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PSICODIAGNÓSTICO I
 • O psicodiagnóstico é uma avaliação psicológica, cujo objetivo é avaliar os sintomas, costumes e comportamento dos pacientes, aprofundar-se neles e estudá-los, a fim de encontrar um possível diagnóstico psicológico. Para isso, existem diversas técnicas psicológicas que compõem esse processo, e dentro delas, o paciente é submetido a diversos testes.
	➝ serve como uma comprovação e confirmação das hipóteses iniciais do psiquiatra/psicólogo. Por isso, é aplicado um conjunto de procedimentos diferenciados, e que variam de pessoa para pessoa. Dentre os principais procedimentos, utiliza-se de: entrevistas em profundidade com o paciente e/ou responsáveis; brincadeiras; análise de criação artística-expressiva do paciente; dinâmicas; aplicação de questionários focais; técnicas projetivas e; observação do comportamento.
• Noções básicas do Psicodiagnóstico:
	➝ Entrevista Inicial e Anamnese: Trata-se do primeiro contato com o psicólogo e o paciente, em ambiente como o consultório ou a clínica. O psicólogo ouvirá o paciente (ou responsável), e realizará perguntas sobre a sua vida, comportamento, pensamentos e visão do mundo. Além disso, identificará alguns sintomas que o paciente porta.
	➝ Plano de Avaliação: Realizado o contrato, o psicólogo passa a desenvolver as atividades, o planejamento das tarefas e o cronograma do acompanhamento. Essa etapa é realizada de acordo com a disponibilidade do paciente, que após concordar, deve comparecer a todas as reuniões determinadas pelo profissional.
	➝ Interpretação dos Dados: levanta-se todas as informações observadas, analisando-as criteriosamente e por fim, interpretando-as para chegar a uma consideração, um diagnóstico.
• Classificação do processo diagnóstico:
	➝ Objetivo classificação simples: compara a amostra do comportamento do examinando com os resultados de outros simples sujeitos da população geral ou de grupos específicos, com condições demográficas equivalentes; esses resultados são fornecidos em dados quantitativos, classificados sumariamente, como em uma avaliação de nível intelectual.
	➝ Objetivo classificação nosológica: hipóteses iniciais são testadas, tomando como referência critérios diagnósticos.
	➝ Objetivo classificação diferencial (diagnóstico diferencial): hipóteses iniciais são testadas, tomando como referência critérios diagnósticos.
	➝ Objetivo classificação compreensiva: é determinado o nível de funcionamento da personalidade, são examinadas as funções do ego, compreensiva em especial a de insight, condições do sistema de defesas, para facilitar a indicação de recursos terapêuticos e prever a possível resposta aos mesmos.
	➝ Objetivo descrição: ultrapassa a classificação simples, interpretando diferenças de escores, identificando forças e fraquezas e descrevendo o desempenho do paciente, como em uma avaliação de déficits neuropsicológicos.
	➝ Objetivo entendimento dinâmico: pressupõe um nível mais elevado de inferência clínica, havendo uma integração de dados com base teórica. Permite chegar a explicações de aspectos comportamentais nem sempre acessíveis na entrevista, à antecipação de fontes de dificuldades na terapia e à definição de focos terapêuticos etc.
	➝ Objetivo prevenção: procura identificar problemas precocemente, avaliar riscos, fazer uma estimativa de forças e fraquezas do ego, de sua capacidade para enfrentar situações novas, difíceis, estressantes.
	➝ Objetivo prognóstico: determina o curso provável do caso.
	➝ Objetivo perícia forense: fornece subsídios para questões relacionadas com “insanidade”, competência para o exercício das funções de cidadão, avaliação de incapacidades ou patologias que podem se associar com infrações da lei etc.
• O processo do Psicodiagnóstico (Jurema Alcides Cunha): 
	➝ Processo científico, limitado no tempo, que utiliza técnicas e testes psicológicos (input), em nível individual ou não, seja para entender problemas à luz de pressupostos teóricos, identificar e avaliar aspectos específicos, seja para classificar o caso e prever seu curso possível, comunicando os resultados (output), na base dos quais são propostas soluções, se for o caso.
		⤷ Os objetivos gerais são de classificação nosológica (estudo e descrição) e de entendimento dinâmico, para que o laudo forneça não só uma explicação do caso, mas também uma compreensão que lhe facilite o manejo. A partir dos dados do psicodiagnóstico, também seria possível atender aos objetivos de prognóstico e de prevenção.
	➝ Objetivos: determinam o nível de inferências que deve ser alcançado, os objetivos do psicodiagnóstico dependem das perguntas iniciais.
• Etapas do Psicodiagnóstico (Jurema Alcides Cunha):
	➝ Formulação de Perguntas e Hipóteses: Consiste em toda e qualquer forma de processo científico praticado pelo profissional da psicologia. Não busca, necessariamente, o favorecimento ao indivíduo, é geralmente aplicado em prol de algum serviço ou certificação que vise obter um detalhamento do indivíduo para a sociedade, sendo essa a beneficiada.
	➝ Contrato de Trabalho: O psicodiagnóstico é um processo limitado no tempo. Esclarecidas as questões iniciais e definidas as hipóteses e os objetivos, o psicólogo prevê o possível diagnóstico e elabora uma série de técnicas, propondo um período para isso acontecer. Propõe-se ao paciente os seus termos, definindo algumas responsabilidades, direitos e deveres.
