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Coleta e Análise de Dados em Transportes Para alcançar os objetivos e tarefas do processo de planejamento de transporte, é necessário estimar e conhecer o padrão de viagens da área de estudo. Para tanto, deve-se proceder a um levantamento e/ou coleta de dados necessários ao planejamento. Esse será o assunto desta aula! Continue os estudos desta disciplina e boa aula! A coleta de dados tem, portanto, dois objetivos principais. Primeiro, definir o padrão de viagens, o que engloba todos os movimentos: internos, externos e internos-externos na área em análise e o horário em que estes ocorrem; em áreas rurais, observa-se a sazonalidade das cargas. Objetiva definir também o padrão de uso e ocupação do solo, ou seja, diversas atividades desenvolvidas: residencial, comercial, industrial, escolar, recreativa, etc., na área de estudo e realizar um diagnóstico sobre o sistema existente. Cabe aos planejadores a definição de quais informações serão coletadas, bem como a forma de obtenção (CAMPOS, 2013). Aula 02 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-2/aula2 1/10 Inicialmente, é preciso delimitar a área de estudo e subdividi-la em zonas de tráfego para tabulação e análise das informações. A área de estudo é delimitada pelo cordão externo (cordon line), conforme Figura 2. Esse cordão externo deve englobar todos os movimentos importantes da região. A área de estudo também deve contem áreas que serão desenvolvidas no futuro, dentro do horizonte de planejamento (ORTÚZAR, 2000; CAMPOS, 2013). A screen line é uma linha que corta área de estudo, com poucos pontos de interseção com ruas ou rodovias de intenso fluxo diário, podendo ser uma via expressa, uma via férrea ou um rio, por exemplo. É utilizada principalmente no caso de transporte urbano (CAMPOS, 2013). O zoneamento da região de estudo, ou seja, a divisão em sub-regiões, deve seguir alguns critérios, como: características socioeconômicas devem homogêneas; o número de viagens entre zonas deve ser mínimo; quando possível, devem ser utilizados limites físicos, políticos e/ou históricos; não devem ser criadas zonas dentro de outras zonas; o zoneamento deve assegurar características comuns na atração e geração de viagens, domicílios, população ou áreas (GARBER; HOEL, 2005). Zona de tráfego pode ser entendida como unidade básica de análise que objetiva determinar a quantidade de fluxo, gerado pelos movimentos básicos, e a origem e o destino destes para melhor avaliar o desenvolvimento econômico e de uso do solo local (CAMPOS, 2013). O zoneamento interno é a subdivisão da área de estudo, enquanto o zoneamento externo, necessário para permitir a análise de movimentos que envolvem regiões vizinhas à área de estudo, é aquele que define as zonas externas. Os movimentos básicos são de viagens através (entre zona externa e zona externa), viagens externas (entre zona externa e zona interna) e viagens internas (entre zonas internas). Figura 2. Delimitação da área de estudo e zoneamento. Fonte: Campos (2013) 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-2/aula2 2/10 Na Figura 3 estão apresentados outros elementos básicos da área de estudo e zonas de tráfego. O centroide da zona é o ponto representativo da zona, com grande concentração de atividades e viagens e é considerado como o ponto de origem e destino das viagens em cada zona de tráfego. O nó é o ponto inicial ou final de um arco, normalmente sendo representado por uma interseção viária. E o arco (link) é um segmento viário homogêneo (tráfego e geometria) que compõe a rede. Os inventários do sistema de transportes incluem uma descrição dos serviços existentes, instalações disponíveis e suas condições, localização de rotas e horários, custos de manutenção e operação, capacidade do sistema e tráfego existente, volumes, velocidades e tempos de atraso. Os tipos de informações do sistema atual dependerão das características específicas do problema de planejamento em questão (GARBER; HOEL, 2005). Figura 3. Área de estudo e zoneamento interno e externo. Fonte: Valente (2015) 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-2/aula2 3/10 Os inventários de transporte são o ponto de partida para a maioria dos estudos de planejamento de transporte, uma vez que é essencial compreender as condições existentes e características do sistema a ser estudado (HOEL et al., 2012). Os inventários, no caso do transporte urbano, podem