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RESUMO FINAL — NUTRIÇÃO CLÍNICA Versão prova-pronta, limpa e organizada 1. Avaliação Nutricional A avaliação nutricional tem como objetivo identificar alterações no estado nutricional do paciente e orientar a melhor conduta nutricional. Nenhum parâmetro isolado é suficiente para diagnosticar o estado nutricional. Por isso, devem ser avaliados em conjunto: antropometria, composição corporal, exames bioquímicos, consumo alimentar, exame físico e avaliação subjetiva. IMC Fórmula: IMC = peso ÷ altura² Classificação do IMC: 18,5 a 24,9 = eutrofia 25 a 29,9 = sobrepeso 30 a 34,9 = obesidade grau I 35 a 39,9 = obesidade grau II ≥ 40 = obesidade grau III Circunferência abdominal Homens: ≥ 94 cm = risco aumentado ≥ 102 cm = risco muito aumentado Mulheres: ≥ 80 cm = risco aumentado ≥ 88 cm = risco muito aumentado Perda de peso A perda de peso deve ser avaliada comparando o peso usual com o peso atual. Fórmula: %PP = (peso usual - peso atual) ÷ peso usual × 100 Perdas rápidas de peso são importantes clinicamente, pois podem indicar piora do estado nutricional e maior risco de complicações. Peso seco e edema Em pacientes com edema, o peso atual pode estar falsamente aumentado pela retenção de líquidos. Por isso, deve-se estimar o peso seco. Edema leve: subtrair cerca de 1 a 2 kg Edema moderado: subtrair cerca de 5 a 10 kg Anasarca: subtrair cerca de 10 a 12 kg 2. Necessidades Nutricionais Gerais Energia Adulto geral: 25 a 30 kcal/kg/dia Paciente crítico: 20 a 25 kcal/kg/dia Obesidade: 20 a 25 kcal/kg/dia, preferindo o menor valor quando necessário Proteína Adulto saudável: 1,0 a 1,2 g/kg/dia Obesidade: 1,2 a 1,5 g/kg/dia Bariátrica: 1,2 a 1,5 g/kg/dia DRC sem diálise: 0,6 a 0,8 g/kg/dia DRC com diálise: cerca de 1,2 g/kg/dia LRA sem catabolismo e sem diálise: 0,8 a 1,0 g/kg/dia LRA em diálise: 1,0 a 1,5 g/kg/dia LRA hipercatabólica: até 1,7 g/kg/dia Paciente crítico em UTI: 1,3 a 2,0 g/kg/dia Distribuição de macronutrientes Carboidratos: 45 a 55% do VET Proteínas: 15 a 20% do VET Lipídios: 25 a 35% do VET 3. Fibras Alimentares As fibras são importantes para controle intestinal, glicemia, colesterol e saúde metabólica. Fibras solúveis As fibras solúveis dissolvem em água e formam um gel no trato gastrointestinal. Principais funções: ajudam no controle da glicemia; reduzem absorção de colesterol; retardam o esvaziamento gástrico; melhoram a consistência das fezes. Exemplos: aveia, maçã, banana, leguminosas, chia e linhaça. Fibras insolúveis As fibras insolúveis não dissolvem em água. Principais funções: aumentam o volume fecal; aceleram o trânsito intestinal; ajudam na prevenção da constipação. Exemplos: verduras, legumes, cereais integrais e farelos. PANCREATITE E VESÍCULA BILIAR 4. Pâncreas O pâncreas possui função exócrina e endócrina. A função exócrina está relacionada à digestão, pela produção de enzimas como amilase, lipase e proteases. A função endócrina está relacionada à produção de hormônios, como insulina, glucagon e somatostatina, importantes no controle da glicemia. 5. Pancreatite A pancreatite é uma inflamação do pâncreas. Pode ser aguda ou crônica. A pancreatite aguda é súbita e pode ser reversível. A pancreatite crônica é persistente, causa lesão irreversível do pâncreas, má absorção, esteatorreia, desnutrição e pode levar ao diabetes. Principais causas obstrução ductal; cálculos biliares; abuso de álcool; ativação inadequada das enzimas pancreáticas; infecções; isquemia; trauma; fatores genéticos. Sintomas dor abdominal; dor que pode irradiar para as costas; náuseas; vômitos; anorexia; diarreia; esteatorreia; perda de peso; desnutrição progressiva na pancreatite crônica. Esteatorreia significa presença de gordura nas fezes. As fezes podem ser volumosas, brilhantes, com odor forte e podem boiar. 