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Unidade 1 Música E Cultura Humana Aula 1 História e Cultura Musical História e cultura musical História e cultura musical Estudante, neste bloco você verá os pontos mais relevantes dentro do processo histórico da música. Aproveitem cada momento da aula e você aprenderá o papel da música desde os primórdios da evolução humana. Vamos lá e saibam o papel da música a partir de relatos históricos. Faça o download do arquivo Ponto de Partida Ponto de Partida Iniciamos o contexto da evolução histórica da música nas culturas humanas a partir de uma breve linha do tempo onde dividimos por períodos, características assim como estilos específicos partindo desde a Pré- Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/cc54a05f-8811-4abf-af4d-d6a898e076be/cc54a05f/b45e7497-7556-531e-bf44-ee53dc717c41.pdf História com a observação de sons advindos da natureza e sons rudimentares proporcionados de objetos criados pelos homens da Pré-História, passando por uma evolução exorbitante até os dias atuais, com maior de complexidade secular. A evolução histórica da música foi favorecida pela cultura humana, a partir do desenvolvimento, da diversificação e do fascínio que a música exerce através dos tempos, com toda sua estruturação, organização e, principalmente, abrangência de estilos e gêneros oferecidos no decorrer de milênios. Sabe-se que a música teve diferentes períodos, características e influências, de civilizações, por civilizações, assim como passou por culturas diversificadas de todo mundo. Nos tempos atuais, passamos por influencias tecnológicas e o grande crescimento globalizado. A partir dessa globalização, percebe-se que novos estilos estão sendo inseridos na sociedade década a década e ano a ano de forma crescente, através de gêneros como como o do rock, o pop, o hip-hop, a música eletrônica, entre outros gêneros regionais de cada país e ou estado. A grande problemática que temos atualmente é descobrir se a música ainda irá continuar a ter valor e a importância na vida do ser humano, mesmo com tanta diversificação; se ela ainda continuará transmitindo e ecoando emoções e ensinamentos... Bora descobrir! Vamos Começar! Vamos Começar! A música vem de uma longa jornada dentro da cultura humana, sendo um processo imensamente criativo e de grande riqueza desde a pré-história, em que cada cultura é manifestada de forma crescente nas sociedades, sendo manifestadas a partir de rituais, emoções, história e todas as expressões do mundo, incluindo todos os seres vivos de todas as formas e meios, assim tornando um instrumento de compreensão e contextualização do que o ser humano pode transformar em arte e cultura. Fazer um estudo sobre música na cultura humana engloba várias culturas para inserção, inclusão e integração do ser humano como todo, tornando significante a partir da criação e evolução de ritmos, movimento e arte. O surgimento da música vem de tempos remotos e bem rudimentares, desde antes de cristo em civilizações antigas, sendo usada a partir de rituais religiosos, festas tribais, celebrações em todos contextos, assim como forma de narrativas orais, valorizando todos os tipos de culturas e valores, sendo tradicionais ou não. A partir do contexto histórico da música, deve-se levar em consideração seus períodos e cada rito e/ou estrutura da sociedade desde a Pré-História. Na cultura ocidental, os períodos são estruturados passando pelos períodos Medieval, Renascimento, Barroco, Clássico, Romântico e Contemporâneo, respeitando desde características, estilos, técnicas, até cada maneira de serem descritos e caracterizados em suas épocas, o que os tornam únicos, mas de grande influência para os dias atuais, sempre tendo papel relevante para as sociedades. Em todo o contexto musical contido no processo histórico, existe uma relevância dentro dos valores musicais, de que os rituais fazem parte, pois abordam temas como solidariedade, conscientização, cotidiano, emoções, crenças e outros temas, que estão em nossos estudos. Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA No Egito e na Mesopotâmia, a música era usada sempre em cerimônias religiosas e festivais, para contar histórias e transmitir conhecimentos. A música sempre esteve presente em rituais sagrados e religiosos. Na Grécia, a música também desempenhou papel importante a partir de notas e intervalo, em que Pitágoras, a partir da matemática, teve sua contribuição. A partir de dados históricos, a música tem um papel relevante na construção do ser humano como um todo, no qual cada contexto musical se faz necessário dentro da cultura de cada civilização e no decorrer de cada característica e estilo a ser construído a cada nova civilização. Os estudos abaixo descrevem cada ritual e as cerimonias às quais as civilizações foram adequando a sua população, além do século vivido. Mas cada época e cada estilo tem suas peculiaridades, como pode-se perceber pelos estudos expostos a seguir. A música se destaca como patrimônio imaterial[UC1] por estar presente em diversos tipos e formas de espetáculos, assim como em cerimônias, rituais, festas e no contexto artístico em geral. A partir da música, as emoções acontecem, sejam nas artes e/ou no cotidiano , passando por diversas etapas do conhecimento humano, propiciando vivências para todos, em que existe a possibilidade de estar, fazer e conviver com a música. O patrimônio imaterial não é subjetivo por não ser material, mas , sim, se faz objetivo por fazer parte do cotidiano do ser humano por milênios, respeitando culturas, diversidade e padrões, sejam estes ou não impostos pela sociedade. Percebe-se que, a partir do patrimônio imaterial, o ser humano, muitas vezes, pode transcender através de músicas, acordes, letras, versos e ritmos, podendo passar, inclusive, por estágios imaginários e sonhadores, mas também transformando vivências e experiências em construções e abordagens das rotinas do cotidiano de cada cidadão e/ou cultura. Siga em Frente... Siga em Frente... O início da história da música é incerto. Contudo, acredita-se que ele esteja intimamente ligado à história da humanidade. Essa suposição feita por alguns músicos e historiadores é baseada no fato de que esse elemento cultural está, historicamente, associado a rituais festivos e à comunicação com os deuses. Para eles, é possível que, assim como a dança acompanha a humanidade desde a Pré-História, tendo sido registrada pelas pinturas rupestres, a música também tenha estado presente desde aquele momento. Nesse período, contudo, a dimensão musical estaria limitada à exploração dos sons produzidos pelo próprio corpo, a exemplo das palmas, voz e passadas no chão. O fato de ainda hoje existirem comunidades totalmente isoladas, nas quais a musicalidade se mantém como um traço importante para a realização de cultos e rituais, contribui para essa versão sobre o início da história da música. Desde a Antiguidade, a música se mantém como elemento central para compreensão das dinâmicas culturais das sociedades. Por isso, para recontar a história da música é importante revisitar esses povos e ressaltar, sobretudo, a dimensão religiosa que essa expressão artística carrega desde a Idade Antiga até a Idade Média. Abaixo, observe a linha do tempo descrevendo a história da música desde a Pré-História até os dias atuais, de forma objetiva e para maior compreensão do desenvolvimento e evolução da música. Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/prehistoria Figura 1. Fonte: Adaptado pela autora (2025) Cultura tradicional e popular é o conjunto de criações que emanam de uma comunidade cultural fundadas sobre a tradição, expressas por um grupo ou por indivíduos, e reconhecidas como respondendo às expectativas da comunidade enquanto expressão da sua identidade cultural e social, das suas normas e valores transmitidos oralmente, por imitação ou por outros meios. As suas formas compreendem, entre outras, a língua, a literatura, a música, a dança,saberei do que ele é feito. A não ser que você me construa uma ponte, construa-me uma ponte, Construa-me uma ponte de amor. Eu espero pelo dia no qual você sorrirá para mim Apenas porque perceberá que existe uma pessoa decente e inteligente Enterrada profundamente em meus olhos caleidoscópios. Pois eu tenho visto como as pessoas me olham Embora eu nada tenha feito de errado. Construa-me uma ponte, construa-me uma ponte, E, por favor, não demore muito. Vivendo na beira do medo. Vozes ecoam como trovão em meus ouvidos Vendo como eu me escondo todo dia Estou apenas esperando que o medo vá embora Eu quero muito ser uma parte do seu mundo Eu quero muito ser bem sucedido. Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm E tudo o que preciso é ter uma ponte, Uma ponte construída de mim até você. E eu estarei junto a você para sempre, Nada poderá nos separar. Se você me construir uma ponte, uma pequenina ponte, minúscula ponte De minha alma, para o fundo de seu coração. MCKEAN, TEA, atualmente ele estará com 44 anos, escritor. Referências Referências BENUTE, Gláucia Rosana Guerra (org). TEA, transtorno do espectro autista: desafios da inclusão. vol. 2. São Paulo: Setor de Publicações do Centro Universitário São Camilo, 2020. (Coleção Ensaios sobre Acessibilidade). 50 p. Vários autores. ISBN 978-85-87121-58-5. 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Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA https://saocamilo-sp.br/_app/views/publicacoes/outraspublicacoes/nape_volume_02_13abr_FINAL.pdf. https://saocamilo-sp.br/_app/views/publicacoes/outraspublicacoes/nape_volume_02_13abr_FINAL.pdf. https://revistaabem.abem.mus.br/revistaabem/issue/view/10 https://abem.mus.br/anais_congresso/V5/papers/1854/public/1854-7390-1-PB.pdf https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/534-direito-protecao-e-inclusao-social.pdf https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/534-direito-protecao-e-inclusao-social.pdf https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582172186/ PERES, Tatiana Romagnolli. 1. Arte – Educação e ensino. 2. Educação não formal. 3. Museus. 4. Espaços culturais. 5. Patrimônio cultural. I. Título. CDD 708 Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2016. 200 p. 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Aula 4 Música e Neurociência Música e neurociência Música e neurociência Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/965-arte-e-educacao-nao-formal.pdf https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/965-arte-e-educacao-nao-formal.pdf https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento-humano.pdf https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento-humano.pdf https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento-humano.pdf https://www.academia.edu/39489181/Educa%C3%A7%C3%A3o_inclusiva_KLS https://biblioteca-virtual.com/search/ebooks/title/1/edua%C3%A7%C3%A3o%20inclusiva https://biblioteca-virtual.com/search/ebooks/title/1/edua%C3%A7%C3%A3o%20inclusiva https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/1814-educacao-inclusiva-kls.pdf. https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/1814-educacao-inclusiva-kls.pdf. https://www.teachy.com.br/resumos/ensino-fundamental/8ano/artes/a-funcao-da-musica-na-cultura-e-sociedade-Expositiva https://www.teachy.com.br/resumos/ensino-fundamental/8ano/artes/a-funcao-da-musica-na-cultura-e-sociedade-Expositiva A música e o cérebro humano têm uma grande ligação no desenvolvimento psicomotor-social-afetivo, no processo de evolução humana, em que existem benefícios em várias áreas de aprendizagem e conhecimento. Proporciona ao ser humano vivências, sensações, sendo uma excelente ferramenta de trabalho em inúmeras áreas de conhecimento, ressaltando o grande trabalho terapêutico que pode ser desenvolvido a partir da música. Faça o download do arquivo Ponto de Partida Ponto de Partida O ensino da música e´ muito importante para o desenvolvimento integral dos alunos. Eles aprendem a se comunicar por meio da arte musical, que toca profundamente tanto o artista, que está´ interpretando a música, quanto a plateia, que está´ envolvida no processo (TAKATSU, 2017). Dentro desse panorama, a musicalização pode ser concebida como etapa inicial da aprendizagem musical, pois envolve condições básicas para se trabalhar a audição, as definições dos elementos musicais, assim como a expressividade do aprendiz. Conforme Gainza (1988, p. 24), os adultos também são capazes de manifestar reações específicas através da captação sonora e dos processos expressivos consequentes da musicalização. Porém, qual o sentido de aprendizagem musical para os alunos maduros? O que eles querem aprender? Quais são as propostas educacionais para essa faixa etária? Vamos Começar! Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/cc54a05f-8811-4abf-af4d-d6a898e076be/cc54a05f/16ed3633-0405-552f-b870-7d5f071f593c.pdfVamos Começar! Começamos esta sessão abordando o desenvolvimento celular, mas não relacionado a qualquer desenvolvimento, e sim ao desenvolvimento das células do cérebro, em que se compreende a necessidade de estímulos para que possamos ter uma constante evolução: A epigênese (que significa “sobre ou acima do genoma”) refere-se a moléculas químicas (ou “marcadores”) ligadas a um gene que alteram o modo como a célula “lê” o DNA dele. Se imaginarmos o genoma humano como um teclado de piano, podemos visualizar a estrutura epigenética como a música tocada naquele momento (Stelmach & Nerlich, 2015). Uma vez que toda célula do corpo herda a mesma sequência de DNA, a função dos marcadores químicos é diferenciar vários tipos de células, como as células do cérebro, pele e fígado. Dessa forma, os genes para os tipos de células necessários são ativados e os genes para as células desnecessárias são deixados de lado (PAPALIA; MARTORELL, 2022, p. 3). Papalia e Martorell, (2022, p. 3), abrangem em seus estudos a necessidade de pesquisas referentes ao desenvolvimento humano, assim com a importância do genoma e o papel do DNA no desenvolvimento humano, descrevendo a epigênese: Um exemplo de epigênese é o imprinting genômico, ou genético. Imprinting (que pode ser superficialmente traduzido como marcação) é a expressão diferencial de certos traços genéticos, dependendo de o traço ter sido herdado da mãe ou do pai. Em pares de genes marcados (imprinted), a informação genética herdada da mãe ou do pai é ativada, mas a informação genética do outro genitor é suprimida. Genes marcados desempenham um importante papel na regulação do crescimento e desenvolvimento fetal. Quando um padrão normal de imprinting é rompido, o resultado pode ser o crescimento anormal do feto ou distúrbios congênitos no crescimento (HITCHINS; MOORE, 2002, apud PAPALIA; MARTORELL, 2022, p. 56). De acordo com Cirino (2015, p. 123), independentemente da idade, cada indivíduo tem seu potencial a ser explorado, sendo a atividade musical compensatória para experiências que permitem não só uma ampliação de conteúdos em diversas áreas do conhecimento, mas a integração entre pensamento e emoção. Souza (1998, p. 211) aborda que, mesmo havendo diferentes tipos de grafia musical, a leitura de notas torna-se possível à medida que o ouvinte desenvolve a capacidade de extrair os sons de sinais escritos. Assim como destaca também o estudo de Swanwick (1996, p. 27), abordando que a notação ocidental ocuparia apenas uma posição de apoio na aprendizagem musical, visto que a música pode ser escrita por outros meios, ou até mesmo não ser grafada (CIRINO, 2015, p.127). Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA O mais interessante dos estudos abordados é percebermos a música como uma ferramenta de aprendizagem completamente coerente e adaptável a qualquer idade. Porém, não se pode deixar de destacar que, quanto maior o estímulo e a potencialização da capacidade da criança ao mundo musical ou da musicalidade, melhor será a absorção de conhecimento. A primeira e a segunda infância são fases da vida altamente importantes para estímulos diversificados na vivência de atividades, ações e canções/ritmos, novas experiências psicomotoras/sociais/afetivas, em que a música faz e se torna parte importante para o desenvolvimento da aprendizagem, pois o processo de memorização está aberto para o conhecimento, aguçando a curiosidade da criança. De acordo com Cirino (2015, p. 127), “o processo de ir à escola aprender música é algo capaz de gerar novas experiências e modificações; no entanto, dar sentido à aprendizagem musical dependerá dos hábitos e das particularidades dos alunos”. Partindo disso, entende-se que a vivência da música no cotidiano escolar e social faz parte do processo de aprendizagem, desde que sejam vivências diversas, de sons, ritmos, culturas e outros, para que seja possível haver um direcionamento da preferência musical. O cérebro humano precisa ser abastecido de informações e culturas diversificadas para que a memorização seja trabalhada e, no armazenamento de informações, possam sempre ser utilizadas essas memórias armazenadas. Partindo dessa afirmação, Papalia e Martorell (2022, p. 3), comentam a necessidade de trabalhos que estimulem a fala em crianças, para o aumento do vocabulário, e destacam: À medida que o campo do desenvolvimento humano se desenvolvia, seus objetivos passaram a incluir descrição, explicação, previsão e intervenção. Por exemplo, para descrever quando a maioria das crianças pronuncia sua primeira palavra ou qual o tamanho de seu vocabulário em uma certa idade, os cientistas do desenvolvimento observam grandes grupos de crianças e estabelecem normas, ou médias, para o comportamento em várias idades. Eles procuram assim explicar como as crianças adquirem a linguagem, e por que algumas crianças aprendem a falar mais tarde do que o usual. Com esse conhecimento, podem-se prever comportamentos futuros, tais como a probabilidade de uma criança ter sérios problemas com a fala. Por último, o conhecimento de como a linguagem se desenvolve pode ser utilizado para intervir no desenvolvimento, por exemplo, disponibilizando terapia fonoaudiológica para a criança (PAPALIA.; MARTORELL, 2022, p. 3). Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Figura 1 | As técnicas de imageamento cerebral, como a ressonância magnética funcional (fMRI), a tomografia por emissão de pósitron (PET) e o eletroencefalograma (EEG), são usadas para mapear a localização de certos processos mentais nesse órgão. (SpeedKingz/Shutterstock). Papalia e Martorell (2022, p. 4) destacam os estudos e as descrições de cientistas sobre o desenvolvimento, abordando os três principais domínios, ou aspectos, do eu: físico, cognitivo e psicossocial. O crescimento do corpo e do cérebro, as capacidades sensoriais, as habilidades motoras e a saúde fazem parte do desenvolvimento físico. Aprendizagem, atenção, memória, linguagem, pensamento, raciocínio e criatividade compõem o desenvolvimento cognitivo. Emoções, personalidade e relações sociais são aspectos do desenvolvimento psicossocial. Estudos sobre a plasticidade cerebral tornaram-se fundamentais para entendermos a funcionalidade cerebral e como o ambiente tem grande importância em seu desenvolvimento, pois: embora o desenvolvimento inicial do cérebro seja geneticamente orientado, ele é continuamente modificado pela experiência ambiental. A arquitetura física do cérebro reflete as experiências que temos durante a vida. Nossos cérebros não são estáticos; são órgãos vivos, que mudam e respondem a influências ambientais. O termo técnico para essa maleabilidade do cérebro é plasticidade. Essa plasticidade pode ser um mecanismo evolutivo para possibilitar a adaptação às mudanças no ambiente (GOMEZ-ROBLES et al., 2013 apud PAPALIA; MARTORELL, 2022, p. 112). Takatsu (2015) aborda o papel do cérebro no decorrer dos anos, destacando que Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA muitos de nós podemos recordar músicas ou rimas usadas para a memorização da tabela periódica de elementos químicos, ou de qualquer outro conteúdo pedagógico, apesar de não ouvir com nenhuma frequência tais músicas. Após anos, ou até´ mesmo décadas, o cérebro consegue trazer a` tona esse aprendizado, demonstrando como ele ficou “preso” na memória. O cérebro humano é nosso maior recurso para armazenamento de informações, proporcionando o aprendizado. Assim, a música torna-se uma grande ferramenta de aprendizado, que nos possibilita um mundo de criatividade, de novidades e vivências, assim como um processo de interação social. A sociedade atual, carregada de estresse e exaustão, precisa urgentemente de mais envolvimento com a arte, seja a dança, a música, a pintura, a escultura, entre outras possibilidades. Ao usar a criatividade, podemos nos recriar como indivíduos melhores que terão mais condições físicas e psíquicas, oferecendo uma maior contribuição para a sociedade como um todo (TAKATSU, 2015, p. 34). Takatsu(2017) também alerta para a necessidade de se trabalhar com linguagem musical, pois refere-se a` comunicação possível por meio da música, e a expressão artística por meio dela traz, realmente, todos os benefícios da arte, como descrito anteriormente. Para desenvolver o tema com mais profundidade, focaremos mais especificamente as duas importantes formas de linguagem musical: canto e dança. Cérebro, música e aprendizagem caminham juntos proporcionando maior conhecimento a criança. Cirino (2015, p. 127) descreve pontos importantes da música quando trabalhada no contexto social em que se vive, já que o contexto no qual a música é originalmente produzida e sua recepção em diferentes culturas contribuem para as suas delineações. Trata-se, portanto, de significados delineados que devem ser associados aos aspectos extramusicais referentes à identidade, aos conceitos, às expressões, aos valores e aos diversos fatores simbólicos atribuídos à música. Um dos benefícios que o cantar pode trazer a` saúde está´ relacionado ao desenvolvimento das crianças, pois a possibilidade de levantar a voz, ser ouvido, aceito e, muitas vezes, positivamente reconhecido, tem significante importância para o ser humano (TAKATSU, 2015, p. 26). Takatsu (2015) destaca, ainda, que outro benefício do cantar que pode ser mensurado é a positiva mudança fisiológica que essa atividade traz aos movimentos respiratórios. Ao cantar, a respiração mais profunda, que e´ a abdominal, e´ ativada, o que tem efeitos sobre o intestino e o coração. Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Percebe-se a que a prática terapêutica a partir da música no ambiente escolar abrange um mundo de culturas e ações diversificadas para a criança, permitindo novas aventuras e ferramentas de aprendizagem, de forma prazerosa tanto à criança quanto a todos que aproveitam o poder da música para o desenvolvimento humano. A terapia musical proporciona à criança um mundo de novidades, onde ela pode ter vivências sociais e individuais, viabilizando o poder de escolha desde gêneros e ritmos musicais, até grupos de pessoas com os quais se identifica, e, a mesmo tempo, oportunizando o respeito às culturas diversas que existem na sociedade. De acordo com Takatsu (2015), outro benefício da música pode ser observado no processo de adaptação, por ser um momento muito prazeroso, no qual a criança poderá´ se expressar e se divertir imensamente. Em outro contexto, caso as crianças se distraiam, assim que o professor começar a cantar uma música, os alunos prestarão atenção nele. Existem diversos benefícios da música como terapia no ambiente escolar e social da criança, vislumbrando conhecimentos únicos, desde a interpretação e imaginação musical, transferindo a criança, muitas vezes, do mundo real ao mundo imaginário, assim como a utilização da música no processo de alfabetização, conhecendo letras, palavras e frases. E não podemos deixar de abordar a facilidade de trabalhar com o conhecimento e o reconhecimento corporal da criança, sendo trabalhado de forma lúdica e vislumbrando melhorar o convívio social. Torna-se relevante expor que os benefícios da música para crianças são imensuráveis, e pode-se trabalhar desde o contexto do convívio social até a preparação de novos talentos, em que elas começam a vislumbrar o mundo musical como uma forma de manifestação cultural e, muitas vezes, almejar e se imaginarem como grandes cantores e/ou musicistas. Partindo disso, podemos destacar a participação de crianças em concursos e outros eventos, em que a música é vislumbrada como forma de prêmio. As exposições de concursos de arte infantil costumam trazer uma sensação de reconhecimento para a criança, pois a sua arte pode ser apreciada por pessoas que ela nem conhece. Isso e´ um grande benefício desse tipo de atividade. Ao ver como sua produção artística pode afetar uma pessoa, a criança se sentira´ valorizada de forma bastante concreta. Alguns cuidados devem ser tomados para que não haja malefícios nessa prática. Um deles e´ com relação ao critério de avaliação da arte. E´ importante que esse critério não seja a fidedignidade com relação a` realidade, ou seja, que o desenho se pareça com o objeto real (TAKATSU, 2015, p. 48). A autora ainda destaca a música como forma de cuidado ao preparar a criança para situações em ambientes competitivos. A terapia musical como ferramenta de trabalho com crianças as beneficia no preparo para situações adversas, em que a perda e o ganho devem ser trabalhados, tornando-a criança mais bem preparada para situações em ambientes competitivos tanto na infância quanto na vida adulta. Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Outro cuidado a ser tomado e´ quanto a` preparação da criança com relação a` competição. E´ relevante frisar que perder faz parte do competir, e deve-se trabalhar a frustração diante da perda, que e´ uma habilidade muito importante para a vida adulta (TAKATSU, 2015, p. 49). O cérebro tem uma imensidão de funções vitais para o ser humano, e podemos destacar uma das grandes áreas no processo de aprendizagem e memorização, a área de Wernicke, responsável por fatores importantíssimos para o processo de memorização do ser humano. Quando descrevemos a área de Wernicke, torna-se relevante trazer os estudos de Tortora e Derrickson (2017, p. 271), de uma ampla regia~o nos lobos temporal e parietal esquerdos, a qual interpreta o significado da fala pelo reconhecimento das palavras faladas. Ela esta´ ativa quando traduzimos palavras em pensamentos. As regiões, no hemisfério direito, que correspondem às áreas de Broca e de Wernicke, no hemisfério esquerdo, também contribuem para a comunicação verbal, acrescentando conteúdo emocional às palavras faladas, como, por exemplo, raiva ou alegria, Um ponto importante que deve ser destacado é o córtex pré´-frontal, que, de acordo com a descrição de Tortora e Derrickson (2017, p. 271), é relevante no processo de desenvolvimento, aprendizagem e memorização do ser humano. Os autores destacam que a parte anterior do lobo frontal esta´ relacionado com a formação da personalidade, do intelecto, das capacidades de aprendizagem complexas, da lembrança de informações, da iniciativa, do julgamento, da previsão, do raciocínio, da consciência, da intuição, do humor, do planejamento e o desenvolvimento de ideias abstratas. Uma pessoa com lesão bilateral dos córtices pré´-frontais normalmente se torna grosseira, sem consideração, incapaz de aceitar conselhos, mal-humorada, desatenta, menos criativa, incapaz de planejar o futuro e incapaz de antecipar as consequências de palavras ou de comportamentos precipitados ou imprudentes. O telencéfalo nos proporciona a capacidade para ler, escrever, falar, fazer cálculos, compor músicas, lembrar-se do passado, planejar o futuro e criar. Durante o desenvolvimento embrionário, quando há´ um rápido aumento no tamanho do telencéfalo, a substância cinzenta do córtex cerebral amplia-se muito mais rápido do que a substância branca subjacente (TORTORA; DERRICKSON, 2017, p. 268). Ao falar sobre o cérebro, Tortora e Derrickson (2017) descrevem que as áreas de associação do telencéfalo consistem em grandes áreas dos lobos occipital, parietal e temporal, e do lobo frontal anterior às áreas motoras. Sendo essas áreas conhecidas como a área de associação somatossensorial, posterior a` área somatossensorial primaria, integram e interpretam sensações somáticas, como a forma e a textura exatas de um objeto. Os autores ainda destacam outra função da área de associação somatossensorial: o armazenamento de memórias de experiências sensoriais do passado, permitindo a comparação de sensações atuais com experiências prévias. A área de associação visual, localizada no lobo occipital, relaciona as experiências visuais do presente e do passado, tornando-se essencial para o reconhecimento e a avaliação do que e´ visto. A área de associação auditiva se destaca dentro do processo musical, sendo uma área localizada abaixo da área auditiva primária, no córtex temporal, quepermite o reconhecimento de um som específico, como a fala, a música ou o ruído. Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Para finalizar esse tema, também destacamos um ponto importante dos estudos de Takatsu (2017, p. 32), relacionando que se deve observar o benefício da mudança de comportamento que as crianças podem apresentar após uma atividade rítmica como essa. Algumas turmas, especificamente, apresentam comportamento bastante agitado, ao menos em parte do dia. A utilização de atividades rítmicas pode auxiliar a direcionar a atenção de tais grupos. Após realizar essa tarefa, as crianças provavelmente estarão mais receptivas para uma atividade mais calma, como a leitura de um livro. A plasticidade possibilita a aprendizagem. As diferenças individuais de inteligência talvez reflitam diferenças na capacidade do cérebro de desenvolver conexões neurais em resposta à experiência (BRANT et al., 2013; GARLICK, 2003). As primeiras experiências podem ter efeitos duradouros na capacidade do sistema nervoso central de aprender e armazenar informações (Society for Neuroscience, 2008 apud PAPALIA; MARTORELL, 2022, p.112). As teorias de aprendizagem determinam que o desenvolvimento humano se encontra pautado na relação entre a maturação biológica e as vivências do indivíduo, considerando o comportamento humano um fenômeno plástico, capaz de ser moldado a partir da aprendizagem. Em outras palavras, o indivíduo desenvolve-se também pela influência de contextos de aprendizagem que moldam novas competências, habilidades e padrões de comportamento. Focam o olhar para o estudo do comportamento humano seguindo a teoria do Behaviorismo proposta por Watson (1878-1958). Três teóricos considerados grandes contribuintes para esse modelo teórico são Albert Bandura, Ivan Pavlov e B. F. Skinner (PORTO; SIERRA, 2018, p. 30). “O ensino de música e´ muito importante para o desenvolvimento integral dos alunos. Eles aprendem a se comunicar por meio da arte musical, que toca profundamente tanto o artista, que está´ interpretando a música, quanto a plateia, que está´ envolvida no processo” (TAKATSU, 2015, p. 24). Ainda, segundo Takatsu, (2015, p. 25), o estudo da música se iniciou com a vinda da Família Real para o Brasil, sobre o que podemos destacar alguns pontos importantes para valorização dessa disciplina nas escolas: Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Com o início da República, no século XX, houve uma diversificação na arte musical, evidenciada em clubes e sociedades. Nesses locais, concertos eram criados e interpretações de músicas europeias eram valorizadas. Foi plantada a semente, que germinaria, do desenvolvimento de diretrizes para a regularização do ensino de música no contexto brasileiro. Atualmente, a Lei n. 11.769/08 garante a obrigatoriedade do ensino de música na educação básica, como conteúdo curricular obrigatório. Além dessa lei, ainda estão em vigor os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), que trazem o ensino da música como importante aliado na educação brasileira. Entre os objetivos citados, o ensino de música garante um espaço para que alunos possam experimentar a comunicação por meio da canção, além de oferecer grande exposição a contextos culturais e históricos (TAKATSU, 2015, p. 25). De acordo com Cirino (2015, p. 124), “cada momento vivido é uma nova experiência, e em qualquer idade há muito o que aprender”. Desse modo, ainda que um aluno maduro apresente dificuldades em apreender conhecimentos considerados simples pelo professor, isso não determina que ele não possa ser educado musicalmente (DEBERT, 2004, p.132, apud CIRINO, 2015, p. 124). No processo de aprendizagem, existem células importantíssimas em nosso sistema nervoso central favorecendo que a aprendizagem aconteça; aqui será destacada a célula neuroglial chamada Astrócitos, cuja função é sustentar os neurônios, protegê-los contra substâncias prejudiciais, ajudar a manter as propriedades químicas do ambiente para a geração dos impulsos nervosos, auxiliar o crescimento e a migração dos neurônios durante o desenvolvimento do encéfalo, desempenhar uma função no aprendizado e na memória e ajudam a formar a barreira hematoencefálica (TORTORA; DERRICKSON, 2017, p. 242). Para que a aprendizagem aconteça, destaca-se o papel dos neurotransmissores, que consistem em aminoácidos unidos por ligações peptídicas, chamados de neuropeptídios. As endorfinas são neuropepti ´dios que atuam neuropepti´deos tambe´m sa~o associados a` melhora da memo´ria e do aprendizado e a` sensac¸a~o de prazer e euforia. Ainda nos estudos de Tortora e Derrickson (2017; p. 254), destaca-se a relevância do ence´falo como centro de controle para o registro de sensações, correlacionando-as entre si e, com a informac¸a~o já armazenada, promover a tomada de deciso~es e a ação. Ale´m disso, ele e´ o centro para o intelecto, as emoc¸o~es, o comportamento e a memo´ria. Pore´m, o ence´falo ainda abrange um domínio maior: direciona nosso comportamento em relac¸a~o aos outros. A memória tem papel fundamental no processo da aprendizagem musical, e quanto maior forem as experiências vivenciadas pelas crianças desde a primeira infância, maior será a bagagem psicomotora levada para a vida adulta, beneficiando a interação social, assim como um maior conhecimento psicomotor. Partindo dessa reflexão, percebe-se que, a partir do maior conhecimento e reconhecimento corporal e cognitivo, as possibilidades de aprendizagem do ser humano tornam-se mais viáveis, desde que Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA as vivências e experiências psicomotoras sejam apresentadas a cada um. De acordo com os estudos de Tortora e Derrickson (2017, p. 273), percebe-se a real necessidade destas experiências: Sem memo´ria, repetiri´amos os erros e seri´amos incapazes de aprender. Da mesma forma, na~o seri´amos capazes de repetir os nossos sucessos ou realizac¸o~es, exceto por acaso. Memo´ria e´ o processo pelo qual a informac¸a~o adquirida por meio do aprendizado e´ armazenada e recuperada. Para que uma experie^ncia se torne parte da memo´ria, deve produzir alterac¸o~es estruturais e funcionais no ence´falo. As partes do ence´falo conhecidas pelo envolvimento com a memo´ria incluem as a´reas de associac¸a~o dos lobos frontal, parietal, occipital e temporal, partes do sistema li´mbico e o dience´falo. Memo´rias para habilidades motoras, como sacar uma bola de te^nis, sa~o armazenadas nos nu´cleos da base e no cerebelo, assim como no co´rtex cerebral (TORTORA; DERRICKSON, 2017, p. 273). A compreensão da música no ambiente educacional se faz uma ferramenta de trabalho fundamental para formação de crianças com maior estruturação cognitiva, motora, social e afetiva, possibilitado maior integração com seu ambiente e sua cultura, possibilitando uma gama de experiências e vivências a partir da música. Siga em Frente... Siga em Frente... De acordo com os estudos históricos sobre a música, existem várias reflexões sobre o tema, pois no decorrer dos séculos havia contradições e indisposições sobre a música fazer parte do contexto das artes e, partindo desse questionamento, houve divergências, já que muitos não a consideravam uma expressão artística. Com o decorrer dos séculos e de culturas após culturas, percebeu-se a complexibilidade das artes, e que a música, assim como todas as artes, consegue transpor, a partir de suas letras, seus ritmos, gêneros entre outros aspectos da musicalidade, uma gama de atividades cerebrais envolvidas, advindas do sistema nervoso central. Pois a música, assim como todas as artes, envolve fatores emocionais/sentimentais, comportamentais, fisiológicos e culturais, que são transportados a partir de suas letras e ritmos, assim como nas telas e outras artes. Partindo dessa discussão aberta séculos atrás, podemos ressaltar o papel da escola e das ações que acontecem no espaço educacional, como descreve Escosteguy (2018, p. 60), pois esses ambientes não oferecem apenas o conhecimento cognitivo, mas, certa e fundamentalmente,as relações com as diversas culturas que ali habitam. O aluno aprende com a convivência, com a troca de valores e hábitos, valorizando e aceitando a diversidade, transformando, de forma participativa e crítica, as práticas propostas Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA interdisciplinarmente e socialmente. Essa atitude colabora com sua formação intelectual e, principalmente, afetiva. O crescimento do corpo e do cérebro, as capacidades sensoriais, as habilidades motoras e a saúde fazem parte do desenvolvimento físico. Aprendizagem, atenção, memória, linguagem, pensamento, raciocínio e criatividade compõem o desenvolvimento cognitivo. Emoções, personalidade e relações sociais são aspectos do desenvolvimento psicossocial (PAPALIA; MARTORELL, 2022, p. 4). Vamos Exercitar? Vamos Exercitar? Respondendo nossa problematização, de acordo com Takatsu (2017), dificuldades ao realizar atividades para o desenvolvimento de conhecimentos musicais como benefício terapêutico no processo de aprendizagem sempre irão existir. Porém, o eu se torna relevante, e mora nas formas e variações de atividades que o professor irá elaborar e planejar para estimular seus alunos. Na~o restam du´vidas de que tal planeja- mento de atividades arti´sticas, equiparado com o ensino dado, implicara´ um esforc¸o extra do professor. Essa forma de lidar com o aprendizado requer uma energia a mais e tambe´m recursos fi´sicos, como sala apropriada, instrumentos e/ou materiais especi´ficos. Mas, sem du´vida, a facilidade no aprendizado que os alunos tera~o valera´ a pena. E, usando a criatividade, a falta de recursos na~o sera´ impedimento para esse trabalho. Vale ressaltar que na~o e´ necessa´rio realizar todas as aulas dessa forma; pode ser apenas em uma mate´ria especi´fica, que seja de maior complexidade e/ou de difi´cil compreensa~o (TAKATSU, 2017, p. 34). A autora ainda destaca, pontos importantes da educação musical atualmente, expondo que, quando um grande estresse e´ vivenciado por considera´vel parte da populac¸a~o, cantar e´ uma excelente atividade, por atuar sobre o relaxamento do corpo, diminuindo a incide^ncia de transtornos do sono e doenc¸as circulato´rias. Os praticantes do canto apresentam harmonia psi´quica e uma melhora no sistema imunolo ´gico. Diversos autores das pesquisas criticam pais e educadores por inibir o canto das crianc¸as, e indicam que somente o fazem pois desconhecem os benefi´cios a` sau´de psi´quica e emocional que ele pode trazer. O cantar ou cantarolar tem a capacidade de mudar o estado de humor de algue´m, principalmente quando a mu´sica o envolve ao ponto de deixar-se levar pela melodia e entregar-se ao prazer de cantar (TAKATSU, 2017, p. 34). Saiba mais Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Saiba mais O artigo Escolas pu´blicas que sa~o um espeta´culo trata de exemplos de instituic¸o~es que reduziram o nu´mero de repete^ncia a evasa~o escolar, e conseguiram, de seus alunos, uma melhora significativa nas notas de portugue^s e matema´tica. Um caso e´ a escola Hirayuki Enomoto, na cidade de Pereira Barreto, no estado de Sa~o Paulo, que trabalha o ensino de mu´sica e instrumentos cla´ssicos como parte da formac¸a~o dos alunos. Leia também o artigo O Canto Coral melhora a saúde e a felicidade e é o quebra-gelo perfeito, realizado pela Universidade de Oxford, que destaca os benefícios do canto para o corpo e a mente, abordando os benefícios fisiológicos do canto, e da música em geral, que são explorados há muito tempo. Fazer música exercita o cérebro e o corpo, mas cantar é particularmente benéfico para melhorar a respiração, a postura e a tensão muscular. Ouvir e participar de música também demonstrou ser eficaz no alívio da dor, provavelmente devido à liberação de neuroquímicos como a ß-endorfina (um analgésico natural responsável pela sensação de euforia após exercícios intensos). Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA https://epoca.globo.com/vida/noticia/2015/05/escolas-publicas-que-sao-um-espetaculo.html http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1364661305002901 http://www.emeraldinsight.com/doi/abs/10.1108/09654280210434228 http://www.emeraldinsight.com/doi/abs/10.1108/09654280210434228 http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD004843.pub2/epdf/standard http://journal.frontiersin.org/article/10.3389/fpsyg.2014.01096/abstract Referências Referências CIRINO, A. C. Aprendizagem musical na maturidade: diálogo entre teoria... Per Musi, Belo Horizonte, n.31, 2015, p.123-133. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pm/a/j7w4kh7WpKtpMDNdfjqypwt/? lang=pt&format=pdf . Acesso em: 2 jul. 2025. ESCOSTEGUY, Cléa C. Estudos culturais em educação. Porto Alegre: SAGAH, 2018. E-book. pág.60. ISBN 9788595023062. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595023062/. Acesso em: 14 jul. 2025. PAPALIA, Diane E.; MARTORELL, Gabriela. Desenvolvimento humano. 14. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2022. E- book. pág.3. ISBN 9786558040132. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040132/. Acesso em: 4 jul. 2025. PORTO, Alessandra Beggiato., SIERRA, Maria Florência. Crescimento humano. – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2018. 