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Prof. Ronald Sclavi
UNIDADE III
Edição Jornalística
 Entre os paradigmas da profissão, persistiu por muito tempo a ideia de que um veículo 
poderia funcionar sem colunistas. Porém, jamais haveria jornalismo sem repórteres.
 O mesmo raciocínio, por muitos e muitos anos, valeu para os editores. Mesmo 
necessários e hierarquicamente superiores aos repórteres, esses profissionais não gozavam 
do mesmo status, tampouco do paradigma sobre o qual se erguia a produção jornalística, em 
meados do século XX.
 A menção à palavra “jornalista” parece evocar de imediato tipos profissionais muito 
específicos, tais como o apresentador de telejornal – simultaneamente reflexo e motor de 
uma sociedade profundamente imersa em uma cultura de fetichização da 
visibilidade/popularidade dos olimpianos, para usar a expressão de Edgar Morin disseminada 
no Brasil por Cremilda Medina – e, dentro de uma visão mais 
tradicional, o grande repórter investigador – personificado em 
figuras como o intrépido correspondente de guerra, o 
solucionador de mistérios policiais, enfim, o jornalista detetive e 
desbravador de segredos (Essenfelder, 2012, p. 40).
O caminho histórico da função de editor
 O exercício da profissão de jornalista não se restringe à investigação e à apresentação 
da notícia – dimensões indispensáveis à atividade de comunicar, porém insuficientes. 
 Os editores, inclusive, antecederam os repórteres.
 Os jornais nascem no século XVII (quando surgem as primeiras publicações com 
periodicidade regular) na Europa como produtos de um homem só: o 
editor/redator/repórter apura, escreve, monta, imprime e faz circular seu material.
 A opinião, aliás, foi o combustível dos primeiros periódicos que aqueceram as ruas na 
Revolução Francesa. 
 A formatação de conteúdos como relatos dos acontecimentos 
não está na origem do jornalismo, mas sim a ideia de 
transformar fatos em bandeiras. 
 O editor é o cargo fundador dessa profissão, quando os 
jornais eram verdadeiros panfletos.
Editor: cargo fundador do jornalismo
 Mesmo analisando periódicos brasileiros do século XIX e início do século XX, é o editor 
que surge como uma espécie de faz-tudo no cenário jornalístico. 
 Não há melhor exemplo que o heroico Sentinela da Liberdade, assinado por Cipriano 
Barata, um dos mais perseguidos jornalistas da história do Brasil. 
O veículo acrescentava ao título as prisões de onde era editado:
 Sentinela da Liberdade na Guarita do Quartel-general de 
Pirajá, Mudada Despoticamente para o Rio de Janeiro e, de 
Lá, para o Forte do Mar da Bahia, Depois para a Presiganga, e 
Logo para o Forte do Barbalho e de Novo para o Forte do Mar, 
e Segunda Vez para a Presiganga, por Fim para o Hospital, 
donde Bradou Alerta, Agora Rendida e Substituída por um 
Camarada que Vigia na Cidade, e Corajosamente Brada: 
Alerta!!! (De Rezende, 2010, p. 11).
No Brasil
 O próprio O Estado de S. Paulo, antigo A Província de São Paulo, participou de todos os 
grandes levantes da República, desde a sua Proclamação, passando pela Revolução de 30 e 
o golpe militar de 1964. 
 Seus editores eram, em princípio, membros da família Mesquita, que comprou esse que 
é o mais influente jornal brasileiro. A história do Estadão mostra que, inicialmente, publicar 
um jornal significava traduzir o mundo em páginas de papel.
 Eram as agências internacionais de notícia as primeiras fontes de captação de informação 
desse periódico. 
 Na sua primeira página, os fatos ocorridos em território 
nacional não eram merecedores do prestígio de 
uma manchete. 
 A primeira notícia nacional a ganhar esse destaque foi o 
suicídio de Getúlio Vargas, em 1954.
O Estado de S. Paulo
 O apogeu desta associação entre jornalista e repórter ocorreu na década de 1970, quando 
os repórteres investigativos do Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein, 
publicaram a série de reportagens sobre o escândalo de Watergate que levaria o presidente 
Richard Nixon a renunciar em 1974.
 Os anos 1970 ficaram conhecidos como a era do jornalista investigativo, assim como 
os anos de 1930 como a era do correspondente internacional, tendo em vista o cenário da 
Segunda Guerra (1939-1945) e o prestígio desses profissionais no período.
 No Jornal do Brasil, em 1972, começava um movimento na direção oposta do que ocorria 
nos EUA. 
 Com o objetivo de instituir uma progressiva 
especialização de cada repórter num determinado 
setor de cobertura, o jornal extinguiu o cargo de chefe 
de reportagem e criaram-se sete grupos de trabalho, 
com um repórter-coordenador para cada um. 
