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Sociologicamente, a aplicação dessa doutrina após a outorga do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em 1968, gerou a paralisia quase total da sociedade civil organizada. A censura prévia à imprensa, às artes e às universidades impediu a circulação do pensamento crítico e camuflou os índices reais de miséria e corrupção. Os sindicatos sofreram intervenção direta do Ministério do Trabalho, e o movimento estudantil foi empurrado para a clandestinidade. O resultado não foi a paz social, mas a pacificação pelo terror, operacionalizada pelos porões do DOI-CODI. Ao extirpar os canais democráticos de mediação de conflitos, o regime autoritário atomizou os indivíduos, quebrando os laços de solidariedade comunitária e incutindo na população a cultura do medo, da desconfiança mútua e do silêncio como únicas vias de autopreservação, transformando a denúncia e o engajamento político em sinônimos de perigo letal e banimento social. O legado desse período reverbera até os dias atuais, especialmente no campo da memória institucional. A transição brasileira para a democracia foi desenhada "lenta, gradual e segura" pelos próprios militares, culminando em uma Lei de Anistia que equalizou politicamente os opositores do regime e os agentes de Estado responsáveis pela repressão. Ao contrário de nações vizinhas, o Brasil não promoveu um acerto de contas imediato com o seu passado autocrático. O adiamento do estabelecimento de uma justiça de transição plena permitiu que resquícios autoritários, como a criminalização dos movimentos populares, sobrevivessem incólumes no tecido contemporâneo. Repensar a ditadura não é um exercício sobre arquivos empoeirados, mas uma exigência inadiável para compreender as fraturas que limitam a cidadania no país.
A política de integração territorial da região amazônica, materializada em obras de grande escala como a Rodovia Transamazônica, foi justificada pelo Estado brasileiro por meio de uma premissa ideológica específica. No contexto abordado, essa premissa serviu politicamente para
A proteger rigorosamente as fronteiras secas do país contra o avanço de guerrilhas comunistas internacionais financiadas pela Guerra Fria.
B demarcar vastas reservas ecológicas e proteger as riquezas naturais da bacia hidrográfica contra a exploração predatória estrangeira.
C promover uma reforma agrária igualitária que solucionasse os conflitos fundiários seculares existentes no sertão nordestino.
D legitimar a ocupação forçada do território ao invisibilizar a presença histórica de populações tradicionais sob o mito do "vazio demográfico".
E explorar reservas minerais estratégicas utilizando tecnologias limpas recém-adquiridas no processo de alinhamento com os Estados Unidos.

Sociologicamente, a aplicação dessa doutrina após a outorga do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em 1968, gerou a paralisia quase total da sociedade civil organizada. A censura prévia à imprensa, às artes e às universidades impediu a circulação do pensamento crítico e camuflou os índices reais de miséria e corrupção. Os sindicatos sofreram intervenção direta do Ministério do Trabalho, e o movimento estudantil foi empurrado para a clandestinidade. O resultado não foi a paz social, mas a pacificação pelo terror, operacionalizada pelos porões do DOI-CODI. Ao extirpar os canais democráticos de mediação de conflitos, o regime autoritário atomizou os indivíduos, quebrando os laços de solidariedade comunitária e incutindo na população a cultura do medo, da desconfiança mútua e do silêncio como únicas vias de autopreservação, transformando a denúncia e o engajamento político em sinônimos de perigo letal e banimento social. O legado desse período reverbera até os dias atuais, especialmente no campo da memória institucional. A transição brasileira para a democracia foi desenhada "lenta, gradual e segura" pelos próprios militares, culminando em uma Lei de Anistia que equalizou politicamente os opositores do regime e os agentes de Estado responsáveis pela repressão. Ao contrário de nações vizinhas, o Brasil não promoveu um acerto de contas imediato com o seu passado autocrático. O adiamento do estabelecimento de uma justiça de transição plena permitiu que resquícios autoritários, como a criminalização dos movimentos populares, sobrevivessem incólumes no tecido contemporâneo. Repensar a ditadura não é um exercício sobre arquivos empoeirados, mas uma exigência inadiável para compreender as fraturas que limitam a cidadania no país.
Os mecanismos de censura e o aparato repressivo do Estado, recrudescidos a partir de 1968, provocaram impactos profundos na organização da sociedade civil. O texto sugere que a principal consequência sociológica das ações do regime nesse período foi a
A desmobilização política e a atomização dos indivíduos, instaurando uma cultura do medo que inviabilizou a mediação democrática de conflitos.
B criação de canais participativos modernos que substituíram as antigas organizações estudantis no diálogo direto e pacífico com o governo central.
C transparência total na divulgação de dados sociais, permitindo que a população fiscalizasse as obras de integração nacional em andamento.
D ampliação significativa da autonomia financeira dos sindicatos operários, que passaram a ditar as regras de reajuste salarial sem interferência.
E consolidação de laços de solidariedade comunitária fortalecidos pela confiança irrestrita que os cidadãos depositaram nos órgãos de segurança.

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Questões resolvidas

Sociologicamente, a aplicação dessa doutrina após a outorga do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em 1968, gerou a paralisia quase total da sociedade civil organizada. A censura prévia à imprensa, às artes e às universidades impediu a circulação do pensamento crítico e camuflou os índices reais de miséria e corrupção. Os sindicatos sofreram intervenção direta do Ministério do Trabalho, e o movimento estudantil foi empurrado para a clandestinidade. O resultado não foi a paz social, mas a pacificação pelo terror, operacionalizada pelos porões do DOI-CODI. Ao extirpar os canais democráticos de mediação de conflitos, o regime autoritário atomizou os indivíduos, quebrando os laços de solidariedade comunitária e incutindo na população a cultura do medo, da desconfiança mútua e do silêncio como únicas vias de autopreservação, transformando a denúncia e o engajamento político em sinônimos de perigo letal e banimento social. O legado desse período reverbera até os dias atuais, especialmente no campo da memória institucional. A transição brasileira para a democracia foi desenhada "lenta, gradual e segura" pelos próprios militares, culminando em uma Lei de Anistia que equalizou politicamente os opositores do regime e os agentes de Estado responsáveis pela repressão. Ao contrário de nações vizinhas, o Brasil não promoveu um acerto de contas imediato com o seu passado autocrático. O adiamento do estabelecimento de uma justiça de transição plena permitiu que resquícios autoritários, como a criminalização dos movimentos populares, sobrevivessem incólumes no tecido contemporâneo. Repensar a ditadura não é um exercício sobre arquivos empoeirados, mas uma exigência inadiável para compreender as fraturas que limitam a cidadania no país.
A política de integração territorial da região amazônica, materializada em obras de grande escala como a Rodovia Transamazônica, foi justificada pelo Estado brasileiro por meio de uma premissa ideológica específica. No contexto abordado, essa premissa serviu politicamente para
A proteger rigorosamente as fronteiras secas do país contra o avanço de guerrilhas comunistas internacionais financiadas pela Guerra Fria.
B demarcar vastas reservas ecológicas e proteger as riquezas naturais da bacia hidrográfica contra a exploração predatória estrangeira.
C promover uma reforma agrária igualitária que solucionasse os conflitos fundiários seculares existentes no sertão nordestino.
D legitimar a ocupação forçada do território ao invisibilizar a presença histórica de populações tradicionais sob o mito do "vazio demográfico".
E explorar reservas minerais estratégicas utilizando tecnologias limpas recém-adquiridas no processo de alinhamento com os Estados Unidos.

