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1
Século XVII (Circulação Sanguínia): Em 1628, William Harvey descreveu o sistema circulatório. Isso motivou os primeiros testes documentados por Richard Lower em 1665, que transfundiu sangue entre cães. 
Transfusões Heterólogas: Em 1667, Jean-Baptiste Denis realizou transfusões utilizando sangue de ovelhas em humanos. A prática causou mortes severas por incompatibilidade biológica e acabou proibida por lei em vários países. 
Primeira Transfusão Humana: Em 1818, o obstetra James Blundell realizou a primeira transfusão com sangue humano para conter hemorragias pós-parto. Embora tenha salvado algumas vidas, muitas outras pessoas morriam sem explicação. 
Breve histórico
Apresentar os tres blocos tematicos da aula, cada um com aproximadamente 12 slides de conteudo aprofundado. A logica segue o ciclo do sangue: estrutura organizacional, produtos derivados e logistica de manuseio seguro.
2
1
2. O Período Científico (Século XX)
A virada do século transformou a hemoterapia em uma ciência exata e segura:
O Sistema ABO (1900-1901): O cientista austríaco Karl Landsteiner descobriu que os seres humanos possuem tipos de sangue diferentes e incompatíveis entre si (A, B e O). Isso explicou as mortes do passado e deu origem à medicina transfusional segura
Conservação e Anticoagulantes (1914-1916): A introdução do citrato de sódio impediu que o sangue coagulasse fora do corpo. Isso possibilitou que o sangue fosse coletado, armazenado e transportado, pondo fim à necessidade da transfusão direta "braço a braço". 
Guerras e os Bancos de Sangue (1939-1945): A Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial impulsionaram a criação dos primeiros bancos de sangue de grande escala para tratar os soldados feridos na linha de frente. 
Breve histórico
Apresentar os tres blocos tematicos da aula, cada um com aproximadamente 12 slides de conteudo aprofundado. A logica segue o ciclo do sangue: estrutura organizacional, produtos derivados e logistica de manuseio seguro.
3
Banco de Sangue 
Vs
Agencia Transfusional
Introduzir o primeiro grande bloco tematico: a organizacao completa do sistema de hemoterapia, da captacao do doador ate a agencia transfusional dentro do hospital, incluindo toda a legislacao brasileira aplicavel.
4
Banco de Sangue
Definição
E a unidade que capta, testa, processa, armazena e distribui sangue e hemocomponentes. Pode estar vinculado a um hospital ou funcionar como servico independente (hemocentro).
Realiza a triagem clinica e laboratorial do doador
Executa a coleta (doacao de sangue total ou por aferese)
Processa o sangue total em hemocomponentes
Realiza exames de qualificacao (tipagem, sorologia)
Armazena e distribui para os servicos de saude
Investiga e monitora reações e não conformidades
Hemocentro
Servico coordenador, de maior porte, referencia regional/estadual para a rede de hemoterapia.
Princípio fundamental
A doação de sangue no Brasil e obrigatoriamente voluntaria, altruista e nao remunerada, sendo vedada por lei qualquer forma de comercialização.
2
Enfatizar que o banco de sangue e o elo entre o doador e o paciente, responsavel por todo o ciclo de producao do hemocomponente. Diferenciar hemocentro (unidade coordenadora, maior complexidade) de banco de sangue hospitalar. Reforcar o principio da doacao voluntaria e nao remunerada.
5
Estrutura e funções do Banco de Sangue
Triagem Clinica
Entrevista, avaliacao de aptidao e sinais vitais do candidato a doador.
Coleta
Doacao de sangue total ou por aferese, em ambiente controlado.
Processamento
Fracionamento do sangue total em hemocomponentes por centrifugacao.
Laboratorio de Imuno-hematologia
Tipagem ABO/Rh, pesquisa de anticorpos irregulares.
Triagem Sorologica
Testes para HIV, hepatites B e C, sifilis, Chagas, HTLV.
Estocagem e Distribuicao
Armazenamento controlado e liberacao para transfusao.
3
Percorrer os seis setores tipicos de um banco de sangue, seguindo a ordem cronologica do processo: da triagem do doador ate a liberacao do produto para transfusao. Reforcar que cada etapa tem controles de qualidade proprios.
6
Tipos de doação de sangue
Doação de sangue total
Coleta de cerca de 450 ml de sangue em bolsa unica com anticoagulante
Duracao media de 8 a 10 minutos
Posteriormente fracionado em hemocomponentes no laboratorio (hemacias, plasma, plaquetas)
Intervalo minimo entre doacoes: 60 dias (homens) e 90 dias (mulheres), respeitando o limite anual
Metodo mais comum e de menor custo operacional
Doação por aferese
Sangue e coletado por maquina que separa o componente desejado e devolve o restante ao doador
Permite coleta seletiva: plaquetas, plasma ou hemacias em maior volume
Duracao media de 40 a 90 minutos, conforme o componente
Indicada para doadores de repeticao e situacoes clinicas especificas (ex.: plaquetas para pacientes oncologicos)
Intervalo entre doacoes varia conforme o componente coletado
4
Detalhar as duas modalidades de doacao. A aferese e cada vez mais utilizada por permitir a coleta direcionada de um unico componente em maior quantidade, reduzindo a exposicao do receptor a multiplos doadores.
7
Triagem clínica: critérios de aptidão
A triagem clinica avalia se o candidato pode doar sem risco para sua propria saude e sem colocar em risco a saude do receptor.
Requisitos básicos
Idade entre 16 e 69 anos (menores com autorizacao), peso minimo de 50 kg, bom estado geral de saude.
Obs.: Portaria GM/MS nº 11.685/2026: “doadores regulares poderão continuar doando depois dos 70 anos, desde que sejam clinicamente considerados aptos” 
Sinais vitais
Pressao arterial, pulso, temperatura e nivel de hemoglobina dentro dos parametros de normalidade.
