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PSICOLOGIA SOCIOINTERACIONISTA
Psicologia
Unip – Campus de Jundiaí 2026/2 Profa. Dra. Cristiane Demarchi
Momento 1:
A criança e o brincar
(história, memória, condições atuais – discussão no coletivo) Concepção do autor.
Bibliografia recomendada:
MALUF, M. R.; MOZZER, G. N. S. Operações com signos em crianças de 5 a 7 anos. In: Psicologia: Teoria e Pesquisa. Brasília, vol. 16, nº 1, jan / abr. 2000. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ptp/v16n1/4389.pdf Acesso em 09/06/2020.
Bibliografia Complementar:
OLIVEIRA, M. K. Desenvolvimento e Aprendizado. In: OLIVEIRA, M. K. Vygotsky. Aprendizado e Desenvolvimento um processo sócio-histórico. 4ª ed. São Paulo: Scipione, 1997, Cap. 4, p. 55-79.
VYGOTSKY, L. S. O papel do brinquedo no desenvolvimento. In: VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 2008, p. 121-137.
VYGOTSKY, L. S. A pré-história da linguagem escrita. In: VYGOTSKY,
L. S. A Formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 2008,
p. 139-157.
Através dos outros, nos tornamos nós mesmos.
Lev Vygotsky
Operações com signos
Segundo Vygotsky (1978) as diferentes formas de utilização de signos pela criança podem ser estudadas através de manifestações concretas, como são a escrita, a leitura e a utilização do sistema numérico.
Torna-se útil estudar as mudanças que os signos introduzem nas funções psicológicas básicas e discutir a questão da memória, buscando compreender a origem social dos signos e seu importante papel no desenvolvimento do indivíduo.
Diferentemente do que ocorre nas formas
elementares do comportamento,
as operações com signos
requerem um vínculo intermedİário entre o estímulo e a resposta.
Esse estímulo de segunda ordem ou signo,
em cuja criaçäo o İndİvíduo precisa estar ativamente engajado, possuİ funções específicas
e se caracteriza pela açáo reversa, îsto é,
opera sobre o indivíduo e näo somente sobre o meio.
As operaşões com signos são básicas em todos os processos psicológicos superiores, conduzindo os humanos a uma estrutura específíca de compolamento,
que rompe com o desenvolvimento biológico
criando novas formas de processos psicológicos baseados na cultura.
Funções Psíquicas Superiores
Nosso dado biológico são as Funções Psíquicas Elementares, como a atenção involuntária, a memória sensorial e as reações reflexas. É biológico também a possibilidade genética para desenvolver as funções superiores.
Funções Psíquicas Superiores: Linguagem, Fala, Pensamento, Percepção, Atenção. É social e, portanto, cultural.
A regularidade do desenvolvimento vai depender da ATIVIDADE, outro conceito importante.
Bebê: atividade emocional
Pré-Escola: brincadeiras de papeis (imaginar, faz de conta)
Ensino Fundamental: estudo propriamente dito (aprendizagem de processos mentais mais abstratos como os conceitos)
Brinquedo, Percepção e Memória
Refere-se especificamente a brincadeira de faz-de-conta, privilegiando-a sobre as outras.
Brinquedo
O brinquedo cria uma zona de desenvolvimento
proximal na criança, tendo enorme influência em seu desenvolvimento.
Vygotsky exemplifica a importância das situações concretas e a fusão que a criança pequena faz entre os elementos percebidos e o significado – Ex. quando se pede para a criança de dois anos que repita a sentença “Tania está de pé” quando Tania está sentada a sua frente. Ela mudará a frase para “Tania está sentada”.
FAZ DE CONTA
O comportamento das crianças é fortemente determinado pelas características das situações concretas em que se encontram.
No faz de conta ela se liberta do concreto e se guia pelo mundo imaginário.
Ao brincar com um tijolinho de madeira como se fosse um carrinho, ela se relaciona com o significado em questão (ideia de carro) e não com o objeto concreto.