	➝ Plano de Avaliação: Estabelecido com base nas perguntas ou hipóteses iniciais, definindo-se não só quais os instrumentos necessários, mas como e quando utilizá-los e o quanto podem ser eficientes, se aplicados com um propósito específico, para fornecer respostas a determinadas perguntas ou testar certas hipóteses. 
		⤷ Bateria de Testes: Conjunto de testes ou de técnicas, que podem variar entre dois e cinco ou mais instrumentos, para avaliar a situação psicológica de uma pessoa, baseando-se em seu comportamento, sintomas e outras características que possam indicar um diagnóstico. São incluídos no processo psicodiagnóstico para fornecer subsídios que permitam confirmar ou infirmar as hipóteses iniciais, atendendo o objetivo da avaliação.
		⤷ Administração de Testes e Técnicas: Para que o psicólogo possa concentrar a sua atenção no paciente, deve estar perfeitamente seguro quanto à adequabilidade do instrumento para o caso em estudo, estar bem familiarizado com as instruções e o sistema de escore, saber manejar o material pertinente e ter em mente os objetivos a que se propõe para a administração de cada instrumento.
	➝ Levantamento de Hipóteses: O especialista observará e identificará algumas possibilidades para o quadro clínico do paciente. Nesse processo – bastante cauteloso – cabe ao psicólogo associar alguns sintomas às possíveis doenças, transtornos e instabilidades psicológicas. Essas hipóteses são o ponto de partida do psicodiagnóstico.
		⤷ Consiste em obter informações (amostra de comportamento do paciente), sendo capaz de descrever o paciente e; analisar e revisar essas informações junto aos objetivos do exame. Um sumário de tais observações já constituirá uma parte introdutória do laudo.
		⤷ Inferência clínica (diagnóstico): é a fase de julgamento clínico propriamente dito. Para chegar à inferência clínica, chamada de diagnóstico, o psicólogo deve examinar os dados de que dispõe em função de determinados critérios diagnósticos (classificação diagnóstica), podendo considerar, assim, várias alternativas diagnósticas.
	➝ Diagnóstico e Prognóstico: Nem sempre o psicólogo precisa chegar, obrigatoriamente, ao nível mais elevado de inferência para obter uma hipótese diagnóstica ou o diagnóstico mais provável.
		⤷ Prognóstico significa, neste caso, parecer, baseado no diagnóstico do doente, acerca da evolução e das prováveis consequências de uma doença.
		⤷ Diagnóstico é a determinação e conhecimento de uma doença pelo estudo dos seus sintomas e pela análise de exames efetuados.
	➝ Comunicação dos Resultados: Através de entrevistas de devolução e de um laudo psicológico ao avaliando ou responsáveis, comunica-se as conclusões, demaneira acessível e objetiva, indicando as orientações finais, respeitando seu direito de decisão e sigilo. O informe ou a comunicação dos resultados constitui uma unidade essencial do psicodiagnóstico e, portanto, deve ser previsto no contrato de trabalho com o sujeito e/ou responsável
		⤷ A comunicação dos resultados deve se realizar como último passo, seguida apenas pelas recomendações pertinentes e pelo encerramento. É da responsabilidade do psicólogo definir seu tipo, conteúdo e forma. 
			⤷ Conteúdo: definido tanto pelas questões específicas, formuladas no início do processo, como pela identidade do receptor.
			⤷ Forma: é definida pela identidade e qualidade do receptor.
		⤷ Tipo de Comunicação: O tipo de comunicação dos resultados ou do informe é definido basicamente pelos objetivos do exame.
			⤷ Pareceres: restringem à análise de problemas específicos colocados por determinado profissional que já dispõe de várias informações sobre o sujeito.
			⤷ Laudos: geralmente respondem a questões como “o que”, “quanto” , “como” , “por que” , “para que” e “quando”.
• Considerações ao processo (Jurema Alcides Cunha):
	➝ Duração: Constitui uma estimativa do tempo, no contrato de trabalho, em que se pode operacionalizar as tarefas implícitas pelo plano de avaliação, bem como completar as tarefas subsequentes até a comunicação dos resultados e recomendações pertinentes. Ao considerar a duração do processo, muitos profissionais incluem o tempo previsto para contatos ou conferências com outros profissionais.
	➝ Enquadre (ou Enquadramento): Não somente o modo de formulação do trabalho, mas também o objetivo dele, a frequência dos encontros, o lugar, os horários, os honorários e, principalmente, o papel que cabe a cada um.
	➝ Bateria de Testes: Considera-se que nenhum teste, isoladamente, pode proporcionar uma avaliação abrangente da pessoa como um todo. O foco da testagem deve ser o sujeito, e não os testes. Dentre os tipos, destacam-se as:
		⤷ Baterias padronizadas: avaliações específicas.
		⤷ Baterias não-padronizadas: organizadas a partir de um plano de avaliação.
• Diferenças no atendimento:
	➝ Crianças: requer uma entrevista com os pais ou responsáveis, que são a fonte primária de informações sobre a história, o desenvolvimento e o comportamento da criança. O psicólogo deve utilizar técnicas lúdicas e projetivas, que permitam à criança expressar seus sentimentos, fantasias e conflitos de forma não verbal. 
		⤷ O desafio do atendimento às crianças é estabelecer uma relação de confiança e empatia com elas, respeitando o seu ritmo, a sua linguagem e a sua capacidade de compreensão. Outro desafio é integrar os dados obtidos com os pais, com a escola e com a própria criança, de forma a obter uma visão global e coerente do caso.