Intervalo entre doações
Minimo de 60 dias para homens (ate 4x/ano) e 90 dias para mulheres (ate 3x/ano).
Impedimentos temporarios
Gripe/resfriado recente, gravidez e pos-parto, tatuagem/piercing (período leva em consideração alguns critérios específicos), uso de alguns medicamentos.
Impedimentos definitivos
Portadores de HIV, hepatites B/C, doenca de Chagas, e comportamentos de risco elevado.
Entrevista confidencial
Questionario reservado que permite ao candidato se autoexcluir sem constrangimento.
5
A triagem clinica e uma barreira de seguranca fundamental, aplicada antes mesmo dos exames laboratoriais. Destacar a importancia da entrevista confidencial, que permite a autoexclusao do doador sem constrangimento, reduzindo o risco de doacoes de pessoas em janela imunologica.
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Exames laboratoriais obrigatórios
Toda unidade de sangue coletada passa obrigatoriamente pelos seguintes exames antes de ser liberada para uso:
Exame
Descricao / marcador pesquisado
Imuno-hematologia
Tipagem ABO e Rh, pesquisa de anticorpos irregulares (PAI)
Hepatite B
HBsAg e Anti-HBc
Hepatite C
Anti-HCV
HIV
Anti-HIV 1 e 2 (e teste de acido nucleico, NAT)
Sifilis
Teste treponemico ou nao treponemico
Doenca de Chagas
Sorologia especifica (obrigatoria em todo o territorio nacional)
HTLV I e II
Sorologia especifica
Revisar a bateria completa de exames de qualificacao do sangue, exigidos pela RDC 34/2014. Reforcar que qualquer resultado reagente ou inconclusivo implica descarte da bolsa e notificacao/aconselhamento do doador, conforme protocolo do servico.
9
Agência Transfusional
Definição
Unidade, geralmente localizada dentro de um hospital, que armazena e distribui hemocomponentes ja processados, realizando os exames pre-transfusionais necessarios antes da transfusao no paciente.
Principais atribuições
Armazenamento adequado de hemocomponentes recebidos do banco de sangue
Realizacao da prova de compatibilidade (prova cruzada)
Liberacao do hemocomponente para a transfusao
Investigacao de reacoes transfusionais
Nao coleta nem processa
A agência transfusional NÃO capta doadores nem processa sangue total: ela recebe hemocomponentes já prontos, testados e rotulados pelo banco de sangue de referencia.
Deve estar localizada em hospitais que realizam transfusao, sob responsabilidade tecnica de profissional habilitado, conformenormas da ANVISA e do Ministerio da Saude.
7
Deixar claro que a agencia transfusional e a 'ponta final' da cadeia, dentro do hospital, responsavel pela seguranca imediata pre-transfusional (prova cruzada) e pelo monitoramento de reacoes adversas. Nao produz hemocomponentes.
10
Banco de Sangue x Agência Transfusional
Característica
Banco de Sangue
Agência Transfusional
Captação de doadores
Sim
Nao
Coleta de sangue total / aferese
Sim
Nao
Processamento em hemocomponentes
Sim
Nao
Triagem sorologica e imuno-hematologica
Sim
Nao (recebe ja testado)
Armazenamento de hemocomponentes
Sim
Sim
Prova de compatibilidade (prova cruzada)
Pode realizar
Sim, obrigatoria
Localização típica
Hemocentro / servico proprio
Dentro do hospital
Usar esta tabela para consolidar a diferenca essencial: o banco de sangue e produtor, a agencia transfusional e consumidora/distribuidora final dentro do hospital.
11
Hierarquia da rede de hemoterapia
1
Hemocentro Coordenador
Referência estadual; define diretrizes tecnicas, treina equipes e coordena toda a rede do estado.
2
Hemocentro Regional
Atende uma macrorregiao, com estrutura completa de coleta, processamento e distribuicao.
3
Nucleo de Hemoterapia / Unidade de Coleta
Capta doadores em regioes especificas, encaminhando o sangue coletado para processamento.
4
Agencia Transfusional
Unidade hospitalar que armazena, realiza prova cruzada e libera hemocomponentes para transfusao.
9
Explicar a estrutura piramidal do sistema: o hemocentro coordenador define as normas e treina, os hemocentros regionais e nucleos captam e processam, e as agencias transfusionais, dentro dos hospitais, sao a ponta final da cadeia junto ao paciente.
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Responsabilidade técnica e equipe
Todo servico de hemoterapia deve ter um responsavel tecnico (RT) formalmente designado, geralmente medico hematologista ou hemoterapeuta, registrado no orgao de classe.
Médico hemoterapeuta
Responsavel tecnico; supervisiona todo o processo e assina laudos criticos.
Enfermeiro
Coordena a equipe de coleta e triagem, supervisiona procedimentos de enfermagem.
Técnico de enfermagem
Realiza a coleta de sangue sob supervisao, cuida do doador durante e apos a doacao.
Biomédico / Bioquimico
Executa e supervisiona os exames laboratoriais de qualificacao do sangue.
Técnico de laboratorio
Realiza tipagem sanguinea, provas de compatibilidade e demais exames de rotina.
Gestor da qualidade
Responsavel pelo sistema de gestao da qualidade e conformidade regulatoria.
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Detalhar a equipe multiprofissional envolvida no servico de hemoterapia. Reforcar que a responsabilidade tecnica e formalmente exigida pela vigilancia sanitaria como condicao para o funcionamento do servico.
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Requisitos estruturais mínimos
Área de triagem e coleta
Ambientes reservados, com privacidade para a entrevista confidencial e conforto para o doador.
Laboratório de processamento
Sala com fluxo unidirecional, centrifugas e equipamentos de fracionamento validados.
