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Estudo de Caso – Carla, 31 anos a) Identificação e Biografia Resumida Carla, 31 anos, professora do ensino fundamental, vive sozinha. Há três meses, após o término de um relacionamento significativo, passou a apresentar sintomas depressivos persistentes. Relata tristeza constante, desânimo, baixa autoestima, dificuldade de concentração, hipersonia, perda de apetite e sensação de peso físico e emocional. Sua rotina foi profundamente afetada: permanece deitada por longos períodos, negligencia o autocuidado e evita contato social. O evento afetivo parece ter funcionado como gatilho, somado a uma vulnerabilidade familiar (mãe com episódios depressivos), sugerindo predisposição genética e influência psicossocial. b) Descrição Clínica dos Sintomas e Relação com o DSM-5-TR Os sintomas apresentados por Carla correspondem aos critérios diagnósticos para Episódio Depressivo Maior, conforme o DSM-5-TR. Entre os critérios observados estão: humor deprimido na maior parte do dia, anedonia, fadiga, alterações de sono (hipersonia), alterações de apetite (hiporexia), sentimentos de inutilidade e prejuízo funcional. A duração superior a duas semanas e o impacto significativo na vida cotidiana configuram um episódio depressivo maior de intensidade moderada. A ausência de ideação suicida estruturada não exclui o diagnóstico, mas deve ser monitorada. Sugestão metodológica: Em futuras análises, recomenda-se listar os critérios diagnósticos de forma explícita (A, B, C), conforme o DSM-5-TR, para facilitar a visualização e validação dos sintomas clínicos. c) Hipóteses Diagnósticas com Justificativa Teórica O diagnóstico principal é Episódio Depressivo Maior, episódio único e moderado. O início após evento estressor, a persistência dos sintomas e o comprometimento funcional sustentam essa hipótese. Diagnósticos diferenciais como Transtorno de Ajustamento (menos intenso e mais breve) e Distimia (caracterizada por cronicidade e menor intensidade) foram descartados. Autores como Beck (2005) destacam o papel das crenças disfuncionais e pensamentos automáticos negativos na manutenção da depressão. McWilliams (2011) reforça a importância de compreender a estrutura de personalidade e os conflitos inconscientes que podem influenciar o quadro. d) Discussão sobre Etiologia e Curso do Transtorno A etiologia é multifatorial: biológicos (predisposição genética, alterações neuroquímicas), psicológicos (luto não elaborado, baixa autoestima, padrões cognitivos negativos) e sociais (isolamento, ausência de rede de apoio). O curso atual é de três meses, com risco de recorrência, especialmente se não houver intervenção adequada. Segundo Sadock & Sadock (2017), episódios depressivos podem se tornar recorrentes, exigindo atenção precoce e contínua. Curso longitudinal: A prevenção de recaídas exige estratégias de manutenção terapêutica, como continuidade da psicoterapia, monitoramento farmacológico e suporte social. O acompanhamento a longo prazo é essencial para identificar sinais precoces de recorrência e promover estabilidade emocional. e) Proposta Terapêutica Fundamentada A abordagem terapêutica deve ser integrada: Psicoterapia (TCC e Terapia Interpessoal), Farmacoterapia (ISRS como sertralina, com acompanhamento psiquiátrico) e Intervenções psicossociais (fortalecimento de vínculos, reintegração social). Yalom (2008) sugere que o sofrimento emocional também deve ser compreendido em sua dimensão existencial, o que pode enriquecer o processo terapêutico. f) Reflexão Crítica sobre o Modelo do DSM-5-TR O DSM-5-TR é uma ferramenta diagnóstica útil para padronização e comunicação clínica. No entanto, como aponta Horwitz (2007), ele pode reduzir o sofrimento humano a categorias descritivas, negligenciando aspectos subjetivos e contextuais. No caso de Carla, o diagnóstico é necessário, mas insuficiente para compreender o significado da perda e do vazio existencial. Uma abordagem clínica humanizada deve integrar fatores biológicos, psicológicos, sociais e culturais, respeitando a singularidade da experiência. Referências American Psychiatric Association. DSM-5-TR. Artmed, 2023. Beck, A. T. Terapia Cognitiva da Depressão. Artmed, 2005. McWilliams, N. Diagnóstico Psicanalítico. Artmed, 2011. Sadock, B. & Sadock, V. Compêndio de Psiquiatria. Guanabara Koogan, 2017. Dalgalarrondo, P. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. Artmed, 2019. Knapp, P. Transtornos do Humor e Ansiedade. Artmed, 2015. Yalom, I. D. Psicoterapia Existencial. Martins Fontes, 2008. Horwitz, A. V. The Loss of Sadness. Oxford University Press, 2007.