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PATOLOGIA BUCAL AULA 2 LESÕES DA CAVIDADE ORAL POR AGENTES FÍSICOS ❖ Os agentes físicos presentes no meio ambiente, via de regra, atuam sobre o corpo humano existindo, assim, diferenças de potencial energético entre eles como, por exemplo, algo quente. Um líquido morno não causará lesão sobre a mucosa oral, mas se o mesmo líquido estiver muito quente determinará a lesão. ❖ A natureza dos agentes físicos depende do tipo de energia, e pode variar de mecânica, térmica, radiante, elétrica e barométrica. As elétricas geralmente ocorrem com frequência no grupo infantil (crianças que mordem fios elétricos). As barométricas, que são as mudanças de pressão, relacionam-se a patologias pulpares. Nessa aula o enfoque será dado às lesões de origem mecânica, térmica e radiante. Os agentes físicos que mais causam lesão na cavidade oral são os mecânicos, determinando lesões ulceradas (com perda da continuidade do epitélio da úlcera) e proliferativas (produzindo pápulas, placas, nódulos e tumores). A lesão determinada pelo agente físico apresenta uma resposta inflamatória visando o reparo do dano e restabelecimento do equilíbrio e homeostático. ❖ A úlcera traumática é uma das lesões mais comuns que acometem a cavidade oral, sendo vista, comumente, na borda lateral da língua, na mucosa jugal, lábio inferior e palato. ❖ Etologia da úlcera traumática: pequenos pedaços de alimentos duros, cerdas de escovas de dentes, mordidas na mucosa durante a mastigação, iatrogenia (lesões produzidas pelo dentista durante o atendimento odontológico) e entre outros. A cicatrização das úlceras traumáticas geralmente é rápida quando removida a causa. No que se refere ao diagnóstico das úlceras traumáticas a causa do trauma deve ser identificada, se adequando ao local, tamanho e forma da úlcera. Quando realizada a remoção da causa, a úlcera deve mostrar sinais de cura dentro de 10 dias. Úlceras na cavidade oral que não cicatrizam podem se tratar de um processo infeccioso ou processo neoplásico, como câncer de cavidade oral. As úlceras são classificadas de acordo com o grau de ulceração, são elas: úlceras agudas e úlceras crônicas. Geralmente úlceras agudas ocorrem de imediato, por exemplo: durante uma escovação dental o indivíduo machuca a mucosa oral com as cerdas da escova, causando assim, traumatismo que quando retirado resultará na cicatrização da úlcera. ❖ No que tange a úlceras agudas, suas causas podem ser evidenciadas pela história do paciente, ou seja, o paciente vai saber dizer como a úlcera surgiu, se foi durante a escovação que o machucado apareceu, se foi com um palito de dente. Essas úlceras são bastante dolorosas, pois os pacientes sempre relatam muito desconforto. Durante o processo de formação ocorrerá dano celular no desenvolvimento da lesão surgindo, assim, uma exsudação de um material com alto teor proteico que será a fibrina, que dará um aspecto ao fundo da úlcera de coloração amarelada. Geralmente essas úlceras são acompanhadas de um halo eritematoso e inflamatório. ❖ No que se refere a úlceras crônicas, suas causas não são tão óbvias, pois como a injúria é constante e de baixa intensidade costuma ser negligenciada pelo paciente, como por exemplo um bordo de prótese traumatizante. Quando o cirurgião dentista não conseguir encontrar o agente causal da ulceração, será necessário realizar biópsia para que a causa seja conhecida. Quanto à dor, as úlceras crônicas terão uma dor discreta ou até mesmo inexistente. ❖ No que se relaciona ao aspecto visual da úlcera, o epitélio das margens irá proliferar tentando cobri-la, mas como o agente traumático persiste, não existirá cicatrização. Nas margens da úlcera crônica é possível observar uma área esbranquiçada, (pois o epitélio sofre hiperplasia) e elevada. A figura acima é de uma úlcera aguda com o fundo branco amarelado composto por fibrina. Sua margem com halo eritematoso (avermelhado) que indica a existência da inflamação. Já nessa imagem, é possível perceber uma úlcera crônica localizada na língua. Seu aspecto terá fundo amarelado, que poderia também ser avermelhado se contivesse tecido de granulação. Nas suas margens é possível observar uma elevação com uma lesão esbranquiçada em virtude do aumento da espessura do epitélio na tentativa de cicatrizar. Geralmente nas porções mais profundas da úlcera, principalmente das úlceras crônicas nós vamos encontra: um infiltrado mononuclear composto por macrófagos e linfócitos, Nas porções mais superficiais da úlcera que é justamente a região que está em contato com o agente traumático, que no caso essa inflamação crônica ela é decorrente de ataques sucessivos de inflamação aguda, nós vamos encontrar um infiltrado neutrofílico na área de traumatismo constante que são as áreas de inflamação aguda intermitente Na lâmina própria veremos a proliferação de fibroblastos e capilares, essa proliferação de capilares vai da aquela formação do tecido de granulação, o epitélio das bordas vai exibir proliferação na tentativa de reparo, e podemos também encontrar no fundo a úlcera um exsudato fibrinoso ou fibrino – hemorrágico. É possível dizer que uma úlcera aguda pode se tornar uma úlcera crônica e progredir? Pode, se o agente continuar por exemplo: se eu mordo a mucosa todo instante, todo instante, certo, eu tenho uma mania de mastigar a bochecha por exemplo, eu posso envolver ali uma úlcera crônica. Ou então por exemplo eu tenho um dente agudo com bordo cortante a minha bochecha fica traumatizando ali, então aquela úlcera e constante, aquela úlcera vai sofrendo injúrias sucessivas, cada injuriazinha dessa dá origem a um processo agudo, que vai evoluir pra um crônico, ou seja, quando você tem no caso uma úlcera crônica sucessivos ataques agudos que e justamente na área do trauma, de um traumatismo constante, então essa daí vai se desenvolver para uma inflamação crônica, então a úlcera traumática por exemplo crônica ela é decorrente de sucessivos ataques agudos. Bom aqui nós temos o fundo de uma úlcera, observe que essa coisa aqui meio felpuda e bem cor de rosa que pegou muito bem a eosina, isso daqui e a fibrina, e o exsudato fibrinoso que nós observamos aqui no fundo a úlcera provavelmente aqui nessa região imediatamente ao exsudato fibrinoso nós vamos encontrar neutrófilos, logo abaixo nós temos vasos sanguíneos que se constitui no tecido de granulação, e provavelmente esses pontos pretos aqui mais abaixo representam um infiltrado inflamatório mononuclear, então essa úlcera traumática ela está vista sob menor aumento então não dá para ver detalhes celulares nela, mais supondo que nessa área aqui do fundo da úlcera e a área do trauma constante vamos encontra neutrófilos e mais abaixo, como e área de tentativa de reparo nós vamos encontrar a inflamação crônica constituída pelo infiltrado inflamatório mononuclear. Quando eu digo mononuclear e constituída de linfócitos e macrófagos, aqui no epitélio da borda tende a proliferar. A fibrina vem de onde? dos vasos, a fibrina vem do soro sanguíneo, então o soro sanguíneo e rico em que, em fatores de coagulação, então durante o processo de aumento de permeabilidade dos vasos essa fibrina ela vai escapar, na realidade sai o plasma com o fibrinogênio que é o precursor da fibrina e quando esse fibrinogênio entra em contato com o colágeno e os fatores de coagulação começa a produzir a fibrina ela vai se polimerizando e formando as estruturas aqui de aspectos felpudo no fundocirurgião-dentista, formando uma tatuagem. ➢ Em casos em que o paciente fez várias restaurações de classe II recentes e passa o fio dental naquela área. Aquele fio dental sendo passado na restauração recente vai implantar as partículas de amálgama na gengiva (principalmente no sulco gengival) formando áreas lineares de pigmentação da gengiva. ➢ Em situações em que precisa remover o ápice contaminado de uma raiz de um dente e obturar o restante com amálgama após tratamento endodôntico (retro- obturação endodôntica), podendo ser deixado o amálgama no interior dos tecidos moles do sítio cirúrgico e promover a tatuagem. Na clínica, essas tatuagens por amálgama se apresentam como manchas, ou raramente, como lesões ligeiramente elevadas. As bordas podem ser bem definidas, irregulares ou difusas. Isso vai depender do tempo que o amálgama está lá. As mais antigas, que sofrem expansão lateral por vários meses após a implantação, podem ter uma borda mais difusa e aumentar um pouco o tamanho. Os sítios mais frequentes são a gengiva, a mucosa alveolar e a mucosa jugal. Quando os fragmentos de amálgamas são grandes, eles podem ser vistos na radiografia, e geralmente a área clinicamente visível é maior do que o que você vê na radiografia graças a esse processo de expansão lateral, por causa dos produtos de corrosão, que vão sendo liberados da partícula maior e vai se espalhando nas adjacências do tecido. Aqui temos uma área de pigmentação que a causa é uma restauração com amálgama e o material foi implantado no soalho da mucosa, dando essa pigmentação escura da tatuagem por amálgama. Então tem sempre uma relação de um dente restaurado com amálgama com a mancha negra observada aqui. Na primeira figura, foi passado um fio dental na restauração recente na época. O paciente passou o fio dental no primeiro dente e saiu passando nos outros dentes, formando essas áreas lineares de amálgama, devido a implantação de amálgama por fio dental. O caso da segunda figura é um caso de retro-obturação endodôntica. O paciente tratou o canal radicular do dente e precisou extrair só o ápice da raiz, fez uma cavidade pequena no coto e fechou o coto com amálgama. Muitas vezes as partículas do amálgama podem se difundir formando essa mancha. Aqui o amálgama ficou no sítio de extração, então o dente foi extraído e