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1 2 Expediente LUCAS RIBEIRO NOVAIS DE ARAÚJO Governador do Estado da Paraíba ERIVONALDO ALVES DA SILVA Secretário de Estado da Educação JOSÉ EDILSON DE AMORIM Secretária Executiva de Gestão Pedagógica POLLYANNA MARIA LORETO MEIRA Secretária Executiva de Adm. de Suprimentos e Logística ROBERTO IVENS MARTINHO BARBOZA FILHO Secretário Executivo de Cooperação com os Municípios 3 Autoria, diagramação e revisão SECRETARIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DA PARAÍBA ELIELMA CARNEIRO COUTINHO AUTORIA E REVISÃO Especialista Pedagógica MARIA TATIANY LEITE ANDRADE ORIENTAÇÃO E REVISÃO Gerente Executiva da Gerência Executiva de Formação e Desenvolvimento dos Profissionais da Educação (GEFDP) RAISSA VANESSA SILVA FERREIRA COLABORAÇÃO TEXTUAL E REVISÃO Especialista Pedagógica CÉLIA VARELA BEZERRA COLABORAÇÃO TEXTUAL E REVISÃO Gerente Operacional de Formação TÂNIA EVYLLYN DIAS DA SILVA REVISÃO Especialista Pedagógica PRISCILA MELO DA TRINDADE COLABORAÇÃO TEXTUAL E REVISÃO Assistente da Gerência Operacional de Educação Ambiental, Educação do Campo e Educação Contextualizada SECRETARIA DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE LÍBIA BRENNA VIEIRA SANTOS COLABORAÇÃO TEXTUAL E REVISÃO Gerente operacional de programas, projetos e patrimônio ambiental da gerência executiva de educação ambiental UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA DR. ALEXANDRE MACEDO PEREIRA COLABORAÇÃO Departamento de Habilitação Pedagógica 4 SOBRE A JORNADA A Jornada Formativa Educação Sem Barreiras consiste em uma trilha de formações ao longo do ano letivo, abordando temas transversais relevantes para a Educação do Estado da Paraíba. Dessa forma, cada etapa dessa jornada inclui diagnósticos da rede, sessões formativas com profissionais especializados, intercâmbio de conhecimentos, compartilhamento de cartilhas de orientações e posterior acompanhamento das ações implementadas nas escolas. Nesse contexto, o propósito dessas jornadas é capacitar os profissionais da educação em nosso Estado para incluírem e lidarem com temas transversais sensíveis e essenciais na formação dos estudantes como cidadãos críticos e conscientes, contribuindo para a construção de alteridade na sociedade. Outrossim, as etapas de cada formação incluirão, inicialmente, a avaliação diagnóstica da rede em relação ao tema, seguida pela sessão formativa. Após esse momento, as escolas deverão elaborar e implementar ações e atividades que abordem o tema transversal em questão, enviando posteriormente um relatório para o monitoramento das ações realizadas. Portanto, as temáticas abordadas, no ano de 2026, serão as seguintes: “A prevenção e o enfrentamento à violência contra a mulher”; “Minha escola é sustentável”; “Minha escola é de paz” e “Minha escola é antirracista”. Assim, acreditamos que a Jornada Formativa Educação Sem Barreiras tem potencial para contribuir significativamente com a formação dos educadores, capacitando-os a transmitirem conhecimentos transversais relevantes aos nossos estudantes. 5 APRESENTAÇÃO Seja bem-vindo à cartilha de orientações sobre sustentabilidade, desenvolvida com o objetivo de oferecer informações e sugestões práticas para integrar a temática e ações voltadas à preservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável no ambiente escolar. Esse tema é cada vez mais relevante e urgente em nossas vidas, especialmente, no contexto educacional. Educar para a formação socioambiental vai além de ensinar sobre conservação da natureza, pois envolve também dimensões sociais e econômicas, preparando os estudantes para atuarem como cidadãos conscientes de seu papel na construção de uma sociedade mais equilibrada e responsável. Nesta cartilha, você encontrará informações sobre os conceitos e princípios da sustentabilidade, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e estratégias práticas para implementar ações sustentáveis no ambiente escolar. Em consonância com o eixo temático da Jornada Formativa deste ano, voltado ao consumo, descarte e cultura ambiental, o material também apresenta reflexões e sugestões de práticas para incentivar hábitos mais conscientes e responsáveis no cotidiano escolar. Além disso, oferecemos propostas de como promover a educação para a sustentabilidade em sala de aula e envolver toda a comunidade escolar nessas iniciativas. Logo, esperamos que esta cartilha seja uma ferramenta inspiradora para iniciar ou fortalecer sua jornada rumo à sustentabilidade na escola. Nosso objetivo é motivar e capacitar educadores, gestores escolares, estudantes e suas famílias a adotarem práticas sustentáveis e a promoverem mudanças positivas em suas escolas e comunidades. Acreditamos que cada pequeno passo em direção ao desenvolvimento sustentável faz diferença e contribui para um futuro mais justo e equilibrado para todos. 