 E a coordenação-geral passou para a esfera da editoria – a de 
Criação e Produção Geral. 
Os anos da reportagem
 Ao final dos anos de 1980, as redações passaram por um processo de informatização. 
Apenas para deixar claro, falamos aqui de informatização, ainda não de digitalização, ou 
seja, com computadores, porém sem a internet.
 A primeira grande mudança foi o fim do ruído constante das teclas das máquinas de 
escrever, quase que uma trilha sonora de qualquer redação. 
 Os editores, por sua vez, passaram a fazer o seu trabalho diante de terminais 
monocromáticos com letras verdes brilhantes e softwares de processamento de texto que 
mais pareciam fábricas de armadilhas.
 Na Folha de S.Paulo, no início dos anos 1990, para inserir uma palavra acentuada era 
necessário digitá-la com uma série de comandos antes e outra série de comandos 
após a letra que ganharia o acento.
 Bastaria um erro de digitação para que, na página dos jornais, 
no dia seguinte, a matéria saísse toda truncada, 
quase ilegível.
A era dos editores
 A composição, que passou a ser feita também em tela, fez sumir andares inteiros de 
profissionais que colavam tiras de papel montando as páginas, os paste-up. 
 Rapidamente, também desapareceriam os redatores, cuja função foi dividida entre 
editores e os próprios repórteres, cada vez com menos chances de errar.
 A mão do editor foi se avolumando nos processos de produção. As crises econômicas 
sucessivas associadas ao avanço tecnológico provocaram uma diminuição importante nas 
redações e a supervalorização de processos produtivos que uniam mídias e otimizavam mão 
de obra.
 Nas emissoras de rádio e televisão, os mesmos repórteres produziam para mídias 
diferentes: o AM, o FM, a TV aberta e o canal All News de TV por assinatura. 
 Grosso modo, uma mesma unidade de informação passava a 
viver um processo de aproveitamento em várias mídias. 
 Aos poucos, o editor passaria a ocupar um papel de 
transmutador de textos, sons e imagens para que pudessem 
se adaptar a um novo universo cross media.
Muitas funções para os editores
 A era do editor se consolida, entretanto, com a internet entrando em cena. O motivo é tão 
simples quanto devastador.
 Qualquer pessoa passou a contar com recursos para captar e transmitir informações.
 Em termos teóricos, o receptor converteu-se em emissor de mensagens fazendo o 
jornalismo mergulhar em uma crise profunda no seu modelo de negócios.
 Essa conjuntura consolida os editores como peças essenciais no processo de 
produção jornalística. 
 A presença da Inteligência Artificial (IA) nesse jogo coloca esse profissional em uma 
posição ainda mais delicada, tendo em vista questões éticas de altíssima complexidade 
que discutiremos a seguir.
 Resta, entretanto, entender como o pensamento moderno da 
comunicação, ancorado nos estudos culturais 
multidisciplinares, interpretam o caminho histórico 
que descrevemos.
A web entra em cena
Na década de 1970, quando os repórteres investigativos do Washington Post, Bob Woodward 
e Carl Bernstein, publicaram a série de reportagens sobre o escândalo de Watergate que 
levaria o presidente Richard Nixon a renunciar em 1974, a palavra jornalista passou a ser 
diretamente associada à palavra:
a) Repórter.
b) Editor.
c) Diagramador.
d) Pauteiro.
e) Articulista.
InteratividadeNa década de 1970, quando os repórteres investigativos do Washington Post, Bob Woodward 
e Carl Bernstein, publicaram a série de reportagens sobre o escândalo de Watergate que 
levaria o presidente Richard Nixon a renunciar em 1974, a palavra jornalista passou a ser 
diretamente associada à palavra:
a) Repórter.
b) Editor.
c) Diagramador.
d) Pauteiro.
e) Articulista.
Resposta
 No mundo acadêmico, a função do editor jamais esteve entre os mais estudados. 
 Até 2012, o banco de teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível 
Superior (Capes), órgão que indexa teses e dissertações brasileiras desde 1987, não havia 
registrado um só trabalho sobre o papel do editor. 
 No mesmo período, repórteres foram objeto de estudo de mais de mil pós-graduandos.
Entretanto, a emergência do jornalismo digital colocou em xeque os bastiões fundadores 
desse ofício, e o editor passou a chamar a atenção, no contexto da reformulação desses 
paradigmas. Segundo Essenfelder (2012):
 A crise de paradigmas da ciência moderna (...) também 
acomete o jornalismo? Sem dúvidas. Os estudos em 
comunicação não escaparam do abalo do edifício positivista 
ocidental. Os pesquisadores mais conscientes do jornalismo já 
o sabem. E os jornalistas? Parecem chegar à mesma 
conclusão, se não pela via do exame hermenêutico e da 
reflexão rigorosos, pela via do insight criativo e da experiência 
cotidiana na função.
