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HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (ATS ll - Cardiologia – 2ª AF) THALLYS NOVAIS – MEDICINA CESMAC INTRODUÇÃO A HAS é uma doença crônica, não transmissível, sendo definida por níveis pressóricos, em que os benefícios do tratamento (não medicamentoso e/ou medicamentoso) superam os riscos. Trata-se de uma condição multifatorial, que depende de fatores genéticos/epigenéticos, ambientais e sociais. É caracterizada por elevação persistente da PA, ou seja, PA sistólica maior ou igual a 140 mmHg e/ou PA diastólica maior ou igual a 90mmHg, medida com a técnica correta, em pelo menos duas ocasiões diferentes, na ausência de medicação anti-hipertensiva. Ou, de maneira mais assertiva, realiza-se o diagnóstico com medidas fora do consultório (MAPA ou MRPA). Por se tratar de condição frequentemente assintomática, a HAS costuma evoluir com alterações estruturais e/ou funcionais em órgãos-alvo, como coração, cérebro, rins e vasos – cardiopatia isquêmica, AVE, DRC e mortalidade precoce. MEDIDA DA PRESSÃO ARTERIAL Para uma adequada medida da PA é necessário considerar alguns fatores: • Equipamentos calibrados • Manguito adequado de acordo com o tamanho • Procedimento para a medida • Orientações ao paciente Observações: 1. PA deve ser medida 2 a 3 vezes; 2. Paciente sentado: braço direito e braço esquerdo; 3. Paciente deitado: qualquer braço, preferencialmente o esquerdo. Três medidas de PA devem ser realizadas, com intervalo de 1 a 2 minutos (se for no mesmo membro); e medidas adicionais somente se as duas primeiras leituras diferirem em > 10 mmHg. Registre em prontuário a média das duas últimas leituras da PA, sem “arredondamentos” e o braço em que a PA foi medida. Em pacientes que já fazem uso de medicação anti-hipertensiva mas que não tenha tomado no dia da consulta, é necessário que ele tome imediatamente e seja aguardado um período de cerca de 30 minutos para aferir a pressão. Obs: Caso ocorra uma diferença > 15 mmHg da PAS entre os braços, há o aumento do risco CV, o qual pode estar relacionado com a doença vascular ateromatosa. Além disso, a hipotensão ortostática é definida como uma redução na PAS ≥ 20 mmHg ou na PAD ≥ 10 mmHg dentro do 3º minuto em pé e está associada a um risco aumentado de mortalidade e eventos cardiovasculares. CLASSIFICAÇÃO DA PA (DBHA 2020) PRESSÃO ARTERIAL E DANO VASCULAR INFLAMAÇÃO E DISFUNÇÃO ENDOTELIAL A instalação de um processo inflamatório crônico em pacientes com HAS pelo aumento da produção de citocinas pró-inflamatórias reduz a produção de óxido nítrico e aumenta a sua degradação, o que provoca o aumento do tônus do músculo liso vascular, induz a proliferação de células musculares lisas da camada média e aumenta a permeabilidade do endotélio. Isso facilita a passagem de lipoproteínas (LD) para o espaço subendotelial, que parece ser o evento inicial do desenvolvimento da aterosclerose. RIGIDEZ ARTERIAL O aumento sustentado da PA é um gatilho para o desenvolvimento da hipertrofia da camada média da parede arterial, por promover alterações quantitativas e qualitativas de seus componentes (elastina, colágeno e células musculares lisas) que levam a adaptações mecânicas. Portanto, a HA acelera o envelhecimento vascular, uma resposta mecanobiológica local ao aumento de estresse induzido pelo aumento da PA e, consequentemente, da rigidez arterial. FATORES DE RISCO • Sexo masculino • Idade: homens a partir de 55 anos ou mulheres a partir de 65 anos – o envelhecimento provoca enrijecimento progressivo e perda de complacência arterial; • História de DCV prematura em parentes de 1º grau o Homens < 55 anos ou mulheres < 65 anos • Tabagismo • Dislipidemia o Colesterol total > 190 mg/dl e/ou o LDL > 115mg/dl o HDL < 40 nos homens ou < 46 nas mulheres