consulta de preparo dos dentes, seguindo a mesma sequência clínica da anterior. Capítulo 3Capítulo 3Capítulo 3 171717 A diferença reside no tipo de gesso utilizado para a confecção do modelo, sendo o gesso tipo IV o mais indicado, e no objetivo, que é a obtenção do modelo mestre, que será enviado para o laboratório para a confecção da estrutura metálica [1,12] Moldagem funcional: A moldagem funcional, embora não seja um requisito imprescindível para todas as classes de Kennedy, é uma etapa essencial para casos de extremo livre (Classe I e Classe II). Essa moldagem tem como principal objetivo equilibrar a distribuição de forças entre os dentes pilares e a fibromucosa, o que é obtido por meio da fiel reprodução dos tecidos em função, do correto delineamento do limite do acrílico da e redução do espaço entre a prótese e a área chapeáveis [1,12]. Nos casos de PPR dentomucossuportada o método de obtenção desse registro é variável, tendo em vista a diversidade de técnicas e o leque de materiais disponíveis. Entre as possíveis formas de executá-la, se destacam as moldagens de modelo alterado, direta, de transferência e com moldeira individual completa. Quanto aos materiais disponíveis podemos citar: pasta zincoeugenólica, poliéter, os elastômeros e as mercaptanas [11,13,14]. Passo a passo para moldagem e obtenção de modelo de estudo: Materiais necessários: Alginato; Grau de borracha; Espátula para manipulação do alginato; Jogo de moldeiras tipo Vernes (quatro superiores e quatro inferiores) ou moldeiras perfuradas; Gesso tipo III; Espátula para manipulação do gesso; Vibrador para gesso; Kit de exame clínico (bandeja, sonda exploradora e espelhoo preparo já feito. Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Confecção dos nichos em dentes posteriores: Delimitar a área em que o nicho será confeccionado. Pré-molar: A superfície oclusal deve ser dimensionada de modo com que tanto no sentido mésio-distal como no sentido vestibulo-lingual ela seja dividida em 3 partes. Dessa forma, a segmentação indicará que o quadrante médio distal ou médio mesial deverá ser preparado. Molar: Assim como na situação anterior a área a ser desgastada também será definida através dessas delimitações, entretanto por apresentar uma dimensão maior, a forma como o dente é compartimentalizado segue uma proporção distinta. Nesse caso o molar é dividido no sentido mesio distal em 4 partes, enquanto que no sentido vestíbulo lingual ele é seccionado em 3 partes. Capítulo 6 2.Preparo do nicho: Para sua execução são utilizadas pontas diamantadas esféricas cujo diâmetro coincida com a espessura ideal do nicho, tal qual a #1016, #1015 e #1014. Como alternativa, pode-se utilizar a ponta diamantada #3168, uma vez que sua parte ativa cônica invertida de extremidade arredondada contribui para a criação de desgastes triangulares, ou brocas esféricas nº 6 e nº8, indicadas para superfícies com restaurações metálicas. Nichos em dentes anteriores: Podem estar localizados no cíngulo da face lingual ou na borda incisal. Contudo, em virtude da exigência estética e pela distância do fulcro do dente, esse último não é tão utilizado. Quando feitos na região de cíngulo, utiliza-se a ponta diamantada #3168 para a definição da saliência, permitindo que as forças oriundas da função sejam direcionadas para o longo eixo do dente. Acabamento e polimento do preparo dos nichos: Após o preparo, as superfícies devem ser arredondadas, lisas e polidas. Para alcançar tal resultado podemos lançar mão de pontas diamantadas de diferentes granulações, seguidas de pontas de borracha. Modelo de trabalho [3]: Após completo o preparo em boca, realiza-se um novo registro. Contudo, como esse modelo servirá de base para produção da estrutura metálica, é imprescindível a reprodução Capítulo 6 detalhada sobretudo das áreas em que a prótese irá se assentar. A moldagem deve ser feita de modo a evitar o aprisionamento de bolhas e defeitos na execução da técnica, assegurando uma boa adaptação da peça confeccionada. Referências: Capítulo 7 Espessura adequada dos componentes, que idealmente varia de 1,5 a 2mm (valores inferiores podem comprometer a resistência da estrutura); Adaptação dos apoios sobre os nichos confeccionados; Íntimo contato da placa proximal com os planos-guias preparados, respeitando o eixo de inserção e remoção determinado; Relação de contato (arcada superior) ou de alívio (arcada inferior) do conector maior com a superfície do gesso; Sutil afastamento dos conectores menores em relação à gengiva marginal, bem como sua união perpendicular ao conector maior; A sela deve apresentar leve afastamento do gesso, a fim de assegurar espaço para a interposição da resina acrílica, além de extensão compatível com a área protética a ser reabilitada. Em seguida procede-se à avaliação da integridade da estrutura. Essa inspeção deve considerar o acabamento e polimento da peça, bem como a presença de possíveis irregularidades, como defeitos superficiais, ângulos vivos, bordas cortantes e bolhas. No entanto, embora se preze por uma superfície polida, é fundamental que se preserve as linhas de acabamento, que consistem nas regiões de transição entre o acrílico e o conector maior que apresentam caráter rugoso, característica essa responsável por garantir a retenção mecânica deste material ao metal. Ademais, deve-se observar a adaptação da estrutura ao modelo, verificando a presença de possíveis desajustes ou interferências. Uma vez feita essa avaliação, realiza-se sua remoção de forma cautelosa. Nesse momento, é averiguada a presença de áreas de desgaste ou fraturas no modelo mestre, já que tais alterações comumente indicam interferências que comprometem a passividade de assentamento, podendo corresponder a áreas de interferência em boca. Dessa forma, após a constatação de uma adaptação satisfatória, mediante as correções necessárias e adequada inspeção visual da peça, passa-se para a etapa de análise intra-oral. Capítulo 7 Análise da estrutura metálica em boca [1,2,3]: A etapa de prova da estrutura metálica inicia-se com desinfecção da estrutura metálica, que garante a biossegurança e a prevenção de contaminação cruzada quando realizada previamente a prova clínica. Em virtude de sua constituição em liga metálica, devem ser evitadas soluções à base de hipoclorito, tendo em vista seu potencial corrosivo. Sendo assim, as soluções mais indicadas para uma adequada descontaminação são a clorexidina 0,2% ou o ácido paracético a 1%, pelo período de 10 minutos. A colocação da estrutura em boca deve ser realizada por meio da aplicação de leve pressão sobre os apoios, na direção da trajetória de inserção, após seu correto posicionamento sobre os dentes pilares. Nessa etapa, a adaptação da estrutura deve ser cuidadosamente verificada em ambiente clínico, de modo a assegurar que não haja movimentos indesejáveis, como báscula, nem sobrecarga dos elementos dentários. Dessa forma, busca-se garantir o conforto do paciente e a segurança, prevenindo possíveis efeitos deletérios aos tecidos de suporte. O ajuste desse aparato deve contemplar três análises distintas: a identificação das áreas de interferência e de pressão, avaliação