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Unidade 1
Música E Cultura Humana
Aula 1
História e Cultura Musical
História e cultura musical
História e cultura musical
Estudante, neste bloco você verá os pontos mais relevantes dentro do processo histórico da música.
Aproveitem cada momento da aula e você aprenderá o papel da música desde os primórdios da evolução
humana. Vamos lá e saibam o papel da música a partir de relatos históricos.
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Ponto de Partida
Ponto de Partida
Iniciamos o contexto da evolução histórica da música nas culturas humanas a partir de uma breve linha do
tempo onde dividimos por períodos, características assim como estilos específicos partindo desde a Pré-
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ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO
INCLUSIVA
https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/cc54a05f-8811-4abf-af4d-d6a898e076be/cc54a05f/b45e7497-7556-531e-bf44-ee53dc717c41.pdf
História com a observação de sons advindos da natureza e sons rudimentares proporcionados de objetos
criados pelos homens da Pré-História, passando por uma evolução exorbitante até os dias atuais, com
maior de complexidade secular.
A evolução histórica da música foi favorecida pela cultura humana, a partir do desenvolvimento, da
diversificação e do fascínio que a música exerce através dos tempos, com toda sua estruturação,
organização e, principalmente, abrangência de estilos e gêneros oferecidos no decorrer de milênios.
Sabe-se que a música teve diferentes períodos, características e influências, de civilizações, por
civilizações, assim como passou por culturas diversificadas de todo mundo. Nos tempos atuais, passamos
por influencias tecnológicas e o grande crescimento globalizado. A partir dessa globalização, percebe-se
que novos estilos estão sendo inseridos na sociedade década a década e ano a ano de forma crescente,
através de gêneros como como o do rock, o pop, o hip-hop, a música eletrônica, entre outros gêneros
regionais de cada país e ou estado. A grande problemática que temos atualmente é descobrir se a música
ainda irá continuar a ter valor e a importância na vida do ser humano, mesmo com tanta diversificação; se
ela ainda continuará transmitindo e ecoando emoções e ensinamentos... Bora descobrir!
Vamos Começar!
Vamos Começar!
A música vem de uma longa jornada dentro da cultura humana, sendo um processo imensamente criativo e
de grande riqueza desde a pré-história, em que cada cultura é manifestada de forma crescente nas
sociedades, sendo manifestadas a partir de rituais, emoções, história e todas as expressões do mundo,
incluindo todos os seres vivos de todas as formas e meios, assim tornando um instrumento de
compreensão e contextualização do que o ser humano pode transformar em arte e cultura.
Fazer um estudo sobre música na cultura humana engloba várias culturas para inserção, inclusão e
integração do ser humano como todo, tornando significante a partir da criação e evolução de ritmos,
movimento e arte.
O surgimento da música vem de tempos remotos e bem rudimentares, desde antes de cristo em
civilizações antigas, sendo usada a partir de rituais religiosos, festas tribais, celebrações em todos
contextos, assim como forma de narrativas orais, valorizando todos os tipos de culturas e valores, sendo
tradicionais ou não.
A partir do contexto histórico da música, deve-se levar em consideração seus períodos e cada rito e/ou
estrutura da sociedade desde a Pré-História. Na cultura ocidental, os períodos são estruturados passando
pelos períodos Medieval, Renascimento, Barroco, Clássico, Romântico e Contemporâneo, respeitando
desde características, estilos, técnicas, até cada maneira de serem descritos e caracterizados em suas
épocas, o que os tornam únicos, mas de grande influência para os dias atuais, sempre tendo papel
relevante para as sociedades.
Em todo o contexto musical contido no processo histórico, existe uma relevância dentro dos valores
musicais, de que os rituais fazem parte, pois abordam temas como solidariedade, conscientização,
cotidiano, emoções, crenças e outros temas, que estão em nossos estudos.
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No Egito e na Mesopotâmia, a música era usada sempre em cerimônias religiosas e festivais, para contar
histórias e transmitir conhecimentos. A música sempre esteve presente em rituais sagrados e religiosos.
Na Grécia, a música também desempenhou papel importante a partir de notas e intervalo, em que
Pitágoras, a partir da matemática, teve sua contribuição.
A partir de dados históricos, a música tem um papel relevante na construção do ser humano como um
todo, no qual cada contexto musical se faz necessário dentro da cultura de cada civilização e no decorrer
de cada característica e estilo a ser construído a cada nova civilização. Os estudos abaixo descrevem cada
ritual e as cerimonias às quais as civilizações foram adequando a sua população, além do século vivido.
Mas cada época e cada estilo tem suas peculiaridades, como pode-se perceber pelos estudos expostos a
seguir.
A música se destaca como patrimônio imaterial[UC1] por estar presente em diversos tipos e formas de
espetáculos, assim como em cerimônias, rituais, festas e no contexto artístico em geral. A partir da
música, as emoções acontecem, sejam nas artes e/ou no cotidiano , passando por diversas etapas do
conhecimento humano, propiciando vivências para todos, em que existe a possibilidade de estar, fazer e
conviver com a música.
O patrimônio imaterial não é subjetivo por não ser material, mas , sim, se faz objetivo por fazer parte do
cotidiano do ser humano por milênios, respeitando culturas, diversidade e padrões, sejam estes ou não
impostos pela sociedade. Percebe-se que, a partir do patrimônio imaterial, o ser humano, muitas vezes,
pode transcender através de músicas, acordes, letras, versos e ritmos, podendo passar, inclusive, por
estágios imaginários e sonhadores, mas também transformando vivências e experiências em construções
e abordagens das rotinas do cotidiano de cada cidadão e/ou cultura.
Siga em Frente...
Siga em Frente...
O início da história da música é incerto. Contudo, acredita-se que ele esteja intimamente ligado à história
da humanidade. Essa suposição feita por alguns músicos e historiadores é baseada no fato de que esse
elemento cultural está, historicamente, associado a rituais festivos e à comunicação com os deuses. Para
eles, é possível que, assim como a dança acompanha a humanidade desde a Pré-História, tendo sido
registrada pelas pinturas rupestres, a música também tenha estado presente desde aquele momento.
Nesse período, contudo, a dimensão musical estaria limitada à exploração dos sons produzidos pelo
próprio corpo, a exemplo das palmas, voz e passadas no chão. O fato de ainda hoje existirem comunidades
totalmente isoladas, nas quais a musicalidade se mantém como um traço importante para a realização de
cultos e rituais, contribui para essa versão sobre o início da história da música. Desde a Antiguidade, a
música se mantém como elemento central para compreensão das dinâmicas culturais das sociedades. Por
isso, para recontar a história da música é importante revisitar esses povos e ressaltar, sobretudo, a
dimensão religiosa que essa expressão artística carrega desde a Idade Antiga até a Idade Média.
Abaixo, observe a linha do tempo descrevendo a história da música desde a Pré-História até os dias atuais,
de forma objetiva e para maior compreensão do desenvolvimento e evolução da música.
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https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/prehistoria
Figura 1. Fonte: Adaptado pela autora (2025)
Cultura tradicional e popular é o conjunto de criações que emanam de uma comunidade cultural fundadas
sobre a tradição, expressas por um grupo ou por indivíduos, e reconhecidas como respondendo às
expectativas da comunidade enquanto expressão da sua identidade cultural e social, das suas normas e
valores transmitidos oralmente, por imitação ou por outros meios. As suas formas compreendem, entre
outras, a língua, a literatura, a música, a dança,saberei do que ele é feito.
A não ser que você me construa uma ponte, construa-me uma ponte,
Construa-me uma ponte de amor.
Eu espero pelo dia no qual você sorrirá para mim
Apenas porque perceberá que existe uma pessoa decente e inteligente
Enterrada profundamente em meus olhos caleidoscópios.
Pois eu tenho visto como as pessoas me olham
Embora eu nada tenha feito de errado.
Construa-me uma ponte, construa-me uma ponte,
E, por favor, não demore muito.
Vivendo na beira do medo.
Vozes ecoam como trovão em meus ouvidos
Vendo como eu me escondo todo dia
Estou apenas esperando que o medo vá embora
Eu quero muito ser uma parte do seu mundo
Eu quero muito ser bem sucedido.
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm
E tudo o que preciso é ter uma ponte,
Uma ponte construída de mim até você.
E eu estarei junto a você para sempre,
Nada poderá nos separar.
Se você me construir uma ponte, uma pequenina ponte, minúscula ponte
De minha alma, para o fundo de seu coração.
MCKEAN, TEA, atualmente ele estará com 44 anos, escritor.
Referências
Referências
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https://saocamilo-sp.br/_app/views/publicacoes/outraspublicacoes/nape_volume_02_13abr_FINAL.pdf.
https://saocamilo-sp.br/_app/views/publicacoes/outraspublicacoes/nape_volume_02_13abr_FINAL.pdf.
https://revistaabem.abem.mus.br/revistaabem/issue/view/10
https://abem.mus.br/anais_congresso/V5/papers/1854/public/1854-7390-1-PB.pdf
https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/534-direito-protecao-e-inclusao-social.pdf
https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/534-direito-protecao-e-inclusao-social.pdf
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Aula 4
Música e Neurociência
Música e neurociência
Música e neurociência
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https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/965-arte-e-educacao-nao-formal.pdf
https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/965-arte-e-educacao-nao-formal.pdf
https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento-humano.pdf
https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento-humano.pdf
https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento-humano.pdf
https://www.academia.edu/39489181/Educa%C3%A7%C3%A3o_inclusiva_KLS
https://biblioteca-virtual.com/search/ebooks/title/1/edua%C3%A7%C3%A3o%20inclusiva
https://biblioteca-virtual.com/search/ebooks/title/1/edua%C3%A7%C3%A3o%20inclusiva
https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/1814-educacao-inclusiva-kls.pdf.
https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/1814-educacao-inclusiva-kls.pdf.
https://www.teachy.com.br/resumos/ensino-fundamental/8ano/artes/a-funcao-da-musica-na-cultura-e-sociedade-Expositiva
https://www.teachy.com.br/resumos/ensino-fundamental/8ano/artes/a-funcao-da-musica-na-cultura-e-sociedade-Expositiva
A música e o cérebro humano têm uma grande ligação no desenvolvimento psicomotor-social-afetivo, no
processo de evolução humana, em que existem benefícios em várias áreas de aprendizagem e
conhecimento. Proporciona ao ser humano vivências, sensações, sendo uma excelente ferramenta de
trabalho em inúmeras áreas de conhecimento, ressaltando o grande trabalho terapêutico que pode ser
desenvolvido a partir da música.
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Ponto de Partida
Ponto de Partida
O ensino da música e´ muito importante para o desenvolvimento integral dos alunos. Eles aprendem a se
comunicar por meio da arte musical, que toca profundamente tanto o artista, que está´ interpretando a
música, quanto a plateia, que está´ envolvida no processo (TAKATSU, 2017).
Dentro desse panorama, a musicalização pode ser concebida como etapa inicial da aprendizagem musical,
pois envolve condições básicas para se trabalhar a audição, as definições dos elementos musicais, assim
como a expressividade do aprendiz. Conforme Gainza (1988, p. 24), os adultos também são capazes de
manifestar reações específicas através da captação sonora e dos processos expressivos consequentes da
musicalização. Porém, qual o sentido de aprendizagem musical para os alunos maduros? O que eles
querem aprender? Quais são as propostas educacionais para essa faixa etária?
Vamos Começar!
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https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/cc54a05f-8811-4abf-af4d-d6a898e076be/cc54a05f/16ed3633-0405-552f-b870-7d5f071f593c.pdfVamos Começar!
Começamos esta sessão abordando o desenvolvimento celular, mas não relacionado a qualquer
desenvolvimento, e sim ao desenvolvimento das células do cérebro, em que se compreende a necessidade
de estímulos para que possamos ter uma constante evolução:
A epigênese (que significa “sobre ou acima do genoma”) refere-se a moléculas químicas (ou “marcadores”)
ligadas a um gene que alteram o modo como a célula “lê” o DNA dele. Se imaginarmos o genoma humano
como um teclado de piano, podemos visualizar a estrutura epigenética como a música tocada naquele
momento (Stelmach & Nerlich, 2015). Uma vez que toda célula do corpo herda a mesma sequência de DNA,
a função dos marcadores químicos é diferenciar vários tipos de células, como as células do cérebro, pele e
fígado. Dessa forma, os genes para os tipos de células necessários são ativados e os genes para as células
desnecessárias são deixados de lado (PAPALIA; MARTORELL, 2022, p. 3).
Papalia e Martorell, (2022, p. 3), abrangem em seus estudos a necessidade de pesquisas referentes ao
desenvolvimento humano, assim com a importância do genoma e o papel do DNA no desenvolvimento
humano, descrevendo a epigênese:
Um exemplo de epigênese é o imprinting genômico, ou genético. Imprinting (que pode ser superficialmente
traduzido como marcação) é a expressão diferencial de certos traços genéticos, dependendo de o traço ter
sido herdado da mãe ou do pai. Em pares de genes marcados (imprinted), a informação genética herdada da
mãe ou do pai é ativada, mas a informação genética do outro genitor é suprimida. Genes marcados
desempenham um importante papel na regulação do crescimento e desenvolvimento fetal. Quando um
padrão normal de imprinting é rompido, o resultado pode ser o crescimento anormal do feto ou distúrbios
congênitos no crescimento (HITCHINS; MOORE, 2002, apud PAPALIA; MARTORELL, 2022, p. 56).
