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RESUMO FINAL NUTRIÇÃO CLÍNICA AVALIAÇÃO NUTRICIONAL IMC = Peso (kg)/ALTURA² (EM M) IMC Classificação 18,5–24,9 eutrofia 25–29,9 sobrepeso 30–34,9 obesidade I 35–39,9 obesidade II ≥40 obesidade III/mórbida Circunferência abdominal Homens · ≥94 cm → risco aumentado · ≥102 cm → risco muito aumentado Mulheres · ≥80 cm → risco aumentado · ≥88 cm → risco muito aumentado Ajuste de peso Edema: · leve: −1 a 2 kg · moderado: −5 a 10 kg · anasarca: −10 a 12 kg NECESSIDADES NUTRICIONAIS Situação kcal/kg adulto geral 25–30 paciente crítico 20–25 obesidade 20–25 (preferir menor valor) Proteína Situação Proteína Saudável 1,0–1,2 g/kg Obesidade 1,2–1,5 g/kg Bariátrica 1,2–1,5 g/kg DRC sem diálise 0,6–0,8 g/kg DRC com diálise ~1,2 g/kg LRA sem catabolismo/sem diálise 0,8–1,0 g/kg LRA em diálise 1,0–1,5 g/kg LRA hipercatabólica até 1,7 g/kg UTI crítico 1,3–2,0 g/kg Distribuição · CHO: 45–55% · PTN: 15–20% · LIP: 25–35% FIBRAS SOLÚVEIS · dissolvem em água · formam gel no trato gastrointestinal exemplos: · aveia , maçã , banana , leguminosas , chia , linhaça FIBRAS INSOLÚVEIS · não dissolvem em água · aumentam volume fecal Intestino · aceleram trânsito intestinal previnem constipação Fibra Principal função solúvel glicemia + colesterol insolúvel intestino + volume fecal ___________________________________________________________________________________ PANCREATITE O pâncreas possui função exócrina e endócrina. A função exócrina está relacionada à digestão, pela produção de enzimas como amilase, lipase e proteases. A função endócrina está relacionada à produção de hormônios, como insulina, glucagon e somatostatina, importantes para o controle da glicemia. O pâncreas é formado por uma parte exócrina, composta por células acinares produtoras de enzimas digestivas, e uma parte endócrina, formada pelas ilhotas de Langerhans. As células alfa produzem glucagon e as células beta produzem insulina A pancreatite é uma inflamação do pâncreas, podendo ser aguda ou crônica. Pode variar de casos leves, que se resolvem, até casos graves, com destruição pancreática e risco de morte. Etiologia da pancreatite As principais causas dos distúrbios inflamatórios do pâncreas são: · obstrução ductal; · abuso prolongado de álcool; · ativação inadequada das enzimas digestivas pancreáticas; · danos às células acinares por toxinas, infecções, isquemia ou trauma; · fatores genéticos. As causas mais comuns são obstrução ductal e álcool. O álcool pode causar pancreatite por efeito tóxico direto nas células acinares, gerando estresse oxidativo e lesão celular. Além disso, o uso crônico favorece a formação de secreção pancreática rica em proteínas, que pode obstruir pequenos ductos. Com o tempo, ocorre fibrose, atrofia pancreática e possível formação de cálculos. Aguda leve · enteral precoce Aguda grave · prova: parenteral · prática: enteral Crônica · hipercalórica · hiperproteica · ↓ gordura · Fracionar A pancreatite aguda é uma inflamação súbita do pâncreas e pode ter recuperação da função pancreática se a causa for removida. Já a pancreatite crônica é uma inflamação persistente, com destruição irreversível do tecido pancreático, comprometimento da absorção e possível desenvolvimento de diabetes. Termo importante Esteatorreia = presença de gordura nas fezes. Geralmente as fezes ficam mais volumosas, brilhantes, com odor forte e podem boiar. Os sintomas da pancreatite incluem dor abdominal, que pode irradiar para as costas, anorexia, náuseas, vômitos, diarreia, esteatorreia e desnutrição progressiva na forma crônica. Nos exames laboratoriais, pode ocorrer aumento de amilase e lipase. Os exames de imagem incluem ecografia, tomografia e ressonância magnética. A avaliação nutricional na pancreatite deve considerar perda involuntária de peso, peso usual, percentual de perda ponderal, alterações do apetite, sintomas gastrointestinais, alergias, intolerâncias, uso de suplementos, medicamentos e exames laboratoriais. A terapia nutricional na pancreatite tem como objetivos reduzir o trabalho pancreático, recuperar o estado nutricional, diminuir a esteatorreia e controlar a glicemia quando houver diabetes secundário. A pancreatite pode cursar com hipermetabolismo e hipercatabolismo. Terapia nutricional na pancreatite aguda Na pancreatite aguda grave, recomenda-se energia de 25 a 35 kcal/kg de peso ideal/dia e proteína de 1,2 a 1,5 g/kg/dia. A alimentação oral deve ser iniciada assim que for clinicamente tolerada, especialmente em casos leves. Ao reiniciar a dieta oral, deve-se usar alimentação leve e com baixo teor de gordura. Quando a via oral não for possível, a nutrição enteral deve ser preferida à nutrição parenteral. Nutrição enteral x nutrição parenteral na pancreatite aguda Na pancreatite aguda, a nutrição parenteral era historicamente utilizada para promover repouso pancreático. Porém, atualmente a nutrição enteral é preferida quando a via oral não é possível, pois ajuda a manter a integridade intestinal e reduz riscos associados à parenteral, como infecções por cateter, desequilíbrios eletrolíticos, disfunção de múltiplos órgãos e maior custo. Classificação de Atlanta — pancreatite aguda Pela Classificação de Atlanta, a pancreatite aguda pode ser leve, moderada a grave ou grave. A leve não apresenta falência de órgãos nem complicações. A moderada a grave apresenta falência de órgãos transitória, resolvida em até 48 horas, ou complicações sem falência persistente. A grave apresenta falência persistente de órgãos por mais de 48 horas. Momento de início da alimentação A alimentação enteral precoce, dentro de 24 a 48 horas, pode ser benéfica na pancreatite aguda. Ela ajuda a manter a estrutura e a função da mucosa intestinal, reduz a translocação bacteriana e pode diminuir infecções e falência de múltiplos órgãos. Pancreatite crônica A pancreatite crônica é uma inflamação persistente do pâncreas, tendo o alcoolismo como principal causa. Ocorre ativação precoce de enzimas digestivas dentro do próprio pâncreas, levando à autodigestão, fibrose e destruição do tecido pancreático. Pode causar insuficiência pancreática, má absorção, desnutrição e diabetes. Na pancreatite crônica, recomenda-se energia de 30 a 35 kcal/kg/dia, proteína de 1 a 1,5 g/kg/dia, carboidratos em padrão normoglicídico com controle da glicemia e lipídios em torno de 30% do VET, se tolerados. O álcool deve ser totalmente excluído. Deve-se avaliar deficiência de micronutrientes e suplementar quando necessário. Pacientes com pancreatite crônica não precisam seguir dieta muito restritiva. A restrição de gordura só é necessária quando a esteatorreia não é controlada. Pacientes desnutridos devem consumir alimentos ricos em energia e proteína, distribuídos em 5 a 6 pequenas refeições ao dia. Dietas muito ricas em fibras devem ser evitadas, pois podem prejudicar a ação