Sociologicamente, a aplicação dessa doutrina após a outorga do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em 1968, gerou a paralisia quase total da sociedade civil organizada. A censura prévia à imprensa, às artes e às universidades impediu a circulação do pensamento crítico e camuflou os índices reais de miséria e corrupção. Os sindicatos sofreram intervenção direta do Ministério do Trabalho, e o movimento estudantil foi empurrado para a clandestinidade. O resultado não foi a paz social, mas a pacificação pelo terror, operacionalizada pelos porões do DOI-CODI. Ao extirpar os canais democráticos de mediação de conflitos, o regime autoritário atomizou os indivíduos, quebrando os laços de solidariedade comunitária e incutindo na população a cultura do medo, da desconfiança mútua e do silêncio como únicas vias de autopreservação, transformando a denúncia e o engajamento político em sinônimos de perigo letal e banimento social. O legado desse período reverbera até os dias atuais, especialmente no campo da memória institucional. A transição brasileira para a democracia foi desenhada "lenta, gradual e segura" pelos próprios militares, culminando em uma Lei de Anistia que equalizou politicamente os opositores do regime e os agentes de Estado responsáveis pela repressão. Ao contrário de nações vizinhas, o Brasil não promoveu um acerto de contas imediato com o seu passado autocrático. O adiamento do estabelecimento de uma justiça de transição plena permitiu que resquícios autoritários, como a criminalização dos movimentos populares, sobrevivessem incólumes no tecido contemporâneo. Repensar a ditadura não é um exercício sobre arquivos empoeirados, mas uma exigência inadiável para compreender as fraturas que limitam a cidadania no país.
Os mecanismos de censura e o aparato repressivo do Estado, recrudescidos a partir de 1968, provocaram impactos profundos na organização da sociedade civil. O texto sugere que a principal consequência sociológica das ações do regime nesse período foi a
A desmobilização política e a atomização dos indivíduos, instaurando uma cultura do medo que inviabilizou a mediação democrática de conflitos.
B criação de canais participativos modernos que substituíram as antigas organizações estudantis no diálogo direto e pacífico com o governo central.
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uma metodologia própria, construída a partir de experiência prática, análise 
aprofundada da prova e resultados reais de aprovação.
Apesar de ser um conteúdo disponibilizado gratuitamente, sua reprodução, 
distribuição ou utilização para fins comerciais, em qualquer meio ou plataforma, sem 
autorização prévia e expressa, é estritamente proibida.
© Protocolo ENEM 2026. Todos os direitos reservados.
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Estudos!
enem2026
Exame Nacional do Ensino Médio
A Voz que Rompe o Asfalto: O Slam e a Reinvenção da Poesia
Como as batalhas de poesia falada reconfiguram o cânone literário e o espaço urbano
1 A literatura desceu dos pedestais acadêmicos e foi tomar as praças das periferias brasileiras.
2 O Poetry Slam, ou simplesmente "slam" (batalha de poesia falada), consolidou-se na última
3 década como um dos movimentos culturais mais pujantes e subversivos do país. Sem o intermédio
4 das editoras tradicionais, jovens negros, mulheres, LGBTQIA+ e moradores de áreas marginais
5 utilizam a voz e o corpo para narrar vivências que o cânone literário historicamente silenciou.
6 No slam, o poema não é um objeto de adorno para ser lido em silêncio numa biblioteca; é uma
7 arma de denúncia, um grito de existência que exige a escuta imediata e a reação do público.
8 A praça transforma-se em ágora, devolvendo à poesia sua função social e política primordial.
9 As regras do formato são propositalmente austeras e democráticas: poemas autorais de até
10 três minutos, sem o uso de figurinos, cenários ou acompanhamento musical. Essa nudez cênica
11 coloca todo o peso da apresentação sobre dois pilares fundamentais: a contundência do texto e a
12 força performática do slammer (poeta). A oralidade, frequentemente negligenciada pela
13 tradição gramaticalista das escolas, é aqui alçada à categoria de alta tecnologia ancestral. A
14 cadência da respiração, a entonação da voz que embarga na denúncia do racismo, o olhar fixo
15 nos jurados sorteados na plateia — tudo isso compõe um texto multissemiótico onde corpo e
16 palavra são indissociáveis. A folha de papel é apenas um rascunho; a verdadeira obra acontece
17 no calor do momento da fala, no espaço compartilhado e na troca de energia com os ouvintes,
18 reafirmando o poder do encontro presencial em uma era dominada pela virtualidade das telas.
19 Do ponto de vista linguístico, os slams são verdadeiros laboratórios de variação e riqueza
20 idiomática. Os poetas recusam a ditadura da norma-padrão como única forma válida de erudição.
21 A gíria da favela, as contrações da fala urbana e a sintaxe do hip-hop são organizadas com rimas
22 internas riquíssimas, aliterações e ritmos sincopados que fariam inveja aos poetas concretistas.
23 Esse movimento destrói a falácia estrutural de que a juventude periférica "não lê" ou "não sabe
24 escrever". Ao contrário, esses jovens estão reescrevendo a gramática das relações sociais do país,
25 provando que a complexidade literária não reside na adequação cega às regras do passado, mas
26 na capacidade de utilizar o idioma para decifrar e traduzir as urgências e as dores do presente.
27 Cada verso declamado atua como um manifesto de sobrevivência, forjando novas pontes entre o
28 saber acadêmico engessado e a inteligência viva que brota das ruas de forma espontânea.
29 Além do aspecto estético, a apropriação do espaço público pelo slam possui um caráter
30 político inegável. Em cidades desenhadas pela lógica da exclusão e do trânsito apressado, reunir
31 dezenas ou centenas de pessoas em uma roda no meio de uma praça, sob a luz de um poste, para
32 ouvir poesia é uma fratura no sistema utilitário do capital. A rua deixa de ser apenas o lugar de
33 passagem para o trabalho e volta a ser um lugar de permanência, encontro e reconhecimento
34 mútuo. O poeta marginal, muitas vezes invisibilizado pelo Estado nas políticas habitacionais ou
35 de segurança pública, coloca-se no centro da roda e comanda a própria narrativa de sua vida,
36 transformando a dor coletiva em um espetáculo de cura, acolhimento e emancipação social.
37 A poesia, portanto, deixou de pedir licença. Ela não bate mais nas portas das academias
38 esperando a validação de críticos que desconhecem sua realidade. O slam ensina que a literatura
39 é um organismo vivo, suado e urgente. Enquanto houver opressão e desigualdade estrutural,
40 haverá vozes se erguendo do asfalto, empunhando a rima como escudo e o verbo como
41 ferramenta de disrupção. A arte periférica contemporânea é o nosso mais contundente
42 documento histórico, atestando que, onde o sistema falhou em entregar direitos básicos, a
43 juventude forjou identidade e poesia. Afinal, quando o microfone é aberto na roda, não é apenas
44 um poema que é declamado; é um povo inteiro que, finalmente, toma a palavra para contar sua
45 própria versão da história, transformando a exclusão em potência estética e força política.
FERREIRA, M. Vozes da Margem: Oralidade e Resistência na Poesia Urbana. Editora Letras, 2024.
1 LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS | 1º DIA | CADERNO 3 | BRANCO
http://protocoloenem.com - (Material Autoral de PROTOCOLO ENEME VESTIBULARES - Todos os Direitos Reservados)
Texto para as Questões de 01 a 05.
enem2026
QUESTÃO 01
Ao descrever o Poetry Slam como um movimento que "desceu dos pedestais acadêmicos", o texto evidencia que a
principal finalidade dessa manifestação cultural é
A obter a validação formal de críticos literários nas bibliotecas universitárias.
B legitimar vozes e narrativas de grupos sociais historicamente silenciados.
C restringir a produção de poesias exclusivamente a temáticas de denúncia política.
D incentivar o uso de figurinos e cenários rebuscados para atrair um público maior.
E depender do financiamento e da aprovação das grandes editoras tradicionais.
QUESTÃO 02
De acordo com a autora do texto, a regra que impõe a "nudez cênica" aos participantes das batalhas de poesia tem como
consequência direta a
A desvalorização do conteúdo do poema, já que o público não compreende a mensagem.
B centralização do impacto na contundência do texto e na força performática do corpo.
C eliminação da complexidade rítmica e sonora das rimas para acelerar o tempo de apresentação.
D obrigatoriedade de usar acompanhamentos musicais durante os três minutos de fala.
E adequação passiva de todos os poetas periféricos às tradições gramaticalistas escolares.
