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Elementos Básicos do Planejamento de Transportes Olá, estudante, bem-vindo(a) à segunda Unidade. Nesta primeira aula, falaremos sobre os elementos básicos do planejamento de transportes. Continue os estudos desta disciplina e boa aula! Aula 01 VÍDEO Olá, estudante! Para assistir a esse vídeo, acesse a versão web do seu material didático. 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-2/aula1 1/8 Como vimos na Unidade anterior, um dos campos de abrangência da Engenharia de Transporte é o planejamento de transportes. E esta é uma tarefa complexa, pois o transporte não pode ser encarado de forma isolada. O primeiro questionamento que nos fazemos é: o que é planejamento? Ferrari (1991) define o processo de planejamento como um método de aplicação, contínuo e permanente, que tem por função resolver, de forma racional, os problemas que afetam determinada sociedade, situada em um espaço, em determinada época, por meio de uma previsão ordenada capaz de antecipar suas consequências. Assim, o planejamento pode ser encarado como uma ferramenta que possibilita entender a realidade, avaliar as alternativas e construir perspectivas, estruturando meios adequados para atingir um objetivo pré-determinado. Ou seja, o processo de planejamento determina as ações no tempo e antecipa resultados. Planejamento é processo, pois é uma atividade contínua, dinâmica e retroalimentada. Trata-se de um conjunto de passos visando atingir uma meta, perpassando a tomada de decisões antecipadas, estabelecimento de objetivos e definição de meios para atingi-los. O planejamento é caracterizado por: um agente (planejador); insumos (informações oriundas de fontes primárias, secundárias ou experiência acumulada); técnica (processamento das informações); e produtos (propostas de intervenção e formas de operacionalizá-las). Para a garantia de efetividade e eficiência de um planejamento, este deve buscar ser: integrado (consideração de impactos no conjunto); participativo (colaboração de diversos grupos); contínuo (em permanente revisão); e coordenado (integração entre os agentes envolvidos). Em se tratando do planejamento de transportes, este objetiva definir medidas ou estratégias para adequar a oferta de transporte com a demanda existente ou futura. É a técnica de intervenção sobre o desenvolvimento urbano que irá permitir os deslocamentos de pessoas e bens. Também 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-2/aula1 2/8 pode ser entendido como a atividade que define a infraestrutura necessária para garantir a circulação de pessoas e cargas, além da organização dos sistemas de transporte (CAMPOS, 2013 ; ANTP, 1997; VASCONCELLOS, 2000). O planejamento de transportes tem abrangência sistêmica ou setorial, atingindo os níveis estratégico, tático e operacional, sendo executável em curto, médio ou longo prazo. A necessidade de adequar e propor soluções para melhoria dos sistemas de transporte não é recente. Roma Antiga, por exemplo, sofria com consideráveis congestionamentos, o que levou o governo romano a proibir o trânsito de carroças e carruagens em toda a cidade antes das 15 h (VANDERBILT, 2009). Essa medida pode ser considerada como resultante de um planejamento com foco na redução de congestionamentos na capital antiga e garantia de condições de fluidez. Nos dias atuais, com a alta taxa de motorização e dependência de veículos individuais, é cada vez mais frequente a necessidade por um planejamento de transportes mais assertivo e direcionado ao atendimento dos anseios dos usuários. Um passo fundamental para um planejamento adequado, segundo Campos (2013), é a estimativa da demanda de transporte. Esse dado é imprescindível para a definição de alternativas de transporte e a escolha de medidas mais adequadas a serem implantadas com vistas ao atendimento das necessidades da população de determinada localidade. Por meio de métodos de projeção ou modelos de planejamento de transporte, faz-se a estimativa da demanda. A partir disso, busca-se modelar o comportamento da demanda e, então, definir as alternativas mais adequadas para as características da região em análise. Como o comportamento da demanda de transporte está associado às atividades desenvolvidas pela população, o processo de planejamento de transportes deve estar inserido num planejamento regional mais amplo e voltado para as necessidades e desenvolvimento atual e futuro da região. Níveis de Planejamento Para Pereira (2005), o planejamento pode ser dividido em três níveis: estratégico, tático e operacional, a depender do nível de tomada de decisão. SAIBA MAIS Clique aqui e confira uma reportagem que evidencia a importância do planejamento de transportes no cenário brasileiro. Confira! 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-2/aula1 3/8 http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2016/08/11/interna_cidadesdf,544058/planejamento-pode-superar-perdas-financeiras-do-transporte-rodoviario.shtml Nível estratégico O nível estratégico é responsável pela definição das expectativas de resultados e horizontes de tempo para realização. Nesse nível, o planejador se interessa com as ações de longo prazo. O planejamento de transportes de uma região enquadra-se dentro deste nível de planejamento (CAMPOS, 2013). Pode ser caracterizado pela seguinte pergunta: “O que fazer?”. Carter e Homburger (1978) destacam que o objetivo do planejamento estratégico de transportes é desenvolver programas que permitam o desenvolvimento de sistema integrado de transportes, com operação e gerenciamento otimizados. Esse planejamento deve ter em consideração os usos do solo atuais e futuros, bem como os requisitos resultantes de viagens para o movimento de pessoas e bens durante um horizonte de 20 a 25 anos em níveis de serviço aceitáveis e compatíveis com os recursos financeiros da comunidade. O plano deve ainda ter em conta as vocações e metas da região e as políticas do estado e do país. O ponto de partida desse planejamento é o conhecimento dos desejos de deslocamentos dos cidadãos, o que possibilitará estabelecer relações entre o número de viagens realizadas pela população e outras variáveis explicativas, de maneira que, mediante as projeções para o ano de projeto, seja possível inferir os desejos de deslocamentos no futuro (GERMANI et al., 1973; CAMPOS, 2013). No planejamento estratégico, são necessárias, em geral, pesquisas de uso do solo, tempos de viagem, população, fatores econômicos, recursos financeiros, facilidades de transporte e legislação, além de pesquisas de origem e destino (OD) e contagens de tráfego em pontos estratégicos da área analisada (CAMPOS, 2013). Os Planos de Mobilidade Urbana, obrigatórios para municípios com mais de 20 mil habitantes e que devem se basear na Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), são exemplos de planejamento estratégico. Nível tático No nível de planejamento tático (ou nível de projeto), o desafio do planejador é apontar os caminhos para a consecução dos resultados desejados no nível estratégico e, ainda, subsidiar sua implementação. Nesse tipo de planejamento, põem-se perguntas relativas às tarefas já determinadas, tais como: “Quem? Quando? E onde? Ou doutra forma, como fazer?” fazer?” ( BERNARDES, 2001; SOUSA et al., 2010). Nesse nível, também denominado nível de projeto, normalmente são realizadas análises de médio e longo prazo. São exemplos de tarefas desse nível: elaboração de projetos de sinalização, projetos de controle eletrônico de tráfego, projeto geométrico de vias (determinação de largura de faixas, declividade da via, largura de calçadas, ciclovias, etc.), entre outros (CAMPOS, 2013). 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-2/aula14/8 As tarefas deste nível de planejamento podem ser resultantes das diretrizes do planejamento estratégico ou podem ser originadas de decisões baseadas em problemas operacionais. Nível operacional Esse nível é responsável pela implementação dos objetivos e programas definidos pelos níveis anteriores. Trata-se de uma decisão operacional, da implementação de programa e execução de ações (SOUSA et al., 2010). Campos (2013) destaca que o foco desse nível de decisão está nas ações de curto prazo, sendo bastante importante o detalhamento do objeto de estudo. Podem ser referidas como análises próprias deste tipo de planejamento: utilização de dispositivos de controle de tráfego, programação semafórica, configuração do uso de faixas de tráfego, localização e espaçamento de paradas de ônibus, frequência de serviço de transporte coletivo por ônibus, faixa exclusiva para tráfego de veículos de transporte coletivo, uso de painéis de mensagens variáveis, etc. De forma a sintetizar os conceitos, podemos entender os três níveis da seguinte forma: o nível estratégico é caracterizado por uma decisão estratégica, que gera visão, objetivos e princípios, além de estabelecer metas; o nível tático é caracterizado por uma decisão tática, que gera diretrizes e planos de ação, possibilitando o desenvolvimento de programas; por fim, o nível operacional é caracterizado por uma decisão operacional, que implementa e executa ações, além de monitorar e avaliar metas e estratégias. Apesar da caracterização dos níveis de planejamento, a definição de atividades pertinentes a cada nível ainda não é um consenso entre pesquisadores e operadores dos sistemas de tráfego. Ainda assim, Pereira (2005), mediante compilação de informações de estudos, apresentou alguns exemplos de atividades dos diferentes níveis de planejamento, conforme pode ser visto no Quadro 1. NÍVEL DE PLANEJAMENTO Estratégico Tático Operacional Planejamento de novas vias Projeto geométrico de vias Avaliação do estado da área controlada (volumes, tempos de viagem, incidentes ocorridos, condições climáticas, velocidades) Modificações a longo prazo no sistema viário existente Projetos de sinalização Informação aos usuários (velocidade, tempos de viagem, guia de rotas, etc.) Análise de investimentos nos sistemas de transportes urbanos Projetos de controle eletrônico de tráfego Configuração do uso das faixas de tráfego Definição da área de influência de polos geradores de tráfego Definição espacial de subáreas de controle de tráfego Aplicação de dispositivos de controle de tráfego 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-2/aula1 5/8 Macrossimulações na rede de tráfego Elaboração de linhas isócronas de índice de congestionamento Programação de semáforos Modificação no uso do sistema viário Micro e mesossimulações na rede de tráfego Espaçamento e localização de paradas de ônibus Redução do incentivo ao uso de automóvel Frequência de um serviço de ônibus Quadro 1. Exemplos de atividades dos diferentes níveis de planejamento Processo de Planejamento de Transportes O planejamento de transportes é um processo que prevê a demanda futura por viagens e avalia os sistemas, as tecnologias e os serviços alternativos, de forma a atender às necessidades relacionadas com operação, manutenção e equipamentos e construção de sistemas de transportes. Esse processo também é aplicável a cada modo ou sistema de transporte individualmente, como a um sistema rodoviário estadual, um sistema de transporte público urbano ou aviação regional de um país, por exemplo (HOEL et al., 2012). Para Campos (2013), o processo de planejamento de transportes envolve a definição dos objetivos, do prazo de implantação e da duração do plano, devendo estar baseado numa visão sistêmica que abranja o desenvolvimento e as características da região em estudo, contemplando a forma de ocupação, situação econômica atual e futura, bem como a inter-relação com outras regiões. A depender dos objetivos e recursos disponíveis um plano pode ser de longo, médio ou curto prazo. De toda forma, um plano de transporte normalmente compreende as etapas, conforme Campos (2013): 1. definição dos objetivos e prazos; 2. diagnóstico dos sistemas de transportes; 3. escolha e coleta de dados; 4. escolha dos modelos de demanda; 5. avaliação da demanda; 6. definição das alternativas de oferta de transporte; 7. avaliação das alternativas; 8. definição da alternativa; 9. desenvolvimento do plano de transporte e programa de financiamento; 10. implantação das alternativas; 11. atualização dos procedimentos, avaliação e monitoramento. Na Figura 1, está apresentado um fluxograma geral do processo de planejamento de transportes, destacando a dinamicidade do processo, uma vez que, a partir da definição e validação dos modelos e das soluções, é necessário voltar e verificar os impactos que as propostas podem acarretar. 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-2/aula1 6/8 De forma simplificada, as etapas do planejamento de transportes preveem os seguintes elementos, conforme Hoel et al. (2012): Definição do problema deve-se compreender o local de estudo com base no sistema atual, características de viagens atuais e estudos de planejamento anteriores. Também é nessa etapa que a compreensão da natureza dos problemas deve ser convertida em objetivos (metas a serem alcançadas pelo projeto, como melhoria da segurança ou diminuição de atrasos de viagens, por exemplo) e critérios (indicadores de eficácia dos objetivos, como número de acidentes por mil quilômetros ou tempo de atraso, por exemplo). Na definição dos objetivos, além do problema de transporte propriamente dito, deve-se considerar alguns aspectos, tais como preservação ambiental, estímulo ao desenvolvimento econômico e desenvolvimento social. Identificação das alternativas um problema pode ter inúmeras soluções possíveis, podendo incluir diversas tecnologias, malhas, procedimentos operacionais e estratégias de tarifação. Essa etapa tem como resultado a especificação das opções viáveis (econômica, técnica e ambientalmente) para a melhoria das condições atuais do sistema de transporte em questão. Análise de desempenho de cada alternativa destina-se a determinar como cada uma das opções atenderá às condições atuais e futuras. Para tanto, cada opção é simulada na realidade atual e com as modificações propostas. Como resultado, tem-se três conjuntos de informações para cada alternativa: 1) custo operacional e de manutenção; 2) nível de serviço da operação do sistema e 3) impactos, abrangendo as consequências ambientais, sociais e econômicas. Comparação entre alternativas destina-se a fornecer indicadores de desempenho de todas as alternativas, visando entender como elas atingem os objetivos estabelecidos. Os dados de desempenho produzidos na etapa anterior são utilizados para calcular os benefícios e os custos gerados pela escolha de cada alternativa. Na maioria das vezes, atendidos os objetivos do planejamento, o critério mandatário para a escolha da alternativa é o valor monetário, ou seja, a viabilidade financeira. Figura 1. Fluxograma geral do planejamento de transportes. Fonte: Ortúzar (2000) 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-2/aula1 7/8 Escolha da alternativa que será implementada a identificação das alternativas evidenciou os caminhos para a solução do problema e a análise de desempenho forneceu indicadores para cada alternativa e uma comparação entre os custos e benefícios, então, o planejador, de posse dessas informações, faz a tomada de decisão. Nessa etapa, devem ser definidos os níveis de importância de cada requisito do sistema de transporte em planejamento, o quepossibilita identificar, de forma justa e imparcial, uma alternativa que tenha melhor desempenho global. Percebeu quão importante é o papel do engenheiro no processo de planejamento de transportes? 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-2/aula1 8/8