da compressão e relação com os tecidos moles e o ajuste oclusal. Identificação das áreas de interferência e de pressão [1,2,3]: Para a identificação de áreas de interferência e pressão, podem ser utilizados agentes evidenciadores de pressão, como o carbono líquido, corretivos brancos à base de água e pastas indicadoras de pressão. Dentre as opções citadas, o carbono líquido em spray é a mais indicada, por formar uma película fina e uniforme, permitindo marcações mais precisas das áreas de contato. Além disso, apresenta menor risco de contaminação cruzada, uma vez que sua aplicação é realizada à distância, sem contato direto entre o aplicador e a estrutura metálica. Capítulo 7 Após a aplicação do evidenciador sobre as regiões da estrutura que apresentam íntimo contato com os tecidos bucais, o conjunto é posicionado em boca e, em seguida, removido para avaliação. A presença de descontinuidade na película, evidenciada por áreas de metal aparente, indica pontos de interferência que necessitam de algum tipo de ajuste. Entre as regiões que comumente requerem desgaste, destacam-se o terço inicial dos grampos circunferenciais e a porção interproximal das placas linguais. Nessas áreas, recomenda-se a utilização de broca carbide transmetálica #1558, em alta rotação. Alternativamente, podem ser empregadas brocas multilaminadas #4, #6 e #8. Após o desgaste seletivo da área interferente, o evidenciador deve ser reaplicado para nova verificação. Nesse momento, recomenda-se que a reaplicação seja restrita à região ajustada, evitando a formação de camadas espessas que possam levar a desgastes excessivos. Finalizada a sessão clínica, a estrutura deve ser encaminhada ao laboratório para novo polimento, com o objetivo de as irregularidades decorrentes do desgaste. Fonte: Vergani CE et al. Reabilitação oral com prótese parcial removível convencional: Guia prático (2021). Capítulo 7 Referências: Capítulo 8 Capítulo 8 Referências: Capítulo 9 Capítulo 9 Métodos de Dessinfecção da PPR [1-3]: A desinfecção das PPR é uma etapa crucial no manejo clínico, tanto para garantir a longevidade das próteses quanto para assegurar a saúde bucal do paciente. A escolha dos agentes desinfetantes deve considerar sua eficácia contra microorganismos patogênicos, a compatibilidade com os materiais das próteses e a segurança do paciente. Entre os produtos comumente utilizados, destacam-se o Hipocloritode Sódio 1% e o luconato de Clorexidina 4%, ambos com características específicas que os tornam eficazes Capítulo 9 Capítulo 9 Capítulo 9 Referências: MATERIAL DIDÁTICO DESENVOLVIDO PELA DISCIPLINA DE PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL SETOR DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE ODONTOLOGIA RESTAURADORA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁclínico); Godiva ou cera utilidade; Lamparina a álcool ; Espátula nº 7; Seringa de injeção de 10 ml e espátula nº24. Sequência de passos para moldagem com alginato: 1. Seleção da moldeira: escolha uma moldeira suficientemente espaçosa para garantir uma espessura de 3 a 4 mm do material de moldagem entre ela e os dentes e tecidos. Em grande parte das vezes, a distância entre a moldeira e o palato é superior a 4 mm, o que pode gerar imprecisões, já que a porção de alginato distante dos tecidos bucais demora mais para geleificar. Essa permanência prolongada no estado de sol contribui para escoamento do material, e consequentemente o afastamento das estruturas de interesse. Assim, é essencial personalizar a moldeira na região do palato utilizando cera de utilidade ou a porção densa de uma silicona. Lembre-se de que a moldeira, assim como os demais instrumentais passíveis de autoclavagem, deve estar devidamente esterilizada [1-3,11]; 2. Posicionamento do paciente: o paciente deve permanecer na posição vertical, com a arcada a ser moldada quase paralela ao chão [1,2]; Capítulo 3Capítulo 3Capítulo 3 181818 3. Manipulação do material: Ao utilizar o hidrocolóide irreversível, coloque a quantidade medida de água em um recipiente limpo e seco de borracha. Em seguida, adicione o pó na proporção correta e espatule rapidamente contra as paredes do grau, com uma espátula rígida, durante menos de 1 minuto. Enquanto o material de moldagem é preparado, o paciente deve enxaguar a boca com água fria para eliminar o excesso de saliva [1,3] 4. Preenchimento da moldeira: ao colocar o material na moldeira, evite aprisionar bolhas de ar. A primeira camada deve obstruir as perfurações ou retenções internas da moldeira, garantindo sua adequada fixação após a gelificação [1,2] 5. Aplicação direta do material: com o auxílio do dedo indicador, aplique uma fina camada de alginato sobre as superfícies oclusal e nos espaços interproximais dos dentes a serem moldados, o que ajuda a prevenir a formação de bolhas nessas áreas [3] 6. Inserção da moldeira: utilize um espelho clínico ou o dedo indicador para afastar a bochecha do lado oposto ao operador enquanto a moldeira é inserida na boca [1]; 7. Assentamento da moldeira: assente a moldeira primeiro no lado oposto ao operador e depois no lado próximo, certificando-se de que o lábio esteja naturalmente posicionado sobre a moldeira. Verifique o alinhamento com a linha média facial do paciente, de modo com que o molde seja obtido de forma simétrica e centralizada. Atente-se para não pressioná-la excessivamente contra os dentes, mantendo o espaço necessário para a espessura de material sobre as superfícies oclusal e incisais [1,2] 8. Tempo de presa: mantenha a moldeira imóvel por aproximadamente 3 minutos, aplicando leve pressão dos dedos sobre as áreas pré-molares esquerda e direita. Durante esse tempo, evite qualquer movimento que possa comprometer a fidelidade da moldagem [1-3]. 9. Remoção do molde: após a presa do material, retire o molde rapidamente, seguindo o eixo longitudinal dos dentes, para evitar rasgos ou distorções [1] 10. Limpeza e desinfecção: lave o molde com água corrente e faça a análise crítica do resultado. Em seguida, realize a desinfecção com ácido peracético 1% por 5 a 10 minutos, com hipoclorito de sódio 1% por 10 minutos ou por glutaraldeído 2% por 10 minutos.7,9 Após o tempo indicado, remova todo o resíduo do material desinfetante do molde enxaguando-o novamente com água corrente [1]. FIGURA 1: Moldagem feita com alginato para confecção do modelo de estudo Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Precauções ao fazer a moldagem de hidrocoloide [1,2,10-12]: Evite a exposição ao ar, pois isso pode causar desidratação e consequente contração do material. Para previnir alterações dimensionais, o vazamento de gesso deve ser concluído em até 15 minutos após a remoção da cavidade oral. Entretanto, nos casos em que não seja possível realizá-lo dentro do tempo pré-estabelecido é possível recorrer a alternativas que visem manter sua estabilidade, como por exemplo, o armazenamento do molde em uma cuba umidificadora ou em um recipiente hermeticamente fechado, contendo papel ou esponja umedecida. Essa medida auxilia a preservar a umidade sem permitir o contato direto com a água; O exsudato do hidrocolóide pode retardar a reação química do gesso, resultando em uma superfície farinácea. Esse efeito pode ser evitado vertendo-se o gesso imediatamente ou, caso não haja acelerador incluído na fórmula, imergindo a moldagem previamente em uma solução aceleradora. Vazamento do gesso tipo III (gesso tipo pedra) [1-3,8]: 1.Utilize gesso tipo III para confeccionar o modelo de estudo de PPR. Dose o gesso, respeitando as recomendações do fabricante quanto à relação água/pó, que é feita em peso (gramas) para o pó e em volume (mililitros) para a água. Prepare um gral de borracha e manipule o gesso utilizando a proporção de 30 a 35 ml de água para 100 g de pó. O vazamento deve ser realizado o mais rapidamente possível após o período de recuperação elástica, que refere-se aos minutos necessários para a desinfecção, visto que o alginato pode sofrer alterações dimensionais decorrentes da embebição e evaporação. 