abranger as seguintes informações: rede viária (direitos de passagem, larguras de calçadas e ciclovias, localização de curvas, cruzamentos ferroviários, localização de curvas críticas, identificação da jurisdição da via, classificação funcional, iluminação pública, etc.); zoneamento e uso do solo; polos geradores de viagens (escolas, parques, shopping, estádios, hospitais, etc.); legislação, normas e regramentos; dispositivos de controle de tráfego (sinalização horizontal, sinalização vertical, semáforos); sistema de transporte (sistema viário existente, localização e espaçamento de paradas de ônibus, localização de terminais, instalações de mudança de modo); estacionamentos; volumes de tráfego; tempos de viagens; capacidade de vias e interseções. Além do transporte urbano, mais comum e foco da nossa disciplina, Hoel et al. (2012) destacam a importância dos inventários para outros sistemas de transporte. No caso do planejamento rodoviário, por exemplo, o inventário deve contemplar classificação das rodovias, características geométricas, condições da infraestrutura (pavimento, sistema de drenagem), tipo e localização de dispositivos de controle de tráfego e dispositivos de segurança. Para o planejamento público ferroviário, o inventário deve abranger, por exemplo, um mapa das linhas, programação das linhas, localização das estações, material rodante, pátios de manutenção e estacionamento, condições da ferrovia. Já no planejamento aeroportuário deve contemplar, por exemplo, mapas da região, instalações de auxílio à navegação e de comunicação aérea, topografia, aeroportos já existentes na região, restrições do espaço aéreo, leis de zoneamento, uso do solo atual e planejado, pesquisas de viagens de carro, trem ou caminhão de ou para o aeroporto, tendência para o transporte aéreo de carga e de pessoas e características socioeconômicas da região. Agora que entendemos ainda mais a necessidade de coleta de dados para o planejamento de transportes, vamos conhecer os principais métodos de levantamento de dados. Métodos de Levantamento de Dados Dependendo do objetivo do plano, recursos disponíveis e horizonte de projeto, faz-se necessária a utilização de diferentes métodos de coleta de dados. Alguns problemas requerem apenas dados de contagem de tráfego, por exemplo, ao passo que outros demandam mapeamento completo da movimentação de pessoas e cargas. No âmbito urbano, podem ser realizados os seguintes tipos de levantamentos (CAMPOS, 2013): 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-2/aula2 4/10 1. Entrevistas domiciliares (e/ou em empresas e indústrias): Tipo mais abrangente, possibilita a verificação tanto das necessidades de deslocamento como o perfil socioeconômico da população e dos domicílios. É uma pesquisa indispensável para planejamento de longo prazo. 2. Contagem de tráfego (manuais e automáticas): Comumente realizada em locais críticos, com grande fluxo de veículos e/ou elevado índice de acidentalidade. Executada especialmente nos principais corredores de transporte. 3. Pesquisa de tráfego: Permite identificar a origem e o destino da viagem, a partir de entrevista com os motoristas. 4. Pesquisa de embarque e desembarque emônibus: Permite identificar as origens e os destinos dos usuários das linhas de ônibus em todo seu percurso, revelando o ponto de ingresso e saída do usuário. 5. Pesquisa no cordão externo e na screen line: Objetiva verificar os movimentos realizados através da pesquisa domiciliar, sendo realizada nos principais corredores que cortam estas linhas. No caso do transporte de carga no contexto regional ou nacional, elemento essencial da logística de transporte, as contagens de tráfego e pesquisas no tráfego são as mais adequadas. Pesquisa de Fluxo de Tráfego As contagens de tráfego ou pesquisa de fluxo de tráfego são utilizadas para determinação da quantidade, direção e composição do fluxo veicular ou de pedestres que passam por um segmento ou interseção de via, numa dada unidade de tempo, geralmente hora, podendo variar consoante ao objetivo da pesquisa (CAMPOS, 2013). Vasconcellos (1982) afirma que, em áreas urbanas, existem dois locais básicos para realização das contagens: as interseções e os trechos entre interseções. No caso das interseções, além do volume de tráfego, pretende-se determinar a direção dos veículos ou pedestres. 