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Guia 1 
Norbert Elias: Da sociogênese dos conceitos de “civilização” e “cultura” 
● O objetivo de Elias é compreender como surgiram e se transformaram os conceitos 
de “civilização” e “cultura”, mostrando que seus significados estão ligados às 
transformações históricas das sociedades que os utilizam. 
 
● Os conceitos de civilização e cultura não possuem um significado universal e fixo; 
seus sentidos mudam conforme a sociedade, o período histórico e as relações entre os 
diferentes grupos sociais. 
 
● Elias compara principalmente Alemanha, França e Inglaterra, mostrando que 
palavras semelhantes assumiram sentidos diferentes nesses países. 
 
● Na França e na Inglaterra, o conceito de “civilização” passou a expressar o orgulho 
pelo desenvolvimento da própria sociedade e pela contribuição dessa sociedade para o 
progresso da humanidade. 
 
● Civilização passou a abranger diversos aspectos da vida social: desenvolvimento 
político, econômico, científico, técnico, social, moral e dos costumes. 
 
● O conceito francês de civilização possui, portanto, um caráter mais universalizante, 
pois aquilo que os franceses consideravam como desenvolvimento de sua própria 
sociedade podia ser apresentado como parte do desenvolvimento da humanidade. 
 
● Na Alemanha, entretanto, o conceito de Zivilisation assumiu um significado diferente 
e, em determinados contextos, até depreciativo. 
 
● Para os alemães, Zivilisation estava mais associada às formas externas do 
comportamento: maneiras, etiqueta, aparência, convenções sociais e refinamento 
exterior. 
 
● O conceito que passou a expressar aquilo que os alemães consideravam como suas 
realizações mais próprias foi Kultur. 
 
● Kultur estava relacionada principalmente às realizações intelectuais e espirituais: 
arte, literatura, filosofia, música, conhecimento e formação intelectual. 
 
● Assim, estabelece-se uma oposição entre Kultur e Zivilisation, em que Kultur 
aparece associada à profundidade e Zivilisation à superficialidade ou às formas 
exteriores. 
 
● Essa oposição não é apenas linguística: ela expressa uma diferença na estrutura 
social alemã, especialmente entre a classe média intelectual e a aristocracia de corte. 
 
● A classe média intelectual alemã encontrava nas realizações intelectuais e culturais 
uma fonte de identidade e orgulho, uma vez que possuía menor acesso às posições 
políticas e às instituições da corte. 
 
● A aristocracia, por outro lado, estava ligada à sociedade de corte, na qual o 
comportamento, as maneiras, a etiqueta e a capacidade de circular socialmente eram 
fundamentais. 
 
● A classe média intelectual passa, portanto, a valorizar aquilo que considera “interior” 
e profundo, em oposição ao comportamento considerado meramente exterior da 
aristocracia. 
 
● Dessa forma, o conceito de Kultur funciona como uma forma de autoimagem da 
classe média intelectual alemã. 
 
● A oposição entre profundidade e superficialidade presente no conceito de Kultur 
expressa justamente essa autoimagem: aquilo que dá valor ao grupo não está 
principalmente na posição política ou econômica, mas nas suas realizações 
intelectuais. 
 
● A nobreza de corte alemã possuía forte influência da cultura francesa e utilizava 
formas de comportamento e etiqueta associadas às cortes europeias. 
 
● Por isso, a classe média intelectual alemã também utilizava o conceito de Kultur para 
diferenciar-se socialmente da aristocracia cortesã. 
 
● Na França, entretanto, a situação era diferente: a sociedade de corte possuía uma 
posição central na estrutura social, e os comportamentos desenvolvidos nesse 
espaço contribuíram para a formação do conceito de civilização. 
 
● O conceito de civilização francês está relacionado, portanto, ao processo pelo qual 
determinados costumes, comportamentos e formas de organização social passam a 
ser considerados superiores ou mais desenvolvidos. 
 
● A expansão do conceito de civilização também está relacionada ao processo de 
formação e consolidação das sociedades nacionais. 
 
● O conceito passa a funcionar como uma forma de autoafirmação nacional: cada 
sociedade pode apresentar suas próprias características como sinais de seu grau de 
civilização. 
 
● Ao mesmo tempo, a ideia de civilização permite estabelecer uma oposição entre 
aqueles considerados “civilizados” e aqueles considerados “não civilizados”. 
 
● Assim, o conceito possui também uma dimensão de distinção social e nacional, pois 
permite que determinados grupos estabeleçam sua superioridade diante de outros. 
 