208 p. ISBN 978-85-522-0751-1 1. Disponível em: https://biblioteca- virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento- humano.pdf . Acesso em: 25 jun. 2025. TAKATSU, Mayra M. Artes, Educação e Música. Porto Alegre: +A Educação - Cengage Learning Brasil, 2015. E-book. pág.24-34; 25. ISBN 9788522123735. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522123735/. Acesso em: 17 jun. 2025. Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA https://www.scielo.br/j/pm/a/j7w4kh7WpKtpMDNdfjqypwt/?lang=pt&format=pdf https://www.scielo.br/j/pm/a/j7w4kh7WpKtpMDNdfjqypwt/?lang=pt&format=pdf https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040132/ https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento-humano.pdf https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento-humano.pdf https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento-humano.pdf https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522123735/ TORTORA, Gerard J.; DERRICKSON, Bryan. Corpo humano. 10. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2017. E-book. pág.271. ISBN 9788582713648. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582713648/. Acesso em: 14 jul. 2025. Aula 5 Encerramento da Unidade Videoaula de Encerramento Videoaula de Encerramento Começamos destacando que a história da música é uma narrativa riquíssima que acompanha a evolução da humanidade, refletindo suas emoções, crenças, festas e transformações sociais. Desde as músicas pré- históricas, com instrumentos rudimentares, passando pelas civilizações antigas, como Egito, Grécia e Roma, a música sempre teve um papel fundamental na cultura de diferentes povos. Já a cultura musical é também um reflexo da identidade social, produzindo e reforçando tradições, valores e narrativas de diferentes comunidades. Ressalta-se que a cultura musical envolve todo um contexto cultural, histórico e geográfico, sendo uma expressão universal da condição humana. Faça o download do arquivo Ponto de Chegada Ponto de Chegada Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582713648/ https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/cc54a05f-8811-4abf-af4d-d6a898e076be/cc54a05f/411b3606-6390-521c-b5ec-d355322315f4.pdf A música, enquanto manifestação artística e cultural, acompanha a humanidade desde os primórdios de sua existência, desempenhando papel fundamental na expressão de emoções, crenças, identidades e tradições. Desde os sons produzidos por instrumentos rudimentares na pré-história até as complexas composições contemporâneas, a história da música revela uma evoluçãocontínua que reflete transformações sociais, políticas e tecnológicas ao longo dos séculos. Além de um fenômeno artístico, a cultura musical é um espelho das comunidades e culturas, promovendo integração, resistência e transformação social. Quanto à problematização, temos que analisar todo o contexto histórico e cultural da música, buscando maior compreensão do tema e de todo o processo de evolução. Devemos ir além da simples apreciação das composições e estilos, refletindo sobre: como a música foi moldada por fatores históricos, sociais e econômicos? De que maneira ela contribuiu para a formação de identidades culturais e para a preservação ou transformação de tradições? E, por outro lado, como as mudanças tecnológicas e as globalizações contemporâneas influenciam a produção, circulação e recepção musical? Essas questões nos levam a refletir sobre o papel da música na construção da história social e cultural, bem como suas múltiplas dimensões de significado e impacto na sociedade. Existem alguns questionamentos levantados por Takatsu (2015, p. 7) que abordam as seguintes problematizações: Quem nunca teve o prazer de conhecer um professor que lhe tenha ensinado algum conceito por meio da mu´sica? Ou que lhe tenha apresentado alguma obra de arte para contar determinado fato da história? Quem sabe, que tenha ensaiado alguma coreografia para comemorar um feriado do ano com um contexto folclórico? A sonoridade e o canto tambe´m estavam presentes nas escolas quando, para iniciar o período, todos os alunos cantavam o Hino Nacional. Se pararmos para pensar, qual o reflexo daquelas atividades na nossa vida? A resposta e´: diversos. Diversos foram e sa~o os reflexos, e todos eles, muito positivos. Quem diria que o canto, por exemplo, auxilia na respiração e na circulação sanguínea? Ou que a danc¸a permite o desenvolvimento corporal, viabilizando o seu relaxamento e melhorando sua postura? (TAKATSU, 2015, p. 7). É Hora de Praticar! É Hora de Praticar! Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Esse exercício é uma forma de revisar todo o conteúdo apresentado, para quer você possa entender como a música pode ser trabalhada no ambiente escolar. O texto utilizado para esse processo de conhecimento foi elaborado pela autora Takatsu (2019, p. 29). Aproveite o conteúdo e as propostas apresentadas. Reflita O desenvolvimento da musicalidade, o trabalho com o ritmo e a coordenação motora são algumas das capacidades que ajudarão os alunos na realização de tarefas mais complexas quando forem adultos. Outra grande razão para utilizar-se de tais atividades é que as crianças se envolvem de forma expressiva. E´ uma maneira que elas encontram de continuar explorando seu corpo e suas capacidades. Para as crianças, é tudo muito novo e desafiador, portanto, elas se envolvem facilmente em atividades com essas características. Além disso, apresentar uma música a um grupo com a tentativa de harmonização em seu contexto traz sociabilização, uma vez que haverá um interesse comum a todos os integrantes da sala. Desde os primeiros dias de aula, a música pode ser uma grande aliada do professor. Todas as crianças, principalmente as mais novas, irão facilmente manter a atenção em qualquer atividade que envolva música, de forma bastante prazerosa. Resolução do Estudo de Caso E´ possível passar a manhã inteira cantando e dançando com as crianças pequenas. Com as músicas, elas aprenderão conceitos de natureza, de expressão corporal e até conceitos matemáticos. Ensinar usando a música, além de muito atraente para os alunos, permite internalizar conteúdos com grande rapidez, transformando esse momento em uma forma lúdica de ensinar conceitos, tais como os Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA nomes das formas, dos animais e das partes do corpo. Assimile Referências CABRAL, Clara B. Património Cultural Imaterial - Convenção da Unesco e Seus Contextos. São Paulo: Almedina Brasil, 2018. E-book. P. [n.p]. ISBN 9789724419077. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724419077/. Acesso em: 18 jul. 2025. FUBINI, Enrico. Estética da Música. São Paulo: Almedina Brasil, 2019. E-book. P. [n.p]. ISBN 9789724421605. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724421605/. Acesso em: 18 jul. 2025. TAKATSU, Mayra M. Artes, Educação e Música. Porto Alegre: +A Educação - Cengage Learning Brasil, 2015. E-book. p.38. ISBN 9788522123735. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522123735/. Acesso em: 18 jul. 2025. Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724419077/ https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724421605/ https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522123735/os jogos, a mitologia, os rituais, os costumes, o artesanato, a arquitetura e outras artes (UNESCO, 1989 apud CABRAL, 2018, p. 33). Middleton (1990, apud Napolitano (2005, p. 33) destaca a proposta de uma tipologia de valores envolvidos numa canção, com base nas funções da linguagem propostas por Roman Jakobson. Dentro dessa tipologia de valores, os rituais se fazem parte relevante no contexto musical. Seguem: Valores comunicativos: a música diz alguma coisa, similar às funções emotiva e referencial da linguagem, de R. Jakobson. Valores rituais: criação de solidariedade, consciência dos problemas cotidianos etc. Função fática da linguagem. Valores técnicos: explicitam como a música é feita, tornam familiar seus códigos, normas e fórmulas. Função metalinguística. Valores eróticos: música envolve, energiza e estrutura o corpo, sua superfície, músculos, gestos e desejos. Função conativa. Valores políticos: podem ser expressão de identidade (opositora ao sistema) ou de protesto, estrito senso (denúncia de algo). No primeiro caso, função fática. No segundo, emotiva e referencial (MIDDLETON, 1990, apud NAPOLITANO (2005, p. 33). Além do canto, o homem pré-histórico percebeu que, ao assoprar ossos furados, bater palmas ou percutir em peles de animais curtidas e esticadas, poderia produzir diferentes sons. Todas as hipóteses da prática musical no período pré-histórico foram traçadas a partir de pesquisas arqueológicas, antropológicas e musicológicas (CAVINI, 2011 apud PIRES, 2019, p. 5). Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA De acordo com Pires (2019, p. 6), os instrumentos mais antigos, flautas feitas de ossos com apenas um orifício, são do Paleolítico Inferior, usados provavelmente em caçadas para imitar sons ou cantos de animais e pássaros, ou para os homens se comunicarem. Destacam-se nos estudos de Pires (2019, p. 7) fatos históricos abordados sobre rituais a partir da música, assim como hábitos de acordo com a evolução do ser humano, conforme exposto a seguir: No período Neolítico aparecem os primeiros tambores, que eram ornamentados, e matracas em argila no formato de pequenos animais ou com a forma humana, provavelmente tinham uso religioso; Na antiga Mesopotâmia, a música e o canto faziam parte de vários aspectos da vida e desempenhavam um papel importante nos templos, já que eles possuíam uma orquestra e um coral com músicos profissionais. Assim como acontecia com os textos literários, as composições musicais eram anônimas. Com uma exceção, uma princesa suméria, Enkeduanna, filha de Sargão de Akkad (2334-2279 a.C.), sacerdotisa do deus Nanna (Lua), compôs e assinou vários hinos religiosos; Para os babilônios (2.000 a 539 a.C.), a música estava associada à animação de tropas durante as batalhas; eram também compostas músicas que alegravam os banquetes e festas em tempos de paz. O canto era utilizado para a caça, o amor, o ódio, a guerra, evocação dos mortos, estados de transe, entre outros; Para os assírios (1.300 a 612 a.C.) a música era símbolo de poder, respeito e vitória; A música hebraica sofreu influência de outros povos, porém consolidou-se com características próprias: caráter religioso, guerreiro, festivo e de lamentação. A Bíblia constitui a principal fonte documental sobre a referência à música hebraica; A civilização fenícia era constituída por várias cidades-estados que compartilhavam a mesma cultura, sem vínculo político e econômico entre si, Os fenícios são considerados os inventores de alguns instrumentos musicais, como a flauta dupla; A música egípcia, assim como toda a arte, estava ligada à religião, mas possuía um estilo de música para cada ocasião: de caráter religioso, nos cultos aos mortos e aos deuses; de caráter militar, quando eram cantados hinos em honra aos vencedores; de caráter social, animando banquetes solenes, cantos de trabalho, entre outros; Os Medos e persas, abrangeu toda a música e instrumentos musicais dos egípcios e mesopotâmicos, especialmente assírios e babilônios; Os chineses, estimavam a música, possuindo um sistema já estruturado. Ling-Iuen, sábio chinês que viveu por volta de 2637 a.C., Ling-Iuen conseguiu sistematizar uma série de cinco tons, que correspondiam aos cinco elementos, chamado de lyu. Essa escala foi aperfeiçoada até uma série de 12 lyus, intervalos originados da derivação por quintas de um som fundamental, que correspondiam às 12 luas, aos 12 meses do ano e às 12 horas do dia chinês; Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Na Grécia antiga, entre os séculos VII e VI a.C., a música estava vinculada a todas as manifestações sociais, culturais e religiosas. Na Cultura greco-romana: a teoria e ética musicais herdadas da Grécia foram referências para a cultura cristã, sendo adaptadas e moldadas às exigências da música de igreja; Na Cultura celta, música de historiadores, poetas e músicos, com o acompanhamento de liras ou harpas; Na Cultura oriental judaico-cristã, a forma de expressão popular, impregnada dos costumes musicais hebraico, sírio e egípcio, que influenciou a recitação melódica (cantilena) que os primeiros cristãos introduziram em seus cultos; A música Medieval, inicia com os cantos entoados pelas novas comunidades cristãs, impregnados com as características das músicas do templo judeu e da cultura helênica; Na França, a partir do século XIII, a arte dos troveiros passou a ser mais cultivada por burgueses cultos do que por nobres, como em tempos anteriores. Na Alemanha isso também ocorreu a partir dos séculos XIV, XV e XVI; os sucessores dos minnesinger foram os meistersinger, dignos mercadores e artesãos das cidades alemãs. Do ponto de vista estritamente musical, herdavam duas tradições diversas e nitidamente antagónicas, dado o espírito que as animava: por um lado, a música greco-romana, intimamente ligada aos usos, aos ritos, às festas do mundo pagão; por outro, a tradição do canto sinagogal hebraico (FUBINI, 2019, p. S/N). No património imaterial, o principal são as pessoas. É essa mudança de paradigma, o desviar do foco das atenções do objeto para o ser que o executa, que torna o património cultural imaterial tão difícil de definir e de interiorizar – e é isso que o torna também tão interessante e atrativo. Obra e gesto, dança e bailarino, história e contador passam a ser realidades indissociáveis que devem ser percebidas em conjunto e valorizadas em simultâneo (CABRAL, 2018, p. 34). O património cultural imaterial é porventura, de todos os patrimónios, o mais difícil de explicar. Todos nós convivemos com ele no dia a dia, praticamo-lo quase sem pensar, procuramo-lo em datas pré-estabelecidas e nos momentos de lazer, sentimos que faz parte das nossas vidas e memórias, mas quando tentamos defini-lo, determinar porque é importante para nós ou descrever as emoções que em nós suscita, faltam- nos as palavras, baralham-se os conceitos, fica um sentimento vago de familiaridade e de recordações difícil de expressar e transmitir. De