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RESUMO FINAL — NUTRIÇÃO CLÍNICA
Versão prova-pronta, limpa e organizada
1. Avaliação Nutricional
A avaliação nutricional tem como objetivo identificar alterações no estado nutricional do paciente e orientar a melhor conduta nutricional.
Nenhum parâmetro isolado é suficiente para diagnosticar o estado nutricional. Por isso, devem ser avaliados em conjunto: antropometria, composição corporal, exames bioquímicos, consumo alimentar, exame físico e avaliação subjetiva.
IMC
	Fórmula: IMC = peso ÷ altura²
Classificação do IMC:
18,5 a 24,9 = eutrofia
25 a 29,9 = sobrepeso
30 a 34,9 = obesidade grau I
35 a 39,9 = obesidade grau II
≥ 40 = obesidade grau III
Circunferência abdominal
Homens:
≥ 94 cm = risco aumentado
≥ 102 cm = risco muito aumentado
Mulheres:
≥ 80 cm = risco aumentado
≥ 88 cm = risco muito aumentado
Perda de peso
A perda de peso deve ser avaliada comparando o peso usual com o peso atual.
	Fórmula: %PP = (peso usual - peso atual) ÷ peso usual × 100
Perdas rápidas de peso são importantes clinicamente, pois podem indicar piora do estado nutricional e maior risco de complicações.
Peso seco e edema
Em pacientes com edema, o peso atual pode estar falsamente aumentado pela retenção de líquidos. Por isso, deve-se estimar o peso seco.
Edema leve: subtrair cerca de 1 a 2 kg
Edema moderado: subtrair cerca de 5 a 10 kg
Anasarca: subtrair cerca de 10 a 12 kg
2. Necessidades Nutricionais Gerais
Energia
Adulto geral: 25 a 30 kcal/kg/dia
Paciente crítico: 20 a 25 kcal/kg/dia
Obesidade: 20 a 25 kcal/kg/dia, preferindo o menor valor quando necessário
Proteína
Adulto saudável: 1,0 a 1,2 g/kg/dia
Obesidade: 1,2 a 1,5 g/kg/dia
Bariátrica: 1,2 a 1,5 g/kg/dia
DRC sem diálise: 0,6 a 0,8 g/kg/dia
DRC com diálise: cerca de 1,2 g/kg/dia
LRA sem catabolismo e sem diálise: 0,8 a 1,0 g/kg/dia
LRA em diálise: 1,0 a 1,5 g/kg/dia
LRA hipercatabólica: até 1,7 g/kg/dia
Paciente crítico em UTI: 1,3 a 2,0 g/kg/dia
Distribuição de macronutrientes
Carboidratos: 45 a 55% do VET
Proteínas: 15 a 20% do VET
Lipídios: 25 a 35% do VET
3. Fibras Alimentares
As fibras são importantes para controle intestinal, glicemia, colesterol e saúde metabólica.
Fibras solúveis
As fibras solúveis dissolvem em água e formam um gel no trato gastrointestinal.
Principais funções:
ajudam no controle da glicemia;
reduzem absorção de colesterol;
retardam o esvaziamento gástrico;
melhoram a consistência das fezes.
Exemplos: aveia, maçã, banana, leguminosas, chia e linhaça.
Fibras insolúveis
As fibras insolúveis não dissolvem em água.
Principais funções:
aumentam o volume fecal;
aceleram o trânsito intestinal;
ajudam na prevenção da constipação.
Exemplos: verduras, legumes, cereais integrais e farelos.
PANCREATITE E VESÍCULA BILIAR
4. Pâncreas
O pâncreas possui função exócrina e endócrina.
A função exócrina está relacionada à digestão, pela produção de enzimas como amilase, lipase e proteases.
A função endócrina está relacionada à produção de hormônios, como insulina, glucagon e somatostatina, importantes no controle da glicemia.
5. Pancreatite
A pancreatite é uma inflamação do pâncreas. Pode ser aguda ou crônica.
A pancreatite aguda é súbita e pode ser reversível.
A pancreatite crônica é persistente, causa lesão irreversível do pâncreas, má absorção, esteatorreia, desnutrição e pode levar ao diabetes.