● Elias chama atenção para o fato de que aquilo que hoje parece uma característica 
“natural” de determinada sociedade é, na realidade, resultado de processos históricos 
de longa duração. 
 
● Os conceitos de cultura e civilização devem ser compreendidos, portanto, junto às 
transformações das estruturas sociais e das relações entre os indivíduos. 
 
● A transformação dos conceitos acompanha a transformação das próprias sociedades: 
mudanças nas relações entre corte, aristocracia, burguesia, intelectuais e Estado 
influenciam a maneira como os indivíduos compreendem a si mesmos e aos outros. 
 
● A diferença entre Kultur e Zivilisation revela, portanto, não apenas duas definições 
diferentes, mas diferentes experiências históricas e diferentes posições sociais. 
 
● Kultur → Alemanha → identidade nacional → realizações intelectuais → 
profundidade → classe média intelectual. 
 
● Zivilisation → França/Inglaterra → desenvolvimento social → maneiras e 
costumes → progresso → dimensão universalizante. 
 
● Para Elias, estudar a história desses conceitos permite perceber que as formas de 
pensar, os valores e as categorias utilizadas pelas pessoas também são produtos de 
processos sociais. 
 
● Portanto, a sociogênese consiste justamente em compreender a formação histórica 
dessas ideias a partir das relações e transformações da sociedade. 
 
● A principal conclusão do capítulo é que “civilização” e “cultura” são conceitos 
historicamente construídos, que expressam diferentes formas de autoimagem, 
distinção e identidade dos grupos sociais. 
 
● O conceito de civilização não deve ser entendido simplesmente como um estágio 
objetivo de “progresso”: é necessário investigar quem define o que é civilizado, em 
qual contexto e a partir de quais relações sociais. 
 
● Dessa forma, Elias conecta conceitos → estrutura social → relações de poder → 
identidade dos grupos → transformação histórica da sociedade. 
 
 
 
 
Guia 2 
Da sociogênese dos conceitos de “Civilização” e “Cultura” 
Introdução — O conceito de civilização 
● Norbert Elias analisa a formação histórica dos conceitos de “civilização” 
e “cultura”, mostrando que eles não possuem um significado universal e 
imutável. 
 
● Sociogênese: estudo da formação de conceitos e comportamentos a partir 
dos processos sociais e históricos que os produziram. 
 
● O significado de um conceito está relacionado às relações entre os grupos 
sociais, às suas posições e às disputas por distinção. 
 
● O conceito de civilização pode abranger uma grande variedade de aspectos 
da vida social: 
 
○ tecnologia; 
○ maneiras e comportamentos; 
○ conhecimentos científicos; 
○ ideias religiosas; 
○ costumes; 
○ habitação; 
○ relações entre homens e mulheres; 
○ formas de punição; 
○ preparação dos alimentos. 
● Portanto, praticamente qualquer comportamento pode ser considerado 
“civilizado” ou “incivilizado”, dependendo dos padrões utilizados por 
determinada sociedade. 
 
● O Ocidente passou a utilizar o conceito de “civilização” para representar 
aquilo que considerava seu próprio grau de desenvolvimento. 
 
● “Civilizado” também servia para estabelecer uma oposição entre os próprios 
ocidentais e aqueles considerados “bárbaros”, “primitivos” ou menos 
desenvolvidos. 
 
● O conceito carrega, portanto, uma autoimagem coletiva: ao falar em 
civilização, determinado grupotambém está dizendo como enxerga a si 
próprio. 
 
● Porém, franceses, ingleses e alemães não atribuíam exatamente o 
mesmo significado à ideia de civilização. 
 
● Elias utiliza principalmente Alemanha e França para mostrar como diferentes 
estruturas sociais produziram diferentes conceitos e formas de 
identificação. 
 
Parte I — Sociogênese da diferença entre Kultur e Zivilisation na Alemanha 
I — Introdução 
● Na Alemanha desenvolveu-se uma oposição importante entre os conceitos de 
Kultur e Zivilisation. 
 
● Zivilisation estava mais relacionada aos aspectos externos do 
comportamento: 
 
○ maneiras; 
○ etiqueta; 
○ aparência; 
○ cortesia; 
○ comportamento social. 
● Kultur passou a representar principalmente as realizações intelectuais, 
artísticas e espirituais. 
 
● A oposição entre os dois conceitos expressava também uma oposição entre 
diferentes grupos sociais alemães. 
 
● A aristocracia de corte valorizava as maneiras, a etiqueta e os padrões de 
comportamento associados à sociedade cortesã. 
 
