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Ebook da Unidade - Atenção, Percepção, Memória e Emoção

Capítulo sobre Atenção, Percepção, Memória e Emoção. Define atenção e seus tipos (seletiva, sustentada, focalizada, dividida), aborda percepção, história da memória e esquemas de Bartlett, emoção, funções executivas, linguagem, aprendizagem, objetivos e atividades.

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Debora Lima

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Atenção, 
Percepção, 
Memória e 
Emoção
Sumário
 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
Atenção - percepção e memória 
 O que é atenção? 
 Conceito de atenção 
 Atenção seletiva: o que é? 
 Atenção sustentada 
 Atenção focalizada 
 Atenção dividida
 Percepção 
 A Memória 
 Um pouco de história 
 Esquemas: os estudos de Bartlett 
 Memória uma questão cerebral 
Emoção - conceitos e categorização
 Emoção 
 O desenvolvimento emocional 
 A expressão emocional 
Funções executivas - resolução de problemas e linguagem
 O que são as funções executivas? 
 Primeira infância: o que é? 
 Primeira Infância no Brasil 
 Resolução de problemas 
6
19
28
Sumário
 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
 Perspectiva histórica 
 Estratégias para resolver problemas 
 Linguagem 
 Linguagem e psicologia cognitiva 
O processo escolar de ensino-aprendizagem
 A cognição na escola 
 Conceito de aprendizagem 
	 	 Aprendizagem	e	suas	definições	
 Como aprendemos? 
 Como ensinamos? 
 Concepções de aprendizagem 
Referências 
38
50
Objetivos Definição
Explicando Melhor Você Sabia?
Acesse Resumindo
Nota Importante
Saiba Mais Reflita
Atividades Testando
Para o início do 
desenvolvimento de uma 
nova competência;
Se houver necessidade 
de se apresentar um novo 
conceito;
Algo precisa ser melhor 
explicado ou detalhado;
Curiosidades indagações 
lúdicas sobre o tema em 
estudo, se form necessarias;
Se for preciso acesar um 
ou mais sites para fazer 
dowload, assistir videos, ler 
textos, ouvir podcast;
Quando for preciso se fazer 
um resumo acumulativo 
das últimas abordagens;
quando forem necessárias 
observações ou 
complementações para o
seu conhecimento;
As observações escritas 
tiveram que ser priorizadas 
para você;
Textos, referências 
bibliográficas e links para 
aprofundamento do seu 
conhecimento;
Se houver a necessidade 
de chamar a atenção 
sobre algo a ser refletido ou 
discutido sobre;
Quando alguma atividade 
de autoaprendizagem for 
aplicada;
Quando o desenvolvimento 
de uma competência for 
concluído e questões forem 
explicadas. 
@faculdadelibano_
1
Atenção - 
percepção e 
memória
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Capítulo 1
Atenção - percepção e 
memória
Objetivos
Ao término do estudo deste capítulo você será capaz de analisar os 
conceitos de atenção e percepção sob a perspectiva da psicologia 
cognitiva.	Conhecer	os	estudos	sobre	a	memória	e	suas	relações	com	
a atenção e a percepção. E então? Motivado para desenvolver essa 
competência? Então vamos lá.
O que é atenção?
Considerada	como	uma	das	funções	mais	importantes	de	nosso	cérebro,	a	atenção	é	
reconhecida como uma temática de máxima importância por muitos pesquisadores. 
A atenção é uma das atividades mais complexas do cérebro e para estudá-la é 
necessário que estejamos atentos. Nossa vida e realidade estão cheias de símbolos que 
nos remetem a um determinado momento ou ponto de atenção.
FIGURA 1
Ponto de atenção
FONTE
Pixabay
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Atenção - percepção e memória Capítulo 1
Pois	 bem,	 atenção	 é	 dar	 foco	 a	 determinado	 acontecimento,	 aspecto	 ou	 fato	 em	
detrimento	de	outras	situações	que	estão	acontecendo.	Você	está	prestando	atenção?	
Quantas	vezes	já	te	fizeram	essa	pergunta?	Vamos	conhecer	o	conceito	de	atenção?
Conceito de atenção
Atenção	se	 refere	à	concentração	e	ao	 foco	da	atividade	mental	 (MATLIN,	 1983	apud	
BEST,	2001,	p.	41).	Em	outras	palavras,	é	o	esforço	mental	que	se	realiza	conscientemente	
para eleger um determinado estímulo.
Segundo	Luria	(1984)	a	atenção	é	o	fator	responsável	por	extrair	os	elementos	essenciais	
para	a	atividade	mental,	um	processo	que	mantém	uma	vigilância	sobre	o	curso	preciso	
e organizado da atividade mental. Já William James destaca a seletividade como um 
parâmetro	de	possessão	pela	mente,	de	forma	clara	e	vívida,	de	um	entre	vários	objetos	
ou	pensamentos	que	podem	aparecer	simultaneamente	(REBOLLO	et	al.,	2006).
REBOLLO	et	al.,	(2006)	sinalizam	e	incluem	alguns	aspectos	sobre	a	atenção	denominados	
de	preparação,	que	é	conhecido	como	memória	de	funcionamento	ou	como	memória	
seletiva.	 O	 autor	 classifica	 a	 atenção	 como:	 atenção	 seletiva,	 atenção	 sustentada,	
atenção focalizada e atenção dividida. Agora vamos conhecer os tipos de atenção.
Atenção seletiva: o que é?
São necessárias duas perguntas prévias para iniciar o estudo e denominar o que é a 
atenção	seletiva:	Você	consegue	dirigir	e	dançar	ao	mesmo	tempo	que	está	falando	por	
telefone? É fácil? Talvez você seja um craque em comer e cantar ao mesmo tempo em 
que	realiza	exercícios	de	yoga?	Parecem	ideias	e	ações	controversas,	mas	na	realidade,	
pode	ser	que	consigamos	executar	uma	atividade	ou	outra,	desde	que	não	tenhamos	
nenhum estímulo que desvie nossa atenção. 
Quando	selecionamos	um	estímulo	principal	e	descartamos	outros,	ou	seja,	aqueles	que	
consideramos	secundários	para	completar	uma	tarefa	ou	ação,	estamos	categorizando	
nossa	 atenção.	 Então,	 essa	 escolha	 seletiva	 se	 caracteriza	 pela	 seleção	 de	 uma	
mensagem	principal	em	detrimento	de	um	conjunto	de	informações	que	denominamos	
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Atenção - percepção e memória Capítulo 1
como	secundário.	Por	isso,	chamamos	esse	tipo	de	seleção	da	informação	de	atenção	
seletiva.
Atenção sustentada
Quantas	horas	de	estudo	você	consegue	manter	em	uma	rotina	diária?	Podemos	afirmar	
que a atenção sustentada está relacionada à quantidade de tempo que o indivíduo 
consegue focalizar sua atenção em uma tarefa.
A atenção sustentada nos permite investigar a temporalidade e qualidade da atenção 
de	um	determinado	indivíduo.	Sancovschi	e	Kastrup	(2013)	afirmam	que:
o problema da sustentação da atenção resume-se a como fazer 
com que a atenção se mantenha de maneira a garantir que a tarefa 
seja	realizada	com	eficiência.	Portanto,	trata-se,	de	uma	questão	de	
performance e não de um tempo necessário à experiência de estudo. 
(SANCOVSCHI	E	KASTRUP,	2013,	p.	195)
As autoras apresentam em seus estudos as duas possibilidades que foram analisadas 
por W. James para sustentar a atenção: a via do esforço e a via do interesse. De acordo as 
os	estudos	de	W.	James,	o	tempo	que	um	indivíduo	deve	dedicar	aos	estudos	dependerá	
exclusivamente de seu interesse pela tarefa que será executada.
A	 preocupação	 central	 no	 estudo	 sobre	 a	 atenção	 sustentada	 está	 baseada,	
fundamentalmente,	na	análise	de	como	esse	tipo	de	atenção	influencia	no	desempenho	
da realização de uma tarefa pelo indivíduo.
Um exemplo de atenção sustentada é manter-se concentrado por três a quatro horas 
em	determinada	atividade	como	ler	um	livro,	assistir	uma	palestra	ou	um	filme.
 
Atenção focalizada
A	atenção	focalizada	ou	concentrada	está	relacionada	a	situações	em	que,	ao	contrário	
da	atenção	seletiva,	o	foco	se	dá	a	apenas	uma	atividade	ou	situação.	Nesse	caso,	a	
atenção está voltada para uma única ação e não conta com a intervenção de fatores 
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Atenção - percepção e memória Capítulo 1
externos.	Nesses	casos,	a	pessoas	se	desligam	completamente	do	ambiente	e	focam	
exclusivamente na atividade que estão realizando naquele momento.
Atenção dividida
A atenção dividida ou alternada permite que o indivíduo realize mais de uma atividade 
ao mesmo tempo. É necessário cuidar para não confundir com falta de foco. Para muitas 
pessoas,	por	exemplo,	é	fácil	estudar	e	ouvir	música	ao	mesmo	tempo,	pois	consideram	
que	 sejam	 tarefas	 complementares.	 No	 entanto,	 para	 algumas	 pessoas	 isso	 resulta	
em	algo	extremadamente	difícil,	às	vezes	sendo	impossível	realizar	duas	atividades	ao	
mesmo tempo.
Agora	 que	 já	 conhecemos	 um	 pouco	 sobre	 os	 tipos	 de	 atenção,	 vamos	 entender	 o	
conceito	de	percepção.	Você	já	parou	para	pensar	no	significado	de	percepção?	Vamos	
ver o que alguns autores falam sobre a percepção?
Percepção
Segundo	o	dicionário	Aurélio	percepção	é:	ação	ou	efeitode	perceber,	de	compreender	
o	sentido	de	algo	por	meio	das	sensações	ou	da	inteligência,	percepção	do	sofrimento,	
do	clima,	entre	outros.
Em	outras	palavras,	sempre	que	entendemos	o	frio	ou	o	calor,	o	quente	ou	o	gelado,	o	
triste	ou	o	feliz	estamos	passando	por	situações	de	percepções.
De	acordo	com	Chauí	(2000),	a	percepção	da	sensação,	conforme	a	tradição	filosófica	
do	século	XX,	se	dá	pelo	grau	de	complexidade.	Enquanto	a	sensação	é	definida	como	
uma	 reação	 corporal	 imediata	 a	 um	 estímulo	 ou	 excitação	 externa,	 sem	 que	 seja	
possível	distinguir	no	momento	da	sensação	o	estímulo	exterior	e	interior.	Assim,	quando	
um	sujeito	verbaliza	que	algo	está	quente,	por	exemplo,	quer	dizer	que	a	comida	está	
quente,	isto	é,	as	qualidades	são	sentidas	de	forma	mais	ampla	e	complexa	do	que	uma	
sensação	isolada.	Concluindo,	só	existem	sensações	sob	a	forma	de	percepções,	isto	é,	
sínteses	de	sensações	(CHAUÍ,	2000).