Principais causas
obstrução ductal;
cálculos biliares;
abuso de álcool;
ativação inadequada das enzimas pancreáticas;
infecções;
isquemia;
trauma;
fatores genéticos.
Sintomas
dor abdominal;
dor que pode irradiar para as costas;
náuseas;
vômitos;
anorexia;
diarreia;
esteatorreia;
perda de peso;
desnutrição progressiva na pancreatite crônica.
Esteatorreia significa presença de gordura nas fezes. As fezes podem ser volumosas, brilhantes, com odor forte e podem boiar.
6. Terapia Nutricional na Pancreatite Aguda
Na pancreatite aguda, a alimentação deve ser iniciada assim que for clinicamente tolerada.
Em casos graves, recomenda-se:
Energia: 25 a 35 kcal/kg de peso ideal/dia
Proteína: 1,2 a 1,5 g/kg/dia
Quando a via oral não for possível, a nutrição enteral deve ser preferida à nutrição parenteral, pois ajuda a preservar a mucosa intestinal e reduz risco de infecção.
A nutrição parenteral fica reservada para casos em que a via enteral não é possível ou não é tolerada.
7. Pancreatite Crônica
Na pancreatite crônica, a conduta nutricional busca prevenir desnutrição, perda de massa magra e má absorção.
Recomendações:
Energia: 30 a 35 kcal/kg/dia
Proteína: 1,0 a 1,5 g/kg/dia
Carboidratos: normoglicídicos, com controle da glicemia
Lipídios: cerca de 30% do VET, se tolerados
Álcool: exclusão total
A dieta deve ser fracionada em 5 a 6 pequenas refeições ao dia.
A restrição de gordura só é necessária quando a esteatorreia não estiver controlada.
As enzimas pancreáticas devem ser usadas junto com refeições e lanches quando houver insuficiência pancreática exócrina.
8. Vesícula Biliar
A vesícula biliar armazena, concentra e libera a bile.
A bile é produzida pelo fígado e ajuda na digestão e absorção das gorduras.
Principais doenças
Colelitíase = cálculo dentro da vesícula.
Coledocolitíase = cálculo no ducto colédoco.
Colecistite = inflamação da vesícula biliar.
Fatores de risco para cálculos biliares
sexo feminino;
gravidez;
idade acima de 40 anos;
história familiar;
obesidade;
diabetes;
dieta rica em gorduras;
dieta pobre em fibras;
uso de anticoncepcionais ou estrógenos.
Sintomas
dor epigástrica;
náuseas;
vômitos;
eructações;
febre;
icterícia discreta.
Dor epigástrica = dor na boca do estômago.
Eructação = arroto.
Icterícia = pele e olhos amarelados.
Terapia nutricional nas doenças da vesícula
A dieta deve ser fracionada, equilibrada, rica em frutas, verduras e fibras, com redução de alimentos gordurosos e frituras.
A dieta hipolipídica pode ser indicada em caso de dor ou esteatorreia, mas não se deve excluir totalmente as gorduras, para evitar prejuízo na absorção das vitaminas A, D, E e K.
Colecistectomia
Colecistectomia é a retirada cirúrgica da vesícula biliar.
Após a cirurgia, a bile passa a ser liberada diretamente do fígado para o intestino. A retirada da vesícula não impede a absorção de gorduras, pois o fígado continua produzindo bile.
No pós-operatório, recomenda-se reduzir alimentos gordurosos, frituras, embutidos, carnes gordas, chocolate, oleaginosas, molhos e alimentos muito temperados, principalmente no período de adaptação.
DOENÇAS RENAIS
9. Função dos Rins
Os rins têm como função:
controlar a água corporal;
controlar sódio, potássio, cálcio e fósforo;
eliminar ureia, ácido úrico e outras substâncias;
participar da produção de vitamina D ativa;
produzir eritropoietina.
A eritropoietina estimula a produção de glóbulos vermelhos.
10. Doença Renal Crônica — DRC
A DRC é definida por lesão renal por 3 meses ou mais, com ou sem redução da TFG, ou por TFG menor que 60 mL/min/1,73 m² por 3 meses ou mais.
Principais causas
hipertensão arterial;
diabetes mellitus.