6. Terapia Nutricional na Pancreatite Aguda Na pancreatite aguda, a alimentação deve ser iniciada assim que for clinicamente tolerada. Em casos graves, recomenda-se: Energia: 25 a 35 kcal/kg de peso ideal/dia Proteína: 1,2 a 1,5 g/kg/dia Quando a via oral não for possível, a nutrição enteral deve ser preferida à nutrição parenteral, pois ajuda a preservar a mucosa intestinal e reduz risco de infecção. A nutrição parenteral fica reservada para casos em que a via enteral não é possível ou não é tolerada. 7. Pancreatite Crônica Na pancreatite crônica, a conduta nutricional busca prevenir desnutrição, perda de massa magra e má absorção. Recomendações: Energia: 30 a 35 kcal/kg/dia Proteína: 1,0 a 1,5 g/kg/dia Carboidratos: normoglicídicos, com controle da glicemia Lipídios: cerca de 30% do VET, se tolerados Álcool: exclusão total A dieta deve ser fracionada em 5 a 6 pequenas refeições ao dia. A restrição de gordura só é necessária quando a esteatorreia não estiver controlada. As enzimas pancreáticas devem ser usadas junto com refeições e lanches quando houver insuficiência pancreática exócrina. 8. Vesícula Biliar A vesícula biliar armazena, concentra e libera a bile. A bile é produzida pelo fígado e ajuda na digestão e absorção das gorduras. Principais doenças Colelitíase = cálculo dentro da vesícula. Coledocolitíase = cálculo no ducto colédoco. Colecistite = inflamação da vesícula biliar. Fatores de risco para cálculos biliares sexo feminino; gravidez; idade acima de 40 anos; história familiar; obesidade; diabetes; dieta rica em gorduras; dieta pobre em fibras; uso de anticoncepcionais ou estrógenos. Sintomas dor epigástrica; náuseas; vômitos; eructações; febre; icterícia discreta. Dor epigástrica = dor na boca do estômago. Eructação = arroto. Icterícia = pele e olhos amarelados. Terapia nutricional nas doenças da vesícula A dieta deve ser fracionada, equilibrada, rica em frutas, verduras e fibras, com redução de alimentos gordurosos e frituras. A dieta hipolipídica pode ser indicada em caso de dor ou esteatorreia, mas não se deve excluir totalmente as gorduras, para evitar prejuízo na absorção das vitaminas A, D, E e K. Colecistectomia Colecistectomia é a retirada cirúrgica da vesícula biliar. Após a cirurgia, a bile passa a ser liberada diretamente do fígado para o intestino. A retirada da vesícula não impede a absorção de gorduras, pois o fígado continua produzindo bile. No pós-operatório, recomenda-se reduzir alimentos gordurosos, frituras, embutidos, carnes gordas, chocolate, oleaginosas, molhos e alimentos muito temperados, principalmente no período de adaptação. DOENÇAS RENAIS 9. Função dos Rins Os rins têm como função: controlar a água corporal; controlar sódio, potássio, cálcio e fósforo; eliminar ureia, ácido úrico e outras substâncias; participar da produção de vitamina D ativa; produzir eritropoietina. A eritropoietina estimula a produção de glóbulos vermelhos. 