	➝ Adolescentes: depende dos objetivos do psicodiagnóstico, podendo incluir ou não a entrevista com os pais ou responsáveis. O psicólogo deve levar em conta as características da fase do desenvolvimento em que o adolescente se encontra, marcada por mudanças físicas, emocionais, cognitivas e sociais. Deve-se utilizar técnicas que permitam ao adolescente expressar sua identidade, seus valores, seus interesses e seus conflitos, respeitando a sua autonomia, a sua privacidade e a sua singularidade.
		⤷ O desafio do atendimento aos adolescentes é estabelecer uma relação de confiança e colaboração com eles, reconhecendo o seu papel ativo no processo. Outro desafio é considerar os fatores contextuais que influenciam o seu funcionamento, como a família, a escola, os amigos, a cultura etc. 
	➝ Adultos: pressupõe que eles cheguem com disposições variadas, que podem afetar o seu envolvimento e a sua colaboração no processo. O psicólogo deve esclarecer os objetivos do psicodiagnóstico, e adaptar a sequência das técnicas de acordo com a ansiedade e a atitude do paciente. Deve-se utilizar técnicas que permitam ao adulto expressar suas características, suas dificuldades e suas potencialidades, respeitando a sua maturidade, a sua responsabilidade e a sua complexidade.
		⤷ O desafio do atendimento aos adultos é estabelecer uma relação de confiança e respeito com eles, valorizando a sua experiência de vida, a sua demanda e as suas expectativas. Outro desafio é integrar os dados obtidos com o próprio paciente, com familiares, com outros profissionais ou com outras fontes, de forma a obter uma visão abrangente e consistente do caso.
• Etapas do processo de Psicodiagnóstico (Maria Luisa Siquer de Ocampo):
	➝ Primeiro Contato/Entrevista Inicial: Entrevista semidirigida, em função de vetores assinalados pelo terapeuta, tais como: vetores quando paciente não sabe por qual começar ou continuar; situações de bloqueio ou paralisação por angústia para assegurar o êxito da entrevista; indagar aspectos da conduta do entrevistando, aos quais esse não se referiu espontaneamente. Recomenda-se o uso, por ordem: Técnica diretiva (apresentação mútua e ao esclarecimento do enquadre) e entrevista livre (para que o paciente se expresse livremente sobre o motivo de sua consulta). O uso da técnica diretiva servirá ao preenchimento de lacunas.
		⤷ Enquadre (ou Enquadramento): Apresenta-se ao início, e deve ser mantido ao longo de todo processo psicodiagnóstico. Mantém constantes as vaiáveis que intervém no processo, tais como: Atribuição de papéis; local de realização das entrevistas etc. 
	➝ Aplicação de Testes e Técnicas Projetivas: Aplicação da bateria previamente selecionada e ordenada, de acordo com o caso, incluindo o tempo qual o psicólogo deve dedicar ao material recolhido. Entrevista clínica: não é “a técnica”, e sim, mais uma técnica: testes (no caso, os projetivos) – insubstituíveis e imprescindíveis pelas suas vantagens.
		⤷ Planejamento da Bateria: Pensar em testes que captem o maior número possível de condutas (verbais, gráficas e lúdicas), de maneira a possibilitar a comparação de um mesmo tipo de conduta, provocada por diferentes estímulos ou instrumentos e diferentes tipos de conduta entre si.
	➝ Encerramento do Processo (Devolução Oral): Consiste em informar o paciente/responsável acerca do que se fora pensado de ele estar vivenciando, e orientá-lo com relação à atitude mais recomendável a ser tomada em seu caso. Atua como a confirmação verdadeira o qual o psicólogo sai sem danos, de todos os pontos danificados e danosos do paciente, que juntamente com pertinentes e corretos, os identificou simultâneos e particulares do examinador.
	➝ Informe Escrito (Devolução Escrita): Consiste nos mesmos objetivos da devolução oral, portanto, é encaminhada para quem enviou o caso para o psicodiagnóstico (remetente), a forma e o conteúdo dependem de quem o solicitou e do que solicitou ser investigado. 
		⤷ A devolutiva de forma geral, possibilita que o psicólogo exerça uma síntese de qualidade. É algo que auxilia no conhecimento do caso, podendo ter grande relevância assim que são manifestadas as memórias reprimidas ou ações abruptas, ou até que não foi provado até a ocasião, que efetuam uma alteração no planejamento.
		⤷ Atendimento Infantil: quando a criança possui dúvidas se será informada ou não do que acha de sua condição, mesmo quando o psicólogo informa de que nada lhe será comunicado, pode fazer com que se sinta obrigada a inúmeros estímulos que tentará responder. Se a criança (paciente) ao final sabe que terá esclarecimentos e terá acesso aos resultados, ela se sentirá entendida, resultando em melhor participação.
• Entrevista Clínica: Conjunto de técnicas de investigação, de tempo delimitado, dirigido por um entrevistador treinado. O processo visa a fazer recomendações, encaminhamentos ou propor algum tipo de intervenção em benefício da(s) pessoa(s) entrevistada(s).
	➝ A investigação possibilita alcançar os objetivos primordiais da entrevista, que são descrever e avaliar, o que pressupõe o levantamento de informações, a partir das quais se torna possível relacionar eventos e experiências, fazer inferências, estabelecer conclusões e tomar decisões.
