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IMITANCIO REVISÃO
14 pág.

Audiologia Pontifícia Universidade Católica de GoiásPontifícia Universidade Católica de Goiás

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## Resumo sobre Aplicações Clínicas da Imitância da Orelha MédiaA imitância acústica da orelha média é uma ferramenta diagnóstica fundamental na audiologia, oferecendo diversas aplicações clínicas que auxiliam na avaliação da integridade funcional do sistema timpano-ossicular, no diagnóstico diferencial das perdas auditivas e na investigação de condições específicas como o recrutamento objetivo de Metz e a paralisia facial periférica. Essa técnica é valorizada por sua objetividade, rapidez, facilidade de aplicação e por não exigir grande colaboração do paciente, o que a torna especialmente útil em crianças pequenas ou em pacientes com dificuldades para realizar audiometria tonal.### Conceitos Básicos e TerminologiaO termo _imitância acústica_ engloba tanto a impedância acústica quanto a admitância acústica, que são grandezas recíprocas relacionadas à facilidade ou dificuldade com que a energia sonora atravessa o sistema auditivo. A impedância (Z) representa a oposição total ao fluxo de energia sonora, enquanto a admitância indica a facilidade dessa passagem. A energia sonora incide sobre a membrana timpânica, que separa dois meios, e parte dessa energia é transmitida, enquanto outra parte é refletida devido à impedância do sistema.Um conceito chave na imitância é a _complacência_, que expressa a facilidade ou magnitude do movimento do sistema tímpano-ossicular, sendo o fator dominante na impedância da orelha média quando se utiliza um tom de baixa frequência. A complacência é medida em termos de volume equivalente (cm³) e indica a rigidez ou flacidez do sistema auditivo médio.### Equipamento e Medidas RealizadasO equipamento utilizado para medir a imitância é o imitanciômetro, que consiste em uma ponte eletroacústica, um sistema de pressão (bomba de ar) e um gerador de tons puros. Ele mede o nível de pressão sonora em uma cavidade fechada, emitindo um sinal através de uma sonda e captando sua intensidade com um microfone. As principais medidas realizadas são:- **Complacência Estática:** Avalia o volume da orelha média pela diferença entre o volume da orelha externa e o volume da orelha externa mais o da orelha média. Essa medida revela a rigidez ou flacidez do sistema timpano-ossicular.- **Timpanometria:** Representada por um gráfico chamado timpanograma, que mostra a mobilidade da orelha média em função da pressão aplicada. Jerger (1970) classificou os timpanogramas em tipos A, As, Ad, B e C, cada um indicando diferentes condições clínicas, como função normal, otosclerose, perfuração timpânica, presença de líquido na caixa timpânica ou disfunção da tuba auditiva.- **Reflexo Acústico do Músculo Estapédio:** Refere-se à contração involuntária do músculo estapédio em resposta a sons intensos, protegendo a orelha interna. O reflexo é bilateral e depende da integridade das vias auditivas aferentes e eferentes, incluindo o nervo vestíbulo-coclear, tronco cerebral e nervo facial. Mede-se o limiar do reflexo acústico ipsilateral e contralateral, que são importantes para avaliar a função auditiva e detectar lesões.### Classificação dos Timpanogramas- **Tipo A:** Pico de máxima complacência próximo a 0 daPa, indicando função normal ou otosclerose.- **Tipo As:** Baixa complacência, sugerindo otosclerose, timpanoesclerose ou membrana timpânica espessada.- **Tipo Ad:** Alta complacência, indicando membrana timpânica flácida ou disjunção da cadeia ossicular.- **Tipo B:** Curva achatada sem pico, associada a líquido na caixa timpânica ou perfuração timpânica.- **Tipo C:** Pico deslocado para pressões negativas, indicando disfunção da tuba auditiva.### Reflexo Acústico e Suas ImplicaçõesO reflexo acústico é um mecanismo protetor que envolve um arco reflexo estapédio-coclear, que inclui o nervo coclear e o nervo facial. A ausência do reflexo pode indicar lesões em diferentes partes do sistema auditivo, como:- **Via aferente:** Lesão do VIII par craniano, perda auditiva neurossensorial severa (>55 dB), perda condutiva significativa (>30 dB).- **Via eferente:** Lesão supra-estapediana do VII par craniano, lesão da orelha média.- **Lesão de tronco cerebral:** Reflexos contralaterais ausentes com reflexos ipsilaterais presentes.### Aplicações Clínicas da ImitanciometriaA imitanciometria é amplamente utilizada para:- Diagnóstico diferencial das perdas auditivas condutivas.- Avaliação quantitativa da função da tuba auditiva, especialmente em casos de perfuração timpânica e planejamento de timpanoplastia.- Pesquisa do recrutamento objetivo de Metz, que ocorre quando o reflexo acústico é desencadeado por estímulos menores que 70 dB NS.- Investigação do fenômeno do _Tone Decay_, útil para diferenciar lesões cocleares de retrococleares.- Detecção de perdas auditivas funcionais (simulação).- Diagnóstico otoneurológico, incluindo lesões do tronco cerebral, topodiagnóstico das paralisias faciais e pesquisa do fenômeno de Túlio.- Predição do limiar auditivo em perdas neurossensoriais.- Diagnóstico de pequenos tumores glômicos na orelha média.### ConclusãoA imitância acústica da orelha média é uma técnica indispensável na prática audiológica, por sua capacidade de fornecer informações objetivas e rápidas sobre a função do sistema auditivo médio e suas vias reflexas. Seu uso facilita o diagnóstico preciso de diversas condições clínicas, desde alterações mecânicas na orelha média até lesões neurológicas, contribuindo para um tratamento mais eficaz e direcionado.---### Destaques- A imitância acústica avalia a integridade funcional do sistema timpano-ossicular e auxilia no diagnóstico diferencial das perdas auditivas.- A complacência e a impedância são conceitos fundamentais para entender a passagem da energia sonora pela orelha média.- O timpanograma classifica a mobilidade da orelha média em tipos que indicam diferentes condições clínicas.- O reflexo acústico do músculo estapédio protege a orelha interna e sua ausência pode indicar lesões em vias auditivas específicas.- A imitanciometria tem múltiplas aplicações clínicas, incluindo avaliação da função tubária, diagnóstico otoneurológico e predição do limiar auditivo.

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