Transformação de paradigmas
 O próprio interesse da sociedade mudou, com o surgimento de filmes e séries centralizando 
a figura do editor. 
 Pesquisa feita por Essenfelder com 812 estudantes de graduação em jornalismo na 
capital paulista revelou que 16% deles manifestaram ter como meta trabalhar como 
editores – ainda que quase 60% não soubessem dizer o que faz um editor de jornal. 
 Esta foi a segunda atividade mais citada pelos alunos, ficando atrás apenas da 
reportagem, que apareceu na enquete com 34% das intenções. 
 Na sequência, foram citadas as atividades de assessor de 
imprensa, produtor de TV, redator, fotógrafo, blogueiro, 
professor/pesquisador e diagramador, respectivamente. 
 O status do editor foi mudando e ganhou uma aura de 
profissional fundamental para dar o tom de uma publicação em 
um mundo onde qualquer pessoa é capaz de publicar.
Status do editor
 Aos poucos, a teoria do Gatekeeper começa a perder força na análise do papel do editor.
 Segundo Hirsch (1977), as escolhas de um editor seguem um determinado padrão e 
“normas profissionais superavam as distorções subjetivas”. 
 É como se houvesse uma espécie de cultura de edição.
 Crescia então a hipótese de uma cultura organizacional e deontológica paralela à 
subjetividade stricto sensu do editor, observação que abriria caminho, anos depois, à 
elaboração de teorias mais complexas, trazendo à tona a noção de uma produção 
social dos sentidos.
 A maior crítica sobre a hipótese do Gatekeeper não é a ideia 
do jornalista como decisor na escolha da notícia, mas o fato 
de desprezar outros filtros importantes como as próprias 
organizações produtoras, com seus critérios coorporativos 
e éticos. 
Gatekeeper perde a força
 Dávila era editor-executivo da Folha de S.Paulo, à época da entrevista para 
Renato Essenfelder. 
 “Eu acordo entre 8h30 e 9h e a primeira coisa que eu faço no dia é ler os principais jornais. 
Eu recebo em casa as edições impressas da Folha, do Estado e do Globo. Eu leio e já faço 
comentários para o pessoal da manhã, já disparo e-mails e telefonemas. 
 O dia de trabalho começa efetivamente nesse momento, logo ao acordar. Eu tomo café 
fazendo isso. Eu já consigo influenciar o jornal de alguma maneira na reunião das 9h”.
 “Ao mesmo tempo estou com o meu iPad ao lado e estou navegando na Folha e nos 
principais sites: New York Times, Financial Times, Guardian, Folha, Estado, Globo, Valor, 
CNN. Começo a checar também as newsletters que assino. Em 
duas horas eu me considero suficientemente bem-informado do 
que nós demos, do que a concorrência deu, do que nós não 
estamos dando e a concorrência está e qual é o drive noticioso 
do dia”.
Relatos de Sergio Dávila
 “Abro os e-mails – eu recebo uma média de 400 e-mails por dia, então isso me toma muito 
tempo. Eu tento responder aos mais urgentes imediatamente e todas as sextas-feiras eu 
tento zerar a minha caixa de e-mails”.
 “Além de eu cuidar da Redação e de todas as suas plataformas, então você pode imaginar a 
quantidade de demandas que as pessoas me trazem, por e-mail, por telefone ou 
pessoalmente, eu sou a interface da Redação com as outras áreas do jornal e com as outras 
empresas do grupo. Então quando eu chego sempre haverá de 10 a 20 demandas de 
editorias da Redação até outras plataformas que estamos desenvolvendo, que têm mais 
demanda que a Redação, que anda sozinha. Tablet, celular, smartphone, TV Folha, o UOL.”
 “O tempo todo estou falando com o Gentile, que é o secretário 
de Redação, acompanho pelos e-mails – a reunião das 9h 
rende um relatório, depois a reunião das 12h gera outro 
relatório e antes da reunião das 16h tem um terceiro relatório”.
 “Eu sou a interface também com o UOL e para outras áreas da 
empresa, jurídico, gráfica, Transfolha. Se tem algo a ver com a 
Redação, é a mim que eles recorrem”.
Relatos de Sergio Dávila
 “Sempre há a demanda eminentemente jornalística, mas também há dessas áreas. Então eu 
sou a interface com o marketing, por exemplo, a Casa da Folha na Flip, eu sentei e fechei a 
programação com o marketing, quem vai falar”. 
 “Sou também a interface com a circulação, que fala olha, a Folha cresceu 5% neste mês, o 
Estado caiu 2% ou manteve a mesma circulação – não que eu vá fazer alguma coisa, mas 
preciso estar informado”. 
 “Com o Comercial, que me diz que o Itaú quer comprar as páginas 2 e 3 do jornal, se eu 
aprovo, se eu acho editorialmente interessante ou não”. 
 “A tecnologia, que me diz que o paywall vai dar pau, então 
preciso adiar mais um dia a estreia. O Núcleo de Revistas, que 
diz que tem uma edição especial sobre sei lá o quê, está 
aprovado ou não está aprovado? Todas as capas das 
revistas”.
Relatos de Sergio Dávila
 “O almoço 95% das vezes é um almoço de trabalho. Metade é na Folha, aqui no nono andar. 
Aí são políticos, empresários, personalidades, lideranças civis que vêm a convite ou porque 
pediram audiência na Folha. E fora são fontes, economistas, jornalistas, sempre alguma 
coisa de trabalho”.
 “Das 15h às 16h eu faço de novo essa ronda de e-mail, numa versão mais compacta, faço a 
atualização dos e-mails. Na reunião das 16h a gente faz alguma correção de rumo na 
Folha.com e definimos o que vai ser a Primeira Página do jornal no dia seguinte. Depois 
disso, eu faço mais uma rodada disso [checagem de e-mails] das 18h às 19h. Às 19h eu vou 
para a Primeira Página. Eu não fecho a Primeira Página, mas eu fico ali para resolver 
questões mais importantes relacionadas ou ao jornal do dia seguinte ou à Redação mesmo”.
Relatos de Sergio Dávila
Aos poucos, a teoria do Gatekeeper começa a perder força na análise do papel do editor. 
Segundo Hirsch (1977), as escolhas de um editor seguem um determinado padrão e normas 
profissionais superam as distorções subjetivas. É como se houvesse:
a) Uma cultura de opressão.
b) Uma cultura de edição.
c) Uma cultura de redação.
d) Uma cultura de autoridade.
e) Uma cultura de revisão.
Interatividade
Aos poucos, a teoria do Gatekeeper começa a perder força na análise do papel do editor. 
Segundo Hirsch (1977), as escolhas de um editor seguem um determinado padrão e normas 
profissionais superam as distorções subjetivas. É como se houvesse:
a) Uma cultura de opressão.
b) Uma cultura de edição.
c) Uma cultura de redação.
d) Uma cultura de autoridade.
e) Uma cultura de revisão.
Resposta
 Um dos maiores reconhecimentos que o jornalista pode ter em sua carreira é 
a credibilidade, que deriva da forma assertiva comque realiza entrevistas, analisa 
dados e compõe suas matérias com ética e objetividade.
 Essa confiabilidade, que também tem importante papel do processo editorial rigoroso, 
atrai o público, que passa a olhar com atenção o material divulgado por jornalistas com 
reputação ilibada, o que também chancela a qualidade das informações exibidas nos 
veículos de comunicação em que estes profissionais trabalham.
 A credibilidade facilita o contato com entrevistados, que depositam confiança no material 
a ser transcrito, editado e/ou exibido por esse comunicador, cientes de que não haverá má-fé 
ou erros de informação.
 A credibilidade é produzida com qualidade editorial, que 
pressupõe conhecer o leitor, atender suas necessidades e 
antecipar-se a elas, fazer valer seus direitos, defendê-lo, 
informá-lo com exclusividade e em primeira mão, escrever 
numa linguagem que ele entenda e goste, com a qual ele 
aprenda e se divirta. Daí nasce a relação de confiança (Bucci, 
2000, p. 66).
Dilemas éticos diante da necessidade de escolher e mandar
 A construção da credibilidade começa pelo trabalho incansável de cruzamento e 
verificação de dados visando garantir a precisão e a confiabilidade das informações.
 Essa tarefa é seguida pela contextualização, que busca oferecer ao público uma 
compreensão mais profunda e abrangente dos eventos e notícias, abordando contextos 
históricos, políticos, sociais e geográficos para ajudar o público a melhor entender as razões 
por trás dos acontecimentos.
 A contextualização, processo acompanhado e delimitado pela edição, com moderação 
e sem sensacionalismo, não apenas enriquece a narrativa, mas também ajuda a evitar 
interpretações simplistas ou tendenciosas, isso quando feita com 
imparcialidade e objetividade. 
 Serve como um guia para conectar os pontos e oferecer 
uma visão completa do panorama em que as notícias 
se desenrolam.
Construção da credibilidade
 Essa missão tem como princípio fundamental a distinção entre fatos e opiniões.
 Nas entrevistas, há toda uma atenção para que haja distinção clara entre os fatos 
apresentados pela fonte, que podem ser corroborados com a apuração de dados, e as 
opiniões expressas por ela, especialmente no calor das emoções, que por vezes 
tornam-se infundadas. 
 Cair nessas armadilhas leva o jornalista ao pecado da incredibilidade. 
