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23 Anais 72 Congresso Nacional de Botânica - Resumo

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23 Anais 72 Congresso Nacional de Botânica
519 pág.

Educação Ambiental Faculdade Venda Nova do ImigranteFaculdade Venda Nova do Imigrante

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## Resumo do material acadêmico: "Botânica: para que e para quem? Desafios, avanços e perspectivas na sociedade contemporânea"O livro **“Botânica: para que e para quem? Desafios, avanços e perspectivas na sociedade contemporânea”** reúne os textos das palestras apresentadas durante o 72º Congresso Nacional de Botânica, organizado pela Sociedade Botânica do Brasil. A obra é dividida em três partes principais: palestras magistrais, simpósios temáticos e mesas-redondas, abordando temas que vão desde a conscientização sobre a importância das plantas até metodologias inovadoras de ensino e pesquisa colaborativa. O objetivo central é inspirar futuras gerações de botânicos e fortalecer a pesquisa e o ensino da botânica no Brasil, país de enorme biodiversidade vegetal, mas que enfrenta desafios ambientais e sociais significativos.### Parte 1: Palestras – Plant Blindness e SustentabilidadeA palestra de Dawn Sanders destaca o fenômeno da **“cegueira botânica”** (plant blindness), termo que descreve a tendência humana de ignorar ou subestimar a importância das plantas no mundo natural e em nossas vidas. Apesar das plantas serem essenciais para a vida na Terra — fornecendo oxigênio, alimento e habitat —, muitas pessoas não as percebem ou valorizam adequadamente. Sanders enfatiza que essa falta de atenção está relacionada a fatores culturais, econômicos e educacionais, e que a urbanização e a industrialização agravam esse distanciamento.A pesquisadora apresenta um estudo interdisciplinar realizado na Universidade de Gotemburgo, Suécia, com estudantes de licenciatura, que investigou como experiências sensoriais e narrativas artísticas podem alterar percepções e atitudes em relação às plantas. O estudo utilizou métodos qualitativos e quantitativos, incluindo questionários, conversas em ambientes como jardins botânicos e centros de ciência, e interações com instalações artísticas. Os resultados indicam que memórias afetivas, beleza estética e narrativas que humanizam as plantas podem ajudar a superar a cegueira botânica, promovendo uma maior conexão emocional e cognitiva com o mundo vegetal. Contudo, a pesquisa também ressalta que, em ambientes ricos em animais, as plantas precisam ser explicitamente destacadas para serem notadas.Sanders conclui que a integração entre ciência, arte e educação é fundamental para reverter a cegueira botânica e fomentar uma relação mais sustentável entre humanos e plantas. Ela alerta para o risco de perda irreversível da biodiversidade vegetal devido às ações humanas e destaca a necessidade urgente de valorizar as plantas para garantir a sobrevivência dos ecossistemas e da humanidade.### Parte 2: Simpósios – Saberes Botânicos e Pesquisa ColaborativaO capítulo organizado por Paulo Takeo Sano, Rebeca Verônica Ribeiro Viana e Ronaldo Andrade dos Santos aborda a **coprodução de conhecimento** como uma abordagem inovadora e necessária para a pesquisa em botânica, especialmente em contextos de biodiversidade e sustentabilidade. Eles defendem que os saberes botânicos não se limitam ao conhecimento acadêmico formal, mas incluem uma multiplicidade de conhecimentos locais, tradicionais e escolares, que devem dialogar de forma simétrica e complementar.A coprodução de conhecimento envolve a colaboração entre pesquisadores acadêmicos e membros de comunidades locais, como povos tradicionais e quilombolas, que são coparticipantes ativos em todas as etapas da pesquisa — desde o planejamento até a disseminação dos resultados. Essa abordagem transdisciplinar e horizontal busca superar as barreiras tradicionais da ciência, que muitas vezes desconsidera ou subestima os saberes não acadêmicos.O grupo de pesquisa “Cajuí”, que atua em comunidades quilombolas do Jalapão (Tocantins), exemplifica essa metodologia. Utilizando métodos participativos como rodas de conversa e photovoice (fotografia participativa), o grupo promoveu o empoderamento das comunidades, valorizando suas narrativas, práticas culturais e conhecimentos sobre a biodiversidade local. As rodas de conversa, por serem um método familiar e acolhedor, facilitaram o diálogo e a construção coletiva do conhecimento, enquanto o photovoice permitiu que os participantes expressassem suas percepções e controlassem a divulgação de suas imagens e histórias.Os autores destacam os desafios dessa abordagem, especialmente no que tange às **representações de poder** entre acadêmicos e comunidades locais. A cultura científica tradicional tende a privilegiar o conhecimento validado pela ciência, criando uma assimetria que precisa ser desconstruída para que a coprodução seja efetiva. O processo exige confiança, diálogo aberto e reconhecimento mútuo da validade dos diferentes saberes. Além disso, a integração de objetivos e expectativas entre os parceiros é complexa, mas essencial para o sucesso da pesquisa colaborativa.No âmbito do ensino, a coprodução de conhecimento também implica repensar a educação científica, incorporando uma visão crítica, libertadora e emancipatória, alinhada à pedagogia social. Isso permite que os educandos compreendam o mundo de forma mais ampla e participem ativamente da construção de uma cidadania ambiental e social. Para os pesquisadores acadêmicos, a experiência de coprodução representa uma oportunidade de aprendizado cultural e superação de preconceitos, contribuindo para uma ciência mais diversa, justa e sustentável.### Implicações e Conclusões GeraisO conjunto das palestras e simpósios apresentados no congresso evidencia a necessidade urgente de repensar a relação entre humanos e plantas, tanto no campo da pesquisa quanto no ensino e na divulgação científica. A cegueira botânica, fenômeno que reduz a percepção e valorização das plantas, é um obstáculo para a conservação da biodiversidade e para a construção de sociedades sustentáveis. Superá-la requer abordagens interdisciplinares que integrem ciência, arte e educação, promovendo experiências sensoriais e narrativas que conectem emocionalmente as pessoas às plantas.A coprodução de conhecimento surge como uma metodologia promissora para ampliar o entendimento sobre a biodiversidade, incorporando saberes tradicionais e locais que enriquecem a ciência e fortalecem as comunidades envolvidas. Essa abordagem demanda a superação de relações de poder desiguais e a construção de diálogos horizontais, que valorizem a diversidade cultural e epistemológica. No contexto brasileiro, com sua megadiversidade e pluralidade cultural, essa perspectiva é especialmente relevante para garantir a preservação da flora e a justiça socioambiental.Por fim, o material reforça que o ensino de botânica deve ser dinâmico, crítico e inclusivo, formando cidadãos conscientes e defensores da flora. A integração entre pesquisa, ensino e extensão é fundamental para que o conhecimento botânico contribua efetivamente para a sustentabilidade ambiental e social, inspirando novas gerações a valorizar e proteger as plantas e seus ecossistemas.---### Destaques- **Cegueira botânica** é a falta de atenção e valorização das plantas, um fenômeno cultural e educacional que compromete a sustentabilidade.- Experiências sensoriais e narrativas artísticas podem ajudar a superar a cegueira botânica, promovendo conexões emocionais com as plantas.- A **coprodução de conhecimento** envolve a colaboração horizontal entre pesquisadores acadêmicos e comunidades locais, valorizando saberes tradicionais e científicos.- Desafios da coprodução incluem a superação das representações de poder e a construção de diálogos baseados na confiança e no respeito mútuo.- O ensino de botânica deve ser crítico, inclusivo e integrado à pesquisa e extensão, formando cidadãos conscientes da importância das plantas para a vida e o planeta.

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