Prévia do material em texto
AULA ATIVIDADE ALUNO AULA ATIVIDADE TUTOR AULA ATIVIDADE ALUNO Disciplina: Estratégia da Saúde da Família Teleaula: 04 Título: Processo de trabalho e sistemas de informações na ESF Prezado(a) Tutor(a), A aula atividade tem a finalidade de promover o autoestudo das competências e conteúdos relacionados à Unidade de Ensino 4. Siga todas as orientações indicadas e conte sempre com a mediação do seu tutor e a interatividade com o professor no Chat Atividade e Fórum de Discussão. Bons estudos! Análise da Situação-Problema ATIVIDADE 1 Uma Unidade de Saúde da Família foi implantada há 5 anos e é uma das mais estruturadas da cidade, mas apresenta problemas relacionados ao processo de trabalho, tais como: • Idosos acamados sem assistência de visita domiciliar. Em muitos domicílios, os familiares não estão dispostos a tomar parte dos cuidados dos idosos, ou não sabem como lidar com esses idosos. • Falta de computadores na unidade ESF para digitação e informatização do sistema de coleta de dados, atrasando a execução dos serviços. • Acolhimento precário, gerando insatisfação popular. A equipe não sabe acolher, nem explicar o funcionamento da unidade e os usuários fazem reclamações frequentes à gestão municipal pela falta de respostas às suas solicitações. • Demora na marcação de consultas médicas. O tempo médio de espera por consultas de demanda programada na unidade é de quarenta dias, a despeito de serem realizados uma média de 25 atendimentos médicos/ dia, sendo 20 provenientes do agendamento e 5 da demanda espontânea, totalizando cerca de 400 atendimentos/mês. • Grande número de diabéticos mal controlados. Devido à dificuldade de retornos no prazo adequado para os ajustes de medicamentos e à baixa adesão ao tratamento por muitos pacientes. Descrição do problema: a equipe de saúde da família identificou o acolhimento precário e a consequente insatisfação popular como um problema de grande relevância para a comunidade. Durante reunião de equipe percebe-se que este é o ponto chave para que muitos outros problemas sejam resolvidos e que a equipe tem governabilidade sobre eles. Fonte: ROCHA, R. C. (Adaptado) Plano de ação para o acolhimento dos usuários atendidos na UBS Satyro Coelho de Moraes em Arceburgo-MG (TCC). Universidade Federal de Minas Gerais, 2014. Disponível em: https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/Plano_de_a%C3%A7ao_para_acol himento_dos_usuarios_atendidos_na_UBS_Satyro.pdf. Acesso em 08 set. 2021. https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/Plano_de_a%C3%A7ao_para_acolhimento_dos_usuarios_atendidos_na_UBS_Satyro.pdf https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/Plano_de_a%C3%A7ao_para_acolhimento_dos_usuarios_atendidos_na_UBS_Satyro.pdf AULA ATIVIDADE ALUNO Considerando essa situação problema, responda as questões a seguir: 1- Considerando que na situação problema o acolhimento inadequado é resultado da falta de conhecimento da equipe profissional. Defina acolhimento como diretriz da Política Nacional de Humanização, relacionada à Estratégia da Saúde a Família. 2- Faça uma análise dos problemas levantados que podem ser mais bem resolvidos com a prática do acolhimento, incluindo a organização da demanda espontânea. 3- A falta de computadores pode impactar na produção/tempo de trabalho, algumas alternativas para resolver essa situação podem ser propostas, entre elas, solicitar para a gestão do município a compra desses equipamentos, outra forma de reivindicar, é através da participação popular nas reuniões do conselho local. Os computadores são utilizados por essa equipe de saúde da família para alimentar as informações do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB). Explique sobre o SISAB. 4- Explique sobre a importância da visita domiciliar, considerando a problemática enfrentada por essa equipe de saúde da família. Sugestões 1- Caso ache necessário, pode fornecer materiais complementares para que os alunos possam estudar. 2- Sempre que necessário, conte com o auxílio do professor e do tutor a distância para resolução da atividade. GABARITO Caro (a) tutor (a), segue o gabarito comentado: Obrigada pela parceira, fique à vontade para refletir junto aos alunos considerando suas contribuições e experiências profissionais. 