Área de armazenamento
Camaras frias, freezers e agitadores de plaquetas exclusivos, com controle continuo de temperatura.
Barreiras de biosseguranca
Fluxo que evita contaminacao cruzada entre areas limpas e sujas, com pontos de lavagem de maos.
A estrutura fisica e um dos itens fiscalizados pela vigilancia sanitaria na concessao da licenca de funcionamento. O fluxo unidirecional evita contaminacao cruzada entre etapas limpas e etapas com material biologico manuseado.
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Hemocomponentes x Hemoderivados
Hemocomponentes
Obtidos por processos físicos simples (centrifugacao/filtracao)
Produzidos no próprio banco de sangue / hemocentro
Ex.: concentrado de hemacias, plasma fresco congelado, concentrado de plaquetas, crioprecipitado
Prazo de validade curto (dias a poucos anos)
Exigem armazenamento sob temperatura rigorosamente controlada
Hemoderivados
Obtidos por processo industrial de fracionamento do plasma
Fabricados por industrias farmacêuticas habilitadas
Ex.: albumina, imunoglobulinas, fatores de coagulacao, complexo protrombinico
Maior estabilidade e prazo de validade mais longo
Classificados e registrados como medicamentos
Esta e a distincao mais cobrada em prova: hemocomponente = processo fisico local; hemoderivado = processo industrial quimico/biotecnologico.
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Hemoderivados
Sao produtos obtidos em escala industrial a partir do fracionamento (separacao quimico-fisica) do plasma humano, envolvendo processos como precipitacao, cromatografia e inativacao viral, realizados por industrias farmaceuticas habilitadas.
Processo industrial
Fabricado em plantas farmaceuticas com tecnologia de fracionamento em larga escala.
Alta estabilidade
Passa por inativacao/eliminacao viral, tem maior prazo de validade e pode ser transportado em temperatura ambiente controlada, em geral.
Registro sanitário
Regulado como medicamento hemoderivado, exige registro na ANVISA.
Explicar que hemoderivados sao juridicamente classificados como medicamentos (nao como hemocomponentes), o que muda todo o regime regulatorio: sao registrados na ANVISA como produtos farmaceuticos e produzidos por industrias.
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Principais hemoderivados
Albumina humana (5% e 20%)
Proteina responsavel pela pressao oncotica do plasma. Reposicao de volume em queimados, cirrose descompensada, paracentese de grande volume e grandes cirurgias.
Imunoglobulina humana normal (IV/SC)
Concentrado de anticorpos (IgG) de milhares de doadores. Usada em imunodeficiencias primarias e doencas autoimunes (ex.: PTI, Guillain-Barre, miastenia gravis).
Imunoglobulina hiperimune anti-Rh
Anticorpos especificos anti-D. Usada na profilaxia da doenca hemolitica perinatal em gestantes Rh negativo.
Cola de fibrina (selante de fibrina)
Combinacao de fibrinogenio e trombina concentrados. Usada como selante cirurgico para hemostasia local.
Detalhar os hemoderivados mais utilizados na pratica clinica geral: albumina e imunoglobulinas. Explicar que a imunoglobulina normal e obtida do 'pool' de plasma de milhares de doadores, concentrando anticorpos contra diversos patogenos comuns na populacao.
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Principais hemoderivados
Fator VIII
Fator de coagulacao concentrado, usado no tratamento e prevencao de sangramentos na Hemofilia A.
Fator IX
Fator de coagulação concentrado, usado no tratamento e prevencao de sangramentos na Hemofilia B.
Complexo protrombinico (CCP)
Contem os fatores II, VII, IX e X. Usado na reversao rapida de anticoagulantes orais e coagulopatias complexas.
Antitrombina III
Inibidor natural da coagulacao. Usado em deficiencias congenitas ou adquiridas, prevenindo tromboses.
Focar nos hemoderivados especificos para coagulopatias. Os fatores VIII e IX sao essenciais no tratamento das hemofilias A e B, disponibilizados gratuitamente pelo SUS a pacientes cadastrados.
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Plasma para Fracionamento Industrial (PFI)
O que e o PFI?
E o plasma excedente da rede publica de hemoterapia (nao utilizado como hemocomponente), congelado e enviado para fracionamento industrial, gerando hemoderivados para uso no SUS.
Fluxo simplificado:
Hemocentros coletam e separam o plasma excedente
Plasma e congelado e enviado a Hemobras ou a industria contratada
Industria realiza o fracionamento e a fabricacao dos hemoderivados
Produtos retornam ao Ministerio da Saude para distribuição gratuita no SUS
Hemobras
Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia, empresa publica vinculada ao Ministerio da Saude, responsavel por internalizar a producao nacional de hemoderivados a partir do plasma público.
Reduz a dependencia de importação e garante soberania nacional na produção de medicamentos derivados do plasma.
Explicar o programa de auto-suficiencia em hemoderivados do Brasil, no qual o plasma coletado pela rede publica do SUS e industrializado pela Hemobras, reduzindo a dependencia de importacao e assegurando acesso gratuito aos pacientes.
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Fracionamento industrial do plasma
1
Coleta do plasma
Plasma excedente de doacoes ou obtido por plasmaferese e congelado (PFI- Plasma para Fracionamento Industrial).
>
2
Envio a industria
O plasma e enviado a uma planta de fracionamento habilitada (ex.: Hemobras).
>
3
Fracionamento
Metodo de Cohn (precipitacao por etanol frio) e/ou cromatografia separam as proteinas plasmaticas.
>
4
Purificacao e inativacao viral
Etapas de nanofiltracao, pasteurizacao ou solvente-detergente eliminam patogenos.
>
5
Envase e registro
Produto e envasado, testado, registrado na ANVISA e distribuido como medicamento.
O metodo de Cohn, desenvolvido na decada de 1940, continua sendo a base do fracionamento industrial, hoje complementado por cromatografia liquida de alta precisao.