Juntas, hipertensão e diabetes representam grande parte dos casos de DRC.
Desnutrição na DRC
A desnutrição na DRC é frequente e multifatorial.
Pode ocorrer por:
redução da ingestão alimentar;
inflamação;
acidose metabólica;
uremia;
comorbidades;
restrições alimentares excessivas;
aumento do catabolismo proteico.
Objetivos da dieta na DRC
manter ou recuperar o estado nutricional;
retardar a progressão da doença renal;
reduzir compostos nitrogenados tóxicos;
controlar eletrólitos;
manter equilíbrio ácido-base.
Recomendações nutricionais na DRC
Energia: 25 a 35 kcal/kg/dia
Proteína na DRC sem diálise: 0,6 a 0,8 g/kg/dia
Proteína na DRC com diálise: cerca de 1,2 g/kg/dia
Carboidratos: 50 a 60% do VET
Lipídios: 25 a 35% do VET
Eletrólitos
Sódio: limitar a cerca de 2,3 g/dia, ajudando no controle da hipertensão e do edema.
Potássio: ajustar conforme exames laboratoriais.
Fósforo: controlar quando estiver elevado, com atenção a alimentos ricos em fósforo e alimentos industrializados com aditivos.
Líquidos
Na hemodiálise, a recomendação pode ser calculada por: diurese de 24 horas + 500 a 1000 mL.
Em pacientesanúricos, geralmente o consumo fica mais restrito, próximo de até 1 L/dia, conforme avaliação clínica.
11. Anemia na DRC
A anemia na DRC ocorre pela redução da hemoglobina no sangue.
É considerada anemia quando:
Homens: hemoglobina menor que 13 g/dL
Mulheres: hemoglobina menor que 12 g/dL
A principal causa é a redução da produção de eritropoietina pelos rins.
Com menos eritropoietina, o corpo produz menos glóbulos vermelhos, causando anemia.
Outras causas:
deficiência de ferro;
deficiência de folato;
deficiência de vitamina B12;
perdas sanguíneas na diálise;
sangramentos gastrointestinais;
inflamação;
acúmulo de alumínio.
A anemia piora a qualidade de vida e aumenta risco cardiovascular, hospitalizações e mortalidade.
12. Doença Renal Aguda / Lesão Renal Aguda — DRA / LRA / IRA
DRA, IRA e LRA são termos usados para falar da perda rápida da função renal.
A DRA ocorre de forma súbita e pode estar associada ao aumento de ureia e creatinina, redução da diurese, retenção de líquidos e alterações metabólicas.
Grupos de risco
pacientes graves em UTI;
pacientes com sepse;
idosos;
pessoas com doença renal prévia;
pacientes com doenças crônicas;
uso de medicamentos que podem prejudicar os rins.
Manifestações clínicas
A DRA pode causar:
redução da diurese;
oligúria;
anúria;
edema;
anasarca;
aumento de ureia;
aumento de creatinina;
hipercatabolismo;
náuseas;
vômitos;
falta de ar;
hipertensão;
sonolência;
anemia;
infecções;
perda de massa muscular;
prurido.
Oligúria = pouca urina.
Anúria = ausência ou quase ausência de urina.
Anasarca = edema generalizado.
Hipercatabolismo = aumento da quebra de tecidos, principalmente músculo.
Conduta nutricional na DRA
Energia: 20 a 30 kcal/kg/dia, usando peso seco ou peso ideal.
Em estresse grave: 20 a 25 kcal/kg/dia.
Na fase inicial, pode-se usar nutrição hipocalórica, com progressão gradual após estabilização.
Proteína na DRA
A proteína depende do grau de catabolismo e da presença de diálise.
Paciente não catabólico e sem diálise: 0,8 a 1,0 g/kg/dia
Paciente em diálise: 1,0 a 1,5 g/kg/dia
Paciente hipercatabólico: pode chegar a 1,7 g/kg/dia
Ponto importante: não se deve restringir proteína para evitar ou retardar diálise.
Carboidratos e lipídios
Carboidratos: 50 a 55% do VET
Lipídios: 25 a 30% do VET
Colesterol: menor que 300 mg/dia
Potássio
Deve ser ajustado conforme diurese e exames.
