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MINISTÉRIO DA SAÚDE
Guia de acolhimento
à crise em saúde mental
na Rede de Atenção
Psicossocial (Raps)
Brasília – DF
2026
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Secretaria de Atenção 
Especializada à Saúde
Departamento de Saúde Mental, 
Álcool e outras Drogas
Guia de acolhimento
à crise em saúde mental
na Rede de Atenção
Psicossocial (Raps)
Brasília – DF
2026
2026 Ministério da Saúde.
Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhamento 
pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.
A coleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessada, na íntegra, na Biblioteca Virtual em Saúde do 
Ministério da Saúde: bvsms.saude.gov.br. 
Tiragem: 1ª edição – 2026 – 5.000 exemplares
Elaboração, distribuição e informações:
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Secretaria de Atenção Especializada à Saúde
Departamento de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas 
Coordenação Geral de Atenção Psicossocial
Esplanada dos Ministérios, bloco G, Edifício Sede, 9° andar, ala sul
CEP: 70058-900 – Brasília-DF
Site: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/Saes/Desmad
E-mail: saudemental@saude.gov.br
Telefone: (61) 3315-9144
Coordenação: 
Bruno Ferrari Emerich
Karime Porto
Marcelo Kimati Dias
Organização do trabalho:
Evandro de Oliveira Gavi
Bruno Ferrari Emerich
Michelle Chanchetti Silva
Elaboração:
Ana Cristina Carvalho Curvina
Ângela Slongo Benetti
Aretuza Oliveira
Bruno Ferrari Emerich
Evandro de Oliveira Gavi
Henrique Almeida Silva Galrao
Keyla Kikushi
Michelle Chanchetti Silva
Nathalia Nakano Telles
Rodrigo Fernando Presotto
Vanuse Braga
Revisão técnica e colaboração:
Adriane Wollman
Angela Slongo Benetti
Gabriella de Andrade Boska
Juliana Azevedo Fernandes
Renata Filgueiras Pimentel
Rodrigo Fernando Presotto
Vinícius Vieira
Editora responsável:
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Secretaria-Executiva
Subsecretaria de Assuntos Administrativos
Coordenação-Geral de Documentação e Informação
Coordenação de Gestão Editorial
Esplanada dos Ministérios, bloco G, Edifício Anexo, 3º andar, sala 356-A
CEP: 70058-900 – Brasília/DF
Tels.: (61) 3315-7790 / 3315-7791
E-mail: editora.ms@saude.gov.br
Equipe editorial:
Normalização: Delano de Aquino Silva
Revisão textual: Tamires Felipe Alcântara
Design editorial: Yves Levi
Impresso no Brasil / Printed in Brazil
Ficha Catalográfica
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Especializada à Saúde. Departamento de Saúde Mental, Álcool e outras 
Drogas. 
Guia de acolhimento à crise em saúde mental na Rede de Atenção Psicossocial (Raps) / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção 
Especializada à Saúde, Departamento de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas. – Brasília : Ministério da Saúde, 2026.
88 p. : il.
ISBN 978-85-334-2962-8
1. Saúde mental. 2. Reabilitação psiquiátrica. 3. Sistema Único de Saúde. I. Título.
CDU 616.89
Catalogação na fonte – Bibliotecário: Delano de Aquino Silva – CRB 1/1993 – Editora MS/CGDI – OS 2026/0187
Título para indexação:
Guidelines for mental health crisis care within the Psychosocial Care Network (Raps)
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO 5
1 CONTEXTUALIZAÇÃO DA SITUAÇÃO DA ATENÇÃO À CRISE NA RAPS 7
1.1 Introdução 7
1.2 Crise em saúde mental 8
1.3 Marcos normativos e legislação 9
1.4 A situação da Raps em dados 13
2 PRINCÍPIOS DE FUNCIONAMENTO DA RAPS 15
3 DIRETRIZES PARA UM ACOLHIMENTO HUMANIZADO 17
3.1 Acolhimento à situação de crise em saúde mental 17
3.1.1 Plano de crise 20
3.2 Acolhimento para situações de comportamento desorganizado e/
ou agressivo 24
3.3 Acolhimento em situações de risco de suicídio 30
3.4 Acolhimento às situações de crise relacionadas ao uso de álcool e 
outras drogas 34
3.4.1 Abordagem inicial e avaliação das situações de crise 35
3.4.2 Tomada de decisão apoiada 36
3.4.3 Redução de danos como diretriz ética e prática de cuidado 36
3.4.4 Avaliação de gravidade 38
3.4.5 Práticas de cuidado nas situações de crise de pessoas sob 
efeito de álcool e outras drogas e da abstinência 40
3.5 Acolhimento a crianças e adolescentes em situação de crise 44
3.6 Determinações sociais da saúde e interseccionalidade na 
compreensão das crises em saúde mental 47
4 FUNCIONAMENTO EM REDE NO ACOLHIMENTO DA CRISE 53
4.1 Componentes da Raps 54
4.1.1 Componentes da Atenção Primária à Saúde 57
4.1.2 Componentes da atenção psicossocial especializada 60
4.1.3 Componentes da atenção hospitalar 64
4.1.4 Componentes da atenção às urgências e emergências 66
4.2 Registros ambulatoriais, subnotificação e dados epidemiológicos 69
5 APOIO MATRICIAL, CUIDADO COMPARTILHADO E ARTICULAÇÃO DE 
REDE 71
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 73
REFERÊNCIAS 75
APÊNDICE — VOZES DA CRISE – RELATO DOS ENCONTROS VIRTUAIS 
COM USUÁRIOS E USUÁRIAS DA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL 85
5
APRESENTAÇÃO
O presente Guia de Acolhimento à Crise em Saúde Mental na Rede de Atenção 
Psicossocial (Raps) insere-se no conjunto de esforços do Ministério da Saúde (MS) 
para qualificar o cuidado em saúde mental no âmbito do Sistema Único de Saúde 
(SUS), com especial atenção às situações de crise. Trata-se de um tema central para 
a organização da atenção psicossocial, uma vez que as crises expressam momentos 
de intensificação do sofrimento psíquico, frequentemente associados à ruptura 
de vínculos, à diminuição de graus de autonomia e à necessidade de respostas 
rápidas, contínuas e articuladas entre os diferentes pontos da rede de cuidado.
A relevância deste tema se expressa tanto na magnitude epidemiológica dos 
transtornos mentais quanto nos desafios concretos enfrentados pelos serviços para 
ofertar cuidado qualificado, oportuno e humanizado. Nesse contexto, o acolhimento 
à crise configura-se como um dispositivo estratégico para a produção do cuidado 
em liberdade, exigindo a articulação entre a Atenção Primária à Saúde (APS), 
os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), a Rede de Atenção às Urgências e 
Emergências (RUE) e a atenção hospitalar, de modo a garantir a continuidade do 
cuidado e evitar desfechos marcados pela institucionalização e pela ruptura do 
vínculo com o território.
Este material busca contribuir para a qualificação da oferta assistencial, 
apoiando a organização dos processos de trabalho, a pactuação de fluxos e a 
ampliação da capacidade de resposta dos serviços frente às experiências dos 
usuários1. Ao mesmo tempo, reconhece que o cuidado à crise demanda investimento 
contínuo na formação dos trabalhadores, não apenas em termos técnico-clínicos, 
mas também no desenvolvimento de competências relacionais, éticas e políticas, 
fundamentais para a sustentação de práticas de cuidado centradas no usuário, em 
sua singularidade e em seu contexto de vida.
Este Guia foi elaborado a partir de demandas identificadas nos territórios, de 
contribuições de gestores e trabalhadores em diferentes espaços de governança, 
da atuação do apoio institucional do Departamento de Saúde Mental, Álcool e 
outras Drogas (Desmad) nos estados brasileiros. Ainda, foi composto a partir de 
escuta de usuários da Raps, com destaque para encontros virtuais com usuários 
de Caps de todo o Brasil, em que puderam relatar como deveria ser o cuidado 
¹ O termo “usuário” faz referência às pessoas acompanhadas pelos serviços de saúde. A expressão está vinculada às 
discussões consolidadas na II Conferência Nacional de Saúde Mental (1992), na qual se destacou que essa terminologia 
remete a uma posição mais ativa do sujeito que utiliza os serviços.
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
6
recebido por eles durante essa experiência (Apêndice); além de escutas com outras 
representações de usuários e familiares e de especialistas. 
Orientado pelos princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira e pelas diretrizes 
da Raps, o Guia reafirma o compromisso com a garantia dos direitos humanos, 
destacando o cuidado em liberdade, o respeito à autonomia e a valorização do 
protagonismo dos usuários e de suaspor manutenção do uso 
agravam vulnerabilidades e ampliam riscos.
Fundamentos ético-clínicos da redução de danos
A redução de danos fundamenta-se na proteção da vida e da integridade física 
como prioridade absoluta, independentemente do padrão de uso ou da escolha 
pela abstinência, orientando intervenções que minimizem riscos e previnam agravos. 
Reconhece, ainda, a autonomia progressiva do usuário, mesmo em contextos de 
vulnerabilidade, sustentando processos de decisão apoiada e pactuação de metas 
possíveis. Afasta-se de julgamentos morais ou abordagens punitivas, substituindo-os 
por escuta qualificada e compreensão dos determinantes sociais do uso. Por fim, 
organiza-se a partir do vínculo e da corresponsabilidade no PTS, evitando práticas 
coercitivas e reafirmando o cuidado em liberdade como eixo ético da Raps (Brasil, 
2015a; WHO; UNODC, 2020).
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
38
Entre as estratégias possíveis de redução de danos nos momentos de crise, 
destacam-se:
• acolhimento imediato centrado na pessoa e não na(s) substância(s) de uso;
• garantia de acesso ao cuidado sem julgamentos, considerando as necessidades 
de grupos mais vulnerabilizados, como mulheres, pessoas gestantes, jovens, 
indígenas e pessoas em situação de rua;
• oferta de espaço protegido no território durante períodos de 
maior vulnerabilidade;
• prevenção de intoxicações, overdoses, fissuras e outras condições, incluindo 
qualificação das equipes, para reconhecimento de sinais, e articulação da 
rede para a continuidade do cuidado integral no território;
• informações e educação em saúde baseadas em evidências científicas sobre 
os riscos e danos que envolvem o uso de álcool e outras drogas;
• disponibilidade e acesso a insumos de proteção e prevenção de transmissão 
de doenças e infecções sexualmente transmissíveis relacionadas ao uso de 
álcool e outras drogas;
• pactuação de metas graduais e factíveis com o usuário;
• inclusão da rede de confiança no planejamento de segurança.
Em síntese, faz-se necessário fazer um deslocamento da substância de uso 
como a principal questão de intervenção no acolhimento de situações de 
crise relacionadas ao uso de álcool e outras drogas, para então olhar a pessoa 
em sua totalidade, considerando a complexidade do contexto psicossocial 
que envolve o uso e a garantia da continuidade do cuidado comunitário.
3.4.4 Avaliação de gravidade
A avaliação deve integrar exame clínico geral e exame do estado mental, 
reconhecendo que a crise pode envolver, simultaneamente, sofrimento psíquico 
intenso e instabilidade orgânica, relacionados ou não ao uso de álcool e outras 
drogas. Em várias situações, é possível que o usuário não consiga ou não queira 
fornecer as informações solicitadas, então cabe à equipe manejar e avaliar a pessoa 
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
39
a partir de sua apresentação e das possibilidades de acordos no momento do 
cuidado, garantindo os direitos das pessoas atendidas (Brasil, 2015a).
A avaliação deve ser imediata e considerar, quando possível (Brasil, 2015a; 
WHO, 2016):
• tipo(s) de substância(s) utilizada(s);
• uso de múltiplas substâncias;
• tempo da última dose;
• via de uso (oral, injetável, fumada, aspirada);
• padrão de uso (uso episódico, uso contínuo);
• presença de intoxicação aguda;
• sinais e sintomas de síndrome de abstinência;
• risco e/ou presença de overdose;
• presença de comorbidades clínicas e/ou psiquiátricas;
• risco de auto ou heteroagressão;
• ruptura da contratualidade social;
• condições de suporte familiar e social;
• histórico e avaliação de ideação e/ou tentativas de suicídio (que pode estar 
relacionada ao uso de álcool e outras drogas).
Quando houver sinais de risco vital (rebaixamento do nível de consciência, 
instabilidade hemodinâmica, depressão respiratória, convulsões, delirium), a 
retaguarda hospitalar, ou retaguarda de urgência, deve ser acionada imediatamente. 
Da mesma forma, quadros com risco agudo de suicídio, agitação psicomotora, 
ausência de suporte sociofamiliar capaz de conter o risco, ou síndrome de abstinência 
avaliada como moderada a grave demandam avaliação em serviço de emergência 
(NICE, 2010; WHO, 2016).
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
40
3.4.5 Práticas de cuidado nas situações de crise de pessoas sob 
efeito de álcool e outras drogas e da abstinência
a) Pessoa sob efeito do uso de álcool e outras drogas (intoxicação aguda)
A intoxicação aguda corresponde ao estado transitório decorrente do uso 
recente de álcool, outras drogas ou substâncias psicoativas, incluindo medicamentos 
prescritos ou não, podendo provocar alterações da consciência, da cognição, da 
percepção, do afeto, do comportamento e de outras funções psicofisiológicas. 
Em termos assistenciais, trata-se da pessoa que chega ao serviço sob efeito de 
substâncias, com manifestações clínicas cuja gravidade pode variar de quadros 
leves a situações com risco vital (Cruz, 2014; WHO, 1994, 2016).
Nas situações de intoxicação, o manejo deve priorizar (Cruz, 2014):
• monitoramento clínico;
• hidratação e nutrição, quando viável;
• promoção de medidas de conforto, como banho e local adequado para repouso;
• prevenção de aspiração e outras complicações;
• suporte ventilatório, quando necessário;
• identificação de trauma associado;
• estabilização hemodinâmica;
• uso de antídotos, quando indicados (exemplo: naloxona em suspeita 
de opioides).
É esperado que pessoas que necessitam de cuidado em saúde mental 
procurem serviços porta aberta, como Unidades Básicas de Saúde (UBS), Caps, 
unidades de pronto atendimento, entre outros, sob efeito de álcool e outras drogas. 
Nesses casos, a abordagem deve partir do acolhimento e da avaliação da situação, 
garantindo espaço protegido e seguro para que a pessoa possa permanecer nos 
serviços até o devido encaminhamento, articulando o cuidado na rede intra e 
intersetorial a partir das necessidades de cada caso e conforme a gravidade. 
Os serviços não devem negar ou restringir o cuidado de pessoas que se 
encontrem sob efeitos de álcool e outras drogas, garantindo acesso ao 
cuidado de forma singular, organizando espaços protegidos para esses casos.
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
41
3.4.5 Práticas de cuidado nas situações de crise de pessoas sob 
efeito de álcool e outras drogas e da abstinência
a) Pessoa sob efeito do uso de álcool e outras drogas (intoxicação aguda)
A intoxicação aguda corresponde ao estado transitório decorrente do uso 
recente de álcool, outras drogas ou substâncias psicoativas, incluindo medicamentos 
prescritos ou não, podendo provocar alterações da consciência, da cognição, da 
percepção, do afeto, do comportamento e de outras funções psicofisiológicas. 
Em termos assistenciais, trata-se da pessoa que chega ao serviço sob efeito de 
substâncias, com manifestações clínicas cuja gravidade pode variar de quadros 
leves a situações com risco vital (Cruz, 2014; WHO, 1994, 2016).
Nas situações de intoxicação, o manejo deve priorizar (Cruz, 2014):
• monitoramento clínico;
• hidratação e nutrição, quando viável;
• promoção de medidas de conforto, como banho e local adequado para repouso;
• prevenção de aspiração e outras complicações;
• suporte ventilatório, quando necessário;
• identificação de trauma associado;
• estabilização hemodinâmica;
• uso de antídotos, quando indicados (exemplo: naloxona em suspeita 
de opioides).
É esperado que pessoas que necessitam de cuidado em saúde mental 
procurem serviços porta aberta, como Unidades Básicas de Saúde (UBS), Caps, 
unidades de pronto atendimento, entre outros, sob efeito de álcool e outras drogas. 
Nesses casos, a abordagem deve partir do acolhimento e da avaliação da situação, 
garantindo espaço protegido e seguro para que a pessoa possa permanecer nos 
serviços até o devido encaminhamento, articulando o cuidado na rede intrae 
intersetorial a partir das necessidades de cada caso e conforme a gravidade. 
Os serviços não devem negar ou restringir o cuidado de pessoas que se 
encontrem sob efeitos de álcool e outras drogas, garantindo acesso ao 
cuidado de forma singular, organizando espaços protegidos para esses casos.
Sempre que houver dúvida diagnóstica, suspeita de intoxicação por substância 
desconhecida, necessidade de orientação toxicológica específica ou definição 
de antídotos e condutas, recomenda-se contato com o Centro de Informação 
e Assistência Toxicológica (CIATox), em articulação com a rede de urgência 
e emergência.
É importante atentar, também, para a questão das adulterações, especialmente 
frequentes no mercado ilícito. Em casos de intoxicação ou de efeitos adversos, 
deve-se considerar a possível presença de outras substâncias além daquela cujo 
consumo foi relatado.
Destaca-se, ainda, o fenômeno das Novas Substâncias Psicoativas (NSP), 
utilizadas para imitar os efeitos de drogas convencionais, porém sem estarem 
enquadradas nas convenções internacionais de controle. As NSP configuram-se 
como um fenômeno global, com impacto relevante também no Brasil, onde novas 
substâncias vêm sendo identificadas a cada ano. Informações sobre seus riscos, 
interações, efeitos adversos e consequências em longo prazo são bastante limitadas.
Nesse contexto, foi desenvolvido o Sistema de Alerta Rápido sobre drogas 
(SAR), vinculado ao Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid) e 
coordenado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos 
(Senad), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O SAR tem como 
função monitorar, analisar e disseminar informações sobre NSP e outras questões 
emergentes relacionadas às drogas, constituindo, portanto, uma importante fonte 
de informação para profissionais de saúde.
b) Síndrome de abstinência
A síndrome de abstinência pode variar de quadros leves a graves, e sua 
avaliação deve considerar, sempre que possível, a substância envolvida, o tempo 
decorrido desde a última dose2, a intensidade do uso prévio, comorbidades clínicas 
e psiquiátricas, condições de suporte social e sinais de risco orgânico. Embora 
diferentes substâncias possam produzir quadros de abstinência, é especialmente 
importante reconhecer que a abstinência de álcool e de benzodiazepínicos pode 
evoluir com gravidade e risco vital (Brasil, 2021).
Devem-se observar:
² Para acessar alertas, publicações e também realizar notificações, acesse: https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/
sua-protecao/politicas-sobre-drogas/obid/sistema-de-alerta-rapido-sobre-drogas-sar.
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-protecao/politicas-sobre-drogas/obid/sistema-de-alerta-rapido-sobre-drogas-sar
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-protecao/politicas-sobre-drogas/obid/sistema-de-alerta-rapido-sobre-drogas-sar
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
42
• histórico de síndromes de abstinência;
• tremores;
• sudorese;
• ansiedade intensa;
• agitação;
• convulsões;
• delirium tremens.
A equipe deve realizar avaliação clínica sistemática, exame do estado mental, 
monitoramento de sinais vitais e identificação precoce de desidratação, confusão, 
alucinações, rebaixamento do nível de consciência e outras intercorrências clínicas 
(Brasil, 2021).