1-O acolhimento é uma das principais diretrizes éticas, estéticas e políticas da Política Nacional de Humanização do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. Definido em documentos oficiais como a recepção do usuário no serviço de saúde, compreende a responsabilização dos profissionais pelo usuário, a escuta qualificada de sua queixa e angústias, a inserção de limites, se for preciso, a garantia de assistência resolutiva e a articulação com outros serviços para continuidade do cuidado quando necessário. Estudos nacionais apresentam o acolhimento sob diversos olhares. Partindo da compreensão de que é uma etapa do processo de trabalho, podendo ser realizado em um espaço físico determinado e por meio de uma equipe designada para atender à demanda da população adscrita, o acolhimento passa a ser pensado como uma "relação AULA ATIVIDADE ALUNO de ajuda", em que os usuários são aqueles que procuram ajuda, sendo simultaneamente "objetos e agentes da ação", pois opinam e tomam decisões. Outra perspectiva, eminentemente comunicacional, considera a rede tecnoassistencial de um serviço como uma verdadeira rede de conversação, onde cada nó (encontro com o usuário) envolve várias técnicas específicas (inclusive as de conversa), e concebe o acolhimento como dispositivo que promove a articulação das diferentes atividades (diferentes conversas) num espaço coletivo de conversações. Desse modo, o acolhimento não se faz apenas na porta de entrada das unidades de saúde, mas está presente em todo o percurso. Portanto, pode ser utilizado como ferramenta para a implantação de novas práticas em saúde, com base na problematização e reorganização dos processos de trabalho. Sua função é atender a demanda diária da unidade de saúde, fazendo com que os usuários tenham resolutividade dos problemas menos complexos ou encaminhamento para outros serviços, quando necessário, por meio da equipe multiprofissional. Por fim, o acolhimento pode ser entendido como tecnologia relacional capaz de desenvolver e fortalecer afetos, potencializando o processo terapêutico entre a população, os profissionais e os gestores do sistema de saúde. Depreende-se que uma unidade de saúde seria capaz de reorganizar seu processo de trabalho a partir da utilização do acolhimento, revendo necessidades e prioridades, realizando a classificação por risco, evitando, na medida do possível, as filas por ordem de chegada, e, principalmente, a espera desnecessária dos usuários. 2- Com a organização do processo de trabalho, incluindo o acolhimento com classificação de risco, que é uma ferramenta que, além de garantir atendimento imediato do usuário com grau de risco elevado, propicia informações aos usuários sobre sua condição de saúde e o tempo de espera; promove o trabalho em equipe; melhora as condições de trabalho aos profissionais de saúde por meio da discussão da ambiência e implantação do cuidado horizontalizado; aumenta a satisfação dos usuários e fomenta a pactuação entre os serviços da rede assistencial. Com a implantação do acolhimento com classificação de risco, situações como insatisfação da população, demora na marcação de consultas médicas e DM não controlada. Além, do acolhimento impactar positivamente na integralidade. 3- O Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB) foi instituído pela Portaria GM/MS nº 1.412, de 10 de julho de 2013, passando a ser o sistema de informação da Atenção Básica vigente para fins de financiamento e de adesão aos programas e estratégias da Política Nacional de Atenção Básica, substituindo o Sistema de Informação daAtenção Básica (SIAB). O SISAB integra a estratégia do Departamento de Saúde da Família (DESF/SAPS/MS) denominada e-SUS Atenção Primária (e-SUS APS), que propõe o incremento da gestão da informação, a automação dos processos, a melhoria das condições de infraestrutura e a melhoria dos processos de trabalho. Além do SISAB, temos os sistemas e-SUS APS para captar os dados, que é composto por dois sistemas de software que instrumentalizam a coleta dos dados que serão inseridos no SISAB. São eles: • Coleta de Dados Simplificado (CDS); • Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) e AULA ATIVIDADE ALUNO • Aplicativos (App) para dispositivos móveis, como o e-SUS Território e Atividade Coletiva. Nesse sentido, os sistemas e-SUS APS foram desenvolvidos para atender os processos de trabalho da Atenção Primária para a gestão do cuidado em saúde, podendo ser utilizado por profissionais de todas as equipes e unidades da APS, Atenção Domiciliar (AD), além dos profissionais que realizam ações no âmbito de programas como o Saúde na Escola (PSE) e a Academia da Saúde. Com o SISAB, será possível obter informações da situação sanitária e de saúde da população do território por meio de relatórios de saúde, bem como de relatórios de indicadores de saúde por estado, município, região de saúde e equipe. 