 Toda essa atenção também é norteada pela transparência, por meio da qual o 
profissional deixa clara a metodologia de coleta de informações e a identidade das 
fontes, quando for apropriada essa divulgação. 
 Aliás, no que se refere à divulgação das fontes, há casos em 
que o sigilo é essencial para a proteção dos informantes 
quando estes compartilham informações confidenciais ou 
sensíveis, bem como também a manutenção da liberdade de 
imprensa, o que garante que jornalistas possam investigar e 
relatar notícias sem receio de retaliação, promovendo uma 
imprensa independente e crítica.
Fatos e opiniões
 Casos emblemáticos, como o de Watergate, nos Estados Unidos, ressaltaram a 
importância do sigilo. A proteção de Deep Throat, a fonte anônima que forneceu informações 
sobre o escândalo de corrupção, foi essencial para a exposição dos fatos. 
 Ao longo do tempo, a jurisprudência desenvolveu precedentes legais reconhecendo o 
direito dos jornalistas de proteger suas fontes, uma vez que a ausência de resguardo 
pode levar à autocensura por parte dos denunciantes, com medo de retaliações.
 A atribuição do editor, resguardada por um trabalho de edição profissional e ético, vai além 
de ser meramente informativa, ela envolve interpretar eventos, investigar a verdade e 
servir como mediadora confiável entre os acontecimentos e o público. 
 Em primeiro lugar, o jornalista – “segundo o tradicional modelo 
positivista, fundamentado numa teoria da verdade como 
correspondência em que o jornalista deve ser neutro e 
imparcial, evitando emitir juízo de valor” (Rocha; Alves, 2020, 
p. 97) – deve ser um guardião da verdade. 
Jurisprudência e proteção
 Ele busca e dissemina informações precisas e verificadas, resistindo a pressões 
externas que possam comprometer sua integridade.
 Mas para que isso ocorra, há de se estabelecer práticas editoriais que colaborem para 
esta finalidade.
 Essas práticas esbarram em dois paradoxos. 
 O primeiro é aquele que pode colocar o editor ou no papel de zelador ou de curador 
da informação.
 O segundo diz respeito à postura humana desse 
profissional, suas histórias e sua trajetória.
O papel contemporâneo do editor
 A ideia do editor como um porteiro ou zelador da informação parte do princípio de que a 
informação esteja sempre ali, devidamente posta em fila, aguardando a decisão sobre o que 
é e o que não é notícia em uma determinada periodicidade. 
 Se isso fosse verdade, se tal poder algum dia esteve nas mãos de um jornalista, teria ele de 
estar ciente de absolutamente tudo que ocorre no seu campo de cobertura para, até o 
fechamento da sua edição, decidir o que entra e o que não entra.
 Há uma outra definição que aos poucos dá lugar a esse papel. 
É o curador. Aqui cabe uma ponderação importante. Esse 
termo é comumente usado em três campos distintos: nas 
artes, no direito e no Estado (na antiguidade).
Zeladoria ou curadoria
 No direito, o curador é aquele que tem a tutela. O curador de um menor ou de um incapaz é 
quem faz tudo em nome da tal pessoa, desde que assim constituído com autorização de 
um juiz.
 Na antiguidade, os curadores também exerciam funções representando o próprio Estado. 
Os censores romanos eram chamados de curadores e faziam as vezes dos mandatários 
determinando quem teria se pronunciado contrariamente ao imperador. 
 Eram magistrados ou funcionários imperiais encarregados de missões administrativas em um 
campo específico, como o abastecimento ou a gestão do patrimônio público.
 Nas artes, o curador é que define uma linha a partir da qual 
seleciona as obras de arte de uma exposição, um museu ou 
uma galeria de arte. 
 Cabe ao curador justificar suas escolhas a partir de um texto 
curatorial que abre as mostras por ele orientadas.
Zelador e curador
 Em um acervo impressionante como aquele que compõe o Museu de Arte de São Paulo 
(Masp), é o curador aquele que pode pensar em uma exposição tão somente recortando 
um traço comum entre as obras que irá selecionar: uma mostra de paisagens, por exemplo.
 Também é o curador o responsável por aquisições ou trocas de obras de arte no mesmo 
museu.
 No campo jornalístico, esse papel tem muito a ver com o formato mais contemporâneo da 
função de um editor. 
 O curador, na opinião do editor-executivo da Folha de S.Paulo, 
Sérgio Dávila (...), é aquele que ajuda o leitor a se guiar num 
cenário de overdose de informação, a selecionar as que são 
mais relevantes em determinado momento, apresentando-as 
de forma contextualizada e clara – sem a pretensão autoritária, 
contudo, de um porteiro que regula o acesso à torre dourada 
da informação (Essenfelder, 2012, p. 52).