Quadros leves, e parte dos quadros moderados, podem ser acompanhados 
em Caps ou em outro dispositivo de saúde do território, desde que haja capacidade 
de monitoramento contínuo, acompanhamento multiprofissional e articulação ágil 
com a rede para eventual escalonamento do cuidado. Quadros graves, casos com 
risco de convulsões, delirium tremens, importante instabilidade clínica, comorbidades 
relevantes ou suporte social insuficiente exigem suporte hospitalar e monitorização 
contínua (Brasil, 2022).
Quando indicado, o uso de medicação específica deve seguir protocolos 
clínicos baseados em evidências, como parte de um manejo que não se limita 
à prescrição farmacológica, mas integra observação contínua, proteção clínica, 
escuta qualificada e organização do cuidado em rede (WHO, 2016).
c) Fissura intensa e comportamento desorganizado associado ao uso de 
álcool e outras drogas
A fissura pode ser acompanhada de intenso sofrimento psíquico, não se 
limitando a um desejo físico ou automático pelo uso da substância. Frequentemente, 
vem associada a angústia, pensamentos repetitivos, inquietação, irritabilidade e 
dificuldade de sustentar acordos de cuidado, razão pela qual o acompanhamento 
do usuário nesse momento é particularmente importante. Em algumas situações, 
a fissura pode se associar a comportamento agitado, impulsividade, abandono do 
cuidado e conflitos interpessoais, exigindo atenção clínica e psicossocial qualificada 
(Cruz, 2014; WHO, 2020).
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
43
A manifestação da fissura é esperada em casos de uma relação de dependência 
com álcool e outras drogas. As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde 
(PICS) têm demonstrado efeitos positivos nesses casos, evitando a medicalização. 
Ainda, é importante considerar que os usuários podem optar pelo uso de substâncias 
alternativas para redução da fissura, como o uso do tabaco, situações que devem 
ser acolhidas pelas equipes na perspectiva da redução de danos e do cuidado. 
Figura 3 – Fluxograma de cuidados para pessoa sob efeito de álcool e outras drogas
SITUAÇÃO DE CRISE IDENTIFICADA
Pessoa sob efeito de álcool ou outras drogas
Acolhimento imediato:
• Escuta qualificada.
• Postura não julgadora.
• Proteção e vínculo.
• Redução de danos.
Há sinais de risco vital ou 
instabilidade orgânica?
NÃO
NÃO
SIM
SIM
Avaliação inicial de gravidade:
• Substância(s) envolvida(s).
• Intoxicação?
• Abstinência?
• Agitação/comportamento desorganizado?
• Risco auto/heteroagressivo?
• Sinais de risco vital?
• Suporte social disponível?
Quadro predominante:
• Pessoa sob efeito/ 
intoxicação aguda.
• Síndrome de abstinência.
• Fissura com sofrimento 
intenso.
• Agitação/comportamento 
desorganizado associado 
ao uso.
Urgência/retaguarda 
hospitalar.
Há condições de 
cuidado territorial?
Articular seguimento:
• Caps AD.
• APS.
Reavaliar nível de retaguarda 
(serviço com maior suporte):
• Caps AD III.
• Urgência/retaguarda hospitalar.
Continuidade do cuidado pós-crise:
• Revisão do PTS.
• Estratégias de redução de danos.
• Prevenção de recaídas, overdoses e novas crises.
• Plano antecipado de cuidado.
TODOS OS NÍVEIS
Construção de rede de cuidados:
• Acionar rede de confiança.
• Articular Caps, APS e urgência.
• Pactuar manejo.
• Definir seguimento em 24 a 72 horas.
Fonte: elaboração própria.
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
44
3.5 Acolhimento a crianças e adolescentes em situação de crise
As diretrizes gerais para o manejo da agitação, do risco de suicídio e das 
crises associadas ao uso de álcool e outras drogas também se aplicam a crianças 
e adolescentes, devendo, contudo, ser adaptadas às especificidades clínicas, 
subjetivas, familiares e legais próprias dessa etapa do ciclo de vida. Nesses casos, 
o manejo deve priorizar intervenções proporcionais, contextualizadas e orientadas 
pelo princípio da proteção integral. 
As intervenções, incluindo a escolha medicamentosa, quando necessária, 
devem respeitar indicações específicas para a idade, o peso e o perfil clínico, 
evitando extrapolação automática de protocolos adultos. A seguir, serão abordadas as 
principais situações desafiadoras no contexto da crise nas infâncias e adolescências.
1. Agitação e comportamento agressivo
Episódios de agitação e agressividade podem ocorrer no curso da vida de 
crianças e adolescentes com diagnósticos de transtornos do neurodesenvolvimento, 
especialmente transtorno do espectro autista (TEA), transtorno de déficit de atenção 
e hiperatividade (TDAH), e transtornos do comportamento, além de situações de 
sobrecargasensorial, frustração ou dificuldades de comunicação. Outras situações 
associadas à agitação e ao comportamento agressivo são o transtorno de estresse 
pós-traumático (TEPT), transtornos de humor, transtornos psicóticos, bem como 
respostas a contextos de violências, luto e traumas. Devem-se, portanto, evitar 
inferências diagnósticas precipitadas em episódios isolados de desorganização 
comportamental (NICE, 2013). 
O manejo deve priorizar (Saidinejad, 2024):
• redução de estímulos ambientais;
• abordagem calma e previsível;
• manutenção de figuras de referência quando possível;
• uso de linguagem simples e direta;
• intervenções de regulação sensorial, quando indicadas.
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
45
2. Risco de suicídio e comportamento autolesivo
Na infância e, sobretudo, na adolescência, o risco de suicídio exige atenção 
especial, em razão da combinação entre sofrimento psíquico intenso, impulsividade 
elevada e influência de fatores relacionais, incluindo os ambientes digitais. A avaliação 
deve distinguir entre ideação suicida estruturada, comportamento autolesivo 
não suicida e atos impulsivos em contexto de conflito agudo (Brasil; UnB, 2018; 
NICE, 2022).
Particularidades relevantes incluem (NICE, 2022):
• maior associação com bullying, violência intrafamiliar e conflitos escolares;
• influência de redes sociais e exposição a conteúdos autolesivos;
• flutuação rápida da intenção suicida;
• necessidade de supervisão e proteção intensiva por adultos responsáveis.
O manejo deve incluir envolvimento dos responsáveis, orientação clara 
sobre medidas de proteção (restrição de meios letais, supervisão contínua, quando 
indicado) e articulação com escola e serviços territoriais. A alta não deve ocorrer 
sem avaliação mínima das condições de proteção no ambiente familiar.
3. Crises associadas ao uso de álcool e outras drogas 
Na infância e, sobretudo, na adolescência, o uso de álcool e outras drogas 
frequentemente se apresenta em padrões episódicos e de maior risco, incluindo 
consumo episódico excessivo de álcool (binge drinking), podendo associar-se a 
impulsividade, acidentes, violência e outros fatores socioculturais. Nessas situações, 
a crise pode envolver intoxicação aguda, desinibição comportamental, conflitos 
interpessoais, exposição a situações de violência e associação com risco suicida, 
exigindo avaliação clínica e psicossocial cuidadosa (Brasil, 2015a).
O manejo deve considerar:
• efeitos significativos no sistema nervoso central, alterando funções cognitivas, 
comportamentais e emocionais;
• risco aumentado de comportamentos impulsivos;
• necessidade de abordagem familiar estruturada;
• importância de intervenções breves motivacionais.
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
46
A abordagem deve evitar estigmatização e punição moral, priorizando 
orientação, vínculo e articulação com a escola e a assistência social, quando 
necessário (NIAAA, 2011, 2018).
4. Centralidade da família e da rede
No contexto de crise das infâncias e adolescências, o manejo não se restringe 
ao indivíduo, devendo incluir a avaliação das condições familiares, comunitárias e 
institucionais que sustentam ou fragilizam o cuidado. A capacidade da família ou dos 
responsáveis de oferecer supervisão, proteção e continuidade do acompanhamento 
constitui elemento central da avaliação e da tomada de decisão clínica. Quando 
a rede familiar se mostra protetiva, deve ser incorporada ativamente ao plano 
terapêutico; quando estiver fragilizada, ausente ou constituir fator de risco, torna-se 
necessária a articulação com a rede de proteção social e de garantia de direitos, 
incluindo, quando cabível, Conselho Tutelar, assistência social, educação e demais 
dispositivos do território (Brasil, 2014).
A decisão sobre a necessidade de internação ou outra forma de retaguarda 
intensiva deve considerar não apenas a gravidade clínica, mas também as condições 
concretas de cuidado no território, a disponibilidade de supervisão qualificada, a 
capacidade protetiva do domicílio e a possibilidade de seguimento em rede. 
Em algumas situações, a ausência de condições mínimas de proteção e 
cuidado pode aumentar a necessidade de retaguarda institucional temporária 
ou de intensificação do cuidado, desde que essa decisão se mantenha 
articulada à avaliação clínica, à proteção integral e à busca de alternativas 
territoriais logo que possíveis (Brasil, 2014).
3.6 Determinações sociais da saúde e interseccionalidade na 
compreensão das crises em saúde mental
“ Em primeiro lugar, as mulheres que estão ali, quase todas são traumatizadas, 
então é necessário demais que essas coisas sejam dadas, assim como a 
seriedade [...] os preconceitos, as homofobias, as transfobias, as violências 
todas de gênero, o racismo, isso tem que ser base, porque senão fica inviável.
Usuário participante do Vozes da Crise
A compreensão das crises em saúde mental no âmbito do SUS exige o 
reconhecimento das determinações sociais da saúde (Borghi; Oliveira; Sevalho, 
2018) como elementos estruturantes da produção do sofrimento psíquico. Tais 
determinações correspondem a processos históricos, econômicos, políticos e 
culturais que organizam a vida social e conformam, de modo desigual, as condições 
de existência dos sujeitos, incidindo sobre o acesso a direitos, bens e serviços 
(Borghi; Oliveira; Sevalho, 2018). Nessa perspectiva, as crises não se configuram 
como eventos isolados ou estritamente individuais, mas como expressões agudas 
de trajetórias marcadas por desigualdades de classe, raça, gênero, território e 
outras relações de poder, o que desloca sua análise do plano exclusivamente 
clínico para o campo das responsabilidades públicas e reafirma o papel do Estado 
na garantia do direito à saúde mental.
Ao reconhecer as determinações sociais como constitutivas do processo 
saúde-doença, a Raps orienta suas respostas às crises pelos princípios da 
universalidade, da integralidade e da equidade, priorizando estratégias 
territorializadas, intersetoriais e de cuidado em liberdade. As situações de crise 
passam a ser compreendidas como momentos de intensificação de processos de 
exclusão social, violências institucionais, rupturas de vínculos e fragilização das 
redes de apoio, exigindo intervenções que ultrapassem a lógica da contenção e 
da institucionalização e se articulem às políticas de assistência social, habitação, 
trabalho, educação e direitos humanos.
Nesse horizonte, a interseccionalidade constitui chave analítica e ético-política 
fundamental para qualificar a compreensão e o manejo das crises em saúde 
mental no contexto da Reforma Psiquiátrica. Ao evidenciar que as experiências de 
sofrimento e o acesso aos dispositivos da Raps são atravessados simultaneamente 
por múltiplas formas de opressão, essa abordagem permite problematizar a 
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
47
3.6 Determinações sociais da saúde e interseccionalidade na 
compreensão das crises em saúde mental
“ Em primeiro lugar, as mulheres que estão ali, quase todas são traumatizadas, 
então é necessário demais que essas coisas sejam dadas, assim como a 
seriedade [...] os preconceitos, as homofobias, as transfobias, as violências 
todas de gênero, o racismo, isso tem que ser base, porque senão fica inviável.
Usuário participante do Vozes da Crise
A compreensão das crises em saúde mental no âmbito do SUS exige o 
reconhecimento das determinações sociais da saúde (Borghi; Oliveira; Sevalho, 
2018) como elementos estruturantes da produção do sofrimento psíquico. Tais 
determinações correspondem a processos históricos, econômicos, políticos e 
culturais que organizam a vida social e conformam, de modo desigual, as condições 
de existência dos sujeitos, incidindo sobre o acesso a direitos, bens e serviços 
(Borghi; Oliveira; Sevalho, 2018). Nessa perspectiva, as crises nãose configuram 
como eventos isolados ou estritamente individuais, mas como expressões agudas 
de trajetórias marcadas por desigualdades de classe, raça, gênero, território e 
outras relações de poder, o que desloca sua análise do plano exclusivamente 
clínico para o campo das responsabilidades públicas e reafirma o papel do Estado 
na garantia do direito à saúde mental.
Ao reconhecer as determinações sociais como constitutivas do processo 
saúde-doença, a Raps orienta suas respostas às crises pelos princípios da 
universalidade, da integralidade e da equidade, priorizando estratégias 
territorializadas, intersetoriais e de cuidado em liberdade. As situações de crise 
passam a ser compreendidas como momentos de intensificação de processos de 
exclusão social, violências institucionais, rupturas de vínculos e fragilização das 
redes de apoio, exigindo intervenções que ultrapassem a lógica da contenção e 
da institucionalização e se articulem às políticas de assistência social, habitação, 
trabalho, educação e direitos humanos.
Nesse horizonte, a interseccionalidade constitui chave analítica e ético-política 
fundamental para qualificar a compreensão e o manejo das crises em saúde 
mental no contexto da Reforma Psiquiátrica. Ao evidenciar que as experiências de 
sofrimento e o acesso aos dispositivos da Raps são atravessados simultaneamente 
por múltiplas formas de opressão, essa abordagem permite problematizar a 
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
48
seletividade histórica das práticas de internação, medicalização e contenção. 
Sua incorporação como princípio estruturante da gestão, da clínica ampliada, 
da formação profissional e da produção de dados no SUS desloca a resposta às 
crises de soluções asilares e coercitivas para estratégias de cuidado em liberdade, 
baseadas no território, na garantia de direitos e na justiça social, reafirmando o 
compromisso antimanicomial e com a equidade (Passos; Campos, 2025).
A centralidade das determinações sociais da saúde e da interseccionalidade 
na compreensão das crises em saúde mental implica, necessariamente, a afirmação 
do usuário como sujeito de direitos. No âmbito do SUS, esse princípio encontra 
respaldo não apenas na Constituição Federal de 1988, que estabelece a saúde 
como direito de todos e dever do Estado, mas também nas diretrizes da Reforma 
Psiquiátrica Brasileira, que deslocam o foco do cuidado da tutela para a autonomia, 
da institucionalização para o território e da contenção para a produção de vida 
(Amarante, 2007; Brasil, 1988).
Nesse sentido, o cuidado em situações de crise deve ser orientado pelo 
reconhecimento da pessoa em sofrimento como sujeito ativo, portador de direitos 
e de saberes sobre sua própria experiência. Isso implica recusar práticas que 
reduzam o sujeito à sua crise ou ao seu diagnóstico, bem como estratégias que 
operem pela via da coerção, do isolamento ou da desresponsabilização institucional. 
Ao contrário, trata-se de construir intervenções que garantam escuta qualificada, 
acolhimento, vínculo e corresponsabilização, articulando diferentes pontos da 
Raps e outros setores das políticas públicas.
É nesse contexto que retomamos a ideia anteriormente apresentada, de 
que a interseccionalidade se apresenta não apenas como ferramenta analítica, 
mas como princípio ético-político orientador do cuidado. O conceito, formulado 
por Kimberlé Crenshaw, refere-se à compreensão de que diferentes sistemas de 
opressão (como racismo, sexismo, classismo e outras formas de desigualdade) 
não atuam de maneira isolada, mas se articulam, produzindo experiências 
específicas e não redutíveis à soma de suas partes (Crenshaw, 2002). Assim, 
a interseccionalidade permite compreender que o sofrimento psíquico não se 
distribui de forma homogênea, mas é produzido e vivido de maneira diferenciada 
conforme a posição social dos sujeitos.
Essa perspectiva implica reconhecer que o sofrimento não pode ser apreendido 
de maneira abstrata ou universal, como se todos os sujeitos experimentassem a 
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
49
crise a partir das mesmas condições. Ao contrário, a interseccionalidade evidencia 
que os processos de adoecimento e de sofrimento psíquico estão profundamente 
enraizados em trajetórias marcadas por desigualdades estruturais, violências 
históricas e formas diferenciadas de acesso a direitos, ou de negação destes (Lima; 
Navasconi, 2022). Nesse sentido, não se trata apenas de identificar marcadores 
sociais, mas de compreender como eles se entrecruzam na produção concreta 
da vida e, consequentemente, da crise.
No campo da saúde mental, essa perspectiva possibilita problematizar 
práticas historicamente marcadas pela universalização abstrata, que desconsidera 
as especificidades dos sujeitos e dos territórios. Como apontam estudos recentes, a 
ausência de uma leitura interseccional pode resultar na reprodução de desigualdades 
no acesso ao cuidado, na qualidade das intervenções e nos desfechos clínicos 
(Passos; Campos, 2025). 
Por exemplo, pessoas negras, mulheres, populações em situação de rua, 
pessoas LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneras/travestis, queer, 
intersexo, assexuais e outras), povos indígenas, pessoas migrantes e refugiadas, bem 
como pessoas com deficiência, constituem grupos historicamente atravessados 
por múltiplas formas de exclusão e violência, que incidem diretamente sobre suas 
condições de vida e saúde mental. Esses sujeitos frequentemente enfrentam maiores 
barreiras de acesso aos serviços, seja por obstáculos territoriais, institucionais, 
linguísticos ou culturais, seja por práticas discriminatórias que atravessam o próprio 
campo da saúde.
No caso das pessoas negras, é fundamental reconhecer que o racismo 
estrutura de maneira profunda as experiências de sofrimento, incidindo tanto nas 
condições materiais de vida quanto nos processos de subjetivação. A exposição 
contínua a violências – sejam elas institucionais, simbólicas ou cotidianas –, a 
negação de direitos, a desigualdade no acesso a bens e serviços e a produção 
histórica de não pertencimento constituem elementos centrais na compreensão da 
saúde mental dessa população (Navasconi, 2019). Além disso, o racismo também se 
manifesta no interior dos próprios serviços de saúde, seja por meio da invisibilização 
do sofrimento racial, da naturalização de determinadas violências ou da adoção 
de práticas que desconsideram as especificidades dessas experiências (Mendes, 
2017). Nesse sentido, a ausência de uma abordagem interseccional pode levar à 
patologização de respostas que são, muitas vezes, produzidas por contextos de 
opressão, deslocando o problema da estrutura social para o indivíduo.
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
50
No caso dos povos indígenas, por exemplo, a desconsideração de seus modos 
próprios de viver, cuidar e significar o sofrimento pode resultar em intervenções 
inadequadas, que desrespeitam saberes tradicionais e produzem novas formas de 
violência. De maneira semelhante, pessoas migrantes e refugiadas podem vivenciar 
processos intensos de ruptura de vínculos, deslocamento territorial e insegurança 
social, ao mesmo tempo em que enfrentam barreiras de acesso aos serviços de 
saúde, muitas vezes agravadas por questões documentais e linguísticas. Já as 
pessoas com deficiência, historicamente marcadas por processos de exclusão e 
capacitismo, podem ter suas demandas reduzidas a diagnósticos ou limitações, 
invisibilizando dimensões subjetivas e sociais de seu sofrimento.