4-A equipe de saúde da família deve acompanhar os acamados, assim como os indivíduos e famílias mais vulneráveis do território por meio de visitas domiciliares. Afim de permitir uma proximidade com as famílias para se desenvolver ações destinadas à promoção e recuperação da saúde. A educação em saúde e a participação ativa do paciente, que impactam na diminuição dos índices de internações e controlando os sintomas desagradáveis de doenças crônicas comuns. ATIVIDADE 2 A seguir, apresentamos um caso relativamente comum na APS de uma demanda espontânea em uma Unidade Básica de Saúde. Mais especificamente, expomos uma situação que está acontecendo em um domicílio da comunidade, e que supostamente seja de urgência/emergência. Após analisarmos o cenário, serão apresentadas possíveis decisões e discussões sobre diversos aspectos envolvidos. Situação-Problema É tarde de quarta-feira, são 13 horas, início de mês, sua equipe está acolhendo as gestantes que chegam à unidade para realizar o pré-natal de rotina. Algumas gestantes que estão marcadas para os primeiros horários já chegaram e o médico e o enfermeiro iniciam os atendimentos. Por volta de 15 horas, dona Zilda chega à recepção da Unidade um pouco ofegante e desesperada, informando à recepcionista: “Boa tarde, por favor, minha mãe não está bem! Estava dando o mingauzinho da tarde e ela engasgou. Meu Deus, ela está muito cansada. Muita falta de ar. Preciso falar com o Dr. Pedro. Vê se ele pode ir lá a casa agora...” Cenário: Sua Unidade Básica situa-se em uma cidade com aproximadamente 50 mil habitantes, não possui Serviço Móvel de Urgência/Emergência e existe um pronto atendimento local com uma pequena sala de emergência. A mãe da senhora que acionou a equipe possui 76 anos e está acamada devido à síndrome demencial avançada, e mora aproximadamente três quadras da unidade de saúde. A recepção da sua unidade possui quatro gestantes aguardando atendimento, três outras estão agendadas e uma mãe com uma criança de colo com febre espera para ser atendida. Nesse momento, a recepcionista da unidade bate na porta do consultório médico, pede licença para interromper o atendimento e relata a situação. AULA ATIVIDADE ALUNO Possíveis reações do profissional diante dessa situação: • “Avise a dona Zilda que não realizamos visita de urgência e que consigam um carro e a transportem para o pronto atendimento municipal”. • “Explique a dona Zilda que estamos fazendo pré-natal, que têm muitas gestantes para serem atendidas, que não temos recurso aqui, que não temos ambulância e solicite que consigam um carro e a transportem para o pronto atendimento municipal”. • “Explique a dona Zilda que o enfermeiro vai com ela para fazer uma avaliação inicial e me ligará de lá informando tecnicamente a gravidade do quadro”. E, após a comunicação do enfermeiro por telefone sobre o estado da paciente, os demais membros da equipe que forem necessários se deslocarão para o domicílio. • “Já estou indo!” – e sai da UBS sem explicar nada às gestantes e sem avaliar a possível gravidade do caso. • “Já estou indo” – o profissional explica para dona Zilda na recepção que vai com ela, ver o que pode ser feito, apesar de não possuir os recursos necessários para prestar um atendimento de urgência e emergência. Explica para as gestantes que existe uma situação de possível urgência e emergência na comunidade e que terá de prestar socorro à família. • “Já estou indo” – o profissional explica para dona Zilda na recepção que vai com ela, ver o que pode ser feito. Pega a mochila com os materiais para atendimento de urgência e emergência e o cilindro de oxigênio. Explica para as gestantes que existe uma situação de possível urgência e emergência na comunidade e que terá de prestar socorro à família. De lá comunicará à recepcionista da Unidade se voltará para continuar o atendimento, ou se naquele dia excepcionalmente desmarcará os atendimentos para apoiar a família no domicílio. OBS: Nesta atividade não há intenção de dizer o que é certo ou errado e nem há a pretensão de prever todas as situações possíveis. O que se pretende é propor reflexões sobre quais seriam respostas “mais razoáveis”, e que situações como estas deveriam ser previstas e esperadas pela equipe. A PERGUNTA É: Qual reação você entender ser mais adequada? Para subsidiar a discussão, sugiro