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-2/aula2 5/10 O processo de contagem de tráfego pode ser realizado de forma manual ou automática. A manual é feita por observação direta no campo, tendo como recurso formulários padronizados, nos quais os pesquisadores fazem as anotações do número e tipo de veículos passantes, bem como quais movimentos direcionais realizados. A contagem manual também pode ser realizada com uso de contadores mecânicos de acionamento manual, os quais, mediante aperto dos botões, registram o número de veículos. A depender do cenário, diferentes botões são utilizados para registrar os movimentos direcionais e tipos de veículos. Já a contagem automática de veículos pode ser realizada por equipamentos eletromecânicos instalados sobre a via ou por detectores, de diversos, instalados na via (PEREIRA, 2005). Entre os sistemas e equipamentos de detecção de eixos veiculares por esforço mecânico (pesagem), destacam-se: tubo pneumático, sistema acústico, sensores de fibra ótica, sensores piezoelétricos e perfil de borracha condutiva. Existem outras formas de detecção dos eixos de veículos que não se baseiam na pressão exercida pelas rodas dos veículos, sejam elas: barreiras laser, polígono scanner laser, sensores indutivos e sistemas de processamento de imagens, esses últimos em crescente desenvolvimento, especialmente como recurso à visão computacional (SIMONI, 2008). Pesquisa de Origem-Destino (OD) Pesquisas de viagens são necessárias para estabelecer uma compreensão completa dos padrões de viagens dentro da área de estudo. A determinação da quantidade de deslocamentos entre pontos de uma cidade ou região ou, ainda, movimentações entre centros de produção e de consumo, no caso de transporte de carga, são fundamentais para adequadas análises e planejamento de um sistema de transporte (GARBER; HOEL, 2005; DEMARCHI; BERTOCINI, 2004). 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-2/aula2 6/10 As pesquisas OD formulam perguntas específicas acerca de viagens realizadas, tais como onde começa e termina a viagem, propósito da viagem, frequência desse itinerário, horário, veículo utilizado e características pessoais da pessoa: idade, sexo, escolaridade, renda, se tem posse de veículo, etc. As pesquisas OD podem ser realizadas por meio de entrevistas no domicílio, local de trabalho e no sistema de transporte, por exemplo, de passageiros a espera do metrô. São pesquisas de custo elevado. As pesquisas também podem ser realizadas por telefone ou correspondência. Campos (2013) destaca que, na pesquisa domiciliar, o pesquisador faz uso de um questionário que procura identificar o deslocamento realizado pela pessoa entrevistada no dia anterior à pesquisa, dessa forma, é ideal que ela aconteça de quarta a sexta-feira, fora do período de férias ou feriados. Nesse questionário, também são coletados os dados socioeconômicos dos respondentes. De maneira similar, as entrevistas no local de trabalho apresentam as mesmas perguntas quanto à caracterização dos deslocamentos. A diferença está na facilidade, menor custo e menor proporção de entrevistados. Entretanto, essa pesquisa exclui pessoa que não possuem vínculo empregatício formal, mas que são usuários do sistema de transporte sendo, portanto, menos precisa que a pesquisa domiciliar. Com relação às entrevistas nos sistemas de transporte, elas podem ser de dois tipos: com o motorista na via ou com o passageiro no modo de transporte. No primeiro, aleatoriamente são parados veículos nos principais corredores de transporte e o motorista e algumas pessoas respondem às perguntas de origem e destino, frequência e motivo da viagem. É essencial que seja rápida para não tomar tempo dos passageiros nem comprometer o desempenho operacional do sistema de transporte. No outro caso, as pesquisas são realizadas dentro do transporte coletivo, identificando o número de pessoas que entram e saem dos veículos em cada ponto. Assim, por meio de cartão identificador, por exemplo, quantifica-se o número de pessoas que têm origem e destino em cada região associada ao ponto de parada do ônibus ou estação de metrô (CAMPOS, 2013). SAIBA MAIS Clique aqui e a seguir conheça o Plano Nacional de Contagem de Tráfego (PNCT), ação estratégica do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). O PNCT é composto pela contagem permanente automatizada, pela pesquisa OD e pela aplicação de modelo matemático, itens fundamentais para o planejamento do setor rodoviário. Aproveite e confira alguns dados de tráfego! 