Essas experiências evidenciam que o sofrimento psíquico não pode ser 
compreendido de forma dissociada das condições sociais e das relações de poder 
que atravessam os sujeitos. Ao contrário, ele se constitui na intersecção entre 
diferentes marcadores sociais, produzindo formas específicas de vulnerabilidade, 
mas também de resistência. Nesse sentido, a ausência de uma abordagem 
interseccionalnão apenas limita a compreensão do fenômeno, mas contribui para 
a reprodução de práticas excludentes, que reforçam desigualdades já existentes.
Dessa forma, incorporar a interseccionalidade no cuidado em saúde mental 
implica reconhecer que não há um sujeito universal da clínica, mas sujeitos 
situados, atravessados por histórias, territórios e relações de poder. Isso exige que 
o cuidado seja, ao mesmo tempo, singularizado e contextualizado. Singularizado, 
na medida em que considera a história, os desejos, os vínculos e os sentidos 
atribuídos pelo próprio sujeito à sua experiência de sofrimento. Contextualizado, 
porque reconhece que essa experiência não se dá no vazio, mas em condições 
concretas de vida, marcadas por desigualdades estruturais. No contexto brasileiro, 
essa articulação ganha ainda mais relevância. Trata-se de um país marcado por 
profundas desigualdades sociais e raciais, em que o acesso a direitos é alcançado 
de maneira desigual. Assim, pensar o cuidado em saúde mental exige considerar 
não apenas quem é o sujeito, mas em que condições esse sujeito vive, quais 
violências atravessam sua trajetória e quais redes de apoio estão disponíveis em 
seu território. 
Nesse sentido, produzir cuidado interseccionalmente implica uma série de 
deslocamentos na prática profissional. Em primeiro lugar, exige ampliar a escuta, 
reconhecendo que a crise não é apenas um evento clínico, mas uma expressão 
de múltiplos atravessamentos. Isso significa perguntar não apenas sobre sintomas, 
mas sobre condições de vida, relações familiares, experiências de violência, 
racismo, discriminação e exclusão.
Em segundo lugar, implica trabalhar de forma articulada com o território, 
reconhecendo que o cuidado não se esgota no serviço de saúde. A construção de 
estratégias de cuidado deve envolver a articulação com outros equipamentos e 
políticas públicas, como assistência social, educação, habitação e trabalho, bem 
como com redes comunitárias e coletivas.
Em terceiro lugar, requer a problematização das próprias práticas institucionais. 
Isso inclui refletir sobre como o racismo, o sexismo e outras formas de opressão 
podem estar presentes nas instituições de saúde, influenciando decisões clínicas, 
encaminhamentos e formas de abordagem. Assim, o cuidado interseccional 
também é um exercício de crítica institucional e de transformação das práticas.
Por fim, produzir cuidado interseccionalmente implica afirmar o compromisso 
com a equidade e com a justiça social. Isso significa reconhecer que tratar igualmente 
sujeitos desiguais pode aprofundar desigualdades, sendo necessário construir 
respostas diferenciadas, que considerem as especificidades e necessidades de 
cada grupo.
Assim, ao articular determinações sociais da saúde, interseccionalidade e 
cuidado em crise, reafirma-se que o desafio da saúde mental no SUS não 
se restringe à ampliação de serviços, mas envolve a construção de práticas 
comprometidas com a vida, com os direitos e com a dignidade dos sujeitos. 
Trata-se de produzir um cuidado que não apenas responda à crise, mas que 
contribua para a transformação das condições que a produzem.
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
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mas sobre condições de vida, relações familiares, experiências de violência, 
racismo, discriminação e exclusão.
Em segundo lugar, implica trabalhar de forma articulada com o território, 
reconhecendo que o cuidado não se esgota no serviço de saúde. A construção de 
estratégias de cuidado deve envolver a articulação com outros equipamentos e 
políticas públicas, como assistência social, educação, habitação e trabalho, bem 
como com redes comunitárias e coletivas.
Em terceiro lugar, requer a problematização das próprias práticas institucionais. 
Isso inclui refletir sobre como o racismo, o sexismo e outras formas de opressão 
podem estar presentes nas instituições de saúde, influenciando decisões clínicas, 
encaminhamentos e formas de abordagem. Assim, o cuidado interseccional 
também é um exercício de crítica institucional e de transformação das práticas.
Por fim, produzir cuidado interseccionalmente implica afirmar o compromisso 
com a equidade e com a justiça social. Isso significa reconhecer que tratar igualmente 
sujeitos desiguais pode aprofundar desigualdades, sendo necessário construir 
respostas diferenciadas, que considerem as especificidades e necessidades de 
cada grupo.
Assim, ao articular determinações sociais da saúde, interseccionalidade e 
cuidado em crise, reafirma-se que o desafio da saúde mental no SUS não 
se restringe à ampliação de serviços, mas envolve a construção de práticas 
comprometidas com a vida, com os direitos e com a dignidade dos sujeitos. 
Trata-se de produzir um cuidado que não apenas responda à crise, mas que 
contribua para a transformação das condições que a produzem.
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4 FUNCIONAMENTO EM REDE NO ACOLHIMENTO DA CRISE
O cuidado em saúde mental no SUS é orientado por princípios de territorialidade, 
integralidade, assim como por corresponsabilidade e cuidado compartilhado, que 
se materializam no PTS e no funcionamento articulado entre os diferentes pontos 
da Raps. O cuidado em rede pressupõe circulação do usuário entre os serviços, 
continuidade terapêutica e comunicação permanente entre equipes, evitando 
rupturas e favorecendo o acompanhamento ampliado da vida cotidiana.
Os pontos de atenção da Raps são estratégicos para identificação precoce 
da intensificação do sofrimento, acolhimento e manejo apropriado das situações de 
crise, garantindo suporte ao usuário e à sua rede social e prevenindo internações 
desnecessárias. Por seu caráter territorial e comunitário, esses pontos permitem uma 
abordagem longitudinal e próxima da realidade de vida das pessoas, minimizando 
o circuito de reinternações.
O acolhimento em situações de crise deve ocorrer em qualquer ponto 
dessa rede, desde a APS, porta de entrada preferencial do SUS, até os serviços 
especializados da Raps, como os Caps. Quando necessário, como em caso de risco 
de vida, complicações clínicas e/ou outras especificidades do caso, a retaguarda 
dos componentes da atenção hospitalar e da urgência e emergência deve ser 
acionada para o manejo adequado, garantindo o cuidado até que seja possível o 
retorno do usuário à APS e/ou ao Caps.
A presença de pessoas em sofrimento psíquico intenso nos serviços da 
Raps é esperada. O manejo adequado dessas situações requer preparo técnico 
especializado, sensibilidade ética e integração efetiva entre os diferentes pontos 
da Raps, assim como outras redes da saúde e redes intersetoriais. A qualificação 
insuficiente dos profissionais, a falta de fluxos pactuados ou a desintegração das 
equipes podem resultar em condutas inadequadas, violação de direitos, excesso de 
medicalização e internações desnecessárias e recorrentes. Por isso, a construção 
e a implementação de fluxos regionais de cuidado são fundamentais.
Fortalecer o cuidado em rede significa apoiar e qualificar os serviços de 
saúde, promover abordagens humanizadas e tecnicamente fundamentadas, e 
alinhar as práticas às diretrizes da Política de Saúde Mental. Esses elementos 
permitem consolidar fluxos estruturados e articulações intersetoriais capazes de 
garantir acolhimento adequado, segurança e continuidade do cuidado às pessoas 
em situação de crise. 
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
54
A seguir, serão apresentados os componentes da Raps e o papel específico 
de cada serviço no manejo da crise.
4.1 Componentes da Raps 
A Raps é composta por um conjunto de pontos de atenção articulados 
territorialmente, que devem funcionar em rede para garantir identificação precoce 
da intensificação do sofrimento, acolhimento qualificado e manejo adequado das 
situações de crise. Seus componentes formais, conforme Portaria n.º 3.088/2011 e 
Anexo IX da Portaria de Consolidação n.º 3/2017, estão descritos no quadro a seguir.
Quadro4 – Resumo dos componentes da Raps por eixo de atenção
Eixo de atenção Descrição
Serviços/
dispositivos
Atenção Básica
Porta de entrada preferencial 
do SUS, com papel central na 
detecção precoce do sofrimento 
psíquico, no acolhimento inicial e 
no acompanhamento longitudinal 
dos usuários.
Unidade Básica de 
Saúde, Unidade 
Básica de Saúde 
Fluvial, Unidade 
Móvel Consultório 
na Rua, Unidade 
Odontológica 
Móvel, Academia 
da Saúde, 
Consultório na 
Rua, Centros 
de Convivência.
Atenção Psicossocial
Coordenadora do cuidado, 
responsável pelos casos graves 
(incluindo pessoas em crise), pelo 
acolhimento contínuo (24 horas nos 
Caps III e AD III), pela elaboração 
do PTS e pela articulação com os 
demais pontos da rede.
• Caps I e Caps II. 
• Caps AD. 
• Caps IJ. 
• Caps III, Caps AD III 
e Caps IJ III.
Continua
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
55
Atenção às Urgências 
e Emergências
Responsável pelo atendimento 
imediato às situações de crise 
em saúde mental, garantindo 
estabilização inicial e articulação 
com a Raps.
• Unidade 
de Pronto 
Atendimento 
(UPA) 24 horas. 
• Samu 24 horas. 
• Sala 
de estabilização.
Atenção Hospitalar
Atua como retaguarda para 
situações de crise com risco de 
vida, complicações clínicas ou 
necessidade de estabilização com 
suporte hospitalar.
• Leitos de Saúde 
Mental em 
Hospital Geral 
(LSMHG). 
• Serviço Hospitalar 
de Referência.
Atenção Residencial 
em Caráter Transitório 
(Unidade de 
Acolhimento – UA)
Oferece cuidados contínuos de 
saúde, com funcionamento 24 
horas, em ambiente residencial, 
para pessoas com necessidades 
decorrentes do uso de crack, álcool 
e outras drogas, de ambos os 
sexos, que apresentem acentuada 
vulnerabilidade social e/ou familiar 
e demandem acompanhamento 
terapêutico e protetivo de 
caráter transitório.
• UA Adulto 
• UA Infantojuvenil
Estratégias de 
Reabilitação 
Psicossocial
Iniciativas de trabalho, renda, 
cultura e inclusão social que 
fortalecem a autonomia e os 
vínculos comunitários e reduzem 
vulnerabilidades sociais.
• Cooperativas 
sociais 
• Empreendimentos 
solidários
• Iniciativas de 
trabalho e renda
Continuação
Continua
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
56
Estratégias de 
desinstitucionalização
Os Serv iços Res idencia is 
Terapêuticos (SRT) caracterizam-se 
como moradias inseridas na 
comunidade destinadas a pessoas 
com transtorno mental, egressas 
de hospitais psiquiátricos e/ou 
hospitais de custódia.
O Programa de Volta para Casa 
(PVC) é um auxílio-reabilitação 
psicossocial para assistência, 
acompanhamento e integração 
social, fora de unidade hospitalar, 
de pacientes acometidos de 
transtornos mentais por longo 
tempo internados em hospitais ou 
unidades psiquiátricas.
• SRT 
• PVC
Fonte: elaboração própria.
Papel dos componentes da Raps no acolhimento e no manejo às situações 
de crise em saúde mental
Abordaremos a seguir os pontos de atenção dos componentes responsáveis 
pelo cuidado clínico à pessoa em situação de crise, considerando seu mandato 
de assistência, embora outros pontos da Raps (Centro de Convivência, UA, SRT, 
geração de renda) também lidem e acolham pessoas em situações de crise. 
Faz-se necessário o vínculo entre esses equipamentos e os serviços de 
referência em saúde mental, com construção compartilhada do PTS conforme as 
singularidades do usuário. Também importa que os profissionais dos pontos de 
atenção dialoguem, no sentido de reconhecerem potencialidades no manejo da 
crise em diferentes pontos (em um Ceco, por exemplo, quando possível), assim 
como reconheçam a necessidade de acionamento de atendimentos compartilhados, 
ou de composições de cuidado a serem criadas.
Conclusão
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
57
4.1.1 Componentes da Atenção Primária à Saúde
A APS é a porta de entrada preferencial do SUS e desempenha papel essencial 
na identificação precoce de sofrimento psíquico, na prevenção de crises e no 
acompanhamento longitudinal após a intensificação do sofrimento 
Muitas vezes, a intensificação do sofrimento psíquico aparece inicialmente 
no território, durante atendimentos na unidade de saúde, visitas domiciliares, ações 
comunitárias ou outros contatos cotidianos realizados pelas equipes. 
Por sua presença contínua nos territórios e pela proximidade com usuários, 
famílias e comunidades, diferentes profissionais e equipes da APS podem contribuir 
para a identificação precoce de situações de sofrimento psíquico, agravamento 
clínico, risco e ruptura de vínculos. Isso inclui equipes de Saúde da Família (eSF), 
equipes de Atenção Primária (eAP), equipes de Saúde Bucal (eSB), equipes 
multiprofissionais (eMulti) e Consultório na Rua (eCR), quando existentes.
No contexto das situações de crise, cabe à APS acolher a pessoa e sua 
rede de apoio, ofertar escuta qualificada, identificar sinais de gravidade e construir 
estratégias iniciais de cuidado e proteção, considerando a realidade do território 
e os recursos disponíveis na rede local. Também é importante que as equipes 
reconheçam situações que demandem suporte intensivo ou acompanhamento 
especializado, realizando articulação oportuna com Caps, serviços de urgência e 
emergência e atenção hospitalar, quando necessário. 
As equipes da APS também têm papel importante na continuidade do cuidado 
após a crise, contribuindo para o fortalecimento de vínculos, o acompanhamento 
no território, a prevenção de novas situações de agravamento e a redução da 
descontinuidade do cuidado. 
Destacam-se como ações da APS no cuidado às situações de crise em 
saúde mental: 
• acolhimento e escuta qualificada; 
• identificação de sinais de agravamento e situações de risco; 
• articulação com Caps e outros serviços da rede; 
• acompanhamento compartilhado e continuidade do cuidado; 
• ações no território e visitas domiciliares, quando pertinentes; 
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
58
• fortalecimento de vínculos familiares, comunitários e intersetoriais; 
• construção e acompanhamento do PTS; 
• apoio à prevenção de novas crises e à redução da descontinuidade do cuidado. 
A atuação da APS deve ocorrer de forma articulada com os demais pontos da 
Raps, respeitando as atribuições de cada serviço e reconhecendo que o cuidado 
às situações de crise em saúde mental exige respostas compartilhadas, contínuas 
e territorialmente organizadas.
eMulti
As eMulti são equipes que devem atuar a partir do apoio e da atenção de 
forma compartilhada com as eSF, realizando o cuidado de pessoas com sofrimentos 
mentais prevalentes e de gravidade moderada, tais como transtornos de ansiedade, 
transtornos do humor e sofrimento relacionados ao uso de álcool e outras drogas 
e a jogos e apostas. O cuidado deve ser realizado por equipe multiprofissional, 
podendo ser composta por médico-psiquiatra, psicólogo, assistente social, terapeuta 
ocupacional, fonoaudiólogo e demais profissionais de saúde, conforme a organização 
do serviço e as necessidades dos usuários.
A organização da atenção deve prever a oferta de atendimentos individuais e 
coletivos, de forma articulada com a eSF e os demais pontos da RAS, explicitando 
as especificidades e complementaridades das práticas desenvolvidas em relação 
a outros serviços de saúde mental.
Deve-se assegurar a manutenção do vínculo do usuário com a equipe 
de origem da APS, garantindo a corresponsabilização pelo cuidado. As ações 
assistenciais devem estar orientadas à qualificação diagnóstica, à definição e ao 
acompanhamento do PTS, bem como à condução do acompanhamento, em 
diálogo com a Raps.
As eSF e as eMulti, por acompanhar os usuários de forma próxima e contínua, 
pode identificar situações de intensificação do sofrimento precocemente e propor 
estratégias de cuidado nas situações de crise mais condizentes com a necessidade 
eas singularidades da pessoa. Entre as ações possíveis, estão o aumento de 
frequência dos atendimentos, a discussão de caso em apoio matricial, o atendimento 
conjunto com serviços especializados ou intersetoriais, entre outras.
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
59
Consultório na Rua
As equipes do Consultório na Rua (eCR) (Portaria n.º 2.436, de 21 de setembro 
de 2017) devem desenvolver suas ações a partir de um processo de trabalho de 
caráter itinerante, garantindo o cuidado in loco, fundamentado em uma abordagem 
ampliada das necessidades de saúde e das demandas sociais da população em 
situação de rua. Esse cuidado deve ser construído de forma integrada e compartilhada 
com as UBS do território, e em articulação com toda a RAS e as redes intersetoriais.
A estratégia do Consultório na Rua tem como objetivo levar assistência 
integral à saúde para população em situação de rua, além de ampliar o acesso aos 
serviços de saúde, ofertando atenção integral, oportuna e contínua a um grupo 
populacional marcado pela invisibilidade e vulnerabilidade social e por vínculos 
familiares fragilizados ou rompidos. 
Nos contextos de acolhimento à crise em saúde mental, a eCR tem importante 
papel na identificação, no acolhimento e na construção de respostas adequadas à 
experiência de intensificação do sofrimento. As eCR mantêm estreita proximidade 
com o contexto de vida das pessoas em situação de rua e, frequentemente, 
já dispõem de vínculos previamente estabelecidos. Essa relação favorece a 
aproximação, bem como a construção e a sustentação dos PTS com os outros 
pontos de atenção da rede. 
A estratégia de redução de danos deve orientar de forma transversal as 
ações desenvolvidas pelas equipes, constituindo-se como princípio organizador 
do cuidado. 
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
60
4.1.2 Componentes da atenção psicossocial especializada
Centro de Atenção Psicossocial (Caps I, II, III, Álcool e outras Drogas, Infantojuvenil)
“ A outra coisa é que a gente, em momentos de crise, quer ser atendida e 
acolhida e cuidada pelos profissionais que cuidam de mim [...] então daí eles 
mandam a gente pro hospital geral... eu não vou, eu acho que tem que ter um 
jeito de que nós que estamos referenciados no Caps, em momento de crise, 
antes da crise e pós-crise, a gente seja acompanhada pelos profissionais com 
quem a gente tem vínculo, né? Acho um absurdo isso da gente ser mandada, 
justamente na crise, para um lugar onde a gente não conhece ninguém.
Usuário participante do Vozes da Crise
Os Caps são serviços estratégicos para o cuidado às situações de crise, 
sendo responsáveis pela articulação do cuidado da pessoa em intensificação do 
sofrimento na Raps. São serviços de base territorial, porta aberta, multiprofissionais, 
comunitários e com a possibilidade de promover o cuidado intensivo em liberdade.
Como dispositivos que também atendem às situações de crise, necessitam 
ter uma organização do trabalho que privilegie o acolhimento imediato a esse 
momento, por meio de escuta qualificada e de avaliação clínica ampliada e cuidadosa 
da modalidade de cuidado mais ajustada para o momento. 
As situações de crise são acompanhadas por equipe multiprofissional, com 
ofertas diversificadas de cuidado diurnas e nas modalidades Caps III e AD III, que 
contam com funcionamento contínuo 24 horas. Possuem capacidade de manejar 
diferentes situações, incluindo agitação, intervenções intensivas no território e suporte 
à família, acionando a retaguarda da atenção hospitalar, urgência e emergência 
(Samu, UPA ou LSMHG), quando há risco iminente ou necessidade clínica específica.