2.Primeiramente, despeje a água medida no recipiente de mistura e, em seguida, adicione o gesso. Espatule completamente por cerca de 1 minuto, até atingir uma consistência homogênea; 3.Após remover o molde da toalha úmida, agite suavemente para retirar o excesso de umidade e mantenha-o apoiado sobre o vibrador, com a alça da moldeira em contato com o equipamento; 4.Com uma espátula pequena, adicione gesso a partir da região distal ao operador, permitindo que ele se espalhe gradualmente pela arcada, de forma a evitar o aprisionamento de ar. Continue adicionando gesso em incrementos menores até preencher completamente os dentes, e então adicione porções maiores até que esteja preenchido; 5.A região correspondente à língua deve ser reproduzida, com o mesmo gesso utilizado no preenchimento, criando uma base que permita análise posterior no delineador.1 No entanto, evite sobrepor o gesso sobre as bordas da moldeira, o que pode dificultar a remoção do modelo e gerar alavancas indesejáveis em dentes pilares; 6.Assim que o modelo adquirir firmeza inicial, apare o excesso dos lados e envolva-o em papel toalha úmido ou coloque-o em um umidificador, garantindo a cristalização inicial do gesso e impedindo a evaporação da água; 7.Após um tempo de 30 a 60 minutos, separe o molde do modelo com cuidado. Remova qualquer excesso de gesso que possa interferir na separação da moldeira; 8.Limpe a moldeira imediatamente enquanto o material de moldagem ainda estiver flexível, facilitando a remoção de resíduos; 9.Adie o recorte do modelo até a cristalização final do gesso. Em seguida, regularize as laterais tornando-as paralelas, e remova quaisquer bolhas ou imperfeições resultantes do aprisionamento de ar durante o vazamento. Capítulo 3Capítulo 3Capítulo 3 191919 Moldagem e modelo de trabalho [1,12]: A sequência dos passos operatórios para a moldagem de trabalho segue, em linhas gerais, os mesmos princípios empregados na moldagem de estudo, lançando mão inclusive do mesmo material de moldagem. Contudo, ao se tratar de etapa destinada à confecção da estrutura metálica, exige-se um maior rigor técnico, visando a nitidez e fidelidade na reprodução, sobretudo nas regiões que foram submetidas a desgastes para confecção dos nichos e planos-guias. Outra diferença está no tipo de gesso utilizado, uma vez que o modelo de trabalho é confeccionado com o gesso tipo IV (gesso especial). Recomenda-se respeitar a proporção indicada pelo fabricante que usualmente é em torno de 22 a 24 ml de água para cada 100g de pó. Moldagem funcional: Moldagem pela técnica de moldagem direta [13,14]: Obtida na etapa de prova dos dentes.Tem como vantagem a redução de um passo clínico, previsto para a confecção da moldeira individual e moldagem subsequente. Passo a passo para casos em que o material de eleição for o poliéter [13-15]: 1. Uma vez feita a prova de dentes, a porção externa da base da prótese, assim como os dentes de acrílico, deve ser isolada com vaselina. 2. Aplica-se o adesivo, específico do poliéter na parte interna da sela. 3. Em seguida, o material de moldagem é incorporado à base de prova e então levado à boca do paciente. 4. Inicialmente a moldagem é feita com o paciente de boca aberta, ou seja, após o assentamento da prótese, o profissional executa os movimentos funcionais e solicita para que seja feita a movimentação da língua. 5. Na sequência, os dentes entram em oclusão, ressaltando que a pressão exercida deve ser leve, enquanto o cirurgião-dentista manipula a musculatura paraprotética, a fim de reproduzir a região desdentada quando submetida a ação contrátil de músculos passíveis de comprometer a estabilidade da prótese. Capítulo 3Capítulo 3Capítulo 3 202020 FIGURA 2: Modelo de estudo, vazado em gesso tipo III, previamente as etapas de desenho da estrutura metálica e delinemaento Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. FIGURA 3: Modelo de trabalho, registrando a arcada que será reabilitada após a confecção dos nichos e possíveis desgastes compensatórios Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR, cedido por Frank Kaiser. Referências: 1.CARR, Alan B. McCracken Prótese Parcial Removível. Grupo GEN, 2017. E-book. ISBN 9788595152021. 2.RUSSI, Sérgio; ROCHA, Eduardo P. Prótese total e prótese parcial removível. (Abeno). Porto Alegre: Grupo A, 2015. E-book. ISBN 9788536702520. 3.Phoenix RD, Cagna DR, Defreest C. Prótese parcial removível: clínica de Stewart. 3 ed. Chicago: Quintessence Editora Ltda, 2007. 4.Fernandes Neto AJ, et al. Moldagem e confecção de modelo de estudo. 2005 (www.fo.ufu.br/ sites/fo.ufu.br/files/uploads/documents)/Cap11.pdf) 5.Carr AB, McGivney GP, Brown DT. McCracken’s Removable Partial Prosthodontics. 11 ed. St Louis: Elsevier Mosby, 2005. 6.Rudd RW, Rudd KD. A review of 243 errors possible during the fabrication of a removable partial denture: part I. J Prosthet Dent. 2001 Sep, 86(3):251-261. 7.Meira, D. M., Collares, T., Leitune, V. C. B., Van Der Sand, S., Collares, F. M., & Samuel, S. M. W. (2011). Influência do tempo na desinfecção de alginato contaminado com Staphylococcus aureus em ácido peracético ou gluataraldeído. Revista Da Faculdade De Odontologia De Porto Alegre, 52(1/3), 11–14. https://doi.org/10.22456/2177-0018.27095 Capítulo 3Capítulo 3Capítulo 3 212121 FIGURA 4 e 5: Moldagem funcional realizada pela técnica direta Fonte: Carreiro AF, Batista AUD. Prótese Parcial Removível Contemporânea (2017). FIGURA 6: Molde obtido pela moldagem funcional Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR Capítulo 3Capítulo 3Capítulo 3 222222 8. Ueda C, Modaffore PM. Moldagens com alginato – tratamento de superfície e uso racional da cuba umidificadora. Revista Brasileira de Prótese Clínica & Laboratorial – PCL. 2001, 3(16): 511-518. 9. SARTORI, Ivete Aparecida de Mattias; BERNARDES, Sérgio Rocha; SOARES, Darlos; THOMÉ, Geninho. Biossegurança e desinfecção de materiais de moldagem e moldes para profissionais de prótese dentária. Brasília: CFO, 2020. E-book. Disponível em: https://website.cfo.org.br/wp- content/uploads/2020/04/Manual-Desinfeccao-1.pdf. 10. ZACCHÉ, Márcio. Protocolo Clínico para Moldagem com Alginato. Rio de Janeiro: CRO-RJ, 2011. E- Book. Disponível em: https://www.cro-rj.org.br/arquivos/pc/out11.pdf. 11. KLIEMANN, Cláudio; OLIVEIRA, Wagner. Manual de Prótese Parcial Removível. São Paulo: Editora Santos,1998. 