QUESTÃO 03
A argumentação construída no terceiro parágrafo tem o objetivo de desconstruir a ideia de que a juventude periférica "não
sabe escrever". No texto, essa defesa se sustenta na constatação de que os poetas
A utilizam exclusivamente a norma-padrão erudita para provar o seu valor intelectual.
B abandonam as gírias da favela para que as rimas atinjam as classes mais altas.
C articulam a linguagem urbana e as gírias com alta complexidade rítmica e de aliterações.
D decoram poemas consagrados de autores modernistas e concretistas para declamar.
E rejeitam a comunicação oral, priorizando a entrega das folhas de rascunho ao público.
QUESTÃO 04
A ocupação das praças pelo movimento do *slam* é caracterizada no texto como uma "fratura no sistema utilitário do
capital" porque
A transforma a rua em um espaço de permanência e reconhecimento mútuo.
B gera lucro financeiro imediato para as organizações governamentais locais.
C impede de forma definitiva a circulação noturna dos trabalhadores urbanos.
D substitui integralmente as políticas públicas de segurança oferecidas pelo Estado nas favelas.
E privatiza o espaço público, exigindo a cobrança de ingressos para assistir à poesia.
QUESTÃO 05
No trecho final "A poesia, portanto, deixou de pedir licença", o recurso expressivo utilizado pela autora para sintetizar a
autonomia da arte periférica consiste no(a)
A ironia, utilizada para ridicularizar a falta de preparo acadêmico dos jovens nas praças.
B personificação, atribuindo características humanas de ação e decisão a um elemento abstrato.
C hipérbole, para exagerar o volume da voz dos participantes diante do microfone.
D eufemismo, a fim de suavizar a denúncia da violência social presente nas letras declamadas.
E metonímia, ao comparar indiretamente o poema a uma porta trancada pelas editoras.
2 LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS | 1º DIA | CADERNO 3 | BRANCO
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enem2026
Exame Nacional do Ensino Médio
O Milagre e a Mordaça: As Contradições do Brasil Autoritário
A expansão econômica, a Doutrina de Segurança Nacional e o silenciamento da sociedade civil.
1 O período que se estende do final da década de 1960 aos primeiros anos da década de 1970 é
2 frequentemente lembrado na historiografia brasileira como a era do "Milagre Econômico". Sob a tutela
3 do regime civil-militar, o Brasil experimentou taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) que
4 chegaram a ultrapassar os dois dígitos anuais. Contudo, a análise desapaixonada dos dados revela que
5 esse progresso macroeconômico repousava sobre uma contradição estrutural profunda: o arrocho salarial.
6 A política econômica oficial, sintetizada na infame metáfora de "fazer o bolo crescer para depois
7 dividi-lo", resultou em uma brutal concentração de renda. Enquanto a elite industrial e financeira
8 acumulava riquezas sem precedentes, a classe trabalhadora viu seu poder de compra ser sistematicamente
9 corroído, uma vez que os reajustes salariais eram mantidos artificialmente abaixo dos índices de inflação.
10 Geograficamente, esse ufanismo desenvolvimentista encontrou sua maior expressão material no projeto
11 de ocupação do território amazônico. O Estado brasileiro, fundamentado na geopolítica do lema "integrar
12 para não entregar", concebeu obras faraônicas, sendo a Rodovia Transamazônica o seu grande estandarte.
13 A estratégia governamental baseava-se na premissa ideológica de que a região Norte era um grande "vazio
14 demográfico" que precisava ser preenchido por agricultores sem-terra vindos, sobretudo, do Nordeste.
15 Essa visão monumentalista da geografia não apenas falhou em entregar a prosperidade prometida aos colonos,
16 abandonados em agrovilas sem infraestrutura, como promoveu um apagamento violento das populações indígenas
17 e ribeirinhas, cujos territórios ancestrais foram rasgados por tratores em nome do progresso nacional,
18 convertendo a floresta em um mero almoxarifado de recursos para a expansão do capital agropecuário.
19 Para garantir a execução inconteste desse projeto nacional de desenvolvimento, o regime necessitava
20 de uma justificativa filosófica e política implacável. Ela veio na forma da Doutrina de Segurança
21 Nacional (DSN), formulada pela Escola Superior de Guerra. Essa doutrina subvertia os princípios clássicos
22 da democracia ao postular que o Estado era um organismo supremo, cujos interesses de sobrevivência
23 estavam acima de qualquer direito ou liberdade individual. No contexto bipolar da Guerra Fria, a DSN
24 estabeleceu a figura do "inimigo interno": qualquer cidadão brasileiro que questionasse o modelo econômico,
25 organizasse greves ou manifestasse divergência ideológica deixava de ser visto como um opositor político
26 legítimo para ser tratado pelo aparato estatal como uma ameaça à própria existência da nação.
27 Dessa forma, a máquina pública converteu-se em um instrumento de vigilância sistemática e onipresente,
28 patrulhando não apenas as ruas, mas também as ideias, as salas de aula e as produções culturais.
29 Sociologicamente, a aplicação dessa doutrina após a outorga do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em
30 1968, gerou a paralisia quase total da sociedade civil organizada. A censura prévia à imprensa, às artes
31 e às universidades impediu a circulação do pensamento crítico e camuflou os índices reais de miséria e
32 corrupção. Os sindicatos sofreram intervenção direta do Ministério do Trabalho, e o movimento estudantil
33 foi empurrado para a clandestinidade. O resultado não foi a paz social, mas a pacificação pelo terror,
34 operacionalizada pelos porões do DOI-CODI. Ao extirpar os canais democráticos de mediação de conflitos,
35 o regime autoritário atomizou os indivíduos, quebrando os laços de solidariedade comunitária e incutindo
36 na população a cultura do medo, da desconfiança mútua e do silêncio como únicas vias de autopreservação,
37 transformando a denúncia e o engajamento político em sinônimos de perigo letal e banimento social.
38 O legado desse período reverbera até os dias atuais, especialmente no campo da memória institucional.
39 A transição brasileira para a democracia foi desenhada "lenta, gradual e segura" pelos próprios militares,
40 culminando em uma Lei de Anistia que equalizou politicamente os opositores do regime e os agentes de Estado
41 responsáveis pela repressão. Ao contrário de nações vizinhas, o Brasil não promoveu um acerto de contas
42 imediato com o seu passado autocrático. O adiamento do estabelecimento de uma justiça de transição plena
43 permitiu que resquícios autoritários, como a criminalização dos movimentos populares, sobrevivessem44 incólumes no tecido contemporâneo. Repensar a ditadura não é um exercício sobre arquivos empoeirados,
45 mas uma exigência inadiável para compreender as fraturas que limitam a cidadania no país.
CAVALCANTI, R. P. Estado de Exceção: As Sombras do Progresso. Revista Brasileira de História Sociológica, 2025.
1 CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS | 1º DIA | CADERNO 1 | AZUL
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Texto para as Questões de 01 a 05.
enem2026
QUESTÃO 01
A análise do período histórico conhecido como "Milagre Econômico", apresentada no texto, evidencia uma contradição estrutural intrínseca
ao projeto desenvolvimentista do regime civil-militar. Essa contradição fundamentou-se na
A estatização completa dos meios de produção, o que afastou o capital estrangeiro mesmo diante de um cenário de prosperidade.
B expansão acelerada dos índices macroeconômicos aliada à corrosão sistemática do poder de compra da classe trabalhadora.
C promoção do desenvolvimento industrial focado exclusivamente nas regiões Norte e Nordeste em detrimento do Sudeste.
D elevação abrupta do salário mínimo nacional com o objetivo de conter o descontentamento das bases sindicais urbanas.
E implementação de uma reforma tributária progressiva que, embora tenha freado a inflação, penalizou a elite financeira.
QUESTÃO 02
A política de integração territorial da região amazônica, materializada em obras de grande escala como a Rodovia Transamazônica, foi
justificada pelo Estado brasileiro por meio de uma premissa ideológica específica. No contexto abordado, essa premissa serviu
politicamente para
A proteger rigorosamente as fronteiras secas do país contra o avanço de guerrilhas comunistas internacionais financiadas pela Guerra
Fria.