Nos territórios onde existem Caps de base regional (conhecidos como Caps 
regional), estes assumem função ampliada de referência intermunicipal, recebendo 
encaminhamentos de municípios vizinhos, apoiando tecnicamente as equipes 
locais e articulando fluxos de acesso à crise por meio de pactuações regionais. 
Já nas localidades que não dispõem de Caps, a APS e os serviços de urgência 
devem acolher e avaliar o usuário, acionar imediatamente o Caps regional, ou 
o mais próximo, e organizar, com apoio matricial, a continuidade do cuidado no 
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
61
território, garantindo que nenhuma pessoa em sofrimento psíquico agudo fique 
sem referência psicossocial. 
O cuidado no Caps passa pela construção do Projeto Terapêutico Singular3, 
que é (re)modelado, sempre que necessário, com o usuário e sua família/rede, de 
acordo com o momento do sofrimento, os acontecimentos da vida e as necessidades 
identificadas pelos atores envolvidos. 
No processo de acolhimento à crise, o Caps reorganiza com o usuário o 
PTS, reavaliando medicações, quando necessário, ajustando a frequência de 
acompanhamento, os recursos territoriais e as metas terapêuticas, além de apoiar 
o retorno seguro à APS e aos dispositivos comunitários. Também desenvolve 
estratégias para reduzir a recorrência da crise, como planos antecipados de cuidado. 
Por ser de base comunitária, permite a elaboração de práticas de cuidado 
que incluam as diferentes dimensões da vida: trabalho, lazer, convivência familiar 
e comunitária e direitos civis. Neste sentido, acolher a crise no Caps também é 
estar atento a essas questões. É imperativo que o Caps sustente plasticidade para 
considerar as necessidades da pessoa em crise, desenvolva novas formas na 
organização institucional e na clínica do cuidado. 
Entre os arranjos organizacionais, destaca-se a importância da constituição de 
uma equipe/profissional de referência (Campos; Domitti, 2007), que se alicerça no 
vínculo entre esta e o usuário e na interdisciplinaridade para um cuidado singular e 
integral. A equipe/profissional de referência (Brasil, 2004) tem como responsabilidade 
acompanhar, de maneira próxima e constante, seu percurso de cuidado na rede, 
ofertar suporte contínuo, coconstruir o PTS e reavaliá-lo com o usuário e sua 
rede, articular a rede de cuidado e garantir continuidade, inclusive durante e após 
a crise. Esse vínculo fortalece o cuidado em liberdade, contribui também para a 
sustentação do cuidado à crise e evita fragmentações desse cuidado. 
O vínculo com o serviço e com a equipe promove aproximação da equipe 
com as pessoas em sofrimento psíquico, sua família/rede, sua história de 
vida e adoecimento, e permite muitas vezes a identificação precoce de uma 
intensificação do sofrimento. 
3 Para saber mais sobre o PTS, consulte o documento Vista do Projeto Terapêutico Singular: uma visão panorâmica de 
sua expressão na produção científica brasileira, disponível em https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/
view/73119/48704.
https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/73119/48704.
https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/73119/48704.
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
62
Figura 4 – Fluxograma de acolhimento à crise no Caps
SITUAÇÃO DE CRISE 
Acolhimento em Caps
Demanda de intensificação 
do sofrimento
Acolhimento
Identificação da situação de criseNÃO
NÃO
SIM
SIM
NÃO SIM
• Escuta.
• Esclarecimentos e orientações.
• Capacidade resolutiva.
• Construção compartilhada.
Discutir motivo do 
acolhimento em 
passagem de plantão 
e/ou equipe de 
referência.
• Comunicar equipe de 
acolhimento/plantão.
• Comunicar profissional(ais) 
de referência.
Discussão de caso e 
intensificação do 
cuidado.
PTS de crise.
Cuidado no 
território/Caps
Cuidado compartilhado 
com atenção hospitalar, 
urgência e emergência 
(LSMHG, UPA, PA).
Encaminhamento 
qualificado.
Manutenção da comunicação: 
contato diário e passagem das 
informações na passagem de 
plantão do Caps.
Manutenção de atendimento 
presencial ou teleatendimento.
Discussão de caso e 
pactuações de 
transição do cuidado com 
equipes,
usuário e rede.
Diurno ou integral.
Pactuação de 
permanência.
Ofertasterapêuticas 
(atendimentos, grupos, 
oficinas).
Avaliação enfermagem 
e SAE.
Avaliação médica e 
prescrição 
(caso necessário).
Avaliação da equipe 
de acolhimento/plantão.
Comunicação/articulação 
qualificada entre plantões.
Avaliação da equipe de 
acolhimento/plantão e/ou 
referência.
Mantém avaliação de crise
Diminuição da 
intensificação do cuidado 
e pactuações da 
continuidade do cuidado.
Revisão do PTS de crise, 
continuidade 
na intensificação do cuidado.
Estratégias de cuidado 
diversificadas 
(visita domiciliar, 
acompanhamento 
terapêutico, busca ativa,
teleatendimento, entre 
outros).
Comunicação do
acompanhamento do
caso entre equipe e 
atores envolvidos.
Ativar serviços e rede
de suporte.
Fonte: elaboração própria, adaptado de Abbud et al., [2025]. 
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
63
Situações de maior sofrimento psíquico demandam, frequentemente, 
respostas de cuidado mais intensivas e proporcionais à sua complexidade.
A seguir, estão algumas possibilidades de cuidados intensivos e hospitalidade 
integral/acolhimento noturno.
Ações cotidianas no cuidado à crise:
• Acompanhamento intensivo em hospitalidade-dia, com organização das 
ofertas avaliadas individualmente.
• Acolhimento em espaço protegido, priorizando profissionais com mais vínculo 
e proximidade com o usuário.
• Manejo individualizado, com escuta e acompanhamento corpo a corpo.
• Uso de atividades expressivas e artísticas, como forma de sustentação e 
expressão não verbal.
• Cuidado corporal, com ofertas para cuidados básicos como higiene, 
alimentação, hidratação e repouso.
• Uso de medicações, quando avaliado o critério.
Ações extramuros:
• Acompanhamento terapêutico no território, com a presença de profissional 
nos territórios existenciais e espaços cotidianos do usuário.
• Visitas domiciliares com equipes de referência e vínculo que compõem a 
rede assistencial do usuário.
• Articulação com a rede de apoio territorial, a fim de ampliar a corresponsabilização 
pelo cuidado.
• Articulação intersetorial, com equipamentos que abrangem desde a APS 
até a assistência social, além dos centros comunitários e Ceco.
• Apoio matricial.
Ações no acolhimento noturno:
• Acolhimento em leito de hospitalidade noturna, quando há critério de 
acompanhamento 24 horas para manejo da crise.
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
64
• Ambiência protegida e com poucos estímulos, favorecendo espaço acolhedor 
e seguro.
• Acolhimento e escuta qualificada.
• Acompanhamento clínico e psicossocial contínuo, com avaliação das 
necessidades ao longo do período.
• Articulação com a equipe de referência do cuidado diurno, para continuidade 
e integração do cuidado.
• Articulação com a rede de apoio, envolvendo a presença de familiares ou 
vínculos importantes.
• Uso de medicações, quando avaliado o critério, com a construção de discussão 
ou protocolos entre profissionais que atuam durante o período diurno e o 
período noturno.
• Reforça-se a importância do investimento por parte da equipe, e a 
responsabilidade por parte do gestor da unidade, na sustentação dos espaços 
de passagem de plantão (ou de discussão dos casos e do processo de 
trabalho diário, a depender de como se organiza a unidade), de modo a evitar 
fragmentação do cuidado entre as ofertas pelos profissionais nos turnos do 
serviço 24 horas.
O acolhimento em leito de hospitalidade diurna e/ou noturna é prioritário 
para o cuidado em situações de crise, por ser o espaço onde o usuário tem vínculo 
estabelecido pelo cuidado longitudinal, a organização de seu PTS e a familiaridade 
com o espaço físico/ambiência. Ao priorizar o cuidado à crise no Caps, além disso, 
evitam-se ruptura de cuidado e internações desnecessárias, além de promover a 
permanência do usuário próximo à sua rede de relações e imprimir transformações 
culturais e simbólicas no território. 
4.1.3 Componentes da atenção hospitalar
Leitos de Saúde Mental em Hospital Geral
Os LSMHG integram o componente hospitalar da Raps e destinam-se ao 
atendimento qualificado de pessoas em sofrimento ou com transtornos mentais, 
ou com problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas. Conforme a 
Portaria n.º 148, de 31 de janeiro de 2012, esses leitos podem estar organizados em 
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
65
enfermarias específicas de saúde mental, dentro do hospital geral, ou distribuídos 
como leitos qualificados em enfermarias de clínica médica e de pediatria, a depender 
da quantidade instalada.
O cuidado hospitalar deve ser acionado quando a tecnologia de cuidado do 
Caps não for suficiente, especialmente nas situações de urgência e emergência 
decorrentes do consumo ou da abstinência de álcool e outras drogas, ou de 
agravamento do sofrimento psíquico, com ou sem comorbidades clínicas. O acesso 
ocorre por encaminhamento qualificado, com internações breves (pelo menor tempo 
possível), regulação em rede, e contemplando o atendimento a todas as faixas 
etárias, observando as disposições do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A atenção hospitalar é retaguarda clínica temporária, acionada quando há:
• risco iminente de morte;
• necessidade de suporte médico e monitoramento clínico contínuo; intoxicações 
graves, delirium, complicações clínicas;
• impossibilidade absoluta de manejo territorial.
Princípios como humanização, ética, flexibilidade, proximidade com o território 
e construção do PTS, em articulação com a rede, orientam o funcionamento 
desses leitos. Assim, a equipe da enfermaria deve acolher o usuário na chegada, 
identificar o histórico de acompanhamento em saúde mental e o serviço territorial de 
referência, e realizar a avaliação clínica e psicossocial por equipe multiprofissional, 
em perspectiva interdisciplinar. Após a avaliação inicial, preferencialmente 
multiprofissional, é fundamental contatar, ainda no início da internação, o ponto 
da Raps mais adequado ao caso, para qualificar o PTS, pactuar a transição do 
cuidado, definir responsabilidades e reduzir fragmentação e reinternações. Quando 
o usuário já está em seguimento em saúde mental, o serviço de referência deve ser 
comunicado para compartilhar o cuidado e manter o vínculo por visitas, telessaúde, 
discussões de caso e/ou apoio matricial.
No cuidado à crise, a atenção hospitalar deve concentrar-se na estabilização 
clínica do usuário, realizando intervenções medicamentosas, exames e suporte 
médico sempre que necessário, garantindo segurança e manejo adequado de 
condições que ultrapassam a capacidade dos serviços territoriais. Deve ser pelo 
tempo mínimo indispensável e sempre em consonância com princípios éticos e 
de proteção de direitos. Importante destacar que o hospital não substitui o cuidado 
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
66
psicossocial: sua função é de retaguarda clínica, devendo assegurar continuidade 
em rede e evitar internações prolongadas ou desvinculadas da Raps.
A presença da equipe multiprofissional de maneira longitudinal, em todos 
os momentos do período de internação (admissão, permanência e processo de 
transição do cuidado), é imprescindível para que o cuidado integral e qualificado 
supere a lógica da centralidade do cuidado médico como historicamente construído. 
É importante que a equipe multidisciplinar componha as tomadas de decisão 
relacionadas ao processo de cuidado.
4.1.4 Componentes da atenção às urgências e emergências
Samu 192, UPA 24h, sala de estabilização, portas hospitalares
A pactuação de fluxos entre os diferentes componentes da Raps é importante 
para o cuidado do usuário em rede, sendo os componentes da atenção às urgências 
e emergências retaguardas fundamentais para o manejo da situação de crise quando 
existe risco de morte, complicações clínicas ou necessidade de estabilização rápida.
O Samu 192, a UPA 24h, a sala de estabilização e as portas hospitalaresatuam 
nas situações de crise quando há risco auto ou heteroagressivo grave, tentativa de 
suicídio ou ameaça iminente à vida, bem como nos quadros de intoxicação severa, 
delirium ou desorganização extrema que ultrapassam a capacidade de manejo 
dos serviços territoriais. 
O Samu 192, integrante da RUE, é responsável por oferecer resposta rápida 
às demandas clínicas, cirúrgicas, traumáticas, obstétricas, pediátricas, psiquiátricas, 
entre outras, que possam gerar sofrimento, sequelas ou risco de óbito. Atua como 
serviço pré-hospitalar, cujo propósito é intervir nos agravos agudos e, quando 
indicado, realizar o transporte seguro para a unidade de saúde mais adequada.
No que se refere à Raps, o Samu 192 deve apoiar o manejo das urgências e 
emergências em saúde mental, assegurando acesso, acolhimento e assistência 
nos episódios agudos que envolvem sofrimento psíquico e o uso de álcool e outras 
drogas, especialmente quando houver risco para a própria pessoa, familiares 
ou terceiros.
Por ser um componente assistencial móvel, o Samu 192 deve reconhecer sinais 
de gravidade psiquiátrica/sofrimento psíquico intenso no local, aciona e informa o(a) 
médico(a) regulador(a) sobre o quadro observado e articula o encaminhamento com 
os demais pontos da rede, visando ao melhor manejo clínico, de forma oportuna, 
ágil e segura. 
É importante que os pontos de atenção às urgências e emergências 
possam estabelecer parceria de trabalho com os Caps, em especial para 
atendimento de usuários com acompanhamento prévio neles. É possível, por 
exemplo, que a equipe do Caps acompanhe o manejo dos usuários de sua 
referência pelo Samu, em uma situação de crise. O vínculo e o conhecimento 
prévio do usuário e de seu processo de sofrimento podem contribuir para 
qualificação do manejo e evitar procedimentos desnecessários, aumentando 
a resolutividade.
UPA 
As UPAs 24h constituem pontos estratégicos para o acolhimento e o manejo 
inicial das situações de urgência em saúde mental, integrando tanto a Raps quanto 
a RUE. Esses serviços são responsáveis por ofertar atendimento imediato a pessoas 
em situação de crise, incluindo, entre outras, situações de agravamento do sofrimento 
psíquico com risco de auto ou heteroagressão, quadros depressivos intensificados, 
ideação suicida, agitação psicomotora e intoxicação por álcool e outras drogas.
No âmbito de suas atribuições, cabe à UPA realizar o acolhimento qualificado, 
proceder à avaliação da gravidade do quadro, promover a estabilização clínica, 
quando necessária, e assegurar o encaminhamento responsável e adequado aos 
demais pontos da rede de atenção, tais como os Caps, os serviços especializados de 
urgência e os hospitais gerais com leitos de saúde mental. A articulação com esses 
serviços é fundamental para o acesso a informações relevantes sobre a trajetória 
de cuidado do usuário, subsidiando a condução clínica durante a permanência 
na UPA e garantindo a continuidade do cuidado no processo de transferências. 
A alta não articulada com os serviços de base territorial de referência fragmenta 
a continuidade do cuidado do usuário, que, por vezes, não retorna ao serviço de 
referência. Além disso, o próprio serviço pode não ser informado de que o usuário 
recebeu atendimento na urgência. Considerando a singularidade e a complexidade 
da crise em saúde mental, é fundamental a articulação ou o contato direto entre 
os serviços, para além da referência e da contrarreferência.
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
67
os demais pontos da rede, visando ao melhor manejo clínico, de forma oportuna, 
ágil e segura. 
É importante que os pontos de atenção às urgências e emergências 
possam estabelecer parceria de trabalho com os Caps, em especial para 
atendimento de usuários com acompanhamento prévio neles. É possível, por 
exemplo, que a equipe do Caps acompanhe o manejo dos usuários de sua 
referência pelo Samu, em uma situação de crise. O vínculo e o conhecimento 
prévio do usuário e de seu processo de sofrimento podem contribuir para 
qualificação do manejo e evitar procedimentos desnecessários, aumentando 
a resolutividade.
UPA 
As UPAs 24h constituem pontos estratégicos para o acolhimento e o manejo 
inicial das situações de urgência em saúde mental, integrando tanto a Raps quanto 
a RUE. Esses serviços são responsáveis por ofertar atendimento imediato a pessoas 
em situação de crise, incluindo, entre outras, situações de agravamento do sofrimento 
psíquico com risco de auto ou heteroagressão, quadros depressivos intensificados, 
ideação suicida, agitação psicomotora e intoxicação por álcool e outras drogas.
No âmbito de suas atribuições, cabe à UPA realizar o acolhimento qualificado, 
proceder à avaliação da gravidade do quadro, promover a estabilização clínica, 
quando necessária, e assegurar o encaminhamento responsável e adequado aos 
demais pontos da rede de atenção, tais como os Caps, os serviços especializados de 
urgência e os hospitais gerais com leitos de saúde mental. A articulação com esses 
serviços é fundamental para o acesso a informações relevantes sobre a trajetória 
de cuidado do usuário, subsidiando a condução clínica durante a permanência 
na UPA e garantindo a continuidade do cuidado no processo de transferências. 
A alta não articulada com os serviços de base territorial de referência fragmenta 
a continuidade do cuidado do usuário, que, por vezes, não retorna ao serviço de 
referência. Além disso, o próprio serviço pode não ser informado de que o usuário 
recebeu atendimento na urgência. Considerando a singularidade e a complexidade 
da crise em saúde mental, é fundamental a articulação ou o contato direto entre 
os serviços, para além da referência e da contrarreferência.
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
68
As UPAs devem orientar sua atuação no sentido de evitar internações 
desnecessárias, priorizando o cuidado em liberdade, sempre que clinicamente 
possível, de forma articulada com os demais serviços da rede territorial. 
O atendimento às situações de urgência em saúde mental deve estar 
fundamentado nos princípios dos direitos humanos, assegurando práticas 
éticas, não coercitivas e pautadas no consentimento informado, respeitando 
a dignidade, a autonomia e a singularidade das pessoas atendidas.
Para o adequado cumprimento dessas responsabilidades, é imprescindível 
que as UPAs disponham de protocolos clínicos específicos para o manejo das 
urgências em saúde mental, equipes devidamente capacitadas, apoio matricial 
em saúde mental e fluxos assistenciais pactuados com os serviços de referência 
da Raps e da RUE, de modo a garantir respostas oportunas, seguras e integradas 
às situações de crise.
Portas de entrada (UPA e portas de entrada)
As portas de entrada hospitalares do SUS, como prontos-socorros e serviços 
de pronto atendimento, exercem papel estratégico na articulação entre RUE e 
Raps, sendo frequentemente o primeiro acesso de pessoas em sofrimento psíquico 
intenso. Devem realizar acolhimento qualificado, avaliação de risco e identificação 
das necessidades clínicas e psicossociais, orientando intervenções proporcionais 
e adequadas ao território. Sua atuação integrada à rede, com fluxos pactuados 
e comunicação efetiva com os Caps e demais serviços, garante a continuidade 
do cuidado após a estabilização, com encaminhamento para acompanhamento 
longitudinal e reabilitação psicossocial.
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
69
As UPAs devem orientar sua atuação no sentido de evitar internações 
desnecessárias, priorizando o cuidado em liberdade, sempre que clinicamente 
possível, de forma articulada com os demais serviços da rede territorial. 
O atendimento às situações de urgência em saúde mental deve estar 
fundamentado nos princípios dos direitos humanos, assegurando práticas 
éticas, não coercitivas e pautadas no consentimentoinformado, respeitando 
a dignidade, a autonomia e a singularidade das pessoas atendidas.