Chauí	(2000)	explica	que	a	sensação	seria	um	ponto	do	objeto	externo	que	entra	em	
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Atenção - percepção e memória Capítulo 1
contato com algum dos sentidos para chegar ao cérebro e retornar ao ponto de origem 
sensorial.	A	causa	do	conhecimento	sensível	é	a	coisa	externa,	de	modo	que	a	sensação	
e a percepção são efeitos passivos de uma atividade dos corpos exteriores sobre o nosso 
corpo	 (CHAUÍ,	 2000,	p	 152).	Chauí	 (2000)	expõe	que	o	 termo	alemão	Gestalt	 significa:	
configuração,	figura,	estrutura,	forma.
A	 percepção	 é	 o	 modo	 como	 tomamos	 consciência	 dos	 objetos,	 em	 especial	 sobre	
aquilo	que	nos	é	dado	pelos	sentidos	(ALMEIDA	et	al.,	2009,	p.	201).	A	pergunta	que	muitos	
filósofos	colocam	acerca	da	percepção	é	a	seguinte:	será	que	o	fato	de	percebermos	
objetos	 é	 suficiente	 para	 justificar	 a	 nossa	 crença	 na	 sua	 existência	 fora	 da	 nossa	
consciência?
A	percepção	apresenta	as	seguintes	características	em	torno	do	seu	conceito,	de	acordo	
com	Chauí	(2000):
• Uma	experiência	dotada	de	significação.
• A organização de formas e estruturas do mundo que estão dotadas de sentido.
• Uma	relação	do	sujeito	com	o	mundo	exterior	e	não	uma	reação	físico-fisiológica	de	
um	sujeito	físico-fisiológico	a	um	conjunto	de	estímulos	externos	(empirismo),	nem	
uma	ideia	formulada	pelo	sujeito	(intelectualismo).
• Forma de comunicação que estabelecemos com os outros e com as coisas.
• Um	 campo	 perceptivo	 que	 indica	 a	 relação	 entre	 o	 corpo,	 sujeito	 e	 objetos	 num	
campo	 de	 significações	 visuais,	 tácteis,	 olfativas,	 gustativas,	 sonoras,	 motrizes,	
espaciais,	temporais	e	linguísticas.
• 	 Envolvimento	 de	 contextos:	 personalidade,	 história	 pessoal,	 afetividade,	 desejos,	
paixões	como	forma	fundamental	do	ser	humano	estar	no	mundo.
• Envolvimento	social,	sociedade	e	grupo.
• Uma	maneira	de	ter	ideias	sensíveis	ou	significações	perceptivas.
• Estar sujeito ao erro: ilusão.
Além	das	características	apresentadas	pela	autora,	vamos	conhecer	outras	definições	
de	“percepção”.	Aqui	 faremos	uma	exposição	sobre	diferentes	concepções	do	termo,	
conforme a corrente teórica:
1.	Empiristas:	a	percepção	seria	advinda	de	uma	associação	de	sensações.	As	sensações	
se	dariam	no	estímulo	externo,	em	contato	com	os	órgãos	dos	sentidos	e	seria	processada	
organicamente,	dando	origem	à	percepção.
2.	Intelectualistas:	a	percepção	é	considerada	a	interpretação	dada	por	um	sujeito	ativo,	
das	situações	vivenciadas.	Em	outras	palavras,	depende	das	condições	particulares	do	
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Atenção - percepção e memória Capítulo 1
sujeito e está passível de equívocos.
A	partir	do	século	XX,	essas	concepções	são	ampliadas	com	contribuições	da	filosofia	e	
da	psicologia,	dando	origem	a	duas	outras	correntes,	que	não	diferenciam	sensação	de	
A Memória
Certamente você já deve ter parado para pensar nas histórias mais emocionantes de 
sua	vida.	Bem,	não	nos	colocaremos	nostálgicos,	porque	falar	sobre	memória	irá	ampliar	
nossas	considerações	profissionais	e	pessoais.	Por	exemplo,	você	se	recorda	do	primeiro	
dia de escola? Qual foi a primeira palavra que disse no entorno familiar?
Um pouco de história
Vamos	 conhecer	 um	 pouco	 sobre	 o	 trabalho	 de	 um	 filósofo	 e	 psicólogo	 chamado	
Hermann	Ebbinghaus	(1850	–	1909).	Suas	pesquisas	contribuíram	para	o	desenvolvimento	
de um vasto campo de estudos sobre a memória. Ebbinghaus decidiu estudar a memória 
a partir de novos conhecimentos. Um de seus experimentos consistia em estudar uma 
FIGURA	2
Imagem da Psicologia da 
Forma	(ou	Gestalt)
FONTE
Pixabay
percepção,	sendo	elas:
3.	 Fenomenologia do conhecimento: a percepção 
é considerada como origem e parte principal do 
conhecimento	humano,	mas	é	compreendida	
pela subjetividade do sujeito construída na sua 
relação com o ambiente.
4.	 Psicologia	 da	 forma	 (ou	 Gestalt):	 considera	
a relação entre os estímulos e como os 
percebemos,	 difere	 o	 todo	 das	 partes	 para	
construirmos uma percepção.
Antes de passarmos para nosso próximo tópico 
de	 estudo	 que	 é	 a	 memória,	 observe	 uma	
imagem	 da	 psicologia	 Gestalt,	 nessa	 imagem	
algumas pessoas visualizam dois rostos enquanto 
outras	visualizam	um	vaso,	esse	é	um	exemplo	de	
percepção visual.
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Atenção - percepção e memória Capítulo 1
combinação	 de	 sílabas	 sem	 sentido,	 com	 o	
objetivo de aprender e recordar. Como um grande 
pesquisador	experimental,	controlou	o	estudo	de	
cada sílaba com um metrônomo que marcava 
o	 ritmo	 a	 cada	 dois	 a	 dois	 e	 meio	 segundos,	
dependendo	 do	 tipo	 de	 estudo	 (BADDELEY,	 1986	
apud	 BEST,	 2001).	 Em	 linhas	 gerais,	 para	 verificar	
a	 efetividade	 do	 experimento,	 desenvolveu	 um	
método para avaliar os resultados e elaborou o que 
ficou	conhecido	como	curva	do	esquecimento.
Depois da grande colaboração de Ebbinghaus 
que até hoje recebe admiração em diversos 
contextos	 profissionais,	 veremos	 que	 o	 enfoque	
do processamento de informação da memória 
ganha grande espaço como campo de 
investigação e pesquisa.
FIGURA	3
Hermann	Eddinghaus
FONTE
Wikimedia Commons
Pois	 bem,	 dentro	 do	 enfoque	 do	 processamento	 de	 informação,	 entendemos	 como	
funciona um sistema de componentes que deposita ou armazena dados que são 
possíveis de ser representados e que recebem o nome de códigos cognitivos. É 
importante destacar que essa perspectiva descreve que os códigos cognitivos podem 
ser	transferidos	de	um	depósito	a	outro,	chamados	de	processo	de	controle	e	que	um	
desses	“armazéns”	é	denominado	registro	sensorial	(BEST,	2001,	p.	88).
Reflita
Agora	 imagine	quanta	 informação	recebemos	ao	longo	de	uma	hora,	
um	dia	e	um	ano,	ou	melhor,	durante	nossa	vida.	Existe	espaço	suficiente	
para armazenar toda essa informação? Quais os tipos de estímulos 
sensoriais que recebem informação constantemente? Pense! Para cada 
registro sensorial há um sentido e toda a informação recebida é alterada 
pelo	fator	tempo.	Afinal,	quantas	memórias	realmente	possuímos?
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Atenção - percepção e memória Capítulo 1
É importante lembrar que falar da quantidade de componentes de nossa memória nos 
faz	perceber	que	existem	inúmeras	lembranças	e	que	recuperá-las	ou	guardá-las,	às	
vezes,	não	é	tarefa	nada	fácil.
Observe no quadro a seguir algumas pesquisas que relatam tipos de memória e os 
autores que desenvolveram essas pesquisas.
QUADRO 1
Estudos contemporâneos sobre a Memória
FONTE
Elaborado	pela	Autora	(2021).
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Atenção - percepção e memória Capítulo 1
Já	 que	 estamos	 falando	 de	 pesquisa,	 vamos	 conhecer	 o	 estudo	 de	 Bartlett?	 Ele,	
assim	como	outros	pesquisadores,	dedicou	suas	pesquisas	ao	estudo	da	memória	e	
desenvolveu	um	teste	de	memória.	Vamos	ver	o	que	ele	descobriu?
Esquemas: os estudos de Bartlett
Bartlett	 (1932)	 realizou	 diversos	 estudos	 com	 amigos	 e	 estudantes	 universitários	 na	
Inglaterra	e	definiu	o	esquema	como	“uma	organização	ativa	dasreações	ou	experiências	
passadas”	(BARTLETT,	1932	apud	BEST,	2001).	Seu	objetivo	era	verificar	como	se	armazenava	
e	conservava	a	informação	significativa	na	memória	do	sujeito.	Os	materiais	utilizados	
foram:	contos	populares,	fábulas,	entre	outros.
Exemplo: Leia duas vezes a história que aparece na tabela estória da Guerra dos 
Fantasmas	a	seguir.	Descanse	por	15	minutos.	Logo	em	seguida,	escreva	tudo	que	puder	
lembrar	com	riqueza	de	detalhes.	Por	último,	compare	seu	resultado	com	os	resultados	
dos	indivíduos	de	Bartlett	no	quadro	3.
Uma	noite,	dois	jovens	de	Egulac	desceram	ao	rio	para	caçar	focas	e	enquanto	
estavam	por	ali,	o	rio	se	cobriu	de	bruma	e	de	silêncio.	Logo	ouviram	gritos	de	
guerra e disseram: “Pode ser que seja de uma reunião de guerra”. Correram 
até	a	margem	do	rio	e	se	esconderam	atrás	de	uma	árvore.	Agora,	as	canoas	
remetiam-se ao rio e eles escutavam o som dos remos e viram uma canoa que 
vinha	em	sua	direção.	Havia	cinco	homens	na	canoa	que	disseram:
“Que opinam? Gostaríamos de levá-los conosco. Estamos regressando ao rio 
para	guerrear	com	outros”.	Um	dos	jovens	disse:	“Não	temos	flechas”.
Eles	disseram:		“Levamos	flechas	na	canoa”.
“Não irei com vocês. Podem matar-me. Meus parentes não sabem onde fui. Mas 
você”,	disse	voltando-se	a	seu	companheiro,	“pode	ir	com	eles”.
Um	dos	jovens	foi	com	os	guerreiros,	mas	o	outro	voltou	para	casa.
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Atenção - percepção e memória Capítulo 1
Primeira	reprodução	15	minutos	após	ouvir	a	história:
Dois jovens de Egulac saíram para caçar focas. Acreditaram ouvir gritos de guerra 
e em um minuto ouviram ruídos de remos de canoa. Em uma destas canoas 
havia	cinco	nativos,	que	se	dirigiram	para	onde	eles	estavam.	Um	dos	nativos	
gritou:	“Venha	conosco:	vamos	guerrear	com	os	nativos	da	parte	alta	do	rio”.	Os	
dois	jovens	responderam	“Não	temos	flechas”.	“Têm	flechas	nas	nossas	canoas”,	
responderam.	Então,	um	dos	jovens	disse:	“Meus	conhecidos	não	sabem	aonde	
fui”,	mas	voltando	a	seu	companheiro	disse:	“você	pode	ir”.	Portanto,	um	voltou	
enquanto o outro resolveu ir com os nativos.
O	grupo	regressou	ao	rio	até	um	povoado	ao	lado	de	Kalam,	onde	desembarcaram.	
Os nativos dessa parte desceram ao rio para enfrentá-los. Produziu-se uma 
carnificina	e	muitos	índios,	dos	dois	lados,	acabaram	mortos.	Logo,	um	dos	nativos	
que dirigiu a expedição rio acima gritou “Regressaremos: o índio caiu”. Tentou 
persuadir	o	jovem	para	que	regressasse,	dizendo-lhe	que	estava	ferido,	mesmo	
que ele não se sentisse enfermo. 
QUADRO	2
Estória da “Guerra dos fantasmas”
FONTE
Adaptado	e	traduzido	de	Bartlett,	1932	apud	Best	(2001,	p.	124)
Os guerreiros regressaram ao rio e chegaram a um povoado do outro lado de 
Kalama.	As	pessoas	desceram	ao	 rio	e	começaram	a	 lutar,	muitos	morreram.	
Mas,	 na	 contenda	 o	 jovem	 ouviu	 dizer	 a	 um	 dos	 guerreiros:	 “Rápido,	 voltemos	
para	 casa:	 esse	 índio	 foi	 alcançado”.	 O	 companheiro	 ferido	 pensou:	 “Oh,	 são	
fantasmas”.	Não	se	sentiu	enfermo.	“Eles	disseram	que	eu	estava	ferido,	mas	não	
me senti enfermo”.
Contou	tudo	e	logo	ficou	tranquilo.	Quando	saiu	o	sol,	caiu.	Algo	negro	saía	de	sua	
boca. Sua face estava desencaixada. As pessoas saltavam e gritavam. Estava 
morto.
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Atenção - percepção e memória Capítulo 1
Existem	muitas	observações	a	respeito	dessa	pesquisa	e	de	outras.	Como	resultado	da	
pesquisa,	Bartlett	identificou	que	as	memórias	mais	acuradas	eram	exceção,	sendo	que	
a maioria não lembrava de vários trechos da estória.
Agora	é	com	você!	Reflita	sobre	o	estudo	de	Bartlett	(1932),	faça	o	teste	e	escreva	suas	
impressões.
 
Memória uma questão cerebral
Agora que já sabemos um pouco sobre o contexto histórico das pesquisas sobre a 
memória,	ampliaremos	nossos	estudos	para	aspectos	mais	atuais.	A	partir	de	Lashley	
ampliam-se	as	pesquisas	sobre	os	processos	que	envolvem	a	memória	e	o	cérebro,	
aliados ao grande desenvolvimento tecnológico. A tecnologia nos permite avançar e 
observar	o	cérebro	com	grande	precisão,	isso	a	partir	de	técnicas	como	a	tomografia	
computadorizada.
Atualmente,	 pesquisadores	 cognitivos	 utilizam	 técnicas	 de	 neuro	 imagem	 para	
compreender	o	processo	de	 funcionamento	psíquico,	como	a	memória	(VIEIRA,	et	al.,	
2007).
QUADRO	3
Esforço	de	um	dos	sujeitos	de	Bartlett	(1932)	para	reproduzir	a	história	“Guerra	dos	fantasmas”
FONTE
Adaptado	e	traduzido	de	Bartlett,	1932	apud	Best	(2001,	p.	124)
Logo,	pensou	que	enxergava	fantasmas	a	sua	volta.
Quando	 regressaram,	 o	 jovem	 contou	 a	 todos	 os	 seus	 amigos	 o	 que	 havia	
ocorrido. Descreveu como muitos haviam morrido em ambos os lados.
Estava a ponto de amanhecer quando o jovem se sentiu muito enfermo. Quando 
começou	a	sair	o	sol,	uma	substância	negra	começou	a	sair	de	sua	boca	e	os	
nativos diziam: “Está morto”.
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Atenção - percepção e memória Capítulo 1
FIGURA	4
Tomografia	computadorizada
FONTE
Wikimedia Commons
Você Sabia?
Quer se aprofundar nesse tema? Recomendamos o acesso à seguinte 
fonte de consulta e aprofundamento: Artigo “Aspectos históricos da 
neuropsicologia:	subsídios	para	a	formação	de	educadores”	(PINHEIRO,	
2005).	
Resumindo
Gostou	 do	 que	 lhe	 mostramos?	 Aprendeu	 mesmo	 tudinho?	 Agora,	 só	
para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo 
desse	capítulo,	vamos	resumir	tudo	o	que	vimos.	Inicialmente,	foi	possível	
analisar	os	conceitos	de	atenção,	percepção	e	memória	relacionados	
às perspectivas da psicologia cognitiva. Pudemos conhecer também 
o	 conceito	 de	 “percepção”,	 a	 partir	 de	 uma	 perspectiva	 filosófica.	 Por	
último,	revisamos	o	conceito	de	memória	e	suas	características	sobre	o	
processamento da informação.
@faculdadelibano_
2
Emoção - conceitos 
e categorização
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Capítulo 2
Emoção - conceitos e 
categorização
Objetivos
Ao término do estudo deste capítulo você será capaz de conhecer 
um pouco da história que fundamenta os estudos e pesquisas sobre 
a	emoção.	Relacionar	alguns	conceitos,	sob	a	perspectiva	da	emoção,	
para a prática de ensino- aprendizagem. E então? Motivado para 
desenvolver essa competência? Então vamos lá.
Para estudar a emoção muitas ideias nos vêm à mente. Antes de mais nada é necessário 
verificar	que	a	emoção	não	é	um	conceito	que	aparece	no	final	do	século	passado.	
Desde	que	o	homem	decidiu	pensar	e	refletir	sobre	o	seu	conhecimento	e	sua	atuação	
no	mundo	e	com	os	demais	indivíduos,	muitos	filósofos	se	interessaram	pelo	tema	das	
emoções,	mas,	talvez,	não	como	a	conhecemos	nos	dias	atuais.	Assim	estudaremos,	o	
que	o	contexto	histórico	nos	ensina	sobre	as	emoções.	Vejamos	com	atenção!
Na	Grécia	antiga,	muitos	filósofos	questionaram	a	transcendência	humana.	A	razão,	o	
desejo,	o	espírito	e	a	alma	são	 temas	 retratados	nos	escritos	de	Platão	e	Aristóteles,	
embora com pensamentos diferenciados sobre a forma de compreender cada 
assunto.	Aristóteles,	um	grande	e	incansável	filósofo,	escreve	uma	obra	dedicada	aos	
sentidos	(os	cinco	sentidos)	como	forma	de	conhecer	o	mundo	físico	fazendo	alusão	ao	
comportamento humano.
Um	salto	na	história,	séculos	mais	tarde	e	nos	encontraremos	com	René	Descartes	que	
realiza	um	estudo	sobre	as	paixões,	resultado	de	uma	publicação	em	1649	intitulada	Les	
passions	del’áme	(As	paixões	da	alma).	Descartes	apresenta	em	sua	obra	uma	análise	
criteriosa	sobre	as	paixões	ou	emoções	primitivas	ou	básicas.
Agora,	 vamos	 analisar	 o	 tema	 das	 emoções	 a	 partir	 da	 obra	 The	 expression	 of	 the	
emoticons	in	man	and	animals	do	naturalista	britânico	Charles	Robert	Darwin	(1809	-1882).
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção 
Emoção - conceitos e categorização Capítulo 2
Para	o	contexto	da	psicologia	cognitiva,	a	obra	de	Darwin	representa	um	avanço	no	que	
se	conhece	sobre	o	tema,	relacionando-o	às	perspectivas	dos	psicólogos	condutistas,	
porque incide na questão comportamental.
O	trabalho	de	William	James(1842	-1910),	concordando	com	Descartes,	afirma	que	não	
choramos porque estamos tristes e sim que estamos tristes porque choramos. Postula 
que “as mudanças corporais seguem diretamente a percepção do fato desencadeante 
e	que	nossa	sensação	dessas	mudanças,	de	acordo	e	como	vão	se	produzindo,	é	a	
emoção”	(JAMES,	 1890,	p.	449-450).	Simultaneamente,	Carl	Georg	Lange	(1834	–	 1900),	
realiza	estudos	similares	e	destaca	que	o	aspecto	expressivo	das	emoções,	fortalece	os	
sentimentos que as desencadeiam.
John	Broadus	Watson	(1878	–	1958),	fundador	do	Condutismo	reconhece,	a	partir	de	sua	
teoria,	três	emoções	inatas:	medo,	raiva	(ira	e	cólera)	e	o	amor,	deixando	claro	que	estas	
emoções	são	a	base	e	o	núcleo	de	outras	reações	emocionais.	Analisemos	algumas	
respostas inatas estudadas por Watson:
• Medo:	pausa	na	respiração,	seguida	de	uma	respiração	acelerada,	com	pronunciados	
câmbios	vasomotores,	fechar	o	olho	de	modo	repentino,	apertar	os	punhos	e	franzir	
os lábios.
• Ira:	gritar,	agitar,	rigidez	de	todo	o	corpo,	movimentos	desordenados	das	extremidades	
superiores e inferiores e reter a respiração.
• Amor: sorriso e abraços.
Watson	(1919),	define	sua	teoria	condutista	da	emoção	como:
Uma	 emoção	 é	 um	 modelo	 de	 reação	 hereditário,	 que	 envolve	
profundas	mudanças	nos	mecanismos	corporais	e,	de	modo	geral	e	
particular,	nos	sistemas	viscerais	e	glandulares.	(WATSON,	1919,	p.	195)
Na	sequência	dos	fatos,	Walter	Bradford	Cannon,	trouxe	sua	contribuição	para	o	tema,	
com severas críticas aos pressupostos teóricos de James e Lange. Seu principal aporte 
às	teorias	sobre	a	emoção	vieram	à	tona	com	a	divulgação	de	Homeostasis.	Mas	foram	
os	estudos	de	seu	aluno	Phillip	Bard	(1898-1977),	que	ampliaram	as	considerações	sobre	
como	se	compreendia	as	emoções	de	uma	perspectiva	fisiológica.
Atualmente,	conhecemos	essa	perspectiva	teórica	como	Cannon-	Bard,	a	qual	considera	
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção 
Emoção - conceitos e categorização Capítulo 2
que o tálamo é a essência biológica da expressão física e da experiência emocional. Já 
o hipotálamo é a essência biológica responsável pelo comportamento emocional.
Considerando	os	avanços	e	estudos	sobre	as	questões	neurais	do	cérebro	e	sua	relação	
com	 as	 emoções,	 James	 Wenceslas	 Papez	 (1883-	 1958),	 partidário	 das	 teorias	 de	
Cannon-Bard,	aposta	na	investigação	da	essência	das	emoções	e	do	comportamento	
emocional. 
