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AFYA CURSO DE MEDICINA - AFYA NOTA FINAL Aluno: Componente Curricular: Clínica Integrada II Professor (es): Período: 202601 Turma: Data: 31/03/2026 N1 ESPECÍFICA - MEDICINA - CI II - 2026.2 - 1ª CHAMADA - 31/MARÇO RELATÓRIO DE DEVOLUTIVA DE PROVA PROVA 19039 - CADERNO 003 1ª QUESTÃO Enunciado: (AFYA ITACOATIARA) Menina de 6 anos é internada por edema progressivo iniciado em região periorbitária há 5 dias, evoluindo para membros inferiores e distensão abdominal. A mãe nega infecção recente, febre ou redução do volume urinário. Ao exame físico: pressão arterial 95/60 mmHg (percentil adequado para idade), edema ++/4+ em membros inferiores e face, sem lesões cutâneas ou artralgias. Exames laboratoriais: EAS: proteinúria 4+, ausência de hematúria, cilindros hialinos. Relação proteína/creatinina urinária significativamente elevada. Albumina sérica: 1,8 g/dL; colesterol total: 320 mg/dL; creatinina: normal para idade. Com base na integração dos achados clínicos e laboratoriais e considerando os mecanismos fisiopatológicos envolvidos nas glomerulopatias, qual é o diagnóstico mais provável? Alternativas: (alternativa A) Nefropatia por IgA (doença de Berger), caracterizada por deposição mesangial de IgA, cursando tipicamente com hematúria macroscópica recorrente após infecção de vias aéreas superiores e proteinúria variável. (alternativa B) (CORRETA) Síndrome nefrótica provavelmente secundária à doença de lesões mínimas, caracterizada por aumento da permeabilidade glomerular com proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema generalizado e hiperlipidemia, com função renal preservada. (alternativa C) Glomerulonefrite rapidamente progressiva, associada à formação de crescentes glomerulares, cursando com declínio acelerado da função renal, hematúria com cilindros hemáticos e hipertensão arterial importante. (alternativa D) Síndrome nefrítica aguda pós-estreptocócica, decorrente de processo inflamatório glomerular imunomediado, caracterizada por hematúria, hipertensão arterial, redução da taxa de filtração glomerular e proteinúria geralmente não nefrótica. Resposta comentada: Síndrome nefrótica provavelmente secundária à doença de lesões mínimas, caracterizada por aumento da permeabilidade glomerular com proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema generalizado e hiperlipidemia, com função renal 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 1 de 27 preservada. Esta alternativa está correta. A questão exige que o aluno analise e integre: Edema generalizado progressivo PA normal Proteinúria 4+ Hipoalbuminemia importante (1,8 g/dL) Hiperlipidemia Ausência de hematúria Função renal preservada Esse conjunto define síndrome nefrótica, cujo mecanismo fisiopatológico envolve aumento da permeabilidade da barreira de filtração glomerular, levando à perda maciça de proteínas (principalmente albumina), redução da pressão oncótica plasmática e formação de edema. Na infância, a causa mais comum é a doença de lesões mínimas, que cursa com: Proteinúria seletiva Ausência de hematúria significativa Pressão arterial normal Creatinina normal Excelente resposta a corticoide. Síndrome nefrítica aguda pós-estreptocócica, decorrente de processo inflamatório glomerular imunomediado, caracterizada por hematúria, hipertensão arterial, redução da taxa de filtração glomerular e proteinúria geralmente não nefrótica. Esta alternativa está incorreta. A síndrome nefrítica aguda pós-estreptocócica caracteriza-se por hematúria (frequentemente macroscópica), hipertensão arterial e redução da função renal, devido a processo inflamatório glomerular difuso. O caso apresentado não mostra hematúria nem hipertensão, afastando esse diagnóstico. Glomerulonefrite rapidamente progressiva, associada à formação de crescentes glomerulares, cursando com declínio acelerado da função renal, hematúria com cilindros hemáticos e hipertensão arterial importante. Esta alternativa está incorreta. A glomerulonefrite rapidamente progressiva cursa com declínio rápido da taxa de filtração glomerular, hematúria importante e frequentemente hipertensão. A creatinina da paciente está normal e não há evidência de síndrome nefrítica. Nefropatia por IgA (Doença de Berger), caracterizada por deposição mesangial de IgA, cursando tipicamente com hematúria macroscópica recorrente após infecção de vias aéreas superiores e proteinúria variável. Esta alternativa está incorreta. A nefropatia por IgA tipicamente apresenta hematúria macroscópica recorrente associada a infecção respiratória recente, podendo ter proteinúria leve a moderada. O quadro descrito não inclui hematúria nem antecedente infeccioso imediato. Referências: BRUTON, L. L.; HILAL-DANDAN, R. As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman e Gilman. 13. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2018. E-book. p. Capa. ISBN 9788580556155. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580556155/. Acesso em: 23 out. 2025. LOSCALZO, Joseph; FAUCI, Anthony S.; KASPER, Dennis L.; et al. Medicina Interna de Harrison. 21. ed. Porto Alegre: AMGH, 2024. E-book. p. ii. ISBN 9786558040231. 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 2 de 27 Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040231/. Acesso em: 12 maio 2025. Feedback: -- 2ª QUESTÃO Enunciado: (AFYA ARAGUAÍNA) Um homem de 45 anos apresenta dor intensa no quadrante superior direito do abdômen há 24 horas. Relata febre, náuseas e vômitos. Ao exame físico, o sinal de Murphy é positivo. Os exames laboratoriais mostram: leucocitose com desvio à esquerda, bilirrubina total de 2,1 mg/dL (direta de 1,3 mg/dL), fosfatase alcalina discretamente elevada, AST e ALT normais. A ultrassonografia revela vesícula biliar distendida, com parede espessada (5 mm), presença de cálculo impactado no colo vesicular, líquido pericolecístico e sinal de Murphy ultrassonográfico positivo. Colédoco de calibre normal. Com base nesse quadro clínico e nos achados complementares, assinale a alternativa correta. Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) Dor, sinal de Murphy positivo, leucocitose e espessamento da parede no USG sugerem colecistite aguda. (alternativa B) Bilirrubina direta elevada, febre e cálculo vesicular impactado sugerem colangite ascendente supurativa. (alternativa C) O achado de líquido pericolecístico com parede espessada é sugestivo de colecistite enfisematosa. (alternativa D) Dor, febre, náuseas, vômitos e bilirrubina de 2,1 mg/dL sugerem fortemente síndrome de Mirizzi tipo 5 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 3 de 27 Resposta comentada: O paciente apresenta dor no hipocôndrio direito, febre, náuseas, vômitos e sinal de Murphy positivo, que são manifestações clínicas típicas de colecistite aguda. Além disso, os exames laboratoriais revelam leucocitose com desvio à esquerda, sugerindo processo inflamatório agudo, e a ultrassonografia mostra espessamento da parede da vesícula, distensão, líquido pericolecístico e cálculo impactado no colo vesicular, todos achados compatíveis com inflamação vesicular. DISTRATORES : Dor, febre, náuseas, vômitos e bilirrubina de 2,1 mg/dL sugerem fortemente síndrome de Mirizzi tipo 5. - INCORRETA A síndrome de Mirizzi tipo V é uma forma avançada e complexa da síndrome de Mirizzi, caracterizada pela presença de uma fístula colecistoentérica (conexão anormal entre a vesícula biliar e o intestino), associada a qualquer um dos tipos anteriores de compressão ou fístula biliar (tipos I-IV). É uma complicação rara da colelitíase, frequentemente exigindo cirurgia complexa. Bilirrubina direta elevada, febre e cálculo vesicular impactado sugerem colangite ascendente supurativa. - INCORRETA Os sinais e sintomas são graves e englobam os componentes da Tríade de Charcot e da Pêntade de Reynolds. O achado de líquido pericolecístico com parede espessada é sugestivo de colecistite enfisematosa.- INCORRETA O achado que sugere a colecistite enfisematosa é a presença de gás na parede da vesícula biliar. Referências:BERNARDES, Nathália. Imagem sobre ressonância magnética do abdome superior com colangiorressonância [Imagem]. In: —. Ressonância magnética do abdome superior com colangiorressonância. [S. l.]: Scribd, [s. d.]. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/616644688/74efc3ba-740d-4f0a-9677- 692be270d632. Acesso em: 28 abr. 2025. SOUZA, Luis Eduardo. Tomografia computadorizada do abdome – cortes coronal e axial. [Imagem]. In: ______. Colecistite na TC: muito além da ultrassonografia. São Paulo: Medway, 2023. Disponível em: https://www.medway.com.br/conteudos/colecistite-na-tc-muito-alem-da- ultrassonografia/. Acesso em: 2 maio 2025. YOKOE, M. et al. Diretrizes de Tóquio 2018: critérios diagnósticos e classificação de gravidade da colecistite aguda. Revista de Ciências Hepato-Biliares-Pancreáticas, v. 25, n. 1, p. 41–54, 2018. Feedback: Para responder corretamente à questão é preciso mobilizar um conjunto articulado de habilidades clínicas e interpretativas. Em primeiro lugar, era essencial reconhecer o quadro clínico típico da colecistite aguda litiásica, que inclui dor no hipocôndrio direito, febre, náuseas, vômitos e sinal de Murphy positivo. Além disso, exige-se a capacidade de interpretar exames laboratoriais que indicam inflamação aguda, como leucocitose com desvio à esquerda, e alterações discretas da bilirrubina e da fosfatase alcalina, sem elevação das transaminases. Outra habilidade fundamental era a interpretação integrada dos achados de imagem, especialmente da ultrassonografia e da tomografia, reconhecendo sinais clássicos como espessamento da parede vesicular, distensão, cálculo impactado no colo e líquido pericolecístico. Por fim, o item pede habilidade em correlacionar dados clínicos, laboratoriais e radiológicos para chegar ao diagnóstico em questão. 3ª QUESTÃO 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 4 de 27 Enunciado: (AFYA MARABÁ) T. S. M., 29 anos, sexo feminino, comparece à Unidade Básica de Saúde relatando relação sexual vaginal receptiva desprotegida ocorrida há aproximadamente 36 horas com parceiro eventual. Refere que desconhece a sorologia do parceiro e não conseguiu mais contato. Nega uso prévio de profilaxia medicamentosa preventiva. Não faz uso de anticoncepcional hormonal, não está gestante e não apresenta comorbidades conhecidas. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, sem lesões genitais visíveis. Teste rápido realizado na UBS para HIV apresenta resultado não reagente. Sorologias para hepatites e sífilis foram coletadas. Qual é a conduta mais adequada neste momento em relação à prevenção medicamentosa da infecção pelo HIV nesse caso? Alternativas: (alternativa A) Orientar realização de nova sorologia em 30 dias e indicar profilaxia diária contínua com tenofovir e lamivudina como estratégia preventiva futura. (alternativa B) Aguardar resultado sorológico do parceiro para definir necessidade de esquema com antirretrovirais por 28 dias. (alternativa C) (CORRETA) Iniciar esquema com tenofovir, lamivudina e dolutegravir por 28 dias, orientando início imediato, devido ao tempo de exposição inferior a 72 horas. (alternativa D) Prescrever dose única de antirretroviral nas primeiras 72 horas e reavaliar sorologia em quatro semanas. 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 5 de 27 Resposta comentada: Alternativa: Iniciar esquema com tenofovir, lamivudina e dolutegravir por 28 dias, orientando início imediato, devido ao tempo de exposição inferior a 72 horas. Correta. Trata-se de exposição sexual com risco significativo (relação vaginal receptiva desprotegida com parceiro de sorologia desconhecida), ocorrida há 36 horas, portanto dentro da janela de até 72 horas preconizada para início da profilaxia pós- exposição. Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, a PEP deve ser iniciada o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras horas após a exposição, e mantida por 28 dias. O esquema preferencial inclui tenofovir + lamivudina (ou emtricitabina) associados ao dolutegravir. Alternativa: Orientar realização de nova sorologia em 30 dias e indicar profilaxia diária contínua com tenofovir e lamivudina como estratégia preventiva futura. Incorreta. A profilaxia pré-exposição é estratégia contínua indicada para pessoas com risco persistente e não substitui a conduta imediata após uma exposição recente. Neste caso, há indicação clara de profilaxia pós-exposição, não apenas monitoramento sorológico ou início exclusivo de profilaxia contínua futura. Alternativa: Aguardar resultado sorológico do parceiro para definir necessidade de esquema com antirretrovirais por 28 dias. Incorreta. A conduta não deve ser postergada para aguardar resultado do parceiro, sobretudo quando este é desconhecido ou inacessível. O atraso pode ultrapassar a janela de 72 horas, reduzindo a eficácia da intervenção. Alternativa: Prescrever dose única de antirretroviral nas primeiras 72 horas e reavaliar sorologia em quatro semanas. Incorreta Não há recomendação de dose única de antirretroviral como estratégia preventiva após exposição sexual. O protocolo estabelece esquema combinado por 28 dias para reduzir o risco de soroconversão. Referência: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para profilaxia pré-exposição (PrEP) de risco à infecção pelo HIV. Brasília: Ministério da Saúde, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/aids/pt- br/central-de-conteudo/pcdts/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para- profilaxia-pre-exposicao-prep-oral-a-infeccao-pelo-hiv.pdf/view. Acesso em: 21 mar. 2026. Feedback: -- 4ª QUESTÃO Enunciado: (AFYA PALMAS) Paciente feminina, 62 anos, obesa (IMC 34 kg/m²), foi submetida à colectomia por neoplasia de cólon há 5 dias. Permaneceu restrita ao leito por dor abdominal nos primeiros dias de pós-operatório. Na enfermaria, evolui com queixa de dor e sensação de peso em membro inferior esquerdo. Ao exame físico, apresenta: Edema unilateral em perna esquerda. Aumento da circunferência da panturrilha em 3 cm em comparação ao lado direito. Dor à palpação profunda da panturrilha. Temperatura local discretamente aumentada. Pulsos periféricos presentes e simétricos. Afebril. Sinais vitais estáveis. Considerando o quadro clínico descrito, qual é o diagnóstico mais provável no momento? 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 6 de 27 Alternativas: (alternativa A) Síndrome compartimental de membro inferior. (alternativa B) Celulite bacteriana de membro inferior. (alternativa C) Linfedema agudo pós-operatório. (alternativa D) (CORRETA) Trombose venosa profunda de membro inferior. Resposta comentada: Correta: A paciente apresenta fatores de risco clássicos para TVP (cirurgia recente, imobilização, obesidade) associados a edema unilateral, aumento da circunferência da panturrilha e dor localizada, com pulsos preservados. O conjunto clínico é compatível com trombose venosa profunda no pós-operatório. Incorretas: A celulite costuma cursar com eritema difuso, calor intenso, dor superficial e frequentemente febre. O quadro descrito é predominantemente venoso, sem sinais sistêmicos infecciosos. O linfedema é geralmente crônico, indolor e associado a histórico de linfadenectomia ou radioterapia. Não costuma apresentar dor localizada à palpação profunda. A síndrome compartimental caracteriza-se por dor desproporcional, tensão muscular importante, alteração de sensibilidade e possível redução de pulsos, o que não está presente neste caso. Referência: SABISTON, David C.; TOWNSEND, Courtney M. (ed.). Sabiston Tratado de Cirurgia: a base biológica da prática cirúrgica moderna. 21. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2024. 2 volumes. ISBN 978-85-9515-981-5. Feedback: -- 5ª QUESTÃO Enunciado: (AFYA MANACAPURU) Considere os casos descritos abaixo: Paciente 1: Mulher, 23 anos, previamente hígida, procura Unidade de Pronto Atendimento com queixa de disúria, polaciúriae urgência miccional há dois dias. Nega febre ou dor lombar. No exame físico, encontra-se afebril, com dor leve à palpação suprapúbica. O sumário de urina evidencia leucocitúria (+++), nitrito positivo, bacteriúria e hematúria microscópica discreta, sem proteinúria significativa. Paciente 2: Homem, 65 anos, hipertenso e diabético, comparece para consulta de rotina. Nega sintomas urinários, febre, dor lombar ou alterações miccionais. O sumário de urina solicitado como parte da avaliação anual evidencia bacteriúria (++), nitrito positivo, leucocitúria discreta, sem hematúria significativa e sem proteinúria. Com base nos dados clínicos e laboratoriais apresentados, analise os casos e indique a associação correta entre hipótese diagnóstica e conduta terapêutica mais adequada. 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 7 de 27 Alternativas: (alternativa A) Paciente 1 apresenta síndrome nefrítica e deve ser submetida à investigação imunológica; paciente 2 apresenta infecção urinária baixa e deve iniciar antibiótico imediatamente. (alternativa B) Paciente 1 apresenta pielonefrite aguda e deve ser internada para receber antibioticoterapia intravenosa; paciente 2 apresenta infecção urinária assintomática e deve receber antibiótico para prevenir complicações. (alternativa C) (CORRETA) Paciente 1 apresenta cistite aguda não complicada e deve receber antibioticoterapia oral; paciente 2 apresenta bacteriúria assintomática e não deve receber antibioticoterapia, apenas acompanhamento clínico. (alternativa D) Paciente 1 apresenta uretrite não bacteriana e deve receber anti-inflamatório; paciente 2 apresenta glomerulonefrite incipiente e deve ser encaminhado ao nefrologista. 