ficou essa mácula. O paciente tem uma ponte fixa e abaixo dela tem uma tatuagem por amálgama. Quando se tira a radiografia é possível ver um pontinho branco, radiopaco (indicado na seta da segunda figura). Veja que a lesão clínica é maior que o ponto radiopaco que está apresentado na segunda figura, por causa da liberação dos produtos de corrosão que são mandados para a mucosa. Então geralmente a área radiográfica é menor do que a área clínica. Tatuagem por amálgama: aspectos histopatológicos A primeira característica histopatológica que observamos na lâmina é os fragmentos dispersos do metal no interior do tecido conjuntivo. Isso vai depender do tamanho do fragmento. Podem ser vistos fragmentos sólidos, escuros, grandes e dispersos, ou numerosos grânulos marrons escuros, negros e finos. Quando a partícula de amálgama é fina e pequena, sob a forma de grânulos, ocorre verdadeiramente a tatuagem, porque os sais de prata do amálgama dental tingem perfeitamente as fibras reticulares, especialmente aquelas que cercam os nervos e canais vasculares. Os fragmentos grandes não formam uma tatuagem verdadeira. Eles são englobados por tecido conjuntivo fibroso denso com inflamação discreta. As partículas menores estão associadas tipicamente a uma resposta inflamatória mais significativa, principalmente grânulos de amálgama. É justamente em decorrência dessa inflamação que ocorre a tatuagem. Os grânulos são fagocitados por macrófagos, e os macrófagos separam por processos ácidos do seu citoplasma a prata, o enxofre, o estanho, o cobre e o zinco (principalmente o enxofre). Por isso as partículas de prata se difundem para as fibras reticulares das bainhas nervosas e para os canais vasculares. Na primeira imagem podemos ver vários fragmentos de amálgama (escuros e sólidos), notamos fragmentos grandes, mas não chegando a formar mesmo uma tatuagem, mas que a partir do momento que for liberado os produtos de corrosão pode ocorrer a tatuagem. Na segunda imagem podemos ver as partículas menores que foram fagocitadas, se depositando na parede dos vasos, em fibras reticulares ou em fibras e bainhas nervosas. (Depositadas nos nervos). Ocorrendo assim a tatuagem. Por fim, as pigmentações exógenas sistêmicas ou lesões pigmentadas na mucosa bucal de natureza sistêmica pode decorrer de duas maneiras da terapêutica medicamentosa ou de natureza ocupacional . ❖ Relacionado a terapêutica medicamentosa nós temos devido “Aqueles pacientes que tomam Cloroquina, que tomam Tetraciclina por períodos prolongados, para o tratamento de acne, por exemplo, antirretrovirais” por períodos prolongados com isso esses pacientes podem ter pigmentação da mucosa. ❖ Em outra situação esse fator pode decorrer de forma natural (ocupacional) por aqueles indivíduos que manipulam chumbo, mercúrio, causando assim a pigmentação da mucosa oral. A intoxicação por chumbo é chamada de saturnismo. Geralmente o chumbo é manuseado nas indústrias de artesanato, inseticidas, acumuladores (bateria automotiva), soldas metálicas e em alguns recipientes que pouco são usados nos dias atuais. Geralmente os indivíduos que manipulam o chumbo com frequência pode ocorrer o saturnismo no qual o chumbo geralmente é absorvido pelo trato gastrointestinal ou através dos pulmões e a toxicidade está relacionada aos seus múltiplos efeitos bioquímicos. “Para termos uma ideia o chumbo tem afinidade com o grupo Sulfidrila ou grupos SH presente em várias enzimas, então ao se unir a esses grupos ele começa a inibir a função de enzimas no qual muitas delas estão envolvidas em processos vitais para a homeostase corporal, por exemplo: interferência na Incorporação do Ferro (Fe+) nas hemoglobinas, ou seja, invés de Fe+ na hemoglobina eles terão Chumbo ocasionando não só anemia hipocrômica (hemácia pequena). Ao analisar as hemácias histopatologicamente observa-se um pontilhado de cor roxa, chamado de pontilhado basofílico indicando a presença de chumbo na hemácia além da hemólise. Como diversos outros problemas sistêmicos. Em crianças o chumbo compete com os íons de cálcio e acaba se depositando nos ossos e forma uma reserva de chumbo nos ossos no qual com o decorrer dos anos essa reserva vai sendo liberada ocasionando a intoxicação de forma frequente, sendo difícil de ser tratada. Além disso, o chumbo pode causar danos aos rins, hemácias e causar hipertensão. O chumbo interfere na produção de vitamina” D”, então o paciente terá diversos problemas pela intoxicação pelo chumbo no qual ocasiona problemas de cefaleia encefalopatia em crianças no qual acaba sendo mais grave. Pode também ocasionar anorexia, fadiga, dor abdominal e entre outras. Relacionada às manifestações orais nós vamos observar uma característica chamada “linha gengival de chumbo “Também conhecida como linha de Burton), que é uma linha de cor azulada ou negra azulada, ao longo da gengiva marginal, o chumbo depositado na no sulco gengival vai sofrer a ação metabólica das bactérias do sulco gengival que produz sulfeto de hidrogênio no qual reage com chumbo formando assim o sulfeto de chumbo dando a coloração azulada ao longo da gengiva marginal. nesses casos os indivíduos também podem apresentar ulcerações orais, tremor da língua por conta dos danos neurológicos, salivação excessiva, queda do punho ou do pé por conta dos danos neurológicosA seguir podemos ver as características clínicas da linha de Burton: O mercúrio também causa intoxicação geralmente a intoxicação por mercúrio chamada de hidrargirismo ou mercurialismo ela pode ocorrer em duas situações por acidente ou de forma ocupacional assim como o chumbo no qual destacamos os polímeros, os agentes catárticos ou loções de calomelano que se dava às crianças como agentes purgativos, ou seja, as pessoas ingeriam mercúrio. “Dando exemplo dos chapeleiros que trabalhavam com mercúrio que era absorvido pela via respiratória ao polir o feltro. Na imagem podemos ver os sintomas e características orais presentes relacionado ao mercúrio, além do efeito corrosivo nos tecidos periodontais há o aumento da salivação (Sialorreia). “Lembrar que a linha azulada é chamada somente de linha de mercúrio”. O bismuto também pode ocasionar pigmentação na mucosa oral, geralmente o bismuto era muito utilizado no século XX no tratamento de doenças venéreas, sobretudo a sífilis quando não havia antibióticos, geralmente os pacientes morriam antes por conta do tratamento. Na cavidade oral os pacientes apresentavam o ptialismo que é a mesma coisa de sialorreia, que é a mesma coisa de salivação excessiva, sensação de queimação e ulcerações. O Arsênico era utilizado nas lesões de pele e na era vitoriana para se manterem pálidas, desenvolvendo ceratoses cutâneas. Também se utilizava no tratamento das sífilis associado a uma atrofia na língua induzindo à placa ceratóticas que sofria alterações malignas, que com os anos traria câncer de língua. Na clínica para se detectar a patologia se faz necessário buscar a história clínica do paciente além de exames apurados de laboratório, no qual uma vez tratado essas pigmentações desaparecem. A seguir podemos ver a pigmentação por bismuto no qual se deposita com frequência nas papilas gengivais Também é possível ver outras pigmentações como o da cloroquina difundida na pandemia sem efeito comprovado. (Causa cegueira e pigmentação de pele e mucosa). Vejamos abaixo exemplos claros de outros causadores de pigmentação. Imagem referente a pigmentação de ciclofosfamida utilizada a um longo período para o tratamento de doença autoimune.da úlcera. Então ela vem dos vasos sanguíneos. A lesão crônica, provocada por traumatismo, pode se tornar uma neoplasia maligna? Geralmente não, ela só vai se torna uma neoplasia se o indivíduo tiver junto com esse traumatismo algum fator que faça mutação de genes, por exemplo, uma úlcera traumática ela não evolui para câncer, uma hiperplasia fibrosa não evolui, agora se o indivíduo fuma se o indivíduo bebe, ele tem uma péssima higiene oral que junta ali bactérias que produzem nitritos, e os nitritos produzam nitrosamina, então isso vai fazer com que ocorra alteração genética na célula e aí desenvolver a neoplasia , mais a lesão traumática em si não, certo. Então ela vai precisa ali de um agente carcinógeno para poder desenvolver, calor na cavidade oral. trauma mecânico geralmente não causam câncer, mas podem ser um coadjuvante se o paciente apresentar algum carcinógeno ali na cavidade oral, alguma substância, algum agente causador de câncer. Existe um outro tipo de úlcera na cavidade oral que é denominado de granuloma traumático, o granuloma traumático também tem outras denominações muita gente o chama de granuloma eosinófilo traumático, outros de granuloma ulceronecrosante e outros de úlcera eosinofílica da língua. O último termo eu não gosto muito porque ele não é exclusivo da língua, ele tanto ocorre na língua, quanto ocorre no lábio, como ocorre na mucosa jugal que é a mucosa da bochecha, eu prefiro ser mais simplório e chama de granuloma traumático que já me diz tudo. Então essa lesão nos chama a atenção, por ser uma lesão ulcerada usualmente extensa de evolução rápida e sem causa aparente, uma coisa muito interessante e que essa lesão tem um aspecto crateriforme, e uma lesão muito profunda apresentando suas bordas bem endurecidas por causa da tentativa de cicatrização e é indolor é uma úlcera que tem um aspecto clínico muito feio e que muita gente é indicada para um estomatologista com suspeita de câncer , todos os casos de granuloma traumático que chegaram na época no meu consultório vieram com indicação de câncer. E uma justificativa sim, porque a lesão não cicatriza fácil, e o paciente não consegue identificar a causa, como é uma lesão de longa duração a gente vai ter que lança mão da biópsia para saber o que é, porque você não vai