das enzimas pancreáticas. As enzimas pancreáticas orais devem ser tomadas junto com refeições e lanches. Os triglicerídeos de cadeia média são gorduras com absorção independente da lipase pancreática e dos sais biliares, podendo ser úteis em casos de má absorção de gordura. Possuem 8,3 kcal/g. Porém, têm baixa palatabilidade e podem causar náuseas, diarreia e dor abdominal. Recomenda-se, de forma geral, até 17% do VET e no máximo 15 g por refeição. Na pancreatite crônica, a suplementação oral pode ser indicada quando a dieta normal não atinge as necessidades calóricas. A reposição de enzimas pancreáticas ajuda na digestão e deve ser ajustada conforme dose e horário das refeições. A nutrição enteral é indicada quando a ingestão oral é insuficiente. A nutrição parenteral fica reservada para casos de falha da enteral, disfunção gastrointestinal importante ou doença anatômica complexa. Vesícula biliar A vesícula biliar tem como principal função concentrar, armazenar e excretar a bile, que é produzida pelo fígado. Bile e sais biliares A bile é um fluido produzido pelo fígado, armazenado e concentrado na vesícula biliar. Contémsais biliares, colesterol e fosfolipídios. Sua função é emulsificar gorduras, aumentando o contato entre enzimas digestivas e lipídios, facilitando a digestão e absorção das gorduras. Caminho da bile A bile é produzida continuamente pelos hepatócitos e passa pelos ductos hepáticos direito e esquerdo, formando o ducto hepático comum. Ela pode seguir para o duodeno pelo ducto colédoco ou ser armazenada na vesícula biliar pelo ducto cístico. Doenças da vesícula e vias biliares Colelitíase é a presença de cálculos dentro da vesícula biliar, geralmente sem infecção e muitas vezes assintomática. Coledocolitíase é a presença de cálculos no ducto colédoco, podendo causar dor, obstrução e cólicas. Colecistite é a inflamação da vesícula biliar, geralmente causada por bloqueio do ducto cístico. Cálculos biliares / litíase biliar Os cálculos biliares são, em sua maioria, cálculos de colesterol não pigmentados, formados principalmente por colesterol, bilirrubina e sais de cálcio. A alta ingestão de gordura por longo período pode favorecer sua formação, pois aumenta a produção de colesterol para a síntese da bile. Fatores de risco para cálculos biliares Os principais fatores de risco para cálculos biliares são sexo feminino, gravidez, idade acima de 40 anos, história familiar, obesidade, diabetes, doença inflamatória intestinal, uso de anticoncepcional oral ou estrógenos pós-menopausa, dieta pobre em fibras e rica em lipídios. Sintomas dos cálculos biliares Termos importantes Dor epigástrica = dor na “boca do estômago”. Eructação = arroto. Icterícia = pele e olhos amarelados por aumento de bilirrubina. Para copiar Os cálculos biliares geralmente são assintomáticos. Quando causam sintomas, podem provocar dor epigástrica após ingestão de dieta rica em gordura, náuseas, vômitos, eructações, febre e icterícia discreta. Colecistite A colecistite ocorre quando há obstrução do ducto cístico, levando à estagnação da bile. Com isso, a bile não alcança adequadamente o intestino, pode retornar à circulação e causar distensão e inflamação das paredes da vesícula biliar. Colecistite crônica A colecistite crônica é a inflamação prolongada da vesícula biliar, geralmente causada por crises leves e repetidas de colecistite aguda. Com o tempo, pode ocorrer espessamento das paredes, fibrose, perda da capacidade de armazenamento e concentração da bile e, em casos avançados, perfuração ou gangrena. Terapia nutricional nas doenças da vesícula A terapia nutricional nas doenças da vesícula inclui fracionamento das refeições, alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e fibras, redução de alimentos gordurosos e de gorduras saturadas. Dieta hipolipídica pode ser indicada se houver dor ou esteatorreia, mas não deve haver exclusão total de gorduras para evitar prejuízo na absorção das vitaminas A, D, E e K. Colecistectomia A colecistectomia é a remoção cirúrgica da vesícula biliar, indicada em casos de crises de dor e risco de migração dos cálculos, inflamação e obstrução das vias biliares. A retirada da vesícula não impede a absorção de lipídios, pois o fígado continua produzindo sais biliares. Após a cirurgia, a bile passa a ser liberada diretamente do fígado para o intestino. Pós-colecistectomia Após a colecistectomia, recomenda-se um período de adaptação de 2 a 6 meses, com controle do peso e redução de alimentos gordurosos, frituras, embutidos, carnes gordas, chocolate, oleaginosas, alimentos muito temperados e ricos em molhos. Também devem ser evitados alimentos que desencadeiem sintomas. Relação entre litíase biliar e pancreatite A litíase biliar pode causar pancreatite quando um cálculo migra e obstrui a região de drenagem da bile e do ducto pancreático. Essa obstrução dificulta a saída das secreções pancreáticas, favorecendo ativação enzimática dentro do pâncreas e inflamação. Tema Ideia principal Pâncreas exócrino produz enzimas digestivas Pâncreas endócrino produz insulina, glucagon e somatostatina Pancreatite aguda inflamação súbita, potencialmente reversível Pancreatite crônica inflamação persistente, dano irreversível Esteatorreia gordura nas fezes Terapia na PA alimentação precoce, NE preferida à NP Terapia na PC alta energia/proteína se desnutrido, enzimas pancreáticas, excluir álcool Vesícula biliar armazena e concentra bile Colelitíase cálculo na vesícula Coledocolitíase cálculo no colédoco Colecistite inflamação da vesícula Colecistectomia retirada da vesícula __________________________________________________________________________________ Função dos rins Os rins servem para: · controlar água do corpo; · controlar sódio, potássio, cálcio, fósforo; · eliminar ureia, ácido úrico e outras substâncias; · ajudar na produção de hormônios, vitamina D ativa e eritropoietina. DRC = Doença renal crônica é definida por · lesão renal ≥ 3 meses com ou sem redução da TFG · ou TFG menor que 60 mL/min/1,73 m² por 3 meses ou mais. PRINCIPAIS CAUSAS · Hipertensão arterial · Diabetes mellitus ➡️ juntos = 60–70% dos casos DESNUTRIÇÃO NA DRC A desnutrição na Doença Renal Crônica tem alta prevalência e é multifatorial. Pode ocorrer por redução da ingestão alimentar, inflamação, acidose metabólica, uremia, comorbidades, restrições alimentares excessivas e aumento do catabolismo proteico. A dieta na DRC tem como objetivos manter ou recuperar o estado nutricional, retardar a progressão da doença renal, reduzir o acúmulo de compostos nitrogenados tóxicos, controlar eletrólitos e manter o equilíbrio ácido-base. RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS A recomendação energética geral é de 25 a 35 kcal/kg/dia. Em pacientes com DRC sem diálise, a recomendação de proteína geralmente é de 0,6 a 0,8 g/kg/dia. Já em pacientes em hemodiálise