Para o adequado cumprimento dessas responsabilidades, é imprescindível 
que as UPAs disponham de protocolos clínicos específicos para o manejo das 
urgências em saúde mental, equipes devidamente capacitadas, apoio matricial 
em saúde mental e fluxos assistenciais pactuados com os serviços de referência 
da Raps e da RUE, de modo a garantir respostas oportunas, seguras e integradas 
às situações de crise.
Portas de entrada (UPA e portas de entrada)
As portas de entrada hospitalares do SUS, como prontos-socorros e serviços 
de pronto atendimento, exercem papel estratégico na articulação entre RUE e 
Raps, sendo frequentemente o primeiro acesso de pessoas em sofrimento psíquico 
intenso. Devem realizar acolhimento qualificado, avaliação de risco e identificação 
das necessidades clínicas e psicossociais, orientando intervenções proporcionais 
e adequadas ao território. Sua atuação integrada à rede, com fluxos pactuados 
e comunicação efetiva com os Caps e demais serviços, garante a continuidade 
do cuidado após a estabilização, com encaminhamento para acompanhamento 
longitudinal e reabilitação psicossocial.
A atuação multiprofissional articulada, com protocolos compartilhados e 
comunicação entre serviços, contribui para evitar internações desnecessárias 
e reduzir o tempo de permanência hospitalar e a recorrência de crises. 
Além disso, esses serviços possibilitam a identificação de vulnerabilidades 
sociais e fatores associados às crises, favorecendo encaminhamentos para 
dispositivos comunitários e ações intersetoriais, consolidando um cuidado 
contínuo, integrado, humanizado e baseado em direitos, em consonância 
com os princípios do SUS e da Política Nacional de Saúde Mental.
4.2 Registros ambulatoriais, subnotificação e dados epidemiológicos
Orienta-se aos gestores e trabalhadores da Raps o fortalecimento dos registros 
epidemiológicos dos usuários, considerando a importância da compreensão da 
realidade em cada território e os subsídios para tomadas de decisão. 
Com maior ênfase, cabe reforçar a necessidade de implementação da 
Portaria n.º 344/2017, assegurando o registro qualificado do quesito raça/cor, por 
autodeclaração, nos sistemas de informação do SUS, como instrumento analítico 
indispensável à atenção à crise em saúde mental. Tal medida deve ser compreendida 
não apenas como exigência normativa, mas como ferramenta estratégica para o 
percurso e os desfechos do cuidado, especialmente no que se refere às práticas 
nos serviços e às respostas territoriais às situações de crise.
De acordo com Passos e Campos (2025), mesmo em situações de crise, a 
pergunta sobre autodeclaração racial deve ser realizada assim que for possível 
estabelecer algum nível de diálogo, sendo importante considerar que respostas 
aparentemente desorganizadas ou delirantes não devem ser automaticamente 
descartadas. Caso a pergunta ainda não tenha sido feita, ela deve ser realizada 
no encontro seguinte, o mais brevemente possível, e devidamente registrada no 
prontuário ou na ficha do usuário. 
Além disso, se a resposta obtida não for considerada satisfatória, seja por 
influência de medicação sedativa ou do uso de substâncias psicoativas, por ter sido 
respondida por um responsável, no caso de crianças e adolescentes, por apresentar 
discrepâncias em relação à percepção do profissional, ou por qualquer outro motivo, 
a pergunta pode ser refeita em outro momento. Havendo alteração na resposta, 
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
70
a informação registrada deve ser atualizada, garantindo maior fidedignidade dos 
dados (Passos; Campos, 2025).
Recomenda-se, ainda, que os dados relativos ao quesito raça/cor sejam 
articulados a informações territoriais e socioeconômicas, de modo a subsidiar 
análises interseccionais que qualifiquem o planejamento, o monitoramento e 
a avaliação das ações da Raps. Essa articulação deve orientar a organização 
das linhas de cuidado, a alocação de recursos, a pactuação intersetorial e 
a definição de estratégias de cuidado em liberdade, contribuindo para a 
redução de desigualdades raciais e territoriais, o enfrentamento de práticas 
institucionais excludentes e a efetivação dos princípios da equidade, da 
integralidade e da garantia de direitos no manejo das crises em saúde mental.
As questões relacionadas a outras determinações sociais da saúde, tais como 
gênero, sexualidade e território, configuram-se como elementos centrais 
para a análise crítica das práticas desenvolvidas no âmbito dos serviços de 
saúde mental, bem como para a compreensão das relações estabelecidas 
no interior dessas unidades. Tais dimensões influenciam diretamente os 
modos de acesso, permanência, vínculo e qualidade do cuidado ofertado, 
exigindo abordagens sensíveis às especificidades socioculturais dos sujeitos 
e das coletividades atendidas.
71
5 APOIO MATRICIAL, CUIDADO COMPARTILHADO E ARTICULAÇÃO DE 
REDE
O apoio matricial em saúde mental constitui estratégia fundamental para 
qualificar o manejo das crises e fortalecer o funcionamento integrado da rede. 
Trata-se de um arranjo de apoio técnico-pedagógico, clínico e institucional, por meio 
do qual equipes especializadas, em especial os Caps e as eMulti, compartilham 
saberes, estratégias terapêuticas e corresponsabilidade com as equipes da Atenção 
Primária e outros pontos da Raps. 
Essa prática não se limita a repasses pontuais de orientação, mas envolve 
construção conjunta de casos, elaborações de PTS, discussões clínicas, 
atendimentos compartilhados, ações educativas e pactuação de fluxos, 
que devem ser construídas na relação entre os serviços, considerando suas 
necessidades. 
Nesse processo, ganha destaque o papel do profissional de referência, que 
coordena o cuidado do usuário e dialoga com diferentes dispositivos da rede, de 
modo a assegurar continuidade, comunicação e alinhamento das ações.
Com a expansão das tecnologias digitais, a telessaúde emerge como 
ferramenta estratégica de apoio matricial, permitindo suporte clínico imediato, 
discussão de casos complexos, orientação em situações de crise e oferta 
contínua de educação permanente para equipes de territórios distantes ou 
com baixa cobertura especializada. 
Essa modalidade amplia a resolutividade local, reduz encaminhamentos 
desnecessários e fortalece a capacidade territorial de cuidado, especialmente em 
regiões sem Caps ou com recursos limitados. 
O apoio matricial, presencial ou remoto, consolida-se como elemento 
estruturante da Raps, favorecendo abordagens compartilhadas, intervenções mais 
qualificadas e garantia de que nenhum serviço da rede atue isoladamente frente 
ao sofrimento psíquico intenso.
Essa perspectiva reafirma que o cuidado em crise é sempre uma construção 
coletiva, sustentada por comunicação efetiva, pactuação entre equipes e valorização 
dos vínculos locais.
73
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
“ Então, as pessoas entram e saem de crises ao longo da vida, todas as 
pessoas. E lidar com a crise de um usuário de saúde mental não deveria ser 
diferente de lidar com a crise de outras pessoas.
Usuário participante do Vozes da Crise
A qualificação do acolhimento e do manejo das crises em saúde mental 
depende diretamente da capacidade da rede de atuar de forma integrada, 
corresponsável e orientada pelos princípios da atenção psicossocial. As análises 
e as diretrizes apresentadas neste documento evidenciam que o cuidado em crise 
não se limita à intervenção imediata, mas envolve a compreensão ampliada do 
sofrimento, a articulação entre serviços, o reconhecimento das vulnerabilidades 
sociais e o fortalecimento dos vínculos que sustentam a vida cotidiana.
A ação coordenada entre os pontos da Raps, apoiada pelo apoio matricial e 
por estratégias como a telessaúde, permite respostas mais rápidas, qualificadas e 
alinhadas ao território, o que é essencial para reduzir internaçõesredes de suporte. Nesse sentido, compreende-se 
que as situações de crise não suspendem direitos, mas, ao contrário, exigem sua 
máxima proteção.
Importa destacar que este documento não se propõe a prescrever modos 
únicos ou padronizados de cuidado. Trata-se de um conjunto de orientações técnicas 
que devem ser apropriadas criticamente pelas equipes, compondo processos 
coletivos de reflexão e construção de práticas nos diferentes contextos territoriais 
em que se inserem os serviços da Raps. Reconhece-se, portanto, que o cuidado à 
crise é sempre situado, relacional e dependente das condições concretas de cada 
território, das redes existentes e das possibilidades de articulação intersetorial.
Espera-se, assim, que este Guia se constitua em um instrumento com valor 
de uso no cotidiano dos serviços, capaz de apoiar decisões clínicas, fortalecer o 
trabalho em equipe, qualificar a articulação em rede e contribuir para a produção 
de um cuidado mais integral, resolutivo e comprometido com a vida, a dignidade 
e a cidadania das pessoas em sofrimento psíquico.
7
1 CONTEXTUALIZAÇÃO DA SITUAÇÃO DA ATENÇÃO À CRISE NA RAPS
1.1 Introdução
Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mais 
de 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno de saúde mental em todo 
o mundo, e estima-se que os transtornos mentais, neurológicos ou decorrentes 
do uso de álcool e outras drogas representem 14% da carga mundial de doenças 
(WHO, 2008). Transtornos como ansiedade e depressão são altamente prevalentes 
em todos os países e comunidades, afetando pessoas de todas as idades e níveis 
de renda. Representam a segunda maior causa de incapacidade de longo prazo, 
contribuindo para a perda de renda e de anos de vida (WHO, 2008). 
O Relatório Mundial de Saúde Mental (WHO, 2022) destaca, ainda, que a 
distribuição desses transtornos não é uniforme. Embora a prevalência dos transtornos 
de saúde mental possa variar por sexo, as mulheres são desproporcionalmente 
mais afetadas no geral. O suicídio afeta pessoas de todos os países e contextos 
socioeconômicos, e é uma das principais causas de morte entre jovens em todos 
os países. Esses dados reforçam a necessidade de sistemas de saúde capazes de 
oferecer respostas ágeis, contínuas e integradas às demandas de saúde mental, 
incluindo situações de maior gravidade.
Nesse contexto, o acolhimento às situações de crise em saúde mental ocupa 
posição central do cuidado em saúde mental no SUS. A crise representa uma 
intensificação súbita do sofrimento psíquico, frequentemente associada à 
diminuição do grau de autonomia e à necessidade de cuidados imediatos. Sua 
adequada abordagem requer integração entre os diferentes componentes 
da Raps, garantindo respostas oportunas, seguras e humanizadas. 
Desse modo, o presente material objetiva qualificar o processo de cuidado 
às situações de crise – identificação precoce, manejo da crise e cuidado pós-crise 
– em componentes da Raps, à luz do cenário epidemiológico e das diretrizes 
nacionais da Política Nacional de Saúde Mental.
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
8
1.2 Crise em saúde mental
“ Que às vezes parece uma rachadura assim no sujeito, sabe? [...] A crise é um 
sofrimento que dilacera a gente. E eu tenho essa experiência desse dilaceramento.
Usuário participante do Vozes da Crise
No âmbito da atenção psicossocial, diversos autores apontam que a crise em 
saúde mental deve ser compreendida para além da intensificação da sintomatologia 
psiquiátrica, mas incorporando outras dimensões da vida, das relações e da 
subjetividade, como abertura e possibilidade (Ferigato; Onocko; Ballarin, 2007). 
O cuidado às situações de crise em saúde mental deve superar a visão centrada 
exclusivamente na contenção de sintomas para uma compreensão da crise como um 
processo, que demanda redes de cuidado capazes de sustentar a liberdade, garantir 
direitos e favorecer novas possibilidades de existência nos contextos concretos de 
vida, substituindo a lógica manicomial (centrada no isolamento) por uma lógica 
relacional e territorial, que valoriza o cuidado em liberdade, a corresponsabilidade 
das equipes e a construção coletiva de saídas possíveis. 
Sendo assim, a crise em saúde mental é compreendida como um momento 
de sofrimento psíquico intenso que impacta a vida cotidiana do sujeito, exigindo 
acolhimento imediato, reorganização das relações de cuidado e sustentação 
terapêutica (Yasui; Costa-Rosa, 2008). Não se trata apenas de uma exacerbação 
de sintomas, mas de uma ruptura na contratualidade social (Saraceno, 1999), em 
que o sujeito pode ter diminuída, temporariamente, sua capacidade de manter 
vínculos significativos e seu grau de autonomia.
Trata-se de um momento intenso que, se bem cuidado, pode se transformar 
em oportunidade de fortalecimento dos vínculos (Amarante, 2019). Se, por um 
lado, é uma experiência que rompe a capacidade de simbolização do sujeito, por 
outro, torna possível a construção de outras ligações, de novos modos de lidar 
com aspectos da subjetividade (Knoblock, 1998 apud Ferigato; Onocko; Ballarin, 
2007), o que inclui novas projetualidades, para além do sofrimento (sem negá-lo).
Entretanto, persistem fragilidades estruturais e operacionais que dificultam 
o manejo qualificado das crises, tais como: ausência de fluxos pactuados entre 
serviços; dificuldades dos Caps em realizar acolhimento em momentos de alta 
demanda; descontinuidade do cuidado durante e após internações; fragmentação 
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
9
entre pontos de atenção; formação inadequada das equipes; ausência de educação 
permanente; insuficiência de equipes para acolhimento integral; fragilidades da 
Atenção Primária à Saúde (APS) no manejo inicial; e compreensões conceituais 
que reduzem a crise ao que se conhece por surto, desconsiderando sua dimensão 
psicossocial (Brasil, 2013, 2022). Essas fragilidades têm sido amplamente descritas 
na literatura científica nacional e internacional, incluindo dificuldades de articulação 
entre serviços, ausência de fluxos pactuados, descontinuidade do cuidado entre 
Caps e hospital geral, limitações estruturais para o manejo da crise e lacunas na 
formação das equipes (Cruz; Guerrero; Scarcelli, 2019; Krachenski, 2019; Silva; 
Ferigato, 2020; Muusse et al., 2022, Emerich; Onocko-Campos, 2019).
A crise em saúde mental, portanto, deve ser compreendida como um 
fenômeno complexo, relacional e processual, cuja abordagem adequada 
depende da articulação entre os diversos pontos da Raps, da formação 
contínua das equipes e da adoção de práticas de cuidado em liberdade 
orientadas pelos direitos humanos. Esse entendimento fundamenta a 
necessidade de diretrizes bem definidas para o acolhimento à crise, tema 
que se desenvolverá nas próximas seções.
1.3 Marcos normativos e legislação
O cuidado às situações de crise em saúde mental no âmbito do SUS está 
fundamentado em um conjunto articulado de leis, portarias e diretrizes políticas 
que garantem o direito ao cuidado em liberdade, o direito de receber atenção 
humanizada e o direito a uma rede organizada para cuidar das demandas de saúde 
mental. Esses marcos estruturam o modo como o País compreende o sofrimento 
psíquico intenso e responde a ele, orientando práticas clínicas, arranjos institucionais 
e responsabilidades intersetoriais. 
No ordenamento jurídico brasileiro, a Lei n.º 10.216, de 6 de abril de 2001, 
institui um marco normativo voltado à garantia dos direitos das pessoas em 
sofrimento psíquico e à reorganização da atenção em saúde mental, rompendo com 
práticas assistenciais excludentes e afirmando princípios como a não discriminação, 
o respeito à dignidade humana, a autonomia e a promoção do cuidado em 
liberdade. A legislação atribui ao Estado a responsabilidade pela formulação de 
políticas públicas construídas com participação social, incluindo usuários e seusdesnecessárias, 
evitar circuitos recorrentes de crise, ampliar a autonomia dos usuários e garantir que 
o cuidado se mantenha em liberdade, conforme preconiza a Lei n.º 10.216/2001 
e as diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental.
Ao reconhecer a crise como ponto de inflexão e possibilidade de reorganização 
dos projetos de vida, reafirma-se a importância de práticas que valorizem a 
singularidade, a escuta qualificada, a intervenção colaborativa e a construção 
compartilhada do PTS. É nessa direção que este documento busca fortalecer 
práticas clínicas, organizacionais e éticas que permitam às equipes sustentarem 
cuidado humanizado, baseado em direitos e articulado ao território.
O cuidado em crise é responsabilidade de toda a rede. Somente por meio 
da cooperação intersetorial, do trabalho multiprofissional e do reconhecimento 
das necessidades reais dos usuários, será possível construir respostas eficazes, 
sustentáveis e verdadeiramente transformadoras.
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85
APÊNDICE — VOZES DA CRISE – RELATO DOS ENCONTROS VIRTUAIS 
COM USUÁRIOS E USUÁRIAS DA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL
Em 30 de janeiro e 6 de fevereiro, foram realizados encontros virtuais com 
usuários e usuárias de Centros de Atenção Psicossocial (Caps) de todos os estados 
do Brasil, com o objetivo de ouvir suas experiências sobre o acolhimento à crise 
nesses dispositivos da Rede de Atenção Psicossocial (Raps).
A iniciativa integrou um esforço de aproximação entre gestão pública, equipes 
de saúde mental e as principais partes interessadas no cuidado: as próprias pessoas 
que vivenciam o sofrimento psíquico e utilizam os serviços da rede. O propósito 
foi criar um espaço de escuta qualificada, diálogo aberto e construção coletiva de 
propostas para a qualificação do cuidado em saúde mental no País.
Os encontros revelaram, de forma consistente, que a crise em saúde 
mental não pode ser compreendida apenas como um episódio clínico isolado. 
Ela está profundamente relacionada a trajetórias de vida marcadas por violência, 
desigualdades sociais, relações de poder, perdas e silenciamentos prolongados. 
Muitas participantes relataram experiências de violência doméstica, violência 
institucional e situações de desproteção que atravessam tanto a vida pessoal 
quanto os próprios serviços de saúde.
Um ponto recorrente foi a percepção de que o diagnóstico, quando utilizado 
de forma reducionista, pode deslegitimar a fala das pessoas. Usuários relataram 
que queixas físicas, denúncias de violência ou sofrimentos concretos foram, em 
alguns momentos, atribuídos exclusivamente ao “transtorno mental”, produzindo 
descrédito e invisibilização. Essa experiência reforça o estigma e compromete a 
confiança no cuidado.
O Caps foi amplamente reconhecido como espaço fundamental de 
acompanhamento, vínculo e cuidado em liberdade. Muitos participantes destacaram 
a importância de ter um serviço de referência no território, capaz de prevenir crises, 
acompanhar ao longo do tempo e evitar internações desnecessárias. Ao mesmo 
tempo, foram apontadas fragilidades, como a rotatividade de profissionais, vínculos 
precários de trabalho, insuficiência de equipe, dificuldades de articulação com 
a Atenção Básica e com serviços de urgência, além de lacunas no manejo das 
comorbidades clínicas.
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
86
A gestão da crise na rede foi identificada como um dos principais pontos 
críticos. Relataram-se experiências de encaminhamentos considerados inadequados, 
excesso de medicação, contenções e atendimentos hospitalares vividos como tendo 
sido violentos. A ausência de diálogo entre Caps, Unidade de Pronto Atendimento 
(UPA), Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e hospitais gerais foi 
apontada como fator que agrava o sofrimento. Houve demanda por critérios mais 
claros de encaminhamento, qualificação da retaguarda hospitalar e fortalecimento 
do cuidado territorial.