e/ou o Triglicerídeos > 150 mg/dl • Resistência à insulina • Obesidade o IMC ≥ 30 kg/m² o CA ≥ 102 cm (H) e ≥ 88 cm (M) HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (ATS ll - Cardiologia – 2ª AF) THALLYS NOVAIS – MEDICINA CESMAC ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO LESÃO DE ÓRGÃO ALVO HIPERTROFIA DO VE • Índice de Sokolow-Lyon o V1 e V6 o SV1 + RV6 ou RV5 ≥ 35 mm ▪ V6 ou V5, o que for maior. • Índice de Cornell o AVL e V3 o RVL + SV3 ≥ 20 mm (M) ou 28mm (H) Caso os índices sejam sugestivos de HVE, deve ser feito o ecocardiograma para fechamento do diagnóstico. ÍNDICE TORNOZELO-BRAQUIAL O ITB é a razão entre a pressão sistólica no tornozelo e no braço e é considerado um marcador de rigidez arterial em pacientes sem doença arterial periférica. Ele reclassifica a categoria de risco CV e modifica a terapêutica em 19% dos homens e 36% das mulheres, sendo um preditor de risco cardiovascular. ITB ≤ 0,9 → 2x mortalidade idade-ajustada em 10 anos, mortalidade CV e maior taxa de eventos coronarianos VELOCIDADE DE ONDA DE PULSO (VOP) O VOP é o padrão-ouro para avaliar a rigidez arterial. EXAMES DE ROTINA PARA TODO HIPERTENSO – DIRETRIZ AMERICANA • Hemograma • Glicose • Creatinina e TFG estimada • Sódio • Potássio • Cálcio • TSH • Perfil lipídico • EAS • ECG *Ácido úrico sérico, relação albumina-creatinina em amostra urinária e o ECG ficaram como “opcionais”. Obs: Tanto a HA sistólica isolada quanto a HA diastólica isolada apresentam maior prevalência de HA do avental branco (HAB). MAPA – o paciente é monitorado em casa durante 24 horas, sendo anotada do valor da pressão ao sinal do aparelho e o que estava fazendo no momento. A pressão é verificada a cada 20 minutos durante o dia e a cada 30 minutos durante a noite. MRPA – o paciente leva o aparelho medidor para casa e afere a PA 3x de manhã, 3x a tarde e 3x à noite. AMPA – o paciente verifica a pressão com o próprio aparelho seguindo o mesmo esquema do MRPA ou afere a pressão após as 3 refeições principais. TRIAGEM E DIAGNÓSTICO DE HA A avaliação inicial de um paciente com hipertensão arterial (HA) inclui a confirmação do diagnóstico, a suspeita e a identificação de causa secundária, além da avaliação do risco cardiovascular (CV). As lesões de órgão-alvo (LOA) e as doenças associadas também devem ser investigadas. HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (ATS ll - Cardiologia – 2ª AF) THALLYS NOVAIS – MEDICINA CESMAC VALORES PRESSÓRICOS DE REFERÊNCIA: MAPA E MRPA TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO O tratamento não medicamentoso inclui basicamente as orientações de hábitos de vida e alimentação, como: • Dieta: aumentar ingestão de frutas, vegetais, laticínios, desnatados e grãos. Reduzir gorduras saturadas. • Perda de peso • Restrição de sódio • Aumentar ingestão de potássio • Atividade física • Redução do consumo do álcool: < 2 drinks/dia no homem e 1 drink/dia na mulher; • Parada do tabagismo PA elevada, tabagismo, obesidade, dieta não saudável e atividade física insuficiente são fatores de risco cardiovasculares estabelecidos e alvos de intervenções para controle da hipertensão arterial. MEDICAMENTOSO • 1ª escolha: IECA • 2ª escolha: BRA Para associar a um desses dois, a primeira escolha é um bloqueador do canal de cálcio. Porém, caso o paciente já apresente edema significativo, ao invés do BCC é preferível associar um diurético. Se mesmo após associar o IECA/BRA + BCC o paciente permanecer com HAS, associa o diurético tiazídico. Caso a associação desses 3 medicamentos ainda não seja suficiente, pode-se associar a espironolactona. Em alguns casos, o betabloqueador pode se tornar a 1ª ou 2ª opção. Obs: É importante lembrar que, antes de adicionar outra medicação, é preferível tentar aumentar a dosagem até a máxima ou até a tolerável