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Medicina de familia e comunidade Rastreamento O rastreamento é a investigação feita em pessoas assintomáticas, ou seja, em pessoas que não apresentam sinais e sintomas da doença, mas que possuem idade, contexto ou fatores de risco que justificam a procura ativa daquela situação. Se estivermos diante de um achado que já seja diagnóstico ou de alterações que já sejam sugestivas de determinada doença, já estamos falando de investigação diagnóstica, se há sintomas é investigação O rastreamento deve ser feito de forma racional, baseado em evidências, e não apenas como um hábito cultural ou por uma ideia generalizada de que “todo mundo tem que fazer todo ano”. Nem todo exame precisa ser anual e nem todo exame que a população se acostumou a fazer é, de fato, recomendado. Programa de rastreamento Prevenção e conceitos O rastreamento é uma prevenção secundária, pois detecta a doença antes dos sintomas. Quanto antes intervir, melhor será o prognóstico. Um exemplo de prevenção primária é a vacina. O diagnóstico também faz parte da prevenção secundária. O tratamento imediato também está dentro da prevenção secundária. Tipos de rastreamento Rastreamento oportunístico É ofertado quando o paciente chega ao serviço de saúde (ex: SUS). Exemplo: “Vamos fazer um teste de sífilis?” Rastreamento organizado É aquele que é realizado por meio de campanhas governamentais. Envolve um convite formal para a população-alvo. Exemplo: convite para realização de mamografia. Precisa contemplar uma população inteira. Apresenta bons resultados e baixo custo. Garante maior acesso à população. Características de um programa adequado de rastreamento: Deve ter evidência científica. Deve garantir acesso a todos. Deve haver estrutura disponível (tecnologia e tratamento). Deve oferecer informação ao paciente, incluindo significado do exame, importância, potenciais riscos e benefícios. Medicina de familia e comunidade Criterios de wilson & Junger 1. Magnitude Refere-se à importância da doença na população. Avalia-se sua incidência e prevalência, classificando se é uma condição de baixa ou alta ocorrência. 2. Transcendência Relaciona-se ao impacto da doença na saúde coletiva. Doenças com alta prevalência e que contribuem significativamente para morbidade e mortalidade apresentam transcendência positiva, ou seja, seu controle gera grande benefício para a população. 3. Vulnerabilidade Diz respeito à capacidade do sistema de saúde em intervir na doença. Envolve a possibilidade de diagnóstico precoce e tratamento eficaz, sem causar danos ao paciente. Aqui, devem ser feitas algumas perguntas essenciais: – Existe tecnologia disponível para o rastreamento? – O sistema de saúde tem capacidade para diagnosticar e tratar adequadamente? – A intervenção traz mais benefícios do que riscos? Graus de recomendações Além dessas etapas, alguns princípios são fundamentais para o rastreamento: – É necessário conhecer a história natural da doença, incluindo sua fase pré-clínica detectável (como ocorre, por exemplo, em tumores). – Deve haver benefício comprovado da detecção precoce. – Os testes utilizados precisam apresentar boa sensibilidade e confiabilidade. – O custo deve ser compatível com o orçamento do sistema de saúde. o rastreamento deve seguir critérios bem estabelecidos, ser realizado de forma sistematizada e contínua, sem interrupções Paradoxo do Rastreamento Um conceito clássico é o paradoxo da prevenção. Mesmo que determinados grupos tenham maior risco individual, a maioria dos casos pode ocorrer em populações de baixo risco simplesmente porque são mais numerosas. Exemplo da imagem (Síndrome de Down): Mulheres mais velhas têm mais chance individual de ter um bebê com a síndrome. Porém, como existem muito mais mulheres jovens tendo filhos, o número total de bebês com Down acaba sendo maior no grupo das mulheres jovens. Medicina de familia e comunidade Grau de recomendações É estabelecido por instituição voltada para estudo que diz que aquele parâmetro é recomendável ou nao através de evidencia cicinetificas, e um deles é o take force Os critérios de recomendação são classificados em A, B, C e D, sendo A e B recomendáveis, enquanto C e D não são recomendados (depende do caso ) As principais recomendações O rastreamento da dislipidemia, tanto no Ministério da Saúde quanto na Task Force, não deve ser feito com base no valor isolado do colesterol ou do LDL, mas sim dentro do contexto do risco cardiovascular global. Ou seja, o perfil lipídico é utilizado como uma ferramenta para calcular esse risco, e não como um fim em si mesmo. A principal diferença entre as duas abordagens está no momento de iniciar esse rastreamento. No Brasil, o Ministério da Saúde adota uma postura mais precoce, justamente por considerar a importância de identificar pacientes de alto risco mais cedo, especialmente aqueles com condições como a hipercolesterolemia familiar. Por isso, o rastreio pode começar a partir dos 20 anos, mas não para toda a população: ele é indicado principalmente para indivíduos jovens que já apresentam fatores de risco, como diabetes, hipertensão, obesidade ou tabagismo. Nesses casos, tanto homens entre 20 e 35 anos