Ele	 reafirma	 os	 estudos	 anteriores	 sobre	 o	 caminho	 percorrido	 no	 cérebro,	 pelo	 que	
chamamos	de	emoções.	Paul	D.	Maclean	(1913-2007)	contribuiu	significativamente	com	
as	investigações	nesse	campo	e	descreveu,	em	suas	teorias,	que	o	cérebro	humano	é	
composto	por	três	unidades	funcionais,	a	saber:
1. Cérebro	Réptil:	determina	nosso	comportamento	para	preservar	a	espécie,	promove	
reflexos	simples	e	instintivos.
2.	 Cérebro Límbico: responsável por nossos comportamentos programados para nossa 
sobrevivência e por controlar o nosso comportamento emocional.
3.	 Neocórtex: um tipo de cérebro mais evoluído que está composto por dois hemisférios 
(esquerdo	e	direito)	e	que	nos	permite	pensar,	falar,	perceber,	emocionar,	imaginar,	
estudar,	refletir	e	manter	nossas	relações	de	modo	civilizado,	entre	outros.
Para	finalizar	essa	relação	histórica,	estudaremos	as	perspectivas	e	as	investigações	de	
FIGURA	5
Circuito Emocional de Cannon-Bard.
FONTE
Elaborado	pelo	autor	(2021).
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção 
Emoção - conceitos e categorização Capítulo 2
António	C.	R.	Damásio,	lisboense	nascido	em	1944.	Suas	investigações	estão	determinadas	
pelas	bases	neurológicas	da	mente,	principalmente	nas	funções	da	memória,	linguagem,	
emoções	e	o	processamento	de	decisões.	Ele	afirma	a	impossibilidade	de	separar	razão	
e emoção.
Emoção
Onde anda você 
(Vinicius de Morais)
E por falar em saudade 
Onde anda você
Onde andam os seus olhos
Que a gente não vê 
Onde anda esse corpo 
Que me deixou morto 
De tanto prazer
E por falar em beleza 
Onde anda a canção 
Que se ouvia na noite 
Dos bares de então 
Onde	a	gente	ficava	
Onde a gente se amava 
Em total solidão
Hoje	eu	saio	na	noite	vazia	
Numa boemia sem razão de ser 
Na rotina dos bares
Que apesar dos pesares 
Me trazem você
E por falar em paixão 
Em razão de viver
Você	bem	que	podia	me	aparecer	
Nesses mesmos lugares
Saiba Mais
Recomendamos a leitura da publicação: O erro de Descartes de António 
R.	Damásio,	Companhia	das	Letras	(2012).
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção 
Emoção - conceitos e categorização Capítulo 2
Na	noite,	nos	bares
Onde anda você
Buscamos com essa canção compreender um dos temas mais interessantes e que 
iremos	estudar	nessa	unidade,	a	emoção.	As	pesquisas	sobre	a	emoção	cresceram	nos	
últimos	anos,	o	que	significa	que	o	interesse	sobre	o	tema	tem	suscitado	muitos	estudos	
nas	áreas	de	educação	e	psicologia.	Em	psicologia	experimental,	a	emoção	refere-se	
ao	estado	afetivo-fisiológico	que	um	indivíduo	apresenta	na	vigência	de	um	teste	de	
memória	sob	condições	de	estresse	(BADDELEY,	1986	apud	PERGHER	et	al.,	2005,	p.	65).
Mas,	você	já	observou	que	de	acordo	com	o	estímulo	externo	nossa	emoção	irá	buscar	
uma	relação	direta	ou	indireta	com	a	memória?	Oliva	et	al.	(2006)	indica	um	dos	livros	de	
Darwin	(1872)	em	que	os	filósofos	mais	recentes	como	Espinoza	e	Descartes,	escreveram	
intensamente	sobre	o	assunto	e	finalizam	que	na	literatura	de	ficção,	assim	como	nos	
mitos,	as	emoções	humanas	desempenham	um	papel	central	(OLIVA	et	al.	2006).
Recentemente,	Gardner	(1985)	em	seus	estudos,	nos	esclarece	que:
há decisão deliberada de diminuir a ênfase de certos fatores que 
podem	ser	 importantes	para	o	 funcionamento	cognitivo,	mas	cuja	
inclusão nesse momento complicaria de forma desnecessária 
o	 empreendimento	 científico-cognitivo.	 Esses	 fatores	 incluem	 a	
influência	de	fatores	afetivos	ou	emoções.	(GARDNER,	1995,	p.6)
 
O que demonstra uma certa resistência de alguns pesquisadores em estudar um 
tema	tão	complexo,	que	se	refere	a	processos	subjetivos	e	que	não	são	o	enfoque	das	
pesquisas da psicologia cognitiva.
Mas,	de	acordo	com	Oliva	et	al.	(2006),	a	psicologia	evolucionista	colocou	o	estudo	das	
emoções	em	foco,	entendendo-as	como	programas	superordenados,	que	coordenam	
muitos	outros,	ou	seja,	como	soluções	de	problemas	adaptativos	de	mecanismos	de	
orquestração:	 organizam	 percepções,	 atenção,	 inferência,	 aprendizagem,	 memória,	
escolha	de	objetivos,	prioridades	motivacionais,	estruturas	conceituais,	categorizações,	
reações	fisiológicas,	 reflexos,	decisões	comportamentais,	processos	de	comunicação,	
níveis	de	energia	e	de	alocação	de	esforços,	coloração	afetiva	de	eventos	e	de	estímulos,	
avaliações	da	situação,	valores,	variáveis	reguladoras	(como	autoestima)	e	assim	por	
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção 
Emoção - conceitos e categorização Capítulo 2
diante	(OLIVA	et	al.,	2006).
O desenvolvimento emocional
Gradativamente,	 as	 emoções	 abandonam	 o	 status	 de	 coadjuvante	 e	 assumem	 um	
grande	protagonismo	nos	estudos	dos	processos	cognitivos.	Por	exemplo,	quando	os	
bebês	choram	ou	demonstram	alegria,	observamos	que	expressam	suas	emoções.	
Com	o	passar	dos	anos	e	em	virtude	de	seu	desenvolvimento,	essas	emoções	passam	
a	ser	mais	específicas.	Pode-se	observar	a	alegria,	a	tristeza,	a	surpresa,	o	nervoso,	o	
medo,	a	ansiedade,	entre	outros.	Estas	emoções	iniciam-se	quando	somos	muito	jovens	
e nos acompanham durante toda a vida.
Saiba Mais
Recomendamos	a	leitura	da	publicação:	O	lugar	das	Emoções	na	Ética	
e na Metaética.
FIGURA	4
Características 
das	emoções	
autoconscientes 
ou sócio morais
FONTE
Elaborado pelo 
autor (Adaptado 
de	Saarni	et	al.,	
1998)
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção 
Emoção - conceitos e categorização Capítulo 2
No	quadro	observamos	que	as	emoções	autoconscientes	se	referem	a	tudo	que	uma	
pessoa	pode	descobrir	de	si	mesma.	De	modo	contrário,	tudo	aquilo	que	se	manifesta	e	
estabelece	relação	social	com	outras	pessoas	seriam	as	emoçõessócio	morais.
A expressão emocional
Expressar-se emocionalmente é uma das tarefas mais demandadas em nossa 
atualidade,	em	distintos	campos	de	conhecimento	e	em	variadas	áreas	de	atividade	
profissional.
Atualmente,	 temos	 à	 nossa	 disposição	 vários	 recursos	 e	 estratégias	 que	 facilitam	 a	
compreensão	 de	 nossas	 emoções.	 Sabemos	 que	 desde	 pequenos	 demonstramos	
nossas	emoções	com	gestos,	expressões	e	feições	faciais.	Em	média,	a	partir	dos	três	
anos	selecionamos	os	sinais	que	desejamos	expressar	emocionalmente,	mantendo	uma	
interação	com	a	figura	de	apego.	Mas,	as	grandes	mudanças	com	respeito	às	expressões	
emocionais	são	definidas	com	o	início	da	linguagem.	É	aí	que	ampliamos	nossa	rede	
social e a expressão emocional passa a ser uma grande ferramenta socializadora.
FIGURA	6
Retrato	de	vários	rostos	ou	emoções
FONTE
Freepik
Empatia
“A empatia diz respeito à 
capacidade de compreender 
o outro através do seu ponto 
de	 referência”	 (PALHOÇO,	 2011).	
Como sabemos que uma pessoa 
é	empática?	Pois	bem,	é	por	meio	
da	 linguagem,	 comunicação	
não verbal e verbal que 
averiguamos a empatia no outro. 
No	entanto,	se	observamos	estas	
prerrogativas	 iremos	 identificar	
dois fatores básicos: o cognitivo e 
o	emocional.	Nesse	sentido,	estes	
fatores podem nos ajudar a atuar 
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção 
Emoção - conceitos e categorização Capítulo 2
com empatia diante de uma determinada situação.
Nas	pesquisas	sobre	o	desenvolvimento	 infantil	 é	possível	 verificar	e	 reconhecer	que	
as	 relações	 empáticas	 se	 tornam	 mais	 evidentes,	 a	 partir	 do	 desenvolvimento	 da	
linguagem. As crianças são mais propensas a colocar-se no lugar de outros devido aos 
vínculos afetivos que foram gerados desde a primeira infância.
Palhoço	 (2011)	 afirma	 que	 as	 crianças	 manifestam	 desde	 cedo	 sinais	 de	 empatia,	
nomeadamente	ao	nível	do	contágio	emocional,	pois	na	maternidade	os	bebês	choram	
em resposta ao choro dos outros e as crianças de um ano que veem o sofrimento de 
outra	criança,	procuram	confortá-la	(ZAHN-WAXLER	et	al.	apud	PALHOÇO,	2011).
Resumindo
Gostou	 do	 que	 lhe	 mostramos?	 Aprendeu	 mesmo?	 Agora,	 só	 para	
termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo 
desse	capítulo,	vamos	resumir	tudo	o	que	vimos.	Primeiro,	você	observou	
que a emoção é um dos temas de pesquisa mais desenvolvidos nos 
últimos anos. É um tema que provoca até hoje curiosidade de muitos 
investigadores,	 isso	 porque	 muitas	 vezes	 não	 sabemos	 qual	 é	 o	
verdadeiro	 caminho	 percorrido	 para	 justificar	 uma	 emoção	 ou	 outra.	
As pesquisas sobre emoção são antigas e atualmente ampliamos 
nossos	 conhecimentos	 a	 respeito	 dos	 processos,	 características	 e	
meios utilizados por nosso cérebro para memorizar uma informação ou 
outra.	Também	é	importante	destacar	que	as	emoções	básicas	podem	
influenciar	de	certa	maneira	nossa	conduta,	atitude	ou	habilidade	para	
desenvolver	 uma	 tarefa.	 Terceiro,	 a	 empatia	 nos	 permite	 reconhecer	
e compreender o outro sendo essa uma capacidade diretamente 
relacionada	ao	desenvolvimento	das	emoções.