12. VERGANI, Carlos E.; PAVARINA, Ana C.; JORGE, Janaina H.; et al. Reabilitação oral com prótese parcial removível convencional: guia prático. Barueri: Manole, 2021. E-book. p.113. ISBN 9786555766783. Disponível em:https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786555766783/. 13. CARREIRO, Adriana de Fonte Porto; BATISTA, André Ulisses Dantas. Prótese parcial removível contemporânea. São Paulo: Editora Santos, 2017. 14. DIAS, Kássia de Carvalho. Análise comparativa na influência da técnica de moldagem funcional em arcos parcialmente edêntulos sobre os pontos de contato oclusais, a integridade da fibromucosa e a extensão da base da prótese. 2012. 79 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2012. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/17803. Acesso em: 18 fev. 2025. 15. ASSUNÇÃO, Wirley Gonçalves; BARÃO, Valentim Adelino Ricardo; SANTOS, Daniela Micheline dos; et al. Influência das estruturas anatômicas oro-faciais nas próteses totais. Pesquisa Brasileira em Odontopediatria e Clínica Integrada, v. 8, n. 2, p. 251-257, maio-ago. 2008. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-873636. Acesso em: 18 fev. 2025. https://website.cfo.org.br/wp-content/uploads/2020/04/Manual-Desinfeccao-1.pdf https://website.cfo.org.br/wp-content/uploads/2020/04/Manual-Desinfeccao-1.pdf https://www.cro-rj.org.br/arquivos/pc/out11.pdf https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786555766783/ https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-873636 4.4.4.4. Planejamento em Prótese Parcial Removível – Elementos constituintes da PPR Planejamento em Prótese Parcial Removível – Elementos constituintes da PPR CAPÍTULO 4CAPÍTULO 4 Planejamento em Prótese Parcial Removível – Elementos constituintes da PPR Planejamento em Prótese Parcial Removível – Elementos constituintes da PPR 242424 A PPR é composta por elementos que garantem funcionalidade e conforto, sendo eles: apoios, grampos (retenção e oposição), conector maior, conectores menores, selas e dentes artificiais [1]. Apoio: O preparo do nicho na superfície funcional do dente permite que o apoio promova suporte vertical, transmita a carga ao longo do eixo do dente e impeça movimentos rotacionais gerados pela sobrecarga dos elementos artificiais. Dessa forma, evita-se a intrusão da prótese nos tecidos, prevenindo lesões e compressão excessiva dos tecidos moles [1]. Além dessas, outras funções atribuídas aos apoios são [1]: Distribuição axial de forças; Restabelecimento da relação oclusal entre os dentes artificiais e seus antagonistas, corrigindo possíveis discrepâncias no plano oclusal; Assegurar a posição adequada da ponta ativa do grampo em relação à superfície do dente suporte, permitindo uma retenção eficiente; Auxiliar na estabilidade como retentores indiretos ; Contribuir para o fechamento de pequenos diastemas. Os apoios podem ser classificados segundo diferentes parâmetros, como função e localização. Classificação dos apoios de acordo com a função [1,15]: Apoio primário/direto: localizados adjacentes ao espaço protético, sobre os pilares direto, contribuem principalmente para o suporte da prótese. Apoio secundário/indireto: posicionado distante da área edêntula, sobre dentes pilares indiretos, contribuindo para estabilidade, suporte dentomucoso e a neutralização da tendência de rotação. Classificação dos apoios em relação à sua localização [1,15]; Intracoronários: contidos no contorno na coroa, podendo ser confeccionado em esmalte ou em material restaurador. Extracoronários: posicionados sobre o esmalte dental ou em uma peça protética, contribuem para o restabelecimento o nível oclusal sem a necessidade de envolver desgastes prévios para alojar o nicho. Os apoios podem estar localizados na face oclusal dos dentes posteriores, na face palatina/lingual ou na incisal de dentes anteriores, além de regiões interdentais. De acordo com a classificação de Kennedy, a posição do apoio direto varia conforme o tipo de área edêntula. Em arcos dentosuportados,quando o espaço protético é intercalado por dentes pilares, os apoios devem ser posicionados próximos ao espaço protético. Já em áreas dentomucosuportadas, ele está localizado no pilar direto, porém mais distante do espaço desdentado (crista marginal oposta), de modo que o braço de potência e o de resistência permaneçam do mesmo lado da linha de fulcro, minimizando a tendência de soltura da prótese quando em função. Nos casos de dentes inclinados, pode ser necessária a adição de mais um apoio (tanto na crista mesial quanto na distal do dente) ou a utilização um alongado, a fim de direcionar as forças ao longo do eixo do dente evitar vetores de torque indesejáveis sobre os tecidos de suporte, passíveis de amplificar a angulação do dente. Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 252525 FIGURA 1: Apoio em cíngulo, confeccionado na face palatina do canino Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. FIGURA 2: Dois apoios posicionados na face oclusal de molares adjacentes Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Grampos ou retentores [1-3]: Os grampos envolvem o dente pilar e têm a função de proporcionar retenção e estabilidade, evitando seu deslocamento durante a mastigação e resistindo às forças de deslocamento.Além disso, devem preservar a integridade dos dentes de suporte e das estruturas adjacentes, de forma direta ou indireta. Para o planejamento dos grampos, é fundamental compreender o conceito de equador protético. O equador protético corresponde à linha de maior contorno do dente na posição indicada pelo cirurgião-dentista durante o delineamento, representando seu maior diâmetro naquela trajetória de inserção. Acima dessa linha encontra-se a região expulsiva, enquanto que abaixo dela está a área retentiva. O equador protético permite orientar, criar ou reduzir áreas retentivas de acordo com a trajetória de inserção definida, contribuindo diretamente para a estabilidade e retenção da PPR. Já o equador anatômico é uma linha imaginária traçada na maior convexidade da superfície de um dente, considerando sua forma natural. Ele é determinado independentemente do planejamento protético e representa o maior diâmetro do dente em um plano horizontal. FIGURA 3: Divisão entre a área expulsiva e retentiva, através do equador protético, para orientar o planejamento dos retentores Fonte: Disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Os grampos podem ser classificados em diretos e indiretos, de acordo com a função que exercem e a posição que ocupam no arco: Retentor direto: previnem o deslocamento vertical da prótese no sentido gengivo- oclusal, garantindo sua retenção. Estão localizados próximos ao espaço protético. Retentor indireto: evitam o deslocamento rotacional da prótese quando submetida a forças de desinserção, contribuindo para melhorar a estabilidade. Ele é posicionado distante da linha de fulcro (traçado que une os apoios mais posteriores em dentes pilares adjacentes aos espaços), idealmente formando um ângulo de 90º. Existem dois tipos principais de grampos: circunferenciais