facto, é mais fácil viver e sentir o património cultural imaterial do que falar sobre ele (CABRAL, 2018, p. 33). A partir dos estudos de Fubini (2019), percebe-se que a história da música vem de um grande contexto até o século XIX. O autor ainda destaca que, de fato e de direito, uma história independente da das outras Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA artes. Ao longo de uma tradição antiquíssima que remonta aos tempos da Grécia Antiga, a música foi sempre considerada, por diversos motivos, uma arte dotada de reduzido ou nulo poder educativo em relação à poesia, o que veio reforçar a ideia de que ela é um tipo de arte à parte, com uma história própria, com problemas específicos, uma arte que põe em jogo atividades e receptividades diferentes da das artes da palavra, bem como das artes da pintura e da arquitetura. Cabral (2018), em seus estudos, aborda que a UNESCO salvaguarda as Artes do espetáculo, que incluem a música vocal ou instrumental, a dança e o teatro, mas há muitas outras formas tradicionais, taiscomo pantomima, versos cantados e determinadas formas de contar histórias. As artes do espetáculo incluem uma grande diversidade das expressões culturais que, no seu conjunto, são testemunho da criatividade humana. Podem frequentemente ser encontradas, em diversos graus, em muitos outros domínios do património cultural imaterial. Cabral (2018) ainda destaca que a UNESCO salvaguarda também as práticas sociais, rituais e os eventos festivos, que são atividades rotineiras que estruturam as vidas das comunidades e dos grupos, sendo por estes compartilhadas, e que se afiguram relevantes para muitos indivíduos por reafirmarem a identidade dos intervenientes enquanto grupo ou comunidade. Executadas em público ou em privado, estas práticas sociais, rituais e festivas podem estar relacionadas com o ciclo de vida dos indivíduos e dos grupos, com o calendário agrícola, com a sucessão das estações ou com outros sistemas temporais. São condicionadas por visões do mundo e por histórias e memórias comuns. Variam desde simples encontros a ocasiões de celebração e comemoração em larga escala. Ela também reflete a evolução cultural e tecnológica ao longo dos séculos. Dos instrumentos musicais primitivos aos avanços na gravação e reprodução musical, a música acompanhou e impulsionou a transformação da sociedade, incorporando novos estilos, sons e possibilidades criativas. A música tem desempenhado um papel vital na história da humanidade, servindo como expressão cultural, emocional e veículo de mudança. Ela transcende barreiras linguísticas e culturais, tocando os corações e as mentes das pessoas ao redor do mundo. Ao reconhecer o poder e a importância das músicas, podemos apreciar e valorizar sua influência duradoura em nossa sociedade e na forma como nos conectamos com o mundo ao nosso redor Disponível em: https://www.sabra.org.br/site/historia-musica-2/. Acesso em: 17 jun. 2025. A UNESCO partir da década de 1990, de acordo com estudos de Cabral (2018), a questão da proteção do património cultural imaterial tomou novo fôlego, em parte devido a pressões dos países do Sul, cujo património frequentemente não cumpre os critérios exigidos para a inclusão na Lista do Património Mundial. Em 1993, a reunião International Consultation on New Perspectives for UNESCO’s Programme: The Intangible Cultural Heritage juntou participantes de vários países e áreas científicas para aconselhar a Organização quanto à estratégia a médio prazo para 1996-2001, incluindo o programa para a salvaguarda do património cultural imaterial; nos dias atuais, o patrimônio imaterial se torna necessário dentro de todas as convenções mundiais e com ênfase em preservação da cultura. Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA https://www.sabra.org.br/site/historia-musica-2/ Vamos Exercitar? Vamos Exercitar? Atualmente, a música vem exercendo grande contribuição para o ser humano, pois mesmo com a grande diversificação cultural, de estilos e gêneros, podemos dizer que, como os povos antigos, “a partir da música cada ser humano encontra sua tribo”. Independentemente do gênero, cada pessoa busca nas músicas, seja em letras, sons, arranjos e novidades, a sua identificação. A partir desta identificação, e com a diversidade de estilos, cada pessoa irá escolher o que a completa, e tem o dever de respeitar os estilos e os gêneros do outro, pois, assim, conseguiremos seguir com a música transcendendo civilizações e influenciando variadas culturas. Na realidade, a música é uma forma de resolução de problemas para a grande maioria da humanidade. Divirtam-se, e sempre apreciem a sua e a música de todos nós. Saiba mais Saiba mais Observe a reflexão a seguir: A música é reconhecida por muitos pesquisadores como uma modalidade que desenvolve a mente humana, promove o equilíbrio, proporcionando um estado agradável de bem-estar, facilitando a concentração e o desenvolvimento do raciocínio, em especial em questões reflexivas voltadas para o pensamento. Na música estão contidos três elementos: as palavras, a harmonia e o ritmo. Daí a importância da boa música. A música penetra diretamente em nossos centros nervosos e coordena mentalmente, de maneira rápida e imediata, a divisão do tempo e do espaço, além de inspirar o gosto pelas virtudes. A partir dessa reflexão, percebe-se que a música exerce influência em todos que podem ter acesso a ela. Você sabia que o Hino Hurrita nº 6, com 3.400 anos, é considerada a obra musical anotada mais antiga e substancialmente completa conhecida? Originária da atual Anatólia, que hoje faz parte da Turquia, foi descoberta inscrita em uma tabuleta de argila na atual Síria, em 1950. As canções hurritas (ou hinos hurritas ) são uma coleção de música feita em escrita cuneiforme em tábuas de argila escavadas na antiga cidade amorita de cananeu de Ugarit , um promontório no norte da Síria , que datam de aproximadamente 1400 a.C. Embora os nomes dos compositores de algumas das peças fragmentárias sejam conhecidos, a h.6 é uma obra anônima. Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA https://en.wikipedia.org/wiki/Cuneiform https://en.wikipedia.org/wiki/Amorite https://en.wikipedia.org/wiki/Canaan https://en.wikipedia.org/wiki/Ugarit https://en.wikipedia.org/wiki/Syria https://en.wikipedia.org/wiki/Anonymous_work Fonte: Um desenho de um lado da tábua na qual está inscrito o Hino a Nikkal. Por Giorgio Buccellati, "Hurrian Music"Arquivado em 2016-10-09 no Wayback Machine, editor associado e webmaster Federico A. Buccellati Urkesh. Para ouvir o Hino Hino Hurrita nº 6. Música dos Antigos Sumérios, Egípcios e Gregos, nova edição expandida. Ensemble De Organographia (Gayle Stuwe Neuman e Philip Neuman). Gravação em CD. Pandourion PRDC 1005. Oregon City: Pandourion Records, 2006. Até breve e espero que tenha aproveitado todo o conteúdo! Referências Referências CABRAL, Clara B. Património Cultural Imaterial - Convenção da Unesco e Seus Contextos. São Paulo: Almedina Brasil, 2018. E-book. ISBN 9789724419077. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724419077/. Acesso em: 18 jun. 2025. CEFSA. A importância da música na vida das pessoas. Disponível em: https://cefsa.org.br/crescendojuntos/a-importancia-da-musica-na-vida-das-pessoas/. Acesso em: 18 jun. 2015. EDUCA MAIS BRASIL. História da música. Disponível em: https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/artes/historia-da-musica. Acesso em: 17 jun. 2025. FUBINI, Enrico. Estética da Música. São Paulo: Almedina Brasil, 2019. E-book. p.[SN]. ISBN 9789724421605. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724421605/. Acesso em: 17 jun. 2025. Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA http://www.urkesh.org/urkeshpublic/music.htm https://web.archive.org/web/20161009114038/http:/www.urkesh.org/urkeshpublic/music.htm https://en.wikipedia.org/wiki/Wayback_Machine https://en.wikipedia.org/wiki/Hurrian_songs#cite_note-Urkesh-1 https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724419077/ https://cefsa.org.br/crescendojuntos/a-importancia-da-musica-na-vida-das-pessoas/ https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/artes/historia-da-musica https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724421605/ MORAES, J. G. V. DE. História e música: canção popular e conhecimento histórico. Revista Brasileira de História, v. 20, n. 39, p. 203–221, 2000. NAPOLITANO, Marcos. História & Música. (Coleção História &... Reflexões), São Paulo: Autêntica Editora, 2005. E-book. pág.33. ISBN 9788582172186. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582172186/. Acesso em: 18 jun. 2025. PIRES, Debora C. História da Música: Antiguidade ao Barroco. Livro Didático. 1. ed. Indaial: UNIASSELVI, 2019. v. 1. 253p. SABRA – SOCIEDADE ARTÍSTICA BRASILEIRA. História da música. Disponível em: https://www.sabra.org.br/site/historia-musica-2/. Acesso em: 17 jun. 2025. WIKIPEDIA. Hurrian songs. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Hurrian_songs#cite_note-Urkesh-1. Acesso em: 18 jun. 2025. Aula 2 Música e DesenvolvimentoHumano Música e desenvolvimento humano Música e desenvolvimento humano Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582172186/ https://www.sabra.org.br/site/historia-musica-2/ https://en.wikipedia.org/wiki/Hurrian_songs#cite_note-Urkesh-1 A música tem um papel importante para o desenvolvimento psicomotor do ser humano, desde a vida intrauterina e passando por todas as fases de desenvolvimento humano. Fases estas que, se forem estimuladas a partir da inserção da música na rotina diária, tanto durante o processo gestacional da mãe, quanto no decorrer de sua vida. Faça o download do arquivo Ponto de Partida Ponto de Partida O desenvolvimento humano se inicia a partir de sua concepção ou seja, desde a vida intrauterina, e nas suas diversas fases ele deverá ser estimulado para que toda a sua capacidade inata seja potencializada, para que ele vivencie todas as etapas de desenvolvimento de forma total e respeitando sua individualidade. A música deve ser uma ferramenta de desenvolvimento para todos, e se for trabalhada desde a vida intrauterina, será mais bem estimulada a cada etapa pela qual o ser humano passará, respeitando a individualidade e principalmente as escolhas e o gosto musical de cada um. Porém, torna-se relevante apresentar cada gênero musical desde a primeira infância e, assim, oportunizar a todos maior vivência e bagagem musical. Mas, a música, nos dias atuais, ainda é uma ferramenta imprescindível para o desenvolvimento humano? A linguagem musical refere-se a` comunicação possível por meio da música. E a expressão artística por meio dela traz, realmente, todos os benefícios da arte já´ demonstrados na aula anterior. Para desenvolver o tema com mais profundidade, focaremos mais especificamente em duas importantes formas de linguagem musical: canto e dança (TAKATSU, 2019, p. 25). O processo de desenvolvimento humano inicia-se muito antes de o bebê chegar ao mundo. Desde o momento em que o óvulo é fecundado, começa o processo gestacional e daí o desenvolvimento não para mais de acontecer. Durante esse período gestacional, muitas são as modificações e evoluções biológicas e fisiológicas que ocorrem tanto no organismo do bebê quanto no da mãe, como o desenvolvimento das sinapses cerebrais, dos órgãos, dentre outros (PAPALIA; FELDMAN, 2013 apud POTT, 2019, p. 34). O ser humano é considerado um ser vivo em constante desenvolvimento. Começamos como estruturas microscópicas dentro do ventre materno e, em seguida, iniciamos nossa jornada no mundo como bebês; crescemos e nos tornamos crianças, adolescentes, adultos e, por fim, idosos (PORTO; SIERRA, 2018, p. 12). Divirtam-se com os conteúdos abordados no decorrer desta aula, visualizem o quão importante a música pode se tornar para o desenvolvimento de crianças, jovens e adultos. Vamos estudar! Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/cc54a05f-8811-4abf-af4d-d6a898e076be/cc54a05f/a33015a9-61d8-5927-a6a6-72a0baadb445.pdf Vamos Começar! Vamos Começar! Começaremos esta sessão entendendo o significado de crescimento humano, em que as autoras Porto e Sierra (2018, p. 27) abordam objetivamente em seus estudos, a partir de pesquisadores renomados na área do desenvolvimento humano, que: Crescimento é um processo biológico referente ao aumento do tamanho do corpo como todo ou de áreas específicas dele (Malina; Bouchard, 2002; Ré, 2011; Tani Et Al., 1988; Gallahue; Ozmun, 2005), porém o ser humano não é formado somente por sua dimensão biológica. Somos seres complexos, desenvolvendo-nos por meio da interação entre indivíduo e ambiente dentro de distintos contextos. Portanto, o conceito de desenvolvimento torna-se mais abrangente ao definir-se como todo processo de evolução humana fundamentada pela interação do indivíduo com o ambiente, englobando desde processos biológicos até processos sócio-históricos e culturais, isto é, um sistema que se estrutura, no mínimo, em uma relação bidirecional (MAGNUSSO; CAIRNS, 1996 apud PORTO; SIERRA, 2018, p. 27). Torna-se relevante abordarmos os estudos de Pikunas (1979), onde destaca que o desenvolvimento humano está ligado aos estímulos, a partir das potencialidades e habilidades, favorecendo a aprendizagem com qualidade e respeito a individualidade de cada um. De acordo com as teorias do desenvolvimento cognitivo como a de Piaget que abordava exclusivamente o desenvolvimento intelectual de crianças, já Vygotsky focou seus estudos em uma abordagem onde a interação social se faz relevante para o desenvolvimento cognitivo de crianças. As teorias do desenvolvimento cognitivo focam os estudos no desenvolvimento da cognição do ser humano e enfatizam a centralidade da relação com o ambiente como fator para o processamento do conhecimento. Em outras palavras, é pela interação com o ambiente e por meio da sua exploração ativa que a criança é capaz de desenvolver seus conhecimentos sobre o mundo (Porto; Sierra, 2018, p. 29). A música, quando trabalhada no contexto escolar desde a primeira infância, proporciona novas práticas escolares em que explora linguagens diversificadas a partir da expressão artística como ferramenta de comunicação cotidiana da criança, além de tornar as aulas mais criativas. Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Em nossos estudos, percebemos, a partir da história da música, que ela tem representatividade em vários ambientes, manifestações, festas, eventos, religião e tantas outras, demonstrando que, vivenciando a música no cotidiano escolar, crianças jovens e adultos podem, a partir de observação do meio ambiente (pássaros e sons da natureza), assim como nas religiões a partir dos cantos e hinos e ou como forma de rotina no cotidiano do ser humano. Isso torna a música para o ser humano uma forma de manifestação, tanto na expressividade, nos sentimentos, nas ações, como no aprendizado. Torna-se relevante ressaltarmos que a música, a partir de suas letras, sons e acordes, tem grande facilidade de oportunizar para as crianças, através da linguagem musical, maior vivência e aprendizagem em todo o seu contexto cultural e educativo, possibilitando exaltar sentimentos e o crescimento como ser humano, potencializando sua cognição a partir dos significados e dos sentidos das músicas, assim como as formas de expressões corporais por meio dela. Desde 1998, o Brasil vem abordando um trabalho no sistema educacional brasileiro voltado à integração da criança por meio da educação musical, devido à sua relevância no processo educacional, no qual a música reflete nas crianças sentimentos e emoções para que, assim, possam evoluir em sua educação. O MEC (1998) afirma que a expressão musical das crianças nessa fase é caracterizada pela ênfase nos aspectos intuitivo e afetivo e pela exploração sensório-motora dos materiais sonoros. As crianças integram a música às demais brincadeiras e jogos: cantam enquanto brincam, acompanham com sons os movimentos de seus carrinhos, dançam e dramatizam situações sonoras diversas, conferindo “personalidade” e significados simbólicos aos objetos sonoros ou a instrumentos musicais e à sua produção musical. O brincar permeia a relação que se estabelece com os materiais: mais do que sons, podem representar personagens, como animais, carros, máquinas, super-heróis etc (MEC, 1998, p. 50). A música tem o poder único de evocar emoções e despertar sentimentos profundos. Desde a alegria e a tristeza até a paixão e o amor, as músicas têm a capacidade de nos transportar para diferentes estados emocionais, proporcionando um meio de expressão e catarse (SABRA – Sociedade Artística Brasileira). Segundo Fubini (2019): No século XVIII, as artes foram divididas em artes do tempo e artes do espaço, e a música, a aceitar-se esta classificação, pertence sem sombra de dúvidas às artes do tempo, isto é, às formas de expressão que têm como matéria o tempo. Mas entre as artes do tempo, a música ocupa um lugar à parte. Com efeito, as artes da palavra,também elas artes do tempo, têm muito poucas afinidades com a música. Antes de mais, o compositor deve possuir um grau de competência e, portanto, uma especialização bastante mais elevada em relação, por exemplo, a um literato; além do mais, a música, para ser atualizada após a sua criação, necessita sempre do intérprete, figura aliás presente em outras artes, como o teatro. Mas evidentemente que o intérprete musical tem características que o distinguem de qualquer outro tipo de intérprete, dada a dificuldade da sua tarefa, o alto nível de especialização exigido, a delicadeza e a responsabilidade de que é investido a partir do momento que lhe é confiada a missão de fazer viver a própria obra musical e de a transmitir ao público, pois sem ele a obra musical é muda e de facto inexistente. Por fim, no que diz respeito Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA ao ouvinte, a música, embora seja desprovida de elementos figurativos, não reproduzindo nada de determinado, sendo destituída de qualquer virtude imitativa, possui, porém, um impacto emotivo – mesmo para o ouvinte mais desprevenido e sem competências musicais específicas –, desconhecido em qualquer outra arte. Essas características são apenas algumas das mais flagrantes que diferenciam ainda hoje a música das outras expressões artísticas, mas que são suficientes para fazer compreender como é que a música se desenvolveu ao longo da história seguindo trilhos autónomos (FUBINI, 2019). O trabalho com música deve considerar, portanto, que ela é um meio de expressão e uma forma de conhecimento acessível aos bebês e às crianças, inclusive aquelas que apresentem necessidades especiais. A linguagem musical é um excelente meio para o desenvolvimento da expressão, do equilíbrio, da autoestima e do autoconhecimento, além de poderosa forma de integração social (BRASIL, 1998, p. 47). O papel da música na infância tem grande relevância em sua evolução, preparando-a para a vida adulta, a partir de maior interação e socialização com todos à sua volta. Começamos ressaltando que, dentro da legislação brasileira, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), se afirma a necessidade de uma educação de qualidade, destacando-se, no Art. 29, que a educação infantil está na primeira etapa da Educação Básica, e, no Art. 26 § 2º, que o ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da Educação Básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. O ensino de Artes tem sua garantia a partir da Lei 11.769/2008, que abrange a obrigatoriedade do ensino de música na Educação Básica, assim como a Lei 13.278/2016 abrange também as artes visuais, a dança, a música e o teatro, que fazem parte da linguagem das Artes, dentro da Educação Básica, garantindo, assim, que a música faça parte do cotidiano escolar, e oportunizando novas vivências para os alunos de forma integrativa e inclusiva. De acordo com o MEC (1998, p. 47) ainda podemos destacar que a música está presente em diversas situações da vida humana, e que existem músicas para todas as situações cotidianas, como para adormecer, para dançar, para chorar os mortos, para conclamar o povo a lutar, o que remonta à sua função ritualística, presente na vida diária de alguns povos, ainda hoje é tocada e dançada por todos, seguindo costumes que respeitam as festividades e os momentos próprios a cada manifestação musical. Nesses contextos, as crianças entram em contato com a cultura musical desde muito cedo, e assim começam a aprender suas tradições musicais. Mesmo que as formas de organização social e o papel da música nas sociedades modernas tenham se transformado, algo de seu caráter ritual é preservado, assim como certa tradição do fazer e ensinar por imitação e “por ouvido”, em que se misturam intuição, conhecimento prático e transmissão oral. Essas questões devem ser consideradas ao se pensar na aprendizagem, pois o contato intuitivo e espontâneo com a expressão musical desde os primeiros anos de vida é importante ponto de partida para o processo de musicalização. Ouvir música, aprender uma canção, brincar de roda, realizar brinquedos rítmicos, jogos Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA de mãos etc., são atividades que despertam, estimulam e desenvolvem o gosto pela atividade musical, além de atenderem a necessidades de expressão que passam pela esfera afetiva, estética e cognitiva. Aprender música significa integrar experiências que envolvem a vivência, a percepção e a reflexão, encaminhando-as para níveis cada vez mais elaborados (BRASIL, 1998, p.47). Podemos destacar que o papel da música vai além do espaço educacional, pois a criança e as famílias a acessam de acordo com sua cultura, religião e/ou opções de gêneros musicais, que são inúmeros, assim como as formas de expressar e exaltar a música, na interpretação a partir da dança, do teatro e do canto. O canto desempenha um papel de grande importância na educação musical infantil, pois integra melodia, ritmo e — frequentemente — harmonia, sendo excelente meio para o desenvolvimento da audição. Quando cantam, as crianças imitam o que ouvem e assim desenvolvem condições necessárias à elaboração do repertório de informações que posteriormente lhes permitirá criar e se comunicar por intermédio dessa linguagem. É importante apresentar às crianças canções do cancioneiro popular infantil, da música popular brasileira, entre outras que possam ser cantadas sem esforço vocal, cuidando, também, para que os textos sejam adequados à sua compreensão. Letras muito complexas, que exigem muita atenção das crianças para a interpretação, acabam por comprometer a realização musical. O mesmo acontece quando se associa o cantar ao excesso de gestos marcados pelo professor, que fazem com que as crianças parem de cantar para realizá-los, contrariando sua tendência natural de integrar a expressão musical e corporal (BRASIL, 1998, p. 56). A música tem uma grande variável na vida da criança, através de sua inserção em um mundo de sonhos, criatividade, realidade, brincadeiras e outras vivências que a musicalização irá proporcionar, tornando uma linguagem universal e promovendo novos significados, pois, na infância, a música não será um processo de formação, mas sim de aquisição de conhecimentos com uma linguagem artística. Siga em Frente... Siga em Frente... Nos dias atuais, percebemos que o ensino da música nas escolas se tornou uma ferramenta indispensável para o desenvolvimento do ser como um todo. A música possui um valor imensurável para as crianças, proporcionando, a partir da arte, o aguçar dos sentidos, da realidade, da imaginação, do sonho, do concreto, da linguagem, entre outras sensações que podem ser vivenciadas. Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA A música deve ser trabalhada com a criança de forma lúdica, em que ela deve ser assistida e orientada, permitindo que vivencie e tenha prazer em estar realizando a atividade, possibilitando que seus sentidos sejam trabalhados em uma linguagem informal, com professor capacitado proporcionando situações que explorem a criatividade tanto do aluno quanto dele mesmo, dando significado a cada ação a ser realizada, de forma objetiva ou subjetiva, com instrumentos, cantos, ritmos e sonoridades diferenciadas. Vamos Exercitar? Vamos Exercitar? A música deve ser uma ferramenta de desenvolvimento para todos, e se for trabalhada desde a vida intrauterina, será mais bem estimulada a cada etapa pela qual o ser humano irá passar, respeitando a individualidade e, principalmente, as escolhas e o gosto musical de cada um. Porém, torna-se relevante apresentar cada gênero musical desde a primeira infância e, assim, oportunizar a todos maior vivência e bagagem musical. Mas, a música, nos dias atuais, ainda é uma ferramenta imprescindível para o desenvolvimento humano? A partir das vivências trabalhadas com crianças no contexto escolar, percebe-se a real necessidade nos dias atuais de trabalhos direcionados com essa ferramentade oportunidades que a música oferece. Atualmente, o mundo está cada vez mais informatizado e as ações e os trabalhos cada vez mais voltados para essa tecnologia extremamente utilizada por crianças, jovens e adultos. A música pode proporcionar para as crianças, principalmente na primeira e na segunda infância, uma forma de se conectar e interagir com o outro, explorando atividades corporais, rítmicas e, principalmente, tornando um habito a interação social, para que possam perpetuá-lo no decorrer da vida adulta. Assim, a música consegue transformar ações e atitudes favoráveis para a vivência do ser humano em sociedade. Saiba mais Saiba mais Crescimento, maturação e desenvolvimento são termos que com frequência aparecem juntos, mas podem ser erroneamente vistos como sinônimos. É importante ter em mente que cada termo tem um significado próprio e se refere a atividades biológicas específicas. Estude as teorias de Piaget, Vygotsky (desenvolvimento cognitivo), Wallon e Skinner (aprendizagem), a partir do artigo a seguir:. As compreensões do humano para Skinner, Piaget, Vygotsky e Wallon: pequena introdução às teorias e suas implicações na escola. Psicol. educ. Ademais, acessem o site para saber sobre a escala de Apgar, teste que analisa na criança os seguintes pontos ao nascer: cor; frequência cardíaca; tônus muscular e respiração. Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA https://pepsic.bvsalud.org/pdf/psie/n29/n29a03 https://www.medicinaintensiva.com.br/apgar.htm A seguir, disponibilizamos também a escala para você analisar as características dos recém-nascidos com base nela, que surgiu da ideia da Professora Virginia Apgar e de um de seus alunos, em 1949, quando estabeleceram os cinco principais pontos para análise do R/N imediatamente após o parto, 5 minutos e 10 minutos, sendo publicada em 1953. Sugere-se que nota inferior a 6 possa significar sofrimento fetal importante. Tabela 1 | A escala de Apgar. Pontos 0 1 2 A -Appearance (aparência ) Cor Cianótico/Pálido Cianose de extremidades Rosado P - Pulse ( Pulso ) Freqüência cardíaca Ausente 100/minuto G - grimace ( careta ) Irritabilidade Reflexa Ausente Algum movimento Espirros/Choro A -Activity ( atividade ) Tônus muscular Flácido Flexão de pernas e braços Movimento ativo/Boa flexão R - respiration ( respiração ) Respiração Ausente Fraca, irregular Forte/Choro Fonte: MEDICINA INTENSIVA. Virginia Apgar – Medicina Intensiva Referências Referências FUBINI, Enrico. Estética da Música. São Paulo: Almedina Brasil, 2019. E-book. p.[SN]. ISBN 9789724421605. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724421605/epubcfi/6/16[%3Bvnd.vst.idref%3Dchap Acesso em: 17 jun. 2025. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil / Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. — Brasília: MEC/SEF, 1998. 3v.: il. Disponível em: https://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/volume3.pdf. Acesso em: 25 jun. 2025. PORTO, Alessandra Beggiato., SIERRA, Maria Florência. Crescimento humano. – Londrina : Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2018. 208 p. ISBN 978-85-522-0751-1 1. Disponível em: https://biblioteca- virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento- humano.pdf. Acesso em: 25 jun. 2025. Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9789724421605/epubcfi/6/16%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter7%5d!/4/22/1:374%5ba%5E%2C%20%2Cde%20 https://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/volume3.pdf https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento-humano.pdf https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento-humano.pdf https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/572-crescimento-e-desenvolvimento-humano.pdf POTT, Eveline Tonelotto Barbosa. Desenvolvimento humano I. – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019. 152 p. ISBN 978-85-522-1372-7. Disponível em: https://biblioteca-virtual-cms- serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/desenhum-1674474162236.pdf. Acesso em: 25 jun. 2025. TAKATSU, Mayra M. Artes, Educação e Música. Porto Alegre: +A Educação - Cengage Learning Brasil, 2015. E-book. pág.25. ISBN 9788522123735. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522123735/. Acesso em: 18 jun. 2025. Aula 3 Música e Interação Social Música e interação social Música e interação social A música como ferramenta de socialização torna-se um recurso imensurável no desenvolvimento das capacidades psicomotoras e psicossociais. Com trabalhos direcionados a partir da música, focando na coletividade para que sejam contempladas, necessita-se de maior integração entre os ritmos musicais, com ações inclusivas e efetivas no ambiente escolar e social. Faça o download do arquivo Ponto de Partida Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/desenhum-1674474162236.pdf https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/desenhum-1674474162236.pdf https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522123735/ https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/cc54a05f-8811-4abf-af4d-d6a898e076be/cc54a05f/b5ce13de-77dd-56b2-8d4e-edb18df359ab.pdf Ponto de Partida A partir dos estudos a serem abordados no decorrer desta aula, compreenderemos melhor sobre a capacidade que a música exerce na vida do ser humano, e como o potencial psicomotor e psicossocial torna-se um trabalho intrínseco, a partir de sentimentos, atitudes, competências, interações e outras, possibilitando que crianças, jovens e adultos possam fazer parte do contexto social de forma coletiva, expressando sua cultura, oportunizando sua comunicação através da arte e da música, as quais geram grande poder de identificação, integração e gerando possibilidades de mudanças sociais em cada meio e ou cultura que estejam inseridas. A coletividade traz para o ser humano a possibilidade de transformação e respeito a cada cultura, e a cada um que faça parte daquela sociedade em que ele esteja inserido, permitindo levar sua cultura a todo o mundo, expressando suas características, seus desejos, seus sentimentos e suas ações. O meio onde cada ser humano vive se torna relevante para que a sociedade saiba como cada cultura se comporta e quais são as possibilidades de diversificações que possam ocorrer. Explorar as formas e os recursos da música transforma vidas, sociedades e traz a coletividade como centro de discussões, em que o interesse comum pode dar espaço a toda uma sociedade, a partir da qualidade dos trabalhos realizados com a música, indo desde sua produção até sua reprodução, além das variadas interpretações e dos variados ritmos que essa música pode oferecer à sociedade. Assim, a coletividade se faz importante, podendo abranger diversas pessoas e camadas da sociedade, em que a sensação de pertencimento é obtida a partir da essência e do respeito a cada gênero e/ou ritmo musical, seja de forma individualizada ou grupal. A grande problematização da música está nos valores aplicados a cada um que a escuta e/ou interpreta, pois a valorização individual, muitas vezes, é o ponto de partida de incoerências sociais, em que discussões e desrespeito ao próximo tornam-se habituais, por não se respeitar o gênero ou o ritmo que cada indivíduo aprecia. A coletividade se dá a um bem comum, em que, de forma abrangente, aquele ritmo ou gênero pode atingir de alguma forma o outro, não de maneira imposta pela sociedade, mas sim a partir de uma musicalização desta, com diversos ritmos e gêneros, sendo apresentados ao público que tem o livre arbítrio de eleger suas preferências. Escolhas advém da apresentação e da busca de sua identidade, assim como se reconhecer a partirdaquele gênero musical, por isso a vivência musical se faz relevante para a sociedade, e suas preferências podem se dar nos entretenimentos, no lazer, como forma de diversão e nas celebrações em seu contexto social. A partir desses levantamentos, o que se percebe na sociedade é que as escolhas musicais são respeitadas atualmente, ou ainda existem imposições, tanto na comunicação quanto na cultura e ou na identidade de cada um? Existe uma mudança social? Vivemos em uma sociedade na qual há respeito ao gosto e ao ritmo musical do outro, ou ainda observamos ações em que o outro terá ou deverá aceitar o que nos agrada, ainda que seja algo de que ele não realmente goste? Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA A música transforma e transcende gerações e gerações, povos e culturas milenares. Arte e cultura são integradas a partir da vivência de cada ser humano e de como cada cultura e arte são apresentadas à sociedade. Por isso, temos uma diversidade de gêneros e de ritmos musicais que atravessam gerações, nos ensinando, a cada novo ou antigo gênero ou ritmo, que tudo pode ser inserido em cada sociedade, e que cada princípio deve ser respeitado. Assim, a música tem grande poder de influenciar sociedades e gerações. Vamos Começar! Vamos Começar! Dentro de todo processo histórico direcionado à música, percebe-se que existe uma poderosa ferramenta de transformação na mudança social, estabelecendo vínculos e culturas, desafiando a todos para possíveis mudanças. A transformação começa a aparecer através da música, quando ela é inserida na vida do ser humano desde a primeira infância, mas pode-se ressaltar que desde a vida intrauterina, e principalmente ao final da gestação, a sensibilidade se torna ainda maior, possibilitando ao bebê as sensações sentidas pela mãe. Boas experiências sempre serão bem-vindas para o crescimento do ser humano de forma integral. Nos estudos de Porto e Sierra (2018, p. 17), eles descrevem o processo de crescimento humano, destacando que: Condição socioeconômica, contexto familiar, ambiente social, contexto climático, cultura e contexto geofísico são outros fatores ambientais que podem interferir no processo de crescimento humano, pois criam diferentes circunstâncias, às quais o organismo deve reagir gerando respostas adaptativas. Essa capacidade adaptativa do nosso organismo representa a plasticidade do indivíduo para modificar-se e gerar respostas de acordo com as circunstâncias ambientais nas quais estamos inseridos durante o processo de crescimento (FERREIRA, 1987; LASKER, 1969 apud PORTO; SIERRA, 2018, p. 17). A música exerce um papel relevante na sociedade, em que esta e a cultura se misturam a partir de pontos de vista e ideologias abrangentes. Buscando na música formas de inserção, integração, inclusão e tantas outras maneiras de diversidade e reconhecimento humano, de estar e ser presente e se sentir pertencente à sociedade em que vive. Podemos abranger inserções a partir da música como manifestação cultural através da comunicação, e também como forma de entretenimento, bem como recurso educacional, entre outras integrações, em que o ser humano consegue se sentir parte daquela sociedade na qual está inserida. O papel da música na sociedade vem se desenvolvendo desde a pré-história, em que o ser humano vem construindo na sociedade e na cultura a qual pertence e/ou se sente parte, valores e crenças a partir dos grupos construídos e criados com ideais semelhantes, ou completamente diferentes, por muitas vezes em um ambiente restrito. Porém, a música tem o grande poder de, mesmo em espaços restritos, ter vários Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA ritmos, sons e acordes diferentes, mas que convivem em harmonia. “Como isso é possível?”, você devem estar se perguntando... Pense como a música transforma cada ambiente, vamos a exemplos claros, como um quarto, uma cozinha e uma sala. Agora, pense que, em cada ambiente descrito, cada pessoa esteja escutando uma música diferente. Vamos aumentar essa vivência, imaginando que existem shows de diversos estilos musicais, e que cada pessoa tem o livre arbítrio de escolher o que gosta e quer escutar. O que torna a música uma forma de ferramenta para que haja socialização é onde e como cada espaço é respeitado, e no qual cada ser humano possa respeitar o espaço do outro sem interferir ou obrigar a pessoa a conviver de modo desrespeitoso com aquele estilo ou ritmo musical. O que deve ser respeitado para viver em sociedade são os imites entre a liberdade e a libertinagem, ou seja, somos livre para ir, vir e ouvir o que quisermos, mas não somos obrigados a ter que fazer nosso semelhante ir, vir e/ou ouvir aquilo que não o agrade. Cada ouvido, cada coração e cada emoção pode e deve ser manifestado a partir da liberdade, por isso a libertinagem pode ser um grande problema, que também afeta parte da sociedade, onde a pessoa não tem senso de responsabilidade e limite, muitas vezes invadindo o espaço do outro de forma descabida e nada ética, fazendo o que quer sem pensar nas consequências. A música desempenha várias funções na sociedade, atuando como uma ferramenta multifacetada com diferentes propósitos. Uma das funções mais evidentes é a de entretenimento. Músicas são utilizadas em festas, celebrações e eventos sociais para divertir e entreter as pessoas. Outra função importante é a comunicação. Através da música, é possível transmitir mensagens e ideias de maneira eficaz. Canções de protesto, por exemplo, têm sido utilizadas em movimentos sociais para expressar descontentamento e buscar mudanças políticas e sociais. Além disso, a música tem um papel educacional. Canções educativas são frequentemente usadas para ensinar crianças sobre conceitos básicos, como o alfabeto, números e valores morais. Na educação formal, a música é utilizada para desenvolver habilidades cognitivas e emocionais, como a memória, a concentração e a empatia. Outra função significativa da música é a terapia. A musicoterapia é uma prática reconhecida que utiliza a música para tratar condições físicas, emocionais e mentais, ajudando na recuperação de pacientes e na melhoria da qualidade de vida (ORIGINAL TEACHY, 2025). O círculo social em que cada ser humano está inserido tem grande relevância no seu desenvolvimento, seja ele comportamental, cultural, motor e/ou social. A música como ferramenta no processo de socialização será fundamental para o trabalho que será desenvolvido pelos profissionais, principalmente no contexto educacional. As escolas têm papel importante no crescimento e na evolução da criança, pois, na inserção de cada disciplina, se faz necessário o conhecimento e a capacitação do professor, que deve estar preparado não somente com as pautas musicais, mas também sobre a cultura que permeia seus alunos, para que todos os gêneros musicais sejam trabalhados. Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Fazendo um paralelo entre música e trabalho coletivo, começamos com o pensamento de que a convivência musical se faz relevante dentro da sociedade. Partindo do pressuposto que a música, unida ao coletivo, acontece a partir do convívio musical elaborado e trabalha da forma sistêmica, ou seja, de maneira organizada, em que haja uma melhoria no ambiente que está sendo trabalhado, e de modo harmônico, visando desde à criação até os resultados dessa criação, assim como a elaboração do conhecimento com metodologias diversificadas, tanto dentro da realidade, como na imaginação e nas mudanças, de acordo com o ambiente e a necessidade de cada um, focando o todo. A convivência musical unida ao trabalho coletivo se inicia a partir da colaboração de profissionais como músicos, professores e outros. O ambiente de trabalho torna-se essencial para que haja maior diversidade, para que o processo de criação musical aconteça de forma harmoniosa e motivando todos os envolvidos. A elaboração de trabalhos voltados à convivência musical estão se tornando mais viáveis dentro do sistema educacional, onde a adesão a essa formade ensino a cada dia recebe mais adeptos e profissionais. Percebe-se, que mesmo com leis que regem a aplicabilidade das artes, em que a música é beneficiada, ainda existem escolas que não aplicam dentro da sua grade curricular essa disciplina. Então, como a música pode ser parte relevante do processo educacional, se o sistema educacional não está preparado para lecioná-la? Qual o valor da capacitação de professores e profissionais, envolvidos no sistema educacional, para que a música consiga ter uma relação com a coletividade, por meio da convivência com ela na comunidade educacional? Se a música é um agente transformador e formador dos seres humanos, a partir do real, do irreal e da criação, percebe-se que existe uma real necessidade de formação e investimento de profissionais que trabalhem com ela, pois a musicalidade consegue trazer para o sujeito maior poder de criação e o desenvolvimento de trabalhos em equipes, ou seja, a coletividade começa a fazer parte de um cotidiano escolar, que poderá compor em sua rotina diária o que é apresentado na convivência musical. Existem diversos gêneros musicais, e torna-se relevante sabermos como alguns deles começaram a emergir no mundo, já que cada um tem sua peculiaridade, em que a forma de expressão e os comportamentos são exaltados a partir de cada cultura, surgindo de forma coletiva e com o convívio musical de determinada sociedade. Portanto, em linhas gerais, o que se chama de “música popular” emergiu do sistema musical ocidental tal como foi consagrado pela burguesia no início do século XIX, e a dicotomia “popular” e “erudito” nasceu mais em função das próprias tensões sociais e lutas culturais da sociedade burguesa do