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1 de 11gran.com.br Coesão Sequencial INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS COESÃO SEQUENCIAL Apresenta-se tema relevante da Interpretação de Texto: o emprego dos diversos conectivos necessários para a compreensão das relações lógicas no texto. Aborda-se a coesão sequencial, com destaque para o sentido e o emprego dos conectivos. A tabela utilizada acompanha toda a aula e recebe referências constantes ao longo da exposição, a fim de auxiliar a compreensão do conteúdo. Inicialmente, realiza-se a abordagem das conjunções e dos conectores causais. SUBORDINAÇÃO E SEUS CONECTIVOS Causais: porque, pois, visto que, já que, na medida em que, que, visto como, dado que, uma vez que, como (anteposto à oração principal), porquanto. As bancas examinadoras costumam apresentar exigências quanto ao emprego da expressão “na medida em que”, em razão da semelhança com “à medida que”. Entretanto, ambas apresentam sentidos distintos. A expressão “à medida que”, com crase, indica proporção, fato que altera significativamente o sentido da frase. Além disso, não ocorre preposição entre os elementos da expressão “à medida que”, pois a construção já inicia com crase. Por outro lado, em “na medida em que”, ocorre a presença da preposição “em” associada ao artigo “a”. Dessa forma, a retirada da preposição em construções como “na medida que” provoca erro gramatical pela ausência da preposição exigida. A palavra “que”, isoladamente, também pode apresentar valor causal. As expressões “visto como”, “dado que”, “uma vez que” e “como” igualmente podem assumir sentido de causa ou explicação. O emprego concessivo de “dado que” ocorre raramente, prevalecendo https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 2 de 11gran.com.br Coesão Sequencial INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS o valor causal como sentido padrão. A palavra “como”, para apresentar valor causal, deve introduzir a oração e aparecer no início da frase. A conjunção “porquanto” apresenta sentido causal. Observa-se, em sua formação, o radical “porqu”, semelhante ao radical presente em “porque”, fato que auxilia na identificação do sentido de causa. Exemplos: Os turistas desistiram da visita, visto que chovia. A conjunção causal acompanha o verbo “chover”, indicando que a chuva representa o primeiro fato ocorrido. A desistência da visita corresponde ao segundo acontecimento. Já que o país não crescia, o investidor se retirava. a conjunção acompanha o fato “o país não crescia”, identificado como primeiro acontecimento lógico, enquanto a retirada do investidor corresponde ao segundo fato. A causa sempre permanece associada ao primeiro acontecimento ou primeiro fato. Concessivas: embora, ainda que, se bem que, mesmo que, posto que, apesar de que, por mais que, por menos que, apesar de, não obstante, malgrado, conquanto. A expressão “posto que” admite exclusivamente valor concessivo. Embora exista uso coloquial com sentido explicativo, a norma-padrão da língua portuguesa não reconhece esse emprego. Portanto, “posto que” deve permanecer associado apenas à ideia de concessão. Exemplos: Embora chova, sairei. Ocorre abertura de exceção. Em regra, a chuva impede a saída, porém a oração concessiva indica situação contrária à expectativa habitual. Em “Por mais que tente, não entendo”, a tentativa normalmente conduziria à compreensão, entretanto a concessão estabelece exceção ao resultado esperado. Por mais que tente, não te entendo. A tentativa normalmente conduziria à compreensão, entretanto a concessão estabelece exceção ao resultado esperado. A fé ainda move montanhas, posto que esteja abalada. A oração concessiva demonstra circunstância contrária à expectativa lógica, pois a condição abalada da fé não impede o resultado apresentado. Malgrado seja domingo, ela está trabalhando. A expressão “malgrado” também apresenta valor concessivo, apesar do uso menos frequente. O mesmo ocorre com “conquanto”, cuja identificação pode ser facilitada pela associação da sílaba inicial ao sentido de concessão. A oração concessiva demonstra circunstância contrária à expectativa lógica, pois a condição abalada da fé não impede o resultado apresentado. Em “Malgrado seja domingo, ela está trabalhando”, o domingo