Em oligúria ou anúria: restringir.
Em poliúria: geralmente não há restrição.
Sódio
A recomendação varia de 200 a 2000 mg/dia, conforme diurese, edema, pressão arterial e equilíbrio hidroeletrolítico.
1 g de sal de cozinha tem cerca de 400 mg de sódio.
Líquidos
Fórmula: 500 a 750 mL + diurese de 24 horas + outras perdas.
Outras perdas incluem vômitos, drenos, fístulas e diarreia.
Via nutricional
A via enteral é preferida quando o trato gastrointestinal está funcionando.
Fórmulas com restrição de eletrólitos só devem ser usadas conforme necessidade individual.
DISFAGIA
13. Conceito
Disfagia é dificuldade ou comprometimento da deglutição.
Pode ocorrer com alimentos sólidos, líquidos, saliva ou comprimidos.
Riscos
aspiração;
pneumonia;
desnutrição;
desidratação;
engasgos.
Classificação
Disfagia oral: problema na boca, antes de engolir.
Disfagia faríngea: problema na garganta, durante a deglutição.
Disfagia esofágica: alimento trava no caminho até o estômago.
Conduta nutricional
A conduta nutricional deve priorizar a segurança da deglutição.
Deve-se adequar a consistência dos alimentos e líquidos para reduzir risco de engasgos e aspiração.
Orientações
evitar líquidos ralos, como água, café, leite, sucos e caldos;
oferecer pequenas quantidades por vez;
usar colheres menores;
usar copos firmes;
em dificuldade com sólidos, oferecer dieta pastosa;
oferecer alimentos bem cozidos;
manter o paciente sentado por pelo menos 30 minutos após as refeições;
higienizar a boca após refeições e antes de dormir;
não amassar comprimidos sem orientação profissional.
IDDSI
A IDDSI classifica a consistência de alimentos e líquidos para pacientes com disfagia.
Vai do nível 0 ao 7.
Quanto menor o número, mais líquido. Quanto maior o número, mais sólido.
O melhor nível depende da dificuldade de cada paciente e deve ser definido por avaliação profissional.
DOENÇAS HEPÁTICAS
14. Fígado
O fígado é a maior glândula do corpo humano e é o órgão central do metabolismo.
Funções principais
metabolismo de carboidratos;
metabolismo de lipídios;
metabolismo de proteínas;
ciclo da ureia;
produção e excreção da bile;
armazenamento de vitaminas e minerais;
detoxificação de substâncias;
síntese de albumina e fatores de coagulação.
Exames hepáticos
Bilirrubinas: avaliam excreção hepática.
Fosfatase alcalina e GGT: avaliam colestase.
ALT/TGP e AST/TGO: avaliam lesão hepática.
Albumina e tempo de protrombina: avaliam função de síntese.
Marcadores virais: avaliam hepatites.
15. Hepatites
Hepatite é inflamação do fígado associada à lesão dos hepatócitos.
Pode ter causa:
infecciosa;
imunológica;
tóxica;
metabólica.
Sintomas
Fase pré-ictérica:
mal-estar;
fadiga;
náuseas;
febre baixa;
mialgia;
diarreia;
cefaleia.
Fase ictérica:
icterícia;
colúria;
acolia fecal;
prurido.
Icterícia = pele e olhos amarelados.
Colúria = urina escura.
Acolia fecal = fezes claras.
Prurido = coceira.
Terapia nutricional nas hepatites B e C sem cirrose
Energia: 25 a 40 kcal/kg/dia
Proteína: 1,2 a 1,5 g/kg/dia
Carboidratos: 50 a 55% do VET
Gorduras: 30 a 35% do VET
Sódio: até 2 g/dia se houver ascite ou edema
16. Esteatose Hepática / MASLD
Esteatose hepática é o acúmulo de gordura nos hepatócitos.
Pode ser alcoólica ou associada à disfunção metabólica.
MASLD é a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, antigo nome DHGNA.
Está associada a:
obesidade abdominal;
resistência à insulina;
diabetes tipo 2;
síndrome metabólica;
sedentarismo.
Pode evoluir para esteato-hepatite, cirrose e carcinoma hepatocelular.