ou diálise peritoneal, a recomendação proteica aumenta para cerca de 1,2 g/kg/dia. Os carboidratos devem representar cerca de 50 a 60% do valor energético total, e os lipídios cerca de 25 a 35%. ELETRÓLITOS O sódio deve ser limitado a cerca de 2,3 g/dia, ajudando no controle da hipertensão e do edema. O potássio deve ser ajustado conforme os exames laboratoriais. O fósforo deve ser controlado principalmente quando estiver elevado, com atenção aos alimentos ricos em fósforo e aos alimentos industrializados com aditivos. LÍQUIDOS Na hemodiálise, a recomendação de líquidos pode ser calculada pela diurese de 24 horas + 500 a 1.000 mL. Em pacientes anúricos, geralmente o consumo fica mais restrito, próximo de até 1 L/dia, conforme avaliação clínica. Na doença renal, a avaliação nutricional deve usar vários dados, como história clínica, exame físico, antropometria, exames laboratoriais e avaliação alimentar. Não há um único indicador para diagnosticar desnutrição. Para triagem, pode-se usar o MST. Para diagnóstico de desnutrição, recomenda-se a SGA. Os principais sinais de risco são perda de peso, IMC baixo, baixa ingestão alimentar, perda de força e piora da funcionalidade muscular. A desnutrição na DRC ocorre por menor ingestão alimentar, inflamação, acidose metabólica, uremia, comorbidades, muitos medicamentos, restrições alimentares e aumento do catabolismo proteico. O tratamento da DRC varia conforme a fase: nas fases iniciais é conservador, buscando retardar a progressão da doença; na fase 5, quando há falência renal, pode ser necessário hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante renal. ANEMIA NA DRC A anemia na Doença Renal Crônica acontece quando há diminuição da hemoglobina no sangue. É considerada anemia quando a hemoglobina está menor que 13 g/dL em homens e menor que 12 g/dL em mulheres. Ela é uma das complicações mais frequentes e precoces da DRC, podendo causar piora da qualidade de vida, maior risco cardiovascular, hospitalizações e mortalidade Na DRC, os rins doentes produzem menos eritropoietina, que é um hormônio responsável por estimular a produção de glóbulos vermelhos. Com menos eritropoietina, o corpo produz menos sangue, causando anemia. Outras causas A anemia também pode ocorrer por: · deficiência de ferro; · deficiência de folato;· deficiência de vitamina B12; · perdas de sangue durante a diálise; · sangramentos gastrointestinais; · inflamação; · acúmulo de alumínio. A anemia na DRC ocorre principalmente porque os rins produzem pouca eritropoietina, hormônio que estimula a produção de sangue. Também pode ser causada por falta de ferro, folato e vitamina B12, perdas sanguíneas na diálise, sangramentos, inflamação e acúmulo de alumínio. A anemia piora a qualidade de vida e pode aumentar riscos cardiovasculares e hospitalizações. ___________________________________________________________________ Doença Renal Aguda A Doença Renal Aguda é caracterizada por perda rápida da função renal, geralmente em período menor que 3 meses. Diferente da DRC, que é crônica, a DRA ocorre de forma súbita e pode estar associada à redução da filtração glomerular, acúmulo de ureia e creatinina e alterações no volume urinário. Grupos de risco para DRA Segundo o PDF, os principais grupos de risco são: · pacientes graves internados em UTI; · pacientes com sepse; · idosos; · pessoas com doenças renais prévias; · pacientes com patologias crônicas; · uso de alguns medicamentos, como inibidores da ECA, bloqueadores do receptor de angiotensina e anti-inflamatórios não esteroides. A DRA é mais comum em pessoas que já estão muito debilitadas ou com sobrecarga no organismo. Por exemplo: paciente em UTI, com infecção grave, idoso, com doença crônica ou usando remédios que podem prejudicar a função renal. Manifestações clínicas da DRA O PDF destaca que a DRA pode causar: · hipercatabolismo acentuado; · redução da diurese; · oligúria; · anúria; · aumento de peso por edema; · aumento da ureia; · aumento da creatinina. Termo Significado simples Diurese produção de urina Oligúria pouca produção de urina Anúria ausência ou quase ausência de urina Edema acúmulo de líquido no corpo Anasarca edema generalizado no corpo Ureia alta acúmulo de resíduos nitrogenados Creatinina alta sinal de piora da função renal Hipercatabolismo corpo “quebrando” mais tecidos, principalmente músculo/proteína A DRA pode causar manifestações digestivas, cardiorrespiratórias, neurológicas, hematológicas, imunológicas, nutricionais e cutâneas. Entre elas estão náuseas, vômitos, dispneia, edema, hipertensão, sonolência, anemia, infecções, perda de massa muscular e prurido. Conduta Nutricional na DRA 5. Energia Segundo o PDF, a recomendação energética na DRA é: · 20 a 30 kcal/kg/dia de peso seco ou peso ideal; · 20 a 25 kcal/kg/dia em estresse grave; · na fase inicial da doença aguda, pode ser usada nutrição hipocalórica, menor que 70% do gasto energético, aumentando para 80% a 100% da meta após cerca de 3 a 4 dias. O PDF alerta que soro glicosado e emulsões lipídicas usados para medicamentos também entram no cálculo calórico, para evitar hiperalimentação. Esse ponto é muito importante para prova. Segundo o PDF: · paciente hipercatabólico com IRA sem TRR: 1,3 a 1,5 g/kg/dia; · paciente em TRR intermitente: cerca de 1,5 g/kg/dia; · paciente em TRR contínua: 1,7 a 2,5 g/kg/dia; · paciente não hipercatabólico e sem necessidade de TRR: 0,8 a 1,0 g/kg/dia. · Na DRA, a proteína depende do grau de catabolismo e do uso de terapia de reposição renal. Pacientes hipercatabólicos sem TRR devem receber 1,3 a 1,5 g/kg/dia. Em TRR intermitente, recomenda-se cerca de 1,5 g/kg/dia. Em TRR contínua, a recomendação pode chegar a 1,7 a 2,5 g/kg/dia. Em pacientes não hipercatabólicos e sem TRR, pode-se usar 0,8 a 1,0 g/kg/dia. Segundo o PDF: · carboidratos: 50 a 55% do VET; · atenção à intolerância à glicose; · lipídios: 25 a 30% do VET; · colesterol: menor que 300 mg/dia. · Na DRA, as necessidades de micronutrientes variam conforme o grau de catabolismo, a fase da doença, o volume urinário, as perdas corporais, o tempo de jejum, a desnutrição prévia e o tipo de terapia renal utilizada. Pacientes em TRR podem apresentar maior perda de micronutrientes e geralmente necessitam de suplementação. O potássio deve ser ajustado conforme a diurese e os exames laboratoriais. Em anúria ou oligúria, deve ser restringido para menos de 40 mEq/dia. Em poliúria, geralmente não há restrição. É necessário avaliar os níveis séricos e o consumo alimentar. Na DRA, a recomendação de sódio é variável, podendo ficar entre 200 e 2000 mg/dia. O ajuste depende do volume urinário, presença de edema, pressão arterial e equilíbrio hidroeletrolítico. É importante lembrar que 1 g de sal de cozinha contém cerca de 400 mg de sódio. Na DRA, a recomendação de líquidos é calculada por 500 a 750 mL somados à diurese