https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 3 de 11gran.com.br Coesão Sequencial INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS associa-se normalmente ao descanso, porém a oração concessiva estabelece exceção a essa expectativa. Condicionais: se, caso, desde que, contanto que, a não ser que, sem que. Obs.: Algumas dessas expressões apresentam valor negativo, fato que exige atenção em questões de reescrita textual. Exemplos: O amor não se rompe, desde que sejam fortes os laços. A oração subordinada estabelece condição necessária para a realização do fato expresso na oração principal. A hipótese precisa concretizar-se para que o resultado ocorra. Se viagens instruíssem homens, os marinheiros seriam os mais sábios. A conjunção “se” introduz hipótese. O emprego verbal no modo subjuntivo reforça o valor hipotético característico das construções condicionais. A não ser que trabalhe, não prosperará. Observa-se condição negativa. A prosperidade depende do cumprimento da condição expressa pelo verbo “trabalhar”. Em reescritas com substituição da conjunção condicional, torna-se necessário ajustar a presença da negação para preservação do sentido original. Obs.: Ao substituir “a não ser que” por “contanto que”, a estrutura correta passa a ser: “Contanto que trabalhe, prosperará”. Nesse processo, ocorre retirada da negação presente nos dois segmentos da construção anterior. Portanto, construções condicionais exigem atenção especial em questões de reescrita devido às alterações provocadas pelas conjunções de valor negativo. Consecutivas: tal que, tanto que, de sorte que, de modo que, de forma que, tamanho que. Essas construções normalmente seguem estrutura padronizada: inicialmente aparece um advérbio de intensidade e, em seguida, a conjunção “que”, responsável por introduzir a oração subordinada adverbial consecutiva. Exemplos: A fé era tamanha que muitos milagres se operavam. Expressões como “tão”, “tanto” e “tamanho” apresentam ideia de intensidade e antecedem a consequência expressa pela oração introduzida por “que”. Choveu tanto que a ponte caiu. a intensidade aparece em “choveu tanto”, enquanto a consequência surge na oração “que a ponte caiu”. Outras expressões consecutivas também estabelecem relação de consequência, como: “tanto que”, “de sorte que”, “de modo que”, “de forma que” e “tamanho que”. Nas relações consecutivas, existe igualmente presença implícita de causa. Entretanto, a identificação do valor semântico depende da localização da conjunção. Em “Choveu tanto https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 4 de 11gran.com.br Coesão Sequencial INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS que a ponte caiu”, o primeiro fato corresponde à chuva intensa, enquanto a queda da ponte representa o segundo acontecimento. A conjunção aparece justamente no segmento que expressa o segundo fato, responsável pela consequência. A primeira parte da construção, associada à intensidade, pode apresentar valor causal. Assim, o trecho “choveu tanto” admite interpretação de causa. Contudo, em questões gramaticais, o foco geralmente recai sobre a conjunção utilizada. Nesses casos, a conjunção “que” apresenta sentido consecutivo, pois introduz a consequência do fato anterior. A identificação correta do valor semântico das conjunções consecutivas exige observação do local em que a conjunção aparece na estrutura da frase. Conformativas: conforme, como, segundo, consoante. As conjunções conformativas apresentam sentido de acordo, conformidade ou harmonia com determinada referência previamente estabelecida. Essas construções indicam realização de uma ação conforme algo determinado, afirmado ou combinado. Exemplos: Chorarão as pedras das ruas, como diz Jeremias sobre as de Jerusalém destruída. A conjunção “como”apresenta valor conformativo, equivalente a “segundo”, “conforme” ou “de acordo com”. O sentido expresso corresponde à realização de algo em conformidade com as palavras do profeta. Entre as principais conjunções conformativas, destacam-se: “como”, “conforme”, “segundo” e “consoante”. Além dessas formas, a locução prepositiva “de acordo com” também pode expressar relação de conformidade. As palavras da língua portuguesa apresentam grande variação de sentidos conforme o contexto de uso. Dessa forma, termos “como” e “conforme” podem