Tratamento
O tratamento envolve:
alimentação adequada;
atividade física;
perda de peso;
controle da obesidade;
controle do diabetes;
controle da dislipidemia.
A perda de 7 a 10% do peso corporal pode reduzir a esteatose.
Recomendações nutricionais
Carboidratos: 45 a 65% do VET, priorizando baixa a média carga glicêmica.
Açúcares simples devem ser limitados, principalmente frutose, bebidas adoçadas e xarope de milho.
Fibras devem ser estimuladas.
Gorduras devem priorizar fontes insaturadas, reduzindo gordura saturada, frituras e ultraprocessados.
Proteínas: 15 a 20% do VET ou 0,8 a 1 g/kg/dia.
17. Cirrose
A cirrose é uma doença hepática crônica e irreversível, caracterizada por fibrose, formação de tecido cicatricial e perda da função hepática.
Sinais
ascite;
edema;
icterícia;
varizes esofágicas;
encefalopatia hepática;
perda de peso;
fadiga;
alteração do nível de consciência.
Desnutrição na cirrose
A desnutrição é comum na cirrose por:
baixa ingestão alimentar;
anorexia;
má absorção;
hipermetabolismo;
alterações no uso dos nutrientes;
perda de massa muscular.
Ascite e edema podem mascarar perda de peso e perda muscular.
Recomendações
Usar peso seco quando houver ascite ou edema.
Energia: 25 a 40 kcal/kg/dia, conforme gravidade.
Proteína: 1,0 a 1,5 g/kg/dia.
Em cirrose descompensada com desnutrição: 1,2 a 1,5 g/kg/dia.
Encefalopatia hepática
Na encefalopatia hepática, não se recomenda restrição proteica prolongada, pois isso piora perda muscular e desnutrição.
A amônia elevada está relacionada à encefalopatia hepática.
Lanche noturno
Pacientes cirróticos devem evitar jejum prolongado.
Recomenda-se fracionar a alimentação e incluir lanche noturno de 150 a 200 kcal, com cerca de 50 g de carboidratos, para reduzir catabolismo proteico.
DOENÇAS CARDIOVASCULARES
18. Conceito
Doenças cardiovasculares acometem o coração e os vasos sanguíneos.
Incluem doença coronariana, doença cerebrovascular, doença arterial periférica, trombose venosa profunda e embolia pulmonar.
Fatores de risco
hipertensão arterial;
aterosclerose;
dislipidemia;
obesidade;
sedentarismo;
tabagismo;
diabetes;
histórico familiar.
19. Aterosclerose
A aterosclerose é um processo crônicoe inflamatório, caracterizado pelo acúmulo de colesterol, lipídios, células inflamatórias e tecido conjuntivo na parede das artérias.
Pode causar obstrução dos vasos e reduzir a oferta de sangue, oxigênio e nutrientes aos tecidos.
Consequências:
angina;
infarto;
isquemia;
trombose;
morte súbita.
20. Dislipidemia
Dislipidemia é alteração dos lipídios no sangue.
O LDL-colesterol é o principal fator modificável relacionado às doenças cardíacas.
Lipoproteínas
Quilomícrons: transportam triglicerídeos da dieta.
VLDL: transporta triglicerídeos de origem hepática.
LDL: transporta colesterol do fígado para os tecidos.
HDL: faz o transporte reverso do colesterol.
Não-HDL
	Não-HDL = colesterol total - HDL.
É útil para estimar partículas aterogênicas, principalmente quando há triglicerídeos elevados.
Recomendações dietéticas
Gorduras totais: 20 a 35% do VET
Gordura saturada: menor que 7% do VET
Gordura trans: evitar
Carboidratos: 50 a 55% do VET
Fibras: cerca de 25 g/dia
O tratamento não farmacológico inclui alimentação saudável, aumento de fibras, redução de açúcar, redução de carboidratos refinados, controle do peso, atividade física e cessação do tabagismo.
21. Hipertensão Arterial Sistêmica — HAS
HAS é uma doença crônica, muito prevalente e frequentemente assintomática.
É um dos principais fatores de risco cardiovascular.
Diagnóstico
HAS: pressão arterial ≥ 140/90 mmHg em duas ocasiões.