de 24 horas e a outras perdas, como vômitos, drenos e fístulas. O objetivo é evitar tanto a desidratação quanto a sobrecarga hídrica. Em pacientes com IRA hipercatabólicos e/ou em terapia de reposição renal, podem ser usadas formulações padrão de nutrição enteral ou parenteral. Fórmulas com restrição de eletrólitos devem ser indicadas apenas conforme a necessidade individual do paciente. O hipercatabolismo na IRA pode ocorrer por perdas de nutrientes no dialisado, inflamação, acidose metabólica, hiperinsulinemia, intolerância à glicose e presença de doenças associadas. __________________________________________________________________________ Disfagia definição: dificuldade/comprometimento da deglutição · riscos: aspiração, pneumonia, desnutrição e desidratação · classificação: · oral = Na boca antes de engolir · faríngea = na deglutição · esofágica = trava no caminho para o estômago · conduta nutricional: · adequar consistência · garantir segurança da deglutição · usar suplementação ou via enteral se necessário · Causa mecânica: alterações anatômicas O PDF de disfagia destaca que a terapia nutricional busca permitir formação do bolo alimentar, mastigação e deglutição com segurança e eficiência, além de adequar consistência e recorrer à suplementação ou terapia enteral quando necessário. · Na disfagia, a conduta nutricional deve priorizar a segurança da deglutição, adequando a consistência dos alimentos e líquidos para reduzir risco de aspiração, pneumonia, desidratação e desnutrição. Orientações nutricionais na disfagia: · Evitar líquidos ralos, como água, café, leite, sucos e caldos, pois podem causar engasgos. · Oferecer pequenas quantidades de líquido por vez, sem encher muito o copo. · Usar colheres menores e copos firmes para facilitar a alimentação. · Em caso de dificuldade com sólidos, oferecer dieta pastosa e alimentos bem cozidos. · Manter a pessoa sentada por pelo menos 30 minutos após as refeições. · Higienizar a boca após as refeições e antes de dormir. · Se houver dificuldade para engolir comprimidos, verificar com médico ou farmacêutico se podem ser amassados ou triturados. IDDSI é uma tabela que mostra o “ponto certo” da comida e da bebida para quem tem disfagia. Ela vai do nível 0 ao 7: quanto menor o número, mais líquido; quanto maior, mais sólido. O melhor nível da dieta na disfagia depende da dificuldade de cada paciente. Em geral, alimentos pastosos, úmidos e macios são mais fáceis de engolir. Líquidos muito ralos devem ter cuidado, pois podem causar engasgos. A consistência correta deve ser indicada por profissional de saúde. _______________________________________________________________________________________ Doenças hepáticas Fígado: conceito geral O fígado é a maior glândula do corpo humano e é considerado o órgão central do metabolismo. Possui grande circulação sanguínea e dupla irrigação, o que permite alta capacidade metabólica e funcional. Principais funções do fígado O fígado participa do metabolismo de carboidratos, lipídios e proteínas, do ciclo da ureia, da produção e excreção da bile, do armazenamento de vitaminas e minerais e da detoxificação de substâncias. Também sintetiza proteínas importantes, como albumina e fatores de coagulação.exames hepáticos: Avaliação laboratorial do fígado A avaliação laboratorial hepática inclui bilirrubinas para excreção hepática, fosfatasealcalina e GGT para colestase, ALT/TGP e AST/TGO para lesão hepática, albumina e tempo de protrombina para função de síntese e marcadores virais para hepatites. Tipos de doenças hepáticas As doenças hepáticas podem ser agudas ou crônicas, hereditárias ou adquiridas. Entre elas estão hepatites virais e tóxicas, doença hepática gordurosa, esteatose alcoólica, insuficiência hepática e cirrose. Desnutrição na doença hepática A desnutrição é comum na doença hepática, principalmente na cirrose. Ela ocorre por baixa ingestão alimentar, anorexia, má absorção, aumento da perda proteica intestinal, alterações no uso dos substratos e hipermetabolismo. Em casos de etiologia alcoólica, o risco nutricional tende a ser ainda maior. Frase importante A avaliação antropométrica em paciente hepático é desafiadora, porque ascite e edema podem mascarar perda de massa muscular. Na doença hepática, a avaliação antropométrica inclui peso, altura, IMC, dobras cutâneas, circunferências, força de preensão manual e estimativa de peso seco. Em pacientes com ascite ou edema, o peso deve ser ajustado, pois a retenção de líquidos pode mascarar perda de massa muscular e desnutrição. Hepatites Hepatite é a inflamação do fígado associada à lesão dos hepatócitos. Pode ter causa infecciosa, imunológica, tóxica ou metabólica. Entre as causas infecciosas estão vírus, bactérias, fungos e protozoários. Entre as causas tóxicas estão álcool, medicamentos e produtos químicos. As hepatites podem apresentar fase pré-ictérica, com sintomas inespecíficos como mal-estar, fadiga, náuseas, febre baixa, mialgia, diarreia e cefaleia. Na fase ictérica, surgem icterícia, colúria, acolia fecal e prurido, associados ao aumento da bilirrubina e retenção de ácidos biliares. Terapia nutricional nas hepatites B e C sem cirrose Nas hepatites B e C sem cirrose, a terapia nutricional busca ofertar nutrientes adequados, manter peso saudável, melhorar a resposta imunológica e considerar comorbidades. Recomenda-se energia de 25 a 40 kcal/kg/dia, proteína de 1,2 a 1,5 g/kg/dia, carboidratos entre 50 e 55%, gorduras entre 30 e 35% e restrição de sódio até 2 g/dia quando houver ascite ou edema. Esteatose hepática A esteatose hepática é o acúmulo de gordura nos hepatócitos. Pode ser alcoólica, quando causada pelo consumo excessivo de álcool, ou associada à disfunção metabólica, relacionada a obesidade abdominal, diabetes, resistência à insulina, síndrome metabólica e sedentarismo.] MASLD = Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica. MASLD é a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, antigo nome DHGNA. É caracterizada por esteatose em mais de 5% dos hepatócitos, na ausência de consumo excessivo de álcool ou outras doenças hepáticas crônicas. Pode evoluir de esteatose simples para esteato-hepatite, cirrose e carcinoma hepatocelular. A MASLD está fortemente associada à obesidade central, resistência à insulina, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica. A obesidade favorece um estado inflamatório crônico, contribuindo para o acúmulo de gordura no fígado. O tratamento da MASLD envolve alimentação adequada, atividade física, perda de peso e controle de fatores de risco como obesidade, diabetes e dislipidemia. A perda de 7 a 10% do peso corporal pode reduzir a esteatose. A terapia nutricional busca evitar sobrecarga hepática, estimular regeneração dos hepatócitos e prevenir progressão para cirrose. De onde vem a gordura acumulada no fígado? Os ácidos graxos