10. Doença Renal Crônica — DRC A DRC é definida por lesão renal por 3 meses ou mais, com ou sem redução da TFG, ou por TFG menor que 60 mL/min/1,73 m² por 3 meses ou mais. Principais causas hipertensão arterial; diabetes mellitus. Juntas, hipertensão e diabetes representam grande parte dos casos de DRC. Desnutrição na DRC A desnutrição na DRC é frequente e multifatorial. Pode ocorrer por: redução da ingestão alimentar; inflamação; acidose metabólica; uremia; comorbidades; restrições alimentares excessivas; aumento do catabolismo proteico. Objetivos da dieta na DRC manter ou recuperar o estado nutricional; retardar a progressão da doença renal; reduzir compostos nitrogenados tóxicos; controlar eletrólitos; manter equilíbrio ácido-base. Recomendações nutricionais na DRC Energia: 25 a 35 kcal/kg/dia Proteína na DRC sem diálise: 0,6 a 0,8 g/kg/dia Proteína na DRC com diálise: cerca de 1,2 g/kg/dia Carboidratos: 50 a 60% do VET Lipídios: 25 a 35% do VET Eletrólitos Sódio: limitar a cerca de 2,3 g/dia, ajudando no controle da hipertensão e do edema. Potássio: ajustar conforme exames laboratoriais. Fósforo: controlar quando estiver elevado, com atenção a alimentos ricos em fósforo e alimentos industrializados com aditivos. Líquidos Na hemodiálise, a recomendação pode ser calculada por: diurese de 24 horas + 500 a 1000 mL. Em pacientesanúricos, geralmente o consumo fica mais restrito, próximo de até 1 L/dia, conforme avaliação clínica. 11. Anemia na DRC A anemia na DRC ocorre pela redução da hemoglobina no sangue. É considerada anemia quando: Homens: hemoglobina menor que 13 g/dL Mulheres: hemoglobina menor que 12 g/dL A principal causa é a redução da produção de eritropoietina pelos rins. Com menos eritropoietina, o corpo produz menos glóbulos vermelhos, causando anemia. Outras causas: deficiência de ferro; deficiência de folato; deficiência de vitamina B12; perdas sanguíneas na diálise; sangramentos gastrointestinais; inflamação; acúmulo de alumínio. A anemia piora a qualidade de vida e aumenta risco cardiovascular, hospitalizações e mortalidade. 12. Doença Renal Aguda / Lesão Renal Aguda — DRA / LRA / IRA DRA, IRA e LRA são termos usados para falar da perda rápida da função renal. A DRA ocorre de forma súbita e pode estar associada ao aumento de ureia e creatinina, redução da diurese, retenção de líquidos e alterações metabólicas. Grupos de risco pacientes graves em UTI; pacientes com sepse; idosos; pessoas com doença renal prévia; pacientes com doenças crônicas; uso de medicamentos que podem prejudicar os rins. Manifestações clínicas A DRA pode causar: redução da diurese; oligúria; anúria; edema; anasarca; aumento de ureia; aumento de creatinina; hipercatabolismo; náuseas; vômitos; falta de ar; hipertensão; sonolência; anemia; infecções; perda de massa muscular; prurido. Oligúria = pouca urina. Anúria = ausência ou quase ausência de urina. Anasarca = edema generalizado. Hipercatabolismo = aumento da quebra de tecidos, principalmente músculo. Conduta nutricional na DRA Energia: 20 a 30 kcal/kg/dia, usando peso seco ou peso ideal. Em estresse grave: 20 a 25 kcal/kg/dia. Na fase inicial, pode-se usar nutrição hipocalórica, com progressão gradual após estabilização. Proteína na DRA A proteína depende do grau de catabolismo e da presença de diálise. Paciente não catabólico e sem diálise: 0,8 a 1,0 g/kg/dia Paciente em diálise: 1,0 a 1,5 g/kg/dia Paciente hipercatabólico: pode chegar a 1,7 g/kg/dia Ponto importante: não se deve restringir proteína para evitar ou retardar diálise. Carboidratos e lipídios Carboidratos: 50 a 55% do VET Lipídios: 25 a 30% do VET Colesterol: menor que 300 mg/dia Potássio Deve ser ajustado conforme diurese e exames. Em oligúria ou anúria: restringir. Em poliúria: geralmente não há restrição. Sódio A recomendação varia de 200 a 2000 mg/dia, conforme diurese, edema, pressão arterial e equilíbrio hidroeletrolítico. 