e de ação de ponta. Grampos circunferênciais [1,3,4]: Os grampos circunferenciais são projetados para contornar o dente, requerendo um contorno adequado para seu funcionamento eficaz. Compostos pelo apoio oclusal, o corpo, o braço de oposição (recíproco) e o braço de retenção (retentivo), sendo indicados, sobretudo, para dentes posteriores e espaços protéticos dentossuportados. Seus componentes mantêm contato íntimo com o dente, evitando a retenção de alimento entre o grampo e a fibromucosa. Nos grampos circunferências, o braço de retenção é o principal elemento responsável pela retenção direta da PPR. Ele deve ser suficientemente flexível para prevenir o deslocamento da prótese durante os esforços funcionais, ao passo de permitir sua remoção voluntária sem gerar sobrecarga ao dente de suporte. Apresenta um afilamento progressivo ao longo de sua extensão,aumentando a sua flexibilidade em direção à extremidade ativa, porção essa que deverá situar-se abaixo do equador protético Ele deve apresentar deformação elástica, defletindo e retornando à sua forma original após ultrapassar pela zona retentiva. O braço de oposição é rígido, largo em toda a sua extensão e está posicionado acima do equador protético. Sua função é neutralizar a ação do braço retentivo, garantindo o princípio da reciprocidade, que prevê que uma força seja compensada por outra de mesma magnitude mas em sentido oposto, o que possibilita estabilizar o conjunto protético e protege o dente pilar de forças laterais. De forma geral, em dentes posteriores, o braço retentivo costuma ser posicionado na face vestibular e o recíproco na lingual/palatina. No entanto, essa relação não é fixa, já que a localização de cada braço é condicionada ao posicionamento do equador protético. Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 262626 FIGURA 4, 5 e 6: Grampo circunferencial: composto por braço de retenção (4), braço de oposição (5) e apoio (6) Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Grampos de ação de ponta [1,2]: Os grampos de barra ou ação de ponta caracterizam-se por apresentarem contato reduzido com o dente, sem cruzar o equador protético em sua posição final. São compostos por apoio, braço de retenção e de oposição, originando-se da sela ou do conector maior, e dispostos em um ângulo de aproximadamente 90º graus em relação à gengiva marginal. Esse tipo de grampo pode ser indicado tanto para dentes anteriores quanto posteriores, sendo aplicável sobretudo em próteses dentomucossuportadas. A configuração da barra proporciona retenção eficiente, como todo corpo do grampo fica abaixo do equador protético, associado a um melhor resultado estético, já que a porção metálica torna-se menos visível. No entanto, em virtude do contato restrito entre o dente e o grampo, se limitando apenas à ponta ativa, pode haver maior propensão ao acúmulo de alimento entre a estrutura metálica e a fibromucosa. Quanto ao seu emprego, existem requisitos anatômicos que devem ser observados, tais quais: Altura vestibular: sendo o ideal um vestíbulo normal ou profundo, de modo a evitar o contato da barra com a mucosa alveolar; Ausência de interferências anatômicas: como obstetra musculares altas e freios proeminentes; Inclinação lingual favorável do dente suporte: inclinações excessivas do longo eixo do dente para lingual podem inviabilizar o seu emprego, já que não haveria área retentiva suficiente para sua colocação; Condição periodontal satisfatória. Presença de área retentiva ideal. Entre os principais tipos de retentores de barra, destacam-se os modelos de roach (T, U, L, I, C, API) que variam quanto à direção e extensão do braço retentivo, adaptando-se a diferentes condições clínicas e posições do equador protético. Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 272727 FIGURA 7: Exemplo da estrutura de um grampo de ação de ponta Fonte: Acervo disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR, cedido por Frank Kaiser. Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 282828 Exemplo de grampos circunferenciais: Grampo circunferencial simples ou de Akers [1,2]: Amplamente utilizado, é constituído por um apoio, um braço de retenção e um braço de oposição. O apoio deve ser posicionado de tal forma que ele fique próximo ao espaço protético, enquanto a ponta ativa do braço de retenção se localiza próximo a face oposta do dente. Sua principal indicação abrange próteses dentossuportadas (classe III de Kennedy), especialmente quando ancorados em dentes posteriores verticalizados. Por outro lado, não é recomendado para dentes inclinados ou em situações de extremo livre, em razão da configuração do apoio. FIGURA 8: Vista oclusal de dois grampos circuferenciais simples Fonte: Acervo disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR, cedido por Frank Kaiser. FIGURA 9: Superfície palatinademonstrando o braço de oposição do grampo Fonte: Acervo disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR, cedido por Frank Kaiser. Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 292929 Grampo em anzol [1,2]: Também chamado de hair-pin clasp ou grampo de ação reversa (Gillet), apresenta um apoio, um braço de retenção modificado e um braço de oposição. Sua particularidade está no arranjo, em que tanto o apoio quanto a ponta ativa do braço de retenção estejam voltados para a mesma direção, isto é, voltados ao espaço protético. Esse tipo de grampo é indicado para próteses dentossuportadas, sobretudo pré-molares e molares inclinados. Contudo, possui limitações: é considerado antiestético devido à ampla área metálica exposta, necessita de uma maior extensão de coroa anatômica para sua confecção, além de que não deve ser empregue em dentes com suporte periodontal comprometido . FIGURA 11: Desenho do braço de retenção do grampo em anzol, destacando sua estrutura alongada em formato de “U” Fonte: Ilustração digital elaborada com o auxílio de inteligência artificial (Gemini 3.1 PRO). FIGURA 10: Face vestibular evidenciando o braço de retenção do grampo Fonte: Acervo disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR, cedido por Frank Kaiser. Grampo gêmeo, duplo ou geminado [1,2]: Esse grampo caracteriza-se pela duplicação completa de sua estrutura, uma vez que abrange dois dentes adjacentes. Assim, todos os elementos constituintes de um grampo circunferencial se replicam no dente vizinho. No entanto, sua disposição estrutural pode ocorrer de duas maneiras distintas: Estrutura duplicada a partir de um único conector menor: nessa configuração partem de um único conector menor tanto os apoios quanto os braços de retenção e oposição, correspondentes a cada dente. Estrutura distribuída entre dois dentes: aqui, cada dente possui seu próprio conector menor, geralmente em faces opostas. A diferença é que o braço de oposição de ambos se unem, formando um conjunto contínuo. O grampo gêmeo é projetado para oferecer retenção indireta, sendo assim, é posicionado distante dos espaços edêntulos. É indicado para pré-molares e molares com função de suporte secundário, além de ser adequado para espaços protéticos extensos, como nas classes II e III sem modificações, e na classe IV. Grampo circunferencial reverso [1]: Apresenta os três componentes característicos de um grampo circunferencial. Quanto à sua configuração, difere do que se preconiza para próteses dentossuportadas: o apoio é posicionado afastado do espaço protético, enquanto a ponta ativa do braço de retenção fica na vestibular voltada ao lado oposto. É indicado para molares inclinados em direção ao espaço protético, como nas Classes II, modificação I. A dificuldade relacionada ao seu emprego decorre da extensão da estrutura metálica, que se prolonga até a distal do último dente presente no arco. Esse aspecto pode gerar desconforto para o paciente e, em alguns casos inviabilizar seu uso quando houver áreas retentivas na porção interna da mandíbula. Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 303030 FIGURA 13: Conformação do grampo gêmeo em que cada dente possui seu próprio conector menor, posicionado em faces opostas, que se une através do braço de oposição, que forma uma estrutura unificada Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR, FIGURA 12: Representação do grampo gêmeo na configuração em que um único conector menor dá origem aos elementos duplicados, no caso da foto a partir dele emergem os braços de retenção Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. FIGURA 14: Configuração do grampo circunferencial reverso, ancorado em um dente inclinado em direção ao espaço protético dentossuportado. Observa-se que o apoio oclusal está posicionado na crista marginal oposta ao espaço edêntulo, a partir dele, emergem o braço de oposição na face lingual e, em contrapartida, o braço retentivo na face vestibular Fonte: Ilustração digital elaborada com o auxílio de inteligência artificial (Gemini 3.1 PRO). Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 313131 Grampo Meio a Meio [1,3]: Também conhecido como "half and half", este é um exemplo de grampo circunferencial indicado para casos em que um dente posterior isolado se intercale entre dois espaços protéticos dentossuportados. Sua composição contempla dois braços de retenção, um na face vestibular e outro na lingual, orientados em sentidos opostos, de modo com que a ponta ativa de cada braço se direcione para lados contrários, uma voltada para mesial e a outra para distal, os quais emergem de dois apoios oclusais, posicionados sobre ambas as cristas marginais do elemento dentário. Essa configuração proporciona dupla retenção e assegura o princípio da reciprocidade, uma vez que as forças de retenção geradas por cada braço se anulam entre si, apesar da ausência do braço de oposição. FIGURA 16: Vista oclusal do grampo circunferencial half and half, com apoios em ambas as cristas marginais Fonte: Ilustração digital elaborada com o auxílio de inteligência artificial (Gemini 3.1 PRO). FIGURA 15: Vistas vestibular e lingual do grampo meio a meio, cuja estrutura envolve dois grampos de retenção, um em cada uma das faces Fonte: Ilustração digital elaborada com o auxílio de inteligência artificial (Gemini 3.1 PRO). Grampo de ação posterior [1,17]: Trata-se de uma alternativa indicada para situações de extremo livre em que o dente adjacente ao espaço protético encontra-se periodontalmente comprometido,caracterizado pela presença de recessão gengival, coroas clínicas longas e mobilidade dentária. Essa escolha fundamenta-se em sua maior capacidade elástica, uma vez que a extensão e a flexibilidade do braço de retenção contribui para distribuição das forças funcionais em direção ao longo eixo do dente, sem concentrar tensões excessivas. Ademais, sua configuração permite que a prótese acompanhe rotação em torno do longo eixo do dente, minimizando a transmissão de torque ao dente pilar. Em próteses parciais removíveis Classe I e II de Kennedy, grampos de ação de ponta são, em geral, os mais empregados. No entanto, por apresentarem braços mais curtos e rígidos quando comparados aos grampos de ação posterior, tendem a resistir à rotação da prótese, favorecendo o aumento de forças horizontais e, consequentemente, o risco de sobrecarga periodontal, o que contraindica sua aplicação nos casos descritos acima. Sua estrutura contempla um conector menor que se origina na face proximal do dente contíguo à área edêntula, associado a um apoio localizado em zona funcional, ou seja, na região de cíngulo, nos casos de caninos, ou na face oclusal dos pré-molares, mais específicamente na crista marginal oposta à região desdentada. Ademais, possui um braço de retenção longo e contínuo, que contorna a lingual do dente em direção à distal e segue pela vestibular em direção a mesial, tendo sua extremidade posicionada na região mesio- vestibular. Grampo em Anzol [3,15]: Caracterizado por circunscrever o dente de suporte ao longo de quase todo o seu perímetro. Sua configuração estrutural pode variar de três maneiras distintas: Um apoio e um conector menor: Nessa conformação, o grampo em anel é constituído por um conector menor, que se liga a um apoio localizado em uma das cristas marginais do dente pilar. A partir desse apoio, emerge pela face lingual um braço metálico longo e único, o qual desempenha simultaneamente as funções de retenção e oposição. Um conector menor e dois apoios: Os dois apoios oclusais encontram-se interligados por uma estrutura metálica contínua, responsável pela função de oposição. O braço de retenção, por sua vez, emerge a partir do apoio, sem relação direta com o conector menor. Dois apoios e dois apoios: Semelhante à estrutura descrita anteriormente, entretanto, ambos os apoios se integram à estrutura metálica da PPR por meio de dois conectores menores. 323232FIGURA 17: Braço de retenção longo e contínuo, se estendendo por quase todo perímetro do dente Fonte: Ilustração digital elaborada com o auxílio de inteligência artificial (Gemini 3.1 PRO). Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 FIGURA 18: Exemplo de grampo circunferencial ideal para dentes pilares adjacentes ao espaço protético Fonte: Ilustração digital elaborada com o auxílio de inteligência artificial (Gemini 3.1 PRO). FIGURA 19: Grampo em anzol com apoio único, em uma das cristas marginais, partindo de um conector maior, apresentando um braço contínuo que circunda o dente até a área retentiva vestibular Fonte: Ilustração digital elaborada com o auxílio de inteligência artificial (Gemini 3.1 PRO). Quanto à sua indicação, seu emprego é indicado para casos em que molares e pré- molares estejam posicionados posteriormente ao espaço protético, não inclinados para mesial, porém inclinados para lingual no arco inferior e para vestibular no superior. Ademais, sua utilização é preconizada para situações em que um dente posterior isolado intercala entre dois espaços protéticos dentossuportados. Apesar das vantagens associadas à sua escolha, a extensão do grampo pode representar uma limitação clínica. Em casos com poucos remanescentes dentários, sua maior flexibilidade pode comprometer a retenção da prótese, tornando sua aplicação contra indicada nessas situações. Grampo MDL [1,4,6]: Grampo indicado para casos de espaços protéticos intercalares (Classe III e IV), sobretudo em dentes anteriores, em razão de sua estética, uma vez que não apresenta braço de retenção na vestibular. É constituído por uma barra lingual que recobre parcialmente o cíngulo, estendendo-se pelas faces mesial e distal do dente. Como não possui braço de retenção propriamente dito, a retenção é assegurada pela retenção friccional, decorrente da ampla área de contato entre a estrutura metálica e a superfície dentária. 