● A classe média intelectual encontrava sua valorização principalmente nas 
realizações intelectuais, científicas, filosóficas e artísticas. 
 
● A intelligentsia burguesa alemã tinha pouco acesso ao poder político e à 
sociedade de corte. 
 
● Por isso, a classe média intelectual construiu sua identidade a partir de aquilo 
que conseguia produzir: conhecimento, arte, filosofia, literatura e 
formação intelectual. 
 
● Assim, Kultur tornou-se uma maneira de afirmar o valor próprio da 
burguesia intelectual diante da aristocracia. 
 
● A oposição entre Kultur e Zivilisation não era apenas uma diferença de 
palavras: era expressão de diferenças concretas na estrutura social 
alemã. 
 
II — Desenvolvimento da antítese entre Kultur e Zivilisation 
● A oposição entre Kultur e Zivilisation já estava presente na Alemanha antes 
do século XX. 
 
● A experiência da Primeira Guerra Mundial fortaleceu posteriormente essa 
oposição, pois a guerra foi apresentada também como uma luta em nome da 
“civilização”. 
 
● Porém, Elias mostra que a oposição não nasceu da guerra: ela possuía 
raízes sociais e históricas anteriores, especialmente no século XVIII. 
 
● Kultur passou a representar aquilo que seria mais profundo e autêntico. 
 
● Zivilisation podia ser associada ao que era externo, superficial e ligado às 
maneiras sociais. 
 
● A oposição pode ser resumida como: 
 
 Kultur → profundidade, interioridade, espírito, autenticidade 
 
 Zivilisation → exterioridade, aparência, comportamento, etiqueta 
 
● A filosofia de Kant é importante para Elias porque expressa essa valorização 
da moral e da interioridade em oposição à mera aparência externa. 
 
● A ideia de que uma pessoa poderia apresentar boas maneiras sem possuir 
verdadeira virtude reforçava a oposição entre aparência e profundidade. 
 
● Para a intelligentsia alemã, o verdadeiro valor do indivíduo não estava 
necessariamente em sua posição social ou em suas maneiras, mas em sua 
formação interior e produção intelectual. 
 
● Assim, Kultur tornou-se uma forma de afirmar que a verdadeira realização 
humana estava além da aparência social. 
 
● A oposição também adquiriu um significado nacional: Kultur passou a 
representar aquilo que seria especificamente alemão. 
 
● Já Zivilisation era associada com maior frequência à influência francesa e 
estrangeira. 
 
● Dessa forma, uma diferença inicialmente social entre grupos alemães 
começou também a adquirir uma dimensão nacional. 
 
● Contraste social → contraste cultural → contraste nacional. 
 
III — Exemplos de atitudes de corte na Alemanha 
● A sociedade de corte alemã era fortemente influenciada pelos padrões 
franceses. 
 
● O francês possuía grande prestígio entre as elites cortesãs. 
 
● A aristocracia utilizava formas de comportamento, linguagem e etiqueta 
associadas à sociedade de corte francesa. 
 
● Para os membros da corte, dominar essas maneiras era uma forma de 
demonstrar distinção social. 
 
● A etiqueta não era simplesmente uma questão de educação individual: ela 
funcionava como um mecanismo de diferenciação entre grupos sociais. 
 
● Saber como falar, vestir-se, comportar-se e relacionar-se indicava a posição 
ocupada pelo indivíduo dentro da sociedade. 
 
● A classe média intelectual alemã, entretanto, não possuía o mesmo acesso à 
sociedade de corte. 
 
● Isso produziu uma distância entre burguesia intelectual e aristocracia 
cortesã. 
 
● A burguesia passou a desenvolver formas próprias de valorização, 
especialmente relacionadas à educação, conhecimento, arte e 
pensamento. 
 
● A oposição à cultura cortesã ajudou a fortalecer a ideia de que o verdadeiro 
valor estava na interioridade e na realização intelectual, e não apenas no 
refinamento das maneiras. 
 
● Portanto, as atitudes da corte são importantes para Elias porque mostram que 
comportamentos aparentemente individuais são produzidos dentro de 
relações sociais. 
 
IV — A classe média e a nobreza de corte na Alemanha 
● A estrutura social alemã apresentava uma separação relativamente forte 
entre a burguesia e a aristocracia de corte. 
 
● A nobreza possuía prestígio social e acesso às posições de poder. 
 
● A classe média intelectual possuía formação e produção cultural, mas tinha 
menor participação nas decisões políticas. 
 
● A intelligentsia alemã estava concentrada principalmente em espaços como 
universidades, literatura, filosofia e artes. 
 
● Isso contribuiu para que a classe média construísse uma identidade baseada 
na cultura intelectual. 
 
● O sucesso econômico ou político não era o principal fundamento dessa 
identidade. 
 
● O orgulho da intelligentsia estava relacionado ao chamado “puramente 
espiritual” (rein Geistige). 
 
● Kultur expressava, portanto, aquilo que a classe média intelectual 
considerava sua verdadeira contribuição para a sociedade. 
 
● A aristocracia podia possuir boas maneiras e posição social, mas isso não 
significava necessariamente possuir a formação intelectual valorizada pela 
burguesia. 
 
● Surge assim uma oposição entre: 
 
○ posição social e aparência externa; 
○ realização intelectual e formação interior. 
● A oposição entre Kultur e Zivilisation funcionava, portanto, como uma forma 
de distinção social da classe média intelectual. 
 
● Ao mesmo tempo, essa distinção social foi gradualmente transformada em 
uma distinção nacional: aquilo que a burguesia intelectual considerava seu 
valor passou a ser associado ao que significava ser alemão. 
 
V — A intelligentsia alemã e a literatura 
● Elias utiliza exemplos da produção intelectual alemã para mostrar como essa 
oposição aparecia também na literatura e no pensamento. 
 
● A literatura tornou-se um espaço importante para a construção da identidade 
da intelligentsia. 
 
● A produção intelectual permitia à classe média afirmar seu valor mesmo 
estando afastada das posições de poder da aristocracia. 
 
● A valorização da formação interior aparece como contraponto à valorização 
das formas externas de comportamento. 
 
● O indivíduo deveria ser valorizado pelo que possuía interiormente, e não 
apenas pelo modo como se apresentava socialmente. 
 
● A literatura, a filosofia e as artes passaram a funcionar como campos nos 
quais a classe média intelectual podia construir prestígio e identidade. 
 
● Dessa forma, a oposição entre Kultur e Zivilisation também aparece como 
uma oposição entre profundidade e superficialidade. 
 
● A Kultur representava uma concepção de formação humana ligada ao 
espírito, à reflexão e à autenticidade. 
 
● A Zivilisation era associada principalmente às formas externas de convivência 
social. 
 
● O conceito de Kultur tornou-se, portanto, uma importante expressão da 
autoimagem da intelligentsia alemã. 
 
VI — Do contraste social ao contraste nacional 
● Inicialmente, a oposição Kultur/Zivilisation tinha um forte componente social 
interno. 
 
● Ela diferenciava principalmente a classe média intelectual da aristocraciade corte. 
 
● Com o tempo, esse contraste social foi transformado em um contraste entre 
alemães e outros povos, especialmente franceses. 
 
● A Kultur passou a representar a especificidade alemã. 
 
● A Zivilisation passou a ser associada a comportamentos considerados 
estrangeiros, sobretudo franceses. 
 
● Assim, a ideia de cultura passou a desempenhar uma função de identidade 
nacional. 
 
● Kultur enfatizava aquilo que diferenciava os alemães dos outros povos. 
 
● Já o conceito de civilização utilizado por franceses e ingleses possuía uma 
tendência mais universalizante. 
 
● Para Elias, os conceitos são inseparáveis dos processos históricos que 
formaram os grupos que os utilizam. 
 
● Portanto, não se pode compreender Kultur apenas como uma definição 
abstrata de “cultura”. 
 
● É necessário compreender quem utilizava o conceito, contra quem ele era 
utilizado e qual posição esse grupo ocupava na sociedade. 
 
● A oposição pode ser resumida: 
 
 Alemanha → burguesia intelectual × aristocracia de corte → Kultur × 
Zivilisation → identidade alemã. 
 
Parte II — Sociogênese do conceito de civilisation na França 
I — Introdução 
● A trajetória francesa foi diferente da alemã. 
 
● Na França, a intelligentsia burguesa e setores importantes da classe média 
foram incorporados relativamente cedo à sociedade de corte. 
 
● A separação entre burguesia e aristocracia não possuía a mesma rigidez 
encontrada na Alemanha. 
 
● Já no século XVII, havia uma aproximação significativa entre os costumes dos 
principais grupos burgueses e da aristocracia de corte. 
 
● Os grupos burgueses tiveram maior participação na vida política e social. 
 
● A burguesia francesa também entrou em contato com os mecanismos de 
poder e com os padrões de comportamento da corte. 
 
● Por isso, não surgiu na França uma oposição tão forte entre cultura 
burguesa e cultura cortesã quanto na Alemanha. 
 
● O conceito francês de civilisation não funcionou principalmente como uma 
rejeição da aristocracia. 
 
