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TUMORES ANEXIAIS E CÂNCER DE OVÁRIO P R O F . C A R L O S E D U A R D O Estratégia MED 2Prof. Carlos Eduardo | Tumores anexiais e câncer de ovárioGINECOLOGIA PROF. CARLOS EDUARDO APRESENTAÇÃO: Caro colega, Meu nome é Carlos Eduardo e sou um dos professores de ginecologia do time Estratégia. Apesar de hoje estar do outro lado, não se engane, também já estive em seu lugar, nesse momento de tanta ansiedade e indefinição. Fui aluno da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e prestei prova de Residência para Ginecologia e Obstetrícia ao final de meu sexto ano de graduação. Lembro-me de como era difícil organizar os estudos sem um cronograma e sem um material focado nas provas. Era obrigado a recorrer a resumos de colegas e aos livros médicos, que muitas vezes não eram muito práticos. Apesar da dificuldade, fui aprovado na Residência Médica que tanto almejava no Hospital das Clínicas da FMUSP. Fui Médico Preceptor da Clínica Obstétrica do HCFMUSP, sendo responsável por cuidar da organização didática dos estágios de internato do quinto e sexto anos médicos e também das atividades acadêmicas dos Residentes do programa de Obstetrícia e Ginecologia da mesma instituição. Também tenho pós graduação em Preceptoria e Docência Médica pelo Instituto Albert Einstein de Ensino e Pesquisa. A partir de minha experiência pessoal e profissional, associada ao contato diário com candidatos e recém-aprovados na prova de Residência, posso dizer que estudar com um material focado nas provas é a melhor maneira de alcançar uma boa preparação. Uma boa base teórica mesclada com exercícios que sedimentam o conteúdo facilita muito o aprendizado. Aproveite este material desenvolvido com muito cuidado pela nossa equipe de professores. Seu empenho associado às ferramentas que estamos disponibilizando será o caminho mais seguro rumo à tão sonhada vaga de Residência. Um grande abraço e bons estudos! @estrategiameddr.carlosmartins @estrategiamed /estrategiamed Estratégia MED t.me/estrategiamed https://www.tiktok.com/@estrategiamed https://www.instagram.com/dr.carlosmartins/ https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw?app=desktop https://t.me/estrategiamed https://t.me/estrategiamed Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 3 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário SUMÁRIO 1.0 INTRODUÇÃO 5 2.0 TUMORES ANEXIAIS 6 2.1 ETIOLOGIA 6 2.1.1 PRÉ-PÚBERES 9 2.1.2 IDADE REPRODUTIVA 9 2.1.3 GESTAÇÃO 9 2.1.4 PÓS-MENOPAUSA 11 2.1.5 PRINCIPAIS TUMORES OVARIANOS BENIGNOS 12 2.2 DIAGNÓSTICO 24 2.2.1 QUADRO CLÍNICO 24 2.2.2 EXAME FÍSICO 24 2.2.3 EXAMES LABORATORIAIS 24 2.2.4 EXAMES DE IMAGEM 27 2.3 TRATAMENTO 30 2.3.1 PRÉ-PÚBERE 30 2.3.2 IDADE REPRODUTIVA 30 2.3.3 PÓS-MENOPAUSA 32 3.0 CÂNCER DE OVÁRIO 34 3.1 INTRODUÇÃO 34 3.2 ETIOPATOGENIA 35 3.3 FATORES DE RISCO 35 3.3.1 ANTECEDENTE FAMILIAR 36 3.3.2 MUTAÇÕES GENÉTICAS 36 3.3.3 IDADE 39 3.3.4 MENARCA PRECOCE E MENOPAUSA TARDIA 39 3.3.5 NULIPARIDADE 39 3.3.6 RAÇA BRANCA 39 3.3.7 FATORES AMBIENTAIS 39 Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 4 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário 3.3.8 INDUÇÃO DA OVULAÇÃO 40 3.3.9 ENDOMETRIOSE 40 3.4 FATORES DE PROTEÇÃO 40 3.4.1 USO DE ANTICONCEPCIONAL 40 3.4.2 GRAVIDEZ E AMAMENTAÇÃO 40 3.4.3 LAQUEADURA E HISTERECTOMIA 40 3.5 CLASSIFICAÇÃO HISTOLÓGICA 41 3.5.1 TUMORES EPITELIAIS 42 3.5.2 TUMORES DE CÉLULAS GERMINATIVAS 45 3.5.3 TUMORES ESTROMAIS DO CORDÃO SEXUAL (TECS) 49 3.5.4 TUMORES METASTÁTICOS 50 3.6 PADRÕES DE DISSEMINAÇÃO 50 3.7 ESTADIAMENTO 51 3.8 TRATAMENTO 53 3.8.1 CIRURGIA DE ESTADIAMENTO OU FUNDAMENTAL 53 3.8.2 CITORREDUÇÃO PRIMÁRIA 54 3.8.3 CIRURGIA COM PRESERVAÇÃO DE FERTILIDADE 55 3.8.4 CIRURGIA DE INTERVALO 55 3.8.5 TERAPIA ADJUVANTE 56 3.9 SEGUIMENTO 58 4.0 PREVENÇÃO E RASTREAMENTO 58 5.0 RESUMO 60 6.0 LISTA DE QUESTÕES 61 7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 62 8.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 62 Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 5 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário 1.0 INTRODUÇÃO A presença de tumores e massas anexiais é uma causa frequente de procura pelos serviços de saúde. A dificuldade para determinar o diagnóstico específico e, consequentemente, afastar a possibilidade de malignidade, torna esse assunto um desafio para os ginecologistas. Essa situação faz com que as provas de Residência abordem, de maneira frequente, tanto a investigação dos tumores anexiais quanto o manejo e a conduta nos casos de câncer de ovário. Em nosso processo de engenharia reversa, encontramos que as questões sobre esses assuntos ocupam lugar de destaque nas provas, estando entre os assuntos mais abordados, o que corresponde a quase 4% de todas as questões analisadas. A maioria das questões abordam a investigação dos tumores ovarianos, mas também existem muitas questões que abordam as neoplasias malignas do ovário. Ao analisarmos as questões sobre as neoplasias ginecológicas (excluindo a mama), vemos que os tumores ovarianos são muito cobrados. PLANEJAMENTO FAMILIAR RASTREAMENTO DO CÂNCER DE COLO UTERINO RASTREAMENTO DO CÂNCER DE MAMA DIP/CERVICITES SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL SÍNDROME DOS OVÁRIOS POLICÍSTICOS ENDOMETRIOSE TUMORES ANEXIAIS E CÂNCER DE OVÁRIO CÂNCER DE MAMA MIOMATOSE CÂNCER DE ENDOMÉTRIO/HIPERPLASIA ENDOMETRIAL INCONTINÊNCIA URINÁRIA INFERTILIDADE DOENÇAS BENIGNAS DA MAMA ÚLCERAS GENITAIS CICLO MENSTRUAL CÂNCER DE COLO UTERINO PROLAPSOS DE ÓRGÃOS PÉLVICOS ATENDIMENTO À VÍTIMA DE VIOLÊNCIA SEXUAL DOENÇAS DA VULVA E DA VAGINA SÍNDROME PRÉ-MENSTRUAL ABDOME AGUDO E GINECOLOGIA ANATOMIA DO TRATO GENITAL FEMININO EMBRIOLOGIA DO TRATO GENITAL FEMININO ADENOMIOSE PÓLIPOS UTERINOS DISMENORREIA SEXUALIDADE DOR PÉLVICA CRÔNICA FÍSTULAS GENITO-URINÁRIAS SÍNDROME DA BEXIGA DOLOROSA VULVOVAGINITES AMENORREIAS CLIMATÉRIO TEMAS EM GINECOLOGIA 0,00% 1,00% 2,00% 3,00% 4,00% 5,00% 6,00% 7,00% 8,00% 9,00% 10,00% CAPÍTULO Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 6 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário 33% 28% 39% Hiperplasia endometrial e câncer de endométrio Câncer de colo uterino Tumores Anexiais e câncer de ovário TUMORES GINECOLÓGICOS Eu sei que esse é um assunto bastante difícil, o que faz com que você que está se preparando para a prova, muitas vezes, deixe-o um pouco de lado. Mas, como já foi dito anteriormente, sua importância nas provas é grande; por esse motivo, tentarei, ao longo deste livro digital, fazer com que você consiga gravar as informações mais importantes para as provas, de uma maneira mais simples e lógica. E, então, vamos começar mais uma etapa no seu processo de aprovação para a tão sonhada vaga na prova de Residência? 2.0 TUMORES ANEXIAIS Os tumores anexiais são aqueles que se originam nas estruturas do anexo feminino: ovários, tubas uterinas e tecido conectivo adjacente. Com a evolução dos métodos diagnósticos por imagem e com o uso rotineiro da ultrassonografia, pelos ginecologistas, uma grande quantidade de lesões assintomáticas passou a ser diagnosticada. Estima-se que a prevalência de massas anexiais, ao realizar-se um exame ultrassonográfico em mulheres entre 25 e 40 anos, esteja ao redor de 8%. Um grande desafio para a investigação dessas lesões é que as biópsias não costumam ser uma etapa propedêutica recomendada pela literatura, devido aos riscos de disseminação de células neoplásicas durante o procedimento, caso exista malignidade. Por esse motivo, houve a necessidade do desenvolvimento de critérios preditores de malignidade nos achados dos exames de imagem. A suspeição clínica de malignidade deve ser feita por meio da história clínica, doPARA CÂNCER DE OVÁRIO • Obesidade; • Uso de talco no trato genital; • Tabagismo - risco aumentado para câncer de ovário do tipo mucinoso; • Uso de anti-inflamatórios; • Tratamento para infertilidade; • Exposição ao asbesto. 3.3.1 ANTECEDENTE FAMILIAR É o principal fator de risco para o desenvolvimento de câncer de ovário. Em apenas 5 a 10% dos casos encontra-se alguma predisposição genética. Quando há antecedente familiar em parente de primeiro grau, o risco de câncer de ovário é três vezes maior do que na população normal. Os riscos aumentam, quanto mais parentes forem acometidas. A identificação de pacientes de alto risco para câncer de ovário e mama é a principal forma de prevenção, já que não há rastreamento universal. 3.3.2 MUTAÇÕES GENÉTICAS As provas de Residência gostam de abordar esse tema. Algumas provas cobram detalhes sobre as mutações e os riscos associados a elas. É importante lembrarmos que há uma associação entre câncer de mama e de ovário com a principal mutação genética abordada pelas provas, a dos genes BRCA. Antes de falar, propriamente, sobre cada uma das alterações, trazemos uma tabela do NCCN (National Comprehensive Cancer Network) com as indicações para testagem genética pelo risco de câncer hereditário da mama e do ovário: Os principais fatores de risco são o histórico familiar de câncer de ovário e a exposição a ciclos ovulatórios. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 42 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário NCCN – Critérios para testagem genética 2020 História pessoal de câncer de mama Idade ≤ 45a Todos os indivíduos Idade entre 46 e 50a Histórico familiar desconhecido Segundo caso de câncer de mama diagnosticado em qualquer idade ≥ 1 parente com câncer de mama em qualquer idade ≥ 1 parente com câncer de ovário, pâncreas ou próstata (Gleason ≥ 7 ou intraductal) em qualquer idade Idade ≤ 60a Câncer de mama triplo-negativo Qualquer idade Câncer de mama masculino ≥ 1 parente com câncer de mama com: - câncer de mamaassociado à gênese do câncer de ovário, há um aumento do risco nessas pacientes. 3.3.5 NULIPARIDADE A gestação está associada a um período longo de anovulação. Por esse motivo, mulheres que não gestaram apresentam maior número de ciclos ovulatórios, com um risco duas vezes maior de câncer de ovário do que a população geral. Nas mulheres nulíparas por infertilidade, parece que o risco é ainda maior devido a fatores intrínsecos do próprio epitélio ovariano dessas mulheres. 3.3.6 RAÇA BRANCA Não se sabe a explicação exata, mas mulheres brancas têm maior risco de desenvolverem câncer de ovário. Quando comparadas às hispânicas e negras, há um aumento de 30 a 40% de risco. 3.3.7 FATORES AMBIENTAIS Mulheres que vivem em regiões mais industrializadas apresentam maior risco de câncer de ovário. Apesar de não haver comprovação científica, especula-se que o asbesto seja a substância envolvida nesse processo. Outra substância que parece estar associada ao aumento de risco é o carbonato de cálcio (talco) utilizado na região genital, porém também sem comprovação pela literatura. 3.3.8 INDUÇÃO DA OVULAÇÃO As medicações empregadas no tratamento da infertilidade para induzir a ovulação, como as gonadotrofinas e o clomifeno, promovem um estresse maior sob o epitélio ovariano, aumentando o risco de câncer de ovário. Entretanto,essa relação não é algo tão bem estabelecido pelos estudos existentes. Alguns autores consideram que a infertilidade isoladamente também possa ser um fator de risco, independente dos tratamentos. 3.3.9 ENDOMETRIOSE Os endometriomas ovarianos têm um baixo potencial de malignização e, quando isso ocorre, estão associados aos tumores de células claras ou endometrioides dos ovários. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 46 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário 3.4 FATORES DE PROTEÇÃO Como já foi explicado, a patogênese do câncer de ovário está associada a um maior número de ciclos ovulatórios, que causam um estresse ao epitélio ovariano. Por esse motivo, fatores associados a períodos de anovulação conferem proteção às mulheres. FATORES DE PROTEÇÃO PARA CÂNCER DE OVÁRIO • Uso de anticoncepcional • Gravidez e amamentação • Laqueadura e Histerectomia 3.4.1 USO DE ANTICONCEPCIONAL Grande parte dos anticoncepcionais hormonais promovem anovulação, conferindo um grau de proteção contra o câncer de ovário. Estima-se que a redução do risco seja de cerca de 50% e que a proteção perdure por, até, 25 anos após o uso da última dose. 3.4.2 GRAVIDEZ E AMAMENTAÇÃO A gestação está associada à redução nos riscos de câncer de ovário. O efeito protetor aumenta a cada gestação, atingindo um máximo na quinta gestação. Além do efeito anovulatório, especula-se que a gestação poderia promover a descamação de células pré-malignas dos ovários. As gestações antes dos 25 anos estão associadas a uma diminuição ainda maior dos riscos, assim como no câncer de mama. Já a amamentação, por possibilitar maior tempo de anovulação, também está associada a uma redução dos riscos. 3.4.3 LAQUEADURA E HISTERECTOMIA Como foi explicado anteriormente, uma das teorias sobre a carcinogênese ovariana é que as tubas uterinas estariam envolvidas nesse processo. Procedimentos cirúrgicos que diminuem a comunicação entre os ovários e outros órgãos poderiam reduzir o risco. Vale lembrar que a realização de salpingectomia é recomendada, quando há a realização de histerectomias, a fim de minimizar o processo de carcinogênese. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 47 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário CAI NA PROVA (SP - FACULDADE DE MEDICINA DE MARÍLIA - FAMEMA - 2022) As massas pélvicas representam um dos maiores desafios para o ginecologista, pois necessitam do diagnóstico mais precoce possível, visando à exclusão de neoplasias malignas, bem como à correta identificação das diversas apresentações de tumores ginecológicos. A) Com relação às neoplasias de ovário, assinale a alternativa correta.Na maioria dos casos, a doença cursa de forma polissintomática, sendo o diagnóstico precoce. B) Menarca tardia e menopausa precoce são fatores de risco que devem ser considerados. C) Apenas 10% dos cânceres de ovário são esporádicos. D) O uso de contraceptivos hormonais exerce um papel protetor bem definido. COMENTÁRIOS: Incorreta a alternativa A, como já foi explicado, um dos maiores desafios no câncer de ovário é realizar o diagnóstico precoce. Incorreta a alternativa B, pois a menarca precoce e a menopausa tardia são fatores de risco. Incorreta a alternativa C, pois apenas 5 a 10% dos cânceres são hereditários (associados a mutações genéticas), os demais são esporádicos. Cerca de 90% das neoplasias malignas ovarianas têm origem no epitélio; já as que têm origem nas células germinativas correspondem a pouco mais de 5% dos casos e as do estroma do cordão sexual apresentam uma pequena proporção dos tumores. As provas de Residência costumam abordar essas diferentes origens histológicas. Os fatores de proteção estão associados a situações que deixem a mulher em anovulação. Correta a alternativa D pois conforme foi explicado, os anticoncepcionais promovem anovulação e são um fator de proteção. 