De acordo com Cirino (2015, p. 123), independentemente da idade, cada indivíduo tem seu potencial a ser
explorado, sendo a atividade musical compensatória para experiências que permitem não só uma
ampliação de conteúdos em diversas áreas do conhecimento, mas a integração entre pensamento e
emoção. Souza (1998, p. 211) aborda que, mesmo havendo diferentes tipos de grafia musical, a leitura de
notas torna-se possível à medida que o ouvinte desenvolve a capacidade de extrair os sons de sinais
escritos. Assim como destaca também o estudo de Swanwick (1996, p. 27), abordando que a notação
ocidental ocuparia apenas uma posição de apoio na aprendizagem musical, visto que a música pode ser
escrita por outros meios, ou até mesmo não ser grafada (CIRINO, 2015, p.127).
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O mais interessante dos estudos abordados é percebermos a música como uma ferramenta de
aprendizagem completamente coerente e adaptável a qualquer idade. Porém, não se pode deixar de
destacar que, quanto maior o estímulo e a potencialização da capacidade da criança ao mundo musical ou
da musicalidade, melhor será a absorção de conhecimento.
A primeira e a segunda infância são fases da vida altamente importantes para estímulos diversificados na
vivência de atividades, ações e canções/ritmos, novas experiências psicomotoras/sociais/afetivas, em que
a música faz e se torna parte importante para o desenvolvimento da aprendizagem, pois o processo de
memorização está aberto para o conhecimento, aguçando a curiosidade da criança.
De acordo com Cirino (2015, p. 127), “o processo de ir à escola aprender música é algo capaz de gerar
novas experiências e modificações; no entanto, dar sentido à aprendizagem musical dependerá dos
hábitos e das particularidades dos alunos”.
Partindo disso, entende-se que a vivência da música no cotidiano escolar e social faz parte do processo de
aprendizagem, desde que sejam vivências diversas, de sons, ritmos, culturas e outros, para que seja
possível haver um direcionamento da preferência musical. O cérebro humano precisa ser abastecido de
informações e culturas diversificadas para que a memorização seja trabalhada e, no armazenamento de
informações, possam sempre ser utilizadas essas memórias armazenadas. Partindo dessa afirmação,
Papalia e Martorell (2022, p. 3), comentam a necessidade de trabalhos que estimulem a fala em crianças,
para o aumento do vocabulário, e destacam:
À medida que o campo do desenvolvimento humano se desenvolvia, seus objetivos passaram a incluir
descrição, explicação, previsão e intervenção. Por exemplo, para descrever quando a maioria das crianças
pronuncia sua primeira palavra ou qual o tamanho de seu vocabulário em uma certa idade, os cientistas do
desenvolvimento observam grandes grupos de crianças e estabelecem normas, ou médias, para o
comportamento em várias idades. Eles procuram assim explicar como as crianças adquirem a linguagem, e
por que algumas crianças aprendem a falar mais tarde do que o usual. Com esse conhecimento, podem-se
prever comportamentos futuros, tais como a probabilidade de uma criança ter sérios problemas com a fala.
Por último, o conhecimento de como a linguagem se desenvolve pode ser utilizado para intervir no
desenvolvimento, por exemplo, disponibilizando terapia fonoaudiológica para a criança (PAPALIA.;
MARTORELL, 2022, p. 3).
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Figura 1 | As técnicas de imageamento cerebral, como a ressonância magnética funcional (fMRI), a tomografia por emissão de pósitron (PET) e o
eletroencefalograma (EEG), são usadas para mapear a localização de certos processos mentais nesse órgão. (SpeedKingz/Shutterstock).
Papalia e Martorell (2022, p. 4) destacam os estudos e as descrições de cientistas sobre o
desenvolvimento, abordando os três principais domínios, ou aspectos, do eu: físico, cognitivo e
psicossocial. O crescimento do corpo e do cérebro, as capacidades sensoriais, as habilidades motoras e a
saúde fazem parte do desenvolvimento físico. Aprendizagem, atenção, memória, linguagem, pensamento,
raciocínio e criatividade compõem o desenvolvimento cognitivo. Emoções, personalidade e relações
sociais são aspectos do desenvolvimento psicossocial.
Estudos sobre a plasticidade cerebral tornaram-se fundamentais para entendermos a funcionalidade
cerebral e como o ambiente tem grande importância em seu desenvolvimento, pois:
embora o desenvolvimento inicial do cérebro seja geneticamente orientado, ele é continuamente
modificado pela experiência ambiental. A arquitetura física do cérebro reflete as experiências que temos
durante a vida. Nossos cérebros não são estáticos; são órgãos vivos, que mudam e respondem a influências
ambientais. O termo técnico para essa maleabilidade do cérebro é plasticidade. Essa plasticidade pode ser
um mecanismo evolutivo para possibilitar a adaptação às mudanças no ambiente (GOMEZ-ROBLES et al.,
2013 apud PAPALIA; MARTORELL, 2022, p. 112).
Takatsu (2015) aborda o papel do cérebro no decorrer dos anos, destacando que
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muitos de nós podemos recordar músicas ou rimas usadas para a memorização da tabela periódica de
elementos químicos, ou de qualquer outro conteúdo pedagógico, apesar de não ouvir com nenhuma
frequência tais músicas. Após anos, ou até´ mesmo décadas, o cérebro consegue trazer a` tona esse
aprendizado, demonstrando como ele ficou “preso” na memória.
O cérebro humano é nosso maior recurso para armazenamento de informações, proporcionando o
aprendizado. Assim, a música torna-se uma grande ferramenta de aprendizado, que nos possibilita um
mundo de criatividade, de novidades e vivências, assim como um processo de interação social.
A sociedade atual, carregada de estresse e exaustão, precisa urgentemente de mais envolvimento com a
arte, seja a dança, a música, a pintura, a escultura, entre outras possibilidades. Ao usar a criatividade,
podemos nos recriar como indivíduos melhores que terão mais condições físicas e psíquicas, oferecendo
uma maior contribuição para a sociedade como um todo (TAKATSU, 2015, p. 34).
Takatsu(2017) também alerta para a necessidade de se trabalhar com linguagem musical, pois refere-se a`
comunicação possível por meio da música, e a expressão artística por meio dela traz, realmente, todos os
benefícios da arte, como descrito anteriormente.
Para desenvolver o tema com mais profundidade, focaremos mais especificamente as duas importantes
formas de linguagem musical: canto e dança. Cérebro, música e aprendizagem caminham juntos
proporcionando maior conhecimento a criança.
Cirino (2015, p. 127) descreve pontos importantes da música quando trabalhada no contexto social em que
se vive, já que o contexto no qual a música é originalmente produzida e sua recepção em diferentes
culturas contribuem para as suas delineações. Trata-se, portanto, de significados delineados que devem
ser associados aos aspectos extramusicais referentes à identidade, aos conceitos, às expressões, aos
valores e aos diversos fatores simbólicos atribuídos à música.
Um dos benefícios que o cantar pode trazer a` saúde está´ relacionado ao desenvolvimento das crianças,
pois a possibilidade de levantar a voz, ser ouvido, aceito e, muitas vezes, positivamente reconhecido, tem
significante importância para o ser humano (TAKATSU, 2015, p. 26).
Takatsu (2015) destaca, ainda, que outro benefício do cantar que pode ser mensurado é a positiva
mudança fisiológica que essa atividade traz aos movimentos respiratórios. Ao cantar, a respiração mais
profunda, que e´ a abdominal, e´ ativada, o que tem efeitos sobre o intestino e o coração.
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Percebe-se a que a prática terapêutica a partir da música no ambiente escolar abrange um mundo de
culturas e ações diversificadas para a criança, permitindo novas aventuras e ferramentas de aprendizagem,
de forma prazerosa tanto à criança quanto a todos que aproveitam o poder da música para o
desenvolvimento humano.
A terapia musical proporciona à criança um mundo de novidades, onde ela pode ter vivências sociais e
individuais, viabilizando o poder de escolha desde gêneros e ritmos musicais, até grupos de pessoas com
os quais se identifica, e, a mesmo tempo, oportunizando o respeito às culturas diversas que existem na
sociedade.
De acordo com Takatsu (2015), outro benefício da música pode ser observado no processo de adaptação,
por ser um momento muito prazeroso, no qual a criança poderá´ se expressar e se divertir imensamente.
Em outro contexto, caso as crianças se distraiam, assim que o professor começar a cantar uma música, os
alunos prestarão atenção nele.
Existem diversos benefícios da música como terapia no ambiente escolar e social da criança,
vislumbrando conhecimentos únicos, desde a interpretação e imaginação musical, transferindo a criança,
muitas vezes, do mundo real ao mundo imaginário, assim como a utilização da música no processo de
alfabetização, conhecendo letras, palavras e frases. E não podemos deixar de abordar a facilidade de
trabalhar com o conhecimento e o reconhecimento corporal da criança, sendo trabalhado de forma lúdica e
vislumbrando melhorar o convívio social.
Torna-se relevante expor que os benefícios da música para crianças são imensuráveis, e pode-se trabalhar
desde o contexto do convívio social até a preparação de novos talentos, em que elas começam a
vislumbrar o mundo musical como uma forma de manifestação cultural e, muitas vezes, almejar e se
imaginarem como grandes cantores e/ou musicistas. Partindo disso, podemos destacar a participação de
crianças em concursos e outros eventos, em que a música é vislumbrada como forma de prêmio.
As exposições de concursos de arte infantil costumam trazer uma sensação de reconhecimento para a
criança, pois a sua arte pode ser apreciada por pessoas que ela nem conhece. Isso e´ um grande benefício
desse tipo de atividade. Ao ver como sua produção artística pode afetar uma pessoa, a criança se sentira´
valorizada de forma bastante concreta. Alguns cuidados devem ser tomados para que não haja malefícios
nessa prática. Um deles e´ com relação ao critério de avaliação da arte. E´ importante que esse critério não
seja a fidedignidade com relação a` realidade, ou seja, que o desenho se pareça com o objeto real (TAKATSU,
2015, p. 48).
A autora ainda destaca a música como forma de cuidado ao preparar a criança para situações em
ambientes competitivos. A terapia musical como ferramenta de trabalho com crianças as beneficia no
preparo para situações adversas, em que a perda e o ganho devem ser trabalhados, tornando-a criança
mais bem preparada para situações em ambientes competitivos tanto na infância quanto na vida adulta.
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Outro cuidado a ser tomado e´ quanto a` preparação da criança com relação a` competição. E´ relevante
frisar que perder faz parte do competir, e deve-se trabalhar a frustração diante da perda, que e´ uma
habilidade muito importante para a vida adulta (TAKATSU, 2015, p. 49).
O cérebro tem uma imensidão de funções vitais para o ser humano, e podemos destacar uma das grandes
áreas no processo de aprendizagem e memorização, a área de Wernicke, responsável por fatores
importantíssimos para o processo de memorização do ser humano.
Quando descrevemos a área de Wernicke, torna-se relevante trazer os estudos de Tortora e Derrickson
(2017, p. 271), de uma ampla regia~o nos lobos temporal e parietal esquerdos, a qual interpreta o
significado da fala pelo reconhecimento das palavras faladas. Ela esta´ ativa quando traduzimos palavras
em pensamentos. As regiões, no hemisfério direito, que correspondem às áreas de Broca e de Wernicke, no
hemisfério esquerdo, também contribuem para a comunicação verbal, acrescentando conteúdo emocional
às palavras faladas, como, por exemplo, raiva ou alegria,
Um ponto importante que deve ser destacado é o córtex pré´-frontal, que, de acordo com a descrição de
Tortora e Derrickson (2017, p. 271), é relevante no processo de desenvolvimento, aprendizagem e
memorização do ser humano. Os autores destacam que a parte anterior do lobo frontal esta´ relacionado
com a formação da personalidade, do intelecto, das capacidades de aprendizagem complexas, da
lembrança de informações, da iniciativa, do julgamento, da previsão, do raciocínio, da consciência, da
intuição, do humor, do planejamento e o desenvolvimento de ideias abstratas. Uma pessoa com lesão
bilateral dos córtices pré´-frontais normalmente se torna grosseira, sem consideração, incapaz de aceitar
conselhos, mal-humorada, desatenta, menos criativa, incapaz de planejar o futuro e incapaz de antecipar
as consequências de palavras ou de comportamentos precipitados ou imprudentes.
O telencéfalo nos proporciona a capacidade para ler, escrever, falar, fazer cálculos, compor músicas,
lembrar-se do passado, planejar o futuro e criar. Durante o desenvolvimento embrionário, quando há´ um
rápido aumento no tamanho do telencéfalo, a substância cinzenta do córtex cerebral amplia-se muito mais
rápido do que a substância branca subjacente (TORTORA; DERRICKSON, 2017, p. 268).
Ao falar sobre o cérebro, Tortora e Derrickson (2017) descrevem que as áreas de associação do telencéfalo
consistem em grandes áreas dos lobos occipital, parietal e temporal, e do lobo frontal anterior às áreas
motoras. Sendo essas áreas conhecidas como a área de associação somatossensorial, posterior a` área
somatossensorial primaria, integram e interpretam sensações somáticas, como a forma e a textura exatas
de um objeto.