Curador de arte e de notícia
A atribuição do editor, resguardada por um trabalho de edição profissional e ético, vai além de 
ser meramente informativa, ela envolve: 
a) Interpretar a verdade, investigar a mediação e servir como avaliadora.
b) Interpretar eventos, investigar as fontes e servir como consultora.
c) Interpretar eventos, investigar a verdade e servir como mediadora.
d) Interpretar eventos, investigar a verdade e servir como financiadora.
e) Interpretar eventos, investigar a verdade e servir como ordenadora.
Interatividade
A atribuição do editor, resguardada por um trabalho de edição profissional e ético, vai além de 
ser meramente informativa, ela envolve: 
a) Interpretar a verdade, investigar a mediação e servir como avaliadora.
b) Interpretar eventos, investigar as fontes e servir como consultora.
c) Interpretar eventos, investigar a verdade e servir como mediadora.d) Interpretar eventos, investigar a verdade e servir como financiadora.
e) Interpretar eventos, investigar a verdade e servir como ordenadora.
Resposta
 Essa mudança de zelador para curador se verifica em função de dois fenômenos. De um 
lado, e o mais importante, é que a quantidade de informação circulante e disponível é 
infinitamente maior que aquela dos anos 1970, antes do surgimento da internet. 
 A produção de informação, como já vimos, é muito mais intensa, já que os antigos receptores 
agora são produtores. De outro lado, a postura autoritária do editor como chefe está 
cada vez mais ultrapassada, como veremos em breve. 
 Ganha espaço no caminho da curadoria a discussão sobre a criação de sentido 
da mensagem. 
 A overdose, assim chamada pelo editor da Folha de 
S.Paulo, precisa estar a serviço de um significado, de algo 
que possa explicar o papel do próprio leitor diante dessa 
cacofonia informativa. 
 O leitor necessita de um subtexto para guiá-lo por aquilo que 
Cazuza denominava de “um museu de grandes novidades”. 
A mudança
 Com o barateamento dos canais transmissores de informação – não é mais
necessário arcar com custos de gráficas ou estúdios para divulgar uma ideia, agora 
basta um computador ligado à rede mundial – os consumidores passam cada vez mais 
a se tornar produtores. 
 Com isso, a oferta de informação cresce exponencialmente: as notícias não 
desaparecem de seus veículos “tradicionais” – jornais, revistas, rádios, TVs – mas também 
pululam com intensidade e velocidade avassaladoras em blogs, microblogs, redes sociais 
virtuais, sites noticiosos ligados ou não a empresas jornalísticas, agregadores de notícias, 
buscadores, comunicadores instantâneos e em praticamente todos os recantos virtuais da 
internet, sem esquecer das redes de telefonia celular. 
 Velozmente, passa-se da economia industrial, sólida, a uma 
economia cada vez mais impregnada de ícones: economia 
da informação.
 E, mais do que isso, economia de informações em rede, 
em que a produção de conteúdo, que gera valor, é 
descentralizada e aberta a uma multidão de novos atores. 
Crescimento de informações
 Esse leitor produtivo e atuante passou a ser também algo mais que um receptor, senão 
um coautor do próprio texto. A própria sociedade, como demonstra Eco (1994), passa a 
exercer influência a partir de forças inconsistentes e arquetípicas que incidem sobre todo o 
processo de produção de informação.
 A ideia de arquétipo e de uma ação inconsciente na produção do sentido – e da própria 
mensagem jornalística – é fundamental para desfazer a dicotomia comum que situa o editor 
ora como um libertário engajado ora como um mal-intencionado manipulador de massas. 
 As teorias pioneiras na área frequentemente supunham que o sentido é construído 
conscientemente pelo jornalista e então simplesmente disseminado ao público – que, no 
pior estilo pavloviano (...), não teria como resistir à força da comunicação massiva. 
 Os mais recentes estudos na linguística, na psicologia e na 
comunicação detectam, contudo, o papel preponderante 
do inconsciente.
Leitor coautor
 Trata-se de um conceito teorizado pelo suíço Carl Gustav Jung designando um conjunto 
simbólico de símbolos atemporais e universais, resquícios da ancestralidade humana, que 
influenciam de forma inconsciente nossas decisões e ações.
 A ideia de que “lugar de jornalista é na rua” seria um desses arquétipos, reforçando a 
ideia do lugar jornalístico em constante atrito com o tecido social.
 A construção social dos sentidos acontece na rua, no cotidiano e na oratura cujas 
marcas de estilo revelam a poesia dos contadores anônimos. Ao relacionar as vozes e os 
gestos, cabe coletar esses textos, ligá-los e partilhar os sentidos da produção intertextual 
(Medina, 2003, p. 74).
 Por tudo isso, é fundamental conhecer a construção 
pessoal desse profissional. Se tentamos decifrar o jornalista 
por trás do editor, é fundamental conhecer 
o ser humano por trás do jornalista, com seus conflitos 
e contradições.