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 8 de 27 Resposta comentada: Alternativa correta: Paciente 1 apresenta cistite aguda não complicada e deve receber antibioticoterapia oral; paciente 2 apresenta bacteriúria assintomática e não deve receber antibioticoterapia, apenas acompanhamento clínico. A paciente 1 apresenta quadro típico de cistite aguda não complicada, caracterizada por disúria, leucocitúria e nitrito positivo, devendo receber antibioticoterapia oral adequada. O paciente 2 apresenta bacteriúria assintomática, definida pela presença de bactérias na urina na ausência de sintomas urinários. Em homens assintomáticos, não há indicação de tratamento antibiótico de rotina, devendo-se apenas realizar acompanhamento clínico, salvo situações especiais. Alternativas incorretas: Paciente 1 apresenta pielonefrite aguda e deve ser internada para antibioticoterapia intravenosa; paciente 2 apresenta infecção urinária assintomática e deve receber antibiótico para prevenir complicações. Justificativa: A paciente 1 não apresenta sinais sistêmicos como febre. ou dor lombar que caracterize pielonefrite. O quadro clínico é compatível com cistite aguda não complicada. No paciente 2, embora haja bacteriúria no exame, ele é completamente assintomático. Fora das situações específicas (como gestação ou preparo para procedimento urológico invasivo), a bacteriúria assintomática não deve ser tratada, pois não há benefício comprovado e pode haver risco de resistência bacteriana. Paciente 1 apresenta síndrome nefrítica e deve ser submetida à investigação imunológica; paciente 2 apresenta infecção urinária baixa e deve iniciar antibiótico imediatamente. Justificativa: A paciente 1 não apresenta proteinúria significativa nem sinais clínicos compatíveis com síndrome nefrítica. O paciente 2 não apresenta sintomas urinários que caracterizem infecção urinária baixa; portanto, não há indicação de iniciar antibiótico. Paciente 1 apresenta uretrite não bacteriana e deve receber anti-inflamatório; paciente 2 apresenta glomerulonefrite incipiente e deve ser encaminhado ao nefrologista. Justificativa: O quadro da paciente 1 é claramente infeccioso, com nitrito positivo e bacteriúria, o que afasta uretrite não bacteriana. No paciente 2 não há hematúria significativa nem proteinúria que sugiram glomerulonefrite. Referências: JAMESON, J. L. et al. Harrison – Princípios de Medicina Interna. 21. ed. Porto Alegre: AMGH, 2022. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Infecção do Trato Urinário. Brasília, edição vigente. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA. Diretrizes para avaliação de alterações do sedimento urinário. Feedback: -- 6ª QUESTÃO Enunciado: (AFYA GUANAMBI) Criança do sexo feminino, 18 meses, é levada ao pronto atendimento com febre de 39°C há 36 horas, recusa parcial de líquidos e episódios de vômitos. A mãe relata dois episódios prévios de infecção urinária febril no último ano, tratados com antibióticos orais. Ao exame físico: bom estado geral, leve sensibilidade abdominal em flanco direito, sinais vitais: PA 90/60 mmHg, FC 140 bpm, FR 28 irpm, sinais de desidratação leve. Exames: leucócitos 16.500/mm³, PCR 45 mg/L, creatinina 0,4 mg/dL, urocultura coletada por cateterismo: Escherichia coli, sensível a ceftriaxona, cefalexina, axetilcefuroxima e amoxicilina-clavulanato; resistente a sulfametoxazol-trimetoprima e amoxicilina simples. Ultrassonografia de rins e vias urinárias: discreta dilatação pielocalicial bilateral, sem cálculo ou alteração cortical. Com base no quadro clínico, assinale a conduta inicial mais adequada, considerando escolha de antibiótico e investigação complementar. 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 9 de 27 Alternativas: (alternativa A) Cefalexina por via oral por 10 dias e repetir ultrassonografia após término do tratamento. (alternativa B) Amoxicilina-clavulanato por via oral durante 10 dias e repetir ultrassonografia após término do tratamento. (alternativa C) Amoxicilina por via oral por 10 dias e solicitar uretrocistografia miccional durante a resolução da fase aguda. (alternativa D) (CORRETA) Ceftriaxona por via intravenosa por 7 dias e solicitar uretrocistografia miccional após resolução do quadro agudo. Resposta comentada: "Cefalexina por via oral por 10 dias e repetir ultrassonografia após término do tratamento." Incorreta. A via oral é inadequada para criança de 18 meses com febre alta, recusa parcial de líquidos e sinais de desidratação leve. Repetir apenas ultrassonografia não investiga adequadamente refluxo vesicoureteral, necessário em ITU febril recorrente com dilatação pielocalicial. "Amoxicilina-clavulanato por via oral durante 10 dias e repetir ultrassonografia após término do tratamento." Incorreta. Apesar da sensibilidade do antibiótico, a via oral é inadequada no contexto clínico. Repetir ultrassonografia após término do tratamento não substitui a investigação do refluxo vesicoureteral. "Ceftriaxona por via intravenosa por 7 dias e solicitar uretrocistografia miccional após resolução do quadro agudo." Correta. Criançade 27 Enunciado: (AFYA UNIGRANRIO DUQUE DE CAXIAS) Uma paciente de 62 anos precisa ser submetida a uma colecistectomia eletiva videolaparoscópica sob anestesia geral. Ela é diabética tipo 2, bem controlada com metformina (HBA1c 7,2%); hipertensa controlada com dois anti-hipertensivos; sem insuficiência renal ou cardíaca e sem limitações funcionais aparentes. Qual seria a Classificação ASA mais adequada para esta paciente? Alternativas: (alternativa A) ASA I. (alternativa B) (CORRETA) ASA II. (alternativa C) ASA III. (alternativa D) ASA IV. Resposta comentada: Justificativa - ASA I: paciente saudável, sem doença sistêmica. Não corresponde ao cenário, que envolve comorbidades. - ASA II: paciente com doença sistêmica branda que não impõe limitação funcional significativa. Diabetes tipo 2 bem controlado e hipertensão controlada entram nessa categoria quando não há complicações graves nem limitação de atividades. - ASA III: doença sistêmica grave com limitações funcionais, o que não é descrito no caso apresentado. - ASA IV: doença sistêmica grave que representa ameaça constante à vida; não há evidência de risco vital imediato no paciente apresentado. Referências: Sabiston Textbook of Surgery. 21st Edition. Townsend CM, Beauchamp RD, Evers BM, Mathews BD (eds.). Elsevier; 2019. Schwartz's Principles of Surgery. 