@faculdadelibano_
3
Funções 
executivas 
- resolução 
de problemas e 
linguagem
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Capítulo 3
Funções executivas - 
resolução de problemas e 
linguagem
Objetivos
Ao	 término	do	estudo	deste	capítulo	você	será	capaz	de	 identificar	o	
conceito	de	funções	executivas	e	sua	importância	para	o	desenvolvimento	
das	habilidades	do	ser	humano.	Valorizar	o	período	da	primeira	infância	
como primordial ao desenvolvimento das habilidades do ser humano. 
Identificar	a	 linguagem	como	um	processo	no	desenvolvimento	sob	a	
perspectiva da psicologia cognitiva. E então? Motivado para desenvolver 
essa competência? Então vamos lá.
O que são as funções executivas?
As	funções	executivas	representam	um	conjunto	de	habilidades	específicas	dos	seres	
humanos.	 Lezak	 (1997)	 distingue-as	 entre	 funções	 cognitivas,	 percepção,	 memória	 e	
pensamento	e	outras	formas	de	cognição	que	regulam	o	comportamento	humano,	a	
saber:	comportamento	emocional	e	funções	executivas.
Se	você	observar	a	literatura	sobre	o	tema,	irá	encontrar	uma	variedade	de	sinônimos,	
por	exemplo:	funções	de	supervisão,	funções	frontais,	funções	de	controle,	entre	outros.	
Majolino	(2000)	considera	que	existe	uma	variedade	de	processos	e	funções,	como	por	
exemplo:	 resolução	 de	 problemas,	 organização	 estratégica,	 decisão,	 inibição	 seletiva	
de	comportamento,	seleção,	verificação	e	controle	da	execução	de	uma	dada	ação,	
flexibilidade	cognitiva,	memória	operacional,	entre	outras.
Nesse	ponto	de	nossas	atividades,	observe	que	você	tem	a	capacidade	de	organizar,	
reflexionar	e	analisar	todas	as	informações	que	foram	recebidas	até	aqui,	inclusive	os	
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Funções executivas - resolução de problemas e linguagem Capítulo 3
FIGURA	7
Função executiva
FONTE
Pixabay
O	 Núcleo	 Ciência	 pela	 Infância,	 em	 seus	 estudos	 sobre	 as	 Funções	 executivas	 e	
Desenvolvimento	 na	 Primeira	 Infância,	 descreve	 as	 habilidades	 necessárias	 para	 a	
autonomia e apresenta um estudo sobre essa temática em que indica o conceito de 
funções	executivas	e	nos	auxilia	como	referência	para	ampliar	nossos	conhecimentos.	
Vamos	ver	o	que	eles	descobriram:
De	acordo	com	o	Comitê	Científico	do	Núcleo	Ciência	pela	Infância	em	2016,	as	funções	
executivas	constituem	um	conjunto	de	habilidades	que	possibilitam	uma	reflexão	atenta,	
isto	é,	deliberada	e	intencionada	a	alcançar	um	objetivo.	O	bom	funcionamento	executivo	
permite	 ao	 indivíduo	 refletir	 antes	 de	 agir,	 trabalhar	 diferentes	 ideias	 mentalmente,	
solucionardesafios	inesperados,	pensar	sob	diferentes	ângulos,	reconsiderar	opiniões	e	
evitar	distrações.	Assim,	essas	habilidades	são	fundamentais	para	tomar	decisões,	viver	
e	 pensar	 com	 autonomia.	 Seu	 principal	 desenvolvimento	 ocorre	 de	 zero	 a	 seis	 anos,	
período	que	corresponde	à	primeira	infância	e	é	fortemente	influenciado	pela	qualidade	
e	quantidade	de	experiências	que	as	crianças	podem	ter,	 inclusive	 relacionadas	aos	
aspectos biológicos e emocionais.
erros,	as	observações	e	as	inferências.	Essa	habilidade,	
além	de	trazer	uma	formação	qualificada,	promove	
a capacidade de contextualizar estes conhecimentos 
com	sua	vida	acadêmica,	profissional	e	pessoal.
 
Assim,	quando	falamos	sobre	as	funções	executivas	
entende-se que estamos pesquisando sobre 
processos cognitivos distintos:
• Conhecimento.
• Comportamento.
• Capacidades e habilidades para executar 
alguma	 tarefa,	 sequência,	 organização	 e	 aplicação	
de uma determinada atividade.
Saiba Mais
Entenda	 mais	 sobre	 o	 assunto,	 leia	 “FUNÇÕES	 EXECUTIVAS	 E	
DESENVOLVIMENTO	NA	PRIMEIRA	INFÂNCIA:		HABILIDADES	NECESSÁRIAS	PARA	
A	AUTONOMIA”,	Ministério	do	Desenvolvimento	Social	(MDS).	2016.
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Funções executivas - resolução de problemas e linguagem Capítulo 3
De	acordo	com	esse	documento,	as	Funções	executivas	apresentam	três	dimensões	
que,	apesar	de	distintas,	estão	interligadas:
• Memória	de	trabalho:	permite	armazenar,	relacionar	e	pensar	informações	no	curto	
prazo. Exemplo: você se lembra do que estava fazendo antes de voltar a estudar esse 
capítulo?
• Controle	 inibitório:	possibilita	controlar	e	filtrar	pensamentos,	 ter	o	domínio	sobre	a	
atenção,	o	pensamento,	as	emoções	e	o	comportamento.	Exemplo:	Você	consegue	
ler um livro com a televisão ligada em um reality show?
• Flexibilidade cognitiva: permite mudar de perspectiva no momento de pensar e agir 
e considerar diferentes ângulos na tomada de decisão. Exemplo: quando um aluno 
realiza	 uma	 multiplicação	 e	 se	 equivoca,	 percebe	 o	 seu	 erro	 para	 logo	 realizar	 a	
correção.
Existe	 uma	 relação	 entre	 funções	 executivas	 e	 autorregulação.	 Inclusive,	 alguns	
pesquisadores realizaram estudos sobre as duas terminologias. Indicaremos o que diz 
o	 Comitê	 Científico	 do	 Núcleo	 de	 Ciência	 pelaInfância,	 a	 saber:	 a	 autorregulação	 é	
uma	habilidade	que	está	interligada	às	funções	executivas.	Sua	definição	equipara-se,	
em	larga	medida,	ao	controle	inibitório.	Porém,	o	campo	de	estudo	da	autorregulação	
compreende	 mais	 aspectos.	 Enquanto	 pesquisadores	 de	 funções	 executivas	 se	
concentram	mais	em	pensamentos,	atenção	e	ações,	os	pensadores	de	autorregulação	
consideram	mais	as	emoções.	A	pesquisa	em	autorregulação	também	se	diferencia	por	
compreender	a	importância	da	motivação	e	do	empenho	nas	respostas	às	emoções.	
Assim,	 o	 conceito	 de	 autorregulação	 é	 mais	 amplo	 e	 abrange	 o	 monitoramento	 a	
regulação	e	o	controle	dos	estados	emocionais,	motivacionais	e	cognitivos	do	indivíduo.
 
Primeira infância: o que é?
Podemos	definir	o	termo	primeira	infância	como:
Primeira infância representa o período de vida compreendido do 
nascimento até os seis anos e constitui um período sensível para o 
desenvolvimento de diversas habilidades de acordo com o Comitê 
Científico	do	Núcleo	Ciência	pela	Infância.
Em	 outras	 palavras,	 esse	 período	 de	 vida	 concentra	 grandes	 possibilidades	 de	
desenvolvimento	cognitivo.	Você,	como	profissional,	deve	conhecer	a	potencialidade	do	
desenvolvimento nessa fase da infância.
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Funções executivas - resolução de problemas e linguagem Capítulo 3
que não foi possível alcançar todos os objetivos previstos pelos órgãos nacionais e 
internacionais.	Não	obstante,	estamos	sofrendo	uma	queda	significativa	nas	discussões	
sobre o tema.
Embora	enfrentemos	dificuldades,	nossa	contribuição	é	zelar	para	garantir	a	atenção	
adequada	 às	 crianças	 na	 primeira	 infância.	 Por	 isso,	 é	 importante	 organizar	 tanto	 a	
sociedade	como	os	profissionais	para	melhorar	os	índices	de	desenvolvimento	infantil	
do país.
Resolução de problemas
Quantos problemas enfrentamos no dia a dia? Qual é o problema que você precisa 
resolver	hoje?	Quais	são	os	seus	objetivos	profissionais?
Lembre-se	que	resolver	todos	os	problemas	de	uma	vez	não	é	o	importante,	mas	sim	
aprender	como	resolvê-los.	Primeiro,	você	sabe	o	que	significa	ou	como	se	configura	o	
conceito	de	problema?	Segundo,	você	já	parou	para	pensar	quais	são	as	características	
de	um	problema?	Enfim,	vamos	tentar	nos	organizar	para	compreender	qual	o	significado	
de resolver problemas.
Primeira Infância no Brasil
A primeira infância é objeto de estudo e um tema de 
elevada importância para que a sociedade possa 
alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável 
do	 milênio.	 Com	 isso	 em	 mente,	 vamos	 verificar	 que,	
desde	 2004,	 o	 Comitê	 dos	 Direitos	 da	 Criança	 das	
Nações	 Unidas	 elaborou	 documentos	 de	 referência	
para	 que	 políticos	 e	 profissionais	 de	 todo	 o	 mundo	
pudessem compreender as necessidades das crianças 
nesse período de desenvolvimento.
No	 Brasil,	 muitos	 pesquisadores	 aderiram	 à	 mesma	
causa e ampliaram o raio de suas pesquisas 
com	 a	 finalidade	 de	 proporcionar	 qualidade	 ao	
desenvolvimento	 cognitivo,	 educacional	 e	 social	 dos	
indivíduos	dessa	 faixa-etária.	Mesmo	assim,	 sabemos	
FIGURA	8
Primeira infância
FONTE
Pixabay
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Funções executivas - resolução de problemas e linguagem Capítulo 3
Observe:
1. Os problemas de um indivíduo não são iguais ao de outro.
2.	 Os	problemas	possuem	dimensões	diferentes	e	que	podem	variar	de	acordo	com	o	
indivíduo e sua cultura.
3.	 Os problemas dos adultos não são os mesmos que de uma criança.
4.	 Existem estratégias para resolver os problemas.
5.	 Cada	problema	apresenta	uma	estrutura	específica.
6.	 Para	encontrar	uma	resolução	adequada,	o	problema	precisa	ser	bem	definido.
Perspectiva histórica
Assistimos,	 a	 partir	 do	 século	 XX,	 um	 grande	 interesse	 dos	 educadores	 e	 psicólogos	
sobre	a	resolução	de	problemas.	Um	dos	pioneiros	foi	E.	L.	Thorndike	(1911),	que	concluiu	
que	 a	 resolução	 de	 problemas	 está	 baseada	 em	 condutas	 de	 ensaio	 e	 erro	 e	 logo,	
uma	 solução.	 Contrastando	 com	 Thorndike,	 John	 Dewey	 considerou	 a	 resolução	 de	
problemas	como	um	processo	consciente	e	deliberado,	que	demonstra	a	organização	
por parte do indivíduo para solucionar o problema. 
