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Anamnese Oftalmológica

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Questões resolvidas

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Banco de Questões — Semiologia Oftalmológica
Parte 1 — Anamnese Oftalmológica
GABARITO COMENTADO DO PROFESSOR
Disciplina: Semiologia Oftalmológica
Curso: Medicina — UEMA | Período de referência: 2º período
Fonte-base: Resumo de Semiologia Oftalmológica (Bates 12ª ed.; Porto 8ª ed., caps. 15–18;
Kara-Junior & Koch)
Nome do estudante: _______________________________________________
Data: ____ / ____ / ______
PARTE 1 — ANAMNESE OFTALMOLÓGICA
SEÇÃO A — QUESTÕES OBJETIVAS
1.1 Dados de identificação e sua importância diagnóstica
Questão 1 (OFT1-OBJ-01)
Um recém-nascido de 3 dias de vida é levado à emergência com secreção purulenta abundante e edema
palpebral bilateral intenso, iniciados 48 horas após o parto vaginal. Qual é a hipótese diagnóstica
prioritária e a razão da urgência no manejo?
(A) Oftalmia gonocócica neonatal, que exige diagnóstico e tratamento imediatos pelo risco de
ulceração e perfuração corneana.
(B) Glaucoma congênito, cuja tríade típica inclui secreção purulenta bilateral como achado cardinal.
(C) Dacriocistite congênita por obstrução do ducto nasolacrimal, de resolução espontânea na quase
totalidade dos casos.
(D) Retinoblastoma neonatal, manifesto por secreção purulenta associada a leucocoria.
(E) Conjuntivite química por nitrato de prata, que não exige tratamento além de lubrificação ocular.
Nível: Difícil · Competência (Bloom): Analisar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.1 Dados de identificação e sua importância diagnóstica
Resposta correta: A
Comentário: O quadro descrito — início precoce (24–48h), secreção purulenta profusa e edema palpebral
importante — é clássico de oftalmia gonocócica neonatal. A Neisseria gonorrhoeae pode invadir uma córnea
intacta e causar ulceração e perfuração em horas, sendo emergência oftalmológica com necessidade de
antibioticoterapia sistêmica imediata.
Por que as demais estão erradas:
B — O glaucoma congênito manifesta-se com epífora, fotofobia e opacidade/aumento corneano
(megalocórnea), não secreção purulenta.
C — A dacriocistite congênita cursa com epífora e secreção mucopurulenta discreta à expressão do saco
lacrimal, sem o quadro hiperagudo e purulento descrito.
D — O retinoblastoma manifesta-se classicamente por leucocoria (reflexo pupilar esbranquiçado) e
estrabismo, não por secreção purulenta neonatal.
E — A conjuntivite química por nitrato de prata é leve, surge nas primeiras 24 horas e não cursa com secreção
purulenta abundante nem edema intenso — é diagnóstico de exclusão, não prioritário aqui.
Questão 2 (OFT1-OBJ-02)
Uma adolescente de 14 anos refere piora progressiva da acuidade visual para longe ao longo do último
ano, sem dor ou hiperemia associadas, com tendência a estabilização esperada na vida adulta. Qual
vício de refração é mais provável nessa faixa etária e qual o padrão evolutivo esperado?
(A) Afacia adquirida, que cursa com hipermetropia acentuada de início súbito.
(B) Miopia, com tendência progressiva nessa fase da vida e estabilização na vida adulta.
(C) Astigmatismo irregular pós-traumático, sem relação com a faixa etária.
(D) Hipermetropia, com tendência a piora progressiva ao longo de toda a vida adulta.
(E) Presbiopia, decorrente da perda de elasticidade do cristalino típica da adolescência.
Nível: Difícil · Competência (Bloom): Aplicar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.1 Dados de identificação e sua importância diagnóstica
Resposta correta: B
Comentário: Na adolescência prevalecem os vícios de refração, sobretudo a miopia, que tende a ser
progressiva nessa fase e a se estabilizar na vida adulta — padrão exatamente descrito no enunciado.
Por que as demais estão erradas:
A — A afacia (ausência de cristalino) decorre de cirurgia, trauma ou luxação — não há histórico compatível no
enunciado.
C — O quadro descrito é gradual e bilateral, sem história de trauma, o que afasta astigmatismo irregular
pós-traumático como hipótese mais provável.
D — A hipermetropia não corrigida tende a causar mais sintomas de esforço visual de perto (cefaleia,
astenopia) do que piora progressiva isolada da visão de longe nessa faixa etária.
E — A presbiopia decorre do envelhecimento e da perda de elasticidade do cristalino, surgindo por volta dos
40 anos — incompatível com uma adolescente de 14 anos.
Questão 3 (OFT1-OBJ-03)
Homem de 45 anos, trabalhador rural, procura atendimento por dificuldade progressiva de leitura de
perto, sem alteração da visão para longe, sem uso prévio de óculos. Além de reconhecer a alteração
fisiológica esperada para a idade, qual risco ocupacional específico deve ser ativamente investigado na
anamnese desse paciente?
(A) Glaucoma congênito reagudizado; risco ocupacional de exposição a agrotóxicos organofosforados.
(B) Retinopatia diabética inicial; risco ocupacional de fotofobia por exposição solar crônica.
(C) Presbiopia por perda de elasticidade do cristalino; risco ocupacional de úlcera de córnea micótica
por traumatismo com material vegetal (galhos).
(D) Miopia tardia; risco ocupacional de blefarite por poeira em ambientes fechados.
(E) Catarata senil; risco ocupacional de retinopatia actínica por radiação ionizante industrial.
Nível: Muito difícil · Competência (Bloom): Analisar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.1 Dados de identificação e sua importância
diagnóstica
Resposta correta: C
Comentário: Aos 45 anos, dificuldade seletiva para perto com visão de longe preservada é o quadro clássico
da presbiopia, pela perda progressiva de elasticidade do cristalino. Trabalhadores rurais expostos a
traumatismo com galhos de árvore têm risco aumentado de úlcera de córnea micótica, achado que deve ser
ativamente rastreado na anamnese ocupacional.
Por que as demais estão erradas:
A — Não há elementos no enunciado sugestivos de reagudização de glaucoma congênito (condição da
infância), e a exposição ocupacional relevante para trabalhadores rurais com traumatismo vegetal é a úlcera
fúngica, não agrotóxicos nesse contexto.
B — Não há dados clínicos (glicemia, outros sintomas) que sustentem retinopatia diabética como hipótese
mais provável; a queixa é isoladamente presbiópica.
D — Blefarite por poeira é mais associada a trabalhadores de ambientes fechados e empoeirados, não ao
trabalhador rural exposto a galhos de árvore.
E — A catarata senil cursa tipicamente com borramento progressivo tanto para perto quanto para longe
(embaçamento global), não com o padrão seletivo de dificuldade apenas para perto descrito.
Questão 4 (OFT1-OBJ-04)
Um paciente de 78 anos refere perda visual lenta e progressiva, bilateral, sem dor, ao longo de dois anos.
Considerando o perfil epidemiológico esperado para a idade avançada, qual conjunto de hipóteses
diagnósticas deve ser priorizado?
(A) Presbiopia isolada, decorrente do início da quinta década de vida.
(B) Conjuntivite crônica de repetição por procedência de área endêmica de tracoma.
(C) Vícios de refração não corrigidos, típicos da adolescência.
(D) Catarata e fenômenos vasculares/degenerativos da retina, típicos da senescência.
(E) Uveíte anterior aguda recorrente, típica de doença autoimune do adulto jovem.
Nível: Difícil · Competência (Bloom): Aplicar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.1 Dados de identificação e sua importância diagnóstica
Resposta correta: D
Comentário: Em idades mais avançadas predominam os fenômenos de senescência: catarata, blefaroptose e
lesões vasculares/degenerativas da retina (como degeneração macular), compatíveis com perda visual lenta,
bilateral e indolor.
Por que as demais estão erradas:
A — A presbiopia surge por volta dos 40 anos e causa dificuldade seletiva para perto, não perda visual global
lenta ao longo de dois anos aos 78 anos.
B — Procedência de área endêmica é um dado de anamnese relevante para tracoma, mas não é a hipótese
epidemiologicamente priorizada para idade avançada sem menção a essa procedência.
C — Vícios de refração são mais característicos da adolescência, não da idade avançada como hipótese
prioritária para perda visual progressiva bilateral.
E — Uveíte anterior aguda cursa tipicamentecom dor, hiperemia e fotofobia — não com perda visual lenta e
indolor.
1.2 Estrutura da entrevista
Questão 5 (OFT1-OBJ-05)
Durante a anamnese oftalmológica de um paciente com queixa de borramento visual, qual conjunto de
perguntas é indispensável para a caracterização sistemática do sintoma, segundo a estrutura
recomendada da entrevista?
(A) Somente a existência de antecedentes familiares de doença ocular, por ser o fator mais preditivo
isoladamente.
(B) Apenas a idade do paciente, já que ela define isoladamente a hipótese diagnóstica.
(C) Somente o uso atual de óculos ou lentes de contato, pois define a necessidade de exame
complementar.
(D) Apenas o tempo de evolução do sintoma, sendo os demais dados dispensáveis em queixas visuais.
(E) Tempo de evolução, lateralidade, caracterização da perda (longe/perto, central/periférica,
súbita/gradual), uso de óculos ou lentes, antecedentes pessoais/familiares e doenças
sistêmicas/medicações em uso.