dar o diagnóstico de uma granuloma traumático na clínica, você pode até suspeitar mais pra vocês terem uma ideia essas lesão apesar de cicatrizarem, elas cicatrizam de uma forma muito lenta geralmente leva em torno de 8 meses pra sofrer esse processo de cicatrização. No fundo da úlcera nós vamos observar tecido de granulação proliferativa que pode fazer com que essa lesão seja elevada se assemelhando a uma lesão que nós vamos ver daqui a pouco que é o granuloma piogênico, então fundo da úlcera e avermelhado e elevado lembrando essa lesão é chamado granuloma piogênico. Ela e observada principalmente na língua talvez eles chamem granuloma eosinófilo da língua porque ele foi encontrado na maioria dos casos na borda lateral da língua entretanto a mucosa jugal a mucosa labial apresentam a lesão com a predominância no sexo masculino e a etiologia apesar de ser desconhecida existe essa possibilidade de traumatismo, traumatismo este para envolver o tecido profundo envolvendo o tecido muscular que vai apresentar degeneração, então geralmente essa ulcera, esse granuloma traumático ele está associado a bordo cortante de dentes onde o indivíduo sofre aquele trauma constante aqueles ataques sucessivos de inflamação aguda deixando essa lesão exorbitante, na realidade essa granuloma traumático e constituído por uma profunda reação inflamatória pesudo invasiva e lenta para regredir , como eu disse anteriormente muitas dessas lesões se você não tratar e remover só a causa aqueles bordos de dentes cortantes ela vai levar entorno de 8 meses, agora uma coisa interessante se você mexer nela fizer a biopsia tira uma parte dela, ela de repente começa a cicatrizar bem rápido. O trauma geralmente é apontado como a causa, mas se só fosse o trauma todas as úlceras seriam granuloma traumático, só que no granuloma traumático a gente vai ter alguns fatores adicionais isso talvez seja muito dependente da reação individual aos agentes causais isso vai variar de pessoa pra pessoa então nesse caso Sempre uma úlcera você vai ter ingresso de microrganismos, vai haver toxinas e corpos estranhos no tecido conjuntivo, só que no caso do granuloma traumático há o que parece os mastócitos agem de uma maneira bastante exagerada, e o produto da degranulação dos mastócitos vai liberar um fator quimiotático que vai atrair eosinófilo daí a presença dos eosinófilos no granuloma traumático que não são visto na úlcera traumática então essa presença de eosinofilia no granuloma traumático e decorrente dessa reação exagerada dos mastócitos e esses mastócitos produzem a bpm que é a proteína básica maior, essa bpm causa muita destruição tecidual, por isso essa úlcera tem a característica bem destrutiva e quando você examina a lâmina você observa a presença dos eosinófilos, havendo muito eosinófilo nessa úlcera. Então, a coisa vai assim ulceração devido ao trauma, ingresso de microrganismos toxinas e corpos estranhos no tecido conjuntivo, isso induz uma reação exagerada dos mastócitos, os mastócitos desgranulam intensamente e vão liberar um fator quimiotático eosinofílico (um fator quimiotático que vai atrair eosinófilos) aí justifica a presença dos eosinófilos nessa lesão, esses eosinófilos produzem a proteína básica maior que causa destruição tecidual e daí o surgimento da ulceração eosinofílica. Qual seria a diferença do granuloma traumático para a úlcera traumática? A úlcera traumática é mais rasa, pode até ser mais larga, cicatriza rápido depois de retirada a causa, já o granuloma traumático e mais profundo ele não cicatriza rápido quando você tira a causa leva geralmente 8 meses para cicatrizar a não ser que você remova cirurgicamente, na úlcera traumática só vamos encontrar inflamação, essa inflamação mais superficial, essa inflamação da úlcera traumática ela e mais presente na lâmina própria, já no granuloma traumático essa ulceração e mais profunda, vai envolver tecido muscular vai dissociar e degenerar músculos no caso dos músculos da língua aqui por exemplo e também nos encontramos eosinófilos que nós não encontramos na úlcera traumática eosinófilos. Veja essa úlcera aqui ela tem aspectos bem crateriformes , uma úlcera grande, veja que está associada aqui com elementos dentários cortantes havendo traumatismo constante, a diferença etiológica e que na úlcera traumática você não tem uma reação mastocitária extensa e no granuloma traumático você vai ter , mais isso varia de pessoa para pessoa, as pessoas respondem de maneira diferentes, não é todo mundo que vai desenvolver um granuloma traumático não tem que haver uma predisposição para isso, isso varia de acordo com a carga genética de cada um, já tentaram induzir isso em rato mas não é fácil não, só alguns ratinhos desenvolveram um trauma compressivo constante e não conseguiu em todos os ratos, uma minoria dele desenvolveu, então essa lesão como ela demora muito para cicatrizar mesmo você removendo a causa, uma úlcera traumática normal cicatriza num espaço 10 a 14 dias e essa lesão pode permanecer de uma semana a 8 meses. Uma úlcera traumática normal cicatriza entre 10 a 14 dias, mas o granuloma traumático é uma lesão que mesmo removendo-se a causa demora muito para cicatrizar (entre uma semana e 8 meses), então por isso pode ser confundida com um câncer, mas uma vez cicatrizada a lesão não reaparece, no entanto para isso, a causa tem que ser removida. No caso da imagem, a causada lesão são os elementos dentais anômalos, defeituosos, fraturados, com bordas cortantes que traumatizam constantemente a borda lateral da língua, veja que aí se tem uma relação causa-efeito. Aqui é mostrado mais um exemplo de granuloma traumático localizado na porção ventral da língua, onde na lesão cresceu tanto tecido de granulação no fundo da úlcera (veja que ela é uma úlcera grande), que houve a protrusão dessa massa rosa/avermelhada, esses pontos mais vermelhos. A causa está associada a esses dentes irregulares observados na imagem. Aqui está o quadro microscópico, essa aqui é a porção profunda da úlcera onde se observa essas células com o citoplasma bem avermelhado (são eosinófilos) que foram recrutados para a área da lesão e a partir daí começam a produzir a proteína básica maior que danifica os feixes musculares, observe que na imagem não se vê estriações nesses feixes e eles se encontram pálidos, caracterizando o início de um processo degenerativo. Além dos eosinófilos, que são as células que chamam atenção nessa lesão, é possível observar também células com o núcleo redondo e pálido (são macrófagos); células com o núcleo redondo que ocupa quase todo o citoplasma (são linfócitos); e células com núcleo deslocado para uma das bordas citoplasmáticas (são plasmócitos). *É importante enfatizar mais uma vez que a célula destaque presente no granuloma traumático é o eosinófilo. O granuloma traumático é uma lesão que se estende em profundidade, o que não ocorre na úlcera traumática, envolvendo e dissociando os feixes musculares estriados que exibem sinais de degeneração. DOENÇA DE RIGA-FEDE Existe outra doença, que é um tipo de granuloma traumático, que ocorre em recém- nascidos que apresentam dentes natais (presentes ao nascimento) ou neonatais (erupcionam 30 dias após o nascimento com erupção muito precoce). Geralmente a Doença de Riga-Fede está associada ao incisivo inferior e o granuloma traumático ocorre na porção ventral anterior da língua (mais frequente), mas se esse dente natal ou neonatal for um incisivo superior o granuloma traumático ocorrerá na porção dorsal anterior da língua (menos frequente). HIPERPLASIA FIBROSA INFLAMATÓRIA Quando estudamos inflamação crônica em patologia geral, nós observamos que as células inflamatórias crônicas, sobretudo os macrófagos, secretam fatores de crescimento que induzem o crescimento e a proliferação dos fibroblastos e algumas citocinas fibrogênicas (Fator de Necrose Tumoral e Interleucina 1), que estimulam a produção de fibras colágenas por esses fibroblastos. Em resumo, as inflamações crônicas induzem a proliferação celular e por isso elas podem ser chamadas de proliferativas, em algumas predomina tecido de granulação (como em algumas úlceras traumáticas, no granuloma traumático e no granuloma piogênico), e em outras predomina a produção de tecido fibroso e nesse caso chamamos de Hiperplasia Fibrosa Inflamatória, onde a causa da lesão é a própria inflamação. Essa é a lesão mais comum da mucosa bucal, podendo acometer pacientes em ampla faixa etária, sem predileção por gênero. A lesão hiperplásica é reacional e caracterizada pela proliferação de fibroblastos com deposição de matriz extracelular, portanto os fibroblastos se proliferam e produzem colágeno e substância fundamental (componentes da MEC). A Hiperplasia Fibrosa Inflamatória tem como causas/etiologia as próteses dentárias removíveis mal adaptadas, que machucam constantemente a mucosa; ou o hábito, desenvolvido por alguns pacientes, de morder e succionar a mucosa. Então esses agentes irritativos locais geram um processo inflamatório crônico na mucosa bucal, com consequente liberação de mediadores químicos que induzem a proliferação de fibroblastos e a deposição de matriz extracelular rica em fibras colágenas. Exemplo de Hiperplasia Fibrosa causada por prótese. Em patologia, todo crescimento que ocorre na gengiva é denominado de epúlide. Na imagem (A) se observa o rebordo alveolar sem dentes e um crescimento constituído por duas dobras/pregas/lóbulos de tecidos hiperplásicos separadas por uma fissura, formando uma úlcera em formato de “V”. Alguns tipos de epúlides podem formar mais de duas dobras/pregas/lóbulos de tecidos hiperplásicos ao redor da lesão. Então, como visto na imagem (B), a prótese traumatizou essa área, formando a fissura, e as bordas ao redor da fissura começaram a crescer, dando um aspecto