Os autores ainda destacam outra função da área de associação somatossensorial: o armazenamento de
memórias de experiências sensoriais do passado, permitindo a comparação de sensações atuais com
experiências prévias. A área de associação visual, localizada no lobo occipital, relaciona as experiências
visuais do presente e do passado, tornando-se essencial para o reconhecimento e a avaliação do que e´
visto. A área de associação auditiva se destaca dentro do processo musical, sendo uma área localizada
abaixo da área auditiva primária, no córtex temporal, quepermite o reconhecimento de um som específico,
como a fala, a música ou o ruído.
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Para finalizar esse tema, também destacamos um ponto importante dos estudos de Takatsu (2017, p. 32),
relacionando que se deve observar o benefício da mudança de comportamento que as crianças podem
apresentar após uma atividade rítmica como essa. Algumas turmas, especificamente, apresentam
comportamento bastante agitado, ao menos em parte do dia. A utilização de atividades rítmicas pode
auxiliar a direcionar a atenção de tais grupos. Após realizar essa tarefa, as crianças provavelmente estarão
mais receptivas para uma atividade mais calma, como a leitura de um livro.
A plasticidade possibilita a aprendizagem. As diferenças individuais de inteligência talvez reflitam
diferenças na capacidade do cérebro de desenvolver conexões neurais em resposta à experiência (BRANT
et al., 2013; GARLICK, 2003). As primeiras experiências podem ter efeitos duradouros na capacidade do
sistema nervoso central de aprender e armazenar informações (Society for Neuroscience, 2008 apud
PAPALIA; MARTORELL, 2022, p.112).
As teorias de aprendizagem determinam que o desenvolvimento humano se encontra pautado na relação
entre a maturação biológica e as vivências do indivíduo, considerando o comportamento humano um
fenômeno plástico, capaz de ser moldado a partir da aprendizagem. Em outras palavras, o indivíduo
desenvolve-se também pela influência de contextos de aprendizagem que moldam novas competências,
habilidades e padrões de comportamento. Focam o olhar para o estudo do comportamento humano
seguindo a teoria do Behaviorismo proposta por Watson (1878-1958). Três teóricos considerados grandes
contribuintes para esse modelo teórico são Albert Bandura, Ivan Pavlov e B. F. Skinner (PORTO; SIERRA,
2018, p. 30).
“O ensino de música e´ muito importante para o desenvolvimento integral dos alunos. Eles aprendem a se
comunicar por meio da arte musical, que toca profundamente tanto o artista, que está´ interpretando a
música, quanto a plateia, que está´ envolvida no processo” (TAKATSU, 2015, p. 24). Ainda, segundo
Takatsu, (2015, p. 25), o estudo da música se iniciou com a vinda da Família Real para o Brasil, sobre o que
podemos destacar alguns pontos importantes para valorização dessa disciplina nas escolas:
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Com o início da República, no século XX, houve uma diversificação na arte musical, evidenciada em clubes e
sociedades. Nesses locais, concertos eram criados e interpretações de músicas europeias eram valorizadas.
Foi plantada a semente, que germinaria, do desenvolvimento de diretrizes para a regularização do ensino
de música no contexto brasileiro. Atualmente, a Lei n. 11.769/08 garante a obrigatoriedade do ensino de
música na educação básica, como conteúdo curricular obrigatório. Além dessa lei, ainda estão em vigor os
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), que trazem o ensino da música como importante aliado na
educação brasileira. Entre os objetivos citados, o ensino de música garante um espaço para que alunos
possam experimentar a comunicação por meio da canção, além de oferecer grande exposição a contextos
culturais e históricos (TAKATSU, 2015, p. 25).
De acordo com Cirino (2015, p. 124), “cada momento vivido é uma nova experiência, e em qualquer idade
há muito o que aprender”. Desse modo, ainda que um aluno maduro apresente dificuldades em apreender
conhecimentos considerados simples pelo professor, isso não determina que ele não possa ser educado
musicalmente (DEBERT, 2004, p.132, apud CIRINO, 2015, p. 124).
No processo de aprendizagem, existem células importantíssimas em nosso sistema nervoso central
favorecendo que a aprendizagem aconteça; aqui será destacada a célula neuroglial chamada Astrócitos,
cuja função é sustentar os neurônios, protegê-los contra substâncias prejudiciais, ajudar a manter as
propriedades químicas do ambiente para a geração dos impulsos nervosos, auxiliar o crescimento e a
migração dos neurônios durante o desenvolvimento do encéfalo, desempenhar uma função no
aprendizado e na memória e ajudam a formar a barreira hematoencefálica (TORTORA; DERRICKSON, 2017,
p. 242).
Para que a aprendizagem aconteça, destaca-se o papel dos neurotransmissores, que consistem em
aminoácidos unidos por ligações peptídicas, chamados de neuropeptídios. As endorfinas são neuropepti
´dios que atuam neuropepti´deos tambe´m sa~o associados a` melhora da memo´ria e do aprendizado e a`
sensac¸a~o de prazer e euforia.
Ainda nos estudos de Tortora e Derrickson (2017; p. 254), destaca-se a relevância do ence´falo como
centro de controle para o registro de sensações, correlacionando-as entre si e, com a informac¸a~o já
armazenada, promover a tomada de deciso~es e a ação. Ale´m disso, ele e´ o centro para o intelecto, as
emoc¸o~es, o comportamento e a memo´ria. Pore´m, o ence´falo ainda abrange um domínio maior:
direciona nosso comportamento em relac¸a~o aos outros.
A memória tem papel fundamental no processo da aprendizagem musical, e quanto maior forem as
experiências vivenciadas pelas crianças desde a primeira infância, maior será a bagagem psicomotora
levada para a vida adulta, beneficiando a interação social, assim como um maior conhecimento
psicomotor. Partindo dessa reflexão, percebe-se que, a partir do maior conhecimento e reconhecimento
corporal e cognitivo, as possibilidades de aprendizagem do ser humano tornam-se mais viáveis, desde que
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as vivências e experiências psicomotoras sejam apresentadas a cada um. De acordo com os estudos de
Tortora e Derrickson (2017, p. 273), percebe-se a real necessidade destas experiências:
Sem memo´ria, repetiri´amos os erros e seri´amos incapazes de aprender. Da mesma forma, na~o seri´amos
capazes de repetir os nossos sucessos ou realizac¸o~es, exceto por acaso. Memo´ria e´ o processo pelo qual
a informac¸a~o adquirida por meio do aprendizado e´ armazenada e recuperada. Para que uma
experie^ncia se torne parte da memo´ria, deve produzir alterac¸o~es estruturais e funcionais no ence´falo.
As partes do ence´falo conhecidas pelo envolvimento com a memo´ria incluem as a´reas de associac¸a~o dos
lobos frontal, parietal, occipital e temporal, partes do sistema li´mbico e o dience´falo. Memo´rias para
habilidades motoras, como sacar uma bola de te^nis, sa~o armazenadas nos nu´cleos da base e no
cerebelo, assim como no co´rtex cerebral (TORTORA; DERRICKSON, 2017, p. 273).
A compreensão da música no ambiente educacional se faz uma ferramenta de trabalho fundamental para
formação de crianças com maior estruturação cognitiva, motora, social e afetiva, possibilitado maior
integração com seu ambiente e sua cultura, possibilitando uma gama de experiências e vivências a partir
da música.
Siga em Frente...
Siga em Frente...
De acordo com os estudos históricos sobre a música, existem várias reflexões sobre o tema, pois no
decorrer dos séculos havia contradições e indisposições sobre a música fazer parte do contexto das artes
e, partindo desse questionamento, houve divergências, já que muitos não a consideravam uma expressão
artística.
Com o decorrer dos séculos e de culturas após culturas, percebeu-se a complexibilidade das artes, e que a
música, assim como todas as artes, consegue transpor, a partir de suas letras, seus ritmos, gêneros entre
outros aspectos da musicalidade, uma gama de atividades cerebrais envolvidas, advindas do sistema
nervoso central. Pois a música, assim como todas as artes, envolve fatores emocionais/sentimentais,
comportamentais, fisiológicos e culturais, que são transportados a partir de suas letras e ritmos, assim
como nas telas e outras artes.
Partindo dessa discussão aberta séculos atrás, podemos ressaltar o papel da escola e das ações que
acontecem no espaço educacional, como descreve Escosteguy (2018, p. 60), pois esses ambientes não
oferecem apenas o conhecimento cognitivo, mas, certa e fundamentalmente,as relações com as diversas
culturas que ali habitam. O aluno aprende com a convivência, com a troca de valores e hábitos, valorizando
e aceitando a diversidade, transformando, de forma participativa e crítica, as práticas propostas
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interdisciplinarmente e socialmente. Essa atitude colabora com sua formação intelectual e, principalmente,
afetiva.
O crescimento do corpo e do cérebro, as capacidades sensoriais, as habilidades motoras e a saúde fazem
parte do desenvolvimento físico. Aprendizagem, atenção, memória, linguagem, pensamento, raciocínio e
criatividade compõem o desenvolvimento cognitivo. Emoções, personalidade e relações sociais são
aspectos do desenvolvimento psicossocial (PAPALIA; MARTORELL, 2022, p. 4).
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
Respondendo nossa problematização, de acordo com Takatsu (2017), dificuldades ao realizar atividades
para o desenvolvimento de conhecimentos musicais como benefício terapêutico no processo de
aprendizagem sempre irão existir. Porém, o eu se torna relevante, e mora nas formas e variações de
atividades que o professor irá elaborar e planejar para estimular seus alunos.
Na~o restam du´vidas de que tal planeja- mento de atividades arti´sticas, equiparado com o ensino dado,
implicara´ um esforc¸o extra do professor. Essa forma de lidar com o aprendizado requer uma energia a
mais e tambe´m recursos fi´sicos, como sala apropriada, instrumentos e/ou materiais especi´ficos. Mas, sem
du´vida, a facilidade no aprendizado que os alunos tera~o valera´ a pena. E, usando a criatividade, a falta de
recursos na~o sera´ impedimento para esse trabalho. Vale ressaltar que na~o e´ necessa´rio realizar todas
as aulas dessa forma; pode ser apenas em uma mate´ria especi´fica, que seja de maior complexidade e/ou
de difi´cil compreensa~o (TAKATSU, 2017, p. 34).
A autora ainda destaca, pontos importantes da educação musical atualmente, expondo que, quando um
grande estresse e´ vivenciado por considera´vel parte da populac¸a~o, cantar e´ uma excelente atividade,
por atuar sobre o relaxamento do corpo, diminuindo a incide^ncia de transtornos do sono e doenc¸as
circulato´rias. Os praticantes do canto apresentam harmonia psi´quica e uma melhora no sistema imunolo
´gico.
Diversos autores das pesquisas criticam pais e educadores por inibir o canto das crianc¸as, e indicam que
somente o fazem pois desconhecem os benefi´cios a` sau´de psi´quica e emocional que ele pode trazer. O
cantar ou cantarolar tem a capacidade de mudar o estado de humor de algue´m, principalmente quando a
mu´sica o envolve ao ponto de deixar-se levar pela melodia e entregar-se ao prazer de cantar (TAKATSU,
2017, p. 34).
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O artigo Escolas pu´blicas que sa~o um espeta´culo trata de exemplos de instituic¸o~es que reduziram o
nu´mero de repete^ncia a evasa~o escolar, e conseguiram, de seus alunos, uma melhora significativa nas
notas de portugue^s e matema´tica. Um caso e´ a escola Hirayuki Enomoto, na cidade de Pereira Barreto,
no estado de Sa~o Paulo, que trabalha o ensino de mu´sica e instrumentos cla´ssicos como parte da
formac¸a~o dos alunos.
Leia também o artigo O Canto Coral melhora a saúde e a felicidade e é o quebra-gelo perfeito, realizado
pela Universidade de Oxford, que destaca os benefícios do canto para o corpo e a mente, abordando os
benefícios fisiológicos do canto, e da música em geral, que são explorados há muito tempo. Fazer música
exercita o cérebro e o corpo, mas cantar é particularmente benéfico para melhorar a respiração, a postura e
a tensão muscular. Ouvir e participar de música também demonstrou ser eficaz no alívio da dor,
provavelmente devido à liberação de neuroquímicos como a ß-endorfina (um analgésico natural
responsável pela sensação de euforia após exercícios intensos).
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https://epoca.globo.com/vida/noticia/2015/05/escolas-publicas-que-sao-um-espetaculo.html
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1364661305002901
http://www.emeraldinsight.com/doi/abs/10.1108/09654280210434228
http://www.emeraldinsight.com/doi/abs/10.1108/09654280210434228
http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD004843.pub2/epdf/standard
http://journal.frontiersin.org/article/10.3389/fpsyg.2014.01096/abstract
Referências
Referências
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2015, p.123-133. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pm/a/j7w4kh7WpKtpMDNdfjqypwt/?
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ESCOSTEGUY, Cléa C. Estudos culturais em educação. Porto Alegre: SAGAH, 2018. E-book. pág.60. ISBN
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PAPALIA, Diane E.; MARTORELL, Gabriela. Desenvolvimento humano. 14. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2022. E-
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PORTO, Alessandra Beggiato., SIERRA, Maria Florência. Crescimento humano. – Londrina: Editora e
Distribuidora Educacional S.A., 2018. 208 p. ISBN 978-85-522-0751-1 1. Disponível em: https://biblioteca-
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TAKATSU, Mayra M. Artes, Educação e Música. Porto Alegre: +A Educação - Cengage Learning Brasil, 2015.
