Prévia do material em texto
Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 1 de 108 AULA 03: MORFOLOGIA II Salve, salve!!! Chegou a hora da verdade! Estava muito ansioso para alcançar este momento. Quero dizer, antes de mais nada, que esta aula será o ‘divisor de águas’. Beleza? Vai aguentar?! Espero que sim, para que você não se enquadre entre aqueles sobre os quais um dia falou o poeta Mário Quintana: “Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem.” Cito mais um grande, Machado de Assis: “A vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal.” Depois dessas motivações (leia-as assim, rs)... prepare-se para voar alto! Quero que você leve muito a sério tal aula, pois ela fará você acertar pelo menos umas duas questões na sua prova. Não sou vidente, mas consigo prever o futuro por experiência de observar seu concurso. Mesmo você sabe isso... afinal, qual prova hoje em dia não trabalha verbos e pronomes? Então eu não conto novidade alguma. Não titubeie em estudar com afinco esta aula, que deve ser constantemente revisada por você. Ok?! Revisite, revisite, revisite quantas vezes forem necessárias o conteúdo desta aula! Nela serão revelados todos os segredos a respeito de Pronome e Verbo (mais especificamente flexão verbal, emprego de tempos e modos verbais; em pronomes: emprego, formas de tratamento e colocação) — as classes gramaticais mais exigidas em todos os concursos de Língua Portuguesa de nível médio e superior! No entanto, não se preocupe em decorar tudo. Veja as questões comentadas e perceba os assuntos mais recorrentes dentro de verbo e pronome. Foco! Estamos juntos? Missão dada, missão cumprida! Faça os exercícios com calma. “Cole” muitas vezes da teoria que está à sua disposição (aproveite que aqui você pode fazer isso, rs). Rumo à vaga, sem pestanejar, meus amigos!!! Sumário 1- Pronome.................................................................................02 2- Verbo......................................................................................28 3- Questões com gabarito comentado.........................................67 Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 2 de 108 Pronome Palavra que • concorda em gênero e número com o substantivo, portanto variável. • substitui/representa ou acompanha/determina um nome substantivo, indicando as pessoas do discurso. É chamado de pronome substantivo aquele que substitui um substantivo: “João é gente boa, mas ele não é benquisto em sua família imediata”. É chamado de pronome adjetivo aquele que acompanha um substantivo explícito: “Minha casa é maravilhosa”. Note que ‘ele’ se refere à 3ª pessoa do discurso, ou seja, a pessoa sobre quem se fala (assunto da conversa, do discurso); já ‘minha’ se refere à 1ª pessoa do discurso, a pessoa que fala (o falante); a 2ª pessoa do discurso é a pessoa com quem se fala (ou interlocutor ou ouvinte). Estas posições são as adotadas pela maioria dos gramáticos, como Celso Cunha. Meu nobre aluno, por favor, ouça-me com atenção!!! A prova que você irá fazer quer saber se você domina o conhecimento de pronomes dentro do texto. “Como assim, Pestana?” A banca quer saber se você percebe as relações entre os pronomes e as palavras dentro do texto. Lembra-se de coesão referencial? Então, é disso que eu estou falando. Reitero: o que a banca quer saber de você é: o pronome X faz referência a que elemento ou ideia dentro do texto, a um(a) anterior ou a um(a) posterior? Espero que você já esteja escaldado com esse tipo de questão. Veja o texto abaixo (sublinho o pronome que faz referência a um elemento dentro do texto): Minha alegria minha alegria permanece eternidades soterrada e só sobe para a superfície através dos tubos alquímicos e não da causalidade natural. ela é filha bastarda do desvio e da desgraça, minha alegria: um diamante gerado pela combustão, como rescaldo final de um incêndio. (Waly Salomão) Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 3 de 108 ‘Ela’ se refere à alegria, superfície ou causalidade? Interessante dizer que o poeta nos esclarece ao dizer assim: “ela é filha bastarda do desvio e da desgraça, minha alegria”. Mais interessante ainda é dizer que, pelo contexto, por mais que ele não nos tivesse esclarecido, ainda assim entenderíamos que ‘ela’ se refere à alegria, mencionada no 1º verso da 1ª estrofe. Muito inusitado o uso deste pronome, pois ao mesmo tempo em que substitui um termo anterior (valor anafórico), também faz referência a um termo posterior (valor catafórico): em ambos os casos, o termo é ‘minha alegria’. O referente do ‘ela’ é o mesmo, a saber: ‘minha alegria’, seja retomada (por anáfora) ou antecipada (por catáfora). Para ficar mais claro, seguem alguns exemplos em que pronomes têm valor anafórico ou catafórico: João é estudioso, por isso ele consegue boas notas. Ele é um cara muito esforçado, por isso todos adoram o João. O estudo é algo primordial, e eu o levo muito a sério. A aluna quer muito a vaga. Sua determinação é invejável. João e Pedro passaram, mas nenhum vai ficar. Ela e ele se classificaram, mas quem ficou realmente feliz? Só isto me interessa: a aprovação. O professor que me ajudou a passar foi o Pestana. Portanto, os pronomes exercem um papel decisivo na construção de um texto coeso e coerente, a partir de sua capacidade de referência textual. Classificação dos Pronomes São seis tipos: pessoais, possessivos, indefinidos, interrogativos, demonstrativos e relativos. Pronomes Pessoais Substituem as pessoas do discurso; podem ser do caso reto, do caso oblíquo (átono ou tônico) ou de tratamento. Retos Normalmente exercem função de sujeito da oração. 1ª pessoa: eu (singular), nós (plural) 2ª pessoa: tu (singular), vós (plural) 3ª pessoa: ele/ela (singular), eles/elas (plural) O que você precisa saber sobre estes pronomes é o seguinte: Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 4 de 108 • Ocupam posição de sujeito, predicativo do sujeito e vocativo (este último só os de 2ª pessoa). Portanto, é um desvio gramatical o uso deles com função de objeto direto. Ex.: Filma nós, Galvão! / Chama eu, por favor! / Pega ele, pega ele! Deveria ser, por mais estranho que seja, para respeitar a norma culta: Filma-nos, Galvão! / Chama-me, por favor! Pega-o, pega-o! No entanto, se os pronomes retos (exceto ‘eu’ e ‘tu’) estiverem acompanhados de todos(as), só, apenas, somente, ou numeral, obtêm a permissão de serem postos em posição de objeto direto por alguns gramáticos, como Faraco & Moura. Bechara adota a posição de que só é aceita a posição de objeto direto se os retos vierem acompanhados de todos(as), assim concorda com ele Sacconi: Vi todos eles naquele dia. / Vimos apenas vós na festa. / Viram nós três saindo de lá. Lembra-se da música da Marisa Monte? Beija eu, beija eu, beija eu, me beija... Então, o que acha? Ela tem licença poética, ou seja, ela pode, você não, rs... • Segundo as opiniões de Evanildo Bechara e Adriano da Gama Kury, a contração da preposição‘de’ com o pronome reto ‘ele(a/s)’ antes de verbo no infinitivo é facultativa: Ex.: É hora ‘dela’ (ou ‘de ela’) beber água. Mas a maioria dos gramáticos divergem desta contração; para eles, não pode haver contração alguma: É hora ‘de ela’ beber água. • O mau uso de ele(a/s) pode gerar ambiguidade. Ex.: João e Pedro saíram com o pai deles. Ele ficou chateado por não chamarem a mãe. (Ele quem?) Oblíquos Normalmente exercem função de complemento verbal. Os pronomes oblíquos átonos são: 1ª pessoa: me (singular), nos (plural) 2ª pessoa: te (singular), vos (plural) 3ª pessoa: se (singular ou plural), lhe(s), o(s), a(s) O que você precisa saber sobre estes pronomes é o seguinte: Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 5 de 108 • Os pronomes oblíquos átonos de 3ª pessoa o(s), a(s), se estiverem ligados a verbos terminados em r, s e z, viram lo(s), la(s). Se estiverem ligados a verbos terminados em ditongo nasal, viram no(s), na(s): Ex.: Vou resolver uma questão = Vou resolvê-la. / Fiz o concurso porque quis o emprego de funcionário público = Fi-lo porque qui-lo. / Apagaram nossos arquivos = Apagaram-nos. / Você põe a mão onde não deve = Você põe-na onde não deve. • Vale muito a pena dizer que os pronomes oblíquos átonos que eu acabei de mencionar, logo acima, exercem função de objeto direto e são de 3ª pessoa! “Por que você fez este adendo, Pestana?” Simples, meu nobre. Já vi muita gente boa cometendo deslizes do tipo: Ex.:“Eu vou informá-lo a verdade”. O problema é que quem informa, informa algo A ALGUÉM (objeto indireto). A frase, de acordo com a norma culta, deveria ser: Eu vou informar-lhe a verdade. O ‘lhe’ sim exerce função de objeto indireto. • Cuidado com o nos (1ª pessoa do plural) e o nos (3ª pessoa do plural), pois o mau uso deles pode provocar ambiguidade. Ex.: Os jornais chamaram-nos de extorsores. (chamaram a eles ou a nós?) • Cuidado!!! O pronome oblíquo LHE merece toda a nossa atenção, pois ele não substitui o complemento preposicionado de todos os verbos transitivos indiretos (verbos que exigem objeto indireto); ele exerce normalmente função de objeto indireto; e um “bizu”: o LHE pode ser substituído por A ELE(A/S) ou PARA ELE(A/S). Lembra-se da música do Moraes Moreira? Veja: Ex.: Eu ia lhe chamar enquanto corria a barca... O que acha do uso do LHE neste caso? Inadequado à norma culta!!! O verbo chamar é transitivo direto (VTD), logo o LHE, que exerce função de objeto indireto (OI), não pode ser complemento de um VTD. Agora veja este exemplo: Ex.: Vi o filme que você me recomendou, apesar de não querer assistir-lhe. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 6 de 108 Nossa!!! Assistir-LHE??? Não “rola”, não é, meus nobres? “Por que, Pestana, afinal o LHE não exerce função de OI, o verbo assistir é VTI? O LHE não pode ser substituído por A ELE(A/S)?” Calma, gente! A força da gramática tradicional ainda diz que o ‘lhe’ não substitui complemento de certos verbos, como assistir, aspirar, referir-se, aludir, recorrer, etc. Está claro isso, certo? Regra. Portanto, a frase acima deveria ser assim: “Vi o filme que você me recomendou, apesar de não querer assistir a ele.” • Os pronomes oblíquos átonos podem funcionar como sujeito de infinitivo ou de gerúndio, quando se usam os verbos mandar, deixar, fazer (causativos) ou ver, ouvir, sentir e sinônimos (sensitivos). Ex.: Mandaram-me entrar. (E não: Mandaram eu entrar) / Deixe-as dormir. (E não: Deixe elas dormirem) / Faça-nos cantar. (E não: Faça nós cantarmos). Ficou claro? Mais exemplos: Viram-me sair. / Ouvi-o bater./ Sentimo-los abraçar-nos./ Vi-a chorando... • Construções quase arcaicas, mas ainda figurando nas gramáticas e em registros superformais são aquelas em que o pronome átono se contrai com outro átono; veja que coisa bisonha!: Ex.: Basta! Ele dar-ma-á de presente. = Basta! Ele dará a gramática (a) do Celso Cunha para mim (me) de presente. (me + a = ma) Meus amigos, como eu já havia falado, a aula de hoje é “pra queimar a mufa”! Ou eu não havia falado? Ah, sei lá... O fato é este: chegou a hora do pronome SE!!! Este pronome oblíquo átono tem cinco ‘facetas’: reflexivo (recíproco), integrante do verbo, expletivo (de realce), indeterminador do sujeito e apassivador. Nas explicações abaixo, precisarei contar com sua ajuda: seu conhecimento básico sobre transitividade verbal e um pouquinho de voz verbal. Vamos ver? Reflexivo (recíproco) Sempre acompanhado de verbo transitivo direto e/ou indireto (VTD/ VTI/VTDI). Segundo Bechara, ele “faz refletir sobre o sujeito a ação que ele mesmo praticou.” Diz-se que o pronome reflexivo é também recíproco quando há mais de um ser no sujeito e o verbo se encontra no plural. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 7 de 108 Ex.: A menina se cortou. / Se está doente, trate-se. / Os namorados se deram as mãos. (recíproco) / A avó e a neta se queriam muito. (recíproco) / Eles se beijaram. (recíproco) / Ela se impôs uma dieta muito severa. / Ele se achou culpado por ter perdido a luta. / Sofia deixou-se estar à janela. Integrante do verbo Sempre acompanha verbo intransitivo (VI) ou transitivo indireto (VTI). Baseando-me no Bechara, posso dizer que ‘tais verbos indicam sentimento (indignar-se, ufanar-se, atrever-se, alegrar-se, admirar-se, lembrar-se, esquecer-se, orgulhar-se, arrepender-se, queixar-se, etc.) ou movimento/atitudes da pessoa em relação ao seu próprio corpo (sentar-se, suicidar-se, concentrar-se, converter-se, afastar-se, precaver-se, etc.). Por favor, não confunda este tipo de ‘faceta’ com a ideia de reflexividade! Ex.: Ele se precaveu das pragas. / Ela, infelizmente, suicidou-se. / Nunca você deve queixar-se da sua vida. Expletivo (de realce) Sempre acompanhado de verbos intransitivos (VI). Pode ser retirado da oração sem prejuízo sintático e semântico, pois seu valor é apenas estilístico (ênfase, expressividade). Ex.: Vão-se os anéis, ficam-se os dedos. = Vão os anéis, ficam os dedos. / Ela se tremia de medo do escuro. = Ela tremia de medo do escuro. / Passaram-se anos, e ele não retornou ainda. = Passaram anos, e ele não retornou ainda. Indeterminador do sujeito Sempre acompanha verbos na 3ª pessoa do singular de quaisquer transitividades (verbo de ligação (VL), VI, VTD, VTI), sem sujeito explícito. No caso do VTD, precisará haver objeto direto preposicionado (ODP) para que o SE indetermine o sujeito — note o último exemplo abaixo. Tal indeterminação implica um sujeito de valor genérico (generalizador), impreciso. Ex.: Lá se era mais feliz. (VL) / Aqui se vive em paz. (VI) / Lamentavelmente, não se confia mais nos governantes. (VTI) / Ama-se a Deus aqui nesta Igreja. (VTD) Apassivador Sempre acompanha VTD ou VTDI para indicar que o sujeito explícito da frase tem valor paciente, ou seja, sofre a ação verbal. Sempre é possível reescrever a frase passando para a voz passiva analítica, ou seja, transformando o verbo em locução verbal (SER + PARTICÍPIO). Ex.: Alugavam-se apartamentos aqui. = Apartamentos eram alugados aqui. / Sabe-se que as línguas evoluem = É sabido que as línguas evoluem. / Jabuticaba se chupa no pé = Jabuticaba é chupadano pé. / Guerra se faz com Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 8 de 108 armas = Guerra é feita com armas. / Dar-te-ei um ósculo = Um ósculo será dado por mim a ti. / Amores não se compram = Amores não são comprados. Ainda dentro de pronomes oblíquos átonos, faz-se necessário que eu fale de colocação pronominal, ok? Então, vida que segue... Colocação Pronominal Também chamada de Topologia ou Sínclise Pronominal, é o nome que se dá à parte da Gramática que trata, basicamente, da adequada posição dos pronomes oblíquos átonos junto aos verbos. Relembrando os pronomes oblíquos átonos (POAs): � o, a, os, as (que viram -lo, -la, -los, -las diante de verbos terminados em -r, -s e-z ou viram -no, -na, -nos, -nas diante de verbos terminados em ditongo nasal (exceto os verbos no futuro do indicativo) Ex.: Comprei uma casa (Comprei-a) / Vou comprar uma casa (Vou comprá-la) / Eles compraram uma casa (Eles compraram-na) / Eles comprarão a casa (Eles comprarão-na (INADEQUADO)) Você vai entender daqui a pouco por que está INADEQUADA esta última forma! Além desses, há: � me, te, se, nos, vos, lhe (s) Relembrados os POAs, vamos às regras: PRÓCLISE É o nome que se dá à colocação pronominal antes do verbo; ela é usada em clássicos 12 (doze) casos: 1) Palavra de sentido negativo antes do verbo* Ex.: Não se esqueça de mim. * não, nunca, nada, ninguém, nem, jamais, tampouco, sequer, etc. Obs.: Após pausa (vírgula, ponto-e-vírgula...), usa-se ênclise: Não; esqueça- se de mim! 2) Advérbio ou palavra denotativa antes do verbo* Ex.: Agora se negam a depor. * já, talvez, só, somente, apenas, ainda, sempre, talvez, também, até, inclusive, mesmo, exclusive, aqui, hoje, provavelmente, por que, onde, como, quando, etc. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 9 de 108 Obs.: Se houver pausa (vírgula, ponto-e-vírgula...) após o advérbio, usa-se a ênclise: Agora, negam-se a depor. Segundo o gramático Rocha Lima, se houver repetição de pronomes átonos após pausas, pode-se usar a próclise: Ele se ajeitou, se concentrou, se arrumou e se despediu. 3) Conjunções subordinativas antes do verbo* Ex.: Soube que me negariam. * que, se, como, quando, assim que, para que, à medida que, já que, embora, consoante, etc. Obs.: Ainda que a conjunção esteja oculta, haverá próclise: Como não o achei, pedi-lhe (que) me procurasse. 4) Pronomes relativos antes do verbo* Ex.: Identificaram-se duas pessoas que se encontravam desaparecidas. * que, o qual (e variações), cujo, quem, quanto (e variações), onde, como, quando. Obs.: Em linguagem literária, encontramos uma colocação raríssima (inexistente nos registros formais no estágio atual da língua) chamada de apossínclise, em que o POA vem antes da palavra negativa: Convidei duas pessoas que se não falavam há tempos. 5) Pronomes indefinidos antes do verbo* Ex.: Poucos te deram a oportunidade. * alguns, todos, tudo, alguém, qualquer, outro, outrem, etc. 6) Pronomes interrogativos antes do verbo* Ex.: Quem te fez a encomenda? * que, quem, qual, quanto Obs.: Informação que cabe para qualquer caso de próclise: ignora-se a expressão intercalada, colocando o POA antes do verbo, pois seu antecedente ainda é o pronome 'quem': Mesmo quem, diante de situações precárias, se encontra calmo, padece. 7) Entre a preposição em e o verbo no gerúndio. Ex.: Em se plantando tudo dá. Obs.: O POA virá antes do gerúndio se estiver modificado por um advérbio: João não era ligado a dinheiro, pouco se importando com o conforto advindo dele. 8) Com certas conjunções coordenativas aditivas e certas alternativas antes do verbo* Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 10 de 108 Ex.: Ora me ajuda, ora não me ajuda. Não foi nem se lembrou de ir. * nem, não só/apenas/somente... mas/como (também/ainda/senão)..., tanto... quanto/como..., que, ou... ou.., ora...ora, quer... quer..., já... já..., etc. 9) Orações exclamativas e optativas (exprimem desejo) Ex.: Quanto se ofendem por nada, ora bolas! Deus te proteja, meu filho, que bons ventos o tragam logo. 10) Com o infinitivo flexionado precedido de preposição Ex.: Foram ajudados por nos trazerem até aqui. 11) Com formas verbais proparoxítonas Ex.: Nós lhe desobedecíamos sempre. 12) Com o numeral ambos Ex.: Ambos te abraçaram com cuidado. IMPORTANTE: Muitos gramáticos chamam de 'palavras atrativas' os termos que antecedem um verbo, os quais implicam a realização da próclise (casos: 1-6, 8, 13) ÊNCLISE É o nome que se dá à colocação pronominal depois do verbo; ela é usada nos seguintes casos: 1) Verbo no início da oração sem palavra atrativa Ex.: Vou-me embora daqui! Obs.: Com palavra atrativa: Já me vou embora daqui! 2) Pausa antes do verbo sem palavra atrativa Ex.: Se eu ganho na loteria, mudo-me hoje mesmo. Obs.: Com palavra atrativa: Se eu ganho na loteria, tão logo me mudo. 3) Verbo no imperativo afirmativo sem palavra atrativa Ex.: Quando eu avisar, silenciem-se todos. Obs.: Com palavra atrativa: Enquanto eu não avisar, jamais vos silenciem. 4) Verbo no infinitivo não flexionado sem palavra atrativa Ex.: Não era minha intenção machucar-te. Obs.: Os POAs -o, -a, -os, -as (-lo, -la, -los, -las) virão enclíticos aos infinitivos não flexionados antecedidos da preposição A: Estou inclinado a perdoá-lo. Apesar de tudo, continuo disposto a ajudá-la. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 11 de 108 Obs: Com palavra atrativa: ver Casos Facultativos mais abaixo. 5) Verbo no gerúndio sem palavra atrativa Ex.: Recusou a proposta fazendo-se de desentendida. Obs.: Com palavra atrativa: Recusou a proposta não se fazendo de desentendida. MESÓCLISE É o nome que se dá à colocação pronominal no meio do verbo (extremamente formal); ela é usada nos seguintes casos: 1) Verbo no futuro do presente do indicativo sem palavra atrativa Ex.: Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento em prol da paz no mundo. Obs.: O POA sempre ficará entre o 'r' do verbo e a terminação do verbo: Daremos um beijo no teu rosto =Dar-te-emos um beijo no rosto. Obs.: Com palavra atrativa: Talvez se realizará, na próxima semana, um grande evento... 2) Verbo no futuro do pretérito do indicativo sem palavra atrativa Ex.: Não fosse o meu compromisso, acompanhar-te-ia nesta viagem. Obs.: Com palavra atrativa: Mesmo não havendo compromisso, nunca te acompanharia nesta viagem. CASOS FACULTATIVOS 1) Pronomes demonstrativos antes do verbo sem palavra atrativa* Ex.: Aquilo me deixou triste ou Aquilo deixou-me triste * este (e variações), isto; esse (e variações), isso; aquele (e variações), aquilo Obs.: Acho que nem preciso dizer que a construção 'Aquilo me deixou-me triste' é algo IMPOSSÍVEL. PRECISO??? Não me deixe triste, hein! (rs) 2) Conjunções coordenativas (exceto aquelas mencionadas nos casos de próclise) antes do verbo sem palavra atrativa Ex.: Ele chegou e dirigiu-se a mim ou Ele chegou e se dirigiu a mim. Corri atrás da bola, mas me escapouou Corri atrás da bola, mas escapou-me. 3) Sujeito explícito com núcleo pronominal (pronome pessoal reto e de tratamento) antes do verbo sem palavra atrativa Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 12 de 108 Ex.: Ele se retirou ou Ele retirou-se. Eu te considerarei ou Eu considerar- te-ei. Sua Excelência se queixou de você ou Sua Excelência queixou- se de você. Obs.: Com verbos monossilábicos, a eufonia ordena que se use a próclise. Ex.: Eu a vi ontem, e não Eu vi-a ontem. 4) Sujeito explícito com núcleo substantivo antes do verbo sem palavra atrativa Ex.: Camila te ama ou Camila ama-te. 5) Infinitivo não flexionado precedido de palavras atrativas ou das preposições para, em, por, sem, de, até, a Ex.: Meu desejo era não o incomodar ou Meu desejo era não incomodá- lo. Calei-me para não contrariá-lo ou Calei-me para não o contrariar. Corri para o defender ou Corri para defendê-lo. Acabou de se quebrar o painel ou Acabou de quebrar-se o painel. Sem lhe dar de comer, ele passará mal ou Sem dar-lhe de comer, ele passará mal.Até se formar, vai demorar muito ou Até formar-se, vai demorar muito. Erro agora em lhe permitir que me deixe ou Erro agora em permitir-lhe que me deixe. Por se fazer de bobo, enganou a muitos ou Por fazer-se de bobo, enganou a muitos. Estou pronto a te acompanhar ou Estou pronto a acompanhar-te COLOCAÇÃO PRONOMINAL NAS LOCUÇÕES VERBAIS 1) Quando o verbo principal for constituído por um particípio: a) O pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar. Ex.: Haviam-me convidado para a festa. Obs.: O hífen que liga o verbo auxiliar ao POA é facultativo. b) Se, antes do tempo composto*, houver palavra atrativa, o pronome oblíquo ficará antes do verbo auxiliar. Ex.: Não me haviam convidado para a festa * locução verbal formada por 'ter/haver + particípio' Obs.: Se o verbo auxiliar estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito, ocorrerá a mesóclise, desde que não haja antes dele palavra atrativa. Ex.: Haver-me-iam convidado para a festa. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 13 de 108 2) Quando o verbo principal for constituído por um infinitivo ou um gerúndio a) Se não houver palavra atrativa, o pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar (com hífen), antes do principal (sem hífen) ou depois do verbo principal (com hífen) Ex.: Devo-lhe/Devo lhe esclarecer o ocorrido ou Devo esclarecer-lhe o ocorrido. / Estavam-me/Estavam me chamando pelo rádio ou Estavam chamando-me pelo rádio. Obs.: O hífen que liga o verbo auxiliar ao POA é facultativo. b) Havendo palavra atrativa, o pronome poderá ser colocado antes do verbo auxiliar ou depois do verbo principal. Ex.: Não posso esclarecer-lhe o ocorrido ou Não lhe posso esclarecer mais nada. / Estavam chamando-me ou Não me estavam chamando. Obs.: Os casos facultativos 1, 3 e 4 permitem 3 colocações pronominais com as locuções verbais: Ele te vai xingar muito ou Ele vai(-)te xingar muito ou Ele vai xingar-te muito. Os gramáticos Domingos Paschoal Cegalla e José Carlos de Azeredo dizem ser possível a colocação do pronome entre os verbos da locução verbal, mesmo com palavra atrativa antes: Ex.: Não me estavam chamando ou Não estavam me chamando ou Não estavam chamando-me. Última OBS.: Por motivo de eufonia, elimina-se o 's' final dos verbos na 1ª pessoa do plural seguidos do pronome 'nos': Inscrevemos + nos no curso = Inscrevemo-nos no curso; Conservamos + nos jovens = Conservamo-nos jovens. Na boa? Respire um pouco, vá beber uma água, estique as pernas, veja um pouco de desenho... relax... Cansou um pouquinho, não? Pronto, tive uma ideia, vou contar uma piada e depois você continua sua leitura, beleza? ☺☺☺☺ Na escola Na escola de treinamento para homem-bomba, os alunos estão todos reunidos, muito concentrados na aula, quando o professor explica: — Olha aqui, vocês prestem muita atenção, porque eu só vou fazer uma vez! Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 14 de 108 Ajudou? Não?! Foi mal... rsrs... Chega de palhaçada, vamos nessa! ---------------------------------------------------------------------------------- Os pronomes oblíquos tônicos, sempre precedidos de preposição, são: 1ª pessoa: mim, comigo (singular); nós, conosco (plural) 2ª pessoa: ti, contigo (singular); vós, convosco (plural) 3ª pessoa: si, consigo (singular ou plural); ele(a/s) (singular ou plural) O que você precisa saber sobre estes pronomes é o seguinte: • Sobre o MIM Ex.: Nunca houve nada entre mim e ti. Adequado à norma culta ou não este uso do pronome? Adequadíssimo! Não estaria se estivesse assim: ‘Nunca houve nada entre eu e você’. Lembra-se de que o ‘eu’ só exerce função de sujeito ou de predicativo do sujeito? Então...; o ‘eu’ só poderia vir após preposição se fosse sujeito de um verbo: ‘Entre eu sair e tu saíres, saio eu! Agora está ótimo.’ E nesta frase abaixo, há incorreção gramatical? Ex.: Sempre foi muito complicado para mim entender Português. Deu vontade de dizer que sim? Que pena! A frase acima está perfeita. O ‘mim’ pode ficar diante de verbo no infinitivo — explico isso logo abaixo. Cuidado com esta construção, meu amigo, pois ela pode sabotar você. O que não pode ocorrer é o ‘mim’ ocupar posição de sujeito, ok? Veja: Ex.: Comprei um curso em PDF para mim aprender, enfim, Português. Observe que neste caso o ‘mim’ é sujeito do verbo aprender. “Ah, Pestana, como eu vou saber isso!?” Simples, observe a primeira frase (adequada) de novo: Sempre foi muito complicado para mim entender Português. O que você deve perceber é: se for possível apagar ou deslocar a expressão ‘para mim’ diante do verbo, isso é sinal de que ela não tem o ‘mim’ funcionando como sujeito do verbo no infinitivo. Afinal, ‘mim’ não conjuga verbo, logo não pode ser sujeito. Logo, nestas condições, a expressão pode vir sem problemas diante do verbo. Veja como ficaria: Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 15 de 108 Sempre foi muito complicado ( ) entender Português. ou Sempre foi muito complicado entender Português para mim. Tente aplicar estes “macetes” à frase “Comprei um curso em PDF para mim aprender, enfim, Português.”. Não conseguiu? Sabe por quê? Porque nesta frase o ‘mim’ conjuga verbo e tem função de sujeito. Como sabemos que ele está inadequado, consertemos: Comprei um curso em PDF para EU aprender, enfim, Português. • Usar entre si sempre que for possível a posposição do pronome mesmos, lembrando-se que o sujeito tem de ser da 3ª pessoa do plural, senão usa-se entre eles. Ex.: Os irmãos discutiam entre si (mesmos); mas: Nunca houve briga entre eles (construção adequada). • Se, si, consigo são pronomes reflexivos (ou reflexivos recíprocos), isto é, referem-se ao próprio sujeito do verbo. Me, te, nos, vos podem ser também. Ex.: Elisabete se machucou e só fala de si mesma, levando consigo todo o crédito. / Eu me fantasiei. / Nós nos abraçamos. / Vós vos cumprimentastes? / Tu te maquiaste bem. • Usam-se com nós e com vós quando estessão seguidos de ambos, todos, outros, mesmos, próprios, um numeral, um aposto explicativo ou uma oração adjetiva; caso contrário, usa-se conosco e convosco. Ex.: Estava com nós outros. / Saiu com vós todos. (...) / As crianças irão conosco e não convosco. (...) • Contração das preposições com ele(a/s) Ex.: de + ele(a/s) = dele (a/s); em + ele (a/s) = nele (a/s)... Pronomes de tratamento São pronomes que se usam no tratamento cortês e cerimonioso; seguem os principais: Pronomes de Abreviatura Abreviatura Usados para Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 16 de 108 tratamento Singular Plural Você V. VV. Um tratamento íntimo, familiar. Senhor, Senhora Sr., Sr.ª Srs., Srª.s Pessoas com as quais mantemos um certo distanciamento mais respeitoso. Vossa Senhoria V. S.ª V. Sªs Pessoas com um grau de prestígio maior. Usualmente, os empregamos em textos escritos, como: correspondências, ofícios, requerimentos, etc. Vossa Excelência V. Ex.ª V. Ex.ªs Pessoas com alta autoridade, militares e políticas, como: Presidente da República, Senadores, Deputados, Embaixadores, Oficiais de Patente Superior à de Coronel, etc. Vossa Eminência V. Em.ª V. Em.ªs Cardeais. Vossa Alteza V. A. V V. A A. Príncipes e duques. Vossa Santidade V.S. - Para o Papa. Vossa Reverendíssima V. Rev.mª V. Rev.mªs Sacerdotes e Religiosos em geral. Vossa Paternidade V. P. VV. PP. Superiores de Ordens Religiosas. Vossa Magnificência V. Mag.ª V. Mag.ªs Reitores de Universidades Vossa Majestade V. M. V V. M M. Reis e Rainhas. O que você precisa saber sobre estes pronomes é o seguinte: • Usa-se Vossa quando se fala com a pessoa; Sua, quando se fala sobre a pessoa. Ex.: No quarto da rainha: – Vossa Majestade precisa de algo? – Sim. Um suco. Na cozinha: – Sua Majestade é cheia de mimos, não?! – Ela sempre foi assim. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 17 de 108 • Qualquer pronome de tratamento, apesar de se referir à 2ª pessoa do discurso, exige que verbos e pronomes estejam na forma de 3ª pessoa. Ex.: Você Alteza estuda tanto para poder um dia governar sua nação. • O pronome você não pode ser “misturado” com verbos ou pronomes de 2ª pessoa no mesmo contexto; é preciso haver uniformidade de tratamento; no entanto, o que mais ocorre é a “desuniformidade” de tratamento, note: Ex.: Entre por essa porta agora e diga que me adora, você tem meia- hora pra mudar a minha vida, vem, vambora... (Adriana Calcanhoto) A forma verbal ‘vem’ está na 2ª pessoa do singular (vem (tu)); deveria ser: ‘venha’ (venha (você)). Vou falar mais disso em verbos. Pronomes Possessivos Estabelecem, normalmente, relação de posse entre seres e conceitos e as pessoas do discurso. Daqui a pouco explico o ‘normalmente’. 1ª pessoa: meu(s), minha(s) / nosso(s), nossa(s) 2ª pessoa: teu(s), tua(s) / vosso(s), vossa(s) 3ª pessoa: seu(s), sua(s) O que você precisa saber sobre estes pronomes é o seguinte: • Os pronomes de tratamento utilizam os possessivos da 3ª pessoa: Ex.: Vossa Senhoria deve encaminhar suas reivindicações ao diretor. • Em algumas construções, os pronomes pessoais oblíquos assumem valor de possessivos, exercendo, pois, função sintática de adjunto adnominal (ADN); Celso Cunha e Bechara veem-nos como objetos indiretos com valor possessivo. Ex.: Vou seguir-lhe os passos. (Vou seguir seus passos) / Apertou-me as mãos. (Apertou minhas mãos). • Mudança de posição pode gerar mudança de sentido. Ex.: Envio minhas fotos ainda hoje (fotos tiradas por mim) / Envio fotos minhas ainda hoje (fotos em que estou presente) • O pronome possessivo seu pode causar ambiguidade. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 18 de 108 Ex.: O policial prendeu o ladrão em sua casa. / João, Maria e seu filho saíram. / Marcos contou-me que Soraia tinha desaparecido com seus documentos. / A professora disse ao diretor que concordava com sua nomeação. Para desfazer a ambiguidade, podem-se usar vírgulas, próprio(-a/ -s), dele(-a/-s), voz passiva, pronome relativo ‘que’, o pronome demonstrativo ‘este’... Ex.: O policial, em sua própria casa, prendeu o ladrão. / O ladrão foi preso pelo policial na casa deste... Olha o que a banca pode fazer com você nesta frase: “O carro dele quebrou”. Na frase acima, temos um pronome possessivo. O que acha? É ou não? Resposta: JAMAIS! De acordo com a norma culta, meu camarada, os pronomes possessivos são os que estão na tabela de pronomes possessivos. Por acaso você viu algum dele(a/s) lá? Creio que não, por isso, não caia nessa! Analisando o ‘dele’: de + ele = dele. Simples assim. Uma mera contração entre preposição e pronome pessoal, que, neste caso, é oblíquo tônico. Beleza? Maravilha! • O artigo definido é facultativo antes dos possessivos. Ex.: Gosto de meu trabalho ou Gosto do meu trabalho. • Os matizes de sentido, respectivamente, que podem ter os possessivos são: parentesco, estimativa, ironia, cortesia, realce... Ex.: Como vão os seus, João? / Roberto tem seus vinte e quatro anos. / Minha querida, cala a boca! / Deixe-me ajudar, minha boa senhora. / Seu bobo, para de palhaçada! Pronomes Indefinidos Referem-se à 3ª pessoa do discurso de forma vaga, imprecisa ou genérica. São eles: Variáveis Invariáveis Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 19 de 108 Algum, alguma, alguns, algumas Algo Nenhum(ns), nenhuma(s) Tudo Todo, toda, todos, todas Nada Outro, outra, outros, outras Mais/Menos Muito, muita, muitos, muitas Bastante, bastantes Pouco, pouca, poucos, poucas Quem Certo, certa, certos, certas Alguém Vário, vária, vários, várias Ninguém Quanto, quanta, quantos, quantas Outrem Tanto, tanta, tantos, tantas (Os) Demais Qualquer, quaisquer Tal, tais Qual, quais Cada Um, uma, uns, umas Que Locuções pronominais indefinidas Grupos de vocábulos com valor de pronome indefinido. Cada qual, cada um, quem quer que, seja quem for, seja qual for, o mais, todo mundo, todo aquele que, um ou outro, qualquer um... Ex.: Cada um é diferente. Seja quem for que me incomode pagará caro. Todo mundo me respeita. O que você precisa saber sobre estes pronomes é o seguinte: • Importante!!! A mudança de posição de alguns indefinidos poderá mudar ora sua classe, ora seu sentido. Ex.: Qualquer mulher merece respeito (sentido generalizador) / Ela não é uma mulher qualquer (sentido pejorativo). / Algum amigo te traiu? (sentido genérico) / Amigo algum me traiu. (sentido negativo) / Certo homem veio atrás de você. (sentido genérico, pronome indefinido) / Ele é o homem certo. (sentido qualificativo, adjetivo) / Outra mulher chegou. (sentido indefinido, pronome indefinido) / Agora ela é uma outra mulher. (‘nova, renovada’, adjetivo) • Todo, no singular e junto de artigo, significa inteiro; sem artigo, significa qualquer. Ex.: Todo o edifício será pintado. / Todo edifícioserá pintado. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 20 de 108 • Nenhum varia normalmente quando anteposto ao substantivo. Ex.: Não havia nenhumas frutas na cesta. • O pronome indefinido outro junto de artigo pode mudar de sentido. Ex.: Outro dia fui visitá-lo. (tempo passado) / Fui visitá-lo no outro dia (tempo futuro). • O pronome cada pode ter valor discriminativo ou intensivo. Ex.: Em cada lugar, há diversidade de beleza. / Tu tens cada mania! • O vocábulo UM pode ser artigo indefinido, numeral ou pronome indefinido (alternando com ‘outro’). Ex.: Ele é um homem bom. (artigo indefinido) / Ele é só um, deixe-o em paz (numeral). / Um chegou cedo; o ‘outro’, atrasado. (pronome indefinido) Alguns pronomes indefinidos podem virar advérbios, a depender do contexto. Lembre-se sempre: pronome se liga a substantivo. Veja: Toda força é bem-vinda. (pronome indefinido) / Ela estava toda boba. (toda modifica o adjetivo ‘boba’; a variação do advérbio neste caso é forma coloquial, mas polêmica; o adequado, apesar de estranho, seria “Ela estava todo boba”) Tenha mais amor e menos desconfiança. (pronomes indefinidos) / Aja mais e fale menos. (advérbios modificando verbos) O mesmo ocorre com os pronomes indefinidos ‘muito, bastante, pouco, algo, nada, que, tanto...’ Pronomes Interrogativos Exprimem questionamento direto ou indireto em um contexto que sugere desconhecimento ou vontade de saber. Que (o que), Quem, Qual (e variações), Quanto (e variações) Ex.: Que é isso? (pergunta direta) Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 21 de 108 Quero saber [que é isso (?)]. (pergunta indireta) • Não confunda pronome interrogativo (que) com conjunção integrante (que). Se der para fazer uma pergunta a partir do ‘que’, este será interrogativo, e não conjunção integrante. Ex.: Não sei que horas são. (Que horas são? Pergunta possível) / Espero que sejam dez horas. (Que sejam dez horas? Pergunta impossível) • Nas frases interrogativas indiretas, os pronomes interrogativos vêm, normalmente, após os verbos ‘saber, perguntar, indagar, ignorar, verificar, ver, responder...’ Ex.: Quero saber (o) que devo fazer. (Que devo fazer?) / Ignoro quem fez isso (Quem fez isso?). • A forma reduzida da expressão ‘que é de’ é ‘Cadê’, muito popular, mas não contemplada entre os gramáticos normativos como culta. Ex.: Cadê as pessoas que estavam aqui? Pronomes Demonstrativos Palavras que marcam a posição temporal ou espacial de um ser em relação a uma das três pessoas do discurso, fora do texto (exófora/dêixis) ou dentro de um texto (endófora (anáfora ou catáfora)). Normalmente relacionados à 1ª pessoa: este(a/s), isto. Normalmente relacionados à 2ª pessoa: esse(a/s), isso. Normalmente relacionados à 3ª pessoa: aquele(a/s), aquilo. Além destes pronomes demonstrativos canônicos, há: • mesmo(a/s), próprio(a/s) com valor reforçativo ou junto de artigo Ex.: Ela mesma/própria costura seus vestidos. / A mesma mulher tem talento de sobra. Obs.: Cuidado com a seguinte construção: “O elevador só suporta oito pessoas. Não sobrecarregue o mesmo.” Neste caso, o uso de ‘o mesmo’ retomando um termo, como um típico demonstrativo, não está adequado à norma culta segundo muitos gramáticos, como Sacconi. Os manuais de redação também não o recomendam. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 22 de 108 • tal(s), semelhante(s), quando aparecem no lugar de isto, aquilo, aquele(a/s) Ex.: Tal absurdo eu não cometeria. / Nunca vi semelhante coisa, meu Deus! • o(s), a(s), quando substituíveis por aquele(a/s), isso; importante dizer que tal situação ocorre em três casos: antes do pronome relativo ‘que’, antes da preposição ‘de’, e junto ao verbo ser ou fazer, normalmente. Ex.: Somos o que somos. (Somos aquilo que somos) / As que chegaram atrasadas perderam a explicação. (Aquelas que chegaram atrasadas...) / Convidei só os da Barra da Tijuca para o jogo. (Convidei só aqueles da Barra...) / Ela estudava, mas não o fazia com vontade. (Ela estudava, mas não fazia isso com vontade) Principais usos dos demonstrativos 1) Numa perspectiva exofórica ou dêitica, ou seja, referindo-se a elementos extradiscursivos (fora do texto/discurso) dentro do espaço ou do tempo, procede-se assim: Função espacial Os advérbios aqui, cá (proximidade à 1ª p.); aí (proximidade à 2ª p.); ali, lá, acolá (distância da 1ª p. e da 2ª p.) ajudam no uso adequado dos pronomes demonstrativos. Este (a/s), isto: próximo do falante Ex.: Esta camisa (aqui) do Flamengo é minha. Esse(a/s), isso: próximo do ouvinte Ex.: Essa camisa (aí) é tua? Aquele(a/s), aquilo: distante dos dois Ex.: Aquela camisa é dele. Função temporal Este(a/s): presente, passado recente ou futuro (dentro de um espaço de tempo). Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 23 de 108 Ex.: Esta é a hora da verdade. / Esta noite foi sensacional. / Este fim de semana será perfeito, pena que ainda é segunda. Esse(a/s): passado recente Ex.: Ninguém se esquecerá desse carnaval. Aquele(a/s): passado ou futuro distantes (vago) Ex.: Foi em 1500, naquele ano, o Brasil surgiu. / Naquele dia, no Seu dia, Deus fará justiça. 2) Numa perspectiva endofórica (anafórica ou catafórica), ou seja, referindo-se a elementos intradiscursivos (dentro do texto), procede-se assim: Função distributiva Este, referindo-se ao mais próximo ou citado por último. Aquele, referindo-se ao mais afastado ou citado em 1º lugar. Ambos são anafóricos, pois substituem termos anteriores. Ex.: Todos nós conhecemos Lula e Dilma. A imagem desta tem como reflexo aquele. Ou seria o contrário? Função referencial Este(a/s), isto referem-se a algo que será dito ou apresentado (valor catafórico). Pode também retomar um termo antecedente (valor anafórico), segundo Bechara. Ex.: Esta sentença é verdadeira: “A vida é efêmera”. E nisto todos confiam. Esse(a/s), isso referem-se a algo já dito ou apresentado (sempre anafóricos). Ex.: Isso que você disse não está certo, amigo. É por essas e outras que nada funciona neste país. Valores estilísticos dos demonstrativos Ex.: Não dou dessas, não! Por exemplo, essa aí não presta (desprezo, ironia) / Essa, não! (surpresa) / Você só pensa naquilo... (malícia) / Não consigo acreditar que ela tenha virado aquilo (pena, comiseração)... Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 24 de 108 Pronomes Relativos Este é o campeão de aparições nas provas, portanto aproveite minha minuciosa abordagem! A palavra relação vem do latim ‘relatione’ que significa ligação, conexão, daí chamar o pronome que se refere, ou se relaciona, ou está ligado a um termo, de relativo. Assim, pronome relativo é um elemento conector de caráter anafórico, isto é, refere-se a um termo antecedenteexplícito (substantivo, pronome substantivo, numeral substantivo, advérbio, verbo no infinitivo ou oração reduzida de infinitivo), substituindo-o, e que sintaticamente introduz oração subordinada adjetiva restritiva ou explicativa. Ex.: O homem – apesar de todos os contratempos – que veio aqui era o Presidente. Ninguém que esteve no Brasil desapontou-se. Apenas um, que compareceu à festa, estava bem trajado. Ali, onde você mora, não é o melhor lugar do mundo. Estudar que é bom ninguém acha legal. Procurar aprender Língua Portuguesa, que é importante, você não quer. Visto que seu objetivo é substituir um vocábulo para que este não se torne repetitivo, o pronome relativo nos permite reunir duas orações numa só. Ex.: O livro é espetacular. Estou lendo um livro. => Estou lendo um livro que é espetacular ou O livro que estou lendo é espetacular. Obs.: Na linguagem coloquial, observa-se o uso pleonástico por um pronome oblíquo após o relativo. Não está adequado à norma culta! Ex.: Este ó livro que pretendemos comprá-lo. É importante dizer que, se um verbo ou um nome da oração subordinada adjetiva exigir a presença de uma preposição, esta irá à frente do pronome relativo. Preste atenção!!! Ex.: O filho, do qual a mãe tinha necessidade, era bom. (quem tem necessidade, tem necessidade DE) Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 25 de 108 Obs.: Na linguagem coloquial, a ausência da preposição é comum. Cuidado!!! Ex.: Este é o carro (!?) que precisamos. É notório hoje em dia o uso não atento às normas gramaticais do pronome relativo. Por isso, faz-se necessário aos que se preocupam com as normas o conhecimento do registro formal. Ex.: Este é o livro que o autor é excelente. (LINGUAGEM COLOQUIAL) Este é o livro cujo autor é excelente. (LINGUAGEM CULTA) Veja o uso adequado dos oito pronomes relativos QUE (substituível pelo variável O QUAL) - É invariável. - Refere-se a pessoas ou coisas. - É chamado de relativo universal, pois pode – geralmente – ser utilizado em substituição de todos os outros relativos. Ex.: As mulheres, que (=as quais) são geniosas por natureza, permanecem ótimas. O Flamengo, que (= o qual) sempre será meu time de coração, é pentacampeão. Minha sogra, a que (= à qual) tenho grande aversão, está viva ainda. O Flamengo é o (= aquilo) que preocupa os vascaínos. Os dois, que (= os quais) você ajudou, já estão recuperados. Obs.: 1- Numa série de orações adjetivas coordenadas o que pode estar elíptico. Ex.: A sala estava cheia de alunos que conversavam, (!) riam, (!) dormiam. 2- Diz-se que o relativo que só deve ser antecedido de preposição monossilábica (a, com, de, em, por; exceto sem e sob); caso contrário, usam-se os variáveis (sem restrição quanto ao uso das preposições), inclusive para evitar ambiguidade. Ex.: Este é o ponto com que concordo, mas foi este sobre o qual você falou? / Ambiguidade: Conheci o pai da garota que se acidentou. (Quem se acidentou?), por isso: Conheci o pai da garota o qual (ou a qual) se acidentou. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 26 de 108 3- Cuidado para não confundir o relativo que com a conjunção integrante que, ou com o pronome interrogativo que, ou com a partícula expletiva que. Ex.: Eu disse ao homem que ia comprar o carro hoje! (conjunção integrante; Eu disse ao homem ISSO) / Eu não soube pelo homem que horas são. (pronome interrogativo) / Eram as meninas que tinham de limpar a casa hoje, mãe! (partícula expletiva; às vezes vem em forma de ‘expressão expletiva’ formada pelo verbo “ser + que” para conferir ênfase a um termo de valor substantivo; no caso, ‘as meninas’) QUEM - É invariável. - Refere-se a pessoas ou a algo personificado. - A preposição a precederá o relativo quem sob qualquer circunstância, exceto se o verbo ou um nome da oração subordinada adjetiva exigir outra preposição. De qualquer forma, vem sempre preposicionado. Ex.: A Justiça a quem devo obediência é meu guia. Eis o homem a quem mais admiro. Conheci uma musa por quem me apaixonei. Deus, perante quem me ajoelho, é importantíssimo. Obs.: Evita-se o uso da preposição sem antes de quem; prefere-se sem o qual em vez de sem que. Ex.: Esperávamos Maria sem quem não sairíamos. (!?) / Esperávamos Maria, sem a qual não sairíamos. CUJO - É um pronome adjetivo que vem, geralmente, entre dois nomes substantivos explícitos, entre o ser possuidor (antecedente) e o ser possuído (consequente). - É variável, logo concorda em gênero e número com o nome consequente, o qual geralmente difere do antecedente. - Nunca vem precedido ou seguido de artigo, é por isso que não há crase antes dele. - Geralmente exprime posse. - Equivale à preposição de + antecedente, se invertida a ordem dos termos. Ex.: O Flamengo, cujo passado é glorioso, continua alegrando. (O passado do Flamengo...) Esta é uma doença contra cujos males os médicos lutam. (...contra os males da doença) Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 27 de 108 Vi o filme a cujas cenas você se referiu. (...às cenas do filme) O telefone, cuja invenção ajudou a sociedade, é útil. (A invenção do telefone...)* O registro formal, em que o grau de prudência é máximo, e cujo conteúdo é mais elaborado e complexo é o preferido dos professores de língua portuguesa. (...o conteúdo do registro formal...) *Aqui não há relação de posse. QUANTO - É variável. - Aparece sempre após os pronomes “tudo, todo (e variações) e tanto (e variações)” seguidos ou não de substantivo ou pronome. Ex.: Ele encontrou tudo quanto procurava. Aqui há tudo quanto você precisa. Bebia toda a cerveja quanta lhe ofereciam. Todas quantas colaborarem serão beneficiadas. Aqui há tanto movimento quanto se pode esperar. Explico tantas vezes quantas sejam necessárias. ONDE - É invariável. - Aparece com antecedente locativo real ou virtual. - Substituível por “em que, no qual (variações)”. - Pode ser antecedido, principalmente, pelas preposições “a, de, por e para”. Aglutina-se com a preposição a, tornando-se “aonde”, e com a preposição de, tornando-se “donde”. Ex.: A cidade onde (= em que/ na qual) moro é linda. Meu coração, onde tu habitas, é teu e de mais ninguém. O sítio para onde voltei evocava várias lembranças. As praias aonde fui eram simplesmente fantásticas. O lugar donde retornei não era tão bom quanto aqui. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 28 de 108 A casa por onde passamos ontem era minha. Obs.: Há um uso indiscriminado do relativo onde na linguagem coloquial; seguem exemplos abaixo: Fomos recepcionados pela Camila, onde nos acolheu com afeto. / Esta instrução é excelente onde permite educar bem a criança. / Há uma boa variedade de atividades onde o professor também é um observador. COMO - É invariável. - Precedido sempre pelas palavras ‘modo, maneira, forma e jeito’. - Equivale a “pelo qual”. Ex.:Acertei o jeito como (= pelo qual) fazer as coisas. Encontraram o modo como resolver a questão. A maneira como você se comportou é elogiável. Gosto da forma como aqueles atores contracenam. QUANDO - É invariável. - Antecedente sempre exprimindo valor temporal. - Equivale a “em que”. Ex.: Ele era do tempo quando se amarrava cachorro pelo rabo. É chegada a hora quando (= em que) todos devem se destacar. Verbo Palavra que • indica ação, estado ou fenômeno natural — sempre dentro de uma perspectiva temporal; pode indicar também a noção de existência, volição (desejo), necessidade, etc. Ex.: Pestana estudou muito. (ação/passado) Pestana está feliz. (estado/presente) Amanhã choverá muito na cidade do Pestana. (fenômeno natural/futuro) Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 29 de 108 Há dois Pestanas na minha vida. (existência/presente) Queria o Pestana ao meu lado. (volição/passado) Precisarei do Pestana na próxima aula. (necessidade/futuro) Obs.: Frisei acima a ‘perspectiva temporal’ porque substantivos podem indicar ação, estado, fenômeno natural, etc.: plantação (ato de plantar), morte (estado), chuva (fenômeno natural). Estas palavras não podem ser verbos, entretanto, pois não indicam tempo em si mesmas. Muito diferente do verbo. • varia em modo, tempo, número, pessoa, voz e aspecto; as quatro primeiras flexões combinadas formam o que chamamos de conjugação verbal, ou seja, para atender às necessidades dos falantes, o verbo muda de forma à medida que variamos a ideia de modo, tempo, número e pessoa — falarei minuciosamente de cada tópico daqui a pouco. • tem um papel importantíssimo dentro da frase; sem ele (explícito ou implícito) não há orações na língua portuguesa, pois o verbo é o núcleo do predicado — percebeu que eu usei vários para dizer o que eu acabei de dizer? ;) Obs.: São mais de 11.000 verbos na língua, segundo nos informa o gramático Cegalla. Antes que você se desespere pensando que vai ter de saber tudo sobre eles, saiba que, em conjugação verbal, só alguns verbos são realmente importantes na sua vida de concurseiro. São estes os frequentes em concursos: ser, ir, vir (e derivados), ver (e derivados), pôr (e derivados), ter (e derivados), caber, valer, adequar, haver, reaver, precaver, requerer, prover, viger, preterir, eleger, impugnar, os terminados em –ear, -iar (lembra-se do MARIO?) e –uar. Falarei deles em separado, fique em paz mental! Antes de mais nada, porém, creio que você deve ter contato com a estrutura verbal antes de sair por aí conjugando; beleza? Vem comigo! Breve Apresentação das Flexões dos Verbos Pretendo esmiuçar o que significa modo, tempo, número, pessoa, voz e aspecto, mas antes disso preciso que você entenda superficialmente do que tratam tais conceitos. Esta abordagem inicial, não profunda, vai fazer você entender mais sobre as variações (ou flexões) verbais de modo que os conhecimentos seguintes servirão de complemento ao que já foi visto paulatinamente por você. Resultado: você não vai perder o fio de Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 30 de 108 raciocínio, não vai ficar ‘viajando na maionese’... Relaxe, que vai dar tudo certo. Vamos lá, então... Modo É a maneira, a forma como o verbo se apresenta na frase para indicar uma atitude da pessoa que o usou. Por exemplo, se você come um hambúrguer e gosta, você exclama: “Nossa! Como isso aqui está gostoso!”