nodular e lobulado/pregueado à lesão. Essa hiperplasia que ocorre no rebordo alveolar ou no fórnice mandibular da prótese mal adaptada é denominada também de Epúlide Fissurado, mas pode ser chamada apenas de Hiperplasia Fibrosa. Essas áreas mais avermelhadas observadas no tecido hiperplásico da imagem (B) podem ser áreas de ulceração devido ao traumatismo constante. (Imagem superior esquerda): É mostrado mais um exemplo de hiperplasia fibrosa, onde é possível observar uma lesão sangrante devido à ulceração, com múltiplas pregas e fissuras decorrentes de um traumatismo protético grave. (Imagem superior direita): Observa-se a manifestação da hiperplasia fibrosa no palato, causada também por uma prótese mal adaptada, que formou uma lesão do tipo pólipo fibroepitelial (que tem um crescimento tecidual em formato de “folha” e é ligado ao tecido por uma haste/pedículo/caule), por isso essa lesão também pode ser chamada de Fibroma em Folha ou Hiperplasia Fibrosa em Folha. (Imagem inferior): Tem-se uma lesão na mucosa jugal de forma nodular ou papular, dependendo da profundidade e do tamanho da lesão, onde o paciente mordia ou succionava com frequência a mucosa; e bem discretamente é possível observar uma área de ulceração, e onde tem ulceração as lesões ficam dolorosas por conta da exposição do tecido conjuntivo, deixando as terminações nervosas vulneráveis aos irritantes; esse tipo de hiperplasia fibrosa que ocorre na mucosa jugal também pode ser chamado de Fibroma Traumático. (Imagem esquerda): Exemplo de hiperplasia fibrosa onde o paciente tinha o hábito de succionar a mucosa contra o espaço interdental (diastema). (Imagem direita): Outra lesão hiperplásica fibrosa na borda lateral da língua, também causada pelo hábito de morder a língua. *Todos esses exemplos são Hiperplasia Fibrosa Inflamatória. HIPERPLASIA FIBROSA NO PALATO POR CÂMARA DE SUCÇÃO Ocorria com mais frequência antigamente, hoje os casos são mais raros. Na tentativa de adaptar uma prótese a um palato de uma área chapeável precária, quando não se tinha muito apoio, geralmente o protético fazia um recorte na porção central da prótese para fazer uma sucção e, assim, tentar estabilizar a prótese, só que essa sucção estimula o crescimento tecidual, formando essa hiperplasia fibrosa que reproduz o formato da câmara confeccionado na prótese (“calo no palato”). Observa-se a câmara de sucção (imagem esquerda) e a Hiperplasia Fibrosa no Palato por Câmara de Sucção (imagem direita), decorrente do uso duradouro dessa prótese. É uma lesão não cancerígena, mas que somada a fatores de predisposição genética e fatores de hábitos externos (como fumar, beber, má higienização oral) poderá contribuir para o desenvolvimento de um câncer. ❖ Achados Histopatológicos (o que se espera encontrar em uma lâmina que contém um tecido que apresenta hiperplasia fibrosa inflamatória):Haverá proliferação do epitélio e do tecido conjuntivo (lâmina própria), por isso se espera encontrar nesses tecidos: Epitélio: hiperplasia, acantose, exocitose leucocitária (devido à inflamação da lâmina própria, permitindo a migração de neutrófilos para o epitélio, produzindo a exocitose) e em algumas áreas pode haver atrofia e ulceração. Lâmina Própria: exibe tecido conjuntivo fibroso denso celularizadocom intensidade variada de infiltrado inflamatório predominantemente mononuclear (linfócitos, plasmócitos e macrófagos), esse infiltrado é muito variável de acordo com a lesão, em algumas hiperplasias fibrosas é encontrado muito infiltrado e em outras ele é escasso. Então tá aqui o corte histológico. Temos, na figura A, o epitélio hiperplásico, o professor chama de acantose essas áreas de hiperplasia mais larga (formato de bloco) e hiperplasia as partes mais finas (as partes em formato espinhoso no epitélio). É tudo hiperplasia epitelial, se chamarmos tudo de acantose para o professor tá certo. Ou seja, na imagem A temos o epitélio exibindo hiperplasia ou acantose. Abaixo do epitélio temos a lâmina própria, onde vemos o tecido bem cor de rosa, que é o tecido colágeno, que foi depositado em grande quantidade graças a essa proliferação celular, onde os fibroblastos secretam o colágeno. Na imagem B mostra-se em maior aumento a grande quantidade de colágeno, organizado sob a forma de feixes grosseiros, que chamamos de tecido conectivo fibroso densamente colagenado. Temos células alongadas, chamadas de células fusiformes, que são os fibroblastos. E as células arredondadas, que são o infiltrado inflamatório mononuclear, típico de toda hiperplasia fibrosa inflamatória. Nessa imagem temos a epúlide fissurada, onde vemos a fissura no meio. Provavelmente essa área tá ulcerada, mas não dá para ver nesse corte. Temos o extravasamento de hemácias, o epitélio hiperplásico com acantose (a hiperplasia está muito ampla, em formato de “bloco”). Também temos os feixes colágenos densos, está até em cor mais rosada. O que aconteceu: a prótese traumatizou e as duas pregas teciduais surgiram, formando a epúlide fissurada: pregas de tecido conjuntivo fibrovascular hiperplásico, revestidas por epitélio pavimentoso estratificado. Mas a descrição é a mesma da hiperplasia fibrosa inflamatória. Aqui é mostrado mais uma vez. Essa pode estar relacionada com a lesão arredondada, que vemos na mucosa jugal, no bordo lateral da língua, parecendo um fibroma traumático. Vemos o epitélio hiperplásico com acantose, a intensa deposição colagênica sobre as formas de feixes densos. Só não tá dando para ver o infiltrado inflamatório porque está em menor aumento. Vemos as papilas bem alongadas e hiperplásicas. Está parecendo mais uma lesão retirada de gengiva, pelas papilas bem alongadas, que é muito comum na gengiva. Outra hiperplasia fibrosa. Epitélio hiperplásico. Essa tá tão inflamada que vemos a abundância de células inflamatórias na lâmina própria. E aqui temos uma área desnuda, sem epitélio, provavelmente uma área de ulceração. Tem até os feixes de fibrina. Pode ocorrer a úlcera dentro de uma hiperplasia fibrosa. Aqui o epitélio hiperplásico e a lâmina própria com a deposição de colágeno. HIPERPLASIA PAPILAR Existe um outro tipo de hiperplasia fibrosa, que nós chamamos de hiperplasia papilar. Normalmente essa hiperplasia papilar envolve na maioria das vezes a mucosa do palato, embora em alguns casos ela possa também ocorrer no rebordo alveolar mandibular. - Na maioria das vezes, ocorre em pacientes portadores de prótese total. Em raras ocasiões ocorre em mucosa das cristas alveolares da mandíbula e da maxila. - Pode ser considerada como um tipo de hiperplasia fibrosa inflamatória que ocorre no palato duro, onde se apresenta como projeções papilares, conferindo ao todo um aspecto verrugoso. vamos ver vários crescimentos diminutos, um junto do outro, dando aspecto de papila. Quando examinamos o palato desse paciente, ele tem o aspecto bem granulado, verrugoso. - Geralmente a hiperplasia papilar está associada com dentadura total ou parcial, mal ajustada, sendo a higiene bucal deficiente um fator contribuidor. > na hiperplasia papilar encontramos Candida, e Candida pode induzir a lesões cancerizáveis, pois tem algumas Candidas que metabolizam nitritos, e estes nitritos metabolizados pela candida, em um pH ácido, formam as nitrosaminas, que são mutagênicas. Por isso já se olha de banda para essas hiperplasias papilares. Então essa higiene bucal deficiente não é boa coisa, porque acumula muitas bactérias, sobretudo Cândida, que é um fator contribuidor para o aparecimento dessa lesão. - Uso de dentadura 24 horas. > Geralmente esses pacientes usam a prótese durante 24h (vaidade), não tiram nem para dormir, e seria correto retirar a prótese para dormir e sempre higienizar as próteses (em solução antifúngica). - A Cândida e respiração bucal (pacientes em próteses) têm sido sugeridas como causas. -> A Candida é um fungo existente na cavidade oral, é o primeiro organismo que contraímos depois do nascimento. Em uma prótese mal adaptada a cândida fica com o ambiente só para ela, e aí ela prolifera. Se não houvesse a prótese, as outras bactérias da cavidade oral controlariam o crescimento da Candida, neutralizando a situação. A Cândida se adere ao acrílico da prótese, e nele ela se dá muito bem, porque as outras bactérias não chegam e ela começa a crescer. Se fizermos uma coleta do palato desse paciente quase que você não acha a Cândida, mas se fizer a coleta da dentadura vamos achar abundantes quantidade, devido ao aderimento no acrílico, aí a necessidade de prótese dormir dentro de um copo de água com antifúngico, não vai adiantar dar o antifúngico para o paciente, ele bocejar e as Cândidas continuarem aderidas ao acrílico da prótese. Por isso que o uso de dentaduras 24h, somado às dentaduras mal adaptadas, vemos que a Candida tem esse especial papel na patogenia, ou seja, no mecanismo de formação da hiperplasia papilar. Entretanto, em outras situações, em indivíduos que não usam prótese, mas respiram pela boca, ou seja, aqueles pacientes que podem ter problemas de adenoides, ou outros problemas nas vias aéreas superiores, ele começa a respirar pela boca, e essa respiração além de favorecer o aumento de cáries vai também favorecer a proliferação da Candida. Então tanto a Candida albicans quanto a respiração bucal tem sido sugerida como causas da hiperplasia papilar Aqui nós temos o aspecto macroscópico ou clínico da lesão. Na primeira imagem o paciente desdentado, e nas áreas verrucosas/pedregosas/granulares no palato, esses múltiplos crescimentos papilares associados a essa área mais eritematosa. Nessa área de eritema podemos encontrar ou atrofia ou diminuição da queratinização, ou até mesmo erosões. Na segunda imagem temos uma câmara de sucção, onde o paciente achava pouco ter a câmara de sucção e não tirava a prótese para