E-book. pág.24-34; 25. ISBN 9788522123735. Disponível em:
https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522123735/. Acesso em: 17 jun. 2025.
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https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040132/
https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento-humano.pdf
https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento-humano.pdf
https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento-humano.pdf
https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522123735/
TORTORA, Gerard J.; DERRICKSON, Bryan. Corpo humano. 10. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2017. E-book.
pág.271. ISBN 9788582713648. Disponível em:
https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582713648/. Acesso em: 14 jul. 2025.
Aula 5
Encerramento da Unidade
Videoaula de Encerramento
Videoaula de Encerramento
Começamos destacando que a história da música é uma narrativa riquíssima que acompanha a evolução
da humanidade, refletindo suas emoções, crenças, festas e transformações sociais. Desde as músicas pré-
históricas, com instrumentos rudimentares, passando pelas civilizações antigas, como Egito, Grécia e
Roma, a música sempre teve um papel fundamental na cultura de diferentes povos. Já a cultura musical é
também um reflexo da identidade social, produzindo e reforçando tradições, valores e narrativas de
diferentes comunidades. Ressalta-se que a cultura musical envolve todo um contexto cultural, histórico e
geográfico, sendo uma expressão universal da condição humana.
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Ponto de Chegada
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A música, enquanto manifestação artística e cultural, acompanha a humanidade desde os primórdios de
sua existência, desempenhando papel fundamental na expressão de emoções, crenças, identidades e
tradições. Desde os sons produzidos por instrumentos rudimentares na pré-história até as complexas
composições contemporâneas, a história da música revela uma evoluçãocontínua que reflete
transformações sociais, políticas e tecnológicas ao longo dos séculos. Além de um fenômeno artístico, a
cultura musical é um espelho das comunidades e culturas, promovendo integração, resistência e
transformação social.
Quanto à problematização, temos que analisar todo o contexto histórico e cultural da música, buscando
maior compreensão do tema e de todo o processo de evolução. Devemos ir além da simples apreciação
das composições e estilos, refletindo sobre: como a música foi moldada por fatores históricos, sociais e
econômicos? De que maneira ela contribuiu para a formação de identidades culturais e para a preservação
ou transformação de tradições? E, por outro lado, como as mudanças tecnológicas e as globalizações
contemporâneas influenciam a produção, circulação e recepção musical?
Essas questões nos levam a refletir sobre o papel da música na construção da história social e cultural,
bem como suas múltiplas dimensões de significado e impacto na sociedade.
Existem alguns questionamentos levantados por Takatsu (2015, p. 7) que abordam as seguintes
problematizações:
Quem nunca teve o prazer de conhecer um professor que lhe tenha ensinado algum conceito por meio da
mu´sica? Ou que lhe tenha apresentado alguma obra de arte para contar determinado fato da história?
Quem sabe, que tenha ensaiado alguma coreografia para comemorar um feriado do ano com um contexto
folclórico? A sonoridade e o canto tambe´m estavam presentes nas escolas quando, para iniciar o período,
todos os alunos cantavam o Hino Nacional. Se pararmos para pensar, qual o reflexo daquelas atividades na
nossa vida? A resposta e´: diversos. Diversos foram e sa~o os reflexos, e todos eles, muito positivos. Quem
diria que o canto, por exemplo, auxilia na respiração e na circulação sanguínea? Ou que a danc¸a permite o
desenvolvimento corporal, viabilizando o seu relaxamento e melhorando sua postura? (TAKATSU, 2015, p.
7).
É Hora de Praticar!
É Hora de Praticar!
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Esse exercício é uma forma de revisar todo o conteúdo apresentado, para quer você possa entender como
a música pode ser trabalhada no ambiente escolar. O texto utilizado para esse processo de conhecimento
foi elaborado pela autora Takatsu (2019, p. 29). Aproveite o conteúdo e as propostas apresentadas.
Reflita
O desenvolvimento da musicalidade, o trabalho com o ritmo e a coordenação motora são algumas das
capacidades que ajudarão os alunos na realização de tarefas mais complexas quando forem adultos. Outra
grande razão para utilizar-se de tais atividades é que as crianças se envolvem de forma expressiva. E´ uma
maneira que elas encontram de continuar explorando seu corpo e suas capacidades. Para as crianças, é
tudo muito novo e desafiador, portanto, elas se envolvem facilmente em atividades com essas
características.
Além disso, apresentar uma música a um grupo com a tentativa de harmonização em seu contexto traz
sociabilização, uma vez que haverá um interesse comum a todos os integrantes da sala.
Desde os primeiros dias de aula, a música pode ser uma grande aliada do professor. Todas as crianças,
principalmente as mais novas, irão facilmente manter a atenção em qualquer atividade que envolva
música, de forma bastante prazerosa.
Resolução do Estudo de Caso
E´ possível passar a manhã inteira cantando e dançando com as crianças pequenas. Com as músicas, elas
aprenderão conceitos de natureza, de expressão corporal e até conceitos matemáticos.
Ensinar usando a música, além de muito atraente para os alunos, permite internalizar conteúdos com
grande rapidez, transformando esse momento em uma forma lúdica de ensinar conceitos, tais como os
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nomes das formas, dos animais e das partes do corpo.
Assimile
Referências
CABRAL, Clara B. Património Cultural Imaterial - Convenção da Unesco e Seus Contextos. São Paulo:
Almedina Brasil, 2018. E-book. P. [n.p]. ISBN 9789724419077. Disponível em:
https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724419077/. Acesso em: 18 jul. 2025.
FUBINI, Enrico. Estética da Música. São Paulo: Almedina Brasil, 2019. E-book. P. [n.p]. ISBN
9789724421605. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724421605/.
Acesso em: 18 jul. 2025.
TAKATSU, Mayra M. Artes, Educação e Música. Porto Alegre: +A Educação - Cengage Learning Brasil, 2015.
E-book. p.38. ISBN 9788522123735. Disponível em:
https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522123735/. Acesso em: 18 jul. 2025.
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https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724419077/
https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724421605/
https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522123735/os jogos, a mitologia, os rituais, os costumes, o artesanato, a
arquitetura e outras artes (UNESCO, 1989 apud CABRAL, 2018, p. 33).
Middleton (1990, apud Napolitano (2005, p. 33) destaca a proposta de uma tipologia de valores envolvidos
numa canção, com base nas funções da linguagem propostas por Roman Jakobson. Dentro dessa
tipologia de valores, os rituais se fazem parte relevante no contexto musical. Seguem:
Valores comunicativos: a música diz alguma coisa, similar às funções emotiva e referencial da linguagem, de R. Jakobson.
Valores rituais: criação de solidariedade, consciência dos problemas cotidianos etc. Função fática da linguagem.
Valores técnicos: explicitam como a música é feita, tornam familiar seus códigos, normas e fórmulas. Função metalinguística.
Valores eróticos: música envolve, energiza e estrutura o corpo, sua superfície, músculos, gestos e desejos. Função conativa.
Valores políticos: podem ser expressão de identidade (opositora ao sistema) ou de protesto, estrito senso (denúncia de algo). No primeiro
caso, função fática. No segundo, emotiva e referencial (MIDDLETON, 1990, apud NAPOLITANO (2005, p. 33).
Além do canto, o homem pré-histórico percebeu que, ao assoprar ossos furados, bater palmas ou percutir
em peles de animais curtidas e esticadas, poderia produzir diferentes sons. Todas as hipóteses da prática
musical no período pré-histórico foram traçadas a partir de pesquisas arqueológicas, antropológicas e
musicológicas (CAVINI, 2011 apud PIRES, 2019, p. 5).
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De acordo com Pires (2019, p. 6), os instrumentos mais antigos, flautas feitas de ossos com apenas um
orifício, são do Paleolítico Inferior, usados provavelmente em caçadas para imitar sons ou cantos de
animais e pássaros, ou para os homens se comunicarem.
Destacam-se nos estudos de Pires (2019, p. 7) fatos históricos abordados sobre rituais a partir da música,
assim como hábitos de acordo com a evolução do ser humano, conforme exposto a seguir:
No período Neolítico aparecem os primeiros tambores, que eram ornamentados, e matracas em argila no
formato de pequenos animais ou com a forma humana, provavelmente tinham uso religioso;
Na antiga Mesopotâmia, a música e o canto faziam parte de vários aspectos da vida e desempenhavam
um papel importante nos templos, já que eles possuíam uma orquestra e um coral com músicos
profissionais. Assim como acontecia com os textos literários, as composições musicais eram anônimas. Com
uma exceção, uma princesa suméria, Enkeduanna, filha de Sargão de Akkad (2334-2279 a.C.), sacerdotisa do
deus Nanna (Lua), compôs e assinou vários hinos religiosos;
Para os babilônios (2.000 a 539 a.C.), a música estava associada à animação de tropas durante as batalhas;
eram também compostas músicas que alegravam os banquetes e festas em tempos de paz. O canto era
utilizado para a caça, o amor, o ódio, a guerra, evocação dos mortos, estados de transe, entre outros;
Para os assírios (1.300 a 612 a.C.) a música era símbolo de poder, respeito e vitória;
A música hebraica sofreu influência de outros povos, porém consolidou-se com características próprias:
caráter religioso, guerreiro, festivo e de lamentação. A Bíblia constitui a principal fonte documental sobre a
referência à música hebraica;
A civilização fenícia era constituída por várias cidades-estados que compartilhavam a mesma cultura, sem
vínculo político e econômico entre si, Os fenícios são considerados os inventores de alguns instrumentos
musicais, como a flauta dupla;
A música egípcia, assim como toda a arte, estava ligada à religião, mas possuía um estilo de música para
cada ocasião: de caráter religioso, nos cultos aos mortos e aos deuses; de caráter militar, quando eram
cantados hinos em honra aos vencedores; de caráter social, animando banquetes solenes, cantos de
trabalho, entre outros;
Os Medos e persas, abrangeu toda a música e instrumentos musicais dos egípcios e mesopotâmicos,
especialmente assírios e babilônios;
Os chineses, estimavam a música, possuindo um sistema já estruturado. Ling-Iuen, sábio chinês que viveu
por volta de 2637 a.C., Ling-Iuen conseguiu sistematizar uma série de cinco tons, que correspondiam aos
cinco elementos, chamado de lyu. Essa escala foi aperfeiçoada até uma série de 12 lyus, intervalos
originados da derivação por quintas de um som fundamental, que correspondiam às 12 luas, aos 12 meses
do ano e às 12 horas do dia chinês;
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Na Grécia antiga, entre os séculos VII e VI a.C., a música estava vinculada a todas as manifestações sociais,
culturais e religiosas. Na Cultura greco-romana: a teoria e ética musicais herdadas da Grécia foram
referências para a cultura cristã, sendo adaptadas e moldadas às exigências da música de igreja;
Na Cultura celta, música de historiadores, poetas e músicos, com o acompanhamento de liras ou harpas;
Na Cultura oriental judaico-cristã, a forma de expressão popular, impregnada dos costumes musicais
hebraico, sírio e egípcio, que influenciou a recitação melódica (cantilena) que os primeiros cristãos
introduziram em seus cultos;
A música Medieval, inicia com os cantos entoados pelas novas comunidades cristãs, impregnados com as
características das músicas do templo judeu e da cultura helênica;
Na França, a partir do século XIII, a arte dos troveiros passou a ser mais cultivada por burgueses cultos do
que por nobres, como em tempos anteriores. Na Alemanha isso também ocorreu a partir dos séculos XIV,
XV e XVI; os sucessores dos minnesinger foram os meistersinger, dignos mercadores e artesãos das cidades
alemãs.
Do ponto de vista estritamente musical, herdavam duas tradições diversas e nitidamente antagónicas,
dado o espírito que as animava: por um lado, a música greco-romana, intimamente ligada aos usos, aos
ritos, às festas do mundo pagão; por outro, a tradição do canto sinagogal hebraico (FUBINI, 2019, p. S/N).
No património imaterial, o principal são as pessoas. É essa mudança de paradigma, o desviar do foco das
atenções do objeto para o ser que o executa, que torna o património cultural imaterial tão difícil de definir e
de interiorizar – e é isso que o torna também tão interessante e atrativo. Obra e gesto, dança e bailarino,
história e contador passam a ser realidades indissociáveis que devem ser percebidas em conjunto e
valorizadas em simultâneo (CABRAL, 2018, p. 34).
O património cultural imaterial é porventura, de todos os patrimónios, o mais difícil de explicar. Todos nós
convivemos com ele no dia a dia, praticamo-lo quase sem pensar, procuramo-lo em datas pré-estabelecidas
e nos momentos de lazer, sentimos que faz parte das nossas vidas e memórias, mas quando tentamos
defini-lo, determinar porque é importante para nós ou descrever as emoções que em nós suscita, faltam-
nos as palavras, baralham-se os conceitos, fica um sentimento vago de familiaridade e de recordações difícil
de expressar e transmitir. De facto, é mais fácil viver e sentir o património cultural imaterial do que falar
sobre ele (CABRAL, 2018, p. 33).
A partir dos estudos de Fubini (2019), percebe-se que a história da música vem de um grande contexto até
o século XIX. O autor ainda destaca que, de fato e de direito, uma história independente da das outras
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artes. Ao longo de uma tradição antiquíssima que remonta aos tempos da Grécia Antiga, a música foi
sempre considerada, por diversos motivos, uma arte dotada de reduzido ou nulo poder educativo em
relação à poesia, o que veio reforçar a ideia de que ela é um tipo de arte à parte, com uma história própria,
com problemas específicos, uma arte que põe em jogo atividades e receptividades diferentes da das artes
da palavra, bem como das artes da pintura e da arquitetura.