Nível: Difícil · Competência (Bloom): Aplicar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.2 Estrutura da entrevista
Resposta correta: E
Comentário: A estrutura da entrevista oftalmológica recomenda sistematizar toda queixa de alteração visual
por esses seis eixos, pois cada um deles direciona hipóteses diagnósticas distintas (por exemplo,
súbita/unilateral/dolorosa versus gradual/bilateral/indolor).
Por que as demais estão erradas:
A — Antecedentes familiares são um dos elementos, não o único nem o mais determinante isoladamente.
B — A idade tem valor preditivo importante (item 1.1), mas não substitui a caracterização detalhada do
sintoma atual.
C — O uso de óculos é apenas um dos itens da sistematização, não o critério isolado suficiente.
D — O tempo de evolução é essencial, mas isolado é insuficiente — lateralidade, característica da perda e
antecedentes também mudam o raciocínio diagnóstico.
Questão 6 (OFT1-OBJ-06)
Ao iniciar a investigação de queixas oculares, a estrutura da entrevista recomenda começar com
perguntas abertas. Qual das opções a seguir exemplifica corretamente essa abordagem inicial?
(A) "Como está sua visão? Teve algum problema com seus olhos?", permitindo que o paciente
descreva livremente a queixa antes do detalhamento dirigido.
(B) "Sua pressão intraocular está controlada?", pois direciona imediatamente o raciocínio para
glaucoma.
(C) "Você usa colírio de corticoide?", pois rastreia risco de catarata induzida por medicação.
(D) "Quantas dioptrias você tem?", pois quantifica objetivamente o problema refracional.
(E) "O senhor tem glaucoma na família?", pois antecedentes familiares devem sempre ser a primeira
pergunta.
Nível: Difícil · Competência (Bloom): Aplicar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.2 Estrutura da entrevista
Resposta correta: A
Comentário: A entrevista deve iniciar com perguntas abertas, como "Como está sua visão?" e "Teve algum
problema com seus olhos?", deixando o paciente relatar livremente antes do detalhamento dirigido dos pontos
essenciais.
Por que as demais estão erradas:
B — Essa pergunta pressupõe diagnóstico prévio de glaucoma e já é dirigida, não uma pergunta aberta inicial.
C — Perguntar sobre colírio específico já pressupõe uma hipótese e é uma pergunta fechada e dirigida.
D — Pedir a refração em dioptrias é uma pergunta técnica e fechada, inadequada como abertura da
entrevista.
E — Perguntar diretamente sobre glaucoma familiar já direciona (pergunta fechada e dirigida), não é uma
abertura da entrevista.
Questão 7 (OFT1-OBJ-07)
Paciente relata perda de acuidade visual. Ao sistematizar a queixa, o examinador precisa diferenciar se a
perda é para longe e/ou para perto e se é central e/ou periférica. Por que essa distinção espacial é
clinicamente relevante?
(A) Porque perda periférica é sempre sinônimo de cegueira noturna por deficiência de vitamina A.
(B) Porque perda central sugere acometimento macular/foveal, enquanto perda periférica sugere
acometimento do campo visual mais externo (como no glaucoma avançado), orientando hipóteses
topográficas distintas.
(C) Porque perda de visão para perto isolada sempre indica catarata madura.
(D) Porque não tem relevância prática, servindo apenas para preencher o prontuário.
(E) Porque essa distinção só é útil em pacientes pediátricos, sendo dispensável no adulto.
Nível: Muito difícil · Competência (Bloom): Analisar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.2 Estrutura da entrevista
Resposta correta: B
Comentário: A localização da perda visual orienta a topografia da lesão: comprometimento central sugere
disfunção macular/foveal (área de maior acuidade), enquanto perda periférica aponta para acometimento do
campo visual mais externo, como ocorre em fases avançadas do glaucoma — distinção fundamental para
direcionar hipóteses.
Por que as demais estão erradas:
A — A nictalopia (cegueira noturna) é um sintoma específico de disfunção de bastonetes, relacionado, mas
não sinônimo automático de toda perda periférica.
C — Dificuldade isolada para perto sem alteração para longe sugere mais presbiopia ou hipermetropia não
corrigida do que catarata madura, que costuma comprometer visão global.
D — A caracterização espacial da perda visual tem forte valor de localização topográfica, não é um dado
meramente burocrático.
E — A sistematização espacial da perda visual é útil em qualquer faixa etária, não exclusiva da pediatria.
Questão 8 (OFT1-OBJ-08)
Durante a entrevista, por que é indispensável perguntar sobre doenças sistêmicas de base (diabetes,
hipertensão, doenças reumatológicas, distúrbios tireoidianos) mesmo quando a queixa principal parece
puramente ocular?
(A) Porque apenas o diabetes melito tem repercussão ocular relevante, sendo as demais doenças
irrelevantes para o exame oftalmológico.
(B) Porque doenças sistêmicas nunca precedem o diagnóstico oftalmológico, sendo sempre
identificadas antes pelo clínico geral.
(C) Porque diversas doenças sistêmicas têm manifestações oculares primárias ou associadas, e
reconhecê-las pode ser essencial tanto para o diagnóstico ocular quanto para o diagnóstico sistêmico
ainda não estabelecido.
(D) Porque essas perguntas são apenas protocolares e raramente alteram a conduta oftalmológica.
(E) Porque essas perguntas substituem a necessidade de caracterizar tempo de evolução e
lateralidade da queixa ocular.
Nível: Difícil · Competência (Bloom): Avaliar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.2 Estrutura da entrevista
Resposta correta: C
Comentário: O médico generalista/oftalmologista costuma ser o primeiro a identificar manifestações oculares
de diabetes, hipertensão, doenças reumatológicas e distúrbios tireoidianos; a anamnese sistêmica cuidadosa
permite tanto direcionar o diagnóstico ocular quanto suspeitar de uma doença sistêmica ainda não
diagnosticada.
Por que as demais estão erradas:
A — Hipertensão arterial, doenças reumatológicas e distúrbios tireoidianos também têm repercussões
oculares bem estabelecidas (retinopatia hipertensiva, uveítes, orbitopatia de Graves), não apenas o diabetes.
B — Com frequência ocorre o oposto: um achado ocular (como retinopatia ou uveíte) pode ser o primeiro sinal
que leva ao diagnóstico de uma doença sistêmica ainda não conhecida.
D — Pelo contrário: doenças sistêmicas frequentemente se manifestam primeiro nos olhos, tornando essa
investigação clinicamente decisiva, não protocolar.
E — São investigações complementares, não substitutas — todos os eixos da entrevista devem ser
explorados em conjunto.
1.3 Sinais e sintomas cardinais das afecções oculares
Questão 9 (OFT1-OBJ-09)
Um paciente refere dor ocular que ele descreve como difusa, profunda e de difícil localização exata.
Outro paciente refere dor bem localizada em um ponto específico da pálpebra. O que essa diferença de
localização da dor indica quanto à origem anatômica provável de cada queixa?
(A) Ambas as dores têm a mesma origem anatômica, pois a dor ocular é sempre igualmente
localizável.
(B) A distinção de localização da dor não tem nenhuma utilidade semiológica em oftalmologia.
(C) A dor mal localizada sempre indica origempalpebral, e a dor bem localizada sempre indica origem
no globo ocular.
(D) A dor de origem visceral (no globo ocular) tende a ser mal localizada, enquanto a dor de origem
palpebral tende a ser bem localizada pelo paciente.
(E) Dor mal localizada indica necessariamente glaucoma agudo, e dor bem localizada indica
necessariamente hordéolo.
Nível: Muito difícil · Competência (Bloom): Analisar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.3 Sinais e sintomas cardinais das afecções oculares
Resposta correta: D
Comentário: A dor originada no globo ocular é do tipo visceral e, por isso, mal localizada pelo paciente;
quando originada na pálpebra, é bem localizada — informação central na caracterização semiológica da dor
ocular.
Por que as demais estão erradas:
A — A dor ocular não é uniformemente localizável — depende da estrutura acometida, conforme seu caráter
visceral ou somático.
B — Pelo contrário: essa distinção ajuda a direcionar a investigação para causas intraoculares (uveíte,
esclerite) versus causas palpebrais (hordéolo, dacrioadenite, celulite).
C — A afirmação inverte parcialmente a lógica correta: é a dor originada no globo ocular (visceral) que tende a
ser mal localizada, e a de origem palpebral que tende a ser bem localizada — mas dizer "sempre" para ambas
as direções tampouco é o enunciado mais preciso; a opção C expressa essa relação corretamente sem
absolutismos indevidos.
E — Múltiplas etiologias diferentes podem causar dor mal localizada (uveíte, esclerite, celulite orbitária) ou
bem localizada (hordéolo, calázio) — não há uma correspondência unívoca e exclusiva.
Questão 10 (OFT1-OBJ-10)
Um paciente relata visão amarelada persistente (xantopsia) iniciada após ajuste de dose de um
medicamento cardiológico. Qual classe medicamentosa deve ser investigada prioritariamente como
causa dessa discromatopsia adquirida?
(A) Bloqueadores de canal de cálcio.
(B) Diuréticos tiazídicos.
(C) Anti-hipertensivos inibidores da ECA.
(D) Estatinas.
(E) Digitálicos.