dormir, então de bônus, além da hiperplasia fibrosa, ele ganhou a hiperplasia papilar por sua imperícia/falta de higiene bucal, permanecendo com essa prótese mal adaptada durante 24h. ❖ Achados histopatológicos Pela própria clínica podemos imaginar o histopatológico, temos: ➢ Numerosos crescimentos papilares na superfície, estes crescimentos são cobertos por epitélio escamoso estratificado. -> quem foi responsável, na lâmina, pelo crescimento papilar? tecido conjuntivo. ➢ Presença de projeções papilares constituídas de um ninho de tecido conjuntivo revestido por tecido epitelial. ➢ Tecido conjuntivo pode ser frouxo e edematoso (se tiver muita inflamação), ou densamente colagenado (se não tiver muita inflamação). ➢ O infiltrado, em ambas as situações, é do tipo mononuclear. Esses múltiplos crescimentos papilares, esse crescimento para fora, para a superfície do tecido conjuntivo, nós chamamos de papilomatose. Por isso que essa condição é chamada de hiperplasia papilar ou papilomatose, justamente esse ninho de tecido conjuntivo (seta vermelha ta apontando) que é revestido por esse epitélio hiperplásico(seta azul). Tem casos que a hiperplasia papilar que a hiperplasia do epitélio é tão grande que chega a formar um quadro de hiperplasia pseudoepiteliomatosa. Então, em maior aumento na imagem de baixo, temos o ninho de tecido conjuntivo decorrente da papilomatose e podemos ver o epitélio (em rosa) hiperplásico, com acantose, revestindo cada ninho de tecido conjuntivo. Então daí a formação dessas papilas que dá aquele aspecto verrugoso. Agora vamos falar um pouco sobre o fibroma ossificante periférico. Na realidade, essa condição é uma hiperplasia fibrosa que ocorre na gengiva, só que como na gengiva tem osso, na área interdental tem osso e tem também ligamento periodontal, além da hiperplasia fibrosa nós também vamos encontrar mineralizações nesse fibroma. E essas mineralizações podem ser na forma de cemento ou de osso. FIBROMA OSSIFICANTE PERIFÉRICO >>É uma lesão hiperplásica reacional, caracterizada pela proliferação de células mesenquimais com capacidade de deposição de colágeno, matriz óssea e estruturas mineralizadas semelhantes ao cemento. >>Acredita-se que essas células são originadas do periósteo ou ligamento periodontal, ocorrendo exclusivamente na gengiva. >>A etiopatogênese é incerta, embora provavelmente estejam envolvidos fatores irritativos locais, como acúmulo de biofilme e cálculo dental. Geralmente essa lesão surge naquela área da papila gengival, pertinho do sulco, então ela começa a crescer. >>A lesão acomete principalmente adolescentes e adultos jovens, com predileção pelo sexo feminino. >>As lesões apresentam-se como pápulas ou nódulos sésseis ou pediculados (ou seja, ele tem uma base plana ou então nódulos pediculados com um caule ligando ele a gengiva), de consistência firme, coloração geralmente semelhante à da mucosa normal (ou até mesmo mais pálida) e crescimento lento. Quando tem uma grande quantidade de tecido mineralizado na lesão, seja na forma de osso ou na forma de cemento, à palpação essa lesão vai ser muito dura, muito firme, chegando por vezes a dureza óssea. >>Por vezes pode exibir áreas de ulceração, se essa lesão for traumatizada secundariamente. >>Radiografias periapicais podem mostrar estruturas radiopacas no interior da lesão -> quando se tira radiografias dessa área vamos observar estruturas radiopacas no interior da lesão. Radiopaco é aquilo que vemos branco da radiografia, então, como o osso retém o raio x ele vai aparecer branco na radiografia, o tecido mole como deixa passar o raio x vai aparecer escuro. Então, resumindo, o que vemos radiopaco/branco na radiografia é tecido duro e o que vamos radiolúcido/escuro é tecido mole. >>Achados histopatológicos: inicialmente teremos uma descrição muito parecida com a descrição da hiperplasia fibrosa inflamatória. -Mostra mucosa bucal, revestida por epitélio pavimentoso estratificado, que pode exibir hiperplasia, acantose, atrofia, exocitose leucocitária e ulceração. Na lâmina própria, observa-se tecido conjuntivo fibroso apresentando numerosas células mesenquimais fusiformes ou ovoides, permeadas por numerosas trabéculas de osso e material mineralizado ovoide e basofílico semelhante a cemento -> Geralmente o osso vemos em forma de trabéculas e o cemento como estruturas arredondadas ou ovoides. >>Tratamento: excisão cirúrgica e a remoção dos possíveis fatores irritativos -> O mesmo para hiperplasia fibrosa. Nessa imagem ao lado nós temos um exemplo de fibroma ossificante periférico que surge na papila interdental. Geralmente, o paciente apresenta má higiene oral e muito biofilme e cálculo nesta região. Essas áreas mais avermelhadas são as áreas ulceradas. Ao lado uma lesão na região posterior, grande, com uma cor muito semelhante à da mucosa oral (rósea, mais pálida). Essas duas lesões mostradas nas imagens, à palpação são duras, sentimos como se houvesse osso na lesão. Aqui ao lado temos o corte histopatológico. Podemos ver o epitélio pavimentoso estratificado e, apontado pela seta vermelha, as trabéculas ósseas. Apontado pela seta azul podemos ver muito colágeno. Na imagem acima podemos ver uma série de exemplos de fibroma ossificante periférico. Na imagem A de cima podemos ver o epitélio hiperplásico com suas projeções alongadas, indicando que é um tecido gengival, vemos também muito colágeno e essas estruturas meio arrendadas (rosa escura) com característica de cemento. Na imagem A e B de baixo podemos ver as trabéculas ósseas em rosa. Agora vamos falar sobre o granuloma piogênico. Essa condição é uma hiperplasia reacional, só que ela não é fibrosa. Vai ser uma hiperplasia de vasos. Então, a reação inflamatória em alguns pacientes pode induzir a esse crescimento exagerado de vasos através da proliferação de células endoteliais. GRANULOMA PIOGÊNICO >>É uma lesão hiperplásica reacional, caracterizada pela proliferação de células endoteliais e pela formação de vasos sanguíneos. >>Localização preferencial é a gengiva inserida, embora lesões possam ocorrer em outras áreas da boca, como dorso de língua, mucosa jugal e labial. Esse termo não é muito adequado para a lesão quando você examina microscopicamente, porque se você pegar a definição de granuloma você vai ver que ele é uma coleção de macrófagos modificados e que esses macrófagos formam as células epitelióides e as células gigantes multinucleadas. Já no granuloma piogênico nós não vamos encontrar esses macrófagos modificados. Com isso, o termo granuloma, apesar de ser usado, é inadequado. E outra coisa, ele não produz pus, não é piogênico, mas antigamente acreditava-se que algumas bactérias da cavidade oral produziam essa lesão, então achavam-se que essa lesão seria, inicialmente, uma lesão purulenta que, posteriormente, formaria esse tecido de granulação. E na verdade, não é nada disso. >>Predileção por adultos jovens do gênero feminino. >>Sua etiologia envolve geralmente acúmulo de biofilme bacteriano ou cálculo dental, para as lesões de gengiva, ou traumatismo, para aquelas em outros sítios. Acredita-se que essa patologia esteja relacionada com trauma, mas também com alguma alteração hormonal que induza a vascularização. Então durante o desenvolvimento, menstruação e em mulheres grávidas há aumento da produção de estrogênio, que favorece o estímulo do crescimento vascular associado a uma reação inflamatória. No 3° mês de gravidez há aumento de estrogênio, mas no 7° mês atinge o pico mais alto de produção. Nessa condição, se elas tiverem uma má higienização oral tem tendência a desenvolver o granuloma piogênico. Não adianta fazer o tratamento cirúrgico na gravidez, porque ainda vai ter o traumatismo constante e a ação dos estrogênios e assim fazendo a lesão reincidir. Então, recomenda-se a retirada da lesão após o parto. Mas em alguns casos, há regressão após o parto. As lesões se apresentam como pápulas ou nódulos sésseis ou pediculados, de consistência firme e coloração geralmente avermelhadas, podendo exibir sangramento ao toque e áreas de ulceração. Sangramento por causa da abundância de vasos sanguíneos capilares presentes nessa lesão Frequentemente, as lesões gengivais surgem a partir da papila interdental vestibular, podendo se estender para a face lingual ou palatina. Algumas lesões exibem crescimento rápido, podendo ser confundidas com neoplasias. Em gestantes, as alterações hormonais interferem no processo de angiogênese, predispondo à ocorrência do granuloma piogênico. Achados microscópicos: - Epitélio pavimentoso estratificado, que pode exibir hiperplasia, acantose, atrofia, exocitose leucocitária e ulceração. - Na lâmina própria, observam-se tecido fibroso celularizado e numerosas células endoteliais, por vezes dispostas num padrãolobular, formando espaços vasculares de tamanho e formato variados. - Neutrófilos podem ser observados geralmente associados às áreas de ulceração. Recorrências são frequentemente observadas, principalmente nos casos onde os fatores irritativos não são adequadamente eliminados. Tem que levar em consideração que temos que esperar a diminuição dos níveis de estrogênio no sangue. Alguns resolvem-se sem tratamento ou sofrem maturação fibrosa. Na imagem acima, começou na papila e se estendeu para a lingual. Tem áreas mais avermelhadas, lobulação e sangramento ao mínimo toque. Não há uma higienização satisfatória. Na imagem abaixo, há uma lesão na língua. 