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## Resumo sobre LIBRAS e a Educação dos Surdos no BrasilO material apresentado pela Profª Jaqueline Maria Bertoncini Toppan, da Faculdade Católica Paulista, oferece uma introdução detalhada à Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), à identidade do sujeito surdo e à história da educação dos surdos no Brasil. A partir do reconhecimento legal da LIBRAS pela Lei nº 10.436/2002, a língua de sinais passou a ser oficialmente reconhecida como meio legítimo de comunicação da comunidade surda, garantindo direitos fundamentais para sua inclusão social, educacional e cultural.### O Sujeito Surdo e sua IdentidadeO sujeito surdo é definido não apenas pela condição auditiva, mas principalmente pela sua inserção na Comunidade Surda, que utiliza a LIBRAS como língua natural e principal meio de comunicação. Essa comunidade possui características socioculturais próprias, incluindo práticas esportivas, sociais e linguísticas. A identidade surda é construída a partir da experiência visual do mundo, em contraste com a experiência auditiva dos ouvintes. Como destaca Perlin (2010), o surdo percebe o mundo através da visão, o que molda sua forma de comunicação e interação social. A surdez, portanto, não é uma deficiência a ser superada, mas uma diferença cultural e linguística que merece respeito e valorização.A dificuldade do surdo em se comunicar na língua portuguesa escrita e oral é um ponto central do material. Muitos surdos enfrentam barreiras significativas para aprender a língua portuguesa, que não é sua língua materna, pois pensam e se expressam em LIBRAS. A escrita em português pode ser um processo árduo, marcado por um esforço intenso para decodificar pensamentos visuais em palavras orais, o que pode gerar um sentimento de inadequação e silêncio. A oralidade, por sua vez, nem sempre é plenamente desenvolvida, e a imposição histórica da fala oral como única forma válida de comunicação trouxe sofrimento e exclusão para muitos surdos.### História da Educação dos Surdos no Brasil e o Reconhecimento da LIBRASA história da educação dos surdos no Brasil está ligada à chegada do surdo francês E. Huet em 1857, que fundou a primeira escola para surdos no país, o Imperial Instituto de Surdos-Mudos, hoje Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES). Huet trouxe sinais da Língua Francesa de Sinais, que, combinados com sinais usados pelos surdos brasileiros, deram origem à LIBRAS. Contudo, o Congresso de Milão em 1880 marcou um retrocesso, ao proibir o uso das línguas de sinais na educação, impondo o oralismo como método único. Essa decisão, tomada por educadores majoritariamente ouvintes, ignorou as necessidades e a cultura dos surdos, causando prejuízos educacionais e sociais que perduraram por quase um século.Durante esse período, apesar da proibição oficial, os surdos continuaram a usar a língua de sinais em suas comunidades, embora sem padronização, o que gerou variações regionais. A partir da década de 1960, pesquisas linguísticas nos Estados Unidos comprovaram que a língua de sinais é uma língua natural, com gramática e estrutura próprias, o que impulsionou o reconhecimento da LIBRAS no Brasil, especialmente após a pesquisa pioneira da linguista Lucinda Ferreira Brito em 1980. Finalmente, em 2002, a LIBRAS foi oficialmente reconhecida como língua nacional, garantindo direitos como o uso de intérpretes em espaços públicos e o ensino bilíngue para surdos.### Aspectos Linguísticos e Culturais da LIBRASA LIBRAS é uma língua visual-motora, distinta da língua portuguesa oral e escrita. Um dos elementos importantes da LIBRAS é a datilologia, ou alfabeto manual, que consiste na soletração de palavras por meio de sinais manuais correspondentes às letras do alfabeto português. A datilologia é usada para nomes próprios, localidades e termos que ainda não possuem sinais específicos. Com o tempo, alguns sinais soletrados incorporam movimentos próprios da LIBRAS, tornando-se sinais autônomos.Outro aspecto cultural relevante é o "nome visual" ou sinal pessoal, que é um nome simbólico dado a cada surdo pela comunidade surda, representando sua identidade dentro do grupo. Esse nome visual é uma marca única, que pode ser baseada em características físicas, personalidade ou outras particularidades da pessoa, e é fundamental para a integração social do surdo.O material também destaca a importância do acesso precoce à LIBRAS para crianças surdas, especialmente aquelas filhas de pais ouvintes, para que possam desenvolver um vocabulário rico e uma identidade surda sólida desde a infância, garantindo uma melhor inclusão escolar e social.### ConclusãoEste conteúdo é fundamental para futuros educadores e profissionais que atuarão com surdos, pois esclarece a importância de respeitar a identidade surda, valorizar a LIBRAS como língua legítima e compreender as dificuldades enfrentadas pelos surdos na aprendizagem da língua portuguesa. A história da educação dos surdos no Brasil revela uma trajetória de lutas e conquistas, que culminaram no reconhecimento da LIBRAS e na valorização da cultura surda. O aprendizado da LIBRAS não é apenas uma aquisição linguística, mas um passo essencial para a inclusão social e o respeito à diversidade.---### Destaques- O sujeito surdo é definido pela sua inserção na Comunidade Surda e pelo uso da LIBRAS, que molda sua identidade cultural e linguística.- A educação dos surdos no Brasil sofreu um retrocesso com o Congresso de Milão (1880), que proibiu o uso da língua de sinais, impondo o oralismo por quase um século.- A LIBRAS é uma língua visual-motora com gramática própria, reconhecida oficialmente em 2002, garantindo direitos e inclusão para a comunidade surda.- A datilologia (alfabeto manual) é usada para soletrar palavras sem sinais específicos e pode se incorporar à LIBRAS como sinais próprios.- O acesso precoce à LIBRAS é crucial para o desenvolvimento linguístico e social das crianças surdas, especialmente aquelas filhas de pais ouvintes.