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Climaterio e menopausa
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Ginecologia Universidade Federal de Mato GrossoUniversidade Federal de Mato Grosso

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## Resumo sobre Climatério e MenopausaO climatério e a menopausa são fases importantes na vida da mulher, marcando a transição do período reprodutivo para a senilidade. A menopausa é definida como a última menstruação, caracterizando a falência ovariana, e seu diagnóstico é retrospectivo, confirmado após 12 meses consecutivos de amenorreia. Pode ocorrer precocemente, antes dos 40 anos, ou tardiamente, após os 55 anos. Já o climatério compreende a fase de transição entre o menacme (período fértil) e a senilidade, geralmente entre 45 e 60 anos, e é caracterizado por diversas alterações fisiológicas, hormonais e clínicas.### Transição Menopausal e Alterações HormonaisA transição para a menopausa inicia-se cerca de 10 a 15 anos antes da última menstruação, com uma aceleração da perda folicular ovariana. Isso ocorre devido ao aumento discreto do hormônio folículo-estimulante (FSH) pela hipófise e à redução da inibina B produzida pelos ovários, que normalmente exerce feedback negativo sobre o FSH. A diminuição do número e da qualidade dos ovócitos provoca um aumento progressivo do FSH, que tenta estimular folículos cada vez mais resistentes, resultando em ciclos menstruais irregulares e mais longos até a cessação definitiva da ovulação e da menstruação. A falência ovariana primária precoce pode ser causada por fatores como radiação, cirurgias, quimioterapia, genética e tabagismo.No climatério, os ovários sofrem atrofia da camada cortical e dos vasos sanguíneos, com hipertrofia do estroma em resposta ao estímulo das gonadotrofinas. Isso leva à diminuição do volume ovariano, visível em ultrassonografia, e a uma maior produção de androgênios (testosterona e androstenediona) pelas adrenais e ovários, que são convertidos perifericamente em estrona, o principal estrogênio da menopausa. A dosagem sérica de FSH pode estar aumentada até 14 vezes em relação à fase fértil, e a de LH até 3 vezes, refletindo o feedback negativo da falência ovariana.### Alterações Clínicas e SintomasAs alterações endometriais acompanham as mudanças hormonais: inicialmente, o estrogênio provoca efeito proliferativo, encurtando os ciclos e aumentando o sangramento; posteriormente, com ciclos anovulatórios e espaçados, há risco aumentado de hiperplasia endometrial devido à ausência de progesterona. Após a menopausa, o endométrio torna-se atrófico por hipoestrogenismo.Os sintomas vasomotores, como fogachos, são causados pela redução do estradiol que altera o centro hipotalâmico de controle da temperatura. Esses episódios duram de 1 a 5 minutos, são mais frequentes à noite e caracterizam-se por sudorese, rubor e sensação de calor que se inicia no tronco e pode se espalhar para tórax, face e membros. Os sintomas urogenitais decorrem da atrofia da mucosa vulvovaginal, levando a dispareunia, disúria, urgência miccional, alteração da flora vaginal e aumento do pH, além da perda dos mecanismos de continência urinária.Além disso, há sintomas neurológicos (calafrios, palpitações, cefaleia, tontura, insônia, fadiga, perda de memória), psicogênicos (alterações de humor, irritabilidade, depressão, dificuldade de concentração) e metabólicos, como osteopenia, osteoporose, diminuição da massa muscular, aumento do tecido adiposo e maior risco cardiovascular e cerebrovascular.### Diagnóstico e Avaliação LaboratorialO diagnóstico do climatério é essencialmente clínico, baseado na história e sintomas. A dosagem de FSH pode auxiliar, especialmente se estiver acima de 35 UI/L. Exames complementares são indicados para descartar outras causas e avaliar comorbidades, incluindo hemograma, perfil tireoidiano, perfil lipídico, glicêmico, cálcio, vitamina D, PTH, enzimas hepáticas, exames urinários, sangue oculto nas fezes e rastreamento oncológico (mamografia, colonoscopia, colpocitologia).As alterações hormonais típicas incluem queda significativa do estradiol (de 40-400 pg/ml para 10-20 pg/ml) e aumento do FSH (>40 UI/L), além de redução da progesterona e variações nos níveis de testosterona e androstenediona.### Terapia Hormonal e Não HormonalA terapia hormonal (TH) é indicada para mulheres com sintomas vasomotores que comprometem a qualidade de vida, atrofia genital e prevenção ou tratamento da osteoporose em casos selecionados. A janela de oportunidade para iniciar a TH é preferencialmente antes dos 60 anos e até 10 anos após a menopausa, para minimizar riscos cardiovasculares. A TH combinada (estrogênio + progestogênio) é usada em mulheres com útero para proteção endometrial, enquanto o estrogênio isolado é indicado para mulheres histerectomizadas.Os benefícios da TH incluem redução do acúmulo de gordura corporal, diminuição do risco de diabetes tipo 2, redução do risco cardiovascular e menor incidência de câncer colorretal e endometrial. Contudo, há riscos associados, como aumento do câncer de mama com TH combinada, maior risco de trombose com uso oral e risco cardiovascular aumentado fora da janela de oportunidade. Contraindicações incluem doenças hepáticas descompensadas, câncer de mama ou endométrio, sangramento vaginal de causa desconhecida, doenças trombóticas, lúpus eritematoso sistêmico e meningioma (para progestágenos).Além da TH, a tibolona, um esteroide sintético com propriedades estrogênicas, progestagênicas e androgênicas, pode ser usada para aliviar sintomas vasomotores, atrofia vulvovaginal e perda óssea, além de melhorar a libido e o humor. No entanto, é contraindicada em pacientes com câncer de mama.Para pacientes com contraindicações à terapia hormonal, existem opções não hormonais, como antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) e noradrenalina (ISRSN), que reduzem os fogachos. É importante considerar interações medicamentosas, especialmente em pacientes com câncer de mama que utilizam tamoxifeno, evitando ISRS fortes inibidores do CYP450, optando por alternativas como venlafaxina, desvenlafaxina ou gabapentina.---### Destaques- Menopausa é a última menstruação, diagnosticada após 12 meses de amenorreia; climatério é a fase de transição entre menacme e senilidade.- A transição menopausal envolve aumento do FSH, redução da inibina B, depleção folicular e queda do estradiol, levando a ciclos irregulares e amenorreia.- Sintomas vasomotores, urogenitais, neurológicos, psicogênicos e metabólicos são comuns no climatério e menopausa.- Diagnóstico é clínico, com suporte laboratorial para exclusão de outras causas e avaliação de comorbidades.- Terapia hormonal é eficaz para sintomas e prevenção de osteoporose, mas deve ser usada com cautela, respeitando contraindicações e janela de oportunidade; terapias não hormonais são alternativas para casos específicos.

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