• Entrevista Inicial: Estabelecer uma atmosfera agradável paraque o cliente se sinta à vontade e obter as informações necessárias para o delineamento do psicodiagnóstico.
• Anamnese: Tem por objetivo primordial o levantamento detalhado da história de desenvolvimento da pessoa, principalmente na infância. A anamnese é uma técnica de entrevista que pode ser facilmente estruturada cronologicamente.
• Tipos de Entrevista: A utilização de outros tipos de entrevistas varia de acordo com a queixa do caso, dado que são utilizadas para complementar a investigação. Comumente, a entrevista inicial e a anamnese são apontadas como entrevistas semiestruturadas, embora haja variações a depender do referencial, do caso e do conteúdo a ser explorado (flexibilidade).
	➝ Entrevista Estruturada: Se baseia em um roteiro preestabelecido com perguntas (fechadas) para investigação posterior. São de pouca utilidade clínica; aplicação desse tipo de entrevista é mais frequente em pesquisas acadêmicas.
	➝ Entrevista Semiestruturada: Consiste em um modelo de entrevista flexível; possui um roteiro prévio, mas abre espaço para que o entrevistador faça perguntas sugeridas ou padronizadas, fora do que havia sido planejado. Dessa forma, o diálogo se torna mais dinâmico.
	➝ Entrevista Livre: Não estruturada, é necessário que se conheçam suas metas, o papel de quem a conduz e os procedimentos pelos quais é possível atingir seus objetivos. Estes e outros elementos próprios das entrevistas lhes conferem uma estrutura, mesmo que o entrevistador não a reconheça explicitamente.
• A entrevista inicial: 
	➝ Passo-à-passo:
		⤷ Estabelecer um ambiente agradável;
		⤷ Explicar o que é o psicodiagnóstico; contrato de trabalho e; informar sobre a entrevista devolutiva;
		⤷ Evitar repetições das informações;
		⤷ Conteúdos a serem explorados: como gostaria de ser chamado; o que o leva ao atendimento/o que o levou a ser encaminhado; como pode ajudá-lo; como vivencia as dificuldades apresentadas etc. 
		⤷ Conteúdos indispensáveis: o que vivencia, como vivência, quando surgiu e com qual frequência; o que e como afeta sua vida pessoal; o que faz para lidar/solucionar e quais resultados obteve; expectativas do paciente e; história de vida (do geral ao específico). 
	➝ Contrato de Trabalho: O psicólogo deve: prestar serviço de qualidade; assegurar o sigilo da identidade do sujeito; comparecer assídua e pontualmente às sessões; ouvir sem julgar sobre quaisquer assuntos durante o processo de psicodiagnóstico; respeitar o cliente, caso ele não queira falar sobre um determinado assunto.
		⤷ O paciente precisa: prestar informações de forma verídica; comparecer às sessões nos dias e horários marcados; realizar as atividades que forem solicitadas.
	➝ Por que a entrevista inicial? Para conhecer exaustivamente o paciente; pela necessidade de extrair da entrevista certos dados que nos permitam formular hipóteses e planejar bateria de testes; interpretar com maior precisão os dados dos testes e da entrevista final.
	➝ A correlação que o paciente mostra na primeira entrevista, o que aparece nos testes e o que surge na entrevista de devolução, oferece um importante material diagnóstico e prognóstico. 
	➝ É insubstituível enquanto cumpre certos objetivos do processo psicodiagnóstico, mas os testes apresentam certas vantagens que os tornam insubstituíveis e imprescindíveis.
	➝ Fornecem maior segurança para o diagnóstico por conta de sua padronização e possibilitar a avaliação dos aspectos patológicos do paciente, ocultos atrás de uma boa capacidade de verbalização.
	➝ Objetivos: 
		⤷ Verificar e assegurar a primeira impressão: a primeira impressão representa as primeiras informações advindas ao psicólogo, que deverá ter cuidado ao considerá-las com o apoio das etapas posteriores.
		⤷ Considerar o que verbaliza: o que não verbaliza é menos controlável. O diagnóstico baseia-se na comparação dos dados recolhidos durante a entrevista. No caso do processo psicodiagnóstico, pode-se comparar os dados com o que pessoa relatou durante a entrevista, com a realização dos testes e na devolutiva.
		⤷ Estabelecer grau de coerência e discrepância: verifica-se o que foi verbalizado e o que foi captado da linguagem não-verbal (vestimentas, gestos etc.) do paciente.
		⤷ Planejar uma futura bateria de testes adequada: elementos a utilizar (quantidade e qualidade dos testes escolhidos); sequência (ordem de aplicação); ritmo (número de entrevistas que calculamos para a aplicação dos testes escolhidos).
		⤷ Estabelecer um bom rapport com o entrevistado: visa reduzir a possibilidade de bloqueios ou paralisações e criar um clima preparatório favorável à aplicação de testes.
		⤷ Captar o que o paciente transfere e o que nos provoca: transferência e contratransferência. É necessário captar que tipo de vínculo que o entrevistado está estabelecendo com o psicólogo e quais são os aspectos contratransferênciais que o psicólogo exerce sobre o entrevistado.