acumulados no fígado vêm principalmente de três fontes: lipólise do tecido adiposo associada à resistência à insulina, lipogênese de novo a partir do excesso de carboidratos simples e lipídios provenientes da dieta. A maior parte vem do tecido adiposo, seguida da lipogênese de novo e da gordura alimentar. Recomendações nutricionais na esteatose hepática Na esteatose hepática, recomenda-se controle energético, especialmente em pacientes com excesso de peso. Os carboidratos devem representar 45 a 65% do VET, priorizando baixa a média carga glicêmica. Açúcares simples devem ser limitados, principalmente frutose e xarope de milho. As fibras devem ser estimuladas, e as gorduras devem priorizar fontes insaturadas, reduzindo gordura saturada, frituras e alimentos processados. O consumo excessivo de frutose, especialmente por meio de açúcar de adição, bebidas adoçadas e xarope de milho rico em frutose, aumenta a lipogênese de novo no fígado e contribui para o acúmulo de gordura hepática. Na esteatose hepática, a proteína deve representar cerca de 15 a 20% do VET ou 0,8 a 1 g/kg/dia, priorizando peixes, aves e fontes vegetais como leguminosas. Deve-se garantir ingestão adequada de vitaminas, minerais, frutas, hortaliças e compostos bioativos, incluindo vegetais crucíferos, café e especiarias. Recomendações nutricionais nas doenças hepáticas crônicas Nas doenças hepáticas crônicas, deve-se usar peso seco quando houver ascite ou edema. Em geral, a recomendação proteica varia de 1 a 1,5 g/kg/dia, podendo chegar a 1,2 a 1,5 g/kg/dia em cirrose descompensada com desnutrição. A energia costuma variar entre 25 e 40 kcal/kg/dia, conforme o tipo e a gravidade da doença hepática. Fracionamento alimentar e lanche noturno Pacientes cirróticos devem evitar jejum prolongado. Recomenda-se fracionar a alimentação em 3 a 5 refeições por dia e incluir lanche noturno de 150 a 200 kcal, com cerca de 50 g de carboidratos. Essa estratégia ajuda a reduzir o catabolismo proteico e melhorar o metabolismo muscular. ___________________________________________________________________________________ Doenças Cardiovasculares 1. Conceito geral As doenças cardiovasculares são um grupo de doenças que acometem o coração e os vasos sanguíneos. Incluem doença coronariana, doença cerebrovascular, doença arterial periférica, cardiopatia congênita, trombose venosa profunda e embolia pulmonar. São importantes causas de morte, morbidade e incapacidade. Os principais fatores de risco cardiovasculares são hipertensão arterial, aterosclerose, dislipidemia, obesidade, sedentarismo, tabagismo, diabetes e histórico familiar. Outros fatores, como aspectos sociodemográficos, étnicos, culturais, dietéticos e comportamentais, também podem influenciar o risco cardiovascular. 3. AVE / AVC O acidente vascular encefálico pode ser isquêmico ou hemorrágico. O isquêmico ocorre quando um coágulo bloqueia o fluxo de sangue para uma área do cérebro. O hemorrágico ocorre quando há sangramento dentro ou ao redor do cérebro. 4. Sintomas de doenças cardiovasculares Os sintomas cardiovasculares podem incluir dor no peito, dor irradiada para braço, ombro, mandíbula ou costas, falta de ar, enjoo, vômitos, tontura, suor frio e palidez. No AVC, os sintomas podem incluir fraqueza ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar ou entender, alteração visual, tontura, perda de equilíbrio, dor de cabeça intensa e desmaio. 5. Aterosclerose A aterosclerose é um processo crônico e multifatorial que se inicia ainda na infância e progride ao longo de décadas. Caracteriza-se pelo acúmulo de colesterol, lipídios, células inflamatórias e tecido conjuntivo na parede das artérias, formando placas que podem obstruir o fluxo sanguíneo. A aterosclerose pode causar obstrução das artérias, reduzindo a oferta de sangue, oxigênio e nutrientes aos tecidos. Suas consequências incluem angina instável, infarto do miocárdio, isquemia, trombose e morte súbita. 7. Dislipidemia A dislipidemia é uma alteração dos lipídios sanguíneos e representa importante fator de risco cardiovascular. O LDL-colesterol é o principal fator modificável relacionado às doenças cardíacas. Valores muito elevados de colesterol total podem sugerir hipercolesterolemia familiar, especialmente após exclusão de causas secundárias. 8. Lipoproteínas As lipoproteínas transportam lipídios no sangue. Os quilomícrons transportam triglicerídeos da dieta; a VLDL transporta triglicerídeos de origem hepática; a LDL transporta colesterol do fígado para os tecidos; e a HDL realiza o transporte reverso docolesterol, levando-o dos tecidos para o fígado. 9. Não-HDL e ApoB O colesterol não-HDL é calculado pela diferença entre colesterol total e HDL-c, sendo útil para estimar a carga aterogênica, especialmente em hipertrigliceridemia. A ApoB reflete o número total de partículas aterogênicas circulantes, pois cada partícula como LDL, VLDL e Lp(a) possui uma molécula de ApoB. 10. Metas lipídicas conforme risco cardiovascular As metas de LDL-c variam conforme o risco cardiovascular. Quanto maior o risco, menor deve ser a meta de LDL. Em baixo risco, a meta é menor que 115 mg/dL; no risco intermediário, menor que 100 mg/dL; no alto risco, menor que 70 mg/dL; no muito alto risco, menor que 50 mg/dL; e no risco extremo, menor que 40 mg/dL. 11. Tratamento não farmacológico da dislipidemia O tratamento não farmacológico da dislipidemia inclui melhora da qualidade alimentar, priorizando alimentos minimamente processados, ricos em fibras, com redução de açúcares adicionados e carboidratos refinados. Também inclui controle de peso, atividade física, cessação do tabagismo e não recomendação do álcool para prevenção ou tratamento da aterosclerose. 12. Recomendações dietéticas para dislipidemia Na dislipidemia, recomenda-se gordura total entre 20 e 35% do VET, gordura saturada menor que 7%, exclusão de gordura trans, carboidratos entre 50 e 55% do VET e fibras em torno de 25 g/dia. As fibras solúveis ajudam a reduzir a absorção de colesterol e aumentam a excreção de ácidos biliares. Algumas suplementações podem auxiliar no manejo das dislipidemias, como arroz de levedura vermelha, óleo de peixe, probióticos e fitoesteróis. O óleo de peixe pode auxiliar na redução de triglicerídeos, enquanto fitoesteróis e probióticos podem contribuir para redução de colesterol. Porém, seu uso deve ser individualizado, pois a recomendação é condicional. A prevenção cardiovascular deve ter como base hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada e atividade física regular. A diretriz também destaca o uso de LDL-c, não-HDL-c, ApoB, Lp(a) e escore PREVENT para avaliação e manejo do risco cardiovascular. 15. Hipertensão Arterial Sistêmica — HAS A hipertensão arterial sistêmica é uma doença crônica, muito prevalente e frequentemente assintomática. É um dos principais fatores de risco cardiovascular. A classificação da pressão arterial considera os valores de pressão sistólica e diastólica medidos em consultório. 