Também foi enfatizado que o cuidado em saúde mental não se resume 
à prescrição medicamentosa. Usuários ressaltaram a importância de terapias, 
grupos, oficinas, espaços de convivência e reabilitação psicossocial. O cuidado foi 
compreendido como fenômeno relacional e social, que envolve vínculo, escuta, 
reconhecimento e respeito à singularidade de cada pessoa.
Questões de gênero, raça, orientação sexual e território apareceram de forma 
marcante. Mulheres, mulheres negras, pessoas periféricas e LGBTQIAPN+ (lésbicas, 
gays, bissexuais, transgêneras/travestis, queer, intersexo, assexuais, pansexuais, 
não binárias e outras) relataram maior vulnerabilidade, invisibilização e dificuldade 
de acesso à proteção. A crise foi descrita como atravessada por desigualdades 
estruturais que exigem respostas intersetoriais.
Destacou-se ainda a importância da participação ativa dos usuários na 
construção do cuidado. Assembleias, espaços de fala, controle social e participação 
em movimentos comunitários foram valorizados como instrumentos de fortalecimento 
da autonomia. Ficou claro que autonomia não significa abandono: significa decidir 
junto, ser ouvido mesmo em sofrimento intenso e ter apoio para superar os momentos 
mais difíceis.
Entre as propostas concretas levantadas, destacou-se a sugestão de criação 
de um plano de crise, no qual a própria pessoa possa registrar suas preferências 
de cuidado, os locais de referência e os contatos de confiança, garantindo mais 
respeito às suas escolhas em situações agudas.
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
87
Os encontros reafirmaram a potência do modelo de atenção psicossocial e do 
cuidado em liberdade, mas também evidenciaram a necessidade de qualificação 
permanente das equipes, fortalecimento da gestão, ampliação do investimento 
público e melhoria da articulação em rede. Sobretudo, mostraram que ouvir 
diretamente os usuários é condição essencial para avaliar e aprimorar os serviços.
A experiência confirmou que o cuidado também acontece no encontro, 
na troca e no reconhecimento mútuo. Dar visibilidade às vozes da crise é um 
passo fundamental para a construção de uma Raps mais humana, integrada e 
comprometida com os direitos das pessoas.
As falas compartilhadas reafirmam que o cuidado em liberdade se sustenta 
somente quando há investimento, vínculo, formação qualificada e respeito aos 
direitos das pessoas.A crise não pode ser enfrentada com isolamento, silenciamento 
ou violência institucional, mas com presença, articulação territorial e reconhecimento 
da autonomia.
Ao dar visibilidade às vozes de quem vivencia a crise, reafirmamos os princípios 
da atenção psicossocial e da Reforma Psiquiátrica Brasileira: cuidado territorial, 
participação social e centralidade da pessoa. O fortalecimento da Raps passa, 
necessariamente, pela escuta de quem a utiliza. É nesse diálogo que se constroem 
caminhos para um cuidado mais justo e verdadeiramente público.
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
Guia de acolhimento
à crise em saúde mental
na Rede de Atenção
Psicossocial (Raps)
Brasília – DF
2026
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DA SAÚDE
10
familiares, orientadas pela centralidade do cuidado em serviços territoriais e de 
base comunitária, restringindo as internações psiquiátricas a situações excepcionais, 
em que os recursos extra-hospitalares se revelem insuficientes, devendo ser 
realizadas em serviços não asilares que sejam capazes de garantir seus direitos 
com articulação a estratégias de cuidado integral e de inserção social do usuário 
em seu contexto de vida. A organização operacional desse cuidado está definida 
pela Raps, regulamentada por meio da Portaria 3.088, de 23 de dezembro de 2011 
(Brasil, 2011d), que tem a finalidade de criar, ampliar e articular os diversos pontos 
de atenção à saúde destinados às pessoas com sofrimento ou transtorno mental 
e às que têm necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas. 
Nela, estão dispostos os componentes e pontos de atenção, desde a Atenção 
Básica até a Atenção Especializada, urgência e emergência e hospitalar, bem como 
são estabelecidas estratégias de desinstitucionalização e ações de reabilitação 
psicossocial (art. 1º, do Anexo V, da Portaria de Consolidação GM/MS n.º 3, de 28 
de setembro de 2017).
A RUE, instituída pela Portaria GM/MS n.º 1.600, de 7 de julho de 2011, por 
sua vez, complementa essa organização ao normatizar o cuidado às urgências 
no SUS e ao orientar a integração entre pré-hospitalar móvel, serviços 24 horas e 
atenção hospitalar.
As Conferências Nacionais de Saúde Mental desempenham papel político 
fundamental na consolidação dessas diretrizes. A III Conferência, ocorrida em 
2001, contribuiu para o avanço da Reforma Psiquiátrica, difundindo a importância 
da substituição progressiva dos hospitais psiquiátricos por serviços comunitários e 
redes territoriais de cuidado; a IV Conferência, de 2010, enfatizou a intersetorialidade, 
a integralidade e a compreensão da crise como parte do processo de cuidado, 
e não apenas como evento de urgência; e a V Conferência, em 2023, retomou 
os princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira e da Luta Antimanicomial para a 
organização e o funcionamento da Raps como política estruturante, defendendo 
financiamento adequado, ampliação dos Caps e fortalecimento do cuidado 
comunitário e humanizado.
Esse conjunto normativo e político compõe o alicerce da atenção à crise 
em saúde mental no Brasil. Ele orienta a construção de um cuidado integral, 
territorial, baseado em direitos humanos, que valoriza o protagonismo dos usuários, 
a corresponsabilidade das equipes e o funcionamento articulado em rede.
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
11
O Quadro 1, a seguir, sintetiza os principais marcos normativos e políticos 
que fundamentam a atenção às situações de crise em saúde mental no SUS, 
evidenciando a centralidade do cuidado em liberdade, da organização em rede e 
da garantia de direitos. 
Quadro 1 – Quadro-resumo dos principais marcos normativos e políticos da atenção 
à crise em saúde mental no SUS
Portaria/marco e ano Descrição
Lei n.º 10.216/2001
Redireciona o modelo assistencial em saúde mental 
no Brasil, garantindo os direitos das pessoas com 
transtornos mentais e afirmando o cuidado em 
liberdade. Estabelece a prioridade dos serviços 
comunitários, determina que internações ocorram 
preferencialmente em hospitais gerais e serviços 
não asilares e define a internação como medida 
excepcional, orientada pela proteção de direitos 
e pela reabilitação psicossocial. Constitui o eixo 
estruturante da atenção à crise em saúde mental 
no SUS.
III Conferência Nacional 
de Saúde Mental (2001)
Consolida politicamente a Reforma Psiquiátrica 
Brasileira, legitimando a substituição progressiva 
do modelo hospitalocêntrico por redes territoriais 
de cuidado comunitário. Afirma a crise como 
objeto legítimo da atenção psicossocial e reforça a 
centralidade dos serviços substitutivos.
Portaria GM/MS
n.º 1.600/2011 (RUE) 
Institui a Rede de Atenção às Urgências e Emergências, 
organizando o cuidado às situações de urgência no 
SUS. Define a articulação entre pré-hospitalar móvel 
(Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – Samu 
192), serviços 24 horas, salas de estabilização e atenção 
hospitalar, compondo a retaguarda assistencial para 
o manejo das crises em saúde mental.
Continua
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
12
Portaria GM/MS 
n.º 3.088/2011 (Raps) 
Institui a Rede de Atenção Psicossocial, organizando 
o cuidado em saúde mental de forma territorial, 
comunitária e em rede. O cuidado, no âmbito do 
Centro de Atenção Psicossocial, é desenvolvido 
por intermédio de Projeto Terapêutico Individual, 
envolvendo em sua construção a equipe, o usuário 
e sua família, e a ordenação do cuidado estará sob a 
responsabilidade do Centro de Atenção Psicossocial 
ou da Atenção Básica, garantindo permanente 
processo de cogestão e acompanhamento 
longitudinal do caso.
IV Conferência Nacional 
de Saúde Mental – 
Intersetorial (2010)
Reafirma os princípios da Reforma Psiquiátrica, 
enfatizando a intersetorialidade, a integralidade do 
cuidado e a compreensão da crise como parte do 
processo terapêutico, e não apenas como evento de 
urgência. Fortalece a noção de corresponsabilidade 
das redes de saúde, assistência social, justiça 
e educação.
Portaria de Consolidação 
GM/MS n.º 3/2017 – 
Anexo V (Raps) 
Consolida normativamente a Raps no âmbito do 
SUS, detalhando seus componentes, suas diretrizes 
e suas responsabilidades. Reafirma o papel dos Caps 
como serviços estratégicos no manejo da crise e na 
articulação com a RUE e a atenção hospitalar.
Portaria n.º 344, de 1º de 
fevereiro de 2017
Dispõe sobre o preenchimento do quesito raça/
cor nos formulários dos sistemas de informação 
em saúde.
V Conferência Nacional 
de Saúde Mental (2023)
Reafirma a Raps como política estruturante da atenção 
à saúde mental no Brasil. Defende financiamento 
adequado, ampliação dos Caps, fortalecimento do 
cuidado comunitário e humanizado, e qualificação 
das respostas às situações de crise, com base em 
direitos humanos e cuidado em liberdade.
Fonte: elaboração própria.
Conclusão
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
13
1.4 A situação da Raps em dados
De acordo com o Saúde Mental em Dados 2025 (Brasil, 2025), nos últimos 
cinco anos observou-se a expansão dos Caps e o aumento de leitos em hospital 
geral voltados ao cuidado em saúde mental. Atualmente, a rede conta com 2.169 
Leitos de Saúde Mental em Hospital Geral (LSMHG) e 3.070 Caps habilitados em 
todo o País. Com relação aos Caps tipo III, observa-se aumento expressivo no 
número de serviços habilitados nos últimos dez anos, correspondente a 51,5% para 
os Caps III e 52,8% para os Caps AD III. No entanto, apesar desse crescimento, a 
distribuição territorial dos Caps permanece desigual, com regiões que continuam 
apresentando baixa cobertura e menor capacidade de resposta comunitária à crise. 
Esse descompasso territorial reforça a necessidade de revisão do planejamento 
regional e da alocação de serviços de base comunitária, especialmente em áreas 
de maior vulnerabilidade psicossocial (Brasil, 2025).
Apesar da heterogeneidade na distribuição territorial, o funcionamento dos 
Caps tem se qualificado progressivamente no manejo das situações agudas. O 
número de acolhimentos noturnos e de atendimentos à crise realizados nos Caps 
mais do que dobrou nos últimos anos, indicando maior capacidade dessas unidades 
de atuarem como referência territorial para o cuidado imediato, em consonância 
com as diretrizes da Raps (DataSUS, 2026).
Os registros do procedimento “Atenção às Situações de Crise” nos Caps 
(código 03.01.08.029-1) demonstram aumento expressivo no período analisado, 
passando de 352.515 registros em 2020 para 446.966 em 2025. Ainda que esses 
dados possam não refletir integralmente a complexidade e a dimensão do cuidadoofertado às situações de crise — considerando possíveis subnotificações e a 
realização de outros procedimentos também relacionados ao manejo da crise, 
como acolhimento diurno e noturno —, observa-se um volume significativo de 
atendimentos vinculados à atenção à crise no âmbito da Raps. Esses dados reforçam 
a centralidade dos Caps no acolhimento e acompanhamento das situações de 
sofrimento psíquico agudo nos territórios. Destaca-se o acolhimento diurno como 
principal estratégia de cuidado intensivo nos Caps, com crescimento expressivo 
ao longo da série, seguido pela ampliação do acolhimento noturno, indicando 
fortalecimento da retaguarda 24 horas nos Caps, especialmente nos serviços tipo III. 
O procedimento de atenção às situações de crise também apresenta aumento de 
aproximadamente 51% – de 1.932.369 para 2.916.063 –, ainda que com oscilações, 
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
14
o que pode refletir variações nos processos de registro e na organização local do 
cuidado (DataSUS, 2026). Esses achados sugerem avanços na consolidação do 
modelo de atenção psicossocial, com maior oferta de cuidado em liberdade e no 
território, ao mesmo tempo em que apontam para a necessidade de qualificação 
dos registros, maior padronização conceitual e fortalecimento da articulação entre 
os diferentes pontos da Rede de Atenção Psicossocial e da Rede de Urgência e 
Emergência. 
No âmbito das urgências, as internações de curta permanência mantêm-se 
como o principal desfecho (DataSUS, 2026). As internações de longa permanência 
e os casos de reinternação representam a minoria dos atendimentos, alinhando-se 
à diretriz de evitar institucionalizações prolongadas e priorizar estabilizações breves, 
acompanhadas de continuidade do cuidado na rede territorial.
Quanto ao perfil diagnóstico, dados do Departamento de Informação e 
Informática do SUS (DataSUS) apontam que, nos últimos sete anos, foram registrados 
mais de 1,5 milhão de atendimentos de urgência em saúde mental. Os transtornos 
psicóticos representam aproximadamente 27% das demandas e constituem a 
principal causa de atendimento em urgência, seguidos pelos transtornos do humor 
(22%), por uso de substâncias psicoativas (16%) e por uso de álcool (11%). 
O comportamento desorganizado e/ou disruptivo e o elevado risco de 
suicídio são duas razões clínicas de acolhimento em urgência e emergência que 
se destacam por sua elevada frequência, acumulando, de 2020 a 2025, 274 mil e 
150 mil casos, respectivamente. 
Esses dados, tomados em conjunto, demonstram a magnitude da situação 
e reforçam a importância de fortalecer dispositivos regionais de acolhimento à 
crise, integrando Caps, serviços de urgência e Atenção Básica em torno de fluxos 
pactuados e estratégias de cuidado intensivo no território.
15
2 PRINCÍPIOS DE FUNCIONAMENTO DA RAPS
A Raps opera a partir de princípios que orientam a organização dos serviços 
e o cuidado às pessoas em sofrimento psíquico e às suas famílias.
São princípios no funcionamento da Raps: 
• Acesso ampliado das pessoas com questões de saúde mental em todos 
os pontos de atenção, com acolhimento e vínculo.
• Regionalização do atendimento, com articulação entre os serviços e 
pactuação de fluxos entre municípios e regiões de saúde.
• Atendimento centrado no usuário e nas suas necessidades, com respeito 
aos direitos humanos, garantia de autonomia, cuidado em liberdade e 
combate ao estigma.
• Atenção multidisciplinar e em equipe, com diversificação das estratégias 
de cuidado e valorização do Projeto Terapêutico Singular (PTS).
• Articulação e integração dos diversos serviços e equipamentos de saúde, 
funcionando como rede territorial e comunitária.
• Participação e controle social dos usuários e familiares nos processos de 
cuidado e na formulação das políticas.
• Qualificação da assistência por meio da educação permanente das equipes.
• Promoção da inclusão social e da reabilitação psicossocial, ampliando 
acesso a trabalho, renda, moradia e convivência comunitária.
• Desenvolvimento de estratégias de redução de danos, especialmente 
nas situações relacionadas ao uso de álcool e outras drogas.
17
3 DIRETRIZES PARA UM ACOLHIMENTO HUMANIZADO
“ Eu senti essa humanização não só na pessoa que me atende, mas em 
todos os profissionais que estão ali dentro [...] desde a recepção até a pessoa 
que fica lá dentro, que a gente não vê. Tem que ser humanizado. Tem que 
ter esse olhar cuidadoso [...] E tem que saber o manejo, tem que saber o 
cuidado, porque às vezes uma forma de falar, uma forma de agir pode fazer 
com que a pessoa tenha uma recaída muito pior, ou pode fazer com que a 
pessoa simplesmente se afaste de tudo [...] Vamos conversar, não só trocar 
medicação, porque isso também faz toda a diferença [...] entender o que está 
acontecendo contigo, que é isso que eu vi com meu psiquiatra do Caps daqui.
Usuário participante do Vozes da Crise
3.1 Acolhimento à situação de crise em saúde mental
O primeiro passo para o acolhimento qualificado em situações de crise é o 
conhecimento amplo dos equipamentos da rede local e da estrutura de cuidados já 
disponível para o usuário. Isso inclui a identificação prévia dos recursos territoriais, dos 
fluxos consensuados, dos serviços com funcionamento 24 horas e das possibilidades 
de continuidade do cuidado após o momento de maior intensidade do sofrimento. 
A crise não pode ter seu cuidado reduzido a um único ponto da rede; por isso, seu 
manejo exige articulação intersetorial, comunicação entre equipes e compreensão 
dos itinerários possíveis no território.
Um elemento importante do acolhimento é a classificação de risco específica 
para a saúde mental, que difere da classificação de risco utilizada na urgência 
clínica tradicional. Na saúde mental, o risco não se limita a parâmetros clínicos ou 
sinais vitais, mas envolve riscos psicossociais, ruptura da contratualidade social, 
risco de auto ou heteroagressividade, impossibilidade de autocuidado, grau de 
desorganização do pensamento e da conduta, além da intensidade do sofrimento. 
Por isso, torna-se indispensável a avaliação do exame do estado mental, conduzida 
de forma sensível, técnica e livre de preconceitos.
O cuidado deve também considerar a autonomia do usuário e sua rede 
familiar e social. Em situações de crise, a autonomia pode estar parcialmente 
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
18
comprometida, exigindo que a equipe e a rede de suporte sustentem decisões 
com o usuário, sempre com vistas à garantia de direitos, ao cuidado em liberdade 
e à menor intervenção possível. A Lei n.º 10.216/2001 regulamenta as internações 
involuntárias, reconhecendo que podem existir contextos clínicos nos quais a pessoa 
não está em condições de organizar seus pensamentos, expressar sua vontade ou 
manter a própria segurança. Contudo, trata-se de medida excepcional, por tempo 
reduzido e com garantia de continuidade do cuidado na rede.
Nessas situações, a indicação de internação involuntária deve ser fundamentada 
em avaliação clínica criteriosa, especialmente quando há comprometimento 
importante da capacidade de julgamento e presença de risco relevante para si, 
para terceiros, de grave exposição social ou de incapacidade de autocuidados, 
sempre após se constatar insuficiência dos recursos extra-hospitalares disponíveis. 
Além disso, por se tratar de medida excepcional, a internação involuntária deve ser 
comunicada pelo responsável técnico do estabelecimento ao Ministério Público 
estadual no prazo de até 72 horas, assim como a respectiva alta, nos termos da 
Portaria GM n.º 2.391, de 26 de dezembro de 2002, que regulamenta o controle 
das internações involuntárias, e de acordo com o disposto na Lei n.º 10.216/2001 
(Brasil, 2001, 2002).
Nas situações de crise, é imprescindível preservar a contratualidade do 
sujeito e envolver ativamente sua rede socioafetiva no cuidado, pois isso 
amplia alternativas de manejo e sustenta decisões compartilhadas(Silva; 
Ferigato, 2020). 
À luz da Reforma Psiquiátrica, que recolocou no centro do cuidado o direito 
de decisão e a participação ativa das pessoas em sofrimento psíquico, é preciso 
enfrentar a tendência histórica de suspender direitos sob o argumento de capacidade 
de julgamento reduzida. Nesses momentos de maior vulnerabilidade, a postura das 
equipes deve orientar-se para reconstruir possibilidades e autonomia, reafirmando 
o lugar do usuário como agente do próprio projeto terapêutico (Zeferino; Rodrigues; 
Assis, 2015). 
