TEORIA DA LITERATURA II
212 pág.

TEORIA DA LITERATURA II


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Autora
Marta Morais da Costa
2008
Teoria da 
Literatura II
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C837 Costa, Marta Morais da. / Teoria da Literatura II. / 
Marta Morais da Costa. \u2014 Curitiba : IESDE Brasil 
S.A., 2008.
212 p.
ISBN: 978-85-7638-860-9
1. Língua Portuguesa \u2013 Redação. 2. Literatura Épica. 3. Nar-
rativa \u2013 Literatura. 4. Análise do Discurso. I.Título.
CDD 808.0469
Sumário
Natureza do fenômeno literário | 7
Os conceitos do discurso literário | 7
O discurso literário: características | 12
Gêneros literários: conceituação histórica | 19
O que é gênero literário? | 19
O conceito na Antigüidade clássica e medieval | 21
O conceito no Renascimento | 23
O conceito no Romantismo | 23
Conceitos ao longo dos séculos XIX e XX | 24
A perspectiva da atualidade | 26
Gêneros literários: o lírico | 31
O que é poesia lírica? | 31
A concepção musical da Antigüidade | 34
Lirismo, subjetividade e sentimento | 35
Lirismo e visualidade | 37
Gêneros literários: o épico ou narrativo | 45
O que é o gênero épico? | 45
Preceitos aristotélicos sobre a epopéia | 47
A passagem do épico ao romance | 48
Os tipos de epopéias | 50
Gêneros literários: o dramático | 57
A teoria aristotélica do trágico | 57
A dramaturgia épica | 61
As duas linguagens do gênero dramático | 62
Texto dramático e texto cênico | 64
Formas principais do gênero dramático | 66
Gêneros literários: o ensaístico | 75
O gênero de fronteira | 75
O ensaio | 76
A crítica literária e suas funções | 78
O ensaio no discurso literário: a metaficção e a metapoesia | 79
A linguagem poética: poema x poesia | 85
O objeto e funções da poesia | 85
A metáfora e a metonímia | 91
Poemas de forma fixa | 92
A linguagem poética: o ritmo e a rima | 103
Palavra poética e música | 103
Versos e ritmos | 104
Versos e estrofes | 113
Rimas e figuras de efeito sonoro | 114
A estrutura da narrativa: romance | 127
Nascimento e evolução do romance | 127
Ficção e realidade | 129
Tipologia do romance | 131
A estrutura da narrativa: elementos do romance | 145
O foco narrativo | 145
Ação: história e discurso | 149
Espaço e tempo: realismo e imaginário | 151
As personagens e modos de representação | 153
A estrutura da narrativa: conto e novela | 161
Características de conto e da novela | 161
A ação e a representação da realidade no texto narrativo | 165
Tipologia da narrativa curta | 169
A estrutura da narrativa: crônica e ensaio | 175
Crônica, tempo e realidade | 175
A importância literária da crônica | 177
O ensaio como literatura | 182
Gabarito | 189
Referências | 203
Anotações | 209
Apresentação
O estudo teórico da literatura implica conhecer os modelos que 
orientaram, explícita ou implicitamente, a criação de textos literários ao 
longo da história da cultura. Assim, uma disciplina que se proponha a 
 investigar os gêneros literários, como esta que ora apresentamos, procu-
ra trazer informações que esclareçam a origem de termos e conceitos, os 
textos mais importantes dos diferentes gêneros e subgêneros, bem como 
a classificação e as diferenças e semelhanças estabelecidas entre os tex-
tos, na medida em que eles foram se espelhando e interagindo uns com 
os outros.
O primeiro objetivo da disciplina é apresentar as linhas gerais que 
definem os três gêneros literários clássicos: o lírico, o épico e o dramáti-
co. Ao mesmo tempo, os conteúdos mostram que essa classificação não é 
definitiva e permanente, em especial na atualidade, momento em que a 
cultura e a literatura passam por alterações profundas dos paradigmas da 
ciência e da arte.
Um segundo objetivo é o de tratar em forma mais minuciosa as 
principais características desses três gêneros, e as possíveis classificações 
de subgêneros que eles contêm. Para atender a esse objetivo, também são 
tratados tópicos teóricos que abordam os aspectos de identidade de cada 
gênero, seja os relativos aos conteúdos e à contextualização histórica , seja 
aqueles que dizem respeito aos aspectos discursivos.
Um terceiro objetivo é o de apresentar as idéias manifestas em tex-
tos literários, com sua transcrição parcial, acompanhada de comentários 
sintéticos e objetivos. Privilegia-se, portanto, o estudo do texto literário 
como base para melhor compreensão das idéias teóricas expostas. Afinal, 
a literatura é composta pelos textos literários; a teoria lhes é posterior e 
explicativa. 
Um último objetivo é o de expandir o sentido da leitura da litera-
tura para outras expressões artísticas, criando relações entre literatura e 
artes, como a música, o teatro, as artes plásticas e o cinema. A intenção 
é favorecer a ampliação do sentido da literatura para integrá-la à cultura 
humana e ao momento histórico. 
A tarefa de atingir a esses objetivos permite que, em cada assunto 
tratado, as informações trazidas favoreçam a reflexão do leitor e o desejo 
de conhecer melhor as obras citadas. Estas constituem uma biblioteca 
mínima para o aprofundamento dos tópicos desenvolvidos, dado que 
a aprendizagem integral se faz também com a continuidade dos estu-
dos, fora dos limites da orientação do profissional docente, quando o 
estudante se lança, por desejo e vontade próprios, à leitura e à pesquisa 
complementares.
Por fim, a teoria da literatura que trata dos gêneros literários auxi-
lia fortemente na compreensão do fato literário e nas razões que orienta-
ram os escritores a criar poemas, narrativas e peças de teatro filiados de 
alguma maneira a textos anteriores e a concepções discursivas que fo-
ram se repetindo ao longo dos tempos. É a permanência de algumas ca-
racterísticas que, guardadas as devidas proporções e contextualizações, 
continuam a direcionar o pensamento criativo ou a serem combatidas 
por esse pensamento, na busca de novas formas de expressão escrita.
A leitura de poemas, peças teatrais ou narrativas, realizadas com 
o embasamento teórico correspondente e atualizado, cresce e se dina-
miza, capacitando o leitor a se comunicar com qualidade com os tex-
tos literários, prioritariamente, e depois com o mundo que esses textos 
apresentam, representam e presentificam. Porque, teoria e prática são os 
fundamentos da aprendizagem, do conhecimento e do refinamento da 
sensibilidade e do senso estético.
Natureza do 
fenômeno literário
Marta Morais da Costa*
Para tratar da natureza do fenômeno literário, convém lembrar que ele é uma criação histórica, 
ideológica e mutante. Isso se deve a vários fatores: o primeiro deles diz respeito à idéia que se faz sobre 
a constituição do que seja um texto literário, que resulta em uma unidade completa e polissêmica. Para 
tanto, convém analisar a natureza do texto literário para que seja possível estabelecer alguns parâme-
tros de avaliação e julgamento. 
Os conceitos do discurso literário
Os sentidos atribuídos ao termo literatura variaram ao longo da história e apresentam variáveis 
em cada leitor. As diferentes acepções do termo não se referem apenas ao caráter singular de cada indi-
víduo ou de cada época histórica. São inerentes à natureza do objeto que estudamos.
O texto literário se qualifica muito mais pelas diferenças que apresenta quando comparado aos 
não-literários do que por seu próprio e mutável modo de ser. Portanto, tratar de textos literários implica 
conhecer as infinitas nuances que eles vão assumindo na obra de um mesmo autor, nos autores de uma 
mesma geração, na sucessão de autores, obras e épocas literárias e artísticas.
Apesar da dificuldade decorrente dessa mutabilidade, é possível verificar que algumas caracte-
rísticas permanecem ao