. Percebe que o verbo ‘estar’ se encontra em uma determinada forma, indicando certeza, afirmação, convicção, constatação? Então, dizemos que este ‘modo’ como o verbo se apresenta indica que o falante põe certeza, verdade no que diz, certo? Este é o famoso MODO INDICATIVO, o modo da certeza, do fato, da verdade! Agora, em uma cena parecida, você vê uma pessoa comendo com vontade e diz: “Espero que esteja gostoso mesmo.” Percebe que a forma, o modo, a maneira como o verbo se apresenta mudou em relação ao de cima? Por que mudou? Para expressar outra ideia que o falante quer passar, a saber: dúvida, suposição, incerteza, possibilidade. Este é o igualmente famoso MODO SUBJUNTIVO, o modo da subjetividade, da incerteza, da dúvida, da hipótese! “Coma este hambúrguer, você não vai querer outro.” Note que nesta frase, o verbo indica sugestão, ordem, pedido... dependendo do tom como ele é pronunciado. Um simples “Passe o sal”, pode ser dito em tom de pedido, se o casal estiver no início do relacionamento, mas se estiver casado há muitos anos, a ordem é o expediente... rs... Estou brincando, afinal eu sou casado e minha mulher me ama de paixão ;) Voltando à realidade, dizemos que tal verbo se encontra no MODO IMPERATIVO, o modo da ordem, do pedido, da sugestão, da exortação, da advertência! Falarei mais sobre a formação do imperativo à frente. Tempo Os seres humanos, em geral, entendem o tempo numa linha corrente, e é a partir disso que formulam suas frases, situando no tempo seu discurso. No entanto, nós, seres humanos, que estamos sempre no tempo presente da linha do tempo REAL, podemos sempre, pela linha do tempo do DISCURSO, voltar ao passado e viajar ao futuro. “Como fazemos isso, Pestana?” Através dos verbos, ora bolas! --------------/------------------------/---------------------------/-----------------���� PASSADO PRESENTE FUTURO Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 31 de 108 Entendendo melhor: você está lendo agora este texto, certo? Aí, chega alguém até você e começa a atrapalhar sua leitura, daí você diz: “Eu estava lendo.”, como quem diz: “Volte para lá, seu chato!”. Percebeu que o verbo usado por você ficou no passado? Por quê? Pois você, aluno(a), no presente real retornou, através do discurso, ao passado, ou seja, àquilo que você estava fazendo. Logo, as noções de passado, presente e futuro norteiam nossa vida, não só no tempo cronológico, real, físico, mas também no tempo do discurso. Você entenderá isso melhor mais à frente, meu nobre (percebeu que eu usei o verbo no futuro?). Como já dito, existem três tempos no modo indicativo: passado (pretérito perfeito, imperfeito e mais-que-perfeito), presente e futuro (do presente e do pretérito). No subjuntivo: presente, pretérito imperfeito e futuro. Explanarei em detalhes daqui a pouco. Número Este é fácil: singular e plural. Eu amo, mas nós amamos; tu amas, mas vós amais; ele ama, mas eles amam. Molezinha! Pessoa Fácil também: 1ª pessoa, o falante (eu amei, nós amamos); 2ª pessoa, o ouvinte (tu amaste, vós amastes); 3ª pessoa, o assunto (ele amou, eles amaram). Voz É a maneira como o verbo se encontra/aparece para indicar sua relação com o sujeito; dependendo de sua forma, o verbo pode indicar uma ação praticada pelo sujeito (voz ativa), uma ação sofrida pelo sujeito (voz passiva) ou uma ação praticada e sofrida pelo sujeito (voz reflexiva). Falarei mais sobre isso mais à frente. Take it easy! Aspecto Alguns verbos têm peculiaridades semânticas dentro da perspectiva temporal, ou seja, dependendo da forma e do contexto em que se encontram podem indicar processos de duração verbal diferenciados. Por exemplo: Eu comia hambúrgueres na minha adolescência(o verbo indica que este hábito era costumeiro nesta fase da vida). Agora: Eu comia um hambúrguer, quando ela me interrompeu (o verbo indica que a ação verbal já havia iniciado, prosseguiu até um momento, mas não foi finalizada). Sobre isso, fique tranquilo, falarei mais à frente. É bastante interessante. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 32 de 108 Veja só alguns aspectos abaixo para você ter uma ideia (baseado nos exemplos do dicionário Caldas Aulete): Aspecto durativo: indica um processo continuado, uma ação que se prolonga por determinado tempo (p.ex.: Ele estuda durante o verão). Aspecto habitual: indica que ação ou situação se repete habitualmente (p.ex.: Eles lancham todos os dias). Aspecto pontual: que indica que um evento é momentâneo, não dura além de um momento (p.ex.: Ela espirrou). Entendendo a Estrutura do Verbo Na conjugação de um verbo, normalmente ocorre a combinação de alguns elementos, conhecidos como: Radical, Vogal Temática (VT), Tema, Desinência Modo-Temporal (DMT) e Desinência Número-Pessoal (DNP). É importante dizer que estes elementos verbais podem sofrer algumas mudanças na forma, chamadas tecnicamente de ‘alomorfias’. Fica ligado nisso quando eu apresentar os exemplos abaixo. • Radical: indica a significação do verbo, é a sua base. Ex.: FAZER: Eu faço, tu fazes, ele faz, nós fazemos... (presente do indicativo) Obs.: Importante saber sobre radical: Formas rizotônicas: a sílaba tônica do verbo recai dentro do radical: Eu amo muito minha esposa. / Eles precisam de ajuda. Formas arrizotônicas: a sílaba tônica do verbo recai fora do radical: Nós estudaremos mais a Língua Portuguesa. • VT: é uma vogal que vem após o radical, permitindo uma boa pronúncia do verbo e indicando como vai ser o modelo (paradigma) das conjugações (1ª conjugação: -A / 2ª conjugação: -E / 3ª conjugação: -I). Ex.: AMAR: Eu amei, tu amaste, ele amou, nós amamos... (pretérito perfeito do indicativo) COMER: Eu comera, tu comeras, ele comera, nós comêramos... (pretérito mais-que-perfeito do indicativo) PARTIR: Eu partirei, tu partirás, ele partirá, nós partiremos... (futuro do presente do indicativo) Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 33 de 108 • TEMA: é a combinação dos elementos anteriores (Radical + VT) que serve de preparação para o recebimento das desinências verbais. Ex.: AMAR, COMENDO, PARTIDO... Obs.: O verbo PÔR, cujo radical é PO, é de 2ª conjugação (POER); a vogal temática de 2ª conjugação (E) fica mais clara quando o conjugamos: Eu ponho, tu pões, ele põe, nós pomos, vós pondes, eles põem. • DMT: indica o modo e o tempo verbal; não há DMT em todos os tempos e modos. Tempo Modo Indicativo Modo Subjuntivo Formas Nominais Presente (1ª conj.) --- e infinitivo Presente (2ª e 3ª conj.) --- a r Perfeito --- --- Imperfeito (1ª conj.) va (ve) sse gerúndio Imperfeito (2ª e 3ª conj.) a (e) sse ndo Mais-que-perfeito ra (re) (átono) --- Futuro do presente ra (re) (tôn.) --- particípio Futuro do pretérito ria (rie) --- (a/ i)do* Futuro do subjuntivo r * Para alguns gramáticos, o a e o i do particípio são vogais temáticas; esta desinência de particípio (do) pode mudar, dependendo do verbo. • DNP: indica o número e a pessoa do verbo, vem depois da DMT; não há DNP em todos os tempos e modos; o modelo abaixo é só um padrão de conjugação. Tempo Singular Plural Presente indicativo 1ª p.: o / 2ª p.: s 1ª p.: mos / 2ª p.: is / 3ª p.: m Pretérito perfeito do 1ª p.: i / 2ª p.: ste 1ª p.: mos / 2ª p.: stes / 3ª p.: ram indicativo 3ª p.: u Futuro do presente do indicativo 1ª p.: i / 2ª p.: s 1ª p.: mos / 2ª p.: is / 3ª p.: o Futuro do subjuntivo e Infinitivo flexionado 2ª p.: es 1ª p.: mos / 2ª p.: des / 3ª p.: em Imperativo afirmativo --- 1ª p.: mos / 2ª p.: i, de Obs.: Os tempos que aqui não foram mencionados (pretérito imperfeito, mais-que- perfeito, futuro do pretérito, presente do subjuntivo e pretérito imperfeito do subjuntivo) seguem um modelo (paradigma) de desinências, que é: 2ª pessoa do singular: S, 1ª pessoa do plural: MOS, 2ª pessoa do plural: IS e 3ª pessoa do plural: M. Falarei mais sobre o imperativo à frente. Classificações dos Verbos Regulares Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 34 de 108 Segue um paradigma (modelo) em que o radical e as desinências permanecem inalterados; bem mais de 90% dos verbos são regulares. Ex.: Eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos, vós amais, eles amam. Irregulares Não segue um paradigma; normalmente na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo, isso já fica claro, pois o radical ou as desinências são alterados. Ex.: Eu caibo, tu cabes, ele cabe, nós cabemos, vós cabeis, eles cabem. Alguns irregulares famosos: polir, estar, fazer, dar, vir, pedir, poder, ter, pôr, caber, ferir*... * Conjugam-se como ferir: aderir, advertir, competir, convergir, despir, digerir, expelir, gerir, impelir, mentir, perseguir, repelir, sugerir, transferir, vestir... Certos verbos sofrem alterações no radical para que seja mantida a regularidade sonora: corrigir, fingir, embarcar, tocar...; tais alterações não tornam o verbo irregular, logo são regulares. Anômalos Apresenta vários radicais diferentes; existem dois apenas: SER e IR. Ex.: Eu sou, tu és... eu fui... eu era... (que) eu seja... (se) eu fosse... (quando) eu for... Esses dois verbos são idênticos na conjugação dos seguintes tempos: pretérito perfeito do indicativo (fui, foste...), pretérito mais-que-perfeito do indicativo (fora, foras...), pretérito imperfeito do subjuntivo (fosse, fosses...) e futuro do subjuntivo (for, fores...). Só conseguimos identificar um ou outro pelo contexto. Ex: Fui sargento durante cinco anos. (SER) / Fui à praia pela manhã. (IR) Defectivos Não apresentam conjugação completa. Tal “defeito” existe apenas no presente do indicativo, do subjuntivo e do imperativo. Por isso, mesmo defectivo, o verbo poderá ser conjugado inteiramente nos outros tempos e modos verbais. Os defectivos são: Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 35 de 108 • verbos que só não possuem a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo: abolir, banir, colorir, delinquir, demolir, emergir, explodir, feder, haurir, imergir, puir, ruir, ungir... • verbos que, no presente do indicativo, só se conjugam nas 1ª e 2ª pessoas do plural: precaver-se, reaver, adequar, combalir, falir, florir, remir, ressarcir... • os que só aparecem na 3ª pessoa do singular se estiverem em seu sentido denotativo: todos os impessoais, das orações sem sujeito (lembra-se?): haver, ter, fazer, ser, estar e os que indicam fenômenos naturais; os unipessoais, verbos da oração principal da oração subordinada substantiva subjetiva (lembra-se?): cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, saber, etc.;os verbos onomatopaicos: cacarejar, coachar, zunir, miar, rugir, latir, etc. Obs.: Não são defectivos: caber, valer, redimir, polir, surtir, rir, escapulir, entupir, sacudir... Abundantes Possuem duas ou mais formas na mesma parte da conjugação; geralmente isso ocorre no particípio. Ex.: havemos ou hemos, haveis ou heis (haver); construis ou constróis (construir); destruis ou destróis (destruir); comprazi ou comprouve (comprazer-se), etc. Celso Cunha diz que os verbos DIZER, FAZER E TRAZER, na 2.ª pessoa do singular, apresentam no imperativo afirmativo duas formas: dize ou diz, faze ou faz, traze ou traz. Sobre os particípios duplos: As formas regulares (particípio em -ado ou –ido) são empregadas na voz ativa com os verbos auxiliares ter ou haver: Eu havia pagado o banco. O banco havia aceitado o cheque. Já havíamos limpado a casa. Tenho aceitado trabalhos demais este ano. Ainda não tínheis acendido a vela. Ele tinha me salvado uma vez. Ela tinha pegado pena perpétua. O padre havia benzido o lugar. Você podia ter imprimido o material antes. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 36 de 108 As formas irregulares (particípio não terminado em –ado ou –ido) são usadas na voz passiva com os auxiliares ser, estar ou ficar, normalmente; podem variar em gênero e número: Eu sou pago pelo banco. O cheque foi aceito pelo banco. A casa ficou limpa pela empregada. Meus trabalhos foram aceitos pela agência. A vela será acesa pelo coroinha. O homem estava salvo por ele. O ladrão foi pego em flagrante. O fiel era bento pelo padre. Aquele documento enfim ficou impresso. Obs.: Os verbos trazer, chegar, abrir, cobrir, escrever, etc. não são abundantes, logo a única forma no particípio é: trazido, chegado, aberto, coberto, escrito. Pelo amor de Deus! As formas trago e chego não são admitidas no registro culto da língua, segundo os maiores gramáticos. Ele tinha chegado tarde. E não: Ele tinha chego tarde. / O pacote foi trazido na hora certa. E não: O pacote foi trago na hora. O verbo vir tem como particípio vindo, a mesma forma que seu gerúndio, assim como seus derivados: advindo, intervindo, provindo, sobrevindo. Pronominais Não são conjugados sem a presença do pronome oblíquo átono com função de parte integrante do verbo. Vá à página 7. Para os preguiçosos (☺), veja agora alguns: valorizar-se, indignar-se, ufanar-se, atrever-se, alegrar-se, admirar-se, lembrar-(se), esquecer-(se), orgulhar-se, arrepender-se, queixar-se, sentar-se, suicidar-se, concentrar-se, converter-se, afastar-se, precaver-se, sentir-se, etc. Veja se estas frases refletem o uso da língua: “Eu apaixonei pelo professor”, “Nós queixamos do professor”, “Ela suicidou do prédio”. Se sua resposta foi “não”, parabéns! Está faltando o quê? O pronome oblíquo átono, pois o verbo é PRONOMINAL, ora... as frases adequadas ficam assim, portanto: “Eu apaixonei-ME pelo professor”, “Nós NOS queixamos do professor”, “Ela suicidou-SE do prédio”. Simples assim. Cuidado com os verbos esquecer e lembrar, pois, dentre outros, eles podem não ser pronominais sempre. Ok? Veja o que quero dizer com isso: “Ela esqueceu a informação ou Ela esqueceu-se da informação”. Quando esses verbos forem pronominais, exigirão um complemento preposicionado; percebe? Reflexivos Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 37 de 108 São verbos acompanhados de pronomes reflexivos. Sempre são verbos transitivos diretos e/ou indiretos (VTD/ VTI/VTDI). Segundo Bechara, ele “faz refletir sobre o sujeito a ação que ele mesmo praticou.” Diz-se que o pronome reflexivo, que acompanha tal verbo, é também recíproco quando há mais de um ser no sujeito e o verbo se encontra no plural. É possível substituir o pronome átono por ‘a mim mesmo, a ti mesmo, a si mesmo(s), a nós mesmos, a vós mesmos’ Ex.: A menina se cortou. / Se está doente, trate-se. / Os namorados se deram as mãos. (recíproco) / A avó e a neta se queriam muito. (recíproco) / Eles se beijaram. (recíproco) / Ela se impôs uma dieta muito severa. / Ele se achou culpado por ter perdido a luta. / Sofia deixou-se estar à janela. Conjugação Verbal e Verbos “Polêmicos” Não é incomum as provas de concurso, como o seu, cobrarem o conhecimento da conjugação (tempos, modos, números e pessoas) de alguns verbos; como a maioria deles é regular, sempre seguem um paradigma (modelo) na conjugação. Meu amigo, baseie a conjugação de todo e qualquer verbo regular pelos verbos AMAR (1ª conjugação), VENDER (2ª conjugação) e PARTIR (3ª conjugação). Beleza? Apesar de eu apresentar a conjugação das formais nominais, falarei mais sobre elas mais à frente, principalmente dos verbos no infinitivo. Veja o paradigma: VERBO AMAR Indicativo Pessoas Radical Presente Pretérito Perfeito Pretérito Imperfeito Pretérito Mais- Que- Perfeito Futuro do Presente Futuro do Pretérito EU Am o ei Ava ara arei aria TU Am as aste avas aras arás arias ELE Am a ou Ava ara ará aria NÓS Am amos amos ávamos áramos aremos aríamos VÓS Am ais astes áveis áreis areis aríeis ELES Am am aram avam aram arão ariam VERBO AMAR Subjuntivo Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 38 de 108 Pessoas Radical Presente Pretérito Futuro EU Am e asse ar TU Am es asses ares ELE Am e asse ar NÓS Am emos ássemos armos VÓS Am eis ásseis ardes ELES Am em assem arem Formas Nominais Radical Infinitivo Gerúndio Particípio Am ar ando ado VENDER Indicativo Pessoas Radical Presente Pretérito Perfeito Pretérito Imperfeito Pretérito Mais- Que- Perfeito Futuro do Presente Futuro do Pretérito EU Vend o i Ia era erei eria TU Vend es este Ias eras erás erias ELE Vend e eu Ia era erá eria NÓS Vend emos emos íamos êramos eremos eríamos VÓS Vend eis estes Íeis êreis ereis eríeis ELES Vend em eram Iam eram erão eriam VENDER Subjuntivo Pessoas Radical Presente Pretérito Futuro EU Vend a esse er TU Vend as esses eres ELE Vend a esse er NÓS Vend amos êssemos ermos VÓS Vend ais êsseis erdes ELES Vend am essem erem Formas Nominais Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 39 de 108 Radical Infinitivo Gerúndio Particípio Vend er endo ido PARTIR Indicativo Pessoas Radical Presente Pretérito Perfeito Pretérito Imperfeito Pretérito Mais- Que- Perfeito Futuro do Presente Futuro do Pretérito EU Part o i Ia ira irei iria TU Part es iste Ias iras irás irias ELE Part e iu Ia ira irá iria NÓS Part imos imos íamos íramos iremos iríamos VÓS Part is istes Íeis íreis ireis iríeis ELES Part em iram Iam iram irão iriam PARTIR Subjuntivo Pessoas Radical Presente Pretérito Futuro EU Part a isse ir TU Part as isses ires ELE Part a isse ir NÓS Part amos íssemos irmos VÓS Part ais ísseis irdes ELES Part am issem irem Formas Nominais Radical Infinitivo Gerúndio Particípio Part ir indo ido Você deveestar se perguntando: “Ué, mas cadê o imperativo?” Calma, meu nobre, antes disso, faço questão de apresentar a formação do verbo PÔR, afinal ele e seus derivados são figurinhas repetidas nas questões de concursos. Como você já sabe, o verbo pôr e seus derivados (apor, repor, compor, propor, pospor, antepor, sobrepor, impor, depor, etc.) pertencem à segunda conjugação, porque pôr é verbo de 2ª conjugação, pois origina-se da forma latina ponere > poer (vogal temática E). Veja agora a conjugação do verbo supor (mais um derivado deste importante verbo): Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 40 de 108 SUPOR Indicativo Pessoas Radical Presente Pretérito Perfeito Pretérito Imperfeito Pretérito Mais- Que- Perfeito Futuro do Presente Futuro do Pretérito EU Sup onho us unha usera orei oria TU Sup ões useste unhas useras orás orias ELE Sup õe ôs unha usera orá oria NÓS Sup omos usemos únhamos uséramos oremos oríamos VÓS Sup ondes usestes únheis uséreis oreis oríeis ELES Sup õem useram unham useram orão oriam SUPOR Subjuntivo Pessoas Radical Presente Pretérito Futuro EU Sup onha usesse user TU Sup onhas usesses useres ELE Sup onha usesse user NÓS Sup onhamos uséssemos usermos VÓS Sup onhais usésseis userdes ELES Sup onham usessem userem Formas Nominais Radical Infinitivo Gerúndio Particípio Supo R ndo sto Enfim... a formação do imperativo – em tese, todos os verbos seguem o paradigma (modelo) abaixo: Presente do indicativo Imperativo afirmativo Presente do subjuntivo Imperativo negativo (igual ao pres. subj.) Eu amo --- (Que) Eu venha --- Tu amas -> ama (tu) Tu venhas -> não venhas Ele ama ama (você) <- Ele venha -> não venha Nós amamos amemos (nós) <- Nós venhamos -> não venhamos Vós amais -> amai (vós) Vós venhais -> não venhais Eles amam amem (vocês) <- Eles venham -> não venham Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 41 de 108 Obs.: O verbo SER não se adapta perfeitamente a essa formação: no imperativo afirmativo, ele fica assim: SÊ (tu), SEDE (vós). Existe algo extremamente importante a falar sobre o imperativo. Você já ouviu falar de uniformidade de tratamento? Então, é a hora de saber, visto que muitos concursos vêm apelando para este tipo de questão a fim de testar seu conhecimento do registro culto da língua. Como o próprio nome sugere, o tratamento (ou a pessoa do verbo) fica uniforme, ou seja, não muda de forma. Isto normalmente ocorre com verbos no imperativo. Na língua portuguesa falada em quase todo o Brasil, o pronome você praticamente derrotou o tu. Muitas vezes, no entanto, as duas formas de tratamento se misturam na frase, causando erro, o que se torna cada vez mais comum quando utilizamos o modo imperativo. Cuidado com isso! Quem não se lembra do slogan da Caixa Econômica Federal? “Vem pra Caixa você também... Vem!” O moço que fez a propaganda (só chamando assim...) não se deu conta (achou eu) de que estava infringindo um princípio da língua culta, a saber: a uniformidade de tratamento. Se ele diz “Vem”, este verbo está na 2ª pessoa do singular do imperativo afirmativo — encaixe o verbo ‘vir’ lá na tabelinha para ver se ele não vacilou... eh... como diz a música: “Vacilou, o cachimbo cai!”. O camarada publicitário “garoteou”, fez uma DESuniformidade de tratamento. Era preciso que a frase ficasse assim para manter harmonia de tratamento: “Vem pra Caixa tu também... Vem!” Hmmmm... estranho, não?! Será que é por isso que ele misturou o verbo de 2ª pessoa com o pronome ‘você’ (3ª pessoa gramatical)? Pode ser... O fato é que você não pode vacilar na prova. Adriana Calcanhoto também não fez uniformidade, mas ela tem licença poética, amigo...; veja: (Ela começa com a terceira pessoa...) Rasgue (você) as minhas cartas E não me procure (você) mais Assim será melhor Meu bem! (Estava bom demais para ser verdade... daí ela muda para a 2ª pessoa) O retrato que eu te (!) dei Se ainda tens (!) Não sei! (Como num passe de mágica ela retorna à 3ª pessoa... coisa linda!) Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 42 de 108 Mas se tiver Devolva-me! Meu amigo, se um discurso começar com a 3ª pessoa, mantenha-o ATÉ O FIM! Se começar com a 2ª pessoa, IDEM! Combinado? Maravilha! Veja agora a lista com a conjugação de alguns verbos ‘notáveis’: 1- Terminados em –UAR São verbos regulares da 1ª conjugação. Como ele, conjugam-se averiguar, aguar, enxaguar, obliquar, etc. De acordo com o novo acordo ortográfico, não há mais trema nem acento agudo nos grupos “gue, gui, que, qui”. As formas rizotônicas são pronunciadas apazigu-e, apazigu- es... ou apazígue, apazígues... Presente do Indicativo: apaziguo, apaziguas, apazigua, apaziguamos, apaziguais, apaziguam. Presente do Subjuntivo: apazigue, apazigues, apazigue, apaziguemos, apazigueis, apaziguem. Imperativo Afirmativo: apazigua, apazigue, apaziguemos, apaziguai, apaziguem. Imperativo Negativo: não apazigues, não apazigue, não apaziguemos, não apazigueis, não apaziguem. Obs.: Aguar, enxaguar e desaguar recebem acento agudo no primeiro A das formas rizotônicas. Presente do Indicativo: águo, águas, água, aguamos, aguais, águam. Presente do Subjuntivo: águe, águes, águe, aguemos, agueis, águem. 2- Terminados em -EAR No presente do indicativo, do subjuntivo e no imperativo, recebem a letra ‘i’ nas formas rizotônicas (sílaba tônica no radical). Trocando em miúdos, o ‘i’ vem após o ‘e’, exceto na 1ª e 2ª pessoas do plural. Pentear é um exemplo: Presente do indicativo: penteio, penteia, penteia, penteamos, penteais, penteiam Presente do subjuntivo: penteie, penteies, penteie, penteemos, penteeis, penteiem 3- Terminados em –IAR Os verbos dessa terminação são regulares, ou seja, seguem a conjugação de AMAR. Um exemplo é o verbo VARIAR (radical VARI-): eu Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 43 de 108 vario, tu varias, varia, variamos, variais, variam. Nada de “Eu ‘vareio’...” ☺ Há pelo menos seis verbos terminados em -IAR que recebem a letra ‘e’ antes do ‘i’ nas formas rizotônicas (formas em que a sílaba tônica recai no radical), do presente do indicativo e presente do subjuntivo, exceto na 1ª e 2ª pessoas do plural. Suas iniciais formam o anagrama M-A-R-I-O: Mediar, Ansiar, Remediar, Intermediar, Incendiar e Odiar. Presente do Indicativo: intermedeio, intermedeia, intermedeia, intermediamos, intermediais, intermedeiam Para agilizar sua vida, lembre-se da conjugação do verbo ODIAR, o mais usado de todos no dia a dia. Também, ao falar de verbo durante várias páginas, quem não odeia? EU não odeio, gostomuito, e você tem de gostar idem, meu caro, rs... 4- Requerer: não é derivado do QUERER. No presente do indicativo: requeiro, requeres, requer... e no presente do subjuntivo: requeira, requeiras, requeira... Os demais tempos seguem o modelo do paradigma VENDER. 5- Precaver-se: não é derivado do verbo VER; é defectivo; no presente do indicativo, só se conjuga nas 1ª e 2ª pessoas do plural: precavemos, precaveis; não há o presente do subjuntivo; os demais tempos seguem o modelo de conjugação de VENDER. 6- Reaver: é derivado do HAVER, mas só se conjuga quando houver a letra V na conjugação do “haver”, logo você tem de saber a conjugação deste verbo; no presente do indicativo, só existem as formas da 1ª e 2ª pessoas do plural: reavemos, reaveis; não há presente do subjuntivo; os demais tempos seguem a conjugação de HAVER. 7- Prover: não é derivado do VER, apesar de coincidir na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo e do subjuntivo; o resto da conjugação é igual VENDER Presente do indicativo: provejo, provês, provê,... Presente do subjuntivo: proveja, provejas, proveja,... 