quanto mulheres entre 20 e 45 anos com alto risco cardiovascular devem ser avaliados. Já em Medicina de familia e comunidade idades mais avançadas, como homens a partir de 35 anos e mulheres a partir de 45 anos com alto risco, a recomendação se torna mais forte (grau A), pois o risco cardiovascular aumenta naturalmente com a idade. Por outro lado, a Task Force adota uma abordagem mais conservadora, baseada no custo-benefício e no impacto em desfechos clínicos. Para essa diretriz, não há evidência suficiente de que o rastreamento precoce, antes dos 40 anos, reduza morbidade ou mortalidade cardiovascular. Assim, o foco passa a ser a avaliação do risco cardiovascular global principalmente a partir dos 40 anos, evitando rastreamentos que não tragam benefício comprovado. Dessa forma, enquanto o Brasil prioriza a detecção precoce de indivíduos de alto risco, mesmo em idades mais jovens, a Task Force concentra suas recomendações em faixas etárias onde já há evidência de impacto clínico, reforçando que o mais importante não é o valor isolado do colesterol, mas sim o risco cardiovascular como um todo. Diabetes mellitus Rastreamento para toda a população a partir de 35 anos, ou qualquer idade se sobrepeso ou obesidade, ou IMC maior que 25. Um fator de risco associado à resistência à insulina, como a acantose nigricans, etnia negra, asiática ou indígenas e historia familiar de parente de 1º grau Periodicidade: a cada três anos. Task Force: adultos de 35 a 70 anos com sobrepeso, não tem um período certo. Exames: glicemia de jejum, TTOG (padrão ouro) ou hemoglobina glicada A1. Medicina de familia e comunidade Câncer de colo de útero. Papanicolau não é exame de rastreio. O Papa deve pedir se vier a confirmação do exame do HPV positivo, por exemplo. O exame de rastreio é o DNA HPV, sendo que os 16 e 18 são os que causam câncer. Início da coleta: 25 anos, porque essa idade é o momento de desenvolver o câncer do colo uterino. Grau de recomendação é A. Task Force é baseado também em idade: 21 a 65 anos, 21 a cada 3 anos. O teste de HPV também deve ser solicitado a cada 5 anos. Câncer colorretal. Idade: 50 a 75 anos, ( expectativa de vida de 10 anos) Exame: pesquisa de sangue oculto nas fezes. Porém, a pesquisa de sangue oculto nas fezes não é tão confiável. A colonoscopia é padrão ouro. Se houver histórico em família de primeiro grau, deve ser realizado 10 anos antes da idade do diagnóstico do familiar. Por exemplo, se minha mãe teve aos 40 anos, eu posso fazer com 30. Quando passamos para os dados americanos, o início é 45 anos, porém deve ser feita retossigmoidoscopia a cada cinco anos, porque o padrão do exame muda. E o sangue oculto nas fezes também é anual. Grau derecomendação A e B. A: início aos 45 anos e C: início aos 50 anos. Esses são dados americanos. Medicina de familia e comunidade Câncer de pulmão. Não precisa fazer rastreio, mas tem que fazer incentivo para cessar o tabagismo. Porém, o rastreio antes não vai mudar a morbidade. Padrão americano, Task Force: o rastreio em uma pessoa deve ser feito de 50 a 80 anos, com carga tabágica de 20 anos-maço ou se parou de fumar nos últimos 15 anos. O exame é TC de baixa dose torácica, grau de recomendação B. Aneurisma de aorta. Não há recomendação. No padrão americano, Task Force: homem de 65 a 75 anos que já fumaram. Exame: ultrassom abdominal. Grau de recomendação B para homem que já fumou e C para quem nunca fumou. Medicina de familia e comunidade Osteoporose. Brasil: A partir de 65 anos ou mais, homens a partir de 70 anos, ou pode ser antes pela presença de fator de risco, como fratura, baixo peso e uso de medicamentos que podem causar osteoporose. Grau de recomendação não é específico no Brasil, pelo Ministério da Saúde. Exame: densitometria. Padrão americano (Task Force): Mulheres pós-menopausa com risco elevado de osteoporose, independente de ter risco ou não, a partir de 65 anos. Exame padrão é densitometria. americano (Task Force): Mulheres pós-menopausa com risco elevado de osteoporose, independente de ter risco ou não, a partir de 65 anos. Exame padrão é densitometria. Medicina de familia e comunidade câncer de mama O rastreamento do câncer de próstata não é recomendado pelo Ministério da Saúde, sendo classificado como grau D, pois os riscos superam os benefícios, principalmente devido à alta taxa de falso-positivos do PSA, que pode levar a biópsias e tratamentos desnecessários; assim, o PSA não deve ser solicitado isoladamente em homens assintomáticos e só deve ser utilizado na presença de sintomas, como parte da investigação diagnóstica. Já a U.S. Preventive Services Task Force recomenda, para homens entre 55 e 69 anos, o rastreamento com PSA com grau C, sem periodicidade definida, baseado em decisão compartilhada entre médico e paciente, com discussão dos riscos e benefícios antes da realização do exame. IST Na prática, a orientação é pensar em rastreamento anual para pessoas sexualmente ativas, sobretudo em populações de maior risco. O Task Force fala em rastreio de 15 a 65 anos, com maior atenção para homens que fazem sexo com homens, usuários de drogas injetáveis, profissionais do sexo e pessoas com parceiros HIV positivo Medicina de familia e comunidade