Cabral (2018), em seus estudos, aborda que a UNESCO salvaguarda as Artes do espetáculo, que incluem a
música vocal ou instrumental, a dança e o teatro, mas há muitas outras formas tradicionais, taiscomo
pantomima, versos cantados e determinadas formas de contar histórias. As artes do espetáculo incluem
uma grande diversidade das expressões culturais que, no seu conjunto, são testemunho da criatividade
humana. Podem frequentemente ser encontradas, em diversos graus, em muitos outros domínios do
património cultural imaterial.
Cabral (2018) ainda destaca que a UNESCO salvaguarda também as práticas sociais, rituais e os eventos
festivos, que são atividades rotineiras que estruturam as vidas das comunidades e dos grupos, sendo por
estes compartilhadas, e que se afiguram relevantes para muitos indivíduos por reafirmarem a identidade
dos intervenientes enquanto grupo ou comunidade. Executadas em público ou em privado, estas práticas
sociais, rituais e festivas podem estar relacionadas com o ciclo de vida dos indivíduos e dos grupos, com o
calendário agrícola, com a sucessão das estações ou com outros sistemas temporais. São condicionadas
por visões do mundo e por histórias e memórias comuns. Variam desde simples encontros a ocasiões de
celebração e comemoração em larga escala.
Ela também reflete a evolução cultural e tecnológica ao longo dos séculos. Dos instrumentos musicais
primitivos aos avanços na gravação e reprodução musical, a música acompanhou e impulsionou a
transformação da sociedade, incorporando novos estilos, sons e possibilidades criativas. A música tem
desempenhado um papel vital na história da humanidade, servindo como expressão cultural, emocional e
veículo de mudança. Ela transcende barreiras linguísticas e culturais, tocando os corações e as mentes
das pessoas ao redor do mundo. Ao reconhecer o poder e a importância das músicas, podemos apreciar e
valorizar sua influência duradoura em nossa sociedade e na forma como nos conectamos com o mundo ao
nosso redor Disponível em: https://www.sabra.org.br/site/historia-musica-2/. Acesso em: 17 jun. 2025.
A UNESCO partir da década de 1990, de acordo com estudos de Cabral (2018), a questão da proteção do
património cultural imaterial tomou novo fôlego, em parte devido a pressões dos países do Sul, cujo
património frequentemente não cumpre os critérios exigidos para a inclusão na Lista do Património
Mundial. Em 1993, a reunião International Consultation on New Perspectives for UNESCO’s Programme:
The Intangible Cultural Heritage juntou participantes de vários países e áreas científicas para aconselhar a
Organização quanto à estratégia a médio prazo para 1996-2001, incluindo o programa para a salvaguarda
do património cultural imaterial; nos dias atuais, o patrimônio imaterial se torna necessário dentro de todas
as convenções mundiais e com ênfase em preservação da cultura.
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Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
Atualmente, a música vem exercendo grande contribuição para o ser humano, pois mesmo com a grande
diversificação cultural, de estilos e gêneros, podemos dizer que, como os povos antigos, “a partir da música
cada ser humano encontra sua tribo”. Independentemente do gênero, cada pessoa busca nas músicas, seja
em letras, sons, arranjos e novidades, a sua identificação. A partir desta identificação, e com a diversidade
de estilos, cada pessoa irá escolher o que a completa, e tem o dever de respeitar os estilos e os gêneros do
outro, pois, assim, conseguiremos seguir com a música transcendendo civilizações e influenciando
variadas culturas. Na realidade, a música é uma forma de resolução de problemas para a grande maioria
da humanidade.
Divirtam-se, e sempre apreciem a sua e a música de todos nós.
Saiba mais
Saiba mais
Observe a reflexão a seguir:
A música é reconhecida por muitos pesquisadores como uma modalidade que desenvolve a mente
humana, promove o equilíbrio, proporcionando um estado agradável de bem-estar, facilitando a
concentração e o desenvolvimento do raciocínio, em especial em questões reflexivas voltadas para o
pensamento. Na música estão contidos três elementos: as palavras, a harmonia e o ritmo. Daí a importância
da boa música. A música penetra diretamente em nossos centros nervosos e coordena mentalmente, de
maneira rápida e imediata, a divisão do tempo e do espaço, além de inspirar o gosto pelas virtudes.
A partir dessa reflexão, percebe-se que a música exerce influência em todos que podem ter acesso a ela.
Você sabia que o Hino Hurrita nº 6, com 3.400 anos, é considerada a obra musical anotada mais antiga e
substancialmente completa conhecida? Originária da atual Anatólia, que hoje faz parte da Turquia, foi
descoberta inscrita em uma tabuleta de argila na atual Síria, em 1950.
As canções hurritas (ou hinos hurritas ) são uma coleção de música feita em escrita cuneiforme em tábuas
de argila escavadas na antiga cidade amorita de cananeu de Ugarit , um promontório no norte da Síria , que
datam de aproximadamente 1400 a.C. Embora os nomes dos compositores de algumas das peças
fragmentárias sejam conhecidos, a h.6 é uma obra anônima.
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https://en.wikipedia.org/wiki/Cuneiform
https://en.wikipedia.org/wiki/Amorite
https://en.wikipedia.org/wiki/Canaan
https://en.wikipedia.org/wiki/Ugarit
https://en.wikipedia.org/wiki/Syria
https://en.wikipedia.org/wiki/Anonymous_work
Fonte: Um desenho de um lado da tábua na qual está inscrito o Hino a Nikkal.
Por Giorgio Buccellati, "Hurrian Music"Arquivado em 2016-10-09 no Wayback Machine, editor associado e
webmaster Federico A. Buccellati Urkesh.
Para ouvir o Hino Hino Hurrita nº 6.
Música dos Antigos Sumérios, Egípcios e Gregos, nova edição expandida. Ensemble De Organographia
(Gayle Stuwe Neuman e Philip Neuman). Gravação em CD. Pandourion PRDC 1005. Oregon City:
Pandourion Records, 2006.
Até breve e espero que tenha aproveitado todo o conteúdo!
Referências
Referências
CABRAL, Clara B. Património Cultural Imaterial - Convenção da Unesco e Seus Contextos. São Paulo:
Almedina Brasil, 2018. E-book. ISBN 9789724419077. Disponível em:
https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724419077/. Acesso em: 18 jun. 2025.
CEFSA. A importância da música na vida das pessoas. Disponível em:
https://cefsa.org.br/crescendojuntos/a-importancia-da-musica-na-vida-das-pessoas/. Acesso em: 18 jun.
2015.
EDUCA MAIS BRASIL. História da música. Disponível em:
https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/artes/historia-da-musica. Acesso em: 17 jun. 2025.
FUBINI, Enrico. Estética da Música. São Paulo: Almedina Brasil, 2019. E-book. p.[SN]. ISBN 9789724421605.
Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724421605/. Acesso em: 17 jun.
2025.
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http://www.urkesh.org/urkeshpublic/music.htm
https://web.archive.org/web/20161009114038/http:/www.urkesh.org/urkeshpublic/music.htm
https://en.wikipedia.org/wiki/Wayback_Machine
https://en.wikipedia.org/wiki/Hurrian_songs#cite_note-Urkesh-1
https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724419077/
https://cefsa.org.br/crescendojuntos/a-importancia-da-musica-na-vida-das-pessoas/
https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/artes/historia-da-musica
https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724421605/
MORAES, J. G. V. DE. História e música: canção popular e conhecimento histórico. Revista Brasileira de
História, v. 20, n. 39, p. 203–221, 2000.
NAPOLITANO, Marcos. História & Música. (Coleção História &... Reflexões), São Paulo: Autêntica Editora,
2005. E-book. pág.33. ISBN 9788582172186. Disponível em:
https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582172186/. Acesso em: 18 jun. 2025.
PIRES, Debora C. História da Música: Antiguidade ao Barroco. Livro Didático. 1. ed. Indaial: UNIASSELVI,
2019. v. 1. 253p.
SABRA – SOCIEDADE ARTÍSTICA BRASILEIRA. História da música. Disponível em:
https://www.sabra.org.br/site/historia-musica-2/. Acesso em: 17 jun. 2025.
WIKIPEDIA. Hurrian songs. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Hurrian_songs#cite_note-Urkesh-1.
Acesso em: 18 jun. 2025.
Aula 2
Música e DesenvolvimentoHumano
Música e desenvolvimento humano
Música e desenvolvimento humano
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https://www.sabra.org.br/site/historia-musica-2/
https://en.wikipedia.org/wiki/Hurrian_songs#cite_note-Urkesh-1
A música tem um papel importante para o desenvolvimento psicomotor do ser humano, desde a vida
intrauterina e passando por todas as fases de desenvolvimento humano. Fases estas que, se forem
estimuladas a partir da inserção da música na rotina diária, tanto durante o processo gestacional da mãe,
quanto no decorrer de sua vida.
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Ponto de Partida
Ponto de Partida
O desenvolvimento humano se inicia a partir de sua concepção ou seja, desde a vida intrauterina, e nas
suas diversas fases ele deverá ser estimulado para que toda a sua capacidade inata seja potencializada,
para que ele vivencie todas as etapas de desenvolvimento de forma total e respeitando sua individualidade.
A música deve ser uma ferramenta de desenvolvimento para todos, e se for trabalhada desde a vida
intrauterina, será mais bem estimulada a cada etapa pela qual o ser humano passará, respeitando a
individualidade e principalmente as escolhas e o gosto musical de cada um. Porém, torna-se relevante
apresentar cada gênero musical desde a primeira infância e, assim, oportunizar a todos maior vivência e
bagagem musical.
Mas, a música, nos dias atuais, ainda é uma ferramenta imprescindível para o desenvolvimento humano?
A linguagem musical refere-se a` comunicação possível por meio da música. E a expressão artística por
meio dela traz, realmente, todos os benefícios da arte já´ demonstrados na aula anterior. Para desenvolver
o tema com mais profundidade, focaremos mais especificamente em duas importantes formas de
linguagem musical: canto e dança (TAKATSU, 2019, p. 25).
O processo de desenvolvimento humano inicia-se muito antes de o bebê chegar ao mundo. Desde o
momento em que o óvulo é fecundado, começa o processo gestacional e daí o desenvolvimento não para
mais de acontecer. Durante esse período gestacional, muitas são as modificações e evoluções biológicas e
fisiológicas que ocorrem tanto no organismo do bebê quanto no da mãe, como o desenvolvimento das
sinapses cerebrais, dos órgãos, dentre outros (PAPALIA; FELDMAN, 2013 apud POTT, 2019, p. 34).
O ser humano é considerado um ser vivo em constante desenvolvimento. Começamos como estruturas
microscópicas dentro do ventre materno e, em seguida, iniciamos nossa jornada no mundo como bebês;
crescemos e nos tornamos crianças, adolescentes, adultos e, por fim, idosos (PORTO; SIERRA, 2018, p. 12).
Divirtam-se com os conteúdos abordados no decorrer desta aula, visualizem o quão importante a música
pode se tornar para o desenvolvimento de crianças, jovens e adultos.
Vamos estudar!
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https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/cc54a05f-8811-4abf-af4d-d6a898e076be/cc54a05f/a33015a9-61d8-5927-a6a6-72a0baadb445.pdf
Vamos Começar!
Vamos Começar!
Começaremos esta sessão entendendo o significado de crescimento humano, em que as autoras Porto e
Sierra (2018, p. 27) abordam objetivamente em seus estudos, a partir de pesquisadores renomados na área
do desenvolvimento humano, que:
Crescimento é um processo biológico referente ao aumento do tamanho do corpo como todo ou de áreas
específicas dele (Malina; Bouchard, 2002; Ré, 2011; Tani Et Al., 1988; Gallahue; Ozmun, 2005), porém o ser
humano não é formado somente por sua dimensão biológica. Somos seres complexos, desenvolvendo-nos
por meio da interação entre indivíduo e ambiente dentro de distintos contextos. Portanto, o conceito de
desenvolvimento torna-se mais abrangente ao definir-se como todo processo de evolução humana
fundamentada pela interação do indivíduo com o ambiente, englobando desde processos biológicos até
processos sócio-históricos e culturais, isto é, um sistema que se estrutura, no mínimo, em uma relação
bidirecional (MAGNUSSO; CAIRNS, 1996 apud PORTO; SIERRA, 2018, p. 27).
Torna-se relevante abordarmos os estudos de Pikunas (1979), onde destaca que o desenvolvimento
humano está ligado aos estímulos, a partir das potencialidades e habilidades, favorecendo a aprendizagem
com qualidade e respeito a individualidade de cada um.
De acordo com as teorias do desenvolvimento cognitivo como a de Piaget que abordava exclusivamente o
desenvolvimento intelectual de crianças, já Vygotsky focou seus estudos em uma abordagem onde a
interação social se faz relevante para o desenvolvimento cognitivo de crianças.
As teorias do desenvolvimento cognitivo focam os estudos no desenvolvimento da cognição do ser humano
e enfatizam a centralidade da relação com o ambiente como fator para o processamento do conhecimento.