Vale ainda reforçar que as intervenções nas situações de crise demandam 
um investimento de tempo e energia diferenciado pelas equipes em comparação 
às demandas convencionais, sendo importante haver uma maior flexibilidade na 
construção de respostas e estratégias de resolução das questões apresentadas 
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
19
(Dassoler; Palombini, 2020), incluindo conversa com o usuário e sua rede sobre 
as tomadas de decisão e etapas da condução do cuidado. 
Para realizar o acolhimento e o manejo das situações de crise, é fundamental 
utilizar estratégias baseadas no cuidado relacional. O vínculo com o usuário em crise 
é um elemento importante, pois pressupõe confiança, troca e corresponsabilidade, 
ampliando as possibilidades de intervenção. Nesse contexto, a postura de suporte 
do profissional oferece sustentação e referência em meio à desorganização. O 
acompanhamento com a presença mais próxima, com cuidados atrelados às 
necessidades do usuário, pode envolver estratégias como escuta, uso de recursos 
expressivos, além de outras que favoreçam a regulação do sujeito. A escuta constitui 
recurso fundamental, mesmo quando a fala ou os comportamentos pareçam 
desconexos, assim como a avaliação de risco deve ser contínua, sustentando 
decisões clínicas ao longo do manejo. Tal perspectiva se estende também à família 
ou à rede de suporte, que podem passar a viver sobrecargas objetivas e subjetivas, 
assim como também podem ter que construir novas formas de lidar com relações 
até então instituídas (exercício de papéis de seus membros, sofrimento das pessoas 
em relação ao usuário, entre outros aspectos).
Diretrizes gerais para o acolhimento da crise:
1. Conhecimento da rede e articulação local.
2. Acolhimento e continuidade da presença e do cuidado, por meio de 
diferentes estratégias.
3. Classificação de risco específica da saúde mental/psicossocial.
4. Avaliação clínica e exame do estado mental.
5. Proteção de direitos, autonomia e tomada de decisão.
6. Internação involuntária sempre como exceção, com estabelecimento de 
limites, critérios e ampliada avaliação prévia e posterior.
7. Planejamento antecipado de crises (planos de cuidado).
Recomenda-se que as equipes mantenham postura clínica reflexiva e analisem 
criticamente, de modo contínuo, a condução do acolhimento e do manejo das 
situações de crise em saúde mental. Condutas de caráter excepcional, especialmente 
quando passam a ocorrer com frequência aumentada ou a se tornar respostas 
habituais da equipe, devem ser examinadas com cautela, à luz da singularidade 
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
20
dos casos, dos direitos dos usuários e da necessidade de evitar automatismos no 
cuidado. Medidas como internação involuntária e contenção mecânica exigem 
fundamentação clínica e devem ter uso restrito, com permanente avaliação da 
necessidade (Brasil, 2001, 2009).
Recomenda-se, ainda, que o cuidado em saúde mental seja orientado 
por sensibilidade intercultural, com reconhecimento e respeito às diferenças 
socioculturais e aos distintos modos de compreender o sofrimento, o cuidado e a 
vida coletiva. Esse princípio é especialmente importante no atendimento a povos e 
comunidades tradicionais, devendo favorecer abordagens cuidadosas, respeitosas 
e não homogeneizadoras no âmbito da atenção psicossocial (Conselho Nacional 
dos Direitos Humanos, 2019).
3.1.1 Plano de crise
“Também acho que a crise não é um ponto isolado quando ela emerge. Ela 
vem de um contínuo [...] tem o pós-crise, mas eu acho que tem o pré, o antes. 
E às vezes é possível a gente não chegar a derramar. Eu acho que a crise é 
o momento em que a gente derrama, transborda assim. E se a gente está 
bem vinculada no serviço, se a gente tem relações com a nossa referência, 
bem vinculados, né? Se a gente tem uma relação com os serviços, se a gente 
tem uma relação boa com os nossos familiares, se a gente tem uma rede de 
apoio, muitas vezes esse momento em que a gente transborda, ele poderia 
não ter acontecido.
Usuário participante do Vozes da Crise
Como prática recomendável, especialmente fora dos momentos de 
intensificação do sofrimento, as equipes devem apoiar os usuários na construção 
de planos antecipados de cuidado, como plano de crise.
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
21
O plano de crise é uma ferramenta para que pessoas em acompanhamento 
em serviços de saúde mental e suas equipes expressem antecipadamente 
suas preferências em relação a intervenções, cuidados e tratamento em 
situações de crise (Maître et al., 2013; Skovgaard Larsen et al., 2016; Swanson 
et al., 2000). Trata-se também de facilitar a detecção de crises, descrevendo 
ou abordando sinais, sintomas e manifestações que permitam a identificação 
precoce do início de uma situação de crise (Henderson et al., 2004; Lequin 
et al., 2021; National Alliance on Mental Illness, 2016).
Alguns tipos de planos de crise foram propostos na literatura, incluindo o 
plano de segurança (Stanley; Brown, 2012), as diretivas antecipadas de vontade 
(Maître et al., 2013) e o plano de crise conjunto (Thornicroft et al., 2013). Esse tipo 
de intervenção é apoiado pela OMS (WHO, 2021), que, em suas recomendações 
mais recentes sobre o cuidado e o apoio a pessoas com transtornos mentais 
graves, enfatiza a relevância dos planos de crise para promover uma melhor aliança 
terapêutica entre o paciente e a equipe de saúde e para garantir que ambos estejam 
mais bem preparados para prevenir ou resolver futuras crises.
Esses planos, que foram identificados como uma das intervenções mais 
eficazes para reduzir a taxa de hospitalizações involuntárias relacionadas a crises 
de saúde mental do usuário, fortalecem o protagonismo e a autonomia do usuário 
(de Jong et al., 2016), oferecem previsibilidade às equipes e reduzem intervenções 
mais invasivas (Henderson et al., 2004). A seguir, apresenta-se um quadro-síntese 
contendo os principais pontos do plano de crise, com o objetivo de apoiar 
trabalhadores da Raps na construção compartilhada do cuidado em situações de 
crise. A ferramenta busca ampliar a participação do usuário nas decisões relacionadas 
ao seu tratamento, valorizando sua experiência, sua autonomia, seus desejos e as 
estratégias previamente pactuadas para o manejo da crise.
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
22
Quadro 2 – Quadro-síntese do plano de crise 
Eixo do plano 
de crise 
Conteúdo a ser construído 
com o usuário 
Objetivo no cuidado 
à crise 
Identificação do 
usuário 
Nome, endereço, telefone, data 
de nascimento, número do 
cartão/seguro de saúde, contatos 
principais. 
Facilitar a  identificação 
e o acionamento rápido 
da rede de cuidado. 
Reconhecimento 
da crise 
Descrição dos sinais iniciais, 
mudanças de comportamento, 
s e n t i m e n t o s , s i t u a ç õ e s 
desencadeantes e formas como 
a crise costuma se manifestar. 
Favorecer a identificação 
precoce e intervenções 
menos invasivas. 
Formas preferidas 
de abordagem 
Estratégias que ajudam o usuário 
em momentos de sofrimento; 
fo r m a s d e co m u n i c a ç ã o 
acolhedoras; condutas que devem 
ser evitadas. 
Qualificar o acolhimento, 
reduzir conf l i tos e 
fortalecer o cuidado 
centrado na pessoa. 
Tratamento e 
manejo desejado 
Preferências em relação ao 
cuidado, medicaçõesjá utilizadas, 
recursos terapêuticos que ajudam, 
estratégias de desescalonamento. 
Orientar intervenções 
respeitosas e singulares. 
Cotidiano e 
contexto de vida 
Organização da rotina, atividades 
significativas, vínculos familiares, 
trabalho, estudo, hábitos e rede 
social. 
C o m p r e e n d e r a 
singularidade do usuário 
e preservar aspectos 
importantes da vida 
cotidiana. 
Condições 
clínicas e de 
saúde 
Problemas de saúde física e 
mental, alergias, comorbidades 
e necessidades específicas. 
Garant i r segurança 
c l í n i c a e c u i d a d o 
integral. 
Uso de 
medicações 
Nome dos medicamentos, doses, 
horários de uso, efeitos desejados 
e reações adversas importantes. 
Subsidiar continuidade 
e segurança do cuidado. 
Continua
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
23
Acordos para 
situações de crise 
Combinações previamente 
pactuadas: quem acionar, quais 
serviços procurar, profissional/
equipe de referência, estratégias 
combinadas. 
Organizar respostas 
compartilhadas e reduzir 
improvisações. 
Preferências 
em caso de 
internação 
Serviços de preferência para 
acolhimento e cuidado, recusas 
previamente manifestadas, 
c o n d i ç õ e s c o n s i d e r a d a s 
importantes. 
Respeitar a autonomia e 
favorecer a continuidade 
do cuidado em rede. 
Providências 
práticas 
Cuidados com filhos, trabalho, 
moradia, animais, contas e 
outras responsabilidades em caso 
de afastamento. 
Minimizar impactos 
sociais e cotidianos 
decorrentes da crise. 
Rede de apoio 
e pessoas de 
confiança 
Familiares, amigos, vizinhos, 
técnicos e serviços que podem 
apoiar durante a crise. 
Fortalecer suporte social 
e corresponsabilização 
no cuidado. 
Registro e 
pactuação do 
plano 
Data de elaboração, revisão 
periódica, assinatura do usuário, 
equipe e pessoas envolvidas. 
Formalizar pactos de 
cuidado e garant i r 
atualização contínua do 
plano. 
Fonte: elaboração própria, adaptado de De Freitas, 2008. 
Recomenda-se, ainda, que as equipes possam conhecer e se aproximar 
de outras estratégias radicalmente centradas na experiência do usuário e que se 
mostram como potentes dispositivos na elaboração subjetiva e na construção 
de novas possibilidades de lidar consigo e com o mundo, como o Open Dialogue 
(Diálogo Aberto), Ouvidores de Vozes, entre outros.
Conclusão
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
24
3.2 Acolhimento para situações de comportamento desorganizado e/
ou agressivo
“ O meu Eu em crise é… Quando eu passei a perceber, me assustou.... Eu saio 
totalmente fora do que eu sou normalmente, fico agressiva e agrido aquelas 
pessoas que eu mais amo. E não é o que eu quero. E é uma dor terrível.
Usuário participante do Vozes da Crise
As situações de crise caracterizadas por comportamento desorganizado, 
disruptivo ou potencialmente agressivo exigem intervenção rápida, organizada e 
segura, articulando acolhimento humanizado, técnicas de desescalonamento e, 
apenas quando estritamente necessário, intervenções físicas ou farmacológicas, 
estratégias que serão detalhadas mais adiante neste documento. O manejo adequado 
desses quadros depende da avaliação clínica, da organização da equipe e do 
compromisso com o princípio da menor intervenção possível, conforme preconiza 
a Lei n.º 10.216/2001.
Entende-se por agitação psicomotora um estado de aumento da excitabilidade, 
da inquietação, da irritabilidade e da atividade motora e verbal, que pode se 
apresentar de forma exagerada, inapropriada e flutuante. Já o comportamento 
desorganizado refere-se à importante desorganização da conduta, da comunicação 
ou da relação com o ambiente, com prejuízo da capacidade de responder de 
forma coerente às situações, podendo estar presente em crises psicóticas, estados 
confusionais ou outras condições clínicas e psiquiátricas. A agressividade, por sua 
vez, diz respeito a comportamentos que podem produzir dano físico ou moral à 
própria pessoa ou a terceiros, não devendo ser presumida automaticamente, mas 
avaliada no contexto clínico concreto (Brasil, 2021; Stefanello; Campos, 2015).
1. Avaliação de gravidade
A avaliação inicial deve ser imediata e considerar:
• risco auto ou heteroagressivo;
• impossibilidade de autocuidado;
• nível de desorganização do pensamento e da conduta;
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
25
• presença de intoxicação, delirium ou comorbidades clínicas;
• ruptura da contratualidade social e grau de desorientação;
• previsibilidade da escalada do comportamento.
Essa avaliação deve ser conduzida com o exame do estado mental, que 
identifica alterações de pensamento, humor, percepção, consciência, orientação e 
insight. Diferentemente das urgências clínicas tradicionais, a classificação de risco 
na saúde mental se baseia predominantemente em indicadores psicossociais e 
comportamentais, e não apenas em parâmetros fisiológicos.
2. Desescalonamento verbal e manejo ambiental
Antes de qualquer intervenção física ou medicamentosa, recomenda-se:
• utilizar comunicação objetiva, calma e não confrontativa;
• manter tom de voz baixo, postura não ameaçadora e ter poucos 
profissionais falando;
• validar sentimentos e oferecer alternativas seguras;
• reduzir estímulos ambientais (ruído, luz, fluxo de pessoas);
• oferecer espaço acolhedor e privacidade;
• respeitar distância segura e evitar contato físico desnecessário.
O desescalonamento é a intervenção principal no manejo de agitação e 
deve ser tentado sempre que houver possibilidade de diálogo, mesmo quando o 
pensamento estiver parcialmente desorganizado.
3. Manejo físico seguro (contenção mecânica como último recurso)
As medidas restritivas, entre as quais se incluem a contenção física e a 
contenção mecânica, podem ser utilizadas em situações em que exista risco 
iminente de dano a si próprio ou a terceiros. Devem ser utilizadas após análise 
criteriosa, pois são medidas com alto risco clínico, relacional e ético. Revisões 
sistemáticas apontam a limitada robustez de evidências sobre sua efetividade e 
indicam possíveis efeitos adversos, psicológicos e físicos, incluindo ruptura do 
vínculo terapêutico e trauma. Esses dados evidenciam a importância da utilização 
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
26
restrita, com protocolos institucionais, monitoramento contínuo e registro sistemático 
(Sailas; Fenton, 2000). 
Diretrizes internacionais também recomendam abordagem escalonada para 
prevenção e manejo de agressividade, priorizando avaliação clínica, intervenções 
ambientais e desescalada verbal antes da adoção de medidas restritivas (Baldaçara 
et al., 2021; NICE, 2015; Richmond et al., 2012; WHO, 2021).
Algumas referências apontam que a diminuição da contenção está associada 
a intervenções na dinâmica institucional e do trabalho em equipe, a mudanças 
culturais e à qualificação dos processos de cuidado e participação dos usuários 
(Bowers et al., 2015; Huckshorn, 2008).
Entende-se por manejo físico o conjunto de intervenções corporais diretas 
realizadas pela equipe com a finalidade de proteção imediata diante de risco 
iminente. Nesse conjunto, a contenção física corresponde à restrição manual 
de movimentos, realizada por profissionais treinados, sem uso de dispositivos, 
enquanto a contenção mecânica consiste na restrição por meio de equipamentos ou 
dispositivos específicos destinados a limitar parcial ou totalmente a movimentação. 
Embora ambas integrem o rol das medidas restritivas, sua indicação deve ser sempre 
excepcional, fundamentada e proporcional à gravidade da situação, não devendo 
ser confundidas com abordagens clínicas ordinárias de cuidado (NICE, 2015).
A contenção mecânica deve ocorrer somente:
• quando houver risco iminente à integridade do usuário ou de terceiros;
• quando medidas verbais e ambientais falharem;
• por tempo estritamente necessário;
• por equipe treinada,com número suficiente de profissionais para evitar lesões.
A intervenção deve obedecer a protocolos institucionais, garantindo:
• proteção das vias aéreas;
• posicionamento adequado;
• preservação da dignidade;
• monitoramento contínuo de sinais vitais, perfusão, respiração e nível 
de consciência.
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
27
A contenção mecânica tem caráter terapêutico e não punitivo, devendo ser 
documentada e comunicada conforme exigências legais (Cofen, 2024). Quando 
houver indicação clínica, recomenda-se associar intervenção farmacológica, com 
o objetivo de reduzir sofrimento, agitação intensa, experiência punitiva e riscos, 
sempre mediante avaliação, monitoramento e registro (NICE, 2015).
A mediação pela palavra, durante esse momento, é fundamental, para aumento 
da possibilidade de simbolização. Devem ser colocadas, para a pessoa, as etapas 
do que se passará com ela, podendo ser explicitadas inclusive as preocupações 
da equipe, devendo acontecer, obrigatoriamente, a continuidade da conversa em 
momentos posteriores. Ressalta-se, ainda, que a permanência do profissional com 
o usuário deve ser integral em todo o processo.
4. Intervenções farmacológicas para manejo da agitação psicomotora
Quando as estratégias de desescalonamento e manejo ambiental não forem 
suficientes para reduzir a agitação e permitir avaliação e cuidado adequados, 
pode-se recorrer ao uso criterioso de medicações. Nessas situações, a intervenção 
farmacológica deve seguir protocolos clínicos baseados em evidências, com 
preferência pela via oral sempre que possível, reservando-se a via parenteral para 
situações em que ela seja necessária e apropriada. A escolha da medicação deve 
considerar a hipótese etiológica da agitação, as comorbidades clínicas, o possível 
uso de álcool e outras drogas, as interações medicamentosas, a resposta prévia e 
o perfil de efeitos adversos. O uso deve ser acompanhado de monitorização clínica 
sistemática, incluindo nível de consciência, frequência respiratória, pressão arterial, 
pulso e sinais de sedação excessiva, depressão respiratória ou broncoaspiração, 
além de registro em prontuário como parte do manejo clínico da crise, e não 
como substituto do cuidado psicossocial. A equipe deve buscar o assentimento 
e a cooperação do usuário, inclusive mediante oferta e explicação da medicação 
proposta (Baldaçara et al., 2021; Distrito Federal, 2023; NICE, 2015). 
Orientações:
• Usar medicação apenas após falha das medidas não farmacológicas.
• Priorizar a via oral.
• Escolher a medicação conforme etiologia provável, comorbidades, intoxicação 
e efeitos adversos.
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
28
• Monitorar efeitos adversos (depressão respiratória, sedação 
excessiva, broncoaspiração).
• Sempre que possível, realizar o uso de medicações em acordo e com 
consentimento do usuário.
• Registrar como parte do manejo clínico, e não como substituto do 
cuidado psicossocial.
O objetivo dessas intervenções é reduzir a agitação de modo suficiente para 
permitir proteção, avaliação e continuidade do cuidado, e não produzir sedação 
como resposta automática ao comportamento do usuário (NICE, 2015).
5. Atuação integrada da equipe
Recomenda-se:
• definir um líder da intervenção;
• distribuir funções antes da aproximação;
• orientar quem fala, quem observa, quem monitora e quem intervém;
• manter comunicação verbal e não verbal consistente;
• assegurar que todos os profissionais conheçam os protocolos de segurança.
A comunicação entre os profissionais deve ser clara e consistente, inclusive 
por meio de sinais previamente combinados quando o contexto exigir. A falta de 
coordenação, a sobreposição de comandos e a ausência de clareza quanto aos 
papéis de cada profissional podem aumentar a desorganização da cena, favorecer 
escalada de tensão e ampliar o risco de intervenções desnecessárias ou lesivas.
6. Reavaliação e cuidados pós-contenção
Após uma intervenção de contenção física ou química, deve haver reavaliação 
imediata e contínua, incluindo:
• exame físico e do estado mental;
• verificação de lesões ou desconfortos;
• monitoramento de sinais vitais;
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
29
• explicação ao usuário, assim que possível, sobre o que ocorreu;
• registro clínico detalhado do episódio;
• comunicação à família ou aos responsáveis, seguindo critérios éticos;
• revisão do episódio com a equipe.
Sempre que apropriado, o episódio deve gerar discussões para prevenção 
de novas crises, integrando ajustes no PTS e no plano antecipado de cuidado do 
usuário (NICE, 2015; Cofen, 2024).