8- Viger: é defectivo; não possui, no presente do indicativo, a 1ª pessoa do singular; logo, não há presente do subjuntivo tampouco imperativo; do mais, conjuga-se como VENDER. 9- Prover: verbo irregular da 2ª conjugação que significa abastecer; varia nas desinências; no presente do indicativo, no presente do Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 44 de 108 subjuntivo, no imperativo afirmativo e no imperativo negativo tem conjugação idêntica à do verbo ver; no restante dos tempos, tem conjugação regular, ou seja, segue a conjugação de qualquer verbo regular terminado em -er, como VENDER. 10- Aderir, competir, preterir, discernir, concernir, impelir, expelir, repelir...: verbos mudam o e do infinitivo para i na primeira pessoa do singular do presente do indicativo e em todas do presente do subjuntivo Presente do indicativo: adiro, aderes, adere, aderimos, aderimos, aderem. Presente do subjuntivo: adira, adiras, adira, adiramos, adirais, adiram. Nem preciso dizer que os verbos ser, ir, vir, pôr, ter e haver precisam estar no sangue, certo?! Vamos nessa! Ainda não acabou, my friend! Locução verbal Também chamada de perífrase verbal, é um grupo de verbos que tem uma só unidade de sentido, como se fosse um só verbo; formada por verbo auxiliar + verbo principal (no gerúndio, infinitivo ou particípio), a locução verbal representa uma só oração dentro da frase. Interessante dizer que os verbos auxiliares carregam aspectos ou durações diversas no processo verbal ampliando o sentido do verbo principal e sempre se flexionam com o sujeito, concordando em número e pessoa com ele. Estes são os principais auxiliares e seus aspectos, formando locuções verbais: Auxiliares de voz: formam a voz passiva (ser, estar, ficar, viver, andar + particípio). Ex. Fomos vistos por ela. Auxiliares de modo: precisam o modelo como a ação verbal se realiza ou deixa de se realizar. Ex.: Tenho de estudar. (obrigação) Posso estudar. (possibilidade) Quero estudar. (vontade) Pretendo estudar. (tentativa) Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 45 de 108 Consegui estudar. (resultado) Pareço estudar. (aparência) Vou estudar. (intenção) Auxiliares de aspecto: precisam o momento em que a ação verbal se realiza. Ex.: Passei/Comecei a estudar. (início) Estou para estudar. (iminência) Venho/Fiquei/Estou a escrever/escrevendo. (continuidade) Gosto de/Tornei/Voltei a estudar. (repetição) Deixei/Cessei/Parei de estudar. (cessação) Continuo estudando. (permansivo) Existe um tipo de locução verbal, chamada de tempo composto, formado pelo verbo ter/haver + particípio, muito exigido em provas de concurso público. Eu, Pestana, prefiro explanar isso detalhadamente num tópico mais à frente, Emprego de Tempos e Modos Verbais. Ok? Fique ligado! Obs.: • Os verbos causativos e sensitivos não formam locução verbal com o infinitivo ou gerúndio; são dois verbos, cada um com sua autonomia. Ex.: Já te mandei ficar quieto. / Eu a vi cantando outro dia. • Quando o infinitivo ou o gerúndio puder ser transformado em uma oração desenvolvida, iniciada por conectivo, não haverá locução verbal. Ex.: Espero encontrar (que encontre) o caminho. • Vale dizer que os verbos da locução verbal podem vir separados por expressões interferentes: Ex.: Hoje, estou, mais do que nunca, estudando muito para a minha prova. Aspectos Verbais O aspecto verbal tem a ver com o tempo gasto na duração do processo verbal (início, meio e/ou fim). Só conseguimos perceber o aspecto verbal pela semântica do verbo e pelo contexto. Poderia falar muito sobre este tópico, mas vou me ater apenas ao que interessa para sua prova, beleza? A saber: formas simples e compostas dos verbos (locução verbal). Então, venha comigo! • Aspecto pontual ou momentâneo: não é apresentada a duração, pois o fato é instantâneo. Ex.: Eu estou vendo TV agora, depois a gente se fala. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 46 de 108 João, o telefone toca... vem atender! • Aspecto inceptivo, incoativo: o processo verbal indica que algo está sendo apresentado em seu início. Ex.: Quando o sinal tocou, os alunos foram saindo de sala. Meu filho começou a andar. Amanhece em Copacabana um sol lindo, vivo. • Aspecto cursivo, durativo: o processo verbal já teve um início e continuou ou continua, sem conclusão. Ex.: Eu estava falando ao telefone, e me interromperam. Temos exercitado muito a Língua Portuguesa. Esperamos notícias deles até agora... Obs.: O pretérito imperfeito (incompleto) do indicativo se encaixa normalmente neste aspecto, pois o processo não tem limites claros e seu prolongamento é impreciso. • Aspecto cessativo, conclusivo: o processo verbal é apresentado em sua totalidade, com começo, meio e fim. Ex.: Conseguimos ler o texto todo. Malhei durante duas horas ontem. Obs.: O pretérito perfeito (completo) do indicativo se encaixa normalmente neste aspecto, pois o processo é concluso, finalizado. • Aspecto iterativo, frequentativo, reiterativo: o processo verbal indica uma ideia de repetição, de hábito, costume. Ex.: Ele me abraça três vezes ao me ver. Você tem falado muito sobre passar na prova. • Aspecto permansivo (permanência): o processo verbal já se concluiu, mas os efeitos permanecem. Ex.: Só aprendi Português no Ensino Médio. Só soube Matemática mesmo na Faculdade, porque antes... Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 47 de 108 • Aspecto genérico, universal, atemporal: este processo de duração verbal trabalha com verdades absolutas ou tomadas como tal, científica, religiosa ou culturalmente Ex.: Todo número par será divisível por dois. Mulher é bicho difícil de entender. Deus existe! Quem cala consente Quando eu falar sobre tempos e modos verbais, você vai perceber que oaspecto verbal está muito interligado às noções temporais. Faça este link mental! Emprego dos Tempos e Modos Verbais Os diferentes tempos verbais atendem a necessidades distintas dos falantes. Eles indicam o momento em que o falante quer situar os fatos. Os modos verbais vão exprimir, normalmente, certeza (indicativo), incerteza (subjuntivo) e ordem (imperativo). Vejamos primeiramente os tempos do modo indicativo, depois do subjuntivo e em seguida falaremos do modo imperativo. Por favor, fique ligado nos tempos compostos correspondentes aos tempos simples a cada detalhamento abaixo! Tal correspondência é abordada em questão de prova. Preste atenção!!! O MODO INDICATIVO PRESENTE • Fato ocorre no momento em que se fala (presente pontual) Ex.: Ouço vozes estranhas lá de fora... Estou ouvindo música agora. • Fato habitual (presente iterativo) Ex.: Aos domingos, vou à missa. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 48 de 108 O galo sempre canta às 5 horas aqui perto. • Fato atemporal, verdade absoluta ou tomada como tal Ex.: Morre todos os dias uma pessoa a cada 5 segundos. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. • Fato que se iniciou e dura até o presente momento da declaração (presente durativo) Ex.: Os cientistas estudam a cura da AIDS ainda. A homofobia vem proliferando nas grandes cidades. Estilística do Presente do Indicativo O presente do indicativo pode ser usado no lugar do pretérito perfeito do indicativo; neste caso ele é chamado de ‘presente histórico’, pois torna recente um fato passado, como se estivesse atualizando um fato passado para torná-lo mais vivo; aproximando, portanto, o fato passado à realidade do interlocutor. Isso ocorre muito nas manchetes de jornais e livros didáticos de história. Ex.: Flamengo vence o Vasco por 3x2 no Maracanã, em jogo disputadíssimo. Em 1500, os portugueses chegam ao futuro Brasil. Além disso, o presente pode ser usado no lugar do futuro do presente para tornar o futuro mais próximo da realidade do falante, como se demonstrasse maior convicção de que o fato futuro vai se realizar. Ex.: Viajo amanhã para SP, fiquem calmos, que eu volto logo. Às vezes o presente substitui a forma imperativa para demonstrar mais polidez. Ex.: João, você me serve um cafezinho? Obrigado. Vale dizer ainda que este tempo verbal é o tempo da certeza, da convicção, do fato, por isso mesmo muito usado nas dissertações argumentativas, em que se defende uma tese com uma tônica de verdade. Obs.: Não há tempo composto do presente! PRETÉRITO PERFEITO • Fato ocorrido e concluído antes do momento em que se fala Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 49 de 108 Ex.: O Rock’n Rio foi um sucesso. • Pretérito perfeito composto do indicativo Verbo auxiliar ter ou haver no “presente do indicativo + o principal no particípio”, indicando fato que vem ocorrendo (do passado até o momento da declaração). Ex.: Eu tenho estudado muito esses dias. PRETÉRITO IMPERFEITO • Fato realizado, mas não concluído, incompleto, ou que apresenta certa duração Ex.: Betinho lutava pela erradicação da fome. Estávamos conversando animadamente, mas... • Fato passado em curso que indica simultaneidade, concomitância a outro fato passado concluído Ex.: A velhinha foi atropelada quando eu atravessava a rua. Enquanto eu estudava, ela me atrapalhava. • Fato habitual, iterativo, repetitivo Ex.: Impressionante! Eu chegava, ela saía. Eu fazia musculação todo santo dia. Estilística do Pretérito Imperfeito do Indicativo Este tempo pode indicar polidez ao ser usado no lugar do presente do indicativo: Ex.: Você podia me ajudar? Pode ser usado no lugar do futuro do pretérito: Ex.: Meu irmão João era um homem muito bom, pois ia levar seu sobrinho para os EUA. Lá meu filho entrava para uma boa escola, formava-se, e depois virava doutor, dando-me muito orgulho. No entanto, João faleceu antes disso tudo ocorrer. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 50 de 108 Obs.: Não há tempo composto! PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO • Fato passado anterior a outro fato também passado Ex.: Depois que ela me pedira um favor, tive de sair de casa. Quem me dera passar na prova! • Pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo Verbo auxiliar ter ou haver no “pretérito imperfeito do indicativo + o principal no particípio”, exprimindo o mesmo que o pretérito mais-que- perfeito do indicativo simples; esta construção é mais usual aqui no Brasil. Ex.: Eu já havia estudado em PDFs, quando conheci o Estratégia. FUTURO DO PRESENTE • Fato posterior ao momento da fala, mas certo de ocorrer Ex.: Passarei na prova. Fato! Tu te classificarás tão logo, meu nobre. • Fato futuro incerto, hipotético (em perguntas, normalmente) Ex.: Serão pessoas felizes as que moram na periferia? Ela terá seus quarenta anos, no máximo. • Futuro do presente composto do indicativo Verbo auxiliar ter ou haver no “futuro do presente simples do indicativo + o principal no particípio”, exprimindo um fato futuro anterior a outro fato futuro, fato futuro já iniciado no presente ou futuro incerto (em perguntas). Ex.: Quando você chegar, eu já terei partido. Daqui a dois meses, terei absorvido informações valiosas. Terá Maria sabido a verdade sobre João? Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 51 de 108 Estilística do Futuro do Presente do Indicativo Pode substituir o imperativo (em leis), denotando mais força na lei de modo que ela seja entendida e atendida atemporalmente. Ex.: Não matarás, não cobiçarás... É comum o uso da locução verbal formada pelo verbo auxiliar IR (no presente do indicativo) + infinitivo a fim de substituir o futuro do presente simples: Ex.: “Eu vou estudar muito amanhã” no lugar de “Eu estudarei muito amanhã”. Ele pode ser substituído pelo presente do indicativo. Ex.: Quando o inverno chegar, eu quero (quererei) estar junto a ti. FUTURO DO PRETÉRITO • Fato posterior a um fato passado Ex.: Disseram (fato passado) que ela chegaria (fato futuro) logo. Você me prometeu que passaria de ano. • Fato futuro que não chegou a realizar-se Ex.: Eu levaria uma bronca se não fizesse os exercícios. Faríamos os exercícios caso não fôssemos interrompidos. • Fato futuro incerto, hipotético Ex.: Seria o sol o causador destas queimaduras? Certamente eu conseguiria minha vaga. • Fato futuro hipotético relacionado a uma condição (muito comum) Ex.: Contanto que ela estudasse (condição), passaria fácil. Obs.: Interessante é dizer que esta frase acima pode significar que ela não estudou, por isso não passou ou que, se ela estudasse, no futuro, a vaga estaria garantida. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. FernandoPestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 52 de 108 • Futuro do pretérito composto do indicativo Verbo auxiliar ter ou haver no “futuro do pretérito simples do indicativo + o principal no particípio”, exprimindo o mesmo valor que o futuro do pretérito simples do indicativo nos casos acima. Ex.: Teria feito diferente se tivesse tempo. Estilística do Futuro do Pretérito do Indicativo Substitui o presente do indicativo, indicando polidez: Ex.: Pediria que todos saíssem. Grato. Pode indicar impossibilidade diante de um juízo de valor Ex.: Eu lá beijaria aquela boca! O MODO SUBJUNTIVO Segundo o conceituado gramático Adriano da Gama Kury: PRESENTE DO SUBJUNTIVO • Geralmente utilizado quando desejamos expressar desejos, possibilidades, suposições, cuja concretização pode depender da realização de um outro acontecimento. Ex.: Deus te guie. Nada de cerimônias: pensem que estão em sua casa. Talvez a realidade seja mais forte que a ficção. Receio que aconteça o pior. É provável que surja outra oportunidade. • Pretérito Perfeito Composto do Subjuntivo Verbo auxiliar ter ou haver no “presente do subjuntivo + o principal no particípio”, indicando normalmente desejo de que algo já tenha ocorrido ou um fato futuro já terminado em relação a outro Ex.: Espero que você tenha estudado essas classes gramaticais. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 53 de 108 Quando chegarmos, é provável que a palestra já tenha acabado. NOTA: É de observar a presença da palavra que antes de quase todas as formas do subjuntivo dos exemplos, o que nos leva a usá-la na conjugação desse tempo verbal: que eu faça, que tu faças, etc. PRETÉRITO IMPERFEITO • Este tempo, que expressa uma hipótese (no passado, presente ou futuro), se usa nas orações subordinadas, quando a principal tiver o verbo num tempo do pretérito ou futuro do pretérito. Expressa uma condição não realizável quando vem junto a uma ideia condicional: Ex.: Não admitia que se fizesse greve. Era provável que surgisse outra oportunidade. Proibiu que revelassem o acordo. Se tivesses paciência, obterias o que pretendes. (mas não tiveste, logo nada obteve) • Pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo Verbo auxiliar ter ou haver no “pretérito imperfeito do subjuntivo + o principal no particípio”, exprimindo o mesmo valor que o pretérito imperfeito do subjuntivo simples. Ex.: Teríamos ficado aqui, se você não tivesse arrumado problemas. Obs.: Nunca é demais falar o óbvio: perceba que todas as frases remetem a ação obrigatoriamente para o passado. A frase ‘Se eu tivesse dinheiro, faria um curso’ é completamente diferente de ‘Se eu tivesse dinheiro, eu teria feito um curso’. Na primeira frase, há a possibilidade de transportarmos a hipótese para o futuro, o que nnão acontece na segunda frase, que só tem ideia de passado hipotético. FUTURO DO SUBJUNTIVO • Exprime uma ocorrência futura possível, eventual. É um tempo verbal que ocorre sobretudo com orações iniciadas com conjunção temporal ou condicional: Ex.: Quando puderes, vem visitar-nos. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 54 de 108 Assim que ele se desocupar, virá atendê-lo. Se (ou caso) ele puder, trará o livro. Obs.: Não confunda o verbo no futuro do subjuntivo com o verbo no infinitivo; este vem antecedido de preposição e aquele, de conjunção: Para eu estudar, precisarei de apoio (infinitivo) / Quando eu estudar, precisarei de apoio. • Futuro composto do subjuntivo Verbo auxiliar ter ou haver no “futuro do subjuntivo simples + o principal no particípio”, exprimindo o mesmo valor que o futuro do subjuntivo simples. Ex.: Assim que você tiver terminado sua leitura, descanse um pouco. � É de observar que, na fala das pessoas incultas, aparece o indicativo em lugar do subjuntivo. É comum ouvir “O senhor quer que eu faço?”, por “O senhor quer que eu faça?”. � Sempre que se trate de uma possibilidade, de uma eventualidade, e não de uma certeza, usa-se o subjuntivo. Compare-se: O cidadão que ama sua pátria engrandece-a. (realidade) O cidadão que ame sua pátria engrandece-a. (conjectura) (Bechara, Moderna Gramática) � Nas orações subordinadas adverbiais concessivas iniciadas pelas conjunções embora, ainda que, mesmo que, conquanto, posto, posto que e outras, usa-se o subjuntivo: “Sendo preciso despir a camisa e dá-la a um mendigo, Nóbrega o faria, ainda que a camisa fosse bordada.” (M. de Assis, EJ) � Nas orações subordinadas adverbiais temporais introduzidas por antes que, assim que, até que, enquanto, depois que, logo que, quando ocorrem nas indicações de possibilidade (e não de realidade, caso em que ocorre o indicativo), usa-se o subjuntivo: Cuide dessa gripe, antes que ela se transforme em pneumonia. Amar-te-ei até que a morte nos separe. Enquanto o mundo for mundo, não te esquecerei. Só sairei depois que ele chegar. Logo que termine esta carta, vou atendê-lo. Compare: Assim que terminou a carta foi atendê-lo. Amaram-se até que a morte os separou. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 55 de 108 Nosso amor foi grande enquanto durou. (Nestas três frases, não se trata de uma eventualidade, mas de um fato real, acontecido, por isso o verbo está no indicativo.) O MODO IMPERATIVO • Para expressar ordens, conselhos e exortações: Ex.: — Que é que estava lendo? Não diga, já sei, é o romance dos Mosqueteiros.” (Machado de Assis, 1899) Faça já o dever de casa! Estude mais, isso fará seu futuro melhor. • Para expressar pedidos, súplicas: Ex.: Perdoai as nossas ofensas, assim como... Por favor, venha comigo agora! Obs.: Há um resumo dos tempos compostos após Emprego das Formas Nominais. Página 62-63! Correlação Verbal A Correlação entre Tempos e Modos Verbais se dá através da ligação semântica entre os verbos de um período composto por subordinação de modo que haja uma harmonia de sentido na frase em que os verbos se encontram. Por isso, é preciso que você saiba quais são os modos verbais e os tempos verbais!!! Só para que você relembre bem, vamos lá! Normalmente, o modo indicativo, exprime certeza/fato; o subjuntivo, incerteza/hipótese; o imperativo, ordem/sugestão/pedido... Relembrou? Agora, imagine a seguinte frase: “Caso eu tivesse dinheiro, faço um curso”. O que você diria dela? Há uma boa relação de sentido entre os verbos dessa frase? O verbo TER está no pretérito imperfeito do subjuntivo (tivesse), indicando hipótese, certo? O outro verbo, FAZER, está no presente do indicativo, indicando certeza e ação atual, certo? Podemos Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 56 de 108 misturar hipótese e certeza na mesma frase? Faz sentido? NENHUM!!! Bem, acho que você já começou a entender. É preciso que determinados tempos e modos verbais se complementem na frase para que ela tenha um sentidoharmônico, e isso se deve muito à correlação entre tempos e modos verbais. Veja como a frase acima deveria ficar, para haver harmonia de sentido na frase: CASO EU TIVESSE DINHEIRO, FARIA UM CURSO. “Tivesse: hipótese. Faria: hipótese. Ah...! Agora sim...! Entendi, Pestana!” É isso aí, meu nobre! Para haver harmonia é preciso que haja “dobradinhas” harmônicas entre os tempos verbais e os modos verbais. Por exemplo, ouvir alguém dizendo “O que você quer que eu faço?!” é dose, não?! Deveria ser “O que você quer que eu faça?” Por quê? Para haver correlação verbal. Infelizmente este é um assunto bem difícil, mas fiz uma pesquisa extensa nas “dobradinhas”; verá mais à frente... Repetindo: existem três modos verbais: indicativo (certeza, fato), subjuntivo (incerteza, hipótese) e imperativo (ordem, pedido). Existem três noções temporais: passado (pretérito perfeito/imperfeito/mais-que- perfeito), presente e futuro (presente/pretérito). Vamos ao que interessa? Além de dois verbos de mesmo tempo e mesmo modo poderem se “combinar”, há outras “combinações” possíveis. Ah! Não é para ficar que nem um louco devorador de tabelas; perceba a relação de sentido entre os verbos. Mas, se quiser decorar, seja feliz! ☺ Eu decorei e não erro mais! Conheça algumas possibilidades de “dobradinhas” verbais para que você não erre mais questões desse tipo: Iniciando com o tempo Presente • Presente do indicativo + Pretérito Perfeito do Indicativo Ex.: Hoje eu sei que tive chances com aquela mulher. • Presente do Indicativo + Pretérito Perfeito Composto do Subjuntivo Ex.: Espero que ele tenha te apresentado àquela mulher. • Presente do Indicativo + Pretérito Imperfeito do Indicativo Ex.: Só hoje eu vejo que naquela época tinha chances com ela. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 57 de 108 • Presente do Indicativo + Futuro do Presente do Indicativo Ex.: Sei que você me apresentará àquela mulher. • Presente do Indicativo + Presente do Subjuntivo Ex.: Quero que você me apresente àquela mulher ainda hoje! • Presente do Indicativo/Subjuntivo (Imperativo) + Pretérito Imperfeito do Subjuntivo* Ex.: Imagina/Imagine se eu conseguisse conquistá-la! * Por causa da conjunção integrante ‘se’, é normal o verbo vir no pretérito imperfeito do subjuntivo, indicando hipótese, incerteza. Iniciando com o tempo Pretérito • Pretérito Perfeito do Indicativo + Pretérito Imperfeito do Subjuntivo Ex.: Pedi que você me apresentasse àquela mulher. • Pretérito Perfeito do Indicativo + Pretérito Imperfeito do Indicativo Ex.: Notei que você ia me apresentar àquela mulher. • Pretérito Perfeito do Indicativo + Pretérito Mais-Que-Perfeito Composto do Subjuntivo Ex.: Quis que você tivesse me apresentado àquela mulher. • Pretérito Perfeito do Indicativo + Futuro do Pretérito do Indicativo Ex.: Disseram que ela seria apresentada a mim. • Pretérito Perfeito Composto do Subjuntivo + Futuro do Presente Ex.: As mulheres que me tenham ignorado se arrependerão. • Pretérito Imperfeito do Indicativo + Pretérito Imperfeito do Subjuntivo Ex.: Desejava que você me apresentasse àquela mulher. • Pretérito Imperfeito do Subjuntivo + Futuro do Pretérito (simples ou composto) do Indicativo Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 58 de 108 Ex.: Se eu passasse por ela, apresentaria/teria apresentado a você. • Pretérito Imperfeito do Indicativo + Pretérito Mais-Que-Perfeito Composto do Subjuntivo Ex.: Queria que ela tivesse sido apresentada a mim. • Pretérito Mais-Que-Perfeito do Indicativo (simples ou composto) + Pretérito Imperfeito do Subjuntivo Ex.: Eu apelara/tinha apelado que você me apresentasse àquela mulher. • Pretérito Mais-Que-Perfeito Composto do Subjuntivo + Futuro do Pretérito Composto do Indicativo Ex.: Se eu tivesse passado por ela, teria apresentado a você. Iniciando com o tempo Futuro • Futuro do Pretérito + Pretérito Imperfeito do Subjuntivo Ex.: Desejaria que me apresentasse àquela mulher. • Futuro do Pretérito + Pretérito Mais-Que-Perfeito Composto do Subjuntivo Ex.: Gostaria que você tivesse visto àquela mulher. • Futuro do Presente + Pretérito Perfeito do Indicativo Ex.: Conquistarei aquela mulher que me desprezou. • Futuro do Presente + Presente do Subjuntivo Ex.: Eu me certificarei de que se deixe em paz aquela mulher. • Futuro do Presente + Pretérito Perfeito Composto do Subjuntivo Ex.: Eu me certificarei de que se tenha deixado em paz a mulher. • Futuro do Subjuntivo + Futuro do Presente Indicativo/Presente do Indicativo Ex.: Quando eu passar por ela, apresentarei/apresento a você. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 59 de 108 • Futuro do Subjuntivo + Futuro do Presente Composto do Indicativo Ex.: Quando chegarmos até ela, já terá ido embora. E aí, curtiu? Tenha certeza de que este material, apesar de extenso, vai ajudar você em qualquer concurso em que haja o domínio do registro culto Língua Portuguesa como critério de avaliação. Emprego das Formas Nominais O Infinitivo É a forma verbal que às vezes se comporta como um substantivo (principalmente nos casos de não flexão), daí ser chamado de forma nominal. É também verbal no seu estado estático, não variado, terminando em –AR, –ER ou –IR. Pode ser ou não flexionado, desde que tenha um sujeito, como se vê abaixo: Era para eu cantar Era para tu cantares Era para ele cantar Era para nós cantarmos Era para vós cantardes Era para eles cantarem Obs.: Cuidado com o infinitivo flexionado, nas conjugações dos verbos regulares, é idêntico ao futuro simples do subjuntivo. Este participa de orações iniciadas pela conjunção se ou pela conjunção quando, indicando hipótese condicional ou temporal; aquele, de orações iniciadas geralmente por preposição (a, de, para, por...), indicando significado declarativo. Ex.: Quando eu chegar, quererei festa. (futuro do subjuntivo) Ao chegar, quererei festa. (infinitivo) Infinitivo Flexionado • Quando o sujeito for claro Ex.: Não é necessário vocês chegarem mais cedo. Nunca mediremos esforços para vós serdes bem recebidos. • Mesmo não sendo claro o sujeito, é possível a flexão do infinitivo (favorece muitas vezes a clareza) Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 60 de 108 Ex.: Está na hora de começarmos o trabalho. (se fosse ‘começar’, não haveria clareza de quem praticaria a ação) • Frase com dois sujeitos não expressos Ex.: (Eu) Falei sobre o desejo de (nós) aprontarmos o site logo. Obs.: Se o sujeito do verbo no infinitivo for o mesmo do verbo da outra oração, a flexão do infinitivo não é necessária, mas não é proibida: “Falamos sobre o desejo de aprontar o site logo” ou “Falamos sobre o desejo de aprontarmos o site logo”. • Antecedido de preposição Ex.: Para seres bem sucedido, empenha-te nos estudos. • Com verbos pronominais ou acompanhados de pronome reflexivo ou apassivador Ex.: Para nós nos precavermos,precisaremos de víveres. Eles ficaram sem se cumprimentarem durante anos. Por se reunirem os familiares, tudo ficou bem. • Verbo ‘ser’ indicando tempo, concorda com o numeral. Ex.: Visto serem dez horas, deixei o local. • Querendo-se indeterminar o sujeito (3ª pessoa do plural) Ex.: Faço isso para não me considerarem um inútil. Precisamos agir assim para nos admitirem na empresa. • Infinitivo pessoal composto Verbo auxiliar ter ou haver no “infinitivo pessoal simples + o principal no particípio”, indicando ação passada em relação ao momento da fala. Ex.: Para vocês terem adquirido este conhecimento todo, precisou de muito estudo? Infinitivo não flexionado • Nas locuções verbais (como auxiliar ou principal): Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 61 de 108 Ex.: Os alunos desejam sair mais cedo. Elas não poderiam ter feito isso comigo. Tornou a discutir devaneios e vãs filosofias. Acabou de passar na prova. Obs.: Cuidado com o infinitivo que faz parte de uma locução verbal, mas vem distante do auxiliar ou este está subentendido, é incrivelmente (na minha opinião) facultativo: “Poderemos, depois das lutas acirradas, vencidas duramente, cantarmos vitória” ou “Poderemos , depois das lutas acirradas, vencidas duramente, cantar vitórias." E, antes que você duvide de mim, o camarada que fala isso é nada mais, nada menos que o senhor Evanildo Bechara. Conhece? • Sujeito do infinitivo é um pronome oblíquo átono ou um substantivo no singular (normalmente tais verbos são causativos (mandar, deixar, fazer) ou sensitivos (ver, ouvir, sentir)) Ex.: Deixei-os brincar aqui. Deixaram-nos brincar ali. Deixaste o garoto brincar lá? A menina deixou-se ficar na janela. (o se é reflexivo) Obs.: Quando o sujeito do infinitivo for um substantivo no plural, pode-se usar tanto o infinitivo flexionado quanto o infinitivo não flexionado: “Mandei os garotos sair” ou “Mandei os garotos saírem”. • O infinitivo não se refere a sujeito algum, com valor genérico Ex.: Navegar é preciso, viver não é preciso. É proibido proibir. • Após adjetivo ou substantivo, precedidos, respectivamente, de preposição ‘de’ ou ‘para’ Ex.: São casos difíceis de solucionar. Eles têm aptidão para aprender línguas estrangeiras. • Quando der ao infinitivo valor de imperativo Ex.: Soldados, recuar! Esquerda, volver! Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 62 de 108 Dar descarga ao usar o vaso. Grato. Com o verbo parecer, impessoal (flexiona-se o infinitivo) Ex.: Pareceu-me estarem os candidatos confiantes. Neste exemplo, a construção nos mostra duas orações. 1ª: Pareceu-me (verbo que exprime dúvida) 2ª: estarem os candidatos confiantes (infinitivo flexionado por apresentar sujeito próprio). O verbo parecer pode ser auxiliar de uma locução verbal, aí varia se o sujeito estiver no plural; o infinitivo não se flexiona, pois verbo principal nunca varia: Ex.: Eles parecem estudar bastante. O Particípio O particípio é a forma nominal do verbo porque por vezes se assemelha a um adjetivo. Sua natureza verbal, que normalmente indica passado, manifesta-se nas locuções verbais, nos tempos compostos e em orações reduzidas (pode variar em gênero e número): Ex.: Não há nada que possa ser feito. (locução verbal) Se me tivesses ajudado, teríamos conseguido. (tempo composto) Terminadas as obrigações, precisamos sair depressa. (oração reduzida) Assume função adjetiva quando atua como caracterizador de substantivos: Ex.: Teve papel destacado na filmagem. Pessoas perturbadas não têm vez aqui. Obs.: Segundo os melhores gramáticos, a locução haja vista é invariável. Alguns, Faraco & Moura, p.ex., toleram a variação do auxiliar da locução, (Hoje terminarei mais tarde a leitura haja(m) vista as observações que ainda tenho de fazer). Hoje em dia, o seu valor semântico equivale ao das locuções prepositivas "devido a", "por conta de", "por causa de" Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 63 de 108 Não confunda adjetivo com particípio dentro de uma estrutura parecida com uma locução verbal, porque este indica ação praticada por alguém e aquele indica mera qualidade do substantivo. Ex.: O aluno foi reprovado no exame. (Reprovaram o aluno. (locução verbal/particípio)) O aluno foi resfriado para escola. (Resfriaram o aluno??? (adjetivo)) O Gerúndio Além de atuar como verbo nas locuções verbais, nos tempos compostos e nas orações reduzidas, o gerúndio pode desempenhar as funções de advérbio e de adjetivo. Como verbo, indica normalmente um processo incompleto ou prolongado: Ex.: Estava lendo o livro que você me emprestou. (locução verbal) Estou lutando para mudar minha vida financeira. (locução verbal) Obtendo a nota exigida na prova, resignou-se. (oração reduzida) Tendo feito várias reclamações por escrito que não foram atendidas, resolvi vir pessoalmente aqui. (tempo composto) Sua natureza adverbial pode ser percebida em frases em que indica circunstância de modo: Ex.: Chorando muito, o menino se despediu do pai. O uso do gerúndio em função adjetiva é menos usual: Ex.: Tire essa água fervendo daqui. Breve resumo: os tempos compostos da voz ativa são formados pelos verbos “ter/haver + particípio”. No indicativo: • Pretérito perfeito: Temos/havemos casado. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 64 de 108 • Pretérito mais-que-perfeito: Eu tinha/havia casado. • Futuro do presente: Eu terei/haverei casado. • Futuro do pretérito: Eu teria/haveria casado. No subjuntivo: • Pretérito perfeito: Espero que ele tenha/haja casado. • Pretérito mais-que-perfeito: Se ele tivesse/houvesse casado... • Futuro do subjuntivo: Quando ele tiver/houver casado... Nas formas nominais: • Infinitivo impessoal: Para ele ter/haver casado... • Infinitivo pessoal: Para ele ter/haver casado... • Gerúndio: Tendo/havendo casado... Vozes Verbais É a maneira como o verbo se encontra/aparece para indicar sua relação com o sujeito; dependendo de sua forma, o verbo pode indicar uma ação praticada pelo sujeito (voz ativa), uma ação sofrida pelo sujeito (voz passiva) ou uma ação praticada e sofrida pelo sujeito (voz reflexiva). A ESAF adora questão disso! Fique esperto! Bem, voltando... Ocorre voz ativa quando o verbo indica uma ação praticada pelo sujeito. Em todas as frases abaixo, há voz ativa. Ex.: João acordou atrasado. Resolveu pegar um táxi, mas precisou de dinheiro para isso. Foi a um banco ainda. Chegou, enfim, ao trabalho. O homem resolveu todas as pendências do dia. Informaram-no daquela hora extra. Coitado. Se você não se lembra da voz passiva, aqui vai a definição clássica: ocorre voz passiva quando o verbo indica que o sujeito sofre a ação verbal. Nas frases abaixo, há voz passiva. Ex.: Hoje, nosso amigo João foi derrotado pelo cansaço da rotina, mas — como todobrasileiro — ele não desiste fácil. Por isso, será recompensado por seu patrão. Sendo assim, devemos crer nisto: “Recompensam-se os esforçados!”. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 65 de 108 No primeiro e no segundo caso, há uma locução verbal (normalmente formada pelo verbo ser/estar/ficar + particípio: “foi derrotado”, “será recompensado”). Esta é a marca principal da voz passiva analítica; há como traço de passiva analítica também o agente da passiva: “pelo cansaço da rotina” e “por seu patrão”. No terceiro caso do exemplo acima, ocorre a chamada voz passiva sintética, cuja característica principal é a presença do pronome apassivador “se”; não há AGP nesta voz! Resumindo: VOZ ATIVA: o sujeito é agente da ação verbal. Ex.: Eu penteei os cabelos. VOZ PASSIVA: o sujeito é paciente da ação verbal; pode ser analítica (ser/ estar/ ficar + particípio) ou sintética (VTD + ‘se’ apassivador). Ex.: Os cabelos foram penteados por mim. (analítica) Pentearam-se os cabelos. (sintética) Além disso, há a voz reflexiva, em que o sujeito é o agente e paciente da ação verbal; ocorre voz reflexiva recíproca quando o verbo se encontra no plural e há pelo menos dois seres praticando a mesma ação verbal, um no outro. Ex.: Penteei-me com esmero. (o ‘me’ é pronome reflexivo) Eles se pentearam com esmero. (o ‘se’ é reflexivo recíproco) Agora você vai aprender a fazer a passagem da ativa para a passiva. Lembre-se: só há passagem de voz ativa para a passiva se o verbo for transitivo direto (VTD) ou transitivo direto e indireto (VTDI). Veja: (O homem) (resolveu) (todas as pendências do dia). (Voz Ativa) Sujeito (S) VTD Complemento (OD) Passando para a voz passiva analítica: o OD vira S, o S vira AGP e o verbo vira uma locução verbal (ser/estar/ficar + particípio), mantendo-se o tempo verbal. Veja: Todas as pendências do dia foram resolvidas pelo homem. Sujeito (S) Ser + Particípio AGP Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 66 de 108 Você agora se deve estar perguntando: “Ok. Entendi. Mas não é possível passar essa frase da ativa para a passiva sintética”?. Resposta: Não!!! Entenda: os elementos que estão na voz ativa precisam aparecer na voz passiva quando a passagem for feita. Está certo? Então, veja se esta transformação seria possível: Resolveram-se todas as pendências do dia. (Voz Passiva Sint.) Não está faltando algum elemento que aparece na voz ativa? É claro! “O homem”, ora. Portanto, chegamos à seguinte conclusão: a passagem da ativa para a passiva sintética acima está errada, pois falta um elemento da voz ativa! E mais: só é possível passar da voz ativa para a voz passiva sintética se o sujeito da ativa estiver indeterminado, verbo na 3ª pessoa do plural (nota: na passiva analítica, o AGP ficará igualmente indeterminado*). Ok? Veja: Ex.: (S?) Resolveram as pendências da empresa. (VA) Resolveram-se as pendências da empresa. (VPS) As pendências da empresa foram resolvidas (AGP?)*. (VPA) Obs.: • Preste atenção em como vai ficar a passagem de voz ativa para a passiva analítica quando houver locuções verbais e tempos compostos; note abaixo a conservação do tempo verbal do verbo auxiliar e a estrutura ‘ser’ + particípio; note também como vai ficar o tempo composto na voz passiva!!! Ex.: Vou comprar uma casa. (VA) Uma casa vai ser comprada por mim. (VPA) Estou comprando uma casa. (VA) Uma casa está sendo comprada por mim. (VPA) Espero que tenham resolvido as pendências (VA) Espero que as pendências tenham sido resolvidas. (VPA) • Não confundir verbo reflexivo com verbo pronominal. Os verbos reflexivos são verbos acompanhados de pronomes reflexivos. Sempre são verbos transitivos diretos e/ou indiretos (VTD/ Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 67 de 108 VTI/VTDI). Segundo Bechara, ele “faz refletir sobre o sujeito a ação que ele mesmo praticou.” Diz-se que o pronome reflexivo, que acompanha tal verbo, é também recíproco quando há mais de um ser no sujeito e o verbo se encontra no plural. É possível substituir o pronome átono por ‘a mim mesmo, a ti mesmo, a si mesmo(s), a nós mesmos, a vós mesmos’ Ex.: A menina se cortou. / Se está doente, trate-se. / Os namorados se deram as mãos. (recíproco) / A avó e a neta se queriam muito. (recíproco) / Eles se beijaram. (recíproco) / Ela se impôs uma dieta muito severa. / Ele se achou culpado por ter perdido a luta. / Sofia deixou-se estar à janela. • Existe um terceiro caso de voz passiva (não popular na gramática tradicional) que ocorre com o verbo no infinitivo ligado pela preposição ‘de’ a um adjetivo. Veja: Ex.: Elas eram pessoas difíceis de contentar. (Eram pessoas difíceis de serem contentadas) Este remédio é ruim de tomar (Este remédio é ruim de ser tomado) Como eu já falei, é sempre bom revisitar as informações acima na hora de fazer as questões abaixo. Certamente vou comentá-las e você verá qual é o perfil da prova que irá fazer. É óbvio que nem tudo acima é assunto explorado em sua futura prova, mas é justamente por isso que seguem as questões abaixo comentadas. Esteja atento ao que é frequente e estude bastante os assuntos recorrentes. É assim que se faz prova! Vamos nessa! Questões com Gabarito Comentado Devido a pedidos de alunos, selecionei e comentei apenas as letras relativas à aula de hoje. Quanto a algumas questões sem texto, eu os descartei, pois eram desnecessários. Algumas questões foram adaptadas a fim de facilitar a didática. Para agilizar, coloquei nos textos, que servem de base para as questões, algumas palavras, expressões ou frases em vermelho, ok? FUNIVERSA – SEPLAG/DF – AUDITOR FISCAL DE ATIVIDADES URBANAS – 2011 Texto I Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 68 de 108 2º§No entanto, sem escala de valor está a vida de milhares de pessoas que faleceram e virão a sucumbir, vítimas das enchentes. Segundo dados da ONU (2005), em 1988 mais de 15 mil pessoas foram mortas em consequência de enchentes; em 1999, o número de vítimas subiu para quase 35 mil. Esse quadro é configurado como o mais dramático e triste do problema das inundações urbanas, pois a maioria dessas mortes, de alguma forma, poderiam ter sido evitadas. 6º§A quantidade de material suspenso na drenagem pluvial apresenta uma carga muito alta, considerando a vazão envolvida. Esse volume é mais significativo no início das enchentes. Os primeiros 25 mm de escoamento superficial geralmente transportam grande parte da carga poluente de origem pluvial. 1- Assinale a alternativa correta acerca de fatos gramaticais e semânticos presentes no texto I. (A) Na linha 2 (2º§), os verbos expressam, respectivamente, uma ação concluída, observada no seu término, no seu resultado, e uma ação a ocorrer após o momento em que se enuncia o fato. (B) Na última linha do 2º§, a locução verbal ‘poderiam ter sido evitadas’ ficaria bem ajustada às normas gramaticaiscom o uso do verbo “ter” no plural, em concordância com o substantivo “mortes”, que faz parte do sujeito da frase. (E) No 6º§, o termo “suspenso” pode ser trocado por suspendido, pois ambas as formas pertencem ao verbo suspender e são permutáveis sem reservas em contextos frasais que exijam o emprego do particípio. Texto II 2º§O que mais se encontra no dia a dia? Justamente a postura oposta. As pessoas encaram tudo como desculpas e justificativas. Há pessoas que vivem dizendo frases negativas que encerram verdadeiras filosofias desastrosas. Não são raras as vezes em que já se ouviu alguém falando de seus problemas e dificuldades e da incapacidade de superá-los, traduzida nas seguintes frases conformistas: “Eu sou assim mesmo...”; “Sempre fui assim...”; “Não posso evitar isso...”; “Essa é a minha natureza...”; “Não adianta mesmo...”; “Deus me fez assim e pronto!”. 3º§O que tais pessoas talvez nunca percebam é que desculpas e justificativas só levam ao conformismo e à acomodação. E isso não diz respeito à elevação de padrões e à melhoria da qualidade de vida. Desculpas e justificativas são coisas de perdedor! Enquanto os vencedores comemoram, os perdedores se justificam. Roberto Shinyashiki. Internet: http://tecessa.arteblog.com.br (com adaptações). Acesso em 19/1/2011. 2- Assinale a alternativa correta a respeito de fatos gramaticais e estilísticos encontrados no texto II. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 69 de 108 (B) Na frase “‘Deus me fez assim e pronto!’” (fim do 2º§), encontra-se uma interjeição característica da linguagem coloquial. (D) Na construção “O que tais pessoas talvez nunca percebam” (1ª linha do 3º§), o pronome “tais” está empregado de modo informal, com significado de brilhantes, grandiosas. 3- As ideias do texto II estarão de acordo com a norma culta da língua portuguesa caso se substitua (A) “há” (linha 1) por tem. (B) “momento em que” (linha 1) por momento que. (C) “se ouviu” (4ª linha do 2º§) por ouviu-se. (D) “me fez” (última linha do 2º§) por fez-me. (E) “comemoram, os perdedores” (última linha do 3º§) por comemoram os perdedores. Texto III 3º§Por outro lado, para o cientista, não existe dúvida de que o aspecto mais notável da memória é o esquecimento. Afinal, se uma pessoa se lembrasse de tudo, em todos os pormenores, não conseguiria pensar de forma genérica. Se as mulheres conseguissem reproduzir por completo os momentos da dor do parto, nenhuma teria mais de um filho. Internet: <ftp://ftp.abc.org.br> (com adaptações). Acesso em 16/1/2011. 4- Assinale a alternativa correta acerca do texto III. (B) A troca de “lembrasse” (3ª linha do 3º§) por lembrar altera o sentido da frase e exige mudança em outro termo do enunciado. FUNIVERSA – SES/DF – ENFERMEIRO – 2011 Texto I 1º§A imortalidade do corpo talvez seja o maior sonho da nossa humanidade: mais até que os bens materiais, as pessoas sempre buscam a vida eterna; muitos são os que procuram as fontes da juventude, e hoje em dia a própria ciência cria esperanças em vários indivíduos. 5- Seriam mantidos a correção gramatical e o sentido original do texto, caso se substituísse (A) “seja” por é. (1º§) 6- Assinale a alternativa que apresenta reescrita correta de passagem do texto (entre parênteses). (A) “Trata-se do único relato dessa natureza em toda biologia”. (Trata-se do único relato dessa natureza em toda a biologia) (B) “na sua cadeia genética”. (em sua cadeia genética) Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 70 de 108 (E) “suportar a dor das perdas prematuras a qual, em função de uma vida maior, seriam muito mais doloridas”. (suportar a dor das perdas prematuras que, em função de uma vida maior, seriam muito mais doloridas) 7- Assinale a alternativa correta quanto ao aspecto semântico e ao sintático do texto. B) O fragmento “Se a ciência descobrir uma forma” (4º§), segundo a norma-padrão, contém falha no emprego do pronome átono na abertura da frase. (C) No trecho “o que impediria a vida eterna do corpo seria” (6º§), a forma verbal “seria” pode ser corretamente substituída por será. (E) O emprego de realiza em lugar de “realize” na sequência “tecnologia que realize algum tipo de manutenção” (5º§) provocaria mudança do sentido original. 8- Assinale a alternativa correta, de acordo com o texto. (D) No fragmento “o hospital funcionava mais como um depósito de doentes, onde monges e freiras providenciavam”, o pronome “onde” ficaria correto, se substituído por nos quais. FUNIVERSA – SEPLAG/DF – AUDITOR FISCAL DE ATIVIDADES URBANAS (CONTORLE AMBIENTAL) – 2011 Texto I 1º§Imagine se o mercado de energia funcionasse assim: você vai a uma loja de departamentos e compra um kit de energia solar ou eólica. Instala o dito cujo no telhado, seguindo o manual de instruções, pluga na tomada e, com o celular ou o computador, controla a produção de energia em casa. Quando seu gasto de energia for maior que a produção, você recebe uma conta em casa. Mas, quando a produção superar o consumo, algo incrível acontece: chega um cheque pelo correio. Não seria sensacional? 2º§Seria, claro. Mas o jeito como os Estados Unidos estão incorporando energias limpas ao seu sistema é bem diferente disso. Por lá, eles estão substituindo carvão queimado por energia eólica e solar, o que é bom, mas de uma maneira que não muda a relação entre os produtores e os consumidores de energia. Você conhece o modelo: usinas gigantescas produzindo energia, postes monumentais transportando essa energia por milhares e milhares de quilômetros. Quem quiser pode instalar seu painel solar no telhado, mas o sonho de mandar essa energia para a rede e faturar uns trocadinhos com isso continua bem longe da realidade. 9- Assinale a alternativa que interpreta corretamente ideias e fatos linguísticos do texto I. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 71 de 108 (B) A troca do “se” (linha 1) pela palavra que exigiria a mudança do modo do verbo que sucede o “se”: “funcionasse” mudaria para funcionaria. (D) A substituição de “produzindo” (linha 6 do 2º§) por produziram e de “transportando” (linha 6 do 2º§) por transportaram não altera o sentido básico da frase em que estão. Texto II 4º§Duas horas depois, quando o pessoal ainda estava tentando destrinchar o manual do proprietário, passou um sujeito de bicicleta. Para horror de todos, ele falava “nóis vai” e coisas do gênero. Mas, em dois minutos, para espanto geral, botou a van para funcionar. Deram-lhe uns trocados, e ele foi embora, feliz da vida. Aquele ciclista anônimo era o protótipo do funcionário para quem as empresas modernas torcem o nariz: o que é capaz de resolver, mas não de impressionar! 10- Acerca do texto II, assinale a alternativa correta segundo a norma- padrão da língua portuguesa. (E) O pronome “lhe”, linha 4 do 4º§, pode, com acerto normativo, antecipar-se ao verbo a que se vincula para receber ênfase, destacando a pessoa que é o alvo da ação verbal. FUNIVERSA – MTUR – ENGENHEIRO – 2010 Texto I 1º§(6/10/2009) Um total de 29% dos brasileiros entre dez e dezessete anos prefere falar com amigos, família ou colegas por meio do computador que pessoalmente, indica pesquisa do Ibope divulgada nesta terça-feira(6). Essa preferência cai para 16% dos consumidores. O estudo mostra ainda que dois terços dos jovens naquela faixa etária utilizam regularmente serviços de mensagens instantâneas, como MSN. As redes sociais ganham importância: já são rotina para 45% dos brasileiros entrevistados em geral, e para 72% dos jovens entre 18 e 24 anos. (...) Pressão de informação 6º§Também na região metropolitana de SP, o Ibope indicou que 53% das pessoas se sentem pressionadas com a quantidade de informação disponível. Ainda assim, dois terços da população na região afirma que consegue absorver toda a informação e a tecnologia disponíveis. (...) Internet: http://www1.folha.uol.com.br (com adaptações). Acesso em 23/11/2009. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 72 de 108 11- A seguir, são apresentadas apreciações relativas a recursos linguísticos do texto I. Assinale a alternativa correta acerca desses recursos. (A) A troca do pronome “nesta” da linha 3 do texto por nessa alteraria o sentido da frase. (C) Seria correta a eliminação do pronome átono “se” do 6º§. Texto II (...) Nada contra o comércio, mas ali, metido naquele circo, eu não conseguia evitar pensar, nem por um segundo, que, se todo aquele enorme esforço, toda aquela incrível concentração, toda aquela brilhante tecnologia, todo aquele fascinante know-how, toda aquela imensa mão de obra, toda aquela emocionante capacidade de mobilização fossem utilizados para questões minimamente mais urgentes, não sei, talvez questões tão simples quanto resolver a fome, ou buscar a cura para doenças terríveis, ou até tentar solucionar o problema da violência em países de terceiro mundo, quem sabe se, por meio de um engajamento tão intenso e resoluto, conseguíssemos algumas respostas práticas para problemas reais? (...) 12- O quinto parágrafo, que expõe ideias fundamentais para a compreensão da mensagem temática do texto II, é constituído por apenas um único período, com diversas vírgulas e um ponto de interrogação. Essa estrutura não muito usual foi montada com a finalidade de criar efeitos importantes dentro do texto. Assinale a alternativa que apresenta interpretação incorreta de fenômenos- linguísticos do quinto parágrafo do texto II. (E) A construção sintática de determinadas passagens revela dúvida, e a correlação modo-temporal criada está correta: a dúvida gerada por “quem sabe se” combina-se sintaticamente com o pretérito imperfeito do modo subjuntivo — “conseguíssemos”. FUNIVERSA – MTUR – AGENTE ADMINISTRATIVO – 2010 Texto I 1º§Certa vez, um homem, extremamente invejoso de seu vizinho, recebeu a visita de uma fada, que lhe ofereceu a chance de realizar um desejo. “Você pode pedir o que quiser, desde que seu vizinho receba a mesma coisa, em dobro”, sentenciou. O invejoso respondeu, então, que queria que ela lhe arrancasse um olho. Moral da história: o prazer de ver o outro se prejudicar prevaleceu sobre qualquer vontade. 2º§Assim como o ciúme é querer manter o que se tem e a cobiça é desejar aquilo que não lhe pertence, a inveja é não querer que o outro Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 73 de 108 tenha. O mais renegado dos sete pecados capitais é uma emoção inerente à condição humana, por mais difícil que seja confessá-la. Afinal, todo mundo, em algum momento da vida, já sentiu vontade de ser como alguém. Há até um lugar no cérebro reservado para a inveja. Pela primeira vez, uma pesquisa científica mostra onde são processados na mente humana ela e o shadenfreude — palavra alemã que dá nome ao sentimento de prazer que o invejoso experimenta, ao presenciar o infortúnio do invejado. 3º§O neurocientista japonês Hidehiko Takahashi identificou onde os sentimentos são processados no cérebro. Ao sentir inveja, a região do córtex singular do anterior é ativada. O interessante é notar que é nesse mesmo local que a dor física se processa. “A inveja é uma emoção dolorosa”, afirma Takahashi. O shadenfreude, por sua vez, se estabelece no estriado ventral, exatamente onde se processa a sensação de prazer. “O invejoso fica realizado com a desgraça do invejado”, diz o pesquisador. “Trata-se de um sentimento caracterizado pela sensação de inferioridade”, explica o neurocientista Takahashi. “Quando há essa sensação, é porque houve comparação, e a pessoa perdeu”. (...) Claudia Jordão e Carina Rabelo. Inveja. In: Isto É, 3/6/2009 (com adaptações). 