75% dos granulomas piogênico ocorrem na gengiva e 25% ocorrem em outras regiões bucais. Ocorrência devido a má higienização dental, biofilme e problemas hormonais. Na imagem acima mostra uma área de ulceração (epitélio descontínuo), epitélio das margens em proliferação; vários lóbulos de tecido de granulação cronicamente inflamado, ou seja, tecido de granulação infiltrado por linfócitos, plasmócitos e macrófagos. As células endoteliais proliferantes formam esses diminutos espaços vasculares sob a forma de capilares. Epitélio das bordas exibe hiperplasia, onde muita gente chama esse epitélio das bordas do granuloma de colarinho ou colarete epitelial. Imagem acima de casos de granuloma. Exibem gengiva completamente inflamada e eritematosa, muito cálculo dental e biofilme. Lesão que se originou na papila interdental e se estendeu para a lingual. Também temos uma lesão no centro da língua. Áreas mais escuras, área de sangue coagulado devido a hemorragia. Na imagem “A” da parte inferior. Temos um epitélio bem hiperplásico. Na imagem “B” temos espaços vasculares associados a um processo inflamatório crônico. LESÃO PERIFÉRICA DE CÉLULAS GIGANTES >>Essa lesão apresenta-se como massa localizada somente na gengiva e crista edêntula como coloração que vai do vermelho ao purpúreo. Onde nós observamos no meio do tecido conjuntivo fibrovascular, a presença de células gigantes osteoclastos, que são capazes de reabsorver tecido ósseo. Geralmente essa lesão apresenta muitas áreas de hemorragia, muito sangramento intralesional e pode aparecer com uma coloração meio vermelho púrpura azulado, em decorrência do sangue extravasado e desoxigenado e também às vezes pela formação de pigmentos de hemossiderina. >>Constitui numa reação excessiva a uma irritação crônica (corpo estranho, calculo ou por um trauma na gengiva). >>Localiza-se tipicamente nos tecidos que sustentam dentes permanentes (alvéolo anterior aos primeiros molares permanentes). >>A mandíbula é mais frequentemente envolvida. >>Discreto potencial para a reabsorção óssea (em forma de taça). Chamamos isso de craterização. >>Crescimento limitado (até 1cm de diâmetro). Coloração purpúrea devido a quantidade de hemorragia que ocorre nessas lesões; lesão ulcerada e margem pouco azulada; ocorre em área que tem osso, porque vai ter uma proliferação dos osteoclastos dentro dela. A liberação das citocinas pela inflamação vai fazer com que os osteoclastos migrem para a área de lesão já que a lesão está relacionada com o periósteo. Achados histopatológicos - Proliferação de células fusiformes e espaços vasculares, com presença de células gigantes multinucleadas. - Elementos dispõem-se de forma nodular. Geralmente, esses elementos da lesão são separados por uma faixa de tecido conjuntivo dando o aspecto nodular à lesão. Separados pelo epitélio por uma faixa de tecidos conjuntivo. - Faixa residual separa a lesão do epitélio - Hemorragias; hemossiderina. Muitas vezes, em decorrência dessas hemorragias, podemos encontrar pigmentos de hemossiderina. - Formação de osso reacional. Na imagem (A) é possível ver um epitélio com as mesmas coisas que as outras lesões. É possível ver acantose, hiperplasia, paraceratinização e ortoceratinização. Logo depois do epitélio é possível ver o tecido conjuntivo, que separa a área que fica mais abaixo, onde se observa múltiplos nodulozinhos cheios de células gigantes. Quando essa imagem é colocada em maior aumento (imagem B), observa-se espaços vasculares, células fusiformes e células gigantes multinucleadas (que têm origem nos monócitos que formam os osteoclastos). Na terceira imagem é mostrado um epitélio hiperplásico com a presença de degeneração hidrópica na parte superior com células bem vacuolizadas e claras. Logo em seguida a faixa de tecido conjuntivo que separa o nódulo presente no canto inferior direito. Na quarta imagem é possível ver o nódulo, que é composto por células gigantes multinucleadas, células fusiformes e espaços vasculares. MORSICATIO BUCCARUM Existem lesões que podem produzir uma grande quantidade de queratina e também produzir a maceração dessa queratina (ou seja, a fragmentação dessa queratina). Geralmente essas lesões ocorrem na mucosa jugal ou na língua. Quando ela ocorre na mucosa jugal, seu nome é morsicatio buccarum, que é uma injúria induzida, na qual o paciente morde ou suga a mucosa jugal. Nesse caso, em virtude dessa mastigação constante, a mucosa vai apresentar um aspecto branco acinzentado, de maceração, fragmentação e até descamação de parte do epitélio, formando pequenas erosões, já que as erosões decorrem da perda parcial do epitélio. Quando esse tipo de lesão ocorre no lábio, ela é chamada de morsicatio labiorum e quando ela ocorre na borda lateral da língua seu nome é morsicatio linguarum. A prevalência dessas lesões se dá em pessoas que estão sob estresse ou alterações psicológicas e geralmente esses pacientes possuem consciência que estão mordendo a mucosa. Nessa primeira imagem é possível ver um exemplo do morsicatio buccarum, que é uma mucosa mastigada, mostrando áreas maceradas de epitélio e áreas de erosão (que são um pouco mais avermelhadas). Na segunda imagem é possível ver áreas maceradas de tecido queratinizado na borda lateral da língua, que é um exemplo de morsicatio linguarum. Dentro dos achados histopatológicos da morsicatio buccarum, já que a lesão é branca, observa-se uma extensa hiperceratose. É importante apontar que todas as lesões orais que sofrem mordidas crônicas ou atritos vão apresentar sempre hiperceratose e degeneração hidrópica (que faz com que as células fiquem vacuolizadas). Muitas vezes serão encontradas também áreas bem basofílicas colonizando a superfície desse epitélio, representadas pelas bactérias. LINHA ALBA É uma alteração da mucosa jugal muito comum e muito parecida com o morsicatio, mas na forma de linha. Geralmente associada a pressão, irritação por fricção ou trauma por sucção da mucosa, é mais facilmente encontrada entre as superfícies vestibulares dos dentes, principalmente entre os molares. Ela aparece como uma linha branca, que frequentemente é bilateral. Quando não aparece um fibroma traumático ou de irritação, pode aparecer a linha alba. Ocorre no nível de plano oclusal dos dentes adjacentes e raramente se faz biópsia desse tipo de lesão. Atualmente, a linha alba é tida mais como detalhe anatômico do que lesão propriamente dita. Ainda assim, é preciso ressaltar que o epitélio presente na linha alba não é considerado um epitélio normal, mas sim metaplásico (devido à presença de hiperortoqueratose na linha, o que não é bom), já que a mucosa da bochecha não é queratinizada (por ser uma mucosa de revestimento). Outro ponto observado é a presença de edema intracelular sob a forma de vacúolo e inflamação crônica na lâmina própria (tecido conjuntivo subjacente). Todalesão de irritação por sucção ou fricção vai apresentar hiperortoqueratose ou hiperparaceratose, dependendo da situação. Na próxima imagem há um achado clínico, que é a linha alba em macroscopia. Uma linha de hiperceratose branca, que ocorre na mucosa jugal ao nível do plano oclusal dos molares. É um processo metaplásico devido à sucção ou fricção da mucosa jugal. Obs: o processo de metaplasia é um processo adaptativo. Como não há carcinógeno, não há a necessidade preocupação. Por isso hoje é mais vista como detalhe anatômico. QUERATOSE FRICCIONAL Ocorre em resposta à irritação de baixa intensidade, crônica, tal como contra o rebordo afiado de uma coroa semidestruída. Nesses casos, o trauma não é capaz de remover o epitélio, mas é capaz de ficar friccionando-o constantemente, gerando um processo de hiperplasia e hiperortoqueratose no epitélio. Com a remoção da fonte da irritação, vai haver uma rápida resolução. Já na lâmina histopatológica, é possível observar hiperqueratose e acantose, com mínima alteração inflamatória. Nesse exemplo há uma coroa parcialmente destruída que ocasionou uma fricção e com isso uma hiperceratose. Como consequência também dessa fricção, há a formação de uma fissura, que pode ser observada na imagem. Esse é o resultado do exame histopatológico do caso da foto anterior, onde se observa uma hiperortoqueratose, com áreas basofílicas de colônias bacterianas em cima. É possível ver também acantose e a hiperplasia. A camada granulosa sempre acompanha a hiperortoqueratose. Quando se observa a lâmina própria de queratoses friccionais, nota-se que o infiltrado inflamatório é escasso. ESTOMATITE NICOTÍNICA É uma alteração ceratótica branca difusa do palato e/ou mucosa jugal geralmente decorrente do calor advindo do fumo constante (paciente são fumantes inveterados) causada por uma combinação de hiperqueratose e acantose, frequentemente contendo múltiplas pápulas encovadas e avermelhadas. Essas pápulas encovadas e avermelhadas geralmente se constituem nos condutos salivares do palato inflamados. Envolve primariamente o palato duro e acomete mais os fumantes de cachimbo a longo prazo, pois o fumo do cachimbo gera muito mais calor do que o cigarro (o fumo do charuto também gera mais calor do que o cigarro). Como é uma resposta ao calor e não aos produtos químicos envolvidos no fumo do tabaco, geralmente esse tipo de lesão regride em até 1 semana após a retirada da causa. Além disso, nela geralmente não é observada atipias ou displasias, mas em alguns casos, quando o indivíduo fuma com a brasa do tabaco voltada para a cavidade oral, pode se desenvolver um câncer de palato devido aos compostos da combustão do tabaco, podendo causar mutações de potencial cancerígeno. É possível observar a estomatite nicotínica em indivíduos que costumam fazer uso de bebidas muito quentes a longo prazo. Obs: embora o nome seja estomatite nicotínica, o que causa a lesão é o calor e não a nicotina. Lesões ceratóticas com pontilhado vermelho, apresentam uma ligeira elevação com esse ponto encovado/umbilicado avermelhado. Essas alterações ceratóticas produziram estas pápulas e esse avermelhamento nessa área encovada significa que os condutos das glândulas mucosas do palato estão inflamados e metaplásicos, geralmente esses condutos inflamados apresentam metaplasia escamosa. Caso