B demarcar vastas reservas ecológicas e proteger as riquezas naturais da bacia hidrográfica contra a exploração predatória estrangeira.
C promover uma reforma agrária igualitária que solucionasse os conflitos fundiários seculares existentes no sertão nordestino.
D legitimar a ocupação forçada do território ao invisibilizar a presença histórica de populações tradicionais sob o mito do "vazio
demográfico".
E explorar reservas minerais estratégicas utilizando tecnologias limpas recém-adquiridas no processo de alinhamento com os Estados
Unidos.
QUESTÃO 03
A Doutrina de Segurança Nacional (DSN) forneceu o arcabouço filosófico e político para a manutenção do regime autoritário. Ao instituir a
categoria de "inimigo interno", essa doutrina subverteu o modelo democrático clássico, uma vez que
A estimulou a criação de sindicatos independentes para que estes atuassem como informantes do Estado dentro das fábricas.
B condicionou os direitos e liberdades individuais aos imperativos de sobrevivência do Estado, criminalizando a divergência ideológica.
C garantiu a liberdade absoluta de imprensa, utilizando os jornais como isca para identificar cidadãos contrários ao modelo econômico.
D rejeitou a bipolaridade ideológica mundial, adotando uma postura diplomática de neutralidade pacifista perante a sociedade civil.
E promoveu um amplo debate plural nas universidades públicas para eleger a educação como escudo contra a oposição armada.
QUESTÃO 04
Os mecanismos de censura e o aparato repressivo do Estado, recrudescidos a partir de 1968, provocaram impactos profundos na
organização da sociedade civil. O texto sugere que a principal consequência sociológica das ações do regime nesse período foi a
A desmobilização política e a atomização dos indivíduos, instaurando uma cultura do medo que inviabilizou a mediação democrática de
conflitos.
B criação de canais participativos modernos que substituíram as antigas organizações estudantis no diálogo direto e pacífico com o
governo central.
C transparência total na divulgação de dados sociais, permitindo que a população fiscalizasse as obras de integração nacional em
andamento.
D ampliação significativa da autonomia financeira dos sindicatos operários, que passaram a ditar as regras de reajuste salarial sem
interferência.
E consolidação de laços de solidariedade comunitária fortalecidos pela confiança irrestrita que os cidadãos depositaram nos órgãos de
segurança.
QUESTÃO 05
A reflexão sobre a memória institucional e a transição política brasileira destaca uma particularidade do país em relação ao seu passado
autocrático. O adiamento da efetivação de uma "justiça de transição plena" é apontado pelo autor como o principal responsável por
A garantir a reconciliação nacional imediata através da punição judicial severa de todos os agentes envolvidos na repressão estatal.
B inviabilizar a redemocratização do país, mantendo o controle militar sobre as instituições civis inalterado até a atualidade.
C favorecer a permanência de fraturas sociais e de práticas de violência institucional no tecido do Estado democrático contemporâneo.
D equiparar juridicamente as violações de direitos humanos aos crimes comuns, resolvendo o passivo histórico com os exilados
políticos.
E evidenciar o fracasso econômico dos generais, obrigando-os a entregarem o poder sem a oportunidade de formular a Lei de Anistia.
2 CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS | 1º DIA | CADERNO 1 | AZUL
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enem2026
Exame Nacional do Ensino Médio
O Gigante de Concreto: A Física da Potência e a Química do Impacto
A engenharia da Usina de Itaipu e as metamorfoses invisíveis nas águas do Rio Paraná.
1 A Usina Hidrelétrica de Itaipu, erguida sobre o leito do Rio Paraná, representa um dos maiores
2 triunfos da engenharia moderna e um laboratório vivo das ciências da natureza. A grandiosidade
3 da obra não reside apenas em seu paredão de concreto de quase duzentos metros de altura, mas
4 na coreografia física invisível que ocorre em seu interior. Milhões de litros de água despencam
5 diariamente pelos condutos forçados, transferindo um ímpeto colossal para as pás das turbinas.
6 Esse movimento rotacional é transmitido a um eixo gigante conectado ao gerador. Ali, no coração
7 da máquina, imensos eletroímãs giram velozmente dentro de uma estrutura fixa revestida por
8 bobinas de cobre. É a variação contínua desse campo magnético sobre os condutores que arranca
9 os elétrons de sua inércia, forçando-os a fluir e despachando energia para as linhas de transmissão.
10 A manutenção dessa operação colossal, no entanto, exige um combate químico ininterrupto.
11 A fricção constante da água aliada ao oxigênio dissolvido cria um ambiente extremamente hostil
12 para as ligas metálicas que compõem as turbinas e comportas. Ocorre um processo de degradação
13 eletroquímica natural onde o metal cede partículas carregadas para o meio aquoso, enfraquecendo
14 a estrutura e comprometendo a segurança da barragem. Para mitigar esse desgaste, a engenharia
15 utiliza metais de sacrifício e tintas poliméricas especiais, atuando como um escudo invisível que
16 impede o fechamento do circuito oxidativo e prolonga a vida útil dos equipamentos submergidos.
17 Longe das turbinas, nas águas calmas e profundas do lago artificial, um outro fenômeno químico
18 desafia o título de energia puramente limpa frequentemente atribuído às hidrelétricas. Durante a
19 formação do reservatório, vastas extensões de biomassa terrestre foram submersas. No fundo escuro
20 e sem circulação do lago, a ausência quase total de gás oxigênio obriga os microrganismos locais
21 a adotarem rotas metabólicas alternativas para decompor essa matéria orgânica. O resultado direto
22 desse processo biológico não é a emissão primária de gás carbônico, mas sim a liberação constante
23 de um composto orgânico volátil altamente inflamável, cujas moléculas possuem uma capacidade de
24 retenção de calor atmosférico dezenas de vezes superior à do CO2, contribuindo para o efeito estufa.
25 Biologicamente, a imposição desse colossal obstáculo de concreto impôsuma metamorfose drástica
26 na dinâmica do Rio Paraná. A fragmentação do ecossistema aquático transformou as corredeiras
27 velozes em um ambiente lêntico (de águas paradas). Essa mudança afeta diretamente as espécies
28 reofílicas, peixes que dependem do nado exaustivo contra a força da correnteza não apenas para
29 se locomover, mas como gatilho fisiológico indispensável para a maturação de suas gônadas e
30 posterior reprodução nas nascentes. Com a rota bloqueada pela parede de duzentos metros de altura,
31 o ciclo reprodutivo dessas espécies entra em colapso. Para mitigar o desastre genético e a redução
32 dos estoques pesqueiros, Itaipu implementou o Canal da Piracema, um rio artificial que tenta
33 reproduzir a sinuosidade e o fluxo originais, permitindo a conexão entre o lago e o rio a jusante.
34 A complexidade de Itaipu demonstra que não existem matrizes energéticas isentas de passivos.
35 A grandiosidade do megawatt hora gerado traz atrelada a si a oxidação silenciosa dos metais, o
36 borbulhar invisível de gases estufa e a interrupção das rotas milenares de vida sob as águas. O
37 desafio da ciência moderna não é apenas otimizar a eficiência das turbinas e o fluxo dos elétrons,
38 mas integrar os saberes da natureza para garantir que a força extraída do rio não comprometa de
39 forma irreversível a teia química e biológica que sempre o sustentou. O futuro da sustentabilidade
40 reside em entender que a eletricidade que ilumina as cidades é, inevitavelmente, emprestada do rio.
41 O verdadeiro custo dessa energia só pode ser pago mediante a vigilância científica constante e a
42 busca por inovações tecnológicas capazes de harmonizar o avanço humano com a memória do ecossistema,
43 garantindo que o fluxo das águas e o pulso da vida não sejam permanentemente apagados pelo concreto.
