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Distúrbios da Motricidade Orofacial
26 pág.

Fonoaudiologia Centro Universitário NOVAFAPICentro Universitário NOVAFAPI

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## Resumo sobre Distúrbios da Motricidade OrofacialOs distúrbios da motricidade orofacial abrangem alterações funcionais importantes relacionadas à respiração, mastigação, deglutição e fala, frequentemente associadas a problemas otorrinolaringológicos. Essas disfunções podem comprometer o desenvolvimento e o funcionamento do sistema sensório-motor-oral, impactando a qualidade de vida do paciente. O diagnóstico preciso e a reabilitação adequada são essenciais para o sucesso terapêutico, demandando uma abordagem interdisciplinar que envolve otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos, dentistas e outros profissionais da saúde. Por exemplo, o sucesso de uma adenoidectomia não depende apenas da desobstrução nasal, mas também da reabilitação das funções respiratórias, mastigatórias e de deglutição.### Alterações Estomatognáticas e Respiração OralA respiração oral é uma das principais causas das alterações no tônus muscular e na postura das estruturas orofaciais, interferindo diretamente nas funções de mastigar, deglutir e articular a fala. Geralmente, a respiração oral decorre de obstruções nasais ou faríngeas, como rinopatia alérgica, hipertrofia das tonsilas palatinas ou faríngeas, e desvio de septo. Em alguns casos, persiste por hábito mesmo após a resolução da obstrução. A síndrome do respirador oral manifesta-se por sinais que vão desde alterações posturais até modificações no crescimento craniofacial, como maxila atrésica, mordidas abertas ou cruzadas, lábio inferior everso e hipotonia da musculatura perioral.O posicionamento inadequado da língua, que pode ficar mais baixa ou projetada entre os dentes, altera o equilíbrio das forças musculares orais, afetando o tônus do orbicular da boca, da musculatura supra-hióidea, mentual e dos bucinadores. Essas alterações comprometem a mastigação, que pode variar desde a perda de força até a ausência total, substituída por amassamentos da língua contra o palato, e a deglutição, que apresenta projeção anterior da língua e ruídos característicos. A fala também sofre impacto, com enfraquecimento dos fonemas bilabiais e linguodentais, além de imprecisão articulatória decorrente da alteração do ponto de articulação e do tônus muscular diminuído. O acúmulo de saliva na cavidade oral, comum em respiradores orais, interfere ainda mais na fala e na deglutição.O tratamento dos distúrbios orofaciais exige a intervenção precoce do otorrinolaringologista para resolver a causa da obstrução respiratória, seguida da reabilitação fonoaudiológica e, quando necessário, ortodôntica. Em casos de alterações oclusais severas, a colaboração entre dentistas e médicos é fundamental para permitir o fechamento labial adequado e evitar recidivas. Estudos indicam que, mesmo após cirurgia para remoção das tonsilas, cerca de 50% das crianças mantêm alterações funcionais até seis meses depois, reforçando a necessidade do tratamento multidisciplinar.### Mastigação, Fala e Outras Alterações FuncionaisA mastigação, função muitas vezes negligenciada fora da odontologia, é fundamental para a formação adequada do bolo alimentar e para a sequência funcional com a deglutição. Alterações na mastigação podem decorrer não só de problemas dentários ou oclusais, mas também de alterações musculares, respiratórias, neuromotoras e hábitos alimentares inadequados. A avaliação das funções orofaciais deve ser integrada, pois a alteração de uma função pode desencadear disfunções nas demais.A fala, ato motor complexo, depende do desenvolvimento neurológico, auditivo, cognitivo e afetivo, além da integridade das estruturas orofaciais. Alterações na produção articulatória podem ser causadas por disfunções temporomandibulares, respiração oral, hipertrofia das tonsilas, fissuras palatinas, alterações do frênulo lingual e da oclusão dentária. A audição preservada é crucial para o desenvolvimento da fala, e perdas auditivas, mesmo pequenas, podem prejudicar a discriminação dos sons.Entre as causas das alterações da fala, destacam-se as tonsilas hiperplásicas, que dificultam a passagem do ar, levando à boca entreaberta, flacidez da língua e dos lábios, atresia do arco maxilar e alterações oclusais como