Em outras palavras, é pela interação com o ambiente e por meio da sua exploração ativa que a criança é
capaz de desenvolver seus conhecimentos sobre o mundo (Porto; Sierra, 2018, p. 29).
A música, quando trabalhada no contexto escolar desde a primeira infância, proporciona novas práticas
escolares em que explora linguagens diversificadas a partir da expressão artística como ferramenta de
comunicação cotidiana da criança, além de tornar as aulas mais criativas.
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Em nossos estudos, percebemos, a partir da história da música, que ela tem representatividade em vários
ambientes, manifestações, festas, eventos, religião e tantas outras, demonstrando que, vivenciando a
música no cotidiano escolar, crianças jovens e adultos podem, a partir de observação do meio ambiente
(pássaros e sons da natureza), assim como nas religiões a partir dos cantos e hinos e ou como forma de
rotina no cotidiano do ser humano. Isso torna a música para o ser humano uma forma de manifestação,
tanto na expressividade, nos sentimentos, nas ações, como no aprendizado.
Torna-se relevante ressaltarmos que a música, a partir de suas letras, sons e acordes, tem grande
facilidade de oportunizar para as crianças, através da linguagem musical, maior vivência e aprendizagem
em todo o seu contexto cultural e educativo, possibilitando exaltar sentimentos e o crescimento como ser
humano, potencializando sua cognição a partir dos significados e dos sentidos das músicas, assim como
as formas de expressões corporais por meio dela.
Desde 1998, o Brasil vem abordando um trabalho no sistema educacional brasileiro voltado à integração da
criança por meio da educação musical, devido à sua relevância no processo educacional, no qual a música
reflete nas crianças sentimentos e emoções para que, assim, possam evoluir em sua educação. O MEC
(1998) afirma que a expressão musical das crianças nessa fase é caracterizada pela ênfase nos aspectos
intuitivo e afetivo e pela exploração sensório-motora dos materiais sonoros. As crianças integram a música
às demais brincadeiras e jogos: cantam enquanto brincam, acompanham com sons os movimentos de
seus carrinhos, dançam e dramatizam situações sonoras diversas, conferindo “personalidade” e
significados simbólicos aos objetos sonoros ou a instrumentos musicais e à sua produção musical. O
brincar permeia a relação que se estabelece com os materiais: mais do que sons, podem representar
personagens, como animais, carros, máquinas, super-heróis etc (MEC, 1998, p. 50).
A música tem o poder único de evocar emoções e despertar sentimentos profundos. Desde a alegria e a
tristeza até a paixão e o amor, as músicas têm a capacidade de nos transportar para diferentes estados
emocionais, proporcionando um meio de expressão e catarse (SABRA – Sociedade Artística Brasileira).
Segundo Fubini (2019):
No século XVIII, as artes foram divididas em artes do tempo e artes do espaço, e a música, a aceitar-se esta
classificação, pertence sem sombra de dúvidas às artes do tempo, isto é, às formas de expressão que têm
como matéria o tempo. Mas entre as artes do tempo, a música ocupa um lugar à parte. Com efeito, as artes
da palavra,também elas artes do tempo, têm muito poucas afinidades com a música. Antes de mais, o
compositor deve possuir um grau de competência e, portanto, uma especialização bastante mais elevada
em relação, por exemplo, a um literato; além do mais, a música, para ser atualizada após a sua criação,
necessita sempre do intérprete, figura aliás presente em outras artes, como o teatro. Mas evidentemente
que o intérprete musical tem características que o distinguem de qualquer outro tipo de intérprete, dada a
dificuldade da sua tarefa, o alto nível de especialização exigido, a delicadeza e a responsabilidade de que é
investido a partir do momento que lhe é confiada a missão de fazer viver a própria obra musical e de a
transmitir ao público, pois sem ele a obra musical é muda e de facto inexistente. Por fim, no que diz respeito
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ao ouvinte, a música, embora seja desprovida de elementos figurativos, não reproduzindo nada de
determinado, sendo destituída de qualquer virtude imitativa, possui, porém, um impacto emotivo – mesmo
para o ouvinte mais desprevenido e sem competências musicais específicas –, desconhecido em qualquer
outra arte. Essas características são apenas algumas das mais flagrantes que diferenciam ainda hoje a
música das outras expressões artísticas, mas que são suficientes para fazer compreender como é que a
música se desenvolveu ao longo da história seguindo trilhos autónomos (FUBINI, 2019).
O trabalho com música deve considerar, portanto, que ela é um meio de expressão e uma forma de
conhecimento acessível aos bebês e às crianças, inclusive aquelas que apresentem necessidades
especiais. A linguagem musical é um excelente meio para o desenvolvimento da expressão, do equilíbrio,
da autoestima e do autoconhecimento, além de poderosa forma de integração social (BRASIL, 1998, p. 47).
O papel da música na infância tem grande relevância em sua evolução, preparando-a para a vida adulta, a
partir de maior interação e socialização com todos à sua volta. Começamos ressaltando que, dentro da
legislação brasileira, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), se afirma a necessidade de
uma educação de qualidade, destacando-se, no Art. 29, que a educação infantil está na primeira etapa da
Educação Básica, e, no Art. 26 § 2º, que o ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos
diversos níveis da Educação Básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos.
O ensino de Artes tem sua garantia a partir da Lei 11.769/2008, que abrange a obrigatoriedade do ensino
de música na Educação Básica, assim como a Lei 13.278/2016 abrange também as artes visuais, a dança,
a música e o teatro, que fazem parte da linguagem das Artes, dentro da Educação Básica, garantindo,
assim, que a música faça parte do cotidiano escolar, e oportunizando novas vivências para os alunos de
forma integrativa e inclusiva.
De acordo com o MEC (1998, p. 47) ainda podemos destacar que a música está presente em diversas
situações da vida humana, e que existem músicas para todas as situações cotidianas, como para
adormecer, para dançar, para chorar os mortos, para conclamar o povo a lutar, o que remonta à sua função
ritualística, presente na vida diária de alguns povos, ainda hoje é tocada e dançada por todos, seguindo
costumes que respeitam as festividades e os momentos próprios a cada manifestação musical. Nesses
contextos, as crianças entram em contato com a cultura musical desde muito cedo, e assim começam a
aprender suas tradições musicais.
Mesmo que as formas de organização social e o papel da música nas sociedades modernas tenham se
transformado, algo de seu caráter ritual é preservado, assim como certa tradição do fazer e ensinar por
imitação e “por ouvido”, em que se misturam intuição, conhecimento prático e transmissão oral. Essas
questões devem ser consideradas ao se pensar na aprendizagem, pois o contato intuitivo e espontâneo
com a expressão musical desde os primeiros anos de vida é importante ponto de partida para o processo
de musicalização. Ouvir música, aprender uma canção, brincar de roda, realizar brinquedos rítmicos, jogos
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de mãos etc., são atividades que despertam, estimulam e desenvolvem o gosto pela atividade musical, além
de atenderem a necessidades de expressão que passam pela esfera afetiva, estética e cognitiva. Aprender
música significa integrar experiências que envolvem a vivência, a percepção e a reflexão, encaminhando-as
para níveis cada vez mais elaborados (BRASIL, 1998, p.47).
Podemos destacar que o papel da música vai além do espaço educacional, pois a criança e as famílias a
acessam de acordo com sua cultura, religião e/ou opções de gêneros musicais, que são inúmeros, assim
como as formas de expressar e exaltar a música, na interpretação a partir da dança, do teatro e do canto.
O canto desempenha um papel de grande importância na educação musical infantil, pois integra melodia,
ritmo e — frequentemente — harmonia, sendo excelente meio para o desenvolvimento da audição. Quando
cantam, as crianças imitam o que ouvem e assim desenvolvem condições necessárias à elaboração do
repertório de informações que posteriormente lhes permitirá criar e se comunicar por intermédio dessa
linguagem. É importante apresentar às crianças canções do cancioneiro popular infantil, da música popular
brasileira, entre outras que possam ser cantadas sem esforço vocal, cuidando, também, para que os textos
sejam adequados à sua compreensão. Letras muito complexas, que exigem muita atenção das crianças
para a interpretação, acabam por comprometer a realização musical. O mesmo acontece quando se associa
o cantar ao excesso de gestos marcados pelo professor, que fazem com que as crianças parem de cantar
para realizá-los, contrariando sua tendência natural de integrar a expressão musical e corporal (BRASIL,
1998, p. 56).
A música tem uma grande variável na vida da criança, através de sua inserção em um mundo de sonhos,
criatividade, realidade, brincadeiras e outras vivências que a musicalização irá proporcionar, tornando uma
linguagem universal e promovendo novos significados, pois, na infância, a música não será um processo
de formação, mas sim de aquisição de conhecimentos com uma linguagem artística.
Siga em Frente...
Siga em Frente...
Nos dias atuais, percebemos que o ensino da música nas escolas se tornou uma ferramenta indispensável
para o desenvolvimento do ser como um todo. A música possui um valor imensurável para as crianças,
proporcionando, a partir da arte, o aguçar dos sentidos, da realidade, da imaginação, do sonho, do
concreto, da linguagem, entre outras sensações que podem ser vivenciadas.
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A música deve ser trabalhada com a criança de forma lúdica, em que ela deve ser assistida e orientada,
permitindo que vivencie e tenha prazer em estar realizando a atividade, possibilitando que seus sentidos
sejam trabalhados em uma linguagem informal, com professor capacitado proporcionando situações que
explorem a criatividade tanto do aluno quanto dele mesmo, dando significado a cada ação a ser realizada,
de forma objetiva ou subjetiva, com instrumentos, cantos, ritmos e sonoridades diferenciadas.
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
A música deve ser uma ferramenta de desenvolvimento para todos, e se for trabalhada desde a vida
intrauterina, será mais bem estimulada a cada etapa pela qual o ser humano irá passar, respeitando a
individualidade e, principalmente, as escolhas e o gosto musical de cada um. Porém, torna-se relevante
apresentar cada gênero musical desde a primeira infância e, assim, oportunizar a todos maior vivência e
bagagem musical.
Mas, a música, nos dias atuais, ainda é uma ferramenta imprescindível para o desenvolvimento humano?
A partir das vivências trabalhadas com crianças no contexto escolar, percebe-se a real necessidade nos
dias atuais de trabalhos direcionados com essa ferramentade oportunidades que a música oferece.
Atualmente, o mundo está cada vez mais informatizado e as ações e os trabalhos cada vez mais voltados
para essa tecnologia extremamente utilizada por crianças, jovens e adultos. A música pode proporcionar
para as crianças, principalmente na primeira e na segunda infância, uma forma de se conectar e interagir
com o outro, explorando atividades corporais, rítmicas e, principalmente, tornando um habito a interação
social, para que possam perpetuá-lo no decorrer da vida adulta. Assim, a música consegue transformar
ações e atitudes favoráveis para a vivência do ser humano em sociedade.
Saiba mais
Saiba mais
Crescimento, maturação e desenvolvimento são termos que com frequência aparecem juntos, mas podem
ser erroneamente vistos como sinônimos. É importante ter em mente que cada termo tem um significado
próprio e se refere a atividades biológicas específicas.
Estude as teorias de Piaget, Vygotsky (desenvolvimento cognitivo), Wallon e Skinner (aprendizagem), a
partir do artigo a seguir:. As compreensões do humano para Skinner, Piaget, Vygotsky e Wallon: pequena
introdução às teorias e suas implicações na escola. Psicol. educ.
Ademais, acessem o site para saber sobre a escala de Apgar, teste que analisa na criança os seguintes
pontos ao nascer: cor; frequência cardíaca; tônus muscular e respiração.
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https://pepsic.bvsalud.org/pdf/psie/n29/n29a03
https://www.medicinaintensiva.com.br/apgar.htm
A seguir, disponibilizamos também a escala para você analisar as características dos recém-nascidos com
base nela, que surgiu da ideia da Professora Virginia Apgar e de um de seus alunos, em 1949, quando
estabeleceram os cinco principais pontos para análise do R/N imediatamente após o parto, 5 minutos e 10
minutos, sendo publicada em 1953. Sugere-se que nota inferior a 6 possa significar sofrimento fetal
importante.
Tabela 1 | A escala de Apgar.
Pontos 0 1 2
A -Appearance (aparência
) Cor Cianótico/Pálido Cianose de
extremidades Rosado
P - Pulse ( Pulso ) Freqüência
cardíaca Ausente 100/minuto
G - grimace ( careta ) Irritabilidade
Reflexa Ausente Algum movimento Espirros/Choro
A -Activity ( atividade ) Tônus muscular Flácido Flexão de pernas e
braços
Movimento ativo/Boa
flexão
R - respiration ( respiração
) Respiração Ausente Fraca, irregular Forte/Choro
Fonte: MEDICINA INTENSIVA. Virginia Apgar – Medicina Intensiva
Referências
Referências
FUBINI, Enrico. Estética da Música. São Paulo: Almedina Brasil, 2019. E-book. p.[SN]. ISBN 9789724421605.
Disponível em:
https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724421605/epubcfi/6/16[%3Bvnd.vst.idref%3Dchap
Acesso em: 17 jun. 2025.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial
curricular nacional para a educação infantil / Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de
Educação Fundamental. — Brasília: MEC/SEF, 1998. 3v.: il. Disponível em:
https://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/volume3.pdf. Acesso em: 25 jun. 2025.