		⤷ Detectar, na entrevista inicial com os pais: qual é o vínculo que une o casal; vínculo entre eles como casal e com o filho; vínculo da mãe e do pai, separadamente com o filho; vínculo do filho com o casal; vínculo do casal com o psicólogo. Observação: outro tipo de vínculo é a indução que os pais estabelecem com o filho ausente e ainda desconhecido. Devemos ser neutros e não deixar que a relação futura entre o psicólogo e a criança sejam contaminados. A técnica de Donald Meltzer sugere que primeiro seja realizado um encontro com a criança e posteriormente fazer as entrevistas com os pais.
		⤷ Seguir recomendações para a entrevista inicial com os pais: avaliar a capacidade dos pais de elaboração da situação diagnostica atual e potencial. Observar e avaliar os mecanismos de defesa que podem surgir; avaliar as expectativas e os interesses dos pais; avaliar a ansiedade dos pais; avaliar o campo psicológico; verificar quem colabora, aceita tanto o diagnóstico como a possibilidade de mudanças e intervenções futuras da criança.
		⤷ Identificar o motivo da consulta: motivo manifesto: indica a presença de algo evidente, garantido, inegável e notório; motivo latente: indica a presença de elementos psíquicos esquecidos na esfera subliminar da consciência, donde podem ressurgir.
	➝ A entrevista inicial como um ponto de partida:
		⤷ Crianças: Os problemas mais comuns que levam as crianças ao psicodiagnóstico são de atenção, interação social, ansiedade, depressão, aprendizagem, afetividade, agressividade e comportamento.
		⤷ Adolescentes: Os problemas mais comuns que levam os adolescentes ao psicodiagnóstico são os mesmos das crianças, com a adição de questões relacionadas à identidade, à sexualidade e ao uso de substâncias.
		⤷ Adultos: Os problemas mais comuns que levam os adultos ao psicodiagnóstico são emocionais e de relacionamento familiar.
	➝ Atendimento à crianças: envolve os pais e/ou responsáveis, considerando a opinião e o conhecimento da criança sobre o motivo e o procedimento da avaliação, usando uma linguagem que ela entenda. O avaliador deve perguntar à criança se ela sabe por que veio ao psicólogo e explicar o processo de forma lúdica e acolhedora.
		⤷ Ocorre em formato de Hora do Jogo, que é uma técnica que permite observar o comportamento, a personalidade e as dificuldades da criança por meio de brincadeiras.
	➝ Atendimento à adolescentes: considera os fatores contextuais que influenciam a personalidade do adolescente, como a família, a escola, os amigos, a cultura etc. A entrevista inicial pode ser realizada com o próprio adolescente, mas é imprescindível o contato com os pais ou responsáveis para que eles consintam o processo de avaliação, já que se trata de um menor de idade.
		⤷ O psicólogo deve utilizar técnicas que permitam ao adolescente expressar a sua personalidade de forma verbal e não verbal, como testes, questionários, entrevistas etc. 
	➝ Atendimento aos adultos: deve avaliar os sintomas e a personalidade do paciente adulto de forma integrada, buscando compreender a origem, a função, a intensidade, a frequência, a duração e o impacto dos sintomas na vida do paciente, bem como a sua relaçãocom os traços e os estados da personalidade. O psicólogo deve reconhecer que a personalidade do adulto é mais estável e complexa, e que ele tem mais consciência e responsabilidade sobre a sua personalidade.
		⤷ costuma ser feita com o próprio paciente, mas em alguns casos pode ser relevante entrevistar algum familiar que esteja relacionado à demanda do paciente. O avaliador deve perguntar ao paciente se ele sabe por que foi encaminhado para avaliação e esclarecer as informações e as fantasias que ele possa ter sobre o processo.
	➝ A entrevista inicial com os pais: Entrevista semidirigida e limitada, de acordo com um plano previamente estabelecido, para que os pais não escapem do tema ao realizar confidências de suas próprias vidas. Objetiva centralizar a entrevista à criança e fundamenta considerações posteriores. São comuns dados imprecisos, não exatos ou deformados fornecidos pelos pais, pois não costumam ter um conhecimento global da situação e durante a entrevista, esquecem parte do que sabiam, devido à angústia que esse conhecimento provoca.
		⤷ Os pais veem-nos como juízes, além disso, não estabelecem uma solida com o terapeuta que lhes permita aprofundar-se em seus problemas. Não consideramos conveniente finalizar essa entrevista sem ter conseguido os seguintes dados básicos que necessitamos conhecer antes de ver a criança: a) motivo da consulta; b) história da criança; c) como transcorre um dia de sua vida atual, um domingo ou feriado e o dia do aniversário; d) como é a relação dos pais entre si, com os filhos e com o meio familiar imediato.
		 ⤷ Manejo: Quando os pais decidem consultar por um problema ou enfermidade do filho, solicita-se uma entrevista, advertindo que o filho não deve estar presente, mas sim ser informado da consulta. Essa entrevista não deve parecer um interrogatório, com os pais sentindo-se julgados. Pelo contrário, deve tentar aliviarlhes a angústia e a culpa que a enfermidade ou conflito do filho despertam.
		⤷ Frequentemente, somente um dos pais comparecem a entrevista, geralmente a mãe. Forma-se um juízo aproximado sobre as relações do grupo familiar e em especial do casal, apoiado na impressão deixada pela entrevista ao reconsiderar todos os dados recolhidos
		⤷ Não mostrar preferências, quando a entrevista ocorre com os dois pais, embora um deles possa fornecer um melhor entendimento. Esse entendimento deve servir para uma melhor compreensão do problema e não para criar um conflito.
	➝ Conteúdo da entrevista com os pais:
		⤷ Motivo da Consulta: tem por objetivo diminuir a angústia inicial, pois a resistência não é consciente, visto que já a venceram ao buscar pelo terapeuta.
		⤷ Histórico do Paciente (Criança): tem por objetivo transcorrer ao longo da história, identificando possíveis variáveis a serem consideradas na avaliação da criança.
		⤷ Dia de Vida (Rotina): a descrição de um dia de vida deve ser feita mediante perguntas concretas, que nos orientam acerca de experiências básicas de dependência ou independência, liberdade, ou coação, instabilidade ou estabilidade, dar ou receber.
		⤷ Relações Familiares: tem por objetivo transcorrer ao longo da história, identificando outras possíveis variáveis a serem consideradas na avaliação da criança.
• Anamnese: é uma técnica de entrevista que pode ser facilmente estruturada cronologicamente. Num modelo psicológico, a história e o exame do paciente permitem a coleta de subsídios introdutórios que vão fundamentar o processo a que chamamos de psicodiagnóstico.
➝ Objetivos: estabelecer uma avaliação e diagnóstico do indivíduo.
➝ Exame da História Pessoal (Anamnese): A história pessoal pressupõe uma reconstituição global da vida do paciente, como um marco referencial em que a problemática atual se enquadra e ganha significação. É pautada na queixa, uma vez obtida; Atenção: frequentemente, a anamnese é delineada de forma mais sistemática e formal, produzindo um acúmulo de dados que não contribuem para o entendimento do caso. 
	⤷ A história pessoal deve ser enfocada conforme os objetivos do exame e dependendo do tipo e da idade do paciente, o que vai se refletir, logicamente, na natureza e quantidade de dados que devem constar ou não do laudo.
	⤷ Dependendo da problemática e da estrutura de personalidade do paciente, certas áreas e certos conflitos deverão ser mais explorados do que outros, concentrando-se em pontos da vida do paciente que tenham probabilidade de fornecer explicações para a emergência e o desenvolvimento da queixa.
➝ Conteúdo:
	⤷ Contexto Familiar: procurar descrever o contexto familiar, por ocasião da concepção (ou da adoção da criança), especificando o status marital, as condições socioculturais (nível de instrução, nível socioeconômico, rede de apoio social, etc.), o clima das relações afetivas do casal ou da família, suas expectativas quanto à vinda de um bebê ou a existência de algum tipo de planejamento familiar, bem como as reações ante a gravidez; Por vezes, é conveniente registrar outros aspectos ou problemas que caracterizavam a vida familiar.
	⤷ História Pré-natal e Perinatal: importante descrever como transcorreu a gestação (ou o processo de adoção) do ponto de vista físico e psicológico. Não aceite simplesmente a classificação de “normal” (houve acompanhamento médico sistemático? pré-natal?). Procure informar-se a respeito de aspectos nutricionais, doenças, acidentes, uso de drogas, ou, ainda, de fatos significativos na vida do casal. Procure saber qual o estado psicológico da mãe, em termos de ansiedades, temores e fantasias e como isso repercutiu na vida do casal.
	⤷ Primeira Infância (até os 3 anos): Nessa fase, é de especial importância a qualidade da relação materno-infantil, desde a ligação simbiótica primária, até a fase de separação-individuação, “que se estende dos doze-dezoito meses aos trinta e seis meses”.
	⤷ Infância Intermediária (3 a 11 anos): Geralmente é nessa fase que há um alargamento da rede de relações sociais da criança, pelo ingresso na “escolinha”.
	⤷ Pré-puberdade, puberdade e adolescência: Há quatro pontos importantes para os quais se deve dirigir a atenção do examinador – relações sociais, história escolar, área sexual, problemas específicos. 
	⤷ Idade Adulta: Os principais temas a serem abordados incluem a história e a situação ocupacional, as relações sociais, a área sexual, a história conjugal e as atitudes frente a mudanças ocorridas na vida.
	⤷ Fontes Subsidiária: Muitas vezes a história deve ser complementada por um exame objetivo, através da entrevista com um familiar ou pessoa de seu convívio.
• Entrevista Lúdica: No psicodiagnóstico infantil, costuma-se entrevistar os pais, antes de ver a criança, com o objetivo de obter informações sobre o problema e sobre como a criança é. Após as entrevistas com os pais, mantém-se o primeiro contato com a criança, que pode ser por meio de uma entrevista lúdica. Brincar: linguagem própria da criança.
	➝ Papel passivo do psicólogo, porque funciona como observador, mas também é ativo, enquanto sua atitude é atenta na compreensão e formulação de hipóteses sobre a problemática do entrevistado, assim como na ação de efetuar perguntas para esclarecer dúvidas sobre a brincadeira. 
	➝ Material Lúdico: Apresentado em ordem aparente, em caixas e/ou armários, sempre com as tampas ou portas abertas, devendo ser adequado para atender crianças de diferentes idades, sexo e interesses; geralmente constituído por: bonecos e famílias de bonecos, casa de bonecos, marionetes, blocos de construção, carros, aviões, bola etc.
		⤷ Oferece à criança a oportunidade de brincar, como deseje, com todo o material lúdico disponível na sala, esclarecendo sobre o espaço onde poderá brincar, sobre o tempo disponível, sobre os papéis dela e do psicólogo, bem como sobre os objetivos dessa atividade, que possibilitará conhecê-la mais e, assim, poder posteriormente ajudá-la.