Pré-hipertensão: 120–139/80–89 mmHg.
Fatores de risco
idade;
sexo;
genética;
sobrepeso;
obesidade;
sedentarismo;
excesso de sódio;
baixa ingestão de potássio;
álcool;
distúrbios do sono;
estresse.
Tratamento nutricional
Reduzir sódio para menos de 2 g/dia, equivalente a cerca de 5 g de sal/dia.
Aumentar potássio para mais de 3,5 g/dia quando não houver contraindicação.
Adotar dieta DASH.
Reduzir álcool, controlar peso, praticar atividade física e melhorar sono.
Dieta DASH
A dieta DASH prioriza:
frutas;
hortaliças;
laticínios com baixo teor de gordura;
cereais integrais;
carnes magras;
oleaginosas.
Ela reduz:
sódio;
açúcar;
gordura saturada;
carnes gordurosas;
alimentos ultraprocessados.
22. Atividade Física
Recomenda-se pelo menos 150 minutos por semana de atividade física aeróbica moderada ou 75 minutos por semana de atividade vigorosa.
Pode ser associada ao treinamento resistido.
DOENÇAS INTESTINAIS
23. Intestino e Absorção
O intestino delgado é o principal local de absorção de nutrientes.
O intestino grosso atua principalmente na absorção de água e eletrólitos e na formação das fezes.
O íleo é importante para absorção de vitamina B12 e reabsorção de ácidos biliares.
24. Doenças Inflamatórias Intestinais — DII
As DII incluem Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa.
São doenças crônicas, com períodos de exacerbação e remissão.
Sintomas
diarreia;
dor abdominal;
cólicas;
distensão abdominal;
urgência evacuatória;
muco ou sangue nas fezes;
tenesmo.
Retocolite Ulcerativa
Acomete cólon e reto.
A inflamação é superficial, atingindo mucosa e submucosa.
Geralmente causa diarreia sanguinolenta.
Doença de Crohn
Pode acometer qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus.
A inflamação é transmural, ou seja, atinge todas as camadas da parede intestinal.
É mais associada a dor abdominal, diarreia, fístulas, abscessos e estenoses.
Diferença principal
Retocolite = cólon e reto, inflamação superficial e contínua.
Crohn = qualquer parte do TGI, inflamação transmural e descontínua.
25. Nutrição nas DII
O comprometimento nutricional é frequente nas DII.
Pode ocorrer por:
baixa ingestão alimentar;
dor abdominal;
náuseas;
vômitos;
diarreia;
má absorção;
inflamação ativa;
perda intestinal de proteínas;
sangramentos;
restrições alimentares.
Avaliação nutricional
Avaliar:
perda de peso;
anemia;
cálcio;
vitamina D;
ferro;
ácido fólico;
vitamina B12;
albumina;
proteína C reativa.
A albumina deve ser interpretada com cuidado, pois pode reduzir por inflamação e não apenas por desnutrição.
Recomendações
Energia: 25 a 30 kcal/kg/dia.
Proteína na fase ativa: 1,2 a 1,5 g/kg/dia.
Proteína na remissão: cerca de 1 g/kg/dia, ajustando conforme necessidade.
Na fase ativa, pode ser necessário controlar lactose, gordura e fibras insolúveis.
26. FODMAPs
FODMAPs são carboidratos fermentáveis pouco absorvidos no intestino.
Podem causar:
gases;
distensão abdominal;
dor;
desconforto intestinal.
Exemplos de alimentos com FODMAPs:
leite;
trigo;
cebola;
alho;
maçã;
pera;
feijões;
lentilha;
cogumelos;
adoçantes como sorbitol e xilitol.
27. Síndrome do Intestino Irritável — SII
A SII é uma disfunção gastrointestinal caracterizada por dor abdominal associada à alteração do hábito intestinal.
Pode ter:
diarreia;
constipação;
distensão abdominal;
gases.
Está relacionada ao eixo cérebro-intestino-microbiota, motilidade intestinal, dieta e fatores psicológicos.
28. Diverticulose e Diverticulite
Diverticulose é a presença de divertículos no intestino, geralmente sem sintomas.
Diverticulite ocorre quando esses divertículos inflamam.