PORTO, Alessandra Beggiato., SIERRA, Maria Florência. Crescimento humano. – Londrina : Editora e
Distribuidora Educacional S.A., 2018. 208 p. ISBN 978-85-522-0751-1 1. Disponível em: https://biblioteca-
virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento-
humano.pdf. Acesso em: 25 jun. 2025.
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https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724421605/epubcfi/6/16%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter7%5d!/4/22/1:374%5ba%5E%2C%20%2Cde%20
https://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/volume3.pdf
https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento-humano.pdf
https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento-humano.pdf
https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento-humano.pdf
POTT, Eveline Tonelotto Barbosa. Desenvolvimento humano I. – Londrina: Editora e Distribuidora
Educacional S.A., 2019. 152 p. ISBN 978-85-522-1372-7. Disponível em: https://biblioteca-virtual-cms-
serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/desenhum-1674474162236.pdf. Acesso em: 25 jun.
2025.
TAKATSU, Mayra M. Artes, Educação e Música. Porto Alegre: +A Educação - Cengage Learning Brasil, 2015.
E-book. pág.25. ISBN 9788522123735. Disponível em:
https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522123735/. Acesso em: 18 jun. 2025.
Aula 3
Música e Interação Social
Música e interação social
Música e interação social
A música como ferramenta de socialização torna-se um recurso imensurável no desenvolvimento das
capacidades psicomotoras e psicossociais. Com trabalhos direcionados a partir da música, focando na
coletividade para que sejam contempladas, necessita-se de maior integração entre os ritmos musicais,
com ações inclusivas e efetivas no ambiente escolar e social.
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Ponto de Partida
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https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/desenhum-1674474162236.pdf
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https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522123735/
https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/cc54a05f-8811-4abf-af4d-d6a898e076be/cc54a05f/b5ce13de-77dd-56b2-8d4e-edb18df359ab.pdf
Ponto de Partida
A partir dos estudos a serem abordados no decorrer desta aula, compreenderemos melhor sobre a
capacidade que a música exerce na vida do ser humano, e como o potencial psicomotor e psicossocial
torna-se um trabalho intrínseco, a partir de sentimentos, atitudes, competências, interações e outras,
possibilitando que crianças, jovens e adultos possam fazer parte do contexto social de forma coletiva,
expressando sua cultura, oportunizando sua comunicação através da arte e da música, as quais geram
grande poder de identificação, integração e gerando possibilidades de mudanças sociais em cada meio e
ou cultura que estejam inseridas.
A coletividade traz para o ser humano a possibilidade de transformação e respeito a cada cultura, e a cada
um que faça parte daquela sociedade em que ele esteja inserido, permitindo levar sua cultura a todo o
mundo, expressando suas características, seus desejos, seus sentimentos e suas ações. O meio onde
cada ser humano vive se torna relevante para que a sociedade saiba como cada cultura se comporta e
quais são as possibilidades de diversificações que possam ocorrer.
Explorar as formas e os recursos da música transforma vidas, sociedades e traz a coletividade como
centro de discussões, em que o interesse comum pode dar espaço a toda uma sociedade, a partir da
qualidade dos trabalhos realizados com a música, indo desde sua produção até sua reprodução, além das
variadas interpretações e dos variados ritmos que essa música pode oferecer à sociedade. Assim, a
coletividade se faz importante, podendo abranger diversas pessoas e camadas da sociedade, em que a
sensação de pertencimento é obtida a partir da essência e do respeito a cada gênero e/ou ritmo musical,
seja de forma individualizada ou grupal.
A grande problematização da música está nos valores aplicados a cada um que a escuta e/ou interpreta,
pois a valorização individual, muitas vezes, é o ponto de partida de incoerências sociais, em que
discussões e desrespeito ao próximo tornam-se habituais, por não se respeitar o gênero ou o ritmo que
cada indivíduo aprecia. A coletividade se dá a um bem comum, em que, de forma abrangente, aquele ritmo
ou gênero pode atingir de alguma forma o outro, não de maneira imposta pela sociedade, mas sim a partir
de uma musicalização desta, com diversos ritmos e gêneros, sendo apresentados ao público que tem o
livre arbítrio de eleger suas preferências.
Escolhas advém da apresentação e da busca de sua identidade, assim como se reconhecer a partirdaquele gênero musical, por isso a vivência musical se faz relevante para a sociedade, e suas preferências
podem se dar nos entretenimentos, no lazer, como forma de diversão e nas celebrações em seu contexto
social.
A partir desses levantamentos, o que se percebe na sociedade é que as escolhas musicais são respeitadas
atualmente, ou ainda existem imposições, tanto na comunicação quanto na cultura e ou na identidade de
cada um? Existe uma mudança social? Vivemos em uma sociedade na qual há respeito ao gosto e ao ritmo
musical do outro, ou ainda observamos ações em que o outro terá ou deverá aceitar o que nos agrada,
ainda que seja algo de que ele não realmente goste?
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A música transforma e transcende gerações e gerações, povos e culturas milenares. Arte e cultura são
integradas a partir da vivência de cada ser humano e de como cada cultura e arte são apresentadas à
sociedade. Por isso, temos uma diversidade de gêneros e de ritmos musicais que atravessam gerações,
nos ensinando, a cada novo ou antigo gênero ou ritmo, que tudo pode ser inserido em cada sociedade, e
que cada princípio deve ser respeitado. Assim, a música tem grande poder de influenciar sociedades e
gerações.
Vamos Começar!
Vamos Começar!
Dentro de todo processo histórico direcionado à música, percebe-se que existe uma poderosa ferramenta
de transformação na mudança social, estabelecendo vínculos e culturas, desafiando a todos para possíveis
mudanças. A transformação começa a aparecer através da música, quando ela é inserida na vida do ser
humano desde a primeira infância, mas pode-se ressaltar que desde a vida intrauterina, e principalmente ao
final da gestação, a sensibilidade se torna ainda maior, possibilitando ao bebê as sensações sentidas pela
mãe. Boas experiências sempre serão bem-vindas para o crescimento do ser humano de forma integral.
Nos estudos de Porto e Sierra (2018, p. 17), eles descrevem o processo de crescimento humano,
destacando que:
Condição socioeconômica, contexto familiar, ambiente social, contexto climático, cultura e contexto
geofísico são outros fatores ambientais que podem interferir no processo de crescimento humano, pois
criam diferentes circunstâncias, às quais o organismo deve reagir gerando respostas adaptativas. Essa
capacidade adaptativa do nosso organismo representa a plasticidade do indivíduo para modificar-se e gerar
respostas de acordo com as circunstâncias ambientais nas quais estamos inseridos durante o processo de
crescimento (FERREIRA, 1987; LASKER, 1969 apud PORTO; SIERRA, 2018, p. 17).
A música exerce um papel relevante na sociedade, em que esta e a cultura se misturam a partir de pontos
de vista e ideologias abrangentes. Buscando na música formas de inserção, integração, inclusão e tantas
outras maneiras de diversidade e reconhecimento humano, de estar e ser presente e se sentir pertencente
à sociedade em que vive. Podemos abranger inserções a partir da música como manifestação cultural
através da comunicação, e também como forma de entretenimento, bem como recurso educacional, entre
outras integrações, em que o ser humano consegue se sentir parte daquela sociedade na qual está
inserida.
O papel da música na sociedade vem se desenvolvendo desde a pré-história, em que o ser humano vem
construindo na sociedade e na cultura a qual pertence e/ou se sente parte, valores e crenças a partir dos
grupos construídos e criados com ideais semelhantes, ou completamente diferentes, por muitas vezes em
um ambiente restrito. Porém, a música tem o grande poder de, mesmo em espaços restritos, ter vários
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ritmos, sons e acordes diferentes, mas que convivem em harmonia. “Como isso é possível?”, você devem
estar se perguntando...
Pense como a música transforma cada ambiente, vamos a exemplos claros, como um quarto, uma cozinha
e uma sala. Agora, pense que, em cada ambiente descrito, cada pessoa esteja escutando uma música
diferente. Vamos aumentar essa vivência, imaginando que existem shows de diversos estilos musicais, e
que cada pessoa tem o livre arbítrio de escolher o que gosta e quer escutar.
O que torna a música uma forma de ferramenta para que haja socialização é onde e como cada espaço é
respeitado, e no qual cada ser humano possa respeitar o espaço do outro sem interferir ou obrigar a
pessoa a conviver de modo desrespeitoso com aquele estilo ou ritmo musical. O que deve ser respeitado
para viver em sociedade são os imites entre a liberdade e a libertinagem, ou seja, somos livre para ir, vir e
ouvir o que quisermos, mas não somos obrigados a ter que fazer nosso semelhante ir, vir e/ou ouvir aquilo
que não o agrade. Cada ouvido, cada coração e cada emoção pode e deve ser manifestado a partir da
liberdade, por isso a libertinagem pode ser um grande problema, que também afeta parte da sociedade,
onde a pessoa não tem senso de responsabilidade e limite, muitas vezes invadindo o espaço do outro de
forma descabida e nada ética, fazendo o que quer sem pensar nas consequências.
A música desempenha várias funções na sociedade, atuando como uma ferramenta multifacetada com
diferentes propósitos. Uma das funções mais evidentes é a de entretenimento. Músicas são utilizadas em
festas, celebrações e eventos sociais para divertir e entreter as pessoas. Outra função importante é a
comunicação. Através da música, é possível transmitir mensagens e ideias de maneira eficaz. Canções de
protesto, por exemplo, têm sido utilizadas em movimentos sociais para expressar descontentamento e
buscar mudanças políticas e sociais. Além disso, a música tem um papel educacional. Canções educativas
são frequentemente usadas para ensinar crianças sobre conceitos básicos, como o alfabeto, números e
valores morais. Na educação formal, a música é utilizada para desenvolver habilidades cognitivas e
emocionais, como a memória, a concentração e a empatia. Outra função significativa da música é a terapia.
A musicoterapia é uma prática reconhecida que utiliza a música para tratar condições físicas, emocionais e
mentais, ajudando na recuperação de pacientes e na melhoria da qualidade de vida (ORIGINAL TEACHY,
2025).
O círculo social em que cada ser humano está inserido tem grande relevância no seu desenvolvimento, seja
ele comportamental, cultural, motor e/ou social. A música como ferramenta no processo de socialização
será fundamental para o trabalho que será desenvolvido pelos profissionais, principalmente no contexto
educacional. As escolas têm papel importante no crescimento e na evolução da criança, pois, na inserção
de cada disciplina, se faz necessário o conhecimento e a capacitação do professor, que deve estar
preparado não somente com as pautas musicais, mas também sobre a cultura que permeia seus alunos,
para que todos os gêneros musicais sejam trabalhados.
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Fazendo um paralelo entre música e trabalho coletivo, começamos com o pensamento de que a
convivência musical se faz relevante dentro da sociedade.
Partindo do pressuposto que a música, unida ao coletivo, acontece a partir do convívio musical elaborado e
trabalha da forma sistêmica, ou seja, de maneira organizada, em que haja uma melhoria no ambiente que
está sendo trabalhado, e de modo harmônico, visando desde à criação até os resultados dessa criação,
assim como a elaboração do conhecimento com metodologias diversificadas, tanto dentro da realidade,
como na imaginação e nas mudanças, de acordo com o ambiente e a necessidade de cada um, focando o
todo.
A convivência musical unida ao trabalho coletivo se inicia a partir da colaboração de profissionais como
músicos, professores e outros. O ambiente de trabalho torna-se essencial para que haja maior diversidade,
para que o processo de criação musical aconteça de forma harmoniosa e motivando todos os envolvidos.
A elaboração de trabalhos voltados à convivência musical estão se tornando mais viáveis dentro do
sistema educacional, onde a adesão a essa formade ensino a cada dia recebe mais adeptos e
profissionais. Percebe-se, que mesmo com leis que regem a aplicabilidade das artes, em que a música é
beneficiada, ainda existem escolas que não aplicam dentro da sua grade curricular essa disciplina.
Então, como a música pode ser parte relevante do processo educacional, se o sistema educacional não
está preparado para lecioná-la? Qual o valor da capacitação de professores e profissionais, envolvidos no
sistema educacional, para que a música consiga ter uma relação com a coletividade, por meio da
convivência com ela na comunidade educacional?
Se a música é um agente transformador e formador dos seres humanos, a partir do real, do irreal e da
criação, percebe-se que existe uma real necessidade de formação e investimento de profissionais que
trabalhem com ela, pois a musicalidade consegue trazer para o sujeito maior poder de criação e o
desenvolvimento de trabalhos em equipes, ou seja, a coletividade começa a fazer parte de um cotidiano
escolar, que poderá compor em sua rotina diária o que é apresentado na convivência musical.
Existem diversos gêneros musicais, e torna-se relevante sabermos como alguns deles começaram a
emergir no mundo, já que cada um tem sua peculiaridade, em que a forma de expressão e os
comportamentos são exaltados a partir de cada cultura, surgindo de forma coletiva e com o convívio
musical de determinada sociedade.