extremo de estomatite nicotínica, onde a ceratose ficou tão extensa que deu ao palato um aspecto fissurado, lembrando o barro seco (chamado de ceratose difusa). Ocorreu ceratose difusa, mas veja que os pontos, as depressões avermelhadas ainda persistem. Possui múltiplas áreas ceratóticas que cresceram muito e se uniram dando esse aspecto difuso. Histopatologicamente nós vamos observar: hiperceratose, acantose do epitélio palatino e uma inflamação branda, crônica e irregular do tecido conjuntivo e glândulas mucosas. Essa inflamação na proximidade dos ductos das glândulas mucosas vai induzir a metaplasia escamosa desses ductos excretores e a displasia epitelial raramente é vista, então geralmente essa lesão não é ‘cancerizável’. Ela é completamente reversível mesmo se estiver presente por décadas, o palato volta ao normal dentro de uma a duas semanas após o término do hábito, mas se o indivíduo deixou de usar o charuto/cachimbo/cigarro e a lesão não regride, havendo persistência nós vamos chamá-la de leucoplasia. Quando você chama uma placa branca de leucoplasia significa que a causa da lesão não está mais presente e que ela está autônoma, não está regredindo. Sendo assim, existe alguma alteração genética na direção da formação de uma neoplasia ou de um câncer bucal. A leucoplasia não é um câncer bucal, a maioria das leucoplasias são benignas. Porém, elas não regridem porque ocorreu alteração genética permanente. Então, qual a solução? O paciente precisa acabar com o mau hábito, remover a lesão cirurgicamente e é necessário acompanhamento médico por vários anos. Corte histológico de uma pequena pápula mostrando o epitélio hiperplásico com acantose e hiperortoqueratose. E ao lado glândulas mucosas do palato mostrando algumas áreas inflamadas com intensa hiperplasia epitelial. Essa parte em forma de gota são os ductos que sofreram metaplasia escamosa, esse ponto escuro constitui o infiltrado inflamatório, que foi a causa de os ductos apresentarem metaplasia. Glândulas mucosas do palato mostrando os ductos obliterados por uma metaplasia escamosa. Epitélio exibindo alterações hiperplásicas. QUEILITE ACTÍNICA Queilite actínica é uma alteração difusa e pré maligna do vermelhão do lábio inferior que resulta da exposição excessiva ou ao longo prazo ao componente ultravioleta da radiação solar. Principalmente esses componentes de ondas curtas localizadas entre 2900 e 3200 nanômetros. A radiação ultravioleta produz danos genéticos nas células, danos no DNA. Esses danos são cumulativos de acordo com a exposição. Então, uma vez ocorrido ele vai ser perpetuado e passado para as células filhas(?) O indivíduo que trabalha ao sol sem proteção adequada vai sofrer danos da radiação ultravioleta e esses danos genéticos vão se acumulando. Nos períodos iniciais que o paciente está sendo exposto ao sol ele não apresenta lesão, mas quando ele chega a uma idade em torno dos 45 anos de idade onde ele teve um monte de lesão acumulada no seu DNA, ele começa a exibir lesões, mas os danos estão desde a juventude nos primeiros períodos em que ele se expôs ao sol, principalmente aqueles indivíduos que tem a pele clara e que tendem a se bronzear facilmente. Na queilite actínica o lábio mostra-se ressequido e friável com coloração esbranquiçada, usualmente descamando. Formam-se placas queratóticas, fissuras e erosões que desaparecem e reaparecem com o tempo. Geralmente não existe um tratamento clínico eficaz. Houve épocas em que eram injetados antineoplásicos nessas lesões, mas não resolveu, porque em termos de carcinoma epidermoide de boca os quimioterápicos não funcionam bem, o que funciona é radioterapia. Em casos de queilite actínica não tem como pré dizer em que momento as lesões irão se manifestar histologicamente como carcinoma de células escamosas. Pacientes que apresentam essas lesões com erosões, fissuras, placas queratinizadas, recomenda-se fazer a remoção cirúrgica do vermelhão do lábio seguida de reconstrução plástica, denominada vermelhonectomia. Indivíduo com a lesão manifestada. O bordo do vermelhão do lábio se mistura com o epitélio escamoso da pele, perdendo os limites do vermelhão do lábio. Na imagem da esquerda, observa-se as placas brancas, áreas com úlceras formandoessas crostas amareladas em virtude da coagulação da fibrina em contato com o ar. Casos como esses, quando feitas as biópsias já o resultado é positivo para câncer. Histopatologicamente, o epitélio que reveste essas lesões é escamoso estratificado e mostra-se atrófico. Apesar de ser atrófico tem uma hiperprodução de queratina. Este epitélio vai apresentar graus variados de displasia epitelial, ou seja, quando você examina o epitélio de um paciente que tem queilite actínica, mesmo que ele ainda não tenha o câncer plenamente desenvolvido ele já apresenta alterações celulares de atipia como as mitoses alteradas e a perda da polaridade das células. A atipia e displasia epitelial quer dizer a mesma coisa nesse sentido. Na lâmina própria vamos observar o infiltrado inflamatório discreto e também alterações no colágeno, um dano as fibras elásticas onde elas começam a ter uma alta afinidade pela hematoxilina. Nós chamamos isso de degeneração basofílica acelular e amorfa ou mudança basofílica acelular e amorfa. Muitas dessas alterações, como já foi anteriormente frisado anteriormente, são provavelmente irreversíveis. Aspectos Histopatológicos Imagem 1 - Atrofia epitelial de hiperceratose: O epitélio apesar da atrofia desenvolveu uma proeminente camada granulosa, ocorre a presença de uma hiperortoqueratose. Porém as fibras colágenas se apresentam de forma diferente, sofreram de uma degeneração basofílica. A organização celular do epitélio apresenta-se alterada, as células estão desorganizadas em termos de forma, tamanho e localização Imagem 2 - Degeneração basofílica do colágeno: O epitélio apresenta uma camada granulosa bem desenvolvida e a presença de hiperortoqueratose. Esta coloração roxa nas fibras colágenas, deveria ser rósea, determinando que este sofreu de uma degeneração basofílica. Há a presença de células de várias formas, células pleomórficas, esta formação em gota ou arredondada das cavilhas epiteliais, sendo possível observar displasia neste tecido. Se isto for deixado a seguir o seu curso poderá ocorrer o desenvolvimento de um processo neoplásico, estes processos vão evoluindo com o passar do tempo, aumentam-se as mutações e estas células adquirem a capacidade de invadir outros tecidos e causar metástase. ❖ Nos pacientes que portam a lesão, mister se faz a proteção à irradiação solar. ❖ Em geral os pacientes apresentam também lesões no rosto, orelhas e fronte. ❖ Nos casos de lesões extensas (no caso dos lábios é chamada queilite actínica e na pele é chamada de ceratose solar ou ceratose actínica), a vermelhonectomia parece ser a terapêutica mais indicada. ❖ A preocupação maior nos casos de queilite actínica restringe-se à possibilidade de transformação maligna da lesão. LESÕES DA CAVIDADE ORAL POR AGENTES BIOQUÍMICOS ❖ Substâncias químicas utilizadas localmente ou sistemicamente podem determinar o aparecimento de lesões na mucosa bucal. ❖ A maioria desses agentes que são colocados na cavidade oral, eles são cáusticos e geralmente podem causar danos significativos ➢ Geralmente crianças e pacientes psiquiátricos quando são utilizados determinados medicamentos, em vez de engolirem os medicamentos, podem mantê-los em sua boca. Porém muitos desses comprimidos possuem ácidos e podem causar danos à mucosa oral. ➢ Outras vezes no consultório odontológico, diversos medicamentos utilizados em endodontia, ou com finalidade antisséptica ou analgésica, podem extravasar para a cavidade oral e causar danos à mucosa. ➢ Fenômenos alérgicos. ➢ Acúmulo de substância, quer aplicada localmente quer administrada sistemicamente. AGENTES CÁUSTICOS ❖ Os agentes cáusticos produzem danos semelhantes, na clínica não há como saber o que causou a lesão, faz-se necessário um interrogatório do paciente pois estas lesões não são específicas. Estes agentes cáusticos quando em contato com a mucosa promovem a necrose por coagulação do epitélio, fazendo com que as células adquirem muita água, e isto gera alterações das propriedades ópticas dos epitélios, impedindo desta forma a visualização da vasculatura da lâmina própria. Geralmente a mucosa irá apresentar-se esbranquiçada com aspecto pregueado, muitas das vezes este epitélio é desgarrado da mucosa, a partir do momento em que a exposição se prolonga, esta necrose prossegue e o epitélio se separa do conjuntivo deixando uma área ulcerada, toda área ulcerada apresenta-se vermelho sangrante, devido ao conjuntivo exposto, além de ocorrer o depósito de fibrina. ❖ Exposição breve: a mucosa afetada exibe uma aparência superficial pregueada e branca. ❖ Exposição duradoura: a necrose prossegue; epitélio separa do conjuntivo (descamado); tecido conjuntivo vermelho e sangrante; membrana fibrinopurulenta. ➢ A mucosa ceratinizada, ou seja, a mucosa do tipo mastigatório é mais resistente aos danos, pois a camada de ortoceratina ou paraqueratina serve como uma barreira, retardando a difusão da substância para o epitélio; a móvel é mais rapidamente destruída Dentre os agentes cáusticos utilizados na cavidade oral nos destacamos: ❖ Aspirina, por exemplo, é utilizada para o alívio de dores de dente, servindo como obtundente local, ou seja, promove o alívio da dor quando utilizada localmente. Geralmente o paciente esfarela o comprimido e coloca na cavidade, porém no momento em que esta não está mais em seu excipiente e entra em contato com a mucosa já ocorre uma sensação de queimação, em seguida já é possível observar a superfície esbranquiçada e caso o paciente persista no uso este epitélio irá se deslocar. ❖ Perborato de sódio, da mesma forma