Sintomas da diverticulite
dor abdominal;
cólicas;
febre;
diarreia ou constipação;
distensão abdominal;
muco nas fezes.
Fatores de risco
idade avançada;
sedentarismo;
obesidade;
baixa ingestão de fibras;
hábitos alimentares inadequados.
Tratamento nutricional
Na fase aguda, pode ser necessário jejum ou dieta líquida sem resíduos.
Após melhora, a dieta deve ser progredida conforme tolerância.
CIRURGIA BARIÁTRICA E METABÓLICA
29. Indicações
A cirurgia bariátrica pode ser indicada em:
IMC ≥ 40 kg/m², independente de comorbidades.
IMC ≥ 35 kg/m² com comorbidades agravadas pela obesidade.
IMC entre 30 e 35 kg/m² em situações específicas, como diabetes tipo 2, doença cardiovascular grave, apneia severa e doença hepática com fibrose.
30. Técnicas Cirúrgicas
Bypass gástrico em Y de Roux
Reduz o tamanho funcional do estômago e desvia parte do intestino inicial.
Atua por:
restrição da ingestão;
redução parcial da absorção;
alteração hormonal;
melhora da saciedade;
melhora do controle glicêmico.
Gastrectomia vertical — Sleeve
Transforma o estômago em um tubo de menor capacidade.
Remove parte importante da produção de grelina, reduzindo a fome.
Preserva a absorção intestinal.
Duodenal switch
Combina sleeve com desvio intestinal importante.
Tem maior risco de deficiências nutricionais, principalmente vitaminas A, D, E, K, ferro, cálcio, zinco e proteína.
31. Avaliação Nutricional na Bariátrica
No pré-operatório, a avaliação nutricional busca:
reduzir riscos cirúrgicos;
iniciar reeducação alimentar;
corrigir deficiências nutricionais;
reduzir volume hepático;
avaliar consumo alimentar;
avaliar exames bioquímicos;
avaliar composição corporal.
32. Pós-operatório Bariátrico
A dieta evolui de forma gradual:
Fase 1: líquida restrita
Fase 2: líquida completa
Fase 3: pastosa
Fase 4: branda
Fase 5: consistência normal
Deve-se evitar açúcar, cafeína e bebidas gaseificadas.
A proteína deve ser prioridade.
Metas nutricionais
Proteína: 60 a 120 g/dia ou 1,5 g/kg de peso ideal
Carboidratos: iniciar com 50 g/dia e progredir até cerca de 130 g/dia
Lipídios: 20 a 35% do VET
Hidratação: superior a 1,5 L/dia
Evitar líquidos durante as refeições.
Suplementação
No bypass, há maior risco de deficiência de ferro, B12, cálcio e vitamina D.
No sleeve, os principais riscos são B12 e ferro.
Em técnicas disabsortivas, há maior risco de deficiência de proteínas e vitaminas lipossolúveis.
O acompanhamento deve ser contínuo e por toda a vida.
TERAPIA NUTRICIONAL ORAL, ENTERAL E PARENTERAL
33. Desnutrição Hospitalar
A desnutrição hospitalar é frequente e pode piorar durante a internação se não houver avaliação e intervenção nutricional adequadas.
A terapia nutricional deve ser iniciada precocemente quando indicada.
34. Tipos de Terapia Nutricional
A terapia nutricional pode ser feita por:
Via oral: dieta normal, adaptada ou suplementação oral.
Via enteral: alimentação por sonda.
Via parenteral: alimentação intravenosa.
Ordem de escolha
1. Via oral = primeira opção, mais fisiológica.
2. Via enteral = quando a via oral não supre as necessidades.
3. Via parenteral = quandoo trato gastrointestinal não pode ser usado.
35. Passos da Terapia Nutricional
A terapia nutricional segue quatro etapas:
1. Triagem nutricional.
2. Avaliação nutricional.
3. Indicação da via, dieta e quantidade.
4. Monitoramento da tolerância e evolução.
36. Nutrição Enteral
A nutrição enteral é uma alimentação especial, com composição definida, usada por sonda ou via oral para substituir ou complementar a alimentação.