6 1. CONCEITUANDO SUSTENTABILIDADE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E SUA IMPORTÂNCIA NO CONTEXTO ESCOLAR “O sentido ativo da sustentabilidade enfatiza a ação externa para conservar, manter, proteger, nutrir, alimentar, fazer prosperar, subsistir e viver” (Boff, 2017). Segundo Boff (2017), em termos ecológicos, a sustentabilidade engloba ações voltadas à prevenção da deterioração e da destruição dos ecossistemas, garantindo a satisfação das necessidades atuais sem comprometer a capacidade das futuras gerações de suprirem as suas próprias necessidades. Assim, entendemos a importância dessa temática no contexto escolar, visto que a educação conecta as gerações atuais e futuras. Dessa forma, no ambiente educacional, a consciência ambiental implica a adoção de práticas que promovam o equilíbrio e incentivem o uso consciente dos recursos ambientais, contribuindo para a preservação do meio ambiente e garantindo que os estudantes aprendam e vivam em um ambiente saudável e sustentável. Por sua vez, o desenvolvimento sustentável visa promover o crescimento econômico, a inclusão social e a proteção ambiental de forma integrada e equilibrada. O conceito de desenvolvimento sustentável é fundamentado pelo Relatório Brundtland, documento oficial da ONU publicado há quase 40 anos. Esse relatório é amplamente referenciado por apresentar um conceito flexível de desenvolvimento sustentável, permitindo sua aplicação por diversos atores e setores da sociedade (Sugahara e Rodrigues, 2019). 7 A seguir, apresentamos um quadro com as definições que auxiliam na compreensão desses princípios: A sustentabilidade e o desenvolvimento sustentável desempenham um papel fundamental no contexto educacional. Integrar esses conceitos ao cotidiano escolar significa preparar os estudantes para se tornarem cidadãos conscientes e responsáveis, capazes de tomar decisões informadas que beneficiem a sociedade e o meio ambiente. Além disso, as escolas podem servir como modelos de sustentabilidade para a comunidade, demonstrando como práticas sustentáveis podem ser implementadas e os benefícios que proporcionam. Dessa forma, compreender esses conceitos é essencial para o engajamento de toda a comunidade escolar em ações que promovam um futuro sustentável. Isso pode se traduzir na otimização de recursos e na adoção de soluções de baixo custo, capazes de gerar impactos positivos a longo prazo. O desenvolvimento sustentável, no contexto escolar, abrange dimensões interdependentes: ambiental, social e econômica. Assim, vamos explorar a definição detalhada desses três pilares a seguir. Fonte: ONU. Nosso Futuro Comum (Relatório Brundtland). Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvol- vimento, 1987. Adaptado pelos autores. Quadro 1 - Sustentabilidade e desenvolvimento sustentável 8 1.1 Os pilares da sustentabilidade Em 1994, John Elkington definiu um novo marco teórico denominado Triple Bottom Line (TBL) ou tripé da sustentabilidade inspirado no caráter tríplice do desenvolvimento sustentável. O TBL pode ser compreendido como uma extensão do conceito de desenvolvimento sustentável,pois incorpora elementos como a equidade social, os fundamentos econômicos e a responsabilidade ambiental. Assim, de acordo com o autor, os três pilares essenciais da sustentabilidade (figura 1) abarca os elementos ambientais, econômicos e sociais (Elkington, 2001, apud Pereira; Martins, 2020). Sendo assim, no que diz respeito ao aspecto ambiental, o foco está na preservação do meio ambiente e na adoção de práticas que minimizem impactos negativos na natureza. Nas escolas, isso inclui medidas como a redução de desperdício, a reciclagem de materiais e o uso consciente de recursos como água e energia. Já o componente social está ligado à promoção de uma sociedade justa e inclusiva, de modo que todos tenham acesso equitativo a oportunidades e recursos. Fonte: adaptado de WWF for your world. Schools sustainability guide. [s.l.]: [s.n.], [s.d.]. pela Gerência Executiva de Formação e Desenvolvimento dos Profissionais da Educação. Figura 1 - Os pilares da sustentabilidade 9 No ambiente escolar, isso se traduz na criação de um espaço acolhedor e seguro para todos os estudantes, independentemente de sua origem, promovendo a diversidade e ensinando valores como empatia e responsabilidade social. Quanto ao pilar econômico, o foco está na viabilidade financeira das práticas sustentáveis e na busca por soluções economicamente vantajosas a longo prazo. Nas escolas, isso envolve a gestão eficiente de recursos, a adoção de tecnologias econômicas e programas de reutilização que reduzam custos. Além disso, prepara os estudantes para um mercado de trabalho que valoriza a sustentabilidade e a inovação. Desse modo, compreender e integrar os princípios do desenvolvimento sustentável na rotina escolar tem o potencial de criar uma cultura de sustentabilidade, preparando os estudantes para desafios pessoais, acadêmicos e profissionais. Uma cultura sustentável na escola não só beneficia o meio ambiente e a sociedade, mas também fortalece a comunidade escolar, incentivando a promoção de práticas que promovam o desenvolvimento sustentável em todos os aspectos da vida. Na seção seguinte, discutiremos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e sua importância nas ações escolares. 1.2 Objetivos de desenvolvimento sustentável e sua importância nas ações escolares Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são um plano projetado para ser implementado globalmente por meio de um esforço coletivo e compromisso, visando garantir que ninguém seja deixado para trás. Esses objetivos são interligados e cobrem cinco áreas importantes para o desenvolvimento sustentável, conhecidas como os 5 Ps (ver figura 2): Pessoas, Planeta, Prosperidade, Paz e Parcerias (UNESCO, 2020). 