que por um desenvolvimento “natural” do gosto coletivo, em torno de formas musicais fixas. A questão da música popular deve ser entendida e analisada dentro do campo musical como um todo, vista como uma tendência ativa (e não derivada e menor) deste campo (Middleton, 1997, p. 7). Está me parece uma premissa Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA importante que deve nortear os trabalhos sobre música popular, principalmente na área de história e sociologia. Deve-se buscar a superação das dicotomias e hierarquias musicais consagradas (erudito versus popular) não para “elevar” e “defender” a música popular diante da música erudita, mas para analisar as próprias estratégias e dinâmicas na definição de uma e outra, conforme a realidade histórica e social em questão (NAPOLITANO, 2005, p. 4). Ressalta-se que existem diversas abordagens, e a música popular torna-se um gênero musical que destaca a criatividade de cada cultura, advinda de processos históricos e culturais locais de cada população, para que exista um progresso, não um regresso, da convivência musical em busca do trabalho coletivo. De acordo com os estudos de Napolitano (2005, p. 8), o autor faz uma descrição sobre o conhecimento da música, associando a outras atividades, em que se percebe a importância do estímulo musical: Com isto não nos referimos a um regresso do ouvinte a uma fase anterior ao próprio desenvolvimento, nem a um retrocesso no nível coletivo geral [...] o que regrediu e permaneceu num estágio infantil foi a audição moderna. Os ouvintes perdem com a liberdade de escolha e com a responsabilidade não só a capacidade para um conhecimento consciente da música – que sempre constitui prerrogativa de pequenos grupos – mas negam com pertinácia a própria possibilidade de se chegar a um tal conhecimento. Flutuam entre o amplo esquecimento e o repentino reconhecimento, que logo desaparece de novo no esquecimento. Ouvem de maneira atomística e dissociam o que ouviram, porém desenvolvem, precisamente na dissociação, certas capacidades que são mais compreensíveis em termos de futebol e automobilismo do que com os conceitos de estética tradicional [...] regressivo é, contudo, também o papel que desempenha a atual música de massas na psicologia das suas vítimas. Estes ouvintes não somente são desviados do que é mais importante, mas confirmados em sua necessidade neurótica [...] juntamente com o esporte e o cinema, a música de massas e o novo tipo de audição contribuem para tornar impossível o abandono da situação infantil geral. (ADORNO, 1996, p. 89 apud NAPOLITANO, 2005, p. 8). O autor, ainda, expõe uma passagem relevante dentro da música popular no Brasil, descrevendo um dos grandes laboratórios musicais do nosso país de criação coletiva, nomeando o samba como um estilo criado por um coletivo de músicos frequentadores da casa baiana Hilária Batista de Almeida, como se descreve a seguir: Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA A famosa casa da baiana Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, foi um dos laboratórios musicais desta síntese (Moura, 1983; Wisnik, 1983). Mas, se a Casa da Tia Ciata era o pólo coletivo da criação musical, quando Donga registrou a música “Pelo Telefone”, colocando-lhe o rótulo de “samba”, ele realizou um gesto comercial e simbólico a um só tempo : comercial porque registrava uma música que reunia elementos de circulação pública, e simbólico na medida em que tanto o registro de autoria (na Biblioteca Nacional em 1916) quanto o fonográfico (com o selo Odeon, em 1917) permitiam uma ampliação do círculo de ouvintes daquela música para “além do grupo social original” (DONGA, depoimento ao Museu da Imagem e do Som, em 1967 apud NAPOLITANO, p. 16). Registros históricos tornam-se relevantes nesse processo de reconhecimento do trabalho coletivo a partir da convivência musical, fortalecendo a criação e a elaboração de estilos e gêneros musicais como uma identidade, para ritmos e estilos, favorecendo vários grupos de pessoas e o respeito a cada cultura musical. A música favorece o trabalho coletivo porque a convivência musical proporciona o afeto, a partir da identificação de grupos, pessoas, gêneros, criando vínculos a partir do contexto social em que estejam inseridos, viabilizando o processo criativo e o sentido de coletividade, no qual a identificação cultural começa a ser formada e compreendida. A proposta de ensino musical coletivo, através do canto coral nos espaços não-formais, tem se consolidado a partir dos trabalhos de pesquisadores que têm dedicado seus estudos e análises com base em suas experiências educativas-musicais nesses espaços. Através do trabalho desenvolvido na comunidade do Cantagalo e Pavão Pavãozinho, a autora, Maria José Chevitarese (2007), sintetiza em sua tese de doutorado, que o canto coral pode ser apresentado como um agente de transformação sociocultural e que se configura como uma prática educativa eficaz (LOPES; MARTINS, 2023. Começamos este tema sobre vivências musicais inclusivas abordando o Art. 6º da nossa constituição de 1988, comentada por Melo (2018), onde se destacam os direitos sociais “à educação, à saúde, à alimentação, ao trabalho, à moradia, ao transporte, ao lazer, à segurança, à previdência social, à proteção à maternidade e à infância, à assistência aos desamparados, na forma dessa Constituição” (BRASIL, 1988, apud MELO, 2018, p. 29). A vivência musical acontece com as experiências vividas a partir dos sentidos, sejam eles auditivo, visual, tátil, olfativo ou pelo paladar. Mas, você deve estar se perguntando, como os cinco sentidos são vivenciados na música? Respondendo de forma simples e direta, tudo vem a partir das memórias, sejam Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA elas auditivas, visuais ou táteis, que remetem a sons já conhecidos ou a novos sons que ficam armazenados em nosso consciente e no subconsciente, assim como aprendendo a tocar, ou simplesmente vivenciando novos instrumentos e/ou percussões. As vivências musicais do olfato e do paladar estão, muitas vezes, relacionadas às memorias, e direcionadas a momentos específicos, em que, ao ouvir a música ou comer um alimento, o sujeito é remetido à comida da mãe, ou a um local e/ou momento específico. Na realidade, na vivência musical, ocorre uma interação entre o presentee o passado, onde existe ou existiu uma integração tanto psicomotora como psicossocial, ou seja, há participação ativa das pessoas envolvidas no momento. A educação faz parte do cotidiano do ser humano e, vislumbrando esse acesso à educação para todos, podemos ressaltar que as vivências musicais inclusivas fazem com que crianças, jovens e adultos consigam evoluir de forma construtiva, em que o processo de criação, imaginação e interpretação farão parte do seu desenvolvimento como um todo. A Lei nº 13.146/2015, que alterou radicalmente a disciplina sobre a capacidade dos deficientes físicos ou intelectuais para a realização de atos jurídicos na vida civil. Apoiado numa nova compreensão inclusiva de pessoas com características diferentes, o legislador resolver confiar no próprio discernimento do deficiente intelectual para ele exercer a sua personalidade e individualidade da forma que ele próprio julga mais adequada para si. Isso porque, ao invés de se preocupar com a questão patrimonial, o legislador agora prioriza a dignidade da pessoa humana do deficiente, que pode e deve fazer atos que julga serem importantes para si (MELO, 2018, p. 75). Amato (2007) compreende a prática coral como um espaço que também proporciona motivação, inclusão social e integração. A autora entende que esse trabalho proporciona o desenvolvimento de diversas práticas musicais, tais como orientação vocal, ensino de leitura musical, solfejo e rítmica (LOPES; MARTINS, 2023). A música está inserida em nosso dia a dia, mas aos focarmos em sua ação/função, dentro da infância, é possível perceber que a música é um elemento que acompanha parte relevante das atividades realizadas, como as canções, danças, jogos e brincadeiras populares (Brito, 2019). Diante disso, há possibilidade de transformar essas práticas em processos educacionais organizados e propositivos. Isso se dá por meio de um largo referencial teórico aliado a um processo educativo que direcione as mais adequadas escolhas metodológicas, de uma boa estruturação, essas ações podem ser eficazes para o desenvolvimento da vivência musical (LOPES; MARTINS, 2023). Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA A música pode atuar como facilitadora de diversas aprendizagens na educação de crianças com NEE, podendo auxiliá-las no processo de desenvolvimento cognitivo, motor, na oralidade, na socialização, no respeito, entre outros. “A maneira de direcionar e propor a atividade é que muda, e não o modo de tratar o aluno que tem necessidades educacionais especiais. Assim, todos se beneficiam e aprendem. Assim, todos são incluídos!” (LOURO, 2010, p. 24). De acordo com os estudos de Castells (2000), a própria contemporaneidade pode ser definida pelo “estar em rede”. Redes constituem uma nova morfologia social das sociedades, cuja lógica das suas próprias dinâmicas modifica, de forma substancial, a operação e os resultados dos processos produtivos e de experiência, poder e cultura (KLEBER, 2012, p. 33). A música, fazendo parte do cotidiano escolar desde as séries iniciais (na educação básica), proporcionará para a criança uma infinidade de experiências de todo o mundo, pois sempre fez parte de diversas manifestações culturais através de rituais, festas, cerimônias e outros eventos, desde a Pré-história. Quando a música está inserida no contexto escolar, a vivência musical se torna parte de uma rotina diária. Para Silva (2015, p. 10), a educação musical tem como uma de suas principais funções a interação e a integração social dos indivíduos, pois contatamos uma aceitação coletiva relevante em nossas práticas. Entretanto, entendemos que a música, mesmo com seu caráter lúdico e dinâmico, não resolve a inclusão dos alunos com NEE. Siga em Frente... Siga em Frente... As vivências musicais inclusivas fazem parte de um processo que está crescendo a cada dia no contexto escolar, proporcionando a todos os alunos um maior convívio afetivo, social, motor e cognitivo entre os alunos, o que traz à memória do aluno momentos únicos, prazerosos em relação à vivência musical com seus amigos e conhecidos. A forma como as amizades acontecem e como são vivenciadas costuma variar bastante. Algumas pessoas são mais tímidas e estabelecem vínculos com um ou dois amigos com quem convivem mais. Já outras têm vários amigos e costumam ser populares e conhecidas por todos na escola. Quando lembramos dos nossos amigos e amigas, percebemos que cada um deles possui um jeito – suas características são únicas! (SILVA; GARCEZ, 2019, p. 28). As autoras Silva e Garcez (2019) ainda ressaltam o quão importante são os alunos para o desenvolvimento e a evolução do professor, para que possamos sempre refletir sobre nossa atuação. Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA No dia a dia, quando nos relacionamos com estudantes ou colegas educadores com deficiência, sabemos que aquela característica não diz tudo sobre aquela pessoa, nem a cor da sua pele, nem a cor dos seus olhos, nem a informação do lugar de onde ela nasceu. Essas são apenas primeiras informações. A convivência e a interação que fazemos, por exemplo, na escola, promovem conhecimento mútuo e possibilitam questionar alguns estereótipos e não nos contentarmos com eles (SILVA; GARCEZ, 2019, p. 32). Vamos Exercitar? Vamos Exercitar? O compromisso social do educador musical, ou mesmo da própria área, está relacionado com a problematização do acesso aos bens culturais, não somente pensados como memória, criação ou práticas coletivas espontâneas, mas, antes, como conhecimento produzido e significativo (KLEBER, 2012, p. 30). Vamos ressaltar a importância do professor/profissional que irá trabalhar com a música na escola, sendo que, para pessoas com deficiência, é requerido ainda mais atenção, pois ele deverá ter acesso aos laudos do aluno para maiores informações sobre a existência de restrições, o uso de medicamentos controlados e outros cuidados. Torna-se de grande importância obter essas informações antes de trabalhar com o aluno, pois existem algumas deficiências que podem gerar crises convulsivas, crises de ansiedade, agressividade, excesso de afeto e outros sintomas e/ou características. Por esses motivos, o cuidado com o aluno sempre será o ponto de partida da aula. Saiba mais Saiba mais O documento Estudo exploratório sobre o professor brasileiro, publicado pelo Ministério da Educação em 2009, é revelador das dificuldades que as escolas brasileiras terão para cumprir a lei 11.769, que torna novamente obrigatório o ensino da Música, a partir de 2011 (KELLEN, 2012, p. 32). Melo (2018, p. 76) aborda claramente em seu trabalho o processo de reconhecimento de o Estado brasileiro assumir um compromisso em âmbito internacional, por meio da Convenção de Nova Iorque (2007), para alterar o tratamento dispensado às pessoas com deficiência; o Congresso Nacional promulgou, em julho de 2015, a Lei nº 13.146, denominada Estatuto da Pessoa com Deficiência (EPD). Esse conjunto normativo alterou o Código Civil de 2002, mais nomeadamente as disciplinas referentes à capacidade civil e à curatela. Observe um trecho do texto legal, presente no estudo de Melo (2008, p. 76): Disciplina ARTE E MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Art. 2º - Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. De acordo com a coletânea TEA (2020, p. 4), muitas vezes, nossos alunos com ou sem deficiência precisam que o professor construa uma ponte entre cada ação, entre pessoas e atitudes. E as artes, através da música, proporcionam essa construção de valores e afeto. Sugerimos que leia o poema abaixo e interprete-o. Construa-me uma ponte Eu sei que você e eu Nunca fomos iguais. E eu costumava olhar para as estrelas á noite E queria saber de qual delas eu vim. Porque eu pareço ser parte de outro mundo E eu nunca