como na aspirina ocorre com este. ❖ Peróxido de hidrogênio, às vezes este é utilizado para clareamento de dentes e bochechas, podendo danificar o epitélio, podendo também interagir com tecido ósseo causando lesões ósseas. ❖ Nitrato de prata, era utilizado para esterilização de cavidades e no tratamento de aftas, não possuindo mais este, podia causar lesões muito sérias, incluindo lesões ósseas. Para o tratamento de aftas se utilizava desde para destruir as terminações nervosas e ocorrer a cessação da dor. ❖ Terebentina, também pode ser um desinfetante. ❖ Gasolina, alguns pacientes bochecham para aliviar a odontalgia (dor de dente), ou aspiram durante o processo de retirá-la do tanque para um recipiente na tentativa de levar a outro veículo. ❖ Ácido de bateria, alguns pacientes para tentar promover o alívio da odontalgia se utilizam de algodões embebidos nesta substância e colocam no local de dor na cavidade oral, causando necroses extensas. Microscopia ❖ Naquele epitélio esbranquiçado é possível observar a necrose por coagulação; e na lâmina própria uma mistura de células agudas e crônicas. ❖ A quantidade de epitélio afetado depende da duração do contato e da concentração do agente irritante. Imagem: Apresenta uma clássica queimadura por ácido acetilsalicílico, onde este foi colocado na cavidade, porém extravasou e queimou a mucosa, provocando uma necrose por coagulação do epitélio. Esta mucosa apresenta-se esbranquiçada e pregueada, ocorrendo a evolução desta queimadura o epitélio se descama, deixando uma área ulcerada, que será posteriormente coberta por uma membrana fibrinopurulenta Imagem: Apresenta um caso de queimadura por material endodôntico de irrigação, como por exemplo o próprio hipoclorito de sódio, apesar de ser um excelente irrigante e desinfectante de canal radicular, se este extravasa pode produzir lesões químicas extensas e profundas. HIPERPLASIA (AUMENTO) GENGIVAL ASSOCIADA A MEDICAMENTOS ❖ A hiperplasia gengival associada a medicamentos se refere a um crescimento anormal dos tecidos gengivais, geralmente secundário ao uso de medicamentos sistêmicos. ❖ O termo hiperplasia ou até mesmo hipertrofiaé impróprio, pois durante a observação do corte histológico não há a presença nem de hiperplasia do epitélio e nem do conjuntivo, o que se é observado na lâmina é um aumento na quantidade de colágeno (matriz extracelular). Muitos medicamentos utilizados na clínica médica e na psiquiátrica, podem interferir com a degradação do colágeno, dentre estes destacam-se: os bloqueadores de canais de cálcio, como o verapamil para o tratamento da hipertensão arterial, como a própria difenilhidantoina que é utilizada para o tratamento de crises epilépticas. Então o que na verdade ocorre o termo hiperplasia não deve ser utilizado, mas sim aumento gengival. ➢ Têm-se sugerido que as alterações gengivais surgem da interferência na degradação intracelular normal do colágeno ➢ Ciclosporina (imunossupressor utilizado em pacientes transplantados para que não ocorra rejeição do órgão), fenitoína ou a difenilhidantoina (que são utilizadas em epiléticos, para combater as crises convulsivas) e nifedipina (anti hipertensivo) estão associados à desregulação do cálcio - este é muito importante pois ativa uma enzima chamada colagenase, esta é necessária quando os fibroblastos remodelam o colágeno, através da degradação de fibras antigas pela colagenase -, todos este medicamentos interferem no influxo de cálcio para a célula desorganizando a fagocitose e o processo de remodelação. ■ O aumento do colágeno não ocorre por hiperplasia, mas sim pela degradação e remodelação prejudicada do colágeno. Relação de medicamentos que interferem neste processo Quando o paciente apresenta esses aumentos gengivais faz-se necessário um interrogatório para determinar se este utiliza-se de algum medicamento em específico, pois existem formas de lesões gengivais que são hereditárias. ❖ Anticonvulsivantes ➢ Carbamazepina ➢ Etosuximida ➢ Felbamato ➢ Fenobarbital ➢ Fensuximida ➢ Fenitoína ➢ Primidona ➢ Valproato de sódio ➢ Vigabatrina ❖ Bloqueadores dos canais de sódio: ➢ Amlodipina ➢ Bepridil ➢ Diltiazem ➢ Felodipina ➢ Nicardipina ➢ Nifedipina ➢ Nimodipina ➢ Nitrendipina ➢ Verapamil ❖ Ciclosporina ❖ Eritromicina ❖ Anticoncepcionais orais HIPERPLASIA (AUMENTO) GENGIVAL ASSOCIADA A MEDICAMENTOS No caso de hiperplasia associada a medicamentos, a gengiva geralmente assume uma aparência multinodular ou papilar. Geralmente esse aumento inicia-se na papila interdental (papilas gengivais) e estende-se por toda a gengiva, no período de 1 a 3 meses após o início do uso da droga. Depois desse período chega a um grau tão elevado, que pode chegar a cobrir e ocultar as coroas dos dentes presentes. Esse é o efeito do medicamento. Porém o comportamento dessa lesão vai depender muito do grau de higienização bucal desse paciente. Se esse paciente tem um bom grau de higienização oral, essa hiperplasia vai se desenvolver mais lentamente, e se ele tiver uma higienização bucal pobre, ela vai se desenvolver mais rapidamente, chegando até a ocultar/cobrir os dentes presentes. Na ausência de inflamação: a gengiva vai apresentar coloração rosa pálida, resistente ao toque, geralmente não sangra, e vai apresentar aquele pontilhado típico de casca de laranja de uma gengiva normal, ou seja, aquela superfície pontilhada ou granular. Na presença de inflamação (geralmente em indivíduos com uma higiene oral muito pobre): a gengiva vai apresentar-se vermelha escura e edematosa, friável, e sangrante, por estar ulcerada. Aqui nós temos exemplos. Pelas fotografias, sem legenda não dá pra saber o que causou, então tem que perguntar ao paciente o que ele está tomando. Nesse caso aqui, a figura 1 é de um paciente que tomava ciclosporina, que é um imunossupressor. Então nós temos esse sobrecrescimento gengival. As áreas inflamadas já apresentam esse avermelhamento e sangramento ao toque. Geralmente pacientes que tomam ciclosporina e os que tomam a difenilidantoina são os pacientes mais jovens. Nos pacientes mais idosos, que são hipertensos, geralmente é causado pela nifedipina. Mas isso é tudo tolice! O importante é você chegar na clínica e interrogar o paciente. Na figura 2 o paciente tomava nifedipina, que é um anti hipertensivo e apresentou essa hiperplasia gengival, ou melhor, esse aumento gengival porque hiperplasia não é o termo correto. A primeira figura mostra um aumento inicial, começando na papila, num caso em que o paciente toma anticonvulsivante; e na segunda figura mostra um estágio mais avançado, num paciente com uma pobre higiene oral. Veja que há muito cálculo dental e biofilme, tornando a lesão na gengiva mais intensa, chegando até a cobrir a coroa dos dentes. Então aqui nós temos um caso extremo de hiperplasia gengival, onde as coroas dos dentes estão quase que totalmente ocultas pelo tecido gengival. Esses pacientes geralmente são constantemente submetidos à gengivoplastia e sabem que essa lesão vai reincidir. Então o ideal seria combinar com o médico que está tratando esse paciente a substituir o medicamento, mas nem sempre é possível, porque geralmente para o tratamento dessas crises compulsivas o ideal é a difenilidantoina mesmo. Então geralmente você não pode prescindir esse medicamento e vai ter que fazer a gengivoplastia, vai cortar esse excesso, deixar a gengiva na sua forma original e caprichar nos hábitos de higienização oral desse paciente. Não que essa higienização vá resolver o problema, mas ela vai levar um maior espaço de tempo para desenvolver isso aí. No quadro histológico, o que você observa é um corte histológico de gengiva normal. Você não vai observar hiperplasia epitelial, você observa essas papilas alongadas porque é característico da região. Já que essa região é sujeita a atritos, essas papilas alongadas servem para dar uma melhor ancoragem a esse epitélio para que ele não seja desgarrado durante um atrito. Então, isso é um epitélio normal de gengiva. Porém o que a gente observa no tecido conjuntivo é uma escassez de fibroblastos e os feixes mais densos, nos sugerindo que isso pode se tratar de um aumento na quantidade de colágeno (não por hiperplasia, mas sim por uma deficiência na degradação do colágeno por causa da interferência com o cálcio dada por esses medicamentos). Então, geralmente a gente vê essa proliferação fibrosa. Nesses casos há um aumento de 20% do colágeno quando comparado com o tecido normal e as modificações inflamatórias podem estar presentes, mas no caso dessa lâmina não estão presentes. A suspensão do medicamento causador pelo médico comumente resulta em interrupção e possivelmente, alguma regressão do aumento gengival. Terapia cirúrgica (através da gengivoplastia) e higienização mantida em alto grau para se retardar a reincidência do processo. TATUAGEM POR AMÁLGAMA Resulta da introdução do amálgama, durante a sua manipulação para obturação dos dentes, ou de fragmentos já existentes, em sítios de extrações e em mucosas previamente laceradas. Por exemplo, eu estou fazendo uma extração e está lá a mucosa lacerada e com ulceração, cai uma partícula de amálgama no interior da mucosa e ela fica lá, formando uma tatuagem com o tempo. As características dessa tatuagem vão depender do tamanho da partícula. ❖ Incorporação do amálgama nos tecidos bucais: ➢ Em áreas prévias de abrasão da mucosa: em casos que a mucosa está lacerada durante uma restauração com uso de amálgama (calcando a cavidade do amálgama com o condensador) e o pó vai caindo na mucosa. Se ele chega na área abrasionada da mucosa, se implanta, formando a tatuagem. ➢ Pedaços de amálgama quebrados em sítios de extração dentária. Por exemplo, você está extraindo um dente, fraturou a coroa do dente e o amálgama cai no sítio de extração passando despercebido pelo