10 Os ODS são um conjunto de 17 metas globais estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015, como parte da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável. Essas metas visam abordar os principais desafios mundiais, incluindo pobreza, desigualdade, mudanças climáticas, degradação ambiental, paz e justiça. Cada objetivo é interligado e visa promover o bem-estar humano e a proteção do planeta de maneira integrada e equilibrada. Nesse sentido, a incorporação dos ODS, especialmente por meio da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS), no ambiente escolar não apenas capacita os estudantes a compreender questões globais complexas, mas também os prepara para se tornarem agentes de mudança em suas comunidades. A educação é considerada tema transversal a todos os ODS e uma estratégia essencial na busca de sua concretização. Em primeiro lugar, porque é um direito humano e, por seu intermédio, as pessoas com acesso à educação tornam-se mais empoderadas e capazes de compreender outros direitos. Em segundo lugar, a educação, especialmente a EDS, propicia melhor compreensão dos desafios que esses objetivos representam para suas comunidades (UNESCO, 2020, p. 11) Fonte: UNESCO (2020). Figura 2 - 5Ps 11 O ODS 4, que visa assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, é particularmente relevante para as escolas. Promover uma educação que valorize a diversidade, a inclusão e a equidade é fundamental para garantir que todos os estudantes, independentemente de suas origens, tenham oportunidades iguais de aprendizado e desenvolvimento. Isso inclui o desenvolvimento de práticas pedagógicas inovadoras, que considerem as diferentes necessidades e potencialidades dos estudantes, e a promoção de um ambiente escolar seguro e acolhedor. Os ODS relacionados ao meio ambiente, como o ODS 13 (Ação contra a mudança global do clima), o ODS 14 (Vida na água) e o ODS 15 (Vida terrestre), podem ser abordados através de projetos e atividades escolares que promovam a conscientização ambiental. A promoção da igualdade de gênero (ODS 5), a redução das desigualdades (ODS 10) e a promoção da paz, justiça e instituições eficazes (ODS 16) são objetivos que também podem ser trabalhados no ambiente escolar. Desenvolver atividades e projetos que promovam a inclusão, o respeito à diversidade e a participação democrática é essencial para formar cidadãos comprometidos com a construção de uma sociedade mais justa e equitativa. Isso inclui o desenvolvimento de programas de mediação de conflitos, de promoção de debates e de discussões sobre direitos humanos e cidadania, além da criação de espaços de participação ativa para os estudantes. O ODS 17, que incentiva parcerias para a implementação dos objetivos, destaca a importância da colaboração entre diferentes setores da sociedade. As escolas podem estabelecer parcerias com organizações locais, ONGs, empresas e outras instituições para desenvolver projetos conjuntos que promovam a sustentabilidade. Essas parcerias podem proporcionar recursos, conhecimentos e oportunidades adicionais para os estudantes, enriquecendo o processo educativo e ampliando o impacto das ações escolares. 12 Assim, ao promover uma educação voltada para a sustentabilidade, as escolas se tornam agentes de transformação social, capacitando os estudantes a serem protagonistas na construção de um mundo mais equitativo e sustentável. 1 2 3 1 2 3 Fonte: adaptado a partir da UNESCO (2020) pela Gerência Executiva de Formação e Desenvolvimento dos Profissionais da Educação. https://youtube.com/playlist?list=PLuaYSS3ezmQAuqmz2En-BlEqb5bX2fUvM&si=s3vTEvoJ3LchaCpA http://unesdoc.unesco.org/in/rest/annotationSVC/DownloadWatermarkedAttachment/attach_import_ba074520-4474-4fc7-af43-c15e5406ee5f?_=375076por.pdf&to=71&from=1 13 2. CONSUMO, DESCARTE E CULTURA AMBIENTAL Nesta edição da Jornada Formativa Minha escola é sustentável, o eixo “consumo, descarte e cultura ambiental” ganha centralidade por tratar de práticas diretamente presentes na rotina escolar. A escolha desse eixo parte da compreensão de que a sustentabilidade não se limita ao conhecimento conceitual, mas se expressa nas decisões cotidianas da comunidade educativa, no modo como estudantes, professores, gestores, famílias e demais profissionais utilizam recursos, evitam desperdícios, reaproveitam materiais e destinam corretamente os resíduos produzidos. Nesse sentido, este tópico propõe uma reflexão sobre a relação entre hábitos de consumo, responsabilidade coletiva e cuidado com o meio ambiente, aproximando os princípios do desenvolvimento sustentável das vivências concretas da escola. Ao integrar consumo, descarte e cultura ambiental, a Jornada busca estimular atitudes permanentes, fortalecer a formação cidadã e contribuir para que a escola se consolide como espaço de aprendizagem, participação e transformação socioambiental. O consumo constitui parte essencial da vida humana, pois está relacionado à satisfação de necessidades básicas como alimentação, vestuário, moradia e acesso a bens e serviços indispensáveis ao bem-estar. Nesse sentido, entende-se que o ato de consumir acompanha a própria existência humana,sendo elemento fundamental para a sobrevivência e para a organização da vida em sociedade (Pinto; Batinga, 2016). Entretanto, o consumo ultrapassa a dimensão das necessidades básicas, sendo influenciado por fatores culturais, sociais e econômicos, além das estratégias publicitárias e dos modos de vida contemporâneos. Diante disso, torna-se importante promover, no ambiente escolar, reflexões críticas sobre os impactos das escolhas de consumo no meio ambiente e na coletividade. O consumo consciente passa a ser compreendido como uma prática construída a partir da reflexão sobre os efeitos das 14 ações humanas, orientada pelo sentimento de pertencimento e pela responsabilidade coletiva (Pinto; Batinga, 2016). O gerenciamento inadequado dos resíduos sólidos representa um dos grandes desafios ambientais, devido aos riscos e impactos provocados quando o descarte ocorre de forma incorreta na natureza. Muitas vezes, os resíduos são eliminados sem planejamento ou reflexão, contribuindo para o aumento da produção de lixo e para a intensificação dos impactos ambientais dentro e fora do espaço escolar (Pozzetti; Caldas, 2019). A cultura do descarte inadequado evidencia-se quando produtos passam a ser considerados inúteis imediatamente após o uso, mesmo apresentando potencial de reutilização, reciclagem ou destinação adequada. Assim, o problema ambiental não está apenas na geração de resíduos, mas também nos valores e comportamentos socialmente construídos. Incorporar os conceitos de consumo, consumo sustentável e consumo responsável ao processo educativo amplia a capacidade de estudantes e educadores de reconhecer os impactos de suas escolhas e assumir corresponsabilidade na preservação dos recursos ambientais. Enquanto o consumo sustentável orienta decisões de compra a partir de critérios socioambientais, o consumo responsável vai além, abrangendo o uso, o reaproveitamento e o descarte adequado dos produtos. Esses 15 princípios encontram respaldo na Política Nacional de Resíduos Sólidos, que reforça a redução, a reutilização, a reciclagem e a destinação ambientalmente adequada dos resíduos como pilares de um compromisso coletivo com a sustentabilidade (BRASIL, 2010). A educação ambiental assume, portanto, papel central nesse processo formativo. A legislação brasileira estabelece a educação ambiental como componente permanente do ensino, orientado para o desenvolvimento de conhecimentos, valores e atitudes voltados à sustentabilidade e à melhoria da qualidade de vida. Nessa direção, a Lei nº 14.926/2024 destaca a relevância de ações educativas relacionadas às mudanças climáticas, à proteção da biodiversidade e ao fortalecimento da sustentabilidade, reconhecendo a educação como elemento fundamental para a promoção de uma cultura de responsabilidade socioambiental voltada às presentes e futuras gerações (BRASIL, 2024). No contexto escolar, a Educação ambiental ultrapassa abordagens exclusivamente teóricas e se concretiza em práticas cotidianas relacionadas ao consumo consciente, ao descarte adequado e ao uso responsável dos recursos ambientais. Em uma perspectiva mais atual e crítica, a Educação Ambiental, integrada à sustentabilidade, também envolve temas como justiça climática, sustentabilidade digital, participação social e protagonismo juvenil, reconhecendo que os desafios ambientais estão conectados às dimensões sociais, culturais, econômicas e tecnológicas da vida contemporânea. Dessa forma, fortalece-se a cultura ambiental, caracterizada pela incorporação de hábitos sustentáveis por estudantes, professores e toda a comunidade escolar. Nesse processo, o protagonismo juvenil torna-se fundamental, ao incentivar a participação dos estudantes na identificação e sensibilização de problemas, na construção de soluções e no desenvolvimento de ações voltadas à melhoria da escola e da comunidade. 16 Portanto, a escola ao promover práticas pedagógicas participativas que articulem consumo consciente, cultura ambiental, sustentabilidade e justiça socioambiental, a instituição contribui para a formação de sujeitos capazes de compreender sua responsabilidade individual e coletiva diante dos desafios contemporâneos. A discussão sobre sustentabilidade também exige o reconhecimento da justiça climática e da importância dos povos e comunidades tradicionais na preservação ambiental. Povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores artesanais e comunidades do campo mantêm formas de relação com a natureza baseadas no cuidado com o território, no uso equilibrado dos recursos ambientais e na transmissão de saberes entre gerações (Leff, 2015). A Educação Ambiental é uma práxis educativa e social que tem por finalidade a construção de valores, conceitos, habilidades e atitudes que possibilitem o entendimento da realidade de vida e a atuação lúcida e responsável de atores sociais individuais e coletivos no ambiente.”(Loureiro, 2012, p. 73). Esses grupos, embora contribuam significativamente para a conservação ambiental, frequentemente estão entre os mais afetados pelos impactos das mudanças climáticas e pelas desigualdades sociais. Por isso, falar de sustentabilidade no contexto escolar também significa valorizar esses saberes, combater a invisibilização e promover uma educação comprometida com a equidade, a diversidade e os direitos humanos. Nesse sentido, a escola torna-se um espaço de reconhecimento, diálogo intercultural e fortalecimento da cidadania, contribuindo para a formação de estudantes mais conscientes, participativos e comprometidos com a justiça socioambiental e com a construção de um futuro sustentável (UNESCO, 2020). 17 3. EDUCAÇÃO PARA A SUSTENTABILIDADE Educar para a sustentabilidade envolve o cultivo de habilidades e atitudes que promovam a preservação ambiental em todas as dimensões da vida pessoal e coletiva. Para avançar no desenvolvimento sustentável, é importante uma transformação profunda em nossos pensamentos e ações. Isso requer que os indivíduos se tornem agentes de mudança comprometidos com a conservação ambiental, dotados dos conhecimentos, habilidades, valores e atitudes necessárias para contribuir efetivamente para um mundo mais equilibrado e alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) (UNESCO, 2020). Para alcançar esses objetivos, é essencial engajar todos os envolvidos no processo educativo, incluindo a equipe escolar, os estudantes, as famílias e a comunidade, na construção de um modo de vida e de uma sociedade sustentável. Nesse contexto, é importante sensibilizar todos quanto ao cuidado com o meio ambiente, sobretudo pelo legado que desejamos deixar para as futuras gerações. Nas próximas seções, exploraremos algumas das políticas públicas relacionadas à sustentabilidade e diversas maneiras de promover essa sensibilização, buscando a conscientização dos estudantes. 3.1 Políticas públicas para a sustentabilidade. A dimensão política da educação para a sustentabilidade destaca a importância de transformar as estruturas sociais, econômicas e políticas para alcançar o desenvolvimento sustentável. Isso envolve mudanças nas práticas individuais e a mobilização coletiva para influenciar políticas públicas direcionadas a essa pauta. A educação desempenha um papel determinante ao preparar os indivíduos como agentes de mudança e defensores dos direitos humanos e da sustentabilidade. 18 Para integrar direitos humanos e sustentabilidade na educação, é fundamental seguir princípios como equidade, justiça social, participação, responsabilidade e transparência. Práticas eficazes incluem garantir a inclusão e acessibilidade, promover a participação ativa dos estudantes na tomada de decisões e na resolução de problemas socioambientais, como mudanças climáticas e equidade ambiental. Além disso, parcerias com organizações locais são essenciais para incorporar esses valores nos projetoseducativos. Em termos de legislação, várias leis nacionais e estaduais apoiam a educação para a sustentabilidade. No âmbito nacional, destacam-se a Lei nº 9.795/1999, que institui a Política Nacional de Educação Ambiental, a Lei nº 12.305/2010, que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos, e a Lei nº 14.926/2024, que reforça e atualiza o marco regulatório voltado à sustentabilidade. No estado da Paraíba, a Lei nº 8.728/2008, que institui a Política Estadual de Educação Ambiental, e a Lei nº 12.330/2022, que estabelece a Política Pública Paraíba Lixo Zero, arquitetura sustentável e energia renovável, reforçam o compromisso com a educação voltada para a sustentabilidade. Portanto, essas leis são fundamentais para capacitar os indivíduos a reconhecerem e defenderem seus próprios direitos e os dos outros, promovendo práticas sustentáveis e instruindo uma geração esclarecida e engajada nas causas que dizem respeito a todos. 3.2 Estratégias para promover a consciência socioambiental entre os estudantes Desenvolver a consciência socioambiental no âmbito da educação escolar é um processo de construção de uma práxis pedagógico-didática que reconhece a complexidade das relações humanas, das relações sociais e socioambientais. Essa 19 conscientização socioambiental é fundamental para que os estudantes reconheçam os impactos das suas ações no ambiente natural e nas comunidades humanas. Por fim, o desenvolvimento da consciência socioambiental tem por finalidade incentivar a reflexão sobre práticas e comportamentos que possam promover ou prejudicar a sustentabilidade ambiental. Embora a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) e a Educação Ambiental (EA) tenham diferentes concepções conceituais de sustentabilidade, eles compartilham princípios e perspectivas formativas que objetivam a transformação social, a formação de cidadãos críticos e o desenvolvimento da autonomia individual e coletiva. O objetivo dessas áreas do conhecimento é potencializar a coexistência entre todos os seres, humanos e não humanos. A EA e EDS têm o compromisso com a promoção da cidadania local e global, na qual os estudantes compreendem seus direitos e responsabilidades na construção de um mundo melhor para todos, com um compromisso essencial com a justiça social, a sustentabilidade ambiental e os direitos humanos (UNESCO, 2020). Ademais, a EA e a EDS proporcionam aos estudantes o entendimento dos princípios e valores que sustentam o desenvolvimento sustentável. Isso inclui a importância da conservação dos recursos ambientais, a redução do consumo excessivo, a minimização dos resíduos e a promoção de estilos de vida mais sustentáveis. Dessa forma, além de transmitir conhecimentos científicos sobre ecossistemas e biodiversidade, a conscientização ambiental também estimula o desenvolvimento de habilidades críticas e a adoção de atitudes responsáveis em relação à sociedade, natureza e sustentabilidade. Assim, é fundamental que as famílias e as comunidades participem das iniciativas para que as práticas sustentáveis não se limitem aos muros da escola. Na próxima seção, discutiremos a importância desse engajamento para a eficácia das iniciativas de educação ambiental e desenvolvimento sustentável. 20 3.3 A importância da participação ativa da família e da comunidade nas iniciativas sustentáveiss A Constituição Federal de 1988, art. 205 estabelece que a educação além de ser direto de todos os cidadãos e cidadãs, é dever do Estado e da família. Sendo assim, as famílias têm um papel fundamental no processo educativo da sociedade. É digno de destaque que a Constituição Federal (1988), no artigo supracitado, taxativamente imputa ao Poder Público e à coletividade a responsabilidade em defender e preservar o meio ambiente. Nesse contexto, o conjunto das incumbências atribuídas ao Poder Público, a referida Carta Magna, Art. 225, inciso VI, determina que a Educação Escolar em seus diferentes níveis de ensino promova a Educação Ambiental. Logo, a participação ativa da família e da comunidade nas iniciativas sustentáveis é igualmente importante, ou seja, quando pais, responsáveis e membros da comunidade escolar e extraescolar se envolvem em processos de proteção ao meio ambiente e promoção da EA com vista a sustentabilidade, eles reforçam os valores e as práticas a serem desenvolvidos na escola, criando um ambiente coeso e de apoio para a educação ambiental. Programas de voluntariado, eventos comunitários e projetos colaborativos entre a escola e organizações locais podem fortalecer esses laços. Em vista disso, a organização de campanhas e palestras sobre sustentabilidade envolvendo as famílias e comunidade escolar amplia o alcance das iniciativas, promovendo uma cultura ambiental que se estende para além da escola. A colaboração entre escola, família e comunidade não só enriquece o aprendizado dos estudantes, mas também fomenta uma rede de apoio que facilita a implementação de práticas sustentáveis. Vejamos a seguir, algumas formas de implementar práticas sustentáveis na escola. 21 4. IMPLEMENTAÇÃO DE PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS NA ESCOLA A implementação de práticas sustentáveis nas escolas é um passo primordial para promover a conscientização e responsabilidade socioambiental entre os estudantes, além de contribuir para a preservação do meio ambiente e a otimização dos recursos. A seguir, apresentamos algumas estratégias que podem ser adotadas pelas escolas para reduzir, reutilizar e reciclar materiais, utilizar água e energia de maneira eficiente e promover uma alimentação saudável. 4.1 Práticas sustentáveis de gestão de resíduos no ambiente escolars Reduzir, reutilizar e reciclar são os três erres (3 Rs) fundamentais para a gestão sustentável de resíduos. Essas práticas podem ser facilmente integradas no ambiente escolar para minimizar o impacto ambiental e promover a conscientização entre os estudantes. • Redução: a redução do consumo de materiais é o primeiro passo para diminuir a geração de resíduos. As escolas podem adotar medidas como o uso de alguns materiais didáticos de forma digital, a impressão frente e verso de documentos e a redução do uso de embalagens plásticas no dia a dia da instituição. Além disso, incentivar a economia de papel e outros recursos, promovendo campanhas de conscientização entre os estudantes e funcionários, é fundamental para a redução do desperdício; • Reutilização: a reutilização de materiais é uma prática que pode ser amplamente promovida nas escolas. Livros e outros materiais escolares podem ser reutilizados por diferentes turmas, criando um ciclo sustentável 22 de uso. Além disso, materiais recicláveis, como garrafas PET e papelão, podem ser utilizados em projetos artísticos e educativos, promovendo a criatividade e a consciência ambiental; • Reciclagem: a reciclagem é uma etapa fundamental na gestão de resíduos e pode ser implementada nas escolas através da instalação de pontos de coleta seletiva para papel, plástico, metal e vidro. Educar os estudantes sobre a importância da separação correta dos resíduos e os benefícios da reciclagem para o meio ambiente é indispensável. Programas de reciclagem também podem incluir a parceria com cooperativas de catadores e empresas de reciclagem locais, criando uma rede de apoio para a gestão dos resíduos recicláveis. Segundo Alkmim (2015), na busca por ampliar a formação de uma consciência ambiental e promover a mudança de comportamento individual para alcançar uma reversão coletiva, foi criada a política dos 5Rs. Os 5Rs fazem parte de um processo educativo que visa a mudança de hábitos no cotidiano dos cidadãos. É uma evolução e ampliação da política dos 3Rs: • Repensar: é o ato de refletir antes de efetuar qualquer compra, considerando a real necessidade da aquisição e evitando compras por impulso (Alkmim, 2015); • Recusar: envolve rejeitarprodutos que prejudicam a saúde e o meio ambiente, contribuindo para um mundo mais limpo. Isso inclui preferir produtos de empresas comprometidas com o meio ambiente, verificar as datas de validade dos produtos, e recusar sacos plásticos, embalagens não recicláveis, aerossóis e lâmpadas fluorescentes, que causam grande impacto ambiental (Alkmim, 2015). 23 Além dos 5Rs apresentados nesta seção, há um movimento em expansão que amplia ainda mais essas práticas. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) apresenta os 7Rs do consumo sustentável, sendo eles: repensar, respeitar, responsabilizar-se, recusar, reduzir, reaproveitar e reciclar, reforçando que a sustentabilidade exige uma transformação cada vez mais abrangente nos hábitos individuais e coletivos. Embora ainda em construção como política consolidada, essa tendência reforça a ideia de que a sustentabilidade é um processo contínuo e dinâmico (Idec, 2019). 4.2 Uso racional e eficiente de água e energia A utilização eficiente de água e energia é vital para a sustentabilidade das escolas, contribuindo para a redução de custos e a preservação dos recursos ambientais. No que diz respeito à água, campanhas de conscientização sobre a importância da economia desse recurso podem ser realizadas com os estudantes, incentivando práticas como fechar a torneira enquanto escovam os dentes ou ensaboam as mãos. Outrossim, hortas escolares irrigadas com água da chuva e a criação de projetos para a implementação de sistemas de reuso de água são exemplos práticos de como a escola pode economizar água e, ao mesmo tempo, educar os estudantes sobre a importância dessa prática. Em relação à energia, é fundamental promover o uso consciente desse recurso. Apagar luzes e desligar equipamentos eletrônicos quando não estiverem em uso são práticas importantes que podem ser incorporadas no dia a dia escolar. Além disso, incentivar campanhas de conscientização entre os estudantes, propor desafios de economia de energia e realizar o monitoramento participativo do consumo são formas eficientes de engajar a comunidade escolar na construção de uma cultura ambiental. 24 4.3 Promoção de uma alimentação saudável Promover uma alimentação saudável é uma prática sustentável que tem impacto direto na saúde e no bem-estar dos estudantes, além de contribuir para a sustentabilidade ambiental. • Hortas escolares: a criação de hortas escolares é uma maneira prática e educativa de promover a alimentação saudável. Os estudantes podem participar do cultivo de hortaliças e frutas, aprendendo sobre o ciclo de produção dos alimentos e a importância de uma alimentação balanceada. As hortas também podem fornecer alimentos frescos para a merenda escolar, reduzindo a necessidade de transporte e embalagens. • Educação nutricional: implementar programas de educação nutricional que ensinam estudantes sobre os benefícios de uma alimentação saudável através de palestras e atividades práticas podem abordar temas como a importância de consumir frutas e vegetais, os riscos dos alimentos ultraprocessados e a importância de uma dieta equilibrada. Envolver os pais e a comunidade nessas iniciativas é importante para reforçar os hábitos saudáveis em casa. • Parcerias locais: estabelecer parcerias com agricultores locais para o fornecimento de alimentos frescos e orgânicos para a merenda escolar é uma maneira de apoiar a economia local e garantir a qualidade nutricional dos alimentos oferecidos aos estudantes. Essas parcerias também podem incluir visitas a fazendas e produtores, proporcionando aos estudantes uma compreensão mais ampla sobre a origem dos alimentos e os métodos de produção sustentável. A implementação dessas práticas nas escolas contribui para a preservação do 25 meio ambiente e educa sobre a importância da sustentabilidade, preparando crianças, jovens e adultos para incorporarem ações sustentáveis em seu cotidiano. Nesse contexto, é fundamental estabelecer relações com os princípios da agroecologia, que valorizam a produção de alimentos de forma responsável, o cuidado com os recursos naturais e o fortalecimento da agricultura familiar. Essa perspectiva é fortalecida pela Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Decreto nº 7.794/2012) e pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que incentivam a oferta de alimentos saudáveis e a aproximação entre escola, produtores locais e práticas sustentáveis. 5. SUGESTÕES DE COMO ABORDAR A TEMÁTICA EM SALA DE AULA Abordar a temática da sustentabilidade em sala de aula é fundamental para formar cidadãos engajados na preservação do meio ambiente e na promoção de uma sociedade mais justa e sustentável. A seguir, apresentamos seis sugestões de como integrar essa temática de maneira eficaz e envolvente no contexto educativo. 5.1 Projetos interdisciplinares Desenvolver projetos interdisciplinares para conectar a sustentabilidade às diferentes áreas do conhecimento pode proporcionar uma visão integrada do tema. Quando relacionados à realidade local, esses projetos aproximam o conteúdo escolar das vivências dos estudantes, tornando a aprendizagem mais significativa. Na Paraíba, temas como a escassez de água no semiárido, o combate à desertificação, a preservação dos manguezais, a gestão de resíduos sólidos, a agricultura familiar, a agroecologia e os saberes de povos indígenas Potiguaras, quilombolas e comunidades tradicionais podem ser importantes pontos de partida para essas práticas pedagógicas contextualizadas. 26 Um projeto sobre a gestão de resíduos sólidos, por exemplo, pode incluir: • Ciências: estudo dos impactos ambientais dos resíduos; • Matemática: análise estatística da produção de resíduos na escola; • Geografia: investigação das práticas de gestão de resíduos em diferentes regiões; • Língua Portuguesa: elaboração de textos ou relatórios das descobertas sobre o tema. Esses projetos incentivam os estudantes a aplicarem conhecimentos de várias disciplinas para resolverem problemas reais, promovendo uma compreensão mais ampla e contextualizada da sustentabilidade. 