Figura 1 – Fluxograma de cuidados para comportamento desorganizado/agressivo
SITUAÇÃO DE CRISE IDENTIFICADA
Comportamento desorganizado/agressivo
Avaliação imediata de gravidade + exame 
do estado mental:
• Risco auto/heteroagressivo.
• Capacidade de autocuidado.
• Grau de intoxicação, delirium ou 
• comorbidades clínicas.
• Ruptura de vínculos/contratualidade 
• social.
• Previsibilidade de escalada do 
comportamento
NÃO 
(risco iminente a si 
ou a terceiros)
SIM
SIM NÃO
Desescalonamento verbal e manejo 
ambiental:
• Comunicação calma e não 
confrontativa.
• Redução de estímulos ambientais.
• Validação do sofrimento.
• Respeito a distância segura.
• Poucos profissionais falando.
Intervenção farmacológica:
• Uso conforme protocolos 
baseados em evidências.
• Considerar comorbidades e 
interações.
• Monitorar efeitos adversos.
• Registrar como medida clínica de 
estabilização.
Contenção mecânica (somente se):
• Risco iminente ao usuário ou a terceiros.
• Falha das medidas verbais e ambientais.
• Equipe treinada e número adequado de 
profissionais.
Garantias obrigatórias. 
• Proteção de vias aéreas.
• Posicionamento adequado.
• Preservação da dignidade.
• Monitoramento contínuo.
• Registro e comunicação conforme 
legislação.
Acompanhamento e 
continuidade do cuidado 
em rede.
Reavaliação e cuidados pós-intervenção:
• Exame físico e do estado mental 
(verificação de lesões).
• Monitoramento clínico contínuo.
• Explicação ao usuário (quando possível).
• Comunicação à família/rede.
• Registro clínico detalhado.
• Revisão do episódio com a equipe.
SERVIÇOS TERRITORIAIS
HÁ POSSIBILIDADE DE 
DIÁLOGO E SEGURANÇA 
MÍNIMA?
PERSISTÊNCIA DE 
RISCO IMINENTE À 
INTEGRIDADE?
Ajuste do Projeto Terapêutico 
Singular:
• Atualização do plano antecipado 
de cuidado.
• Estratégias de prevenção de 
novas crises.
• Fortalecimento da rede 
territorial.
Fonte: elaboração própria.
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
30
3.3 Acolhimento em situações de risco de suicídio
O acolhimento em situações de risco de suicídio deve ser compreendido 
como uma prática clínica, ética e política, orientada pela defesa da vida, pelo 
reconhecimento do sujeito como portador de direitos e pela produção de cuidado 
em liberdade. No âmbito do SUS, esse cuidado se inscreve nos princípios da Reforma 
Psiquiátrica e do paradigma da atenção psicossocial, recusando abordagens 
exclusivamente coercitivas ou medicalizantes e afirmando a necessidade de 
intervenções territorializadas, intersetoriais e centradas no vínculo. Essas situações 
exigem acolhimento imediato, comunicação objetiva e a menor intervenção 
necessária para garantir a segurança do usuário.
Marcadores sociais que atravessam a situação (raça/cor, gênero, território, 
situação de vulnerabilidade social, histórico de violência, discriminação 
ou exclusão) devem ser considerados como estruturantes no sofrimento 
apresentado e, consequentemente, a compreensão e o manejo devem 
atentar-se a tais aspectos. 
A avaliação de gravidade deve considerar não apenas indicadores clínicos, 
mas também as condições sociais que produzem e intensificam o sofrimento, 
evitando leituras individualizantes.
1. Avaliação de gravidade
A avaliação inicial deve identificar:• risco atual (baixo, moderado, alto, iminente);
• presença de plano definido, intenção e acesso a meios letais;
• histórico de tentativas anteriores;
• fatores precipitantes e fatores protetivos;
• alterações no estado mental (agitação, delírios, rebaixamento de consciência);
• uso de álcool ou outras drogas;
• ruptura da contratualidade social e perda de capacidade de autocuidado.
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NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
31
3.3 Acolhimento em situações de risco de suicídio
O acolhimento em situações de risco de suicídio deve ser compreendido 
como uma prática clínica, ética e política, orientada pela defesa da vida, pelo 
reconhecimento do sujeito como portador de direitos e pela produção de cuidado 
em liberdade. No âmbito do SUS, esse cuidado se inscreve nos princípios da Reforma 
Psiquiátrica e do paradigma da atenção psicossocial, recusando abordagens 
exclusivamente coercitivas ou medicalizantes e afirmando a necessidade de 
intervenções territorializadas, intersetoriais e centradas no vínculo. Essas situações 
exigem acolhimento imediato, comunicação objetiva e a menor intervenção 
necessária para garantir a segurança do usuário.
Marcadores sociais que atravessam a situação (raça/cor, gênero, território, 
situação de vulnerabilidade social, histórico de violência, discriminação 
ou exclusão) devem ser considerados como estruturantes no sofrimento 
apresentado e, consequentemente, a compreensão e o manejo devem 
atentar-se a tais aspectos. 
A avaliação de gravidade deve considerar não apenas indicadores clínicos, 
mas também as condições sociais que produzem e intensificam o sofrimento, 
evitando leituras individualizantes.
1. Avaliação de gravidade
A avaliação inicial deve identificar:
• risco atual (baixo, moderado, alto, iminente);
• presença de plano definido, intenção e acesso a meios letais;
• histórico de tentativas anteriores;
• fatores precipitantes e fatores protetivos;
• alterações no estado mental (agitação, delírios, rebaixamento de consciência);
• uso de álcool ou outras drogas;
• ruptura da contratualidade social e perda de capacidade de autocuidado.
A avaliação de gravidade na saúde mental é ampliada, integrando elementos 
biológicos, subjetivos e psicossociais, e deve ocorrer em ambiente de escuta 
qualificada e sem julgamentos.
2. Acionamento e construção da rede de cuidados
Nenhuma situação de risco de suicídio deve ser manejada isoladamente. A 
equipe deve:
• acionar vínculos já existentes (família, Caps, APS, outros serviços de referência);
• construir rede, quando inexistente, envolvendo dispositivos comunitários e 
proteção social;
• estabelecer comunicação direta com responsáveis e serviços do território;
• planejar continuidade do cuidado nas próximas 24 a 72 horas;
• definir estratégias de supervisão e suporte no ambiente de vida.
A articulação entre o Caps e a APS é essencial para a continuidade do cuidado, 
o acompanhamento intensivo pós-crise e a atualização do PTS.
3. Ambiente protegido
O usuário deve ser acolhido em ambiente que minimize riscos 
imediatos, assegurando:
• ausência de meios letais;
• presença de profissionais ou familiares capazes de supervisionar;
• ambiente calmo, iluminado adequadamente e sem estímulos aversivos;
• espaço para escuta e conversa segura;
• abordagem não coercitiva.
Ambiente protegido não significa contenção, mas sim a criação de condições 
de segurança física e emocional, seja em serviço de saúde, seja no domicílio 
estruturado para tal.
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
32
Figura 2 – Fluxograma de cuidados para risco de suicídio
SITUAÇÃO DE CRISE IDENTIFICADA
Risco de suicídio
Acolhimento imediato:
• Escuta qualificada.
• Postura não julgadora.
• Comunicação clara.
• Foco em vínculo e proteção.
NÃO
SIM
Avaliação ampliada da gravidade + 
exame do estado mental:
• Presença de plano, intenção e 
acesso a meios letais.
• Histórico de tentativas prévias.
• Fatores precipitantes e fatores 
protetivos.
• Alterações do estado mental.
• Uso de álcool e outras 
substâncias.
• Capacidade de autocuidado e 
contratualidade social.
Organização de ambiente 
protegido:
• Retirada/ausência de meios 
letais.
• Supervisão adequada (não deixar 
a pessoa sozinha).
• Ambiente calmo e acolhedor.
• Espaço de escuta segura.
• Abordagem não coercitiva.
Acompanhamento intensivo e 
continuidade do cuidado.
Reavaliar nível de retaguarda 
(serviço com maior suporte):
• Caps.
• Leito hospitalar.
Continuidade do cuidado pós-crise:
• Acompanhamento intensivo Caps/APS.
• Atualização do Projeto Terapêutico Singular.
• Fortalecimento de fatores protetivos.
• Pactuação de estratégias para novas crises.
TODOS OS NÍVEIS
CONDIÇÕES DE 
SEGURANÇA ESTÃO 
GARANTIDAS?
Construção e acionamento de 
rede de cuidados:
• Acionar família e vínculos 
significativos.
• Articular Caps, APS e urgência.
• Envolver proteção social e 
dispositivos comunitários.
• Definir plano de seguimento 
em 24 a 72 horas.
Fonte: elaboração própria.
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
33
Quadro 3 – Níveis de gravidade da ideação suicida
Nível de 
gravidade
Características clínicas e psicossociais
Risco baixo
Ideação passiva (ex.: desejo de não acordar), sem plano definido, 
sem intenção atual e sem acesso a meios letais. Capacidade 
preservada de autocuidado, possibilidade de diálogo e presença 
de fatores protetivos.
Risco 
moderado
Ideação suicida ativa, pensamentos recorrentes, sem plano 
estruturado ou sem intenção imediata. Sofrimento psíquico 
intenso, ambivalência, fatores precipitantes recentes e possível 
redução parcial da contratualidade social.
Risco alto
Ideação suicida ativa com plano parcialmente definido e/ou 
intenção presente. Pode haver acesso a meios letais, histórico de 
tentativas anteriores, uso de álcool ou outras drogas, alterações 
do estado mental ou prejuízo do autocuidado.
Risco 
iminente
Ideação suicida com plano nitidamente definido, intenção explícita 
e acesso imediato a meios letais, ou tentativa em curso/recente. 
Pode coexistir grave desorganização psíquica, impulsividade, 
intoxicação ou incapacidade de julgamento.
Fonte: adaptado de Botega (2015).
A classificação dos níveis de risco deve ser compreendida como ferramenta 
clínica orientadora, e não como protocolo rígido, devendo sempre ser articulada 
à singularidade do caso.
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
34
Sobre o pós-crise 
O manejo do risco de suicídio não se encerra no momento da crise. A 
continuidade do cuidado é elemento central para a redução de riscos e 
para a produção de vida. Deve-se:
• garantir acompanhamento intensivo nas primeiras semanas pós-crise;
• atualizar e compartilhar o PTS;
• manter contato ativo com o usuário e sua rede;
• monitorar mudanças nas condições de vida;
• fortalecer vínculos com serviços e redes comunitárias;
• evitar descontinuidade do cuidado após alta ou estabilização inicial.
A descontinuidade do cuidado constitui um dos principais fatores de 
agravamento do risco, sendo fundamental a corresponsabilização entre os diferentes 
pontos da rede.
3.4 Acolhimento às situações de crise relacionadas ao uso de álcool e 
outras drogas
Segundo a OMS, conceitua-se como droga ou substância psicoativa toda e 
qualquer substância, natural ou sintética, lícita ou ilícita, prescrita ou não prescrita, 
que tem a capacidade de alterar o funcionamento do organismo, podendo provocar 
alterações no estado de consciência, na percepção, no humor e nos comportamentos 
(WHO, 2025). 
As diversas formas de uso de álcool e outras drogas dependem da relação 
estabelecida entre a tríade pessoa (set), contexto (setting) e a substância. Essa teoria 
é comprovada pelas evidências de que o mesmo consumo pode gerar efeitos 
completamente distintos para cada pessoa. Os efeitos do uso de álcool e outras 
drogas dependem das características individuais dequem as utiliza (a personalidade, 
os problemas de saúde, a intenção, as expectativas e os objetivos do uso), bem 
como do momento de vida em que a pessoa se encontra, do ambiente, da cultura e 
do meio social onde está inserida, além da(s) substância(s) de escolha, devendo-se 
levar em consideração o tipo, a dose, a via de uso e as possíveis interações (Hart, 
2021; Olievenstein, 1989).
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
35
Sobre o pós-crise 
O manejo do risco de suicídio não se encerra no momento da crise. A 
continuidade do cuidado é elemento central para a redução de riscos e 
para a produção de vida. Deve-se:
• garantir acompanhamento intensivo nas primeiras semanas pós-crise;
• atualizar e compartilhar o PTS;
• manter contato ativo com o usuário e sua rede;
• monitorar mudanças nas condições de vida;
• fortalecer vínculos com serviços e redes comunitárias;
• evitar descontinuidade do cuidado após alta ou estabilização inicial.
A descontinuidade do cuidado constitui um dos principais fatores de 
agravamento do risco, sendo fundamental a corresponsabilização entre os diferentes 
pontos da rede.
3.4 Acolhimento às situações de crise relacionadas ao uso de álcool e 
outras drogas
Segundo a OMS, conceitua-se como droga ou substância psicoativa toda e 
qualquer substância, natural ou sintética, lícita ou ilícita, prescrita ou não prescrita, 
que tem a capacidade de alterar o funcionamento do organismo, podendo provocar 
alterações no estado de consciência, na percepção, no humor e nos comportamentos 
(WHO, 2025). 
As diversas formas de uso de álcool e outras drogas dependem da relação 
estabelecida entre a tríade pessoa (set), contexto (setting) e a substância. Essa teoria 
é comprovada pelas evidências de que o mesmo consumo pode gerar efeitos 
completamente distintos para cada pessoa. Os efeitos do uso de álcool e outras 
drogas dependem das características individuais de quem as utiliza (a personalidade, 
os problemas de saúde, a intenção, as expectativas e os objetivos do uso), bem 
como do momento de vida em que a pessoa se encontra, do ambiente, da cultura e 
do meio social onde está inserida, além da(s) substância(s) de escolha, devendo-se 
levar em consideração o tipo, a dose, a via de uso e as possíveis interações (Hart, 
2021; Olievenstein, 1989).
Constata-se, assim, que os humanos estabelecem diferentes relações com 
as substâncias que utilizam e que, para alguns, pode ser uma relação problemática, 
que acarreta riscos e danos individuais e coletivos.
Na clínica de álcool e outras drogas, o efeito ou a falta da substância de 
escolha podem influenciar as situações de crise. A fissura, quadros de intoxicação, 
overdose e sintomas de abstinência, associados à dificuldade de estabelecer e 
manter relacionamentos interpessoais, são comumente relacionados ao menor 
tempo de permanência em espaços de cuidado (Gilmore; Drummond; Rehm, 2019). 
As crises não são urgentes por definição, mas demandam acolhimento 
imediato por equipe multiprofissional qualificada (Dassoler; Palombini, 2020; Muusse 
et al., 2022). A OMS (WHO, 2021) recomenda que os atendimentos à crise de saúde 
mental sejam realizados preferencialmente no contexto comunitário, por equipes 
ou serviços especializados. Especial atenção deve ser dada a populações mais 
vulnerabilizadas, como pessoas em situação de rua, garantindo o direito ao acesso 
e à continuidade do cuidado às situações de crise.
Em estudo em dois Caps AD III de São Paulo, Pierini e colaboradoras (2023) 
mostraram que mais de 86% das situações de crise foram manejadas no próprio 
serviço, sem necessidade de intervenção hospitalar ou de urgência. Contudo, 
foi necessária a articulação com a rede nos demais casos, o que demonstra boa 
capacidade do Caps em resolver a maioria das situações de crise e a importância 
da articulação de rede nos casos clinicamente mais complexos.
3.4.1 Abordagem inicial e avaliação das situações de crise
Para o cuidado dessas situações, é relevante considerar diretrizes e técnicas 
que busquem:
• priorizar a presença e a escuta; 
• a redução de riscos e danos; 
• o acolhimento e o desescalonamento verbal;
• a atenção ao ambiente e ao contexto em que a crise foi identificada; 
• evitar o isolamento do usuário; 
• não promover intervenções coercitivas e/ou involuntárias;
• não exercer práticas punitivas ou moralizantes.
MINISTÉRIO 
DA SAÚDE
36
São estratégias úteis a avaliação imediata e a intervenção rápida em crises 
potenciais; a postura compreensiva e reconfortante; o uso de métodos de resolução 
de problemas; a oferta de espaço, escolhas e tempo para a pessoa pensar; bem 
como a identificação de fatores desencadeantes, fatores de proteção e formas de 
intervenção preferenciais reconhecidas pelo próprio usuário. O desescalonamento 
verbal e o manejo ambiental devem preceder qualquer intervenção farmacológica 
ou contenção (Brasil, 2013; Cruz, 2014).
3.4.2 Tomada de decisão apoiada 
A tomada de decisão apoiada deve ser considerada de forma estrutural 
na elaboração do PTS das pessoas com necessidades relacionadas ao uso de 
álcool e outras drogas, podendo constituir também uma estratégia relevante no 
cuidado às situações de crise. Trata-se da possibilidade de o próprio usuário indicar 
uma pessoa ou uma rede de confiança com quem possa discutir questões que a 
afetam, compreender melhor as opções disponíveis e comunicar suas escolhas e 
preferências à equipe (Brasil, 2015a; WHO, 2016).
Pessoas ou redes de confiança do usuário podem auxiliar:
• na discussão sobre escolhas terapêuticas;
• na definição de estratégias de cuidado;
• na pactuação de manejo para futuras crises;
• na mediação entre equipes e usuário.
É importante garantir que as ações dos profissionais em serviços territoriais 
no manejo de crise sejam guiadas pelo princípio da integralidade, mesmo que haja 
dificuldade na articulação e no compartilhamento de cuidado com a Raps, além de 
utilizar-se da perspectiva da redução de danos nas ações de cuidado, fortalecendo 
o modelo de cuidado da atenção psicossocial (Lúcio, 2022).
3.4.3 Redução de danos como diretriz ética e prática de cuidado
A redução de danos constitui uma diretriz ética, clínica e política de cuidado 
que se consolidou internacionalmente nas décadas de 1980 e 1990, em resposta à 
constatação de que políticas exclusivamente proibicionistas ou centradas apenas 
na abstinência eram insuficientes para reduzir agravos à saúde e ampliar o acesso 
ao cuidado (Brasil, 2015a).
GUIA DE ACOLHIMENTO À CRISE EM SAÚDE MENTAL 
NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS)
37
No campo da saúde pública, a redução de danos consolidou-se como 
abordagem baseada em evidências, centrada na proteção da vida, na diminuição 
de morbimortalidade e na ampliação do acesso aos serviços de saúde. A redução 
de danos baseia-se na justiça e nos direitos humanos. Organizações internacionais, 
como a OMS e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), 
reconhecem a redução de danos como componente essencial das políticas de 
cuidado em saúde mental e de álcool e outras drogas (WHO; UNODC, 2020).
No contexto do SUS, a redução de danos foi incorporada como princípio 
orientador do cuidado territorial na Raps, especialmente nos serviços que atendem 
pessoas com problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas, como 
Consultório na Rua, Caps, Caps AD e Unidades de Acolhimento (UA) (Brasil, 2011c, 
2013, 2015a). Recentemente, a redução de danos foi incorporada nas normativas 
que orientam o funcionamento dos Centros de Convivência (Ceco) (Brasil, 2025). 
Nesse sentido, importa reconhecer que:
• o uso de álcool e outras drogas é um fenômeno complexo, multifatorial e 
socialmente determinado;
• a abstinência pode ser meta terapêutica, mas não deve ser condição prévia 
para acesso e continuidade do cuidado;
• a exclusão ou a restrição do cuidado ao usuário

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