1 g de sal de cozinha tem cerca de 400 mg de sódio. Líquidos Fórmula: 500 a 750 mL + diurese de 24 horas + outras perdas. Outras perdas incluem vômitos, drenos, fístulas e diarreia. Via nutricional A via enteral é preferida quando o trato gastrointestinal está funcionando. Fórmulas com restrição de eletrólitos só devem ser usadas conforme necessidade individual. DISFAGIA 13. Conceito Disfagia é dificuldade ou comprometimento da deglutição. Pode ocorrer com alimentos sólidos, líquidos, saliva ou comprimidos. Riscos aspiração; pneumonia; desnutrição; desidratação; engasgos. Classificação Disfagia oral: problema na boca, antes de engolir. Disfagia faríngea: problema na garganta, durante a deglutição. Disfagia esofágica: alimento trava no caminho até o estômago. Conduta nutricional A conduta nutricional deve priorizar a segurança da deglutição. Deve-se adequar a consistência dos alimentos e líquidos para reduzir risco de engasgos e aspiração. Orientações evitar líquidos ralos, como água, café, leite, sucos e caldos; oferecer pequenas quantidades por vez; usar colheres menores; usar copos firmes; em dificuldade com sólidos, oferecer dieta pastosa; oferecer alimentos bem cozidos; manter o paciente sentado por pelo menos 30 minutos após as refeições; higienizar a boca após refeições e antes de dormir; não amassar comprimidos sem orientação profissional. IDDSI A IDDSI classifica a consistência de alimentos e líquidos para pacientes com disfagia. Vai do nível 0 ao 7. Quanto menor o número, mais líquido. Quanto maior o número, mais sólido. O melhor nível depende da dificuldade de cada paciente e deve ser definido por avaliação profissional. DOENÇAS HEPÁTICAS 14. Fígado O fígado é a maior glândula do corpo humano e é o órgão central do metabolismo. Funções principais metabolismo de carboidratos; metabolismo de lipídios; metabolismo de proteínas; ciclo da ureia; produção e excreção da bile; armazenamento de vitaminas e minerais; detoxificação de substâncias; síntese de albumina e fatores de coagulação. Exames hepáticos Bilirrubinas: avaliam excreção hepática. Fosfatase alcalina e GGT: avaliam colestase. ALT/TGP e AST/TGO: avaliam lesão hepática. Albumina e tempo de protrombina: avaliam função de síntese. Marcadores virais: avaliam hepatites. 15. Hepatites Hepatite é inflamação do fígado associada à lesão dos hepatócitos. Pode ter causa: infecciosa; imunológica; tóxica; metabólica. Sintomas Fase pré-ictérica: mal-estar; fadiga; náuseas; febre baixa; mialgia; diarreia; cefaleia. Fase ictérica: icterícia; colúria; acolia fecal; prurido. Icterícia = pele e olhos amarelados. Colúria = urina escura. Acolia fecal = fezes claras. Prurido = coceira. Terapia nutricional nas hepatites B e C sem cirrose Energia: 25 a 40 kcal/kg/dia Proteína: 1,2 a 1,5 g/kg/dia Carboidratos: 50 a 55% do VET Gorduras: 30 a 35% do VET Sódio: até 2 g/dia se houver ascite ou edema 16. Esteatose Hepática / MASLD Esteatose hepática é o acúmulo de gordura nos hepatócitos. Pode ser alcoólica ou associada à disfunção metabólica. MASLD é a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, antigo nome DHGNA. Está associada a: obesidade abdominal; resistência à insulina; diabetes tipo 2; síndrome metabólica; sedentarismo. Pode evoluir para esteato-hepatite, cirrose e carcinoma hepatocelular. Tratamento O tratamento envolve: alimentação adequada; atividade física; perda de peso; controle da obesidade; controle do diabetes; controle da dislipidemia. A perda de 7 a 10% do peso corporal pode reduzir a esteatose. Recomendações nutricionais Carboidratos: 45 a 65% do