16. Fatores de risco para HAS Os fatores de risco para hipertensão incluem idade, sexo, etnia, genética, sobrepeso, obesidade, sedentarismo, excesso de sódio, baixa ingestão de potássio, consumo de álcool, distúrbios do sono, fatores ambientais, medicamentos, drogas e fatores psicossociais. 17. Diagnóstico e estratificação de risco na HAS O diagnóstico de hipertensão considera pressão arterial de consultório igual ou maior que 140/90 mmHg em duas ocasiões. Na pré-hipertensão, os valores ficam entre 120–139/80–89 mmHg. Sempre que possível, devem ser usadas MAPA ou MRPA. A estratificação de risco deve avaliar fatores de risco cardiovascular, lesões em órgãos-alvo, doença cardiovascular, doença renal crônica e escore PREVENT. 18. Tratamento da HAS As medidas não medicamentosas são recomendadas para todos os indivíduos com pressão arterial igual ou maior que 120/80 mmHg. O tratamento medicamentoso é indicado para PA ≥ 140/90 mmHg ou, após 3 meses de medidas não medicamentosas, em indivíduos com PA 130–139/80–89 mmHg e alto risco cardiovascular. 19. Metas nutricionais na prevenção e tratamento da HAS Na prevenção e tratamento da hipertensão, recomenda-se reduzir sódio para menos de 2 g/dia, equivalente a cerca de 5 g de sal/dia, aumentar potássio para mais de 3,5 g/dia quando não houver contraindicação, limitar álcool e adotar preferencialmente a dieta DASH. 20. Nutrientes e pressão arterial O excesso de sódio aumenta a pressão arterial por elevar a volemia e a resistência vascular periférica. O potássio contribui para redução da pressão por aumentar a natriurese e modular mecanismos hormonais. O magnésio pode atuar como vasodilatador, mas seu benefício não está totalmente esclarecido. O cálcio tem relação inversa com a pressão, porém não há recomendação de suplementação para tratar ou prevenir HAS. 21. Dieta DASH A dieta DASH prioriza frutas, hortaliças, laticínios com baixo teor de gordura, cereais integrais, carnes magras e oleaginosas. Ela restringe gorduras saturadas, carnes gordurosas, grãos refinados, açúcar de adição e sódio. É rica em potássio, cálcio, magnésio e fibras, sendo eficaz na redução da pressão arterial. 22. Café, probióticos e vitamina D na HAS Café, probióticos e vitamina D podem influenciar a pressão arterial, mas as evidências ainda não são totalmente conclusivas. O consumo moderado de café, até 3 a 4 xícaras por dia, parece seguro. Probióticos podem reduzir modestamente a PA, e vitamina D pode ajudar em hipertensos com hipovitaminose D. 23. Medidas não medicamentosas para HAS As medidas não medicamentosas para prevenção e tratamento da hipertensão incluem manutenção do peso adequado, dieta DASH, redução de sódio, aumento de potássio, atividade física regular, redução do álcool, cessação do tabagismo, controle do estresse e melhora da qualidade do sono. 24. Atividade física Recomenda-se pelo menos 150 minutos por semana de atividade física aeróbica moderada ou 75 minutos por semana de atividade vigorosa, podendo combinar exercício aeróbico com treinamento resistido. 25. Obesidade e risco cardiovascular A obesidade é um importante fator de risco cardiovascular porque está associada à hipertensão, dislipidemia, resistência à insulina, diabetes tipo 2, inflamação crônica e maior risco de aterosclerose. __________________________________________________________________________________ 1. Intestino e absorção de nutrientes O intestino delgado é o principal local de absorção de nutrientes, enquanto o intestino grosso atua principalmente na absorção de água e eletrólitos e na formação das fezes. O íleo é importante para absorção de vitamina B12 e reabsorção de ácidos biliares. 2. Doenças Inflamatórias Intestinais — DII As Doenças Inflamatórias Intestinais incluem a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa. A Doença de Crohn pode acometer qualquer parte do trato gastrointestinal, principalmente íleo distal e cólon. A Retocolite Ulcerativa acomete o cólon e o reto, causando inflamação e úlceras na mucosa intestinal. 4. Curso clínico das DII As DII são doenças crônicas e intermitentes, caracterizadas por períodos de exacerbação e remissão. Na fase ativa, os sintomas podem variar de leves a graves, enquanto na remissão podem diminuir ou desaparecer. 5. Sintomas das DII Os sintomas das DII incluem diarreia, dor abdominal, cólicas, urgência evacuatória, distensão abdominal, muco ou sangue nas fezes e tenesmo. Na Retocolite Ulcerativa é comum diarreia sanguinolenta, enquanto na Doença de Crohn predominam diarreia e dor abdominal. 6. Retocolite Ulcerativa — RCU A Retocolite Ulcerativa é uma doença inflamatória que acomete a mucosa e submucosa do intestino grosso, principalmente cólon e reto. Causa lesões erosivas, sangramento intestinal e tem como manifestação mais comum a diarreia sanguinolenta. 7. Doença de Crohn — DC A Doença de Crohn é uma doença inflamatória granulomatosa que pode acometer qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, principalmente íleo terminal e cólon. A inflamação é transmural, atingindo todas as camadas da parede intestinal, e os sintomas mais comuns são diarreia e dor abdominal. 8. Diferença entre RCU e Crohn A Retocolite Ulcerativa acomete cólon e reto, de forma superficial e contínua, principalmente mucosa e submucosa, causando diarreia sanguinolenta. A Doença de Crohn pode acometer qualquer parte do trato gastrointestinal, de forma descontínua e transmural, sendo mais associada a dor abdominal, diarreia, fístulas, abscessos e estenoses. 9. Complicações das DII As DII podem causar complicações intestinais, como fístulas, abscessos, estenoses, pseudopólipose megacólon tóxico, além de complicações extraintestinais em articulações, pele, mucosas, olhos, fígado, vias biliares e rins. Também podem aumentar risco de fenômenos tromboembólicos e carcinoma intestinal. 10. Estado nutricional nas DII O comprometimento nutricional é frequente nas DII. A perda de peso pode ocorrer por baixa ingestão alimentar, dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, má absorção, inflamação ativa, perda intestinal de proteínas, sangramentos e restrições alimentares. 11. Avaliação nutricional nas DII Na avaliação nutricional das DII, deve-se verificar perda de peso, anemia, cálcio, vitamina D, ferro, ácido fólico, vitamina B12, albumina e proteína C reativa. A albumina deve ser interpretada com cuidado, pois pode reduzir por inflamação e não apenas por desnutrição. 12. Objetivos do suporte nutricional nas DII O suporte nutricional nas DII tem como objetivos recuperar ou manter o estado nutricional, fornecer nutrientes adequados, reduzir a atividade inflamatória e aumentar o tempo de remissão da doença. 