11th Edition. Brunicardi FC, Andersen DK, Billiar TR, et al. McGraw-Hill Education; 2019. American Society of Anesthesiologists (ASA). ASA Physical Status Classification System. Guidelines Feedback: -- 8ª QUESTÃO 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 11 de 27 Enunciado: (AFYA ARAGUAÍNA) Um paciente do sexo masculino, 75 anos, hipertenso controlado, com histórico de tabagismo por 40 anos, é admitido no pronto-socorro com queixa de dor epigástrica intensa, náuseas e episódios de hematêmese volumosa nas últimas 12 horas. Relata perda de peso significativa nos últimos seis meses e disfagia progressiva para alimentos sólidos. Ao exame físico, encontra-se hipotenso (PA 90/60 mmHg), taquicárdico (FC 110 bpm), pálido e desidratado. Sente dor à palpação profunda no epigástrio, sem sinais de peritonite. A endoscopia digestiva alta revela lesão ulcerada e infiltrativa na cárdia, com sangramento ativo e falha na hemostasia endoscópica. A tomografia de abdome não mostra sinais de metástases à distância ou ascite. Diante desse quadro, qual é a melhor abordagem para esse paciente? Alternativas: (alternativa A) Embolização angiográfica do tronco celíaco. (alternativa B) Gastrectomia subtotal distal com linfadenectomia D1. (alternativa C) (CORRETA) Gastrectomia total com linfadenectomia D2. (alternativa D) Rafia da lesão tumoral com rotação de retalho epiploico. 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 12 de 27 Resposta comentada: A alternativa "Gastrectomia total com linfadenectomia D2" é a correta. O paciente apresenta sangramento ativo refratário ao tratamento endoscópico, o que configura uma indicação de urgência para ressecção cirúrgica. Como a lesão é proximal, a única opção curativa viável é a gastrectomia total, garantindo margens livres e minimizando o risco de recidiva local (Utiyama; Rasslan; Birolini, 2022). A linfadenectomia D2 deve ser realizada conforme as diretrizes oncológicas para câncer gástrico avançado, garantindo uma adequada avaliação da extensão linfonodal e melhorando o prognóstico. A alternativa "Gastrectomia subtotal distal com linfadenectomia D1" está errada, pois a gastrectomia subtotal distal pode ser indicada para tumores localizados no antro-piloro, porém, neste caso, a lesão é proximal, o que inviabiliza a preservação da pequena curvatura e exige gastrectomia total. A alternativa "Embolização angiográfica do tronco celíaco", que cita a embolização angiográfica do tronco celíaco como primeira opção, está errada. A embolização angiográfica pode ser utilizada em sangramentos digestivos de origem tumoral, mas não deve ser a primeira escolha quando há falha na hemostasia endoscópica e necessidade de ressecção oncológica. Além disso, tumores gástricos proximais frequentemente apresentam sangramento recorrente após embolização, o que tornaria a cirurgia inevitável. A alternativa "Rafia da lesão tumoral com rotação de retalho epiploico", que menciona a rafia tumoral e rotação de retalho epiploico, encontra-se equivocada. Embora a rafia tumoral com rotação de retalho possa ser considerada em pacientes com doença metastática disseminada ou em mau estado geral, não é a abordagem ideal para este paciente, pois não controla adequadamente o sangramento nem oferece tratamento oncológico definitivo. Referências: DOHERTY, Gerard M. CURRENT Cirurgia. 14.ª ed. Porto Alegre: AMGH, 2017. E-book. p. 455. ISBN 9788580556018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580556018/. Acesso em: 24 nov. 2024. UTIYAMA, Edivaldo M.; RASSLAN, Samir; BIROLINI, Dario. Atualização em cirurgia geral, emergência e trauma: Cirurgião Ano 12. Barueri: Manole, 2022. E-book, p. 22. ISBN 9786555767537. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786555767537/. Acesso em: 28 fev. 2025. Feedback: -- 9ª QUESTÃO 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 13 de 27 Enunciado: (AFYA CRUZEIRO DO SUL) Gestante de 24 anos, G1P0A0, com 10 semanas de idade gestacional, comparece à consulta de pré-natal em Unidade Básica de Saúde. Refere início recente da vida sexual com um novo parceiro há 4 meses e nega uso regular de preservativo. Encontra-se assintomática. Exames solicitados na primeira consulta: VDRL: não reagente HIV: não reagente HBsAg: não reagente Toxoplasmose: IgM: reagente IgG: reagente Teste de avidez de IgG: avidez elevada Diante dos resultados apresentados, qual é a interpretação diagnóstica e a conduta mais adequada no contexto do pré-natal de risco habitual? Alternativas: (alternativa A) Solicitar a repetição da sorologia em 3 semanas para confirmar possível soroconversão antes de definir a conduta terapêutica. (alternativa B) (CORRETA) Interpretar o resultado como infecção antiga por toxoplasmose, sem risco de transmissão fetal na gestação, mantendo acompanhamento pré-natal habitual. (alternativa C) Considerar infecção aguda por toxoplasmose e iniciar tratamento com espiramicina imediatamente, com encaminhamento para pré-natal de alto risco. (alternativa D) Encaminhar a gestante para pré-natal de alto risco e iniciar tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico ainda no primeiro trimestre. 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 14 de 27 Resposta comentada: Alternativa correta: interpretar o resultado como infecção antiga por toxoplasmose, sem risco de transmissão fetal na gestação, mantendo acompanhamento pré-natal habitual. Comentário das alternativas: - A presença de IgG com alta avidez no primeiro trimestre praticamente exclui infecção adquirida durante a gestação. A indicação de espiramicina está reservada para suspeita de infecção materna recente confirmada ou altamente provável, o que não ocorre diante de alta avidez. Portanto, essa conduta levaria a tratamento desnecessário. - A presença de IgM reagente isoladamente não define infecção recente, pois pode persistir por meses. A alta avidez da IgG indica que o contato com o parasita ocorreu antes da gestação atual. Nessa situação, considera-se imunidade prévia, sem risco de transmissão vertical nesta gravidez, sendo adequada a manutenção do pré-natal de risco habitual. - A repetição da sorologia pode ser útil quando há dúvida diagnóstica e ausência de teste de avidez. Contudo, quando a avidez é alta no primeiro trimestre, o diagnóstico de infecção antiga já está estabelecido com segurança. Repetir exames não modifica a conduta e não é recomendado nos protocolos atuais. - O esquema com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico está indicado nos casos de infecção fetal confirmada ou após determinadas fasesda gestação, e não deve ser iniciado no primeiro trimestre de forma indiscriminada. Além disso, não há evidência de infecção recente nesse cenário. Essa conduta representa tratamento inadequado e potencialmente prejudicial. Referências: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com IST – Ministério da Saúde (inclui toxoplasmose gestacional). Protocolo de Notificação e Investigação da Toxoplasmose Gestacional e Congênita – Ministério da Saúde (2025). Obstetrícia Fundamental – Jorge Filho (2024). Feedback: -- 10ª QUESTÃO 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 15 de 27 Enunciado: (AFYA MONTES CLAROS) Paciente masculino, 58 anos, tabagista, etilista, apresenta disfagia progressiva e odinofagia. Endoscopia: lesão ulcerada no terço médio do esôfago. Biópsia: carcinoma espinocelular. Estadiamento: Exame Resultado Ecoendoscopia T3 TC tórax Linfonodos regionais aumentados PET-CT Sem metástases à distância ECOG 0. Diante desse quadro, qual é a conduta terapêutica padrão para doença localmente avançada ressecável? Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) Quimiorradioterapia neoadjuvante seguida de esofagectomia. (alternativa B) Esofagectomia imediata isolada. (alternativa C) Quimiorradioterapia definitiva exclusiva. (alternativa D) Dilatação endoscópica seriada. 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 16 de 27 Resposta comentada: Alternativa "esofagectomia imediata isolada" é incorreta. Justificativa: cirurgia isolada apresenta pior controle locorregional e sobrevida comparada à terapia multimodal. Alternativa "quimiorradioterapia definitiva exclusiva" é incorreta. Justificativa: quimiorradioterapia definitiva pode ser opção em pacientes inoperáveis, mas não é o padrão quando o paciente é candidato cirúrgico. Alternativa "dilatação endoscópica seriada" é incorreta. Justificativa: dilatação é medida paliativa. Alternativa "quimiorradioterapia neoadjuvante seguida de esofagectomia" é correta. Justificativa: para doença T3N+M0, o padrão é: quimiorradioterapia neoadjuvante (protocolo tipo CROSS), seguida de esofagectomia. Essa abordagem aumenta a sobrevida global. Referências: AJCC. Cancer Staging Manual. 8. ed. New York: Springer, 2017. NATIONAL COMPREHENSIVE CANCER NETWORK. NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology: Esophageal and Esophagogastric Junction Cancers. Version 2023. Plymouth Meeting: NCCN, 2023. VAN HAGEN, P. et al. Preoperative chemoradiotherapy for esophageal or junctional cancer. New England Journal of Medicine, Boston, v. 366, p. 2074-2084, 2012. KATZ, P. O. et al. Guidelines for the diagnosis and management of gastroesophageal reflux disease. American Journal of Gastroenterology, Bethesda, v. 117, p. 27-56, 2022. Feedback: -- 11ª QUESTÃO Enunciado: (AFYA PORTO VELHO) Mulher de 28 anos, técnica de enfermagem, procura o pronto- atendimento relatando paralisia súbita do membro inferior esquerdo iniciada após discussão no trabalho. Refere incapacidade de sustentar o peso corporal. Nega dor lombar, trauma ou perda de consciência. História prévia de múltiplas idas a serviços de emergência nos últimos 2 anos por “crises neurológicas”, sempre com exames complementares sem alterações estruturais. Ao exame neurológico: estado mental preservado, linguagem fluente e nervos cranianos sem alterações. Força no membro inferior esquerdo varia entre 0/5 e 5/5 conforme distração. Sinal de Hoover positivo. Reflexos osteotendíneos simétricos e normativos. Sensibilidade com limite impreciso, não compatível com dermátomos ou território neural específico. Marcha com arrasto acentuado, porém sem quedas. Não há sinais de via longa, nível sensitivo ou alterações esfincterianas. Durante a entrevista, não se identifica benefício financeiro, jurídico ou laboral associado ao quadro atual. Qual é o diagnóstico mais provável com base nos achados clínicos apresentados no caso? 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 17 de 27 Alternativas: (alternativa A) Transtorno factício, definido pela produção deliberada e intencional de sintomas físicos ou psicológicos, motivada pela necessidade interna de assumir o papel de doente. (alternativa B) Transtorno de sintomas somáticos, marcado geralmente por preocupação persistente com múltiplos e persistentes sintomas físicos com comportamento desproporcional relacionado à saúde. (alternativa C) (CORRETA) Transtorno de sintomas neurológicos funcionais, caracterizado por sinais clínicos positivos de incongruência neurológica e ausência de produção intencional de sintomas. (alternativa D) Simulação, caracterizada pela fabricação consciente e voluntária de sintomas neurológicos ou físicos com finalidade de obtenção de vantagem externa concreta e benefícios financeiros. 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 18 de 27 Resposta comentada: Alternativa correta: Transtorno de sintomas neurológicos funcionais, caracterizado por sinais clínicos positivos de incongruência neurológica e ausência de produção intencional de sintomas. O quadro apresenta sinais clínicos positivos de incongruência neurológica, como força variável à distração, padrão sensitivo não anatômico e sinal de Hoover positivo, além de ausência de sinais de via longa ou padrão localizatório compatível com lesão orgânica. Segundo o DSM-5, o diagnóstico de Transtorno de Sintomas Neurológicos Funcionais (transtorno conversivo) deve ser realizado com base em achados positivos de incompatibilidade com condições neurológicas reconhecidas, e não exclusivamente por exclusão (FIRST, 2015). Na prática do hospital geral, conforme discutido por Botega (2017), o reconhecimento de sinais clínicos objetivos de funcionalidade é essencial para evitar iatrogenia e exames desnecessários. Além disso, não há evidência de produção intencional de sintomas nem de ganho externo identificável, afastando factício e simulação. Alternativas incorretas: Transtorno factício. Incorreta porque o transtorno factício envolve produção intencional de sintomas, ainda que sem ganho externo evidente, com finalidade psicológica de assumir o papel de doente. No caso apresentado, não há indícios de manipulação consciente. Simulação. Incorreta porque a simulação pressupõe ganho externo concreto, como afastamento laboral, benefício financeiro ou implicações jurídicas. O enunciado explicita ausência de vantagem externa identificável. Transtorno de sintomas somáticos. Incorreta porque esse transtorno se caracteriza por preocupação persistente e excessiva com sintomas físicos reais, acompanhada de elevada ansiedade relacionada à saúde. O caso descreve um déficit motor inconsistente com fisiopatologia neurológica, e não um padrão de preocupação somática crônica. Referências: BOTEGA, Neury J. Prática psiquiátrica no hospital geral. 4. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2017. E-book. p.i. ISBN 9788582714317. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582714317/. Acesso em: 21 mar. 2026. FIRST, Michael B. Manual de diagnóstico diferencial do DSM-5. Porto Alegre: ArtMed, 2015. E-book. ISBN 9788582712078. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582712078/. Acesso em: 21 mar. 2026. 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 19 de 27 Feedback: Alternativa correta: Transtorno de sintomas neurológicos funcionais, caracterizado por sinais clínicos positivos de incongruência neurológica e ausência de produção intencional de sintomas. O quadro apresenta sinais clínicos positivos de incongruência neurológica, como força variável à distração, padrão sensitivo não anatômico e sinal de Hoover positivo, além de ausência de sinais de via longa ou padrão localizatório compatível com lesão orgânica. Segundo o DSM-5, o diagnóstico de Transtorno de Sintomas Neurológicos Funcionais (transtorno conversivo) deve ser realizado com base em achados positivos de incompatibilidade com condições neurológicas reconhecidas, enão exclusivamente por exclusão (FIRST, 2015). Na prática do hospital geral, conforme discutido por Botega (2017), o reconhecimento de sinais clínicos objetivos de funcionalidade é essencial para evitar iatrogenia e exames desnecessários. Além disso, não há evidência de produção intencional de sintomas nem de ganho externo identificável, afastando factício e simulação. Alternativas incorretas: Transtorno factício. Incorreta porque o transtorno factício envolve produção intencional de sintomas, ainda que sem ganho externo evidente, com finalidade psicológica de assumir o papel de doente. No caso apresentado, não há indícios de manipulação consciente. Simulação. Incorreta porque a simulação pressupõe ganho externo concreto, como afastamento laboral, benefício financeiro ou implicações jurídicas. O enunciado explicita ausência de vantagem externa identificável. Transtorno de sintomas somáticos. Incorreta porque esse transtorno se caracteriza por preocupação persistente e excessiva com sintomas físicos reais, acompanhada de elevada ansiedade relacionada à saúde. O caso descreve um déficit motor inconsistente com fisiopatologia neurológica, e não um padrão de preocupação somática crônica. Referências: BOTEGA, Neury J. Prática psiquiátrica no hospital geral. 4. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2017. E-book. P.I. ISBN 9788582714317. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582714317/. Acesso em: 21 mar. 2026. FIRST, Michael B. Manual de diagnóstico diferencial do DSM-5. Porto Alegre: ArtMed, 2015. E-book. ISBN 9788582712078. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582712078/. Acesso em: 21 mar. 2026. 12ª QUESTÃO 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 20 de 27 Enunciado: (AFYA MANACAPURU) Paciente masculino, 80 anos, hipertenso, diabético e portador de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), encontra-se internado na Unidade de Terapia Intensiva há 24 horas devido à pneumonia adquirida na comunidade, classificada como grave. Está em ventilação espontânea com máscara de alto fluxo (FiO₂ 50%) e em uso de antibioticoterapia empírica com ceftriaxona e azitromicina. Nas últimas três horas, evoluiu com piora progressiva do estado geral, apresentando rebaixamento do nível de consciência, taquicardia e hipotensão. No exame clínico, encontra-se febril (39,3°C), com frequência cardíaca de 124 bpm, pressão arterial de 84x50 mmHg (PAM 61 mmHg), frequência respiratória de 30 irpm e saturação de 92%. Observam-se extremidades frias, tempo de enchimento capilar de cinco segundos, pele moteada e débito urinário reduzido nas últimas seis horas (0,3 mL/kg/h). Exames laboratoriais evidenciam leucócitos de 22.000/mm³, lactato sérico de 5,4 mmol/L, creatinina de 2,3 mg/dL (basal prévio de 1,1 mg/dL) e PCR de 32 mg/dL. Diante do quadro clínico apresentado, qual é a conduta inicial mais adequada nas primeiras horas do manejo desse caso? Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) Coletar culturas, ampliar antibioticoterapia de amplo espectro na primeira hora, administrar cristaloide e iniciar noradrenalina se PAM persistiros tecidos, mas somente para mobilizar substratos para o organismo. (alternativa D) os hormônios catabólicos, tais como cortisol, aldosterona e catecolaminas, estão com níveis diminuídos. Resposta comentada: Alternativa correta: ocorre resistência periférica à insulina Ela é produzida, mas não consegue atuar adequadamente nas células, gerando hiperglicemia. A insulina promove a glicogênese e a captação de glicose pelos músculos e pela gordura, mas no período pós-estresse. Apesar de os níveis de insulina estarem presentes (podendo estar normais ou aumentados no início), a sua falta de ação efetiva, somada ao aumento de hormônios contrarreguladores (cortisol, glucagon, adrenalina), promove a quebra de reservas de gordura e proteínas (catabolismo) para fornecer energia ao local do trauma. As demais alternativas estão incorretas porque: REMIT é uma resposta a grandes insultos, como cirurgias de grande porte, politraumatismos, e quanto maior o trauma, maior a demanda metabólica e, por consequência, maior será a resposta. Seus objetivos são metabólicos e hemodinâmicos. O ADH (ou vasopressina) é liberado pela neuro-hipófise e sua concentração eleva-se rapidamente após o estresse cirúrgico, costumando normalizar-se dentro de 2 a 3 dias. O hormônio antidiurético promove a reabsorção de água livre dos túbulos distais e coletores dos rins. O cortisol realmente está aumentado na REMIT e promove catabolismo proteico. Referência: Novais, A. R. O. et al. Resposta endócrino-metabólica: revisão de literatura. Brazilian Journal of Development, 2021. Feedback: -- 14ª QUESTÃO 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 23 de 27 Enunciado: (AFYA MARABÁ) Caso 1: Paciente de 32 anos, sexo feminino, comparece à Unidade Básica de Saúde (UBS) com queixa de fadiga progressiva há cerca de quatro meses, associada a dispneia aos esforços habituais e queda de cabelos. Refere ciclos menstruais regulares, porém com fluxo aumentado nos últimos seis meses. Nega comorbidades. Exames laboratoriais: Hemoglobina: 9,2 g/dL; VCM: 72 fL; HCM: 23 pg; RDW: aumentado; reticulócitos: 0,5%; ferro sérico: reduzido; ferritina: 8 ng/mL; transferrina: elevada; saturação de transferrina: reduzida. Caso 2: Paciente de 62 anos, sexo masculino, procura a mesma UBS com queixa de fadiga há três meses e redução da tolerância aos esforços. Refere perda ponderal de 4 kg no período e alteração recente do hábito intestinal, com fezes mais escurecidas. Exames laboratoriais: Hemoglobina: 10,1 g/dL; VCM: 74 fL; HCM: 24 pg; RDW: discretamente aumentado; Reticulócitos: 0,6%; Ferro sérico: reduzido; Ferritina: 180 ng/mL; Transferrina: reduzida; Saturação de transferrina: reduzida. a) Determine os diagnósticos dos pacientes do caso 1 e do caso 2. (0,5 ponto) b) Proponha a conduta adequada para a paciente do caso 1. (1,0 ponto) c) Proponha a conduta adequada para o paciente do caso 2. (1,0 ponto) Alternativas: -- 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 24 de 27 Resposta comentada: Resposta Correta/Esperada: Caso 1 – Mulher de 32 anos Diagnóstico: a) Anemia microcítica e hipocrômica por deficiência de ferro secundária a perda crônica (hipermenorreia). Raciocínio clínico: VCM reduzido → anemia microcítica. Ferritina baixa → redução dos estoques de ferro (marcador mais sensível). Ferro sérico reduzido + transferrina elevada + saturação baixa → aumento compensatório da capacidade de transporte de ferro. Reticulócitos baixos → medula sem resposta efetiva por deficiência de substrato. A ferritina representa o principal marcador dos estoques corporais de ferro. A transferrina aumenta na deficiência de ferro como mecanismo compensatório para ampliar o transporte plasmático. b) Conduta: Iniciar reposição de ferro por via oral; Orientar uso longe de alimentos que reduzam absorção; Reavaliar hemoglobina em 4–8 semanas; Manter tratamento por pelo menos três meses após normalização da hemoglobina para repleção dos estoques; Investigar e tratar causa da perda crônica (avaliação ginecológica para sangramento uterino aumentado). Caso 2 – Homem de 62 anos Diagnóstico: a) Anemia microcítica associada a processo inflamatório crônico, com forte suspeita de sangramento gastrointestinal crônico subjacente. Raciocínio clínico: VCM reduzido → anemia microcítica. Ferro sérico baixo + saturação reduzida. Ferritina elevada → estoques preservados ou aumentados (proteína de fase aguda). Transferrina reduzida → diminuição da capacidade de transporte devido à resposta inflamatória. Reticulócitos baixos → resposta medular inadequada. A ferritina elevada sugere estoque preservado, porém funcionalmente indisponível, mediado por aumento de hepcidina em estados inflamatórios. A transferrina reduzida diferencia deficiência absoluta de ferro. A perda ponderal e alteração do hábito intestinal exigem investigação etiológica. c) Conduta: Solicitar investigação de possível sangramento digestivo (colonoscopia e endoscopia digestiva alta); Avaliar marcadores inflamatórios; Tratar a condição de base; Considerar reposição de ferro intravenoso se houver deficiência funcional comprovada e persistência de anemia sintomática. Referência: LOPES, Antonio C. Manual de Clínica Médica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. Feedback: -- 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 25 de 27 15ª QUESTÃO Enunciado: (AFYA VITÓRIA DA CONQUISTA) Paciente do sexo feminino, 22 anos, previamente hígida, comparece à Unidade de Pronto Atendimento referindo disúria, polaciúria e dor suprapúbica há 7 dias, mas não se preocupou inicialmente, fazendo uso apenas de um chá que sua vizinha havia indicado. Os sintomas permaneceram e, há 2 dias, evoluiu também com febre (até 39,1 ºC), náusea, vômitos e dor de forte intensidade em flanco direito. Refere também última menstruação há 2 meses. Ao exame físico, paciente encontra-se em regular estado geral, lúcida e orientada em tempo e espaço, taquicárdica (frequência cardíaca: 124 bpm), febril (temperatura axilar: 39ºC), desidratada (++/4+) e com sinal de Giordano positivo à direita, sem outras alterações. Foram solicitados exames laboratoriais com os seguintes resultados: hemoglobina 12,6 mg/dl (Valor de Referência (VR): 12-15), hematócrito 37% (VR: 36-46), leucócitos 16350/mm³ (VR: 4000-10000) com bastonetes = 7%, proteína C reativa 235 mg/dL (VR: 15.000 mUI/mL (VR:coli). A ceftriaxona é eficaz contra os principais agentes urinários e é considerada segura na gestação. Item 3 Resposta esperada: (Internação) OU (Hospitalar). A internação da paciente é necessária por se tratar de uma pielonefrite complicada. Gestação confirmada; Febre alta persistente; Taquicardia e sinais sistêmicos; Vômitos que dificultam terapia oral; Elevação de creatinina, sugerindo possível injúria renal aguda; Risco aumentado de sepse materna e complicações obstétricas (parto prematuro, sofrimento fetal). O manejo hospitalar permite hidratação venosa adequada, antibioticoterapia intravenosa, monitorização materna e avaliação obstétrica. Referências: JOHNSON, Richard J. Nefrologia Clínica. 5. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2016. E-book. p. ISBN 9788595156272. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595156272/. Acesso em: 21 mar. 2026. MOURA, Lúcio R.. FREITAS, Tainá Veras de S. MOURA-NETO, José A. Nefrologia essencial. Barueri: Manole, 2024. E-book. p.i. ISBN 9788520463628. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788520463628/. Acesso em: 21 mar. 2026. W. SCHRIER, Robert. Manual de Nefrologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Thieme Revinter, 2017. E-book. p. ISBN 9788554650469. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788554650469/. Acesso em: 21 mar. 2026. Feedback: -- 000190.39001a.75ef25.96d752.256eb3.7e0228.01d92b.e1a26 Página 27 de 27