3.5 CLASSIFICAÇÃO HISTOLÓGICA A classificação dos tumores malignos do ovário baseia-se na origem embrionária das células. Os tumores não metastáticos do ovário podem ser divididos em epiteliais, de células germinativas e do estroma dos cordões sexuais, conforme explicamos anteriormente. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 48 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário 3.5.1 TUMORES EPITELIAIS Cerca de 90% dos tumores malignos do ovário são de origem epitelial. As neoplasias ovarianas epiteliais são divididas de acordo com o tipo celular que as origina: seroso (30 a 70% dos casos), mucinoso (5 a 20% dos casos), endometrioide (10 a 20% dos casos), células claras (3 a 10% dos casos) e indiferenciados (1% dos casos). A investigação, estadiamento e tratamento desses tumores serão abordados mais adiante e com detalhes. • Serosos A maior parte das neoplasias malignas epiteliais são de origem serosa. As células que formam esses tumores assemelham-se ao epitélio das tubas uterinas, que secretam conteúdo seroso. O carcinoma seroso do ovário pode ser dividido em dois tipos diferentes. Os de baixo grau ou bem diferenciados, apresentam associação com áreas de tumor borderline e benigno, com evolução lenta e melhor prognóstico. Já os de alto grau apresentam mais características de proliferação celular maligna, com maior componente glandular e papilar, e são diagnosticados em estádios mais avançados e com pior prognóstico. A diferenciação entre tumores serosos benignos, borderline ou malignos somente pode ser dada através do exame histopatológico obtido com amostra cirúrgica. CAI NA PROVA (SP - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - UNESP - 2024) Mulher de 62 anos apresenta dor no baixo ventre e aumento progressivo do volume abdominal há vários meses. Após investigação foi submetida à histerectomia, cujas características macroscópicas, indicadas na imagem a seguir, favorecem o diagnóstico de A) endometriose bilateral com múltiplas lesões cicatriciais. B) doença inflamatória pélvica com comprometimento tubo-ovariano bilateral. C) (tumor de Krukenberg. D) adenocarcinoma do ovário com comprometimento bilateral. COMENTÁRIOS: A imagem apresenta um tumor bilateral do ovário com a presença de múltiplas projeções papilares. Para resolver essa questão, você apenas tinha que identificar que se tratava de uma lesão ovariana bilateral e lembrar da epidemiologia das lesões ovarianas. Vamos às alternativas. Incorreta a alternativa A, pois nem a idade da paciente e nem a imagem são compatíveis com endometriose. Incorreta a alternativa B, pois um abscesso tubo-ovariano não se manifesta de forma insidiosa e, sim, aguda. Incorreta a alternativa C, pois apesar dos tumoresde Krukenberg se manifestarem como metástases ovarianas bilaterais, são uma entidade rara. Além disso, o aspecto dos tumores de Krukenberg é semelhantes ao dos tumores mucinosos do ovário, sem projeções papilíferas, uma vez que a origem mais comum é o trato gastrintestinal. Correta a alternativa D pois o adenocarcinoma seroso do ovário é o responsável pela maior parte das neoplasias ovarianas malignas e pode ser bilateral em até 25 % dos casos. Lembre-se que bilateralidade é critério sugestivo de malignidade. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 49 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário • Mucinosos Os tumores de origem mucinosa correspondem à minoria dos casos das neoplasias epiteliais. Os tumores mucinosos bem diferenciados assemelham-se aos adenocarcinomas secretores de mucina de intestino, do piloro gástrico ou de origem endocervical. Essa semelhança torna difícil a diferenciação entre um tumor primário do ovário e um tumor metastático de outro órgão. Em geral, eles são bem diferenciados e diagnosticados em estádios iniciais. Esses tumores podem atingir grandes dimensões. Em alguns casos, a grande quantidade de material mucoide secretada pode gerar rotura da cápsula do tumor, podendo espalhar-se pela cavidade peritoneal, formando uma estrutura circundada por tecido fibrótico, chamada de pseudomixoma. Esse achado está associado a piores prognósticos e, geralmente, a tumores primários de outro sítio que metastatizaram para o ovário. O pseudomixoma também pode se formar com a ruptura dos cistoadenomas, que são tumores benignos. CAI NA PROVA (SP - FACULDADE DE MEDICINA DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - FAMERP - 2022) Paciente internada com quadro de dor e distensão abdominal. Refere que os sintomas começaram há 6 meses, após ter sido submetida à exérese de um cisto roto no ovário direito. Após realização de exames complementares, que não foram elucidativos, a paciente é submetida a uma laparotomia exploradora com achado de pseudomixoma peritoneal e apêndice cecal normal. Podemos afirmar que, provavelmente, a paciente teve há 6 meses um: A) Teratoma ovariano roto. B) Cisto de corpo lúteo roto. C) Cistoadenoma mucinoso do ovário. D) Cistoadenocarcinoma seroso do ovário. COMENTÁRIOS: A questão é bem direta e exige que você correlacione o pseudomixoma aos tumores mucionosos. Por esse motivo a alternativa correta é a letra “d”. • Endometrioide É o segundo subtipo de câncer epitelial de ovário mais comum. Há uma correlação em até 20% dos casos com endometriose, apesar do baixo potencial de malignização dos focos endometrióticos. São pouco distinguíveis com relação aos tumores serosos. Em 15 a 20% dos casos, podem coexistir com adenocarcinoma de endométrio. • Células claras São tumores epiteliais mais raros e são os mais frequentemente associados à endometriose. Apresentam aspecto semelhante aos tumores de células claras do endométrio, vagina e colo uterino. Esse tipo de tumor é o mais agressivo dos tumores epiteliais, quando diagnosticado em fases mais avançadas, porém a maior parte está restrita ao ovário. Histologicamente, a célula típica é “em cabeça de prego” ou em “anel de sinete”. Correta a alternativa D Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 50 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário (SP - MG - SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE BELO HORIZONTE - SCMBH - 2024) O câncer de ovário tem associação com uso de anticoncepcional, gravidez e até susceptibilidade hereditária. É um tumor complexo, sendo mais incidentes os epiteliais e com grande repercussão na saúde da paciente acometida. Sobre este tumor, é INCORRETO afirmar que: A) Os tumores epiteliais acometem mais as pacientes após 50 anos, sendo a porcentagem de malignidade maior após a menopausa. B) Os tumores epiteliais serosos são os mais comuns e se assemelham às células secretoras tubárias. C) Os tumores mucinosos são os epiteliais de maior potencial maligno e com frequência invadem a mucosa das alças intestinais. D) A maioria dos canceres hereditários está associada a mutação no gene BRCA1 e uma pequena parcela mais associada a mutações germinativas ao BRCA2. COMENTÁRIOS: Correta a alternativa A, pois a neoplasia é mais frequente na sexta e sétima décadas de vida. O risco rela cionado com a idade está associado ao acúmulo de mutações aleatórias com o passar do tempo. Correta a alternativa B, pois cerca de 90% dos tumores malignos do ovário são de origem epitelial e desses cerca de 30 a 70% são de origem serosa. Incorreta a alternativa C pois os tumores mucinosos não são os que têm maior potencial maligno e a disseminação dos tumores ovarianos não costuma se dar com invasão de estruturas adjacentes e sim com implantes superficiais. Correta a alternativa D, pois o risco de desenvolver o câncer de ovário, considerando uma expectativa de vida de 80 anos, é de 44 % para mutações do BRCA1 e 17 % para portadoras de mutações de BRCA 2. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 51 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário 3.5.2 TUMORES DE CÉLULAS GERMINATIVAS Os tumores de células germinativas correspondem a quase um terço dos tumores ovarianos, porém a pouco mais de 5% dos tumores malignos. O teratoma cístico maduro corresponde a cerca de 95% de todos os tumores de células germinativas e é, histologicamente, benigno. Uma característica peculiar dos tumores de células germinativas é a idade de aparecimento, que costuma ser na adolescência ou até a segunda década de vida. O diagnóstico desses tumores, geralmente, é feito pelo aumento de volume abdominal nas pacientes, associado à dor abdominal. Podem ocorrer complicações, como torção ou ruptura. O tipo histológico maligno mais comum é o disgerminoma, seguido pelo teratoma imaturo e pelo tumor de seio endodérmico. Nesses tumores, pode haver aumento de alguns marcadores, como gonadotrofina coriônica humana (HCG), desidrogenase lática (DHL) e alfatetoproteína (AFP). O tratamento é, primordialmente, cirúrgico, porém, em estádios mais avançados, pode ser empregada quimioterapia. A radiação vem sendo substituída pela quimioterapia, pois esta causa menor impacto na fertilidade das pacientes; esse é um ponto fundamental, devido à faixa etária mais acometida por esses tumores. CAI NA PTOVA (SP - UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - USP Ribeirão- 2022) Menina, 14 anos, menarca há 2 anos, apresentando ciclos menstruais normais, queixa-se de aumento do volume abdominal há 2 meses. Ao exame clínico abdominal identifica-se uma massa estendendo-se da pelve à cicatriz umbilical. A ultrassonografia confirma a presença de uma massa predominantemente sólida ocupando a pelve, não há ascite ou alterações em abdome superior. As dosagens de marcadores tumorais mostram CA 125 com valor normal e alfafetoproteína com valor elevado. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável? A) Endometrioma ovariano. B) Leiomioma uterino. C) Tumor de células germinativas do ovário. D) Tumor epitelial maligno do ovário. COMENTÁRIOS: Incorreta a alternativa A, pois o endometrioma está associado a quadros de dor pélvica crônica e não costuma chegar a dimensões tão significativas. Além disso, o seu aspecto ultrassonográfico é de um padrão em vidro-fosco. Incorreta a alternativa B, pois um leiomioma não estaria associado à elevação de alfa-fetoproteína Correta a alternativa C, pois os tumores de células germinativas predominam em pacientes jovens, podem ganhar grandes dimensões e podem elevar alfa-fetoproteína. Incorreta a alternativa D, pois os tumores epiteliais malignos não são frequentes nessa faixa etária e o marcador mais associado a esses quadros é o CA-125. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 52 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário • Disgerminoma O disgerminoma é o tumor maligno de células germinativas mais frequente, correspondendo a 30% dos casos. É um tumor, geralmente, unilateral e de crescimentorápido, manifestando-se com aumento do volume abdominal e dor pélvica. Em 15 a 20% dos casos, pode ocorrer apresentação bilateral. Uma temática que pode aparecer nas provas de Residência é a correlação desse tumor com casos de disgenesia gonadal pura ou mista (esse tema será mais detalhado no livro digital sobre amenorreias). Em 5% dos disgerminomas descobertos, há associação com essas síndromes e, em todos esses casos, deve ser realizado o cariótipo. Se o indivíduo tiver cariótipo 46 XX, as gônadas disgenéticas devem ser extirpadas, mesmo que não haja tumor, devido ao risco de desenvolvimento de tumores. O gonadoblastoma, como já foi citado anteriormente, é um tumor benigno de ovário que pode aparecer nesses casos e, pelo risco de malignização desse gonadoblastoma, as gônadas também devem ser retiradas. O diagnóstico costuma ser feito em estádios iniciais, com o tumor restrito ao ovário. Por esse motivo, o tratamento, em geral, baseia-se na retirada do ovário acometido e no estadiamento adequado (utiliza-se o mesmo dos tumores epiteliais, que será abordado mais adiante). Como os tumores predominam em pacientes jovens, sempre que possível, deve-se optar por tratamento com preservação do ovário contralateral. Pode ser realizada quimioterapia adjuvante a fim de preservar a fertilidade, em vez de radioterapia, como era preconizado no passado. A chance de recorrência na gônada remanescente é de 5 a 10%, nos dois anos subsequentes. CAI NA PROVA (PR - HOSPITAL ANGELINA CARON - HAC PR - 2024) Uma crianç(a de 11 anos é submetida a laparotomia exploradora após a ressonância do abdome evidenciar uma massa pélvica volumosa, sólida, de provável origem ovariana, do lado esquerdo A biópsia por congelamento diagnosticou disgerminoma. Qual a melhor conduta? A) Histerectomia e anexectomia bilateral B) Anexectomia esquerda e linfadectomia pélvica e para-aórtica C) Anexectomia esquerda e biópsia do ovário direito D) Suspensão da cirurgia e indicação de quimioterapia neoadjuvante E) Anexectomia bilateral COMENTÁRIOS: Incorreta a alternativa A, pois estamos diante de uma paciente jovem e com um tumor com bom prognóstico associado ao tratamento conservador com preservação de fertilidade. Correta a alternativa B , pois a cirurgia conservadora é a principal conduta nesses casos, mesmo em casos mais avançados, uma vez que há boa resposta das pacientes com o tratamento quimioterápico.. A linfadenectomia pélvica e paraaórtica devem ser realizadas quando a doença está restrita ao ovário, a fim de avaliar a presença de doença sistêmica e a necessidade de quimioterapia. Incorreta a alternativa C, pois não há recomendação de biópsia do ovário contralateral se não houver evidência de doença macroscópica. Incorreta a alternativa D, pois deve ser realizada a salpingooforectomia do anexo acometido e um inventário detalhado da cavidade, removendo possíveis implantes e realizando a avaliação linfonodal. O tratamento quimioterápico deve ocorrer de forma adjuvante nesses casos. Incorreta a alternativa E, pois a cirurgia conservadora é a preconizada nestes casos. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 53 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário (RJ - CENTRO UNIVERSITÁRIO SERRA DOS ÓRGÃOS - UNIFESO - 2024) Entre os tumores malignos de células germinativas de ovário, qual é o mais comum em crianças e adolescentes? A) Teratoma Imaturo B) Tumor de Células Germinativas Misto C) Gonadoblastoma D) Tecomas E) Disgerminoma COMENTÁRIOS: Incorreta a alternativa A, pois o teratoma imaturo é um tumor raro tanto na vida adulta quanto na infância. Incorreta a alternativa B, pois otumor de células germinativas misto é formado por 2 ou mais componentes celulares malignos e não é comum nessa faixa etária. Incorreta a alternativa C, pois apesar de ser um tumor que pode aparecer nessa faixa etária não é o mais comum. Além disso, é um tumor benigno, que pode se malignizar. Incorreta a alternativa D, pois os tecomas não são frequentes na infância Correta a alternativa E pois o disgerminoma é o tumor maligno mais comum nessa faixa etária. • Teratoma imaturo A presença de questões sobre teratoma imaturo é muito rara, nas provas de Residência. Encontramos apenas uma questão em nossa análise e o tema central era o teratoma cístico maduro, que é um tumor benigno. O teratoma imaturo era apenas citado nas alternativas. Por esse motivo, vamos trazer um breve resumo sobre esse tumor. É o segundo tipo mais comum de tumor maligno de células germinativas. Deriva-se dos três diferentes folhetos embrionários, como o teratoma maduro, porém diferencia-se pelo fato de apresentar tecido embrionário em seu interior, por isso o nome imaturo. Ele corresponde a menos de 5% de todos os teratomas. Não costuma apresentar marcadores positivos. O tratamento padrão-ouro para esses tumores é a salpingooforectomia unilateral. Quase três quartos dos teratomas imaturos são diagnosticados no estádio I, com taxa de sobrevida de 98%, em cinco anos. (SP - INSTITUTO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA AO SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL - IAMSPE - 2017) Paciente de 33 anos foi submetida à videolaparoscopia por tumor de ovário esquerdo, que não regrediu com o tratamento clínico instituído. O resultado do exame anatomopatológico foi de teratoma maduro do ovário esquerdo. Ao tentar se informar a respeito desse resultado na internet, verificou que existe o teratoma maligno e ficou preocupada. A esse respeito, é CORRETO afirmar que: A) O teratoma maligno é o imaturo e corresponde a 1% do total de teratomas. B) Por se tratar de tumor epitelial do ovário, o teratoma de ovário tem alta recidiva, mas é benigno. C) A associação com endometriose pélvica é elevada, cerca de 30%. D) Deve-se fazer radioterapia complementar no ovário contralateral e orientar a engravidar logo. E) Caracterização de maduro e imaturo não existe, e, em 25% dos casos, os teratomas são malignos. CAI NA PROVA Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 54 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário COMENTÁRIOS: Correta a alternativa A: os teratomas podem ser classificados em maduros (benignos) e imaturos (malignos). Estes últimos representam 1-5 % do total dos teratomas. Incorreta a alternativa B: os teratomas são tumores de células germinativas. Incorreta a alternativa C: não há associação de endometriose pélvica com teratomas ovarianos. Incorreta a alternativa D: o anatomopatológico foi de teratoma maduro (benigno), portanto não há necessidade de radioterapia complementar no ovário contralateral. Incorreta a alternativa E: apenas 1-5% dos teratomas ovarianos são imaturos (malignos). • Outros tipos de tumor de células germinativas Em nossa análise, não foram encontradas questões de prova sobre coriocarcinoma não gestacional, carcinoma embrionário e tumor de seio endodérmico. Todos os tumores de células germinativas malignos são raros e esses subtipos mais ainda. Por esse motivo, optamos por não abordar essas neoplasias, a fim de não prejudicar seus estudos. 3.5.3 TUMORES ESTROMAIS DO CORDÃO SEXUAL (TECS) Os TECs são tumores raros, que se originam do mesênquima ovariano e têm capacidade de diferenciar-se em células femininas (teca e granulosa) e masculinas (Sertoli e Leydig). Cerca de 90% dos tumores ovarianos produtores de hormônio são TECs, podendo estar associados ao hiperandrogenismo ou ao hiperestrogenismo. Apesar de ser um tema raro nas provas de Residência, listaremos os tumores que apareceram em nossa revisão de questões, no processo de engenharia reversa. • Tumores de células da granulosa Esses tumores podem manifestar-se em qualquer faixa etária, tendo duas principais apresentações clínicas. Em ambas, o quadro clínico está associado à produção excessiva de estrogênio pelo tumor. Na forma juvenil, essa produção manifesta-se por meio de puberdade precoce, que será abordada com detalhes no livro digital sobre puberdade. Nas mulheres adultas,esse tumor predomina no período pós-menopausa; nessa faixa etária, está associado a sangramento uterino anormal ou pós-menopausal e aumento do risco de câncer de endométrio e de mama, pela exposição estrogênica. Em geral, são grandes, unilaterais e com componente sólido. Os níveis de inibina estão elevados nesses tumores, podendo ser dosados para auxiliar no diagnóstico. Os tumores de célula da granulosa são diagnosticados, em sua maioria, em estágios iniciais e têm bom prognóstico. O tratamento costuma ser salpingooforectomia unilateral. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 55 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário • Tecomas Os tecomas ou fibrotecomas são tumores que, raramente, apresentam características malignas. Têm apresentação semelhante à dos fibromas. São tumores sólidos, geralmente, unilaterais e estão associados à produção de estrogênio, podendo manifestar-se com sangramento uterino anormal, hiperplasia endometrial e câncer de endométrio. O tratamento deve ser realizado com salpingooforectomia unilateral. • Tumores de Sertoli-Leydig São tumores muito raros, mas que já apareceram em provas de Residência. Sua principal característica é a produção androgênica, que pode levar à virilização em mulheres adultas; em crianças, pode levar à puberdade precoce heterossexual, isto é, com desenvolvimento de caracteres sexuais secundários não compatíveis com o cariótipo. A dosagem de testosterona e androstenediona pode auxiliar no diagnóstico. O tratamento é cirúrgico, com salpingooforectomia unilateral. (PR - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA - UEL - 2022) Uma menina, 6 anos de idade, apresenta aumento das mamas e crescimento de pelos pubianos associados a uma massa sólida pélvica em topografia de ovários à ultrassonografia transabdominal. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a hipótese diagnóstica mais provável. A) Disgerminoma. B) Teratoma cístico maduro. C) Teratoma imaturo. D) Tumor de células da granulosa. E) Tumor embrionário. CAI NA PROVA COMENTÁRIOS A presença de sinais de puberdade precoce em uma paciente com presença de tumor ovariano deve acender a possibilidade de um tumor do estroma do cordão sexual. Nesses casos, o tumor mais frequentemente associado é o de células da granulosa, como foi explicado na teoria acima. Portanto, a alternativa correta é a letra "d". Correta a alternativa D Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 56 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário 3.5.4 TUMORES METASTÁTICOS • Tumor de Krukenberg O único tumor metastático de ovário cobrado nas provas é o tumor de Krukenberg. É um tumor ovariano produtor de mucina e que, histologicamente, apresenta células em anel de sinete. O sítio primário desses tumores é, mais frequentemente, o estômago, porém intestino, mamas ou vias biliares podem também abrigar o tumor primário. O prognóstico, nesses casos, costuma ser ruim, pois o diagnóstico costuma ser feito pela metástase ovariana, quando o câncer já está disseminado. CAI NA PROVA (EXAME NACIONAL DE RESIDÊNCIA MÉDICA EBSERH (ENARE) - 2023) A presença de células “(em anel de sinete”, no exame de anatomopatológico, é um achado de qual dos seguintes tumores ovarianos? A) Tumor de Brenner. B) Tumor de Krukenberg. C) Teratoma imaturo do ovário. D) Tumor seroso. E) Disgerminoma. COMENTÁRIOS: Conforme descrito na teoria acima, a presença de células "em anel de sinete" em um tumor ovariano é indicativa de uma metástase de trato gastrintestinal. Portanto, a Correta a alternativa B 3.6 PADRÕES DE DISSEMINAÇÃO A forma predominante de disseminação dos tumores de ovário é a esfoliação ou via transcelômica. As células malignas são liberadas na cavidade peritoneal, quando o tumor rompe a cápsula ovariana. A partir desse processo, implantes neoplásicos podem fixar-se em qualquer região do abdome. Esse fato é uma característica diferente do tumor de ovário, pois suas metástases, em geral, não ocupam órgãos viscerais, podendo apresentar implantes superficiais. A disseminação linfática é outra forma de dispersão, porém mais tardia. A disseminação segue o infundíbulo pélvico até atingir os linfonodos para-aórticos. As células tumorais também podem disseminar-se pelo ligamento largo até atingir os linfonodos pélvicos. Raramente, há disseminação para linfonodos inguinais pelo ligamento redondo (dê uma olhada no livro digital sobre anatomia e embriologia do trato genital feminino para recordar essas estruturas anatômicas). O crescimento do tumor pode promover a disseminação das células cancerígenas por extensão direta, envolvendo o peritônio e os órgãos adjacentes. Nos estágios mais avançados, pode ocorrer ascite por obstrução de vasos linfáticos. Diferentemente de outros tumores, a disseminação hematogênica é rara e as metástases à distância ocorrem, principalmente, nas recidivas e acometem pulmão, cérebro, fígado e rins. As provas de Residência não costumam cobrar o padrão de disseminação, porém o conhecimento sobre isso facilita entendermos o estadiamento do câncer de ovário e a necessidade de avaliação completa da cavidade abdominal, devido às diversas maneiras de a doença espalhar-se. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 57 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário CAI NA PROVA (MS - SPRINT USP SP - ESTRATÉGIA MED) Paciente de 66 anos foi submetida à citorredução primária por neoplasia ovariana. No intra- operatório foram observados múltiplos implantes no peritônio e na superfície de alças intestinais; tumor em ovário esquerdo com lesão superficial e ascite em moderada quantidade. Não foram observadas metástases hepáticas ou em outros órgãos, nem mesmo nos exames radiológicos. Macroscopicamente não havia evidências de linfonodos acometidos pela doença. A citorredução foi considerada ótima e a paciente iniciará quimioterapia adjuvante após a recuperação cirúrgica. Esse padrão de lesões encontrado na cirurgia dessa paciente se deve: A) ao padrão de disseminação linfática do tumor, levando ao acometimento dos órgãos adjacentes. B) à presença de ascite que leva implantes neoplásicos para outras áreas. C) a uma disseminação hematogênica devido à irrigação do intestino, dos ovários e do peritônio ter origem na artéria ilíaca interna, D) à ocorrência do processo de esfoliação, com liberação de células neoplásicas e ocorrência de implantes em qualquer região do abdome. COMENTÁRIOS: Incorreta a alternativa A, pois a disseminação linfática é mais tardia e o fato de não haver uma disseminação seguindo as cadeias linfonodais fala menos a favor dessa ocorrência. Incorreta a alternativa B, pois apesar da ascite piorar o prognóstico do tumor, ela não é uma via de disseminação da doença. Incorreta a alternativa C , pois a disseminação por via hematogênica é mais rara na neoplasia de ovário.Correta a Correta a alternativa D , pois como foi explicado na teoria, a principal forma de disseminação do câncer de ovário é pela esfoliação da superfície do tumor. 3.7 ESTADIAMENTO O estadiamento adequado é parte fundamental nos casos de câncer de ovário, influenciando no tratamento e no prognóstico da doença. O estadiamento é cirúrgico e as provas de Residência cobram a recomendação da FIGO, que divide o câncer de ovário em estádios de I a IV (vide ilustração ao lado). Apesar do estadiamento ser cirúrgico, os exames de imagem têm um papel fundamental na avaliação pré-operatória da paciente. Através deles, é possível planejar qual é a melhor modalidade terapêutica a ser empregada. A abordagem cirúrgica deve ser feita por meio de laparotomia, preferencialmente, pois permite uma inspeção mais detalhada da cavidade abdominal e de possíveis implantes, além de melhores resultados na linfadenectomia. Apesar do estadiamento ser cirúrgico, os exames de imagem têm um papel fundamental na avaliação pré-operatória da paciente. Através deles, é possível planejar qual é a melhormodalidade terapêutica a ser empregada. A tomografia computadorizada de tórax, abdome e pelve é o método de escolha para avaliação da extensão da doença e da ressecabilidade cirúrgica. A videolaparoscopia tem papel importante, principalmente, na investigação diagnóstica de tumores ovarianos, ainda sem confirmação diagnóstica. É possível realizarmos uma videolaparoscopia, a fim de avaliar melhor a ressecabilidade das lesões e também para obter amostras de tecido para avaliação histopatológica. Muitas vezes, os exames de imagem não são suficientes para definir a possibilidade de remoção dos tumores e podemos empregar a videolaparoscopia a fim de evitar que a paciente seja submetida a uma laparotomia sem sucesso e que haja retardo no tratamento com quimioterapia. O estadiamento completo do câncer de ovário segue recomendações bem específicas, que podem ser abordadas em provas. A tabela abaixo resume, passo a passo, como deve ser feita a abordagem das lesões neoplásicas. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 58 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário Princípios do estadiamento cirúrgico no câncer de ovário Laparotomia mediana; Coleta de líquido ascítico ou lavado peritoneal para citologia oncótica; Avaliação de toda a superfície peritoneal com biópsia de lesões suspeitas; Biópsias peritoneais da pelve, das goteiras cólicas e superfícies diafragmáticas; Pacientes sem evidências de lesões extrapélvicas ou ainda com lesões menores que 2 cm g linfadenectomia pélvica e para-aórtica (risco de subestimação, mesmo em lesões clinicamente restritas ao ovário); Remoção de massas tumorais encapsuladas, sem sua ruptura; Considerar histerectomia e salpingooforectomia bilateral para citorredução ótima g em casos selecionados pode ser realizada preservação de fertilidade; Omentectomia; Linfonodos suspeitos devem ser retirados; Sempre que possível, proceder à citorredução ótima (não apresentar lesões abdominais maiores que 1 cm); Apendicectomia deve ser realizada, nos casos de tumores mucinosos. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 59 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário (SP - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - UNESP - 2023) Mulher de 62 anos apresenta dor hipogástrica associada a sintomas dispépticos há 06 meses. AP: G0P0. US abdome total: grande massa heterogênea de provável origem anexial, apresentando septos e áreas sólidas associadas a fluxo ao Doppler, com implantes sugestivos de acometimento secundário em andar superior, provável acometimento do fígado e alças intestinais, omental cake e volumosa ascite. A melhor conduta é A) laparotomia exploradora para estadiamento e ressecção tumoral. B) laparoscopia exploradora para estadiamento e biópsia da lesão. C) laparotomia para ressecção tumoral seguida de quimioterapia. D) radioterapia e quimioterapia exclusivas. CAI NA PROVA A classificação histológica do tumor ovariano não faz parte do estadiamento, porém é um fator fundamental na determinação do prognóstico da doença. A divisão dos graus histológicos é a seguinte: Grau 1 (bem diferenciado): apresenta menos de 5% de células indiferenciadas. Grau 2 (moderadamente diferenciado): apresenta 6 a 50% de células indiferenciadas. Grau 3 (indiferenciado): apresenta mais de 50% de células indiferenciadas. 3.8 TRATAMENTO O tratamento do câncer de ovário baseia-se em duas principais modalidades terapêuticas, a cirurgia e a quimioterapia, que podem ser aplicadas isoladamente ou em conjunto, de diversas maneiras. 3.8.1 CIRURGIA DE ESTADIAMENTO OU FUNDAMENTAL Nos casos em que o tumor encontra-se confinado ao ovário, é possível realizar uma cirurgia que se limite ao estadiamento cirúrgico básico, não havendo necessidade de ressecções mais amplas com intuito de promover a exérese de todas as lesões visíveis. Apesar disso, muitas lesões que, clinicamente, parecem estar confinadas aos ovários apresentam metástases. Por isso, os passos devem ser seguidos adequadamente. COMENTÁRIOS: Incorreta a alternativa A, pois no caso dessa paciente não temos a certeza de que o tumor primário é ovariano, além de termos uma doença com disseminação para órgãos à distância. Nesses casos, o ideal é fazermos o diagnóstico histopatológico e iniciarmos quimioterapia neoadjuvante para reduzir a quantidade de doença para fazermos uma citorredução melhor. Correta a alternativa B , pois devemos chegar ao diagnóstico primário da paciente para então propormos o tratamento adequado. Além disso, os exames de imagem não trazem certeza da ressecabilidade das lesões, podendo ser empregada uma videolaparoscopia com essa finalidade, a fim de não postergar o tratamento sistêmico com uma citorredução insuficiente. Nesse caso, uma cirurgia de intervalo, após a quimioterapia neoadjuvante talvez seja a melhor opção. Incorreta a alternativa C, pois não é possível termos certeza se as lesões são ressecáveis pela extensão do acometimento. Devemos complementar a avaliação com uma videolaparoscopia para definir a conduta. Incorreta a alternativa D, pois o tratamento do câncer de ovário baseia-se em quimioterapia e cirurgia, não havendo papel da radioterapia. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 60 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário CAI NA PROVA (SP - PUC SOROCABA - 2023) Uma paciente de 50 anos foi submetida à cirurgia pela presença de um tumor pélvico originado no ovário esquerdo. Não foi possível a realização do exame anatomopatológico intraoperatório, pois o criostato do hospital estava em conserto. O cirurgião optou pela realização da salpingooforectomia esquerda. O posterior exame histológico da peça cirúrgica em fixação padrão pela parafina revelou tratar-se de um adenocarcinoma seroso grau 3 do ovário esquerdo, sem alteração na tuba retirada. Qual seria sua próxima orientação à paciente? A) Nova cirurgia para estadiamento da neoplasia; B) Seguimento com CA 125 e ultrassonografia trimestral; C) Quimioterapia adjuvante; D) Radioterapia adjuvante. COMENTÁRIOS: Alternativa “a” correta, 3.8.2 CITORREDUÇÃO PRIMÁRIA Sempre que possível, o tratamento primário para o câncer de ovário consiste no estadiamento cirúrgico; nos casos em que a doença não está confinada aos ovários, deve ser realizada a citorredução primária. Quando o tratamento primário é cirúrgico, também podemos chamar de cirurgia upfront. O objetivo da citorredução inicial é diminuir, ao máximo, a quantidade de tecido tumoral, incluindo metástases, nos casos em que o tumor não está restrito ao ovário. Considera-se uma citorredução ótima quando há a permanência de lesões tumorais residuais visíveis (R0); ela é considerada subótima (R1), quando há lesões residuais menores do que 1 cm. Pode haver necessidade de ressecção de múltiplos órgãos ou estruturas acometidas. Mesmo pois com a confirmação do diagnóstico de neoplasia maligna do ovário deve ser realizado o estadiamento completo para definir o prognóstico e o tratamento. Alternativa “b” incorreta, pois não podemos considerar que a paciente está tratada sem o estadiamento completo. Alternativa “c” incorreta, pois antes de realizar a quimioterapia adjuvante, devemos realizar o estadiamento do câncer de ovário. Apesar de já haver indicação de quimioterapia pelo grau histológico do tumor. Alternativa “d” incorreta, pois a radioterapia não tem papel no tratamento do câncer de ovário atualmente. em pacientes com doença irressecável, há benefício na remoção de implantes. A citorredução primária aumenta a sobrevida global das pacientes por alguns fatores: a cirurgia remove grandes quantidades de clones de células tumorais multirresistentes à quimioterapia; a remoção de massa necrótica melhora a vascularização das áreas remanescentes, otimizando a atuação dos quimioterápicos; pequenos implantes tumorais tendem a crescer mais rapidamente, portanto são mais suscetíveis à quimioterapia; a reduçãodo número de células tumorais diminui a quantidade de ciclos necessários e induz à menor quimiorresistência. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 61 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário CAI NA PROVA (SP - Universidade de São Paulo - USP - 2017) Mulher de 60 anos refere aumento do volume abdominal, cansaço e dispneia intensa. Ao exame clínico, observa-se abdome com volumosa ascite. Exame pélvico, através de toque vaginal, revela tumor de aspecto sólido, irregular, fixo, deslocando o útero lateralmente à esquerda e presença de nódulos irregulares em fórnice vaginal posterior. 2015) A ascite é esvaziada por punção, e o material encaminhado para análise citológica, cujo diagnóstico é compatível com adenocarcinoma seroso de ovário. O tratamento cirúrgico primário, com o objetivo de citorredução ótima em câncer de ovário avançado, confere melhor prognóstico porque: A) Favorece a radioterapia complementar exclusiva à pelve. B) Reduz clones celulares resistentes à quimioterapia. C) Impede a formação de ascite durante a quimioterapia secundária. D) Não há resposta terapêutica à quimioterapia primária. COMENTÁRIOS: Incorreta a alternativa A: os pilares do tratamento do câncer de ovário estão em duas modalidades terapêuticas: a cirurgia e a quimioterapia. A radioterapia tem papel em alguns casos selecionados de pacientes com doença microscópica, durante a cirurgia “second look”. Correta a alternativa B: os fatores pelos quais a citorredução melhora o prognóstico da paciente foram explicados na teoria acima. Entre eles está a redução de clones celulares resistentes à quimioterapia. Incorreta a alternativa C: não é possível garantir que não haja formação de ascite pós-operatório, mesmo que seja realizada uma citorredução primária ótima. Incorreta a alternativa D: a quimioterapia neoadjuvante tem resposta terapêutica considerável e é empregada em pacientes com tumores avançados e que não têm condições de realizar uma citorredução primária. Nessas pacientes, realiza-se o ciclo de quimioterapia e, após, realiza-se a cirurgia citorredutora de intervalo. Em alguns estudos, o efeito da quimioterapia neoadjuvante é similar ao da citorredução primária. 3.8.3 CIRURGIA COM PRESERVAÇÃO DE FERTILIDADE A cirurgia com preservação da fertilidade pode ser empregada em casos selecionados. São candidatas a esse tipo de tratamento as pacientes em estádio IA, com grau histológico 1 ou 2, e que desejam ter filhos. Nesses casos, deve ser realizado o estadiamento completo, preservando o útero e o ovário não acometido. 3.8.4 CIRURGIA DE INTERVALO Em pacientes com baixa probabilidade de citorredução ótima ou subótima, pode ser realizada quimioterapia neoadjuvante com o intuito de reduzir o volume tumoral e permitir o tratamento cirúrgico. A recomendação é que sejam realizados três ciclos quimioterápicos e, então, avalia-se a resposta terapêutica e realiza-se a cirurgia. Após a cirurgia, deve ser realizada quimioterapia adjuvante. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 62 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário 3.8.5 TERAPIA ADJUVANTE A quimioterapia adjuvante está indicada nos seguintes casos: 1. Estádios IA e IB com grau histológico 3; 2. Estádio IC ou mais avançados (independentemente do grau histológico). Os tumores em estádios IA e IB com grau histológico 1 ou 2 são tratados apenas com cirurgia. A quimioterapia à base de platina é o tratamento sistêmico mais empregado no câncer de ovário. O esquema mais utilizado é a carboplatina associada ao paclitaxel. Em um estudo publicado em 2006, o uso de quimioterapia intraperitoneal em pacientes com doença extraovariana demonstrou ser mais efetivo do que a quimioterapia endovenosa. Porém, as pacientes com massa tumoral muito grande não respondem tão bem ao método, além de estar associado à maior toxicidade. PARA PROVAS DE RESIDÊNCIA, A RADIOTERAPIA NÃO É UMA MODALIDADE DE TRATAMENTO ADJUVANTE NO CÂNCER DE OVÁRIO, APESAR DE PODER SER INDICADA EM SITUAÇÕES ESPECÍFICAS. OBS: A cirurgia conservadora com congelação intraoperatória é uma opção na investigação ➡ Cirurgia de estadiamento ➡ Citorredução primária - não ter lesões visíveis ou lesões residuais menores do que 1 cm. ➡ Cirurgia com preservação de fertilidade casos selecionados ➡ Cirurgia de intervalo: QT neoadjuvante e citorredução após Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 63 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário Um assunto que é cobrado em provas é a definição do tratamento a depender do estádio do câncer de ovário. Sabemos que decorar o estadiamento já é algo difícil, mais ainda associá-lo ao tratamento. Traremos essas condutas resumidas para facilitar a resolução das questões: Tratamento do câncer de ovário Estádios IA e IB (grau histológico 1 ou 2) Estadiamento cirúrgico OBS: pode ser realizada cirurgia com preservação de fertilidade em casos selecionados. Estádios IA e IB (grau histológico 3) e IC Estadiamento cirúrgico + QT adjuvante Estádios II, III e IV Cirurgia de citorredução + QT adjuvante OU QT neoadjuvante + cirurgia de intervalo + QT adjuvante CAI NA PROVA (SP - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - UNESP - 2023) Mulher de 62 anos apresenta dor hipogástrica associada a sintomas dispépticos há 06 meses. AP: G0P0. US abdome total: grande massa heterogênea de provável origem anexial, apresentando septos e áreas sólidas associadas a fluxo ao Doppler, com implantes sugestivos de acometimento secundário em andar superior, provável acometimento do fígado e alças intestinais, omental cake e volumosa ascite. A melhor conduta é A) laparotomia exploradora para estadiamento e ressecção tumoral. B) laparoscopia exploradora para estadiamento e biópsia da lesão. C) laparotomia para ressecção tumoral seguida de quimioterapia. D) radioterapia e quimioterapia exclusivas. COMENTÁRIOS: Alternativa “a” incorreta, pois no caso dessa paciente não temos a certeza de que o tumor primário é ovariano, além de termos uma doença com disseminação para órgãos à distância e possivelmente lesões irressecáveis. Nesses casos, o ideal é fazermos o diagnóstico histopatológico e iniciarmos quimioterapia neoadjuvante para reduzir a quantidade de doença para fazermos uma citorredução melhor. Alternativa “b” correta, pois devemos chegar ao diagnóstico primário da paciente para então propormos o tratamento adequado. Além disso, os exames de imagem não trazem certeza da ressecabilidade das lesões, podendo ser empregada uma videolaparoscopia com essa finalidade, a fim de não postergar o tratamento sistêmico com uma citorredução insuficiente. Nesse caso, uma cirurgia de intervalo, após a quimioterapia neoadjuvante talvez seja a melhor opção. Alternativa “c” incorreta, pois não é possível termos certeza se as lesões são ressecáveis pela extensão do acometimento. Devemos complementar a avaliação com uma videolaparoscopia para definir a conduta. Alternativa “d” incorreta, pois o tratamento do câncer de ovário baseia-se em quimioterapia e cirurgia, não havendo papel da radioterapia. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 64 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário 3.9 SEGUIMENTO O seguimento das pacientes com câncer de ovário submetidas a tratamento deve ser feito com avaliação periódica, com exame físico e dosagem de CA-125. A presença de alterações no exame pélvico, a elevação do CA-125 ou a presença de sintomas na paciente indicam a realização de exames de imagem para melhor avaliação do quadro. Nos casos de recidiva de tumor, as pacientes podem ser submetidas a novo tratamento cirúrgico e à quimioterapia, combinados ou isoladamente. CAI NA PROVA (SP - SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO - SCMSP - 2024) A conduta frente a uma paciente com história de câncer epitelial de ovário, tratada com cirurgia de intervalo (Cirurgia – QT – cirurgia R0) e em seguimento oncológico, com quadro de elevaçãoprogressiva de CA 125 e exames de imagem (tomografias) normais, mas com ascite, edema de membros inferiores e emagrecimento: (CA–125 – referência: 35 U/mL) • Janeiro: 30 U/mL • Junho: 28 U/mL • Dezembro: 65 U/mL • Junho: 200 U/mL (ano seguinte) Diante das informações acima, deve-se A) tranquilizar a paciente pois o CA 125 é inespecífico e repetir exames em 6 meses. B) solicitar USG de abdome e transvaginal. C) encaminhar ao cardiologista e ao gastroenterologista para investigar quadro de edema (cardiogênico ou hepático). D) realizar videolaparoscopia diagnóstica. E) dar alta e investigar causa via UBS. COMENTÁRIOS: No caso da paciente em questão, ela apresenta sinais clínicos sugestivos de recidiva, com a ascite, além da elevação dos marcadores tumorais. Apesar dos exames de imagem não apresentarem alterações, há uma elevada suspeição de recidiva da doença. Incorreta a alternativa A, pois além do CA 125 elevado, a paciente apresenta sinais clínicos que demandam investigação. Incorreta a alternativa B, pois esses exames trariam poucas informações adicionais em relação à tomografia. Incorreta a alternativa C, pois a quimioterapia padrão baseada em carboplatina e paclitaxel não está associada a cardiotoxicidade. Correta a alternativa D , pois o padrão-ouro para avaliação de possíveis recidivas é a cirurgia second-look. Apesar de não ser preconizada de rotina, nos casos de dúvida ou quando os exames de imagem não são conclusivos, ela tem o seu papel. Incorreta a alternativa E, pois essa paciente precisa ser acompanhada em serviço de referência. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 65 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário O prognóstico das pacientes depende, principalmente, da presença ou não de metástases, por isso o estadiamento é fundamental. A sobrevida em cinco anos, se a doença for restrita ao sítio primário, chega a 92%. Por outro lado, se houver metástase à distância, está ao redor de 22%. Outros fatores estão associados ao prognóstico dos tumores de ovário e estão listados na tabela abaixo. Fatores prognósticos desfavoráveis para o câncer de ovário • Estadiamento mais avançado • Rotura da cápsula ovariana (quando considerado o estádio II da doença) • Grau do tumor (quanto menos diferenciado, mais agressivo) • Tipo histológico (tumor de células claras é mais agressivo) • Idade (mais avançada) • Citologia do líquido ascítico (positiva ou negativa) • Tamanho do tumor residual após a cirurgia (> 1cm oue à presença de massa anexial palpável; 8. A presença de ascite, perda ponderal, anorexia e progressão rápida estão associadas a quadros malignos; 9. Os marcadores tumorais são ferramentas importantes na investigação, sendo o CA-125 o mais empregado e cobrado nas questões; 10. Como não é recomendada a realização de biópsias ovarianas, o padrão ultrassonográfico é fundamental para a predição de malignidade; 11. Os critérios de IOTA são os mais empregados para classificação ultrassonográfica das lesões ovarianas; 12. O tratamento dependerá do risco de malignidade e da idade da paciente; 13. O câncer de ovário não é tão prevalente, porém apresenta elevada mortalidade associada; 14. Os principais fatores de risco para o câncer de ovário são o antecedente familiar e as mutações genéticas herdadas e a exposição prolongada a ciclos ovulatórios na vida (nuliparidade, menarca precoce e menopausa tardia); 15. Os fatores de proteção são o uso de anticoncepcional, gestação, amamentação e a laqueadura tubária/salpingectomia; 16. O câncer de ovário pode ser dividido, histologicamente, em epiteliais, de células germinativas e do estroma do cordão sexual. Nas provas, os tumores epiteliais são os mais abordados; 17. O câncer de ovário dissemina-se, predominantemente, por esfoliação epitelial e por via linfática; 18. O estadiamento do câncer de ovário é cirúrgico e deve ser feito de maneira completa, pois pode haver doença metastática, mesmo em casos em que, clinicamente, a doença pareça estar confinada ao ovário; 19. O tratamento baseia-se em cirurgia e quimioterapia, com combinações variadas, de acordo com o estadiamento e com as condições pré-operatórias da paciente; 20. O seguimento deve ser feito com exame físico e dosagem de CA-125 periódicos; 21. O rastreamento universal para câncer de ovário não é recomendado. Seu uso deve ser avaliado, individualmente, em paciente de alto risco. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 68 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app https://estr.at/TmQ4 https://estr.at/TmQ4 Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 69 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário CAPÍTULO 7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Tratado de Ginecologia Febrasgo / editores: Cesar Eduardo Fernandes, Marcos Felipe Silva de Sá; coordenação: Agnaldo Lopes da Silva Filho [et al.]. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. 2. HOFFMAN, Barbara L. et al. Ginecologia de Williams. Artmed Editora, 2014. 3. Berek, Jonathan S. Berek & Novak's gynecology. Lippincott Williams & Wilkins, 2019. 4. Chen, Lee-may, et al. Epithelial carcinoma of the ovary, fallopian tube, and peritoneum: Clinical features and diagnosis. (2014). CAPÍTULO 8.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Já está sabendo tudo sobre a investigação de tumores anexiais e sobre o câncer de ovário? Espero que sim, mas, se ainda está inseguro quanto ao tema, fique tranquilo. O conteúdo é bem extenso e abrange tudo o que cai nas provas de Residência, por isso é difícil guardar tanta informação em uma única leitura. Esse é um tema bem árduo e que desafia os próprios ginecologistas. Aproveite que você tem acesso ilimitado ao livro digital e volte a ele sempre que precisar, seja para ajudá-lo na resolução de exercícios ou para revisar a matéria. Se surgirem mais dúvidas sobre o tema deste livro ou sobre algo referente a outros conteúdos, não hesite em entrar em nosso Fórum de Dúvidas e enviar sua questão. Estamos atentos e responderemos brevemente. Mantenha seu foco nos estudos, pois o objetivo está próximo. Vejo você nas videoaulas ou no próximo livro digital. Um abraço!!! Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 70 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário https://med.estrategia.com 1.0 INTRODUÇÃO 2.0 Tumores anexiais 2.1 Etiologia 2.1.1 Pré-púberes 2.1.2 Idade reprodutiva 2.1.3 Gestação 2.1.4 Pós-menopausa 2.1.5 Principais tumores ovarianos benignos 2.2 Diagnóstico 2.2.1 Quadro clínico 2.2.2 Exame físico 2.2.3 Exames laboratoriais 2.2.4 Exames de imagem 2.3 Tratamento 2.3.1 Pré-púbere 2.3.2 Idade reprodutiva 2.3.3 Pós-menopausa 3.0 Câncer de ovário 3.1 Introdução 3.2 Etiopatogenia 3.3 Fatores de risco 3.3.1 Antecedente familiar 3.3.2 Mutações genéticas 3.3.3 Idade 3.3.4 Menarca precoce e menopausa tardia 3.3.5 Nuliparidade 3.3.6 Raça branca 3.3.7 Fatores ambientais 3.3.8 Indução da ovulação 3.3.9 Endometriose 3.4 Fatores de proteção 3.4.1 Uso de anticoncepcional 3.4.2 Gravidez e amamentação 3.4.3 Laqueadura e histerectomia 3.5 Classificação histológica 3.5.1 Tumores epiteliais 3.5.2 Tumores de células germinativas 3.8 Tratamento 3.8.1 Cirurgia de estadiamento ou fundamental 3.8.2 Citorredução primária 3.8.3 Cirurgia com preservação de fertilidade 3.8.4 Cirurgia de intervalo 3.8.5 Terapia adjuvante 3.9 Seguimento 4.0 Prevenção e rastreamento 5.0 Resumo 6.0 LISTA DE QUESTÕESexame físico, das características das lesões pelos exames imaginológicos e por alguns exames subsidiários. CAPÍTULO Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 7 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário A primeira coisa a ser determinada é a origem da lesão anexial, o que, muitas vezes, é difícil de ser detectado apenas pelo exame físico e pelo exame de imagem. A massa pode ter origem, de fato, em uma das estruturas do anexo (ovário e tubas uterinas), porém também pode estar associada às estruturas adjacentes, 2.1 ETIOLOGIA como rins, ureteres e intestino. Neste livro, daremos ênfase aos tumores de origem ovariana, que são as lesões cobradas nas provas de Residência. O quadro abaixo resume os principais diagnósticos diferenciais para as lesões anexiais: Causas ginecológicas Causas não ginecológicas Tumor ovariano Torção ovariana Ovários policísticos Gestação ectópica Hidrossalpinge/hematossalpinge Abscesso tubo-ovariano Cisto paraovariano Cistos funcionais do ovário Tumores tubários Leiomiomas Apendicite Divertículo vesical Abscesso diverticular Rim pélvico Cisto de inclusão peritoneal Divertículo ureteral Sarcomas de retroperitônio Metástases Tumor de Krukenberg A etiologia dos tumores ovarianos varia de acordo com a faixa etária e período reprodutivo da mulher, podendo ser dividida em pré- púberes, pré-menopausa, pós-menopausa e gestação. Por se tratar de um órgão com diferentes embrionárias, o ovário pode originar diferentes tipos histológicos de tumores. Osdo ovário podem ser divididos em epiteliais, de células germinativas e do estroma dos cordões sexuais. A figura abaixo ilustra as diferentes origens e os principais tumores ovarianos: A tabela abaixo resume os tipos histológicos e a faixa etária mais acometida pelos tumores ovarianos: Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 8 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 9 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário Origem Tipo histológico Faixa etária Células germinativas Teratoma 0-25 anos Gonadoblastoma Tumor de saco vitelínico Disgerminoma Tumor de seio endodérmico Estromais Coriocarcinoma 20-60 anos Tecomas Fibromas Granulosa Tumores de células da granulosa Variável Epiteliais Cistoadenoma seroso Acima dos 60 anos Cistoadenoma mucinoso Cistoadenoma endometrioide Tumor de Brenner Metastáticas Intestinais (Krukenberg) Variável Mama Endométrio Linfoma Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 10 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário Na gestação, há uma prevalência de 4,9% a 6,1% de massas anexiais nas ultrassonografias de 1º trimestre, geralmente associadas à regressão espontânea. Nas lesões submetidas à análise histopatológica, 95% a 99% são benignas. Os diagnósticos mais comuns na gravidez são o cisto folicular e o corpo lúteo ovariano. O corpo lúteo, geralmente, se mantém durante o primeiro trimestre da gestação, sendo responsável por produzir progesterona até que a placenta se desenvolva Outro achado ovariano associado à gestação são os cistos tecaluteínicos. Trata-se de múltiplos cistos, geralmente bilaterais, e que incidem na gravidez, especialmente, nas gestações molares. Podem atingir grandes dimensões e estão associados a elevados níveis de gonadotrofina coriônica. Esses cistos também podem aparecer durante o tratamento para infertilidade por hiperestimulação ovariana. As imagens ao lado mostram o aspecto dos cistos tecaluteínicos na ultrassonografia e no intraoperatório: Não podemos nos esquecer da possibilidade de gestações ectópicas, que são aquelas que ocorrem fora da cavidade intrauterina. 2.1.1 PRÉ-PÚBERES As lesões anexiais são achados menos prevalentes em crianças e adolescentes do que em mulheres na fase adulta. Nessa fase, a maior parte das massas pélvicas acomete os ovários. Em geral, as lesões neoplásicas são tumores benignos de células germinativas, sendo o teratoma cístico maduro a causa mais comum (55% a 70%) dos tumores de ovário em crianças. As lesões malignas, nessa idade, chegam a até 25% dos casos; o tumor maligno mais comum, na infância, é o disgerminoma. É importante lembrar que, em adolescentes após a menarca, a etiologia das lesões anexiais é semelhante à das pré- púberes. Porém, nesse grupo, após o início da atividade sexual, devem ser incluídas outras causas, como abscesso tubo-ovariano, gravidez e cistos funcionais do ovário. 2.1.2 IDADE REPRODUTIVA A maior parte das lesões anexiais nessa faixa etária são benignas e estão associadas à função reprodutiva feminina. Apenas 5% a 10% dos casos são malignos. Dentre os principais diagnósticos estão: cistos funcionais do ovário, endometrioma, teratomas maduros, corpo lúteo, leiomiomas, torção ovariana, abscesso tubo-ovariano e síndrome dos ovários policísticos. Tratado de Ginecologia Febrasgo / editores: Cesar Eduardo Fernandes, Marcos Felipe Silva de Sá; coordenação: Agnaldo Lopes da Silva Filho [et al.]. 1. ed. Rio de Janeiro Elsevier, 2019. 2.1.3 GESTAÇÃO Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 11 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário Procurar critérios de malignidade USG Reavaliar na ocasião do próximo USG Duvidoso Avaliação por RM Massa assintomática Massas anexiais sintomáticas = cirurgia 1°tri (USG inicial) 2°tri (USG 18-20 sem) 3°tri (USG 32-36 sem) Presente Ausente Cirurgia Gravidez Alto risco Cirurgia no 2° trimestre Risco baixo/ intermediário Seguimento> 14 sem Regressão espontânea Progressão ou não regressão Seguimento até o parto (3° trimestre) Seguimento até o parto (3° trimestre) 1° trimestreGravidez 1° trimestre ≥ 24 sem Baixo risco/ intermediário Alto risco/ Progressão mais comum em jovens. As lesões, em geral, cursam com aumento de volume abdominal e dor. Pode ser bilateral em 10 a 15% dos casos. Podem secretar DHL e beta HCG. Também apresentaria características de malignidade na ultrassonografia. Incorreta a alternativa D: os tumores borderline de ovário apresentam características suspeitas à ultrassonografia. Além disso, a conduta, em casos duvidosos na gestação, é realizar uma ressonância magnética e não a abordagem cirúrgica. Correta a alternativa E: os cistos funcionais do ovário, como os tecaluteínicos são os mais frequentes na gestação. A conduta, nos casos em que o aspecto ultrassonográfico é benigno, deve ser a repetição da avaliação no próximo USG obstétrico. CAI NA PROVA 2.1.4 PÓS-MENOPAUSA Com o fim da ovulação e com a redução da produção dos esteroides sexuais femininos, as causas das lesões anexiais também mudam. Os cistos funcionais e os miomas deixam de ser causas frequentes e os tumores malignos do ovário passam a contribuir com uma maior parcela dos casos. Dentre as lesões malignas, a mais frequente é o cistoadenocarcinoma seroso; já, entre as benignas, é o teratoma maduro. Os tumores anexiais, nessa faixa etária, devem ser investigados com maior cautela, sobretudo as massas complexas ou sólidas dos ovários. A questão abaixo mostra como o conhecimento sobre as prevalências nas pacientes pós-menopausa é cobrado. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 13 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário CAI NA PROVA (SP - INSTITUTO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA AO SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL - IAMSPE - 2024) Considerando os tumores anexiais é correto afirmar que: A) nas meninas pré-púberes, as lesões malignas chegam a representar aproximadamente 80% dos casos. B) meninas adolescentes têm uma grande proporção de lesões benignas, com uma menor proporção de lesões malignas, de 5% a 10%. C) nas gestantes, há uma prevalência de 4,9% a 6,1% de massas anexiais no ultrassom de primeiro trimestre, havendo regressão espontânea em 71% a 89% dos casos. D) nas mulheres na pós-menopausa, menos de 5% podem apresentar massas anexiais, sendo lesões suspeitas em 36% a 59% delas. E) em mulheres de 30 anos todos os tumores anexiais são de origem tireoidiana, e, desses, a maioria são cistos benignos. COMENTÁRIOS: 2.1.5 PRINCIPAIS TUMORES OVARIANOS BENIGNOS As questões das provas de Residência, em geral, fazem uma distinção bem grande entre câncer de ovário e os demais tumores anexiais benignos. Alguns tumores benignos aparecem com maior frequência nas provas, muitas vezes não como o diagnóstico principal da questão, mas como um diferencial nas alternativas. Ter um conhecimento básico sobre eles facilitará na resolução dos exercícios. Traremos abaixo um resumo dos principais tumores que aparecem nas provas, com suas características clínicas, ultrassonográficas e com algumas imagens, pois diversas bancas tem empregado cada vez mais questões com esses recursos. Incorreta a alternativa A, pois em meninas pré-púberes predominam tumores benignos, sendo o teratoma maduro o mais frequente. Incorreta a alternativa B , pois esse dado foi extraído do Tratado de Ginecologia da Febrasgo e ele se refere a mulheres pré-menopausa e não especificamente adolescentes. Em pacientes jovens, os tumores de células germinativas malignos representam uma proporção maior. Correta a alternativa C pois esse trecho foi extraído do Tratado de Ginecologia da Febrasgo de maneira integral e está correto, conforme mencionamos na teoria acima. Incorreta a alternativa D , pois de acordo com a referência para essa questão, 8 a 17% das mulheres pós-menopausa podem apresentar essas lesões. Incorreta a alternativa E , pois nessa fase predominam os tumores funcionais do ovário. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 14 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário CAI NA PROVA Cistos funcionais Vamos começar falando sobre os cistos funcionais, que são aqueles que se formam durante o período reprodutivo da mulher e estão associados ao ciclo menstrual. Cisto folicular Definição: cistos com mais de 3cm que se originam de folículos que não ovularam durante o ciclo, porém mantiveram sua evolução. Faixa etária: pacientes no período reprodutivo Clínica: geralmente assintomático, encontrado acidentalmente em exame de imagem; costuma aparecer após a ovulação, no meio do ciclo. Tratamento: expectante com repetição de ultrassonografia; costuma desaparecer em 3 a 6 meses. Algumas bancas podem considerar removê-lo caso atinja grandes dimensões pelo risco de torção. Achado ultrassonográfico: anecoicos, homogêneos, com paredes regulares, avasculares e sem componentes internos cisto simples >3 cm folículosque se preenchem com sangue e podem romper. Faixa etária : Iidade reprodutiva Clínica: - assintomático (regridem no próximo ciclo) - pode romper e levar ao quadro de abdome agudo hemorrágico (dor pélvica súbita, intensidade variável, sinais de irritação peritoneal); pode evoluir com sinais de instabilidade hemodinâmica (choque hipovolêmico). Tratamento: - sem sinais de sangramento: expectante com uso de sintomáticos - peritonite/líquido livre/instabilidade hemodinâmica: cirurgia Achado ultrassonográfico: paredes regulares, com conteúdo heterogêneo, presença de debris e septos. Pode ter líquido livre na cavidade pélvica, quando há ruptura. A) teratoma B) endometrioma C) corpo lúteo hemorrágico D) cisto folicular Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 17 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário (REVALIDA NACIONAL - INEP - 2020) Uma mulher com 25 anos de idade vai ao ambulatório de ginecologia com queixa de dor pélvica há 24 horas. Possui ciclos regulares de 28 dias (3 a 4 dias) e a sua última menstruação ocorreu há 3 semanas. No exame clínico, observou-se PA = 110 x 70 mmHg e pulso = 84 bpm. Notou- se dor à palpação profunda em fossa ilíaca esquerda e em região hipogástrica, Blumberg negativo. Sem outras anormalidades durante o exame físico. Foi realizada ultrassonografia transvaginal que revelou estrutura cística no ovário esquerdo, medindo 7,0 x 6,5 cm, sem fluxo ao estudo Doppler, conforme indica imagem a seguir. Considerando o caso clínico apresentado e a hipótese diagnóstica mais provável, qual deve ser a conduta médica? A) Solicitar ressonância magnética da pelve. B) Encaminhar para laparoscopia exploradora. C) Orientar a repetição da ultrassonografia após a menstruação. D) Solicitar marcadores tumorais, como o antígeno carcino-embrionário e o CA-125. CAI NA PROVA COMENTÁRIOS: Estrategista, esta paciente apresenta um quadro de dor pélvica logo após a ovulação (3 semanas após a DUM) e o ultrassom mostrou uma imagem com conteúdo heterogêneo, sem fluxo ao Doppler, sugestiva de um cisto hemorrágico. Incorreta a alternativa A, porque não há indicação de ressonância magnética neste caso. O quadro clínico não é suspeito de malignidade. Trata-se de um cisto hemorrágico de ovário e a conduta para este caso é a administração de anti-inflamatório e seguimento clínico e com ultrassom. Incorreta a alternativa B, porque a paciente se encontra hemodinamicamente estável e não apresenta sinal de Blumberg positivo. Correta a alternativa C: a conduta para este caso é a orientação, administração de analgésicos e controle ultrassonográfico após a menstruação. Provavelmente o cisto terá diminuído ou até desaparecido após este período de tempo. Incorreta a alternativa D, porque a paciente não apresenta um quadro clínico suspeito de malignidade, com sinais como emagrecimento ou aumento do volume abdominal. Sua história é bastante característica de um cisto hemorrágico de ovário. O USO DE ANTICONCEPCIONAIS NA PREVENÇÃO E NO TRATAMENTO DE CISTOS FUNCIONAIS É UM TEMA QUE APARECE NAS PROVAS. DEVIDO À SUPRESSÃO OVARIANA E À ANOVULAÇÃO INDUZIDA PELOS ANTICONCEPCIONAIS, NÃO HAVERIA O DESENVOLVIMENTO DE FOLÍCULOS E CONSEQUENTEMENTE, DE CISTOS FUNCIONAIS. É IMPORTANTE SALIENTAR QUE A MAIOR PARTE DOS ESTUDOS NÃO DEMONSTRA EFICÁCIA NO TRATAMENTO DE CISTOS COM USO DE ANTICONCEPCIONAIS. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 18 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário Os cistos ovarianos podem estar associados a quadros de abdome agudo. Essas situações serão abordadas no livro digital “abdome agudo em ginecologia” Tumores de células germinativas Teratoma cístico maduro Definição: é o tumor mais frequente em pacientes jovens. Ele é derivado de três folhetos embrionários diferentes (ectoderma, mesoderma e endoderma), o que faz com que possa apresentar diferentes tecidos e elementos em sua composição, como pelos, dentes, ossos e gordura. Faixa etária: pacientes jovens (pré-pubere e menacme) Clínica: geralmente assintomático, mas apresenta risco de torção ovariana, principalmente com tumores entre 4 e 10 cm Tratamento: ooforoplastia para retirada do tumor devido ao risco de torção anexial Achado ultrassonográfico: nódulo misto (componente sólido-cístico), com áreas hiperecogênicas focais ou difusas, com sombra acústica posterior. A presença do chamado "plug dérmoide"também é comum. Trata-se de uma formação arredonda e hiperecogênica. Teratoma Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 19 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário CAI NA PROVA (SP - HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS - HSL - 2024) Mulher de 20 anos de idade com queixa de dismenorreia importante há 1 ano. Ao exame, palpa- se ovário direito aumentado, com cerca de 5 cm, sem dor à mobilização do colo. A ultrassonografia mostra formação cística complexa em ovário direito, sólidocística, com áreas hiperecogênicas e nível líquido, medindo 4 cm. Não há ascite e o ovário esquerdo tem características normais. Foi solicitada ressonância magnética de pelve, que mostrou imagem sólido-cística de 4 cm no ovário direito, com calcificações e tecido compatível com gordura. Nesse caso, o diagnóstico mais provável écistoadenoma mucinoso. A) cisto de corpo lúteo. B) tumor de seio endodérmico. C) Dendometrioma. D) cisto dermoide. COMENTÁRIOS: Incorreta a alternativa A, pois o cistoadenoma mucinoso é infrequente nessa faixa etária e costuma ter aspecto cístico na ultrassonografia. Incorreta a alternativa B, pois o cisto de corpo lúteo costuma se anecogênico e como presença de anel vascular ao redor. Incorreta a alternativa C, pois o tumor de seio endodérmico é um tumor muito raro. Incorreta a alternativa D, pois o endometrioma costuma ser um tumor sólido na ultrassonografia. Gonadoblastoma É um tumor raro, que pode aparecer em provas em questões sobre disgenesia gonadal. Em conjunto com o disgerminoma, são os tumores mais comuns das gônadas disgenéticas e, devido ao potencial de malignização, as gônadas devem ser removidas, nos casos de disgenesia gonadal com cariótipo XY. Para saber mais sobre essas alterações ovarianas, acesse o livro digital sobre Amenorréias. Alternativa "e" correta, pois conforme explicado na teoria acima Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 20 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário Tumores epiteliais Cistoadenomas seroso e mucinoso Definição : São tumores epiteliais benignos que predominam na fase pós-menopausa Faixa etária: pós-menopausa Clínica: Podem atingir grandes dimensões e têm potencial de malignização Tratamento: em geral, como ele se apresenta em faixas etárias mais avançadas, costuma ser indicada a exérese para descartar malignidade. Achado ultrassonográfico: paredes finas, uni ou multiloculares, com conteúdo cístico e variam em tamanho de 5 a 20 cm; os mucinosos costumam ser maiores (podendo ser gigantes) e multiloculados, além de serem unilaterais mais comumente. Na imagem ao lado, é possível ver um cistoadenoma mucinoso gigante Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 21 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário Tumores do estroma Fibroma Definição: é um tumor estromal sólido e benigno Faixa etária: variável Clínica: pode estar associado à síndrome de Meigs, que se caracteriza por tumor ovariano associado à derrame pleural e ascite Tratamento: em geral, por se tratar de uma massa sólida, pode ser confundido com um tumor maligno e costuma ser submetido à exérese para confirmação histopatológica, ainda mais quando está associado à síndrome de Meigs Achado ultrassonográfico: Massa sólida hipoecoica, homogênea, que pode ser bilateral. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 22 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário Existem outros tumores benignos de origem estromal, que são menos cobrados nas provas.Abaixo falaremos brevemente sobre eles. Tecoma É um tumor comum na pós-menopausa, que produz androgênios e estrogênios a partir de células luteinizadas, podendo causar virilização e sangramentos. Tumor de Brenner O tumor de Brenner é uma neoplasia fibroepitelial, predominantemente benigna, unilateral e de pequeno tamanho. Também pode estar associado à síndrome de Meigs. CAI NA PROVA (AL - PROCESSO SELETIVO UNIFICADO - PSU - 2022) Mulher, 72 anos de idade, hipertensa e com obesidade grau 1, vem, há um mês, referindo aumento do volume abdominal e dispneia leve. Realizou ultrassonografia pélvica que evidenciou lesão sólida em ovário esquerdo, hipoecóica, bem delimitada, sem fluxo ao Doppler, de 2,0cm, com sombra acústica posterior; presença de grande volume de líquido livre em cavidade. Exame de imagem evidenciou derrame pleural. Nega perda ponderal. Feito estudo de CA-125 que veio em baixos níveis. Diante do caso, identifique o tumor ovariano mais provável: A) Fibroma. B) Disgerminoma. C) Carcinoma seroso. D) Carcinoma endometrioide. COMENTÁRIOS: A questão quer que você pense nesse tumor pela presença da síndrome de Meigs, que se caracteriza por um tumor sólido de ovário, com ascite e derrame pleural, como dissemos anteriormente. A paciente não apresenta outros sinais sugestivos de malignidade no caso. Como o fibroma é o tumor mais associado a esse quadro, a alternativa correta é a letra “a”. Correta a alternativa A. Vamos falar brevemente sobre um outro tumor ovariano benigno que pode aparecer nas provas de residência. O endometrioma é uma das possíveis manifestações da endometriose e é abordado com detalhes no livro digital sobre o assunto. O intuito com o quadro que traremos abaixo é que você perceba que esse tumor faz parte dos diagnósticos possíveis quando investigamos tumores anexiais. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 23 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário Endometrioma Definição: é uma das apresentações clínicas da endometriose e ocorre quando o tecido endometrial acomete os ovários. Faixa etária: idade reprodutiva Clínica: presença de dor pélvica crônica, associada a lesões fixas à pelve e dolorosas à palpação; podem haver outros sintomas associados ao quadro de endometriose Tratamento: depende de diversos fatores (consulte o livro digital sobre endometriose para entender mais sobre o tratamento desse tumor) Achado ultrassonográfico: apresentam-se como formações císticas hipoecogênicas e homogêneas. Porém, os endometriomas são chamados de “os grandes imitadores”, porque também podem apresentar-se com outras características ultrassonográficas, tais como septações e paredes espessadas com focos hiperecogênicos, o que torna importante fazer o diagnóstico diferencial com os cistos funcionais (hemorrágicos) e outros tumores anexiais. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 24 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário (SP - Universidade de São Paulo - USP - 2018) Paciente de 30 anos de idade queixa-se de dismenorreia há 4 meses. É nuligesta e usa preservativo para contracepção. Exame especular normal, toque vaginal com útero de volume normal, móvel, indolor, presença de tumoração anexial direita, consistência cística, dolorosa à mobilização, região anexial esquerda sem achados significativos. Realizou ultrassonografia transvaginal, cuja imagem de ovário direito está mostrada a seguir. O ovário esquerdo é normal e não há outras alterações na ultrassonografia. Qual é o tratamento mais adequado para o caso? A) SP - Exérese do ovário que apresenta o cisto. B) Punção esvaziadora por via transvaginal. C) Exérese do cisto com preservação do ovário. D) Análogo do GnRH e controle ultrassonográfico do cisto. CAI NA PROVA COMENTÁRIOS: Incorreta a alternativa A: apesar de tratar-se de um cisto com indicação de abordagem cirúrgica, devido ao tamanho associado ao risco de torção e por apresentar características benignas compatíveis com um endometrioma, pela idade da paciente deve ser preservada a fertilidade e a produção hormonal, por meio da conservação ovariana. Incorreta a alternativa B: o esvaziamento de massas ovarianas é uma conduta proscrita, devido ao risco de disseminação de células cancerígenas, em caso de lesões suspeitas. Apenas abscessos tubo-ovarianos podem ser puncionados, porém essa imagem e a história da paciente não são compatíveis com um abscesso. Correta a alternativa C: o cisto em questão apresenta cerca de 10 cm, com risco de torção ovariana associado. Além disso, pela história clínica e pelas características da imagem, pode corresponder a um endometrioma, que deve ser abordado. Como apresenta características benignas e a paciente é jovem, a ooforoplastia é a melhor técnica para exérese. Incorreta a alternativa D: o análogo de GnRh é uma substância que promove um estado de menopausa química por bloqueio do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano, não tendo papel no controle de cistos ovarianos. Em casos de cistos simples, os anticoncepcionais orais combinados podem ser empregados para controle. Nesse caso, devido ao tamanho e à possibilidade de endometrioma, a conduta deve ser cirúrgica. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 25 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário 2.2 DIAGNÓSTICO O diagnóstico definitivo dos tumores ovarianos somente pode ser dado pela avaliação histopatológica. A descoberta de um tumor anexial pode ocorrer pela investigação de uma paciente sintomática submetida a um exame de imagem ou mesmo por um achado incidental de um exame de imagem realizado em uma paciente assintomática. 2.2.1 QUADRO CLÍNICO O quadro clínico pode ser bastante inespecífico ou as pacientes podem, até mesmo, ser assintomáticas. O sintoma mais frequente é a dor pélvica, devido à compressão do tumor às estruturas adjacentes. A compressão pode gerar sintomas gastrintestinais, como sensação de plenitude gástrica, dispepsia ou distensão abdominal. Pode haver sangramento genital, aumento de volume abdominal e sintomas consumptivos, como emagrecimento e falta de apetite. Quadros com instalação mais aguda, com rápida progressão e com sintomas consumptivos devem fazer você pensar em um tumor maligno. Em doenças mais avançadas, pode haver ascite, derrame pleural ou a presença de nódulos peritoneais palpáveis 2.2.2 EXAME FÍSICO no exame físico (nódulo de Irmã Maria José), que são sinais de presença de implantes neoplásicos no peritônio. Na anamnese, além da caracterização da sintomatologia, deve-se atentar para fatores de risco para neoplasia ovariana, que serão descritos, com detalhes, mais adiante, além de buscar sintomas específicos que possam sugerir uma etiologia mais clara. Por exemplo, a paciente deve ser interrogada sobre atraso menstrual e uso de anticoncepcional, a fim de afastar uma gestação; sangramentos genitais podem estar associados a leiomiomas; assim como sinais infecciosos podem sugerir um quadro de doença inflamatória pélvica aguda complicada com um abscesso tubo- ovariano O exame físico pode trazer algumas informações adicionais sobre o quadro, sobretudo quanto às características e à localização da massa. Por meio do toque vaginal, pode ser avaliada a localização da massa, bem como sua consistência, tamanho e mobilidade. Processos inflamatórios podem manifestar-se com sinais de peritonite ao exame pélvico. O toque retal pode ser empregado para descartar lesões do trato gastrintestinal, bem como para avaliar algumas estruturas, como os paramétrios, que podem ser acometidos em outra neoplasia ginecológica, o câncer de colo uterino. 2.2.3 EXAMES LABORATORIAIS Os exames laboratoriais devem ser solicitados de acordo com as suspeições clínicas obtidas pela anamnese e pelo exame físico. Em mulheres na fase reprodutiva, o exame de beta-HCG é mandatório para descartar uma gestação. Um hemograma completo pode revelar leucocitose,sugerindo um quadro infeccioso, bem como sinais de anemia, que pode estar associada a um quadro agudo, como gestação ectópica rota, ou até mesmo a um quadro crônico de neoplasia maligna. Os exames laboratoriais mais cobrados pelas provas de Residência são os marcadores tumorais e você deve dar uma atenção especial a eles. Algumas questões têm esse assunto como temática principal, conforme apresentaremos mais adiante. A importância dos marcadores tumorais na investigação dos tumores ovarianos reside, principalmente, no fato de não haver a possibilidade de análise histopatológica por meio de biópsia, como é feito na maior parte das neoplasias. É importante que você tenha em mente que esses exames não servem para rastreamento de neoplasias e devem ser empregados, apenas, quando houver presença de lesão anexial que necessita de investigação. A tabela abaixo resume os marcadores tumorais e a qual subtipo de tumor eles estão mais associados: Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 26 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário Marcador tumoral Tumor de ovário Alfafetoproteína Teratoma imaturo, carcinoma embrionário, tumor das células de Sertoli-Leydig Beta-HCG Coriocarcinoma, carcinoma embrionário, disgerminoma LDH Disgerminoma CA 125 Tumores epiteliais CA 19.9 Tumores epiteliais (mucinosos) CEA Tumores epiteliais (mucinosos) Inibina Tumor de células da granulosa Testosterona Tumor de células de Sertoli-Leydig Estradiol Tumor de células da granulosa (juvenil) A) CA-125 Dentre os marcadores tumorais séricos, o mais relevante e estudado para as neoplasias de ovário é o CA-125. Ele está aumentado em 80% das pacientes com câncer epitelial de ovário, porém pode estar normal em estágios menos avançados; por esse motivo, níveis normais não excluem a possibilidade de câncer. Além disso, não se trata de um marcador específico, podendo estar aumentado em outras patologias, como endometriose, câncer de pulmão, câncer de mama e tuberculose. Apesar das limitações, ele deve ser empregado na investigação de massas anexiais de todas as mulheres após a menopausa e, em casos suspeitos, nas mulheres em idade reprodutiva. Na fase pós-menopausa, valores acima de 35 Ui/mL têm valor preditivo positivo de 98%, isto é, uma vez que o exame dê positivo, há 98% de chances dessa paciente ter câncer. Ele também é uma ferramenta muito importante no seguimento de pacientes com diagnóstico de câncer, submetidas a tratamento. Aumento nos seus níveis podem indicar recidiva. Abaixo, trazemos características dos marcadores mais cobrados nas provas. Em relação aos demais marcadores, as provas cobram apenas a qual tumor eles estão associados. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 27 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário B) CEA (antígeno carcinoembrionário) O CEA é o marcador mais associado a tumores de trato gastrintestinal, sobretudo ao câncer de cólon. Como os tumores mucinosos do ovário guardam semelhanças com tumores gastrintestinais, esse marcador pode estar aumentado nesses casos. Sua elevação pode sugerir, também, a presença de tumor metastático no ovário, com trato gastrintestinal como sítio primário. C) CA 19-9 É o marcador mais específico para tumores mucinosos, apresentando especificidade superior a 80%, muito maior do que a do CA-125, nesses casos. Valores acima de 40 Ui/mL são considerados elevados. CAI NA PROVA (PR - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA - UEL 2016) Quanto aos marcadores tumorais, a adequada e atual propedêutica no diagnóstico diferencial dos tumores ovarianos, assinale a alternativa correta. A) A a-feto proteína deve ser dosada nos tumores, no menacme e na senilidade. B) A dosagem do ß-HCG é essencial no diagnóstico diferencial dos tumores epiteliais. C) A dosagem do CA-125 é irrelevante, pois pode estar elevada em processos benignos. D) A DHL deve ser solicitada apenas na suspeita de tumores germinativos da infância. E) No diagnóstico diferencial de tumores de células granulosas, o CEA é fundamental. COMENTÁRIOS Incorreta a alternativa A: a alfafetoproteína é um marcador de tumores de origem embrionária, comum na fase pré-puberal. Incorreta a alternativa B: o beta-HCG está relacionado a tumores gestacionais e de cordão sexual, não havendo aumento nos casos de tumor epitelial. Incorreta a alternativa C: apesar de ser um marcador pouco específico, por estar aumentado em diversas patologias, valores elevados estão associados à maior possibilidade de tumores epiteliais malignos. Correta a alternativa D: o DHL encontra-se elevado nos casos de disgerminoma, um tumor de célula germinativa mais prevalente na infância. Incorreta a alternativa E: nos tumores de célula da granulosa, por serem tumores funcionantes do ovário, estão associados a aumentos hormonais, como o de inibina e de estradiol. O CEA está mais associado a tumores epiteliais mucinosos ou a metástases de tumores de trato gastrintestinal. O antígeno derivado da proteína do epidídimo humano (HE4) é aprovado pelo FDA para monitorização de recorrência do câncer epitelial de ovário e vem sendo estudado como um possível marcador tumoral para essa neoplasia. Alguns estudos mostram uma boa sensibilidade e especificidade no uso conjunto de diversos marcadores. Apesar disso, carecemos de mais estudos para indicar essa avaliação. Algumas questões podem já começar a trazer esse marcador e é importante que você entenda o seu papel. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 28 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário 2.2.4 EXAMES DE IMAGEM Critérios de IOTA (International Ovarian Tumor Analysis) para predição de risco de câncer de ovário em tumores anexiais – regras simples” ou “simple rules Benignidade Malignidade Unilocular Tumor sólido irregular Presença de componente sólido menor que 7mm Presença de ascite Presença de sombra acústica posterior Ao menos quatro estruturas papilares Tumor multilocular regular com diâmetro menor que 100 mm Tumor multilocular com componente sólido e diâmetro maior ou igual a 100mm Ausência de fluxo ao Doppler Vascularização intensa Os critérios para utilização das regras são: • Se o tumor apresentar ao menos uma característica de malignidade e nenhuma de benignidade, é considerado provavelmente maligno. • Se o tumor apresentar ao menos uma característica de benignidade e nenhuma de malignidade, o tumor é provavelmente benigno. • Se o tumor apresentar características de benignidade e malignidade, é considerado inconclusivo. Além dos critérios de IOTA, algumas outras características podem estar associadas à malignidade, como: bilateralidade, paredes irregulares, presença de septos grosseiros, conteúdo espesso. Em alguns materiais, dimensão superior a 8 cm é considerada critério de malignidade. As questões podem caracterizar os tumores como IOTA B (benigno), IOTA I (inconclusivo) ou IOTA M (maligno). A ultrassonografia pélvica é o exame de escolha para a investigação inicial de massas anexiais. O baixo custo, associado à familiaridade dos ginecologistas com o uso e à boa qualidade de imagem, faz com que esse seja o método de primeira linha, nesses casos. As características básicas que devem ser avaliadas, nos tumores anexiais, são: paredes, conteúdo, presença de septos, presença de projeções sólidas e vascularização. A ressonância magnética pode ser empregada em pacientes virgens ou em gestantes, quando há limitação para a utilização da ultrassonografia. Ela apresenta sensibilidade de 85% e especificidade de 74% em lesões malignas. A fim de padronizar as avaliações e predizer o risco de malignidade associado aos tumores anexiais, a International Ovarian Tumor Analysis (IOTA) desenvolveu critérios que permitem classificar as lesões em provavelmente benignas, provavelmente malignas e indeterminadas, facilitando a decisão no planejamento terapêutico dessas pacientes. As provas de Residêncianão costumam abordar, especificamente, esses critérios, porém utilizam-nos, implicitamente, para cobrar a conduta em casos de tumores ovarianos. A tabela abaixo traz as chamadas “regras simples” desenvolvidas pela IOTA: Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 29 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário CAI NA PROVA (PR - HOSPITAL ANGELINA CARON - 4 2022) São características ultrassonográficas malignas do ovário, exceto: A) Espessos B) Conteúdo sólido líquido C) Estruturas papilares (acima de 4] D) Ascite E) Presença de anel vascular em roda de fogo, no doppler COMENTÁRIOS: Incorreta a alternativa A, pois a presença de conteúdo espesso, com aspecto mais sólido, é uma característica suspeita de malignidade. Os cistos anecogênicos, ou seja, repletos de conteúdo líquido e fluido são mais sugestivos de benignidade. Incorreta a alternativa B, pois a presença de componente sólido aumenta o risco de malignidade. Incorreta a alternativa C, pois pelos critérios de IOTA, a presença de 4 ou mais projeções papilares sugere malignidade. Incorreta a alternativa D, pois a presença de ascite também é um sinal de malignidade. Correta a alternativa E, alternativa correta, pois a presença de anel de fogo é sugestiva de cisto de corpo lúteo, como já foi explicado na teoria acima, sendo sugestivo de benEignidade. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 30 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário Tratado de Ginecologia Febrasgo / editores: Cesar Eduardo Fernandes, Marcos Felipe Silva de Sá; coordenação: Agnaldo Lopes da Silva Filho ...[et As imagens abaixo apresentam cistos com essas características de malignidade, descritos pelos critérios de IOTA:al.]. 1. ed. Rio de Janeiro A) cisto multilocular; B) cisto unilocular com componente sólido; C) cisto multilocular como componente sólido; D) imagem sólida ovariana. CAI NA PROVA (SP - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS - UNICAMP) - Mulher, 28a, procurou o Pronto Atendimento com queixa de dor pélvica de moderada intensidade há dois dias. Nega leucorreia, febre ou disúria. Refere ciclos menstruais regulares, com última menstruação há 14 dias. Método contraceptivo=condom. Exame físico: dor à palpação profunda de hipogastro, sem outras alterações. Beta-HCG=negativo. Ultrassonografia pélvica: cisto ovariano à esquerda medindo 6cm, multiloculado, com paredes lisas, sem projeções ou fluxo ao doppler (IC=1) IOTA-B. Paciente apresentou melhora do quadro após analgesia. A CONDUTA EM RELAÇÃO AO CISTO OVARIANO É: Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 31 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário COMENTÁRIOS: A questão não especifica os critérios, mas conclui que se trata de um tumor benigno (IOTA B). Estamos diante de um quadro de abdome agudo causado por um tumor benigno do ovário. Pela descrição, não existe nenhum sinal de urgência que indique uma abordagem imediata, como peritonite ou instabilidade hemodinâmica. Portanto, nesse caso devemos adotar uma conduta conservadora. GABARITO: Conduta expectante/Repetir ultrassonografia O sistema de classificação O-RADS do American College of Radiology (ACR) apresentou rápida aceitação entre os radiologistas, principalmente devido à associação dos descritores dos achados nos exames de ultrassonografia (US), originados das descrições do grupo internacional de estudo em tumores ovarianos, com achados relevantes da ressonância magnética (RM), como também à caracterização da vascularização das lesões na avaliação dinâmica após a injeção de contraste intravenoso por RM. As tabelas abaixo resumem a classificação ultrassonográfica do ORADS. O-RADS Score Categoria de risco Valor preditivo positivo Descrição Conduta Pré-Menopausa Pós-menopausa 0 Avaliação incompleta N/A N/A 1 Ovários normais N/A Folículo ou corpo lúteo 10cm Cistos dermoides típicos, endometriomas ou cistos hemorrágicos >10cm Cisto unilocular de qualquer tamanho, com parede interna irregular Cisto multilocular com paredes/septações lisas 50% Lesão sólida Presençã de >4 projeções papilares Cisto multilocular com componente sólido, com CS 3-4 Lesão sólida com CS=4 ou com contorno irregular Ascite ou nódulos peritoneais Oncoginecologista A descrição de ORADS- 2 menciona lesões benignas clássicas. As lesões benignas clássicas são: cisto hemorágico, cisto dermoide (de todos esses fatores, é possível estimar, com maior precisão, o risco de malignidade de um tumor anexial, que é o principal objetivo da investigação. Nos quadros em que há uma suspeita de malignidade elevada, a paciente deverá ser referenciada a um especialista em oncologia ginecológica para a abordagem cirúrgica, que trará o diagnóstico histopatológico definitivo. Mais adiante, abordaremos a conduta na suspeita de câncer de ovário, em que o estadiamento cirúrgico é um passo fundamental. As provas de Residência não costumam abordar as condutas terapêuticas nos tumores anexiais em crianças. É importante lembrar que, pelo fato do teratoma ser a principal etiologia para as lesões nessa faixa etária, existe um risco de torção anexial associado. Além disso, o tratamento nessa faixa etária deve visar a preservação da fertilidade da paciente. Esse assunto é abordado, com detalhes, no livro digital sobre abdome agudo em Ginecologia. 2.3.2 IDADE REPRODUTIVA 2.3 TRATAMENTO 2.3.1 PRÉ-PÚBERE Considerar gravidez ectópica Massa anexial Referencia para oncoginecologista Achados suspeitos de malignidade (USG/RNM) Teste de gravidez Massa > 10cm SIM NEGATIVO SIM NÃO NÃO POSITIVO Persistência por mais de 12 semanas Repetir imagem a cada 4 semanas Afastar abscesso tubo-ovariano Conduta expectante/ considerar AINE e anticoncepcional Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 35 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário Quando há suspeita de malignidade, uma possibilidade de tratamento é a realização de ooforectomia com congelação intraoperatória. A congelação consiste em enviar a peça cirúrgica para avaliação histopatológica ainda durante a cirurgia, a fim de evitar a necessidade de cirurgias mais radicais para o estadiamento do câncer de ovário, principalmente em pacientes mais jovens. Caso a avaliação seja positiva para malignidade, a paciente deve ser estadiada para o câncer de ovário; se for negativa, não há necessidade de complementação. É importante que você tenha em mente que o diagnóstico de certeza somente pode ser obtido após a avaliação detalhada da peça cirúrgica no pós-operatório. Existe a possibilidade de haver malignidade que não foi evidenciada na congelação. ENCAMINHAR AO ONCOGINECOLOGISTA = ABORDAGEM CIRÚRGICA CAI NA PROVA (MT - UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO - UFMT - 2023) MAS, 26 anos, nuligesta, ciclos menstruais regulares, sem queixas ginecológicas, apresenta imagem ultrassonográfica em ovário esquerdo, cística com medida de 12,5 x 10,0 x 9,5 cm, volume de 593 cm³, sem aumento de fluxo ao doppler, ausência de sinais de espessamento de capsula, septações ou áreas cístico sólidas. Diante do quadro, é correto afirmar: A) Devido ao tamanho, volume e características ultrassonográficas, trata-se de um cisto com alto potencial de malignidade, sendo necessárias avaliação e conduta da equipe de oncologia. B) Solicitação e avaliação dos marcadores tumorais é fundamental na definição da conduta terapêutica. C) Pelas características ultrassonográficas, trata-se de um cisto simples folicular, sendo a inibição da ovulação com contraceptivos a conduta ideal. D) Trata-se de um cisto volumoso com características de benignidade, porém com indicação de tratamento cirúrgico devido ao tamanho e volume e risco de torção ovariana. COMENTÁRIOS: Todas as características descritas em relação ao cisto são compatíveis com uma lesão benigna. Trata-se de lesão cística, sem componente sólido, como paredes finas e regulares e sem fluxo ao doppler. Além disso, estamos diante de uma paciente jovem, o que diminui o risco de malignidade. Apesar disso, é um cisto de grande volume e que pode trazer complicações. Alternativa “a” incorreta, pois há um baixo potencial de malignidade pelas características. Alternativa “b” incorreta, pois não há indicação de solicitação de marcadores tumorais na investigação inicial de tumores ovarianos em pacientes jovens. Alternativa “c” incorreta, pois as características de fato apontam para um cisto folicular, porém não há indicação e supressão ovariana para reduzí-lo. Alternativa “d” correta, pois conforme o fluxograma da FEBRASGO, lesões maiores que 10 cm devem ser encaminhadas para investigação cirúrgica. Além disso, há um risco de torção devido ao tamanho do cisto. É importante lembrar que os cistos que mais torcem tem entre 4 e 10 cm. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 36 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário (RJ - 2019 - SP - HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN - HIAE - 2024) Mulher, 26 anos de idade, traz laudo de ultrassonografia endovaginal solicitada para avaliar posicionamento de DIU hormonal inserido há 6 meses. Observa-se, no exame, anexo direito com imagem multicística, medindo 4 cm no maior diâmetro, com septo espesso e 2 vegetações, medindo a maior 9 mm, sem fluxo ao doppler colorido. A conduta mais adequada nesse caso, dentre as abaixo, é: A) Indicar ooforoplastia e retirada do DIU. B) Indicar ooforectomia unilateral e histerectomia total por videolaparoscopia ou laparotomia. C) Conduta expectante com controle ultrassonográfico em 3 meses. D) Indicar ooforectomia com proteção de bolsa para retirada da peça e congelação. COMENTÁRIOS: No caso apresentado, a paciente não fecha critérios de malignidade pelos critérios de IOTA, porém tem caracterísitcas suspeitas de malignidade na lesão como vegetações e septos grosseiros, não podendo ser adotada uma conduta meramente expectante. De acordo com o fluxograma da FEBRASGO apresentado acima, lesões com características de malignidade devem ser encaminhadas ao oncoginecologista para avaliação (cirurgia). Incorreta a alternativa “a”, pois não há indicação de retirada do DIU em casos de neoplasias ovarianas. A ooforoplastia até poderia ser aceita, pensando em uma paciente jovem. Porém, quando há suspeita de malignidade, o ideal é realizar uma ooforectomia. Incorreta a alternativa "b" , pois não há indicação de realizar uma histerectomia nesse caso. Incorreta a alternativa "c" , pois apesar de pelos critérios de IOTA não haver sinais de malignidade, há características suspeitas na ultrassonografia que impedem a adoção de conduta expectante. Alternativa "d" correta pois essa paciente tem indicação de abordagem cirúrgica. Por se tratar de paciente jovem com lesão suspeita, podemos tentar uma cirurgia conservadora com ooforectomia com congelação intraoperatória a fim de confirmar ou descartar neoplasia maligna. Por se tratar de lesão suspeita, a ooforectomia é um procedimento mais adequado do que apenas a ooforoplastia. Concordamos que é uma conduta bastante agressiva, mas há respaldo da literatura para essa conduta. 2.3.3 PÓS-MENOPAUSA Nessa fase de vida da mulher, o risco de malignidade na presença de uma massa anexial é mais alto do que nas demais. Por esse motivo, a investigação invasiva será mais frequente do que nas pacientes mais jovens. Além dos exames de imagem, o uso do CA-125 é importante para a definição da conduta terapêutica. Quanndo se opta por conduta cirúrgica nessa faixa etária, a cirurgia de escolha costuma ser o estadiamento completo. Porém, a ooforectomia com congelação é uma possibilidade em caso de dúvida diagnóstica. (O fluxograma abaixo, também extraído do Tratado de Ginecologia da FEBRASGO, traz a abordagem das massas anexiais nessa faixa etária: Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 37 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário CAI NA PROVA Massa anexial Referencia para oncoginecologista Achados suspeitos de malignidade (USG/RNM) Massa > 10 cm CA 125 > 35U/ml SIM SIM SIM NÃO NÃO NÃO Persistência por mais de 12 semanas Repetir imagem a cada 4 semanas SP - UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - USP Ribeirão - 2021) Mulher de 69 anos, queixando- se de discreto aumento do volume abdominal há quatro meses. Ao exame ginecológico palpa-se massa endurecida e aderida de 7 cm de diâmetro em regiãoanexial esquerda. OCA 125 é de 380 UI/mi e a ultrassonografia transvaginal está representada na figura. Qual é a melhor conduta? A) Complementar com ressonância da pelve. B) Indicar avaliação cirúrgica. C) Repetir a avaliação em três meses. D) Realizar biópsia da lesão com agulha grossa. Estratégia MED Prof. Carlos Eduardo | Curso extensivo | 2025 GINECOLOGIA 38 Tumores Anexiais e Câncer de Ovário COMENTÁRIOS: Estrategista, esta paciente apresenta um quadro de aumento do volume abdominal as custas de uma massa endurecida no anexo esquerdo. Observamos aumento do CA 125 (marcador tumoral de câncer de ovário) e o ultrassom mostra uma imagem suspeita de malignidade pela presença de projeções papilares no interior. Incorreta a alternativa A, porque a ressonância irá fornecer poucas informação além do que já podemos ver no ultrassom. Temos um cisto com múltiplas estruturas papilares provavelmente maligno, com indicação de abordagem cirúrgica. Correta a alternativa B: a paciente apresenta quadro clínico sugestivo de câncer de ovário e a ultrassonografia mostra imagem sugestiva de um carcinoma seroso de ovário (o mais frequente). Está indicada a abordagem cirúrgica para exérese do tumor e biópsia de congelação intraoperatória.Caso haja confirmação histológica deve-se prosseguir com o estadiamento cirúrgico. Incorreta a alternativa C, porque trata-se de um caso suspeito de malignidade e não se deve aguardar para proceder com a abordagem cirúrgica. Incorreta a alternativa D, porque não se deve realizar biópsia por agulha grossa nestes casos, devido ao risco de "espalhar" células neoplasicas pela cavidade peritoneal. (RS - HOSPITAL SÃO LUCAS DA PUC - RS - 2024) Mulher, 63 anos, nulípara, há 10 anos na menopausa, refere estar muito cansada nos últimos 6 meses. Cita aumento de abdómen e dor em região pélvica. Ao exame físico: massa pélvica palpável em região anexial esquerda de aproximadamente 15 cm e provável ascite. Ecografia transvaginal: útero anteroversofletido de 7,1x3,4x2,8 cm e lesão heterogénea no anexo esquerdo, cístico-sólida, de contorno irregular, com 11,0 cm de diâmetro e intensa vascularização ao Doppler colorido (com índice de resistência: 0,3). Traz os seguintes exames: antígeno derivado da proteína do epidídimo humano (HE4) de 37 pM (Valor ref.: