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Exame	Físico	da	Cabeça	e	do	Pescoço
Achados	semiológicos	de	olhos,	orelha,	nariz,	boca,	língua,	faringe,
laringe,	tireoide	e	linfonodos,	com	correlação	clínica
Resumo	didático	elaborado	a	partir	de:	Bates	(Propedêutica	Médica,	12ª	ed.),	Semiologia	Médica	–	Porto	(8ª
ed.,	capítulos	de	Olhos	e	de	Orelhas),	Exame	Clínico	–	Porto	(8ª	ed.,	capítulos	de	Exame	de	Cabeça	e	Pescoço
e	de	Exame	dos	Linfonodos),	Semiologia	Clínica	 –	Arruda	Martins,	 e	Manual	de	Semiologia	e	Propedêutica
Médica	–	Hélio	Penna	Guimarães	(capítulo	de	Oftalmologia).
Sumário
1.	 Olhos
2.	 Orelha	(Ouvido)
3.	 Nariz	e	Seios	Paranasais
4.	 Boca,	Língua,	Faringe	e	Laringe
5.	 Pescoço	e	Tireoide
6.	 Linfonodos
7.	 Glossário
Como	usar	este	resumo
Cada	 capítulo	 segue	 a	 mesma	 lógica:	 primeiro	 a	 anatomia	 funcional	 necessária	 para	 entender	 o	 achado,
depois	a	técnica	de	exame	(como	examinar	corretamente),	em	seguida	os	achados	normais	e	anormais	mais
relevantes	(os	"sinais"	propriamente	ditos,	com	seu	significado	clínico),	um	quadro	de	pontos-chave,	um	caso
clínico	 ilustrativo	 (fictício,	 construído	 a	 partir	 dos	 achados	 descritos)	 com	 resolução	 comentada,	 e	 por	 fim
questões	de	autoavaliação	com	gabarito.	Ao	final	de	todo	o	documento	há	um	glossário	consolidado.
Trechos	 em	que	 a	 informação	 não	 constava	 claramente	 nas	 fontes	 fornecidas	 estão	 sinalizados	 como	 [não
consta	claramente	no	material].
1.	Olhos
1.1	Anatomia	funcional	essencial
O	globo	ocular	tem,	em	média,	24	mm	de	diâmetro	anteroposterior	e	é	formado	por	três	túnicas	concêntricas:
a	túnica	externa	ou	fibrosa	(esclera	e	córnea),	a	túnica	média	ou	vascular	(úvea,	composta	por	íris,	corpo
ciliar	e	coroide)	e	a	túnica	interna	ou	nervosa	(retina).	A	esclera	é	a	membrana	branca	e	opaca	que	reveste
os	 cinco	 sextos	 posteriores	 do	 globo,	 servindo	 de	 inserção	 aos	 músculos	 extraoculares;	 a	 córnea,
transparente	e	avascular,	é	o	principal	meio	refrativo	do	olho	e	é	extremamente	sensível	(inervação	pelo	ramo
oftálmico	do	 trigêmeo),	de	modo	que	 sua	desepitelização	causa	dor	 intensa.	O	 limbo	é	a	 zona	de	 transição
entre	córnea	e	esclera.
A	 íris	 forma	 o	 diafragma	 pupilar,	 controlando	 por	 meio	 de	 seus	 músculos	 esfíncter	 (parassimpático)	 e
dilatador	 (simpático)	 a	 quantidade	 de	 luz	 que	 atinge	 a	 retina	 através	 da	 pupila.	 Atrás	 da	 íris	 situa-se	 o
cristalino,	 lente	 biconvexa,	 avascular	 e	 transparente,	 sustentada	 por	 fibras	 zonulares	 e	 cuja	 espessura	 é
ajustada	 pelo	 músculo	 ciliar	 no	 fenômeno	 da	 acomodação.	 O	 corpo	 ciliar	 produz	 o	 humor	 aquoso,	 que
circula	da	câmara	posterior	para	a	anterior	através	da	pupila	e	é	drenado	pela	malha	trabecular	e	pelo	canal
de	Schlemm	—	o	equilíbrio	entre	produção	e	drenagem	determina	a	pressão	intraocular	(PIO),	cujo	valor
médio	de	referência	é	de	13,0	±	2,1	mmHg	na	população	brasileira,	sendo	considerados	hipertensos	oculares
os	indivíduos	com	PIO	≥	21	mmHg.
A	retina,	camada	neurossensorial	mais	 interna,	contém	os	fotorreceptores	(cones,	concentrados	na	mácula,
responsáveis	 pela	 visão	 de	 cores	 e	 pela	 acuidade	 visual;	 bastonetes,	 distribuídos	 perifericamente,
responsáveis	pela	visão	em	baixa	luminosidade).	No	centro	da	mácula	 localiza-se	a	fóvea,	ponto	de	máxima
acuidade	visual.	O	disco	óptico	(papila)	é	o	local	de	emergência	do	nervo	óptico	(II	par)	e	dos	vasos	centrais
da	retina.
As	 pálpebras	 protegem	 anteriormente	 o	 globo	 ocular;	 contêm	 os	 tarsos	 (tecido	 conjuntivo	 firme)	 e	 as
glândulas	de	Meibomio,	que	contribuem	para	o	filme	lacrimal.	São	inervadas	pelo	nervo	oculomotor	(elevação
da	pálpebra	superior	via	músculo	levantador)	e	pelo	facial	(fechamento	via	orbicular	do	olho),	havendo	ainda
um	componente	simpático	(músculo	tarsal	de	Müller).	A	abertura	entre	as	pálpebras	é	a	fissura	palpebral.	O
aparelho	 lacrimal	 compreende	 a	 glândula	 lacrimal	 (porção	 secretora,	 superolateral	 à	 órbita)	 e	 a	 via
excretora	(pontos	lacrimais,	canalículos,	saco	lacrimal	e	ducto	nasolacrimal,	que	desemboca	no	meato	nasal
inferior).
A	 motilidade	 ocular	 depende	 de	 seis	 músculos	 extraoculares:	 os	 quatro	 retos	 (superior,	 inferior,	 medial	 e
lateral)	e	os	dois	oblíquos	(superior	e	inferior).	O	reto	lateral	é	inervado	pelo	nervo	abducente	(NC	VI),	o
oblíquo	 superior	 pelo	nervo	 troclear	 (NC	 IV),	 e	 todos	 os	 demais	 (incluindo	 o	 levantador	 da	 pálpebra	 e	 a
musculatura	intrínseca	da	pupila)	pelo	nervo	oculomotor	(NC	III).
1.2	Anamnese	oftalmológica:	sintomas-chave
Ao	investigar	queixas	oculares,	deve-se	sempre	caracterizar	lateralidade	(uni	ou	bilateral),	instalação	(súbita
ou	progressiva),	presença	de	dor	e	fatores	associados.	Os	principais	sintomas	e	seu	valor	semiológico	são:
Diminuição	 ou	 perda	 da	 visão.	 Perda	 unilateral,	 súbita	 e	 indolor	 sugere	 descolamento	 de	 retina,
hemorragia	 vítrea,	 oclusão	de	veia	ou	artéria	 retiniana,	 ou	degeneração	macular.	Perda	unilateral	 com	dor
aponta	para	 lesões	de	córnea	e	câmara	anterior	(úlcera	de	córnea,	uveíte,	hifema,	glaucoma	agudo,	neurite
óptica)	e	exige	avaliação	oftalmológica	urgente.	Perda	bilateral	súbita	é	rara:	quando	indolor,	sugere	causas
vasculares	(arterite	de	células	gigantes)	ou	AVC	occipital;	quando	dolorosa,	pensar	em	exposição	a	produtos
químicos	ou	radiação.	Perda	progressiva	costuma	refletir	catarata	ou	degeneração	macular.	A	localização	do
defeito	 de	 campo	 também	 orienta	 o	 diagnóstico:	 perda	 central	 lenta	 ocorre	 na	 catarata	 nuclear	 e	 na
degeneração	macular;	perda	periférica,	no	glaucoma	avançado.
Fotofobia,	diplopia	 (visão	dupla	—	 investigar	se	monocular	ou	binocular,	horizontal	ou	vertical:	a	diplopia
binocular	sugere	paralisia	de	NC	III,	IV	ou	VI	ou	lesão	de	tronco/cerebelo,	enquanto	a	diplopia	que	persiste
com	 um	 olho	 fechado	 indica	 problema	 local	 de	 córnea	 ou	 cristalino),	 fotopsias	 (percepção	 de	 flashes
luminosos,	 sugerindo	 tração	 vitreorretiniana),	moscas	volantes	 (opacidades	móveis	 do	 vítreo),	escotomas
(áreas	"faltantes"	do	campo	visual)	e	olho	vermelho	são	as	queixas	mais	frequentes.
O	olho	vermelho	merece	atenção	especial	 pelo	diagnóstico	diferencial	 baseado	no	padrão	de	hiperemia:	 -
Conjuntivite:	hiperemia	difusa,	mais	 intensa	na	periferia,	com	prurido	e	desconforto,	geralmente	sem	dor;
bilateral	 e	 com	 lacrimejamento	 na	 forma	 viral;	 secreção	 purulenta	 na	 forma	 bacteriana.	 -	 Hemorragia
subconjuntival:	 mancha	 vermelha	 bem	 delimitada,	 sem	 dor	 nem	 alteração	 visual,	 que	 se	 resolve
espontaneamente	 em	 semanas.	 -	 Glaucoma	 agudo:	 hiperemia	 difusa	 mais	 intensa	 próxima	 à	 íris,	 dor
profunda	 e	 intensa,	 redução	 da	 visão,	 pupila	 fixa	 e	 dilatada,	 sem	 secreção	—	 emergência	 oftalmológica.	 -
Trauma/lesão/infecção	de	córnea:	hiperemia	periquerática,	dor	moderada	a	intensa,	redução	de	acuidade
visual,	secreção	variável,	pupilas	 inalteradas.	 -	Irite/uveíte	anterior:	hiperemia	perilímbica,	dor	moderada,
fotofobia,	miose.
1.3	Técnica	de	exame	físico
O	 exame	 ocular	 básico	 compreende,	 na	 sequência:	 acuidade	 visual,	 exame	 externo	 (supercílios,	 pálpebras,
aparelho	 lacrimal,	conjuntiva	e	esclera,	córnea	e	cristalino),	motilidade	ocular,	exame	pupilar,	campo	visual
por	confrontação	e	fundoscopia.
Acuidade	 visual	 é	 testada	 com	 a	 tabela	 de	 Snellen,	 posicionada	 a	 6	 metros	 (20	 pés)	 do	 paciente,
examinando	cada	olho	separadamente	(o	olho	não	testado	deve	ser	ocluído	sem	compressão)	e	com	correção
óptica	quando	o	paciente	a	possui.	O	resultado	é	expresso	como	fração:	o	numerador	é	a	distância	do	paciente
ao	quadro	e	o	denominador,	a	distância	na	qual	um	olho	emetrope	lê	a	mesma	linha	—	por	exemplo,	20/200
significa	 que	 o	 paciente	 lê	 a	 20	 pés	 o	 que	 uma	 pessoa	 de	 visão	 normal	 lê	 a	 200	 pés;	 quanto	 maior	 o
denominador,	pior	a	acuidade.	Considera-se	cegueira	legal	uma	acuidade	de	20/200	ou	pior	no	melhor	olho,
mesmo	 corrigida.	 Quando	 o	 paciente	 não	 consegue	 ler	 as	 letras	 maiores,	 recorre-se	 sucessivamentenão	intencional
(6	kg	em	dois	meses)	apesar	de	apetite	aumentado,	tremores	nas	mãos,	intolerância	ao	calor	e	irritabilidade.
Ao	exame,	você	nota	taquicardia,	pele	quente	e	úmida,	e,	à	inspeção	cervical,	discreto	aumento	simétrico	do
volume	 tireoidiano,	 mais	 evidente	 à	 deglutição,	 sem	 nódulos	 palpáveis.	 Você	 ausculta	 um	 sopro	 contínuo
sobre	a	glândula.	Observa	ainda	discreta	protrusão	dos	globos	oculares	bilateralmente.
Perguntas.	1.	Que	padrão	de	disfunção	tireoidiana	esse	quadro	sugere,	e	qual	etiologia	é	mais	provável?	2.
Qual	 é	 o	 significado	 do	 sopro	 tireoidiano	 encontrado?	 3.	 Qual	 achado	 ocular	 está	 descrito,	 e	 a	 que	 ele	 se
associa	fisiopatologicamente?
Gabarito	 comentado.	 1.	 O	 conjunto	 de	 taquicardia,	 perda	 de	 peso	 com	 apetite	 preservado/aumentado,
tremores,	intolerância	ao	calor,	irritabilidade	e	pele	quente	e	úmida	é	típico	de	hipertireoidismo.	A	presença
de	 bócio	 difuso	 (não	 nodular),	 simétrico,	 associado	 a	 exoftalmia,	 aponta	 para	 doença	 de	 Graves	 como
etiologia	mais	provável.	2.	O	sopro	(contínuo,	sistodiastólico)	sobre	a	tireoide	reflete	a	hipervascularização
glandular,	 achado	 característico	 da	 doença	 de	 Graves	 (e	 também	 descrito	 na	 doença	 de	 Plummer),
decorrente	 do	 estado	 hipermetabólico	 e	 da	 hiperestimulação	 da	 glândula.	 3.	 Trata-se	 de	 exoftalmia
(proptose),	manifestação	 da	oftalmopatia	de	Graves,	 decorrente	 da	 infiltração	 inflamatória	 autoimune	 da
musculatura	extraocular	e	do	tecido	conjuntivo/adiposo	retro-orbitário,	mediada	pelos	mesmos	autoanticorpos
que	estimulam	o	receptor	de	TSH.
Questões	de	autoavaliação	(com	gabarito)
1.	Como	a	manobra	da	deglutição	(com	oferta	de	água	ao	paciente)	ajuda	a	diferenciar	uma	massa	tireoidiana
de	outra	massa	cervical?
Gabarito:	A	tireoide	(assim	como	as	demais	estruturas	da	laringe)	está	fixada	a	planos	que	se	movem
durante	a	deglutição,	elevando-se	e	retornando	à	posição	original.	Uma	massa	que	se	eleva	com	a
deglutição	é,	portanto,	compatível	com	origem	tireoidiana	(ou	laríngea);	se	a	massa	não	se	eleva,	ou	a
estrutura	examinada	não	é	a	tireoide,	ou	está	aderida	a	planos	profundos	—	achado	raramente	bilateral	e
sugestivo	de	processo	infiltrativo.
2.	 Diferencie,	 do	 ponto	 de	 vista	 fisiopatológico	 e	 clínico,	 o	 hipotireoidismo	 por	 carência	 de	 iodo	 do
hipotireoidismo	por	tireoidite	de	Hashimoto.
Gabarito:	Na	carência	de	iodo,	falta	matéria-prima	para	a	síntese	hormonal;	o	TSH	se	eleva	na	tentativa
de	compensar,	estimulando	hipertrofia	glandular	—	por	isso	há	bócio	difuso	associado	ao
hipotireoidismo.	Na	tireoidite	de	Hashimoto,	há	destruição	autoimune	crônica	do	parênquima	tireoidiano;
mesmo	com	TSH	elevado,	a	glândula	lesada	não	consegue	responder	adequadamente,	e	o	hipotireoidismo
instala-se	geralmente	sem	aumento	significativo	do	volume	glandular	(tamanho	normal	a	reduzido,
textura	endurecida).
3.	 Cite	 três	 sinais	 de	 alerta	 que	 justificam	 investigação	 de	 um	 nódulo	 cervical	 antes	 do	 prazo	 habitual	 de
quatro	semanas	de	observação.
Gabarito:	Qualquer	três	dos	seguintes:	idade	acima	de	40	anos,	duração	acima	de	2	semanas,	rouquidão
persistente	associada,	disfagia	associada,	trismo	ou	otalgia	associados,	perda	de	peso,	nódulo	aderido	a
planos	profundos,	nódulo	indolor,	crescimento	progressivo,	ou	lesão	de	mucosa	suspeita	associada.
4.	 Um	 cirurgião	 de	 cabeça	 e	 pescoço	 descreve	 um	 linfonodo	 suspeito	 como	 estando	 no	 "nível	 II".	 A	 que
estrutura	anatômica	isso	corresponde?
Gabarito:	O	nível	II	corresponde	à	cadeia	jugular	superior,	estendendo-se	da	base	do	crânio	até	o	osso
hioide	—	parte	da	classificação	cirúrgica	dos	linfonodos	cervicais	por	níveis	(I	a	V),	usada	para	localizar	a
drenagem	linfática	e	orientar	a	extensão	da	doença	e	a	decisão	terapêutica.
6.	Linfonodos
6.1	Anatomia	funcional	essencial
O	 sistema	 linfático	 origina-se	 no	 espaço	 intersticial,	 drenando	 o	 produto	 da	 atividade	 celular	 por	 capilares
linfáticos	que	se	anastomosam	progressivamente	até	 formar	os	vasos	aferentes	dos	 linfonodos.	O	sistema	é
composto	 por	 ductos	 coletores,	 linfonodos,	 baço,	 timo,	 tonsilas	 palatinas,	 adenoides	 e	 placas	 de	 Peyer,	 e
transporta	a	linfa	—	líquido	rico	em	linfócitos	—	de	volta	à	circulação	sanguínea	através	dos	troncos	linfáticos
e	 do	 ducto	 torácico.	 Os	 linfonodos	 organizam-se	 em	 grupos	 superficiais	 (tecido	 celular	 subcutâneo,
acessíveis	à	palpação)	e	profundos	(abaixo	da	fáscia	muscular	ou	no	interior	de	cavidades,	avaliáveis	apenas
por	exames	de	imagem).
Os	 linfonodos	da	cabeça	e	do	pescoço	 somam	cerca	de	300	 (30%	de	 todos	os	 linfonodos	do	corpo)	 e	 são
classificados	clinicamente	em	seis	níveis	cervicais,	além	das	cadeias	occipital,	pré-auricular,	retroauricular,
parotídea	 e	 bucal/facial.	 Conhecer	 as	 áreas	 de	 drenagem	 de	 cada	 grupo	 é	 essencial	 para	 o	 raciocínio
diagnóstico	diante	de	uma	adenomegalia:
Grupo Localização Principal	área	de	drenagem Causas	mais	associadas
Nível	I
(submentual/submandibular)
Entre	mandíbula,
digástricos	e
hioide
Assoalho	bucal,	lábios,	glândulas
submandibular/sublingual,	face
Infecções	bacterianas,	dentárias,
mononucleose
Nível	II	(jugular	alto) Entre	estiloide	e
bifurcação
carotídea
Couro	cabeludo,	nasofaringe,
faringe,	parótida,	laringe
supraglótica
Infecções	do	couro	cabeludo,
neoplasias	de	pele/cabeça	e
pescoço
Nível	III	(jugular	médio) Abaixo	da
bifurcação
carotídea
Tireoide,	laringe,	língua,	esôfago,
mamas,	pulmão
Infecções	virais	de	VAS,
neoplasias	de	cabeça/pescoço
Nível	IV	(jugular
baixo/supraclavicular)
Terço	inferior	do
ECM	até	a
clavícula
— Metástases	regionais	e	a	distância
Nível	V	(trígono	posterior) Ao	longo	do	nervo
acessório
Couro	cabeludo,	tórax	superior,
nasofaringe,	tireoide
Infecções	de	pele/couro	cabeludo,
linfomas
Nível	VI	(paratraqueal) Entre	as	carótidas,
do	hioide	à	fúrcula
Trato	gastrintestinal,
geniturinário,	pulmão,	laringe,
tireoide
Doenças	da	tireoide	e	laringe,
neoplasias	intra-
abdominais/torácicas
Occipitais Processos
occipitais	externos
Couro	cabeludo	posterior Infecções,	rubéola,	linfomas
Pré-auriculares/parotídeos Anteriores	à
orelha
Face	superior,	região	temporal Infecções	de	orelha	externa,	ATM
Retroauriculares Atrás	da	orelha Couro	cabeludo	posterolateral Infecções
Bucais Superfície	do
bucinador
Face	média Infecções
Fora	da	região	cervical,	destacam-se:	axilares	(drenam	mama,	braço,	parede	torácica	—	infecções	cutâneas,
doença	da	arranhadura	do	gato,	neoplasias	de	mama),	epitrocleanos	 (drenam	a	mão	e	o	antebraço	ulnar),
inguinais	 (drenam	 genitália,	 períneo	 e	 membros	 inferiores)	 e	 poplíteos	 (drenam	 perna	 e	 pé,	 raramente
palpáveis).
6.2	Técnica	de	exame	físico
O	 exame	 combina	 inspeção	 (boa	 iluminação,	 região	 despida,	 comparação	 com	 o	 lado	 contralateral)	 e
palpação,	feita	com	as	polpas	dos	dedos	indicador,	médio	e	polegar.	Para	os	linfonodos	cervicais,	posiciona-se
o	examinador	preferencialmente	atrás	do	paciente,	com	o	pescoço	discretamente	flexionado	e	inclinado	para	o
lado	examinado	(relaxa	a	musculatura).	A	cadeia	jugular	é	mais	bem	examinada	"capturando"	o	ECM	entre	o
polegar	e	os	dedos	indicador	e	médio;	as	cadeias	bucal,	parotídea,	pré-auricular,	retroauricular	e	occipital	são
palpadas	por	compressão	bidigital	com	movimentos	circulares.
Sequência	recomendada	de	palpação	cervical	 (Bates):	pré-auriculares	→	retroauriculares	→	occipitais	→
tonsilares	 (ângulo	 da	 mandíbula)	 →	 submandibulares	 →	 submentuais	 →	 cervicais	 superficiais	 →	 cervicais
posteriores	 (borda	do	 trapézio)	→	 cadeia	 cervical	 profunda	 (contornando	o	ECM	com	a	mão	em	gancho)	→
supraclaviculares	(ângulo	entre	clavícula	e	ECM).
Pontos	 de	 atenção	 prática:	 um	 "linfonodo	 tonsilar"	 pulsátil	 é,	 na	 verdade,	 a	 artéria	 carótida;	 os	 linfonodos
submandibulares	 devem	 ser	 diferenciados	 da	 própria	 glândula	 submandibular	 (esta	 é	 maior,	 lobulada	 e
discretamente	 irregular;	os	 linfonodos	são	menores,	ovoides	e	 lisos).	Apalpação	de	estruturas	ganglionares
deve	 trazer	 os	 tecidos	 moles	 contra	 um	 plano	 rígido	 (por	 exemplo,	 o	 ECM),	 diferentemente	 da	 palpação
muscular,	feita	"em	garra".
Para	 linfonodos	axilares	e	retropeitorais,	o	examinador	posiciona-se	de	 frente	para	o	paciente,	segura	o
membro	superior	levemente	fletido	e	desliza	a	mão	em	garra	contra	o	gradil	costal	(regiões	anterior,	medial	e
posterior	da	fossa	axilar).	Os	epitrocleanos	são	palpados	com	o	cotovelo	do	paciente	fletido,	comprimindo	a
goteira	epitroclear	(geralmente	apenas	um	linfonodo	é	palpável).	Os	inguinais	são	palpados	com	o	paciente
deitado,	com	os	dedos	em	extensão,	em	movimentos	circulares	ou	lineares;	os	poplíteos,	com	o	paciente	em
decúbito	ventral	e	a	perna	semifletida	(raramente	palpáveis).
6.3	Características	semiológicas	a	descrever
Diante	de	qualquer	linfonodo	palpável,	seis	características	devem	ser	sistematicamente	registradas:
1.	 Localização:	 identificar	não	apenas	o	grupo,	mas	o(s)	 linfonodo(s)	 específico(s)	 acometido(s)	dentro	da
cadeia,	permitindo	inferir	a	área	ou	órgão	drenado.
2.	 Tamanho:	estimado	em	centímetros	de	diâmetro	(normal:	0,5	a	2,5	cm).	Linfonodos	palpáveis	podem	ser
normais	em	adultos,	desde	que	bem	individualizados,	móveis	e	indolores.
3.	Coalescência:	fusão	de	dois	ou	mais	linfonodos,	formando	massa	de	limites	imprecisos	—	indica	processo
inflamatório	ou	neoplásico	que	compromete	a	cápsula,	sugerindo	maior	tempo	de	evolução.
4.	Consistência:	 endurecida	 (processos	 neoplásicos	 ou	 inflamatórios	 com	 fibrose)	 ou	 amolecida/flutuante
(processo	inflamatório/infeccioso	com	formação	purulenta).
5.	Mobilidade:	móvel	ou	aderido	a	planos	profundos	—	a	aderência	indica	comprometimento	capsular	com
estruturas	adjacentes.
6.	 Sensibilidade:	adenopatias	infecciosas	bacterianas	agudas	costumam	ser	dolorosas	(frequentemente	com
sinais	 flogísticos	 associados);	 processos	 infecciosos	 crônicos	 são	 pouco	 dolorosos;	 infecções	 virais	 e
parasitárias,	em	geral	indolores.	Linfonodos	metastáticos	são	tipicamente	pétreos	e	indolores;	linfonodos
leucêmicos/linfomatosos,	indolores	ou	levemente	doloridos.
Deve-se	 ainda	 observar	 alterações	 de	 pele	 sobrejacente	 (sinais	 flogísticos	—	 edema,	 calor,	 rubor,	 dor)	 e
fistulização,	descrevendo	o	tipo	de	secreção	drenada.
6.4	Adenomegalias:	raciocínio	clínico
O	primeiro	passo	diante	de	uma	adenomegalia	é	analisar	suas	características	semiológicas:	sinais	flogísticos
com	aumento	de	 sensibilidade	e	aderência	a	planos	 superficiais	 sugerem	processo	 inflamatório	 (adenite);	 a
presença	de	fístula	sugere	micose	profunda	ou	tuberculose;	linfonodos	muito	volumosos	levantam	suspeita
de	linfoma	ou	leucose;	linfonodos	duros,	fixos	e	coalescentes	sugerem	neoplasia	maligna.
O	 segundo	 passo	 é	 determinar	 se	 o	 comprometimento	 é	 localizado	 (um	 ou	 mais	 linfonodos	 de	 um	 único
grupo)	 ou	 generalizado	 (três	 ou	 mais	 grupos	 acometidos)	 —	 este	 último	 cenário	 aponta	 para	 infecções
sistêmicas	graves,	doenças	autoimunes,	neoplasias	e	doenças	 linfoproliferativas,	 lembrando	que,	mesmo	em
doenças	sistêmicas,	as	fases	iniciais	podem	se	manifestar	com	acometimento	de	um	único	grupo.
Achados	de	destaque:	-	O	achado	de	um	linfonodo	supraclavicular	aumentado,	especialmente	à	esquerda
(linfonodo	de	Virchow,	drenando	via	ducto	 torácico),	 é	um	sinal	de	alarme	clássico	para	neoplasia	maligna
torácica	 ou	 abdominal	 e	 sempre	 exige	 investigação	 minuciosa.	 -	 Esplenomegalia	 associada	 a
adenomegalias	sugere	doenças	infecciosas	(bacterianas,	virais,	malária,	calazar,	doença	de	Chagas	aguda),
doenças	linfoproliferativas	(linfomas,	 leucemias,	síndromes	mielodisplásicas),	doenças	de	depósito	(Gaucher,
Niemann-Pick)	 ou	 efeito	medicamentoso	 (rifampicina,	 hidroxiureia).	 -	 Em	 crianças,	 é	 fisiológico	 encontrar
linfonodos	cervicais	e	submandibulares	pequenos	e	palpáveis,	pela	hipertrofia	do	tecido	 linfático	própria	da
idade;	 em	 adultos,	 também	 é	 comum	 encontrar	 algum	 linfonodo	 pequeno,	 residual	 de	 processos
inflamatórios/infecciosos	prévios,	sem	significado	patológico.
Pontos-chave
Seis	 características	 a	 descrever	 em	 todo	 linfonodo	 palpável:	 localização,	 tamanho,	 coalescência,
consistência,	mobilidade	e	sensibilidade	—	mais	alterações	de	pele	e	fistulização.
Linfonodo	 duro,	 fixo,	 indolor	 e	 coalescente	 =	 suspeita	 de	malignidade;	 linfonodo	 doloroso,	móvel,	 com
sinais	flogísticos	=	suspeita	de	processo	infeccioso/inflamatório	agudo.
Linfonodo	 supraclavicular	 esquerdo	 aumentado	 (nódulo	 de	 Virchow)	 é	 sinal	 de	 alarme	 para	 neoplasia
intra-abdominal	ou	intratorácica.
Adenomegalia	 generalizada	 (≥	 3	 cadeias)	 sugere	 doença	 sistêmica	 (infecciosa,	 autoimune,
linfoproliferativa);	localizada,	direciona	à	área	de	drenagem	correspondente.
Fistulização	de	linfonodo	cervical	sugere	micobacteriose	(escrófulo)	ou	micose	profunda	(ex.:	blastomicose
sul-americana).
Diferencie	sempre	o	 linfonodo	submandibular	(pequeno,	 liso,	ovoide)	da	glândula	submandibular	(maior,
lobulada).
Caso	clínico
Vinheta.	A.S.R.,	45	anos,	procura	atendimento	por	notar,	há	três	semanas,	uma	"íngua"	 indolor	na	base	do
pescoço	 à	 esquerda,	 que	 não	 regride.	 Refere	 emagrecimento	 de	 5	 kg	 no	 período,	 sem	 outros	 sintomas
respiratórios	ou	digestivos	claros.	Ao	exame,	você	palpa	um	linfonodo	de	aproximadamente	2	cm	no	ângulo
entre	a	clavícula	e	o	músculo	esternocleidomastóideo	esquerdo,	de	consistência	endurecida,	indolor	e	pouco
móvel	em	relação	aos	planos	profundos.	Não	há	sinais	flogísticos	ou	fístula.	O	restante	do	exame	de	cabeça	e
pescoço	é	normal,	sem	outras	adenomegalias	palpáveis.
Perguntas.	 1.	 Qual	 é	 o	 nome	 dado	 a	 esse	 achado	 semiológico	 específico	 e	 qual	 sua	 principal	 implicação
clínica?	2.	Que	características	do	linfonodo	descrito	reforçam	a	suspeita	de	malignidade,	em	vez	de	processo
inflamatório?	3.	Diante	desse	achado,	qual	deve	ser	a	linha	de	investigação?
Gabarito	 comentado.	 1.	 Trata-se	 do	 achado	 de	 um	 linfonodo	 supraclavicular	 esquerdo	 aumentado,
classicamente	 descrito	 como	 nódulo	 (ou	 sinal)	 de	 Virchow,	 associado	 à	 drenagem	 linfática	 do	 ducto
torácico	—	sua	presença	é	um	sinal	de	alarme	para	neoplasia	maligna	intratorácica	ou	intra-abdominal
(ou,	eventualmente,	de	cabeça	e	pescoço),	mesmo	na	ausência	de	outros	sintomas	localizatórios	evidentes.	2.
As	características	que	reforçam	a	suspeita	de	malignidade	são:	consistência	endurecida	(pétrea),	ausência	de
dor	 (linfonodos	 metastáticos	 costumam	 ser	 indolores),	 pouca	 mobilidade	 (sugerindo	 aderência	 a	 planos
profundos,	ou	seja,	comprometimento	capsular),	duração	maior	que	duas	semanas	sem	resolução	e	perda	de
peso	 associada	—	 todos	 sinais	 de	 alerta	 clássicos.	 3.	 Diante	 desse	 quadro,	 é	mandatória	 uma	 investigação
ampla,	 incluindo	 exames	 de	 imagem	 torácica	 e	 abdominal	 (já	 que	 a	 maioria	 das	 causas	 de	 adenomegalia
supraclavicular,	 especialmente	 à	 esquerda,	 é	 secundária	 a	 neoplasias	 intratorácicas	 ou	 intra-abdominais),
além	 de	 biópsia	 do	 próprio	 linfonodo	 (idealmente	 por	 punção	 ou	 biópsia	 incisional/excisional,	 conforme	 a
suspeita)	para	definição	histológica.
Questões	de	autoavaliação	(com	gabarito)
1.	Cite	as	seis	características	semiológicas	que	devem	ser	descritas	ao	examinar	um	linfonodo	aumentado.
Gabarito:	Localização,	tamanho	(diâmetro	em	centímetros),	coalescência	(fusão	com	linfonodos	vizinhos),
consistência	(endurecida	ou	amolecida/flutuante),	mobilidade	(móvel	ou	aderido	a	planos	profundos)	e
sensibilidade	(doloroso	ou	indolor)	—	além	de	alterações	de	pele	sobrejacente	e	presença	ou	não	de
fistulização.
2.	Por	que	um	 linfonodo	com	sinais	 flogísticos,	doloroso	e	móvel	 tem	 interpretação	clínica	diferente	de	um
linfonodo	endurecido,	indolor	e	fixo?
Gabarito:	O	primeiro	padrão	(dor,	sinais	flogísticos,	mobilidade	preservada)	é	típico	de	processo
inflamatório/infeccioso	agudo	(adenite),	no	qual	não	há	ainda	comprometimento	capsular	relevante.O
segundo	padrão	(endurecimento	pétreo,	ausência	de	dor	e	fixação	a	planos	profundos)	é	característico	de
infiltração	neoplásica	(metastática	ou	linfoproliferativa),	que	compromete	a	cápsula	do	linfonodo	e	o
adere	às	estruturas	vizinhas,	geralmente	sem	gerar	a	resposta	inflamatória	dolorosa	típica	das	infecções
agudas.
3.	 Um	 paciente	 apresenta	 linfonodomegalia	 em	 cadeias	 cervical,	 axilar	 e	 inguinal	 simultaneamente.	 Como
esse	padrão	de	acometimento	muda	o	raciocínio	diagnóstico	em	relação	a	uma	adenomegalia	isolada	em	uma
única	cadeia?
Gabarito:	O	acometimento	de	três	ou	mais	grupos	ganglionares	configura	uma	adenomegalia
generalizada,	que	direciona	o	raciocínio	para	causas	sistêmicas	—	infecções	sistêmicas	graves,	doenças
autoimunes,	neoplasias	hematológicas	(linfomas,	leucemias)	e	outras	doenças	linfoproliferativas	—	em
vez	de	um	processo	localizado	restrito	à	área	de	drenagem	de	uma	única	cadeia,	como	ocorreria	em	uma
adenomegalia	isolada.
4.	Como	diferenciar,	à	palpação,	um	linfonodo	submandibular	aumentado	da	própria	glândula	submandibular?
Gabarito:	Os	linfonodos	submandibulares	costumam	ser	menores,	de	superfície	lisa	e	formato
ovoide/arredondado,	e	se	justapõem	à	glândula.	Já	a	glândula	submandibular	é	maior	e	apresenta
superfície	lobulada,	discretamente	irregular	—	características	que	ajudam	a	evitar	a	confusão	entre
aumento	glandular	(sialoadenite,	sialolitíase,	neoplasia	salivar)	e	linfadenomegalia	verdadeira.
7.	Glossário
Adenomegalia	generalizada:	acometimento	de	três	ou	mais	cadeias	linfonodais	simultaneamente,	sugerindo
causa	sistêmica	(infecciosa,	autoimune,	neoplásica	ou	linfoproliferativa).
Anisocoria:	diferença	de	diâmetro	entre	as	pupilas;	fisiológica	em	cerca	de	35%	da	população,	desde	que	a
reatividade	à	luz	seja	simétrica	e	preservada.
Arco	 senil:	 anel	 opaco	 de	 infiltração	 lipídica	 na	 periferia	 da	 córnea,	 separado	 do	 limbo	 por	 faixa
transparente;	pode	relacionar-se	a	hipercolesterolemia.
Bócio:	aumento	de	volume	da	glândula	tireoide,	de	etiologia	variável	(carência	de	iodo,	Hashimoto,	Graves,
Plummer,	neoplasias).
Calázio:	inflamação	granulomatosa	crônica	e	indolor	de	glândula	meibomiana;	principal	causa	de	tumoração
palpebral.
Cerume	impactado:	acúmulo	de	cerume	no	meato	acústico	externo,	causa	comum	de	hipoacusia	condutiva.
Cisto	 tireoglosso:	 massa	 cística	 mediana	 que	 se	 movimenta	 verticalmente	 com	 a	 protrusão	 da	 língua,
remanescente	do	trajeto	embrionário	de	descida	da	tireoide.
Coalescência	 (linfonodal):	 fusão	 de	 dois	 ou	 mais	 linfonodos	 em	massa	 de	 limites	 imprecisos,	 sugerindo
processo	inflamatório	ou	neoplásico	de	maior	tempo	de	evolução.
Colesteatoma:	 presença	 de	 epitélio	 escamoso	 queratinizado	 na	 cavidade	 timpânica,	 formando	 massa
esbranquiçada;	causa	otorreia	fétida	crônica	e	risco	de	erosão	óssea.
Cone	de	luz:	reflexo	 luminoso	otoscópico	que	se	 irradia	do	umbigo	do	tímpano	para	baixo	e	para	a	 frente;
reparo	anatômico	normal.
Diplopia:	 visão	 dupla;	 binocular	 (desaparece	 ao	 fechar	 qualquer	 olho,	 sugere	 paralisia	 de	 nervo
oculomotor/troclear/abducente	 ou	 lesão	 de	 tronco/cerebelo)	 ou	 monocular	 (persiste	 com	 um	 olho	 fechado,
sugere	alteração	de	córnea	ou	cristalino).
Disfonia	 (rouquidão):	 alteração	 da	 qualidade	 vocal;	 de	 início	 súbito	 sugere	 causa	 funcional/paralítica,	 de
evolução	progressiva	sugere	neoplasia.
Divertículo	 de	 Zenker:	 pseudodivertículo	 faringoesofágico	 redutível,	 localizado	 no	 trígono	 posterior	 do
pescoço.
Escotoma:	área	"faltante"	percebida	no	campo	visual.
Estridor:	ruído	por	turbulência	aérea	em	obstrução	de	via	aérea	superior;	inspiratório	(supraglótico/glótico)
ou	expiratório	(subglótico).
Exoftalmia	(proptose):	protrusão	anormal	do	globo	ocular;	bilateral	remete	à	doença	de	Graves,	unilateral	a
processo	expansivo	orbitário.
Fístula	 liquórica	 (nasoliquórica):	 extravasamento	 de	 líquido	 cefalorraquidiano	 pela	 cavidade	 nasal	 após
fratura	de	base	de	crânio,	manifestando-se	como	rinorreia	hialina	persistente	e	unilateral.
Higroma	cístico:	massa	cística,	móvel	e	transiluminável	na	base	do	pescoço,	de	origem	linfática	embrionária.
Leucocoria:	 reflexo	 pupilar	 esbranquiçado	 à	 luz;	 achado	 da	 catarata	 congênita	 e,	 em	 crianças,	 sinal	 de
alarme	para	retinoblastoma.
Leucoplasia:	 placa	 esbranquiçada	 persistente	 e	 indolor	 na	mucosa	 oral,	 não	 removível	 à	 raspagem;	 exige
biópsia	para	afastar	carcinoma	espinocelular.
Linfadenite:	 inflamação	primária	do	 linfonodo,	 com	dor,	 enduração	 fibroelástica	 e,	 por	 vezes,	 hiperemia	 e
flutuação.
Nódulo	 (sinal)	 de	 Virchow:	 linfonodo	 supraclavicular	 aumentado,	 classicamente	 à	 esquerda,	 associado	 à
drenagem	do	ducto	torácico;	sinal	de	alarme	clássico	para	neoplasia	intratorácica	ou	intra-abdominal.
Nistagmo:	oscilação	rítmica	e	involuntária	dos	olhos;	patológico	quando	persistente	no	olhar	central.
Otite	externa	necrosante	 (maligna):	 extensão	de	 infecção	do	meato	acústico	à	base	do	crânio,	 típica	de
diabéticos	mal	controlados;	pode	causar	paralisia	de	nervos	cranianos	(VII,	X,	XI).
Otoscopia:	 exame	 do	 meato	 acústico	 e	 da	 membrana	 timpânica	 com	 otoscópio,	 após	 tração	 do	 pavilhão
auricular	para	cima	e	para	trás.
Papiledema:	edema	do	disco	óptico	com	bordas	mal	definidas	e	abaulamento	da	escavação	fisiológica,	sinal
de	hipertensão	intracraniana.
Pterígio:	crescimento	de	tecido	fibrovascular	sobre	a	conjuntiva,	a	partir	do	canto	medial,	podendo	invadir	a
córnea.
Pupila	 de	 Argyll-Robertson:	 miose	 bilateral	 com	 reflexo	 fotomotor	 abolido	 e	 reflexo	 de
acomodação/convergência	preservado	("dissociação	luz-perto");	clássica	da	neurossífilis.
Pupila	de	Marcus	Gunn	(defeito	pupilar	aferente	relativo):	dilatação	paradoxal	da	pupila	ao	teste	da	luz
alternante,	indicando	neuropatia	óptica	unilateral	ou	assimétrica.
Reflexo	 fotomotor:	 contração	 pupilar	 em	 resposta	 à	 luz;	 direto	 (na	 pupila	 estimulada)	 e	 consensual	 (na
pupila	contralateral).
Retinopatia	 diabética:	 microaneurismas,	 hemorragias	 e	 exsudatos	 duros;	 na	 forma	 proliferativa,
neovascularização	do	disco	ou	da	retina.
Retinopatia	 hipertensiva:	 cruzamento	 arteriovenoso	 patológico	 (sinal	 de	 Salus/Gunn),	 estreitamento
arteriolar,	arteríolas	em	fio	de	cobre/prata,	hemorragias	em	chama	de	vela.
Rinite	alérgica:	inflamação	da	mucosa	nasal	por	hipersensibilidade,	com	rinorreia	hialina,	prurido	e	espirros
em	salva;	mucosa	pálida/azulada.
Sinal	da	vela:	secreção	purulenta	escorrendo	pela	parede	posterior	da	orofaringe,	sugestivo	de	sinusite.
Sinal	de	Pemberton:	ingurgitamento	facial	e	distensão	das	veias	cervicais	à	elevação	dos	braços,	sugerindo
bócio	mergulhante	com	compressão	do	desfiladeiro	torácico.
Síndrome	de	Ménière:	 tétrade	de	vertigem	episódica,	perda	auditiva	neurossensorial	flutuante,	zumbido	e
plenitude	aural.
Síndrome	de	Horner	 (Claude	Bernard-Horner):	 tríade	de	miose,	 ptose	palpebral	 e	 aparente	enoftalmia
por	interrupção	da	via	simpática	oculopupilar.
Teste	de	Rinne:	compara	condução	aérea	e	óssea	com	diapasão;	normal	e	na	perda	sensorineural,	CA	>	CO
(Rinne	positivo);	na	perda	condutiva,	CO	≥	CA	(Rinne	negativo).
Teste	 de	 Weber:	 diapasão	 na	 linha	 média	 do	 crânio;	 lateraliza	 para	 a	 orelha	 comprometida	 na	 perda
condutiva	e	para	a	orelha	sadia	na	perda	sensorineural.
Tétrade/tríade	de	Samter:	pólipos	nasais,	asma	e	sensibilidade	ao	ácido	acetilsalicílico/AINEs.
Tríade	de	Peutz-Jeghers:	máculas	hipercrômicas	labiais	e	periorais	associadas	a	polipose	intestinal.
Xerostomia:	boca	seca	por	hipofunção	das	glândulas	salivares	(Sjögren,	anticolinérgicos,	envelhecimento).
Fim	do	resumo.à
contagem	de	dedos,	à	percepção	de	movimento	de	mãos	e,	por	fim,	à	percepção	luminosa.
Exame	 externo:	 avaliam-se	 simetria	 e	 cicatrizes	 dos	 supercílios;	 simetria	 da	 fissura	 palpebral,	 coloração,
edema	e	adequação	do	fechamento	das	pálpebras;	presença	de	tumefações	na	região	da	glândula	e	do	saco
lacrimal;	 e,	 com	 a	 pálpebra	 inferior	 tracionada	 para	 baixo	 (paciente	 olhando	 para	 cima),	 a	 coloração	 e	 o
padrão	 vascular	 da	 conjuntiva	 e	 da	 esclera.	 A	 eversão	 da	 pálpebra	 superior	 (com	 auxílio	 de	 um	 bastão)
permite	examinar	a	conjuntiva	tarsal	superior	em	busca	de	corpo	estranho	ou	reação	inflamatória.
Pupilas	e	reflexos:	avalia-se	tamanho,	forma	e	simetria	em	ambiente	com	luz	reduzida.	Pupilas	>	5	mm	são
consideradas	 dilatadas	 (midríase)	 e	de	movimento).
Paralisias	oculomotoras:	lesão	do	NC	III	causa	ptose,	midríase	e	desvio	do	olho	para	baixo	e	para	fora;
do	NC	IV,	dificuldade	de	olhar	para	baixo	e	para	dentro	(hiperdesvio);	do	NC	VI,	incapacidade	de	abdução
do	olho.
Nistagmo:	 oscilação	 rítmica	 e	 involuntária	 dos	 olhos;	 poucos	 batimentos	 no	 olhar	 extremo	 lateral	 são
normais,	 mas	 nistagmo	 persistente	 no	 olhar	 central	 sugere	 doença	 vestibular,	 cerebelar	 ou	 toxicidade
medicamentosa.
Fundo	de	olho
Papiledema:	edema	do	disco	óptico	com	perda	da	nitidez	de	seus	contornos	e	abaulamento	da	escavação
fisiológica;	 indica	 hipertensão	 intracraniana	 (deve	 ser	 pesquisado	 em	 cefaleia,	 trauma	 craniano,
eclâmpsia).
Escavação	glaucomatosa:	aumento	da	escavação	fisiológica	do	disco,	especialmente	se	assimétrica	entre
os	olhos	—	principal	achado	fundoscópico	do	glaucoma	crônico.
Retinopatia	 hipertensiva:	 cruzamento	 arteriovenoso	 patológico	 (sinal	 de	 Salus/sinal	 de	 Gunn),
estreitamento	 arteriolar,	 arteríolas	 em	 "fio	 de	 cobre/fio	 de	 prata",	 hemorragias	 em	 chama	 de	 vela,
exsudatos	duros	e	manchas	algodonosas.
Retinopatia	 diabética:	 microaneurismas	 (pequenas	 lesões	 vermelhas	 arredondadas),	 hemorragias,
exsudatos	duros,	manchas	algodonosas	e,	na	forma	proliferativa,	neovascularização	do	disco	ou	da	retina.
Degeneração	macular	relacionada	à	idade	(DMRI):	drusas	(manchas	amareladas)	na	região	macular,
podendo	evoluir	com	exsudação	e	cicatriz	macular	na	forma	"úmida".
Pontos-chave
O	exame	ocular	sistematizado	segue	a	sequência:	acuidade	visual	→	exame	externo	→	pupilas	e	reflexos	→
motilidade	extrínseca	→	campo	visual	→	fundoscopia.
Diante	 de	 "olho	 vermelho",	 o	 padrão	 de	 hiperemia,	 a	 presença	 de	 dor	 e	 o	 aspecto	 pupilar	 diferenciam
conjuntivite,	hemorragia	subconjuntival,	glaucoma	agudo,	ceratite/trauma	e	uveíte	anterior.
Ptose	+	miose	=	suspeitar	de	síndrome	de	Horner;	miose	bilateral	com	dissociação	luz-perto	=	pupila	de
Argyll-Robertson	(pensar	em	neurossífilis).
Exoftalmia	bilateral	remete	a	doença	de	Graves;	unilateral,	a	processo	expansivo	orbitário.
No	fundo	de	olho,	aprenda	a	diferenciar	os	padrões	de	retinopatia	hipertensiva	(cruzamentos	AV,	fios	de
cobre/prata)	dos	da	retinopatia	diabética	(microaneurismas,	neovascularização).
Papiledema	é	sempre	um	achado	de	alarme	para	hipertensão	intracraniana.
Caso	clínico
Vinheta.	 J.A.S.,	58	anos,	hipertenso	e	diabético	há	12	anos,	procura	atendimento	por	cefaleia	holocraniana
progressiva	há	duas	 semanas,	 associada	a	náuseas	e,	 no	último	dia,	 episódios	de	 visão	 turva	binocular.	Ao
exame,	 você	 realiza	 a	 fundoscopia	 e	 observa,	 bilateralmente,	 disco	 óptico	 com	 bordas	 mal	 definidas	 e
abaulamento	da	escavação	fisiológica	em	direção	ao	vítreo.	Além	disso,	nota	estreitamento	arteriolar	difuso,
cruzamentos	arteriovenosos	patológicos	e	pequenas	manchas	algodonosas	próximas	ao	polo	posterior.
Perguntas.	1.	Qual	é	o	principal	achado	fundoscópico	descrito	e	qual	sua	implicação	clínica	mais	importante?
2.	 Quais	 achados	 na	 fundoscopia	 deste	 paciente	 são	 atribuíveis	 à	 hipertensão	 arterial	 crônica,	 e	 quais
poderiam	sugerir	também	um	componente	de	descompensação	aguda	(elevação	da	pressão	intracraniana)?	3.
Que	conduta	imediata	esse	achado	exige?
Gabarito	comentado.	1.	O	achado	central	é	o	papiledema	(bordas	mal	definidas	do	disco	+	abaulamento	da
escavação),	 que	 reflete	 edema	 do	 disco	 óptico	 por	 estase	 do	 fluxo	 axoplasmático	—	 sinal	 de	hipertensão
intracraniana,	 potencialmente	 por	 uma	 lesão	 expansiva,	 encefalopatia	 hipertensiva	 ou	 outra	 causa	 de
aumento	 da	 pressão	 liquórica.	Não	 deve	 ser	 confundido	 com	a	 simples	 escavação	 aumentada	 do	 glaucoma
(que	tem	contornos	nítidos)	nem	com	as	alterações	vasculares	isoladas	da	retinopatia	hipertensiva	crônica.	2.
O	estreitamento	arteriolar	e	os	cruzamentos	arteriovenosos	patológicos	(sinal	de	Gunn/Salus)	refletem	o	dano
vascular	 crônico	 da	 hipertensão	 arterial	 e	 do	 diabetes	 de	 longa	 data	 (retinopatia	 hipertensiva/diabética	 de
base).	 Já	 o	 papiledema	 bilateral	 associado	 à	 cefaleia	 progressiva	 e	 náuseas	 sugere	 um	 processo	 agudo
sobreposto	—	compatível	com	encefalopatia	hipertensiva	ou	outra	causa	de	hipertensão	intracraniana,	o	que
muda	o	caráter	da	consulta	de	crônico	para	emergencial.	3.	Diante	de	papiledema	com	cefaleia	progressiva	e
sintomas	visuais,	a	conduta	é	encaminhamento/avaliação	de	urgência	(medida	imediata	da	pressão	arterial	e
glicemia,	 avaliação	 neurológica	 e	 de	 imagem,	 se	 indicado),	 pois	 trata-se	 de	 sinal	 de	 alarme	 e	 não	 de	 um
achado	de	rotina	ambulatorial.
Questões	de	autoavaliação	(com	gabarito)
1.	Um	paciente	relata	visão	dupla	que	desaparece	quando	fecha	qualquer	um	dos	olhos.	Essa	característica
aponta	para	qual	tipo	de	causa	da	diplopia,	e	por	quê?
Gabarito:	Diplopia	binocular	(que	desaparece	ao	fechar	qualquer	um	dos	olhos)	indica	problema	de
alinhamento	entre	os	dois	olhos	—	geralmente	por	paralisia	ou	fraqueza	de	um	músculo	extraocular
(lesão	de	NC	III,	IV	ou	VI)	ou	lesão	de	tronco	encefálico/cerebelo.	Já	a	diplopia	que	persiste	com	um	olho
fechado	(monocular)	indica	alteração	local	de	córnea	ou	cristalino	naquele	olho.
2.	Por	que	a	anisocoria	não	é,	por	si	 só,	um	sinal	patológico?	Que	dado	do	exame	permite	diferenciar	uma
anisocoria	fisiológica	de	uma	patológica?
Gabarito:	Cerca	de	35%	da	população	saudável	apresenta	discreta	diferença	de	diâmetro	pupilar	sem
qualquer	doença	de	base	("anisocoria	simples/fisiológica").	O	dado	que	diferencia	é	a	reatividade	pupilar
à	luz:	se	ambas	as	pupilas	reagem	normalmente	e	de	forma	simétrica	(contraem-se	prontamente)	e	a
diferença	de	diâmetro	se	mantém	proporcional	tanto	em	ambiente	claro	quanto	escuro,	a	anisocoria	é
considerada	benigna.	Reatividade	assimétrica,	ou	uma	pupila	que	não	reage,	aponta	para	causa
patológica	(compressiva,	farmacológica,	síndrome	de	Horner	etc.).
3.	Explique	o	mecanismo	do	 reflexo	 fotomotor	consensual	e	 sua	utilidade	clínica	no	 teste	da	 luz	alternante
(swinging	flashlight).
Gabarito:	O	estímulo	luminoso	em	um	olho	é	conduzido	pela	retina	e	pelo	nervo	óptico	até	o	núcleo	pré-
tectal	do	mesencéfalo,	que	envia	fibras	para	os	núcleos	de	Edinger-Westphal	de	ambos	os	lados	(por	isso
o	reflexo	é	bilateral	mesmo	com	estímulo	unilateral);	a	via	eferente	parassimpática	segue	pelo	NC	III	até
o	esfíncter	pupilar	de	cada	olho,	causando	miose	em	ambos.	No	teste	da	luz	alternante,	alterna-se	a
iluminação	entre	os	dois	olhos:	se	um	nervo	óptico	está	lesado,	ao	iluminar	esse	olho	a	pupila,	em	vez	de
contrair,	dilata-se	paradoxalmente	(porque	a	resposta	consensual	vinda	do	olho	saudável,	iluminado	no
instante	anterior,	estava	"desaparecendo")	—	esse	é	o	defeito	pupilar	aferente	relativo	(pupila	de	Marcus
Gunn),	um	sinal	objetivo	importante	de	neuropatia	óptica	unilateral	ou	assimétrica.
4.	Diferencie,	do	ponto	de	vista	dos	achados	fundoscópicos,	a	retinopatia	hipertensiva	da	retinopatia	diabética
proliferativa.
Gabarito:	A	retinopatia	hipertensiva	caracteriza-se	principalmente	por	alterações	vasculares	—
estreitamento	arteriolar,	cruzamentos	arteriovenosos	patológicos	(sinal	de	Gunn/Salus),	arteríolas	em	fio
de	cobre/prata,	hemorragias	em	chama	de	vela	e,	em	casos	graves,	papiledema.	A	retinopatia	diabética
proliferativa	caracteriza-se	pela	formação	de	neovasos	(na	retina	ou	no	disco	óptico)	em	resposta	à
isquemia	retiniana,	além	de	microaneurismas,	hemorragias	intrarretinianas,	exsudatos	duros	e	manchas
algodonosas	—	o	elemento	distintivo	da	forma	proliferativa	é	justamente	a	neovascularização,	ausente	na
retinopatia	hipertensiva	isolada.
2.	Orelha	(Ouvido)
2.1	Anatomia	funcional	essencial
A	orelha	divide-se	em	três	compartimentos.	A	orelha	externa	compreende	o	pavilhão	auricular	(cartilagem
recoberta	por	pele,	com	hélice,	anti-hélice,	trago	e	lóbulo)	e	o	meato	acústico	externo,	canal	de	cerca	de	2,4–
2,5	 cm	 que	 se	 estende	 do	 pavilhão	 até	 a	membrana	 timpânica;	 seu	 terço	 externo	 écartilaginoso,	 piloso	 e
produtor	de	cerume,	enquanto	os	dois	 terços	 internos	 são	ósseos,	 revestidos	por	pele	 fina	e	extremamente
sensível	à	manipulação.	Atrás	e	abaixo	do	meato	encontra-se	o	processo	mastoide,	palpável.
A	orelha	média	é	uma	cavidade	aerada	que	contém	os	três	ossículos	da	audição	—	martelo,	bigorna	e	estribo
—	 responsáveis	 por	 transmitir	 as	 vibrações	 do	 tímpano	 até	 a	 orelha	 interna,	 e	 que	 se	 comunica	 com	 a
nasofaringe	pela	 tuba	auditiva	 (o	que	explica	a	 frequente	complicação	de	 infecções	 respiratórias	altas	em
otites	médias).	Na	otoscopia,	os	principais	reparos	são	o	cabo	e	o	processo	curto	(lateral)	do	martelo	e	o	cone
de	luz	(reflexo	luminoso	que	se	irradia	do	umbigo	do	tímpano	para	baixo	e	para	a	frente);	a	porção	acima	do
processo	curto	do	martelo	é	a	pars	flaccida,	e	o	restante,	a	pars	tensa.
A	orelha	interna	contém	a	cóclea	(audição)	e	os	canais	semicirculares	e	o	vestíbulo	(equilíbrio),	estruturas
não	acessíveis	ao	exame	direto	—	apenas	suas	funções	podem	ser	avaliadas.	O	estribo	transmite	as	vibrações
à	perilinfa	e	à	endolinfa,	gerando	impulsos	conduzidos	pelo	nervo	vestibulococlear	(NC	VIII).
A	 audição	 depende	 de	 duas	 fases:	 a	 fase	 condutiva	 (via	 aérea,	 da	 orelha	 externa	 à	 interna,	 e	 via	 óssea,
através	da	vibração	dos	ossos	do	crânio)	e	a	fase	neurossensorial	(da	cóclea	ao	córtex	auditivo,	via	NC	VIII).
Alterações	 de	 orelha	 externa	 e	média	 comprometem	a	 fase	 condutiva	 (cerume,	 corpo	 estranho,	 perfuração
timpânica,	otite	média);	alterações	da	orelha	interna,	do	nervo	ou	de	suas	vias	centrais	comprometem	a	fase
neurossensorial	(ototóxicos,	infecções	congênitas,	exposição	a	ruído,	presbiacusia,	neuroma	do	acústico).
2.2	Sintomas-chave
Otalgia	 (dor	 de	 ouvido)	 pode	 originar-se	 em	 qualquer	 uma	 das	 três	 porções	 da	 orelha	 ou	 ser	 referida	 de
estruturas	vizinhas	 (boca,	garganta,	ATM,	pescoço).	Otorreia	 (secreção	pelo	meato)	deve	ser	caracterizada
quanto	 ao	 aspecto	 (serosa,	 purulenta,	 sanguinolenta)	 —	 secreção	 hialina	 após	 trauma	 craniano	 levanta
suspeita	 de	 fístula	 liquórica.	Plenitude	 auricular	 (sensação	 de	 "ouvido	 tampado")	 ocorre	 por	 acúmulo	 de
secreção	na	orelha	externa	ou	na	 câmara	 timpânica.	Tinido/zumbido	 é	 a	percepção	de	 som	sem	estímulo
externo,	geralmente	de	origem	na	orelha	interna,	podendo	relacionar-se	a	ototóxicos,	presbiacusia	ou	doença
de	Ménière;	zumbido	pulsátil	sugere	causa	vascular	(aterosclerose	carotídea,	fístulas).	A	perda	auditiva	deve
ser	 diferenciada	 em	 condutiva	 (o	 paciente	 tende	 a	 falar	 baixo	 e	 ambientes	 ruidosos	 pouco	 atrapalham)	 e
sensorineural	 (fala	 alta,	 dificuldade	 de	 compreender	 a	 fala	 que	 piora	 em	 ambientes	 ruidosos).	 Vertigem
(sensação	rotatória	do	ambiente	ou	do	próprio	corpo)	indica	comprometimento	do	labirinto,	do	NC	VIII	ou	de
suas	conexões	centrais,	devendo	ser	diferenciada	de	pré-síncope,	desequilíbrio	e	cinetose.
2.3	Técnica	de	exame	físico
Inspeção:	 observam-se	 assimetrias,	 sinais	 flogísticos,	 malformações	 (atresia	 do	 pavilhão	 ou	 do	 meato),
cicatrizes	e	lesões	cutâneas.	Em	caso	de	otalgia,	o	teste	de	tração	—	mobilizar	o	pavilhão	para	cima	e	para
baixo	e	comprimir	o	trago	e	a	mastoide	—	provoca	dor	na	otite	externa,	mas	não	na	otite	média	ou	em	dor
referida	da	ATM;	dor	à	palpação	da	mastoide	sugere	mastoidite.
Otoscopia:	 traciona-se	delicadamente	 o	pavilhão	para	 cima	e	para	 trás	 (retificando	o	 canal),	 inicia-se	pela
orelha	menos	sintomática,	e	o	otoscópio	é	"ancorado"	apoiando	a	mão	que	o	segura	na	face	do	paciente,	para
evitar	 lesão	 do	 canal	 em	 caso	 de	movimento	 brusco.	 Inspecionam-se	 o	meato	 (hiperemia,	 secreção,	 corpos
estranhos,	cerume)	e	o	 tímpano	 (cone	de	 luz,	 cabo	e	processo	curto	do	martelo,	eventualmente	a	bigorna),
avaliando-se	 coloração,	 transparência,	 contorno	 e,	 quando	 disponível	 otoscópio	 pneumático,	 mobilidade	 à
manobra	de	Valsalva	ou	insuflação.
Acuidade	auditiva	—	teste	da	voz	sussurrada:	o	examinador	posiciona-se	a	60	cm	atrás	do	paciente	(fora
do	campo	de	leitura	labial),	oclui	e	frota	o	trago	da	orelha	não	testada,	expira	e	sussurra	uma	combinação	de
três	 números	 e	 letras;	 acertar	 ao	 menos	 três	 de	 seis	 é	 considerado	 normal	 (sensibilidade	 de	 90–100%,
especificidade	de	70–87%	para	perda	auditiva	>	30	dB).
Testes	com	diafasão	(diapasão	de	512	Hz):	 -	Teste	de	Weber:	o	diapasão	vibrando	é	apoiado	na	 linha
média	do	crânio	(vértice	ou	fronte).	Normalmente	o	som	é	percebido	igualmente	nas	duas	orelhas.	Na	perda
condutiva	unilateral,	o	som	 lateraliza	para	a	orelha	comprometida	 (pior);	na	perda	sensorineural	unilateral,
lateraliza	para	a	orelha	sadia.	 -	Teste	de	Rinne:	compara-se	a	condução	aérea	(CA)	com	a	condução	óssea
(CO),	 apoiando	 o	 diapasão	 sobre	 a	 mastoide	 e	 depois	 próximo	 ao	 meato.	 Normalmente	 CA	 >	 CO	 (Rinne
positivo).	Na	perda	condutiva,	CO	≥	CA	(Rinne	negativo);	na	perda	sensorineural,	mantém-se	CA	>	CO,	ainda
que	ambas	estejam	reduzidas.
2.4	Achados	anormais	e	sua	correlação	clínica
Orelha	externa
Cerume	impactado	e	corpo	estranho	no	meato:	causas	comuns	de	hipoacusia	condutiva	e	desconforto,
frequentes	em	crianças.
Otite	externa	aguda	(difusa):	meato	edemaciado,	estreitado,	hiperemiado	e	hipersensível;	dor	que	piora
com	 tração	 do	 pavilhão/trago;	 pode	 haver	 otorreia	 purulenta.	O	 agente	mais	 frequente	 é	Pseudomonas
aeruginosa.
Otite	 externa	 necrosante	 (maligna):	 extensão	 do	 processo	 infeccioso	 à	 base	 do	 crânio,	 típica	 de
diabéticos	mal	 controlados	 e	 imunocomprometidos;	 otalgia	 lancinante	 e	 persistente	 (>	 1	mês),	 otorreia
purulenta	 fétida	e,	 em	casos	avançados,	paralisia	de	nervos	 cranianos	 (mais	 comumente	VII,	X	 e	XI)	—
sinal	de	mau	prognóstico.
Otomicose:	 prurido	 intenso,	 otorreia	espessa,	micélios	 visíveis	 (coloração	variável	 conforme	o	 fungo	—
preto	no	A.	niger,	esverdeado	no	A.	viridans	etc.)	ou	massa	esbranquiçada	(Candida).
Pericondrite/condrite:	pavilhão	hiperemiado,	endurecido	e	doloroso,	podendo	evoluir	com	necrose	por
comprometimento	 do	 suprimento	 sanguíneo	 pericondral;	 causa	 emergente	 é	 o	 piercing	 auricular
infectado.
Exostoses:	nódulos	ósseos	indolores	no	meato	profundo,	dificultando	a	visualização	do	tímpano.
Herpes-zóster	ótico:	vesículas	sobre	base	eritematosa	na	concha	e	parede	do	meato,	com	dor	neurálgica
intensa,	seguindo	a	distribuição	do	dermátomo.
Orelha	média
Otite	 média	 aguda	 (OMA):	 otalgia	 de	 início	 súbito	 após	 infecção	 de	 vias	 aéreas	 superiores;	 achado
patognomônico	é	o	abaulamento	da	membrana	timpânica	à	otoscopia,	com	perda	de	transparência	e
redução	de	mobilidade	à	pneumotoscopia.	Metade	dos	casos	é	viral,	metade	bacteriana	(S.	pneumoniae,	H.
influenzae,	M.	catarrhalis).
Otite	 média	 com	 efusão:	 líquido	 na	 orelha	 média	 sem	 sinais	 infecciosos	 agudos;	 observa-se	 nível
hidroaéreo	ou	bolhas	à	otoscopia,	com	resolução	espontânea	em	75–90%	das	crianças	em	três	meses.
Otite	 média	 crônica	 (OMC):	 inflamação	 com	 mais	 de	 três	 meses	 de	 duração.	 A	 forma	 não
colesteatomatosa	simples	cursa	com	perfuração	timpânica	(central,	com	borda	de	tecido	remanescente,
ou	 marginal,	 sem	 borda)	 e	 otorreia	 intermitente;	 a	 forma	 supurativa	 tem	 otorreia	 mucopurulenta
persistente	 e	 perfurações	 extensas,	 com	 risco	 de	 erosão	 ossicular.	 O	 colesteatoma	 é	 definido	 pela
presença	de	epitélio	escamoso	queratinizado	na	cavidade	 timpânica,	 visto	 como	massa	esbranquiçada	à
otoscopia	 (frequentemente	 na	 pars	 flaccida);	 manifesta-se	 com	 otorreia	 fétida	 contínua,	 hipoacusia
progressiva	e,	em	complicações,	vertigem,	paralisia	facial	periférica	ou	meningite.
Mastoidite	coalescente:	hiperemia,	calor	e	abaulamento	retroauricular,	podendo	evoluir	para	abscesso
—	complicação	temida	da	otite	média	não	tratada.
Otosclerose:	anquilose	do	estribo,	causando	hipoacusia	condutiva	progressiva,	tipicamente	entre	15	e	35
anos;	 otoscopia	 geralmente	 normal	 (raramente	 sinal	 de	 Schwartz	 —mancha	 róseo-avermelhada	 pelo
promontório	hipervascularizado).
Orelha	interna	e	equilíbrio
Presbiacusia:	perda	auditiva	neurossensorial	bilateral	e	simétrica,	mais	evidente	para	agudos,	iniciando-
se	por	volta	dos	55	anos,	de	evolução	lenta.
Perda	 auditiva	 induzida	por	 ruído	 (PAIR):	 perda	 neurossensorial	 irreversível,	 bilateral,	 com	 padrão
audiométrico	característico	de	entalhe	em	4.000–6.000	Hz.
Síndrome	 de	 Ménière:	 tétrade	 de	 vertigem	 episódica	 (minutos	 a	 24	 horas),	 perda	 auditiva
neurossensorial	flutuante,	zumbido	e	plenitude	aural.
Vertigem	periférica	vs.	central:	a	vertigem	de	origem	periférica	(labiríntica)	tipicamente	melhora	com	a
fixação	ocular	e	associa-se	a	sintomas	auditivos;	a	de	origem	central	(tronco/cerebelo)	tende	a	piorar	ou
não	se	alterar	com	a	 fixação	e	associa-se	a	outros	sinais	neurológicos	 focais	 (diplopia,	disartria,	ataxia),
exigindo	exame	neurológico	cuidadoso.
Pontos-chave
O	teste	de	tração	do	pavilhão/trago	diferencia	otite	externa	(dor)	de	otite	média	(sem	dor	à	tração,	mas
dolorosa	à	palpação	retroauricular/mastóidea).
O	abaulamento	timpânico	é	o	achado	patognomônico	da	otite	média	aguda.
Weber	lateraliza	para	a	orelha	doente	na	perda	condutiva	e	para	a	orelha	sadia	na	perda	sensorineural;
Rinne	 é	 negativo	 (CO	 ≥	 CA)	 na	 perda	 condutiva	 e	 positivo	 (CA	 >	 CO)	 na	 sensorineural,	 ainda	 que
reduzida.
Otite	externa	necrosante	é	uma	emergência	em	diabéticos	—	otalgia	persistente	e	resistente	a	analgésicos
deve	levantar	a	suspeita.
Colesteatoma	 =	massa	 esbranquiçada	 +	 otorreia	 fétida	 crônica;	 risco	 de	 erosão	 óssea	 e	 complicações
neurológicas.
Vertigem	 periférica	 costuma	 vir	 acompanhada	 de	 sintomas	 cocleares	 (zumbido,	 hipoacusia);	 vertigem
central,	de	sinais	neurológicos	focais.
Caso	clínico
Vinheta.	M.T.O.,	62	anos,	diabética	tipo	2	há	20	anos,	com	controle	glicêmico	inadequado,	procura	o	pronto-
socorro	 com	 otalgia	 intensa	 à	 direita,	 de	 caráter	 lancinante,	 há	 cerca	 de	 cinco	 semanas,	 resistente	 a
analgésicos	 comuns	 e	 que	 piora	 à	 noite.	 Refere	 otorreia	 purulenta	 com	 odor	 fétido.	 Ao	 exame,	 você	 nota
discreto	desvio	da	comissura	labial	à	esquerda	quando	pede	que	ela	sorria,	além	de	dificuldade	para	fechar
completamente	o	olho	direito.
Perguntas.	 1.	 Qual	 hipótese	 diagnóstica	 principal	 essa	 apresentação	 sugere,	 e	 por	 quê?	 2.	 Qual	 é	 o
significado	 do	 achado	 facial	 descrito,	 e	 qual	 nervo	 craniano	 provavelmente	 está	 envolvido?	 3.	Qual	 agente
etiológico	deve	ser	suspeitado	com	maior	frequência?
Gabarito	comentado.	1.	A	combinação	de	otalgia	intensa	e	persistente	(>	1	mês),	resistente	a	analgésicos,
com	otorreia	purulenta	fétida,	em	paciente	diabética	mal	controlada,	é	fortemente	sugestiva	de	otite	externa
necrosante	 (maligna)	 —	 uma	 extensão	 do	 processo	 infeccioso	 do	 meato	 acústico	 externo	 até	 a	 base	 do
crânio,	típica	de	diabéticos	e	imunocomprometidos.	2.	O	desvio	da	comissura	labial	e	a	dificuldade	de	oclusão
palpebral	configuram	uma	paralisia	 facial	periférica,	por	comprometimento	do	nervo	facial	 (NC	VII)	—
achado	 de	 mau	 prognóstico	 na	 otite	 externa	 necrosante,	 decorrente	 do	 envolvimento	 do	 forame
estilomastóideo	 ou	 necrose	 do	 próprio	 nervo.	 Os	 nervos	 cranianos	 mais	 comumente	 acometidos	 nessa
condição	são	o	VII,	o	X	e	o	XI.	3.	O	agente	mais	frequentemente	implicado	é	a	Pseudomonas	aeruginosa.
Questões	de	autoavaliação	(com	gabarito)
1.	 Um	 paciente	 apresenta	 perda	 auditiva	 unilateral.	 No	 teste	 de	 Weber,	 o	 som	 lateraliza	 para	 a	 orelha
comprometida.	 No	 teste	 de	 Rinne	 dessa	mesma	 orelha,	 a	 condução	 óssea	 é	 igual	 ou	 superior	 à	 condução
aérea.	Qual	é	o	tipo	de	perda	auditiva,	e	cite	duas	causas	possíveis.
Gabarito:	Trata-se	de	perda	auditiva	condutiva	(Weber	lateraliza	para	o	lado	pior;	Rinne	negativo,	CO	≥
CA).	Causas	possíveis	incluem	cerume	impactado,	otite	média	(aguda,	com	efusão	ou	crônica),	perfuração
timpânica	e	otosclerose.
2.	 Por	 que	 a	manobra	 de	 tração	 do	 pavilhão	 auricular	 e	 compressão	 do	 trago	 é	 útil	 para	 diferenciar	 otite
externa	de	otite	média?
Gabarito:	Porque	a	otite	externa	envolve	inflamação	do	próprio	meato	acústico	e	do	pavilhão,	estruturas
mobilizadas	e	comprimidas	pela	manobra	—	por	isso	a	tração	reproduz	ou	intensifica	a	dor.	Já	na	otite
média,	o	processo	inflamatório	está	atrás	da	membrana	timpânica,	estrutura	não	mobilizada	por	essa
manobra,	de	modo	que	a	tração	não	desencadeia	dor	(a	dor	da	otite	média	é	reproduzida,	isso	sim,	pela
palpação	da	região	mastóidea).
3.	Cite	o	achado	otoscópico	considerado	patognomônico	da	otite	média	aguda	e	explique	sua	fisiopatologia.
Gabarito:	O	achado	patognomônico	é	o	abaulamento	da	membrana	timpânica.	Ele	decorre	do
acúmulo	de	efusão	(líquido	inflamatório)	na	cavidade	da	orelha	média,	sem	via	de	drenagem,	que
empurra	a	membrana	timpânica	para	fora,	reduzindo	também	sua	mobilidade	à	pneumotoscopia	e
alterando	sua	transparência	habitual.
4.	Um	paciente	relata	episódios	recorrentes	de	vertigem	rotatória	com	duração	de	horas,	acompanhados	de
zumbido,	sensação	de	plenitude	auricular	e	perda	auditiva	progressiva	e	flutuante.	Qual	síndrome	é	sugerida
por	esse	quadro,	e	quais	são	seus	quatro	componentes	clássicos?
Gabarito:	O	quadro	é	sugestivo	de	síndrome	de	Ménière,	cuja	tétrade	clássica	é:	vertigem	episódica,
perda	auditiva	neurossensorial	flutuante	e	progressiva,	zumbido	e	plenitude	aural.
3.	Nariz	e	Seios	Paranasais
3.1	Anatomia	funcional	essencial
O	nariz	é	dividido	em	duas	cavidades	pelo	septo	nasal,	sustentado	por	osso	(porção	superior)	e	cartilagem
(dois	terços	distais).	Cada	cavidade	comunica-se	com	o	exterior	pelas	narinas,	que	se	abrem	nos	vestíbulos	—
revestidos	por	pele	com	pelos	(vibrissas)	—	e	continuam	posteriormente	até	a	nasofaringe.	Na	parede	lateral
de	cada	cavidade	projetam-se	 três	conchas	(cornetos)	nasais,	 recobertas	por	mucosa	hipervascularizada,
criando,	abaixo	de	cada	uma,	um	meato	de	mesmo	nome:	o	ducto	nasolacrimal	drena	para	o	meato	inferior,	e
a	maioria	dos	seios	paranasais,	para	o	meato	médio	(orifícios	de	difícil	visualização	direta).	Essa	arquitetura
aumenta	a	superfície	de	contato	com	o	ar	inspirado,	permitindo	as	três	funções	primordiais	da	cavidade	nasal:
filtração,	aquecimento	e	umidificação	do	ar.
Os	 seios	 paranasais	 (frontais,	 maxilares,	 etmoidais	 e	 esfenoidal)	 são	 cavidades	 aeradas	 revestidas	 por
mucosa	produtora	de	muco,	que	drena	para	as	cavidades	nasais.	Os	seios	frontais	e	maxilares	são	os	únicos
facilmente	acessíveis	ao	exame	clínico	(palpação,	percussão	e	transiluminação);	o	etmoidal	e	o	esfenoidal	só
são	avaliados	indiretamente.
3.2	Sintomas-chave
Rinorreia	 (corrimento	 nasal):	 hialina/serosa	 com	 prurido	 e	 espirros	 em	 salva	 sugere	 rinite	 alérgica;
inicialmente	 hialina	 evoluindo	 para	 espessa	 e	 turva	 é	 típica	 de	 infecção	 viral	 de	 vias	 aéreas;	 aspecto
purulento,	 esverdeado	 ou	 piossanguinolento	 sugere	 infecção	 bacteriana.	 Rinorreia	 hialina	 persistente	 e
unilateral	após	traumatismo	craniano	levanta	suspeita	de	fístula	liquórica.
Epistaxe	(sangramento	nasal):	a	causa	mais	comum	é	o	traumatismo	local	(manipulação	digital),	dada	a	rica
vascularização	 do	 septo	 anterior.	 Epistaxe	 bilateral	 e	 recorrente	 sugere	 causa	 sistêmica	 (hipertensão	 mal
controlada,	coagulopatias).	Sangramentos	de	origem	mais	posterior	raramente	se	exteriorizam	como	epistaxe,
manifestando-se	antes	como	hemoptise	ou	hematêmese.
Obstrução/congestão	nasal:	 quando	 persistente	 e	 unilateral,	 sugere	 causa	 local	 (desvio	 de	 septo,	 pólipo,
corpo	estranho,	tumor);	quando	bilateral	em	crianças,	pensar	em	hipertrofia	adenoideana.	Causa	respiração
bucal,	que	predispõe	a	roncos,	boca	seca	e	infecções	respiratórias.
Gotejamento	pós-nasal	 e	dor	na	 topografia	 dos	 seios	 da	 face:	 para	 caracterizar	 sinusite,	 deve	 haver,
além	da	dor	facial,	tosse,	expectoração	ou	gotejamento	pós-nasal,	muitas	vezes	com	antecedente	de	infecçãoviral	prévia.	A	dor	tipicamente	piora	ao	abaixar	a	cabeça,	e	a	tosse	piora	ao	deitar	(facilita	a	drenagem	do	seio
acometido).	O	diagnóstico	de	sinusite	é	essencialmente	clínico.
3.3	Técnica	de	exame	físico
Inspeção	externa:	observam-se	assimetrias,	cicatrizes,	ulcerações	e	alterações	de	forma.	O	nariz	em	sela
(depressão	do	dorso	nasal)	é	um	achado	quase	sempre	congênito,	associado	à	sífilis	intraútero.	O	rinofima	—
espessamento,	 hipervascularização	 e	 hiperemia	 da	 pele	 nasal	 com	 hipertrofia	 de	 glândulas	 sebáceas	 —	 é
comum	 em	 idosos.	 Hipertrofia	 global	 do	 nariz	 ocorre	 na	 acromegalia	 e	 no	 mixedema.	 Lesões	 destrutivas
(perda	 de	 asa	 nasal,	 septo)	 podem	 indicar	 neoplasias,	 blastomicose,	 leishmaniose	 cutaneomucosa	 ou
hanseníase.	Observa-se	ainda	o	batimento	de	asas	nasais,	sinal	de	esforço	respiratório	em	quadros	graves
(pneumonias,	insuficiência	respiratória).
Teste	de	permeabilidade:	oclui-se	cada	narina	alternadamente,	pedindo	ao	paciente	que	inspire	pela	outra,
avaliando	fluxo	aéreo	e	eventual	colapso	valvar	da	parede	nasal.
Rinoscopia	 anterior:	 com	 o	 pescoço	 do	 paciente	 estendido,	 eleva-se	 delicadamente	 a	 ponta	 do	 nariz	 e
ilumina-se	 o	 vestíbulo	 com	 lanterna	 ou	 otoscópio	 (espéculo	 largo),	 evitando	 tocar	 o	 septo	 (muito	 sensível).
Avaliam-se	coloração	da	mucosa	(pálida	nos	processos	alérgicos,	hiperemiada	nos	inflamatórios),	presença	de
edema,	 secreção,	 crostas,	úlceras,	perfurações	e	pólipos,	 além	do	 septo	 (desvio,	perfuração)	e	das	 conchas
inferior	e	média.
Palpação	e	percussão	dos	seios	paranasais:	comprime-se	a	região	óssea	das	sobrancelhas	(seios	frontais)
e	a	região	malar	(seios	maxilares),	sempre	de	baixo	para	cima;	em	condições	normais	a	manobra	é	indolor.	A
transiluminação	 (fonte	 de	 luz	 forte	 em	 ambiente	 escurecido)	 é	 pouco	 sensível	 e	 pouco	 específica,	mas	 a
ausência	de	iluminação	pode	sugerir	espessamento	mucoso	ou	secreção	retida.
3.4	Achados	anormais	e	sua	correlação	clínica
Desvio	 de	 septo:	 comum,	 constitucional	 ou	 pós-traumático;	 pode	 ser	 assintomático	 ou	 obstruir	 a
drenagem	dos	seios,	favorecendo	sinusites	de	repetição.
Perfuração	septal:	 causas	 incluem	trauma,	cirurgia	prévia	e	uso	 intranasal	de	cocaína	ou	anfetaminas
(potentes	vasoconstritores	que	podem	causar	necrose	e	perfuração	septal).
Pólipos	 nasais:	 massas	 saculiformes,	 pálidas,	 de	 tecido	 inflamado;	 associam-se	 a	 rinite	 alérgica,
sensibilidade	 ao	 ácido	 acetilsalicílico,	 asma	 e	 fibrose	 cística	—	 podem	 obstruir	 a	 passagem	 do	 ar	 ou	 a
drenagem	sinusal.
Rinite	alérgica	×	rinite	viral:	a	mucosa	costuma	estar	pálida,	azulada	ou	avermelhada	e	edemaciada	na
rinite	 alérgica	 (com	 rinorreia	 hialina	 e	 prurido),	 e	 hiperemiada	 e	 edemaciada	 na	 rinite	 viral	 (rinorreia
progressivamente	mais	espessa).
Rinossinusite	 bacteriana	 aguda:	 suspeitar	 quando	 dor/pressão	 facial,	 secreção	 purulenta,	 obstrução
nasal	 e	 distúrbio	 de	 olfato	 persistem	 por	mais	 de	 7	 dias,	 especialmente	 com	 dor	 à	 palpação	 dos	 seios
frontais/maxilares.
Sinal	 da	 vela:	 secreção	 purulenta	 escorrendo	 pela	 parede	 posterior	 da	 orofaringe,	 lembrando	 cera	 de
vela	derretida	—	achado	sugestivo	de	sinusite	(avaliado	na	oroscopia).
Complicações	graves	de	sinusite	(raras):	trombose	de	seio	cavernoso,	celulite	orbitária/periorbitária	e
abscessos	—	especialmente	 temidas	nas	sinusites	do	seio	esfenoidal,	pela	proximidade	com	a	drenagem
venosa	orbitária.
Pontos-chave
As	três	funções	da	cavidade	nasal	são	filtrar,	aquecer	e	umidificar	o	ar	inspirado	—	função	desempenhada
pelas	conchas	nasais	e	sua	mucosa	hipervascularizada.
A	causa	mais	comum	de	epistaxe	é	o	trauma	digital	local,	pela	rica	vascularização	do	septo	anterior.
Sinusite	 é	 diagnóstico	 clínico:	 dor	 facial	 isolada	não	basta	—	exige	 tosse,	 expectoração	 ou	gotejamento
pós-nasal	associados.
Nariz	em	sela	remete	a	sífilis	congênita;	perfuração	septal,	a	trauma,	cirurgia	ou	uso	de	cocaína.
Pólipos	nasais	associam-se	classicamente	à	tríade	rinite	alérgica	+	asma	+	sensibilidade	ao	AAS	(além	de
fibrose	cística).
Caso	clínico
Vinheta.	 R.P.M.,	 29	 anos,	 procura	 atendimento	 por	 obstrução	 nasal	 bilateral	 progressiva	 há	 oito	 meses,
associada	 a	 espirros	 frequentes,	 prurido	 nasal	 e	 ocular,	 e	 piora	 sazonal	 na	 primavera.	Nega	 febre.	 Refere
ainda	 "chiado	 no	 peito"	 ocasional	 aos	 esforços,	 já	 investigado	 como	 asma	 leve.	 Ao	 exame	 de	 rinoscopia
anterior,	você	observa	mucosa	nasal	pálida	e	edemaciada	bilateralmente,	com	massas	pediculadas,	pálidas	e
translúcidas,	obstruindo	parcialmente	ambos	os	meatos	médios.
Perguntas.	1.	Qual	é	a	hipótese	diagnóstica	mais	provável	para	a	lesão	nasal	encontrada?	2.	Que	associação
clínica	 clássica	 esse	 achado	 costuma	 compor,	 e	 ela	 está	 presente	 neste	 caso?	 3.	 Como	 diferenciar,	 pela
rinoscopia,	essa	condição	de	uma	rinite	infecciosa	aguda?
Gabarito	comentado.	1.	As	massas	pálidas,	translúcidas	e	pediculadas	nos	meatos	médios,	em	paciente	com
rinite	 alérgica	 de	 longa	data,	 são	 compatíveis	 com	pólipos	nasais.	 2.	A	 associação	 clássica	 é	 a	 tríade	de
Samter	 (pólipos	nasais	+	asma	+	sensibilidade	ao	ácido	acetilsalicílico/AINEs),	 além	da	 relação	com	rinite
alérgica	crônica	e,	em	crianças,	fibrose	cística.	Neste	caso,	a	paciente	já	tem	asma	diagnosticada,	reforçando
a	suspeita	dessa	associação	—	vale	investigar	ativamente	sensibilidade	a	AINEs.	3.	Na	rinite	infecciosa	aguda,
a	mucosa	está	hiperemiada	e	edemaciada,	sem	massas	verdadeiras,	com	rinorreia	que	evolui	de	hialina	para
espessa,	quadro	autolimitado	em	dias.	Já	os	pólipos	são	massas	estruturais	persistentes,	pálidas	e	translúcidas
(não	 simples	 edema	 mucoso),	 que	 não	 regridem	 espontaneamente	 e	 cursam	 com	 obstrução	 crônica	 e
progressiva.
Questões	de	autoavaliação	(com	gabarito)
1.	 Por	 que	 a	 epistaxe	 originada	 na	 porção	 posterior	 da	 cavidade	 nasal	 raramente	 se	 manifesta	 como
sangramento	visível	pelas	narinas?
Gabarito:	Porque	o	sangue	proveniente	de	estruturas	posteriores	(nasofaringe,	seios)	tende	a	escoar	para
a	orofaringe	em	vez	de	sair	pelas	narinas,	estimulando	o	reflexo	nauseoso	e	sendo	percebido	como
hemoptise	(se	deglutido	e	depois	expelido	com	a	tosse)	ou	hematêmese	(se	deglutido	e	vomitado),	e	não
como	epistaxe	evidente.
2.	 Um	 paciente	 relata	 rinorreia	 hialina	 persistente	 e	 unilateral,	 semanas	 após	 um	 traumatismo
cranioencefálico.	Que	diagnóstico	diferencial	importante	deve	ser	considerado	e	por	quê?
Gabarito:	Deve-se	suspeitar	de	fístula	nasoliquórica	(extravasamento	de	líquido	cefalorraquidiano	pela
cavidade	nasal,	através	de	uma	fratura	da	base	do	crânio),	já	que	rinorreia	hialina	persistente	e	sem
outras	evidências	de	quadro	alérgico,	em	um	contexto	de	trauma	craniano	recente,	não	é	uma	simples
rinite.
3.	Explique	por	que	a	manobra	de	compressão	dos	seios	frontais	e	maxilares	normalmente	não	causa	dor,	e	o
que	sua	presença	sugere.
Gabarito:	Em	condições	normais,	os	seios	paranasais	são	cavidades	aeradas	com	mucosa	saudável,
insensíveis	à	compressão	suave	da	parede	óssea	sobrejacente.	Dor	à	palpação/percussão	sugere
inflamação	da	mucosa	sinusal	com	aumento	de	pressão	interna	por	retenção	de	secreção	—	achado
compatível	com	sinusite,	especialmente	quando	associado	a	febre,	tosse	e	expectoração.
4.	Boca,	Língua,	Faringe	e	Laringe
4.1	Anatomia	funcional	essencial
A	cavidade	oral	é	delimitada	anteriormente	pelos	lábios	(estrutura	muscular	revestida	por	epitélio	delgado	e
muito	vascularizado,	útil	para	avaliar	palidez	e	cianose).	Superior	e	 inferiormente	encontram-se	os	alvéolos
dentários	na	maxila	e	na	mandíbula.	As	gengivas	e	o	palato	duro	têm	epitélio	queratinizado	(mais	resistente
ao	 trauma	mastigatório);	 já	 a	mucosa	 jugal,	 a	 vestibular,	 a	 face	 interna	dos	 lábios,	 o	 assoalho	da	boca	e	 o
palato	 mole	 têm	 epitélio	 não	 queratinizado,	 mais	 avermelhado.	 O	 palato	 mole,	 parcialmente	 muscular,
participa	da	deglutição	e	da	proteçãodas	vias	aéreas,	terminando	na	úvula.
A	língua	é	um	órgão	muscular	recoberto	por	papilas	gustativas	na	face	dorsal	(dando	aspecto	rugoso),	sem
papilas	 na	 face	 inferior	 —	 região	 de	 mucosa	 fina	 e	 rica	 em	 plexo	 venoso,	 por	 isso	 boa	 via	 de	 absorção
sublingual	de	medicamentos.	Ao	 lado	do	 frênulo	 lingual	emergem	os	ductos	das	glândulas	submandibulares
(ductos	de	Wharton);	as	parótidas	abrem-se	na	mucosa	 jugal,	ao	 lado	do	segundo	molar	superior	 (ducto	de
Stensen).
Entre	os	pilares	anterior	 (palatoglosso)	e	posterior	 (palatofaríngeo)	situam-se	as	tonsilas	palatinas,	 tecido
linfoide	 que	 costuma	 regredir	 após	 os	 18–20	 anos,	 podendo	 voltar	 a	 se	 tornar	 proeminente	 em	 processos
infecciosos.
A	 faringe	 divide-se	 em	 três	 porções:	 nasofaringe	 (ou	 rinofaringe),	 orofaringe	 e	 hipofaringe	 (ou
laringofaringe)	—	esta	última	se	estende	da	borda	superior	da	epiglote	até	a	borda	inferior	da	cricoide,	sendo
o	ponto	onde	o	bolo	alimentar	é	direcionado	ao	esôfago	enquanto	a	laringe	se	fecha	para	proteger	a	via	aérea.
A	laringe	é	um	órgão	musculocartilaginoso	situado	entre	C3	e	C6,	com	três	funções:	esfincteriana	(proteção
da	 via	 aérea	 na	 deglutição),	 respiratória	 (regulação	 do	 fluxo	 aéreo)	 e	 fonatória	 (produção	 do	 som	 pela
vibração	 das	 pregas	 vocais).	 Seu	 esqueleto	 tem	 nove	 cartilagens	 (três	 ímpares	 —	 tireóidea,	 cricóidea	 e
epiglote	 —	 e	 três	 pares,	 entre	 elas	 as	 aritenoides,	 onde	 se	 inserem	 o	 ligamento	 vocal	 e	 os	 músculos
cricoaritenóideos).	Divide-se	em	três	regiões:	supraglote	(acima	das	pregas	vocais),	glote	(nível	das	pregas
vocais)	e	subglote	(abaixo	das	pregas	vocais	até	a	cricoide).
4.2	Técnica	de	exame	físico
Cavidade	oral:	com	boa	iluminação	e	espátula,	examina-se	sequencialmente:	semimucosa	e	mucosa	labiais,
mucosa	jugal	bilateral,	palato	duro	e	mole,	orofaringe,	dorso,	laterais	e	ventre	da	língua,	assoalho	da	boca	e
rebordo	 alveolar	 (dentes	 e	 gengivas).	 Próteses	 devem	 ser	 removidas	 antes	 do	 exame.	 Usam-se	 luvas	 para
palpar	qualquer	lesão	suspeita,	avaliando	extensão,	mobilidade,	consistência,	dor	e	presença	de	secreção.
Língua:	pede-se	ao	paciente	que	a	projete	e	a	movimente	 lateralmente	e	para	cima	—	desvio	na	protrusão
sugere	lesão	do	nervo	hipoglosso	(NC	XII),	com	a	língua	desviando-se	para	o	lado	da	lesão.	Para	examinar
as	bordas	 laterais	e	a	 face	 inferior	 (sítios	mais	 frequentes	de	neoplasia),	 traciona-se	a	ponta	da	 língua	com
gaze.
Glândulas	 salivares:	 as	 parótidas	 são	 palpadas	 externamente	 sobre	 o	 ramo	 da	 mandíbula;	 as
submandibulares	 e	 submentonianas,	 por	 palpação	 bimanual	 (uma	 mão	 no	 assoalho	 da	 boca,	 a	 outra
externamente).
Orofaringe:	 solicita-se	 que	 o	 paciente	 abra	 a	 boca	 e	 diga	 "AAAA"	 (também	 testa	 a	 elevação	 simétrica	 do
palato	mole	e	da	úvula	—	nervo	vago,	NC	X);	se	a	visualização	for	insuficiente,	comprime-se	a	porção	central	e
arqueada	da	língua	com	abaixador	(evitar	pressão	profunda,	que	desencadeia	reflexo	nauseoso),	observando
palato	mole,	pilares,	úvula,	tonsilas	e	parede	posterior	da	faringe.
Laringe	 (laringoscopia	 indireta):	 usa-se	 o	 espelho	 de	 Garcia	 introduzido	 na	 orofaringe,	 com	 a	 língua
tracionada,	 examinando-se	 durante	 a	 respiração	 e	 a	 fonação:	 posição,	 simetria	 e	 mobilidade	 das	 pregas
vocais,	além	de	eventual	estase	salivar,	secreções	ou	lesões	nas	regiões	supraglótica	e	glótica	(a	subglote	é	de
difícil	visualização	por	esse	método).	Não	é	exequível	em	crianças	ou	pacientes	não	colaborativos,	casos	em
que	se	recorre	à	nasofibrolaringoscopia.
4.3	Achados	anormais	e	sua	correlação	clínica
Lábios
Palidez	(anemia)	e	cianose	(hipoxemia)	são	facilmente	identificáveis	pela	alta	vascularização	labial.
Queilite	 actínica:	 espessamento,	 opacificação	 e	 retração	 labial	 por	 exposição	 solar	 crônica	 —	 lesão
potencialmente	maligna,	manifestando-se	como	linha	fibrótica	esbranquiçada	no	lábio	inferior.
Queilite	 angular	 ("boqueira"):	 fissuras	 nos	 cantos	 da	 boca,	 por	 perda	 de	 dimensão	 vertical	 (perda
dentária),	deficiência	nutricional	ou	candidíase	associada.
Angioedema:	edema	labial	rápido	por	extravasamento	capilar;	de	origem	alérgica	(associado	a	urticária,
prurido),	 hereditário	 (deficiência	 de	 complemento)	 ou	 por	 bradicinina	 (uso	 de	 IECA).	 É	 emergência	 se
houver	extensão	para	língua	ou	glote,	com	risco	de	obstrução	de	via	aérea.
Síndrome	de	Peutz-Jeghers:	máculas	hipercrômicas	labiais	e	periorais	associadas	a	polipose	intestinal.
Herpes	labial:	vesículas	agrupadas	sobre	base	eritematosa,	recidivantes	em	imunodepressão.
Sífilis	 primária:	 nódulo	 ulcerado,	 indolor,	 endurado,	 sem	 secreção	 —	 cicatriza	 espontaneamente	 em
semanas.
Cavidade	oral,	gengivas	e	dentes
Gengivite/periodontite:	 hiperemia,	 edema,	 sangramento	 (gengivorragia)	 e	 retração	 gengival,	 com
exposição	 do	 colo	 dentário.	 Gengivorragia	 difusa	 sem	 lesão	 local	 aponta	 para	 distúrbio	 de	 coagulação
(plaquetopenia,	anticoagulantes).
Hiperplasia	gengival:	associada	a	fenitoína,	gravidez,	puberdade	e	leucemias.
Aftas:	 úlceras	 dolorosas,	 até	 5	 mm,	 fundo	 esbranquiçado/amarelado	 sobre	 base	 hiperemiada,
autolimitadas	em	7–10	dias;	lesão	persistente	além	de	2	semanas	deve	ser	considerada	suspeita.
Monilíase	oral	(candidíase):	placas	brancas	espessas,	dolorosas,	removíveis	à	raspagem	(deixando	área
hiperemiada)	—	sinal	de	alerta	para	imunossupressão.
Leucoplasia:	placa	esbranquiçada	persistente	e	indolor,	que	não	é	removida	à	raspagem;	diagnóstico	de
exclusão	que	exige	biópsia	para	afastar	carcinoma	espinocelular,	especialmente	após	os	40	anos.
Leucoplasia	pilosa:	aspecto	aveludado	nas	bordas	laterais	da	língua,	associada	a	infecção	pelo	HIV.
Sarcoma	 de	 Kaposi:	 lesões	 vermelho-arroxeadas,	 elevadas,	 friáveis,	 associadas	 a	 imunossupressão
avançada	(HHV-8).
Toro	palatino/mandibular:	proliferação	óssea	benigna,	sem	significado	patológico.
Fenda	palatina/úvula	bífida:	malformações	congênitas,	frequentemente	associadas	ao	lábio	leporino.
Língua
Anquiloglossia	("língua	presa"):	frênulo	lingual	curto,	limitando	a	mobilidade	e	a	fonação.
Língua	 fissurada	 (escrotal):	 pregas	 profundas,	 indolores,	 variação	 da	 normalidade	 (mais	 comum	 na
síndrome	de	Down).
Língua	 geográfica:	 áreas	 avermelhadas	 com	 atrofia	 papilar,	 de	 contorno	 migratório,	 sem	 significado
patológico	grave.
Glossite	 atrófica	 ("língua	 careca"):	 superfície	 lisa,	 avermelhada	 e	 dolorosa,	 por	 perda	 de	 papilas	—
associada	a	deficiências	vitamínicas	ou	quimioterapia.
Língua	 pilosa:	 hipertrofia	 das	 papilas	 filiformes	 com	 depósito	 de	 queratina,	 podendo	 escurecer	 por
colonização	fúngica.
Todo	nódulo	ou	úlcera	 lingual	persistente,	especialmente	endurecido	e	nas	bordas	 laterais/base,	em
homens	tabagistas	acima	de	50	anos,	deve	ser	considerado	suspeito	de	carcinoma	espinocelular.
Glândulas	salivares
Xerostomia:	boca	seca	por	hipofunção	glandular	(síndrome	de	Sjögren,	anticolinérgicos,	envelhecimento),
aumentando	o	risco	de	cáries	e	mucosite.
Sialoadenite:	inflamação	infecciosa	glandular	(mais	comum	na	parótida).
Sialolitíase:	cálculo	ductal	(mais	comum	nas	submandibulares),	causando	tumefação	que	piora	durante	a
mastigação	e	melhora	após	a	refeição.
Faringe	e	tonsilas
Tonsilite/faringite:	 tonsilas	 hipertrofiadas,	 edemaciadas;	 secreção	 puntiforme	 amarelo-esbranquiçada
nas	 infecções	 virais	 versus	 placas	 purulentas	 mais	 espessas	 nas	 bacterianas	 (geralmente	 com	 febre	 e
linfadenopatia).	 Graduação	 subjetiva	 da	 hipertrofia	 tonsilar	 (0	 a	 4,	 conforme	 o	 percentual	 do	 espaço
orofaríngeo	ocupado).
Hipertrofia	 tonsilar	 unilateral	 persistente	 (>	 2	 semanas):	 sinal	 de	 alarme	 para	 neoplasia
(especialmente	linfoma).
Difteria:	 faringite	 exuberante	 com	 pseudomembranas	 acinzentadas	 na	 faringe,	 úvula	 e	 língua	 —	 hoje
rara,	mas	grave	(risco	de	obstrução	de	via	aérea).
Faringite	estreptocócica:	exsudato	tonsilar	com	úvula	intensamente	hiperemiada—	indicação	de	teste
rápido	de	antígeno	ou	cultura.
Odinofagia/disfagia/rouquidão	 prolongadas	 (>	 2–3	 semanas):	 sempre	 investigar,	 sobretudo	 em
tabagistas	e	etilistas,	pela	possibilidade	de	neoplasia.
Laringe
Rouquidão	 (disfonia):	 de	 início	 súbito,	 sugere	 causa	 psicogênica	 ou	 paralisia	 de	 prega	 vocal;	 de
evolução	progressiva	e	arrastada,	sugere	neoplasia.	Rouquidão	fixa	e	persistente	indica	causa	orgânica;	a
que	 varia	 com	 o	 uso	 vocal,	 causa	 funcional.	 Otalgia	 reflexa	 e	 odinofagia	 associadas	 sugerem	 tumor
supraglótico	 com	 extensão	 à	 hipofaringe;	 tosse	 e	 desconforto	 respiratório	 associados	 sugerem	 tumor
glótico	volumoso	com	extensão	à	subglote.	Rouquidão	pós-cirurgia	cardíaca	ou	tireoidiana	levanta	suspeita
de	lesão	do	nervo	laríngeo	recorrente.
Estridor:	 ruído	 por	 turbulência	 do	 ar	 em	 obstrução	 de	 via	 aérea	 superior	 —	 inspiratório	 (obstrução
supraglótica/glótica)	ou	expiratório	(obstrução	subglótica).	Início	neonatal	sugere	malformação	congênita
(laringomalácia,	 que	 piora	 com	 esforço,	 choro	 e	 mamadas);	 início	 após	 intubação/UTI	 sugere	 estenose
adquirida;	 início	 abrupto	 afebril	 em	 criança	 sugere	 aspiração	 de	 corpo	 estranho;	 com	 febre,	 sugere
laringite	 aguda.	 Sinais	 de	 gravidade:	 taquipneia	 com	 retrações,	 uso	 de	musculatura	 acessória,	 cianose,
bradicardia	com	hipóxia/hipercapnia.
Paralisia	 de	 prega	 vocal:	 assimetria	 de	mobilidade	 à	 laringoscopia;	 pode	 ser	 causa	 de	 rouquidão	 de
início	súbito.
Pontos-chave
Desvio	 da	 língua	 na	 protrusão	 aponta	 para	 o	 lado	 da	 lesão	 do	 NC	 XII;	 ausência	 de	 elevação	 do
palato/desvio	da	úvula	ocorre	para	o	lado	oposto	à	lesão	do	NC	X.
Toda	lesão	oral	ulcerada	ou	nodular	que	não	cicatriza	em	até	duas	semanas	deve	ser	considerada	suspeita
e	biopsiada.
Diferencie	 leucoplasia	 (não	 removível	 à	 raspagem,	 potencialmente	 pré-maligna)	 de	 candidíase	 oral
(removível	à	raspagem,	deixando	área	hiperemiada).
Rouquidão	 de	 início	 súbito	 sugere	 causa	 funcional/neurológica;	 rouquidão	 progressiva	 e	 persistente
sugere	neoplasia	—	sempre	investigar	se	>	2–3	semanas,	especialmente	em	tabagistas/etilistas.
Estridor	 inspiratório	 localiza	a	obstrução	em	região	 supraglótica/glótica;	 estridor	expiratório,	 em	região
subglótica.
Angioedema	labial	isolado	tem	baixo	risco,	mas	exige	observação	por	risco	de	extensão	para	língua/glote	e
obstrução	de	via	aérea.
Caso	clínico
Vinheta.	J.C.S.,	58	anos,	tabagista	(40	maços-ano)	e	etilista	importante,	procura	atendimento	por	rouquidão
progressiva	há	três	meses,	sem	períodos	de	melhora,	associada	a	odinofagia	leve	e	perda	de	6	kg	no	período.
Nega	 febre.	 Ao	 exame,	 você	 palpa	 um	 linfonodo	 cervical	 único,	 endurecido,	 à	 esquerda.	 À	 laringoscopia
indireta,	observa-se	lesão	irregular	na	prega	vocal	esquerda,	com	mobilidade	reduzida	dessa	prega	durante	a
fonação.
Perguntas.	1.	Qual	característica	da	rouquidão	neste	caso	 já	diferencia	uma	causa	funcional	de	uma	causa
orgânica/neoplásica?	2.	Qual	é	a	hipótese	diagnóstica	mais	importante	a	ser	afastada,	e	quais	achados	do	caso
a	sustentam?	3.	Qual	seria	a	conduta	diagnóstica	de	escolha	para	confirmação?
Gabarito	comentado.	1.	A	rouquidão	progressiva,	fixa	(sem	momentos	de	melhora)	e	prolongada	por	mais	de
duas	a	três	semanas	—	ao	contrário	do	padrão	flutuante	e	ligado	ao	abuso	vocal	das	disfonias	funcionais	—	já
aponta	 para	 uma	 causa	 orgânica.	 2.	 A	 hipótese	mais	 importante	 é	 carcinoma	 de	 laringe	 (especialmente
glótico,	dada	a	localização	na	prega	vocal).	Sustentam	essa	hipótese:	fatores	de	risco	clássicos	(tabagismo	e
etilismo	importantes),	rouquidão	progressiva	e	persistente,	emagrecimento,	adenomegalia	cervical	unilateral
endurecida	 (sugestiva	 de	 metástase	 linfonodal)	 e	 o	 próprio	 achado	 de	 lesão	 irregular	 com	 prejuízo	 de
mobilidade	 da	 prega	 vocal	 (que	 sugere	 invasão	 da	 musculatura,	 não	 apenas	 lesão	 superficial).	 3.	 A
confirmação	exige	biópsia	da	 lesão,	geralmente	por	 laringoscopia	de	suspensão/microcirurgia	de	 laringe	ou
nasofibrolaringoscopia	com	biópsia,	associada	a	estadiamento	por	imagem.
Questões	de	autoavaliação	(com	gabarito)
1.	Diferencie,	do	ponto	de	vista	do	exame	físico,	a	leucoplasia	oral	da	candidíase	oral	(monilíase).
Gabarito:	Ambas	se	apresentam	como	placas	esbranquiçadas	na	mucosa	oral,	mas	a	candidíase	forma
placas	pouco	aderidas,	que	se	destacam	à	raspagem	com	espátula,	deixando	uma	superfície	hiperemiada
(às	vezes	sangrante)	por	baixo	—	e	costuma	indicar	imunossupressão.	A	leucoplasia,	por	outro	lado,	é
uma	placa	persistente,	indolor,	que	não	se	remove	à	raspagem,	sendo	um	diagnóstico	de	exclusão	que
exige	biópsia	para	afastar	carcinoma	espinocelular	inicial,	sobretudo	em	pacientes	acima	de	40	anos.
2.	Um	paciente	com	estridor	apresenta-se	com	 início	do	sintoma	horas	após	extubação	em	UTI,	 sem	 febre.
Que	tipo	de	causa	deve	ser	suspeitada,	e	como	isso	se	diferencia	de	um	estridor	presente	desde	o	nascimento?
Gabarito:	Estridor	de	início	após	intubação	orotraqueal/internação	em	UTI	sugere	estenose	laríngea	ou
subglótica	adquirida	(lesão	cicatricial	pós-intubação).	Já	o	estridor	presente	desde	o	nascimento	ou	nas
primeiras	semanas	de	vida	sugere	malformação	congênita,	como	a	laringomalácia	—	nesta,	é
característica	a	piora	com	esforço	físico,	choro	e	mamadas.
3.	Explique	por	que	a	rouquidão	que	surge	subitamente	após	uma	cirurgia	de	 tireoide	merece	 investigação
direcionada,	e	qual	estrutura	deve	ser	especificamente	avaliada.
Gabarito:	Porque	o	nervo	laríngeo	recorrente,	responsável	pela	inervação	motora	da	maioria	dos
músculos	intrínsecos	da	laringe	(incluindo	os	que	controlam	a	mobilidade	das	pregas	vocais),	tem	trajeto
próximo	à	glândula	tireoide	e	pode	ser	lesado	(por	secção,	tração	ou	compressão)	durante	a
tireoidectomia.	A	investigação	deve	incluir	a	avaliação	da	mobilidade	das	pregas	vocais,	geralmente	por
laringoscopia	(indireta	ou	por	nasofibroscopia).
4.	Por	que	uma	 tonsilite	 viral	 e	uma	 tonsilite	bacteriana	podem	ser	diferenciadas,	 ainda	que	parcialmente,
apenas	pela	inspeção	da	orofaringe?
Gabarito:	Na	tonsilite	viral,	observam-se	tipicamente	apenas	pontos	amarelo-esbranquiçados	sobre
hiperemia	leve	a	moderada;	já	na	tonsilite	bacteriana	(por	exemplo,	estreptocócica),	formam-se	placas	de
exsudato	purulento	mais	espesso,	com	hiperemia	mais	intensa,	frequentemente	acompanhadas	de	febre	e
linfadenopatia	cervical	—	achados	que	reforçam	a	suspeita	bacteriana	e	justificam	teste	rápido	de
antígeno	ou	cultura	de	orofaringe	antes	de	tratamento	antibiótico	empírico.
5.	Pescoço	e	Tireoide
5.1	Anatomia	funcional	essencial
O	 pescoço	 é	 dividido,	 por	 convenção,	 por	 meio	 do	músculo	 esternocleidomastóideo	 (ECM)	 —	 que	 se
origina	no	manúbrio	e	na	clavícula	e	se	insere	na	mastoide	—	em	dois	trígonos:	o	trígono	anterior	(limitado
pela	 mandíbula,	 pela	 linha	 média	 e	 pela	 borda	 anterior	 do	 ECM,	 contendo	 glândulas	 salivares,	 laringe,
tireoide	 e	 os	 linfonodos	 que	 os	 drenam)	 e	 o	 trígono	 posterior	 (limitado	 pelo	 ECM,	 pelo	 trapézio	 e	 pela
clavícula,	contendo	estruturas	musculares	e	linfonodos	que	drenam	o	couro	cabeludo	e	a	região	posterior	da
cabeça).	O	ECM	protege,	em	seu	trajeto	profundo,	a	bainha	carotídea	(carótida	comum,	veia	jugular	interna
e	nervo	vago).
Na	 linha	média,	 em	 sentido	 craniocaudal,	 palpam-se/observam-se:	 o	osso	 hioide,	 a	 cartilagem	 tireóidea
(forma	 o	 "pomo	 de	 adão"),	 a	 cartilagem	 cricoide	 (formato	 anelar)	 e,	 na	 base	 do	 pescoço,	 a	 glândula
tireoide	—	a	maior	glândula	endócrina	do	corpo,	em	formato	de	borboleta	(dois	lobos	unidos	por	um	istmo),
situada	 anteriormente	 à	 traqueia,	 entre	 a	 cartilagem	 cricoide	 e	 a	 fúrcula	 esternal.	 Cirurgicamente,	 os
linfonodos	cervicais	são	classificados	por	níveis	(I:	submentoniano/submandibular;	II	a	IV:	cadeias	jugulares
superior,	média	e	inferior;	V:	trígono	posterior).
5.2	Técnica	de	exame	físico
Pescoço	geral:	inicia-se	pela	inspeção	(posiçãoda	cabeça,	simetria,	cicatrizes,	tumorações,	sinais	flogísticos,
turgência	 jugular)	 seguida	de	palpação	 sistemática	de	 todas	 as	 cadeias	 linfonodais,	mesmo	na	 ausência	 de
queixas.	 A	 inspeção	 e	 palpação	 dinâmicas,	 oferecendo	 um	 copo	 de	 água	 ao	 paciente	 e	 observando	 a
deglutição,	 ajudam	 a	 diferenciar	 estruturas:	 laringe	 e	 tireoide	 se	 elevam	 durante	 a	 deglutição,	 o	 que	 não
ocorre	com	massas	de	outra	origem.
Coluna	 cervical:	 avalia-se	 a	 curvatura	 fisiológica	 (levemente	 lordótica),	 simetria	 da	 musculatura
paraespinhal,	e	a	mobilidade	ativa	e	passiva	nos	quatro	planos	—	flexão	(queixo	ao	esterno,	normal	≥	45°),
extensão	 (~55°),	 rotação	 (queixo	 ao	 ombro,	~70°	para	 cada	 lado)	 e	 inclinação	 lateral	 (orelha	 ao	 ombro,	≥
40°).	A	força	pode	ser	testada	solicitando	esses	movimentos	contra	resistência	aplicada	pelo	examinador.
Grandes	vasos:	palpa-se	o	pulso	carotídeo	na	base	do	pescoço	(afastando	delicadamente	o	ventre	medial	do
ECM);	 redução,	 assimetria	 ou	 frêmito	 sugerem	 aterosclerose,	 compressão	 extrínseca	 ou	 dissecção.	 A	 veia
jugular	externa	é	avaliada	com	o	paciente	a	30°	de	decúbito	dorsal	elevado:	sua	distensão	visível	acima	de
um	plano	traçado	a	partir	do	ângulo	de	Louis	sugere	aumento	da	pressão	venosa	central	(estase	jugular).
Tireoide:	 em	 condições	 normais,	 não	 é	 visível	 nem	 palpável	 (só	 se	 palpa	 quando	 dobra	 de	 tamanho).	 A
inspeção	é	feita	com	luz	tangencial	dirigida	de	baixo	para	cima	a	partir	do	mento,	comparando	os	dois	lados	e
observando	a	elevação	glandular	à	deglutição.	A	palpação	pode	ser	feita	por	acesso	posterior	(examinador
atrás	do	paciente	sentado,	deslocando	a	traqueia	para	um	lado	com	uma	mão	enquanto	a	outra	palpa	o	lobo
contralateral)	ou	por	acesso	anterior	(face	a	face,	usando	os	polegares,	com	leve	flexão	cervical	para	o	lado
examinado	 para	 relaxar	 o	 ECM).	 Avaliam-se	 tamanho,	 forma,	 consistência,	 presença	 de	 nódulos,	 dor	 e
mobilidade	à	deglutição;	 em	caso	de	 suspeita	de	hipervascularização	 (Graves,	Plummer),	 pode-se	 auscultar
sopro	sobre	a	glândula.
Sinal	 de	 Pemberton:	 em	 suspeita	 de	 bócio	mergulhante	 (subesternal),	 pede-se	 ao	 paciente	 que	 eleve	 os
braços	até	tocarem	as	laterais	da	cabeça	e	mantenha	a	posição;	ingurgitamento	facial	e	distensão	das	veias
cervicais	após	alguns	segundos	(sinal	positivo)	indicam	obstrução	do	desfiladeiro	torácico	pela	compressão	do
retorno	venoso.
5.3	Achados	anormais	e	sua	correlação	clínica
Pescoço	—	massas	e	nódulos	cervicais
A	 avaliação	 de	 uma	 massa	 cervical	 deve	 sempre	 considerar	 duração,	 evolução	 (progressiva	 ou	 estável),
flutuação	 de	 tamanho,	 dor,	 sinais	 sistêmicos	 e	 a	 localização	 anatômica,	 que	 orienta	 fortemente	 o
diagnóstico	diferencial:
Linha	 média:	 geralmente	 lesões	 benignas	 —	 cisto	 tireoglosso	 (massa	 cística,	 arredondada,	 que	 se
movimenta	verticalmente	à	protrusão	da	língua,	por	remanescente	do	trajeto	embrionário	de	descida	da
tireoide)	e	cistos	dermoides	(não	se	movem	à	protrusão	lingual).
Regiões	 laterais,	próximas	à	borda	do	ECM:	cistos	de	 fenda	branquial	 (flutuam	de	 tamanho	 com
infecções	de	vias	aéreas,	textura	cística).
Trígono	 anterior:	 linfonodos,	 cistos	 branquiais,	 aneurisma	 de	 carótida	 ou	 tumor	 do	 corpo	 carotídeo
(pulsáteis,	com	frêmito).
Trígono	 posterior:	 linfonodos,	 divertículo	 de	 Zenker	 (pseudodivertículo	 faringoesofágico,	 redutível),
cistos	branquiais,	lesões	parotídeas.
Região	 supraclavicular/base	 do	 pescoço:	 sempre	 suspeitas	 —	 podem	 representar	 metástase	 de
tumores	intratorácicos,	mamários	ou	abdominais.
Higroma	 cístico:	 massa	 móvel,	 cística,	 transiluminável,	 na	 base	 do	 pescoço,	 de	 origem	 linfática
embrionária.
Linfadenite	 (inflamação	 primária	 do	 linfonodo)	 cursa	 com	dor,	 enduração	 fibroelástica	 (não	 pétrea)	 e,	 em
infecções	 bacterianas/fúngicas,	 hiperemia	 e	 flutuação.	 Na	 mononucleose	 e	 síndromes	 "monolike",	 há
linfonodomegalia	cervical	múltipla,	móvel,	sem	hiperemia,	associada	a	fadiga,	febre	e	hepatoesplenomegalia.
O	 escrófulo	 (tuberculose	 ganglionar)	 forma	 linfonodos	 muito	 aumentados,	 com	 poucos	 sinais	 flogísticos,
aderidos	 e	 com	 tendência	 a	 fistulizar,	 drenando	 material	 caseoso	 —	 deve	 levantar	 suspeita	 de
imunossupressão	(HIV).
O	carcinoma	espinocelular	de	cabeça	e	pescoço	(origem	em	cavidade	oral,	orofaringe,	hipofaringe,	laringe)
classicamente	associado	a	tabagismo/etilismo,	tem	incidência	crescente	ligada	ao	HPV-16,	com	apresentação
frequentemente	cística	nas	metástases	linfonodais	—	podendo	ser	confundida	com	lesão	benigna.	Sinais	de
alerta	em	nódulo	cervical	que	exigem	investigação	(mesmo	antes	de	4	semanas	de	evolução):	idade	acima	de
40	anos,	duração	acima	de	2	semanas,	rouquidão	persistente,	disfagia,	trismo	ou	otalgia	associados,	perda	de
peso,	nódulo	aderido,	nódulo	indolor,	crescimento	progressivo	e	lesão	de	mucosa	suspeita	associada.
Tireoide
O	aumento	do	volume	tireoidiano	é	denominado	bócio.	As	principais	etiologias	e	seus	padrões	clínicos	são:
Carência	de	iodo:	aumento	difuso,	hipotireoidismo	por	falta	de	matéria-prima	apesar	do	estímulo	de	TSH
elevado.
Tireoidite	 de	 Hashimoto:	 destruição	 autoimune	 crônica,	 glândula	 endurecida,	 tamanho	 normal	 a
reduzido,	hipotireoidismo	geralmente	sem	aumento	glandular	relevante.
Doença	 de	 Graves:	 autoanticorpos	 estimulam	 o	 receptor	 de	 TSH,	 causando	 hipertrofia	 difusa	 e
hipertireoidismo;	 consistência	 amolecida	 a	 fibroelástica;	 pode	 haver	 sopro	 à	 ausculta	 e	 oftalmopatia
(exoftalmia)	associada.
Doença	de	Plummer	 (nódulo	autônomo):	cerca	de	10%	dos	hipertireoidismos,	nódulo	hiperfuncionante
independente	do	TSH,	glândula	de	dimensões	normais	no	restante.
Neoplasias	 tireoidianas:	 80–90%	 são	 carcinomas	 papilares/foliculares,	 bem	 diferenciados	 e	 de
crescimento	 lento;	 carcinoma	medular	 (5–10%,	 origem	 nas	 células	 C	 produtoras	 de	 calcitonina)	 é	mais
agressivo;	 carcinoma	 anaplásico	 (1–2%)	 é	 um	 dos	 tumores	 mais	 letais,	 de	 crescimento	 rápido.	 A
compressão/invasão	 do	 nervo	 laríngeo	 recorrente	 (trajeto	 próximo	 aos	 lobos	 tireoidianos)	 pode	 causar
disfonia	persistente.
A	tabela	a	seguir	resume	a	diferenciação	clínica	entre	hiper	e	hipotireoidismo:
Sistema Hipertireoidismo Hipotireoidismo
Neuropsíquico Agitação,	insônia,	labilidade	emocional Lentificação,	sonolência,	apatia/depressão,
hiporreflexia
Osteomuscular Tremores,	movimentação	acelerada Fraqueza,	dores	musculares,	lentificação
Cardiovascular Taquicardia,	hipertensão	sistólica Bradicardia,	hipertensão	diastólica
Gastrintestinal Diarreia Constipação
Termorregulação Intolerância	ao	calor,	subfebre Intolerância	ao	frio,	hipotermia	leve
Pele/fâneros Quente	e	sudoreica Fria,	seca,	queda	de	cabelo
Peso Perda	de	peso Ganho	de	peso
Casos	extremos Tempestade	tireotóxica	(arritmias	graves,
hipertermia,	psicose)
Coma	mixedematoso	(hipotermia,
bradiarritmias)
Pontos-chave
Estruturas	cervicais	da	linha	média	(laringe,	tireoide)	elevam-se	à	deglutição	—	teste	dinâmico	essencial
para	diferenciar	massas.
Cisto	 tireoglosso:	 massa	 mediana,	 movimenta-se	 com	 a	 protrusão	 da	 língua.	 Cisto	 de	 fenda	 branquial:
massa	lateral,	próxima	ao	ECM,	flutua	com	infecções.
Localização	anatômica	da	massa	cervical	(linha	média	×	lateral	×	supraclavicular)	é	o	primeiro	passo	do
raciocínio	diagnóstico;	toda	massa	supraclavicular	é	suspeita	até	prova	em	contrário.
Bócio	 difuso	 amolecido	 +	 hipertireoidismo	 +	 exoftalmia	 =	 pensar	 em	 Graves;	 bócio	 endurecido	 +
hipotireoidismo	=	pensar	em	Hashimoto;	nódulo	único	hiperfuncionante	=	Plummer.
Sinais	de	alerta	em	nódulo	cervical	 (idade	>	40	anos,	>	2	semanas,	rouquidão,	disfagia,	perda	de	peso,
nódulo	fixo	e	indolor)	encurtam	o	prazo	de	investigação.
Sinal	de	Pemberton	positivo	sugere	bócio	mergulhante	com	compressão	do	desfiladeiro	torácico.
Caso	clínico
Vinheta.	L.F.A.,	34	anos,	sexo	feminino,	procura	atendimento	por	palpitações,	perda	de	peso

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