Portanto, em linhas gerais, o que se chama de “música popular” emergiu do sistema musical ocidental tal
como foi consagrado pela burguesia no início do século XIX, e a dicotomia “popular” e “erudito” nasceu mais
em função das próprias tensões sociais e lutas culturais da sociedade burguesa do que por um
desenvolvimento “natural” do gosto coletivo, em torno de formas musicais fixas. A questão da música
popular deve ser entendida e analisada dentro do campo musical como um todo, vista como uma tendência
ativa (e não derivada e menor) deste campo (Middleton, 1997, p. 7). Está me parece uma premissa
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importante que deve nortear os trabalhos sobre música popular, principalmente na área de história e
sociologia. Deve-se buscar a superação das dicotomias e hierarquias musicais consagradas (erudito versus
popular) não para “elevar” e “defender” a música popular diante da música erudita, mas para analisar as
próprias estratégias e dinâmicas na definição de uma e outra, conforme a realidade histórica e social em
questão (NAPOLITANO, 2005, p. 4).
Ressalta-se que existem diversas abordagens, e a música popular torna-se um gênero musical que destaca
a criatividade de cada cultura, advinda de processos históricos e culturais locais de cada população, para
que exista um progresso, não um regresso, da convivência musical em busca do trabalho coletivo.
De acordo com os estudos de Napolitano (2005, p. 8), o autor faz uma descrição sobre o conhecimento da
música, associando a outras atividades, em que se percebe a importância do estímulo musical:
Com isto não nos referimos a um regresso do ouvinte a uma fase anterior ao próprio desenvolvimento, nem
a um retrocesso no nível coletivo geral [...] o que regrediu e permaneceu num estágio infantil foi a audição
moderna. Os ouvintes perdem com a liberdade de escolha e com a responsabilidade não só a capacidade
para um conhecimento consciente da música – que sempre constitui prerrogativa de pequenos grupos –
mas negam com pertinácia a própria possibilidade de se chegar a um tal conhecimento. Flutuam entre o
amplo esquecimento e o repentino reconhecimento, que logo desaparece de novo no esquecimento.
Ouvem de maneira atomística e dissociam o que ouviram, porém desenvolvem, precisamente na
dissociação, certas capacidades que são mais compreensíveis em termos de futebol e automobilismo do
que com os conceitos de estética tradicional [...] regressivo é, contudo, também o papel que desempenha a
atual música de massas na psicologia das suas vítimas. Estes ouvintes não somente são desviados do que é
mais importante, mas confirmados em sua necessidade neurótica [...] juntamente com o esporte e o
cinema, a música de massas e o novo tipo de audição contribuem para tornar impossível o abandono da
situação infantil geral. (ADORNO, 1996, p. 89 apud NAPOLITANO, 2005, p. 8).
O autor, ainda, expõe uma passagem relevante dentro da música popular no Brasil, descrevendo um dos
grandes laboratórios musicais do nosso país de criação coletiva, nomeando o samba como um estilo
criado por um coletivo de músicos frequentadores da casa baiana Hilária Batista de Almeida, como se
descreve a seguir:
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A famosa casa da baiana Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, foi um dos laboratórios musicais desta
síntese (Moura, 1983; Wisnik, 1983). Mas, se a Casa da Tia Ciata era o pólo coletivo da criação musical,
quando Donga registrou a música “Pelo Telefone”, colocando-lhe o rótulo de “samba”, ele realizou um gesto
comercial e simbólico a um só tempo : comercial porque registrava uma música que reunia elementos de
circulação pública, e simbólico na medida em que tanto o registro de autoria (na Biblioteca Nacional em
1916) quanto o fonográfico (com o selo Odeon, em 1917) permitiam uma ampliação do círculo de ouvintes
daquela música para “além do grupo social original” (DONGA, depoimento ao Museu da Imagem e do Som,
em 1967 apud NAPOLITANO, p. 16).
Registros históricos tornam-se relevantes nesse processo de reconhecimento do trabalho coletivo a partir
da convivência musical, fortalecendo a criação e a elaboração de estilos e gêneros musicais como uma
identidade, para ritmos e estilos, favorecendo vários grupos de pessoas e o respeito a cada cultura
musical.
A música favorece o trabalho coletivo porque a convivência musical proporciona o afeto, a partir da
identificação de grupos, pessoas, gêneros, criando vínculos a partir do contexto social em que estejam
inseridos, viabilizando o processo criativo e o sentido de coletividade, no qual a identificação cultural
começa a ser formada e compreendida.
A proposta de ensino musical coletivo, através do canto coral nos espaços não-formais, tem se consolidado
a partir dos trabalhos de pesquisadores que têm dedicado seus estudos e análises com base em suas
experiências educativas-musicais nesses espaços. Através do trabalho desenvolvido na comunidade do
Cantagalo e Pavão Pavãozinho, a autora, Maria José Chevitarese (2007), sintetiza em sua tese de doutorado,
que o canto coral pode ser apresentado como um agente de transformação sociocultural e que se configura
como uma prática educativa eficaz (LOPES; MARTINS, 2023.
Começamos este tema sobre vivências musicais inclusivas abordando o Art. 6º da nossa constituição de
1988, comentada por Melo (2018), onde se destacam os direitos sociais “à educação, à saúde, à
alimentação, ao trabalho, à moradia, ao transporte, ao lazer, à segurança, à previdência social, à proteção à
maternidade e à infância, à assistência aos desamparados, na forma dessa Constituição” (BRASIL, 1988,
apud MELO, 2018, p. 29).
A vivência musical acontece com as experiências vividas a partir dos sentidos, sejam eles auditivo, visual,
tátil, olfativo ou pelo paladar. Mas, você deve estar se perguntando, como os cinco sentidos são
vivenciados na música? Respondendo de forma simples e direta, tudo vem a partir das memórias, sejam
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elas auditivas, visuais ou táteis, que remetem a sons já conhecidos ou a novos sons que ficam
armazenados em nosso consciente e no subconsciente, assim como aprendendo a tocar, ou simplesmente
vivenciando novos instrumentos e/ou percussões.
As vivências musicais do olfato e do paladar estão, muitas vezes, relacionadas às memorias, e
direcionadas a momentos específicos, em que, ao ouvir a música ou comer um alimento, o sujeito é
remetido à comida da mãe, ou a um local e/ou momento específico. Na realidade, na vivência musical,
ocorre uma interação entre o presentee o passado, onde existe ou existiu uma integração tanto
psicomotora como psicossocial, ou seja, há participação ativa das pessoas envolvidas no momento.
A educação faz parte do cotidiano do ser humano e, vislumbrando esse acesso à educação para todos,
podemos ressaltar que as vivências musicais inclusivas fazem com que crianças, jovens e adultos
consigam evoluir de forma construtiva, em que o processo de criação, imaginação e interpretação farão
parte do seu desenvolvimento como um todo.
A Lei nº 13.146/2015, que alterou radicalmente a disciplina sobre a capacidade dos deficientes físicos ou
intelectuais para a realização de atos jurídicos na vida civil. Apoiado numa nova compreensão inclusiva de
pessoas com características diferentes, o legislador resolver confiar no próprio discernimento do deficiente
intelectual para ele exercer a sua personalidade e individualidade da forma que ele próprio julga mais
adequada para si. Isso porque, ao invés de se preocupar com a questão patrimonial, o legislador agora
prioriza a dignidade da pessoa humana do deficiente, que pode e deve fazer atos que julga serem
importantes para si (MELO, 2018, p. 75).
Amato (2007) compreende a prática coral como um espaço que também proporciona motivação, inclusão
social e integração. A autora entende que esse trabalho proporciona o desenvolvimento de diversas
práticas musicais, tais como orientação vocal, ensino de leitura musical, solfejo e rítmica (LOPES;
MARTINS, 2023).
A música está inserida em nosso dia a dia, mas aos focarmos em sua ação/função, dentro da infância, é
possível perceber que a música é um elemento que acompanha parte relevante das atividades realizadas,
como as canções, danças, jogos e brincadeiras populares (Brito, 2019). Diante disso, há possibilidade de
transformar essas práticas em processos educacionais organizados e propositivos. Isso se dá por meio de
um largo referencial teórico aliado a um processo educativo que direcione as mais adequadas escolhas
metodológicas, de uma boa estruturação, essas ações podem ser eficazes para o desenvolvimento da
vivência musical (LOPES; MARTINS, 2023).
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A música pode atuar como facilitadora de diversas aprendizagens na educação de crianças com NEE,
podendo auxiliá-las no processo de desenvolvimento cognitivo, motor, na oralidade, na socialização, no
respeito, entre outros. “A maneira de direcionar e propor a atividade é que muda, e não o modo de tratar o
aluno que tem necessidades educacionais especiais. Assim, todos se beneficiam e aprendem. Assim,
todos são incluídos!” (LOURO, 2010, p. 24).
De acordo com os estudos de Castells (2000), a própria contemporaneidade pode ser definida pelo “estar
em rede”. Redes constituem uma nova morfologia social das sociedades, cuja lógica das suas próprias
dinâmicas modifica, de forma substancial, a operação e os resultados dos processos produtivos e de
experiência, poder e cultura (KLEBER, 2012, p. 33).
A música, fazendo parte do cotidiano escolar desde as séries iniciais (na educação básica), proporcionará
para a criança uma infinidade de experiências de todo o mundo, pois sempre fez parte de diversas
manifestações culturais através de rituais, festas, cerimônias e outros eventos, desde a Pré-história.
Quando a música está inserida no contexto escolar, a vivência musical se torna parte de uma rotina diária.
Para Silva (2015, p. 10), a educação musical tem como uma de suas principais funções a interação e a
integração social dos indivíduos, pois contatamos uma aceitação coletiva relevante em nossas práticas.
Entretanto, entendemos que a música, mesmo com seu caráter lúdico e dinâmico, não resolve a inclusão
dos alunos com NEE.
Siga em Frente...
Siga em Frente...
As vivências musicais inclusivas fazem parte de um processo que está crescendo a cada dia no contexto
escolar, proporcionando a todos os alunos um maior convívio afetivo, social, motor e cognitivo entre os
alunos, o que traz à memória do aluno momentos únicos, prazerosos em relação à vivência musical com
seus amigos e conhecidos.
A forma como as amizades acontecem e como são vivenciadas costuma variar bastante. Algumas pessoas
são mais tímidas e estabelecem vínculos com um ou dois amigos com quem convivem mais. Já outras têm
vários amigos e costumam ser populares e conhecidas por todos na escola. Quando lembramos dos nossos
amigos e amigas, percebemos que cada um deles possui um jeito – suas características são únicas! (SILVA;
GARCEZ, 2019, p. 28).
As autoras Silva e Garcez (2019) ainda ressaltam o quão importante são os alunos para o desenvolvimento
e a evolução do professor, para que possamos sempre refletir sobre nossa atuação.
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No dia a dia, quando nos relacionamos com estudantes ou colegas educadores com deficiência, sabemos
que aquela característica não diz tudo sobre aquela pessoa, nem a cor da sua pele, nem a cor dos seus
olhos, nem a informação do lugar de onde ela nasceu. Essas são apenas primeiras informações. A
convivência e a interação que fazemos, por exemplo, na escola, promovem conhecimento mútuo e
possibilitam questionar alguns estereótipos e não nos contentarmos com eles (SILVA; GARCEZ, 2019, p. 32).
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
O compromisso social do educador musical, ou mesmo da própria área, está relacionado com a
problematização do acesso aos bens culturais, não somente pensados como memória, criação ou práticas
coletivas espontâneas, mas, antes, como conhecimento produzido e significativo (KLEBER, 2012, p. 30).
Vamos ressaltar a importância do professor/profissional que irá trabalhar com a música na escola, sendo
que, para pessoas com deficiência, é requerido ainda mais atenção, pois ele deverá ter acesso aos laudos
do aluno para maiores informações sobre a existência de restrições, o uso de medicamentos controlados e
outros cuidados.
Torna-se de grande importância obter essas informações antes de trabalhar com o aluno, pois existem
algumas deficiências que podem gerar crises convulsivas, crises de ansiedade, agressividade, excesso de
afeto e outros sintomas e/ou características. Por esses motivos, o cuidado com o aluno sempre será o
ponto de partida da aula.
Saiba mais
Saiba mais
O documento Estudo exploratório sobre o professor brasileiro, publicado pelo Ministério da Educação em
2009, é revelador das dificuldades que as escolas brasileiras terão para cumprir a lei 11.769, que torna
novamente obrigatório o ensino da Música, a partir de 2011 (KELLEN, 2012, p. 32).
Melo (2018, p. 76) aborda claramente em seu trabalho o processo de reconhecimento de o Estado
brasileiro assumir um compromisso em âmbito internacional, por meio da Convenção de Nova Iorque
(2007), para alterar o tratamento dispensado às pessoas com deficiência; o Congresso Nacional
promulgou, em julho de 2015, a Lei nº 13.146, denominada Estatuto da Pessoa com Deficiência (EPD).
Esse conjunto normativo alterou o Código Civil de 2002, mais nomeadamente as disciplinas referentes à
capacidade civil e à curatela. Observe um trecho do texto legal, presente no estudo de Melo (2008, p. 76):
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INCLUSIVA
Art. 2º - Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza
física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua
participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.
De acordo com a coletânea TEA (2020, p. 4), muitas vezes, nossos alunos com ou sem deficiência
precisam que o professor construa uma ponte entre cada ação, entre pessoas e atitudes. E as artes,
através da música, proporcionam essa construção de valores e afeto. Sugerimos que leia o poema abaixo e
interprete-o.
Construa-me uma ponte
Eu sei que você e eu
Nunca fomos iguais.
E eu costumava olhar para as estrelas á noite
E queria saber de qual delas eu vim.
Porque eu pareço ser parte de outro mundo
E eu nunca

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