44 Entender Itaipu é, no limite, ler o balanço exato entre a necessidade civilizatória e o seu preço.
45 A energia é abundante, mas a responsabilidade sobre as transformações que ela impõe é permanente.
MARQUES, T. F. Matrizes Energéticas e a Termodinâmica dos Rios. Ciência Hoje, 2025.
1 CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS | 2º DIA | CADERNO 3 | BRANCO
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Texto para as Questões de 01 a 05.
enem2026
QUESTÃO 01
A geração de energia descrita no texto envolve uma sequência precisa de transformações físicas, iniciando-se na queda da água pelos
condutos forçados e culminando na transmissão para as redes elétricas. A cadeia correta de conversões de energia evidenciada na usina é
a
A potencial elástica → cinética de translação → potencial gravitacional → elétrica.
B potencial gravitacional → cinética de translação → cinética de rotação → elétrica.
C cinética de rotação → térmica → cinética de translação → elétrica.
D potencial gravitacional → térmica → magnética estática → elétrica.
E elétrica → cinética de rotação → potencial gravitacional → magnética.
QUESTÃO 02
A extração de elétrons de sua inércia no coração da máquina, conforme evidenciado pela "variação contínua desse campo magnético
sobre os condutores", é o fenômeno que justifica a geração em larga escala de eletricidade em Itaipu. O princípio físico que rege
matematicamente esse funcionamento é a
A Lei de Coulomb, baseada na atração eletrostática entre os elétrons e os prótons da água.
B Lei de Ohm, decorrente do aumento da resistência elétrica nos condutores de cobre.
C Lei de Faraday-Lenz, que estabelece a indução de uma força eletromotriz pela variação do fluxo magnético.
D Lei de Ampère, caracterizada pela conversão integral de energia térmica em campo magnético uniforme.
E Lei de Joule, que transforma o movimento rotacional das turbinas diretamente em dissipação de calor útil.
QUESTÃO 03
O texto alerta para o desgaste eletroquímico sofrido pelas ligas metálicas das turbinas, que "cedem partículas carregadas para o meio
aquoso". Na tentativa de mitigar esse efeito, a engenharia utiliza "metais de sacrifício". No contexto da eletroquímica, o desgaste natural
das turbinas e o princípio de funcionamento do metal de sacrifício consistem, respectivamente, em processos de
A redução do metal da turbina; e utilização de um ânodo com maior potencial de oxidação que a liga protegida.
B oxidação do metal da turbina; e utilização de um ânodo com maior potencial de oxidação que a liga protegida.
C oxidação do metal da turbina; e utilização de um cátodo com maior potencial de redução que a liga protegida.
D redução do metal da turbina; e utilização de um cátodo com menor potencial de oxidação que a liga protegida.
E sublimação do metal da turbina; e utilização de polímeros que induzem a passagem de corrente elétrica contínua.
QUESTÃO 04
O fenômeno descrito no lago artificial afasta a usina do status de "energia puramente limpa", resultando na liberação de um composto
orgânico volátil responsável pelo agravamento do efeito estufa. Considerando a ausência quase total de gás oxigênio nas profundezas do
reservatório, o processo metabólico e o respectivo gás gerado são a
A fermentação alcoólica e o etanol (C2H5OH).
B respiração aeróbica e o dióxido de carbono (CO2).
C fotossíntese bentônica e o gás ozônio (O3).
D quimiossíntese sulfídrica e o dióxido de enxofre (SO2).
E decomposição anaeróbica e o gás metano (CH4).
QUESTÃO 05
A implantação da barragem transformou o ecossistema do Rio Paraná, afetando diretamente o ciclo reprodutivo de peixes reofílicos. De
acordo com as informações textuais e os conhecimentos ecológicos, a construção do paredão de concreto provoca o colapso reprodutivo
dessas populações principalmente porque
A aumenta a velocidade e a turbidez da água, impedindo a fixação dos ovos nos leitos pedregosos.
B isola as espécies em um ambiente lêntico, interrompendo a migração necessária para a estimulação fisiológica da desova.
C induz o surgimento de mutações genéticas imediatas que tornam os peixes estéreis na presença de grandes volumes de concreto.
D diminui a temperatura profunda do reservatório, congelando os nutrientes essenciais para a alimentação dos alevinos.
E facilita a predação das fêmeas maduras por aves migratórias devido à formação do Canal da Piracema em áreas rasas.
2 CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS | 2º DIA | CADERNO 3 | BRANCO
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enem2026
Exame Nacional do Ensino Médio
Projeto Revitaliza: A Matemática do Espaço Urbano
A engenharia, a estatística e as funções financeiras aplicadas à modernização de uma metrópole.
1 A modernização das metrópoles contemporâneas exige um planejamento rigoroso que integre
2 engenharia, economia e mobilidade. O "Projeto Revitaliza", implementado no coração de
3 uma grande capital brasileira, é um exemplo claro de como a matemática atua como o
4 alicerce invisível das políticas públicas urbanas. O marco inicial dessa ampla reforma
5 foi a reestruturação da Praça Central, cujo terreno original é perfeitamente retangular,
6 medindo oitenta metros de comprimento por sessenta metros de largura. Para promover um
7 ambiente de convivência agradável, os engenheiros projetaram um grande espelho d'água de
8 formato circular, com exatos vinte metros de diâmetro, localizado bem no centro da praça.
9 Todo o restante do espaço físico do terreno, que não é ocupado pela fonte, será integralmente
10 coberto por um novo gramado sintético de alta durabilidade, projetado especificamente para atenuar
11 as ilhas de calor e absorver as águas pluviais. Além do paisagismo, a mobilidade ativa foi
12 priorizada com a inauguração de um sistema público de compartilhamento de bicicletas. O modelo
13 de cobrança foi desenhado para incentivar o uso contínuo da frota, funcionando através de uma
14 função matemática simples: o usuário paga uma taxa fixa mensal de quinze reais, que garante
15 a manutenção do seu cadastro no aplicativo, acrescida de um valor variável dedois reais e
16 cinquenta centavos por cada hora inteira de utilização das bicicletas. Dessa forma, a prefeitura
17 consegue subsidiar o programa enquanto mantém os equipamentos em constante renovação estrutural.
18 Para garantir a segurança dos ciclistas e a convivência pacífica com os pedestres, a secretaria
19 de urbanismo formará um comitê especial de fiscalização permanente. Atualmente, o órgão conta
20 com dez inspetores altamente qualificados em seu quadro de funcionários. Esse comitê deverá ser
21 composto por exatamente quatro inspetores, que trabalharão de forma totalmente horizontal e sem
22 hierarquia entre si. A integração intermodal, por sua vez, também exigiu um cronograma rigoroso
23 de manutenção preventiva. Os ônibus elétricos, recém-adquiridos, passam por uma revisão mecânica
24 completa a cada doze dias. Já as composições do metrô de superfície são inspecionadas minuciosamente
25 a cada quinze dias, enquanto as estações de recarga das bicicletas recebem manutenção técnica a
26 cada vinte dias. Em um dia específico do calendário, conhecido como o "Dia Zero" do projeto,
27 as três manutenções ocorreram simultaneamente, exigindo um grande esforço logístico das equipes.