as leituras: MINISTÉRIO DA SAÚDE. Acolhimento e demanda espontânea. Disponível em: https://bit.ly/3YQO991. Acesso em: 15 mar. 2023. Página 26 https://bit.ly/3YQO991 AULA ATIVIDADE ALUNO MINISTÉRIO DA SAÚDE. Acolhimento e demanda espontânea: Queixas mais comuns na Atenção Básica. Disponível em: https://bit.ly/2OCxgyD. Acesso em: 15 mar. 2023. A partir da página 61 GABARITO Nesse contexto, uma equipe que presta atendimento de baixa complexidade tecnológica a uma situação relativamente comum consegue demonstrar não apenas sua capacidade de lidar com os problemas emergentes na população a qual atende, mas consegue colocar em prática de maneira implícita os atributos da APS como: acessibilidade, integralidade, coordenação, longitudinalidade e, acima de tudo, demonstra responsabilidade para com sua comunidade. Ressalte-se que, apesar da responsabilidade sanitária não ser exclusiva da Atenção Primária, é uma característica essencial a ela. Nesse sentido, cada possível resposta à situação descrita ou outras semelhantes pode ser analisada e discutida, abordando não apenas a questão administrativa ou legal. É muito importante analisar até que ponto cada atitude se relaciona, de forma conceitual e pragmática, com os principais atributos da APS, com a formação de vínculos com a população e com o desenvolvimento de outras atividades pela equipe. Além disso, tão importante quanto ter disponibilidade para as eventuais necessidades de atendimentos urgentes, é a percepção de situações previsíveis e relativamente comuns, especialmente quando se trata de pessoas acamadas e com condições crônicas, para as quais é possível programar e pactuar grande parte das respostas. Por exemplo, o acompanhamento regular dos acamados pode tanto prevenir intercorrências quanto promover maior conhecimento e habilidades para lidar com a situação imprevista por parte dos cuidadores e mesmo maior apropriação sobre o caso pela equipe. Nesse sentido, não se pode, evidentemente, fazer apenas aquilo que é urgente, também é necessário dedicar- se ao importante, em especial quando se trata da APS. Por isso que é importante a discussão quanto à prevalência dessas emergências domiciliares, pois assim veremos que é possível prestar assistênciaao dito “importante” e ao “urgente”, se o “inusitado” tornar-se previsível e sistematizado. A partir desse diagnóstico é possível ainda realizar outras ações, de âmbito educativo e preventivo, como discussões sobre situações urgentes em reuniões de Conselhos Locais de Saúde ou em grupos educativos. Nos grupos operacionais de educação em saúde com pessoas portadoras de hipertensão e AULA ATIVIDADE ALUNO ou diabetes usualmente se fala sobre mudança de comportamento, adesão ao tratamento farmacológico e consequências de um mau controle dessas patologias, mas ainda é pouco frequente a discussão com a comunidade sobre como proceder perante situação emergencial como, por exemplo, um acidente vascular encefálico (AVE), infarto agudo do miocárdio (IAM) ou crise hipoglicêmica. Talvez, a resposta que seria dada a dona Zilda em um “momento de urgência”, deveria começar nesses grupos. Caso nos momentos de conversa e educação em saúde com a comunidade atendida por uma UBS sejam planejadas e sistematizadas, essas ações e reações da comunidade e dos profissionais de Saúde perante uma provável situação emergencial, serão muito mais harmônicas e gerarão menos conflito. Nesses momentos de diálogo com a comunidade poderiam ser abordados aspectos como: • Explicação sobre que “recursos tecnológicos” a unidade dispõe e que situações podem ser atendidas/resolvidas dada essa realidade. • Qual a disponibilidade de transporte eletivo ou de urgência sob gestão da unidade. • Qual(ais) serviço móvel de urgência/emergência o município tem acesso. • Quais os entendimentos e acordos com a comunidade para atuação geral e específica da equipe em situações de urgência/emergência no domicílio, considerando a realidade local e municipal. Preparando-se Para a Próxima Teleaula Oriente os alunos para que se preparem melhor para o nosso próximo encontro organizando o autoestudo da seguinte forma: 1. Planeje seu tempo de estudo prevendo a realização de atividades diárias. 2. Estude previamente as webaulas e a Unidade de Ensino antes da teleaula. 3. Produza esquemas de conteúdos para que sua aprendizagem e participação na teleaula seja proveitosa. 4. Utilize o fórum para registro das atividades e atendimento às dúvidas e/ou dificuldades. Bom Trabalho! Profª. Dayane Scaramal