Indicações
desnutrição;
risco nutricional;
incapacidade de alimentação por via oral;
ingestão oral menor que 60% das necessidades;
via oral contraindicada;
trato gastrointestinal funcionante.
Contraindicações
obstrução intestinal;
íleo paralítico;
hemorragia gastrointestinal grave;
vômitos intensos;
diarreia grave;
fístula de alto débito;
enterocolite grave;
impossibilidade de uso adequado do TGI.
Benefícios
preserva a mucosa intestinal;
mantém a barreira intestinal;
reduz translocação bacteriana;
reduz risco de sepse;
estimula o funcionamento do TGI.
Vias de acesso
Nasogástrica: sonda até o estômago.
Nasoentérica: sonda até o intestino.
Gastrostomia: acesso direto ao estômago.
Jejunostomia: acesso direto ao jejuno.
Sondas nasais são mais usadas em curto prazo.
Gastrostomia e jejunostomia são mais usadas em longo prazo.
37. Sistemas de Administração
Sistema aberto
Exige manipulação da fórmula.
Tem maior risco de contaminação.
Precisa de área adequada e treinamento.
Sistema fechado
É industrializado, estéril e pronto para conexão ao equipo.
Tem menor risco de contaminação.
38. Fórmulas Enterais
Fórmula polimérica
Contém nutrientes intactos.
É indicada quando a digestão e absorção estão preservadas.
Fórmula oligomérica
Contém nutrientes parcialmente hidrolisados, como peptídeos e triglicerídeos de cadeia média.
É indicada quando há dificuldade de digestão ou absorção.
39. Nutrição Parenteral
A nutrição parenteral é uma solução ou emulsão estéril administrada por via intravenosa.
Contém carboidratos, aminoácidos, lipídios, vitaminas e minerais.
É indicada quando o trato gastrointestinal não pode ser utilizado.
40. Monitoramento da Terapia Nutricional
O monitoramento deve avaliar:
aceitação;
tolerância;
náuseas;
vômitos;
distensão abdominal;
diarreia;
resíduo gástrico;
evolução clínica;
exames laboratoriais;
melhora do estado nutricional.
FÓRMULAS PARA DECORAR
IMC = peso ÷ altura²
%PP = (peso usual - peso atual) ÷ peso usual × 100
Volume da dieta enteral = kcal prescritas ÷ densidade calórica da fórmula
Velocidade de infusão = volume total do dia ÷ horas de infusão
Não-HDL = colesterol total - HDL
RESUMO FINAL GERAL
A avaliação nutricional é o primeiro passo da conduta nutricional. Ela deve usar vários indicadores, como peso, IMC, perda de peso, edema, composição corporal, exames laboratoriais, consumo alimentar e exame físico.
Depois da avaliação, define-se a terapia nutricional. A via oral é sempre a primeira escolha quando segura e suficiente. A via enteral é indicada quando a via oral não supre as necessidades, desde que o trato gastrointestinal funcione. A via parenteral é usada quando o trato gastrointestinal não pode ser utilizado.
Nas doenças renais, é importante diferenciar DRC e DRA. Na DRC sem diálise, a proteína costuma ser mais restrita. Na DRA, especialmente em pacientes críticos ou em diálise, a proteína não deve ser restringida para evitar diálise.
Nas doenças hepáticas, deve-se ter atenção à desnutrição, ascite, edema, peso seco e perda de massa muscular. Na cirrose, não se deve restringir proteína por rotina, mesmo em encefalopatia hepática.
Nas doenças cardiovasculares, a dieta deve focar em redução de sódio, gordura saturada, gordura trans, açúcar e ultraprocessados, com aumento de fibras, frutas, verduras, cereais integrais e atividade física.
Nas doenças intestinais, a conduta depende da fase da doença. Na fase ativa, pode ser necessário controlar fibras, lactose e gordura. Na remissão, a dieta deve ser progredida conforme tolerância.
Na cirurgia bariátrica, o acompanhamento nutricional deve ser vitalício, com atenção à proteína, hidratação, suplementação e prevenção de deficiências nutricionais.
Na disfagia, o principal objetivo é garantir segurança da deglutição, evitando engasgos, aspiração, pneumonia, desnutrição e desidratação.
Resumo Final Nutrição Clínica

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