28 Para avaliar o impacto inicial do "Projeto Revitaliza", a prefeitura encomendou uma pesquisa de
29 satisfação com os usuários do sistema de transporte. O estudo estatístico entrevistou um total
30 de mil e duzentos passageiros em diferentes zonas da cidade. Dentre os entrevistados, setecentas
31 e vinte pessoas declararam ser usuárias exclusivas da rede de metrô, enquanto as outras
32 quatrocentas e oitenta pessoas afirmaram utilizar apenas as linhas de ônibus elétricos. O
33 cruzamento detalhado dos dados revelou informações cruciais sobre a qualidade da operação:
34 entre os passageiros do metrô, cento e oitenta declararam estar insatisfeitos com os atrasos
35 frequentes nas viagens durante o horário de pico. Já entre os passageiros de ônibus, cento e
36 vinte relataram forte insatisfação com a superlotação diária. A análise minuciosa desses dados
37 permite que os gestores públicos aloquem os recursos do município de forma mais direcionada,
38 corrigindo as falhas operacionais e aprimorando a experiência diária do cidadão. O sucesso de
39 intervenções urbanas dessa magnitude comprova de forma inequívoca que os números não são apenas
40 abstrações isoladas em lousas escolares ou planilhas de contabilidade. Eles representam, na
41 prática, as ferramentas mais vitais e precisas para a construção de cidades mais inteligentes,
42 habitáveis e igualitárias. Onde o senso comum enxerga apenas asfalto, catracas e áreas verdes,
43 a mente matemática projeta eficiência, probabilidade e harmonia. O urbanismo do futuro não será
44 guiado por intuições políticas passageiras, mas pela clareza inquestionável das estatísticas,
45 garantindo que cada metro quadrado de concreto cumpra sua verdadeira função de servir às pessoas.
TEIXEIRA, H. L. Cidades Calculadas: Modelagem e Estatística Urbana. Ed. Acadêmica, 2025 (adaptado).
1 MATEMÁTICA E SUAS TECNOLOGIAS | 2º DIA | CADERNO 5 | AMARELO
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Texto para as Questões de 01 a 05.
enem2026
QUESTÃO 01
Considerando as dimensões do terreno da Praça Central e as especificações do projeto paisagístico descritas no texto, a área total do
terreno que será coberta exclusivamente pelo novo gramado sintético é de (Considere 3 como aproximação para π)
A 4.200 m².
B 4.500 m².
C 4.680 m².
D 4.700 m².
E 5.100 m².
QUESTÃO 02
Um morador da cidade decidiu aderir ao sistema público de compartilhamento de bicicletas mencionado no texto. Ao final do seu primeiro
mês de uso, a fatura do aplicativo totalizou R$ 52,50. Com base na função de cobrança estabelecida pela prefeitura, o número total de
horas que esse morador utilizou as bicicletas no mês foi igual a
A 12.
B 15.
C 18.
D 21.
E 25.
QUESTÃO 03
A logística da integração intermodal estabelece um cronograma cíclico para a revisão dos equipamentos. Sabendo que no "Dia Zero" as
manutenções dos ônibus elétricos, do metrô de superfície e das estações de bicicletas ocorreram simultaneamente, o número mínimo de
dias necessários para que as três equipes técnicas voltem a se encontrar para uma nova manutenção simultânea é de
A 30 dias.
B 45 dias.
C 60 dias.
D 90 dias.
E 120 dias.
QUESTÃO 04
Para garantir a segurança do sistema viário, a secretaria de urbanismo formará um comitê especial de fiscalização com parte de seus
funcionários. Levando em conta as exigências do texto para a composição horizontal desse grupo, o número total de maneiras distintas
que a secretaria possui para formar essa equipe de inspetores é de
A 40.
B 120.
C 210.
D 720.
E 5.040.
QUESTÃO 05
Para avaliar o sucesso das intervenções, os gestores organizaram os dados da pesquisa de satisfação do transporte público. Suponha que
um dos passageiros entrevistados seja sorteado ao acaso para ganhar uma passagem livre. Sabendo-se que o passageiro sorteado
declarou estar INSATISFEITO com o serviço, a probabilidade de que ele seja um usuário da rede de ônibus elétricos é de
A 10%.
B 25%.
C 33%.
D 40%.
E 60%.
2 MATEMÁTICA E SUAS TECNOLOGIAS | 2º DIA | CADERNO 5 | AMARELO
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Gabarito
enem2026
Exame Nacional do Ensino Médio
GABARITOS COMENTADOS - L INGUAGENS: O SLAM
QUESTÃO 01 Gabarito: B
COMPETÊNCIA 4 HABILIDADE 12
C4: Compreender a arte como saber cultural e estético integrador da identidade. H12: Reconhecer diferentes funções da arte.
Análise da Correta: O texto afirma categoricamente que o Slam é utilizado por grupos marginalizados (jovens
negros, mulheres, etc.) para "narrar vivências que o cânone literário historicamente silenciou". Ou seja, a função
primária é legitimar a voz de quem sempre esteve à margem da literatura oficial.
Por que as outras estão erradas?
A: O texto diz exatamente o oposto: a arte periférica *não* espera validação da crítica acadêmica.
C: A palavra "exclusivamente" invalida a questão. A arte é denúncia, mas também forja identidade, cura e
acolhimento.
D: O texto cita a "nudez cênica": eles atuam *sem* uso de figurinos ou cenários.
E: O texto menciona claramente que o movimento ocorre "sem o intermédio das editoras tradicionais".
QUESTÃO 02 Gabarito: B
COMPETÊNCIA 1 HABILIDADE 1
C1: Aplicar tecnologias da comunicação. H1: Identificar diferentes linguagens e seus recursos expressivos.
Análise da Correta: A regra do Slam de proibir música e figurino (nudez cênica) transfere todo o peso da
apresentação para os recursos expressivos do próprio participante: a palavra (o texto) e o corpo (a força
performática), criando uma comunicação multissemiótica.
Por que as outras estão erradas?
A: A falta de cenário não desvaloriza o conteúdo; pelo contrário, concentra a atenção nele.
C: O texto afirma que as rimas possuem alta complexidade rítmica e sonora (aliterações). Nada é eliminado.
D: É o exato oposto das regras do Slam, que proíbem o acompanhamento musical.
E: O texto afirma que eles *recusam* a ditadura da norma-padrão e as tradições gramaticalistas das escolas.
QUESTÃO 03 Gabarito: C
COMPETÊNCIA 8 HABILIDADE 25
C8: Compreender e usar a língua portuguesa. H25: Identificar marcas linguísticas de variedades sociais/regionais.
Análise da Correta: Para provar que a juventude sabe escrever, o autor destaca que eles pegam a linguagem
marginal ("gíria da favela", "fala urbana") e a constroem com recursos poéticos eruditos ("rimas internas",
"aliterações"), provando altíssima competência literária.
Por que as outras estão erradas?
A: Falso. Eles recusam a ditadura da norma-padrão como única forma de erudição.
B: Falso. As gírias são a essência da identidade do poema, não são abandonadas.
D: Falso. Os poemas devem ser *autorais*, e não cópias decoradas de obras modernistas.
E: Falso. A essênciado Slam é a "oralidade", e o texto afirma que o papel é "apenas um rascunho".
PROTOCOLO ENEM - GABARITOS COMENTADOS
enem2026
QUESTÃO 04 Gabarito: A
COMPETÊNCIA 4 HABILIDADE 14
C4: Arte como saber cultural integrador. H14: Reconhecer o valor da diversidade artística em grupos sociais.
Análise da Correta: O sistema capitalista enxerga a rua apenas como um corredor para chegar ao trabalho (sistema
utilitário). Ao parar centenas de pessoas em uma praça para ouvir poesia, o Slam "quebra" (fratura) essa lógica e
devolve à rua sua função de espaço de convívio humano e reconhecimento mútuo.
Por que as outras estão erradas?
B: Não há menção a lucro financeiro ou intermediação do governo; é um movimento marginal e autônomo.
C: Extrapolação absurda. A roda de rima não impede "de forma definitiva" o trânsito da cidade inteira.
D: A poesia forja identidade onde o Estado falhou, mas não "substitui integralmente" a necessidade de habitação
ou segurança física.
E: Falso. O Slam ocorre em praças públicas, de forma aberta e democrática, sem cobrança de ingressos.
QUESTÃO 05 Gabarito: B
COMPETÊNCIA 5 HABILIDADE 16
C5: Analisar e interpretar recursos expressivos das linguagens. H16: Relacionar concepções artísticas e procedimentos de construção
do texto.
Análise da Correta: "A poesia deixou de pedir licença". A poesia é um conceito abstrato (inanimado). Ao atribuir a ela
ações exclusivamente humanas (pedir licença, bater na porta), o autor utiliza a figura de linguagem da
**Personificação** (ou Prosopopeia) para dar força e independência à arte.
Por que as outras estão erradas?
