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ARTIGO CIENTÍFICO Vivência e aprendizagem com aluno TEA no 1º ano do processo de
alfabetização
RESUMO Este artigo analisa vivências pedagógicas no processo de alfabetização de uma criança
com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível leve, matriculada no 1º ano do Ensino
Fundamental em escola regular. O objetivo é identificar como estratégias de ensino
personalizadas, vínculo afetivo, flexibilização didática e leitura sensível do campo emocional
contribuem para avanços significativos de aprendizagem e autorregulação. A abordagem
metodológica utilizada é qualitativa, estudo de caso único real, com observação cotidiana
pedagógica. Evidenciou-se que o desenvolvimento acadêmico não depende exclusivamente de
método, mas do reconhecimento integral do sujeito.
INTRODUÇÃO A alfabetização de crianças com TEA no contexto escolar brasileiro requer
mudanças contínuas nas práticas pedagógicas, especialmente no 1º ano, fase em que linguagem,
intenção comunicativa, simbolização e construção neurolinguística começam a se consolidar
dentro de rotinas formais. A BNCC reconhece a alfabetização como processo amplo, não linear e
autorregulado. Em crianças autistas, este movimento pode ocorrer com ritmos diferentes, exigindo
acolhimento sensorial, segurança emocional e estratégias que legitimem a singularidade
neurodivergente. A escola precisa abandonar a padronização rígida e assumir postura
investigativa.
REFERENCIAL TEÓRICO Estudos recentes mostram que alunos TEA podem desenvolver leitura
e escrita com eficácia quando o ensino trabalha simultaneamente linguagem funcional, interesse
restrito como ponte, pistas visuais claras, modelagem, segmentação de tarefas e rotina previsível.
Além disso, pesquisas em psicopedagogia integrativa apontam que vínculo afetivo, energia de
presença e relação significativa entre professora e aluno aumentam foco, permanência na
atividade e engajamento cognitivo. O aprendizado não é puramente técnico: ele é energético,
atmosférico, relacional.
METODOLOGIA Abordagem qualitativa – estudo de caso em sala regular de 1º ano. Observações
foram registradas em diário pedagógico no período de três semanas. A análise foi interpretativa,
considerando interações, respostas emocionais, produção escrita inicial, episódios de regulação
sensorial e respostas sociais dentro do coletivo.
RESULTADOS - O aluno aumentou tempo de permanência na atividade quando teve pistas
previsíveis, instruções curtas e modelos visuais. - O uso de interesse especial como porta de
entrada favoreceu maior produção escrita espontânea. - Intervenções curtas e guiadas pela
professora, com toque verbal suave e olhar de conexão, reduziram ansiedade. - A alfabetização
avançou melhor em ambiente com menor ruído, lugar fixo e rituais de começo e fechamento.
DISCUSSÃO A aprendizagem emergiu quando o aluno foi tratado como sujeito singular e não
como categoria diagnóstica. Não houve evolução significativa quando se tentava “adequá-lo ao
grupo”, mas sim quando o grupo também se estruturou para acolher seu tempo. A pedagogia para
TEA precisa compreender que o cérebro autista não responde bem a pressão e velocidade. Ele
responde a simbolização, clareza, previsibilidade, segurança vibracional.
CONCLUSÃO O processo de alfabetização de crianças TEA no 1º ano é possível, potente,
sensível, expansivo e precisa de professores abertos ao novo. Não é o diagnóstico que limita: é a
falta de personalização. O cuidado afetivo, a espiritualidade do vínculo e o olhar clínico integrado
transformam aprendizagem em experiência real significativa. Cada criança autista traz uma
frequência específica, e quando a escola lê essa frequência… a leitura escrita flui.
PALAVRAS-CHAVE: TEA; Alfabetização; Educação Inclusiva; Vivência Pedagógica;
Neurodiversidade.

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