Nível: Muito difícil · Competência (Bloom): Analisar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.3 Sinais e sintomas cardinais das afecções oculares
Resposta correta: E
Comentário: Os digitálicos são classicamente associados à xantopsia (visão amarelada) e também podem
causar cloropsia (visão esverdeada) — achado clássico de toxicidade digitálica, com relevância direta em um
paciente cardiológico com ajuste recente de dose.
Por que as demais estão erradas:
A — Bloqueadores de canal de cálcio não são classicamente implicados em xantopsia.
B — Diuréticos tiazídicos não são a causa farmacológica clássica de xantopsia — o vínculo consagrado é com
os digitálicos.
C — Inibidores da ECA não são classicamente associados a discromatopsia adquirida (xantopsia).
D — Estatinas não constam entre as causas farmacológicas clássicas de discromatopsia adquirida no
contexto descrito.
Questão 11 (OFT1-OBJ-11)
Um paciente refere visão dupla. Ao ser orientado a fechar cada olho separadamente, a diplopia
desaparece completamente com o fechamento de qualquer um dos olhos. Qual conclusão semiológica é
a mais adequada e qual estrutura deve ser priorizada na investigação?
(A) Trata-se de diplopia binocular, decorrente de paralisia ou restrição de músculo(s) extraocular(es),
pois a diplopia desaparece com a oclusão de qualquer um dos olhos.
(B) Trata-se de diplopia monocular por opacidade do vítreo, sem necessidade de avaliação da
motilidade ocular.
(C) Trata-se de diplopia fisiológica normal; nenhuma investigação adicional é necessária.
(D) Trata-se de nistagmo, e não de diplopia verdadeira, dado o padrão de resolução ao fechar os olhos.
(E) Trata-se de diplopia monocular; deve-se investigar paralisia do nervo oculomotor.
Nível: Muito difícil · Competência (Bloom): Avaliar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.3 Sinais e sintomas cardinais das afecções oculares
Resposta correta: A
Comentário: A diplopia binocular só existe quando ambos os olhos estão abertos, pois decorre do
desalinhamento entre os eixos visuais por paralisia ou restrição de músculo(s) extraocular(es) (NC III, IV ou VI,
ou restrição mecânica); desaparece com a oclusão de qualquer um dos olhos.
Por que as demais estão erradas:
B — Diplopia monocular (a que persiste com um olho fechado) sugere problema óptico no próprio olho —
córnea ou cristalino — não é o padrão descrito e, mesmo quando presente, não dispensa avaliação clínica.
C — A diplopia fisiológica ocorre em condições específicas de fixação a diferentes distâncias e não é a
interpretação mais adequada de uma queixa espontânea persistente — deve-se investigar causa patológica.
D — O quadro descrito é consistente com diplopia binocular verdadeira, não com nistagmo, que é um
movimento ocular oscilatório e não uma queixa de visão dupla propriamente dita.
E — O padrão descrito (resolução com o fechamento de qualquer um dos olhos) define diplopia binocular, não
monocular; monocular é aquela que persiste com um olho fechado.
Questão 12 (OFT1-OBJ-12)
Um paciente relata ver pontos escuros móveis que se deslocam pelo campo visual ao movimentar os
olhos, além de, em outro momento, referir uma área fixa de escurecimento que não se desloca com o
olhar. Como se classificam corretamente esses dois achados, respectivamente?
(A) Fosfenos (móveis) e discromatopsia (fixa).
(B) Corpos flutuantes do humor vítreo (móveis) e escotoma (fixo, sugerindo lesão de retina ou vias
visuais).
(C) Diplopia monocular (móvel) e diplopia binocular (fixa).
(D) Nistagmo (móvel) e hemianopsia (fixa).
(E) Ambos são escotomas fixos, de mesma origem retiniana.
Nível: Difícil · Competência (Bloom): Aplicar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.3 Sinais e sintomas cardinais das afecções oculares
Resposta correta: B
Comentário: Pontos ou faixas que se deslocam no campo visual com as mudanças do olhar sugerem corpos
flutuantes no humor vítreo; já um defeito fixo, que não acompanha o olhar, caracteriza escotoma, sugerindo
lesão de retina ou das vias visuais — distinção semiológica essencial mencionada explicitamente no resumo.
Por que as demais estão erradas:
A — Fosfenos são sensações luminosas (não pontos escuros) e discromatopsia é alteração da percepção de
cores, não uma área fixa de escurecimento.
C — Diplopia é visão dupla, categoria distinta de percepção de pontos ou áreas escuras no campo visual.
D — Nistagmo é um movimento ocular anômalo observável ao exame, não uma queixa de "pontos móveis";
hemianopsia é um tipo específico de defeito campimétrico, mais restrito que "escotoma" genérico.
E — Pontos móveis que se deslocam com o olhar não são escotomas fixos — a mobilidade é o critério
diferenciador central da questão.
Questão 13 (OFT1-OBJ-13)
Paciente de 60 anos, tabagista, relata início súbito de "luzes piscando" atravessando o campo visual,
acompanhadas do surgimento de novos corpos flutuantes no vítreo. Qual a conduta mais adequada
frente a essa associação de sintomas?
(A) Iniciar corticoide tópico empiricamente para provável uveíte anterior.
(B) Prescrever colírio lubrificante e reavaliar em 30 dias, sem necessidade de avaliação especializada
urgente.
(C) Encaminhar com urgência para avaliação oftalmológica, pois luzes piscando associadas a novos
corpos flutuantes sugerem descolamento entre o vítreo e a retina.
(D) Tranquilizar o paciente, pois luzes piscando associadas a corpos flutuantes são sempre um
fenômeno benigno relacionado à idade.
(E) Solicitar apenas exame de refração, pois o quadro sugere erro refracional não corrigido.
Nível: Muito difícil · Competência (Bloom): Analisar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.3 Sinais e sintomas cardinais das afecções oculares
Resposta correta: C
Comentário: Luzes piscando (fotopsias) associadas a corpos flutuantes de início recente são sinais de alerta
para descolamento entre o corpo vítreo e a retina, exigindo avaliação oftalmológica imediata para prevenir
descolamento de retina propriamente dito.
Por que as demais estão erradas:
A — Não há dados de dor, hiperemia ou fotofobia sugestivos de uveíte anterior; iniciar corticoideempírico sem
diagnóstico é inadequado e pode mascarar ou agravar a real etiologia.
B — Postergar a avaliação atrasa o diagnóstico de uma condição potencialmente urgente (risco de
descolamento de retina), sendo conduta inadequada.
D — Embora corpos flutuantes isolados possam ser benignos, a associação com luzes piscando de início
súbito é sinal de alerta que não deve ser trivializada.
E — O quadro não é sugestivo de erro refracional simples; fotopsias e corpos flutuantes novos apontam para
tração vitreorretiniana, não para necessidade de troca de grau.
Questão 14 (OFT1-OBJ-14)
Um paciente com retinopatia pigmentar em fase inicial refere dificuldade progressiva para enxergar em
ambientes com pouca luminosidade, enquanto a visão diurna permanece relativamente preservada. Qual
termo semiológico descreve esse sintoma e qual fotorreceptor está primariamente disfuncional?
(A) Escotoma; disfunção primária do epitélio pigmentar.
(B) Diplopia; disfunção primária do nervo óptico.
(C) Xantopsia; disfunção primária das células ganglionares.
(D) Nictalopia; disfunção primária dos bastonetes.
(E) Hemeralopia; disfunção primária dos cones.
Nível: Difícil · Competência (Bloom): Compreender · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.3 Sinais e sintomas cardinais das afecções oculares
Resposta correta: D
Comentário: A nictalopia ("cegueira noturna") reflete disfunção dos bastonetes, que predominam na retina
periférica e são responsáveis pela visão em baixa luminosidade; é achado típico e precoce da retinopatia
pigmentar.
Por que as demais estão erradas:
A — Escotoma é uma área de cegueira parcial ou completa dentro do campo visual, não um sintoma de
dificuldade visual dependente da luminosidade ambiente.
B — A disfunção do nervo óptico causa tipicamente perda de acuidade e de visão de cores, não o padrão
específico de dificuldade seletiva à noite.
C — Xantopsia é a percepção de visão amarelada, uma discromatopsia adquirida, não relacionada à
dificuldade visual em baixa luminosidade.
E — Hemeralopia é a "cegueira diurna", refletindo disfunção dos cones — é o oposto do sintoma descrito no
enunciado, que ocorre em ambientes pouco iluminados.
1.4 Perda visual: sistematização por tempo, lateralidade e dor
Questão 15 (OFT1-OBJ-15)
Paciente de 58 anos, diabético de longa data, apresenta perda visual súbita, unilateral, sem dor
associada. Qual conjunto de hipóteses diagnósticas deve ser priorizado, segundo a sistematização da
perda visual por tempo, lateralidade e dor?
(A) Úlcera de córnea, uveíte e hifema traumático.
(B) Catarata e degeneração macular por evolução lentamente progressiva.
(C) Arterite de células gigantes isoladamente, por ser a causa mais comum de perda súbita indolor.
(D) Exposição a compostos químicos ou radiação.
(E) Hemorragia vítrea (favorecida pelo diabetes), degeneração macular, descolamento de retina,
oclusão de veia ou de artéria centrais da retina.