A: Não há ironia aqui; a autora defende o elevado nível dos jovens, não os ridiculariza.
C: Hipérbole é exagero (ex: "chorei rios"). Não é o que ocorre na frase em destaque.
D: Eufemismo é suavização (ex: "ele partiu dessa para melhor"). A frase não suaviza nada; ela empodera a
poesia.
E: A metonímia é substituição por proximidade (ex: "li Machado de Assis"). A frase foca na humanização da poesia,
não na substituição de termos.
PROTOCOLO ENEM - GABARITOS COMENTADOS
enem2026
GABARITOS COMENTADOS - HUMANAS: D ITADURA MIL ITAR
QUESTÃO 01 Gabarito: B
COMPETÊNCIA 4 HABILIDADE 18
C4: Entender transformações técnicas/tecnológicas e impactos socioeconômicos. H18: Analisar processos de produção e implicações
sócio-espaciais.
Análise da Correta: O "Milagre Econômico" foi sustentado pela lógica de "fazer o bolo crescer para depois dividir".
Isso gerou crescimento de PIB acelerado (expansão macroeconômica), mas às custas do congelamento de salários
da base, corroendo o poder de compra da classe operária.
Por que as outras estão erradas?
A: A Ditadura não estatizou "completamente" a economia; pelo contrário, o Milagre contou com forte injeção de
capital estrangeiro e empresas privadas.
C: O Estado não abandonou obras; a Transamazônica é a prova do forte investimento estatal em infraestrutura
(Obras Faraônicas).
D: Não houve empobrecimento da elite financeira; o texto diz que ela "acumulava riquezas sem precedentes".
E: As medidas não eram democráticas nem progressivas (que cobram mais de quem tem mais). Foram impostas
autoritariamente e penalizaram os mais pobres.
QUESTÃO 02 Gabarito: D
COMPETÊNCIA 6 HABILIDADE 26
C6: Compreender a sociedade e a natureza e interações no espaço. H26: Identificar processos de ocupação dos meios físicos.
Análise da Correta: Para justificar a construção de rodovias no meio da floresta, o governo propagou que a
Amazônia era um "vazio demográfico". Essa premissa invisibilizava e apagava a existência milenar de indígenas e
ribeirinhos, legitimando o roubo de suas terras para o avanço da fronteira agrícola.
Por que as outras estão erradas?
A: A preocupação não era proteger a fronteira contra "guerrilhas estrangeiras", mas integrar o território ao capital
nacional.
B: O regime não tinha preocupação ecológica. O texto diz que a floresta virou um "mero almoxarifado de
recursos".
C: O projeto "terra sem homens para homens sem terra" era uma *fuga* da reforma agrária real no Nordeste,
mandando camponeses para a Amazônia em vez de dividir latifúndios.
E: A região não estava ocupada por estrangeiros, e sim por povos originários e populações tradicionais brasileiras.
PROTOCOLO ENEM - GABARITOS COMENTADOS
enem2026
QUESTÃO 03 Gabarito: C
COMPETÊNCIA 5 HABILIDADE 24
C5: Utilizar conhecimentos históricos para compreender a democracia. H24: Relacionar cidadania e democracia.
Análise da Correta: A Doutrina de Segurança Nacional colocou a sobrevivência do "Estado" acima da liberdade do
indivíduo. Assim, quem fizesse greve ou oposição ideológica não era um cidadão exercendo seu direito democrático,
mas um "inimigo interno" que deveria ser combatido pelo aparato militar.
Por que as outras estão erradas?
A: A ditadura impediu debates nas universidades e reprimiu o movimento estudantil.
B: Não houve liberdade de imprensa; o texto menciona explicitamente a "censura prévia".
D: O regime não adotou neutralidade pacifista; ele se alinhou aos EUA na Guerra Fria e combateu duramente a
oposição interna.
E: O regime não estimulou sindicatos independentes; o Ministério do Trabalho interveio e controlou os sindicatos
(peleguismo).
QUESTÃO 04 Gabarito: A
COMPETÊNCIA 3 HABILIDADE 13
C3: Compreender o papel histórico das instituições sociais e políticas. H13: Analisar a atuação dos movimentos sociais.
Análise da Correta: O AI-5 e a censura destruíram as redes de confiança e organização social. Ao intervir em
sindicatos e reprimir estudantes, o Estado "atomizou os indivíduos" (os separou), gerando uma cultura de medo e
silêncio onde a sociedade perdeu sua capacidade de reagir ou mediar conflitos democraticamente.
Por que as outras estão erradas?
B: Não houve criação de canais democráticos e pacíficos; houve o desmantelamento das organizações estudantis
para a clandestinidade.
C: Houve exatamente o contrário: a censura "camuflou os índices reais de miséria e corrupção".
D: Sindicatos não tiveram autonomia; sofreram "intervenção direta" do Estado.
E: A confiança nas instituições foi substituída pelo terror, quebrando (e não consolidando) os laços de
solidariedade comunitária.
B
QUESTÃO 05 Gabarito: C
COMPETÊNCIA 1 HABILIDADE 2
C1: Compreender elementos culturais que constituem identidades. H2: Analisar a produção da memória pelas sociedades humanas.
Análise da Correta: A transição brasileira foi lenta e pactuada (Lei de Anistia), o que impediu o julgamento dos crimes
de Estado. Como o Brasil não confrontou sua memória de violência institucional (a "justiça de transição"), essas
fraturas autoritárias sobreviveram e continuam presentes na criminalização de movimentos sociais e na violência do
Estado nos dias de hoje.
Por que as outras estão erradas?
A: Falso. A Lei de Anistia evitou a "punição judicial severa" dos agentes do Estado, anistiando ambos os lados.
B: Falso. Houve redemocratização (temos eleições hoje), os militares não mantiveram o controle institucional
inalterado.
D: Crimes de Estado (tortura) são violações de direitos humanos e não foram equiparados a crimes comuns, mas
sim perdoados politicamente.
E: O fracasso econômico ocorreu, mas os generais tiveram tempo de sobra para coordenar a transição e "formular
a Lei de Anistia" em seus próprios termos.
PROTOCOLO ENEM - GABARITOS COMENTADOS
enem2026
GABARITOS COMENTADOS - NATUREZA: ITA IPU
QUESTÃO 01 Gabarito: B
COMPETÊNCIA 6 HABILIDADE 23
C6: Conhecimentos da física para interpretar intervenções tecnológicas. H23: Avaliar possibilidades de transformação de energia.
Análise da Correta: 1º A água está represada no alto (Energia Potencial Gravitacional).
2º A água despenca em linha reta pelos dutos (Energia Cinética de Translação).
3º A água atinge as pás da turbina e as faz girar (Energia Cinética de Rotação).
4º O gerador acoplado ao eixo transforma o movimento em energia (Energia Elétrica).
Por que as outras estão erradas?
A: Água não é uma mola esticada (não há potencial elástica no início).
C: Faltou a energia potencialinicial e não há processo predominantemente "térmico" (calor) para ferver a água
como numa termelétrica.
D: Novamente, sugere energia térmica, o que caracteriza usinas nucleares/termelétricas, não as hidrelétricas.
E: A energia elétrica é o produto final, não o início do processo.
QUESTÃO 02 Gabarito: C
COMPETÊNCIA 6 HABILIDADE 21
C6: Conhecimentos da física aplicados a tecnologias. H21: Utilizar leis físicas inseridas no contexto do eletromagnetismo.
Análise da Correta: O texto indica que ímãs giram dentro de bobinas. O princípio físico que dita que a "variação do
fluxo do campo magnético dentro de uma espira induz o surgimento de uma corrente elétrica" é a Lei de Indução de
Faraday (complementada por Lenz para determinar o sentido).
Por que as outras estão erradas?
A (Coulomb): Calcula a força estática entre duas cargas paradas (ex: atrito de bastões), não a geração em
dínamos.