333333 Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 FIGURA 20: Grampo em anzol com dois apoios oclusais, sendo apenas um associado a um conector menor. Apresentando um braço contínuo que parte de um dos apoios, conecta-se ao outro e segue para vestibular. Fonte: Ilustração digital elaborada com o auxílio de inteligência artificial (Gemini 3.1 PRO). FIGURA 21: Grampo em anzol com dois apoios oclusais, ambos associados a conectores menores. Apresenta um braço contínuo que integra os apoios, se estendendo para vestibular. Fonte: Ilustração digital elaborada com o auxílio de inteligência artificial (Gemini 3.1 PRO). Grampo MDL modificado [1,2]: Podem ser empregados simultaneamente como elementos de retenção e oposição em dentes anteriores adjacentes a um espaço protético intercalado, mediante modificação em seu planejamento, transformando-os em "grampos MDL modificados". Sua conformação é varia de acordo com a disposição dos dentes remanescentes, sendo possível duas configurações distintas: Dentes isolados: a partir de um conector menor, que ascende pelo centro da face lingual na região cervical do dente pilar, o grampo se estende às faces proximais, terminando em duas placas proximais intimamente relacionadas aos planos-guias 343434 Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 FIGURA 22 e 23: Sua estrutura contempla uma porção metálica que contorna a face lingual, abaixo do cíngulo, ascendendo em direção à incisal. Na vestibular, há apenas uma sutil extensão terminal, favorecendo a estética. Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. FIGURA 24 e 25: Grampo MDL modificado emerge de um conector menor pela cervical da face lingual. O corpo do grampo do grampo adapta-se a superfície e estende-se até as proximais, que sao recobertas por placas proximais. Fonte: Ilustração digital elaborada com o auxílio de inteligência artificial (Gemini 3.1 PRO). 353535 Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 FIGURA 28: Grampo Contínuo de Kennedy constituído por uma barra lingual dupla, sendo a barra inferior o conector maior e a superior posicionada na região de cíngulo. Fonte: Ilustração digital elaborada com auxílio de inteligência artificial (Gemini 3.1 PRO). Grampo contínuo de Kennedy [3]: Atua predominantemente como elemento de retenção indireta, contribuindo para a prevenção do deslocamento rotacional da prótese. Secundariamente, auxilia na estabilização do conjunto, ao limitar os movimentos horizontais. Quanto à sua estrutura, apresenta-se como uma barra lingual dupla contínua, na qual a barra inferior corresponde ao conector maior lingual, enquanto que a barra superior estende-se pela face lingual dos dentes anteriores, na região de cíngulo. Ambas as barras são interligadas por conectores menores, posicionados na região interproximal do último dente ancorado pelo grampo. Quanto às suas aplicações podemos citar os casos de Classe I de Kennedy (situações de canino a canino), e situações em que se faz necessária a contenção de dentes inferiores, diante de comprometimento periodontal. FIGURA 26 e 27: Grampo MDL modificado emerge de um conector menor, na face oposta ao espaço protético, e perpassa pelo terço médio do dente, na altura do cíngulo, e se estende até a face proximal livre, recobrindo o plano guia com uma placa proximal Fonte: Ilustração digital elaborada com o auxílio de inteligência artificial (Gemini 3.1 PRO). A principal vantagem desse tipo de grampo é a estética aprimorada, especialmente quando comparado aos grampos circunferenciais e à barra. Contudo, devido à sua menor capacidade retentiva, o emprego do grampo MDL é restrito a dentes anteriores adjacentes a espaços dentossuportados. 363636 Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 FIGURA 29: Grampo férula com múltiplos apoios conectados ao conector maior por conectores menores, envolvendo os dentes remanescentes e promovendo retenção indireta, estabilização e distribuição de forças. Fonte: Ilustração digital elaborada com auxílio de inteligência artificial (Gemini 3.1 PRO). Grampo múltiplo ou férula [3,15]: Responsável por exercer a função de retenção indireta, esse tipo de grampo é indicado para situações em que há poucos remanescentes, inclusive quando há comprometimento periodontal. Sua estrutura múltipla permite uma melhor distribuição das forças funcionais entre os dentes remanescentes, favorecendo o comportamento biomecânico do conjunto e reduzindo a sobrecarga individual sobre os pilares e opondo-se à rotação da prótese em torno da linha de fulcro. Estruturalmente, envolve dois ou mais dentes, que apresentam diversos apoios ligados ao conector maior por meio de conectores menores. Exemplos de grampos de ação de ponta: Grampo em T [1,2,17]: Dentre os grampos de Roach, o grampo em T é o mais frequentemente utilizado em casos de extremidade livre. Sua ampla indicação justifica-se por sua configuração estrutural, que favorece o comportamento biomecânico nesses casos. É composto por um braço de oposição, característico de um grampo circunferencial, placa proximal, apoio proveniente de um conector menor, braço retentivo em barra, de comprimento ampliado e consequente elevada elasticidade, que termina em duas pontas ativas, posicionadas em zonas retentivas abaixo do equador protético. Esse tipo de grampo pode ser empregado em todos os grupamentos dentários, sobretudo quando localizados no arco inferior, desde que haja duas áreas retentivas situadas nas regiões proximovestibulares do dente pilar. Contudo, sob o ponto de vista estético, sua incorporação ao desenho da PPR é contraindicada em pacientes que apresentem sorriso alto. Quando a disposição das áreas retentivas for desfavorável, isto é, estiverem localizadas apenas na mesial ou distal, pode-se lançar mão de uma modificação do grampo em T, na qual apenas uma das pontas ativas é mantida. 373737 Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 FIGURA 30 e 31: Grampo em T com apoio oclusal e placa proximal associada, apresentando um braço retentivo no formato de um “T”na face vestibulare braço de oposição lingual Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. Grampo em U [1,18,19]: Estruturalmente semelhante a um grampo T, o grampo em U também apresenta um braço de retenção com duas pontas ativas. No entanto, caracteriza-se por flexibilidade limitada, em virtude de sua configuração mais rígida, e por possuir porções terminais distantes entre si. Essa configuração favorece sua indicação para molares e pré-molares inferiores, especialmente nos casos em que tais dentes apresentem coroa clínica curta e área retentiva restrita na superfície vestibular. FIGURA 32: Nessa imagem conseguimos observar a modificação do Grampo T, que em virtude da disposição da zona retentiva, restrita a porção vertibulomesial, apresenta apenas uma ponta ativa Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. FIGURA 34: O Grampo em U, apresenta um braço de retenção com duas pontas ativas mais afastadas entre si em comparação ao Grampo em T, posicionadas abaixo do equador protético Fonte: Ilustração digital elaborada com auxílio de inteligência artificial ( Gemini 3.1 PRO). FIGURA 33: Ilustração didática do grampo em T enfatizando a morfologia do braço de retenção e a relação espacial entre as pontas ativas Fonte: Representação desenvolvida com auxílio de inteligência artificial (Gemini 3.1 PRO). 