13. Nutrição enteral e parenteral nas DII Na DII, a nutrição enteral ajuda a manter a integridade da mucosa intestinal, prevenir translocação bacteriana e promover cicatrização, sendo preferida quando o trato gastrointestinal pode ser usado. A nutrição parenteral pode ser indicada quando a via enteral não é possível, mas apresenta maior risco de complicações mecânicas, metabólicas e infecciosas. 14. Recomendações nutricionais nas DII Nas DII, recomenda-se energia de 25 a 30 kcal/kg/dia. Na fase ativa, a proteína deve ficar em torno de 1,2 a 1,5 g/kg de peso ideal/dia. Na remissão, pode-se usar cerca de 1 g/kg/dia, ajustando conforme necessidade. Na fase aguda, deve-se controlar lactose, gordura e fibras insolúveis, evoluindo a dieta conforme tolerância. 15. FODMAPs FODMAPs são carboidratos fermentáveis pouco absorvidos no intestino. Por serem osmóticos e rapidamente fermentados pela microbiota, podem aumentar gases, distensão abdominal e dor. Estão presentes em alimentos como leite, trigo, cebola, alho, maçã, pera, feijões, lentilha, cogumelos e adoçantes como sorbitol e xilitol. 16. Síndrome do Intestino Irritável — SII A Síndrome do Intestino Irritável é uma disfunção gastrointestinal caracterizada principalmente por dor abdominal associada a alteração do hábito intestinal, como diarreia e/ou constipação, além de distensão abdominal. Sua fisiopatologia é multifatorial e envolve alterações do eixo cérebro-intestino, motilidade, microbiota, dieta e fatores psicológicos. 17. Eixo cérebro-intestino-microbiota O eixo cérebro-intestino-microbiota é uma comunicação bidirecional entre sistema nervoso, intestino e microbiota. Alterações intestinais podem influenciar sintomas emocionais, e fatores psicológicos como ansiedade e estresse podem piorar sintomas gastrointestinais. 18. Diverticulose e diverticulite A diverticulose é a presença de divertículos no intestino, geralmente assintomática. A diverticulite ocorre quando esses divertículos inflamam, podendo causar dor abdominal, cólicas, diarreia ou constipação, distensão abdominal, muco nas fezes e febre. Os principais fatores de risco são idade avançada, sedentarismo, obesidade, baixa ingestão de fibras e hábitos alimentares inadequados. 19. Tratamento nutricional na diverticulite aguda Na diverticulite aguda, a dieta pode iniciar com jejum ou dieta líquida sem resíduos, associada ao tratamento clínico. Em casos leves, sem febre importante ou queda do estado geral, pode não haver necessidade de hospitalização. Casos complicados, com abscesso, obstrução ou fístula, podem exigir drenagem ou cirurgia. ___________________________________________________________________________________ Cirurgia Bariátrica e Metabólica 1. Indicações da cirurgia bariátrica A cirurgia bariátrica pode ser indicada em pacientes com IMC ≥ 40 kg/m² independentemente de comorbidades, IMC ≥ 35 kg/m² com comorbidades agravadas pela obesidade, ou IMC entre 30 e 35 kg/m² em situações específicas, como diabetes tipo 2, doença cardiovascular grave, apneia severa e doença hepática com fibrose. 2. Adolescentes e contraindicações A cirurgia bariátrica em adolescentes pode ser considerada a partir dos 16 anos, desde que haja maturidade, compreensão dos riscos e suporte familiar. As contraindicações incluem obesidade tratável clinicamente, abuso de drogas não controlado, gestação, incapacidade de acompanhamento multiprofissional, doenças graves descompensadas e transtornos psiquiátricos não tratados. 4. Bypass gástrico em Y de Roux O bypass gástrico em Y de Roux reduz o tamanho funcional do estômago e desvia parte do intestino inicial. Atua por restrição da ingestão, redução parcial da absorção e alterações hormonais, como diminuição da fome e melhora da saciedade e do controle do diabetes. 5. Gastrectomia vertical — sleeve A gastrectomia vertical, ou sleeve, transforma o estômago em um tubo de menor capacidade, reduzindo cerca de 70% a 80% do órgão. Atua principalmente por restrição mecânica e alteração hormonal, pois remove parte importante da produção de grelina, reduzindo a fome. Preserva a absorção intestinal. 6. Duodenal switch O duodenal switch combina gastrectomia vertical com desvio intestinal importante. É uma técnica complexa, com maior risco de deficiências nutricionais, incluindo vitaminas lipossolúveis, ferro, cálcio, zinco e proteína, exigindo suplementação e acompanhamento por toda a vida. 7. Balão intragástrico O balão intragástrico é uma técnica endoscópica não cirúrgica, utilizada como método auxiliar para perda de peso, especialmente no preparo pré-operatório. Pode ser usado por até 6 meses e não substitui mudanças alimentares e acompanhamento multiprofissional. 8. Avaliação nutricional pré-operatória No pré-operatório da cirurgia bariátrica, a avaliação nutricional busca reduzir riscos cirúrgicos, iniciar reeducação alimentar, corrigir deficiências nutricionais e reduzir volume hepático. Deve incluir antropometria, exames bioquímicos, avaliação do consumo alimentar e composição corporal. 9. Pós-operatório e evolução da dieta Após a cirurgia bariátrica, a dieta evolui de forma gradual: líquida restrita, líquida completa, pastosa, branda e, depois, consistência normal. A progressão deve respeitar a técnica cirúrgica e a tolerância do paciente. Deve-se evitar açúcar, cafeína e bebidas gaseificadas, além de garantir proteína adequada. 10. Metas nutricionais no médio e longo prazo No médio e longo prazo após bariátrica, recomenda-se proteína de 60 a 120 g/dia ou 1,5 g/kg de peso ideal, progressão dos carboidratos até cerca de 130 g/dia, lipídios entre 20 e 35% do VET e hidratação superior a 1,5 L/dia, evitando líquidos durante as refeições. 11. Suplementação na bariátrica A suplementação após cirurgia bariátrica deve ser individualizada conforme a técnica. No bypass, há maior risco de deficiência de ferro, B12, cálcio e vitamina D. No sleeve, os principais riscos são B12 e ferro. Nas técnicas disabsortivas, há maior risco de deficiência de proteínas e vitaminas lipossolúveis A, D, E e K. O acompanhamento deve ser contínuo e por toda a vida. 12. Complicações pós-operatórias As complicações pós-operatórias da cirurgia bariátrica podem ser metabólicas, nutricionais, gastrointestinais, psicológicas e cirúrgicas. Incluem deficiências vitamínicas, anemia, osteoporose, fístulas, estenoses, reganho de peso, ansiedade, depressão, transtornos alimentares, infecções e tromboembolismo. 13. Dumping, álcool e cafeína Após bariátrica, álcool e cafeína devem ser evitados ou controlados porque podem piorar dumping, hipoglicemia, desidratação, taquicardia, tontura e sintomas gastrointestinais. O álcool também pode irritar a anastomose e aumentar risco de úlceras. ___________________________________________________________________________________ Avaliação Nutricional do Adulto Enfermo 1. Objetivo da avaliação nutricional A avaliação nutricional tem como objetivo identificar distúrbios nutricionais, possibilitando uma intervenção adequada para auxiliarna recuperação e/ou manutenção do estado de saúde do indivíduo. 