VET, priorizando baixa a média carga glicêmica. Açúcares simples devem ser limitados, principalmente frutose, bebidas adoçadas e xarope de milho. Fibras devem ser estimuladas. Gorduras devem priorizar fontes insaturadas, reduzindo gordura saturada, frituras e ultraprocessados. Proteínas: 15 a 20% do VET ou 0,8 a 1 g/kg/dia. 17. Cirrose A cirrose é uma doença hepática crônica e irreversível, caracterizada por fibrose, formação de tecido cicatricial e perda da função hepática. Sinais ascite; edema; icterícia; varizes esofágicas; encefalopatia hepática; perda de peso; fadiga; alteração do nível de consciência. Desnutrição na cirrose A desnutrição é comum na cirrose por: baixa ingestão alimentar; anorexia; má absorção; hipermetabolismo; alterações no uso dos nutrientes; perda de massa muscular. Ascite e edema podem mascarar perda de peso e perda muscular. Recomendações Usar peso seco quando houver ascite ou edema. Energia: 25 a 40 kcal/kg/dia, conforme gravidade. Proteína: 1,0 a 1,5 g/kg/dia. Em cirrose descompensada com desnutrição: 1,2 a 1,5 g/kg/dia. Encefalopatia hepática Na encefalopatia hepática, não se recomenda restrição proteica prolongada, pois isso piora perda muscular e desnutrição. A amônia elevada está relacionada à encefalopatia hepática. Lanche noturno Pacientes cirróticos devem evitar jejum prolongado. Recomenda-se fracionar a alimentação e incluir lanche noturno de 150 a 200 kcal, com cerca de 50 g de carboidratos, para reduzir catabolismo proteico. DOENÇAS CARDIOVASCULARES 18. Conceito Doenças cardiovasculares acometem o coração e os vasos sanguíneos. Incluem doença coronariana, doença cerebrovascular, doença arterial periférica, trombose venosa profunda e embolia pulmonar. Fatores de risco hipertensão arterial; aterosclerose; dislipidemia; obesidade; sedentarismo; tabagismo; diabetes; histórico familiar. 19. Aterosclerose A aterosclerose é um processo crônicoe inflamatório, caracterizado pelo acúmulo de colesterol, lipídios, células inflamatórias e tecido conjuntivo na parede das artérias. Pode causar obstrução dos vasos e reduzir a oferta de sangue, oxigênio e nutrientes aos tecidos. Consequências: angina; infarto; isquemia; trombose; morte súbita. 20. Dislipidemia Dislipidemia é alteração dos lipídios no sangue. O LDL-colesterol é o principal fator modificável relacionado às doenças cardíacas. Lipoproteínas Quilomícrons: transportam triglicerídeos da dieta. VLDL: transporta triglicerídeos de origem hepática. LDL: transporta colesterol do fígado para os tecidos. HDL: faz o transporte reverso do colesterol. Não-HDL Não-HDL = colesterol total - HDL. É útil para estimar partículas aterogênicas, principalmente quando há triglicerídeos elevados. Recomendações dietéticas Gorduras totais: 20 a 35% do VET Gordura saturada: menor que 7% do VET Gordura trans: evitar Carboidratos: 50 a 55% do VET Fibras: cerca de 25 g/dia O tratamento não farmacológico inclui alimentação saudável, aumento de fibras, redução de açúcar, redução de carboidratos refinados, controle do peso, atividade física e cessação do tabagismo. 21. Hipertensão Arterial Sistêmica — HAS HAS é uma doença crônica, muito prevalente e frequentemente assintomática. É um dos principais fatores de risco cardiovascular. Diagnóstico HAS: pressão arterial ≥ 140/90 mmHg em duas ocasiões. Pré-hipertensão: 120–139/80–89 mmHg. Fatores de risco idade; sexo; genética; sobrepeso; obesidade; sedentarismo; excesso de sódio; baixa ingestão de potássio; álcool; distúrbios do sono; estresse. Tratamento nutricional Reduzir sódio para menos de 2 g/dia, equivalente a cerca de 5 g de sal/dia. Aumentar potássio para mais de 3,5 g/dia quando não houver contraindicação. Adotar dieta DASH. Reduzir álcool, controlar peso, praticar atividade física e melhorar sono. Dieta DASH A dieta DASH prioriza: frutas; hortaliças; laticínios com baixo teor de gordura; cereais integrais; carnes magras; oleaginosas. Ela reduz: sódio; açúcar; gordura saturada; carnes gordurosas; alimentos ultraprocessados. 