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UNIP - UNIVERSIDADE PAULISTA INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE (ICS) CURSO DE ENFERMAGEM Trabalho apresentado à Universidade Paulista como requisitos exigidos na atividade prática supervisionada na disciplina Enfermagem em Prática clínica no processo de cuidar da saúde do adulto sob orientação da profª Eliana Amaral CASO CLÍNICO: Cardiovascular CAMPINAS - SP 2026 ANE GABRIELA ORTIZ TOLEDO CASO CLÍNICO: Cardiovascular CAMPINAS - SP 2026 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO...................................................................................................................... - 1.1. Definição ........................................................................................................................... - 1.2. Etiologia ............................................................................................................................ - 1.3. Fisiopatologia .................................................................................................................... - 1.4. Avaliação diagnóstica .................................................................................................................. - 1.5. Tratamento ........................................................................................................................ - 1.5.1. Tratamento farmacológico ........................................................................................ - 2. TEORIA DE ENFERMAGEM ............................................................................................ - 3. PROCESSO DE ENFERMAGEM ...................................................................................... - 3.1. Avaliação de Enfermagem ........................................................................................................... - 3.2. Diagnóstico de Enfermagem ........................................................................................................ - 3.3. Planejamento de Enfermagem ...................................................................................................... - 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................ - 1. DIAGNÓSTICO CLÍNICO Trata-se de uma paciente do sexo feminino, 76 anos, com histórico de hipertensão arterial sistêmica de longa data e adesão irregular ao tratamento medicamentoso, internada em unidade de clínica médica com diagnóstico de insuficiência cardíaca descompensada associada a edema agudo de pulmão. Ao exame clínico, apresenta sinais de instabilidade hemodinâmica, como hipotensão arterial (PA 90/60 mmHg), taquicardia importante (175 bpm) com ritmo irregular, além de dispneia e taquipneia (29 irpm), necessitando de oxigenoterapia. A ausculta pulmonar evidencia crepitações, sugerindo congestão pulmonar, enquanto a avaliação cardíaca demonstra presença de terceira bulha (B3) e sopro sistólico compatível com insuficiência mitral. Exames complementares corroboram o quadro clínico, com radiografia de tórax evidenciando cardiomegalia e edema pulmonar, e eletrocardiograma mostrando fibrilação atrial com resposta ventricular rápida e sinais de sobrecarga ventricular. 1.1 Definição A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue em quantidade suficiente para atender às necessidades metabólicas dos tecidos, ou de fazê-lo apenas às custas de elevadas pressões de enchimento ventricular. Essa condição pode resultar de alterações estruturais ou funcionais do coração, levando à redução do débito cardíaco e/ou ao aumento das pressões intracardíacas, tanto em repouso quanto durante o esforço (BRASIL, 2018). A IC manifesta-se por sinais e sintomas típicos, como dispneia, fadiga e retenção de líquidos, decorrentes da congestão pulmonar e sistêmica. Trata-se de uma condição progressiva, frequentemente associada a doenças crônicas, como a hipertensão arterial, sendo uma importante causa de morbimortalidade na população idosa. Nos casos de descompensação da insuficiência cardíaca, pode ocorrer o edema agudo de pulmão (EAP), uma complicação grave e potencialmente fatal. O EAP é caracterizado pelo acúmulo anormal de líquido no interstício e nos alvéolos pulmonares, levando à troca gasosa prejudicada e, consequentemente, à insuficiência respiratória aguda (RIBEIRO et al., 2014). Essa condição representa uma emergência clínica, pois envolve o comprometimento dos sistemas cardiovascular e respiratório, com redução da capacidade de autorregulação do organismo, exigindo intervenção imediata (BRASIL, 2010). 1.2 Etiologia A insuficiência cardíaca (IC) é uma condição de origem multifatorial, resultante de alterações estruturais e/ou funcionais do miocárdio que comprometem a capacidade do coração de bombear sangue de forma adequada. Entre as principais causas, destacam-se a hipertensão arterial sistêmica, a doença arterial coronariana, as valvopatias, as cardiomiopatias e as arritmias cardíacas (BRASIL, 2018). No caso apresentado, a principal causa está relacionada à hipertensão arterial sistêmica de longa duração, associada à baixa adesão ao tratamento medicamentoso. Ao longo do tempo, a pressão arterial elevada impõe uma sobrecarga contínua ao ventrículo esquerdo, levando a adaptações como a hipertrofia do músculo cardíaco e o remodelamento ventricular, que, progressivamente, evoluem para disfunção cardíaca. Além disso, a presença de fibrilação atrial com resposta ventricular rápida agrava o quadro clínico, pois interfere no enchimento adequado do ventrículo e reduz a eficiência do débito cardíaco, favorecendo a descompensação da insuficiência cardíaca. Outro ponto importante é a evolução para o edema agudo de pulmão (EAP), que ocorre devido ao aumento das pressões dentro do coração, especialmente no ventrículo esquerdo. Esse aumento de pressão leva ao extravasamento de líquido para os pulmões, comprometendo a troca gasosa. Esse processo pode ser desencadeado por fatores como descontrole da pressão arterial, arritmias, uso inadequado das medicações e sobrecarga de líquidos (RIBEIRO et al., 2014). Dessa forma, o quadro clínico da paciente pode ser compreendido como resultado da associação entre uma doença crônica mal controlada, fatores agravantes e alterações progressivas do coração, culminando na insuficiência cardíaca descompensada associada ao edema agudo de pulmão. 1.3 Fisiopatologia A insuficiência cardíaca (IC) é caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue de forma eficiente, comprometendo a perfusão tecidual e levando a sinais e sintomas como dispneia, fadiga e edema (FERNANDES; RODRIGUES NETO, s.d.). No caso apresentado, a hipertensão arterial crônica leva à sobrecarga do ventrículo esquerdo, resultando em hipertrofia, remodelamento ventricular e prejuízo do relaxamento cardíaco. Com a progressão, ocorre disfunção ventricular e redução do débito cardíaco (GUYTON; HALL, 2021). Como consequência, há aumento das pressões de enchimento do ventrículo esquerdo, que se transmite para a circulação pulmonar, elevando a pressão nos capilares pulmonares. Esse processo leva ao extravasamento de líquido para o interstício e os alvéolos, caracterizando o edema agudo de pulmão, com comprometimento da troca gasosa (BRAUNWALD, 2022). A presença de fibrilação atrial com resposta ventricular rápida agrava o quadro ao reduzir o enchimento ventricular e o débito cardíaco, contribuindo para a instabilidade hemodinâmica (JANUARY et al., 2023). Além disso, a ativação de mecanismos compensatórios, como o sistema nervoso simpático e o sistema renina-angiotensina-aldosterona, promove retenção de líquidos e vasoconstrição,intensificando a congestão pulmonar e a sobrecarga cardíaca (BRAUNWALD, 2022). 1.4 Avaliação diagnóstica O diagnóstico da insuficiência cardíaca descompensada é realizado a partir da associação entre os achados clínicos e os exames complementares, permitindo avaliar a gravidade do quadro (MCDONAGH et al., 2021). No caso apresentado, a paciente apresenta sinais típicos de descompensação, como dispneia, taquipneia, crepitações à ausculta pulmonar e necessidade de oxigenoterapia. Além disso, observa-se instabilidade hemodinâmica, evidenciada por pressão arterial reduzida (90/60 mmHg) e frequência cardíaca elevada e irregular. A avaliação clínica também evidencia a presença de terceira bulha (B3), indicativa de sobrecarga de volume, e sopro sistólico sugestivo de insuficiência mitral, além de deslocamento do ictus cordis, indicando alteração estrutural cardíaca (BRAUNWALD, 2022). A radiografia de tórax é um exame importante, evidenciando cardiomegalia e sinais de congestão pulmonar compatíveis com edema pulmonar (BRAUNWALD, 2022). O eletrocardiograma permite identificar alterações no ritmo cardíaco, como a fibrilação atrial com resposta ventricular rápida, além de sinais de sobrecarga ventricular (JANUARY et al., 2023). O ecocardiograma é considerado o principal exame complementar, pois avalia a função ventricular, a fração de ejeção e possíveis alterações estruturais, como disfunções valvares (MCDONAGH et al., 2021). 1.5 Tratamento O tratamento clínico da insuficiência cardíaca (IC), especialmente quando associada ao edema agudo de pulmão (EAP), tem como objetivo estabilizar o paciente e aliviar os sintomas respiratórios (PONIKOWSKI et al., 2016). Entre as principais medidas estão a administração de oxigênio, para melhorar a oxigenação, e o posicionamento em semifowler, que facilita a respiração e reduz a congestão pulmonar (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2018). Também é fundamental o monitoramento dos sinais vitais e do balanço hídrico, além do controle da ingestão de sódio e líquidos, visando reduzir a sobrecarga cardíaca (PONIKOWSKI et al., 2016). A equipe de enfermagem tem papel essencial na vigilância clínica e na orientação do paciente quanto à adesão ao tratamento e identificação de sinais de piora (POTTER et al., 2018). 1.5.1 Tratamento farmacológico O tratamento farmacológico da insuficiência cardíaca (IC) associada ao edema agudo de pulmão (EAP) tem como objetivo reduzir a sobrecarga cardíaca, melhorar os sintomas e aumentar a sobrevida do paciente (PONIKOWSKI et al., 2016). Os diuréticos de alça, como a furosemida, são amplamente utilizados para promover a eliminação do excesso de líquidos, reduzindo a congestão pulmonar e o edema (PITT et al., 1999; ZANNAD et al., 2011). Os vasodilatadores também podem ser empregados, pois diminuem a resistência vascular, facilitando o trabalho do coração e melhorando o débito cardíaco (PONIKOWSKI et al., 2016). Além disso, os betabloqueadores, como o carvedilol, são indicados para o controle da frequência cardíaca, especialmente em casos de fibrilação atrial, contribuindo para a redução da mortalidade e das complicações (PACKER et al., 1996; PACKER et al., 2002). Outro grupo importante são os fármacos que atuam no sistema renina-angiotensina, como os inibidores da ECA e os bloqueadores dos receptores de angiotensina, que auxiliam no controle da pressão arterial e na redução da progressão da doença (FLATHER et al., 2000; YOUNG et al., 2004). A adesão correta ao tratamento medicamentoso é fundamental, sendo a não utilização adequada uma das principais causas de descompensação da doença (PONIKOWSKI et al., 2016). 2. TEORIA DE ENFERMAGEM A Teoria do Autocuidado, proposta por Dorothea Orem, baseia-se no princípio de que os indivíduos possuem capacidade de realizar cuidados necessários para a manutenção da vida, da saúde e do bem-estar. Quando essa capacidade é insuficiente, ocorre o chamado déficit de autocuidado, tornando necessária a atuação da enfermagem (OREM, 1995). Essa teoria está estruturada em três conceitos principais: o autocuidado, o déficit de autocuidado e os sistemas de enfermagem, que podem ser totalmente compensatório, parcialmente compensatório ou de apoio-educação, conforme o grau de dependência do paciente. No caso clínico apresentado, observa-se que a paciente, portadora de insuficiência cardíaca, apresenta descompensação do quadro associada ao edema agudo de pulmão, além de histórico de uso irregular da losartana. Esse fator evidencia um déficit de autocuidado, especialmente relacionado à adesão ao tratamento medicamentoso, contribuindo diretamente para o agravamento da condição clínica. Diante disso, a paciente necessita de um sistema de enfermagem parcialmente compensatório, no qual a equipe de enfermagem atua tanto na assistência direta, devido à instabilidade clínica evidenciada por dispneia, taquicardia e alterações hemodinâmicas, quanto no suporte para retomada do autocuidado. A atuação da enfermagem inclui monitorização contínua, administração de oxigênio, controle do balanço hídrico e dos sinais vitais, além de intervenções educativas voltadas à adesão ao tratamento, uso correto das medicações, controle da dieta e reconhecimento precoce de sinais de descompensação. Dessa forma, a aplicação da Teoria do Autocuidado de Orem permite compreender as necessidades da paciente de forma integral, contribuindo para a recuperação clínica, prevenção de novas internações e promoção da autonomia no cuidado à saúde. 