pelo paciente, com exceção dos casos que já devem começar com duas drogas. FLUXOGRAMA DE TRATAMENTO METRAS PRESSÓRICAS CONCLUSÃO DE TRATAMENTO A combinação de fármacos apresenta a estratégia principal para o tratamento da HAS:• Maiores taxas de alcance da meta pressórica • Redução do risco cardiovascular • Maior tolerabilidade • Maior adesão ao tratamento A escolha de combinações em doses fixas associa-se à maior facilidade no alcance desses resultados. HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (ATS ll - Cardiologia – 2ª AF) THALLYS NOVAIS – MEDICINA CESMAC HIPERTENSÃO E CONDIÇÕES CLÍNICAS ASSOCIADAS HIPERTENSÃO E DIABETES • A meta atual da pressão arterial para os pacientes diabéticos é 130x80 mmHg. • Todos os medicamentos utilizados na redução da PA podem ser usados em pacientes com DM; • Evidências suportam o uso preferencial do BRA/IECA, em particular em pacientes com lesões de órgãos-alvo (LOA); • O controle da PA frequentemente requer múltipla terapia, e um BCC e/ou um diurético (DIU) são classes recomendadas na associação a bloqueadores do SRAA. HIPERTENSÃO E SÍNDROME METABÓLICA A síndrome metabólica caracteriza-se de fatores de risco cardiovascular, incluindo obesidade central, elevação da glicemia e dislipidemia, associada a elevação da PA. • O tratamento medicamentoso deve ser iniciado sempre quando a PA for ≥ 140/90 mmHg. • Priorizar IECA ou BRA e os BCC. DIU e BB podem ser indicados como tratamentos adicionais • Meta de PA: < 130/80 mmHg HIPERTENSÃO E DOENÇA ARTERIAL CORONARIANA O tratamento da HAS associada a DAC (pós-IAM, com angina de peito e revascularização miocárdica – RVM): BB, IECA ou BRA, além de estatinas e aspirina. Os BB são benéficos após IAM, especialmente no período até dois anos após o evento agudo. Em pacientes com DAC crônica e múltiplos fatores de risco, como HA, os IECA associam-se à redução de desfechos clínicos relevantes. CRISES HIPERTENSIVAS URGÊNCIA HIPERTENSIVA Situações clínicas sintomáticas em que há elevação da PAS ≥ 180 mmHg e /ou PAD ≥ 120 mmHg aguda e progressiva, SEM LESÃO DE ÓRGÃO ALVO e sem risco iminente de morte. EMERGÊNCIA HIPERTENSIVA Situações clínicas sintomáticas em que há elevação da PAS ≥ 180 mmHg e /ou PAD ≥ 120 mmHg aguda e progressiva, COM LESÃO DE ÓRGÃO ALVO e com risco iminente de morte. PSEUDOCRISE HIPERTENSIVA Cefaleia, dor torácica típica, dispneia, estresse psicológico agudo e síndrome de pânico associados à PA elevada não caracterizam UH e EH, mas na realidade, uma pseudocrise hipertensiva. Assim, o tratamento é feito com a otimização do tratamento já feito e conscientização da adesão ao tratamento. CONSIDERAÇÕES GERAIS DAS CRISES HIPERTENSIVAS TRATAMENTO O tratamento da crise hipertensiva deve ser feito de forma rápida para impedir lesão de órgão alvo. • PA média ≥ 25% na 1ª hora; • PA 160/100-110 mmHg nas próximas 2 a 6 horas; • PA 135/85 mmHg em um período de 24-48h subsequentes. MODELO DE ANAMNESE IDENTIFICAÇÃO • Estado civil • Profissão • Procedência • Peso • Altura • Circunferência abdominal QUEIXAS • Motivo da consulta / queixa principal; • HDA ANTECEDENTES PESSOAIS Quando não houver, colocar que paciente “nega”. • HAS (data e início de tratamento) HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (ATS ll - Cardiologia – 2ª AF) THALLYS NOVAIS – MEDICINA CESMAC • Diabetes (data e início de tratamento) • Dislipidemia (tratamento) • Tabagismo/etilismo (início, cigarros/dia, término) • Alergia • Atividade física regular • Cirurgia (intercorrências/transfusão sanguínea) • CA/AVC/IAM ANTECEDENTES FAMILIARES Parentes de 1º grau, sendo mulher < 65 anos e homem < 55 anos. • HAS • DM • CA/IAM/AVC • Morte súbita OUTRAS INFORMAÇÕES • Lista de medicações em uso • Exame físico – cardiovascular e pulmonar • Hipótese diagnóstica • Conduta • Exames complementares