Descrever resumidamente o metodo de Cohn (fracionamento por etanol a frio), ainda a base da industria, complementado por cromatografia liquida moderna.
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Indicações terapêuticas dos hemoderivados
Hemoderivado
Principais indicações
Albumina humana 20%
Choque hipovolemico, grandes queimados, paracentese de grande volume, cirrose descompensada
Imunoglobulina humana normal (IV)
Imunodeficiencias primarias, doenças autoimunes (ex.: PTI, Guillain-Barre)
Imunoglobulina anti-Rh
Profilaxia da doença hemolitica perinatal em gestantes Rh negativo
Fator VIII / Fator IX
Hemofilia A e B, respectivamente; controle e prevenção de sangramentos
Complexo protrombinico
Reversão urgente de anticoagulacao (ex.: uso de varfarina) e coagulopatias complexas
Antitrombina III
Deficiência congênita/adquirida, prevenção de tromboembolismo em situações de risco
Revisar rapidamente as indicacoes clinicas mais cobradas em provas. Reforcar que a prescricao de hemoderivados segue protocolos clinicos e diretrizes terapeuticas (PCDT) do Ministerio da Saude.
21
Controle de qualidade e registro sanitario
Por serem classificados como medicamentos, os hemoderivados passam por um regime de controle ainda mais rigoroso que os hemocomponentes.
Registro na ANVISA
Cada lote e produto deve possuir registro sanitario valido, renovado periodicamente, com dossie tecnico completo.
Controle de lote
Testes de identidade, pureza, potencia e esterilidade em cada lote de producao, antes da liberacao.
Inativação viral validada
Processo de eliminação de patogenos validado por estudos de reducao viral (validation studies).
Boas práticas de fabricacao (BPF)
Produção segue normas internacionais de BPF farmaceutica, com auditorias periódicas.
Explicar que o hemoderivado, por ser um medicamento biologico, exige controle de qualidade equivalente ao de qualquer farmaco: identidade, pureza, potencia, esterilidade, alem da validacao especifica de eliminacao viral.
22
Armazenamento e conservação de hemoderivados
Hemoderivado
Condições de armazenamento
Validade típica
Albumina humana
Temperatura ambiente controlada (ate 30 graus C), protegida da luz
Ate 3 anos
Imunoglobulinas
Refrigerado (2-8 graus C) na maioria das formulacoes; algumas toleram temperatura ambiente
1 a 2 anos
Fator VIII / IX (liofilizado)
Refrigerado ou temperatura ambiente controlada, conforme bula
2 anos
Complexo protrombinico
Refrigerado (2-8 graus C)
2 a 3 anos
Sempre verificar a bula do fabricante: condicoes podem variar entre marcas e formulações do mesmo hemoderivado.
Diferentemente dos hemocomponentes, muitos hemoderivados podem ser mantidos em temperatura ambiente controlada, o que facilita a logistica, mas os prazos e condicoes especificos variam por fabricante e formulacao, sendo indispensavel consultar a bula.
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Hemoderivados no SUS: acesso e distribuicao
Prescrição e protocolo
Médico prescreve conforme Protocolo Clinico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde.
Cadastro do paciente
Pacientes crônicos (ex.: hemofilicos) sao cadastrados em sistemas como o Hemovida/Hemobras.
Distribuição regulada
Componentes sao distribuidos pelos hemocentros estaduais aos servicos de referencia em coagulopatias.
Acesso gratuito
Todo o processo e gratuito ao paciente, financiado integralmente pelo SUS.
O Brasil e um dos poucos países do mundo a garantir acesso universal e gratuito a hemoderivados pelo sistema público de saúde.
Encerrar o topico de hemoderivados destacando o papel social do SUS na garantia de acesso gratuito e universal a esses medicamentos de alto custo, especialmente relevante para pacientes com hemofilia e outras coagulopatias cronicas.
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Reações adversas e farmacovigilância
Reações alergicas
Urticária, prurido e, raramente, anafilaxia, mais comuns com imunoglobulinas.
Reações febris
Calafrios e febre durante ou após a infusao, geralmente autolimitadas.
Eventos trombóticos
Risco associado principalmente ao complexo protrombinico em altas doses.
Notificação obrigatória
Todo evento adverso grave deve ser notificado ao sistema de farmacovigilancia (VigiMed/ANVISA).
A farmacovigilancia de hemoderivados segue a mesma logica da hemovigilancia: identificar, notificar, investigar e implementar acoes corretivas, garantindo a melhoria continua da seguranca do produto.
Assim como os hemocomponentes tem a hemovigilancia, os hemoderivados (por serem medicamentos) sao acompanhados pelo sistema de farmacovigilancia da ANVISA. Reforcar a importancia da notificacao de eventos adversos para a seguranca continua do paciente.
25
Recepção, Transporte e
Acondicionamento de Hemocomponentes
Introduzir a importancia da logistica: um hemocomponente perfeitamente produzido pode se tornar inutilizavel ou perigoso se a temperatura for rompida durante o transporte ou armazenamento.
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Recepção de hemocomponentes
Todo hemocomponente recebido pela agência transfusional deve ser conferido antes de ser aceito e armazenado. A conferência protege o paciente contra erros de identificação e produtos fora de especificação.
Identificação do rótulo
Tipo sanguineo, número da doação, tipo de componente e data de coleta.
Temperatura de transporte
Verificar se a caixa/termobox manteve a faixa exigida durante o trajeto.
Integridade da bolsa
Ausência de vazamentos, hemólise visivel, coágulos ou alteração de cor.
Prazo de validade
Confirmar que o hemocomponente não esta vencido ou próximo do limite.
Documentação
Conferir guia de transporte/remessa e resultados dos exames de qualificacao.
Não conformidades
Produtos fora dos critérios são rejeitados e devolvidos, com registro formal.
Reforcar que a recepcao e uma barreira de seguranca: nenhum hemocomponente deve ser armazenado sem essa conferencia.
27
Documentação exigida na recepção
A rastreabilidade documental e tao importante quanto a conferencia fisica da bolsa. Nenhum hemocomponente deve ser aceito sem os documentos correspondentes.
Guia de remessa/transporte
Documento que acompanha a bolsa, com origem, destino, tipo de componente e responsavel pelo envio.
Laudo de exames de qualificação
Comprova resultados negativos/nao reagentes para os marcadores infecciosos obrigatorios.
Registro de temperatura do transporte
Planilha ou dispositivo eletrônico (data logger) que comprova a manutencao da cadeia de frio.
Termo de conferência na recepção
Assinado pelo profissional responsavel, formalizando a aceitacao do produto.
Detalhar os documentos que obrigatoriamente acompanham a remessa. Reforcar que a ausencia de qualquer um deles e motivo de nao aceitacao do produto ate a regularizacao.
28
Nao conformidades: identificação e conduta
1. Identificar
Detectar a nao conformidade durante a conferencia (temperatura, integridade, documentacao ou prazo).
>
2. Isolar
Segregar imediatamente o produto suspeito, sinalizado, sem contato com o estoque regular.
>
3. Registrar
Documentar formalmente a ocorrencia, com data, responsavel e descricao detalhada do problema.
>
4. Comunicar
Notificar o banco de sangue de origem e, se aplicavel, a vigilancia sanitaria.
>
5. Descartar ou devolver
Produto e descartado conforme protocolo de residuos ou devolvido ao servico de origem.
Apresentar o fluxo padrao diante de uma nao conformidade na recepcao. Reforcar que o produto nunca deve ser utilizado 'na duvida' - aseguranca do paciente sempre prevalece sobre a economia de um hemocomponente.
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Transporte: requisitos da embalagem
Requisitos gerais
Caixas térmicas (isopor ou termobox) validadas, que mantenham a temperatura exigida durante todo o trajeto
Uso de gelo reciclável ou gelo seco conforme o tipo de hemocomponente, sem contato direto com a bolsa
Termômetro ou indicador de temperatura acompanhando a remessa
Bolsas acondicionadas de forma a evitar choques, dobras e compressao
Lacre de seguranca e identificação externa da caixa
Validação da embalagem
Testes de qualificacao termica: a caixa deve manter a faixa exigida por tempo superior ao trajeto previsto
Validação sazonal (verão/inverno), pois a temperatura externa influencia o desempenho
Identificacao do numero de licenca/lote da embalagem termica
Revalidacao periodica conforme cronograma do servico de qualidade
Documentacao de toda validacao arquivada para a auditoria
Alem dos requisitos basicos da embalagem, e essencial que as caixas termicas sejam validadas: testadas para garantir que mantenham a temperatura correta por tempo superior ao maior trajeto previsto, inclusive em condicoes climaticas extremas.
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Cuidados durante o trajeto
Tempo mínimo
O tempo de transporte deve ser o menor possivel, evitando exposicao prolongada a variacoes termicas.
Proteção térmica
Evitar exposição direta ao sol e a fontes de calor (motor do veículo, porta-malas aquecido).
Plaquetas: cuidado especial
Concentrado de plaquetas nunca deve ser refrigerado nem exposto a gelo, sob risco de perda funcional.
Veículo dedicado
Compartimento exclusivo para produtos biologicos, identificado e higienizavel.
Portador treinado
Motorista/portador capacitado para procedimentos em caso de acidente ou vazamento de material biologico.
Registro de horários
Anotação do horário de saida e chegada, com identificacao do responsavel pelo transporte.
Detalhar os cuidados praticos durante o deslocamento. Destacar a peculiaridade das plaquetas, que exigem temperatura ambiente controlada e nunca podem ser refrigeradas, pois o frio compromete sua funcao hemostatica.
31
Temperaturas por tipo de hemocomponente
Hemocomponente
Temperatura de armazenamento
Validade aproximada
Concentrado de hemacias
2 a 6 graus C
Ate 35-42 dias (conforme solucao aditiva)
Plasma fresco congelado
-18 graus C ou inferior (ideal -25 graus C)
Ate 12 meses (ou 24 meses a -25 graus C)
Concentrado de plaquetas
20 a 24 graus C, sob agitacao continua
Até 7 dias**
Crioprecipitado
-18 graus C ou inferior
Até 12 meses
Sangue total (raro em uso)
2 a 6 graus C
Até 35 dias
Valores de referência; prazos podem variar conforme solução anticoagulante/aditiva e normas do serviço de hemoterapia.
**Quando adotadas as medidas de controle de qualidade adequadas.
Esta tabela costuma ser a mais cobrada em avaliacoes praticas. Enfatizar: hemacias refrigeradas, plasma e crio congelados, plaquetas em temperatura ambiente com agitacao constante.
32
Acondicionamento e armazenamento
Refrigeradores de hemácias
Equipamentos exclusivos (nunca domésticos), com registro continuo de temperatura, alarme sonoro e gerador de emergência.
Freezers para plasma/crio
Congeladores que atingem e mantem -18 graus C ou menos, com monitoramento continuo.
Agitadores de plaquetas
Mantém plaquetas em movimento contínuo a 20-24 graus °C para preservar a funcao hemostatica.
Monitoramento e registro
Gráfico/planilha de temperatura mínimo 2x ao dia, com plano de contingência para falhas.
Detalhar que equipamentos de armazenamento de hemocomponentes sao exclusivos e validados - nunca geladeiras ou freezers domesticos, pois nao garantem uniformidade de temperatura nem possuem alarmes e registradores adequados.
33
Hemovigilância - Monitoramento de temperatura e registro
Leitura periódica
Registro manual da temperatura no mínimo duas vezes ao dia (manhã e tarde), em todos os equipamentos.
Registradores contínuos (data loggers)
Dispositivos eletrônicos que gravam a temperatura em intervalos curtos, gerando graficos e alertas automaticos.
Alarmes sonoros e visuais
Disparados automaticamente quando a temperatura sai da faixa segura, permitindo intervencao imediata.
Arquivamento dos registros
Planilhas e gráficos devem ser arquivados e disponibilizados para auditorias da vigilancia sanitaria.
O monitoramento continuo, cada vez mais feito por data loggers eletronicos, permite deteccao imediata de falhas e substitui gradualmente o registro manual, reduzindo erro humano e aumentando a rastreabilidade.
34
“Cadeia de frio”: por que é crítica?
A cadeia de frio é o conjunto de processos que garante que o hemocomponente permaneca dentro da faixa de temperatura ideal desde a coleta até a transfusão. Qualquer ruptura pode comprometer a seguranca e a eficácia do produto.
Hemólise
Temperaturas fora da faixa podem romper hemacias, liberando hemoglobina livre e causando reações graves.
Crescimento bacteriano
Temperaturas inadequadas favorecem a proliferação de microrganismos na bolsa.
Perda do produto
Rompimento da cadeia de frio geralmente implica descarte do hemocomponente, gerando desperdicio.
Rastreabilidade
Registros continuos permitem identificar, isolar e investigar qualquer falha rapidamente.
Conectar a cadeia de frio a seguranca transfusional. Se possivel, trazer um caso hipotetico: uma bolsa de hemacias que passou 2 horas fora da geladeira - o que deve ser feito?
35
Hemovigilânica - Plano de contingencia para falhas
Todo serviço de hemoterapia deve possuir um plano formal de contingência para falhas de energia ou de equipamentos de armazenamento.
Detecção
Alarme do equipamento ou rondas periodicas identificam a falha de temperatura.
>
Transferência
Hemocomponentes sao rapidamente transferidos para equipamento reserva ou servico parceiro.
>
Gerador de emergencia
Equipamentos criticos devem estar ligados a gerador ou nobreak para falhas de energia eletrica.
>
Registro do incidente
Toda ocorrência e documentada, incluindo tempo de exposicao e produtos afetados.
>
Avaliação e decisão
Equipe tecnica avalia se os produtos ainda podem ser utilizados ou devem ser descartados.
Encerrar o topico com o plano de contingencia, essencial para situacoes reais de falha de energia ou de equipamento. Destacar a importancia de geradores de emergencia e de uma rotina clara de decisao sobre o aproveitamento ou descarte dos produtos afetados.
36
Transporte de hemoderivados: diferencas
Por serem medicamentos industrializados e mais estáveis, os hemoderivados tem logistica de transporte mais flexivel que os hemocomponentes.
Hemocomponentes
Cadeia de frio continua e obrigatoria (2-6C ou congelado)
Transporte urgente, geralmente em ate poucas horas
Sensibilidade extrema a variações de temperatura
Logística dedicada e frequente entre servicos
Hemoderivados
Muitos toleram temperatura ambiente controlada (ate 30 °C)
Transporte por transportadoras farmacêuticas convencionais
Maior estabilidade permite estoque estrategico e planejamento
Segue as normas de transporte de medicamentos (RDC especifica)
Comparar a logistica dos dois grupos: hemocomponentes exigem cadeia de frio continua e transporte urgente, enquanto muitos hemoderivados, por sua estabilidade, seguem a logistica farmaceutica convencional, com mais flexibilidade de estoque.
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Manuseio de Hemocomponentes
e Hemoderivados
Encerrar a aula reforcando a relevancia social do tema: cada doacao voluntaria pode ser fracionada em diferentes hemocomponentes e beneficiar varios pacientes. Abrir espaco para perguntas.
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Boas práticas pré-transfusionais
O período entre a retirada do hemocomponente do estoque e o início da transfusão é um dos mais críticos para a segurança do paciente.
Dupla checagem
Dois profissionais conferem juntos os dados do paciente (nome, registro) e do rótulo do hemocomponente antes da instalação.
Retirada na hora certa
O hemocomponente só deve sair do equipamento de armazenamento imediatamente antes douso.
Tempo máximo fora do frio
Uma vez retirado, o concentrado de hemácias deve ser transfundido em até 30 minutos.
Inspeção visual
Verificar novamente cor, integridade da bolsa e ausência de coágulos, mesmo já conferido na recepção.
Equipo com filtro
Uso de equipo padrão com filtro (170-260 micra), que retém microagregados e coágulos.
Velocidade de infusão
Ajustada conforme o componente e a condição clínica do paciente (ex.: 1 a 2 horas para hemácias).
Detalhar que equipamentos de armazenamento de hemocomponentes sao exclusivos e validados - nunca geladeiras ou freezers domesticos, pois nao garantem uniformidade de temperatura nem possuem alarmes e registradores adequados.
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Descongelamento de plasma e crioprecipitado
Orientação técnica
Método
Banho-maria a 37°C (ou descongelador de plasma validado), bolsa protegida em saco plástico
Tempo médio
30 a 40 minutos, com agitação esporádica até completo descongelamento
Proibido
Nunca descongelar em micro-ondas: risco de superaquecimento, desnaturação de proteínas e ruptura da bolsa
Uso após descongelar (plasma)
Transfundir imediatamente; se não for possível, manter refrigerado (2-6°C) e usar em até 24 horas
Uso após descongelar (crioprecipitado)
Transfundir em até 4 a 6 horas; mais lábil que o plasma
Recongelamento
Nunca recongelar um componente já descongelado
Detalhar que equipamentos de armazenamento de hemocomponentes sao exclusivos e validados - nunca geladeiras ou freezers domesticos, pois nao garantem uniformidade de temperatura nem possuem alarmes e registradores adequados.
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Aquecimento de hemocomponentes
O aquecimento NÃO é uma prática de rotina — é indicado apenas em situações clínicas específicas, sempre com equipamento validado.
Transfusão maciça ou rápida
Grandes volumes em curto tempo aumentam o risco de hipotermia, arritmias e coagulopatia.
Exsanguineotransfusão neonatal
Recém-nascidos têm maior risco de hipotermia e suas complicações durante a troca de sangue.
Pacientes com crioaglutininas
Anticorpos que se ligam às hemácias em baixas temperaturas, causando aglutinação e hemólise.
Somente equipamento validado
Aquecedores de sangue próprios, com controle de temperatura — nunca micro-ondas, torneira de água quente ou improviso.
Detalhar que equipamentos de armazenamento de hemocomponentes sao exclusivos e validados - nunca geladeiras ou freezers domesticos, pois nao garantem uniformidade de temperatura nem possuem alarmes e registradores adequados.
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Transfusão maciça e componentes especiais
Transfusão maciça
Definição: mais de 10 concentrados de hemácias em 24h, ou mais de 4 em 1 hora
Comum em trauma grave, cirurgia cardíaca e hemorragia obstétrica
Protocolo padrão: liberação ágil de múltiplas unidades, priorização de estoque, comunicação direta com a equipe assistencial
liberação de O negativo sem prova cruzada completa em urgência.
Componentes especiais
Irradiados: previnem doença do enxerto contra o hospedeiro em pacientes imunossuprimidos
Lavados: removem o plasma; indicados em deficiência de IgA ou histórico de reação alérgica grave
Leucorreduzidos: reduzem reação febril não hemolítica e risco de aloimunização
Detalhar que equipamentos de armazenamento de hemocomponentes sao exclusivos e validados - nunca geladeiras ou freezers domesticos, pois nao garantem uniformidade de temperatura nem possuem alarmes e registradores adequados.
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Registro e rastreabilidade do Banco de Sangue
Registro do banco de sangue
Ficha do doador, resultados dos exames de qualificação, número da doação e data/hora de liberação e distribuição da bolsa devem ser mantidos e disponíveis para auditoria.
Rastreabilidade
Cada unidade deve poder ser rastreada do doador até o receptor, e vice-versa, permitindo identificar rapidamente todas as bolsas de um mesmo doador em caso de investigação.
Descarte de resíduos
Tubos de coleta, agulhas de doação, sobras de processamento e amostras de controle de qualidade geram resíduo infectante (Grupo A) e perfurocortante (Grupo E), com descarte segregado na origem.
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Biossegurança e precauções padrão
Em caso de acidente
Nunca reencapar agulhas; descarte imediato em coletor perfurocortante
Lavar o local exposto com água e sabão (mucosas: água em abundância)
Notificar imediatamente a chefia e o serviço de saúde ocupacional
Avaliação médica para eventual profilaxia pós-exposição
Todo hemocomponente e hemoderivado deve ser tratado como material potencialmente infectante, independentemente dos exames realizados.
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Fonte: Gerado por Gemini (Google, modelo Gemini 1.5 Pro)
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Fonte: https://hemocentrocatalao.wordpress.com/ciclo-do-sangue/
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Controle de 
Qualidade 
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Todo serviço de hemoterapia que produza hemocomponentes deve realizar controle de qualidade sistemático de todos os tipos produzidos, em laboratório específico para esta finalidade, com protocolos escritos definindo o tipo de controle, a amostragem e os parâmetros mínimos exigidos.
Base legal
RDC ANVISA n. 34/2014, Artigos 63 a 69 — Seção específica de controle de qualidade dos hemocomponentes.
Onde é realizado
Laboratório específico de controle de qualidade, distinto do laboratório de processamento e da triagem sorológica.
Periodicidade
Amostragem mensal, definida em protocolo escrito, proporcional ao volume de produção do serviço.
Registro e revisão
Resultados devem ser sistematicamente analisados, revisados e arquivados, com ações corretivas para não conformidades.
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Amostragem mínima por hemocomponente
Hemocomponente
Amostragem mínima
Observação
Concentrado de hemácias
1% da produção ou 10 unidades/mês (o que for maior)
Amostras individuais
Concentrado de plaquetas (sangue total)
1% da produção ou 10 unidades/mês (o que for maior)
Amostras individuais
Plasma e crioprecipitado
1% da produção ou 4 unidades/mês (o que for maior)
Individuais ou agrupadas (até 30 dias de armazenamento)
Volume do sangue coletado (todos os componentes)
100% da produção
Exceção à amostragem — avaliado em toda unidade produzida
Em plaquetas: testar contaminação microbiológica
Recomendado 100% da produção
Maior risco pelo armazenamento em temperatura ambiente
Quantas bolsas precisa testar para saber se a produção do mês está dentro do padrão?
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Parâmetros: concentrado de hemácias
Parâmetro
Valor de referência
Hematócrito
65% a 80% (solução CPDA-1) ou 50% a 70% (soluções aditivas)
Hemoglobinatotal
Maior que 45g por unidade
Hemólise
Menor que 0,8%
Leucócitos (se desleucocitado)
Menor que 5 x 10 leucócitos por unidade
6
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Parâmetros: concentrado de plaquetas
Parâmetro
Valor de referência
Contagem (sangue total)
Maior ou igual a 5,5 x 10 plaquetas/bolsa, em pelo menos 75% das unidades avaliadas, no último dia de armazenamento
Contagem (aférese)
Maior ou igual a 3 x 10 plaquetas por unidade
Volume mínimo
40 mL de plasma ou solução aditiva para cada 5,5 x 10 plaquetas
pH
≥ 6,4 é medido obrigatoriamente no último dia de validade da bolsa (no 3º ou 5º dia após a coleta) durante os testes de controle de qualidade rotineiros.
Leucócitos (se desleucocitado)
Menor que 5 x 10 por pool ou 0,83 x 10 por unidade simples
Testar contaminação microbiológica
Avaliação recomendada em 100% da produção, pelo maior risco de crescimento bacteriano em temperatura ambiente
10
11
10
6
6
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Parâmetros: plasma e crioprecipitado
Parâmetro
Critério
Volume
Avaliado em 100% das unidades produzidas (única exceção à amostragem por porcentagem)
Fator VIII:C, Fator V ou TTPa
Ao menos um destes parâmetros deve ser avaliado no plasma, conforme protocolo do serviço; obrigatório quando o plasma se destina à produção de crioprecipitado
Fator VIII (crioprecipitado)
Dosagem para garantir teor mínimo do fator, já que é o principal componente terapêutico do crioprecipitado
Amostragem
Amostras individuais ou agrupadas, desde que de unidades com até 30 dias de armazenamento
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Critérios de conformidade e ação corretiva
Percentual mínimo de conformidade
Regra geral: maior ou igual a 75% de conformidade em cada item avaliado
Exceção 1: concentrado de plaquetas por aférese — maior ou igual a 90%
Exceção 2: contagem de leucócitos em componentes desleucocitados — maior ou igual a 90%
Diante de não conformidade
Resultados fora do padrão exigem investigação da causa provável
Toda contaminação microbiológica positiva deve ser investigada individualmente
Ações corretivas e preventivas devem ser implementadas e documentadas
Registros do controle de qualidade devem ser mantidos para auditoria da vigilância sanitária
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Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ)
RDC ANVISA 34/2014, Art. 9º: todo serviço de hemoterapia que realize atividades do ciclo do sangue deve ter um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) implementado.
Estrutura organizacional
Definição clara de estrutura e responsabilidades de cada função dentro do serviço.
Padronização de processos
Todos os processos e procedimentos devem ser padronizados por escrito (POPs).
Tratamento de não conformidades
Adoção de medidas corretivas e preventivas diante de qualquer desvio identificado.
Qualificação de fornecedores
Insumos, produtos, serviços e fornecedores devem ser qualificados antes do uso.
Validação de processos críticos
Processos críticos exigem validação antes de entrar em uso, e revalidação sempre que forem alterados.
Melhoria contínua
O SGQ existe para garantir e comprovar, de forma sistemática, a qualidade do produto final.
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O que é um POP e para que serve
Definição
Procedimento Operacional Padrão (POP) é um documento escrito, aprovado e padronizado, que descreve passo a passo como executar uma atividade específica dentro do serviço de hemoterapia.
Por que existe:
Reduz a variabilidade entre diferentes profissionais e turnos
Garante rastreabilidade de como cada etapa foi executada
Serve de base objetiva para treinamento de novos colaboradores
É o padrão contra o qual a auditoria interna compara a prática real
Estrutura típica de um POP
Objetivo do procedimento
Campo de aplicação (quem deve seguir)
Definições e siglas utilizadas
Descrição do procedimento, passo a passo
Referências e base legal (ex.: RDC 34/2014)
Responsáveis pela elaboração e aprovação
Histórico de revisões e datas de validade
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Áreas do banco de sangue que exigem POPs
Triagem clínica e coleta
Critérios de aptidão, entrevista confidencial, técnica de coleta e cuidados com o doador.
Processamento e fracionamento
Centrifugação, extração de plasma, tempos e temperaturas de cada etapa.
Controle de qualidade
Amostragem, parâmetros avaliados e critérios de conformidade de cada hemocomponente.
Armazenamento e cadeia de frio
Faixas de temperatura, monitoramento e conduta diante de falhas de equipamento.
Limpeza, desinfecção e manutenção
Rotina de higienização de áreas e calibração/manutenção preventiva de equipamentos.
Gerenciamento de resíduos
Segregação, acondicionamento e descarte de resíduos infectantes e perfurocortantes.
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Auditoria interna: conceito e ciclo
Avaliação sistemática e independente, realizada pelo próprio serviço, para verificar se a prática real está de acordo com os POPs e com a legislação vigente.
1
1. Planejamento
Cronograma anual de auditorias, definindo áreas, datas e auditores responsáveis.
>
2
2. Execução
Verificação in loco: observação da prática, entrevistas com a equipe e conferência de registros.
>
3
3. Relatório de achados
Documentação das conformidades e não conformidades encontradas durante a auditoria.
>
4
4. Plano de ação corretiva
Definição de responsáveis e prazos para corrigir cada não conformidade identificada.
>
5
5. Verificação de eficácia
Reavaliação posterior para confirmar que a ação corretiva realmente resolveu o problema.
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Avaliação externa da qualidade: nova exigência
Portaria GM/MS nº 11.685/2026, Art. 43-C: o programa de avaliação externa da qualidade em sorologia, imuno-hematologia e controle de qualidade de hemocomponentes passa a ser regulamentado em anexo específico (Anexo IV-D), tornando-se exigência formal para os serviços de hemoterapia.
O que é
Diferente da auditoria interna, é uma comparação dos resultados do serviço com os de outros laboratórios/serviços do país, feita por entidade externa.
O que cobre
Sorologia (triagem de doenças infecciosas), imuno-hematologia (tipagem e provas de compatibilidade) e controle de qualidade de hemocomponentes.
Por que importa
Garante que os resultados de um serviço sejam comparáveis e confiáveis em relação ao padrão nacional, reduzindo variabilidade entre laboratórios.
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A excelência no ciclo hemoterápico não é apenas cumprimento de protocolo, é a garantia que o paciente receberá uma doação segura que pode salvar a sua vida. A nossa responsabilidade é garantir a proteção da vida de quem mais precisa!
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