Nível: Muito difícil · Competência (Bloom): Avaliar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.4 Perda visual: sistematização por tempo,
lateralidade e dor
Resposta correta: E
Comentário: Perda visual súbita, unilateral e indolor tem como principais causas a hemorragia vítrea
(favorecida por diabetes ou trauma), a degeneração macular, o descolamento de retina e a oclusão da veia ou
da artéria centrais da retina — quadro coerente com o paciente diabético descrito.
Por que as demais estão erradas:
A — Essas etiologias (úlcera de córnea, uveíte, hifema traumático) são causas de perda súbita, unilateral e
dolorosa — não indolor, como descrito no caso.
B — Catarata e degeneração macular como causa isolada de instalação lenta correspondem ao padrão
gradual, não ao súbito descrito no enunciado.
C — A arterite de células gigantes é uma causa de perda súbita bilateral indolor (rara), e não a hipótese
prioritária diante de perda unilateral indolor em paciente diabético.
D — Exposição a compostos químicos ou radiação está associada a perda súbita bilateral e dolorosa, não ao
quadro unilateral indolor apresentado.
Questão 16 (OFT1-OBJ-16)
Paciente apresenta olho vermelho com dor ocular intensa de início súbito, unilateral, associada a
náuseas e halos coloridos ao redor de luzes. Considerando a sistematização por dor e lateralidade, qual
grupo de diagnósticos diferenciais deve ser priorizado?
(A) Úlcera de córnea, uveíte, hifema traumático e glaucoma de ângulo agudo.
(B) Arterite de células gigantes bilateral.
(C) Hemorragia vítrea, degeneração macular e descolamento de retina.
(D) Exposição a compostos químicos ou radiação ocular.
(E) Catarata e degeneração macular relacionadas à idade.
Nível: Muito difícil · Competência (Bloom): Avaliar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.4 Perda visual: sistematização por tempo,
lateralidade e dor
Resposta correta: A
Comentário: Perda visual súbita, unilateral e dolorosa remete a causas localizadas na córnea e câmara
anterior: úlcera de córnea, uveíte, hifema traumático e glaucoma de ângulo agudo — este último
particularmente compatível com dor intensa, náuseas e halos coloridos ao redor de luzes, sinais clássicos de
elevação abrupta da pressão intraocular.
Por que as demais estão erradas:
B — A arterite de células gigantes causa perda súbita bilateral indolor (rara) — quadro distinto do
apresentado.
C — Esse grupo corresponde à perda súbita, unilateral e indolor — incompatível com a dor intensa relatada no
caso.
D — Exposição a compostos químicos ou radiação é causa de perda bilateral dolorosa, não unilateral como no
caso.
E — Catarata e degeneração macular cursam com perda gradual, não súbita e dolorosa como no caso
descrito.
Questão 17 (OFT1-OBJ-17)
Um paciente refere perda visual bilateral, súbita e sem dor. Segundo a sistematização apresentada, essa
apresentação é considerada rara. Qual etiologia deve ser priorizada nessa situação específica?
(A) Exposição a compostos químicos.
(B) Arterite de células gigantes e causas não fisiológicas.
(C) Glaucoma de ângulo fechado bilateral simultâneo.
(D) Uveíte anterior bilateral.
(E) Catarata bilateral relacionada à idade.
Nível: Difícil · Competência (Bloom): Analisar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.4 Perda visual: sistematização por tempo, lateralidade e
dor
Resposta correta: B
Comentário: A perda visual súbita, bilateral e indolor é uma apresentação rara, cujas principais causas a
considerar são a arterite de células gigantes e causas não fisiológicas — informação explícita da
sistematização por tempo, lateralidade e dor.
Por que as demais estão erradas:
A — Exposição a compostos químicos está associada a perda súbita bilateral, porém dolorosa, não indolor.
C — O glaucoma de ângulo fechado agudo é classicamente doloroso e mais frequentemente unilateral no
episódio agudo, não indolor.
D — Uveíte anterior cursa tipicamente com dor, hiperemia e fotofobia, não sendo indolor.
E — A catarata bilateral relacionada à idade cursa com perda gradual, não súbita.
Questão 18 (OFT1-OBJ-18)
Uma paciente relata que, há cerca de dois anos, sua visão vem piorando muito lentamente, de forma
bilateral e sem dor, sendo notada principalmente por ela mesma ao comparar fotografias antigas. Qual é
a interpretação mais adequada dessa cronologia segundo a sistematização da perda visual?
(A) Padrão compatível com hemorragia vítrea recente por trauma.
(B) Padrão compatível com uveíte anterior aguda recorrente.
(C) Padrão gradual, compatível principalmente com catarata ou degeneração macular.
(D) Padrão compatível com glaucoma de ângulo agudo, exigindo encaminhamento imediato como
emergência.
(E) Padrão compatível com oclusão aguda de artéria central da retina.
Nível: Difícil · Competência (Bloom): Aplicar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.4 Perda visual: sistematização por tempo, lateralidade e
dor
Resposta correta: C
Comentário: Perda visual de instalação gradual, ao longo de meses a anos, é tipicamente decorrente de
catarata ou degeneração macular — quadro consistente com a percepção tardia da própria paciente, comum
nessas condições de progressão insidiosa.
Por queas demais estão erradas:
A — A hemorragia vítrea por trauma tem instalação súbita, incompatível com a evolução lenta descrita.
B — A uveíte anterior aguda cursa com dor e hiperemia de instalação relativamente rápida, não com padrão
insidioso ao longo de anos.
D — O glaucoma de ângulo agudo cursa com dor intensa e instalação súbita, não com evolução lenta ao
longo de dois anos.
E — A oclusão de artéria central da retina é uma emergência de instalação súbita e geralmente unilateral, não
gradual e bilateral.
Questão 19 (OFT1-OBJ-19)
Um paciente apresenta perda visual súbita e unilateral. Ao ser questionado sobre dor, nega qualquer
desconforto ocular associado. O exame de fundo de olho revela hemorragias em chama de vela difusas e
veias tortuosas e ingurgitadas. Qual hipótese diagnóstica é mais consistente com esse quadro dentro da
sistematização apresentada?
(A) Uveíte anterior granulomatosa.
(B) Hifema traumático.
(C) Glaucoma de ângulo agudo.
(D) Oclusão de veia central da retina.
(E) Úlcera de córnea perfurada.
Nível: Muito difícil · Competência (Bloom): Avaliar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.4 Perda visual: sistematização por tempo,
lateralidade e dor
Resposta correta: D
Comentário: Perda visual súbita, unilateral e indolor com hemorragias em chama de vela e veias
tortuosas/ingurgitadas ao fundo de olho é o quadro clássico de oclusão de veia central da retina, uma das
causas listadas na sistematização para esse perfil de apresentação.
Por que as demais estão erradas:
A — A uveíte anterior é tipicamente dolorosa, com hiperemia periquerática, não indolor com achados de fundo
de olho como descrito.
B — O hifema traumático pressupõe história de trauma e sangue visível na câmara anterior, não hemorragias
retinianas isoladas sem dor.
C — O glaucoma de ângulo agudo é doloroso, com olho vermelho e córnea edemaciada — não indolor como
no caso.
E — A úlcera de córnea é tipicamente dolorosa e apresenta alteração da transparência corneana ao exame
externo, não hemorragias retinianas em chama de vela.
1.5 Doenças sistêmicas e medicações com repercussão ocular
Questão 20 (OFT1-OBJ-20)
Uma paciente com lúpus eritematoso sistêmico em uso crônico de hidroxicloroquina realiza
acompanhamento oftalmológico periódico. Qual é a principal justificativa clínica para esse monitoramento
sistemático, mesmo na ausência de sintomas visuais?
(A) A hidroxicloroquina não tem qualquer toxicidade ocular descrita, sendo o acompanhamento apenas
uma rotina administrativa.
(B) A hidroxicloroquina causa exclusivamente catarata reversível com a suspensão do medicamento.
(C) A hidroxicloroquina está associada apenas a glaucoma agudo de ângulo fechado, sem risco
retiniano.
(D) A hidroxicloroquina não atravessa a barreira hematorretiniana, não havendo qualquer risco ocular.
(E) A hidroxicloroquina pode causar retinopatia tóxica e discromatopsia, potencialmente irreversíveis se
não detectadas precocemente, justificando rastreamento mesmo sem sintomas.
Nível: Muito difícil · Competência (Bloom): Avaliar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.5 Doenças sistêmicas e medicações com
repercussão ocular
Resposta correta: E
Comentário: A cloroquina e a hidroxicloroquina estão classicamente associadas à retinopatia tóxica e à
discromatopsia; como o dano pode ser assintomático em fases iniciais e progredir para lesão irreversível, o
rastreamento oftalmológico periódico é indicado independentemente da presença de sintomas.
Por que as demais estão erradas:
A — Pelo contrário: a hidroxicloroquina tem toxicidade ocular bem documentada, o que justifica o
acompanhamento sistemático, não uma mera rotina administrativa.
B — A associação clássica não é com catarata isolada e reversível, mas com retinopatia tóxica, que pode ser
irreversível.
C — O medicamento classicamente relacionado a esse fármaco é a retinopatia, não o glaucoma agudo de
ângulo fechado.
D — A retinopatia por hidroxicloroquina demonstra justamente que o fármaco pode se acumular e afetar
estruturas oculares, refutando essa alternativa.
Questão 21 (OFT1-OBJ-21)
Um paciente em uso de amiodarona para controle de arritmia cardíaca refere halos visuais discretos,
sem outras queixas. Ao exame com lâmpada de fenda, é esperado encontrar qual achado característico
dessa medicação?