● Ele passou a expressar uma ideia mais ampla de desenvolvimento da 
sociedade. 
 
● A civilisation francesa incorporava: 
 
○ comportamento; 
○ costumes; 
○ política; 
○ economia; 
○ ciência; 
○ técnica; 
○ moral; 
○ organização social. 
● O conceito passou a representar também a ideia de progresso da própria 
sociedade francesa. 
 
● Depois da transformação política da França, elementos originalmente ligados 
à sociedade de corte foram incorporados à identidade nacional. 
 
● Assim, aquilo que antes distinguia a elite passou a ser apresentado como 
característica da nação francesa como um todo. 
 
II — Fisiocracia e movimento de reforma francês 
● Elias relaciona a formação do conceito de civilisation às transformações 
políticas e econômicas ocorridas na França. 
 
● A intelligentsia francesa não estava simplesmente afastada do poder político, 
como acontecia com a intelligentsia alemã. 
 
● Intelectuais e grupos burgueses franceses participavam mais diretamente dos 
debates sobre a organização da sociedade. 
 
● Isso permitiu que suas ideias fossem direcionadas para a reforma da 
sociedade existente. 
 
● A fisiocracia aparece como parte desse movimento de reflexão sobre a 
organização econômica e política da França. 
 
● Os fisiocratas buscavam compreender e reorganizar a sociedade a partir de 
princípios considerados racionais e naturais. 
 
● A ideia de reforma estava relacionada à necessidade de modificar instituições 
e formas de organização que impediam o desenvolvimento da sociedade. 
 
● O conceito de civilisation passou, então, a representar não apenas boas 
maneiras, mas um processo de aperfeiçoamento da sociedade. 
 
● A civilização passa a envolver a ideia de que a sociedade pode ser 
racionalmente organizada e transformada. 
 
● Diferentemente da Kultur alemã, ligada fortemente à produção intelectual e à 
identidade específica de um grupo, a civilisation francesa assumiu um caráter 
mais político, social e universal. 
 
● O conceito passou a expressar uma confiança na possibilidade de progresso 
social. 
 
● A ideia de civilização também podia ser apresentada como algo que deveria 
ser levado para além da própria França, assumindo uma dimensão 
universalizante. 
 
● A França passou a se considerar portadora de um modelo de 
desenvolvimento que poderia representar o progresso da humanidade. 
 
Comparação central: Alemanha × França 
󰎲 Alemanha 
● Kultur = realizações intelectuais, artísticas, filosóficas e espirituais. 
 
● Zivilisation = comportamento externo, maneiras, etiqueta e refinamento 
social. 
 
● A oposição surgiu relacionada à separação entre burguesia intelectual e 
aristocracia de corte. 
 
● A intelligentsia tinha pouco acesso ao poder político. 
 
● A burguesia valorizou a formação interior como fonte de distinção. 
 
● Kultur tornou-se elemento de identidade nacional alemã. 
 
● Ênfase na diferença e na especificidade. 
 
󰏃 França 
● Civilisation = desenvolvimento amplo da sociedade. 
 
● Inclui comportamento, política, economia, ciência, técnica, moral e 
organização social. 
 
● Burguesia e intelligentsia tiveram maior aproximação com a sociedade de 
corte. 
 
● Existia maior circulação entre grupos sociais. 
 
● A intelligentsia participava mais diretamente dos debates políticos. 
 
● O conceito de civilisation passou a representar reforma e progresso social. 
 
● Ênfase maior no universal e no progresso da humanidade. 
 
Essa diferença entre França e Alemanha é justamente uma das principais 
demonstrações da sociogênese feita por Elias: conceitos diferentes surgem porque 
os grupos sociais passaram por trajetórias históricas diferentes. 
● 
 
	Guia 1 
	Guia 2 
	Da sociogênese dos conceitos de “Civilização” e “Cultura” 
	Introdução — O conceito de civilização 
	Parte I — Sociogênese da diferença entre Kultur e Zivilisation na Alemanha 
	I — Introdução 
	II — Desenvolvimento da antítese entre Kultur e Zivilisation 
	III — Exemplos de atitudes de corte na Alemanha 
	IV — A classe média e a nobreza de corte na Alemanha 
	V — A intelligentsia alemã e a literatura 
	VI — Do contraste social ao contraste nacional 
	Parte II — Sociogênese do conceito de civilisation na França 
	I — Introdução 
	II — Fisiocracia e movimento de reforma francês 
	Comparação central: Alemanha × França 
	🇩🇪 Alemanha 
	🇫🇷 França

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