3. PROCESSO DE ENFERMAGEM 3.1 Avaliação de enfermagem A paciente do sexo feminino, 76 anos, com histórico de hipertensão arterial sistêmica e baixa adesão ao tratamento medicamentoso, encontra-se internada com diagnóstico de insuficiência cardíaca descompensada associada ao edema agudo de pulmão. Na avaliação de enfermagem, apresenta-se em estado geral comprometido, consciente, porém com importante desconforto respiratório. Observa-se dispneia intensa, taquipneia (29 irpm) e necessidade de oxigenoterapia para manutenção da oxigenação adequada. Os sinais vitais evidenciam instabilidade hemodinâmica, com pressão arterial de 90/60 mmHg e frequência cardíaca elevada (175 bpm), com ritmo irregular. À ausculta pulmonar, identificam-se crepitações difusas, compatíveis com congestão pulmonar. Na avaliação cardiovascular, observa-se presença de terceira bulha (B3) e sopro sistólico sugestivo de insuficiência mitral. Apresenta sinais de sobrecarga hídrica, com retenção de líquidos e possível edema periférico, além de limitação para realização de atividades devido à dispneia. No que se refere aos aspectos de autocuidado, observa-se comprometimento relacionado à adesão ao tratamento medicamentoso, evidenciado pelo uso irregular de anti-hipertensivos. Dessa forma, a avaliação de enfermagem evidencia alterações nos sistemas cardiovascular e respiratório, além de déficit no autocuidado, demandando intervenções imediatas e contínuas da equipe de enfermagem. 3.2 Diagnósticos de enfermagem A partir da avaliação realizada e com base no NANDA-I, foi possível identificar diagnósticos de enfermagem relevantes para o quadro apresentado pela paciente. Débito cardíaco diminuído (domínio 4 – atividade/ repouso | classe 4 – respostas cardiovasculares/pulmonares) Está relacionado à alteração da contratilidade do miocárdio e à presença de arritmia, sendo evidenciado por sinais como hipotensão arterial, taquicardia, ritmo cardíaco irregular, presença de terceira bulha (B3) e dispneia. Troca de gases prejudicada (domínio 3 – eliminação e troca | classe 4 – função respiratória) Está relacionado à redução da complacência pulmonar em decorrência da congestão pulmonar. Esse diagnóstico é evidenciado por respiração acelerada, esforço respiratório aumentado e sensação de falta de ar. Padrão respiratório ineficaz(domínio 4 – atividade/ repouso | classe 4 – respostas cardiovasculares/pulmonares) Está relacionado à redução da complacência pulmonar em decorrência da congestão pulmonar. Esse diagnóstico é evidenciado por respiração acelerada, esforço respiratório aumentado e sensação de falta de ar. Volume de líquidos excessivos (domínio 2 – nutrição | classe 5- hidratação) Está relacionado à incapacidade do organismo em regular adequadamente o volume de líquidos, situação comum em casos de insuficiência cardíaca. Esse quadro pode ser observado por meio de edema, congestão pulmonar e presença de crepitações. Tolerância à atividade diminuída (domínio 4 – atividade/ repouso | classe 3 – equilíbrio de energia) Está relacionado ao desequilíbrio entre a oferta e a demanda de oxigênio. A paciente apresenta limitação para realizar atividades, fadiga e dispneia aos esforços, o que reforça esse diagnóstico. Autogestão ineficaz da saúde (domínio 1 – promoção da saúde | classe 2 – gestão da saúde) Está relacionado ao conhecimento insuficiente sobre o tratamento e à dificuldade de adesão. Esse aspecto é evidenciado pelo uso irregular de medicações anti-hipertensivas, fator que contribui diretamente para a descompensação do quadro clínico. .