22. Atividade Física Recomenda-se pelo menos 150 minutos por semana de atividade física aeróbica moderada ou 75 minutos por semana de atividade vigorosa. Pode ser associada ao treinamento resistido. DOENÇAS INTESTINAIS 23. Intestino e Absorção O intestino delgado é o principal local de absorção de nutrientes. O intestino grosso atua principalmente na absorção de água e eletrólitos e na formação das fezes. O íleo é importante para absorção de vitamina B12 e reabsorção de ácidos biliares. 24. Doenças Inflamatórias Intestinais — DII As DII incluem Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa. São doenças crônicas, com períodos de exacerbação e remissão. Sintomas diarreia; dor abdominal; cólicas; distensão abdominal; urgência evacuatória; muco ou sangue nas fezes; tenesmo. Retocolite Ulcerativa Acomete cólon e reto. A inflamação é superficial, atingindo mucosa e submucosa. Geralmente causa diarreia sanguinolenta. Doença de Crohn Pode acometer qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. A inflamação é transmural, ou seja, atinge todas as camadas da parede intestinal. É mais associada a dor abdominal, diarreia, fístulas, abscessos e estenoses. Diferença principal Retocolite = cólon e reto, inflamação superficial e contínua. Crohn = qualquer parte do TGI, inflamação transmural e descontínua. 25. Nutrição nas DII O comprometimento nutricional é frequente nas DII. Pode ocorrer por: baixa ingestão alimentar; dor abdominal; náuseas; vômitos; diarreia; má absorção; inflamação ativa; perda intestinal de proteínas; sangramentos; restrições alimentares. Avaliação nutricional Avaliar: perda de peso; anemia; cálcio; vitamina D; ferro; ácido fólico; vitamina B12; albumina; proteína C reativa. A albumina deve ser interpretada com cuidado, pois pode reduzir por inflamação e não apenas por desnutrição. Recomendações Energia: 25 a 30 kcal/kg/dia. Proteína na fase ativa: 1,2 a 1,5 g/kg/dia. Proteína na remissão: cerca de 1 g/kg/dia, ajustando conforme necessidade. Na fase ativa, pode ser necessário controlar lactose, gordura e fibras insolúveis. 26. FODMAPs FODMAPs são carboidratos fermentáveis pouco absorvidos no intestino. Podem causar: gases; distensão abdominal; dor; desconforto intestinal. Exemplos de alimentos com FODMAPs: leite; trigo; cebola; alho; maçã; pera; feijões; lentilha; cogumelos; adoçantes como sorbitol e xilitol. 27. Síndrome do Intestino Irritável — SII A SII é uma disfunção gastrointestinal caracterizada por dor abdominal associada à alteração do hábito intestinal. Pode ter: diarreia; constipação; distensão abdominal; gases. Está relacionada ao eixo cérebro-intestino-microbiota, motilidade intestinal, dieta e fatores psicológicos. 