Arquétipo do editor
 Dizia um velho professor de Metodologia Científica que cabe a um bom pesquisador discernir 
sobre a diferença que existe entre a autoridade da evidência ou a evidência da 
autoridade. Nas redações espalhadas pelo Brasil, sobram editores bufões, dados a 
arroubos autoritários, gritos e ofensas.
 A própria construção imagética desse personagem jornalístico passa por alguém que 
acende um cigarro na bituca daquele que termina e vive à beira de um ataque de 
nervos. Não é à toa que o Superman é um repórter, e não um editor – esse, sim, cheio de 
defeitos e problemas.
 O editor funciona como a válvula de uma panela de pressão, sempre à beira de 
uma explosão. 
 De um lado, os donos da publicação, seus interesses 
e valores. De outro, a equipe com suas demandas. 
Isso sem falar em anunciantes ávidos por resultados 
comerciais. E sua majestade, o público, sedento de novos 
sentidos e possibilidades de participar ativamente de todo 
o processo.
Autoridade e arbitrariedade
 Para Manoel Carlos Chaparro, um dos maiores teóricos da comunicação em língua 
portuguesa, o jornalismo é, como denominou uma de suas obras, a linguagem dos conflitos.
 Sob os impactos das novas tecnologias, uma revolução de efeitos culturais destruiu as 
fronteiras (físicas, ideológicas, científicas...) ordenadoras das interações humanas, em 
tempos idos. Desmoronaram mitos e dogmas. Entretanto, ainda que não se goste dos 
tempos novos, as mudanças melhoraram as convicções democráticas e as formas da 
democracia. E os conflitos tornaram-se complexos, aumentando o potencial aperfeiçoador 
das contradições (Chaparro, 2014, p. 15).
 O raciocínio de Chaparro (2014) parte de um fenômeno 
denominado Revolução das Fontes. Segundo ele, as fontes 
são o que há de mais importante na atividade jornalística. 
Nelas, as fontes, a notícia é gerada, tal qual a semente que 
resulta em uma árvore.
Linguagem de conflitos
 Os jornalistas não gostam de ouvir nem de dizer que dependem das fontes. Entretanto, na 
dimensão do mundo real, é na fonte que o repórter colhe o relato, o testemunho, a opinião, 
os ais e uis com que compõe a narrativa do quotidiano, sua arte maior. No jornalismo, até 
ao mais brilhante contador de histórias de pouco servirá a arte de escrever se não 
souber onde estão as boas fontes e como lidar com elas (Chaparro, 2014, p. 58).
 Essas fontes se organizaram uma vez que compreenderam os processos produtivos do 
jornalismo em uma verdadeira revolução.
 A mais importante modificação ocorrida nos processos jornalísticos nos últimos 
cinquenta anos foi, a meu ver, a organização e a capacitação discursiva das fontes 
interessadas, produtoras e controladoras de acontecimentos, revelações e falas que alteram, 
explicam ou desvendam a atualidade. Elas produzem e 
controlam as informações que interessam ao jornalismo, e hoje 
fazem isso estrategicamente, como forma competente de agir e 
interagir no mundo. Embora no jornalismo pouco se falasse 
delas, as fontes fizeram uma revolução (Chaparro, 2014, p. 37).
Revolução das fontes
 As redações, passo a passo, foram se transformando nesse palco de conflito com 
pressões de todos os lados, sobretudo das fontes diante de tamanho protagonismo. O editor, 
por sua vez, assume definitivamente o papel de mediador desses conflitos como uma regra 
de trabalho.
 O autor afirma que a perspectiva das fontes influencia, inevitavelmente, a decisão 
jornalística – e quanto mais competentes elas se tornam, mais capazes são de determinar 
enfoques, relevâncias e até títulos, na narração jornalística. Usando a frase do velho 
professor de metodologia, é quando o editor se dobra à autoridade da evidência, em 
detrimento da evidência da sua própria autoridade.
 Coelho Sobrinho, em 1998, alertava para o fato de que “o 
conceito do editor também mudou. De gerente máximo do 
conteúdo jornalísticoele é hoje um administrador, 
preocupado com os índices de leiturabilidade das várias 
editorias, de recall de seus leitores, da produtividade de 
seus repórteres, dos horários de fechamento e das multas 
pela desobediência desse deadline”.
Redações – palcos de pressões
 Mesmo assim, como observa Essenfelder (2012, p. 59): “Raramente, contudo, encontramos 
a preocupação de apresentar o profissional editor em sua totalidade, dando-lhe voz ativa 
para melhor compreendê-lo. Assim, a maioria dos estudos não apreendem um elemento 
fundamental deste profissional: seu caráter”.
 Ser editor é um teste de caráter. Pelas decisões a que é obrigado a tomar em nome do 
público. Pelas relações que mantém com fontes e com a estrutura da empresa 
de informação. 