5.2 Atividades práticas e experimentos Incorporar atividades práticas e experimentos em sala de aula pode tornar o aprendizado sobre sustentabilidade mais convidativo e envolvente. Essas atividades incluem, por exemplo: • Experiência de plantio: envolver os estudantes no cultivo de hortaliças e plantas, para um acompanhamento de todo o processo desde a germinação da semente até a colheita, ensinando sobre agricultura sustentável e alimentação saudável. • Experimentos de reciclagem: demonstrar o processo de reciclagem de materiais como papel e discutir os benefícios ambientais; • Economia de energia: realizar cálculos de consumo de energia na própria escola e propor estratégias para reduzir o uso. 27 5.3 Uso de tecnologias educacionais A tecnologia pode ser uma ferramenta poderosa para ensinar sobre a sustentabilidade. Essas ferramentas incluem: • Simuladores de impacto ambiental: programas de inteligência artificial que permitem que os estudantes vejam simulações dos efeitos de ações como desmatamento, poluição e conservação de recursos; • Jogos educativos: jogos que incentivam a tomada de decisões sustentáveis e a gestão responsável de recursos ambientais; • Plataformas colaborativas: ferramentas online onde os estudantes podem compartilhar projetos, ideias e soluções para desafios ambientais. 5.4 Debates e discussões Promover debates e discussões em sala de aula sobre temas relacionados à sustentabilidade pode ajudar os estudantes a desenvolverem habilidades críticas e argumentativas, cujas temáticas podem ser: • Mudanças climáticas: causas, efeitos e soluções possíveis; • Consumo consciente: impactos do consumismo no meio ambiente e alternativas sustentáveis; • Energia renovável: vantagens e desafios da transição para fontes de energia limpa.5.5 Visitas e parcerias educativas Organizar aulas de campo, visitas a locais que exemplifiquem práticas sustentáveis e estabelecer parcerias com organizações ambientais, por exemplo: 28 • Visitas a estações de tratamento de água e esgoto: para entenderem o processo e a importância da gestão de recursos hídricos; • Parcerias com ONGs ambientais: para a realização de projetos conjuntos e participação em campanhas de conscientização; • Visitas a fazendas orgânicas: para aprenderem sobre agricultura sustentável e alimentação saudável; • Visitas a cooperativas de reciclagem ou a artesãos que utilizem matéria-prima reciclada: para compreenderem o ciclo dos materiais recicláveis e incentivarem o consumo consciente e sustentável. Integrar a temática da sustentabilidade no currículo escolar através dessas sugestões pode transformar o ambiente de aprendizagem, incentivando os estudantes a se tornarem agentes ativos na construção de um mundo mais sustentável. Logo, ao promover um entendimento profundo e prático da sustentabilidade, será possível despertar a responsabilidade e o entendimento sobre como cuidar do meio ambiente. Este é o momento para iniciativas efetivas, visto que é um compromisso de todos. Fonte: Gerência de Formação e Desenvolvimento dos Profissionais da Educação. https://drive.google.com/drive/folders/1jqReVIT9d1HZ6euTOpFITWpqpCyuC4Xf 29 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS A integração da sustentabilidade no ambiente escolar é uma oportunidade valiosa para educar e capacitar as futuras gerações. Ao longo desta cartilha, exploramos conceitos fundamentais, estratégias práticas e sugestões de como abordar a temática da sustentabilidade tanto em sala de aula quanto em todo o contexto escolar. Dessa forma, é essencial reconhecer que a sustentabilidade não se limita ao desenvolvimento de práticas ambientais, mas abrange também aspectos sociais e econômicos. Então, ao promover uma educação para a sustentabilidade, as escolas ensinam sobre conservação ambiental e uso responsável dos recursos, além de cultivarem valores de justiça social, equidade e responsabilidade global. Além do mais, as estratégias sugeridas, como projetos interdisciplinares, atividades práticas, uso de tecnologias educacionais, debates e visitas educativas, oferecem uma abordagem para envolver os estudantes de maneira significativa. Essas práticas fortalecem o aprendizado acadêmico e capacitam os estudantes a se tornarem agentes de mudança em suas comunidades. Por fim, a colaboração junto a comunidade escolar, incluindo professores, funcionários, estudantes, pais e familiares é fundamental para o sucesso das iniciativas sustentáveis, uma vez que é eficaz criar uma cultura escolar que valorize, pratique e garanta ações a longo prazo de sustentabilidade no cotidiano. Assim, ao implementarem mudanças sustentáveis, as escolas cumprirão o seu papel educacional, contribuindo significativamente para o desenvolvimento de uma sociedade mais consciente. 30 Referências ALKMIM, E. B. Conscientização ambiental e a percepção da comunidade sobre a coleta seletiva na Cidade Universitária da UFRJ. 2015. 150 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Urbana) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: http://www.dissertacoes.poli.ufrj.br/dissertacoes/dissertpoli1443.pdf. Acesso em: 23 jul. 2024. BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: o que é, o que não é. Petrópolis: Vozes, 2017. BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. 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