	➝ Objetivos: 
		⤷ Investigar: compreender a natureza do pensamento infantil.
		⤷ Extrair informações significativas: em relação ao problema relatado. Formular hipóteses e/ou considerações.⤷ Oferecer à criança a oportunidade de brincar: para a interpretação e análise das fantasias inconscientes a partir do jogo.
• Hora do Jogo: 
➝ Atividade Lúdica: Forma de expressão, substitui a linguagem verbal do adulto nos casos infantis; trata-se de instrumentalizar suas possibilidades comunicacionais para conceituar a realidade que nos apresenta.
➝ Hora do Jogo Diagnóstica (HJD): Engloba um processo que tem começo, meio e fim. Opera como unidade para o conhecimento inicial da criança devendo interpretá-la como tal, e cujos dados serão ou não confirmados com a testagem. Todo encontro é uma experiencia nova. Permite: conceitualização do conflito atual do paciente; o coloca em evidência seus principais mecanismos de defesa e ansiedades; avalia o tipo de rapport que pode estabelecer a criança com um possível terapeuta e o tipo de ansiedade que contratransferencialmente pode despertar nele; o põe de manifesto a fantasia de doenças e cura.
➝ Hora do Jogo Terapeutica (HJT): Elo mais amplo, aspectos e modificações estruturais vão surgindo ao longo do processo pela intervenção.
	➝ Cuidados:
		⤷ Salas: recomenda-se um quarto de tamanho médio, com mobiliário escasso à fim de propiciar liberdade de movimentos à criança.
		⤷ Materiais: expostos, de maneira não ordenada, para que a criança ordene conforme as suas variáveis internas, em função de suas fantasias e de seu nível intelectual.
		⤷ Instruções: o psicólogo deve manifestar, de maneira breve e compreensível à criança, uma série de instruções que confirmem papéis, tempo, espaço, materiais e objetivos.
		⤷ Transferência e Contratransferência: a HJD representa uma experiencia nova ao entrevistador e ao entrevistado, além de refletir o inter-jogo de series complementares de cada um, implica em um vínculo transferencial.
	➝ Atenção Necessária: Brincadeiras: verifica-se princípio, meio e fim, se é uma unidade coerente em si mesma e se os jogos organizados correspondem ao estágio de desenvolvimento intelectual correspondente. Brinquedos: considerar o tipo escolhido para o primeiro contato, de acordo com o momento evolutivo e com o conflito a ser veiculado.
	➝ Modalidade das Brincadeiras: É a forma em que o ego manifesta a função simbólica; cada sujeito estrutura o seu brincar de acordo com uma modalidade que lhe é própria e que implica traço caracterológico. Entre as modalidades:
		⤷ Plasticidade: manifesta-se de diferentes maneiras, por fantasia e defesa ou grande riqueza interna por poucos elementos que cumpram diversas funções
		⤷ Rigidez: impossibilidade de modificar os atributos outorgados aos objetos;
		⤷ Estereotipia e perseverança: desconexão com o mundo externo cuja finalidade é a descarga; repete-se uma e outra vez a mesma conduta e não há fins comunicacionais, típico de crianças psicóticas.
	➝ Indicadores avaliados:
		⤷ Personificação: capacidade de assumir e atribuir papeis de forma dramática;
		⤷ Motricidade: adequação dos movimentos diante da etapa evolutiva cuja qual a criança atravessa;
		⤷ Criatividade: capacidade de criar, unir ou relacionar elementos dispersos num elemento novo e diferente, exige um ego plástico capaz de abertura para experiencias novas, tolerante à não-estruturação do campo;
		⤷ Tolerância à frustração: possibilidade de aceitar as instruções com as limitações que elas apresentam e pelo desenvolvimento da atividade lúdica;
		⤷ Capacidade simbólica: a possibilidade de criar símbolos e a dinâmica de seus significados, dado que o brincar é a via de acesso ao inconsciente;
		⤷ Adequação à realidade: possibilidade de se desprender da mãe e atuar de acordo com sua idade cronológica, demonstrando compreensão e aceitação das instruções.
	➝ O brincar:
		⤷ Criança psicótica: No psicótico, significante e significação são a mesma coisa (equação simbólica). Inibição parcial ou total do brincar até a desorganização da conduta. A criança psicótica não pode se adequar à realidade, na medida em que ela se manipula como predomínio do processo primário, distorcendo a percepção de mundo externo e de vínculo com o terapeuta.
			⤷ Personagens cruéis atuados pela criança correspondem ao superego primitivo, de características terrorificas e sádicas; há estereotipia na conduta verbal ou pré-verbal. São comuns as organizações originais, neologismos, atitudes bizarras e dificuldades de adequação à realidade, tolerância à frustração e aprendizagem.
		⤷ Criança neurótica: Expressão lúdica com reconhecimento parcial da realidade; Áreas livres de conflitos coexistentes com escotomas que encobrem situações conflitivas. A capacidade simbólica, diferente do psicótico, é desenvolvida, sendo capaz de discriminar e evidenciar um melhor inter-jogo entre fantasia e realidade, assim como alterações significativas em áreas especificas. A dinâmica do conflito se dá entre impulsos e a sua relação com a realidade (conduta defensiva).
			⤷ A adequação à realidade depende dos termos do conflito; há uma tendencia em satisfazer o princípio do prazer, que gera culpa não tolerada pelo ego e desloca o impulso para objetos substitutivos afastados do original (ciclo vicioso insatisfatório).
			⤷ As capacidades de aprendizagem e as criativas são limitadas, dependem de uma síntese egóica adequada. Baixo limiar de tolerância à frustração ou a superadaptação em certas áreas, que são, manifestações da fraqueza egóica do neurótico, em intima relação com as características severas de seu superego e os termos de conflito. Dramatizam personagens mais próximos aos modelos reais, com menos carga de onipotência e maldade.
		⤷ Criança “normal”: Conflitos não são sinônimos de doença, em cada período evolutivo, a criança atravessa situações conflitiva. O equilíbrio estrutural permite à criança normal, a superação desses conflitos e permite que ela saia enriquecida, ou seja, a situação conflitiva opera como motor e não inibidor do desenvolvimento. A confiança em suas possibilidades egóicas e um superego benévolo (compreensível) tornam possível atravessar essas situações de crise que supõem a elaboração das perdas e novas aquisições próprias do crescimento. 
			⤷ A liberdade interna oferecida pelo equilíbrio entre fantasia e realidade, suas possibilidades criativas e reparatórias, enriquecem-na permanentemente, permitindo-lhe aprender na experiencia. Na personificação, os modelos atuais se aproximam dos objetos reais, a criança dá livre curso à fantasia, atribuindo e assumindo diferentes papeis na situação de vínculo com o psicólogo, ampliando as possibilidades comunicativas.
• Entrevista Devolutiva: consiste numa análise do processo psicodiagnóstico ou psicoterapêutico, após realizado. 
➝ Objetivos: transmite de forma sucinta e objetiva, os pontos relevantes identificados e como esses impactaram na conclusão do processo.
➝ O psicodiagnóstico é um processo que envolve uma série de etapas, todas elas muito relevantes, tendo como desfecho o momento da devolução de informações. Nem todos os aspectos componentes da avaliação serão comunicados a terceiros, e tudo o que for comunicado será feito em benefício do paciente, com o seu conhecimento. Quando se trata de um avaliando criança, adolescente ou adulto dependente, existem, necessariamente, duas entrevistas básicas de devolução de informações do psicodiagnóstico: uma com os pais ou responsáveis, e outra, com o avaliando.
➝ Passo-à-passo: 
➝ Aspectos da entrevista devolutiva: 
	⤷ Trata-se de um processamento que começa na mente do profissional quando se depara com dados provenientes das diferentes etapas da avaliação, passando a integrá-los e a delinear alternativas possíveis para o atendimento das necessidades do avaliando e de sua família muito antes dos encontros finais.
	⤷ Podem ser realizadas uma ou mais entrevistas, tanto com o avaliando como com os seus responsáveis, em momentos diferentes ou de forma conjunta.
	⤷ O momento da devolução das informações do psicodiagnóstico caracteriza-se como um processo dentro de um processo maior, que não é objetivo e que tampouco deve ser estanque, mas que deve ter o ritmo ditado pelo curso dos eventose pelo modo como cada um expõe e processa as informações.
➝ Cuidados:
	⤷ Conhecimento do Caso: Base firme para proceder com eficácia; estudo de todo material registrado e elaboração de hipóteses explicativas; procura-se um panorama mais completo possível sobre a vida do paciente (aspectos sadios e adaptativos e aspectos doentes e desadaptativos). Também permite ao psicólogo responder às dúvidas, esclarecer as expectativas e orientar os encaminhamentos do paciente e/ou da família.
	⤷ Seleção do Conteúdo: Desses achados, será extraído o que deverá ser exposto ao avaliando, de forma flexível e direcionada pelo que está sendo vivenciado no momento da devolução das informações do psicodiagnóstico. Elaboração de um guia de devolutiva, flexível e alterável, conforme novas variáveis. Tais informações devem ser incluídas de forma cautelosa e cuidadosa, sempre respeitando o desejo, o alcance e os limites dos envolvidos.
			⤷ No caso de criança ou adolescente, o profissional deve ter em mente que o problema trazido pelos pais com relação ao avaliando envolve também o problema desses pais como pais, que não conseguem ser ou fazer diferente, e que, apesar de desconhecerem, são cúmplices dos distúrbios da criança.
		⤷ Sensibilidade: É necessário que o profissional seja sensível e esteja atento à capacidade de suportabilidade do avaliando e de seus responsáveis quanto ao recebimento de determinadas informações. É importante que se revele aquilo que, presumidamente, eles conseguirão suportar.
		⤷ Estruturação: Retoma-se o diálogo, esquematizando os pontos que devem ser abordados. Em alguns casos, podem ser abordados primeiramente os aspectos adaptativos do avaliando, por serem menos ansiogênicos; e, por último, os menos adaptativos, sempre observando os indicadores de tolerância e intolerância quanto ao que está sendo tratado. 
		⤷ Linguagem A linguagem deve ser clara, e devem ser utilizados termos compreensíveis ao avaliando. No caso de crianças pequenas, a devolução pode se dar por meio de jogos, e, nesse caso, também deve ser priorizado o uso de termos comuns à criança. 
		⤷ Imparcialidade: No atendimento infantil, são comuns os casos em que há dificuldades emocionais, o pai e a mãe passem a acusar um ao outro de ter tido atitudes geradoras dessas problemáticas no filho. Nesses momentos, o profissional deve evitar tomar partido em apoio a um ou a outro membro da família, e precisa agir de forma mediadora, tentando integrar dissociações e dissolver culpabilizações.
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