Essa	organização	ocorre	de	modo	natural	e	obedece	a	uma	seleção	de	passos	a	seguir,	
são eles:
1. Apresentação do problema.
2.	 Definição	do	problema.
3.	 Desenvolvimento de hipóteses.
4.	 Colocar em prática a hipótese ou hipóteses.
5.	 Selecionar a melhor hipótese.
De	outro	modo,	Wolfang	Köhler	(1887-1967),	depois	de	várias	pesquisas	com	chimpanzés,	
afirmou	que	para	a	resolução	de	qualquer	problema	existe	uma	conduta	(ou	melhor,	
um	 insigth)	 que	 leva	 à	 resposta.	 Isto	 quer	 dizer	 que	 para	 resolver	 um	 problema	 não	
necessitamos de vários ensaios e erros para encontrar a solução.
Desde	 a	 década	 de	 50	 surgiram	 novas	 pesquisas	 e	 modelos	 sobre	 a	 resolução	 de	
problemas.	A	partir	desse	período,	contamos	também	com	as	inovações	na	psicologia	
cognitiva,	 garantindo	 outros	 tipos	 de	 considerações	 sobre	 o	 processamento	 da	
informação.	Apesar	disso,	a	maioria	das	teorias	sobre	a	resolução	de	problemas	leva	
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Funções executivas - resolução de problemas e linguagem Capítulo 3
em consideração as etapas descritas por Dewey.
Por	exemplo,	quando	observamos	a	imagem	de	um	labirinto,	que	caminho	escolhemos	
para atravessá-lo?
Estratégias para resolver problemas
Para	cada	problema,	uma	solução.	Best	(2001)	indica	uma	definição	moderna	sobre	o	
conceito	de	estratégia,	vejamos:
 
As	 estratégias	 se	 definem	 como	 um	 movimento,	 ou	 prova,	 ou	
tentativa destinada a mudar algo e promover a informação sobre 
determinado problema. Os psicólogos cognitivos descrevem duas 
classes de estratégias: heurísticas e algoritmos:
Algoritmo: procedimento que oferece garantia de produzir uma 
resposta a um problema.
Heurístico:	 são	 aplicadas	 regras	 empíricas	 a	 partir	 da	 experiência	
para	a	resolução	de	um	problema.	(BEST,	2001,	p.	413)
Newell	e	Simon	(1958	-1978)	desenvolveram	uma	teoria	muito	popular	entre	os	psicólogos	
cognitivos.	 Criaram	 em	 1957	 um	 programa	 de	 computador	 que	 propunha	 resolver	
problemas	gerais.	Sua	teoria,	conhecida	como	a	teoria	de	processamento	de	informação,	
parte do conceito da apresentação do problema com dois tipos de representação. De 
acordo	com	estes	autores,	o	ser	humano	busca	estratégias	similares	e,	a	partir	disso,	
concebe que o processamento de informação não é tão complexo. É importante 
FIGURA	9
O problema do labirinto
FONTE
Pixabay
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Funções executivas - resolução de problemas e linguagem Capítulo 3
ressaltar	que,	segundo	essa	teoria,	o	problema	deve	ser	analisado	em	profundidade	e	
com	a	máxima	neutralidade	possível,	o	que	se	postulou	a	chamar	de	entorno	operativo.
 
Lembre-se	que,	ao	tentar	resolver	um	problema	(dentro	dessa	perspectiva)	é	necessário	
organizar	informações	sobre	o	entorno	do	problema	ou	o	porquê?	Depois,	é	necessário	
reconhecer	que	algumas	representações	são	mais	importantes	que	outras.	Os	autores	
entendem	 que	 o	 espaço	 do	 problema	 é	 aquele	 em	 que	 se	 justifica	 pela	 falta	 de	
conhecimento	de	todas	as	variáveis.	A	partir	do	quadro,	analise	e	tente	resolver	alguns	
dos problemas dentro dessa perspectiva.
QUADRO	5
Métodos e resolução de problemas
FONTE
Elaborada	pelo	Autor,	adaptado	de	Best	(2001).
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Funções executivas - resolução de problemas e linguagem Capítulo 3
Linguagem
A compreensão e a aquisição da linguagem são dois temas muito controversos e 
presentes em nossa dinâmica e condição humana. Não é possível nos imaginar sem 
estas habilidades.
Chauí	(2000)	cita	o	que	afirma	Aristóteles	em	sua	obra	Política,	a	saber:
O	homem	é	um	animal	político,	isto	é,	social	e	cívico,	porque	somente	
ele é dotado de linguagem. Escreve Aristóteles: os outros animais 
possuem	 voz	 (phone)	 e	 com	 ela	 exprimem	 dore	 prazer,	 mas	 o	
homem	possui	a	palavra	(logos)	e	com	ela,	exprime	o	bom	e	o	mau,	
o	justo	e	o	injusto.	(CHAUÍ,	2000)
 
Então,	o	que	significa	linguagem?	Para	simplificar,	os	componentes	ou	dimensões	para	
compreender	em	sentido	amplo	o	termo	linguagem,	são	eles:
• Semântica:	estuda	o	significado	das	palavras	e	orações.
• Fonologia	e	sintaxe:	estuda	o	material	sonoro	da	linguagem	no	ser	humano	(fonemas,	
combinações	de	fonemas,	entoação,	sotaque,	entre	outros)	e	a	ordem	e	relações	de	
dependência que devem existir entre os elementos da oração.
• Pragmática: está relacionada com o uso de nosso conhecimento social. Por 
exemplo,	como	expressamos	nossas	intenções,	como	introduzimos	modificações	em	
nosso	 modo	 de	 falar	 dependendo	 do	 grupo	 em	 que	 estamos,	 como	 escolhemos	
informações	em	função	do	nosso	interlocutor	ou	também	em	função	da	informação	
que	supomos	que	possui	o	interlocutor,	entre	eles.
Bloom	e	Lahey	(1978)	resumem	estas	dimensões	em	três:	conteúdo	(semântica),	forma	
(fonologia	 e	 morfossintaxe)	 e	 usabilidade	 (pragmática).	 A	 linguagem	 não	 pode	 ser	
compreendida	como	mero	processo	de	comunicação	Dessa	forma,	não	entenderíamos	
a variedade e o poder do homem quando emite uma mensagem.
Linguagem e psicologia cognitiva
Sabemos que algumas das teorias e estudos que dizem respeito à linguagem se 
desenvolveram	 junto	 com	 a	 evolução	 da	 psicologia	 cognitiva.	 De	 outro	 modo,	 os	
psicólogos	estiveram	interessados	nas	pesquisas	e	estudos	da	área	de	linguística,	dando	
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Funções executivas - resolução de problemas e linguagem Capítulo 3
origem à disciplina de psicolinguística. Os linguistas e os psicolinguistas compartilham 
interesses e contribuem com pesquisas nas duas áreas.
Saiba Mais
Avram	 Noam	 Chomsky	 é	 um	 linguista,	 filósofo,	 Politólogo	 e	 ativista	
americano. Professor emérito do instituto tecnológico de Massachusetts 
(MIT)	que	propôs	a	gramática	generativa	no	centro	das	pesquisas	sobre	
linguística. Leia um de seus livros: “A Ciência da Linguagem: Conversas 
com James McGilvray”
Resumindo
Gostou	 do	 que	 lhe	 mostramos?	 Aprendeu	 mesmo?	 Agora,	 só	 para	
termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo 
desse	 capítulo,	 vamos	 resumir	 tudo	 o	 que	 vimos.	 Com	 esse	 capítulo	
aprendemos	 o	 conceito	 de	 Funções	 executivas	 e	 o	 que	 representam	
para o desenvolvimento humano. Analisamos o termo “primeira 
infância”	 e	 seu	 significado	 e	 importância.	 Além	 disso,	 tecemos	 alguns	
questionamentos sobre a primeira infância no Brasil e como devemos 
valorizá-la.	 Fechamos	o	 tópico	pontuando	a	 importância	das	 funções	
executivas no desenvolvimento da primeira infância. Apresentamos 
a resolução de problemas a partir de uma perspectiva histórica e 
algumas das estratégias utilizadas para resolver problemas. O capítulo 
é	concluido	abordando	aspectos	sobre	a	linguagem,	seu	significado	e	
quais	os	componentes	ou	dimensões	para	compreender	o	processo	de	
linguagem.	 Além	 disso,	 analisamos	 o	 desenvolvimento	 da	 linguagem	
sob a perspectiva da psicologia cognitiva.
@faculdadelibano_
4
O processo escolar de 
ensino-aprendizagem
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
Capítulo 4
O processo escolar de 
ensino-aprendizagem
Objetivos
Ao término do estudo deste capítulo você será capaz de reconhecer o 
desenvolvimento	 das	 teorias	 da	 psicologia	 que	 trazem	 contribuições	
para a compreensão dos processos de ensino-aprendizagem. 
Compreender	o	processo	de	aprender	e	ensinar	a	partir	das	concepções	
de	aprendizagem	que	definem	seu	significado.
A cognição na escola
O	 	 desenvolvimento	 	 	 de	 investigações	 sobre	 a	 linguagem	 permitiu	 que	 muitos	
pesquisadores	produzissem	uma	rede	de	informações	a	respeito	do	tema.	Além	disso,	
essas	pesquisas	e	estudos	provocaram	grande	interesse	sobre	a	área	da	aprendizagem,	
principalmente	 explicações	 sobre	 o	 processo	 de	 aquisição	 da	 linguagem	 e	 as	
competências escolares básicas.
Atualmente,	os	pesquisadores	seguem	fascinados	pelo	tema	da	linguagem	e	estudam	
fenômenos como a consciência infantil sobre o uso da palavra impressa e a natureza 
dos	debates	na	aula.	Por	exemplo,	alguns	pesquisadores	defendem	que	esses	temas	
estão estritamente relacionados com o uso social da linguagem onde convivem as 
crianças	ou	em	suas	comunidades	e	nas	escolas	(BRUNING,	2012,	p.	256).
O	 domínio	 da	 linguagem	 é	 essencial	 para	 enfrentar	 os	 desafios	 sociais	 na	 escola.	
Praticamente todos os alunos possuem a capacidade linguística básica para aprender 
a	ler	e	escrever.	Mesmo	assim,	enfrentam	muitos	desafios	para	avançar	com	sucesso	
nas	etapas	escolares.	Estes	desafios	podem	ser	culturais,	sociais	e	cognitivos.