13- Acerca da estrutura gramatical do texto I, assinale a alternativa correta. (B) O pronome “que” (linha 2) remete ao substantivo “visita”. 14- Com base em aspectos gramaticais e semânticos do texto I, assinale a alternativa correta. (A) Na linha 4 do 3º§, o pronome átono poderia corretamente ser eliminado. (D) A construção da linha 4 do 2º§ ficaria correta com a troca do pronome “a”, usado como “la”, por lhe. FUNIVERSA – ADASA – ADVOGADO – 2009 Na história da humanidade, a formação de grandes comunidades, com a sobrecarga do meio natural que ela implica, priva cada vez mais os seres humanos de seu acesso livre aos recursos de subsistência de que eles necessitam e recai, necessariamente, sobre a sociedade enquanto sistema de convivência, a tarefa (responsabilidade) de proporcioná-los. Essa tarefa (responsabilidade) é frequentemente negada com algum argumento que põe o ser individual como contrário ao ser social. Isso é falacioso. A natureza é, para o ser humano, o reino de Deus, o âmbito em que encontra à mão tudo aquilo de que necessita, se convive adequadamente nela. Para o ser humano moderno, a sociedade é a natureza, o reino de Deus, que deve configurar o âmbito em que encontrar à mão tudo o que gera seu bem estar como resultado de seu Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 74 de 108 conviver nela. Isso, em geral, não ocorre, impedido pela alienação que o apego e o desejo de posse geram, alienação essa que transforma tudo, as coisas, as idéias, os sentimentos, a verdade, em bens adquiríveis, gerando um processo que priva o outro do que deveria estar, para ele ou ela, à mão, como resultado de seu mero ser e fazer social. No apego, no desejo de posse, negamos o outro e criamos com ele ou ela um mundo que nos nega. Os problemas sociais são sempre problemas culturais porque têm a ver com os mundos que construímos na convivência. Por isso, a solução de qualquer problema social sempre pertence ao domínio da ética, isto é, ao domínio da seriedade na ação frente a cada circunstância que parte da aceitação da legitimidade de todo ser humano, de todo outro, em suas semelhanças e diferenças. É a conduta dos seres humanos, cegos entre si mesmos e ao mundo na defesa da negação do outro, o que tem feito do presente humano o que ele é. A saída, entretanto, está sempre à mão, porque, apesar da nossa decadência, todos sabemos que vivemos o mundo que vivemos, porque socialmente não queremos viver outro. Humberto Maturana. A ontologia da realidade. Belo Horizonte: UFMG, 2002, p. 207-8 (com adaptações). 15- Quanto às relações de coesão e coerência textual, pode-se afirmar que (A) o pronome “ela” refere-se a “humanidade”. (B) o pronome demonstrativo “Isso’ tem como referência anafórica o termo “ser social” do período anterior. (D) o pronome “ele” refere-se à ideia do homem. (E) o termo“nela” refere-se a “natureza”. FUNIVERSA – IPHAN – ANALISTA (CONTABILIDADE) - 2009 Com o ouvido no passado “As palavras voam, os escritos permanecem”, diz-se no Ocidente. O senhor pode explicar como a tradição oral tem legitimidade para exprimir a história das culturas africanas? Essa citação, procedente dos romanos, contribuiu para forjar a opinião segundo a qual uma fonte oral não merece crédito. Ora, os povos da oralidade são portadores de uma cultura cuja fecundidade é semelhante à dos povos da escrita. Em vez de transmitir seja lá o que for e de qualquer maneira, a tradição oral é uma palavra organizada, elaborada, estruturada, um imenso acervo de conhecimentos adquiridos pela coletividade, segundo cânones bem determinados. Tais conhecimentos são, portanto, reproduzidos com uma metodologia rigorosa. Existem, também, especialistas da palavra cujo papel consiste em conservar e transmitir os eventos do passado: trata-se dos griôs. Na África Ocidental, Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 75 de 108 encontramos aldeias inteiras de griôs, como Keyla, no Mali, com cerca de 500 habitantes. São como escolas da palavra, onde a história de suas linhagens é ensinada às crianças, desde os 7 anos, seguindo uma pedagogia com base na memorização. Esta faculdade é reativada pelo ritmo do canto ou dos instrumentos de música, como o tamani, o koni e o khalam. As palavras do griô são “hieróglifos falados”, dizia meu amigo burquinense Joseph Ki-Zerbo. Qual é o papel do griô na sociedade atual? Na África de hoje em dia, o modelo ocidental de ensino facilita a passagem da cultura oral para a cultura escrita. Temos de reconhecer que as escolas de tradição oral perdem sua força em matéria de transmissão. Todavia, no seio da comunidade, o griô continua desempenhando seu papel conforme a sua casta socioprofissional: assim, ele é o oficiante em todas as cerimônias. Será possível chamá-lo de historiador? Graças aos conhecimentos legados por seus antepassados, o griô dispõe de um corpus que constitui a narrativa de base. Segundo as circunstâncias, porém, ele pode limitar sua transmissão a um episódio ou a um resumo. Pode, também, acrescentar conhecimentos adquiridos pessoalmente ao falar com as pessoas, durante suas viagens. Essas supressões e aditamentos não alteram de modo algum a validade histórica da narrativa transmitida de geração em geração por serem claramente indicados em seu relato. À medida que procede à narração, o griô vai ponderando seus elementos. Pode-se dizer que ele assume o papel de historiador se admitirmos que a história é sempre um reordenamento dos fatos proposto pelo historiador. Em entrevista a Monique Couratier (UNESCO), o historiador guineano Djibril Tamsir Niane mostra que os arquivos escritos não são as únicas formas de se fundamentar a História; a tradição oral também pode fazê-lo. Correio da UNESCO 2009, n.º 8. Internet:<http://typo38.unesco.org/pt/Cour-08- 2009/cour-08-2009-4.html> (com adaptações). Acesso em 18/10/2009. 16- Observando a norma culta escrita da Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta. (B) O termo “cujo” refere-se a “palavra”. (C) O termo “onde” pode ser substituído por na qual. (D) O termo “lo” refere-se a “papel”. (E) A forma verbal “é” pode ser substituída por seja. FUNIVERSA – EMBRATUR – TÉCNICO COMUN. SOCIAL – 2011 Texto I Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 76 de 108 2º§A palavra paraíso é de origem persa – pairidaeza, que quer dizer “jardim murado”; e sua representação, seu símbolo, é um jardim, o lugar onde se deu a criação, o país originário de Adão e Eva, enfim o centro do cosmos, que remete a um estado de perfeição. 17- Assinale a alternativa em que a reescritura proposta mantém a correção gramatical e preserva o sentido original de passagem do texto I. (A) e a sua representação, o seu símbolo, é um jardim (2º §) FUNIVERSA – SEJUS/DF – ESPECIALISTA EM ASSISTÊNCIA SOCIAL (CIÊNCIAS CONTÁBEIS) – 2010 1º§Em nosso país, são centenas de milhares de crianças institucionalizadas que aguardam a adoção, um sonho cada vez mais improvável para a maioria delas. Os poucos casais que se decidem por adotar uma criança procuram, invariavelmente, bebês recém-nascidos, preferencialmente brancos, sadios e perfumados. 3º§Conversei, demoradamente, com dezenas delas. Devo dizer que é muito dolorido. Os pequenos te cercam, perguntam se você será o pai delas, disputam o teu colo ou a garupa como que implorando pelo toque físico, te convidam para voltar, te perguntam se você irá passear com elas. Meu Deus! 18- Em cada alternativa a seguir, é feita uma interpretação de palavra ou expressão do texto. Assinale aquela que contém interpretação correta, de acordo com a significação e a norma culta padrão da língua portuguesa. (A) Os vocábulos “são” (linha 1) e “que” (linha 2) conferem ênfase à informação exposta no período de abertura do texto II. (E) O pronome “te” da linha 2 do 3º § pode ser corretamente substituído por lhe. FUNIVERSA – MPE/GO – ARQUIVISTA – 2010 19- Considere o seguinte trecho: “Nunca é demais lembrar que os conflitos são normais e até desejáveis na sociedade, pois indicam a pluralidade de visões, de desejos e projetos. O mal, portanto, não está em expressá-los, mas em suprimir a oportunidade do debate, do diálogo e do exercício da tolerância.” (linhas de 31 a 36). Quanto aos aspectos gramaticais e semânticos desse trecho, assinale a alternativa correta. (C) O pronome “os” em “expressá-los” pode ser substituído por lhes sem alteração de sentido e sem ferir as normas gramaticais. FUNIVERSA – MPE/GO – ENGENHEIRO AMBIENTAL – 2010 Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 77 de 108 Declaração Universal dos Direitos Humanos A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um dos documentos básicos das Nações Unidas e foi assinada em 10 de dezembro de 1948. Nela, são enumerados os direitos que todos os seres humanos possuem. Preâmbulo Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo, Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta da ONU, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor do ser humano e na igualdade de direitos entre homens e mulheres e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla, agora, portanto, a Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações. Artigo I Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. Artigo III Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Artigo XIII 1. Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e à residência dentro das fronteiras de cada Estado. 2. Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar. Internet: <www.onu-brasil.org.br> (com adaptações). Acesso em 15/5/2010.20- As ideias originais do texto I serão mantidas, e a frase ficará gramaticalmente correta ao se substituir (A) “são enumerados” por enumeram-se. (C) “que” por aos quais. (1º parágrafo) (E) “e que decidiram” por e que estes decidiram. 21- Quanto aos aspectos gramaticais e semânticos do texto I, assinale a alternativa correta. (C) O plural de “Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção” está corretamente feito na seguinte forma: Todos seres humanos tem direito à liberdade de locomoção. (E) O pronome demonstrativo “este” substitui o substantivo “direito”. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 78 de 108 FUNIVERSA – SEPLAG/DF – ANALISTA (PLANEJ. ORÇ.) – 2009 “A crise mundial reabilitou o Estado. Até recentemente, o discurso dominante era: quanto menos Estado, melhor. Hoje parece claro para todos que o melhor é que o Estado funcione bem, exercendo suas funções regulatórias que são indelegáveis e indispensáveis para o adequado funcionamento dos mercados.“ 22- Quanto aos aspectos gramaticais e semânticos do texto I, assinale a alternativa correta. (B) O termo “que” (linha 3) apresenta a mesma classificação morfológica que o termo “que” (linha 4). FUNIVERSA – PC/DF – AGENTE DE POLÍCIA – 2009 Texto I (fragmento) (...) Usa-se a ciência, aprende-se com os resultados da ciência, mas o espírito científico — ou os inúmeros e conflitantes espíritos científicos — se defrontam com mentes impermeáveis a seu trabalho de erosão de mitos e de construção de um mundo diferente. É preciso explorar um pouco a diferença, que vem dos filósofos gregos mas que foi bem rememorada por Hannah Arendt, entre fazer e agir. A fabricação é o modo pelo qual os modernos concebem o mundo da prática. Esta perde uma dimensão que era forte entre os antigos, à qual chamaremos aqui agir: o mundo humano é o da práxis. Nele se praticam atos que têm o homem como autor e como destinatário, como sujeito e como objeto. Por isso mesmo, o homem nunca é puro sujeito nem mero objeto, quando lida com seu próximo: ele tem, neste último, alguém que lhe pode retrucar, que pode protestar contra o que ele diz ou faz. No entanto, o segredo da modernidade consistiu em uma mudança dessa relação. Dizendo de outro modo, a Idade Média cede lugar à Renascença quando a oposição entre vita activa e vita contemplativa, entre negotium e otium é substituída por outros papéis. Com efeito, os humanistas discutem se é preferível a vida contemplativa do sábio ou do cientista, que prefere um otium (geralmente cum dignitate) que lhe permita almejar a paz interna e a verdade do mundo exterior, ou a vida ativa de quem se debruça sobre os negócios da cidade e contribui para construir uma sociedade melhor. Exemplar desse debate é a primeira parte da Utopia, de Thomas Morus, como se sabe escrita depois da segunda parte. Nesta última, expõe-se como seria a ilha de Utopia, o primeiro regime “comunista” do mundo moderno. (...) Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 79 de 108 23- Assinale a alternativa em que a palavra “se” possui a mesma função sintática que em “entre as poucas dezenas de nações que se situam no pelotão de frente da economia e do conhecimento”. (A) “aprende-se com os resultados da ciência”. (B) “se defrontam com mentes impermeáveis a seu trabalho de erosão de mitos e de construção de um mundo diferente”. (C) “Nele se praticam atos que têm o homem como autor e como destinatário”. (D) “Com efeito, os humanistas discutem se é preferível a vida contemplativa do sábio ou do cientista”. (E) “Exemplar desse debate é a primeira parte da Utopia, de Thomas Morus, como se sabe escrita depois da segunda parte.” Texto II Porque num exército que persegue há o mesmo automatismo impulsivo dos exércitos que fogem. O pânico e a bravura doida, o extremo pavor e a audácia extrema, confundem-se no mesmo aspecto. O mesmo estonteamento e o mesmo tropear precipitado entre os maiores obstáculos, e a mesma vertigem, e a mesma nevrose torturante abalando as fileiras, e a mesma ansiedade dolorosa, estimulam e alucinam com idêntico vigor o homem que foge à morte e o homem que quer matar. É que um exército é, antes de tudo, uma multidão, “acervo de elementos heterogêneos em que basta irromper uma centelha de paixão para determinar súbita metamorfose, numa espécie de geração espontânea em virtude da qual milhares de indivíduos diversos se fazem um animal único, fera anônima e monstruosa caminhando para dado objetivo com finalidade irresistível”. Somente a fortaleza moral de um chefe pode obstar esta transfiguração deplorável, descendo, lúcida e inflexível, impondo uma diretriz em que se retifique o tumulto. Os grandes estrategistas têm, instintivamente, compreendido que a primeira vitória a alcançar nas guerras está no debelar esse contágio de emoções violentas e essa instabilidade de sentimentos que com a mesma intensidade lançam o combatente nos mais sérios perigos e na fuga. Euclides da Cunha. Os Sertões. 39.ª ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1997 24- Assinale a alternativa que apresenta reescritura gramaticalmente correta do fragmento “Somente a fortaleza moral (...) se retifique o tumulto.” (linhas de 13 a 15), sem alteração do sentido original. (A) Apenas a fortaleza moral do chefe pode deter esta transfiguração deplorável, descendo, lúcida e inflexível, impondo diretrizes em que se retifique o tumulto. (B) Somente a fortaleza moral de um chefe pode obstar esta transfiguração deplorável, descendo, lúcida e rígida, impondo diretrizes em que se retifiquem o tumulto. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 80 de 108 (C) Somente a fortaleza moral de um chefe pode obstar esta transfiguração deplorável, lúcida e inflexível, descendo e impondo uma diretriz em que se retifique o tumulto. (D) Somente a força moral de um chefe pode dificultar esta transfiguração deplorável, descendo, lúcida e inflexível, impondo diretriz que retifique o tumulto. (E) Apenas a fortaleza moral de um chefe pode obstar esta deplorável transfiguração, descendo, lúcida e inflexível, impondo uma diretriz em que o tumulto seja retificado. 25- Em relação ao texto II, assinale a alternativa correta. (C) Na linha 3, a palavra “se” é partícula apassivadora. FUNIVERSA – GDF – ASSISTENTE REINTEGRAÇÃO SOCIAL – 2010 (...) Formação educacional e profissional dos apenados, internados e egressos do sistema penitenciário nacional, que diz respeito ao processo pelo qual se procura associar a elevação da escolaridade e a educação profissional, com o acesso ao trabalho e à geração de renda, de maneira a preparar o beneficiário para ingresso no mundo do trabalho após o cumprimento da pena privativa de liberdade, principalmente no que concerne à capacitação das mulheres em privação de liberdade. (...) 26- A expressão “pelo qual” refere-se a (A) formação educacional. (B) formação educacional e profissional dos apenados. (C) sistema penitenciário nacional. (D) processo. (E) acesso ao trabalho. FUNIVERSA – SESI – ASSITENTE PEDAGÓGICO – 2010 27- Analisando o uso dos vocábulos no período “Daí a necessidade de abordar conteúdos equivalentes, mas com uma linguagem adulta e que vá ao encontro daquilo que esse público deseja.”, é correto afirmar que(C) o verbo “abordar” está flexionado no futuro do presente, indicando o que se deverá fazer. (E) o pronome “esse” faz referência a um nome mencionado anteriormente. 28- Considerando o período “Assim, a relação professor-aluno se torna tema fundamental de discussão nas reuniões de planejamento, nas escolas, nas universidades e em todos os lugares onde se debata melhoria da educação.”, assinale a alternativa incorreta. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 81 de 108 (C) O vocábulo “onde” poderia ser substituído por aonde sem introdução de erro gramatical. FUNIVERSA – TERRACAP – ANALISTA DE SISTEMAS - 2010 29- A respeito do fragmento “qualquer país que passe pela nossa mente — e alguns outros de cuja existência sequer desconfiávamos.”, assinale a alternativa incorreta. (C) A forma verbal “desconfiávamos” indica a ideia de tempo passado inacabado. (D) O pronome “cuja” tem valor possessivo, já que equivale a sua. (E) A forma verbal “passe” indica a ideia de possibilidade, um fato incerto de acontecer. FUNIVERSA – CEB – AGENTE SUPORTE ADMINISTRATIVO - 2010 “Depois que a luz acendeu com a invenção da lâmpada, foi uma festa! Em cada canto do mundo, surgia uma invenção diferente. A eletricidade havia modificado o modo de viver da humanidade. (...) A energia sai da usina direto para uma subestação de transmissão, onde ela passa por um transformador.” 30- Cada uma das alternativas abaixo apresenta uma reescritura de parte do texto I. Assinale aquela em que a reescritura cria falha em relação à gramática. (B) A eletricidade tinha modificado o modo de viver da humanidade. 31- Cada alternativa a seguir apresenta um trecho do texto II seguido de uma afirmação relativa a ele. Assinale aquela que apresenta a afirmação correta. (C) “onde ela passa por um transformador”: o termo “onde” está se referindo a “transmissão”. FUNIVERSA – SEED/AP – AUXILIAR EDUCACIONAL – 2012 Fragmento de texto “... a construção de pessoas autônomas para pensar, questionar, agir e tomar decisões que favoreçam o seu crescimento...” 32- Acerca das estruturas do texto, assinale a alternativa correta: (C) O pronome “que” refere-se ao termo “pessoas autônomas”. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 82 de 108 Sobre a letra C, o pronome relativo “que” não retoma “pessoas autônomas”, mas sim “decisões”. GABARITO COMENTADO DAS QUESTÕES FUNIVERSA – SEPLAG/DF – AUDITOR FISCAL DE ATIVIDADES URBANAS – 2011 Texto I 2º§No entanto, sem escala de valor está a vida de milhares de pessoas que faleceram e virão a sucumbir, vítimas das enchentes. Segundo dados da ONU (2005), em 1988 mais de 15 mil pessoas foram mortas em consequência de enchentes; em 1999, o número de vítimas subiu para quase 35 mil. Esse quadro é configurado como o mais dramático e triste do problema das inundações urbanas, pois a maioria dessas mortes, de alguma forma, poderiam ter sido evitadas. 6º§A quantidade de material suspenso na drenagem pluvial apresenta uma carga muito alta, considerando a vazão envolvida. Esse volume é mais significativo no início das enchentes. Os primeiros 25 mm de escoamento superficial geralmente transportam grande parte da carga poluente de origem pluvial. 1- Assinale a alternativa correta acerca de fatos gramaticais e semânticos presentes no texto I. (A) Na linha 2 (2º§), os verbos expressam, respectivamente, uma ação concluída, observada no seu término, no seu resultado, e uma ação a ocorrer após o momento em que se enuncia o fato. (B) Na última linha do 2º§, a locução verbal ‘poderiam ter sido evitadas’ ficaria bem ajustada às normas gramaticais com o uso do verbo “ter” no plural, em concordância com o substantivo “mortes”, que faz parte do sujeito da frase. (E) No 6º§, o termo “suspenso” pode ser trocado por suspendido, pois ambas as formas pertencem ao verbo suspender e são permutáveis sem reservas em contextos frasais que exijam o emprego do particípio. GABARITO: A. Esta questão trata, na letra A, de emprego de tempos e modos verbais e aspecto verbal. Vejamos o contexto: “No entanto, sem escala de valor está a vida de milhares de pessoas que faleceram (pretérito perfeito do indicativo) e virão a sucumbir (futuro do presente do indicativo), vítimas das enchentes.” Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 83 de 108 De fato os verbos expressam, respectivamente, uma ação concluída, observada no seu término, no seu resultado, e uma ação a ocorrer após o momento em que se enuncia o fato. Na letra B, a banca sugere que a locução verbal fique assim: “poderiam terem sido evitadas”. Nooossssaaa!!! Ficaria no mínimo... feio, como dizem as meninas! Mas a questão é que apenas o primeiro verbo da locução verbal (verbo auxiliar) pode variar em número e pessoa, os outros não! Safo? Sobre a letra E, não se pode trocar a forma participial ‘suspenso’ por ‘suspendido’ à la Bangu, não! Você pensa que cachaça é água? Cachaça não é água, não! Lembra-se dos verbos abundantes? Então, lá vai a lembrança: Segundo Rocha Lima, verbos abundantes são aqueles que apresentam mais de uma forma verbal para expressar a mesma flexão. Há muitos verbos que possuem duas formas de particípio: uma em ADO ou IDO – regular (quando vierem os verbos ter ou haver antes), portanto; e outra reduzida, irregular, sem ADO ou IDO (quando vierem os verbos ser ou estar antes). Lembrou? 1ª conjugação • Aceitar – aceitado, aceito • Entregar – entregado, entregue • Expressar – expressado, expresso • Expulsar – expulsado, expulso • Matar – matado, morto • Salvar – salvado, salvo • Soltar – soltado, solto 2ª conjugação • Acender – acendido, aceso • Benzer – benzido, bento • Eleger – elegido, eleito • Morrer – morrido, morto • Prender – prendido, preso • Romper – rompido, roto • Suspender – suspendido, suspenso 3ª conjugação • Emergir – emergido, imerso • Exprimir – exprimido, expresso • Extinguir – extinguido, extinto • Frigir – frigido, frito • Imergir – imergido, imerso • Imprimir – imprimido, impresso • Inserir – inserido, inserto Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 84 de 108 • Submergir – submergido, submerso • Tingir – tingido, tinto VERBOS DE UM ÚNICO PARTICÍPIO IRREGULAR • Abrir – aberto • Cobrir – coberto • Dizer – dito • Escrever – escrito • Fazer – feito • Pôr – posto • Ver – visto • Vir – vindo Texto II 2º§O que mais se encontra no dia a dia? Justamente a postura oposta. As pessoas encaram tudo como desculpas e justificativas. Há pessoas que vivem dizendo frases negativas que encerram verdadeiras filosofias desastrosas. Não são raras as vezes em que já se ouviu alguém falando de seus problemas e dificuldades e da incapacidade de superá-los, traduzida nas seguintes frases conformistas: “Eu sou assim mesmo...”; “Sempre fui assim...”; “Não posso evitar isso...”; “Essa é a minha natureza...”; “Não adianta mesmo...”; “Deus me fez assim e pronto!”. 3º§O que tais pessoas talvez nunca percebam é que desculpas e justificativas só levam ao conformismo e à acomodação. E isso não dizrespeito à elevação de padrões e à melhoria da qualidade de vida. Desculpas e justificativas são coisas de perdedor! Enquanto os vencedores comemoram, os perdedores se justificam. Roberto Shinyashiki. Internet: http://tecessa.arteblog.com.br (com adaptações). Acesso em 19/1/2011. 2- Assinale a alternativa correta a respeito de fatos gramaticais e estilísticos encontrados no texto II. (B) Na frase “‘Deus me fez assim e pronto!’” (fim do 2º§), encontra-se uma interjeição característica da linguagem coloquial. (D) Na construção “O que tais pessoas talvez nunca percebam” (1ª linha do 3º§), o pronome “tais” está empregado de modo informal, com significado de brilhantes, grandiosas. GABARITO: B. Na letra D, o pronome demonstrativo ‘tais’ não é usado em linguagem informal apenas, mas também em linguagem formal para retomar termos, assim como os demonstrativos ‘esse(a/s)’. Veja se a substituição não é perfeita: “O que essas pessoas talvez nunca percebam...”. Foi? Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 85 de 108 3- As ideias do texto II estarão de acordo com a norma culta da língua portuguesa caso se substitua (A) “há” (linha 1) por tem. (B) “momento em que” (linha 1) por momento que. (C) “se ouviu” (4ª linha do 2º§) por ouviu-se. (D) “me fez” (última linha do 2º§) por fez-me. (E) “comemoram, os perdedores” (última linha do 3º§) por comemoram os perdedores. GABARITO: D. Na letra A, a substituição de ‘há’ por ‘tem’ seria um equívoco, pois o verbo ter no sentido de existir é marca de coloquialismo, ou seja, não é forma culta. Na letra B, a preposição não pode ser retirada antes do pronome relativo “que”, quando “em que” equivale a “quando”. Na letra C e D, a banca trabalhou a colocação pronominal. E são muitas regrinhas. Veja o contexto da C: “Não são raras as vezes em que já se ouviu alguém...”