O brincar é também regido por regras, não é qualquer comportamento que é aceito na brincadeira.
Para brincar de motorista tem que ter um comportamento parecido com o de motorista que já conhece pela experiência vivida, o que impulsiona a criança para além de seu comportamento.
No brinquedo a criança comporta-se de forma mais avançada do que nas atividades da vida real e também aprende a separar objeto e significado.
A Evolução da Escrita
A visão de Vygotsky sobre o tema é extremamente contemporânea, mesmo que produzidas a 80 anos.
Sua concepção sobre escrita, enquanto sistema simbólico de representação da realidade, está estreitamente associada a questões centrais da sua teoria (linguagem, mediação simbólica, uso de instrumentos).
Portanto, ele tem uma abordagem genética de escrita: preocupa-se com o processo de sua aquisição, o qual se inicia muito antes da entrada da criança na escola e se estende por muitos anos.
Pré-história da linguagem
A principal condição para que a criança seja capaz de compreender adequadamente o funcionamento da língua escrita é que ela descubra que ela é um sistema de signos que não tem significados em si:
Representam uma realidade Funciona como suporte para memória
Comunica ideias e conceitos
Pré-história de escrita
Rabiscos mecânicos - Imitar o formato da escrita do adulto (rabiscos sem nenhuma relação com os conteúdos as serem representados).
Marcas topográficas: distribuição dos registros no espaço do papel. (bebe leite)
Representações pictográficas: desenhos utilizados como forma de escrita. Ex: gato
Luria chama a atenção para o fato de que esse percurso da criança não é um processo individual, independente do contexto. Ao contrário, interage com os usos da língua escrita que ela observa na vida cotidiana.
Pode-se supor que, atualmente, esse percurso é mais difícil de ser observado em crianças urbanas de grupos culturais escolarizados.
Assim, o sistema simbólico da escrita interfere antes e mais fortemente no processo de desenvolvimento da criança.
Desenhar e brincar deveriam ser estágios preparatórios ao desenvolvimento da escrita.
Percepção
Ao longo do desenvolvimento humano torna-se cada vez mais um processo complexo que se distancia das determinações fisiológicas.
Através da mediação e da internalização da linguagem e dos conceitos e significados, a percepção deixa de ser uma relação direta entre indivíduo e o meio, passando a ser mediada por conteúdos culturais.
Perceber o objeto como um todo, como uma realidade articulada e não como um amontoado de informações sensoriais está relacionado ao percurso do individuo, ao seu conhecimento sobre o mundo, a sua vivência em situações específicas. (Exemplo: mosca e avião)
Atenção
Inicialmente baseada em mecanismo neurológicos, inatos, a atenção vai gradualmente sendo submetida a processos de controle voluntário, fundamentados pela mediação simbólica.
Ao longo do desenvolvimento a pessoa passa a se atentar em questões do ambiente que tenha definido como relevantes. Passa-se da atenção involuntária para a voluntária.
Entretanto processos de atenção involuntária continuam presentes no ser humano e também é mediada por significados aprendidos. Ex: voltar a cabeça quando se escuta o nome ou algum comercial de tv conhecido.
Memória natural x
Memória mediada por signos
Memória
Natural: mais elementar, presente nas determinações inatas do organismo – registro não voluntário de experiências, que permite o acumulo de informações e uso dessas posteriormente.
Mediada: ação voluntária de apoio a elementos mediadores para ajudar a retomada da memória posterior. Permite ao indivíduo controlar seu comportamento por meio de instrumentos e signos que provoquem a lembrança de foram deliberada:
Calendário Agendas Listas
Mediadores internalizados
Referência
> OLIVEIRA, M. K. Desenvolvimento e Aprendizado. In: OLIVEIRA, M. K. Vygotsky. Aprendizado e Desenvolvimento um processo sócio-histórico. 4ª ed. São Paulo: Scipione, 1997. (Cap. 4 - p. 65 – 79).
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