(A) Depósitos corneanos (córnea verticillata), podendo associar-se a neuropatia óptica.
(B) Megalocórnea congênita.
(C) Leucocoria pupilar.
(D) Pterígio bilateral extenso.
(E) Sinequia posterior extensa.
Nível: Difícil · Competência (Bloom): Aplicar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.5 Doenças sistêmicas e medicações com repercussão
ocular
Resposta correta: A
Comentário: A amiodarona é classicamente associada a depósitos corneanos (a chamada córnea verticillata)
e, em menor frequência, a neuropatia óptica — achado coerente com o uso crônico do medicamento e a
queixa de halos visuais.
Por que as demais estão erradas:
B — Megalocórnea é achado congênito associado a glaucoma congênito, não relacionado ao uso de
amiodarona.
C — Leucocoria é reflexo pupilar esbranquiçado, associado a catarata densa ou retinoblastoma, não é o
achado característico da amiodarona.
D — Pterígio relaciona-se à exposição solar crônica (fator ocupacional), não ao uso de amiodarona.
E — Sinequia posterior é aderência da íris ao cristalino, típica de sequela de uveíte, não descrita como efeito
da amiodarona.
Questão 22 (OFT1-OBJ-22)
Ao investigar antecedentes medicamentosos de um paciente com queixas oculares inespecíficas, o uso
crônico de qual classe de medicamentos deve levantar suspeita de catarata ou glaucoma secundários,
exigindo investigação direcionada?
(A) Anti-histamínicos tópicos oculares.
(B) Corticosteroides sistêmicos de uso prolongado.
(C) Anti-inflamatórios não esteroides tópicos isolados.
(D) Inibidores de bomba de prótons.
(E) Antibióticos betalactâmicos.
Nível: Difícil · Competência (Bloom): Aplicar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.5 Doenças sistêmicas e medicações com repercussão
ocular
Resposta correta: B
Comentário: O uso crônico de corticosteroides é classicamente associado ao desenvolvimento de catarata e
de glaucoma secundários, devendo ser ativamente investigado na anamnese medicamentosa de pacientes
com queixas oculares.
Por que as demais estão erradas:
A — Anti-histamínicos tópicos não constam entre as classes classicamente associadas a catarata ou
glaucoma secundários no resumo.
C — Embora AINEs tópicos possam ter efeitos oculares específicos, a associação clássica e mais relevante
com catarata/glaucoma é com os corticosteroides.
D — Inibidores de bomba de prótons não constam entre as medicações classicamente associadas a
repercussão ocular relevante nesse contexto.
E — Antibióticos betalactâmicos não têm associação clássica com catarata ou glaucoma.
Questão 23 (OFT1-OBJ-23)
Um homem em tratamento de tuberculose com esquema contendo etambutol relata diminuição
progressiva da acuidade visual e dificuldade para discriminar cores, principalmente no eixo
vermelho-verde. Qual é a conduta mais apropriada diante desse quadro?
(A) Aumentar a dose de etambutol, pois os sintomas indicam subdosagem terapêutica.
(B) Solicitar apenas exame de refração, pois o quadro é compatível com erro refracional simples.
(C) Suspeitar de neurite óptica tóxica pelo etambutol e considerar avaliação oftalmológica urgente com
reavaliação do esquema terapêutico.
(D) Associar corticoide tópico ocular sem necessidade de avaliação adicional.
(E) Tranquilizar o paciente, pois o etambutol não tem toxicidade ocular descrita.
Nível: Muito difícil · Competência (Bloom): Analisar · Valor: 1.0 pt · Subtema: 1.5 Doenças sistêmicas e medicações com
repercussão ocular
Resposta correta: C
Comentário: O etambutol é classicamente associado à neurite óptica tóxica, que se manifesta com perda de
acuidade visual e discromatopsia, tipicamente no eixo vermelho-verde; diante desses sinais, impõe-se
avaliação oftalmológica e reconsideração do esquema terapêutico, já que o dano pode ser evitável se
identificado precocemente.Por que as demais estão erradas:
A — Aumentar a dose do fármaco potencialmente tóxico ao nervo óptico é conduta oposta à recomendada
diante de sinais de toxicidade.
B — O quadro combina perda de acuidade com discromatopsia em paciente sob fármaco neurotóxico
conhecido, não sendo compatível com simples erro refracional.
D — Não há indicação de corticoide tópico nesse quadro, que é de origem tóxica sistêmica relacionada ao
nervo óptico, não inflamatória local.
E — O etambutol tem toxicidade ocular bem estabelecida (neurite óptica), o que torna essa alternativa
incorreta e potencialmente perigosa.
SEÇÃO B — QUESTÕES DISCURSIVAS
1.1 Dados de identificação e sua importância diagnóstica
Questão 1 (OFT1-DISC-01) — Nota máxima: 2.0 pontos
Explique por que a idade do paciente tem forte valor preditivo em oftalmologia, exemplificando com pelo
menos quatro condições oculares típicas de diferentes faixas etárias (do recém-nascido ao idoso).
Conceitos essenciais esperados: Recém-nascido: oftalmia gonocócica neonatal e glaucoma congênito;
Infância: retinoblastoma e xantogranuloma juvenil; Adolescência: vícios de refração (miopia progressiva); Por
volta dos 40 anos: presbiopia; Idade avançada: catarata, blefaroptose, lesões vasculares/degenerativas da
retina
Conceitos complementares (diferencial positivo): Estrabismo fisiológico dos três primeiros meses de vida,
não confundido com estrabismo patológico
Resposta-modelo (não é texto obrigatório — aceitar formulações equivalentes):
A prevalência das afecções oculares varia de modo previsível conforme a faixa etária, o que torna a idade um
dado de forte valor preditivo diagnóstico. No recém-nascido, deve-se pensar em oftalmia gonocócica neonatal
(conjuntivite purulenta bilateral grave) e em glaucoma congênito (tríade de epífora, fotofobia e
opacidade/aumento corneano); ambas exigem diagnóstico precoce pelo risco de dano estrutural irreversível.
Na infância, destacam-se neoplasias intraoculares como o retinoblastoma e o xantogranuloma juvenil. Na
adolescência, prevalecem os vícios de refração, com miopia tendendo a ser progressiva nessa fase e a se
estabilizar na vida adulta. Por volta dos 40 anos surge a presbiopia, decorrente do envelhecimento e da perda
de elasticidade do cristalino. Em idades mais avançadas, predominam os fenômenos de senescência:
catarata, blefaroptose e lesões vasculares e degenerativas da retina.
Rubrica de correção
Critério Pontos
Cita corretamente ao menos uma condição do recém-nascido (oftalmia
gonocócica ou glaucoma congênito)
0.5
Cita corretamente uma condição da infância (retinoblastoma/xantogranuloma) ou
da adolescência (vícios de refração)
0.5
Cita corretamente a presbiopia associada à quarta década de vida 0.5
Cita corretamente condições da idade avançada (catarata, blefaroptose ou
doença vascular/degenerativa da retina)
0.5
Erros conceituais possíveis: Confundir estrabismo patológico com a incoordenação motora ocular fisiológica
dos primeiros meses de vida; Atribuir presbiopia a faixas etárias incorretas
Questão 2 (OFT1-DISC-02) — Nota máxima: 2.0 pontos
Um paciente é trabalhador rural, com longa exposição solar e histórico de traumatismo ocular por galhos
de árvore. Explique como esses dois dados ocupacionais distintos direcionam para hipóteses
diagnósticas diferentes, e cite a alteração nutricional que também deve ser investigada em populações
com hábitos alimentares carenciais.
Conceitos essenciais esperados: Exposição solar crônica → risco aumentado de pterígio; Traumatismo por
galhos de árvore → risco de úlcera de córnea micótica; Avitaminose A → olho seco, úlcera de córnea,
cegueira noturna (nictalopia) e transtornos da visão cromática
Resposta-modelo (não é texto obrigatório — aceitar formulações equivalentes):
A exposição solar crônica, comum em trabalhadores rurais que atuam expostos ao sol, aumenta o risco de
pterígio, uma prega fibrovascular da conjuntiva bulbar que cresce sobre a córnea. Já o traumatismo com
galhos de árvore, típico de atividades rurais, é fator de risco específico para úlcera de córnea de etiologia
micótica, já que o material vegetal favorece a inoculação de fungos na córnea lesada. Além desses riscos
ocupacionais, hábitos alimentares carenciais devem levantar suspeita de avitaminose A, que pode causar olho
seco, úlcera de córnea, cegueira noturna (nictalopia, por disfunção de bastonetes) e transtornos da visão
cromática.
Rubrica de correção
Critério Pontos
Relaciona corretamente exposição solar crônica a pterígio 0.6
Relaciona corretamente traumatismo com galhos a úlcera de córnea micótica 0.7
Cita avitaminose A e pelo menos duas de suas manifestações oculares (olho
seco, úlcera, nictalopia, transtorno de visão cromática)
0.7
Erros conceituais possíveis: Inverter as associações (atribuir pterígio ao trauma e úlcera micótica à
exposição solar); Confundir nictalopia com hemeralopia
1.2 Estrutura da entrevista
Questão 3 (OFT1-DISC-03) — Nota máxima: 2.0 pontos
Descreva os seis eixos que devem estruturar a investigação de qualquer queixa de alteração visual na
anamnese oftalmológica, explicando brevemente a relevância clínica de cada um.
Conceitos essenciais esperados: Tempo de evolução (súbito vs. gradual); Lateralidade (uni ou bilateral);
Caracterização da perda de acuidade visual (longe/perto; central/periférica); Uso de óculos ou lentes de
contato; Antecedentes familiares ou pessoais de doenças oculares; Doenças sistêmicas e medicações em uso
Resposta-modelo (não é texto obrigatório — aceitar formulações equivalentes):
Toda queixa de alteração visual deve ser sistematizada por: (1) tempo de evolução, pois instalação súbita
versus gradual direciona para grupos etiológicos distintos (vascular/inflamatório agudo versus degenerativo
crônico); (2) lateralidade, já que causas unilaterais tendem a ser locais e bilaterais tendem a ser sistêmicas ou
tóxicas; (3) caracterização da perda (para longe e/ou perto; central e/ou periférica), que ajuda a localizar a
topografia da lesão; (4) uso de óculos ou lentes de contato, que contextualiza erros refracionais prévios; (5)
antecedentes familiares e pessoais de doenças oculares, que aumentam a probabilidade pré-teste de certas
condições hereditárias ou recorrentes; e (6) doenças sistêmicas e medicações em uso, pois numerosas
condições e fármacos têm repercussão ocular direta.
Rubrica de correção
Critério Pontos
Cita tempo de evolução e lateralidade com justificativa clínica 0.6
Cita caracterização da perda (longe/perto, central/periférica) com justificativa 0.5
Cita uso de óculos/lentes e antecedentes familiares/pessoais 0.4
Cita doenças sistêmicas e medicações em uso, com justificativa 0.5
Questão 4 (OFT1-DISC-04) — Nota máxima: 2.0 pontos
Um paciente relata tontura. Explique por que é essencial diferenciar, já na entrevista, entre vertigem
verdadeira, pré-síncope e desequilíbrio, e como essa diferenciação se relaciona com a necessidade de
exame neuroftalmológico (pesquisa de nistagmo).
Conceitos essenciais esperados: Vertigem: sensação de que o ambiente ou o próprio corpo está girando —
sugere doença vestibular; Pré-síncope: sensação de desmaio iminente — sugere causa
cardiovascular/ortostática; Desequilíbrio: sensação de instabilidade na marcha, sem rotação; Necessidade de
exame neurológico com pesquisa de nistagmo diante de vertigem verdadeira, para diferenciar causa central
de periférica
Resposta-modelo (não é texto obrigatório — aceitar formulações equivalentes):
O termo "tontura" é inespecífico e pode representar entidades clínicas muito diferentes: vertigem verdadeira
(sensação de que o ambiente ou o próprio paciente está girando, refletindo doença vestibular periférica ou
central), pré-síncope (sensação de desmaio iminente, sugerindo causa cardiovascular como arritmia ou
hipotensão ortostática) e desequilíbrio (instabilidade na marcha sem sensação rotatória). Diferenciar esses
três quadros já na anamnese evita investigações desnecessárias e direciona o exame físico: diante de
vertigem verdadeira, é fundamentalrealizar exame neurológico cuidadoso com pesquisa de nistagmo e sinais
focais, pois isso ajuda a distinguir causas vestibulares periféricas (labirintopatias) de causas centrais (tronco
encefálico ou cerebelo), que exigem investigação e conduta distintas.
Rubrica de correção
Critério Pontos
Diferencia corretamente vertigem, pré-síncope e desequilíbrio 1.0
Explica a relevância da pesquisa de nistagmo para diferenciar causa central de
periférica
1.0
1.3 Sinais e sintomas cardinais das afecções oculares
Questão 5 (OFT1-DISC-05) — Nota máxima: 2.0 pontos
Compare a fisiopatologia e as principais causas da hemeralopia e da nictalopia, relacionando cada uma
ao tipo de fotorreceptor envolvido.
Conceitos essenciais esperados: Hemeralopia: cegueira diurna, disfunção de cones; Nictalopia: cegueira
noturna, disfunção de bastonetes; Nictalopia mais comum: retinopatia pigmentar, glaucoma em fase tardia,
carência de vitamina A
Resposta-modelo (não é texto obrigatório — aceitar formulações equivalentes):
A hemeralopia, ou "cegueira diurna", reflete disfunção dos cones — fotorreceptores concentrados na fóvea,
responsáveis pela visão central, de alta acuidade e de cores, mais ativos em ambientes bem iluminados. A
nictalopia, ou "cegueira noturna", reflete disfunção dos bastonetes — fotorreceptores mais numerosos na
retina periférica, responsáveis pela visão em baixa luminosidade. A nictalopia é o achado mais comum na
prática clínica, sendo típica da retinopatia pigmentar (degeneração primária de bastonetes), do glaucoma em
fase tardia (por perda de campo periférico) e da carência de vitamina A (essencial para a síntese da
rodopsina, pigmento visual dos bastonetes).
Rubrica de correção
Critério Pontos
Define corretamente hemeralopia e a associa aos cones 0.6
Define corretamente nictalopia e a associa aos bastonetes 0.6
Cita ao menos duas causas de nictalopia (retinopatia pigmentar, glaucoma tardio,
carência de vitamina A)
0.8
Questão 6 (OFT1-DISC-06) — Nota máxima: 2.0 pontos
Explique, do ponto de vista anatômico, por que a diplopia binocular desaparece quando se fecha um dos
olhos, enquanto a diplopia monocular persiste, e cite as estruturas oculares tipicamente responsáveis por
cada tipo.
Conceitos essenciais esperados: Diplopia binocular: decorre do desalinhamento entre os dois eixos visuais
(paralisia ou restrição de músculo extraocular) — exige os dois olhos abertos para ocorrer; Diplopia
monocular: persiste com um olho fechado, indicando problema óptico dentro do próprio olho (córnea ou
cristalino); Diplopia horizontal: paralisia de NC III ou VI; diplopia vertical: paralisia de NC III ou IV
Resposta-modelo (não é texto obrigatório — aceitar formulações equivalentes):
A diplopia binocular resulta do desalinhamento entre os eixos visuais dos dois olhos, de modo que cada olho
projeta a imagem do objeto em um ponto retiniano diferente, gerando duas imagens; ao fechar qualquer um
dos olhos, resta apenas uma imagem e a diplopia desaparece. Suas causas típicas são paralisia ou restrição
mecânica de músculo(s) extraocular(es): diplopia horizontal sugere paralisia do NC III ou do NC VI, e diplopia
vertical sugere paralisia do NC III ou do NC IV. Já a diplopia monocular persiste mesmo com o olho
contralateral fechado, porque a duplicação da imagem ocorre dentro do próprio olho sintomático —
tipicamente por irregularidade corneana ou por alteração do cristalino (por exemplo, catarata incipiente ou
subluxação), que desviam parte dos raios luminosos formando uma segunda imagem retiniana no mesmo
olho.
Rubrica de correção
Critério Pontos
Explica corretamente o mecanismo da diplopia binocular e por que desaparece
ao fechar um olho
0.8
Explica corretamente o mecanismo da diplopia monocular e por que persiste 0.7
Cita corretamente a correlação de NC III/IV/VI com diplopia vertical/horizontal 0.5
1.4 Perda visual: sistematização por tempo, lateralidade e dor
Questão 7 (OFT1-DISC-07) — Nota máxima: 2.0 pontos
Construa um raciocínio sistematizado (em forma de algoritmo textual) para investigar um paciente que
chega ao pronto-socorro com queixa de perda visual súbita, explicando como as perguntas sobre
lateralidade e dor reduzem progressivamente as hipóteses diagnósticas.
Conceitos essenciais esperados: Primeira pergunta: uni ou bilateral; Segunda pergunta: com ou sem dor;
Súbita/unilateral/indolor: hemorragia vítrea, degeneração macular, descolamento de retina, oclusão vascular
retiniana; Súbita/unilateral/dolorosa: úlcera de córnea, uveíte, hifema traumático, glaucoma de ângulo agudo,
neurite óptica; Súbita/bilateral/indolor (rara): arterite de células gigantes, causas não fisiológicas;
Súbita/bilateral/dolorosa: exposição a compostos químicos ou radiação
Resposta-modelo (não é texto obrigatório — aceitar formulações equivalentes):
Diante de perda visual súbita, o primeiro passo é esclarecer a lateralidade (unilateral versus bilateral) e, em
seguida, a presença ou ausência de dor — essas duas perguntas funcionam como um algoritmo de triagem
que reduz progressivamente as hipóteses. Se a perda for unilateral e indolor, deve-se pensar em hemorragia
vítrea (sobretudo em diabéticos ou após trauma), degeneração macular, descolamento de retina ou oclusão
de veia ou artéria centrais da retina. Se for unilateral e dolorosa, as causas se concentram na córnea e câmara
anterior: úlcera de córnea, uveíte, hifema traumático, glaucoma de ângulo agudo, além de neurite óptica (que
também pode ser dolorosa). Se for bilateral e indolor — apresentação rara —, deve-se suspeitar de arterite de
células gigantes ou de causas não fisiológicas. Se for bilateral e dolorosa, a hipótese prioritária é exposição a
compostos químicos ou à radiação. Esse raciocínio permite direcionar rapidamente a conduta, já que a perda
visual súbita e dolorosa, em particular, exige encaminhamento oftalmológico imediato.
Rubrica de correção
Critério Pontos
Estrutura o raciocínio em duas perguntas-chave (lateralidade e dor) de forma
sequencial
0.5
Descreve corretamente as causas de perda súbita unilateral indolor e unilateral
dolorosa
0.8
Descreve corretamente as causas de perda súbita bilateral indolor e bilateral
dolorosa
0.7
Questão 8 (OFT1-DISC-08) — Nota máxima: 2.0 pontos
Explique por que a perda visual súbita e dolorosa é considerada, de modo geral, um sinal de alerta que
exige encaminhamento oftalmológico imediato, exemplificando com pelo menos duas condições que
ilustram essa urgência.
Conceitos essenciais esperados: Perda súbita e dolorosa costuma indicar processo agudo com potencial de
dano estrutural irreversível em curto prazo; Exemplos: glaucoma de ângulo agudo (risco de dano ao nervo
óptico por elevação da PIO), úlcera de córnea (risco de perfuração)
Resposta-modelo (não é texto obrigatório — aceitar formulações equivalentes):
A perda visual súbita associada a dor geralmente reflete um processo agudo localizado na córnea ou na
câmara anterior, com potencial de causar dano estrutural rápido e irreversível se não tratado a tempo. No
glaucoma de ângulo agudo, a elevação abrupta da pressão intraocular pode lesar o nervo óptico em poucas
horas; na úlcera de córnea, o processo infeccioso/inflamatório pode evoluir para perfuração corneana. Por
isso, esse padrão de apresentação — súbito e doloroso — deve ser tratado como emergência oftalmológica,
com encaminhamento imediato.
Rubrica de correção
Critério Pontos
Explica corretamente por que dor + súbita é sinal de alerta (potencial de dano
irreversível rápido)
1.0
Cita corretamente pelo menos duas condições ilustrativas com justificativa (ex.:
glaucoma agudo, úlcera de córnea)
1.0
1.5 Doenças sistêmicas e medicações com repercussão ocular
Questão 9 (OFT1-DISC-09) — Nota máxima: 2.0 pontos
Cite pelo menos cinco classes ou fármacos com repercussão ocular relevante que devem ser
investigados na anamnese, descrevendo a principal manifestação ocular de cada um.
Conceitos essenciais esperados: Cloroquina/hidroxicloroquina → retinopatia tóxica, discromatopsia;
Amiodarona→ depósitos corneanos, neuropatia óptica; Etambutol → neurite óptica tóxica;
Sildenafila/digitálicos → xantopsia, cloropsia; Corticosteroides → catarata, glaucoma;
Tranquilizantes/fenobarbital/antidepressivos tricíclicos/anticoncepcionais orais também constam como classes
a investigar
Resposta-modelo (não é texto obrigatório — aceitar formulações equivalentes):
Diversas medicações sistêmicas têm repercussão ocular relevante e devem ser sempre investigadas na
anamnese: a cloroquina e a hidroxicloroquina podem causar retinopatia tóxica e discromatopsia; a amiodarona
pode causar depósitos corneanos (córnea verticillata) e neuropatia óptica; o etambutol pode causar neurite
óptica tóxica; a sildenafila e os digitálicos podem causar discromatopsias como xantopsia e cloropsia; e os
corticosteroides sistêmicos, quando usados cronicamente, podem causar catarata e glaucoma. Também
merecem investigação tranquilizantes, fenobarbital, antidepressivos tricíclicos e anticoncepcionais orais,
igualmente associados a repercussões oculares.
Rubrica de correção
Critério Pontos
Cita corretamente cloroquina/hidroxicloroquina com retinopatia/discromatopsia 0.4
Cita corretamente amiodarona com depósitos corneanos/neuropatia óptica 0.4
Cita corretamente etambutol com neurite óptica 0.4
Cita corretamente sildenafila/digitálicos com discromatopsia 0.4
Cita corretamente corticosteroides com catarata/glaucoma 0.4
Questão 10 (OFT1-DISC-10) — Nota máxima: 2.0 pontos
Além das medicações, quais doenças sistêmicas de base devem ser sempre investigadas na anamnese
oftalmológica pela elevada frequência de manifestações oculares associadas? Justifique a relevância de
investigar cada uma.
Conceitos essenciais esperados: Diabetes melito → retinopatia diabética; Hipertensão arterial → retinopatia
hipertensiva; Doenças reumatológicas/autoimunes → uveítes e outras manifestações; Distúrbios tireoidianos
→ orbitopatia (exoftalmia no hipertireoidismo)
Resposta-modelo (não é texto obrigatório — aceitar formulações equivalentes):
Devem ser sempre investigadas: o diabetes melito, pela elevada frequência de retinopatia diabética, uma das
principais causas de cegueira evitável; a hipertensão arterial, pelo risco de retinopatia hipertensiva; as
doenças reumatológicas e autoimunes, associadas a uveítes e outras manifestações inflamatórias oculares; e
os distúrbios tireoidianos, especialmente o hipertireoidismo (doença de Graves), associado a orbitopatia com
exoftalmia e retração palpebral. A investigação sistemática dessas condições é justificada porque o olho
frequentemente expõe sinais precoces de doenças sistêmicas ainda não diagnosticadas, e porque o manejo
ocular depende do controle da doença de base.
Rubrica de correção
Critério Pontos
Cita diabetes melito com justificativa (retinopatia diabética) 0.5
Cita hipertensão arterial com justificativa (retinopatia hipertensiva) 0.5
Cita doenças reumatológicas/autoimunes com justificativa (uveítes) 0.5
Cita distúrbios tireoidianos com justificativa (orbitopatia/exoftalmia) 0.5
SEÇÃO C — CASOS CLÍNICOS
Caso Clínico 1 — Perda visual súbita em paciente diabético (OFT1-CASO-01)
R.M.S., 64 anos, sexo masculino, motorista aposentado, procedente de São Luís (MA). Diabético
tipo 2 há 15 anos, em uso irregular de insulina, sem acompanhamento oftalmológico há mais de 5
anos. Procura atendimento por ter notado, ao acordar, perda importante da visão do olho esquerdo,
descrita como "uma cortina de fumaça", sem dor, vermelhidão ou fotofobia associadas. Nega
trauma. À anamnese dirigida, refere ter percebido, na semana anterior, pontos escuros móveis no
campo visual desse mesmo olho.
a) Com base na sistematização por tempo, lateralidade e dor, qual é a hipótese diagnóstica mais
provável e por quê? (1.5 pt)
Raciocínio esperado: Diabetes de longa data e mal controlado → risco de retinopatia diabética proliferativa
com neovascularização → ruptura de vasos neoformados frágeis → hemorragia vítrea → percepção de corpos
flutuantes seguida de perda visual súbita, unilateral e indolor ("cortina").
Resposta-modelo: A apresentação de perda visual súbita, unilateral e indolor, precedida de corpos
flutuantes, em paciente diabético de longa data e mal controlado, é altamente sugestiva de hemorragia vítrea
secundária a retinopatia diabética proliferativa: os vasos neoformados (neovasos), frágeis e anormais,
rompem-se facilmente, sangrando para a cavidade vítrea. Isso explica tanto o surgimento prévio de corpos
flutuantes (sangramento inicial pequeno) quanto a perda súbita e indolor da visão (hemorragia mais volumosa,
obscurecendo o eixo visual).
Critério Pontos
Identifica hemorragia vítrea como hipótese mais provável 0.5
Relaciona corretamente a diabetes mal controlada à retinopatia diabética
proliferativa como causa de base
0.5
Explica o mecanismo de fragilidade dos neovasos e a relação com os corpos
flutuantes prévios
0.5
b) Cite outras duas hipóteses diagnósticas que deveriam compor o diagnóstico diferencial, dado o
mesmo padrão de apresentação (súbita, unilateral, indolor). (1.0 pt)
Resposta-modelo: Além da hemorragia vítrea, devem ser consideradas: degeneração macular (embora mais
associada a perda gradual, pode haver componente hemorrágico agudo) e, principalmente, descolamento de
retina e oclusão de veia ou de artéria centrais da retina, todas causas clássicas de perda visual súbita,
unilateral e indolor.
Critério Pontos
Cita descolamento de retina e/ou oclusão vascular retiniana (veia ou artéria
central)
0.7
Cita degeneração macular como diferencial adicional plausível 0.3
c) Que orientação de conduta deve ser dada a esse paciente e por quê? (1.0 pt)
Resposta-modelo: O paciente deve ser encaminhado com urgência para avaliação oftalmológica, já que a
perda visual súbita, mesmo indolor, é sinal de alerta que exige investigação e tratamento imediatos para
preservar a função visual e prevenir complicações adicionais, como descolamento de retina tracional
secundário à retinopatia proliferativa.
Critério Pontos
Indica encaminhamento oftalmológico urgente com justificativa adequada 1.0
Caso Clínico 2 — Dor ocular intensa com halos coloridos (OFT1-CASO-02)
L.F.A., 70 anos, sexo feminino, foi ao cinema à noite e, ao sair, notou dor ocular direita intensa e
súbita, com sensação de "pressão" e visão de halos coloridos ao redor das luzes da rua. Refere
também náusea importante e um episódio de vômito. Ao exame, o olho direito apresenta-se
hiperemiado, com córnea de aspecto discretamente opaco, e a paciente relata mal-estar geral.
a) Qual é a hipótese diagnóstica mais provável? Relacione o ambiente de baixa luminosidade (cinema à
noite) com o mecanismo fisiopatológico do quadro. (1.5 pt)
Raciocínio esperado: Ambiente escuro → midríase fisiológica → em olho com ângulo iridocorneano estreito,
a íris periférica se aproxima ainda mais do trabeculado → bloqueio do escoamento do humor aquoso →
elevação abrupta da pressão intraocular → dor, halos (edema corneano difratando a luz), náusea/vômito
(reflexo vagal).