. O pronome oblíquo átono jamais poderia ficar após o verbo, pois há um advérbio antes do verbo ‘atraindo’ o oblíquo. O nome disso é PRÓCLISE (pronome antes do verbo). Safo? Veja o contexto da D: “Deus me fez assim e pronto!”. Aqui cabe a colocação do pronome depois do verbo (ênclise), pois não há nenhuma palavra atrativa antes do verbo, logo a colocação do pronome átono é facultativa. Simples assim. Texto III 3º§Por outro lado, para o cientista, não existe dúvida de que o aspecto mais notável da memória é o esquecimento. Afinal, se uma pessoa se lembrasse de tudo, em todos os pormenores, não conseguiria pensar de forma genérica. Se as mulheres conseguissem reproduzir por completo os momentos da dor do parto, nenhuma teria mais de um filho. Internet: <ftp://ftp.abc.org.br> (com adaptações). Acesso em 16/1/2011. 4- Assinale a alternativa correta acerca do texto III. (B) A troca de “lembrasse” (3ª linha do 3º§) por lembrar altera o sentido da frase e exige mudança em outro termo do enunciado. GABARITO: B. A afirmação da B está perfeita. Veja o contexto: “Afinal, se uma pessoa se lembrasse (pretérito imperfeito do subjuntivo) de tudo, em todos os pormenores, não conseguiria (futuro do pretérito do indicativo) pensar de forma genérica.”. Se mudássemos o tempo verbal, haveria mudança na correlação verbal: “Afinal, se uma pessoa se lembrar (futuro do subjuntivo) de tudo, em todos os pormenores, não conseguirá (futuro Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 86 de 108 do presente do indicativo) pensar de forma genérica.”. Lembra-se de correlação verbal? Revise! FUNIVERSA – SES/DF – ENFERMEIRO – 2011 Texto I 1º§A imortalidade do corpo talvez seja o maior sonho da nossa humanidade: mais até que os bens materiais, as pessoas sempre buscam a vida eterna; muitos são os que procuram as fontes da juventude, e hoje em dia a própria ciência cria esperanças em vários indivíduos. 5- Seriam mantidos a correção gramatical e o sentido original do texto, caso se substituísse (A) “seja” por é. (1º§) GABARITO: A. Segundo os gramáticos, a substituição pode ocorrer, mesmo que o verbo ‘ser’ (é) esteja no presente do indicativo — o tempo da certeza, do fato, da realidade. O fato é que o advérbio ‘talvez’ sobressai à ideia do verbo ser no presente do indicativo. Portanto, podemos escrever, mantendo o sentido, e sem incorreção gramatical, assim: “A imortalidade do corpo talvez é o maior sonho da nossa humanidade...” 6- Assinale a alternativa que apresenta reescrita correta de passagem do texto (entre parênteses). (A) “Trata-se do único relato dessa natureza em toda biologia”. (Trata-se do único relato dessa natureza em toda a biologia) (B) “na sua cadeia genética”. (em sua cadeia genética) (E) “suportar a dor das perdas prematuras a qual, em função de uma vida maior, seriam muito mais doloridas”. (suportar a dor das perdas prematuras que, em função de uma vida maior, seriam muito mais doloridas) GABARITO: B. Sobre a letra B, espero que você tenha lembrado que o artigo é facultativo antes de pronome possessivo adjetivo (ver página 18). Portanto, correta a reescrita. Na letra A, ocorre um erro, pois o pronome indefinido seguido de artigo tem um sentido “todo o”; sem artigo, outro. Lembra-se do exemplo no pé da página 19? Se não, vejamos: Esta carteira é válida em todo território nacional. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 87 de 108 Esta carteira é válida em todo o território nacional. Que carteira é melhor? A primeira ou a segunda? Certamente a primeira, pois o todo significa qualquer. Ou seja, em qualquer território, desde que seja uma nação, a carteira é válida. Diferente da segunda frase, em que “todo o” significa inteiro. Ou seja, a carteira só é válida no inteiro território nacional. Só aqui no Brasil, por exemplo. Entendeu? Sobre a letra E, veja o contexto para saber se é possível trocar o pronome relativo ‘que’ por ‘a qual’: “Portanto, correríamos o risco de, mesmo vivendo muito, ter de suportar a dor das perdas prematuras a qual, em função de uma vida maior, seriam muito mais doloridas.”. Note que o pronome relativo, na verdade, pelo contexto, está retomando ‘perdas prematuras’, logo deveria ser ‘as quais’ e não ‘a qual’. Foi? Reescrevendo corretamente: “Portanto, correríamos o risco de, mesmo vivendo muito, ter de suportar a dor das perdas prematuras que/as quais, em função de uma vida maior, seriam muito mais doloridas.” 7- Assinale a alternativa correta quanto ao aspecto semântico e ao sintático do texto. B) O fragmento “Se a ciência descobrir uma forma” (4º§), segundo a norma-padrão, contém falha no emprego do pronome átono na abertura da frase. (C) No trecho “o que impediria a vida eterna do corpo seria” (6º§), a forma verbal “seria” pode ser corretamente substituída por será. (E) O emprego de realiza em lugar de “realize” na sequência “tecnologia que realize algum tipo de manutenção” (5º§) provocaria mudança do sentido original. GABARITO: E. Sobre a afirmação da letra E, a substituição de realize (presente do subjuntivo; dúvida, hipótese, incerteza) por realiza (presente do indicativo; certeza, fato, realidade) realmente mudaria o sentido. Na letra B, o ‘se’ não é um pronome átono, mas sim uma conjunção condicional. Cuidado para não confundir, pois só pronome oblíquo átono é complemento de verbo, lato sensu. Na letra C, amudança de tempo verbal implicaria mudança de sentido, pois o futuro do pretérito ‘seria’ indica hipótese, o que não é certamente o caso de ‘será’, futuro do presente do indicativo. 8- Assinale a alternativa correta, de acordo com o texto. (D) No fragmento “o hospital funcionava mais como um depósito de doentes, onde monges e freiras providenciavam”, o pronome “onde” ficaria correto, se substituído por nos quais. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 88 de 108 Sobre a letra D, o pronome relativo ‘onde’ jamais poderia ser substituído por ‘nos quais’ uma vez que o termo que está sendo retomado é ‘depósito’. O certo seria assim: “o hospital funcionava mais como um depósito de doentes, no qual monges e freiras providenciavam...”. Certo? FUNIVERSA – SEPLAG/DF – AUDITOR FISCAL DE ATIVIDADES URBANAS (CONTORLE AMBIENTAL) – 2011 Texto I 1º§Imagine se o mercado de energia funcionasse assim: você vai a uma loja de departamentos e compra um kit de energia solar ou eólica. Instala o dito cujo no telhado, seguindo o manual de instruções, pluga na tomada e, com o celular ou o computador, controla a produção de energia em casa. Quando seu gasto de energia for maior que a produção, você recebe uma conta em casa. Mas, quando a produção superar o consumo, algo incrível acontece: chega um cheque pelo correio. Não seria sensacional? 2º§Seria, claro. Mas o jeito como os Estados Unidos estão incorporando energias limpas ao seu sistema é bem diferente disso. Por lá, eles estão substituindo carvão queimado por energia eólica e solar, o que é bom, mas de uma maneira que não muda a relação entre os produtores e os consumidores de energia. Você conhece o modelo: usinas gigantescas produzindo energia, postes monumentais transportando essa energia por milhares e milhares de quilômetros. Quem quiser pode instalar seu painel solar no telhado, mas o sonho de mandar essa energia para a rede e faturar uns trocadinhos com isso continua bem longe da realidade. 9- Assinale a alternativa que interpreta corretamente ideias e fatos linguísticos do texto I. (B) A troca do “se” (linha 1) pela palavra que exigiria a mudança do modo do verbo que sucede o “se”: “funcionasse” mudaria para funcionaria. (D) A substituição de “produzindo” (linha 6 do 2º§) por produziram e de “transportando” (linha 6 do 2º§) por transportaram não altera o sentido básico da frase em que estão. A letra B é interessante, pois a conjunção integrante ‘se’ tem origem na conjunção condicional ‘se’, daí que, no contexto, pelo caráter de passado hipotético claro, o pretérito imperfeito do modo subjuntivo do verbo é usado após tal conjunção. Substituindo ‘se’ pela conjunção integrante ‘que’, teríamos: “Imagine que o mercado de energia funcione assim...”. A ideia agora é que a pessoa imagine um fato no presente hipotético (presente do subjuntivo). Logo a mudança de conjunção implica de fato uma mudança no tempo verbal. O erro da B está em dizer que o verbo Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 89 de 108 mudaria para ‘funcionaria’, não procede tal afirmação, porque, de acordo com a correlação verbal, não há a “dobradinha” presente do subjuntivo (imagine) + futuro do pretérito (funcionaria). A afirmação da letra D não procede, pois o sentido é explicitamente alterado; veja: “Você conhece o modelo: usinas gigantescas produziram energia, postes monumentais transportaram essa energia por milhares e milhares de quilômetros.”. Dispensa comentários; concorda? Afinal, o gerúndio tem ideia de presente, e as formas verbais em negrito estão no pretérito perfeito, logo... Texto II 4º§Duas horas depois, quando o pessoal ainda estava tentando destrinchar o manual do proprietário, passou um sujeito de bicicleta. Para horror de todos, ele falava “nóis vai” e coisas do gênero. Mas, em dois minutos, para espanto geral, botou a van para funcionar. Deram-lhe uns trocados, e ele foi embora, feliz da vida. Aquele ciclista anônimo era o protótipo do funcionário para quem as empresas modernas torcem o nariz: o que é capaz de resolver, mas não de impressionar! 10- Acerca do texto II, assinale a alternativa correta segundo a norma- padrão da língua portuguesa. (E) O pronome “lhe”, linha 4 do 4º§, pode, com acerto normativo, antecipar-se ao verbo a que se vincula para receber ênfase, destacando a pessoa que é o alvo da ação verbal. GABARITO: D. Sobre a letra E, o pronome ‘lhe’ jamais poderia ficar antes do verbo, pois não se inicia frase com pronome oblíquo átono! Conhece este poema de Oswald de Andrade?: Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro Resumindo: no início de frase, ênclise! FUNIVERSA – MTUR – ENGENHEIRO – 2010 Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 90 de 108 Texto I 1º§(6/10/2009) Um total de 29% dos brasileiros entre dez e dezessete anos prefere falar com amigos, família ou colegas por meio do computador que pessoalmente, indica pesquisa do Ibope divulgada nesta terça-feira (6). Essa preferência cai para 16% dos consumidores. O estudo mostra ainda que dois terços dos jovens naquela faixa etária utilizam regularmente serviços de mensagens instantâneas, como MSN. As redes sociais ganham importância: já são rotina para 45% dos brasileiros entrevistados em geral, e para 72% dos jovens entre 18 e 24 anos. (...) Pressão de informação 6º§Também na região metropolitana de SP, o Ibope indicou que 53% das pessoas se sentem pressionadas com a quantidade de informação disponível. Ainda assim, dois terços da população na região afirma que consegue absorver toda a informação e a tecnologia disponíveis. (...) Internet: http://www1.folha.uol.com.br (com adaptações). Acesso em 23/11/2009. 11- A seguir, são apresentadas apreciações relativas a recursos linguísticos do texto I. Assinale a alternativa correta acerca desses recursos. (A) A troca do pronome “nesta” da linha 3 do texto por nessa alteraria o sentido da frase. (C) Seria correta a eliminação do pronome átono “se” do 6º§. GABARITO: A. O pronome demonstrativo esse(a/s) é usado, na perspectiva temporal, para indicar tempo passado. Normalmente usa-se este(a/s), na perspectiva temporal, para indicar tempo presente, o que é o caso no contexto. Logo um pronome não pode substituir o outro, pois um indica presente e outro, passado. Portanto, de fato, a troca do pronome “nesta” da linha 3 do texto por nessa alteraria o sentido da frase. Sobre a letra C, não seria correta a eliminação do ‘se’, pois, no contexto, ele é uma partícula integrante do verbo sentir-se, que é um verbo pronominal. Texto II (...) Nada contra o comércio, mas ali, metido naquele circo, eu não conseguia evitar pensar, nem por um segundo, que, se todo aquele enorme esforço, toda aquela incrível concentração, toda aquela brilhante Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 91 de 108 tecnologia, todo aquele fascinante know-how, toda aquela imensa mão de obra, todaaquela emocionante capacidade de mobilização fossem utilizados para questões minimamente mais urgentes, não sei, talvez questões tão simples quanto resolver a fome, ou buscar a cura para doenças terríveis, ou até tentar solucionar o problema da violência em países de terceiro mundo, quem sabe se, por meio de um engajamento tão intenso e resoluto, conseguíssemos algumas respostas práticas para problemas reais? (...) 12- O quinto parágrafo, que expõe ideias fundamentais para a compreensão da mensagem temática do texto II, é constituído por apenas um único período, com diversas vírgulas e um ponto de interrogação. Essa estrutura não muito usual foi montada com a finalidade de criar efeitos importantes dentro do texto. Assinale a alternativa que apresenta interpretação incorreta de fenômenos- linguísticos do quinto parágrafo do texto II. (E) A construção sintática de determinadas passagens revela dúvida, e a correlação modo-temporal criada está correta: a dúvida gerada por “quem sabe se” combina-se sintaticamente com o pretérito imperfeito do modo subjuntivo — “conseguíssemos”. Sobre a letra E, veja o contexto: “... quem sabe se, por meio de um engajamento tão intenso e resoluto, conseguíssemos algumas respostas práticas para problemas reais?”. A ideia de dúvida realmente faz que o verbo conseguir fique no pretérito imperfeito do subjuntivo, o modo da hipótese. FUNIVERSA – MTUR – AGENTE ADMINISTRATIVO – 2010 Texto I 1º§Certa vez, um homem, extremamente invejoso de seu vizinho, recebeu a visita de uma fada, que lhe ofereceu a chance de realizar um desejo. “Você pode pedir o que quiser, desde que seu vizinho receba a mesma coisa, em dobro”, sentenciou. O invejoso respondeu, então, que queria que ela lhe arrancasse um olho. Moral da história: o prazer de ver o outro se prejudicar prevaleceu sobre qualquer vontade. 2º§Assim como o ciúme é querer manter o que se tem e a cobiça é desejar aquilo que não lhe pertence, a inveja é não querer que o outro tenha. O mais renegado dos sete pecados capitais é uma emoção inerente à condição humana, por mais difícil que seja confessá-la. Afinal, todo mundo, em algum momento da vida, já sentiu vontade de ser como alguém. Há até um lugar no cérebro reservado para a inveja. Pela primeira vez, uma pesquisa científica mostra onde são processados na mente humana ela e o shadenfreude — palavra alemã que dá nome ao Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 92 de 108 sentimento de prazer que o invejoso experimenta, ao presenciar o infortúnio do invejado. 3º§O neurocientista japonês Hidehiko Takahashi identificou onde os sentimentos são processados no cérebro. Ao sentir inveja, a região do córtex singular do anterior é ativada. O interessante é notar que é nesse mesmo local que a dor física se processa. “A inveja é uma emoção dolorosa”, afirma Takahashi. O shadenfreude, por sua vez, se estabelece no estriado ventral, exatamente onde se processa a sensação de prazer. “O invejoso fica realizado com a desgraça do invejado”, diz o pesquisador. “Trata-se de um sentimento caracterizado pela sensação de inferioridade”, explica o neurocientista Takahashi. “Quando há essa sensação, é porque houve comparação, e a pessoa perdeu”. (...) Claudia Jordão e Carina Rabelo. Inveja. In: Isto É, 3/6/2009 (com adaptações). 13- Acerca da estrutura gramatical do texto I, assinale a alternativa correta. (B) O pronome “que” (linha 2) remete ao substantivo “visita”. GABARITO: D. Sobre a letra B, o pronome relativo ‘que’ retoma ‘fada’. Veja o contexto: “... recebeu a visita de uma fada, que lhe ofereceu a chance de realizar um desejo.”. Tranquila, não? 14- Com base em aspectos gramaticais e semânticos do texto I, assinale a alternativa correta. (A) Na linha 4 do 3º§, o pronome átono poderia corretamente ser eliminado. (D) A construção da linha 4 do 2º§ ficaria correta com a troca do pronome “a”, usado como “la”, por lhe. Sobre a letra A, o pronome não poderia ser eliminado. Veja o contexto: “O interessante é notar que é nesse mesmo local que a dor física se processa.”. Este ‘se’ é uma partícula apassivadora; se for retirada, a ideia de passividade sumirá, alterando o sentido do trecho. O teste para que você saiba se o ‘se’ é ou não uma partícula apassivadora se dá através da transformação da voz passiva sintética para a voz passiva analítica. Veja: “O interessante é notar que é nesse mesmo local que a dor física é processada.”. A marca principal de voz passiva analítica é o verbo ser + particípio. Fez a transposição de voz passiva sintética para passiva analítica, o ‘se’ é uma partícula apassivadora. Sobre a letra D, não se pode substituir nunca o pronome oblíquo átono ‘a’ (la) por ‘lhe’, pois este exerce função sintática de objeto indireto e aquele, de objeto direto. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 93 de 108 FUNIVERSA – ADASA – ADVOGADO – 2009 Na história da humanidade, a formação de grandes comunidades, com a sobrecarga do meio natural que ela implica, priva cada vez mais os seres humanos de seu acesso livre aos recursos de subsistência de que eles necessitam e recai, necessariamente, sobre a sociedade enquanto sistema de convivência, a tarefa (responsabilidade) de proporcioná-los. Essa tarefa (responsabilidade) é frequentemente negada com algum argumento que põe o ser individual como contrário ao ser social. Isso é falacioso. A natureza é, para o ser humano, o reino de Deus, o âmbito em que encontra à mão tudo aquilo de que necessita, se convive adequadamente nela. Para o ser humano moderno, a sociedade é a natureza, o reino de Deus, que deve configurar o âmbito em que encontrar à mão tudo o que gera seu bem estar como resultado de seu conviver nela. Isso, em geral, não ocorre, impedido pela alienação que o apego e o desejo de posse geram, alienação essa que transforma tudo, as coisas, as idéias, os sentimentos, a verdade, em bens adquiríveis, gerando um processo que priva o outro do que deveria estar, para ele ou ela, à mão, como resultado de seu mero ser e fazer social. No apego, no desejo de posse, negamos o outro e criamos com ele ou ela um mundo que nos nega. Os problemas sociais são sempre problemas culturais porque têm a ver com os mundos que construímos na convivência. Por isso, a solução de qualquer problema social sempre pertence ao domínio da ética, isto é, ao domínio da seriedade na ação frente a cada circunstância que parte da aceitação da legitimidade de todo ser humano, de todo outro, em suas semelhanças e diferenças. É a conduta dos seres humanos, cegos entre si mesmos e ao mundo na defesa da negação do outro, o que tem feito do presente humano o que ele é. A saída, entretanto, está sempre à mão, porque, apesar da nossa decadência, todos sabemos que vivemos o mundo que vivemos, porque socialmente não queremos viver outro. Humberto Maturana. A ontologia da realidade. Belo Horizonte: UFMG, 2002, p. 207-8 (com adaptações). 15- Quanto às relações de coesão e coerência textual, pode-se afirmar que (A) o pronome “ela” refere-se a “humanidade”. (B) o pronome demonstrativo “Isso’ tem como referência anafórica o termo “ser social” do período anterior. (D) o pronome “ele” refere-se à ideia do homem. (E) o termo “nela” refere-se a “natureza”. GABARITO: E. Perfeita a letra E; veja o contexto e “bata o martelo”: “A natureza é, para o ser humano, o reino de Deus, o âmbito em que encontra à mão tudo LínguaPortuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 94 de 108 aquilo de que necessita, se convive adequadamente nela (ou seja, na natureza).” Na letra A, o ‘ela’ refere-se anaforicamente à expressão ‘formação de grandes comunidades’. Na letra B, o pronome ‘Isso’ retoma toda a ideia do período anterior, não só a expressão ‘ser social’. Na letra D, o pronome ‘ele’ refere-se a ‘humano’. Leia o contexto: “... o que tem feito do presente humano o que ele é.” FUNIVERSA – IPHAN – ANALISTA (CONTABILIDADE) - 2009 Com o ouvido no passado “As palavras voam, os escritos permanecem”, diz-se no Ocidente. O senhor pode explicar como a tradição oral tem legitimidade para exprimir a história das culturas africanas? Essa citação, procedente dos romanos, contribuiu para forjar a opinião segundo a qual uma fonte oral não merece crédito. Ora, os povos da oralidade são portadores de uma cultura cuja fecundidade é semelhante à dos povos da escrita. Em vez de transmitir seja lá o que for e de qualquer maneira, a tradição oral é uma palavra organizada, elaborada, estruturada, um imenso acervo de conhecimentos adquiridos pela coletividade, segundo cânones bem determinados. Tais conhecimentos são, portanto, reproduzidos com uma metodologia rigorosa. Existem, também, especialistas da palavra cujo papel consiste em conservar e transmitir os eventos do passado: trata-se dos griôs. Na África Ocidental, encontramos aldeias inteiras de griôs, como Keyla, no Mali, com cerca de 500 habitantes. São como escolas da palavra, onde a história de suas linhagens é ensinada às crianças, desde os 7 anos, seguindo uma pedagogia com base na memorização. Esta faculdade é reativada pelo ritmo do canto ou dos instrumentos de música, como o tamani, o koni e o khalam. As palavras do griô são “hieróglifos falados”, dizia meu amigo burquinense Joseph Ki-Zerbo. Qual é o papel do griô na sociedade atual? Na África de hoje em dia, o modelo ocidental de ensino facilita a passagem da cultura oral para a cultura escrita. Temos de reconhecer que as escolas de tradição oral perdem sua força em matéria de transmissão. Todavia, no seio da comunidade, o griô continua desempenhando seu papel conforme a sua casta socioprofissional: assim, ele é o oficiante em todas as cerimônias. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 95 de 108 Será possível chamá-lo de historiador? Graças aos conhecimentos legados por seus antepassados, o griô dispõe de um corpus que constitui a narrativa de base. Segundo as circunstâncias, porém, ele pode limitar sua transmissão a um episódio ou a um resumo. Pode, também, acrescentar conhecimentos adquiridos pessoalmente ao falar com as pessoas, durante suas viagens. Essas supressões e aditamentos não alteram de modo algum a validade histórica da narrativa transmitida de geração em geração por serem claramente indicados em seu relato. À medida que procede à narração, o griô vai ponderando seus elementos. Pode-se dizer que ele assume o papel de historiador se admitirmos que a história é sempre um reordenamento dos fatos proposto pelo historiador. Em entrevista a Monique Couratier (UNESCO), o historiador guineano Djibril Tamsir Niane mostra que os arquivos escritos não são as únicas formas de se fundamentar a História; a tradição oral também pode fazê-lo. Correio da UNESCO 2009, n.º 8. Internet:<http://typo38.unesco.org/pt/Cour-08- 2009/cour-08-2009-4.html> (com adaptações). Acesso em 18/10/2009. 16- Observando a norma culta escrita da Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta. (B) O termo “cujo” refere-se a “palavra”. (C) O termo “onde” pode ser substituído por na qual. (D) O termo “lo” refere-se a “papel”. (E) A forma verbal “é” pode ser substituída por seja. GABARITO: E. A afirmação da letra E procede. Inclusive já vimos uma questão como essa mais acima, não? Segundo os gramáticos, a substituição pode ocorrer, mesmo que o verbo ‘ser’ (é) esteja no presente do indicativo — o tempo da certeza, do fato, da realidade. O fato é que o modo subjuntivo é mais comum nas orações subordinadas, e, nesse caso, a expressão ‘se admitirmos’ indica hipótese, característica principal do modo subjuntivo. Portanto, podemos escrever, mantendo o sentido, e sem incorreção gramatical, assim: “Pode-se dizer que ele assume o papel de historiador se admitirmos que a história seja sempre um reordenamento dos fatos proposto pelo historiador.” Sobre a letra B, lembra-se de que o ‘cujo’ estabelece uma relação de posse entre os termos antecedente e o consequente? Então, veja o contexto: “Existem, também, especialistas da palavra cujo papel consiste em conservar e transmitir os eventos do passado: trata-se dos griôs.”. Percebe que é o papel dos especialistas da palavra que conserva e transmite os eventos do passado? O ‘cujo’, como qualquer pronome relativo, retoma ‘especialistas da palavra’, e não ‘palavra’. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 96 de 108 Sobre a letra C, o ‘onde’ só poderia ser substituído por ‘na qual’ se estivesse retomando uma palavra feminina sin-gu-lar, mas não é o caso, pois o pronome relativo ‘onde’ retoma ‘escolas’, logo a substituição só seria possível se fosse por ‘nas quais’. Safo? Letra D: pelo contexto, ‘lo’ refere-se a ‘griô’, pois este é o contador de histórias. FUNIVERSA – EMBRATUR – TÉCNICO COMUN. SOCIAL – 2011 Texto I 2º§A palavra paraíso é de origem persa – pairidaeza, que quer dizer “jardim murado”; e sua representação, seu símbolo, é um jardim, o lugar onde se deu a criação, o país originário de Adão e Eva, enfim o centro do cosmos, que remete a um estado de perfeição. 