assumir valores semânticos distintos em diferentes construções. Por esse motivo, a interpretação correta depende sempre da análise contextual da frase. Comparativas: como, assim como, tal qual, que, do que, (tanto) quanto/como. Nas construções comparativas de superioridade ou inferioridade, a presença da expressão “do que” apresenta caráter opcional. Dessa forma, a comparação pode ocorrer tanto com a estrutura “do que” quanto apenas com a conjunção “que”. Exemplos: Janete estuda mais que trabalha. Observa-se comparação de superioridade. A palavra “que” atua como conjunção comparativa responsável pela relação estabelecida entre as ações de estudar e trabalhar. Elias canta tal qual Zezé. Ocorre comparação de igualdade. O verbo presente no segundo segmento encontra- se subentendido, pois corresponde ao mesmo verbo já empregado anteriormente. Assim, https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 5 de 11gran.com.br Coesão Sequencial INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS compreende-se a estrutura como “Elias canta tal qual Zezé canta”, embora a repetição verbal seja desnecessária. Jesus crescia tanto em estatura quanto em sabedoria. A expressão “tanto quanto” estabelece relação comparativa de igualdade. O verbo “crescia”, expresso no primeiro segmento, permanece subentendido no segundo, mantendo- se a mesma ideia verbal. As construções comparativas exigem presença de dois verbos, ainda que um deles permaneça implícito. Nas comparações, palavras como “quanto”, “qual” e “que” desempenham função de conjunções comparativas. Finais: para que, porque, a fim de que, para, a fim de. As conjunções finais expressam finalidade, objetivo ou propósito. Essas construções respondem à ideia de “para quê” determinada ação ocorre. A expressão “fim de”, quando utilizada com valor de finalidade, deve permanecer grafada separadamente. As conjunções finais expressam finalidade, objetivo ou propósito. Essas construções respondem à ideia de “para quê” determinada ação ocorre. A expressão “fim de”, quando utilizada com valor de finalidade, deve permanecer grafada separadamente. Exemplos: O gerente deu ordens para que nada faltasse aos hóspedes. A oração introduzida pela conjunção final expressa o objetivo das ordens dadas pelo gerente. Assim, a construção evidencia finalidade ou propósito da ação principal. Estudei porque vencesse na vida. O verbo “vencesse” não expressa fato certo ou concretizado, mas objetivo pretendido. A oração apresenta a finalidade associada ao ato de estudar. Nesse contexto, a conjunção “porque” pode ser substituída por “para que” sem alteração de sentido: “Estudei para que vencesse na vida”. Proporcionais: à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais/mais, quanto mais/menos, quanto menos/mais, quanto menos/menos. Nessas construções, a alteração de um elemento interfere diretamente no outro, estabelecendo relação de variação correspondente. No exemplo “À medida que chove, a rua fica alagada”, o aumento da chuva provoca aumento do alagamento, enquanto a diminuição da chuva reduz o alagamento. Os dois fatos mantêm relação proporcional entre si. Entre as principais conjunções e expressões proporcionais, destacam-se: “à medida que”, “à proporção que”, “ao passo que”, “quanto mais... mais”, “quanto menos... menos” e “quanto menos... mais”. As expressões “à medida que” e “à proporção que” apresentam crase e indicam proporcionalidade. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 6 de 11gran.com.br Coesão Sequencial INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS A expressão “na medida em que” não apresenta valor proporcional. Essa construção possui sentido causal, fato que exige atenção devido à semelhança estrutural com “à medida que”. Exemplos: Quanto mais conhecia os homens, mais Pafúncio confiava em Deus. A intensificação do conhecimento sobre os homens provoca aumento da confiança em Deus. À medida que enxergava, o ex-cego se alegrava O aumento da capacidade de enxergar produz aumento da alegria. Da mesma forma, redução da percepção visual implicaria diminuição proporcional da alegria. As construções proporcionais demonstram relação de dependência entre dois acontecimentos que variam conjuntamente. Temporais: quando, enquanto, logo que, antes que, depois que, mal, sempre que. As