 
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
O processo escolar de ensino-aprendizagem Capítulo 4
Essa imagem nos remete à seguinte pergunta: Como ocorre o processo de ensino-
aprendizagem?	Para	responder	a	essa	pergunta,	revisitamos	a	década	de	60	porque,	de	
acordo	com	Kubo	e	Botomé	(2001),	esse	período	de	nossa	história	recente	está	marcado	
por	lesões	profundas	em	nosso	país.	Segundo	os	autores,	foi	um	período	em	que	a	visão	
sobre	as	contribuições	de	Paulo	Freire,	reconhecido	mundialmente	por	sua	Proposta	de	
Alfabetização	de	Adultos,	passaram	a	ser	rechaçadas	pelas	políticas	educacionais.
Em	contrapartida	às	teorias,	relacionadas	ao	comportamentalismo,	passam	a	influenciar	
uma	proposta	pedagógica	denominada	Pedagogia	Tecnicista,	cada	vez	mais	utilizada	
nas	 escolas	 e	 que	 traz	 propostas	 como	 Programação	 de	 Condições	 de	 Ensino	 de	
Carolina	M.	Bori,	entre	outros	pesquisadores	comportamentalistas.
As	 pesquisas	 na	 psicologia	 escolar	 dividem,	 distintas	 concepções	 de	 como	 se	 dá	 a	
compreensão	 dos	 processos	 ensino-aprendizagem.	 Entre	 outros,	 vamos	 conhecer	 o	
modelo ambientalista e o modelo interacionista.
 
Como	 representante	 do	 modelo	 ambientalista,	 desenvolvendo	 uma	 proposta	
pedagógicatecnicista,	 baseada	 na	 teoriado	 comportamentalismo,	 destaca-se	 o	
trabalho	 de	 Carolina	 M.	 Bori,	 que	 propôs	 uma	 metodologia	 de	 ensino	 centrada	 nas	
perspectivas	científicas,	principalmente	na	área	de	psicologia.	Um	dos	seus	objetivos	
era levar o aluno ao centro do trabalho de ensino. Carolina Bori iniciou suas experiências 
na Universidade de São Paulo. 
FIGURA	10
Desafio	de	aprender
FONTE
Pixabay
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
O processo escolar de ensino-aprendizagem Capítulo 4
A	colaboração	de	seu	trabalho	tinha	como	finalidade:
colocar o aluno no centro de seu processo de aprendizagem e 
seus	princípios	eram:	o	ensino	deveria	ser	definido	pela	atuação	do	
aluno.	 A	 aprendizagem	 deveria	 ser	 feita	 em	 etapas	 pequenas,	 de	
acordo com as características do aluno e de suas possibilidades 
de aprendizagem. O aluno deveria poder prosseguir de acordo com 
seu ritmo. A cada aprendizagem dos alunos e os procedimentos 
do professor deveriam ser objeto de estudo constante e no próprio 
curso,	de	forma	a	fornecer	conhecimento	para	o	aperfeiçoamento,	
não	apenas	das	técnicas,	mas	também	dos	conceitos	fundamentais	
envolvidos	nos	processos	de	ensinar	e	de	aprender.	(KUBO	e	BOTOMÉ,	
2001)
Esse conceito de aprendizagem tecnicista apresenta como objetivo principal formar o 
indivíduo para o mercado de trabalho.
Dentro	 do	 modelo	 Interacionista,	 como	 forma	 de	 compreender	 o	 processo	 ensino-
aprendizagem,	consideramos	que	Paulo	Freire	trouxe	uma	proposta	inovadora	e	para	
além	de	um	simples	método.	Por	exemplo,	podemos	citar	a	alfabetização	de	adultos,	a	
pedagogia	do	oprimido,	entre	outras.	Freire	nos	indica	algumas	proposições,	tais	como	
reconhecer	a	importância	do	contexto	do	aluno	no	processo	de	ensinar,	que	desafiem	o	
aluno	a	pensar	criticamente	e	que	apresentem	um	currículo	significativo,	expressos	em	
uma	Pedagogia	Crítica.	Segundo	Kubo	e	Botomé	(2001),	Paulo	Freire
Apresenta em seus textos uma concepção sobre como fazer a 
mediação entre o conhecimentoe a relação da pessoa com a sua 
realidade	de	inserção,	sua	vida	concreta,	fora	dos	limites	temporais	
e	 geográficos	 das	 condições	 de	 ensino	 e	 isso	 vai	 além	 do	 seu	
denominado	Método	de	Alfabetização	de	Adultos.	(KUBO	e	BOTOMÉ,	
2001)
 
Conceito de aprendizagem
Podemos	 definir	 o	 termo	 “aprendizagem”,	 dentro	 do	 contexto	 da	 psicologia	 do	
comportamento,	da	seguinte	maneira:
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
O processo escolar de ensino-aprendizagem Capítulo 4
Em	 outras	 palavras,	 esse	 conceito	 está	 fundamentado	 nas	 investigações	 empiristas	
da	Psicologia,	citadas	anteriormente	no	modelo	ambientalista.	Estas	pesquisas	em	sua	
maioria	estão	baseadas	no	associacionismo,	um	dos	seus	expoentes	é	o	behaviorismo,	
que	define	a	psicologia	como	uma	ciência	do	comportamento.
Aprendizagem e suas definições
Na	realidade,	o	termo	aprendizagem	recebe	outras	definições	que	vão	variar	conforme	
o modelo teórico. O que não podemos esquecer é que todas defendem a aprendizagem 
como um importante processo para o desenvolvimento cognitivo.
Por	 	 isso,	 ampliamos	 um	 pouco	 nossas	 considerações	 sobre	 o	 significado	 da	
aprendizagem.	 “Não	 é	 só	 a	 aprendizagem	 que	 provoca	 alterações	 na	 conduta	 [...]	
também	a	motivação,	as	 reações	 inatas	cerebrais,	as	drogas,	a	 fadiga,	entre	outros”	
(BRAGHIROLLI,	1999,	p.	119	apud	DÍAZ,	2011).
Ver	é	uma	propriedade	fisiológica	inata	do	sistema	visual,	portanto,	
não	se	aprende.	Logo,	a	aprendizagem	pressupõe	uma	modificação	
externa,	de	tipo	físico	(no	comportamento),	produto	de	outra	interna	
(psicológica),	 o	 que	 permite	 alcançar	 determinado	 objetivo	 e	 só	
podemos	considerar	aprendizagem	se	a	modificação	for	adequada	
e	estável	na	atividade	que	surge,	graças	a	uma	atividade	precedente	
e	não	provocada	diretamente	por	 reações	fisiológicas	e	 inatas	do	
organismo	(DIAZ,	2011).
Definição
Aprendizagem é a mudança de comportamento resultante do treino ou 
da	experiência”	(GIUSTA,	2013).
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
O processo escolar de ensino-aprendizagem Capítulo 4
Conclui-se	que	o	processo	ensino-aprendizagem	é	um	processo	complexo,	no	qual	estão	
presentes	os	fatores	psíquicos,	orgânicos,	sociais	e	afetivos.	A	consideração	sobre	como	
esses fatores vão se relacionar para a concepção desse fenômeno e varia conforme o 
modelo de desenvolvimento psíquico estudado.
FIGURA 11
Aprendizagem como um 
processo
FONTE
Elaborado	pelo	autor	(2021).
FIGURA	12
Organograma de 
aprendizagem como um 
processo
FONTE
Elaborado	pelo	autor	(2021).
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
O processo escolar de ensino-aprendizagem Capítulo 4
Como aprendemos?
A	partir	das	diferentes	concepções	de	aprendizagem	surgem	também	as	características	
sobre	a	forma	ou	método	de	como	aprender.	Díaz	(2011)	apresenta	alguns	tipos	e	formas	
de	aprendizado	seguindo	uma	revisão	bibliográfica	baseada	em	autores	de	referência	
sobre	o	tema,	a	saber:
1. Aprendizagem por Condicionamento Simples: produz-se a partir da relação entre os 
reflexos	incondicionados	(inatos)	e	os	reflexos	condicionados	(adquiridos).	Constitui	
uma	aprendizagem	simples	em	seu	procedimento	e	elementar	em	seu	 resultado,	
baseia-	se	na	famosa	relação	estímulo	–	resposta	(E-R),	resultado	das	investigações	
de	Pavlov	 (Reflexologia)	e	posteriormente	por	Watson,	criador	do	Behaviorismo	ou	
comportamentalismo.
2.	 Aprendizagem por Condicionamento Operante: é conhecida também como 
Aprendizagem	 Instrumental	 e	 foi	 descrita	 por	 Skinner,	 psicólogo	 behaviorista	 que,	
partindo	do	esquema	E-R,	desenvolveu	um	conceito	muito	importante	nessa	proposta	
e que tem grande aplicação nas ciências humanas: o reforço do comportamento 
aprendido	(positivo	ou	negativo).
3.	 Aprendizagem por Ensino e Erro: refere-se àquela que é produzida testando diferentes 
alternativas	 de	 respostas,	 uma	 a	 uma,	 até	 encontrar	 a	 resposta	 que	 satisfaz	 a	
exigência	(ou	estímulo)	que	desencadeou	a	ação	do	sujeito,	depois	de	sucessivas	
respostas erradas.
4.	 Aprendizagem por Imitação: não é entendida como mera e simples repetição 
mecânica.	 Vygotsky	 foi	 um	 dos	 primeiros	 pesquisadores	 a	 priorizar	 o	 estudo	 da	
imitação	humana,	como	uma	recriação	do	meio	social,	acumulado	historicamente.	
A	 criança,	 nas	 relações	 sociais,	 se	 apropria	 de	 informações,	 as	 processa	 em	 sua	
subjetividade	 e	 se	 expressa,	 sendo	 um	 processo	 dinâmico	 e	 de	 construção	 do	
conhecimento.
5.	 Aprendizagem por observação: alguns autores não diferenciam a observação e a 
imitação.	Isto	posto,	Bandura	(!960),	por	exemplo,	considera	que	a	observação	que	
um	 sujeito	 realiza	 para	 aprender,	 por	 ser	 uma	 operação	 de	 maior	 concentração	
mental	e	de	mais	dedicação	motivacional,	propicia	uma	aprendizagem	de	maior	
precisão	funcional,	ou	seja,	mais	qualitativa.	Assim,	ele	nos	fala	de	modelação,	ou	seja,	
aprendizagem	por	meio	de	observação	de	modelos	que,	segundo	ele,	consistem	da	
forma	mais	frequente	de	aprender.	(BANDURA,	1960	apud	FALCÃO,	2001,	p.	170).
6.	 Aprendizagem	 por	 Insight:	 tradicionalmente,	 esse	 termo	 é	 considerado	 como	
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
O processo escolar de ensino-aprendizagem Capítulo 4
uma revelação. A aprendizagem por insight pode ser interpretada da seguinte 
maneira:	aquela	em	que	um	sujeito,	repentinamente	e	de	forma	rápida,	estabelece	
determinadas	 associações	 num	 set	 determinado,	 relacionando	 determinados	
componentes	que	antes	estavam	(aparentemente)	desconexos	entre	si	e	que,	nesse	
momento,	se	conectam	solucionando	um	problema	e	produzindo	a	aprendizagem	
correspondente.