28. Diverticulose e Diverticulite Diverticulose é a presença de divertículos no intestino, geralmente sem sintomas. Diverticulite ocorre quando esses divertículos inflamam. Sintomas da diverticulite dor abdominal; cólicas; febre; diarreia ou constipação; distensão abdominal; muco nas fezes. Fatores de risco idade avançada; sedentarismo; obesidade; baixa ingestão de fibras; hábitos alimentares inadequados. Tratamento nutricional Na fase aguda, pode ser necessário jejum ou dieta líquida sem resíduos. Após melhora, a dieta deve ser progredida conforme tolerância. CIRURGIA BARIÁTRICA E METABÓLICA 29. Indicações A cirurgia bariátrica pode ser indicada em: IMC ≥ 40 kg/m², independente de comorbidades. IMC ≥ 35 kg/m² com comorbidades agravadas pela obesidade. IMC entre 30 e 35 kg/m² em situações específicas, como diabetes tipo 2, doença cardiovascular grave, apneia severa e doença hepática com fibrose. 30. Técnicas Cirúrgicas Bypass gástrico em Y de Roux Reduz o tamanho funcional do estômago e desvia parte do intestino inicial. Atua por: restrição da ingestão; redução parcial da absorção; alteração hormonal; melhora da saciedade; melhora do controle glicêmico. Gastrectomia vertical — Sleeve Transforma o estômago em um tubo de menor capacidade. Remove parte importante da produção de grelina, reduzindo a fome. Preserva a absorção intestinal. Duodenal switch Combina sleeve com desvio intestinal importante. Tem maior risco de deficiências nutricionais, principalmente vitaminas A, D, E, K, ferro, cálcio, zinco e proteína. 31. Avaliação Nutricional na Bariátrica No pré-operatório, a avaliação nutricional busca: reduzir riscos cirúrgicos; iniciar reeducação alimentar; corrigir deficiências nutricionais; reduzir volume hepático; avaliar consumo alimentar; avaliar exames bioquímicos; avaliar composição corporal. 32. Pós-operatório Bariátrico A dieta evolui de forma gradual: Fase 1: líquida restrita Fase 2: líquida completa Fase 3: pastosa Fase 4: branda Fase 5: consistência normal Deve-se evitar açúcar, cafeína e bebidas gaseificadas. A proteína deve ser prioridade. Metas nutricionais Proteína: 60 a 120 g/dia ou 1,5 g/kg de peso ideal Carboidratos: iniciar com 50 g/dia e progredir até cerca de 130 g/dia Lipídios: 20 a 35% do VET Hidratação: superior a 1,5 L/dia Evitar líquidos durante as refeições. Suplementação No bypass, há maior risco de deficiência de ferro, B12, cálcio e vitamina D. No sleeve, os principais riscos são B12 e ferro. Em técnicas disabsortivas, há maior risco de deficiência de proteínas e vitaminas lipossolúveis. O acompanhamento deve ser contínuo e por toda a vida. TERAPIA NUTRICIONAL ORAL, ENTERAL E PARENTERAL 33. Desnutrição Hospitalar A desnutrição hospitalar é frequente e pode piorar durante a internação se não houver avaliação e intervenção nutricional adequadas. A terapia nutricional deve ser iniciada precocemente quando indicada. 34. Tipos de Terapia Nutricional A terapia nutricional pode ser feita por: Via oral: dieta normal, adaptada ou suplementação oral. Via enteral: alimentação por sonda. Via parenteral: alimentação intravenosa. Ordem de escolha 1. Via oral = primeira opção, mais fisiológica. 2. Via enteral = quando a via oral não supre as necessidades. 3. Via parenteral = quandoo trato gastrointestinal não pode ser usado. 35. Passos da Terapia Nutricional A terapia nutricional segue quatro etapas: 1. Triagem nutricional. 2. Avaliação nutricional. 3. Indicação da via, dieta e quantidade. 4. Monitoramento da tolerância e evolução. 