conjunções temporais indicam relação de tempo entre os acontecimentos expressos na frase. Entretanto, embora todas apresentem valor temporal, cada construção pode transmitir diferentes nuances de significado. Na frase “Quando cheguei, ela abriu a porta”, a conjunção “quando” indica coincidência temporal exata entre os fatos. A abertura da porta ocorre no mesmo momento da chegada. Em construções com “enquanto”, ocorre ideia de duração simultânea. Assim, na frase “Enquanto chegava, ela abria a porta”, a ação desenvolve-se durante o período em que outra ação ocorre. Portanto, apesar de ambas as construções serem temporais, apresentam sentidos distintos. Exemplos: Sempre que corríamos à janela, assistíamos ao pôr-do-sol. A expressão “sempre que” indica repetição ou frequência temporal. Em “Sempre que corríamos à janela, assistíamos ao pôr do sol”, a construção demonstra repetição habitual do acontecimento ao longo do tempo. Mal as provas chegaram, os alunos se agitaram. As expressões “antes que” e “depois que” estabelecem respectivamente relação de anterioridade e posterioridade temporal. Já a conjunção “mal” indica acontecimento imediato, realizado logo após outro fato. Na frase “Mal cheguei e ela já sorriu”, o sorriso ocorre imediatamente após a chegada. O valor temporal de “mal” associa-se à ideia de instantaneidade. No exemplo “Mal as provas chegaram, os alunos se agitaram”, a agitação ocorre imediatamente após a chegada das provas, sem intervalo significativo entre os fatos. A palavra “mal” pode exercer diferentes funções na língua portuguesa. Em determinados contextos atua como conjunção temporal; em outros, pode funcionar como advérbio ou substantivo, dependendo da estrutura e do sentido da frase. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 7 de 11gran.com.br Coesão Sequencial INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS COORDENAÇÃO E SEUS CONECTIVOS Aditivas: e, nem ( = e não), mas também. As conjunções aditivas estabelecem relação de soma entre elementos da frase. A principal conjunção aditiva da língua portuguesa é “e”. A conjunção “nem” também apresenta valor aditivo, equivalendo à estrutura “e não”. A construção “não só... mas também” expressa igualmente relação de adição. Nessa estrutura, a conjunção corresponde à palavra “mas”, enquanto “também” atua como advérbio de reforço e “não só” apresenta valor adverbial associado à ideia de exclusão parcial. Exemplos: Astolfo não cantou nem dançou. a frase inicia com sentido negativo e a conjunção “nem” adiciona outra ação igualmente negada. Anita trabalhou e estudou. a conjunção “e” estabelece soma simples entre duas ações realizadas. O povo não só exige respeito, mas também paga impostos. ocorre soma de duas ações atribuídas ao mesmo sujeito. Em “Astolfo não cantou nem dançou”, a frase inicia com sentido negativo e a conjunção “nem” adiciona outra ação igualmente negada. Em outro exemplo “O povo não só exige respeito, mas também paga impostos”, ocorre soma de duas ações atribuídas ao mesmo sujeito. A expressão “tanto quanto” exige atenção especial, pois pode apresentar valor aditivo ou comparativo, dependendoda estrutura utilizada. Na construção “Ela tanto estuda quanto trabalha”, ocorre relação de soma. A frase apenas informa que a pessoa realiza as duas ações: estudar e trabalhar. Entretanto, em “Ela estuda tanto quanto trabalha”, estabelece-se comparação de igualdade. Nesse caso, a quantidade dedicada ao estudo equivale à quantidade dedicada ao trabalho. Assim, a estrutura deixa de indicar simples adição e passa a expressar equivalência proporcional entre as ações. A interpretação correta da expressão “tanto quanto” depende da organização sintática da frase e da relação semântica estabelecida entre os termos. Adversativas: mas, porém, todavia, contudo, no entanto, entretanto, não obstante. As conjunções adversativas apresentam elevada importância na interpretação textual. Embora frequentemente associadas apenas à oposição, essas conjunções também podem expressar contraste, quebra de expectativa ou compensação, sem necessidade de existência de ideias contrárias em sentido absoluto. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 8 de 11gran.com.br Coesão Sequencial INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS Exemplos: O país cresceu, mas não gerou empregos. não ocorre oposição direta entre os termos. O contrário de “cresceu” seria “diminuiu”, e não “não gerou empregos”. Nesse caso, estabelece-se contraste entre a expectativa positiva produzida pelo crescimento econômico e a ausência de geração de empregos. A oração adversativa frequentemente provoca quebra de expectativa ao apresentar informação contrária ao resultado normalmente esperado. As construções adversativas também podem indicar compensação. Na frase “Queria viajar para São Paulo, mas acabou indo para o Rio de Janeiro”, não existe oposição entre as cidades. Ocorre substituição de uma expectativa por outra possibilidade que compensa a situação inicialmente desejada. As relações adversativas podem ser convertidas em estruturas concessivas sem alteração substancial de sentido, desde que ocorra reorganização adequada da frase e adaptação verbal. A economia cresceu, mas não gerou empregos. a transformação concessiva produz a estrutura “Embora tenha crescido, a economia não gerou empregos”. A conversão exige deslocamento da conjunção e adequação verbal, pois as concessivas normalmente exigem verbo no modo subjuntivo. A possibilidade dessa transformação decorre da proximidade semântica entre adversidade e concessão. A concessão expressa exceção, e toda exceção representa ruptura em relação ao comportamento esperado ou à regra geral. Assim, existe relação de contraste presente tanto na adversativa quanto na concessiva. Entretanto, permanece diferença de construção discursiva entre ambas. Na estrutura adversativa, a expectativa positiva surge inicialmente e sofre quebra posteriormente. Em “A economia cresceu, mas não gerou empregos”, a informação inicial cria expectativa favorável antes da ruptura introduzida pela conjunção adversativa. Embora tenha crescido, a economia não gerou empregos. Já na construção concessiva, a ideia de contraste aparece desde o início da frase. Em “Embora tenha crescido, a economia não gerou empregos”, a presença inicial da conjunção concessiva já antecipa resultado contrário ao esperado. Dessa forma, a estrutura revela previamente a existência de informação negativa ou de quebra de expectativa. Alternativas: ou, ou...ou, ora...ora, quer...quer, seja...seja. As conjunções alternativas expressam ideia de escolha ou alternância entre fatos, ações ou possibilidades. Entretanto, existe diferença semântica entre construções que indicam exclusão de possibilidades e construções que apenas demonstram alternância de comportamentos ou situações. Exemplos: Ou saio para ir com você ou fico em casa estudando. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 9 de 11gran.com.br Coesão Sequencial INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS Ocorre relação de escolha. A realização de uma ação impede a realização simultânea da outra. A conjunção “ou” estabelece exclusão entre as possibilidades apresentadas. Já na construção “Ora saio para ir com você, ora fico em casa estudando”, não existe exclusão definitiva entre as ações. A expressão “ora... ora” indica alternância, demonstrando mudança de comportamento ao longo do tempo. Em determinados momentos ocorre uma ação; em outros momentos ocorre a ação diferente. A distinção entre escolha e alternância apresenta relevância interpretativa, pois a substituição de conectores alternativos pode provocar alteração de sentido nas frases. Portanto, a análise semântica das conjunções exige atenção ao contexto e à relação lógica estabelecida entre as ações apresentadas. Conclusivas: logo, pois (após o verbo da oração e entre vírgulas), portanto, assim, por isso, por conseguinte, dessarte/destarte, posto isso. As conjunções conclusivas expressam resultado lógico decorrente de um raciocínio anteriormente desenvolvido. O sentido de conclusão não corresponde apenas ao encerramento de uma sequência, mas à apresentação da consequência lógica obtida após determinada argumentação. Entre as principais conjunções e expressões conclusivas, destacam-se: “logo”, “pois”, “portanto”, “por isso”, “por conseguinte”, “destarte” e “posto isso”. A expressão “posto isso” apresenta valor conclusivo equivalente a “portanto” ou “por conseguinte”. Essa construção não deve ser confundida com “posto que”, expressão concessiva utilizada para introduzir ressalva ou exceção. Exemplos: Mílvio estuda Português faz dois anos, portanto já sabe muito. A conjunção “portanto” introduz resultado lógico decorrente da informação anterior. Após dois anos de estudo, espera-se como consequência natural amplo conhecimento da disciplina. No mesmo contexto, poderiam ocorrer substituições por “logo”, “por conseguinte”, “destarte” ou “posto isso” sem alteração significativa de sentido. A conjunção “pois”, quando utilizada com valor conclusivo, exige posição específica na frase: deve aparecer após o verbo e entre vírgulas. Assim, a estrutura correta torna-se “Já sabe, pois, muito”. Outras conjunções conclusivas, como “portanto”, também podem aparecer deslocadas no período. Dessa forma, construções como “Já sabe, portanto, muito” permanecem corretas. A interpretação das conjunções conclusivas depende da identificação da relação lógica estabelecida entre a informação anterior e o resultado apresentado posteriormente. Explicativas: pois (antes do verbo), que ( = porque), porque, porquanto. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 10 de 11gran.com.br Coesão Sequencial INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS As conjunções explicativas introduzem justificativa ou esclarecimento relacionado à informação apresentada anteriormente. Após determinada afirmação, apresenta-se explicação capaz de justificar o conteúdo expresso na oração principal. Exemplos: Feche a porta, que está frio. A oração introduzida pela conjunção apresenta justificativa para o pedido realizado anteriormente. A construção não expressa causa, pois a oração “feche a porta” não corresponde a fato concretizado, mas a pedido ou ordem. Como não existem dois fatos efetivamente ocorridos, não há relação causal. A relação de causa exige presença de dois fatos concretos, sendo um responsável pela ocorrência do outro. O fato causal deve corresponder ao primeiro acontecimento lógico da sequência. O país cresceu, porque o desemprego diminuiu. A conjunção “porque” introduz explicação, e não causa. O crescimento econômico representa o primeiro fato lógico, enquanto a diminuição do desemprego surge posteriormente como consequência desse crescimento. A identificação correta depende da posição da conjunção em relação aos fatos apresentados. Nas construções causais, a conjunção acompanha o primeiro fato. Quando a conjunção aparece associada ao segundo fato da sequência lógica, estabelece-se relação explicativa. Assim, o reconhecimento do valor semântico da conjunção exige análiseda ordem lógica dos acontecimentos e da posição ocupada pela conjunção na frase. As questões sobre conectivos apresentam elevada frequência em provas de diferentes bancas examinadoras. A interpretação correta das conjunções possui relevância tanto para análise semântica quanto para verificação da correção gramatical e da coerência textual. A Fundação Carlos Chagas utiliza frequentemente questões de reescrita voltadas à preservação de sentido e à manutenção da correção gramatical. Nessas situações, a substituição dos conectivos exige atenção às relações lógicas estabelecidas entre as orações. As questões de coerência textual também dependem diretamente do emprego adequado das conjunções. A coerência relaciona-se à construção lógica dos sentidos no texto, e os conectivos desempenham função essencial na articulação dessas relações. O Cebraspe apresenta recorrência de questões envolvendo reescritura, interpretação e substituição de conectivos. A Fundação Getulio Vargas também utiliza amplamente conjunções em questões de interpretação textual, análise semântica, identificação de conectivos adequados e reconhecimento das relações lógicas entre as partes do texto. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 11 de 11gran.com.br Coesão Sequencial INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS Diversas outras bancas examinadoras igualmente exploram o emprego dos conectivos como instrumento para avaliação da compreensão textual, da lógica argumentativa e da adequação semântica das construções linguísticas. �Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Concursos, de acordo com a aula preparada e ministrada pelo professor Márcio Wesley. A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclusiva deste material. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br