Resposta-modelo: O quadro é compatível com glaucoma de ângulo fechado agudo. O ambiente escuro do
cinema provoca midríase fisiológica; em um olho predisposto (ângulo iridocorneano estreito), a dilatação
pupilar aproxima ainda mais a íris periférica do trabeculado, bloqueando o escoamento do humor aquoso pelo
ângulo. Isso causa elevação abrupta da pressão intraocular, gerando dor intensa, edema corneano
(responsável pela visão de halos coloridos ao redor de luzes, por difração) e sintomas vagais associados,
como náusea e vômito.
Critério Pontos
Identifica glaucoma de ângulo fechado agudo como hipótese principal 0.5
Explica o papel da midríase em ambiente escuro no desencadeamento 0.5
Relaciona a elevação da PIO ao edema corneano e à percepção de halos 0.5
b) Segundo a sistematização de perda/alteração visual por dor e lateralidade, em que categoria se
encaixa esse quadro, e quais outras três condições compartilham essa mesma categoria? (1.0 pt)
Resposta-modelo: Trata-se de quadrosúbito, unilateral e doloroso. Além do glaucoma de ângulo agudo,
compartilham essa categoria a úlcera de córnea, a uveíte anterior e o hifema traumático.
Critério Pontos
Classifica corretamente como súbito/unilateral/doloroso 0.4
Cita corretamente as outras três condições (úlcera de córnea, uveíte, hifema
traumático)
0.6
c) Por que esse quadro constitui uma emergência oftalmológica? (1.0 pt)
Resposta-modelo: A elevação abrupta e importante da pressão intraocular pode causar dano isquêmico
rápido ao nervo óptico e à retina, levando a perda visual permanente em poucas horas se não houver redução
emergencial da pressão intraocular; por isso, exige encaminhamento e tratamento imediatos.
Critério Pontos
Explica corretamente o risco de dano isquêmico irreversível ao nervo óptico em
curto prazo
1.0
Caso Clínico 3 — Visão amarelada em paciente cardiopata (OFT1-CASO-03)
J.P.O., 68 anos, em acompanhamento cardiológico por fibrilação atrial, iniciou uso de digoxina há
três semanas para controle de frequência cardíaca. Retorna à consulta relatando que "tudo parece
meio amarelado" e refere também halos ao redor das luzes, sem dor ocular. Nega uso de outros
medicamentos além de losartana e digoxina.
a) Qual o termo semiológico correto para o sintoma relatado e qual é a causa mais provável,
considerando a história medicamentosa? (1.5 pt)
Resposta-modelo: O sintoma relatado é a xantopsia (visão amarelada), uma discromatopsia adquirida.
Considerando o início recente do uso de digoxina (um digitálico), a causa mais provável é a toxicidade
digitálica — os digitálicos são classicamente associados à xantopsia e também podem causar cloropsia (visão
esverdeada) e halos visuais, como no caso descrito.
Critério Pontos
Identifica corretamente xantopsia como o termo semiológico 0.6
Relaciona corretamente o quadro à toxicidade por digitálico (digoxina) 0.9
b) Além da investigação oftalmológica, que conduta clínica imediata deve ser considerada em relação à
medicação em uso? (1.0 pt)
Resposta-modelo: Deve-se considerar a possibilidade de intoxicação digitálica sistêmica, solicitando
dosagem sérica de digoxina e avaliação de outros sinais de toxicidade (arritmias, sintomas gastrointestinais,
alterações neurológicas), com reavaliação da dose ou suspensão do medicamento conforme orientação
cardiológica.
Critério Pontos
Reconhece a necessidade de investigar/tratar intoxicação digitálica sistêmica,
não apenas o sintoma ocular isolado
1.0
c) Cite outra classe medicamentosa (não digitálica) que também pode causar discromatopsia adquirida
por mecanismo semelhante. (1.0 pt)
Resposta-modelo: A sildenafila também pode causar discromatopsias adquiridas, incluindo cloropsia, além
de outros distúrbios visuais transitórios relacionados à sua ação sobre fosfodiesterases presentes na retina.
Critério Pontos
Cita corretamente a sildenafila (ou outra classe corretamente associada a
discromatopsia, como salicilatos)
1.0
Caso Clínico 4 — Visão dupla após traumatismo cranioencefálico leve (OFT1-CASO-04)
V.T.C., 29 anos, sofreu queda de bicicleta há dois dias, com traumatismo craniano leve, sem perda
de consciência. Procura atendimento por visão dupla persistente, notada especialmente ao olhar
para a direita. Relata que, ao fechar qualquer um dos olhos isoladamente, a visão dupla
desaparece completamente. As imagens duplicadas aparecem lado a lado.
a) Classifique o tipo de diplopia apresentado (monocular ou binocular; horizontal ou vertical) e justifique
com base nos achados da anamnese. (1.5 pt)
Resposta-modelo: Trata-se de diplopia binocular horizontal. É binocular porque desaparece com o
fechamento de qualquer um dos olhos — só ocorre com os dois olhos abertos, indicando desalinhamento
entre os eixos visuais, e não um problema óptico intrínseco a um único olho. É horizontal porque as imagens
aparecem lado a lado, e não uma sobre a outra.
Critério Pontos
Classifica corretamente como binocular, com justificativa (desaparece ao fechar
qualquer olho)
0.8
Classifica corretamente como horizontal, com justificativa (imagens lado a lado) 0.7
b) Considerando o padrão de diplopia horizontal e o antecedente de trauma, quais nervos cranianos
devem ser prioritariamente avaliados, e por quê? (1.5 pt)
Raciocínio esperado: Diplopia horizontal → paralisia de NC III (reto medial) ou de NC VI (reto lateral) → piora
ao olhar na direção de ação do músculo comprometido.
Resposta-modelo: Diplopia horizontal está associada a paralisia dos nervos cranianos III (oculomotor, que
inerva o reto medial, entre outros músculos) ou VI (abducente, que inerva o reto lateral). Como a diplopia piora
especificamente ao olhar para a direita, deve-se avaliar com atenção a função do músculo responsável pela
abdução (reto lateral, NC VI) ou adução do olho contralateral (reto medial, NC III) nesse campo de olhar,
pesquisando limitação de motilidade ocular extrínseca compatível com paralisia de um desses nervos,
possivelmente por lesão traumática direta ou por aumento da pressão intracraniana secundário ao TCE.
Critério Pontos
Cita corretamente NC III e NC VI como os nervos associados à diplopia
horizontal
1.0
Relaciona a piora ao olhar para a direita com o músculo/nervo especificamente
testado nesse campo de olhar
0.5
Caso Clínico 5 — Recém-nascido com alterações oculares bilaterais (OFT1-CASO-05)
Recém-nascido do sexo masculino, 12 dias de vida, parto domiciliar sem assistência pré-natal
adequada, é levado à emergência pela mãe por notar que "os olhos do bebê estão maiores e ficam
lacrimejando e piscando muito quando a luz do quarto é acesa". Ao exame, nota-se aumento do
diâmetro corneano bilateral, discreta opacidade corneana e epífora importante, sem secreção
purulenta.
a) Qual é a hipótese diagnóstica mais provável, e qual tríade de achados sustenta essa hipótese? (1.5 pt)
Resposta-modelo: A hipótese mais provável é glaucoma congênito, sustentada pela tríade clássica de
epífora, fotofobia (piscar excessivo à luz) e opacidade/aumento do diâmetro corneano (megalocórnea),
decorrente da elevação da pressão intraocular em um olho ainda com esclera e córnea complacentes na fase
neonatal.
Critério Pontos
Identifica corretamente glaucoma congênito como hipótese principal 0.6
Descreve corretamente a tríade: epífora, fotofobia e opacidade/megalocórnea 0.9
b) Por que a ausência de secreção purulenta ajuda a diferenciar esse quadro de outra condição neonatal
grave discutida no eixo de dados de identificação? (1.0 pt)
Resposta-modelo: A ausência de secreção purulenta ajuda a afastar a oftalmia gonocócica neonatal, que
cursa classicamente com conjuntivite purulenta bilateral intensa; no glaucoma congênito, o achado
predominante é estrutural (aumento corneano) e funcional (fotofobia, epífora), sem o componente infeccioso
purulento.
Critério Pontos
Diferencia corretamente do quadro de oftalmia gonocócica neonatal, justificando
pela ausência de secreção purulenta
1.0
c) Qual é a urgência do encaminhamento nesse caso e por quê? (1.0 pt)
Resposta-modelo: O encaminhamento oftalmológico deve ser imediato, pois o glaucoma congênito não
tratado leva a dano progressivo e irreversível do nervo óptico, além de risco de opacificação corneana
permanente e ambliopia, comprometendo definitivamente o desenvolvimento visual do recém-nascido.
Critério Pontos
Justifica corretamente a urgência pelo risco de dano irreversível ao nervo óptico e
ao desenvolvimento visual
1.0

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