 Da cadeia produtiva da informação, é ele quem talvez mais 
revele de si na operação do próprio trabalho, quaisquer que 
sejam suas obrigações, se atividade-fim ou atividade-meio. 
Editar, enfim, é escolher. Ao fazer escolhas, o editor determina 
o valor de um fato (Pereira Júnior, 2006, p. 14).
Um teste de caráter
 Para Chaparro (2014), a virtude de editar reside em contribuir, e não em mandar. 
É a capacidade de contribuir para a criatividade daqueles que hierarquicamente comanda.
 De toda forma, sem quem o edite, nenhum jornal ou telejornal chega ao seu público, e 
depois que o editor dá o seu “OK” às decisões finais, o processo de socialização dos 
conteúdos inicia-se. 
 Nele, os cidadãos destinatários assumem papéis e liberdades de protagonistas, com o 
notável poder de aceitar ou rejeitar o que lhe é oferecido.
 Se o jornalismo é a linguagem dos conflitos, o editor 
é aquele que sela os mais importantes acordos, seja 
com as fontes, seja com os leitores que acatam suas
escolhas editoriais.
Editar não é mandar
 A essência abstrata de qualquer primeira página competente está, pois, na indispensável 
proposta de acordo. Também por isso, contrariando dogmas espalhados até em livros 
famosos, digo que a persuasão se constitui traço fundamental no discurso jornalístico, 
mesmo quando apenas se pretende informar. Dessa proposta de acordo depende o 
sucesso da operação jornalística, vista como processo cultural de intervenção na realidade 
e empreendimento econômico (Chaparro, 2014, p. 156).
Para encerrar
“A mais importante modificação ocorrida nos processos jornalísticos nos últimos cinquenta 
anos foi, a meu ver, a organização e a capacitação discursiva das fontes interessadas, 
produtoras e controladoras de acontecimentos, revelações e falas que alteram, explicam ou 
desvendam a atualidade. Elas produzem e controlam as informações que interessam ao 
jornalismo, e hoje fazem isso estrategicamente, como forma competente de agir e interagir no 
mundo”. A esse fenômeno, o professor Manuel Chaparro denomina:
a) Revolução dos jornalistas.
b) Revolução dos repórteres.
c) Revolução dos editores.
d) Revolução das fontes.
e) Revolução das palavras.
Interatividade
“A mais importante modificação ocorrida nos processos jornalísticos nos últimos cinquenta 
anos foi, a meu ver, a organização e a capacitação discursiva das fontes interessadas, 
produtoras e controladoras de acontecimentos, revelações e falas que alteram, explicam ou 
desvendam a atualidade. Elas produzem e controlam as informações que interessam ao 
jornalismo, e hoje fazem isso estrategicamente, como forma competente de agir e interagir no 
mundo”. A esse fenômeno, o professor Manuel Chaparro denomina:
a) Revolução dos jornalistas.
b) Revolução dos repórteres.
c) Revolução dos editores.
d) Revolução das fontes.
e) Revolução das palavras.
Resposta
 BUCCI, Eugênio. Sobre ética e imprensa. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. 
 CHAPARRO, Manuel Carlos. Jornalismo, linguagem dos conflitos. São Paulo: Ed. Do 
Autor, 2014.
 DE REZENDE, Irene Nogueira; BARATA, Cipriano. A sentinela da liberdade e outros escritos 
(1821-1835). Organização e edição: Marco Morel. S. Paulo: EDUSP, 2009, 936 p. Várias 
História, v. 26, n. 43, p. 323-326, 2010.
 ECO, Umberto. Seis passeios pelos bosques da ficção. São Paulo: Companhia das Letras, 
1994.
 ESSENFELDER, Renato. O editor e seus labirintos: reflexos da crise de paradigmas do jornal 
impresso/ Renato Essenfelder. São Paulo: R. Essenfelder, 2012.
 HIRSCH, Paul M. Occupational, Organizational and Institutional 
ModeIs in Mass Media Research: Toward an Integrated 
Framework. In: Hirsch P. M., MilIer P, Mine F. (org.). Strategies 
for Communicational Research. Beverly Hills: Annual Reviews of 
Communication Research, v. 6, 1977.
Referências
 MEDINA, Cremilda. A arte de tecer o presente. São Paulo: Summus, 2003.
 PEREIRA JUNIOR, Luiz Costa. A apuração da notícia: métodos de investigação na 
imprensa. Petrópolis: Vozes, 2006.
 ROCHA, Heitor Costa Lima; ALVES, Anabela Maria Alves Gradim. Autonomia do jornalista, 
ética e política editorial: as implicações do enquadramento da notícia. Estudos em Jornalismo 
e Mídia, [s. l.], v. 17, n. 1, p. 96-108, 18 jun. 2020. 
Referências
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