7.	 Aprendizagem por Raciocínio: descrita por alguns autores como Aprendizagem 
Racional	 ou	 Intelectual.	 Aqui	 o	 sujeito	 utiliza	 as	 operações	 mentais	 básicas	 do	
pensamento humano para solucionar as exigências estimulantes de uma forma 
organizada,	com	um	fim	previamente	determinado	(aprender	algo)	e	principalmente	
implica	em	uma	grande	atividade	biológica,	psicológica	e	 social,	manifestada	no	
esforço do sujeito para aprender.
Como ensinamos?
Como você ensina um determinado tema à outra pessoa? Como ensinamos um tema 
a	um	grupo	de	pessoas	ou	um	 indivíduo	em	concreto?	Kubo	e	Batomé	(2001),	antes	
de	qualquer	definição,	primeiro	classificam	“ensinar”	como	um	verbo.	Segundo,	por	ser	
um	verbo	se	caracteriza	por	uma	ação.	Terceiro,	definem	o	que	um	professor	faz	em	
um	processo	de	ensino-aprendizagem	para,	a	partir	disso,	analisar	essa	categoria	de	
comportamentos	que	deve	ser	estudada	de	forma	indissociada,	pois	não	existe	ensino	
sem aprendizagem.
Explicando Melhor
A situação de aprendizagem é o momento em que o sujeito enfrenta 
um	 desafio	 interno	 ou	 externo	 relacionado	 ao	 objeto	 que	 deseja	
aprender. Entendemos que a etapa de aprendizagem propriamente dita 
representa a motivação individual que cada um tem por aprender algo. 
Aprendizagem,	refere-se	ao	conhecimento,	habilidade,	valor,	experiência,	
entre outros.
Atenção, Percepção, 
Memória e Emoção
O processo escolar de ensino-aprendizagem Capítulo 4
Não	é	tarefa	fácil	dar	respostas	a	estas	questões,	por	mais	simples	que	possam	parecer.	
Tão	 pouco	 podemos	 simplificar	 o	 verbo	 “ensinar”	 às	 figuras	 de	 um	 determinado	
profissional	e	sua	relação	com	outro	sujeito.
Então,	 Sheffler	 apud	 Passmore	 (1980)	 escreve	 sobre	 ensinar:	 pode	 ser	 caracterizada	
como uma atividade que visa promover a aprendizagem e que é praticada de modo 
a respeitar a integridade intelectual do aluno e a sua capacidade para julgar de modo 
independente	(SHEFFLER,	1973,	apud	PASSMORE,	1980).
Isto	posto,	vejamos	alguns	dos	fatores	que	intervém	na	ação	de	ensinar:
1. Políticas educacionais: é necessário oferecer uma política que aporte subsídios para 
a qualidade do processo de ensinar.
2.	 Métodos educacionais: devem ser claros e orientados com base em conceitos de 
ensino.
3.	 Métodos pedagógicos: é necessário pesquisar sobre a qualidade e efetividade de 
métodos pedagógicosque atendam às necessidades de nossos alunos.
4.	 As	 atividades:	 devem	 apresentar	 um	 reflexo	 do	 momento	 histórico	 e	 cultural	 da	
sociedade.	Também,	ter	como	finalidade	básica	a	formação	de	um	cidadão.
5.	 Profissional:	orientado	para	considerar	o	processo	de	ensinar	em	um	contexto	macro	
e micro.
6.	 Aluno: buscar a responsabilidade sobre os fatores que intervêm em seu processo de 
ensinar.
7.	 Pesquisas: é necessário que você possa buscar estratégias para pesquisar sobre 
como se ensina.
Concepções de aprendizagem
Giusta	 (2013)	 pontua	 que	 o	 conceito	 de	 aprendizagem	 emergiu	 das	 investigações	
empiristas	 em	 Psicologia,	 ou	 seja,	 de	 investigações	 levadas	 a	 termo	 com	 base	 no	
pressuposto	de	que	todo	conhecimento	provém	da	experiência.	Assim,	as	pesquisas	e	
teóricos que defendem essa perspectiva eram denominados associacionistas e uma 
das	 vertentes	 mais	 conhecidas	 até	 os	 dias	 de	 hoje	 é	 o	 behaviorismo.	 Nessa	 linha,	 a	
aprendizagem é resultado de um comportamento controlado e modelado por algumas 
variáveis.
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O processo escolar de ensino-aprendizagem Capítulo 4
Por	outro	lado,	nasce	na	Alemanha	uma	corrente	(Gestalt)	que	se	opõe	à	concepção	
anterior	de	aprendizagem,	mas	que	se	desenvolve	nos	Estados	Unidos.	Completamente	
oposta	 ao	 behaviorismo,	 a	 Gestalt	 fundamenta-se	 em	 um	 viés	 racionalista	 porque	
acredita que todo o conhecimento antecede qualquer experiência de aprendizagem.
Percebemos	 que	 os	 pensadores	 behavioristas	 dispensam	 qualquer	 influência	 de	
questões	 racionais	 sobre	 o	 objeto,	 enquanto	 o	 racionalismo	 prioriza	 essa	 posição.	
Você	 pode	 observar	 que	 a	 “Gestalt	 rejeita	 a	 tese	 de	 que	 o	 conhecimento	 seja	 fruto	
da	aprendizagem.	De	acordo	com	seus	adeptos,	os	sujeitos	 reagem	não	a	estímulos	
específicos,	 mas	 a	 configurações	 perceptuais.	 As	 gestaltens	 (configurações)	 são	 as	
legítimas	unidades	mentais	e	por	elas	a	psicologia	deve	voltar-se	(GIUSTA,	2013).	Percebe-
se que a Gestalt observa as estruturas mentais em detrimento da experiência do sujeito.
Atualmente,	 destacamos	 o	 paradigma	 da	 cognição	 situada	 como	 uma	 das	 mais	
representativas	concepções	da	teoria	e	da	atividade	sociocultural	(DANIELS,	2003	apud	
CESCON,	 2016).	 A	 cognição	 situada	 assume	 diferentes	 formas	 e	 nomes,	 diretamente	
vinculados	 com	 conceitos	 como:	 aprendizagem	 situada,	 participação	 periférica	
legítima,	aprendizagem	cognitiva	(cognitive	apprenticeship)	ou	aprendizagem	artesanal	
(CESCON,	2016).
Essa	 perspectiva	 recente	 e	 com	 enfoque	 instrucional,	 o	 ensino	 situado,	 prioriza	 a	
atividade e o contexto para a aprendizagem e reconhece que a aprendizagem escolar 
está	determinada	por	um	processo	de	enculturação,	no	qual	os	estudantes	partilham	
a	ideia	de	que	aprender	e	fazer	são	ações	inseparáveis.	Assim,	os	teóricos	da	cognição	
situada	defendem	um	ensino	centrado	em	práticas	educativas,	coerentes,	significativas	
e propositivas.
Cescon	(2016)	apresenta	um	exemplo	que	ilustra	as	diversas	opções	de	ensino	da	matéria	
estatística no curso de Psicologia. Esse exemplo vincula a noção de aprendizagem 
significativa	com	as	ideias	da	visão	sociocultural	e	o	modelo	de	cognição	situada,	com	
o seguinte enunciado instrucional-motivacional:
A propensão e as capacidades dos estudantes para raciocinar 
estatisticamente	 em	 cenários	 autênticos	 (da	 vida	 real)	 pode	 ser,	
consideravelmente,	melhorada	por	meio	de	duas	dimensões:
a)	 Dimensão	 da	 relevância	 cultural.	 Uma	 instrução	 que	 empregue	
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exemplos	 ilustrações,	 analogias,	 discussões	 e	 demonstrações	 que	
sejam relevantes para as culturas as quais os estudantes pertencem 
ou esperam pertencer.
b)	 Dimensão	 da	 atividade	 social.	 Uma	 participação	 tutelada	 num	
contexto	 social	 e	 colaborativo	 de	 solução	 de	 problemas,	 com	 a	
ajuda	de	mediadores	como	a	discussão	em	sala,	o	debate,	o	jogo	de	
papéis	e	a	descoberta	guiada.	(CESCON,	2016,	p.42)
Cescon	(2016),	a	partir	destas	dimensões,	indica	seis	possíveis	enfoques:
1. Instrução descontextualizada: centrada no professor que basicamente transmite as 
regras e fórmulas para o cálculo estatístico.
2.	 Análise colaborativa de dados inventados: assume que é melhor que o aluno faça 
algo,	em	vez	de	só	ser	receptor.
3.	 Instrução baseada em leituras com exemplos relevantes: adapta o estilo de leitura 
de	textos	estatísticos,	com	conteúdos	relevantes	e	significativos,	que	os	estudantes	
podem relacionar com os conceitos e procedimentos estatísticos mais importantes.
4.	 Análise colaborativa de dados relevantes: modelo instrucional centrado no estudante 
e	na	vida	real,	que	busca	induzir	o	raciocínio	estatístico	por	meio	da	discussão	crítica.
5.	 Simulações	 situadas:	 os	 alunos	 se	 envolvem,	 colaborativamente,	 na	 resolução	 de	
problemas simulados ou casos tomados da vida real.
6.	 Aprendizagem	in	 loco:	baseia-se	no	modelo	contemporâneo	de	cognição	situada,	
que	 toma	 a	 forma	 de	 uma	 aprendizagem	 cognitiva,	 a	 qual	 busca	 desenvolver	
habilidades	e	conhecimentos	próprios	da	profissão,	assim	como	a	participação	na	
solução de problemas sociais ou da comunidade a que pertença.
As	 estratégias	 em	 todas	 as	 perspectivas	 são	 importantes	 para	 definir	 uma	 linha	
metodológica	de	trabalho.	Assim,	Cescon	(2016)	destaca	algumas	estratégias	de	ensino	
situado: 
• Aprendizagem centrada na solução de problemas autênticos.
• Análise de casos.
• Métodos de projetos.
• Práticas situadas ou aprendizagem in loco em cenários reais.
• Aprendizagem	no	serviço	(service	learning).
• Exercícios,	demonstrações	e	simulações	situadas.
• Aprendizagem mediada pelas novas tecnologias da informação e comunicação 
(NTIC).
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O processo escolar de ensino-aprendizagem Capítulo 4
Resumindo
Gostou	do	que	lhe	mostramos?	Aprendeu	mesmo?	Agora,	só	para	termos	
certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo desse 
capítulo,	 vamos	 resumir	 tudo	 o	 que	 vimos.	 Você	 deve	 ter	 aprendido	
que o desenvolvimento dos estudos sobre a linguagem desencadeia 
pesquisas	sobre	o	processo	escolar	de	ensino-aprendizagem.	Logo,	se	
fez	necessário	dar	sentido	e	significado	ao	 termo	aprendizagem	para	
entender o contexto escolar a partir dos paradigmas da psicologia e 
da	 pedagogia.	 Também,	 verificamos	 que	 algumas	 concepções	 de	
aprendizagem se fundamentam em teorias do desenvolvimento humano 
e	 estas,	 por	 sua	 vez,	 intervêm	 no	 processo	 escolar	 para	 contribuir	 na	
compreensão do processo ensino-aprendizagem.
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