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-2/aula2 7/10 http://www.dnit.gov.br/planejamento-e-pesquisa/planejamento/contagem-de-trafego Tipos de Informações Como já referido, é o planejador que vai definir quais informações a serem coletadas, o que depende dos propósitos do plano em questão. Entre as informações normalmente utilizadas nas pesquisas, temos (CAMPOS, 2013): Para área urbanas: - Dados socioeconômicos (tipo de residência, renda, número de residentes, tipo de atividade, número de pessoas empregadas, propriedade de veículos). - Motivo da viagem (trabalho, estudos, lazer, compras, outros). - Modo de realização da viagem (por transporte público: ônibus, táxi, metrô, barca; por transporte individual motorizado: automóveis, motos; por transporte individual não motorizado: bicicletas e a pé). - Quanto ao ponto de referência (viagens com base residencial, viagens com base não residencial). Para o transporte de carga: - Sazonalidade da carga; modos de transporte possíveis; tipos de movimentos: centro produtor consumidor; centro produtor depósito armazém, terminal de transbordo e distribuição. Dados socioeconômicos e informações complementares: - Uso do solo da região (atividades, localização e intensidade), população, frota (automóveis, caminhões, ônibus, transporte de massa), capacidade dos sistemas e condições físicas das vias, movimentação de cargas, frequência do modo e tarifa, atividades econômicas, políticas públicas de desenvolvimento urbano e transportes. Formas de Pesquisa São utilizadas duas formas para conhecer o comportamento dos usuários do sistema de transporte: a pesquisa de preferência revelada e de preferência declarada. A revelada se caracteriza por escolhas que já foram realizadas pelos usuários, ou seja, são informações baseadas em situações reais experimentadas pelo entrevistado (MEDEIROS, 2007). Já a preferência declarada utiliza a opinião de entrevistados, através de um grupo de opções, para fazer a estimativa de preferênciadestes (KROES; SHELDON, 1988). No caso de transportes, são obtidas informações sobre deslocamentos, baseadas em cenários hipotéticos, ou seja, qual seria a escolha caso ele estivesse naquela situação. Esse tipo de pesquisa é muito mais abrangente que a preferência declarada e pode embasar o desenvolvimento de curvas de demanda de uso de transporte de sistemas ainda não implantados. Também pode ser útil para aferir a sensibilidade da população diante de propostas de implantação de medidas no trânsito. Ainda assim, esse tipo de pesquisa enfrenta limitações, pois nem sempre a intenção do entrevistado se concretiza num comportamento. 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-2/aula2 8/10 Como síntese, apresenta-se no quadro a seguir um resumo de levantamentos e pesquisas em transportes. INVENTÁRIOS FÍSICOS Inventário do sistema viário Inventário dos sistemas de controle de tráfego Inventário de estacionamentos Inventário de equipamentos associados ao transporte público PESQUISAS DE COMPORTAMENTO NA CIRCULAÇÃO Pesquisa de Origem e Destino Pesquisa O/D domiciliar Pesquisa O/D de tráfego Pesquisa O/D de transporte público Pesquisa O/D de carga urbana Pesquisas de Engenharia de Tráfego Pesquisa de fluxo em eixos viários Pesquisa de fluxo em intersecções Pesquisa de fluxo de pedestres ou bicicletas Pesquisa de velocidade pontual Pesquisa de velocidade e retardamento Pesquisa de atraso em intersecções Pesquisa de capacidade Pesquisa de estacionamento Pesquisa de ocupação de veículos PESQUISAS OPERACIONAIS DO TRANSPORTE COLETIVO Pesquisas de Oferta Organização das informações cadastrais Levantamento de trajetos Pesquisa de oferta Pesquisas de Demanda Pesquisa visual de carregamento Pesquisa de demanda nas garagens Pesquisa de demanda associada à pesquisa de oferta Pesquisa de embarque e desembarque sem senha Pesquisa de embarque e desembarque com senha OUTRAS PESQUISAS Pesquisa de opinião Pesquisa de satisfação Pesquisa de preferência declarada 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-2/aula2 9/10 Quadro 2. Resumo de levantamentos e pesquisas Fonte: Brasil (2007) SAIBA MAIS Clique aqui e acesse o Caderno de Referência para Elaboração de Plano de Mobilidade Urbana. É uma importante ferramenta que norteia o planejamento de transportes nas cidades brasileiras. 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-2/aula2 10/10 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/EADG619/nova_novo/documents/texto1.pdf