36. Nutrição Enteral A nutrição enteral é uma alimentação especial, com composição definida, usada por sonda ou via oral para substituir ou complementar a alimentação. Indicações desnutrição; risco nutricional; incapacidade de alimentação por via oral; ingestão oral menor que 60% das necessidades; via oral contraindicada; trato gastrointestinal funcionante. Contraindicações obstrução intestinal; íleo paralítico; hemorragia gastrointestinal grave; vômitos intensos; diarreia grave; fístula de alto débito; enterocolite grave; impossibilidade de uso adequado do TGI. Benefícios preserva a mucosa intestinal; mantém a barreira intestinal; reduz translocação bacteriana; reduz risco de sepse; estimula o funcionamento do TGI. Vias de acesso Nasogástrica: sonda até o estômago. Nasoentérica: sonda até o intestino. Gastrostomia: acesso direto ao estômago. Jejunostomia: acesso direto ao jejuno. Sondas nasais são mais usadas em curto prazo. Gastrostomia e jejunostomia são mais usadas em longo prazo. 37. Sistemas de Administração Sistema aberto Exige manipulação da fórmula. Tem maior risco de contaminação. Precisa de área adequada e treinamento. Sistema fechado É industrializado, estéril e pronto para conexão ao equipo. Tem menor risco de contaminação. 38. Fórmulas Enterais Fórmula polimérica Contém nutrientes intactos. É indicada quando a digestão e absorção estão preservadas. Fórmula oligomérica Contém nutrientes parcialmente hidrolisados, como peptídeos e triglicerídeos de cadeia média. É indicada quando há dificuldade de digestão ou absorção. 39. Nutrição Parenteral A nutrição parenteral é uma solução ou emulsão estéril administrada por via intravenosa. Contém carboidratos, aminoácidos, lipídios, vitaminas e minerais. É indicada quando o trato gastrointestinal não pode ser utilizado. 40. Monitoramento da Terapia Nutricional O monitoramento deve avaliar: aceitação; tolerância; náuseas; vômitos; distensão abdominal; diarreia; resíduo gástrico; evolução clínica; exames laboratoriais; melhora do estado nutricional. FÓRMULAS PARA DECORAR IMC = peso ÷ altura² %PP = (peso usual - peso atual) ÷ peso usual × 100 Volume da dieta enteral = kcal prescritas ÷ densidade calórica da fórmula Velocidade de infusão = volume total do dia ÷ horas de infusão Não-HDL = colesterol total - HDL RESUMO FINAL GERAL A avaliação nutricional é o primeiro passo da conduta nutricional. Ela deve usar vários indicadores, como peso, IMC, perda de peso, edema, composição corporal, exames laboratoriais, consumo alimentar e exame físico. Depois da avaliação, define-se a terapia nutricional. A via oral é sempre a primeira escolha quando segura e suficiente. A via enteral é indicada quando a via oral não supre as necessidades, desde que o trato gastrointestinal funcione. A via parenteral é usada quando o trato gastrointestinal não pode ser utilizado. Nas doenças renais, é importante diferenciar DRC e DRA. Na DRC sem diálise, a proteína costuma ser mais restrita. Na DRA, especialmente em pacientes críticos ou em diálise, a proteína não deve ser restringida para evitar diálise. Nas doenças hepáticas, deve-se ter atenção à desnutrição, ascite, edema, peso seco e perda de massa muscular. Na cirrose, não se deve restringir proteína por rotina, mesmo em encefalopatia hepática. Nas doenças cardiovasculares, a dieta deve focar em redução de sódio, gordura saturada, gordura trans, açúcar e ultraprocessados, com aumento de fibras, frutas, verduras, cereais integrais e atividade física. Nas doenças intestinais, a conduta depende da fase da doença. Na fase ativa, pode ser necessário controlar fibras, lactose e gordura. Na remissão, a dieta deve ser progredida conforme tolerância. Na cirurgia bariátrica, o acompanhamento nutricional deve ser vitalício, com atenção à proteína, hidratação, suplementação e prevenção de deficiências nutricionais. Na disfagia, o principal objetivo é garantir segurança da deglutição, evitando engasgos, aspiração, pneumonia, desnutrição e desidratação. Resumo Final Nutrição Clínica