mordidas abertas e cruzadas. Essas condições podem causar distorções e imprecisões nos fonemas, especialmente nos sons [s] e [z], e favorecer o aparecimento do ceceio lateral ou anterior. A respiração oral, independentemente da causa, está associada a alterações musculares e oclusais que comprometem a articulação da fala.Alterações dentárias, como ausência de dentes, apinhamento, inclinação dos incisivos e doenças periodontais, também interferem na produção dos sons, causando distorções e escapes de saliva. As maloclusões, como mordidas abertas, cruzadas e sobremordidas, alteram os pontos de contato necessários para a articulação correta dos fonemas, podendo gerar assobios e ceceios. Disfunções temporomandibulares provocam redução da amplitude mandibular, lateralizações e diminuição da velocidade da fala, além de alterações vocais.Movimentos mandibulares compensatórios são comuns em indivíduos com respiração oral, maloclusões e disfunções articulares, buscando melhorar a articulação dos sons. A saliva, em excesso ou em falta, também interfere na fala, causando acúmulo e escape involuntário ou ruídos característicos, respectivamente. Alterações estruturais da face, como desproporções maxilomandibulares, traumas, cirurgias, malformações e síndromes, provocam adaptações musculares e compensações articulatórias para manter a inteligibilidade da fala.O frênulo lingual alterado restringe os movimentos da língua, dificultando a produção de sons laterais e vibrantes, e pode ser corrigido por frenuloplastia seguida de fonoterapia, especialmente em casos de restrição intensa. A indicação cirúrgica, porém, não é consenso entre especialistas, pois alguns acreditam que o problema pode se resolver com o crescimento. O uso de piercings na língua, moda entre jovens, pode causar complicações orais e interferir na fala, mastigação e deglutição, sendo recomendada a retirada para resolução dos sintomas.### Casos Clínicos e Aplicações PráticasDois casos clínicos ilustram a complexidade dos distúrbios da motricidade orofacial. O primeiro, um menino de 11 anos com respiração oral, dificuldades para mastigar e alterações vocais, apresenta características típicas como boca entreaberta, crescimento facial longo, palato estreito, sobressaliência dentária e discrepância maxilomandibular. O tônus muscular está alterado, com compensação do músculo mentual e diminuição do orbicular dos lábios, além de acúmulo de saliva nas comissuras labiais. Esses fatores dificultam o fechamento labial e comprometem as funções orofaciais.O segundo caso, uma criança de quase 10 anos, apresenta fala imprecisa, boca entreaberta, lábios ressecados e frênulo lingual alterado, mesmo após frenuloplastia precoce. A avaliação clínica e eletromiográfica revela assimetria na atividade da língua, diminuição da abertura bucal durante a fala e compensações mandibulares para melhorar a articulação. A análise acústica confirma dificuldades nos fonemas alveolares e líquidos, associadas à alteração do tônus muscular e à restrição lingual. O quadro evidencia a importância do diagnóstico detalhado e do tratamento multidisciplinar, incluindo fonoterapia.Esses casos reforçam que o tratamento dos distúrbios da motricidade orofacial deve ser individualizado, considerando as causas anatômicas, funcionais e comportamentais, e que a colaboração entre otorrinolaringologia, fonoaudiologia, odontologia e outras áreas é fundamental para a reabilitação eficaz e a melhora da qualidade de vida dos pacientes.---### Destaques- Distúrbios da motricidade orofacial envolvem alterações na respiração, mastigação, deglutição e fala, frequentemente associadas a problemas otorrinolaringológicos.- A respiração oral, causada por obstruções nasais ou hábitos, altera o tônus muscular e a postura da língua, impactando funções orofaciais e o crescimento craniofacial.- Alterações dentárias, oclusais e disfunções temporomandibulares
influenciam diretamente a produção articulatória da fala, podendo causar distorções e imprecisões.- O frênulo lingual alterado restringe movimentos da língua, afetando sons específicos e podendo ser tratado com cirurgia e fonoterapia.- O tratamento eficaz requer abordagem multidisciplinar, envolvendo otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos, dentistas e outros profissionais, com avaliação detalhada e reabilitação integrada.

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