B (Ohm): Relaciona tensão, corrente e resistência (U=R.i). Não explica a *origem* da indução magnética.
D (Ampère): Descreve o campo magnético gerado por uma corrente já existente. A usina faz o oposto: usa
movimento magnético para *criar* corrente.
E (Joule): Refere-se à dissipação de energia elétrica em forma de calor (ex: funcionamento de um chuveiro ou
torradeira).
PROTOCOLO ENEM - GABARITOS COMENTADOS
enem2026
QUESTÃO 03 Gabarito: B
COMPETÊNCIA 7 HABILIDADE 24
C7: Conhecimentos da química para interpretar tecnologias. H24: Utilizar códigos e nomenclatura para caracterizar transformações
químicas.
Análise da Correta: O texto fala que o metal da turbina "cede partículas carregadas" (perde elétrons). Em química,
quem perde elétron sofre **Oxidação**. Para impedir que a turbina oxide e enfraqueça, usa-se o "Metal de Sacrifício".
Ele atua como um ânodo: precisa ser um metal com uma tendência de doar elétrons (Potencial de Oxidação) MAIOR
que a da turbina, para oxidar no lugar dela.
Por que as outras estão erradas?
A e D: Redução é *ganhar* elétrons. O texto diz que a turbina cede (perde) as partículas.
C: O metal de sacrifício não pode ser o cátodo (que sofre redução). Ele precisa ser o ânodo para ser "sacrificado"
(oxidado) protegendo o cátodo (turbina).
E: Sublimação é passagem do estado sólido para gasoso diretamente. Não tem nenhuma relação com perda de
elétrons e eletroquímica.
QUESTÃO 04 Gabarito: E
COMPETÊNCIA 7 HABILIDADE 26
C7: Conhecimentos de química para avaliar intervenções ambientais. H26: Avaliar implicações ambientais na produção energética.
Análise da Correta: No fundo do lago submerso não há circulação de oxigênio (ambiente anóxico). A degradação da
biomassa submersa nesse cenário é feita por arqueas que realizam a Decomposição Anaeróbica (sem O2), processo
que libera grandes volumes de Gás Metano (CH4), um gás inflamável e estufa poderosíssimo.
Por que as outras estão erradas?
A: Fermentação alcoólica produz etanol, que é líquido em temperatura ambiente, e não é a principal causa do
fenômeno do efeito estufa em represas.
B: Respiração aeróbica exige oxigênio. O texto diz que o fundo do lago tem "ausência quase total" desse gás.
C: Fotossíntese requer luz. No fundo profundo e escuro não há fotossíntese abundante para gerar O3.
D: Quimiossíntese ocorre em locais ricos em compostos inorgânicos vulcânicos (fendas abissais oceânicas), não
sendo a responsável majoritária pelo "borbulhar de gases estufa" a partir da biomassa florestal submersa em rios.
QUESTÃO 05 Gabarito: B
COMPETÊNCIA 3 HABILIDADE 12
C3: Degradação ambiental associada a processos produtivos. H12: Avaliar impactos em ambientes decorrentes de atividades sociais.
Análise da Correta: Peixes reofílicos (como o dourado) precisam das "corredeiras velozes" (ambiente lótico). O texto
diz que o nado contra a correnteza atua como "gatilho fisiológico indispensável" para maturar suas glândulas sexuais.
A barragem represa a água e cria um lago parado (ambiente lêntico), interrompendo essa migração (piracema) e
causando colapso reprodutivo.
Por que as outras estão erradas?
A: A represa faz exatamente o oposto: *diminui* a velocidade do rio rio acima, formando um lago parado.
C: O concreto em si não é um agente mutagênico/radioativo capaz de gerar mutações genéticas imediatas nas
células germinativas dos peixes.
D: Embora o fundo fique mais frio, não há congelamento no Brasil. A causa *principal* é o bloqueio mecânico da
migração (piracema).
E: O Canal da Piracema, citado no texto, foi construído para *ajudar* (mitigar) e religar o rio, não como armadilha
para atrair predação que cause colapso.
PROTOCOLO ENEM - GABARITOS COMENTADOS
enem2026
GABARITOS COMENTADOS - MATEMÁTICA: URBANISMO
QUESTÃO 01 Gabarito: B
COMPETÊNCIA 2 HABILIDADE 8
Análise Matemática (Geometria Plana): A área coberta pelo gramado sintético será a área total do retângulo menos
o espaço ocupado pelo círculo.
1. Área da Praça (Retângulo): A = Base × Altura → A = 80 × 60 = 4.800 m².
2. Área da Fonte (Círculo): O diâmetro vale 20m, então o raio (R) é 10m. Pela fórmula A = π × R² (adotando π = 3,
conforme instrução na questão): A = 3 × 10² = 3 × 100 = 300 m².
3. Área do Gramado: 4.800 - 300 = 4.500 m².
QUESTÃO 02 Gabarito: B
COMPETÊNCIA 5 HABILIDADE 21
Análise Matemática (Função Afim): O texto descreve uma cobrança com "taxa fixa" de R$ 15 e "valor variável" de
R$ 2,50 por hora. Isso é uma Função do 1º Grau: f(x) = 15 + 2,50x.
Sabendo que o morador pagou R$ 52,50:
15 + 2,50x = 52,50
2,50x = 52,50 - 15
2,50x = 37,50
x = 37,50 / 2,50 = 375 / 25 = 15 horas de uso.
QUESTÃO 03 Gabarito: C
COMPETÊNCIA 1 HABILIDADE 3
Análise Matemática (Matemática Básica / MMC): Quando eventos ocorrem em ciclos distintos e queremos saber
quando voltarão a acontecer "simultaneamente", calculamos o Mínimo Múltiplo Comum. Os ciclos descritos são: 12
dias, 15 dias e 20 dias.
Fatorando em primos:
12 = 2² × 3
15 = 3 × 5
20 = 2² × 5
O MMC utiliza todos os fatores comuns e não comuns de maiores expoentes: MMC = 2² × 3 × 5 = 4 × 15 = 60 dias.
QUESTÃO 04 Gabarito: C
COMPETÊNCIA 1 HABILIDADE 2
Análise Matemática (Análise Combinatória): A Secretaria deve escolher 4 inspetores dentre um total de 10
funcionários. O texto frisa que o comitê será "totalmente horizontal e sem hierarquia", indicando que a ordem de
escolha não altera o grupo (João, Maria e José formam o mesmo comitê que José, Maria e João). Logo, usamos a
fórmula de **Combinação Simples**:
C(n, p) = n! / [p! × (n - p)!]
C(10, 4) = 10! / [4! × 6!]
C(10, 4) = (10 × 9 × 8 × 7 × 6!) / (24 × 6!)
C(10, 4) = 5.040 / 24 = 210 maneiras distintas.
QUESTÃO 05 Gabarito: D
COMPETÊNCIA 7 HABILIDADE 28
Análise Matemática (Probabilidade Condicional): A expressão "sabendo-se que" altera o espaço amostral original.
O cálculo não deve ser feito sobre os 1.200 passageiros, mas APENAS sobre o universo de passageiros
declaradamente INSATISFEITOS.
1. Total de insatisfeitos: 180 (do metrô) + 120 (dos ônibus) = 300 passageiros (Novo Espaço Amostral).
2. O Evento Desejado (dentro da nova condição): passageiro que usa rede de ônibus = 120 pessoas.
3. Probabilidade = Evento / Espaço Amostral
P = 120 / 300. Dividindo numerador e denominador por 30 → P = 4 / 10 = 40%.
PROTOCOLO ENEM - GABARITOS COMENTADOS E ANÁLISE TRI
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	Protocolo ENEM - Testlet Humanas (Ditadura) - Oficial
	Protocolo ENEM - Testlet Natureza (Itaipu) - Oficial
	Protocolo ENEM - Testlet Matemática - Oficial
	Cópia de Cronograma Dominando ENEM 2025
	Gabarito
	Gabarito Comentado Completo - Protocolo ENEM
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