17- Assinale a alternativa em que a reescritura proposta mantém a correção gramatical e preserva o sentido original de passagem do texto I. (A) e a sua representação, o seu símbolo, é um jardim (2º §) GABARITO: A. Segundo já sabemos, o artigo é facultativo antes do pronome possessivo adjetivo, portanto, dizer: “Comprei meu carro ontem e Comprei o meu carro ontem” dá no mesmo! FUNIVERSA – SEJUS/DF – ESPECIALISTA EM ASSISTÊNCIA SOCIAL (CIÊNCIAS CONTÁBEIS) – 2010 1º§Em nosso país, são centenas de milhares de crianças institucionalizadas que aguardam a adoção, um sonho cada vez mais improvável para a maioria delas. Os poucos casais que se decidem por adotar uma criança procuram, invariavelmente, bebês recém-nascidos, preferencialmente brancos, sadios e perfumados. 3º§Conversei, demoradamente, com dezenas delas. Devo dizer que é muito dolorido. Os pequenos te cercam, perguntam se você será o pai delas, disputam o teu colo ou a garupa como que implorando pelo toque físico, te convidam para voltar, te perguntam se você irá passear com elas. Meu Deus! 18- Em cada alternativa a seguir, é feita uma interpretação de palavra ou expressão do texto. Assinale aquela que contém interpretação correta, de acordo com a significação e a norma culta padrão da língua portuguesa. (A) Os vocábulos “são” (linha 1) e “que” (linha 2) conferem ênfase à informação exposta no período de abertura do texto II. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 97de 108 (E) O pronome “te” da linha 2 do 3º § pode ser corretamente substituído por lhe. GABARITO: A. Sobre a letra A, a expressão expletiva (ou de realce) “ser + que” pode vir junta ou separada para enfatizar, focalizar um termo: “Hoje ela é que passou na prova” ou “Hoje foi ela que passou na prova”. Ambas as expressões enfatizam o termo ‘ela’. E ambas podem ser dispensadas; por isso são ex-ple-ti-vas. Veja: “Hoje ela passou na prova” ou “Hoje ela passou na prova”. Na questão em si, veja a ênfase: “... são centenas de milhares de crianças institucionalizadas que aguardam a adoção...” Sobre a E, o lhe não pode ser complemento de cercar, pois este verbo é transitivo direto e este pronome exerce função de objeto indireto. FUNIVERSA – MPE/GO – ARQUIVISTA – 2010 19- Considere o seguinte trecho: “Nunca é demais lembrar que os conflitos são normais e até desejáveis na sociedade, pois indicam a pluralidade de visões, de desejos e projetos. O mal, portanto, não está em expressá-los, mas em suprimir a oportunidade do debate, do diálogo e do exercício da tolerância.” (linhas de 31 a 36). Quanto aos aspectos gramaticais e semânticos desse trecho, assinale a alternativa correta. (C) O pronome “os” em “expressá-los” pode ser substituído por lhes sem alteração de sentido e sem ferir as normas gramaticais. Sobre a letra C, já sabemos que os pronomes oblíquos átonos ‘o, a, os, as’ (lo, la, los, las, no, na, nos, nas) exercem função de objeto direto e ‘lhe’(s) exercem função de objeto indireto, logo jamais poderia um substituir o outro de acordo com a norma culta. FUNIVERSA – MPE/GO – ENGENHEIRO AMBIENTAL – 2010 Declaração Universal dos Direitos Humanos A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um dos documentos básicos das Nações Unidas e foi assinada em 10 de dezembro de 1948. Nela, são enumerados os direitos que todos os seres humanos possuem. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 98 de 108 Preâmbulo Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo, Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta da ONU, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor do ser humano e na igualdade de direitos entre homens e mulheres e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla, agora, portanto, a Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações. Artigo I Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. Artigo III Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Artigo XIII 1. Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e à residência dentro das fronteiras de cada Estado. 2. Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar. Internet: <www.onu-brasil.org.br> (com adaptações). Acesso em 15/5/2010. 20- As ideias originais do texto I serão mantidas, e a frase ficará gramaticalmente correta ao se substituir (A) “são enumerados” por enumeram-se. (C) “que” por aos quais. (1º parágrafo) (E) “e que decidiram” por e que estes decidiram. GABARITO: A. Esta letra A trata de voz verbal. Se quisermos passar a voz passiva analítica para sintética, basta fazermos o caminho inverso. Veja: Aqui se aceitam encomendas = Aqui encomendas são aceitas. Aqui encomendas são aceitas = Aqui se aceitam encomendas. A marca singular de voz passiva sintética (também chamada de voz passiva pronominal) é a partícula apassivadora ‘se’. Já a da voz passiva analítica é a locução verbal ‘ser + particípio’. Logo: Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 99 de 108 “Nela, são enumerados os direitos que todos os seres humanos possuem.” = “Nela, enumeram-se os direitos que todos os seres humanos possuem. Safo? Sobre a letra C, o pronome relativo ‘que’ só poderia ser substituído por ‘aos quais’ se a preposição ‘a’ fosse exigida por algum verbo ou nome após o pronome relativo, o que não é o caso. Por exemplo: “Nela, são enumerados os direitos a que (aos quais) todos os seres humanos aspiram.” A preposição ‘a’ antes do pronome relativo procede, pois o verbo aspirar (no sentido de desejar) exige a preposição ‘a’; quem aspira, aspira A alguma coisa. Sobre a letra E, poderíamos até usar ‘estes’ para retomar termo anterior, mas, quando assim procedemos, o termo tem de estar próximo e não distanciado. Além disso, se usarmos ‘estes’, parecerá que o antecedente é ‘os homens’, quando, na realidade, o contexto indica que são ‘os povos das Nações Unidas’. 21- Quanto aos aspectos gramaticais e semânticos do texto I, assinale a alternativa correta. (C) O plural de “Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção” está corretamente feito na seguinte forma: Todos seres humanos tem direito à liberdade de locomoção. (E) O pronome demonstrativo “este” substitui o substantivo “direito”. Na letra C, há um uso incorreto do pronome indefinido ‘todos’ e do artigo. A regra gramatical diz que, se o pronome indefinido ‘todos/todas’ estiver antes de um substantivo, é necessário o uso de um artigo após ele. Logo, o trecho deveria estar escrito assim: “Todos os seres humanos têm direito à liberdade de locomoção.” Sobre a letra E, o ‘este’ não retoma ‘direito’, mas ‘país’. FUNIVERSA – SEPLAG/DF – ANALISTA (PLANEJ. ORÇ.) – 2009 “A crise mundial reabilitou o Estado. Até recentemente, o discurso dominante era: quanto menos Estado, melhor. Hoje parece claro para todos que o melhor é que o Estado funcione bem, exercendo suas funções regulatórias que são indelegáveis e indispensáveis para o adequado funcionamento dos mercados.“ 22- Quanto aos aspectos gramaticais e semânticos do texto I, assinale a alternativa correta. (B) O termo “que” (linha 3) apresenta a mesma classificação morfológica que o termo “que” (linha 4). Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 100 de 108 Veja o contexto da B: “Hoje parece claro para todos que o melhor é que (conjunção integrante) o Estado funcione bem, exercendo suas funções regulatórias que (as quais; pronome relativo) são indelegáveis e indispensáveis para o adequado funcionamento dos mercados.” Simples assim! FUNIVERSA – PC/DF – AGENTE DE POLÍCIA – 2009 Texto I (fragmento) (...) Usa-se a ciência, aprende-se com os resultados da ciência, mas o espírito científico — ou os inúmeros e conflitantes espíritos científicos — se defrontam com mentes impermeáveis a seu trabalho de erosão de mitos e de construção de um mundo diferente. É preciso explorar um pouco a diferença, que vem dos filósofos gregos mas que foi bem rememorada por Hannah Arendt, entre fazer e agir. A fabricação é o modo pelo qual os modernos concebem o mundo da prática. Esta perde uma dimensão que era forte entre os antigos, à qual chamaremos aqui agir: o mundo humano é o da práxis. Nele se praticam atos que têmo homem como autor e como destinatário, como sujeito e como objeto. Por isso mesmo, o homem nunca é puro sujeito nem mero objeto, quando lida com seu próximo: ele tem, neste último, alguém que lhe pode retrucar, que pode protestar contra o que ele diz ou faz. No entanto, o segredo da modernidade consistiu em uma mudança dessa relação. Dizendo de outro modo, a Idade Média cede lugar à Renascença quando a oposição entre vita activa e vita contemplativa, entre negotium e otium é substituída por outros papéis. Com efeito, os humanistas discutem se é preferível a vida contemplativa do sábio ou do cientista, que prefere um otium (geralmente cum dignitate) que lhe permita almejar a paz interna e a verdade do mundo exterior, ou a vida ativa de quem se debruça sobre os negócios da cidade e contribui para construir uma sociedade melhor. Exemplar desse debate é a primeira parte da Utopia, de Thomas Morus, como se sabe escrita depois da segunda parte. Nesta última, expõe-se como seria a ilha de Utopia, o primeiro regime “comunista” do mundo moderno. (...) 23- Assinale a alternativa em que a palavra “se” possui a mesma função sintática que em “entre as poucas dezenas de nações que se situam no pelotão de frente da economia e do conhecimento”. (A) “aprende-se com os resultados da ciência”. (B) “se defrontam com mentes impermeáveis a seu trabalho de erosão de mitos e de construção de um mundo diferente”. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 101 de 108 (C) “Nele se praticam atos que têm o homem como autor e como destinatário”. (D) “Com efeito, os humanistas discutem se é preferível a vida contemplativa do sábio ou do cientista”. (E) “Exemplar desse debate é a primeira parte da Utopia, de Thomas Morus, como se sabe escrita depois da segunda parte.” GABARITO: B. “Vamos por partes”, que nem Jack, The Ripper! ☺ A partícula ‘se’, enquanto pronome átono, pode ter as seguintes funções: Reflexivo (recíproco) Sempre acompanhado de verbo transitivo direto e/ou indireto (VTD/ VTI/VTDI). Segundo Bechara, ele “faz refletir sobre o sujeito a ação que ele mesmo praticou.” Diz-se que o pronome reflexivo é também recíproco quando há mais de um ser no sujeito e o verbo se encontra no plural. Ex.: A menina se cortou. / Se está doente, trate-se. / Os namorados se deram as mãos. (recíproco) / A avó e a neta se queriam muito. (recíproco) / Eles se beijaram. (recíproco) / Ela se impôs uma dieta muito severa. / Ele se achou culpado por ter perdido a luta. / Sofia deixou-se estar à janela. Integrante do verbo Sempre acompanha verbo intransitivo (VI) ou transitivo indireto (VTI). Baseando-me no Bechara, posso dizer que ‘tais verbos indicam sentimento (indignar-se, ufanar-se, atrever-se, alegrar-se, admirar-se, lembrar-se, esquecer-se, orgulhar-se, arrepender-se, queixar-se, etc.) ou movimento/atitudes da pessoa em relação ao seu próprio corpo (sentar-se, suicidar-se, concentrar-se, converter-se, afastar-se, precaver-se, etc.). Por favor, não confunda este tipo de ‘faceta’ com a ideia de reflexividade! Ex.: Ele se precaveu das pragas. / Ela, infelizmente, suicidou-se. / Nunca você deve queixar-se da sua vida. Expletivo (de realce) Sempre acompanhado de verbos intransitivos (VI). Pode ser retirado da oração sem prejuízo sintático e semântico, pois seu valor é apenas estilístico (ênfase, expressividade). Ex.: Vão-se os anéis, ficam-se os dedos. = Vão os anéis, ficam os dedos. / Ela se tremia de medo do escuro. = Ela tremia de medo do escuro. / Passaram-se anos, e ele não retornou ainda. = Passaram anos, e ele não retornou ainda. Indeterminador do sujeito Sempre acompanha verbos na 3ª pessoa do singular de quaisquer transitividades (verbo de ligação (VL), VI, VTD, VTI), sem sujeito explícito. No caso do VTD, precisará haver objeto direto preposicionado (ODP) para que o SE indetermine o sujeito — note o último exemplo abaixo. Tal indeterminação implica um sujeito de valor genérico (generalizador), impreciso. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 102 de 108 Ex.: Lá se era mais feliz. (VL) / Aqui se vive em paz. (VI) / Lamentavelmente, não se confia mais nos governantes. (VTI) / Ama-se a Deus aqui nesta Igreja. (VTD) Apassivador Sempre acompanha VTD ou VTDI para indicar que o sujeito explícito da frase tem valor paciente, ou seja, sofre a ação verbal. Sempre é possível reescrever a frase passando para a voz passiva analítica, ou seja, transformando o verbo em locução verbal (SER + PARTICÍPIO). Ex.: Alugavam-se apartamentos aqui. = Apartamentos eram alugados aqui. / Sabe-se que as línguas evoluem = É sabido que as línguas evoluem. / Jabuticaba se chupa no pé = Jabuticaba é chupada no pé. / Guerra se faz com armas = Guerra é feita com armas. / Dar-te-ei um ósculo = Um ósculo será dado por mim a ti. / Amores não se compram = Amores não são comprados. Vejamos: No enunciado, temos “entre as poucas dezenas de nações que se situam no pelotão de frente da economia e do conhecimento”. O verbo ‘situar’, neste contexto, é intransitivo, pois a ele se segue um adjunto adverbial de lugar (como o verbo morar: Eles moram em Sergipe). Já descartamos, portanto, a hipótese de o ‘se’ ser uma partícula apassivadora, pois ela só se fixa a VTD ou VTDI. Poderia ser uma partícula de indeterminação do sujeito se o sujeito não fosse explícito, mas há sujeito. Não poderia ser partícula expletiva, pois não é possível retirar a partícula. Restam-nos duas classificações para o ‘se’: pronome reflexivo ou partícula integrante do verbo. Não pode ser pronome reflexivo, pois o sujeito não pratica a ação sobre si mesmo. Não existe a possibilidade de as nações situarem a si mesmas no pelotão de frente. Logo... por exclusão, este ‘se’ é uma partícula integrante do verbo, do verbo ‘situar-se’; quem se situa, se situa em algum lugar. Este verbo é intransitivo e exige um adjunto adverbial de lugar, como os verbos residir e morar. Agora precisamos caçar o outro ‘se’ com a mesma função de partícula integrante do verbo. Na letra A, “aprende-se com os resultados da ciência”, o verbo está na 3ª pessoa do singular, é intransitivo e o sujeito não está explícito, portanto, a partícula ‘se’ é indeterminadora do sujeito. Na letra B, o verbo ‘defrontar-se’ em “se defronta com...” é VTI (quem se defronta, se defronta com alguma coisa). Este ‘se’ é uma partícula integrante do verbo, pois o verbo é conjugado junto com ela. É o típico caso de verbo pronominal. Veja a página 36. Na letra C, o verbo praticar é VTD e seu sujeito não preposicionado tem valor passivo (atos). “Nele se praticam atos que...” equivale a “Nele atos Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 103 de 108 que... são praticados...”. Percebeu que eu passei da passiva sintética para a passiva analítica? É porque este ‘se’ é uma partícula apassivadora. Na letra D, este ‘se’ é uma conjunção integrante; lembra-se de que podemos substituir a oração toda iniciada pela conjunção integrante por ISSO? Veja: “... os humanistas discutem se...” = “os humanistas discutem ISSO”. Para fechar, a letra E traz um ‘se’ indeterminador do sujeito, pois o verbo saber é intransitivo e seu sujeito não está explícito. A construção tem algumas estruturas invertidas e elípticas. Veja como ficaria suareescritura: “Exemplar desse debate é a primeira parte da Utopia, de Thomas Morus, (que foi) escrita depois da segunda parte como se sabe”. Bom seria se, no texto original, houvesse uma vírgula após ‘como se sabe’, afinal, é uma oração intercalada. Texto II Porque num exército que persegue há o mesmo automatismo impulsivo dos exércitos que fogem. O pânico e a bravura doida, o extremo pavor e a audácia extrema, confundem-se no mesmo aspecto. O mesmo estonteamento e o mesmo tropear precipitado entre os maiores obstáculos, e a mesma vertigem, e a mesma nevrose torturante abalando as fileiras, e a mesma ansiedade dolorosa, estimulam e alucinam com idêntico vigor o homem que foge à morte e o homem que quer matar. É que um exército é, antes de tudo, uma multidão, “acervo de elementos heterogêneos em que basta irromper uma centelha de paixão para determinar súbita metamorfose, numa espécie de geração espontânea em virtude da qual milhares de indivíduos diversos se fazem um animal único, fera anônima e monstruosa caminhando para dado objetivo com finalidade irresistível”. Somente a fortaleza moral de um chefe pode obstar esta transfiguração deplorável, descendo, lúcida e inflexível, impondo uma diretriz em que se retifique o tumulto. Os grandes estrategistas têm, instintivamente, compreendido que a primeira vitória a alcançar nas guerras está no debelar esse contágio de emoções violentas e essa instabilidade de sentimentos que com a mesma intensidade lançam o combatente nos mais sérios perigos e na fuga. Euclides da Cunha. Os Sertões. 39.ª ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1997 24- Assinale a alternativa que apresenta reescritura gramaticalmente correta do fragmento “Somente a fortaleza moral (...) se retifique o tumulto.” (linhas de 13 a 15), sem alteração do sentido original. (A) Apenas a fortaleza moral do chefe pode deter esta transfiguração deplorável, descendo, lúcida e inflexível, impondo diretrizes em que se retifique o tumulto. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 104 de 108 (B) Somente a fortaleza moral de um chefe pode obstar esta transfiguração deplorável, descendo, lúcida e rígida, impondo diretrizes em que se retifiquem o tumulto. (C) Somente a fortaleza moral de um chefe pode obstar esta transfiguração deplorável, lúcida e inflexível, descendo e impondo uma diretriz em que se retifique o tumulto. (D) Somente a força moral de um chefe pode dificultar esta transfiguração deplorável, descendo, lúcida e inflexível, impondo diretriz que retifique o tumulto. (E) Apenas a fortaleza moral de um chefe pode obstar esta deplorável transfiguração, descendo, lúcida e inflexível, impondo uma diretriz em que o tumulto seja retificado. GABARITO: E. O importante desta questão era perceber principalmente o seu fim. Note que, no texto original, o ‘se’ é apassivador (... se retifique o tumulto = o tumulto seja retificado). Percebeu a passagem de voz verbal, de novo? Fique esperto! Na letra A, há uma alteração de sentido pelo uso do artigo definido antes de ‘chefe’. Na letra B, não há concordância entre retificar e seu sujeito (tumulto); o verbo deveria estar no singular. Na letra C, ‘lúcida e inflexível’ são usados como adjetivos, caracterizando ‘transfiguração’, mas, no texto original, são advérbios, pois modificam o verbo ‘descer’ (que nem a propaganda da Skol: Skol, a cerveja que desce redondO! (redondamente)). Na letra D, falta a preposição ‘em’ antes do pronome relativo, pois ele não pode ser sujeito neste contexto, uma vez que o sujeito do verbo ‘retificar’ é tumulto. Questãozinha chatinha... 25- Em relação ao texto II, assinale a alternativa correta. (C) Na linha 3, a palavra “se” é partícula apassivadora. Veja o contexto da C: “O pânico e a bravura doida, o extremo pavor e a audácia extrema, confundem-se no mesmo aspecto”. O verbo é intransitivo, logo a partícula ‘se’ não pode ser apassivadora, tampouco reflexiva, pois não existe a possibilidade conceitos inanimados confundirem a si mesmos. Logo este ‘se’ é uma partícula integrante do verbo ‘confundir-se’. FUNIVERSA – GDF – ASSISTENTE REINTEGRAÇÃO SOCIAL – 2010 (...) Formação educacional e profissional dos apenados, internados e egressos do sistema penitenciário nacional, que diz respeito ao Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 105 de 108 processo pelo qual se procura associar a elevação da escolaridade e a educação profissional, com o acesso ao trabalho e à geração de renda, de maneira a preparar o beneficiário para ingresso no mundo do trabalho após o cumprimento da pena privativa de liberdade, principalmente no que concerne à capacitação das mulheres em privação de liberdade. (...) 26- A expressão “pelo qual” refere-se a (A) formação educacional. (B) formação educacional e profissional dos apenados. (C) sistema penitenciário nacional. (D) processo. (E) acesso ao trabalho. GABARITO: D. O pronome relativo com preposição contraída ‘pelo qual’ está no masculino singular, logo tem de retomar um termo no masculino singular, ora bolas. Só por aí já eliminamos A, B, C. A letra E é risível, pois pronome relativo não tem valor catafórico, ou seja, não se refere a termo posterior, só a anterior. Restou quem, quem, quem...??? Veja: “... se procura associar a elevação da escolaridade e a educação profissional PELO PROCESSO...”. Está claro? ☺ FUNIVERSA – SESI – ASSITENTE PEDAGÓGICO – 2010 27- Analisando o uso dos vocábulos no período “Daí a necessidade de abordar conteúdos equivalentes, mas com uma linguagem adulta e que vá ao encontro daquilo que esse público deseja.”, é correto afirmar que (C) o verbo “abordar” está flexionado no futuro do presente, indicando o que se deverá fazer. (E) o pronome “esse” faz referência a um nome mencionado anteriormente. GABARITO: E. O pronome ‘esse’ retoma “(público) adulto”. Interessante a letra C. Fato é que o verbo não está no futuro do presente, pois não apresenta as terminações de futuro do presente (ex.: amarei, amarás, amará, amaremos, amareis, amarão). Agora, cá entre nós, muita gente confunde a forma verbal de futuro do subjuntivo com o verbo no infinitivo. Veja: Para eu viajar, precisarei de dinheiro. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 106 de 108 Quando eu viajar, precisarei de dinheiro. Que forma verbal está no futuro do subjuntivo? Diz aí! A segunda, pois o futuro do subjuntivo vem após conjunção e o infinitivo vem após preposição. Está ficando esperto, não?! 28- Considerando o período “Assim, a relação professor-aluno se torna tema fundamental de discussão nas reuniões de planejamento, nas escolas, nas universidades e em todos os lugares onde se debata melhoria da educação.”, assinale a alternativa incorreta. (C) O vocábulo “onde” poderia ser substituído por aonde sem introdução de erro gramatical. GABARITO: C. Não podemos substituir ‘onde’ por ‘aonde’, pois, como se sabe, para que haja preposição antes de pronome relativo, é preciso um verbo ou um nome após ele exigindo-a; o que não é o caso. FUNIVERSA – TERRACAP – ANALISTA DE SISTEMAS - 2010 29- A respeito do fragmento “qualquer país que passe pela nossa mente — e alguns outros de cuja existência sequer desconfiávamos.”, assinale a alternativa incorreta.(C) A forma verbal “desconfiávamos” indica a ideia de tempo passado inacabado. (D) O pronome “cuja” tem valor possessivo, já que equivale a sua. (E) A forma verbal “passe” indica a ideia de possibilidade, um fato incerto de acontecer. Sobre a letra C, por definição ‘desconfiávamos’, que é forma de pretérito imperfeito do indicativo, indica a ideia de tempo passado inacabado. Certíssimo. Sobre a letra D, de fato, o pronome relativo ‘cuja’ tem valor possessivo e equivale a ‘sua’, numa reescritura sem cujo; veja: “... sequer desconfiávamos de sua existência” (ou seja, da existência de outros países) Na letra E, o verbo está no modo subjuntivo, por isso indica incerteza, possibilidade, hipótese, dúvida, etc. FUNIVERSA – CEB – AGENTE SUPORTE ADMINISTRATIVO - 2010 Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 107 de 108 “Depois que a luz acendeu com a invenção da lâmpada, foi uma festa! Em cada canto do mundo, surgia uma invenção diferente. A eletricidade havia modificado o modo de viver da humanidade. (...) A energia sai da usina direto para uma subestação de transmissão, onde ela passa por um transformador.” 30- Cada uma das alternativas abaixo apresenta uma reescritura de parte do texto I. Assinale aquela em que a reescritura cria falha em relação à gramática. (B) A eletricidade tinha modificado o modo de viver da humanidade. Quero comentar a letra B, pois só encontrei esta questão de verbo no tempo composto, em que a locução verbal é formada por “ter/haver + particípio”. Logo, ‘tinha modificado’ ou ‘havia modificado’ está correto. Saiba mais: Breve resumo: os tempos compostos da voz ativa são formados pelos verbos “ter/haver + particípio”. No indicativo: • Pretérito perfeito: Temos/havemos casado. • Pretérito mais-que-perfeito: Eu tinha/havia casado. • Futuro do presente: Eu terei/haverei casado. • Futuro do pretérito: Eu teria/haveria casado. No subjuntivo: • Pretérito perfeito: Espero que ele tenha/haja casado. • Pretérito mais-que-perfeito: Se ele tivesse/houvesse casado... • Futuro do subjuntivo: Quando ele tiver/houver casado... Nas formas nominais: • Infinitivo impessoal: Para ele ter/haver casado... • Infinitivo pessoal: Para ele ter/haver casado... • Gerúndio: Tendo/havendo casado... 31- Cada alternativa a seguir apresenta um trecho do texto II seguido de uma afirmação relativa a ele. Assinale aquela que apresenta a afirmação correta. (C) “onde ela passa por um transformador”: o termo “onde” está se referindo a “transmissão”. Língua Portuguesa para o Soldado da PMDF Teoria e Questões da Funiversa Prof. Fernando Pestana – Aula 03 Prof. Fernando Pestana www.estrategiaconcursos.com.br 108 de 108 Sobre a letra C, o termo ‘onde’ não retoma ‘transmissão’, mas sim ‘subestação’, até porque o pronome relativo ‘onde’ só retoma termo de valor locativo. ---------------------------------------------------------------------------------- Fui! ☺ Pestana