2. Métodos de avaliação nutricional A avaliação nutricional deve usar a associação de vários indicadores, pois nenhum parâmetro isolado caracteriza completamente o estado nutricional. Os métodos objetivos incluem antropometria, composição corporal, exames bioquímicos e consumo alimentar. Os métodos subjetivos incluem exame físico e avaliação subjetiva global. 3. Peso atual e peso usual O peso atual deve ser comparado ao peso usual para identificar perda de peso involuntária. A perda de peso é uma informação importante na avaliação nutricional, pois pode indicar piora do estado nutricional e maior risco clínico. 4. Fórmula da perda de peso A porcentagem de perda de peso é calculada pela fórmula: %PP = (peso usual - peso atual) ÷ peso usual × 100. Esse cálculo ajuda a avaliar a gravidade da perda ponderal. 5. Perda de peso em relação ao tempo A perda de peso deve ser interpretada conforme o tempo em que ocorreu. Perdas rápidas são clinicamente importantes e podem indicar presença de doença, pior prognóstico e maior risco de mortalidade. 6. Edema e peso seco Em pacientes com edema, o peso atual pode estar aumentado pela retenção hídrica. Por isso, deve-se estimar o peso seco, subtraindo o peso correspondente ao grau de edema. Na anasarca, pode ser necessário subtrair cerca de 10 a 12 kg. 7. Amputações Em pacientes amputados, o peso ideal deve ser ajustado conforme o segmento corporal amputado. Essa correção é importante para calcular corretamente IMC, necessidades energéticas e necessidades proteicas. Terapia Nutricional Oral, Enteral e Parenteral 1. Desnutrição hospitalar A desnutrição hospitalar é frequente e pode piorar durante a internação quando não há avaliação e intervenção nutricional adequadas. Por isso, a terapia nutricional deve ser iniciada precocemente quando indicada. 2. Tipos de terapia nutricional A terapia nutricional pode ser realizada por via oral, enteral ou parenteral. A via oral é a mais fisiológica, a enteral utiliza sondas e a parenteral é administrada por via intravenosa. 3. Passos da terapia nutricional A terapia nutricional envolve quatro etapas: triagem, avaliação nutricional, indicação da via e da dieta, e monitoramento da tolerância e evolução clínica do paciente. 4. Ordem de escolha das vias A via oral é a primeira opção por ser a mais fisiológica. A via enteral é indicada quando a via oral não consegue suprir as necessidades nutricionais. A via parenteral é usada quando o trato gastrointestinal não pode ser utilizado. 5. Terapia nutricional oral A terapia nutricional oral deve ser priorizada sempre que possível. Ela pode incluir dieta adaptada, mudanças na consistência, aumento da densidade calórica e uso de suplementos orais. 6. Nutrição enteral — conceito A nutrição enteral é uma alimentação especial, com composição definida, usada por sonda ou via oral para substituir ou complementar a alimentação em pacientes que não conseguem atingir suas necessidades nutricionais pela via oral. 7. Indicações da nutrição enteral A nutrição enteral é indicada em pacientes com desnutrição ou risco nutricional, incapacidade de se alimentar por via oral, ingestão oral menor que 60% das necessidades ou contraindicação da via oral, desde que o trato gastrointestinal esteja funcionante. 8. Contraindicações da nutrição enteral A nutrição enteral é contraindicada quando o trato gastrointestinal não pode ser utilizado adequadamente, como em obstrução intestinal, íleo paralítico, hemorragia gastrointestinal grave, vômitos ou diarreia intensos, fístula de alto débito e enterocolite grave. 9. Benefícios da nutrição enteral A nutrição enteral preserva a mucosa intestinal, mantém a barreira intestinal, reduz risco de translocação bacteriana e ajuda a prevenir complicações infecciosas, como sepse. 10. Vias de acesso da nutrição enteral As principais vias de acesso para nutrição enteral são nasogástrica, nasoentérica, gastrostomia e jejunostomia. Sondas nasais são mais usadas em curto prazo, enquanto gastrostomia e jejunostomia são indicadas para uso prolongado. 11. Sistema aberto e sistema fechado Na nutrição enteral, o sistema aberto exige manipulação da fórmula e apresenta maior risco de contaminação. O sistema fechado é industrializado, estéril e próprio para conexão ao equipo de administração. 12. Osmolaridade e tolerância digestiva A osmolaridade e a osmolalidade indicam a concentração de partículas osmoticamente ativas em uma fórmula. Elas influenciam a tolerância digestiva, pois o estômago tolera dietas mais concentradas, enquanto porções mais distais do intestino toleram melhor fórmulas isosmolares. 13. Nutrição parenteral — conceito A nutrição parenteral é uma solução ou emulsão estéril, administrada por via intravenosa, composta por carboidratos, aminoácidos, lipídios, vitaminas e minerais, indicada quando o trato gastrointestinal não pode ser utilizado. 2. Ponto mais importante para prova A conduta nutricional deve seguir uma sequência: triagem, avaliação nutricional, diagnóstico nutricional, cálculo das necessidades, escolha da via, prescrição e monitoramento. A escolha entre via oral, enteral ou parenteral depende do estado nutricional, da ingestão alimentar e da funcionalidade do trato gastrointestinal. 3. Quando usar cada via A via oral é indicada quando o paciente consegue se alimentar com segurança. A via enteral é indicada quando a via oral é insuficiente ou contraindicada, desde que o trato gastrointestinal funcione. A via parenteral é indicada quando o trato gastrointestinal não pode ser utilizado. 4. Peso seco e terapia nutricional Em pacientes com edema ou anasarca, o peso atual pode estar falsamente elevado. Por isso, deve-se estimar o peso seco antes de calcular necessidades energéticas, proteicas e volume da terapia nutricional. 5. Fórmulas que você precisa decorar As fórmulas mais importantes são: IMC = peso ÷ altura²; % perda de peso = (peso usual - peso atual) ÷ peso usual × 100; volume da dieta enteral = kcal prescritas ÷ densidade calórica; e velocidade de infusão = volume total ÷ horas de infusão. 6. Resumo final integrado A avaliação nutricional é o primeiro passo para identificar distúrbios nutricionais e orientar a conduta. Ela deve associar vários indicadores, como antropometria, composição corporal, exames bioquímicos, consumo alimentar, exame físico e avaliação subjetiva, pois nenhum parâmetro isolado define o estado nutricional. Após essa avaliação, define-se a terapia nutricional. A via oral é a primeira opção por ser mais fisiológica. A nutrição enteral é indicada quando a via oral é insuficiente ou contraindicada, desde que o trato gastrointestinal esteja funcionante. A nutrição parenteral é indicada quando o trato gastrointestinal não pode ser utilizado.