383838 Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 FIGURA 35: Grampo de ação de ponta com terminação ativa no formato de “L”, posicionada abaixo da linha do equador protético, indicado para situações em que a zona retentiva se restrinja a um único ponto na vestibular, isto é, distante do espaço protético. Fonte: Ilustração digital elaborada com auxílio de inteligência artificial (Gemini 3.1 PRO). Grampo L [17,18]: Dentre os grampos de ação de ponta, o grampo L é o mais flexível da classe. Apresenta boa retenção, no entanto, esta é inferior quando comparada à do grampo T. Sua configuração remete ao formato da letra que lhe dá nome, isto é, partindo da sela o braço de retenção se estende pela face vestibular até a área oposta ao espaço protético, onde se posiciona sua ponta ativa. Quanto à sua aplicação, é indicado para caninos, pré-molares e molares em Classes I e II de Kennedy. Grampo em I [17,18]: No que se refere à sua configuração, o grampo I parte da sela e se direciona à porção distovestibular, próxima ao espaço protético, posicionando-se abaixo do equador protético. Em contrapartida, na face lingual há um braço de oposição a fim de contrapor as forças por ele exercidas. Sua curta extensão compromete a flexibilidade, por outro lado, essa maior rigidez lhe confere retenção mais efetiva. Ademais, seu formato discreto e tamanho reduzido contribuem favoravelmente para a estética. Pode ser empregado em caninos e pré-molares, sobretudo superiores, em virtude da exigência estética, em casos que apresentem suporte dentário posterior, logo, são contra indicados em situações de extremo livre. FIGURA 36: Grampo de ação de ponta com ponta ativa no formato de “I”, indicados para dentes que apresentem sua porção retentiva localizada na cervical, promovendo retenção por meio de abordagem infraequatorial, com menor impacto estético e melhor distribuição de forças. Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR. 393939 Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 FIGURA 37: Grampo em C de ação reversa, caracterizado por ponta ativa em semicírculo que permite acesso à área retentiva mésio-vestibular. Fonte: Ilustração digital elaborada com auxílio de inteligência artificial (Gemini 3.1 PRO). Grampo U [17,18]: Trata-se de um grampo de ação reversa, cuja ponta ativa e a porção terminal da barra apresentam formato de semicírculo. Enquanto que o corpo do grampo segue um trajeto mais retilíneo, quase horizontal, afastado da mucosa em direção à sela, é a sua ponta ativa que assume essa conformação circular, permitindo alcançar a área retentiva localizada na porção mésio-vestibular do dente. O trajeto percorrido pelo braço de retenção confere ao grampo maior comprimento efetivo, o que, associado a uma espessura e secção transversal adequadas, favorece a flexibilidade sem comprometer seu poder retentivo. Sua indicação contempla molares inferiores inclinados, especialmente em casos dentossuportados de Classe III, quando a área retentiva da face vestibular estiver situada em sua porção mesial. Grampo API [1,18]: Sua estrutura contempla a combinação de diversos componentes: apoio oclusal na crista marginal mesial, placa proximal disposta sobre o plano-guia distal e um grampo em I modificado, disposto no centro da face vestibular. Diferentemente do grampo I isolado, o sistema API não se limita à função de retenção. O acréscimo do apoio e da placa proximal contribui para o controle do eixo de rotação, promovendo maior estabilização frente aos deslocamentos horizontais, redução de torque sobre o dente suporte e a distribuição de forças de maneira mais favorável ao dente pilar. Dessa forma, a associação do grampo I às demais estruturas confere um comportamento biomecânico mais eficiente quando comparado ao seu uso sozinho. Esse tipo de grampo é indicado para dentes contíguos ao espaço protético, especialmente em casos de extremidade livre. 404040 Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 FIGURA 38 e 39: Sistema API, evidenciando seus principais componentes: apoio oclusal, plano guia e braço retentivo tipo “I”. Esse conjunto proporciona retenção, melhor dissipação das forças mastigatórias, reduzindo o torque sobre o dente pilar e contribuindo para a manutenção da saúde periodontal Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR, cedido por Frank Kaiser. Grampo APA [17]: Embora apresente uma configuração semelhante ao sistema API, o grampo APA difere quanto ao tipo de braço de retenção empregado. Nessa situação, utiliza-se um braço característico do grampo circunferencial de Arkers, que parte da placa proximal distal. Essa alteração permite assegurar a retenção da prótese mesmo diante de determinadas limitações clínicas, como nos casos em que a zona retentiva se encontre próxima ao terço gengival e distante do espaço protético, ou quando a anatomia do rebordo alveolar e dos tecidos moldes contraindique o uso da barra tipo I. Assim, o sistema APA é indicado principalmente em próteses parciais removíveis de extremo livre quando não há condições favoráveis para o emprego da barra tipo I. FIGURA 40:Observa-se um conjunto clássico composto por apoio oclusal mesial, placa proximal distal e braço retentivo circunferencial (Akers) posicionado na face vestibular. O braço retentivo se insere em uma área retentiva mésio-vestibular, abaixo do equador protético, proporcionando retenção efetiva com menor torque sobre o dente pilar. Essa configuração favorece uma distribuição mais equilibrada das forças, sendo amplamente indicada em casos de extremidade livre. Fonte: Ilustração digital elaborada com auxílio de inteligência artificial (Gemini 3.1 PRO). 414141 Capítulo 4Capítulo 4Capítulo 4 FIGURA 41: Cinta palatina anteroposterior, na qual os conectores anterior e posterior são unidos lateralmente, promovendo adequada rigidez com menor recobrimento do palato. As malhas retentivas laterais permitem a fixação da resina acrílica das selas. Fonte: Acervo da disciplina de Prótese Parcial Removível - UFPR, cedido por Frank Kaiser. Conectores maiores [1,3,7]: Dentre os componentes da prótese parcial removível, o responsável por interligar os demais elementos, conectando-os de um lado a outro da arcada, é o conector maior. Além de promover a conexão estrutural da prótese, ele contribui para que ela atenda importantes requisitos biomecânicos, como estabilidade, resistência e adequada transferência de forças mastigatórias. Quanto à sua constituição, ele deve apresentar rigidez suficiente para evitar injúrias provenientes da flexibilidade excessiva,