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DIREITO CIVIL V Prof. Bruno Martins PRINCIPIOLOGIA DO DIREITO DE FAMÍLIA O Direito de Família é o mais humano de todos os ramos do direito e em razão disto, e também pelo sentido ideológico e histórico de exclusões, é necessário pensá-lo atualmente com a ajuda e pelo ângulo dos direitos humanos, cuja base e ingredientes estão diretamente relacionados à noção de cidadania. Carlos R. Gonçalves PRINCÍPIOS DO DIREITO DE FAMÍLIA I- DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA II- AFETIVIDADE III- SOLIDARIEDADE FAMILIAR IV- FUNÇÃO SOCIAL DA FAMÍLIA V- CONVIVÊNCIA FAMILIAR VI- INTERVENÇÃO MÍNIMA DO ESTADO NO DIREITO DE FAMÍLIA VII- PLENA PROTEÇÃO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE VIII- IGUALDADE ENTRE OS FILHOS IX- IGUALDADE ENTRE OS CÔNJUGES E COMPANHEIROS DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Com fundamento na própria dignidade da pessoa humana, poder- se-á falar também em um direito fundamental de toda pessoa humana a ser titular de direitos fundamentais que reconheçam, assegurem e promovam justamente a sua condição de pessoa (com dignidade) no âmbito de uma comunidade. Aproxima-se desta noção embora com ela evidentemente não se confunda o assim denominado princípio da universalidade dos direitos fundamentais. Ingo Sarlet AFETIVIDADE O afeto é a mola propulsora dos laços familiares para dar sentido e dignidade à existência humana. Nos vínculos de filiação e parentesco a afetividade deve estar sempre presente, pois os vínculos consanguíneos não se sobrepõem aos liames afetivos, ao contrário, a afetividade pode sobrepor-se aos laços consanguíneos. Rolf Madaleno INTERVENÇÃO MÍNIMA DO ESTADO Ao Estado, assim como à Igreja, compete em grau a um só tempo eminente e inabdicável reconhecer a família. Reconhecer a família, contudo, não é apenas abrir-lhe espaço nas constituições e nos códigos, para, depois, sujeitá-la a regras de organização e funcionamento. É, antes, assegurar sua faculdade de autonomia e, portanto, de auto-regramento. O casamento e a família só serão o espaço do sonho, da liberdade e do amor à condição de que os construam os partícipes mesmos da relação de afeto. João Baptista Villela PROTEÇÃO DA CRIANÇA E ADOLESCENTE A constituição Federal de 1988 é clara ao conferir a todos, tanto à família quanto ao estado, o dever de cuidado para com os menores. Nesse sentido é o artigo 227: É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 Assim, a legitimidade do estado para intervir no âmbito das relações familiares é conferida pela própria Constituição, de forma que é necessária na medida em que busca garantir direitos à crianças e adolescentes, fiscalizar a atuação da família e evitar abusos por parte desta. https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 CONCEITO E NATUREZA JURÍDICA DO CASAMENTO O doutrinador Paulo Lôbo vislumbra o casamento como “um ato jurídico negocial, solene, público e complexo, mediante o qual um homem e uma mulher constituem família por livre manifestação de vontade e pelo reconhecimento do Estado”. Em relação à natureza jurídica, o casamento é instituto de Direito Privado com natureza de contrato especial de Direito de Família, que necessita de consentimento e está sujeito a peculiaridades previstas na legislação. Tanto é assim que a autoridade competente para a celebração do casamento, somente o declara concluído e apto a produzir efeitos jurídicos após a manifestação de vontade positiva dos nubentes. PROMESSA DE CASAMENTO: O NOIVADO E RESPONSABILIDADE CIVIL POR SUA RUPTURA A ruptura da promessa de casamento pode gerar dano moral ou material indenizável, dada a responsabilidade extracontratual do agente. É extracontratual por não haver ainda o matrimônio, este sim com natureza jurídica de contrato especial de Direito de Família. A desistência do casamento, portanto, é possível, mas é necessário, em nome do princípio da eticidade, fazê-lo da forma menos danosa possível. INTRODUÇÃO AO DIREITO DE FAMÍLIA E NOÇÕES SOBRE CASAMENTO Formas especiais de Casamento: Casamento por procuração (art. 1.542 do CC) Casamento Nuncupativo (art. 1.540 do CC) Casamento religioso com efeitos civis Casamento em caso de moléstia grave (art. 1539 do CC) Casamento celebrado fora do País, perante autoridade diplomática brasileira (art. 1.544 do CC) Casamento celebrado fora do País, perante autoridade estrangeira CAPACIDADE, HABILITAÇÃO E CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO CAPACIDADE PARA O CASAMENTO PROCESSO DE HABILITAÇÃO PARA O CASAMENTO CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO CONCEITO Casamento é a união legal entre duas pessoas, com o objetivo de constituírem a família legítima. Reconhece o efeito de estabelecer comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges. A celebração do casamento é gratuita, porém, podem ser cobrados selos, emolumentos e custas para a habilitação, o registro e a emissão da certidão. Entretanto, perceba que existe, no Direito Brasileiro, a possibilidade de pessoas reconhecidamente pobres se casarem independentemente do pagamento de emolumentos do cartório. O Código Civil, em seu artigo 1.512, parágrafo único, assegura às pessoas cuja pobreza for declarada, o direito à isenção de emolumentos e despesas para o casamento, registro e primeira certidão. CAPACIDADE CAUSAS IMPEDITIVAS DO MATRIMÔNIO Não basta ser maior ou ter idade núbil para a pessoa se casar. É necessário, ainda, que ela esteja desimpedida. Com os impedimentos, objetiva a lei compatibilizar o casamento com valores cultivados pela espécie humana, alguns deles desde a pré-história, como a proibição do incesto. Outros valores da sociedade ocidental de raízes europeias, como a monogamia, também são prestigiados pelas normas sobre impedimentos matrimoniais. Art. 1521 do CC. Caso algum impedimento acima seja desrespeitado, o casamento será considerado nulo. Art. 1.522 do CC. CAUSAS SUSPENSIVAS DO MATRIMÔNIO Causas suspensivas são as que impedem a livre escolha, pelos nubentes, do regime de bens do casamento. Ou seja, o casamento pode ocorrer, mas a lei impõe a utilização do regime de separação de bens. Art. 1.523 do CC. Os incisos I, III e IV destinam-se a evitar a confusão patrimonial. Se o divorciado, por exemplo, pudesse casar-se em regime de comunhão, antes de partilhados os bens que tinha em comum com o ex-cônjuge, isso poderia dificultar a identificação do patrimônio deste e do novo cônjuge. Daí a obrigatoriedade do regime de separação. PROCESSO DE HABILITAÇÃO DO CASAMENTO O casamento compreende duas etapas, sendo a primeira a da habilitação. Nela, após o requerimento dos noivos, o oficial do registro civil providencia a publicação dos proclamas, mediante a afixação do edital nos cartórios (das circunscrições dos domicílios dos dois pretendentes) e publicação pela imprensa, se houver. Também na fase de habilitação podem-se processar as oposições, fundadas em impedimento ou causa suspensiva. Arts. 1525 a 1532 do CC. CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO A cerimônia do casamento, que deve ocorrer num prédio de portas abertas, é marcada por algumas falas sacramentais. Depois de cada contraente manifestar de modo claro sua livre e espontânea vontade de casar, o celebrante os declara solenemente casados. Proferidas es- sas falas, o ato está consumado. arts. 1533 a 1542 do CC.